escravo1Você é a favor da escravidão? Pode parecer estranho e até ofensivo eu te perguntar isso, afinal, nenhum ser humano civilizado considera a escravidão humana algo correto, não é mesmo? Bem, na verdade, até pouco mais de um século, aqui mesmo no Brasil, milhões de pessoas civilizadas e cultas acreditavam que ter escravos humanos era algo totalmente normal e cabível. Como pode? Como pode tantos indivíduos bons e até mesmo cristãos terem visto essa prática abominável como aceitável? Eu estava vendo fotos do acervo do Instituto Moreira Salles que mostram escravos no Brasil há apenas cerca de 130 anos. As imagens me impactaram e comecei a refletir sobre a escravidão. Meu primeiro impulso foi o de condenar aquela sociedade, que abraçava como natural a ideia de que pessoas podem ser donas de outras e fazer com elas o que quiserem. Mas, pensando mais um pouco, acabei chegando à conclusão de que, se eu vivesse no Brasil daquela época, também não teria problemas com a escravidão. Possivelmente, eu mesmo teria alguns escravos. Por quê? Porque estaria tão inserido naquela realidade que nem gastaria muito tempo pensando sobre a validade daquilo. Na verdade, estaria tão acostumado com aquela situação que minha mentalidade seria: sempre foi assim, sempre será; é como é, não há o que questionar. E essa constatação me conduziu a uma percepção espiritual: eu sou a favor da escravidão. Permita-me explicar.

Você já assistiu ao filme “O show de Truman”? Se não, recomendo que o faça, é um dos longa-metragens mais interessantes a que já assisti. Narra a história de um homem que viveu toda sua vida num gigantesco estúdio de televisão. Todas as pessoas com quem convive são atores, num grande reality show. Sua vida não passa de uma enorme mentira, mas ele vive anos nessa loucura sem perceber. Em certo momento do filme, um repórter pergunta para o diretor e idealizador do show: “Por que o senhor acredita que Truman nunca percebeu que está num programa de televisão?”. A resposta dele é muito significativa: “Nós aceitamos a realidade do mundo conforme nos é apresentada”. Isso explica com clareza por que milhões de pessoas boas acatavam a escravidão como normal: elas nasceram numa realidade em que aquilo era natural, cresceram aprendendo que não havia nada de mais na escravidão e, por isso, nunca questionaram aquela barbárie.

escravo0Nascemos escravos do pecado. Crescemos escravos do pecado. No mundo, enxergamos a escravidão ao pecado como algo aceitável. Enquanto as correntes da transgressão prendem nossos pés, não questionamos essa situação. Vemos como algo natural a desobediência a Deus, afinal, a realidade que nos foi apresentada pela sociedade ao nosso redor é a da escravidão ao pecado – e a temos como normal. Até que, um dia, uma alternativa se descortina diante de nossos olhos: Jesus nos dá carta de alforria. Percebemos, então, que é viável uma vida que se desagrada do pecado. É impossível nos livrarmos totalmente das algemas que nos prendem à transgressão, mas o Espírito Santo nos mostra que podemos não nos conformar a ela. “Porque, se fomos unidos com ele [Jesus] na semelhança da sua morte, certamente, o seremos também na semelhança da sua ressurreição, sabendo isto: que foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos […] Mas graças a Deus porque, outrora, escravos do pecado, contudo, viestes a obedecer de coração à forma de doutrina a que fostes entregues; e, uma vez libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça” (Rm 6.5-6, 17-18).

Até aqui nenhuma novidade. Tenho certeza de que você já sabia que a salvação em Cristo no torna livres da escravidão do pecado. Você é chamado pela graça de Deus e, com isso, torna-se absolutamente, totalmente, inquestionavelmente livre, certo?

Errado.

Eis o ponto fundamental: na verdade, a salvação não vem para nos tornar livres da escravidão. Ela vem apenas para mudar o nosso dono. Continuamos escravos, mas não mais do pecado: de Cristo. “O que foi chamado no Senhor, sendo escravo, é liberto do Senhor; semelhantemente, o que foi chamado, sendo livre, é escravo de Cristo” (1Co 7.22). Ou seja: deixamos de ser escravos do pecado para nos tornarmos escravos de Jesus. Nesse sentido, sou, sim, totalmente a favor da escravidão e me contento com essa realidade, apresentada não mais pelo mundo, mas pelas Escrituras sagradas. “Agora, porém, libertados do pecado, transformados em servos de Deus, tendes o vosso fruto para a santificação e, por fim, a vida eterna” (Rm 6.22).

A grande diferença entre esses dois tipos de escravidão é que o pecado nos torna apenas escravos – seres abatidos, sem vontade própria, destituídos de liberdade. Porém, ao nos tornarmos escravos de Cristo, recebemos também outros títulos: somos feitos filhos de Deus, amigos de Jesus, herdeiros da eternidade, verdadeiramente livres! “Replicou-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: todo o que comete pecado é escravo do pecado. O escravo não fica sempre na casa; o filho, sim, para sempre. Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (Jo 8.34-36). Ser escravo de Cristo significa receber alforria não para ser um indivíduo autônomo e independente, mas totalmente acorrentado à liberdade que a vida eterna nos concede. Portanto, aceite a escravidão, ela é uma realidade inevitável.

escravo2Infelizmente, mesmo ao nos tornarmos escravos de Cristo algumas correntes de nosso antigo senhor continuam atadas aos nossos membros. Por isso, embora tenhamos sido chamados pela graça à servidão a Deus, continuamos sendo puxados de volta à senzala do pecado. É o que Paulo escreveu: “Porque bem sabemos que a lei é espiritual; eu, todavia, sou carnal, vendido à escravidão do pecado. Porque nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro, e sim o que detesto. Ora, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. Neste caso, quem faz isto já não sou eu, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço. Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, e sim o pecado que habita em mim. Então, ao querer fazer o bem, encontro a lei de que o mal reside em mim. Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo, nos meus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros. Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte? Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor. De maneira que eu, de mim mesmo, com a mente, sou escravo da lei de Deus, mas, segundo a carne, da lei do pecado” (Rm 7.14-25).

Não tem jeito, meu irmão, minha irmã, você é e será sempre escravo. A questão é: de quem? Se Cristo te chamou pela graça, você pertence ao Senhor, mas saiba que o pecado não ficou feliz com essa mudança. O pecado quer você de volta. Não permita que isso aconteça, lute pela sua servidão ao único amo que oferece a paz, Jesus Cristo. A cruz te libertou, mas o Diabo quer manter você acorrentado. O que te manterá longe da senzala da transgressão é a sua santidade. Muitas vezes fraquejamos, caímos, perdemos a batalha, nos arrastamos como cães ao antigo vômito da escravidão ao pecado. Mas Jesus não se conforma com isso, pois você pertence a ele. Então ele te chama constantemente ao arrependimento e, se você rende sua vontade a ele, o perdão sempre está ao seu alcance.

Você é cristão mas tem cedido ao pecado? As correntes da desobediência o têm arrastado de volta ao lugar de onde saiu? Você tem praticado novamente aquilo de que Jesus já te libertou? Então a hora é esta: ouça a voz do Bom Pastor chamando-o de volta. Peça perdão. Abandone essa prática. Você pertence a Cristo e foi chamado para habitar não mais nas imundas senzalas do pecado, mas nas puras mansões celestiais. Você é escravo da liberdade. Não abra mão disso.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

 

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comentários
  1. Mateus disse:

    Amém. Não somos livres, mano, ou somos escravos do pecado ou de Cristo. Quem não é de um é do outro. E mesmo sendo escravos de Cristo – como você citou, o antigo senhor ainda insiste em tentar nos tornar escravos novamente. A vontade de Deus não é apenas nos salvar pela Graça, mas, depois que Ele nos faz isso, quer nos tornar escravos Dele, tão somente Dele.

    “E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou.”
    2 Coríntios 5:15

  2. Nadia Malta disse:

    Que o Senhor desvende os nossos olhos e nos faça ver a quem pertencemos na verdade, depois de resgatados por Ele da escravidão do trato passado! Fomos resgatados e transformados em escravos da liberdade. Liberdade para fazer a vontade de Deus! Que o Senhor te abençoe e te guarde sempre meu irmão. Que sejamos achados atados no feixe dos que servem ao Senhor!

    • Oi, Nadia,
      .
      amém, mana, que busquemos sempre a boa escravidão e nunca nos conformemos em ser servos do pecado, mas que sirvamos com alegria nosso Senhor e Pai.
      .
      Obrigado pela oração, que as bênçãos sobre ti sejam sempre abundantes. Um abraço carinhoso, na paz do alto,
      mz

  3. Marcos Falcon disse:

    bom dia !! Grande Zaggar ! No tempo da escravidão existiram cristãos donos de escravos , correto?
    será que eles davam o mesmo tratamento aos escravos como os não crentes ? se era costume maltratar os negros ! OUTRA coisa os crentes sabiam que os escravos eram retirados da África DE FORMA brutal , como demonstravam o amor ao próximo !! aguardo resposta. Fk na paz . Marcos Falcon

    • Olá, Marcos,
      .
      sim, havia cristãos equivocados favoráveis à escravidão, como também havia cristãos bons e piedosos que lutaram pela abolição. Nunca podemos nos esquecer do exemplo de abolicionistas como John Newton e William Wilberforce, figuras essenciais no fim da escravidão no continente americano. Essa percepção nos mostra, acima de tudo, como o ser humano é pecador, erra e carece da graça de Deus.
      .
      Um abraço, Deus o abençoe,
      mz

  4. Ruan disse:

    Olá Mauricio,
    Gloria a Deus por essas palavras… Que possamos nos achegar a graça de Deus em tempo oportuno!

    Deus o abençoe cada vez mais!

    Pv 28.13 “O que encobre as suas transgressões nunca prosperará, mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia.”

  5. Luciêne disse:

    Simplesmente objetivo! Excelente!!

  6. Vanessa disse:

    O mundo não admite mais a submissão, somos criados e treinados entendendo que submissão é algo escandalosamente errado. Eu, como uma jovem mulher moderna e independente sempre questionei a submissão, mas hoje em dia tenho compreendido que a submissão à Cristo é liberdade, como você disse: liberdade do pecado. A questão é que devemos rever nossos conceitos e questionar o que o mundo nos prega: “Seja livre, faça o que quiser”.

    Muitas vezes na sala de aula ouvia os professores de história dizendo que os cristãos (e eles simplificavam dizendo religiosos mas incluindo a todos os que vivem pela fé), são pessoas alienadas. Procurei na internet : ALIENAÇÃO:” A alienação é a diminuição da capacidade dos indivíduos em pensar ou agir por si próprios. Os indivíduos alienados não têm interesse em ouvir opiniões alheias, e apenas se preocupam com o que lhe interessa, por isso são pessoas alienadas. Um indivíduo alienado pode ser também alguém que perdeu a razão, está louco.” dIz também que alienação é “transferência de domínio”, foi aí que eu entendi, não é que eu sou alienada mesmo! Transferência de domínio, antes o pecado me dominava, quando eu achava estar sob meu próprio controle, e hoje Cristo me domina, o mais importante: Está tudo descrito na bíblia de forma pura e cristalina. Eles pensavam que estavam nos magoando, mas na verdade, estavam atestando que o justo vive pela fé, guiado pelo o Espírito, que é forte. Por isso sou totalmente dEle, dependente, submissa, carente, necessitada… No melhor sentido de cada uma dessas palavras.

    • Oi, Vanessa, tudo bem?
      .
      Excelentes ponderações, fico feliz de ver uma jovem como você aparenta ser com uma reflexão tão boa sobre as coisas de Deus. É isso.
      .
      Abraço fraterno, na paz de Deus,
      mz

  7. Uilians Santos disse:

    Acompanho o seu blog há algum tempo com enorme admiração, mas acho que desta vez você deu uma grande bola fora. A escravidão foi uma das coisas mais temerárias e desumanas de nossa história, muito maior e maléfica do que Holocausto. Agora comparar ela ao que Satanás tenta impor aos homens, não sei se é a melhor escolha, pois durante séculos muitos cristãos, somado ao pensamento aviltante, mercantilista e animalesco da época, perpetuaram essa barbárie. Mas numa coisa você tem razão o que alimentou esse tipo de atitude e aceitação da sociedade foi mesmo a ignorância. Pois muitas pessoas desconheciam o sofrimentos dos escravos cativos, a mesma atitude impede os benefícios de se render aos pés do Senhor e fugir dos grilhões do inferno, impôs através da força uma concepção de mundo, muitas vezes colocando goela abaixo a verdade cristã a um mundo bárbaro, como nas cruzadas, na imposição da religião e nomes ocidentais aos cativos trazidos da época. Foi também a ignorância que alimentou, durante séculos, a roda da escravidão e que mantém o preconceito racial tão vivo em nossa sociedade. O pior que esse olhar preconceituoso era alimentado por pessoas de destaque e profundo conhecimento, que hoje seriam considerados formadores de opinião, ganhando destaque nos meios de comunicação para espalhar os seus conceitos torpes e desumanos. Essas atitudes levaram por muitos anos a não aceitação das verdades cristãs por grande parte da comunidade descendentes de escravos. Diante desse quadro, se eu chegasse no Brasil cativo, sequestrado e assolado, dificilmente me tornaria cristão, pois o veria sempre como um inimigo.
    A grande diferença nos dois modelos de escravidão é que existe a opção da escola de ser cativo de Satanás ou se render na liberdade de Cristo, coisa que os escravos africanos não tinham. E essa liberdade é opção dada por Deus não pode ser considerada escravidão – algo imposto contra a sua vontade – prefiro ficar com o conceito de cegueira – algo que não vemos porque não podemos. Além disso, em nenhum momento Jesus disse que servindo a ele nos tornaríamos escravos, nem Deus quando criou o livre arbítrio, se não estou engando, Jesus, no final de sua jornada, nos disse que não mais desejaria chamar os seus de servos, mas amigos…Assim como as Escrituras afirma, ensina e demonstra, se pecando você se torna escravo do pecado, qual foi o pecado cometido pelos africanos para terem se tornados ‘escravos’?

    • Oi, Uilians, tudo bem?
      .
      Querido, fico triste que não tenha conseguido transmitir com clareza meu pensamento a você. Creio que as diferenças entre a escravidão que houve no Brasil e a escravidão a Cristo têm de ser vistas sob uma evidente perspectiva. No entanto, a servidão a Jesus é um fato bíblico. Deus é nosso Senhor e nós somos seus servos – o que, biblicamente, significa escravo e não um empregado assalariado. Então a servidão (escravidão) a Cristo não é um conceito inventado por mim, é um conceito teológico com alguns séculos de reconhecimento pela teologia sistemática clássica. Veja algumas passagens bíblicas adicionais:
      .
      “Pois aquele que, sendo escravo, foi chamado pelo Senhor, é liberto e pertence ao Senhor; semelhantemente, aquele que era livre quando foi chamado, é escravo de Cristo”. (1 Co 7:22)
      .
      “Obedeçam-lhes, não apenas para agradá-los quando eles os observam, mas como escravos de Cristo, fazendo de coração a vontade de Deus”. (Ef 6:6)
      .
      “Mas agora que vocês foram libertados do pecado e se tornaram escravos de Deus, o fruto que colhem leva à santidade, e o seu fim é a vida eterna”. (Rm 6:22)
      .
      “Paulo, servo de Cristo Jesus, chamado para ser apóstolo, separado para o evangelho de Deus”, (Rm 1:1, aqui, a expressão no grego que foi traduzida por “servo” é “doulos”, isto é, “escravo”).
      .
      “Simão Pedro, servo* e apóstolo de Jesus Cristo” (2Pe 1:1, *doulos, isto é escravo)
      .
      “Tiago, servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo, às doze tribos dispersas entre as nações: Saudações”. (Tg 1:1, *doulos, isto é escravo)
      .
      “Judas, servo de Jesus Cristo e irmão de Tiago, aos que foram chamados, amados por Deus Pai e guardados por Jesus Cristo” (Jd 1:1, *doulos, isto é escravo)
      .
      Cabe ainda lembrar de outra passagem bastante significativa a esse respeito: “Acaso não sabem que o corpo de vocês é santuário do Espírito Santo que habita em vocês, que lhes foi dado por Deus, e que vocês não são de si mesmos? Vocês foram comprados por alto preço. Portanto, glorifiquem a Deus com o seu próprio corpo” (1 Co 6: 19,20)
      .
      Talvez as palavras do John McArthur consigam traduzir melhor o que diz a Bíblia do que eu: https://www.youtube.com/watch?v=EQab5v9fpik
      .
      Quanto à questão do livre-arbítrio, isso depende de que doutrina você segue, se arminiana ou reformada. Independentemente disso, se considerarmos que absolutamente ninguém vai a Cristo se não for primeiro chamado pela graça de Deus, então, sim, a salvação parte de uma decisão divina.
      .
      Penso, Uilians, que devemos ter o bom senso de compreender as diferenças naturais e evidentes entre a servidão humana e a servidão a Cristo. A escravidão sobre a qual a Bíblia trata é espiritual e difere da que houve no Brasil em aspectos bastante claros. Lamento que meu texto não tenha transmitido essa clareza, falha minha.
      .
      Obrigado pela contribuição, querido, Deus o abençoe muito,
      mz

      • Uilians Santos disse:

        Com a escritura não tem discussão, a Bíblia é clara e objetiva e o conceito de escravidão teológica conhecido e compreendido, na verdade eu teci o meu comentário a partir desse trecho do seu post ‘Sou a favor da escravidão’, que considerei desproporcional: “Mas, pensando mais um pouco, acabei chegando à conclusão de que, se eu vivesse no Brasil daquela época, também não teria problemas com a escravidão. Possivelmente, eu mesmo teria alguns escravos. Por quê? Porque estaria tão inserido naquela realidade que nem gastaria muito tempo pensando sobre a validade daquilo. Na verdade, estaria tão acostumado com aquela situação que minha mentalidade seria: sempre foi assim, sempre será; é como é, não há o que questionar(…)” Mas como disse acompanho o seu blog e acho um dos melhores e elucidativos sobre o pensamento cristão evangélico moderno.

      • Oi, Uilians,
        .
        entendi sua ponderação. O que eu quis dizer com essa afirmação é que o ser humano tem a tendência de considerar normal o mundo conforme lhe é apresentado, daí a relação com “O show de Truman” – assim como entre os cristãos do primeiro século havia escravos cristãos que serviam seus senhores cristãos. Que Deus nos ajude a sempre rejeitar essa cosmovisão que aprisiona vidas.
        .
        Um abraço fraterno, no amor que nos une,
        mz

  8. Luciano Silva disse:

    Querido Maurício, muto obrigado pela excelente meditação.

    Parabéns pelas palavras claras e pela alusão com a palavra escravidão. Seus exemplos fizeram meu coração enxergar que essa palavra e ação tem outro significado quando administrada por um Pai amoroso e que nos ama incondicionalmente. Não tenho nada a acrescentar ou corrigir, somente registro o meu muito obrigado e os mais sinceros parabéns.

    Grande abraço!

    Com admiração de sempre.

    Luciano Silva

    • Luciano, queridão, olá,
      .
      muito obrigado pelas palavras afetuosas e incentivadoras. Fico feliz que de algum modo essa reflexão tocou você, louvo ao Senhor por isso. Peço a Deus que o abençoe muito e a toda a sua família.
      .
      Grande abraço, no amor maior que nos une,
      mz

  9. Ediná Oliveira disse:

    Olá irmão!
    Livres. A cruz que o mestre carregou nos libertou.Carreguemos também nossa cruz e viveremos em liberdade para sempre com nosso Senhor.
    Aleluia, glórias ao Rei!!!

    Abraço!

  10. Ediná Oliveira disse:

    Mauricio, você pode me indicar uma Bíblia NVI de estudo e com uma capa lindíssima? rsrs….

    • Oi, Ediná,
      .
      eu recomendaria a Bíblia de Estudo NVI . Confesso que não sei o que exatamente você chama de capa lindíssima, mas essa tem uma capa bem elegante. As cores vão do seu gosto pessoal.
      .
      Abraço, na paz de Deus,
      mz

  11. Fabio Cardoso disse:

    Olá Maurício,
    O diabo é um mestre em marketing, tenta vender o pecado em suas embalagens ilusórias e a sua concorrência (Jesus) distorce criando mentiras, que cegam o entendimento dos incrédulos e até mesmo de cristãos mal alimentados.
    Vamos ser sóbrios e odiar o que DEUS odeia, o pecado.

    Abraço !

  12. roberto disse:

    Olá Mauricio tudo bem? as pessoas naquela epoca eram a favor da escravidão porque segundo os cristãos a propria biblia permitia escravizar outras pessoas , como se vê no antigo e no novo testamento e usavam destes versiculos abaixo e outros que possam existir para justificar essa abominação que causou sofrimento a tantas pessoas de todas as idades, por isso lhe pergunto não é perigoso levar a biblia tão ao pé da letra, em que possa ocorrer interpretaçoes tão equivocadas como estas? Um forte abraço pra voce e a todos aqui, em Cristo Jesus.

    E quanto a teu escravo ou a tua escrava que tiveres, serão das nações que estão ao redor de vós; deles comprareis escravos e escravas.

    Levítico 25:44

    Também os comprareis dos filhos dos forasteiros que peregrinam entre vós, deles e das suas famílias que estiverem convosco, que tiverem gerado na vossa terra; e vos serão por possessão.

    Levítico 25:45

    Se comprares um servo hebreu, seis anos servirá; mas ao sétimo sairá livre, de graça.

    Êxodo 21:2

    E se um homem vender sua filha para ser serva, ela não sairá como saem os servos.

    Êxodo 21:7

    Vós, servos, obedecei a vossos senhores segundo a carne, com temor e tremor, na sinceridade de vosso coração, como a Cristo;

    Efésios 6:5

    E vós, senhores, fazei o mesmo para com eles, deixando as ameaças, sabendo também que o Senhor deles e vosso está no céu, e que para com ele não há acepção de pessoas.

    Efésios 6:9

    • Oi, Roberto,
      .
      sim, a justificativa baseada na escravidão bíblica é um fato. Não vejo que o problema seja levar a Bíblia ao pé da letra, ela deve ser sempre interpretada segundo a boa hermenêutica. O problema é o desconhecimento e a má utilização das Escrituras. Um dos princípios elementares da hermenêutica bíblica é que não se pode compreender um versículo isolado do restante do texto sagrado, é importante ver como as passagens se encaixam nos princípios bíblicos – no caso da escravidão, ela fere um princípios basilar das Escrituras, que é o do amor ao próximo.
      .
      Um abraço fraterno, na paz de Jesus,
      mz

      • roberto disse:

        Mas lendo a biblia ela diz claramente que não é contra a escradivao pelo contrario, nao seria contraditorio a biblia que prega amor ao proximo nao ser contra a escravidao ao inves de incentiva-lo?

      • Roberto, olá,
        .
        devemos procurar na Bíblia não só mandamentos diretos, mas, acima de tudo, princípios. A Bíblia não fala, por exemplo, que não devemos nos drogar, pois há dois mil anos isso não existia, mas afirma o principio universal do cuidado com nosso corpo. Assim, não devemos ficar procurando ordens diretas sobre temas específicos, mas, sim, tentar compreender os valores maiores. Se eu entendo, por exemplo, que devo honrar pai e mãe, não precisarei de um versículo que diga especificamente “não chegarás em casa após a hora que teus pais especificaram”, pois o respeito à autoridade paterna está implícita no principio maior.
        .
        Abraço, na paz de Deus,
        mz

  13. Olá, Maurício. Sua reflexão de como seríamos passivos à escravidão se tivéssemos vivido naquela época me fez pensar sobre como ainda somos as pessoas que escravizaram sempre que não amamos o próximo como a nós mesmos. A escravidão do século passado foi apenas um viés da nossa falta de amor a outrem, mas mesmo depois da libertação, ainda permitimos que a escravidão aconteça. Há na Bíblia um trecho em que Paulo nos diz que devemos ter apenas o suficiente para comer e vestir, mas nós preferimos juntar e colecionar e adquirir e possuir e consumir cada vez mais, sem olhar para aqueles não tem um teto, uma roupa ou uma casa. E do mesmo modo como se olhava para os escravos, com tamanha naturalidade, sem questionar nem estranhar, nós estamos olhando para os necessitados, sem ajudar. Penso que nesse sentido acabamos nos tornando também a favor da escravidão, assim como aqueles que não não se moveram porque acharam aquilo tudo uma barbárie, nós também temos agido.
    Pela nossa passividade ao mal, que Deus tenha piedade de nós.

    • Oi, Amanda, tudo bem?
      .
      Não há dúvida de que vivemos em dias extremamente passivos e omissos. Sempre que nos imobilizamos por estarmos presos a correntes quaisquer, sejam quais forem, acabamos deixando de agir com a responsabilidade que a liberdade nos proporciona. Certamente ao desamar o próximo nos tornamos senhores de engenho espirituais. Que Deus nos livre disso.
      .
      Um abraço carinhoso, no amor de Deus,
      mz

  14. Olá Maurício!
    Tenho acompanhado seus textos desde o início deste mês!
    Que texto abençoador! Glórias a Deus pela tua vida e pela inspiração divina que nos faz refletir muitos aspectos de nossas vidas e do cotidiano do Cristão atual.
    Não li todos os comentários, mas penso que hoje em dia muitos focam apenas na liberdade da vida com Cristo e se esquecem da renúncia diária e da servidão que prestamos ao nosso Senhor (estas sabemos também que produz liberdade e libertação).

    Muito Obrigado!
    Continue escrevendo a verdade da palavra de Cristo. Precisamos de mais e mais autores assim em meio a tantas invenções e distorções da Bíblia!

    Gde Abraço!
    Jonathan Alves

    • Oi, Jonathan, tudo bem?
      .
      Me alegro que as reflexões que compartilho aqui te edifiquem, louvo a Deus por isso. Obrigado pelo carinho de suas palavras.
      .
      Sem dúvida, você tem razão. Nunca podemos nos esquecer que Jesus mesmo disse que ir após ele significa negar a si mesmo é tomar diariamente a nossa cruz. Que ele nos dê forças para isso.
      .
      Abraço fraterno, Deus te abençoe muito,
      mz

  15. roberto disse:

    Maurico eu tenho varias duvidas em relação ao conteudo da biblia e uma delas e sobre a lei e o pecado e a graça, espero que voce possa ajudar a me esclarecer ja que vc tem mais conhecimento neste assunto do que eu.

    Primeiro Paulo diz que o pecado existe por causa da lei, se nao existisse a lei nao existiria o pecado. Aí vem Jesus e diz que a lei durou até João, que agora estamos na epoca da graça.
    Então a lei nao tem mais poder sobre nos, entao nao haveria pecado? segundo porque ainda hoje prega-se a obediencia literal da biblia mesmo que seja somente o novo testamento como se fosse um livro de leis e cada versiculo fosse um codigo de lei, se o proprio Jesus diz que nao estamos mais embaixo da lei, e sim da graça, se for assim o modo de pregar de hoje em dia nao estaria errado? que fique claro que eu nao defendo as coisas erradas, mas essa é uma das duvidas de muitas que tenho, me desculpe se estiver falando alguma besteira .

    • Oi, Roberto,
      .
      para compreender isso você tem de entender que a revelação é progressiva. É a mesma coisa que fazemos ao educar nossos filhos: não ensinamos equação de segundo grau no maternal; primeiro ensinamos as letras, depois os números, 1+1=2 e assim por diante. Quando a base está formada, entramos com conceitos mais complexos. A revelação bíblica foi assim. Primeiro Deus ensinou a Lei, que serviu de aio para conduzir à Nova Aliança. Como poderia Deus ensinar o perdão e a graça se antes o povo não compreendesse o pecado e a transgressão? Assim, Deus lançou luz sobre a desobediência para ensinar a obediência, o amor, a restauração, a justificação – graça, enfim.
      .
      É preciso compreender que sempre houve graça, assim como hoje ainda há lei, mas o foco mudou. O NT não é um código de leis, ele é um “livro” que ensina a nós relacionarmos com Deus. Os mandamentos e a obediência são consequência desse relacionamento e não a causa. O peso da Nova Aliança está na revelação da paternidade do Senhor. Assim como obedecemos a nossos pais humanos porque os amamos, obedecemos aos mandamentos de Deus porque o amamos. O amor é a causa, a obediência é a consequência e não o contrário. As obras revelam a fé que temos, elas são um termômetro da fé, e não o contrário.
      .
      Ao ler as Escrituras, fixe no amor de Deus e todo o resto se descortina como resultado do nosso relacionamento com esse ser amoroso.
      .
      Um abraço fraterno, na paz de Cristo,
      mz

  16. pv disse:

    Caro mz, td certo?!

    Posso abusar um pouquinho de vc? rs
    Como o texto passa de leve no tema perdão, queria uma explicação, se puder me ajudar.

    No trecho do livro de C. S. Lewis (Cristianismo Puro e Simples), Livro III, item 7, encontramos:

    “Será que eu me considero um bom camarada? Infelizmente, às vezes sim (e esses são, sem dúvida, meus piores momentos), mas não é por esse motivo que amo a mim mesmo.”

    Li várias vezes esse trecho, mas acredito que não entendi completamente.

    Obrigado, mano. Paz do Senhor.

    • Oi, PV, tudo debaixo da graça.
      .
      Seria preciso ver todo o contexto, para uma melhor compreensão, mas entendo que Lewis está dizendo que devemos reconhecer a nossa pecaminosidade e falibilidade, reconhecimento esse que nos conduz à humildade. E acrescenta dizendo que não é o senso de justiça própria que deve nos fazer amar-nos a nós mesmos.
      .
      Espero ter ajudado.
      .
      Abraço pra ti, na paz do Mestre,
      mz

      • Paulo Victor disse:

        Olá irmão,

        Obrigado e me desculpe pelo pequeno trecho. Pensei que o livro fosse de fácil acesso pra vc, pois o tenho no pc em pdf. Segue o contexto:

        “Vai ser difícil de qualquer modo, mas creio que existem duas coisas que podemos fazer para facilitar um pouco as coisas. Quando vamos estudar matemática, não começamos pelo cálculo integral, mas pela simples aritmética. Da mesma maneira, se realmente queremos (e tudo depende dessa vontade real) aprender a perdoar, o melhor, talvez, seja começar com algo mais fácil que a Gestapo. Você pode começar por perdoar seu marido, ou esposa, seus pais, ou filhos, ou o funcionário público mais próximo, por tudo o que fizeram e disseram na semana passada. Isto já vai lhe dar trabalho. Em segundo lugar, você deve tentar entender exatamente o que significa amar ao próximo como a si mesmo. Tenho de amá-lo como amo a mim mesmo. Bem, como é exatamente esse amor a mim mesmo?

        Agora que começo a pensar no assunto, vejo que não nutro exatamente um grande afeto, nem tenho especial predileção pela minha pessoa, e nem sempre gosto da minha própria companhia. Aparentemente, portanto, “amar ao próximo” não significa “ter grande simpatia por ele”, nem “considerá-lo um grande sujeito”. Isto já deveria ser evidente, pois não conseguimos gostar de alguém por esforço. Será que eu me considero um bom camarada? Infelizmente, às vezes, sim (e esses são, sem dúvida, meus piores momentos), mas não é por esse motivo que amo a mim mesmo. Na verdade, o que acontece é o inverso: não é por considerar-me agradável que amo a mim mesmo; é meu amor próprio que faz com que eu me considere agradável. Analogamente, portanto, amar meus inimigos não é o mesmo que considerá-los boas pessoas. O que não deixa de ser um grande alívio, pois muita gente imagina que perdoar aos inimigos significa concluir que eles, no fim das contas, não são tão maus assim, ao passo que é evidente que são.

        Vamos dar um passo adiante. Nos meus momentos de maior lucidez, vejo que não somente não sou lá um grande sujeito, como posso ser uma péssima pessoa. Recuo com horror e repugnância diante de certas coisas que fiz. Logo, isso parece me dar o direito de me sentir horrorizado e repugnado diante dos atos de meus inimigos. Aliás, pensando no assunto, lembro que os primeiros mestres cristãos já diziam que se deve odiar as ações de um homem mau, mas não odiar o próprio homem; ou, como eles diriam, odiar o pecado, mas não o pecador.”

        Lewis dá um nó na minha mente. Pelo que entendi, quando ele se considera um bom camarada, estes são seus piores momentos, certo? E, quando ele reconhece suas transgressões, o que ele sentiria?

        Não seria mais lógico dizer que meus melhores momentos, mesmo que raros, não seria quando eu demonstrasse algumas virtudes?

        Sou meio lento. Liga não. É pq queria entender melhor.

        Aquele abço, querido.

      • Olá, Paulo,
        .
        o que Lewis está dizendo é que o amor próprio é um perigo, se não for visto sob a ótica de quem somos à parte de Cristo. Quando compreendemos nossa natureza pecaminosa, nossa pequenez diante da santidade do Criador, passamos a visualizar que somos desprezíveis sem a cruz. Em nós não há méritos. Não temos justiça própria. O mesmo se aplica, no contexto, ao amor pelo próximo. Não o fazemos porque eles são amáveis ou dignos (como nós tb não somos), mas porque devemos enxergar neles as mesmas fraquezas que nós temos – o que nos leva à compaixão. Espero ter esclarecido as coisas.
        .
        Abraço fraterno, no amor de Jesus,
        mz

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