Arquivo de maio, 2014

LIVROSComo prometi no post Livros cristãos para você, publicado no dia do aniversário de 3 anos do APENAS (14/05/14), hoje anuncio quem foram os cinco assinantes do blog que foram sorteados, ontem à noite, para receber um de cinco livros diferentes ofertados carinhosamente pela editora Mundo Cristão. Quero agradecer a todos que fizeram parte do sorteio, compartilhando sua visão acerca do perdão bíblico. Mais do que ter participado apenas para ganhar um livro, espero que você tenha refletido sobre o tema perdão, um dos pilares da fé cristã, e lido as respostas dos demais irmãos e irmãs que deixaram sua contribuição.

E, agora que refletimos sobre o que significa e qual é a importância de perdoar, te convido a pôr o perdão em prática. Se há alguém que te ofendeu, agrediu, fez mal, machucou, magoou… a hora é esta: telefone, convide para conversar, vá até ele, o procure pessoalmente, e, assim, estenda perdão. Por outro lado, se foi você quem feriu o seu próximo, a oportunidade está lançada: peça perdão hoje mesmo, humilhe-se e o Senhor te exaltará. Perdoar ou pedir perdão será algo maravilhoso e Deus ficará extremamente feliz com a sua atitude.

Abaixo apresento a sinopse de cada um dos cinco livros, junto com o nome de cada sorteado. Pediria aos cinco irmãos que serão presenteados que deixassem no espaço de comentários deste post específico seu nome completo e o endereço para envio (com rua, número, bairro, cidade, estado e CEP). Seus dados chegarão até mim mas eu não os publicarei, podem ficar tranquilos, apenas vou repassá-los à editora, que providenciará o envio. Se algum dos cinco não enviar os dados em uma semana, terei de fazer um novo sorteio. Que Deus os abençoe muito e que a leitura dessas cinco excelentes obras seja edificante para cada um. Apenas para frisar, uma vez mais, esta não foi uma ação paga e não estou recebendo dinheiro ou qualquer outro benefício da editora, apenas pedi os livros e a Mundo Cristão gentilmente os ofertou para que eu os repassasse a você. Obrigado à Mundo Cristão por isso.

Eis os sorteados:

A vida de CS LewisA vida de C. S. Lewis: Do ateísmo às terras de Nárnia (Alister McGrath) – Sinopse do livro: Por mais de meio século, C. S. Lewis vem alimentando a imaginação de milhões de pessoas em todo o planeta com seu fantástico mundo de Nárnia. Para celebrar o 50º aniversário de sua morte, o Dr. Alister McGrath reconta a vida deste que é considerado um dos maiores escritores do século 20. A obra oferece um panorama abrangente e fascinante da trajetória de um pensador profundamente original e que se tornou fonte de inspiração para crianças e adultos em todo o mundo. McGrath oferece um olhar novo, e por vezes chocante, sobre a vida dessa figura complexa, em uma biografia profundamente embasada. O autor nos faz mergulhar no coração de um Lewis que poucos conhecem. SORTEADO: ELIANA (início de e-mail: “elianasafira@…”).

 

Quem voce pensa que eQuem você pensa que é? (Mark Driscoll) – Sinopse do livro: Quem é você? O que o define? Qual é sua verdadeira identidade? Como você responderia essas três perguntas? Saber responder corretamente pode ser a diferença entre viver uma vida de significado ou simplesmente existir. Em geral, esquecemos quem realmente somos e, por isso, buscamos preencher esse vazio com coisas passageiras, incapazes de satisfazer os anseios da alma. Até mesmo muitos que dizem “estar em Cristo” parecem não viver de modo significativo o que acreditam. Mark Driscoll explora com inteligência e sagacidade as reais implicações de sermos criados à imagem e semelhança de Deus. E revela como potencializar em realizações pessoais e comunitárias essa condição única da Criação. SORTEADO: PAULO RICARDO DOS SANTOS

 

Diga sim com convicçãoDiga sim com convicção (Miguel Uchôa) – Sinopse do livro: As estatísticas mostram índices alarmantes de divórcio entre cristãos e não cristãos. Os gabinetes pastorais e os consultórios especializados em terapia de casais vivem lotados de pessoas que experimentam a infelicidade na vida a dois. Certamente, ninguém ingressa num relacionamento com o objetivo de fazer parte do grupo dos divorciados ou dos infelizes. Mas, se o processo decisório não for conduzido de forma consciente, madura e bíblica, isso lamentavelmente pode se tornar uma grande possibilidade. Com sua larga experiência em aconselhamento matrimonial, Miguel Uchôa (bispo anglicano da Diocese do Recife) mostra diferentes maneiras de evitar que a dissolução e a infelicidade entrem no lar daqueles que sonham em construir uma família. SORTEADO: ALESSANDRA (início de e-mail “aleoka@…”).

 

Pais admiráveis educam pelo exemploPais admiráveis educam pelo exemplo (Cris Poli) – Sinopse do livro: A máxima “Faça o que eu digo, não faça o que eu faço” não funciona quando o assunto é criação de filhos. As crianças, desde muito pequenas, observam e se espelham nas atitudes e no comportamento dos pais, muito mais do que em seus ensinamentos verbais ou broncas. Todo pai e toda mãe deseja que os filhos sejam amorosos, alegres, pacíficos e pacificadores, pacientes, tolerantes, amáveis, bondosos, fiéis, mansos e que tenham domínio próprio. Então lembre-se: eles precisam ver essas características em você primeiro! Neste livro, Cris Poli (a Supernanny) vai ajudar você em sua enorme responsabilidade de transmitir os valores mais importantes que existem a seus filhos, com a didática que eles compreendem melhor: seu exemplo pessoal. SORTEADO:CELINHUU

 

BonhoefferBonhoeffer – pastor, mártir, profeta, espião (Eric Metaxas) – Sinopse do livro: As tropas nazistas avançavam pela Europa. Numa época em que se calar era a melhor forma de se expressar e se omitir era a mais acertada ação, o pastor Dietrich Bonhoeffer tornou-se uma ameaça a Hitler. Sabotando ordens e ações de guerra nazistas, ele salvou milhares de vidas e impediu os planos de Hitler. Descoberto, Bonhoeffer foi preso e enforcado por ordem direta de Adolf Hitler. Este livro traça o perfil profundo e cuidadosamente detalhado de um dos teólogos alemães mais importantes desde Lutero e uma das figuras principais da resistência contra o regime nazista. Inspirador, desafiador e emocionante, Bonhoeffer é o relato instigante do que um homem pode fazer movido por amor ao próximo e contra a injustiça. SORTEADO: WALLYSSON BRUNO

Mais uma vez, muito obrigado a você que acompanha com paciência os posts do APENAS. Peço a Deus que cada texto aqui publicado o conduza à reflexão e, queira Deus, a uma transformação para melhor. Se você refletiu um pouco que seja sobre o perdão bíblico, ganhei o dia. Muito obrigado.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Mauricio

 

Morte0De vez em quando eu me pego pensando sobre o exato momento em que deixaremos esta vida e ingressaremos na eternidade. Como será? Já parou para imaginar isso? Normalmente, as pessoas fogem de falar sobre a transição desta vida para a sua continuação no plano espiritual – o que costumamos chamar de “morte”. Consideram um assunto lúgubre, sombrio, deprimente, algo até mesmo agourento. Eu não. Claro que penso sobre isso com expectativa e um certo temor pelo desconhecido, mas, quando leio na Bíblia todas as promessas sobre a vida eterna, alento e ansiedade brotam em meu coração. Então, sim, por vezes me pego pensando em como será o momento exato da morte, de maneira parecida com um jovem que sente um calafrio ao imaginar o primeiro dia na faculdade, uma mocinha que cogita como será engravidar, um menino ansioso pela expectativa do primeiro emprego, um casal trêmulo antes da noite de núpcias. Não há descrições claras e objetivas nas Escrituras que nos permitam ter certeza de como será com exatidão o instante da morte, essa é uma área que a Bíblia mantém nas sombras. Mas temos algumas pistas bíblicas que nos dão paz e nos trazem consolo quanto à partida dos nossos entes queridos e a nossa própria, se morremos em Cristo.

Primeiro é importante percebermos que a Bíblia aponta a eternidade como uma existência totalmente desprovida de sofrimento, tristeza, preocupações, estresse. A entrada no reino final é sinônimo de paz. A tão falada “paz do Senhor” será experimentada plenamente no porvir. João registrou em Apocalipse informações que, de forma bem generalista, anunciam como será o estado eterno dos salvos: “Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe. Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, ataviada como noiva adornada para o seu esposo. Então, ouvi grande voz vinda do trono, dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles. E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram” (Ap 21.1-4).

No porvir, os salvos não sentirão mais tristeza nem sofrerão. Isso nos revela uma realidade sobre o momento da morte: a maneira como você morre não faz nenhuma diferença, se dormindo, acordado, atropelado, afogado, de embolia, de pneumonia, de infarto, escorregando no banheiro, de câncer, numa queda de avião, em decorrência da Aids. Seja da forma que for, pela causa que for, sofrendo nos instantes finais o quanto se sofra… no exato instante em que seu espírito fechar atrás de si a porta do corpo decaído e falido e der o primeiríssimo passo dentro do reino eterno, tudo aquilo que causa dor e tristeza vai acabar. Imediatamente. Instantaneamente. Num piscar de olhos. Não há injeção de morfina que se compare ao fim do sofrimento que entrar na eternidade causará.

Mergulho0Se você parar para pensar, perceberá que, todas as vezes em que alguém fala sobre a própria partida desta vida, o que se traz à tona são os instantes que antecedem a morte e raramente você ouve alguém mencionar os instantes que a sucedem. Fala-se muito sobre como se preferia morrer, dormindo, sem sofrimento, assim ou assado. Sempre o que se destaca é o antes – e geralmente com certo receio e temor (natural, afinal, quem quer sofrer em seus instantes finais?). Pouco se fala da alegria que atravessar a cortina da vida vai proporcionar. Por isso, queria convidar você a dar asas a sua imaginação junto comigo. Em meus devaneios, costumo fazer uma analogia desse momento. Imagine que você está em um calor sufocante e salta em uma piscina gelada. No segundo em que seu corpo transpõe a linha d’água, a sensação de frio instantaneamente toma conta de si. É uma entrada imediata em uma realidade que muda tudo. Assim, imagino o mergulho na morte não pela perspectiva do “calor” que se sentia momentos antes, mas do “frio” que se sentirá momentos depois. Nesse sentido, a história bíblica do mendigo Lázaro é muito significativa e esclarecedora.

O próprio Jesus fez esse relato, que uns dizem ser uma parábola e outros, uma realidade – eu não sei, ninguém sabe com absoluta certeza. Mas, seja uma ilustração ou não, essa história é magnífica no que tange à esperança pós-morte. Disse o Senhor: “Havia também certo mendigo, chamado Lázaro, coberto de chagas, que jazia à porta daquele; e desejava alimentar-se das migalhas que caíam da mesa do rico; e até os cães vinham lamber-lhe as úlceras. Aconteceu morrer o mendigo e ser levado pelos anjos para o seio de Abraão” (Lc 16.20-22). Lázaro vivia em pobreza extrema, não tinha trabalho nem condições de comprar um pouco de comida que fosse. Além disso, era doente. Se você tem uma ferida dolorosa sabe o incômodo que é, então tente imaginar o que é ser “coberto” de chagas. Fica claro que ele tinha ferimentos dos pés à cabeça, o que devia causar uma dor constante que beirava a agonia. Meu irmão, minha irmã, é muito sofrimento. Aquele cidadão vivia, da hora em que acordava até a de dormir, em meio a uma dor que não dá pra imaginar. Talvez tivesse insônia. E, não bastasse a fome, a escassez, a dor e o sofrimento, ele ainda era obrigado a conviver com a humilhação de ficar sendo lambido por um bando de animais.  Será que você consegue dimensionar quanto aquele pobre homem sofreu – fisicamente e emocionalmente – durante anos?

Morte2Até que Lázaro deu o passo para fora deste mundo. Fico pensando com fascinação sobre aquele instante. Seu corpo chega ao limite, sem suportar mais. Entra em falência. Ele morre. Visualize o preciso segundo daquela morte. De olhos abertos, talvez em meio a muitas lágrimas, ele sente aquela dor lancinante provocada pela soma de muitas úlceras, da fome, da miséria humana. Um trapo. Então Deus sussurra: “Vem…”. Lázaro fecha os olhos. Um segundo depois, abre-os novamente. Como alguém que entra em uma piscina gelada e deixa instantaneamente de sentir calor, num piscar de olhos as dores físicas, o senso de humilhação, o vazio no estômago, toda a desgraça daquele mendigo simplesmente desaparece. Ele fecha os olhos no último suspiro e, quando os abre, já numa sensação de total paz e ausência de sofrimento, vê um grupo de anjos diante de si. “Levado pelos anjos…”, afirma Jesus. Suponho que estarão sorrindo, porque a alegria que sentem ao receber mais um salvo que chega à casa do Pai deve ser enorme. Pense em como Lázaro não deve ter se sentido ao ver aquele comitê de boas-vindas! O pedinte doente e sofredor é recebido por seres celestiais. Da miséria absoluta à mais plena glória!

A partir daqui é puro voo da minha imaginação. É quando já não vejo Lázaro nessa situação, penso em mim mesmo. Penso em você. Penso em cada um de nós. Fico supondo que aqueles anjos nos tomarão pela mão, ou nos envolverão num abraço, para nos conduzir à tão esperada e ansiada presença do Criador do universo, o Autor da vida, o Rei dos reis e Senhor dos Senhores. O nosso Pai. Nos meus sonhos especulativos, creio que esse encontro nos porá em nosso devido lugar, porque, diante daquela tão pura essência de santidade, a lembrança de nossa multidão de pecados nos lançará em terra e cravará o rosto no chão, em adoração a tão magnífico ser e em contrição pelo nosso histórico de pecados e falhas, transgressões e desobediências. Mas, então, penso eu, ouviremos de seus divinos lábios:

– Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.

Surpreso com essa declaração injusta, uma vez que teria total consciência de quem fui na terra e da multidão de pecados que estaria carregando, eu diria:

– Mas, Senhor, eu não sou digno…

E o Pai sorrirá. Então ele trará à luz por que nos chamou de “bom e fiel” se somos tão maus e infiéis – a razão da cruz, o motivo da encarnação do Verbo e da morte do Cordeiro:

– Eu sei que você não é digno, filho, mas você não está aqui pela sua dignidade. Está aqui pela graça. Pelo amor. Pela cruz. Pelo sangue de Jesus, derramado pelos seus pecados. Nenhuma condenação há para quem chegou aqui por meio de Cristo, daquilo que meu Filho fez no Calvário.

Morte3Pronto, está consumado, entramos na eternidade. Não há mais choro, nem dor. Só a presença do Senhor, desvendado em toda a sua glória. O que virá depois disso eu não sei, é um absoluto mistério. Mas me apego às palavras de Paulo, o homem que foi arrebatado ao coração dos segredos do Senhor e viu coisas inefáveis: “Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam” (1Co 2.9).

A morte chegará. Para os salvos, não é um tema sombrio. É um passo dentro de um reino sem sofrimento, para o abraço dos anjos, para a presença daquele que então veremos face a face e que nos amou desde antes da fundação do mundo. E, ao final de todas as coisas, todos os que derem aquele passo se reunirão e, juntos, dirão: “Aleluia!, pois reina o Senhor, o nosso Deus, o Todo-poderoso. Regozijemo-nos! Vamos alegrar-nos e dar-lhe glória!” (Ap 19.6-7).

Que linda esperança…

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Justo1“Não há justo, nem um sequer” (Rm 3.10). Esse pequeno trecho da carta de Paulo aos romanos deveria ser alvo de reflexões diárias de todo cristão. Mostra que toda a humanidade faz parte do mesmo grupo de indivíduos: gente imperfeita, errada, pecadora e desesperadamente carente de Deus. Da cruz. De Cristo. Ninguém é justo por si mesmo, mas somos feitos justos por meio do sangue de Jesus. Essa percepção deveria nos levar a uma posição de extrema humildade e misericórdia; afinal nenhum de nós é melhor do que o outro. “Pois qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos” (Tg 2.10). Meu irmão, minha irmã, eu e você somos culpados de transgredir toda a lei de Deus. Toda. Consequentemente, não somos melhores que o ladrão da cruz, Pilatos, Judas, os fariseus, Herodes, Charles Manson, Adolf Hitler, Mussolini… quem você quiser. Aliás, eu, você, seu pastor, o líder de jovens da sua igreja, os cantores mais famosos, os líderes da sua denominação, a dirigente do círculo de oração, madre Teresa de Calcutá… não importa: estamos todos no mesmo barco, que mina água todos os dias e afunda no mar de pecados. A salvação está exclusivamente em Jesus. Só. Ele é o único caminho. O único justo por mérito próprio. Ser humano nenhum vale alguma coisa por mérito pessoal, o enorme valor que temos vem por graça, justificação, misericórdia, adoção, concessão divina. Nosso valor não é uma característica inata, é um presente que recebemos. Somos galhos secos, o que temos de bom vem da seiva que corre para nós a partir da árvore em que fomos enxertados: Cristo. Uma leitura recente me fez enxergar isso com uma clareza ainda maior do que antes.

David Yonggi ChoAo ler o último exemplar da revista Cristianismo Hoje, me deparei com reportagens que me chamaram a atenção. Primeiro, o pastor sul-coreano David Yonggi Cho (foto), líder da maior igreja evangélica do mundo, a Yoido Full Gospel Church, foi preso e condenado a três anos de prisão pelo desvio do equivalente a R$ 30 milhões da igreja. Ele admitiu que cometeu o crime “movido pelo interesse de suprir dificuldades financeiras da obra missionária”. Segundo, o papa católico romano Francisco confessou publicamente que furtou um crucifixo do corpo de um colega morto, em pleno velório, quando era bispo em Buenos Aires. “Enquanto espalhava as flores, peguei a cruz que estava sobre o rosário”, admitiu.

Em comum, as duas histórias nos falam de líderes religiosos (independente da teologia ou doutrina que professam) que são referência em suas linhas de atuação e exemplos para seus seguidores e que cometeram pecados que nenhum de nós esperava que cometessem. Muita gente fica chocada ao tomar conhecimento de situações como essas. Ouço comentários do tipo “como pode, mas logo ele!”. A mim, porém, nada disso espanta. Pelo simples e bíblico fato de que, assim como eu e você, todos os líderes religiosos são pecadores, cometem atrocidades, acertam e erram, escorregam e caem. Pois são humanos. Necessitam diariamente de perdão por seus pecados. São iguaizinhos a mim. E a você.

Justo2Cada vez que leio relatos como esses, simplesmente me entristeço e penso “É, a Bíblia está certa mesmo”. Somos pó. Nossa natureza humana é má. Precisamos desesperadamente de Jesus de Nazaré. Vejo grandes homens de Deus confessarem pecados que comprovam que são simplesmente homens e isso me leva a ouvir com cada vez maior tristeza discursos de pessoas que se consideram cristãos mais santos do que outros e que, por isso, falam do próximo com superioridade. A queda de gigantes me mostra que devemos sempre amparar-nos, do maior ao menor, pois estamos todos no mesmo nível. Dos que ocupam os mais elevados cargos na hierarquia eclesiástica aos iniciantes na fé, todos equivalemos: somos aglomerados de pele, ossos, sangue e pecados e carecemos da piedade de nossos irmãos e da misericórdia de Deus. Todos exalamos o odor da desobediência e precisamos desesperadamente do perfume de Cristo.

Entenda que a compreensão acerca de nossa falibilidade não deve nos tornar abertos ao pecado ou confortáveis com ele. A transgressão à vontade divina deve ser sempre evitada, precisa constantemente ser alvo de nossas pregações, exortações e alertas. Sempre. Sempre. Sempre. Santidade não se negocia. O que considero triste é a postura de superioridade que alguns de nós assumem, por se considerarem espiritualmente menos falíveis do que os outros. E não tenho o olhar entristecido para essa postura a partir de mim mesmo: sigo o exemplo de Jesus, que criticou diversas vezes a hipocrisia dos mestres da lei e fariseus durante seu ministério terreno. O que Cristo sempre denunciava nesses doutores da teologia era a hipocrisia: serem pecadores não arrependidos e ficarem rebaixando, discriminando e atacando outros pecadores. É a velha história da trave e do cisco no olho, que você já conhece. E hoje, dois mil anos depois, a história se repete.

Justo3Quando leio relatos da queda de homens de Deus, meu coração rasga. Não só pelo pecado em si desses líderes, mas por ver muitos e muitos irmãos que – inacreditavelmente – parecem se alegrar com a queda deles. Como se tombos alheios valorizassem estarmos de pé. Podemos, por favor, chorar por eles? Será que você consegue orar por cada indivíduo pecador como você e pedir ao Santo dos Santos que os restaure e use de compaixão para com suas vidas? Se eles fossem membros da sua igreja ou pessoas de sua convivência diária, o que você faria? Será que os procuraria e lhes levaria palavras de conforto, amor, graça e reconstrução? Ou daria as costas, se afastaria, os largaria à própria sorte? A resposta a essa pergunta revela se você vive a hipocrisia ou a piedade – peço a Deus que seja a piedade.

E sempre devemos inserir na equação sobre como vemos esses homens que pecaram o fator arrependimento. Uma vez que cada um deles se arrepende do erro, confessa e deixa o pecado, está perdoado por Deus. Como poderíamos nós não perdoá-los se o próprio Criador os perdoou? Se Jesus foi à cruz por eles? Esses indivíduos, quando restaurados, podem e devem continuar exercendo seu ministério. Continuam sendo úteis para o Senhor. Seus livros continuam sendo valiosos e importantes, sua pregação segue sendo relevante, sua vida e seu ministério não morreram. Se você tem dificuldades de concordar com isso, lembre-se dos seus próprios pecados. Nada disso é graça barata: é graça, em sua essência mais pura e bíblica.

Precisamos compreender que o evangelho não são boas-novas de hipocrisia ou de superioridade: são boas-novas de salvação. Pois o que a cruz nos mostra acima de qualquer outra coisa é que a humanidade é toda perdida, nasceu igualmente destinada à miséria espiritual e só pode encontrar o caminho da paz em Jesus de Nazaré. Isso nos faz elevar os olhos para os montes, para o único que é digno de abrir os selos. Nossa pecaminosidade coletiva destaca a gloriosa pureza do Cordeiro de Deus.

OXYGEN Volume 22Meu irmão, minha irmã, fuja do pecado. Esforce-se no poder de Deus para se libertar de práticas pecaminosas, de pensamentos maldosos e de tudo o que fere o Senhor. Viva uma vida dedicada à proclamação da santidade. Isso é bíblico e é o certo. Mas, em nome de Cristo, viva também uma vida devotada a levar indivíduos a se aproximar de Jesus. E isso não acontece falando mal ou pondo o dedo na cara: Cristo se manifesta por meio do amparo, do auxilio, do aconselhamento, da mútua sustentação, do chorar com quem chora, da piedade, da compaixão, do perdão, da restauração. Não acredito no evangelho do irmão do filho pródigo. Acredito no evangelho do pai do filho pródigo. Comparo a atitude daquele pai com a do seu obediente e leal filho mais velho e enxergo um retrato fiel das nossas atitudes hoje: de um lado, os que abraçam o pecador que retorna; de outro o que se entristece porque o pecador foi restaurado – é mais interessante apenas criticá-lo (afinal, nos sentimos menos pecadores do que ele). Uns querem promover o banquete; outros se recusam a entrar na mesma casa. Um é o evangelho do “Não há justo, nem um sequer”; o outro é a religião do “raça de víboras!”.

Podemos escolher que tipo de cristãos seremos: hipócritas ou graciosos. Jesus foi gracioso e repreendeu os hipócritas. Os fariseus e mestres da lei foram hipócritas e repreenderam o Gracioso. E você, como será?

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Radical0Sempre que vou levar ou pegar minha filha na escola passo por esta árvore da foto ao lado. Embora haja uma enorme quantidade de árvores no trajeto, essa em especial se destaca e sempre chama minha atenção, por uma característica específica: suas raízes. Elas são tão robustas e vigorosas que conseguiram fazer algo aparentemente impossível: levantaram a calçada de concreto e pedras, removendo completamente do lugar pedaços sólidos e maciços do chão. Toda vez que observo aquele bloco de rocha quebrado, me pego pensando na importância de ter raízes fortes e inabaláveis. Na vida do cristão, essa é uma realidade bíblica.

Não sei se você sabe, mas a palavra “radical” se refere a “raiz”. Por isso, quando você diz que alguém é “radical” em suas opiniões, isso significa que tal indivíduo tem raízes bem fincadas naquilo em que crê. É interessante que, nas últimas décadas, nossa sociedade passou a enxergar alguém “radical” sob uma óptica negativa. O “radical” deixou de ser um indivíduo consciente, que não negocia seus valores, firme em suas crenças, sólido em suas virtudes; passou a ser alguém tapado, intransigente, intolerante, desagradável, fundamentalista e chato.

A vontade que dá diante dessa realidade é a de tornar-se uma pessoa light, não radical, do tipo que quer agradar todo mundo. Seria mais fácil e conveniente. A questão, porém, é que Jesus é extremamente radical.

Você consegue ver, nos evangelhos, Jesus negociar aquilo em que crê? Não é o que enxergo. Vejo um Cristo firme, com raízes muito bem fixadas, que mantém-se fiel a sua ética e a seus valores, não importa a situação. Jesus não barganha favores, não negocia a solidez de seu chão, não cede ante argumentos, ameaças ou riscos. Ele foi até o fim, custasse o que custasse – e custou bem caro: o preço de sangue.

Sartre e BeauvoirHoje as posturas do Cristo não são bem vistas na sociedade, em função, claro, do pecado que nos cerca e, também, do momento histórico em que vivemos. No século 20, surgiu um movimento filosófico chamado “existencialismo” que influenciou enormemente o modo de a civilização ocidental (em que eu e você vivemos) enxergar o mundo. Pensadores influentes, como Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir (foto), defendiam que nada é absoluto, tudo é relativo. É o que se chama “relativismo”. Segundo esse pensamento, eu tenho a minha verdade, você tem a sua e tudo está bem. Essa ideia faz com que eu seja o deus do meu universo, pois aquilo em que creio tornam-se dogmas inquestionáveis. O existencialismo criou ideias como “todos os caminhos levam a Deus” ou “não importa o que você crê, a verdade é a sua verdade”. Soa lindo, se o existencialismo não fosse antibíblico, pois o cristianismo tem conceitos absolutos, enquanto no existencialismo tudo é relativo.

Esse pensamento invadiu a mentalidade das pessoas e hoje colhemos os frutos amargos de viver em uma sociedade em que tudo é relativo. Porque os meus e os seus valores bíblicos absolutos tornaram-se malvistos. “Radical” deixou de ser um elogio e passou a ser um palavrão. Se tivermos uma crença inabalável e se não negociarmos o que é inegociável vão nos olhar de cara feia. Mas é impossível ser cristão e não ser radical. Então prepare-se para pagar o preço de ter raízes profundas no evangelho.

agressividadeÉ fundamental frisar um aspecto extremamente importante dessa questão: ser radical não tem nada a ver com uma imagem que em nossos dias tem conquistado cada vez mais espaço entre nós, cristãos. De alguns anos para cá, passamos a acreditar que ser radical é ser agressivo, é atacar quem discorda de nós com palavras e um modo de ser ofensivos. Por entendermos que o cristão tem de ser radical, assumimos um comportamento verborrágico, de botar o dedo na cara de quem diverge de nossas opiniões, de ofender cristãos ou não-cristãos que não compartilham nossas ideias. Entenda, por favor: ser biblicamente radical não é nada disso. O cristão com raízes bem fincadas em Cristo é manso, humilde, argumenta sem elevar o tom de voz, usa de amor e graça com todos – todos. Ser radicais nas nossas crenças e posturas absolutamente não significa ser uma pessoa desagradável, que vive gritando, acusadora, de cenho carregado, o “dono da verdade”. O radical dialoga, com paz no coração e carinho na voz, para levar os demais ao conhecimento da verdade. Infelizmente – mas infelizmente mesmo – vivemos em meio a uma geração que usa redes sociais, YouTube, blogs, programas de televisão e rádio e até púlpitos para disseminar uma agressividade incompreensível “em nome de Deus”. Não é esse o caminho. Isso é um erro.

Ser um cristão radical – ou seria melhor dizer “fiel”? – tem seu preço. Mas é um preço de abnegação e, muitas vezes, sofrimento. É negar-se a si mesmo diariamente, tomar sua cruz e seguir Jesus. Quer ser um cristão radical? Então você tomará um bofetão e terá de dar a outra face. Farão mal a você e você terá de fazer o bem a seus agressores. Os elogios cruzarão seu caminho, mas você terá de viver em humildade. O poder chegará a suas mãos e você precisará lavar os pés de seus subordinados. Seu marido será imperfeito e a submissão não deixará de vigorar. Sua esposa será problemática mas ainda assim você a amará como Cristo amou a Igreja. Seus pais errarão em muitas coisas e ainda assim você terá de honrá-los. Ser radical é perdoar, preferir os outros em honra, fugir de vãs discussões, não deixar o sol se pôr sobre a sua ira, amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Isso é ser radical – e agir como a Bíblia manda exigirá muito de você. Prepare-se.

raizesHá outros caminhos? Sim, há. Você pode trair suas convicções. Pode negociar com o mundo. Pode agir conforme os valores da sociedade secular. Pode fazer tudo igual a todo mundo e diferente do que a Bíblia estabelece como padrão cristão. É possível? Sim, é. Mas, quando a tentação de não ser radical chega, lembro-me daquela árvore e me pego pensando no que teria acontecido com ela caso suas raízes não fossem tão fortes. Provavelmente, o peso das pesadas placas de pedra a esmagaria. A força do chão a manteria pressionada e sabe Deus o que ocorreria àquela árvore. Creio que morreria, pois não conseguiria suportar por muito tempo. Acredito que o mesmo ocorre com o cristão cujas raízes são fracas e não têm forças para firmá-lo quando chegam as tentações, as dificuldades e os desafios da vida: ele definha espiritualmente e se torna uma sombra pálida daquilo que Deus espera de cada um de nós.

Aquela árvore sempre me lembra de que nossas raízes têm de estar cravadas em Cristo, sem ceder um milímetro sequer. Sempre. A todo dia. A toda hora. A todo instante. Só assim teremos forças suficientes para quebrar o rígido e forte peso do pecado, das fraquezas, dos problemas. Peço a Deus que, pela força da cruz, sejamos sempre amorosos, graciosos, benignos, amáveis, pacificadores, perdoadores, caridosos e… radicais.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Red present with blue ribbonHoje o blog APENAS completa três anos de vida. Foram até aqui pouco mais de 1,2 milhão de acessos e 317 posts publicados, em que busquei compartilhar com você reflexões que tivessem algum valor para a sua caminhada cristã. Sinto-me extremamente honrado por ser lido por irmãos em Cristo que, de algum modo, me esforço por abençoar, apesar das minhas muitas e enormes limitações. Conforme prometi, em comemoração à data desejo presentear cinco assinantes do blog, que pacientemente me leem todas as semanas, com o bem material que considero mais valioso do que qualquer outro: livros. Pensei em uma mecânica de sorteio que não fosse voltada apenas para a entrega de presentes, mas que, ao mesmo tempo, chamasse à reflexão. Então, para participar, tudo o que você tem de fazer é responder no espaço dos comentários deste post específico a seguinte pergunta:”O que significa perdão para você?”

Não há resposta certa ou errada, tudo o que desejo é levá-lo a refletir sobre o assunto. Uma vez que tenha respondido, já está participando do sorteio. E recomendo que leia o que os demais irmãos e irmãs vão escrever, para que todos possamos meditar um pouco sobre esse assunto tão central da nossa fé: perdão.

Divulgarei quem foram os cinco irmãos sorteados para receber o presente no dia 29 de maio. Assim, você tem duas semanas para deixar a sua resposta.

Como já informei antes, faço questão de frisar que esta não é uma ação paga e não estou recebendo dinheiro ou qualquer outro benefício da editora, apenas pedi os livros e a Mundo Cristão gentilmente os ofertou para que eu os repassasse a você. Estes são os cinco livros que a editora cedeu para a comemoração (vou sortear um exemplar de cada):

A vida de CS LewisA vida de C. S. Lewis: Do ateísmo às terras de Nárnia (Alister McGrath) – Sinopse do livro: Por mais de meio século, C. S. Lewis vem alimentando a imaginação de milhões de pessoas em todo o planeta com seu fantástico mundo de Nárnia. Para celebrar o 50º aniversário de sua morte, o Dr. Alister McGrath reconta a vida deste que é considerado um dos maiores escritores do século 20. A obra oferece um panorama abrangente e fascinante da trajetória de um pensador profundamente original e que se tornou fonte de inspiração para crianças e adultos em todo o mundo. McGrath oferece um olhar novo, e por vezes chocante, sobre a vida dessa figura complexa, em uma biografia profundamente embasada. O autor nos faz mergulhar no coração de um Lewis que poucos conhecem.

 

Quem voce pensa que eQuem você pensa que é? (Mark Driscoll) – Sinopse do livro: Quem é você? O que o define? Qual é sua verdadeira identidade? Como você responderia essas três perguntas? Saber responder corretamente pode ser a diferença entre viver uma vida de significado ou simplesmente existir. Em geral, esquecemos quem realmente somos e, por isso, buscamos preencher esse vazio com coisas passageiras, incapazes de satisfazer os anseios da alma. Até mesmo muitos que dizem “estar em Cristo” parecem não viver de modo significativo o que acreditam. Mark Driscoll explora com inteligência e sagacidade as reais implicações de sermos criados à imagem e semelhança de Deus. E revela como potencializar em realizações pessoais e comunitárias essa condição única da Criação.

 

Diga sim com convicçãoDiga sim com convicção (Miguel Uchôa) – Sinopse do livro: As estatísticas mostram índices alarmantes de divórcio entre cristãos e não cristãos. Os gabinetes pastorais e os consultórios especializados em terapia de casais vivem lotados de pessoas que experimentam a infelicidade na vida a dois. Certamente, ninguém ingressa num relacionamento com o objetivo de fazer parte do grupo dos divorciados ou dos infelizes. Mas, se o processo decisório não for conduzido de forma consciente, madura e bíblica, isso lamentavelmente pode se tornar uma grande possibilidade. Com sua larga experiência em aconselhamento matrimonial, Miguel Uchôa (bispo anglicano da Diocese do Recife) mostra diferentes maneiras de evitar que a dissolução e a infelicidade entrem no lar daqueles que sonham em construir uma família.

 

Pais admiráveis educam pelo exemploPais admiráveis educam pelo exemplo (Cris Poli) – Sinopse do livro: A máxima “Faça o que eu digo, não faça o que eu faço” não funciona quando o assunto é criação de filhos. As crianças, desde muito pequenas, observam e se espelham nas atitudes e no comportamento dos pais, muito mais do que em seus ensinamentos verbais ou broncas. Todo pai e toda mãe deseja que os filhos sejam amorosos, alegres, pacíficos e pacificadores, pacientes, tolerantes, amáveis, bondosos, fiéis, mansos e que tenham domínio próprio. Então lembre-se: eles precisam ver essas características em você primeiro! Neste livro, Cris Poli (a Supernanny) vai ajudar você em sua enorme responsabilidade de transmitir os valores mais importantes que existem a seus filhos, com a didática que eles compreendem melhor: seu exemplo pessoal.

 

BonhoefferBonhoeffer – pastor, mártir, profeta, espião (Eric Metaxas) – Sinopse do livro: As tropas nazistas avançavam pela Europa. Numa época em que se calar era a melhor forma de se expressar e se omitir era a mais acertada ação, o pastor Dietrich Bonhoeffer tornou-se uma ameaça a Hitler. Sabotando ordens e ações de guerra nazistas, ele salvou milhares de vidas e impediu os planos de Hitler. Descoberto, Bonhoeffer foi preso e enforcado por ordem direta de Adolf Hitler. Este livro traça o perfil profundo e cuidadosamente detalhado de um dos teólogos alemães mais importantes desde Lutero e uma das figuras principais da resistência contra o regime nazista. Inspirador, desafiador e emocionante, Bonhoeffer é o relato instigante do que um homem pode fazer movido por amor ao próximo e contra a injustiça.

Muito obrigado pelo privilégio da sua companhia nesses três anos. Muito obrigado pela oportunidade de agradecê-lo por isso. Muito obrigado por compartilhar sua visão sobre perdão. Muito obrigado pelas suas tão valiosas orações. Deus o abençoe muito e a toda a sua família.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Mauricio

 

 

Inimigo de nossas almas1Ele é mau. Sua natureza o faz agir diariamente contra nós. Ninguém tem maior capacidade de nos prejudicar do que ele. Seus pensamentos constantemente vão contra aquilo que é puro e bom. Suas ações cotidianamente sabotam nossa santidade. Ele é o grande responsável por cada um dos pecados que cometemos. Ele é o maior adversário de cada cristão na luta diária para ser fiel a Deus. Ele é o inimigo de nossas almas. Você sabe de quem estou falando. Sabe, não sabe? Então diga o nome dele em voz alta. Não se preocupe, ele não vai mordê-lo. Pode dizer.

Já disse?

Pois bem, se você disse “Satanás”, lamento, não é essa a resposta. O nome que deveria ter dito é… o seu próprio. Porque o maior inimigo de sua alma é você mesmo.

Para muitos o que acabei de dizer pode soar estranho. Mas, se você achava que seu grande adversário era o Diabo, está na hora de reconsiderar. Por uma simples razão: embora tente constantemente influenciá-lo, ele não obriga você a fazer absolutamente nada. Você faz porque decide fazer.

Inimigo de nossas almas2Vamos pensar em Adão e Eva. A serpente obrigou um dos dois a comer o fruto proibido? Não, não obrigou. Do mesmo modo que, em nossos dias, o Diabo não nos obriga a cometer nenhum pecado. O que ele fez com o primeiro casal e o que faz hoje é exatamente a mesma coisa: sedução. Satanás não força ninguém a nada, ele apenas sugere. Sussurra. Mostra possibilidades. Incentiva. Usa toda a sua lábia para fazermos o que ele quer. Mente que não haverá consequências. Mas quem toma a decisão de pecar somos eu e você. A única circunstância em que o Diabo obriga um ser humano a algo é na possessão demoníaca. Como não é o seu caso, não existe nada que Satanás possa levá-lo a fazer, contra a sua vontade, se você não consentir.

A verdade é que todas as vezes em que eu pequei, o fiz por decisão própria. Eu escolhi pecar. Tinha as duas possibilidades, o “sim” e o “não”, mas optei pelo “sim”. A responsabilidade por cada pecado da minha vida é  minha, o que me torna a pessoa com maior potencial de prejudicar a mim mesmo. Evidentemente, o Diabo tem um importante papel nessa equação. A ação dele é simbolicamente parecida com aquilo que você já viu em alguns desenhos animados, em que o personagem fica com um demoniozinho perto da orelha, ouvindo incentivos para fazer algo. Na vida real, os demônios só têm poder para fazer isto: tentar seduzir as pessoas para que pequem. O espírito maligno sugere: “Faça”. Mas quem faz… é você.

Inimigo de nossas almas3Paulo falou sobre isso. “Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço” (Rm 7.19). Note que ele não diz “o mal que não quero o Diabo me obriga a fazer”: Paulo assume a responsabilidade. Ficar pondo a culpa em Satanás por todas as coisas ruins que fazemos cria um grande problema para nós. Pois, se terceirizamos a culpa de nossas transgressões, acabaremos, como Pilatos, crendo que estamos com as mãos limpas porque as lavamos. “Eu fiz porque o Diabo me obrigou”, podemos dizer. Só que essa não é uma afirmação bíblica. Seria leviandade pôr a culpa de nossos erros em alguém que, por mais que tente de todo jeito fazer que pequemos, não tem poder nenhum de nos fazer pecar.

Eu peco porque decido pecar. Todos os meus pecados são responsabilidade minha. Eu é que darei contas de cada pensamento, palavra e ação que puser em prática. O mesmo se aplica a cada pessoa do planeta. Peço a Deus que essa percepção nos leve a tomar mais cuidado a cada nova tentação que atravessar nosso caminho.

Inimigo de nossas almas4Ah, sim, não quero que essa realidade deixe você triste. É uma verdade que não deve nos abater, mas sim nos deixar alertas, vigilantes, precavidos – atentos aos sussurros sedutores de Satanás e às nossas próprias atitudes. E uma boa notícia, de que você nunca deve se esquecer: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1Jo 1.9). Jesus morreu na cruz para perdoar cada uma das suas transgressões. O sangue dele repousa sobre você. E não há nada que o Diabo possa fazer com relação a isso.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

tedioTenho viajado com certa frequência para outras cidades, por conta do meu trabalho. Isso tem me levado a passar algum tempo em salas de embarque de aeroportos. Como me interesso muito pelo comportamento humano, gosto de ficar observando as pessoas à minha volta. Estive recentemente em São Paulo e passei algumas horas no aeroporto. Poucos anos atrás, se eu estivesse numa situação semelhante, veria ali muita gente com cara de tédio, cochilando, lendo livros ou, simplesmente, pensando. Nos últimos anos, porém, a coisa mudou. Reparei que a esmagadora maioria de quem estava próximo a mim na sala de embarque mantinha-se profundamente entretida com seus smartphones, iPads, notebooks e outros aparelhos eletrônicos. Curioso, me levantei a caminhei um pouco ao redor do salão, espiando com o que exatamente estavam ocupando seu tempo. Muitos estavam em redes sociais, outros jogavam games, alguns batiam papo em programas de chat. Uma minoria fazia algo que parecia ligado a trabalho. Em resumo, o que percebo nas minhas viagens é que as caras de tédio estão se tornando quase que extintas nos aeroportos. Agora, os recursos eletrônicos ocupam com bastante competência o tempo e a mente das pessoas. Fiquei me perguntando: isso é bom ou mau?

tedio0Claro que é bom. Quem gosta de ficar entediado? Quem gosta de passar horas sem nada o que fazer? É muito melhor ter algo com o que ocupar a mente enquanto se espera o avião chegar. Na verdade, enquanto se espera por qualquer coisa, pois tédio não é exclusividade de aeroportos. No trajeto do ônibus até o trabalho, na fila do supermercado, na sala de espera do médico… as ocasiões em que o tédio se manifesta não têm limites. Surgem a qualquer momento e por todo lado. E se antigamente o não-ter-nada-o-que-fazer nos proporcionava como única alternativa passar o tempo pensando ou no máximo lendo um livro ou fazendo palavras cruzadas, agora temos ao nosso dispor bugigangas eletrônicas de todos os tipos, tamanhos e formatos, com uma infinidade de softwares e aplicativos, que chegaram para ocupar nossa mente, enxotar o tédio e nos livrar da penosa e irritante atividade que é pensar.

tedio2Epa. Percebeu algo estranho no que acabou de ler? Não? Então permita-me chamar a atenção: eu disse “penosa e irritante atividade que é pensar”.  Este é um fenômeno de nossos tempos: consideramos que “pensar” é sinônimo de “não ter nada o que fazer” e, portanto, é algo chato e incômodo. Logo, se não nos entretivermos e “apenas” ficarmos pensando, acabamos descontentes. A consequência? Temos procurado tão desesperadamente dar tarefas ao nosso cérebro que está sobrando muito menos tempo para a reflexão – estamos pensando incomparavelmente menos. Alguns anos atrás podíamos dedicar nossos momentos de espera e ócio à reflexão, a pensamentos sobre a vida, à análise de fatos e ideias, a muitas coisas importantes que exigem a nossa meditação – exigem cérebros direcionados exclusivamente para o pensamento. Os momentos de tédio nos davam espaço para devotar nossa mente não apenas a se ocupar, mas a elaborar. A ponderar. A investir tempo no questionamento. Isso nos permitia ser pessoas mais críticas, reflexivas, analíticas, criativas e inovadoras. Pois tínhamos tempo ocioso para fazer mais do que absorver informações: conseguíamos processá-las, pô-la sob os holofotes e examinar seus muitos ângulos, com cuidado e bastante reflexão. Mas, se “nos livramos da penosa e irritante atividade que é pensar”, estamos nos tornando seres que não pensam . Logo, aceitaremos tudo o que nos é apresentado como verdade, pois não teremos mais o hábito de parar e questionar: “Será verdade mesmo?”.

Assim, vemos que espantar o tédio é ótimo, mas pensar menos é uma tragédia. Em especial para o cristão.

cabeça oca1Se mantemos nossa mente ocupada em todos os momentos entediantes com atividades lúdicas (como games e redes sociais), sentiremos muito menos tédio, mas exercitaremos infinitamente menos nossa habilidade de pensar. Com isso, ao recebermos um ensinamento religioso, por exemplo, simplesmente o incorporaremos ao nosso grupo de verdades absolutas – pois não pararemos para refletir até que ponto ele é de fato bíblico. Nos dirão que a prática X ou Y deve fazer parte da nossa vida de fé e você aceitará sem senso crítico. Vão dizer que você pode ser um cristão agressivo porque “afinal, Deus respeita o seu temperamento” e você aceitará esse confortável absurdo sem questionar. Cantarão louvores cheios de erros bíblicos e você nem ao menos perceberá, visto que não pensou muito sobre eles. Você passará meses sem ouvir pregações que falem sobre assuntos centrais da fé – como amor ao próximo, graça, perdão, arrependimento, inferno, negar-se a si mesmo, preferir os outros em honra, e não devolver mal com mal – e achará que está tudo bem (pois não parou para pensar sobre o assunto). E por aí vai.

Pensar é uma atividade vital do ser humano. Mas não apenas pensar por pensar ou pensar de qualquer maneira: pensar, isto sim, de forma reflexiva, critica, analítica, demorada, focada. A questão é que, para podermos pensar de um modo que nos fará crescer e ser mais consequentes em nossa vida, precisamos de tempo. Uma boa conclusão ou decisão jamais é tomada em segundos: exige ponderação, olhar todos os lados da situação, concluir, questionar a conclusão, voltar a analisar, concluir de novo. Nesse sentido, os momentos de tédio são preciosos.

Einstein1A filosofia grega revolucionou o mundo pelos 2.400 anos seguintes ao seu surgimento. Tales de Mileto, Sócrates, Platão, Aristóteles e outros pensadores que mudaram os rumos de toda civilização ocidental só puderam criar seus conceitos porque viveram em um momento histórico em que podiam se dedicar ao pensamento. Albert Einstein só criou a teoria da relatividade porque trabalhava num escritório de marcas e patentes em que dava conta de todo o serviço na parte da manhã e tinha a tarde ociosa, sem ter nada a fazer exceto sentar-se no beiral de uma janela e matar o tédio… pensando. Os avanços da humanidade só surgiram quando pessoas começaram não a se entreter e ocupar a cabeça com informações irrelevantes, mas a pensar.

Na própria história do cristianismo vemos isso. O escolasticismo (movimento de reflexão e produção teológica iniciado no século 12 e que sucedeu a Idade Média) foi marcado por uma riqueza enorme de criatividade intelectual, promovida por um contexto sociocultural que estimulava o pensamento. E, sem esse movimento, não teríamos os pré-reformadores e muito menos a reforma protestante. Ou seja: sem o pensamento e a reflexão não haveria Igreja evangélica. Às vezes fico imaginando se os dois discípulos na estrada de Emaús, em vez de ocupar o tédio daquela longa caminhada conversando com Jesus, tivessem ficado com a cara enfiada em seu iPad durante todo o trajeto. O que não teriam perdido?

Você vai deparar com muitos momentos de tédio ao longo da próxima semana, do próximo mês, do resto de sua vida. É totalmente possível ocupá-los todos com aquilo que vê em seu smartphone, notebook ou tablet. Não tenha dúvidas de que conseguirá espantar o tédio com eficiência, vai se distrair, entreter-se e manter seu cérebro bem ocupado. Vai rir, ver vídeos legais no YouTube, admirar milhões de selfies dos seus amigos no Facebook, gastar horas jogando Candy Crush. Coisas do gênero. Nada contra. Mas se você não tomar a decisão de desfrutar de pelo menos parte desse tédio com a leitura de livros ou com a arte de pensar, corre o sério risco de se tornar alguém que não avança nem contribui – apenas reproduz o que alguém que pensa te falou. E isso seria muito triste. Improdutivo. E desastroso para você, a Igreja e a sociedade.

Tedio3Quer ser uma pessoa relevante? Quer ter opiniões bem formadas e refletidas e não apenas copiadas do que ouviu da boca de alguém que admira? Quer ter senso critico? Quer conseguir analisar algo que todo mundo diz que está certo e concluir que está errado? Então recomendo que dedique-se ao pensamento. E os momentos de tédio são preciosos e propícios para isso. Não perca a oportunidade. Use a chatice das horas entediantes para se tornar uma pessoa que usará suas reflexões para auxiliar vidas, formar uma igreja mais íntima de Cristo e construir um mundo melhor.

E, agora que acabei de escrever esta reflexão, surgida em um momento de tédio na sala de embarque de um aeroporto de São Paulo, peço licença mas vou ler um bom livro – afinal, ninguém é de ferro.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício