Arquivo de novembro, 2013

Musica-AmorUma das razões que motivam nós, evangélicos, e enfatizar tanto o evangelismo é o desejo de compartilhar com as demais pessoas o que consideramos excelente. Eu, pessoalmente, não compartilho o amor de Cristo e as boas novas de salvação com ninguém porque ele assim ordenou, porque o ide é um mandamento, mas porque venho experimentando de tal forma as maravilhas da graça em minha vida que tenho enorme alegria de compartilhar algo que é tão, mas tão bom. Jesus fez a diferença em minha vida; quero que ele faça a diferença na dos demais. É uma expressão de amor e de cuidado pelo próximo.

De igual modo, sempre que descubro algo bom e que me toca tenho prazer e alegria de compartilhar com os irmãos. Fim de semana passado fui fazer uma preleção na Igreja Cristã Nova Vida de Mesquita, município do estado do Rio, e fiquei encantado com a arte do irmão que fez o louvor no início da programação. O nome dele é Fábio Muniz e é membro da Assembleia de Deus em Queimados (RJ). Nós não nos conhecíamos e, ao final, Fábio carinhosamente me presenteou com um CD dele (eu, vergonhosamente, não o presenteei com nada, pois não tinha levado nenhum dos livros que escrevi). Cheguei em casa e fui ao YouTube para ver se havia vídeos dele. Para minha alegria encontrei alguns. Então resolvi compartilhar com você o prazer que é ouvir esse irmão talentoso e simples, de uma capacidade singela de nos conduzir em louvor ao Senhor. Se você puder, vale a pena assistir a esses dois vídeos.

A primeira canção, “Descanso”, ele entoou no momento de louvor que tivemos. A segunda, “Jesus”, conheci assistindo no YouTube, e mostra a criatividade desse músico. A letra de ambas é simples, bíblica e diz tudo.

Gosto de compartilhar o que é bom. Por isso, hoje compartilho Fábio Muniz.

Descanso:

Jesus:

[Aproveito para deixar um abraço carinhoso para os irmãos da ICNV Mesquita, que me receberam com um amor tão transbordante que me fizeram sentir pequenininho ante vocês, em especial os simpaticíssimos e agora muito queridos Daniel e Adriana, Paulo (que Deus te recompense por sair de madrugada para me trazer em casa, tão longe, que coração grande esse teu, mano), o Pr. Jorge Duarte (um dos mais eficientes plantadores de igrejas que já conheci e, ao mesmo tempo, homem de uma simplicidade que nos humilha) e tantos outros que me presentearam com seus abraços e sorrisos. Vocês ganharam meu coração.]

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Ora1O que devemos fazer quando estamos enfrentando um problema; oramos, oramos e oramos a Deus… mas não recebemos o que pedimos? Isso ocorre muitas vezes em nossa vida: simplesmente nossa oração não é atendida. A sensação que temos, nesses casos, é que Deus ou não nos ouviu ou nos virou as costas. Bem, na verdade não é isso o que ocorre. Há um acontecimento na vida de Paulo que pode nos conduzir a uma reflexão bem interessante sobre orações não atendidas.

Para pensarmos sobre essa questão, precisamos ler a famosa passagem do espinho na carne. “Conheço um homem em Cristo que, há catorze anos […] foi arrebatado ao paraíso e ouviu palavras inefáveis, as quais não é lícito ao homem referir. […] E, para que não me ensoberbecesse com a grandeza das revelações, foi-me posto um espinho na carne, mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de que não me exalte. Por causa disto, três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim. Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza” (2Co 12.2-9).

Pense bem: o que diferencia essa experiência de Paulo da sua experiência pessoal? Vejamos: Paulo tem um problema. Você tem um problema. Paulo ora a Deus pedindo uma solução. Você ora a Deus pedindo uma solução. Paulo não vê sua oração ser respondida da primeira vez. Você não vê sua oração ser respondida da primeira vez. Paulo persiste na oração, orando uma segunda vez. Você persiste na oração, orando uma segunda vez. Paulo não é atendido. Você não é atendido. Paulo ora sem cessar, clamando uma terceira vez. Você ora sem cessar, clamando uma terceira vez. Paulo não é atendido. Você não é atendido. Tudo igualzinho, reparou? A experiência do apóstolo em nada difere da sua. Só que, no caso dele, aconteceu um fenômeno que com você não acontece. É um detalhe nessa passagem que, a meu ver, é de suma importância.

Deus explicou.

Ora2Estas palavras de Paulo fazem toda a diferença: “Então, ele me disse…”. Sim, o Senhor verbalizou ao apóstolo, deu a ele uma explicação audível para o fato de não ter atendido seu clamor. E isso tirou do coração de Paulo toda a angústia que sente a pessoa que ora mas não é atendida. Havia uma explicação. Havia uma motivo cognoscível para aquilo. Mesmo que seu desejo não tivesse sido satisfeito, Paulo agora sabia a razão. E podia seguir em paz, pois tomou conhecimento do que levou Deus a não lhe conceder o que queria. E essa é a grande diferença da experiência de Paulo para a sua: ele recebeu uma justificativa. Com você e comigo isso não acontece. Ninguém nos diz por que nosso pedido ao Todo-poderoso foi negado.

Faça um exercício de imaginação. Suponha que Deus tivesse ficado quieto e simplesmente não explicasse a Paulo o porquê de não ter atendido aos seus pedidos. O apóstolo permaneceria ali, clamando, em angústia de alma, cheio de perguntas na cabeça. “Será que Deus não me ouviu?”. “Será que Deus só me atenderá daqui a muitos anos?”. “Será ao menos que Deus atenderá ao meu clamor algum dia, mesmo que demore?”. “Será que os céus se fecharam a mim?”. “Será que os meus pecados impedem Deus de atender minha oração?”. Será que o Diabo está impedindo Deus de atender meu clamor?”. Será, será, será, será, será…?

Paulo poderia ter feito isso, e não seria nenhuma novidade. Afinal… não é exatamente o que nós fazemos?

Ora3Deus decidiu em sua soberania que simplesmente não iria atender a oração de Paulo. Não teve nada a ver com falta de fé, ação do Diabo, pecado não confessado, nada disso. Simplesmente o Senhor disse “não” à oração do apóstolo porque queria proteger seu filho amado de pecar pela soberba. E é precisamente o que ele faz conosco em muitas e muitas situações semelhantes. Nós oramos, clamamos, nos esgoelamos, mas não somos atendidos. E aí os “será” invadem nossa mente e ficamos angustiados, cheios de conjecturas, sofrendo, questionando até mesmo a onisciência de Deus: “Será que ele não ouviu minha oração?”.

Claro que ouviu. Deus ouve todas as orações. E antes mesmo de orarmos ele já sabe o que vamos falar: “Ainda a palavra me não chegou à língua, e tu, SENHOR, já a conheces toda” (Sl 139.4)“. Essa ideia de que “Deus não ouve a oração” não é bíblica. O que acontece é que ele decide não nos dar o que pedimos. Ouve, pondera e responde com um grande “não”. Ponto. Não há fé no mundo que altere a vontade soberana do Criador do universo. Paulo não tinha fé? Possivelmente a maior do mundo. Mas Deus quis não atender seus pedidos, porque, por saber tudo, entendia que, no grande plano de causas e consequências do universo e da eternidade… não atendê-los era o melhor. Inclusive, era o melhor para o próprio apóstolo, embora ele não soubesse, visto que “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8.28). A grande vantagem de Paulo é que o Senhor disse de forma inequívoca que tinha escutado a oração mas não a atenderia. Conosco ele não faz isso. Temos de nos contentar com o silêncio. Não vem resposta. O que pedimos não acontece. Ficamos impacientes, como se o Pai tivesse a obrigação de nos atender só porque oramos com fé. E não entendemos nada.

Ora4Em vez de ficar imerso em “será”, talvez Paulo partisse para a ação se Deus não tivesse afirmado explicitamente a ele que sua oração não seria atendida. É possível que orasse uma quarta vez, uma quinta, uma sexta, uma sétima. Talvez ficasse anos orando. E ficaria a ver navios, porque, apesar de sua inequívoca grande fé, Paulo estava debaixo da soberana vontade de Deus – e, para aquela oração, a resposta da soberania divina era “não”. Se Paulo fosse um crente temperamental ou imaturo, ele poderia “ficar de mal” com o Senhor ou até mesmo se desviar da fé. Não é o que muitos de nós fazemos? Como não recebemos de Deus o que pedimos o largamos para lá? Ou então tomamos as rédeas da situação e agimos pela força da nossa mão? Quero a cura, mas, como não fui curado, vou procurar um pai de santo. Quero prosperidade, mas, como não tive um aumento de salário, vou atrás de facilidades. Quero que liberem o meu processo na Prefeitura, mas, como não liberaram, vou dar propina. Quero me casar, mas, como não encontrei ainda a pessoa ideal, vou buscar no mundo. E coisas do gênero.

Deus é muito sábio. O silêncio dele é uma maravilhosa maneira de ver que tipo de crentes somos nós. Se o Senhor explicasse suas decisões e seus “não” a cada um de nós… aí seria fácil. Mas o fato de ele decidir não atender e – também – não responder nossa oração mostra o alcance de nossa fé, estimula nossa perseverança e nos testa, para ver até onde estamos dispostos a segui-lo e servi-lo tendo somente a graça divina em nossa vida. A graça dele nos basta. Ele sabe disso; nós é que não nós contentamos com ela, queremos porque queremos também as bênçãos. O silêncio de Deus ante uma oração não atendida é a maneira de o Senhor nos mostrar quem nós somos: se perseverantes, servis, fiéis, homens e mulheres de fé, murmuradores, interesseiros, compromissados… ou não.

Ora6Tenho visto que o problema maior entre nós, cristãos, não é Deus não atender nossas orações, mas ele não respondê-las. Como o silêncio divino é a regra (o que ele fez com Paulo é a exceção), isso nos tira do sério. O caminho para permanecermos inabaláveis na nossa fé e no relacionamento com o Senhor é sabermos que ele está agindo por trás do véu do silêncio. E, se não temos uma resposta, isso absolutamente não significa que ele não nos ouviu. Devemos abandonar essa ideia infantil. Deus é onisciente, ele ouve tudo, ele sabe tudo. Mas muitas vezes decide que atender nossos pedidos não é o melhor. Se confiarmos nele, isso nos conformará e confortará. “Entrega o teu caminho ao SENHOR, confia nele, e o mais ele fará” (Sl 37.5). Se não confiarmos… é hora de repensarmos todo o nosso relacionamento com o Senhor, porque estamos muito longe de entendê-lo.

Deus vai negar muitos dos teus pedidos. Mas tenha esta certeza: isso não significa que ele não ouviu tua oração. Foi exatamente o que aconteceu com Paulo. É o que acontece conosco. Num caso raro, o apóstolo foi presenteado com uma explicação da boca de Deus. Nós não somos. Diante disso, nosso papel é orar, perseverar em oração e esperar com paciência. E se, depois de tudo isso, não formos atendidos, que tenhamos sempre em nossos lábios as palavras de Jó: “O SENHOR o deu, o SENHOR o levou; louvado seja o nome do SENHOR ” (Jó 1.21). Como escreveu o mesmo Paulo: “Orem continuamente. Deem graças em todas as circunstâncias, pois esta é a vontade de Deus para vocês em Cristo Jesus” (1Ts 5.17-18). Orou mas não recebeu o que pediu? Dê graças. Em todas as circunstâncias dê graças. Ou seja: agradeça. Pois, se não recebeu, é porque não receber é o melhor. Não receber é pão e peixe. “Qual de vocês, se seu filho pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou se pedir peixe, lhe dará uma cobra? Se vocês, apesar de serem maus, sabem dar boas coisas aos seus filhos, quanto mais o Pai de vocês, que está nos céus, dará coisas boas aos que lhe pedirem!” (Mt 7.9-11).

Obrigado, Pai, porque minha oração não foi atendida. Agradeço por isso, pois sei que, se o Senhor decidiu não atendê-la… o teu “não” é o melhor para mim.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Gay1O assunto de que desejo tratar hoje é extremamente delicado, em especial em nossos dias: homossexuais nas igrejas. Por isso, se você for adiante na leitura, é importante que leia com muita calma e atenção o texto a seguir (que é longo), porque, caso contrário, a probabilidade de que tenha um entendimento errado acerca da reflexão que levanto aqui é enorme. Não é novidade para ninguém que existe atualmente uma forte tensão entre as igrejas (evangélica ou católica) e a militância LGBT, formada por homossexuais. Não quero entrar pelo mérito das polêmicas, PL 122, nada disso. Já tem gente demais falando sobre o assunto pelo viés político, debatendo aspectos legais e similares. Não quero falar sobre a “cura gay”, o “casamento gay” ou qualquer outra controvérsia macro.

O que me interessa aqui é tratar especificamente do âmbito da alma humana e do amor pelo próximo.

Acerca da homoafetividade em si não há muito o que dizer. Cientificamente e psicologicamente, ninguém até hoje sabe o que leva uma pessoa a ser homossexual. Eu não sei, você não sabe, ninguém sabe. Há muitas teorias, todas inconclusivas. Mas o que todos sabem é que, para a fé cristã, a prática homossexual é pecado. Ponto. Não sou eu quem diz, está na Bíblia. Não é uma questão de opinião pessoal, é algo afirmado no livro sagrado do cristianismo. Se você crê na Bíblia vai acreditar nisso; se não crê, não vai. Logo, o que está em debate não é se a prática homossexual é biblicamente pecado ou não. À luz das Escrituras, os cristãos encontram a resposta em passagens como:

“Por causa disso Deus os entregou a paixões vergonhosas. Até suas mulheres trocaram suas relações sexuais naturais por outras, contrárias à natureza. Da mesma forma, os homens também abandonaram as relações naturais com as mulheres e se inflamaram de paixão uns pelos outros. Começaram a cometer atos indecentes, homens com homens, e receberam em si mesmos o castigo merecido pela sua perversão.” (Rm 1.26-27).

“Não se deite com um homem como quem se deita com uma mulher; é repugnante.” (Lv 18.22).

“Vocês não sabem que os perversos não herdarão o Reino de Deus? Não se deixem enganar: nem imorais, nem idólatras, nem adúlteros, nem homossexuais passivos ou ativos e nem ladrões, nem avarentos, nem alcoólatras, nem caluniadores, nem trapaceiros herdarão o Reino de Deus.”  (1Co 6.9-10).

“Sabemos que a Lei é boa, se alguém a usa de maneira adequada. Também sabemos que ela não é feita para os justos, mas para os transgressores e insubordinados, para os ímpios e pecadores, para os profanos e irreverentes, para os que matam pai e mãe, para os homicidas, para os que praticam imoralidade sexual e os homossexuais, para os sequestradores, para os mentirosos e os que juram falsamente; e para todo aquele que se opõe à sã doutrina” (1Tm 1.8-10).

Portanto, para a fé cristã, o evangelho de Jesus Cristo, a Bíblia sagrada, o cristianismo… a prática homossexual é pecado – ou seja, algo que contraria a vontade de Deus. Isso é um fato de fé, ou seja: crê quem crê; não crê quem não crê.

O que gostaria de trazer à reflexão é a forma como nós, cristãos, temos lidado com seres humanos homossexuais que chegam às nossas igrejas. Sejamos francos: a maioria de nós, membros ou líderes, não sabe muito bem o que fazer quando alguém entra em nossa congregação e diz: “Sou homossexual, creio que a prática homossexual é pecado e amo Jesus Cristo, meu Senhor e Salvador”. E esse nosso despreparo nos tem feito ferir – acredito eu que, na maioria das vezes, sem querer – muitas almas. Que deveriam ser amadas, tratadas, cuidadas, acolhidas, discipuladas.

Gay2Conheço todas as teorias. Já ouvi que homossexuais são endemoninhados, que decidiram ser gays, que são fruto de uma mutação genética, que tiveram traumas de infância… há muitas explicações para o que faz um homoafetivo ser homoafetivo. A verdade é que, até hoje, ninguém sabe. Ninguém comprovou nada. Há muita especulação sendo proclamada como fato irrefutável, mas, na realidade, não há nenhuma resposta definitiva. Para muitos, não tem nem o que discutir: se é gay basta passar por um “processo de libertação” e a pessoa se tornará heterossexual. Ou basta decidir não ser mais gay de uma hora para outra e pronto. É o que dizem, mas… sinceramente? Eu não sei. Não sei a causa da homossexualidade. Não sei como resolver o caso de alguém que é gay e diz que não quer mais ser. Honestamente, não sei. Deixo a questão para os especialistas.

Enquanto o debate sobre aspectos políticos, legais, psicológicos, científicos e similares segue a todo vapor, vejo homossexuais entrarem pelas portas de nossas igrejas, confessarem Jesus como Senhor e Salvador e passarem a viver entre nós. É aí? Como lidamos com eles? Será que temos amado essas pessoas? Será que temos estendido graça a elas? Será que as discipulamos com carinho, respeito e amor ou as discriminamos, segregamos, ofendemos, machucamos, expulsamos, extirpamos de nosso meio?

Afinal, lidamos com uma certa tranquilidade e/ou tolerância em nossas igrejas com indivíduos sobre os quais a Bíblia diz que “Aqueles que praticam essas coisas não herdarão o Reino de Deus” (Gl 5.21), como idólatras (de bens, dinheiro ou pessoas) que dizem professar a fé em Cristo; como gente que odeia e diz professar a fé em Cristo; indivíduos que promovem a discórdia e dizem professar a fé em Cristo; ciumentos que dizem professar a fé em Cristo; irados que dizem professar a fé em Cristo; egoístas que dizem professar a fé em Cristo; invejosos que dizem professar a fé em Cristo; e gente que promove dissensões e facções mas diz professar a fé em Cristo. Só que, quando se trata de um gay que diz professar a fé em Cristo… ficamos meio perdidos.

Então, esta é a grande pergunta deste texto: como eu e você tratamos um gay que entra em nossa igreja?

Gay3Um jovem cujo nome vou manter no anonimato deixa, há algum tempo, comentários no APENAS. Ele é gay. Nascido e criado na igreja evangélica, afirma que ama Jesus. Sua experiência congregacional, no entanto, é péssima. Ele alega ter sido maltratado e discriminado a tal ponto pelos irmãos na fé que sua alma carrega feridas profundas. Ele compartilha a visão bíblica de que a prática homossexual é pecado e não nega isso em nenhum momento. Mas suas palavras mostram alguém perdido em meio ao tiroteio, num conflito profundo entre sua fé e sua realidade afetivo-sexual. Eu o convidei para escrever um texto sobre sua experiência como homossexual dentro da igreja, que vou reproduzir a seguir. Com que finalidade? Nos fazer refletir. Para que possamos pensar sobre o que se passa no coração de seres humanos gays que creem que a prática homossexual é pecado e afirmam seu amor por Cristo. Pois eu e você sabemos perfeitamente o que dizem os cristãos sobre a homossexualidade. Sabemos perfeitamente o que os homossexuais não cristãos dizem sobre a homossexualidade. Mas… e um homossexual que professa a fé em Cristo e repudia sua homossexualidade, você sabe o que ele diz? O que sente? Que conflitos enfrenta?

Que fique claro: sou cristão e, como tal, creio no que a Bíblia diz sobre a prática homossexual. No entanto, procuro não discriminar ninguém. Não tenho preconceitos, mas sim conceitos quanto ao assunto. E não sou homofóbico, pois não tenho fobia a homossexuais. Tampouco sou a favor da prática homossexual. Por outro lado, sou totalmente a favor de tratar gays como seres humanos. E penso que, se não sabemos como lidar com um gay que se senta nos bancos da igreja, está mais do que na hora de descobrirmos.

Não acredito que devemos passar a mão na cabeça do pecado. Mas creio piamente que devemos abraçar com todo o carinho do mundo o pecador.

Cedo agora a palavra ao meu convidado. Leia, Reflita. Questione. Critique. Tudo bem discordar dele. Tudo bem repensar atitudes suas. Não espero que todos concordem com esse rapaz ou que discordem dele, mas gostaria que você, pelo menos, pensasse um pouco sobre o que nós, evangélicos, fizemos a esse jovem (que representa uma multidão de pessoas em situação análoga à dele) para que ele se apresente como alguém tão ferido pela igreja. Será que poderíamos ter feito algo diferente?

Ao depoimento:

“Mexer em uma ferida pode ser algo doloroso e com certeza desagradável, ainda mais se esta ferida estiver aberta. Eu tenho uma ferida que foi aberta anos atrás, quando ainda era criança e, pelo visto, permanecerá assim por um longo tempo. Nasci e fui criado em um lar evangélico, meus pais são evangélicos (já não tenho mais pai); grande parte de meus parentes são ou evangélicos ou católicos. Estou com 31 anos e desde que criei consciência enfrento uma guerra contra o homossexualismo (digo homossexualismo e não homossexualidade pois me sinto patologicamente gay). A homossexualidade refere-se à dificuldade que o indivíduo tem de se relacionar com indivíduos do mesmo sexo, e não o oposto, como muitos pensam. São anos de luta interior, confusão e, obviamente, falta de apoio, já que costumamos temer o que não entendemos e a homossexualidade é um grande mistério tanto dentro quanto fora do sistema religioso.

O cerne desta questão é exatamente a dificuldade. Ela vem de todos os lados. Por muito tempo tentei manter uma vida religiosa saudável. Ia à igreja, orava, jejuava, lia a Bíblia com frequência, participava das atividades da igreja da qual era membro, mas sempre com este espinho na minha carne incomodando. Tentei resistir até onde pude, mas chegou o momento em que a solidão e os medos oprimiram tanto que decidi dar um tempo da igreja. Muitos questionamentos começaram a rondar minha cabeça. Ninguém escolhe ser homossexual. No meu caso escolheram para mim. Apesar de ter pais evangélicos, sofri tentativas de abuso de meu próprio pai! Perdoem o pleonasmo, mas poucas coisas conseguem reforçar o medo e angústia que a situação traz. Por muitas vezes pensei em pedir ajuda, mas quem acreditaria em um moleque que vivia à sombra da vontade soberana de seu pai? Ninguém daria crédito. Passei anos da minha vida com medo e frustrado, e, quando se passa muito tempo nesse estado, o sentimento se torna ódio. Desejei que meu pai morresse e, quando ele morreu, não senti remorso nem arrependimento, senti liberdade. Não que eu tenha prazer na morte dele, mas tenho na ausência.

Por vezes pensei em conversar com o pastor da igreja que frequentava, mas ele me aterrorizava. Não o considero um pastor além da formalidade do cargo, mas um mero fantoche de um sistema. Mudei de igreja na tentativa de mudar o quadro e no fim das contas nada mudou. Em maio deste ano conheci um rapaz, nos envolvemos e pude tirar muitas dúvidas. Mas a verdade é que não cheguei a conclusão nenhuma. Não sendo assumido, precisava me esconder, até que um dia fomos pegos pela polícia. Dois policiais tentaram nos extorquir, foi uma situação traumática e humilhante. Naquele momento entendi que meu lugar não era me escondendo, mas sim no caminho reto. Mas qual é este caminho reto? Abri mão do relacionamento, estou tentando me firmar na igreja novamente, tenho recebido ajuda de algumas pessoas. Escrevo um blog que me serve como um canal para catarse. Mas a dúvida continua. A guerra continua. Infelizmente a igreja está longe de saber lidar com indivíduos como eu. Sei que existem muitos rapazes e moças oprimidos pela homossexualidade dentro das igrejas e muitos não sabem como agir.

Dói profundamente ver que hoje, ao invés de amar e estender a mão àqueles que buscam ajuda, muitos têm usado a mídia e os púlpitos para conclamar uma guerra contra a comunidade homossexual. Não que eu seja a favor do PLC 122, mas, como alguém que sente na pele a rejeição e o preconceito, também não sou de todo contra. Somos culpados sim pelo mal que se alastra, pois não somos capazes (e falo como cristão) de seguir o exemplo de Cristo. Sei que não somos perfeitos, mas, como diz a letra da música, se a verdade é o que pregamos, por que erramos não sendo um?

Quantas histórias eu já ouvi de jovens que não suportam a pressão e veem no suicídio a resposta! E, muitas vezes, estamos discutindo valores que sequer temos em frente para passar! Meu Deus! Não é fácil lutar esta guerra, a maior parte do tempo ela é solitária. Acredito que alguns consideram homossexualidade o pecado-mor. Sei que, ao contrário do que a máxima popular diz que “pra Deus não há pecadinho nem pecadão”, há sim diferença de pecados, mas devemos entender que pecado significa errar o alvo, e o apóstolo Paulo, em Romanos 3.23, diz que TODOS pecaram e destituídos estão da glória de Deus. Alguns se esquecem de que estamos todos encerrados debaixo do mesmo fardo, que é o pecado, e que só o sangue de Cristo pode nos limpar.

Quantas vezes quis trabalhar na igreja, mas era visto com desconfiança. Chegaram até o ponto de me dar um cargo em uma sexta-feira e tirar-me no sábado. Eu vi de perto a história de pessoas que estavam por um fio e foram chutadas de dentro da igreja. Hoje estão sem Deus e, o pior, as acusações contra estas pessoas foram as mais pesadas possíveis. Acredito que, se você quer ganhar alguém para sua causa, deve ser simpático e amável com a pessoa, no mínimo.

Como já disse, todos estamos encerrados debaixo do pecado. A igreja deveria se lembrar de que, quando Deus olha para a humanidade, Ele nos olha através do sacrifício de Cristo. Eu, mesmo sendo homossexual, estou sendo visto por Deus através de Cristo e do sacrifício que Ele fez. Jesus também morreu por mim! Queria saber como enfrentar e como ajudar aquelas pessoas que enfrentam a homossexualidade, mas definitivamente não sei. O que sei é que, sem amor, jamais serão ganhas para Cristo.

Um dos maiores eruditos cristãos da atualidade, o Dr. William Lane Craig, em seu livro Apologética para questões difíceis da vida, defende que ser homossexual não é pecado, afinal não parte de uma escolha do indivíduo, mas a prática da homossexualidade sim. Acredito que este pensamento esteja correto. Afinal, além de ele ser uma autoridade em questões bíblicas, para mim é exatamente o que faz sentido. Baseado nisso, um dos passos para se vencer esta batalha é exatamente a negação desta natureza. Dói demais, não queria saber o quanto. Quisera a igreja ter esta percepção e, ao invés de partir para o ataque, lembrar-se de que Cristo nos chamou para amar o pecador. Muitos também esquecem que a Palavra nos diz, em Efésios 6.12, que nossa luta não é contra carne nem sangue, mas sim uma batalha espiritual!

Eu decidi acreditar em Deus, decidi e concluí que não vale a pena trilhar o caminho da homossexualidade. Tudo que peço é que você que está lendo este texto agora e conhece alguém nesta situação pare e pense: o que Jesus faria? Como Ele trataria alguém que enfrenta este fardo? Se cada pessoa que me julgou e me apedrejou tivesse apenas orado pela minha vida, acredito que tudo estaria diferente agora. Sei que é difícil combater uma guerra quando não conhecemos direito nosso inimigo, mas a Igreja de Cristo tem ao seu lado o Conhecedor de TODAS AS COISAS. Por muitas vezes pensei que Deus ou teria um plano grandioso ou queria me enlouquecer. Muitas vezes beirei a loucura. Se você não sabe o que é passar mais de vinte anos negando sua natureza não tente entender. Não são vinte horas nem vinte dias, são vinte ANOS. Que Deus me ajude a seguir em frente”.

Gay4É isso. Eu, Zágari, não sou homossexual. Mas sou um monte de outras coisas. E confesso: eu peco todos os dias. Ficaria feliz se meus irmãos em Cristo olhassem meus pecados e me ajudassem a superá-los, que dobrassem os joelhos ao meu lado e, mesmo sabendo da terrível natureza pecaminosa que tenho, orassem comigo e por mim. Ficaria feliz se não pisassem na minha cabeça ao tomar conhecimento das minhas iniquidades. Acredito que você, que também desobedece Deus dia após dia, desejaria que agissem assim com relação aos seus pecados. Não devemos nunca ser coniventes com o pecado. Com relação a ele, a única e exclusiva atitude que a Bíblia nos orienta a tomar é: arrepender-se, confessar e deixar. Mas, por favor, faça um  esforço e não deixe de me amar por causa dos muitos pecados diários que cometo; pelo contrário, ajude-me com amor cristão a superá-los. Tentarei fazer o mesmo com você, que peca muito e peca todos os dias. E seria ótimo se eu e você fizéssemos o mesmo com relação a todos os outros pecadores do mundo.

Espero que você consiga sentir em si a dor desse rapaz, que é a dor de muitas e muitas pessoas que vivem situações parecidas à dele. Para que, de fato, ame o próximo como a si mesmo – mesmo que considere o próximo um pecador. Pois “Se alguém afirmar: ‘Eu amo a Deus’, mas odiar seu irmão, é mentiroso, pois quem não ama seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê.” (1Jo 4.20). Este post não traz respostas, mas deixa uma pergunta: será que temos amado como Jesus amou?

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Tenta1Há um trecho da oração do Pai-nosso que é extraordinário e enigmático: “Não nos deixes cair em tentação” (Mt 6.13). Já parou para refletir sobre essa petição? O aspecto mais curioso dela é que a Bíblia o tempo inteiro nos insta a nós resistirmos à tentação, a nós nos esforçamos para não pecar. Em outras palavras, a atribuição de interromper o processo que leva a tentação a se tornar pecado é posta sempre nas costas dos seres humanos. A responsabilidade é minha e sua. No entanto, na oração do Senhor uma das atitudes que Jesus nos ensina a tomar é justamente pedir a Deus que aja no sentido de ele criar alguma circunstância que nos impeça de pecar. Isso significa que o Senhor pode agir de maneiras que nem imaginamos com o objetivo de nos dar a força de que necessitamos para não fazermos aquilo que não devemos fazer. A pergunta é: por quê?

Se cabe a nós resistir às tentações, por que, afinal, devemos pedir que Deus intervenha em nossa vida, no sentido de não deixar que pequemos? Acredito eu que Jesus nos deu essa orientação porque sabia o quanto somos fracos e o quanto as tentações são fortes, como ele mesmo afirmou: “O espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca” (Mt 26.41). Então, naquilo que humanamente somos incapazes de resistir, precisamos recorrer à ação direta de Deus em nosso favor.

Tenta2Isso pode acontecer de inúmeras maneiras. Suponhamos que não consiga ficar longe das drogas, é algo mais forte que você. No que você ora “não nos deixes cair em tentação”, o Senhor entra em ação em seu favor e faz com que aquele amigo que te fornecia as substâncias se mude para outra cidade, o que corta seu suprimento de drogas. Ou, suponhamos, você está enveredando pelo caminho do crime, sucumbindo a práticas ilegais. Acredite, o Senhor pode fazer com que você receba uma dura da polícia para que tome jeito. Uma noite na cadeia ou uma intimação judicial podem ser belas respostas de oração da parte do Pai. Suponhamos, também, que você seja dominado pela glutonaria e não consiga deixar de comer todas aquelas comidas que só fazem mal à sua saúde. Deus pode permitir que você tenha uma infecção intestinal que te levará ao hospital, para que você comece a se alimentar direito. Um último exemplo: você pode estar pecando porque acha que tem a vida inteira pela frente, mas Deus faz você descobrir que tem uma doença grave. Pronto: a percepção da sua finitude te faz entrar no prumo. Por vezes, Deus soma até mais de um fator para te auxiliar.

Enfim, seja qual for a situação em que você tenha uma fraqueza que pareça ser mais forte do que você, esta é a oração que precisa fazer: “Não nos deixes cair em tentação”. Acredite: Deus agirá de modo sobrenatural em seu favor. Ele fará coisas que você não espera, seja para tornar aquele pecado virtualmente impossível, seja para lhe dar as forças que você não tem, a fim de superar a tentação. Deus é criativo. E extremamente eficiente em seu métodos.

Tenta4E se, em algum momento, a resposta de Deus ao “não nos deixes cair em tentação” for dolorosa e não exatamente a que você queria, tenha a certeza de que Paulo sabia o que dizia quando escreveu em Romanos 8.28: “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito”: absolutamente tudo o que ocorre em sua vida é para o seu bem. Tudo. Deus está por trás. Ele nos surpreende com eventos muitas vezes inesperados, na hora certa, mas que são a mão dele atuando para te ajudar naquilo que você não tem forças. “O poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo” (2Co 12.9). Quando poderia supor Paulo que o espinho na carne era Deus articulando as coisas para que o apóstolo fosse aperfeiçoado naquilo em que ele não tinha sozinho condições de superar? Mas era.

A vida tem me mostrado que Deus não é cego. Ele nos observa e, quando vê que seus filhos estão fracos, entra em cena e nos surpreende com soluções extraordinárias para nossos problemas e fraquezas. Cria circunstâncias inesperadas e eficazes para nos dar a força que faltava. Às vezes dói. Mas se foi Deus quem fez, certamente é o melhor.

Recomendo que ore todos os dias: “Não nos deixes cair em tentação”. É uma magnífica blindagem espiritual para as partes de sua vida que você não consegue controlar sozinho. Deus protegerá você, às vezes tomando atitudes inusitadas, às vezes fazendo coisas de que você nem mesmo tomará conhecimento. Mas tenha esta certeza: ele não vai te desamparar. “Qual de vocês, se seu filho pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou se pedir peixe, lhe dará uma cobra? Se vocês, apesar de serem maus, sabem dar boas coisas aos seus filhos, quanto mais o Pai de vocês, que está nos céus, dará coisas boas aos que lhe pedirem!” (Mt 7.9-11).

Você está sem forças? Então pare de se esforçar para ficar de pé: desabe de joelhos. E ali, prostrado e ajoelhado, estará na postura ideal para clamar àquele que deseja aliviar todos os seus fardos.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Maquiagem correta pode ajudar a destacar o sorriso na correria cotidianaAlegria é uma das virtudes que somos capazes de vivenciar quando o Espírito Santo manifesta em nós o seu fruto (Gl 5.22-23). A princípio, quando tomamos conhecimento desse fato, temos a sensação de que seguir Cristo significa, naturalmente, ser constantemente alegre. Só que tem um porém: Jesus jamais prometeu que seríamos. Não seremos, e, se alguém lhe garante uma alegria interminável nesta vida, pode ter certeza: é uma promessa que não se cumprirá. Abraçar o evangelho implica em negar a si mesmo, tomar a sua cruz diariamente e seguir Cristo (Lc 9.23). Isso fala de dificuldades, de esforço, de sofrimento. Todos os salvos sofrerão. Todos os salvos terão momentos de agonia, lamento, dor, luto… tristeza. Isso é líquido e certo. É um fato bíblico e um fato da vida. Bem, diante disso, é possível explicar essa aparente contradição? Temos o Espírito de Deus em nós, ele manifesta seu fruto em nossa vida, seu fruto inclui alegria, mas, estranhamente… vivemos muitos momentos de profunda tristeza. Isso tem explicação? Creio que sim, e te convido a pensar junto comigo.

Jesus não foi alegre o tempo todo. Pedro não foi alegre o tempo todo. João não foi alegre o tempo todo. Paulo não foi alegre o tempo todo. Nenhum dos apóstolos foi alegre o tempo todo. Os mártires da Igreja primitiva não foram alegres o tempo todo. Agostinho não foi alegre o tempo todo. Lutero não foi alegre o tempo todo. Calvino não foi alegre o tempo todo. Eu não sou alegre o tempo todo. Você não é alegre o tempo todo. Ninguém é alegre o tempo todo. Bem, o que tudo isso tem em comum?

“O tempo todo”.

Esse é o xis da questão. O fruto do Espírito inclui virtudes como paz, paciência e domínio próprio, por exemplo, mas ninguém tem paz o tempo todo, nem é paciente o tempo todo, tampouco domina-se o tempo todo. Assim, o grande problema é associar a crença em Jesus à manifestação constante e ininterrupta dessas virtudes. Elas se manifestarão, mas não… o tempo todo.

Alegria2Só que nós vivemos em uma sociedade hedonista, que prega que nossa vida tem obrigatoriamente de ser uma felicidade que não acaba. Basta olhar as redes sociais – ou qualquer outra forma de exposição da pseudovida privada – dos seus amigos. Você não tem a impressão, por aquilo que eles dizem e, principalmente, pelas fotos que postam, de que todos vivem uma existência espetacular, recheada de beleza, emoções, viagens, aventuras, celebrações, alegrias inacabáveis? Acredite: não vivem. Mas, inconscientemente, sentem-se obrigados socialmente a expor ao mundo como são alegres o tempo inteiro, caso contrário seriam considerados fracassados, incompetentes, amaldiçoados ou qualquer coisa do gênero. Não quero que ninguém descubra que eu não vivo uma vida espetacularmente alegre, logo, a forma que tenho de fazer isso é postar onde todos possam ver meu sorriso constante, inapagável, feliz e contente. E, muitas vezes, artificial. Fazemos isso praticamente sem pensar, sem maldade, no automático, simplesmente porque nos ensinaram a vida inteira que viver é estar 24 horas por dia encharcado de endorfinas, desfrutando cada segundo numa ascendente de emoção, realização, euforia, gozo, júbilo. Assim, uma vida bem vivida seria como estar de domingo a domingo em um parque de diversões: exultante, feliz, alegre!

Só que não é assim que acontece.

Toda e qualquer pessoa vive em altos e baixos. Tem picos de humor. Momentos de tristeza. Quedas nos níveis de adrenalina. Problemas. Tribulações. Falta de alegria. Isso é normal. Não é agradável, mas é normal e previsível. Só que todos nos dizem que temos de estar sempre, sempre e sempre alegres! Não tem como não entrar numa crise existencial diante disso. “Todos dizem que uma vida plena é marcada por uma alegria sem fim, mas isso não acontece comigo; logo, minha vida é uma droga e minha fé, um fracasso”.

Errado.

Se você vive uma vida marcada pela alternância de momentos alegres e tristes, parabéns: você é humano como qualquer outro. E é aí que entra a alegria que é fruto do Espírito.

Alegria4Pense bem. Você acha de fato que a alegria que Paulo descreve como resultado de uma vida de intimidade com o Espírito Santo é aquela que se manifesta numa montanha russa, numa festa, numa viagem a um local paradisíaco, num jantar com amigos recheado de piadas, ao assistir a um filme de comédia? Essa é a alegria natural, inerente ao ser humano. Tanto que qualquer indivíduo, cristão ou não cristão, sente esse tipo de alegria. Seria como dizer que a paz que sentimos deitados numa rede, pegando um ventinho e tomando água de coco é sobrenatural. Não é. É natural e humana. Creio que o fruto do Espírito se manifesta sobrenaturalmente quando precisamos de uma injeção de algo que vai além de nossas forças. É quando não tenho domínio próprio e estou quase caindo em tentação que Deus me dá uma temperança que parece ir além do que eu conseguiria. É quando estou atribulado que sinto a paz espiritual, fruto da presença divina. É quando quero matar meu inimigo aos chutes e pontapés que o Espírito manifesta em mim amor e, só com essa infusão sobrenatural, consigo fazer-lhe o bem.

Assim, creio que a alegria que é fruto do Espírito é aquela que vem quando temos tudo para estar tristes. É sobrenatural. Como isso é possível? Porque ela brota da certeza de que no mundo teremos aflições mas Jesus venceu o mundo (Jo 16.33). De saber que ele está conosco todos os dias, mesmo nos mais terríveis, até a Alegria3consumação do século (Mt 28.20), e que não está alheio a absolutamente nada do que estamos passando. De ter a certeza de que “Se subo aos céus, lá estás; se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também; se tomo as asas da alvorada e me detenho nos confins dos mares, ainda lá me haverá de guiar a tua mão, e a tua destra me susterá” (Sl 139.8-10). É alegrar-se como resultado de sermos galhos enxertados na videira verdadeira. A certeza da presença de Cristo em nós, junto com a certeza de que ele jamais  remove seus olhos de nossa vida… eis a razão de nossa alegria. E alegria eterna, que independe das circunstâncias da vida.

Por isso, mesmo nos momentos de mais desesperante tristeza, essa alegria que flui do Espírito de Deus para nós estará presente. Parece contraditório? Acredite, não é. É uma alegria não eufórica, mas pacífica. Calma. Amena. É uma brisa, não um vendaval. Não é sair saltando de júbilo como qualquer pessoa numa balada, aos gritos de euforia, é… um suave sorriso. Aquela alegria que nos faz suspirar em meio às lágrimas. A alegria humana é inerente ao homem e se manifesta naturalmente quando é óbvio que estaremos alegres. A alegria espiritual é inerente ao Espírito e se manifesta sobrenaturalmente em momentos inesperados.

E, acima de tudo, a alegria que é fruto do Espírito é aquela que vem de saber que, como estamos em Cristo, temos a vida eterna. Ouça as palavras dos lábios de Jesus: “Não obstante, alegrai-vos, não porque os espíritos se vos submetem, e sim porque o vosso nome está arrolado nos céus” (Lc 10.20). Está sofrendo? Alegre-se, você tem a vida eterna. Está com dor? Alegre-se, você tem a vida eterna. Está triste? Alegre-se, você tem a vida eterna. Tá tudo ruim? Alegre-se, você tem a vida eterna! É uma alegria que existe em meio à tristeza, como uma flor que brota no solo seco do sertão.

A vida na terra é difícil, muito difícil. Numerosos momentos ruins estão pela frente. Situações de enorme aflição virão. Nessas horas você ficará triste. Mas, olha… tenha bom ânimo. Jesus venceu. E a vitória dele te dá a vida eterna. Aí vem o Espírito Santo e manifesta o fruto dele na tua vida. É quando você se lembra que Jesus está com os olhos postos em ti e que ele tem morada preparada no céu, com teu nome na porta. Seria isso motivo de alegria?

Alegria6Não busque a alegria segundo o mundo, essa é vaidade e correr atrás do vento. Alegria segundo o mundo é aquela que demonstramos em fotografias posadas e com sorrisos ensaiados. A alegria que é fruto do Espírito é aquela que não fotografamos, pois ela é muito maior do que uma lente pode captar. E, em geral, se manifesta nas horas em que não estamos acostumados a fotografar: no hospital, no orfanato, no desemprego, no susto, na dor, na crise matrimonial, no velório, na casa de recuperação, na depressão, no sofrimento. Pois é nas horas mais terríveis que Jesus sussurra em nosso ouvido: “Alegrai-vos na medida em que sois co-participantes dos sofrimentos de Cristo, para que também, na revelação de sua glória, vos alegreis exultando” (1Pe 4.13).

Você ainda terá muita alegria. Mas não o tempo todo. A tristeza dará as caras com frequência. Mas o Espírito Santo te alegrará muitas vezes, frutificando em tua lembrança que Jesus é contigo e te dá a vida eterna. Afinal, “a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação” (2Co 4.17).

A alegria humana passa. A alegria divina dura para sempre. E ela está ao teu alcance – basta viver dia após dia aos pés de Jesus.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Ovelha1O Senhor não resgata ninguém para descartar depois. Se ele resgata é para tornar aquele indivíduo alguém útil e produtivo, um servo ativo na obra de Deus e plenamente capacitado e aprovado para atuar em prol do reino dos céus. É um absurdo achar que Jesus busca a ovelha perdida para fazer dela um peso morto, inútil. Esse é um pensamento antibíblico e, vamos concordar, impiedoso e maldoso. Mas hoje importa começar esta reflexão com palavras que não são minhas, mas de Jesus: “O Filho do homem veio para salvar o que se havia perdido. ‘O que acham vocês? Se alguém possui cem ovelhas, e uma delas se perde, não deixará as noventa e nove nos montes, indo procurar a que se perdeu? E se conseguir encontrá-la, garanto-lhes que ele ficará mais contente com aquela ovelha do que com as noventa e nove que não se perderam’.” (Mt 18.11-13). No relato de Lucas, o Senhor emenda essa parábola com a da moeda perdida: “Qual é a mulher que, possuindo dez dracmas e, perdendo uma delas, não acende uma candeia, varre a casa e procura atentamente, até encontrá-la? E quando a encontra, reúne suas amigas e vizinhas e diz: ‘Alegrem-se comigo, pois encontrei minha moeda perdida’. Eu lhes digo que, da mesma forma, há alegria na presença dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende” (Lc 15.8-10). E, em seguida, Jesus fecha com chave de ouro, contando a famosa história do filho pródigo.

Creio que o conceito por trás desses ensinamentos está claro: se uma ovelha, alguém que se perdeu, um filho do Pai tropeça no meio do caminho, chafurda no pecado e é resgatado por Cristo, o nosso papel é exultar, festejar, juntar-nos a Deus e aos anjos na enorme alegria que representa o retorno dessa vida. Não consigo ver em nenhuma dessas passagens que nossa postura deva ser a de discriminar o arrependido que retornou – como fez o irmão mais velho do filho pródigo, alguém que, certamente, não compreendia o que significa amor nem graça.

Ovelha3Tendo dito isso, falemos sobre Jimmy Swaggart. Para as gerações mais novas, explico: ele é um evangelista que nos anos 1970 e 1980 lotava estádios por todo o mundo, tinha um ministério profícuo e famoso. Até que cometeu adultério. Pecou. Errou. O que fez foi feio. Horrível. Abominável. Nisso todos concordamos e não há espaço para discussão sobre a gravidade desse pecado (é possível até que seja tão grave como ódio, discórdia, ciúmes, ira, egoísmo e inveja, visto que sobre todos esses diz Gálatas 5.21 que “Aqueles que praticam essas coisas não herdarão o Reino de Deus”). Mas vamos adiante: consta que Swaggart se arrependeu, confessou e deixou sua transgressão. Diante disso, não sou o Espírito Santo para julgar o homem, simplesmente porque a Bíblia não me autoriza a isso. Se ele se arrependeu de fato, confessou e deixou, que autoridade tenho eu para condená-lo? Jesus o justificou e eu o condeno? Ai de mim se o fizer, como o Senhor mostra com apavorante clareza na parábola do credor incompassivo (Mt 18.21-35). Mas ninguém vinha dando muita atenção a isso por aqui pois, afinal, Swaggart deixou de estar presente na vida da Igreja brasileira há muitos e muitos anos.

Bem, até agora. A Sociedade Bíblica do Brasil lançou há algum tempo a “Bíblia de Estudo do Expositor – Jimmy Swaggart”, com comentários exclusivos escritos pelo próprio. Dei uma boa espiada no material e, acredite, é bastante bom. Uma ferramenta útil para o estudo das Escrituras, uma obra digna de ser lida por todo cristão interessado em compreender melhor a Palavra de Deus. Claro, não é perfeito. Mas – com exceção da Bíblia e de Jesus – existe algum livro ou ser humano na face da terra que seja?

Ovelha4Fiquei muito feliz quando tive contato com essa Bíblia de Estudo; aliás, duplamente feliz. Primeiro por ver um material do gênero à disposição da Igreja. E, segundo, por ver que não só o filho pródigo, Swaggart, tornou à casa do Pai, recebeu um anel no seu dedo, foi vestido de roupas novas e gerou alegria entre os anjos do céu, mas também porque ele ganhou a oportunidade de voltar a ser um membro produtivo do Corpo de Cristo – em prol da edificação do Corpo de Cristo. Bravo, palmas para Jesus, que cumpriu o milagre da justificação em mais uma alma que estava fora do aprisco, e palmas para o Espírito Santo, que convenceu a ovelha pedida do pecado, da justiça e do juízo. O Bom Pastor deixou as 99 ovelhas e foi atrás de Jimmy Swaggart. Consta que seu arrependimento foi sincero e Deus me livre de dizer que não foi, pois não compete a mim julgá-lo neste momento de sua vida. Os frutos até o momento não o condenam, pelo que me consta. E, vamos combinar: sendo eu este terrível pecador que sou, que moral tenho para lançar a primeira pedra?

Ovelha5No entanto, quando minha alegria ao ver essa dupla bênção aflorou, eis que baldes de água gelada foram lançados na minha cabeça. Pois foi só as pessoas tomarem conhecimento de que essa Bíblia de Estudo seria publicada e não demorou para alguns cristãos impiedosos se manifestarem, desmerecendo a obra, pelo fato de ser comentada pelo homem que um dia adulterou. Parece que preferiam que ele jamais voltasse a produzir nada para o reino. Perdoem-me, mas não consigo acreditar que seja isso o que o Senhor deseja: pelo meu entendimento bíblico, o perdão do pecado confessado e abandonado zera tudo: “O SENHOR é compassivo e misericordioso, mui paciente e cheio de amor. Não acusa sem cessar nem fica ressentido para sempre; não nos trata conforme os nossos pecados nem nos retribui conforme as nossas iniquidades. Pois como os céus se elevam acima da terra, assim é grande o seu amor para com os que o temem; e como o Oriente está longe do Ocidente, assim ele afasta para longe de nós as nossas transgressões” (Sl 103.8-12). Isso, claro, é como Deus vê e faz. Mas para cristãos impiedosos não é assim: o cumprimento da sua justiça humana exige que se enterre aquele que Jesus desenterrou e que ele se torne inútil para a obra do Senhor. A justiça da cruz some nessa hora. Vale é a justiça do degredo ou, no mínimo, a do desmerecimento eterno.

É a filosofia do “não o resgate, mate. Mas, já que vai resgatar, pelo menos o esconda em algum porão. E, se não der, desmereça tudo o que ele vier a fazer…”.

Eu não deveria mais me espantar com isso. Afinal, já vi a impiedade se manifestar no seio da Igreja muitas e muitas vezes e de muitas e muitas maneiras. Não em poucas ocasiões testemunhei o apedrejamento de cristãos arrependidos de seus pecados por grupos que consideram seus próprios pecados menos graves do que os dos outros. Pior: vi gente que prossegue sem arrepender-se de suas iniquidades não confessadas acusar e desmerecer coisas feitas por iníquos que se arrependeram, confessaram e deixaram o pecado. O que não é novidade nenhuma, Jesus mesmo falou sobre isso (atente para o negrito):

“Propôs também esta parábola a alguns que confiavam em si mesmos, por se considerarem justos, e desprezavam os outros: Dois homens subiram ao templo com o propósito de orar: um, fariseu, e o outro, publicano. O fariseu, posto em pé, orava de si para si mesmo, desta forma: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano; jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho. O publicano, estando em pé, longe, não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim, pecador! Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque todo o que se exalta será humilhado; mas o que se humilha será exaltado” (Lc 18.9-14).

De tanto isso acontecer, eu não deveria mais me surpreender ao ver tantos cristãos justificados de seus pecados serem escorraçados por cristãos que não compreendem o alcance do perdão e da graça de Deus. Aliás, permita-me confessar o meu pecado: eu mesmo não entendia tempos atrás, encharcado de impiedade que eu era, até o dia em que as asas da graça divina se estenderam sobre minha vida e experimentei na pele e na alma o que é ser alvo da compaixão do Senhor. Então, de certo modo, entendo os impiedosos, pois já estive cego como eles estão. O que não quer dizer que eu não fique muito, mas muito triste com atitudes como essas.

Ovelha6É duro ver ovelhas que Jesus trouxe de volta ao aprisco se esforçando para fazer algo em prol da edificação da Igreja e observar o fruto do seu esforço ser desmerecido, desdenhado e boicotado por irmãos em Cristo. Gente que voa na jugular, sabotadores da redenção da cruz. Será que o pai do filho pródigo o recebeu de volta em casa para  ele ficar sentado o dia inteiro, sem fazer nada? O fato de o filho pródigo ter saído dos trilhos por uma fase faz dele imprestável pelo resto da vida? O que Jesus diria sobre isso? Quando Pedro traiu Cristo (três vezes, lembremos) e Jesus o perdoou, o que o Mestre disse ao apóstolo? “Tudo bem, mas nem ouse fazer a obra de Deus, esconda-se num canto e nunca mais faça nada”. É isso? Ou ele manda o pecador arrependido apascentar as suas ovelhas? Pare. Preste atenção: Jesus manda o pecador que o traiu três vezes fazer nada menos do que pastorear as suas ovelhas, cuidar delas, guiá-las. Que lição para todos nós!

Sinto arder na minha pele a tristeza por ver homens impiedosos depreciarem todo o esforço de Swaggart em elaborar essa Bíblia de Estudo, em vez de se alegrarem por ele estar ativo na edificação do Corpo de Cristo. Que tipo de gente faz isso? Que tipo de gente faz caretas e comentários maldosos e maquiavélicos porque alguém que estava perdido foi encontrado e voltou a ser útil? Deveriam estar se alegrando junto com os anjos no céu, por Deus!

E note algo: em momento algum estou falando de concordar ou discordar da teologia que ele prega, de suas crenças soteriológicas ou do que for. Minha reflexão passa longe disso. Estou falando de pecado, arrependimento e perdão de um cristão, algo que perpassa absolutamente toda e qualquer divergência teológica ou doutrinária.

Ovelha7Uma verdade: infelizmente, fala-se muito mais sobre graça do que se exerce graça. É lindo teologizar sobre graça. Mas… pôr em prática? É para poucos. Pois muitos preferem se juntar não ao pai do filho pródigo, mas aos apedrejadores da mulher adúltera.

Peço a Deus que sejamos mais piedosos. Perdoadores. Graciosos. Amorosos. Menos ferinos na língua que fustiga os outros e mais amáveis ao aplicar o bálsamo sobre as feridas dos que se embrenharam pelo espinheiro do pecado mas foram resgatados pela maravilhosa graça.

Volto a dizer: não sou o Espírito Santo para dizer o que se passa no coração de Jimmy Swaggart. Se ele abandonou a prática do pecado eu não posso garantir. Mas quero crer que sim. E, até que me provem o contrário, o sangue de Cristo repousa sobre a vida daquele homem, tornando-o inculpável. E herdeiro do céu.

A ovelha foge do aprisco. O Senhor parte em seu resgate. Ele a traz de volta. Os anjos no céu fazem festa. O banquete é servido. O Pai se alegra. E depois? Depois muitos de nós pegamos aquela ovelha e a espancamos com socos, murros, pontapés e cusparadas. Que linda lição de cristianismo.

Obrigado, Senhor, pela graça. Obrigado, Senhor, pelo perdão. Obrigado, Senhor, pela restauração. E tem misericórdia de mim, pois não sou melhor do que ninguém. Ó Deus, sê propício a mim, pecador…

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Eu3Poucas emoções no mundo se comparam a um salto de paraquedas. Essa experiência, aliás, não é apenas emocionante: é absolutamente transformadora. Se você nunca saltou antes, fica a recomendação: não perca tempo, salte! Por 350 reais você pode viver um dos mais revolucionários  eventos que um ser humano tem a possibilidade de experimentar. E, por uma série de razões, o salto é capaz de lhe dar insights muito profundos sobre a sua vida de fé. Hoje, por mais estranho que isso talvez soe, acredito até que o salto de paraquedas pode se tornar uma disciplina espiritual que vai te conduzir a reflexões extremamente válidas para sua caminhada com Cristo. Permita-me contextualizar o cenário, para você entender onde seu coração e sua razão estarão durante um salto do gênero. No Rio de Janeiro, o salto duplo é feito de uma altura de dez mil pés, cerca de 3,5 quilômetros acima do solo. Você despenca no vazio e, por 12 segundos, seu corpo acelera, até se estabilizar a uma velocidade de 200 quilômetros por hora. Depois seguem-se 45 segundos de queda livre. E que 45 segundos! Duram uma eternidade. Finalmente, a cerca de 1,5 quilômetro do chão, o paraquedas se abre. Desse momento em diante, você plana a 30 quilômetros por hora. Ao todo, do instante em que sai do avião até tocar o solo, o salto dura de 5 a 7 minutos. Se você não acha muito, experimente e verá o quanto sua mente funcionará nesse curto espaço de tempo. E por muito tempo depois.

A primeira coisa que você exercita ao saltar de paraquedas é a sua fé. Sua vida está toda depositada em um pedaço de lona conectada a alguns cabos. Um gancho mal posto pode resultar em morte. Se você conseguir elaborar uma reflexão aprofundada o suficiente a partir dessa experiência, verá a loucura que é o fato de entregar sua vida em confiança àqueles pedaços de tecido e, ao mesmo tempo, não depositar toda a sua fé no Deus criador do universo. Alguém poderia dizer que pelo menos o paraquedas é algo visível, palpável. Acredite: quando ele está dentro da mochila não há nada de visível. Te dizem que ele está ali é que tudo está certo, mas… quem sabe? Quem garante? Logo, ter fé para saltar de paraquedas mas demonstrar falta de fé em Deus é uma incongruência. Se sua fé é pouca, aceite a sugestão: faça no meio de um salto a sua oração a Deus pedindo que lhe acrescente fé. Depois me conta o que aconteceu.

Outro aspecto é o da comunhão. Se você não está fazendo um curso de paraquedismo, mas apenas um salto duplo, verá a importância do instrutor. Sem aquele cara a quem ficará enganchado durante toda a experiência, você percebe que as coisas seriam muito mais difíceis e problemáticas. A sensação de segurança que aquela pessoa vai te passar é indispensável para você ter coragem de dar o passo no vazio. Na última hora, você quer desistir e, adivinha quem te dá a força, a coragem e a confiança suficientes para se lançar do avião? O instrutor. O seu próximo. Saltar de paraquedas ensina muito sobre a importância de viver a fé em comunhão e em comunidade. Ali você vê nitidamente como a coletividade é essencial para o fortalecimento, o encorajamento mútuo, a edificação. Para seguir em frente.

Saltar de paraquedas também é um exercício magnífico para a renovação da mente. Não consigo pensar em nenhuma outra experiência humana que faça você ver as coisas de uma perspectiva totalmente diferente daquela a que sempre esteve acostumado como essa. O ser humano não foi feito para voar. Tampouco para se jogar no vazio a mais de três quilômetros de altura, contrariando tudo o que seu instinto de sobrevivência determina. É um tipo de suicídio, se parar para pensar. E, para conseguir se atirar, você terá de se dispor a ir contra tudo o que é óbvio e intrínseco a sua natureza e ao instinto de autopreservação.

O salto de paraquedas também instiga uma profunda reflexão sobre a resistência ao pecado. E, pode parecer estranho, mas saltar te fortalece contra ele. Se você está vivendo uma fase de sua vida em que enfrenta uma tentação fortíssima, à qual acha que vai sucumbir, pegue o primeiro avião que passar pela frente. Entenda: a vontade de ceder à tentação é uma força descomunal da natureza, um impulso aparentemente incontrolável, algo que vem conosco de fábrica e que move todas as fibras de nosso ser em direção ao pecado. Do mesmo modo, a vontade de não arriscar sua vida jogando-se de uma aeronave rumo ao nada domina todo o ser de quem está naquele aviãozinho, prestes a se lançar porta afora. Se você consegue exercer domínio próprio suficiente a ponto de contrariar tudo o que seu ser te diz para fazer… você é capaz de dominar a tentação. Seu eu diz “fica, não salta”, mas você se domina e vai em frente. Seu eu diz “vai, peca”, mas você se domina e não vai em frente. Se alguém me diz que teve forças para saltar de 3,5 quilômetros de altura a 200 quilômetros por hora mas não teve forças para resistir ao impulso de ver pornografia na internet, por exemplo, eu não acreditaria. Se você saltou de paraquedas, eu garanto: tem domínio próprio suficiente para se controlar ante as tentações. E, claro, há o fator presença de Deus. Pois, se você tem todo esse domínio próprio e o Espírito Santo habita em ti, as forças para resistir estão todas aí dentro, basta trazê-las à tona.

Eu6A humildade é outra virtude que o salto de paraquedas traz ao coração. Quando você vê aquela cidade enorme em que vive lá embaixo, pequenininha, uma mancha espalhada entre o mar e a montanha, percebe o quanto não somos nada. Frágeis. Pó. Mais ainda: quando você se põe em perspectiva diante do gigantismo deste mundo em que vivemos, passa a ter a rara e nítida percepção de quão insignificante é o ser humano. Acredite: saltos de paraquedas humilham qualquer soberbo. Se você conhece um homem arrogante, peça a Deus que ele decida dar um salto – e ore para que ele seja alcançado por essa percepção.

O salto de paraquedas também é uma ocasião de louvor e adoração. Quando você está em um avião e olha para toda a grandeza da criação, o coração dispara em reconhecimento à grandiosidade do Criador. Estar junto às nuvens, ver o mar lá do alto, vislumbrar as montanhas ao longe… que espetacular oportunidade de apreciar, de um ponto de vista único, a beleza da obra de arte do grande Artesão. Já perdi a conta de quantas vezes voei de avião, mas até hoje me deslumbro com a vista lá de cima, não sou nada blasé quando voo. Não foram poucas as vezes em que tive de esconder olhos molhados de emoção dos outros passageiros ao fazer um simples voo Rio-São Paulo, por exemplo. Simplesmente porque a obra das mãos do Senhor é linda de morrer.

OraçãoNão há duvidas de que saltar de paraquedas é uma experiência capaz de nos levar à transcendência e a um religare com Deus como poucas outras. Se você puder, salte – eu recomendo. Mas sabe… fiquei pensando em algo. Bem-aventurado é o homem que consegue viver o fortalecimento da fé, a valorização da comunhão, a renovação da mente, o fortalecimento contra o pecado, o senso de humildade e o louvor e a adoração do Senhor sem precisar subir a quilômetros de altura. Minha oração hoje é que todos nós consigamos dar esse salto, todos os dias, entre as quatro paredes de nosso quarto. Pois nem todos podem saltar de paraquedas, mas qualquer um pode ter uma Bíblia. Nem todos têm como entrar em um avião, mas todos temos a possibilidade de dobrar os joelhos em oração. E, na intimidade desenvolvida pelo estudo das Escrituras e o hábito de falar com Deus, está toda a emoção, a razão e a ação de que você precisa para viver a sua fé em plenitude.

Busque ao Senhor no silêncio do seu quarto. É o mais empolgante, transformador e radical salto que você pode dar em toda a sua vida de fé.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício