Hippies, porcos e a Igreja institucional

Publicado: 08/09/2011 em Espiritualidade, Igreja dos nossos dias, Igreja institucional

O escritor George Orwell é muito conhecido por seu livro 1984. Nele, apresenta a famosa figura do Big Brother: a personificação de um Estado totalitário que, graças a um recurso tecnológico, consegue investigar a vida privada de cada cidadão. Mas o melhor e mais fascinante livro de Orwell não é esse: chama-se A revolução dos bichos. É um texto extremamente interessante e que nos nossos dias tornou-se altamente aplicável a uma parcela da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, como abordarei mais à frente.

Numa fazenda dominada por homens, os animais se revoltam, expulsam os humanos e tomam conta dos negócios, numa tentativa de romper com o modelo institucional que havia até então. Cada animal passa a, em teoria, ter um papel igualitário ao dos outros, embora com funções diferentes. Numa parede escrevem o estatuto da nova comunidade:

“Qualquer coisa que ande sobre duas pernas é inimigo.
O que ande sobre quatro pernas, ou tenha asas, é amigo.
Nenhum animal usará roupa.
Nenhum animal dormirá em cama.
Nenhum animal beberá álcool.
Nenhum animal matará outro animal.
Todos os animais são iguais.”

Me perdoem, mas vou contar o final da história. O tempo vai passando. Aos poucos, o inevitável acontece: um segmento da comunidade de animais, no caso, os porcos, começa a dominar a fazenda, impondo fardos pesados aos companheiros (patos, cavalos e outros). Dia após dia, eles se aproximam mais do que os humanos opressores eram tempos antes. Os porcos passam a se portar exatamente como os antigos proprietários da instituição: vestem-se com roupas de gente, fumam charutos, bebem álcool e ao fim acabam andando sobre duas pernas (patas). O desfecho do livro reserva a grande lição: na parede onde se leem os mandamentos dessa instituição que era para ser anti-institucionalizada, alguém faz um remendo na última norma: “Todos os animais são iguais – mas alguns são mais iguais do que os outros”.

A fábula, escrita com brilhantismo por Orwell, simplesmente reflete um fenômeno natural ao gênero humano: por mais que as pessoas busquem romper com as hierarquias e viver fora de instituições, as hierarquias sempre encontrarão um caminho para se reestabelecer e qualquer agrupamento social virará uma instituição. Isso é um fato da vida e um fenômeno tão natural como gelo derreter ao sol. Por isso, quando vejo a enxurrada de irmãos em Cristo que se lançam numa cruzada contra a Igreja institucional, inevitavelmente me lembro de A revolução dos bichos. Pois o que acontece nessas comunidades é exatamente o que ocorre na história do livro.

Na igreja

Para que esta reflexão faça sentido, temos que abrir um parêntese aqui e esclarecer o básico: o que é uma instituição? Vamos ao dicionário: “instituição” é “organização, estrutura”. Opa, isso já nos dá uma pista. Por essa definição, a Igreja institucional seria um agrupamento de cristãos em que a manifestação de seu relacionamento e culto a Deus se dá numa estrutura organizada. Eis o que caracterizaria uma igreja institucional: uma comunidade de pessoas que compartilham da mesma fé e que montam uma estrutura (com hierarquias, estatutos, liturgias etc) para que possam manifestar sua fé em Jesus Cristo de modo organizado.

A caminhada do indivíduo para fora de um modelo tradicional de igreja geralmente começa quando cristãos sinceros se chateiam com algo que está presente na congregação. São razões as mais variadas (umas legítimas, outras não), como discordâncias do pastor, ofensas ou frieza da parte de outros membros, cultos que não agradam ou coisa que o valha. Então esses irmãos abandonam sua antiga igreja e decidem que vão viver a fé cristã de modo supostamente desinstitucionalizado, seja em casa ou, como é mais comum, em comunidades alternativas – uma igreja doméstica, um pequeno grupo ou uma comunidade mais “livre”.

Em princípio é só alegria: uau, um modo de viver a fé sem a opressão ou os grilhões da instituição! Acreditam até alguns que estão vivendo de modo mais parecido com a Igreja primitiva. Mas aquele que tem uma visão mais sagaz já percebe que os porcos não tardarão a andar sobre duas patas.

Inevitavelmente, toda comunidade supostamente não-institucional acaba tendo líderes, o que é um traço de uma igreja institucional. Também acaba estabelecendo datas e horários de reuniões, o que é um traço de uma igreja institucional. Há ainda a especificação de formas de ação, o que é um traço de uma igreja institucional. Sem falar que as reuniões seguem sequências de eventos (lamento informar, mas isso é uma liturgia), o que é um traço de uma igreja institucional. E não podemos esquecer que muitas dessas igrejas que não se dizem igrejas têm CNPJ e, se você quiser abrir uma filial dessa “comunidade”, terá de pedir autorização formal e legal ao seu dono (não, Jesus não detém os direitos legais do CNPJ). Ou seja: qualquer tentativa de se fazer uma igreja não-institucional mais cedo ou mais tarde descambará para a institucionalização desse organismo. Fato: a desinstitucionalização da Igreja é uma utopia.

Esses irmãos – sinceros em suas intenções, faço questão de ressaltar – acabam, então, vivendo sua fé numa nova forma de instituição. Um pouco diferente da antiga igreja de onde vieram. Mas igualmente litúrgica, hierárquica, organizada e, desculpem ofender, institucionalizada. O fato de não pertencer formalmente a uma denominação, não ter um templo próprio ou ter uma liturgia em suas práticas diferentes do modelo mais comum não quer dizer em absoluto que aquilo não é uma instituição. Um bife pode virar estrogonofe no dia seguinte, mas não deixará de ser carne. É o que acontece.

Começa então um trabalho de autoconvencimento por meio da semântica. Para se sentirem melhor, dizem que não congregam mais em “igrejas”, mas sim em “comunidades”. Que não vão mais a “cultos”, mas a “encontros” ou “reuniões”. Que não têm mais “pastores” ou “líderes”, mas “irmãos mais experientes na fé”… Mas na essência é absolutamente igual! Assim, esses irmãos, felizes, passam a se convencer de que agora vivem numa comunidade mais apostólica, mais próxima da Igreja primitiva, esquecendo-se de que a Igreja primitiva era tão problemática como a de hoje. Basta ler as epístolas do NT. Basta ler as sete cartas às igrejas de Apocalipse. Quem ignora todos os descalabros e problemas que havia na Igreja primitiva deveria ler com mais atenção o NT e estudar as razões que levaram Paulo, Pedro, João e os outros autores canônicos a escrever suas cartas. E o que havia lá há cá: pe-ca-do!

Lembro-me de um movimento que tinha uma proposta muito similar à dos cristãos que querem acabar com a Igreja institucional: os hippies. Eles queriam soltar-se das amarras da sociedade institucionalizada, viver em liberdade, paz e amor e tal. Mas o movimento hippie acabou, os ex-hippies amadureceram, viraram homens de negócios e pais de famílias bem caretas e deixaram como legado uma sociedade mais depravada, libertina e pecaminosa. Ou seja: o legado do movimento hippie para os nossos dias (nem mesmo acabar com a guerra do Vietnã eles conseguiram) é ruim, uma má influência. E, lamentavelmente, a igreja anti-igreja corre um enorme risco de ir pelo mesmo caminho. E não percebe isso.

Muitos líderes mais visíveis das igrejas anti-igreja têm websites, possuem “comunidades” com CNPJ, vendem seus livros, pedem doações, têm horário para suas pregações, estabelecem liturgias sim (repare que suas transmissões via web ou coisa parecida sempre seguem o mesmo modelo) e fazem tudo de forma institucionalizada. Mas seu discurso é anti-Igreja institucional. Com isso, o grande problema é que não contribuem com absolutamente nada para a causa de Cristo – apenas satisfazem seus seguidores ao dizer o que eles gostariam de ouvir. São como os “porcos” (no sentido orwelliano, ressalto. Não tenho nenhuma intenção aqui de ofender ninguém, por favor, que isso fique claro) que já andam sobre duas patas, fumam charutos e vestem roupa de gente.

Conclusão

A cruzada anti-igreja institucionalizada é o caminho? Não, não é. Simplesmente porque todas essas comunidades são também instituições, apenas com formas de agir novas. Com dialetos e sotaques diferentes, mas apenas mais do mesmo. E em todas elas habita o verdadeiro problema, o grande vilão da história: pecado. Esse sim é o bicho-papão. Onde há pecado, os porcos vão sempre andar sobre duas patas e pessoas continuarão a ser magoadas, feridas e ficar chateadas com outros irmãos. Isso é inevitável. E acreditar que mudar os nomes das coisas e começar a se reunir em quintais e salas de estar em vez de santuários “institucionais” vai mudar isso é de uma ingenuidade atroz.

É óbvio que uma igreja institucional que se preocupa mais com a estrutura do que com as pessoas é uma instituição falida. Uma igreja institucional que funciona como uma empresa para sustentar a família do pastor ou que em vez de conduzir as ovelhas ao aprisco as conduz ao abatedouro tem sérios problemas de saúde. Uma igreja institucional que perdeu a espiritualidade, a simplicidade e o senso de discipulado é uma casca oca. Mas, por favor, entenda, isso não tem nada a ver com o fato de ela ser institucional. Tem a ver com o distanciamento de seus integrantes de Deus, com a perda de intimidade com o Senhor, com o esfriamento da fé. E isso pode acontecer em qualquer modelo de igreja. Seja ela “organizada” ou “desorganizada”.

Cristãos que perdem seu tempo precioso combatendo a Igreja institucional em vez de proclamar Cristo e pregar contra o pecado estão sendo tão úteis para o Reino de Deus como os hippies que fazem miçangas para vender na beira da praia são para a revolução social. E enquanto esse tempo é perdido, almas estão indo para o inferno, porque os que se chamam pelo nome do Senhor estão se perdendo em vãs discussões.

George Orwell estava certo. Expulsamos os homens da fazenda. Mas em seu lugar pomos apenas modelos novos da mesma coisa – só que com uma maquiagem diferente.

Paz a todos vocês que estão em Cristo (seja na Igreja institucional, na igreja dos anti-igreja ou em qualquer outro modelo em que o Corpo de Cristo se reúna para adorá-lO em espírito e em verdade).

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comentários
  1. Não estou só quando vejo porcos andando em duas patas discursando por aí…
    É isso, Maurício. Exatamente assim como você descreveu; muda-se alguns detalhes, mas a essência é a mesma…
    Uma outra semelhança muito forte é a figura do “não líder”, que na maioria das vezes é idolatrado por seus “não liderados/seguidores”

  2. A igreja é um organismo, vivo, mas um organismo. E como todo organismo possui estruturas funcionais. A igreja primitiva longe de indicar algum tipo de anarquismo evangélico indica que é possível sim ter organização sem perder a espiritualidade e os conceitos mais valiosos ao povo cristão, resgatados pela Reforma, como a centralidade das Escrituras e o sacerdócio universal dos crentes.
    O NT mostra o modelo de governo a ser implantado na igreja? Mostra sim.
    O NT mostra o tipo de culto a ser praticado pelos cristãos? Mostra sim.
    O NT mostra que o Espírito Santo organiza o Corpo de Cristo para sua própria funcionalidade? Mostra sim.
    Por isso concordo plenamente que movimentos como o das “igrejas nas casas” afastam-se do modelo neotestamentário. E lamento que talvez igrejas independentes, que buscam a unidade cristã e organizam-se como mandam as Escrituras, porém tentando evitar os problemas da institucionalização civil e secularizada, corram o risco de serem lançadas na mesma vala comum dos desigrejados.

  3. Alan Capriles disse:

    Excelente texto! Tenho tido o mesmo discernimento e meditado bastante sobre o assunto.

    Recentemente o pastor Ariovaldo Ramos fez o seguinte comentário a respeito do movimento liderado por seu amigo Caio Fábio: “O Caio só está mudando os nomes”. Seu comentário tem peso, pois eles são amigos. O Caio tentou formar uma igreja desinstitucionalizada, mas todo o seu esforço acabou se tornando uma repetição do mesmo tema, trocando-se apenas os nomes.

    Não posso deixar de ressaltar uma frase em seu texto que considero central:
    “… uma igreja institucional que se preocupa mais com a estrutura do que com as pessoas…”
    Na minha opinião, todo o movimento dos chamados desigrejados tem sua raiz nessa falta de amor que eles tiveram por parte de seus líderes. Estes estavam mais preocupados com a estrutura do que com as vidas.
    Isso me faz chegar à seguinte conclusão:
    Uma igreja é institucional quando se preocupa mais com a estrutura do que com as pessoas.

    O que nós, pastores, não podemos esquecer (mas muitos tem esquecido) é que a vocação da igreja não é ser uma organização, mas sim um organismo: o corpo de Cristo, no qual somos todos membros que precisam igualmente uns dos outros, a fim de crescermos não somente na verdade, mas também no amor, que é fruto da graça de Deus.

    Um forte abraço,
    na graça e paz do Senhor Jesus.

  4. Olá mano Maurício,
    adorei o post =)

    Creio q o ponto principal de td q foi dito aki e q as pessoas mtas vezes se esqcem é q a IGREJA SOMOS NÓS! Qualquer “4 paredes” em q a Igreja se reúna não passa ser Igreja por isso!
    Mtas vezes nos encontramos em modelos de denominaçoes q não nos agradam por isso ou aquilo pq, na maioria das vezes, o defeito está em nós.Nós, com nossa grande dificuldade de obedecer e ser submissos, queremos impor nossas vontades, e qndo não somos atendidos fazemos birra,batemos o pé e saímos para algum outro lugar q possa a tender nossa necessidades, ou melhor, vontades!
    Não existem “igrejas” (entenda-se templos ou denominações) perfeitos pq não existem homens perfeitos, sendo assim, q possamos seguir somente a Cristo, q é o unico perfeito e q nunca irá nos decepcionar.

    Bjs e paz no amor do Papai =D

  5. m2designers disse:

    Você falar o que está intalado em minha garganta, sempre que venho aqui percebo isso.
    Sou um sobrevivente da “igreja emergente”, a “não-institucional”, mas graças a Deus caí na real a tempo de perceber a cilada em que estava me metendo.
    E iguais a mim, tenho amigos que faziam parte de uma igreja institucional, mas jogaram tudo pro alto pra fazer parte de um “movimento” desses, se doaram de corpo e alma, deram o sangue e a maioria deles saiu destruído, magoado, ferido, frustrado, decepcionado. Muitos deles, saíram do Caminho por não acreditar mais em igrejas/pastores. Outros, voltaram pra suas igrejas institucionais de origem e estão muito bem aonde estão, graças a Deus.
    Outros, permanecem no erro, a ponto de a “igreja” ser formada apenas por 3 pessoas: O “pastor”, sua esposa e o único membro. Pois o “pastor” por sua vez, é tão “porco” (ou mais) do que os outros pastores de igrejas institucionais.

    Excelente texto Maurício.
    Graças a Deus por sua vida.

  6. Leandrokdeira (@leandrokdeira) disse:

    Mauricio,
    cada vez que leio seu blog,
    louvo a Deus pela tua vida.
    Sem mais,fique na Santa Paz!

  7. Diego Ferreira disse:

    Excelente reflexão.

  8. Jonatas disse:

    http://www.caiofabio.net/conteudo.asp?codigo=03190 seria legal se vc lesse isso, é bem bacana…. bjo hermano.

    • Jonatas,
      excelente vc ter indicado esse texto. Eu evito mencionar nomes, mas ja que vc postou tão claramente cabem aqui algumas considerações. Sim, que o referido Caminho da Graca é uma instituição isso sempre foi obvio. Sobre ele não se institucionalizar… aí já é pura semântica. Tirando um barrete na cabeça, a condenação do dizimo, a abolição dos templos e outros detalhes mais… é simplesmente mais do mesmo. Não há tanta novidade assim naquilo que é pregado ali em relação ao que o que ele chama de “odres velhos” pregam. Um é frango frito e o outro à parmegiana. Vc pode ir numa igreja do que ele chama “institucionalizada” e ouvir o Evangelho ser pregado de forma puríssima e você pode ouvir pregações dele com novidades que são aberrações. Isso é semântica, retórica.

      Quanto a “Desse modo, o que digo é que o Caminho da Graça não é uma “denominação religiosa”, pois, apesar da inevitabilidade da instituição, nosso modo de ver e sentir a experiência da fé, não tem qualquer outra referencia absoluta senão o Evangelho em sua simplicidade, fugindo nós de tudo aquilo que signifique o emoldurarmento da experiência do tempo presente, evitando a tentação de que a experiência de hoje se torne perene nas formas e nos modelos quando estes já não forem pertinentes ou próprios em outra geração, tempo, ou realidade”… Querido, é uma bela utopia. Apontar-se tão livre assim pressupõe uma angelicalidade humana que beira o surrealismo. Não quero mal a esse cavalheiro, mas esse discurso não passa disso: um discurso. É uma denominação sim, embora pintada com uma tinta diferente. Fugir disso é perder tempo lutando para criar uma autoimagem que, perdoe-me, só convence os menos observadores.

      Desejo bem a esse senhor. É meu irmão em Cristo. Não o chamo de “bundão”, como ele se referiu com muita pouca graça a outros homens de Deus, mas creio que ele em muito se equivoca. Tem carisma, tem charme, tem uma papulina (como dizia meu avô) muito boa. Mas suas feridas com a Igreja até hj ferem muitos que são inculpados. E isso é muito feio.

      Um abraço, na paz que só brota da Videira Verdadeira.

  9. Mauricio, seu blog é excelente. Não pelo design, mas pelos textos, risos. Reflexão na medida certa: baseado nas Escrituras.

    Acho que a grande lição desse artigo é a necessidade urgente e constante de olharmos para nós mesmos como os responsáveis pela Igreja que temos. Atacar “instituições” é transferir a reponsabilidade das mazelas, que é nossa. À medida que fica mais clara nossa ruína e necessidade de Cristo, mais seremos aptos a ter uma igreja dinâmica, integradora e bíblica.

    Deus te abençoe!

    • Tiago, querido,
      obrigado pelas palavras. Sou um homem de reflexão, por isso meu design depende dos templates alheios
      rs. Me foco nas ideias, por isso tuas palavras são mais do que bem-vindas.
      Obrigado pela comunhão.
      Abraço em Cristo.

  10. Regina disse:

    Os títulos dos seus posts são adoráveis, Maurício: sempre deixam a gente curiosa pra saber que coisa boa vem junto deles!

    Lendo o comentário do m2 lembrei da parábola do filho pródigo – os igrejados decidem viver a vida cristã aparentemente verdadeira fora da organização instituída, tornam-se desigrejados/pródigos, se lascam, sofrem, têm decepções, para, ao final da empreitada idealista, retornarem à Casa do Pai. A busca pela vivência do verdadeiro pelo Amor agora é mais intensa, diferente, valorizada… Gostei de saber, sempre há a chance de retornar pq, afinal de contas, Deus é bom, misericordioso e gracioso 🙂

    A comparação com Orwell foi muito legal (Obs: 1984 é um estória que achávamos surrealista à época mas que hoje nos parece bem possível e real). Como complementou o Pr Alan, ser parte de um organismo, vivo, amoroso, receptivo, e não de uma organização apenas é o que todos desejamos viver na Igreja; e nesse organismo vamos crescer no aprendizado do evangelho, aprender a vivenciar dores e doçuras da convivência, relevar o possível e colaborar para mudar as circunstâncias desagradáveis, quando dá. Se não der, o Deus do impossível agirá, a menos que o sinal vermelho do Espírito Santo comece a acender com muita frequência… rsrsrs – hora de buscar uma Igreja de verdade.

    Adorei esse post! Tou pensando …

    Bjs

    • Como sempre seus comentários são muito pertinentes, Regina. Confesso q de tudo o que vc falou o q mais gostei foi “tou pensando”. Pois é isso o que nunca podemos parar de fazer: pensar.
      Beijao!

  11. Alessandra Figueredo disse:

    Mauricio,
    Mais um excelente texto. Sem enrrolação e direto ao ponto. Vc classificou exatamente o que acontecesse com aqueles que se perdem e buscam essa igreja vazia.
    Parabéns mais uma vez!
    Adoro o modo como escreve! Deus te deu esse dom! Q lindo! Nao deixe nunca de escrever!
    Bjss, Lele

  12. Fabio Silveira de Faria disse:

    “O mundo é um grande teatro em cujo palco bilhões de autores mostram seu talento encenando peças variadas; mas, nesse teatro só há um diretor, e, ele é o único responsável pelo conjunto artístico obtido com a montagem das peças. É ele, quem decide como o texto será interpretado; é ele, que coordena o trabalho de todos os artistas, analisa as peças e define a concepção do espetáculo, escolhe o elenco, dirige os ensaios e ainda se encarrega de organizar todos os elementos da montagem final; é ele, que sabe qual a função de cada ator e qual o personagem ideal a representar”.
    O DIRETOR é alguém que quase nunca é visto pela platéia, mas, mesmo estando por trás das cortinas não deixa que nada fuja ao seu controle: cenários, figurinos, personagens, som e iluminação adequados, etc. O quase oculto, porém eficaz e competente diretor do grande teatro que é o mundo em que vivemos, possui na identidade um único nome:<>.
    [ A falha existente é que a maioria dos líderes institucionais se julgam imunes à influência do DIRETOR. Muitos ainda não entenderam que só poderão ser direcionados pelo ESPÍRITO SANTO, aqueles que primeiramente se reconhecerem atores do “grande teatro”].
    Abraços.
    Fabio, cristaodebereia.blogspot.com

    • Existe alguma estatística que prova que a “maioria” dos lideres institucionais se julgam imunes à influencia do Diretor? Os que eu conheço são muito dependentes dEle. O problema é esse, mano: o generalismo. Falamos e tagarelamos e não temos a menor base para afirmar o que afirmamos. E com isso acabamos sendo preconceituosos.

      Eis o grande equivoco.

      Paz em Cristo.

  13. Sheyla disse:

    O que dizer dos seus post’s??? Simplesmente quando leio, sinto que estou bebendo agua pura da fonte! Que maravilha de sabedoria! Vc fala com propriedade e a instrução está em sua lingua (no caso, nos seus dedos tambem, quando escreve). É, conheço muitos grupinhos fechados e a consequência é: pessoas feridas, caídas, culpando até Deus! Sendo que tudo na vida é uma escolha e são nossas próprias escolhas que nos fazem “bater a cabeça” e perder o foco do evangelho genuíno…. triste né….! Continue sendo esse referencial do Pai! Grande beijo!

  14. Fabio Silveira de Faria disse:

    Agradeço-lhe pela reprimenda e pela crítica. Talvez tenha me encantado com o “personagem” que represento, e o encanto tem o poder de nos faz ser preconceituosos e equivocados.
    De todo coração : muito obrigado!
    Abraços.
    Fabio, cristaodebereia.blogspot.com

  15. Acácio Lima dos Santos disse:

    Parabéns Maurício. Excelente texto. Em particular, adorei a metáfora das miçangas/sociedade e cristãos/instituição. Sou de Santos/SP e essas imagens são muito claras em minha mente (rs). Isso é o que mais me preocupa como líder (sou presbítero). Gasta-se tempo e energia em coisas que não têm a ver com o Reino. Busco esclarecer aos irmãos, de forma direta (e quando isso não é possível – indireta) acerca desse pecado que se espalha e manifesta-se como câncer no seio da igreja, em toda oportunidade que me surge. Hoje muitos membros do corpo de Cristo esperam só uma oportunidade para trair ao Senhor e fugir para o mundo. Basta ver quando um líder cai. Nota-se uma atitude quase instantânea de afeição ao pecado. Acolhe-se prontamente a idéia de que “se ele fez e era líder, por que eu não posso?”. O cristão de hoje só procura um pretexto para desaguar um desejo impuro que o cirandeia. Ao invés de querer ser padrão dos fiéis, prefere se amalgamar com a descrença e a futilidade. Então a Graça não opera (pela existência do pecado) e a “instituição” leva a culpa. Já cantamos – “A começar em mim, quebra corações…” É hora de praticar o verdadeiro arrependimento com seus consequentes frutos. Dessa forma saberemos que essa insatisfação com a instituição é, na verdade, com a minha própria qualidade de fé. Deus o abençoe, e a todo o corpo de Cristo que verdadeiramente ama ao Senhor Jesus. Paz!

  16. Laysa disse:

    Como eu não encontrei esse blog antes? Que Deus te ilumine mais e mais!

  17. Brilhante explanação, primeira vez que vejo alguém conseguir passar esta ideia de maneira tão simples e clara. Deus abençoe.

  18. marcos disse:

    Mauricio, muito bom seu texto! extremamente verídico e muito bem feito!
    Primeiro meus mais sinceros parabéns, e segundo, quero te pedir se posso fazer uma versão dele, simplificando algumas coisas e colocando algumas alusões rápidas a um publico específico para quem quero mostrar, mas claro, mantendo a sua autoria e o link do seu espaço.

    • Obrigado pelas palavras, querido.
      Fique à vontade para usá-lo e abençoar vidas.
      Há no blog mais dois posts que falam sobre o tema, talvez te interesse lê-los tb: “Jesus X Igreja” e “Jesus nunca construiu templos”. Dê uma espiada.
      Na paz do Mestre.

  19. J2ML disse:

    Creio que o autor se equivocou ao comparar os anti-instituição aos porcos da fabula. Qualquer conhecedor de Orwell saberia que suas convicções anarquistas estão bem presentes na obra, que é uma critica ao comunismo stalinista e em menor parte a demais estados e instituições. Na comparação realizada, esqueceu-se de que a massa do anti-instituição, assim como os hippies, segue uma linha perto da anarquista de Orwell.

    Fora este ponto, concordo com a conclusão: perder tempo combatendo e criticando é inútil, principalmente por ser perda de tempo na obra Divina.

  20. Dee disse:

    Amado, gostaria de deixar minha opinião a cerca de alguns pontos:

    – Quanto ao ciclo Igreja instituição-grupo-grupo instituição:
    Concordo com o fato de isso ser uma ação comum, uma ocorrência normal e até mesmo uma programação do costume e do habitual, agora, validar a fala como uma proposta determinista, um beco sem saída, uma previsão do futuro, e dizer que voltar a hierarquia é um fenômeno natural, assim como a gravidade ou o derreter do gelo, é uma afirmação um pobre e infundada, é se desfazer do livre arbítrio e das possibilidades, para dizer que ha apenas oque se vê.

    – Quanto a Definição dada de instituição:
    Partindo da definição dada (ou mesmo da definição do dicionário Michaelis), tudo é instituição, uma dupla de amigos, um grupo de motoqueiros, um bar, e outras coisas assim, porém as relações dentro do bar, do grupo de motoqueiros e da dupla de amigos, são diferentes entre si, e também diferem da monarquia clássica ou da igreja católica, e todos são por definição e abrangência, instituição.

    – Quanto a desinstitucionalização da Igreja a a utopia:
    Sim, a desinstitucionalização de uma forma politico-materialista, com é descrito, ou seja, com horários não definidos, sem datas de nada, e reuniões de ordem aleatória, não é viável mesmo, e nem é a questão.
    Quando Contra a Instituição Igreja dificilmente quer dizer uma ânsia infantil de subverter a ordem política para inventar alternativas ou coisas assim. Afinal, matar um policial não vai subverter a ordem, mas matar o medo de policia em você, vai fazer com que não se ajoelhe nem esteja sucumbido a tal “ordem”, assim, ela se subverte, dentro de você. Não é matar a instituição explodindo os templos, é matar a barreira que a instituição faz em você para um relacionamento com Deus.

    – Quanto a Questão Semântica:
    Discordo da pobreza com que é observa a semântica muitas vezes. As palavras definem as coisas, e não as coisas definem as palavras, sim, leia Lacan. O próprio Orwell que ilustra esse artigo, na obra 1984 descreve a tentativa de se matar as coisas através do ato de se matar palavras, matando o mal, tornando-o inbom, uma palavra que não abarca e não define suficientemente bem por exemplo, o lobo-mau da chapelzinho vermelho, ja pensou, um lobo-inbom, não é a mesma coisa. Logo, mudar as palavras, muda sim a concepção e a percepção das coisas, e se bem feito, muda as coisas. A semântica é nossa maior arma, foi a palavra que nos humanizou.

    – Quanto aos Hips e a Igreja:
    Historicamente falando, não é plausível essa fala a respeito do movimento hippie, oque denota pouca pesquisa, dizer que os hippies amadureceram, e se tornaram homens de negócios é a mesma coisa que dizer que todos que se formam em no ensino médio serão donos de empresas.
    Quanto a uma sociedade depravada, é uma questão mais complexa, que por sua vez envolve o movimento fascista, a extrema direita e sua repressão, e ainda as consequências da revolução sexual, e não necessariamente os hippies.
    Porém, a fala a respeito do medo da igreja desinstitucionalizada se tornar mais um novo problema que uma solução é sim muito válido e antigo, e muito provavelmente, foi exatamente esse medo, de cada um ir para qualquer lado praticando coisas contrárias a Revelação da Igreja, que fez com que o primeiro concílio o nicéia, decidisse que era necessário uma estrutura hierárquica para controlar o desenvolvimento da fé. Porém, mesmo assim a igreja cometeu horrores, e provavelmente outros atos igualmente terríveis teriam sido cometidos mesmo fora da dita hierarquia. Porque o problema são humanos, e eles estão em todo lugar.

    E, perdão amado, tomei a liberdade, de acrescentar um outro ponto a conclusão, peço que leia como um texto só.

    A cruzada anti-igreja institucionalizada é o caminho? Não, não é. [Assim como a Institucionalizada também não é.] Simplesmente porque todas essas comunidades são também instituições, apenas com formas de agir novas [ou diferentes]. Com dialetos e sotaques diferentes, mas apenas mais do mesmo. E em todas elas habita o verdadeiro problema, o grande vilão da história: pecado. Esse sim é o bicho-papão. Onde há pecado, os porcos vão sempre andar sobre duas patas e pessoas continuarão a ser magoadas, feridas e ficar chateadas com outros irmãos. Isso é inevitável. [Simplesmente onde há pecado é mesmo inevitável.] E acreditar que [simplesmente] mudar os nomes das coisas e começar a se reunir em quintais e salas de estar em vez de santuários “institucionais” vai mudar isso é de uma ingenuidade atroz. [Assim como acreditar que manter as coisas como estão uma hora vai dar certo.]

    É óbvio que uma igreja institucional que se preocupa mais com a estrutura do que com as pessoas é uma instituição falida. Uma igreja institucional que funciona como uma empresa para sustentar a família do pastor ou que em vez de conduzir as ovelhas ao aprisco as conduz ao abatedouro tem sérios problemas de saúde. Uma igreja institucional que perdeu a espiritualidade, a simplicidade e o senso de discipulado é uma casca oca. Mas, por favor, entenda, isso não tem nada a ver com o fato de ela ser institucional. Tem a ver com o distanciamento de seus integrantes de Deus, com a perda de intimidade com o Senhor, com o esfriamento da fé. E isso pode acontecer em qualquer modelo de igreja. Seja ela “organizada” ou “desorganizada”.

    Cristãos que perdem seu tempo precioso combatendo [ou defendendo] a Igreja institucional em vez de proclamar Cristo e pregar contra o pecado estão sendo tão úteis para o Reino de Deus como os hippies que fazem miçangas para vender na beira da praia são para a revolução social, [ou como os zumbis que não vivem a palavra e não percebem que relacionamento com o pastor, os membros e a liderança não é o mesmo que relacionamento com Deus é para o Reino do Pai]. E enquanto esse tempo é perdido, almas estão indo para o inferno, porque os que se chamam pelo nome do Senhor estão se perdendo em vãs discussões, [Como esta].

    George Orwell estava certo. Expulsamos os homens da fazenda. Mas em seu lugar pomos apenas modelos novos da mesma coisa – só que com uma maquiagem diferente, [ou para ser mais correto com o contexto e a interpretação de Orwell, é simplesmente, manter o mesmo modelo, com criaturas diferentes no comando do mesmo].

    Paz a todos vocês que estão em Cristo (seja na Igreja institucional, na igreja dos anti-igreja ou em qualquer outro modelo em que o Corpo de Cristo se reúna para adorá-lO em espírito e em verdade).
    [Amém]

    É um artigo de muita qualidade e sabedoria. Que Deus o abençoe mais e mais!

    • Querido, obrigado por seus comentários. Mas se permite gostaria de deixar minha opinião acerca de alguns pontos que você pontuou:

      – Quanto ao ciclo Igreja instituição-grupo-grupo instituição:
      Não, querido, não é uma “proposta determinista, um beco sem saída, uma previsão do futuro”: é um fato histórico. Basta você percorrer os últimos milênios e analisar as tentativas de desinstitucionalizar instituições e você verá que falharam. Faliram. Acabaram. E não concordo que dizer que voltar à hierarquia é um fenômeno natural, assim como a gravidade ou o derreter do gelo, é uma “afirmação um pobre e infundada”, é novamente um fato histórico. Procure ao longo da História da humanidade estruturas que abriram mão da hierarquia e sobreviveram. Você falou de possibilidades, eu estou fazendo uma análise real de como nosso mundo funciona com base em como o homem funciona (ou pelo menos funcionou desde sempre até hoje).

      – Quanto a Definição dada de instituição:
      Estamos falando dentro de um contexto específico, querido: a Igreja. Creio que o artigo deixa isso claro.

      – Quanto a desinstitucionalização da Igreja e a utopia:
      Você põe que “a desinstitucionalização de uma forma politico-materialista, com é descrito, ou seja, com horários não definidos, sem datas de nada, e reuniões de ordem aleatória, não é viável mesmo, e nem é a questão”. Não é fato, querido. Se você acompanha o discurso dos desigrejados, por exemplo, verá que é parte importante da questão. E sim, concordo com você que seria ótimo se o discurso caminhasse para “Não é matar a instituição explodindo os templos, é matar a barreira que a instituição faz em você para um relacionamento com Deus”. Mas o discurso descamba frequentemente para esse lado. Caio Fabio fez uma separação num artigo de 2003 entre “instituição” e “institucionalização”. Valeria a pena você ler.

      – Quanto a Questão Semântica:
      A questão da semântica vai muito além de Lacan. Vem desde John Locke, mas é estudando Charles Peirce que você vai se aprofundar muito mais na questão do signo/significado/significante junto com, evidentemente, Saussurre. É um papo longo, que nos faria percorrer Roland Barthes e Umberto Eco. Até mesmo Sartre, com a discussão do que vem primeiro, se a existência ou a essência, entra na equação. São muitas vozes e precisamos ouvir todas, não apenas Lacan. Mudar as palavras muda a concepção e a percepção das coisas? Sim. A semântica é nossa maior arma? Não. As ações são.

      – Quanto aos Hips e a Igreja:
      Perdoe-me discordar de que minhas afirmações sobre os hippies “denota pouca pesquisa”. Se você for ler sobre os estudos feitos sobre os rumos do movimento hippie verá que, especialmente nos Estados Unidos, há inclusive estatísticas sobre a geração hippie que mostra que o capitalismo consumista os abarcou com ferocidade.

      Sobre a sociedade depravada, o amor livre e o uso de drogas, por exemplo, estimulados pelo movimento hippie depravaram sim muito mais a sociedade moralmente em termos bíblicos (que é nosso contexto) do que o movimento fascista, a extrema direita e sua repressão (que não estou defendendo, entenda), mas esses ao menos propunham a preservação de valores na época considerados ortodoxos e aceitos historicamente, como a fidelidade, a manutenção do matrimônio etc. Sobre a revolução sexual concordo. Mas descartar a influência do movimento hippie nas mudanças culturais e morais dos últimos 50 anos é ignorar os livros de história.

      Sobre o que você falou de o Concílio de Nicéia ser o ponto histórico onde se decidiu “que era necessário uma estrutura hierárquica para controlar o desenvolvimento da fé”, basta uma leitura de Atos dos Apóstolos e das epístolas e você verá que isso e muito anterior. A figura do Bispo, por exemplo, surgiu no século I, logo, mais de 200 anos antes de Niceia.

      Agora, vc mata a charada com a sua frase: “Porque o problema são humanos, e eles estão em todo lugar”: esse é o ponto. Aí sim.

      Vamos aos seus acréscimos, aos quais fiz mais acréscimos (em maiúsculas, apenas para diferenciar do teu texto e não para soar como grito, ok?) Vamos lá:
      A cruzada anti-igreja institucionalizada é o caminho? Não, não é. [Assim como a Institucionalizada também não é, MAS TEM, COM TODOS OS SEUS PROBLEMAS, MANTIDO A IGREJA COMO UM ORGANISMO VIVO POR DOIS MIL ANOS, APESAR DE TODOS OS DESCALABROS QUE SÃO CONHECIDOS POR TODOS, COMO AQUILO QUE SEMPRE É CITADO: INQUISIÇÃO, INDULGÊNCIAS, CRUZADAS ETC.] Simplesmente porque todas essas comunidades são também instituições, apenas com formas de agir novas [ou diferentes PORÉM INSTITUCIONALIZADAS]. Com dialetos e sotaques diferentes, mas apenas mais do mesmo. E em todas elas habita o verdadeiro problema, o grande vilão da história: pecado. Esse sim é o bicho-papão. Onde há pecado, os porcos vão sempre andar sobre duas patas e pessoas continuarão a ser magoadas, feridas e ficar chateadas com outros irmãos. Isso é inevitável. [Simplesmente onde há pecado é mesmo inevitável.] E acreditar que [simplesmente] mudar os nomes das coisas e começar a se reunir em quintais e salas de estar em vez de santuários “institucionais” vai mudar isso é de uma ingenuidade atroz. [Assim como acreditar que manter as coisas como estão uma hora vai dar certo.] UMA HORA NÃO. É IMPORTANTE LEMBRARMOS QUE, APESAR DOS ERROS QUE FORAM COMETIDOS AO LONGO DOS SÉCULOS, FOI NO MODELO ATUAL QUE O EVANGELHO FOI PREGADO POR CENTENAS DE ANOS, ALMAS FORAM SALVAS E PESSOAS CONDUZIDAS À SALVAÇÃO ETERNA. TODOS OS CRISTÃOS QUE HÁ NO MUNDO HOJE, QUERIDO (INCLUSIVE VOCÊ), SÃO CRISTAOS PORQUE POR TODOS ESSES SÉCULOS O CRISTIANISMOS FOI PRESERVADO E PASSADO ADIANTE PELO MODELO INSTITUCIONAL ATÉ CHEGAR AOS NOSSOS DIAS.
      É óbvio que uma igreja institucional que se preocupa mais com a estrutura do que com as pessoas é uma instituição falida. Uma igreja institucional que funciona como uma empresa para sustentar a família do pastor ou que em vez de conduzir as ovelhas ao aprisco as conduz ao abatedouro tem sérios problemas de saúde. Uma igreja institucional que perdeu a espiritualidade, a simplicidade e o senso de discipulado é uma casca oca. Mas, por favor, entenda, isso não tem nada a ver com o fato de ela ser institucional. Tem a ver com o distanciamento de seus integrantes de Deus, com a perda de intimidade com o Senhor, com o esfriamento da fé. E isso pode acontecer em qualquer modelo de igreja. Seja ela “organizada” ou “desorganizada”.

      Cristãos que perdem seu tempo precioso combatendo [ou defendendo] a Igreja institucional em vez de proclamar Cristo e pregar contra o pecado estão sendo tão úteis para o Reino de Deus como os hippies que fazem miçangas para vender na beira da praia são para a revolução social, É IMPORTANTE DEFENDER O QUE SE ACHA CORRETO E COMBATER O QUE DEVE SER COMBATIDO. FOI ISSO O QUE OS PATRIARCAS FIZERAM NA IGREJA PRIMITIVA, POR EXEMPLO, DEFENDERAM A SÃ DOUTRINA CONTRA AS HERESIAS, COMO OS GNÓSTICOS, OS MARCIONISTAS ETC. [ou como os zumbis que não vivem a palavra e não percebem que relacionamento com o pastor, os membros e a liderança não é o mesmo que relacionamento com Deus é para o Reino do Pai]. ISSO É EVIDENTE. ESSES ZUMBIS EXISTEM NA IGREJA INSTITUCIONALIZADA E NAS “COMUNIDADES” DESISNSTITUCIONALIZADAS enquanto esse tempo é perdido, almas estão indo para o inferno, porque os que se chamam pelo nome do Senhor estão se perdendo em vãs discussões, [Como esta].SE É VÃ, POR QUE VOCÊ A LEVANTOU? NÃO CREIO QUE SEJA VÃ. ACREDITO NELA.
      George Orwell estava certo. Expulsamos os homens da fazenda. Mas em seu lugar pomos apenas modelos novos da mesma coisa – só que com uma maquiagem diferente, [ou para ser mais correto com o contexto e a interpretação de Orwell, é simplesmente, manter o mesmo modelo, com criaturas diferentes no comando do mesmo]. DENTRO DO CONTEXTO DO ARTIGO EM QUESTÃO, MUDAR FORMAS DE INSTITUIÇÃO POR OUTRAS FORMAS DE INSTITUIÇÃO. DISCURSOS FORA DO CONTEXTO NÃO FAZEM SENTIDO. MANGA DE CAMISA NÃO É A FRUTA MANGA.

      Paz a todos vocês que estão em Cristo (seja na Igreja institucional, na igreja dos anti-igreja ou em qualquer outro modelo em que o Corpo de Cristo se reúna para adorá-lO em espírito e em verdade).
      [Amém] E AMÉM

      É um artigo de muita qualidade e sabedoria. Que Deus o abençoe mais e mais!
      OBRIGADO. A VOCÊ TAMBEM.

  21. […] Hippies, porcos e a Igreja institucional […]

  22. Verdade, Maurício!

    E me envergonha pensar que uma vez em minha vida cheguei a cogitar a possibilidade de uma fé “desinstitucionalizada”. Sim, eu me envergonho disso. E muito mais agora, quando porcos de duas patas aparecem em videocasts defendendo o aborto, banalizando o divórcio, fazendo discursos gayzistas, usando neurolinguistica para sair pela tangente quando indagados e chamando todos os “rivais” de “bundoes”. Ah, que vergonha, meu amigo, pois um dia eu acreditei – na minha infantilidade – que isso podia ser verdade, ou pelo menos, conter uma parte dela.

    Se vc me der permissao, gostaria de publicar este texto, e também “Jesus x Igreja” e “Jesus nunca construiu templos” no Púlpito Cristao. Sei que gerará polêmicas, mas certamente a série vai despertar muita gente.

    Aguardo sua resposta.

    Um grande abraço,

    Leonardo.

  23. Caro Maurício Zagury

    Seu artigo fez-me lembrar de Lutero, que rompeu com a sua Instituição religiosa para depurá-la do mal, o que infelizmente resultou numa outra instituição nos mesmos moldes e vícios. (rsrs)

    E assim, é a vida, a instituição eclesiástica, como qualquer indivíduo. Somos regidos pelo anseio, que Dostoievski denominou de “espírito poderoso”, e que Nietzsche denominou de “desejo de potência.

    Abraços,

    • Levi,
      graças a Deus, Lutero conseguiu a depuração de grandes males e nem tudo o que há hoje vindo dele tem os mesmos moldes e vícios. Há muita virtude.
      E é isso aí, vc matou a charada qdo disse “somos”. Pois o problema não é a instituição, somos nós, nosso coração, nossa natureza.
      A imperfeição é sempre presente no gênero humano e é ela a culpada. Veja um exemplo: você, que errou meu sobrenome rsrs.
      Um abraço.
      MZágari

  24. Marco Salomão disse:

    Maurício,
    “Por forma a que uma forma de vida bem adaptada às peculiaridades do capitalismo possa predominar sobre outras (formas de organização), ela tinha de ter origem algures, e não pela acção de indivíduos isolados mas como uma forma de vida comum aos grupos de homens”.
    Max Weber
    Convido-o a uma releitura do clássico de Weber, com a visão contextualizada e histórica do ponto de vista sociológico do best seller ” A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”. Nada é tão atual quanto o modelo inconstante desenhado por Weber. O desencantamento com mundo que Weber descreve é o ponto chave de seus ensaios. Some-se a uma passagem por Ernst Troeltsch, teólogo e contemporâneo de Weber, em “Os ensinamentos sociais das igrejas e seitas cristã” . Neste texto as definições de instituição e seita se apresentam e por último, na seqüência, Howard Becker acrescentou dois outros tipos: denominação e culto, sendo o primeiro para representar uma seita que se acalmou e se transformou em um organismo institucionalizado e o segundo para conceber organizações religiosas menos coesas e mais transitórias.

  25. wellington vieira disse:

    Muito bom seu blog, este texto falou muita a um momento que vico a quase dois anos, trabalhei como musico vários anos numa organização, após não aceitar alguns fardos jogados pela instituição e controle demasiado de liberdade, me desliguei do trabalho neste Ministerio ( Neopentecostal Independente), simplismente parei de ir com minha familia, e hoje estou lidando com a revolta indignação e outros sentimentos. Tenho procurado junto com minha esposa e crianças uma igreja, e olha estou mais para voltar a Igreja tradicional ( tipo Batista ou Presbiteriana), dessas historicas, para resgatar o sentindo de igreja não profissional/Cia, e curar as feridas, coisa dificil, mas este texto e os comentários me levão a reflexão…

    • Querido Wellington,
      oro a Deus que sare logo suas feridas.
      Fuja das neopentecostais. Busque as históricas ou as pentecostais reformadas.
      Uma sugestão: leia o livro “O fim de uma era”, de Walter McAlister, vai te ajudar muito nesse processo. Foi o livro que mudou minha vida. (o tel deles é 0800-701-3490)
      Te abraço com carinho. Que você e sua familia encontrem logo uma casa de fé que os acolha e os discipule conforme as Sagradas Escrituras ensinam.
      A paz, no amor do Senhor.

  26. wellington vieira disse:

    Muito bom seu blog, este texto falou muito a um momento que vivo a quase dois anos, trabalhei como musico vários anos numa organização, após não aceitar alguns fardos jogados pela instituição e controle demasiado de liberdade, me desliguei do trabalho neste Ministerio ( Neopentecostal Independente), simplismente parei de ir com minha familia, e hoje estou lidando com a revolta indignação e outros sentimentos. Tenho procurado junto com minha esposa e crianças uma igreja, e olha estou mais para voltar a Igreja tradicional ( tipo Batista ou Presbiteriana), dessas historicas, para resgatar o sentindo de igreja não profissional/Cia, e curar as feridas, coisa dificil, mas este texto e os comentários me levão a reflexão…
    Responder

  27. Hebert Chagas disse:

    Ótimo post, Zagári. Realmente é um ponto bem interessante, sobre esse movimento dos “sem igreja”. De fato, eu não acho melhor ou pior adorar á Deus em casa ou em igreja. O problema está na luta contra a igreja achando que toda a igreja é errada, na prática.

    Publiquei no meu blog, ok?

    • Obrigado pelas palavras, Herbert.

      Sinta-se à vontade para reprouzir qtos posts do APENAS vc desejar no seu blog, desde que respeitando as normas Crative Commons (estão aqui na coluna da esquerda do blog). Sinta-se super em casa para isso, é uma honra para mim.

      Abração, no amor do Senhor.

  28. […] abordei o assunto em posts como Jesus X Igreja: tornei-me cristão quando saí da igreja ,  Hippies, porcos e a Igreja institucional e Jesus nunca construiu templos. Como toda moda, vai passar. Qualquer pessoa que conheça […]

  29. Rony disse:

    Impressionante….simplesmente !

  30. Wellington de Lima Lucena disse:

    Maurício meus parabéns pela reflexão muito lucida traduzida num texto muito gostoso de ler. Visitei pela primeira vez o seu blog por sugestão de um amigo (Rony), mas certamente retornarei. Abraço e que Deus continue te abençoando com o dom de escrever e muito mais.
    Rev. Wellington de Lima Lucena – IPB.

    • Reverendo,
      muito obrigado pelas suas gentis palavras.
      Será sempre bem-vindo ao APENAS, espero que aquilo que Deus põe em meu coração venha a lhe edificar sempre.
      Abraço forte, na paz do Mestre.

  31. Extremamente feliz por encontrar o seu texto, Mauricio!
    Tenho lutado, mesmo sem as ferramentas do argumento histórico social que você utiliza com tanta sabedoria e precisão. contra declarações irresponsáveis que alguns líderes dos nossos dias fazem contra a Igreja institucional.
    Não quero tecer comentário. Apenas agradecer. Na verdade, o seu texto arrancou-me algumas lágrimas, mas trouxe-me refrigério.
    muitíssimo obrigado!
    Sou um pastor batista.

    • Olá, Pastor Israel,
      .
      muito me alegro por ter sido canal de alento para sua vida, reverendo. O Senhor, Nosso Deus, é bom. E não tem pelo que me agradecer, agradeça o nosso Pai, que vê tudo pelo que o irmão passa. Oro a ele por sua vida.
      .
      Um abraço carinhoso, no amor maior,
      mz

  32. Victor Campos disse:

    Desculpe discordar mas creio sinceramente que a quebra dessa organização da igreja contemporânea seria benéfico sim, pelo menos pra mim. Não creio que Deus seja uma cara que é institucionalizado por exemplo que quer que todos sejam iguais mais um tem níveis de poder ou de status melhores que outros se realmente Deus é amor como muitos dizem creio que ele é um Deus igualitário que deseja que todos vivam naturalmente sem dogmas pagãos, mas desfrutando da natureza e tudo que ela proporciona sem essa de paredes e mais paredes creio que isso é um pensamento humano de privacidade. Os Hippies seguem uma linha de pensamento que eu admiro entretanto estes Hippies desta geração atual só idolatram a maconha e drogas fielmente, par mim o estilo mais natural em que o homem interaja com a natureza de forma sustentável e que não cometa violência com o humano próximo é o ideal pois creio fielmente que a vida longe de constitucionalização é a melhor.

  33. sergio luiz disse:

    Cai aqui por causa do título que me chamou a atenção através do Face… nem me lembro como… Li uns cometários iniciais também e comecei a refletir. Em parte você tem razão em não se enxovalhar a instituição, a essência humana é a mesma e os riscos de se estar na 4a. onda podem ser piores dependendo do grupo. Confesso que pertenci a duas denominações e a última congregação que saí não foi por causa de desarranjos, mas porque estava indo para outro cidade. E lá chegando fui visitar as congregações desta mesma denominação e não me adaptei a nenhuma por causa da visão de mundo arcaica destas e em relação a valorização mais das doutrinas do que as pessoas (e até mesmo do Evangelho) e o engessamento (ou burocracia) das mesmas em relação a vivencia do Evangelho e no evangelizar e o clima clubesco e indolente que estas se comportam em relação aos que chegam de fora. Já havia passado por isso antes na outra denominação em tempos idos (acho que ela era a vanguarda do que acontece atualmente com as congregações históricas no geral) de onde saí por discordância destes tipos de comportamento e atualmente sou um crítico sim deste modus operandi das tradicionais que é em sua imensa maioria, salvo umas poucas tem se encharcado fora outras “cosistas”. Estou numa igreja alternativa com todos os riscos mais com humos em amor nos relacionamentos e no desenvolvimentos dos “trabalhos”… sem isso em qualquer grupo vira uma relação, desculpe o termo, sadomasoquista. É necessário que as comunidades locais (já que os supremos concílios são conservadores e não se movem) façam a sua auto-análise e auto-crítica e até percebam que algumas críticas dos de fora possam ser pertinentes nestes tempos em que os próprios cristãos não coadunam com o que dizem e é preciso compreender onde estão pecando porque sem isso o grupo vai perdendo identidade e significado e aqueles poucos comprometidos que poderiam ter seus dons aproveitados e potencializados no serviço do Reino vão minguando.

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