Posts com Tag ‘Pecado’

Eu matei um homem1Vivemos uma contradição muito interessante. Somos cristãos, o que significa que abraçamos a religião da graça (pois o cristianismo é a única crença religiosa do planeta em que a salvação não depende do homem, mas de Deus, que age movido por amor e compaixão). Por outro lado, temos uma forma de enxergar os erros do nosso próximo de forma quase implacável. Quanto mais fios brancos nascem na minha cabeça, mais claramente percebo o coração extremamente perdoador do Senhor em oposição ao coração pouco perdoador dos homens. Em nome do amor a Deus sobre todas as coisas acabamos por não amar nada o próximo como a nós mesmos. Diga, por favor, se estou errado: muitas vezes você admira um certo cristão e, no dia que descobre que ele cometeu um pecado considerado grave, passa a não enxergá-lo mais do mesmo modo. Deus pode tê-lo perdoado décadas atrás, mediante seu arrependimento, mas, ainda hoje, sussurramos sobre aquele pecador num tom nada gracioso. Não é o que acontece? A questão é que, se agimos dessa maneira, não nos conformamos à imagem de Cristo e procedemos com nosso próximo de maneira nada diferente do mundo. Decidi conduzir você à reflexão sobre isso de um modo extremamente doloroso para mim. Se está lendo este blog, é porque você enxerga em quem aqui escreve algum tipo de virtude cristã. Então tomei a decisão de confessar publicamente um pecado hediondo que cometi, e gostaria de ver se, diante disso, você continuará lendo o APENAS, se deixará de ser assinante do blog, se passará a ver o que escrevo com desconfiança. Acredite, não é nem de longe fácil para mim expor esse meu pecado, mas, se vai ajudar a levar você a uma meditação que o fará aproximar-se mais do modo divino de ser e o tornará um praticante mais ativo da graça… vale a pena.

Pois bem, a verdade é que eu já matei uma pessoa.

É muito difícil expor isso. Por motivos óbvios, não saio por aí dizendo às pessoas que cometi esse crime, que me marcará para o resto de meus dias. Levarei essa marca na alma até o dia de minha morte, pois cometi o chamado homicídio culposo – o que é cometido sem a intenção de matar. Fato é que um homem deu seu último suspiro porque o assassinei, e ter ou não a intenção original não muda este fato: eu tirei a vida de um ser humano. Se eu dissesse isso de cara, possivelmente você não leria um único post deste blog, pois eu me tornaria um desqualificado para falar das coisas de Deus, minha única definição aos seus olhos seria assassino.

Eu matei um homem0Estou usando de uma sinceridade que, acredite, não é nada fácil para mim. Seria mais conveniente continuar mantendo esse crime do meu passado oculto e seguir falando e escrevendo sobre as coisas de Deus sem que você visse em mim o que realmente sou – um assassino. Confessar isso pela internet exige muito, me faz sofrer, traz lágrimas aos meus olhos. Mas senti que chegou a hora de abrir esse pecado. Em troca, tudo o que peço é que você use da mesma sinceridade e diga: saber disso muda a forma como você me vê? Saber que pequei contra o sexto mandamento me desqualifica aos seus olhos? Até que ponto você é capaz de me ver como um igual tendo conhecimento de que levei um ser humano à morte? Em que medida consegue enxergar o perdão de Deus sobre a minha vida e continuar a ler o que escrevo sem passar a ver minhas palavras como água que brota de uma fonte contaminada, estragada? E – o mais importante de tudo – o que a percepção sobre a forma como você passará a me ver a partir da leitura deste texto levará a você a pensar, à luz da Bíblia, sobre a graça que existe no seu coração?

Muita coisa aconteceu depois que tirei a vida daquele homem. Fui restaurado, pequei de novo, me arrependi de novos erros, pequei novamente e sigo nessa caminhada – transgredindo, acertando, escorregando, me levantando, me esforçando para não errar mais. Mas nada apagará o fato de que um ser humano foi morto pela minha mão. Agora você entende por que poucas coisas me entristecem tanto como ver irmãos em Cristo agindo de modo impiedoso com pecadores arrependidos – pois eu mesmo sou um pecador arrependido. Mais ainda: um terrível pecador arrependido.

A falta de entendimento bíblico sobre a graça, a misericórdia e o perdão gerou uma situação tão grave que muitos não perdoam nem a si mesmos, por causa de erros que cometeram no passado – embora Deus já os tenha perdoado. Outros tantos não conseguem estender perdão àqueles que pecaram. Como um pecador perdoado, não tenho como não me entristecer ao ver tanta gente imperfeita enterrando tanta gente imperfeita. Desqualificando. Segregando. Pondo o dedo no nariz. Acusando. É por isso que, de vez em quando, volto no APENAS ao tema do perdão – pois, apesar de ser um dos fundamentos do evangelho, graça é algo tão pouco posto em prática em nossos dias. Tão pouco…

Eu matei um homem00Devemos odiar o pecado com todas as nossas forças, não nos conformar com ele, pregar contra ele, exortar os irmãos que sabemos estar praticando pecados dos quais não se arrependem. É o que a Bíblia manda e ponto final. Mas também devemos odiar a impiedade hipócrita daqueles que só sabem acusar e não enxergam a trave do tamanho de um campo de futebol que ostentam em seus olhos. O pecado me enoja. Meu pecado me enoja. Mas também me enoja a postura que costumo chamar de “nazismo espiritual”: gente que, em defesa da santidade, esquece as próprias iniquidades e promove uma “limpeza étnica”, pondo aqueles que considera “mais pecadores” do que si mesmos (isso existe?) em um gueto de impiedade, num campo de concentração de acusações,  num paredão de falta de misericórdia, numa câmara de gás de falta de graça. Até acredito que fazem isso com boas intenções, por falta de instrução bíblica ou de amor, mas não podemos deixar isso passar sem nos esforçarmos por levá-los a ver como Cristo vê.

Jesus mesmo disse, “Portanto, eu lhe digo, os muitos pecados dela lhe foram perdoados; pois ela amou muito. Mas aquele a quem pouco foi perdoado, pouco ama” (Lc 7.47). Eu  sei que meus muitos pecados foram perdoados e por isso minha gratidão ao Senhor não tem fim. Sei que o assassinato que cometi não pesa mais sobre mim, por isso banho os pés de Cristo com minhas lágrimas e os enxugo com meus cabelos. Mas, infelizmente, sou obrigado a conviver diariamente com a triste visão de irmãos em Cristo que odeiam a graça e amam pisar em pecadores. Uma igreja formada por gente assim não é a que vai morar no céu. É humana, carnal, pecadora e – literalmente – des… graçada.

Eu matei um homem2Por favor, faça uma análise de suas atitudes. Como você age quando sabe que um irmão cometeu um pecado que o escandaliza, mas do qual se arrependeu? Compare sua postura com a que acredita que Jesus teria. Seria a mesma? Precisamos estudar mais sobre o que a Bíblia fala sobre o perdão, a misericórdia, a graça. Temos urgentemente de compreender a razão de Jesus ter encarnado e se oferecido na cruz. É indispensável olhar para o Cordeiro pendurado no madeiro e sempre, sempre, sempre perceber que, ao lado dele, há um bandido arrependido ouvindo dos lábios do Salvador: “Eu lhe garanto: Hoje você estará comigo no paraíso” (Lc 23.43).

Resgate pecadores, não os afunde ainda mais na lama. Ame pecadores, assim como o Senhor ama você, pecador. Eu me tornei uma pessoa muito mais graciosa no dia em que percebi – em meio à minha própria impiedade agressiva, miserável e sem misericórdia – que não sou melhor do que ninguém. Você é?

Confesso publicamente: eu matei um homem. Sou um assassino. Ele perdeu a vida por minha causa. Seu nome é Jesus de Nazaré.

A boa notícia é que ele ressuscitou e nenhuma condenação há para aqueles que nele estão. Uma Páscoa abençoada para você, que matou a mesma pessoa que eu.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Amor5Eu e minha filhinha estávamos nos divertindo a valer. Já era tarde e passava da hora de ela dormir, mas a brincadeira estava tão legal que é lógico que a pequena não queria ir para a cama. Só que faço questão de manter a disciplina de seu sono e, por isso, lhe informei que precisávamos parar. Você sabe como são as crianças: imediatamente o sorriso sumiu de seu rosto, ela fez um bico enorme, cruzou os braços e afundou o queixo no peito. Raro é o dia em que não lhe digo no mínimo uma três vezes que a amo. Ela também diz que me ama e sabe perfeitamente quanto seu amor é importante para mim. Por isso, naquele minuto, usou a estratégia da chantagem emocional para tentar ficar acordada por mais algum tempo, brincando comigo. Foi golpe baixo: “Eu não te amo mais, papai”, falou alto. Eu sei que ela disse isso da boca para fora, e a minha reação foi espontânea e imediata. Eu respondi, em voz baixa e acariciando seus cabelos: “Bebê, absolutamente nada do que você faça ou fale vai me fazer deixar de te amar. Meu amor por você é pelo resto da vida”. Percebi que ela não esperava por aquelas palavras. Relaxou a postura, encostou-se em mim, sorriu de canto de boca e me abraçou. Em pouco tempo estava na cama, sendo embalada por uma oração cantada pelo papai.

Nossas reações impensadas merecem atenção. Elas falam muito sobre nós, porque ocorrem sem planejamento, sem censura. Se você quiser saber como é o temperamento de alguém, dê nela um susto. Umas pessoas reagem gritando, outras saem correndo, outras partem para cima. Isso demonstra se são agressivas, defensivas, tímidas ou o que for. Do mesmo modo, reações espontâneas revelam verdades profundas. Depois desse episódio, fiquei pensando sobre o que eu disse a minha filha. Sei que soa como um lugar-comum dizer que nada abalará o amor de um pai pelo filho, mas, acredite, eu falei  aquilo de modo irrefletido e sei que partiu do fundo do meu coração. Foi uma verdade absoluta. Naquele instante, eu tive a plena convicção de que, mesmo que minha filha cometa as maiores atrocidades contra mim, meu amor por ela permanecerá.

Que dirá o amor do Aba, nosso Pai celestial.

Amor2Todos os dias, eu e você temos atitudes, pensamentos e posturas que trazem subentendido a afirmação para Deus: “Eu não te amo mais, papai”. Os pecados são a maior expressão disso. Desobedecemos ao Senhor, mesmo sabendo que Jesus disse: “Quem tem os meus mandamentos e lhes obedece, esse é o que me ama” (Jo 14.21). A conclusão é óbvia: se desobedecemos os mandamentos de Cristo, estamos lhe dizendo com nossas ações que não o amamos.

Outra forma de dizer a Deus que não o amamos é quando não o amamos sobre todas as coisas. Confuso? Explico: o maior mandamento é que amemos ao Senhor sobre todas as coisas. Quando estabelecemos prioridades em vez do nosso relacionamento com ele, não o estamos amando sobre todas as coisas. Como é sua vida de oração? Como anda seu estudo das Escrituras? Quem não ora nem estuda a Bíblia está dizendo ao Criador com sua atitude que não deseja se relacionar com ele, que ter intimidade com o Senhor não é prioritário. E isso é o descumprimento do primeiro mandamento.

E por aí vai. Além de pecados e prioridades equivocadas, é extensa a lista de posturas e pensamentos que se traduzem para Deus como falta de amor – como, por exemplo, a falta de fé e a busca do Senhor por interesses pessoais. Poderíamos gastar muito tempo aqui falando sobre todos os itens dessa lista, mas não é esse o foco do que eu gostaria de compartilhar. O que mais penso acerca desse assunto é na reação de Jesus a essas nossas demonstrações de desamor. Como o Senhor considera essas posturas?

Amor3Minhas palavras espontâneas a minha filha me fizeram compreender mais sobre o amor de um pai. Pois se eu, que sou mau, tenho esse sentimento com relação a quem gerei, que dirá nosso Pai com relação a nós. Pense: você não simplesmente brotou de um “espermatozoide divino”. O Senhor não esperou nove meses para ver como você seria. Não. Você é fruto de um projeto. Você foi planejado. Foi cuidadosamente pensado e idealizado pelo Criador. O salmista já disse, sob inspiração do Espírito Santo: “Tu criaste o íntimo do meu ser e me teceste no ventre de minha mãe. Eu te louvo porque me fizeste de modo especial e admirável. Tuas obras são maravilhosas! Digo isso com convicção. Meus ossos não estavam escondidos de ti quando em secreto fui formado e entretecido como nas profundezas da terra. Os teus olhos viram o meu embrião; todos os dias determinados para mim foram escritos no teu livro antes de qualquer deles existir” (Sl 139.13-16).

Você é uma obra de arte. Deus idealizou absolutamente tudo o que diz respeito a sua pessoa antes mesmo de criar a primeira célula do seu corpo. Quando você não passava de um zigoto microscópico no útero de sua mãe, o Senhor já te amava com um amor profundo e inabalável. Ele olhava para aquele amontoado disforme de células e pensava: “Eis aqui o filho que eu amo”. Deus já tinha um propósito para a sua existência. Na verdade, antes que Gênesis 1.1 ocorresse, você já era realidade no coração do Todo-poderoso, e creio que ele ansiava pelo dia em que formaria sua vida. Você é precioso, amado, valioso e importante para o seu Pai.

Erramos sim. Muitas vezes cometemos atrocidades. Dizemos diariamente a Deus com nossas atitudes: “Eu não te amo mais, papai”. Chegamos a nos afastar dele, por amarmos mais o mundo e os prazeres da vida do que o nosso Criador. Só que o Pai está na janela, de olhos fixos no horizonte, à espera do Filho amado. E, quando temos a coragem de reconhecer nosso erro, ele se vira para nós e diz: “Bebê, absolutamente nada do que você faça ou fale vai me fazer deixar de te amar. Meu amor por você é pelo resto da vida”. Eu diria mais: é pela eternidade.

Como eu posso afirmar isso? Porque assim disse o Senhor: “Todo aquele que o Pai me der virá a mim, e quem vier a mim eu jamais rejeitarei. Pois desci dos céus, não para fazer a minha vontade, mas para fazer a vontade daquele que me enviou. E esta é a vontade daquele que me enviou: que eu não perca nenhum dos que ele me deu, mas os ressuscite no último dia. Porque a vontade de meu Pai é que todo aquele que olhar para o Filho e nele crer tenha a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6.37-40).

Amor4E se você acha que, por algo que tenha feito, o amor de Deus por você se acabou, por favor preste muita atenção a esta verdade irrefutável da Bíblia (recomendo que leia umas três vezes, pensando no que está lendo): “Nem morte nem vida, nem anjos nem demônios, nem o presente nem o futuro, nem quaisquer poderes, nem altura nem profundidade, nem qualquer outra coisa na criação será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 8.38-39). Nada. Nada, nada, nada é capaz de separar você do amor de Deus. Nada.

Você é amado. Amado desde sempre e amado para sempre.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Mauricio

erosao1Um câncer começa com uma única célula defeituosa. Um vírus microscópico é capaz de tirar uma vida. Cupins menores do que uma unha conseguem destruir toda uma casa. Uma pitada de veneno mata. Um punhado de grãos de cocaína são suficientes para causar uma overdose letal. Bactérias ínfimas provocam estragos monstruosos. Tudo isso são exemplos de que não é preciso algo ser grande para gerar enormes danos. Em nossa vida espiritual não é diferente: muitas vezes são os “pequenos pecados” que acabam nos conduzindo a grandes quedas – isto é, justamente os pecados que não consideramos muito problemáticos é que poderão acabar nos afastando de Deus. Uma onda do mar não destrói uma rocha. Na verdade, parece ter pouco efeito sobre ela. Mas ponha uma onda, após outra, após outra. Adicione tempo. Em alguns séculos você terá um buraco naquele pedaço de granito sólido e aparentemente impenetrável. É o processo chamado erosão. Nossa alma também pode ser vítima da erosão do pecado.

A Bíblia nos alerta para sempre vigiarmos, em oração. E de fato fazemos isso. Tomamos precauções contra muitos pecados e até que nós saímos bem. Evitamos andar nos becos escuros das grandes tentações, pois sabemos que ali há transgressões aguardando por nós atrás de cada poste. Mas nos expomos em plena luz do dia aos “pequenos pecados”.

erosao2Começamos praticando o que consideramos que são delitos menores, aparentemente insignificantes. É a “mentirinha branca”, por exemplo, aquela que “não faz mal a ninguém”. Ou somos só um pouquinho agressivos com aquele vendedor de telemarketing que nos irrita ligando no sábado. Que mal faz, afinal? Olhamos de cara feia para o cidadão no ônibus que passou de qualquer maneira e esbarrou na gente. Topamos não pedir nota fiscal do serviço que nos é prestado, desde que o preço cobrado seja mais baixo, assim todos saem ganhando! Fazemos aquela fofoquinha santa da irmã, porque, bem, não chega a ser maledicência, né, é só um comentariozinho de nada. E por aí vai. Ficamos descansados, achando que nada disso representa algo demais.

Só que “Um abismo chama outro abismo” (Sl 42.7). O que acontece é que os pequenos delitos, os “pecadinhos que não fazem mal a ninguém”, acabam nos acostumando ao pecado. Nos insensibilizam à transgressão. E, com isso, passamos a ver a desobediência a Deus como algo que não nos enoja mais. Algo “aceitável”.

erosao0Por que você acha que Jesus disse que não deveríamos nem ao menos chamar alguém de “tolo”? Porque as desavenças nos acostumam ao ódio e, dentro de algum tempo, dar um tiro em alguém não será algo tão mau assim. Por que você acha que Jesus disse que se olhássemos para alguém com desejo no coração já estaríamos adulterando? Porque a cobiça dos olhos dentro de algum tempo nos acostuma ao delito e daqui a pouco deitar-se com alguém não soa tão grave assim. Em outras palavras, a ética de Cristo estimula você a cortar todo mal pela raiz, ela é preventiva e mostra que não existe pecado “menos grave” que outro. Hoje você dá propina no trânsito; amanhã no Congresso Nacional.

Estava pensando: será que o primeiro pecado de Satanás foi a rebelião contra Deus, já no ato do “golpe de estado” que tentou dar? Não posso afirmar, pois a Bíblia não afirma, mas eu acredito que ele deve ter alimentado pecados – se não na prática – pelo menos no seu coração por muito tempo. O motim foi o clímax. Não acredito que ele foi para a cama como um querubim magnífico e sem mancha e acordou dizendo “Acho que hoje vou me insurgir contra Deus”. Muito difícil crer nisso. Especulo que tenha sido um longo processo, talvez pontuado por algumas transgressões que ele considerava “menores”. Claro, isso tudo é puro fruto da minha imaginação, mas me faz todo sentido.

Cuidado com os pecados que lhe parecem insignificantes. Eles não são. “Pecadinhos de nada” têm o poder de uma bomba atômica. E eles vão fazer você se acostumar com o ato de pecar. Uma vez que transgredir naquilo que você considera inofensivo se torna uma prática tranquila aos seus olhos, você não vai parar quando se deparar com algo que entende ser mais grave. Simplesmente porque desobedecer Deus virou algo comum.

erosao00Não permita que isso ocorra. Convido você a refletir sobre os seus “pequenos delitos”, aqueles a que não presta muita atenção, que não o incomodam tanto assim. E o estimulo enfaticamente a abandonar a prática desse delito. Ele não é insignificante. É maligno. É destrutivo. Cam não achou que rir do pai bêbado era algo muito problemático. Adão e Eva devem ter pensado que, ora bolas, era apenas uma frutinha. Davi possivelmente se convenceu de que “ah, será só um recenseamento”. Saul talvez tenha suposto que somente um sacrifício sem a presença do profeta não seria lá grande coisa. Deu no que deu.

Você pode se considerar uma rocha de santidade. Talvez creia que está tão alerta contra as tentações que nada vai te alcançar. Mas as ondas estão batendo. A erosão está destruindo as suas defesas contra o pecado. Se você não tomar uma providência agora mesmo… a montanha inteira pode vir abaixo.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

adoteumpecador1Você já deve ter visto na televisão anúncios de organizações que estimulam você a apadrinhar crianças pelo mundo inteiro ou a ajudar instituições humanitárias de auxílio medico em regiões de pobreza extrema. São entidades como Action Aid, Médicos sem Fronteiras ou Visão Mundial, que fazem um trabalho maravilhoso de amor pelo próximo. Você contribui com trinta a cinquenta reais por mês e ajuda pessoas desnutridas, doentes ou carentes a melhorar de vida, estudar, ter auxilio médico, encontrar dignidade. Fiquei pensando sobre a ação dessas belíssimas organizações e me inspirei para propor uma campanha. Assim, lanço hoje a Adote um pecador.

A diferença entre essa minha campanha solitária e as dessas instituições é que ela funciona em moldes diferentes. Em vez de você doar um pouco de dinheiro mensalmente e deixar que os integrantes desses grupos ponham a mão na massa para auxiliar os carentes, doentes e necessitados, minha proposta não vai lhe custar nem um centavo. Também não vai exigir ações mensais. Na verdade, vai requerer de você muito mais: o seu coração.

O alvo de nossa campanha é alguma pessoa que você conheceu, que pertencia a alguma igreja e hoje não pertence mais. Mas não qualquer um, tem de ser um indivíduo com perfil específico: alguém que cometeu um ou mais pecados do tipo que os cristãos costumam considerar – sabe Deus por quê – mais graves do que os outros e que por isso foi discriminado dentro da igreja, oprimido pelos irmãos e que, diante de tanta falta de amor, acabou se afastando da família de fé.

Vou ajudar você a se lembrar de alguém: em geral, são pessoas que cometeram pecados sexuais (pode até mesmo ser um pastor que adulterou); que se divorciaram sem a bênção da igreja; que não conseguiram abandonar a dependência química por álcool ou outras drogas; gente que foi vista em algum ambiente “pecaminoso”, como uma boate, o samba ou o baile funk; indivíduos que cometeram algum tipo de delito que os levaram a ser humilhados publicamente, talvez até conduzidos à frente da igreja para serem expostos em suas transgressões diante dos demais. Perceba que não estou entrando pelo mérito do pecado em si (se é pecado, é pecado e ponto) nem passando a mão na cabeça da transgressão. Meu foco é o que nós, a Igreja de Jesus Cristo, fizemos com essa vida após o pecado. Pois bem, a pessoa que é o alvo dessa campanha deve ser alguém que, além do estrago causado pelo próprio pecado, tenha sido ainda mais prejudicada pela forma discriminatória ou humilhante da qual os irmãos em Cristo a trataram ao tomar conhecimento de suas falhas. Essas são as almas que desejo alcançar com a campanha Adote um pecador.

adoteumpecador2E como ela funciona? Em vez de doar seu dinheiro, você vai doar seu coração e seu tempo. Primeiro, proponho que você ou um grupo de irmãos da igreja partam ao encontro dessa pessoa – em sua casa, no trabalho, na escola, nas ruas. Não é só dar um folheto não. É sair do seu conforto e ir até ela, onde ela estiver, como o bom pastor da parábola foi até a ovelha perdida. Quando a encontrar, você vai lhe dar amor. Abrace-a. Chore com ela. Peça perdão em nome da igreja inteira por, em vez de ajudá-la a ficar de pé após o pecado, tê-la afundado ainda mais na lama mediante a segregação, os olhares tortos, a falta de tato, a desumanidade. Deixe claro que ela é importante. Por fim, fale do amor de Cristo. Diga-lhe que Deus perdoa todos os pecados mediante arrependimento, que ela é extremamente bem-vinda no seio da igreja do Senhor, que nenhuma condenação há para aqueles que estão em Cristo Jesus. Dê-lhe um beijo, um abraço apertado e… vá embora.

adoteumpecador3E atenção, pois este é um ponto fundamental da campanha: não convide essa preciosa alma para ir à igreja. Nem mesmo toque no assunto. O objetivo é dar amor, trazer perdão à tona, viver o evangelho junto com ela. Demonstrar bondade. Amabilidade. Carinho. Afeto. Cristo. Se ela achar que você a procurou apenas para voltar a frequentar cultos, tudo estará perdido. A finalidade é que ela se sinta acolhida, perdoada, querida, importante. É dar-lhe o senso de humanidade e de comunhão que a discriminação que sofreu roubou dela. Tenho certeza de que, se ela voltar a enxergar a família de fé como uma família de fato, mais do que um grupo de carrascos da inquisição, tornar a frequentar o ambiente eclesiástico será uma consequência natural. Mas será uma consequência, não a causa. Triste igreja é aquela que tenta trazer pessoas para tornar-se uma frequentadora de cultos, em vez de um membro amado e perdoado do Corpo de Cristo. Dê amor a ela, sem esperar nada em troca. O resto ficará por conta do Espírito Santo.

A campanha está lançada. O blog APENAS tem na data de hoje quase 2.400 assinantes, que somam-se a uma média de 11 mil acessos semanais. Isso significa que mais de 13 mil pessoas lerão este post apenas na primeira semana de sua publicação. Imagine se cada uma dessas 13 mil partirem em busca de um pecador. Seriam 13 mil seres humanos, abandonados e segregados devido a pecados que cometeram, que receberiam amor e graça da parte de irmãos em Cristo. E, se você repassar este texto para pelo menos um conhecido e ele decidir adotar um pecador, já seriam 26 mil indivíduos que visualizariam, na prática, o amor de Cristo em sua vida por meio de irmãos. Elas deixariam de ver a igreja como um antro de inquisidores e passariam a enxergar os cristãos como gente que ama, perdoa, acolhe e vive de fato o que a Bíblia diz. Eu ouso até sonhar mais alto: imagine que cada uma dessas 26 mil pessoas chamasse mais três irmãos para também adotar um pecador. Se isso acontecesse, alcançaríamos 100 mil indivíduos feridos, machucados e oprimidos dentro das igrejas que teriam um vislumbre da graça da cruz de fato em sua vida. Tremo só de imaginar.

Eu tenho esse sonho. E é um sonho bom de se sonhar – pois é bíblico e mira no epicentro da nossa fé: amor, bondade, perdão, reconciliação, restauração. Se meu sonho vai se tornar realidade ou não… depende única e exclusivamente de você.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Divorcio1Existem entre nós multidões de irmãos e irmãs que enfrentam problemas em seu casamento. Alguns dos posts mais lidos do APENAS são justamente aqueles que se referem a casamentos infelizes, uma prova de que a coisa não vai bem e o povo de Deus está ávido por orientação e consolo nessa área. Lamentavelmente, ser cristão não nos dá passaporte automático para a felicidade matrimonial. O aspecto que considero o mais triste de tudo é que, muitas e muitas vezes, irmãos e irmãs consideram que a saída mais “fácil” para seus dramas conjugais é o divórcio. Embora cada vez mais o divórcio venha se difundindo no seio da Igreja, nada me convence que essa seja a alternativa preferida do Senhor para um matrimônio em crise. Jamais você ouvirá de mim uma recomendação para que se divorcie. Acredito na restauração. Acredito que o poder de Deus é capaz de pegar o relacionamento mais devastado do mundo e reconstruí-lo, fazer com que seja funcional e feliz novamente. O próprio Jesus afirmou: “Para Deus todas as coisas são possíveis” (Mt 19.26). Então ou acredito em Cristo ou não acredito. E, se ele garantiu que é possível para Deus fazer tudo, eu creio que é possível ele restaurar todo e qualquer casamento.

Divorcio2No entanto, por mais que a Bíblia afirme certas verdades, muitos de nós sempre têm um “porém” quando se trata de sua vida em particular. Quando alguém me pergunta se deve se divorciar ou não e eu digo que deve lutar pelo casamento, que deve ter fé na restauração por Cristo, ouço com uma frequência enorme coisas do tipo “Ah, você diz isso porque não conhece meu marido”, “Mesmo depois que tudo o que minha esposa aprontou?”, “Sei que Deus pode, mas no meu caso não tem jeito”, “Eu acho que não casei no Senhor”, “Já profetizaram que ela não era a escolhida de Deus para mim”, “Depois de tudo o que eu sofri não tem volta”. As justificativas são muitas. E todas elas trazem em si duas características: despem Deus de sua onipotência (pois carregam em si a ideia de que, naquele caso, o Senhor não tem como resolver), e buscam no divórcio a solução. Mas Deus pode todas as coisas (Mt 19.26), odeia o divórcio (Ml 2.16) e ama a família (Mt 19.6). Portanto, acredito firmemente que o caminho divino para todo casamento é sempre a restauração – mesmo nos casos de práticas sexuais ilícitas, para os quais Jesus abre a possibilidade de separação (Mt 5.31-32).

Você, nesse momento, pode olhar para sua vida e comentar: “Ah, Zágari, falar é fácil”. E é  verdade, falar é fácil. Mas, então, eu gostaria de lhe dar esperanças sem falar muito mais. O que passo a fazer a seguir é simplesmente reproduzir uma troca de e-mails que tive com uma irmã. Ela me procurou com uma crise aguda em seu casamento. Com a autorização dela e de seu marido, mostro a seguir o que aconteceu em sua vida e em seu matrimônio, na esperança de que essa história real ajude você naquilo que for preciso. Existem muitos elementos no caso dela com que você pode se identificar e a minha esperança é que o relato a seguir (que é longo, peço desculpas por isso, mas não tinha jeito) venha a impactar a sua vida.

Três observações: 1. Para este post não ficar enorme, tive de encurtar alguns trechos, indicados por “[...]“. 2. A irmã será mantida no anonimato e informações que poderiam levar à sua identificação serão ocultadas ou alteradas. 3. Nos momentos em que a irmã se refere a mim com palavras elogiosas, isso não tem nenhum sentido de autoexaltação e peço encarecidamente que, se você está em crise no seu casamento, não procure conselhos meus: vá ao seu pastor e, acima de tudo, a Deus. Eu não faço milagres e não tenho absolutamente nenhum poder de restaurar lares: só o Senhor tem. Por favor, não veja em mim ninguém especial nesse sentido, não me peça aconselhamento: Deus comissionou a sua alma ao seu pastor, é ele quem deve tratar de sua vida. Sou apenas uma ovelhinha, balindo pela internet. Tendo dito isso, passemos ao diálogo:

div3 IRMÃ:
“Bom dia, irmão Maurício! [...] Li seu artigo sobre casamentos infelizes, e infelizmente, me identifiquei com todos os casos ali citados, porém, meu caso é bem pior… [...] Casei-me há X anos, depois de X anos de namoro. Tenho um filho de X anos, que é a nossa felicidade e pelo qual lutamos arduamente pra manter nosso casamento porque queremos dar a ele uma referência de família estruturada. Quando eu namorava meu marido, nós brigávamos muito, por ciúmes, e ele chegou a me agredir severamente.

Neste meio tempo, conheci um rapaz, que foi o grande amor da minha vida. Mas, por pressão da família e pq achava que casar com meu marido atual seria mais seguro pra mim, aceitei o fato e me casei com ele. Íamos na igreja, fomos trabalhando, tivemos nosso filho….Mas esquecemos do nosso casamento. Ele sempre gritou comigo, me destratava na frente das pessoas…

Até que um dia, o antigo amor apareceu. E, quando o vi, todo aquele amor que guardei por X anos ressuscitou com força total e eu acabei traindo meu marido. Acabei contando pro meu marido, pois não podia esconder algo tão grave (ele havia visto um email meu pra uma amiga contando da traição, eu não tive alternativas e contei tudo pra ele….). Me arrependi, pedi perdão, pois sabia que havia pecado contra Deus e contra meu esposo. Ele ficou irado, se revoltou, mas me perdoou, só que vive me ameaçando, dizendo que, se encontrar com o outro, não sabe a reação dele.

Ele se transformou em um homem amargo, vive me policiando, desconfia dos meus olhares, não posso nem pensar em olhar pro lado, pra todo lugar que vou, tenho que avisar…perdi a minha liberdade, mas isso eu já previa desde a hora que contei pra ele… [...] num dia desses, me recusei deitar com ele…num ato de desespero, ele me pegou à força e me meu um tapa na cara, dizendo que isso servia para que eu acordasse pra vida…

Fiquei muito magoada, pois prometi à mim mesma que nunca mais ele colocaria a mão em mim pra me agredir…me revoltei e pedi o divórcio. Ele, arrependido, pediu perdão, mas eu, com o coração duro como pedra, não quis voltar atrás na minha decisão, pois estava em jogo meu ego, minha dignidade de mulher, o respeito…

Estávamos prontos a entregar nossos cargos na igreja, mas, meia hora antes da reunião, li o seu artigo…. de verdade, fiquei mais revoltada por estar de mãos atadas, mas esperançosa no Deus do impossível, pois vi que se eu quisesse agradar a Deus, terei que me sacrificar mas sei que Ele iria me dar um escape….

Mas confesso que amo o outro rapaz com todas as minhas forças (e o pior de tudo é que ele me espera, pois se divorciou da esposa dele pra ficar comigo…eu não pedi, ele fez pq quis)….mas sei que vai contra todos os princípios que acredito…e não sei o que faço…tô mais perdida que cego em tiroteio, perdida em meus sentimentos, meus princípios, em questão à vontade de Deus na minha vida, do pq que tenho que passar por tudo isso (lógico que sei que é consequência das minhas próprias escolhas, certas ou erradas)… O que é mais difícil é ter que aguentar olhar pra cara do meu marido, não tenho a mínima vontade de estar com ele, me deitar com ele….como manter o casamento assim né???”

RESPOSTA:
“Minha irmã, eu recomendo enfaticamente que vocês procurem seu pastor. Houve e há erros de todos os lados. Você errou, seu marido errou, esse rapaz errou. Está tudo uma grande confusão e é preciso retornar ao prumo. Isso só vai acontecer com abnegação, reconhecimento de erros e uma fidelidade inegociável à Palavra de Deus.

O que vejo pelo que você me disse é que falta muita coisa nessa história toda. Falta perdão. Falta amor. Falta arrependimento. Falta buscar Deus em primeiro lugar. Falta agir conforme o padrão bíblico de marido e mulher. Vocês precisam apagar essa confusão toda e recomeçar. Busque seu pastor. Converse com ele. Peça orientação. Peça oração. É um caso complexo demais para eu te aconselhar por email, minha irmã. Vocês precisam de muito mais que conselho: precisam de pastoreio, amparo e discipulado. E seu pastor é a pessoa para isso. [...] Mas tenha esperança: Deus faz o impossível. Se vocês se arrependerem e buscarem o Senhor, Ele vai consertar tudo. Tenha paz. Confie na graça. Realize as obras do Reino. É o que posso te dizer por este meio tão limitado.”

IRMÃ:
Pois é, Maurício….Eu e meu marido não achamos que o pastor saberá lidar com a nossa situação….Nossa comunidade é muito pequena, bem tradicional….Eu não quero expôr meu marido e nem ele a mim….Por isso não buscamos ajuda dentro na nossa igreja, pois será um “baque” muito grande….temos medo de escandalizar a comunidade e de servir de pedra de tropeço pra alguns…. E realmente falta muita coisa….faltou vergonha na minha cara rsrsrs….faltou temor a Deus…e qdo vi, o desastre já estava feito….Me arrependo do dia em que me encontrei com o outro…pois foi nesse dia que o pecado entrou na minha vida conjugal….Sei que a culpa de tudo isso foi minha…mas ficar me lamentando é pior….Mas não tenho coragem de abrir a situação pro meu pastor….”

RESPOSTA:
“Seu pastor não é um carrasco. Se ele exercer o ministério com zelo pastoral, antes de mais nada vai manter sigilo absoluto sobre o caso e não exporá nenhum de vocês a absolutamente ninguém. Nenhum cristão decente faria isso. Em segundo lugar, ele vai trabalhar para reconstruir o que foi destruído e não para condenar vocês. Se houve arrependimento e abandono do pecado, o que resta é a restauração. Se seu pastor não for confiável a ponto de poder pastorear vocês dessa maneira, recomendo que mudem urgentemente de igreja e procurem um pastor que entenda o seu papel – apascentar vidas e não afundá-las mais na lama. [...] Em oração por ti, minha irmã, na esperança da reconstrução.”

IRMÃ:
Mauricio…isso é verdade. Vou conversar com meu marido. Lembre-se de nós em suas orações, mesmo que não nos conheça pessoalmente, precisamos muito, pois sei que Deus ouve e intercederá por nós. E eu vou orar não só pela restauração, mas também pelo seu ministério, que é muito edificante e confortante. Deus o abençoe, obrigada pelo auxílio muito benéfico num momento tão difícil pra mim….Confio que Deus é muito bom pra mim, que me mostrou seu artigo meia hora antes de entregarmos tudo…Sinto muita alegria na palavra de Deus e não poderia viver longe da casa de Deus…é isso que me sustenta e não me faz desistir de tudo….”

Depois de algum tempo, recebi o e-mail abaixo dela:

IRMÃ:
“Boa tarde, irmão Maurício,
Venho trazer notícias: conversamos com nosso pastor. Deus fez surgir a oportunidade e sabemos que é o cuidado Dele …. O pastor soube lidar com a situação (o meu medo era que ele NÃO soubesse lidar), abrimos tudo aquilo que havia acontecido e também o que sentíamos (como dizem por aí: lavamos a roupa suja ali mesmo) e ele nos aconselhou e vai continuar nos aconselhando. E nós, como casal, vamos lutar pra manter nosso casamento. Entendemos que precisamos da graça de Deus, do perdão mútuo e muita paciência. Sabemos que é um novo começo, como diz o artigo que escreveu…. Obrigada pelas orações (e continue orando, por favor) [...] Deus o abençoe ricamente….”

Aparentemente, a situação tinha melhorado, mas, então, recebi este e-mail:

div5IRMÃ:
“Paz do Senhor, irmão Maurício…lembra de mim? [...] Tenho algumas perguntas, espero que vc possa me ajudar, como irmão em Cristo….Tenho passado algumas situações referentes ao meu marido….ele não me perdoa pela traição, faz coisas absurdas, como me seguir o tempo todo, não tem mais confiança e vira e mexe discutimos…há meses que não temos relações sexuais, não da parte dele….da minha mesmo, pois não tenho um pingo de vontade, pois as coisas que ele anda fazendo, só tem me feito rejeitá-lo…

E depois disso, ainda tem mais um problema: ele está muito agressivo….um tempo atrás ele me deu um tapa na cara, sem mais, nem menos e outro dia agrediu nosso filho tão violentamente, que quase perdemos nosso filho pro conselho tutelar, pois a professora viu as marcas que ficaram sobre o corpo dele….nesse dia saí de casa com meu filho….E pra piorar tudo, ele escancarou o problema pra toda a liderança de nossa igreja, mas de um jeito agressivo e me expôs de uma maneira vergonhosa, relatando tudo à maneira dele, do ponto de vista dele….me chamou de mentirosa e etc…nem tive como me defender diante as acusações dele….pois eu só sabia chorar de vergonha e me senti humilhada…. nas nossas discussões ele me acusa de estar acabando com nossa família, diz que eu estou jogando a vida de todo mundo no lixo…[...]

A minha pergunta é: Se eu me separar dele, vou pro inferno? Quais as consequências que terei que arcar? Como fica meu ministério na igreja? O que faço eu diante de tudo isso, se meu coração só deseja ficar longe dele? Vou ser perseguida a vida toda, sendo julgada, se me separar ? Deus vai me condenar? me ajuda meu irmão…..”

RESPOSTA:
“Minha irmã, você e seu marido precisam voltar às bases da fé: amor e perdão. Sem isso, carregarão feridas pelo resto da vida. Separar-se não é a solução, vocês precisam de cura. Estão feridos, machucados, magoados. Divórcio será apenas mais um problema, até porque, como pai do teu filho, ele manterá contato pelo resto da vida com você.

Vocês precisam voltar ao básico: dialogo em vez de briga. Amor em vez de ódio. Perdão em vez de acusação. Você esta fazendo as perguntas erradas. Não tem que se perguntar o que acontece caso se separe, mas o que acontece se não amar, perdoar, restaurar. A Bíblia nos diz que Deus não perdoa os pecados de quem não perdoa o próximo. Você não está perdoando. Seu marido não está perdoando. Isso sim é grave. O perdão restaura a alma. Recompõe relacionamentos. Traz paz. A falta de perdão alimenta o ódio, nos afasta de Deus, nos assemelha ao Diabo.

Tente conversar e orar junto com ele. Como vocês se relacionarão sexualmente cheios de mágoa, rancor e ressentimento um com o outro? É preciso zerar tudo. Como? Pedindo perdão.  Perdoando. Conversando. Buscando aconselhamento em amor. Sua liderança não tem o direito de julgar ou condenar ninguém, tem de trabalhar no sentido de reconduzir vocês ao caminho de onde saíram.

Oro por você, minha irmã, para que tenha a sabedoria da mulher virtuosa de Pv 31. Lembre-se que a mulher sábia edifica o lar. Seja sábia. Aja e reaja com maturidade às ofensas de seu marido. Lembre-se que o filho de vocês ficará marcado pelo resto da vida pelo que vocês dois fizerem agora. Seja modelo para seu filho, por mais que seu marido não seja.

Recomendo que você assista junto com seu marido a essa pregação de Paul Washer, é magnífica e bíblica: http://youtu.be/uEugHA8R6qg. Faça a coisa certa, que não necessariamente é a mais fácil.”

IRMÃ:
“Acho que sou rebelde….pois sei de tudo que está na Biblia….e não consigo aceitar que tenho que escolher ficar com meu marido….Não tenho ódio, de verdade…perdoo o que ele anda fazendo….a única coisa é que não quero mais conviver com ele….Ele  não tem a alternativa de se separar de mim? Já que é a parte ofendida?”

RESPOSTA:
“E por que vc quereria isso? Celibato eterno? Biblicamente não é o melhor.”

IRMÃ:
“Difícil…..mas entendo que seguir Jesus nunca seria fácil….Que Deus me ajude e me direcione…acredito que Deus é um Deus de milagres…..mas sinceramente, não sei se Deus vai conseguir trabalhar em mim…pois reconheço que sou muito dura de coração…:(

Agradeço suas palavras  e conselhos Mauricio…ore por mim, por nossa família…. Deus continue abençoando sua vida…Continuo lendo seus posts….aliás, são muito abençoados e abençoadores! Paz esteja contigo e sua família…”

Finalmente, após muito tempo sem ter notícias, semana passada recebi este e-mail da irmã:

div1IRMÃ:
“Bom dia, irmão Mauricio
Venho trazer notícias, boas notícias…
A tempestade passou, e confesso. ..que tempestade tenebrosa!
Conseguimos passar por ela, não ilesos, mas com certeza, mais maduros e com a certeza do grandioso amor de Deus.
Hoje entendo que estive cega, nas mãos do inimigo, satisfazendo as vontades dele e quase perdi o meu maior tesouro:  minha família.
Mas Deus nos resgatou, me resgatou e estou vivendo a volta ao meu primeiro Amor.
E você é parte contribuinte de todo esse processo, junto com muitos outros irmãos que se juntaram nesta causa.
E acredito que Deus sorriu quando decidimos voltar atrás e reconstruir nossa família.
Que Deus sorriu quando Ele estava pegando meus pecados e lançando ao mar do esquecimento diante ao meu arrependimento.
Nós somos feitos à semelhança Dele…então…Ele sorri,  como nós. ..como eu sorrio agora, porque vejo o sorriso do meu filho quando me vê junto ao meu marido.E meu marido sorri porque tem a mulher que ele diz amar ao seu lado. ..
Assim como vc deve estar sorrindo ao ler este email da pessoa que um dia pediu ajuda, sem ao menos saber quem vc era e vc decidiu ajudar sem saber quem eu sou, simplesmente por amor de irmãos,  unidos por Cristo, por um Deus que nos ensinou o que era o amor verdadeiro.
Como Deus não haveria de sorrir numa situação dessas? !
[...] Agradeço pelo seu tempo, que não foi perdido, pois o resultado está neste email.
No amor de Cristo”.

cruz-cristo-jesus-pascoa-deusA você, que teve paciência de ler este post tão longo, peço a Deus que a história dessa irmã ajude a lhe dar esperança. Lembre-se que, não importa quão graves foram os pecados envolvidos no seu casamento, se você se dispuser a buscar a restauração e confiar em Deus… tudo mais ele fará.

Todo casamento pode ser restaurado. Todo. Deus não realiza o impossível dia sim, dia não: ele é onipotente a todo momento. Ele pode tudo. Ele pode pegar o seu casamento em ruínas e construir a partir dos escombros um lar cheio de alegria, paz e respeito.

Você crê nisso? Deus crê.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Mauricio

pro1Se o Diabo tivesse um livro sagrado, acredito que nele haveria um versículo que diria: “Não deixe para amanhã o que você pode fazer… depois de amanhã”. Digo isso porque o ser humano tem uma forte tendência a empurrar com a barriga decisões importantes que precisa tomar – o que, em se tratando de vida espiritual, é muito prejudicial. Por isso, devemos refletir e nos disciplinar para mudar essa estranha atração que temos pelo “deixar para depois”. A procrastinação (o ato de adiar ações ou decisões) torna-se, assim, um mal a ser combatido. Se você percebe que, na lista da sua vida, há mais itens na coluna das “coisas a fazer” do que na de “dever cumprido” é hora de acender a luz vermelha e tomar alguma atitude para reverter essa situação.

Claro que cada pessoa sabe em que precisa melhorar. Mas existem áreas de nossa vida em que o problema é mais comum e, por isso, merecem mais atenção.

pro2O grande mal de nossa época é a falta de amor ao próximo. Não é por acaso que o primeiro campo em que estamos sempre procrastinando é no exercício do amor – nas suas mais variadas formas. Existem multidões de pessoas ao nosso redor, na igreja e fora dela, que estão solitárias, carentes, tristes, deprimidas, infelizes, à espera de alguém que se aproxime com uma palavra amiga, um ombro acolhedor ou, simplesmente, com presença e calor humano. Nós, filhos de uma era em que só cuidamos de nós mesmos e, no máximo, de nossa família, fechamos os olhos a elas. Sabemos que existem, vemos seu semblante abatido, mas… o que fazemos por essas tristes almas? Ou delegamos a outras pessoas a tarefa de amá-las ou deixamos para depois tudo aquilo que poderíamos fazer por elas mas não fazemos. “Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força. O segundo é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” (Mc 12.30-31). Temos cumprido esse mandamento? Se você estivesse mal, precisando de amor, gostaria que o próximo ficasse adiando o momento de vir até você para abraçá-lo e perguntar: “Onde dói a tua dor?”. Então o que você está esperando para começar a amar o próximo de fato e não só de boca?

pro3Outra área em que falhamos de forma atroz é no compartilhar o amor de Deus. Estou falando de evangelismo. E esqueça aquele imagem de pessoas nas ruas abordando outras com folhetos nas mãos, essa é apenas uma das formas de evangelizar e nem de longe é a mais eficiente. Não existe nenhuma outra maneira mais eficaz de pregar o evangelho do que a proclamação do amor de Cristo junto àqueles que convivem conosco, no dia a dia, na convivência pessoal. Mas, seja por vergonha, seja por crer que há ainda tempo de sobra, seja por que razões for, aqueles que receberam a ordem de ir, fazer discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que Jesus nos ordenou (Mt 18.19-20)… simplesmente a ignoram. E, assim, por culpa de nosso espírito procrastinador, deixamos de cumprir a grande comissão. O problema é que, se não pregarmos, meu irmão, minha irmã, muitos irão para o inferno.

pro4Procrastinamos não só ações de evangelismo, mas também projetos de edificação no nosso próximo. De que forma você gostaria de contribuir para abençoar o Corpo de Cristo e os não cristãos? Visitando orfanatos? Indo a casas de repouso? Criando um blog na internet? Escrevendo um livro? Ensinando? Intercedendo? Voluntariado-se em alguma instituição filantrópica? Alimentando quem tem fome e saciando quem tem sede? Apadrinhando uma criança pela Visão Mundial? Construindo casas para os desabrigados? Como, afinal? Se você tem planos, sonhos ou vontades nessa área… o que está esperando? O próximo precisa de você hoje, não depois de amanhã. “Então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me hospedastes; estava nu, e me vestistes; enfermo, e me visitastes; preso, e fostes ver-me” (Mt 25.34-36).

pro5Procrastinamos, ainda, o abandono dos pecados. Sabemos que estamos errados, o Espírito Santo nos incomoda diariamente, mas agimos como se disséssemos a Deus: “Senhor, me deixa pecar só mais um pouquinho, vai. Tá tão bom, amanhã eu me arrependo, peço perdão e deixo, tem tempo…”. O pecado é como um leão que devora a nossa alma constantemente, um pedaço por vez. Imagine a dor e o dano que provoca uma fera arrancando pedaços de você a cada dia. Mas procrastinar o abandono do pecado é como se pensássemos “Deixa esse leão comer mais um pouquinho do meu fígado, amanhã eu tento afastá-lo”. Chega a ser surreal cogitar isso. Mas é exatamente o que fazemos quanto ao pecado. O perigo é adiarmos tanto a expulsão dessa besta que, daqui a pouco, não sobrará nada da nossa carne – e sabe o que é um ser humano sem carne? Um cadáver. Jesus disse: “Se eu não viera, nem lhes houvera falado, pecado não teriam; mas, agora, não têm desculpa do seu pecado” (Jo 15.22). Até quando você vai continuar escravizado por pecados recorrentes e adiar o abandono das suas transgressões?

pro6Também procrastinamos o estudo das coisas de Deus. Queremos servir Jesus, amamos o Senhor, mas deixamos sempre para algum dia o aprofundamento na compreensão acerca de quem ele é, de qual é a sua ética e montes de informações que nos fariam cristãos mais maduros e íntimos de Cristo. Mas procrastinamos nossa entrada no seminário; deixamos sempre para o ano seguinte o plano de ler a Bíblia inteira; acumulamos pilhas de livros cristãos em cima do móvel. na expectativa de começar a ler no dia seguinte… estamos sempre priorizando outras atividades e deixamos o estudo das coisas concernentes a Deus para um futuro que nunca chega.

Uma das atitudes mais destrutivas espiritualmente é a hostilidade entre irmãos. A gravidade desse mal não está somente em seu poder destruidor, mas em sua frequência entre nós. pro8Irmãos em Cristo se ofendem, se agridem, se prejudicam, fazem o mal uns aos outros e fica tudo por isso mesmo. Seja por orgulho, seja por um entendimento errado acerca do perdão, seja por que razão for, muitos de nós criam barreiras entre si e vivem deixando para depois o ato de pedir perdão a quem ofendeu ou de perdoar quem o ofendeu. “Se você estiver apresentando sua oferta diante do altar e ali se lembrar de que seu irmão tem algo contra você, deixe sua oferta ali, diante do altar, e vá primeiro reconciliar-se com seu irmão; depois volte e apresente sua oferta” (Mt 5.23-24). Honestamente: qual de nós verdadeiramente faz isso de imediato? Adiar a reconciliação pode ter efeitos drásticos: “Se perdoarem as ofensas uns dos outros, o Pai celestial também lhes perdoará. Mas se não perdoarem uns aos outros, o Pai celestial não lhes perdoará as ofensas” (Mt 6.14-15).

pro7Mais uma área em que a procrastinação ocorre de forma espiritualmente prejudicial é na vida daqueles que foram chamados pela voz da graça, viveram em comunhão com o Senhor e, por alguma razão, se afastaram. Imersos nos prazeres deste mundo, nunca deixaram de saber a verdade, de ouvir a voz do Espírito Santo e de ter – lá no fundo – a convicção de que um dia retornariam ao aprisco do Bom Pastor. Mas ficam adiando, adiando, adiando e, nessa procrastinação, seguem distantes de Jesus. A quem procede assim, “Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?” (Lc 12.20). Jesus, aliás, foi bem enfático ao tratar deste ponto. Quando um jovem o abordou com a proposta de procrastinar sua adesão à causa de Cristo, veja o que ocorreu: “Outro discípulo lhe disse: ‘Senhor, deixa-me ir primeiro sepultar meu pai’. Mas Jesus lhe disse: ‘Siga-me, e deixe que os mortos sepultem os seus próprios mortos’.” (Mt 8.21-22).

Esses são apenas alguns exemplos de áreas comuns em que os cristãos têm o hábito de procrastinar. Há muitas outras e convido você a refletir sobre isto: o que você tem adiado em sua vida e que tem prejudicado sua caminhada com Cristo? Seja o que for, procrastinar é uma atitude que pode destruir almas, afastar pessoas de Jesus, nos manter na ignorância sobre as coisas de Deus, deixar vidas em ruínas e… e tudo mais que há de pior na vida espiritual de uma pessoa. É uma atitude humana, mas que age com o poder destruidor de um demônio furioso. Reflita que benefícios e que malefícios esses constantes adiamentos têm provocado.

“A esperança que se adia faz adoecer o coração, mas o desejo cumprido é árvore de vida” (Pv 13.12). O desejo de Deus é que você não adie aquilo que é importante para ele. Será que você cumprirá o desejo do seu Senhor?

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

susto1Sabe quando algo ou alguém te dá um susto e você age por reflexo, dando um salto para o lado, abaixando a cabeça ou levantando as mãos para se proteger? Isso ocorre porque todo ser humano é condicionado a ter reflexos instantâneos e instintivos, de acordo com cada situação que se apresenta inesperadamente em seu caminho. Todos agimos por reflexo, adestrados que somos a tomar certas atitudes diante de circunstâncias específicas. O resultado é que, como somos fruto do meio em que vivemos, mesmo sendo cristãos não é raro fazermos escolhas mundanas – por puro reflexo. É nesse momento que entra em cena o Espírito Santo. Ele nos faz parar, pensar e ver que aquilo que fizemos não foi nada bonito. Ou seja, depois do reflexo vem a reflexão. Sob o poder de Deus, a reflexão acerca de reflexos equivocados pode nos levar a ter reflexos acertados no futuro. Para exemplificar o que estou dizendo, permita-me relatar um episódio que me aconteceu recentemente.

Entrei em uma loja de conveniências para sacar dinheiro. No exato momento em que estava no caixa automático, fui abordado por um adolescente, visivelmente muito humilde, sujo e mal vestido, que carregava uma caixa de engraxate.

- Tio, compra alguma coisa pra eu comer?

Você sabe como é: quando estamos digitando nossa senha, não gostamos de ter gente estranha por perto. Então eu, por reflexo, cobri o teclado com a mão e, sem nem ao menos olhar para o rapaz, por reflexo balbuciei qualquer coisa parecida com um “agora não”. Ele recuou e continuei a operação, torcendo que desistisse de mim e fosse abordar outra pessoa. Só que, no que terminei, me virei e dei de cara com ele, me esperando. Para piorar, vi que o jovem estava acompanhado de um menininho, possivelmente seu irmão. Tive apenas um segundo para decidir o que fazer. Você pode imaginar que, obviamente, como sou um bom cristão e escrevo sobre a fé num blog e em livros, eu agi da forma mais bíblica possível, amparando aquelas vidas e dando de comer a quem tinha fome, certo?

Errado.

Naquele segundo decisivo, agi por puro reflexo mundano. O Maurício cristão parecia ter evaporado. Em vez de abrir mão de mim, comprar alimentos para os dois e agir segundo a graça, a compaixão e o amor, eu, por reflexo, virei a cara, dei as costas e saí pela porta, deixando para trás aqueles dois seres humanos famintos.

susto2Eu poderia me justificar, usando o reflexo como desculpa para dizer que não tive oportunidade de consertar o erro – afinal, agi segundo um impulso condicionado e não havia como voltar atrás. Mas seria uma mentira. Pois, assim que saí da loja, tive de parar para atravessar a rua, uma vez que o sinal estava vermelho para os pedestres. E, naquele momento, não houve reflexo algum. Fiquei ali por, no mínimo, um minuto, parado. Na minha cabeça, uma sirene tocava, dizendo algo como “volte lá, seu egoísta sem compaixão, dê de comer a quem tem fome, seu cristão de meia tigela, avarento e servo de Mamom!”. Sim, eu tive tempo de sobra de girar sobre os calcanhares, voltar para a loja e comprar algo para aquelas duas vidas matarem a fome. Mas a verdade é que fiquei ali, estagnado. O sinal abriu e segui meu caminho.

Esse episódio aconteceu há quase dois meses, mas até hoje não sai da minha cabeça. De lá pra cá me peguei pensando muitas vezes: por que eu tomei aquela decisão? Por que não fiz o que Jesus nos disse para fazer? Por que não amei o meu próximo? Por que não dei de comer a quem tem fome e de beber a quem tem sede? Por que virei as costas para Cristo quando ele se apresentou para mim na forma de dois meninos carentes?

Creio que o mundano que habita em mim naquele momento falou mais alto do que o cristão que habita em mim. Eu reagi como o mundo reage, por reflexo. Agi segundo meus próprios interesses egoístas. E, depois, quando parei para pensar e tive tempo de reformular meus atos, não consertei meu erro, simplesmente segui a correnteza de acordo com o pensamento do mundo. Naquele momento, meu coração não estava em Cristo. Como Paulo explicou muito bem: “Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço” (Rm 7.19).

Eu e você vivemos isso muitas vezes. Como estamos no mundo, somos contaminados pelos valores e os padrões do mundo. E, quando somos pegos de surpresa, despreparados, se não estivermos encharcados do evangelho, vamos agir por reflexo – e reflexo mundano. Porque é fácil ser cristão ao final do culto, no ambiente eclesiástico, após passar duas horas vivendo a realidade da presença divina. Mas, no dia a dia, depois de ficar longos períodos com a mente apenas nas coisas deste século, corremos o sério risco de agir como cidadãos do mundo. Por isso é essencial imergirmos nas coisas de Deus todos os dias, seja pela oração, seja pelo estudo da Palavra, seja pelo jejum ou as demais disciplinas espirituais. Temos de estar em Cristo diariamente, a todo momento, ininterruptamente, sem trégua.

susto3Em certa ocasião, Jesus disse: “Em verdade vos digo: Quem não receber o reino de Deus como uma criança de maneira nenhuma entrará nele” (Mc 10.15). Já ouvi muitas interpretações acerca do que o Mestre quis dizer com isso. Entendo que uma criança ainda não teve tempo suficiente de ser influenciada pelo seu entorno. Meninos e meninas, embora carreguem o pecado dentro de si, ainda não foram condicionados a agir desta ou daquela maneira. Seus reflexos mundanos não estão estabelecidos. São diamantes brutos, puros. Nós, adultos, não: estamos altamente contaminados com maneiras de agir que nos ensinaram por aí. No caso específico, já ouvi tantas vezes que devemos ignorar os pedintes, reter esmolas e fugir de estranhos que pedem dinheiro que simplesmente me deixei levar por essas filosofias. Só que são filosofias humanas e não divinas. Deus manda amar, estender a mão, ajudar o necessitado, cuidar do pobre, amparar o desamparado. Não vejo na Bíblia Jesus dizer o que já ouvi incontáveis vezes, de diferentes pessoas: que não devemos dar esmolas porque, se o fizermos, estaremos estimulando a mendicância. O que o Senhor disse foi: “Então, o Rei dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos. Porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber…” (Mt 25.41-43).

Minha filha acabou de completar 3 anos. Minha esposa, que é infinitamente mais generosa do que eu, propôs que era hora de ela dar parte de seus muitos brinquedos a crianças carentes. Chamamos a pequena, lhe explicamos a ideia e minha filhinha, sem pestanejar, separou alegremente para doarmos muitos de seus bens, de bonecas ao seu velocípede. Confesso que, ao ver a bondade do coração da minha filha, me lembrei do episódio da loja de conveniências e senti vergonha de mim. “Quem não receber o reino de Deus como uma criança de maneira nenhuma entrará nele”… Tenho buscado aprender mais sobre o reino de Cristo observando minha pequenininha. Em especial, tentando reagir mais como Jesus reagiria e não como o mundo me ensinou. Mudar meus reflexos.

susto4Mas há um aspecto interessante nessa história. Depois de tudo o que relatei, há pouco tempo eu estava em um restaurante no Leblon (bairro nobre do Rio) e entrou pela porta uma menina pedindo comida. Imediatamente o gerente quase voou em cima dela para expulsá-la. Meu reflexo, naquele momento, foi totalmente diferente do fiasco na loja de conveniência: pedi ao gerente que a deixasse se aproximar e dei a ela uma parte de nossa comida. Minha filha observou minha atitude e espero que isso contribua para desenvolver nela reflexos cristãos nas situações inesperadas. Quando a garotinha saiu, eu estava com paz no coração e, sinceramente, feliz. Não posso voltar atrás e alimentar aqueles dois meninos da loja de conveniências, nem mesmo sei seus nomes ou o que aconteceu a eles. Mas ficou o duro aprendizado. E oro a Deus que todos os meus amargos fracassos espirituais sirvam para aprimorar meus reflexos em Cristo.

Você errou? Cometeu deslizes dos quais se arrepende amargamente? Ou mesmo acha que, de tanto ter errado, não tem jeito para você? Então espero que minha experiência e minha atitude vergonhosa o ajudem a ver que é totalmente possível aprender com os erros, se aprimorar e desenvolver reflexos baseados nos valores do evangelho, para que, no futuro, você reaja ante as circunstâncias inesperadas da vida da mesma forma que Jesus reagiria.

E, assim, eu e você estaremos a cada dia mais próximos de refletir a glória de Deus para este mundo tão faminto de graça e amor.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Natal1Natal não tem como foco dar presentes, muito menos falar sobre Papai Noel ou decorar sua casa com luzes e enfeites – tudo isso é o padrão do mundo. A Bíblia nos conclama: “Não se amoldem ao padrão deste mundo” (Rm 12.2). Natal é momento de celebrarmos apenas um único fato: “Cristo Jesus [...] embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens. E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até a morte, e morte de cruz!” (Fp 2.5-8). E isso ocorreu “porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. Pois Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que este fosse salvo por meio dele” (Jo 3.16-17). É isso que celebramos.

Por que é importante anualmente trazer à memória o nascimento de Cristo? Porque importa “trazer à memória o que me pode dar esperança” (Lm 3.21). E, mediante essa esperança, Paulo nos exorta: “Alegrem-se na esperança” (Rm 12.12), logo, Natal é período de alegria e celebração! Natal2E celebração por algo extraordinário, o fato de que “um menino nos nasceu, um filho nos foi dado, e o governo está sobre os seus ombros. E ele será chamado Maravilhoso Conselheiro, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz. Ele estenderá o seu domínio, e haverá paz sem fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, estabelecido e mantido com justiça e retidão, desde agora e para sempre” (Is 9.6-7). Assim, celebrar o nascimento do “Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (Jo 1.29) é também se lembrar do que isso significa para o nosso futuro: que, naquele grande dia, “o próprio Deus estará com eles e será o seu Deus. Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem já passou” (Ap 21.3-5).

A ocasião do Natal deve direcionar nossos pensamentos para a Palavra que “estava com Deus, e era Deus [e] estava com Deus no princípio” (Jo 1.1-2). Não para o feriado, a Ceia, os presentes, as férias ou o que for, pois isso não é nem de longe o foco. Minha sugestão? Celebre o Natal pensando em Cristo e nas consequências da vinda dele à terra. Eu recomendaria comemorar a data com algumas atitudes que tomam como ponto de partida muito do que foi dito no episódio do nascimento de Cristo:

1. Renove sua fé – lembrando, como disse Gabriel, que “nada é impossível para Deus” (Lc 1. 37). Você tem vivido de fato como quem crê que o seu Deus pode tudo?

2. Renove sua entrega a Deus – lembrando, como disse Maria, que importa que “aconteça comigo conforme a tua palavra” (Lc (1.38). Você tem de fato priorizado a vontade de Deus em tudo, amando  “o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todas as suas forças e de todo o seu entendimento [e amando] o seu próximo como a si mesmo” (Lc 10.27)? Tem buscado de fato “em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça” Mt 6.33)?

3. Adore ao Senhor – assim como disse Maria, que seus lábios digam “Minha alma engrandece ao Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador” (Lc 1.47). Você tem de fato adorado a Deus “em espírito e em verdade” (Jo 4.24)?

4. Confie que a graça de Deus está presente em sua vida – por saber, como disse Maria, que “A sua misericórdia estende-se aos que o temem, de geração em geração” (Lc 1.50). Você tem vivido como quem sabe que a compaixão de Deus é absoluta para aqueles que o buscam em arrependimento? Ou tem se deixado levar pela mentira de que não há perdão para você, quando a Bíblia deixa claro que “O Senhor é compassivo e misericordioso, mui paciente e cheio de amor.  Não acusa sem cessar nem fica ressentido para sempre; não nos trata conforme os nossos pecados nem nos retribui conforme as nossas iniquidades. Pois como os céus se elevam acima da terra, assim é grande o seu amor para com os que o temem; e como o Oriente está longe do Ocidente, assim ele afasta para longe de nós as nossas transgressões. Como um pai tem compaixão de seus filhos, assim o Senhor tem compaixão dos que o temem; pois ele sabe do que somos formados; lembra-se de que somos pó” (Sl 103.3-5; 8-14)?

5. Lembre-se de que a presença de Jesus traz alegria - como disse o anjo aos pastores, “estou lhes trazendo boas novas de grande alegria” (Lc 2.10). Será que você tem vivido a alegria que é “fruto do Espírito” (Gl 5.22-23)? Aquela que vem “porque seus nomes estão escritos nos céus” (Lc 10.20)? Você deixa seu ânimo se guiar mais pela tristeza causada pelas dificuldades da vida ou pela alegria causada pelo fato de que Jesus te deu a vida eterna?

6. Reflita sobre quem é Jesus – como o anjo disse aos pastores, “Hoje, na cidade de Davi, lhes nasceu o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lc 2.11). Você consegue compreender o profundo significado prático e objetivo de ter sido escolhido e chamado por aquele que salva e que é Senhor de todo o universo?

7. Glorifique a Deus – como os anjos cantaram, “Glória a Deus nas alturas” (Lc 2. 14). Você tem glorificado o Senhor não só com os lábios, mas com cada atitude sua?

8. Pense em como você tem contribuído para a paz entre as pessoas - como os anjos cantaram, “paz na terra aos homens aos quais ele concede o seu favor” (Lc 2.14). Você tem sido um bem-aventurado pacificador (Mt 5.9), alguém que transborda a paz que é “fruto do Espírito” (Gl 5.22-23), ou tem sido agressivo, promovido discórdias, usado a língua para o mal, feito intrigas, inflamado corações, estimulado conflitos, alimentado polêmicas, se deleitado em controvérsias?

9. Analise o quanto vale sua vida hoje – como disse o velho Simeão, “Ó Soberano, como prometeste, agora podes despedir em paz o teu servo” (Lc 2.29). Você seria capaz de dizer hoje mesmo a Deus que pode partir em paz desta vida, porque o tempo que passou sobre a terra já valeu a pena? Tem vivido cada dia como se fosse o último? Tem abençoado o próximo? Tem perdoado? Tem edificado vidas? Tem deixado um legado? Viveu seus anos amando, ajudando, abençoando, entregando-se, devotando-se? Em resumo, sua vida já deu frutos dignos de serem apresentados diante do Criador? Se não… o que está esperando?

A encarnação de Cristo nos conduz a muitas reflexões. Mas refletir não basta, se apenas pensarmos e não tomarmos nenhuma atitude a partir das conclusões a que chegamos. Algo ainda não está bom? Precisa melhorar? Necessita galgar novos patamares? A hora é esta.

E que, acima de tudo, o Natal sirva para lembrar da verdade máxima da vida: “Pois dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele seja a glória para sempre!” (Rm 11.36).

Amém.

Paz a todos vocês que estão em Cristo. E um Natal feliz e cheio da maravilhosa graça,
Maurício