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paciencia1Vivemos dias de grande impaciência. A fila do supermercado nos irrita; esperar mais do que trinta segundos pelo download nos chateia; o engarrafamento nos transtorna; “KD VC?!”, cobramos, pelo celular, da pessoa que ainda não chegou onde marcamos; meu Deus, nove meses para nascer o bebê! Não sabemos mais esperar. Em poucas décadas, a humanidade aprendeu que tudo está ao alcance de um botão, que a food pode ser fast, que a pipoca de microondas estoura mais rápido, que um clique do mouse resolve tudo na hora; que esperar é perder tempo. Só que não temos tempo a perder! Aliás, tempo temos, nós é que não queremos mais perder tempo. Tudo é pra já. Nada mais em nossa vida nos treina para sermos pacientes, pelo contrário, a rapidez de tudo nos adestra, na verdade, para sermos especialistas em impaciência. Não sabemos esperar com tranquilidade. Infelizmente, a cultura do “é pra ontem” tem cobrado um preço alto de nossa vida espiritual e de nosso relacionamento com Deus.

“Esperei com paciência no SENHOR, e ele se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor” (Sl 40.1). As palavras do salmista soam bastante fora de moda, pois esperamos com cada vez menos paciência que Deus cumpra seus propósitos. Oramos sempre na expectativa de uma cura instantânea – se ela vier daqui a uma semana é porque o Onipotente está meio fora de forma. Barganhamos fé em troca de pressa. Seis meses desempregado? Que Deus é esse? A oração precisa ter resposta imediata. O amor que ainda não apareceu? Anda logo, Onipotente! O parente que ainda não foi salvo? Acho que não tem mais jeito para ele. Chegamos ao Senhor como quem chega ao balcão do McDonald’s, exigindo uma bênção crocante e quentinha – se chegar fria ameaçamos mudar para a concorrência, como muitos que abandonam o evangelho porque não foram atendidos na hora em que queriam. Nossa impaciência tem nos levado a viver um cristianismo bem diferente daquele que a Bíblia ensina. É o cristianismo do Deus express.

paciencia2Só que o Deus da Bíblia não é assim e seus servos não devem esperar que ele seja de outro jeito. Na vida de Abraão, por exemplo, sempre destacamos a sua fé, mas o autor de Hebreus mostra que a paciência foi indispensável para o êxito do patriarca: “E assim, depois de esperar com paciência, obteve Abraão a promessa” (Hb 6.15). Queremos que a promessa se cumpra, mas não temos paciência de esperar por ela. Fé, meu irmão, minha irmã, é algo ligado intimamente à paciência. Paulo deixou isso claro: “Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o aguardamos” (Rm 8.25). Não basta ter fé se ela só durar até o limite da paciência. Entenda que ter fé significa ter a certeza de algo que virá (Hb 11.1) e, se é uma certeza, você espera por toda a eternidade que ocorra. Fé que acaba ou que se abandona depois de algum tempo não é fé, pois certeza implica em paciência para se aguardar quanto tempo for preciso.

Paciência não é uma opção em nossa vida espiritual: ela é indispensável. O cristão que não sabe esperar com paz no coração aquilo que almeja acabará vivendo crises difíceis. Pois ter paciência significa ser capaz de tolerar contrariedades, dissabores e infelicidades. É esperar o que se deseja em sossego e com perseverança. “Mas, se somos atribulados, é para o vosso conforto e salvação; se somos confortados, é também para o vosso conforto, o qual se torna eficaz, suportando vós com paciência os mesmos sofrimentos que nós também padecemos” (2Co 2.1-6).

paciencia3Paciência, aliás, faz parte da essência do Senhor: “Ora, o Deus da paciência e da consolação vos conceda o mesmo sentir de uns para com os outros, segundo Cristo Jesus (Rm 15.5). Que expressão linda: “Deus da paciência”. Não é de se espantar que uma das virtudes do fruto do Espírito seja, exatamente, paciência (Gl 5.22-23), pois, para nos conformarmos à imagem de Cristo, precisamos ter em nós aquilo que ele é. E é fundamental lembrar sempre que fazemos parte de um povo que baseia toda sua crença religiosa numa esperança que exige de nós paciência: “Sede, pois, irmãos, pacientes, até à vinda do Senhor. Eis que o lavrador aguarda com paciência o precioso fruto da terra, até receber as primeiras e as últimas chuvas. Sede vós também pacientes e fortalecei o vosso coração, pois a vinda do Senhor está próxima. Irmãos, não vos queixeis uns dos outros, para não serdes julgados. Eis que o juiz está às portas. Irmãos, tomai por modelo no sofrimento e na paciência os profetas, os quais falaram em nome do Senhor. Eis que temos por felizes os que perseveraram firmes. Tendes ouvido da paciência de Jó e vistes que fim o Senhor lhe deu; porque o Senhor é cheio de terna misericórdia e compassivo” (Tg 5.7-11). Se não tivermos paciência para esperar pelo retorno do Senhor, de que adianta tudo o que vivemos?

Sei que eu e você fomos criados para viver em uma sociedade que não sabe esperar, que deseja tudo para ontem, que tem respostas e comodidades a um botão de distância. Mas o evangelho nos convida a contrariar essa ideia. Se queremos viver plenamente segundo a esperança que nos foi proposta, precisamos aprender a esperar com paz na alma. A respirar fundo e deixar Deus ser Deus, isto é, a agir no tempo que tem planejado. É por ser impacientes que muitos de nós enfiamos os pés pelas mãos e, tal qual Saul sacrificou sem ter esperado a chegada de Samuel, agimos precipitadamente e tomamos escolhas erradas – com consequências que podem ser desastrosas. Muitas vezes, temos de abrir mão de algo por anos se desejamos que Deus aja. O preço da impaciência costuma ser muito alto.

A Bíblia nos mostra que o Senhor age quando quer agir e não quando nós queremos. Jesus não chegou à casa de Lázaro quando Marta e Maria queriam, mas quando o defunto já cheirava mal. Embora não parecesse aos homens, era o momento certo para Deus. O cativeiro babilônico durou 70 anos. A escravidão no Egito, 400. Às vezes, o calendário divino demanda bastante tempo. Entre a primeira e a segunda vindas de Jesus já se passaram mais de dois mil anos, e a ampulheta segue escorrendo areia. Por que essa ansiedade toda? Por que essa impaciência toda? Você não confia? Será que Deus não é a melhor pessoa para dizer a hora certa de algo acontecer?

paciencia4Calma. Paciência. Paciência, meu irmão, minha irmã. Deixe-se guiar sempre pelas palavras de Davi: “Entrega o teu caminho ao SENHOR, confia nele, e o mais ele fará. Fará sobressair a tua justiça como a luz e o teu direito, como o sol ao meio-dia. Descansa no SENHOR e espera nele [...] Deixa a ira, abandona o furor; não te impacientes…” (Sl 37.5-8). Que o Deus da paciência acalme o seu coração, a fim de que você olhe cada vez menos para o relógio e cada vez mais para a cruz.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Futebol e religiãoA Copa do Mundo começou. Assisti a um excelente programa de televisão estrangeiro, em que o apresentador John Oliver analisa esse evento de forma coerente e divertida. Se você fala inglês, recomendo assistir ao vídeo inteiro, é muito bom (veja AQUI). O que mais me chamou a atenção foi a explicação que Oliver dá ao fato de que, apesar dos inúmeros absurdos envolvidos na realização desta Copa e dos descalabros praticados pela FIFA, ainda assim as pessoas estão empolgadas com a competição e ansiosas pelos jogos. Para ele, a razão é que “futebol é como uma religião”. Fiquei pensando sobre isso e gostaria de compartilhar algumas reflexões sobre o assunto. O que leva alguém a comparar um simples esporte a algo tão sublime, transcendente e celestial como uma religião? (E entenda que me refiro a religião como o religare do homem com Deus e não a um sistema engessado de práticas e liturgias. Se desejar entender melhor essa diferença você pode ler este post).

Primeiro, porque a fé religiosa é algo que mexe com o mais íntimo de nosso ser, desperta paixões, produz debates acalorados. A religiosidade afeta tudo em nós: influencia nossos valores, pensamentos, ações; enfim, tudo aquilo que somos e fazemos. Isso é bem visível, também, no futebol: quem aprecia veste a camisa e a defende como a um manto sagrado. Por exemplo, é preciso muita paciência para lidar com torcedores que, toda segunda-feira, parece que não têm assunto além do jogo da véspera. Durante certo tempo, um vizinho invariavelmente encontrava comigo no elevador e engrenava uma conversa animadíssima sobre o mais recente desempenho do Flamengo. “E o mengão, hein, rapaz, que garfada!” E eu: “É… am-ham…”, com aquele sorriso amarelo no rosto e sem fazer ideia do que ele estava falando. No dia em que confessei a ele que não acompanho futebol e não assisto a jogos, nossos próximos encontros passaram a ser sempre silenciosos – parecia que, se não fosse para falar de bola, não havia assunto. Deixei de ser um bom papo para ele, uma vez que futebol era o que mexia com tudo à sua volta. E não foram poucas as vezes em que fiquei avulso em rodinhas de amigos amantes do esporte bretão, tão inteirado eu estava acerca do que eles falavam como uma girafa numa conversa sobre física quântica.

Brazilian attorney, Nelson Paviotti, poses with his two Volkswagen Beetles painted with the colors of the national flag in CampinasSegundo, porque futebol e religião criam fanáticos. Assisti a um vídeo recentemente de um advogado (foto) que fez a promessa, em 1994, de só se vestir de verde e amarelo pelo resto da vida caso a seleção brasileira fosse campeã. Dito e feito. Agora, ele promete só comer alimentos que tenham essas cores caso a seleção vença. Fiquei chocado. Mas o fanatismo está aí, e veio para ficar. É o crente que se torna um chato, por exemplo, por querer impor sua fé de qualquer modo aos não cristãos, sem compreender que quem converte é o Espírito Santo e não a nossa insistência. Fanatismo tem um quê de desequilíbrio. É diferente de ser radical. O radical é alguém equilibrado, que não negocia aquilo em que acredita por ter raízes muito bem fincadas no que crê; já o fanático é quem transborda sua fé de forma exuberante e, muitas vezes, excêntrica e, até mesmo, incômoda para quem está em volta. Radicalismo é elegante, fanatismo é extravagante. No futebol, o fanatismo por vezes torna-se assustador. Da última vez que fui ao Maracanã, para acompanhar parentes que moram no exterior, tive de sair com minha filha pequena das cadeiras e ir passear perto das lanchonetes, de tão assustada que ela ficou com os gritos, os gestos agressivos e os palavrões berrados pelos fanáticos que nos rodeavam.

EstatuaTerceiro, porque futebol e religião têm a capacidade de conduzir pessoas desequilibradas a um passo além do fanatismo, que é a intolerância. Você pode ser fanático por algo sem que isso te torne alguém agressivo a quem pensa diferente de você. Há o que poderíamos chamar de “fanáticos do bem”, ou seja, aqueles que são extremamente emotivos quanto ao que amam, mas que não fazem mal a quem pensa diferente de si. Já os intolerantes são os “fanáticos do mal”. Muitos se tornam irracionais, como os vândalos que recentemente quebraram e urinaram em uma estátua da Virgem Maria, um absurdo fruto de ignorância e da falta de entendimento acerca do que é o evangelho da graça e da paz. No futebol, isso também é assim. Torcedores espancam e matam seres humanos que torcem para outro time simplesmente porque… bem, porque torcem para outro time. A intolerância leva pessoas a agredir outras somente porque se enganaram e entraram com a camisa do outro time no meio da torcida organizada, assim como leva cristãos desequilibrados a agredir homossexuais e espíritas. Em ambos os casos, a intolerância fere o princípio do amor e o da graça.

Há outros pontos que identificam futebol e religião, mas, para não me alongar demais, eu gostaria de tratar de um aspecto que, em vez de assemelhar o futebol à religião, os diferencia: a racionalidade. E acredito que foi nesse ponto que John Oliver se baseou em seu programa para fazer a comparação entre futebol e religião. Na visão dele (e na de muitos), tanto o esporte quanto as crenças religiosas seriam alimentados por irracionalidade. Só que isso não é verdade. Sem racionalidade, a fé cristã não é fé cristã.

BrasilO amor pelo futebol, em qualquer nível, é irracional. Seja você um saudável e comedido apreciador desse esporte ou um intolerante e agressivo torcedor, seu envolvimento com o time do seu coração não se dá de forma racional. Eu explico: você saberia racionalizar por que torce para este ou aquele time? Será que é porque ele é o melhor de todos? Bem, o campeão de hoje estará na segunda divisão amanhã, então o conceito de “melhor” é relativo. A verdade é que você torce para quem torce por razões emocionais e não racionais. Como alguém que se apaixona por um amor impossível, você se apaixonou por uma equipe e passou a torcer por ela sem que haja uma explicação lógica imediata – talvez tenha adotado como seu o time que era de seus pais, por exemplo, ou vai ver que gostou das cores da camisa na sua infância. Não se sabe exatamente o que leva alguém a escolher este ou aquele time para ser o seu. Se não fosse assim, eu não teria torcido para a seleção brasileira até 1994, quando a vi ser campeã pela primeira vez. Eu e você torcemos para o Brasil porque tem a ver com a nossa relação emocional com nossa pátria.

leitura biblicaNa religião, entretanto, se as decisões são irracionais, isso só vai gerar problemas – em todos os âmbitos. “Estejam sempre preparados para responder a qualquer pessoa que lhes pedir a razão da esperança que há em vocês. Contudo, façam isso com mansidão e respeito, conservando boa consciência, de forma que os que falam maldosamente contra o bom procedimento de vocês, porque estão em Cristo, fiquem envergonhados de suas calúnias. É melhor sofrer por fazer o bem, se for da vontade de Deus, do que por fazer o mal” (1Pe 3.15-17). Repare: “razão da esperança”. Pedro está falando de racionalidade. A fé necessariamente tem de ter um componente racional. A sua conversão aconteceu no dia em que a graça de Deus se manifestou em sua vida e o Espírito Santo conduziu você a perceber, racionalmente, que o evangelho faz sentido. O teólogo Anselmo de Cantuária (1033-1109) apontou dois conceitos que se tornaram célebres na história do pensamento cristão: Credo ut intelligam (“creio para que possa entender”) e Fides quaerens intellectum (“a fé em busca de compreensão”). Com isso, Anselmo quis dizer que a tarefa da teologia é mostrar que crer é também pensar, ou seja, que não há uma oposição entre fé e reflexão intelectual (embora a fé tenha lugar de primazia). O que isso significa? Que não há como afastar a fé da racionalidade. Você crê porque Jesus e as boas-novas da salvação fazem sentido para você. Quando Paulo escreveu que “a mensagem da cruz é loucura para os que estão perecendo, mas para nós, que estamos sendo salvos, é o poder de Deus” (1Co 1.18), estava mostrando que o cristianismo não faz sentido para os que não são salvos, mas, para nós, é totalmente compreensível e nos soa até estranho que alguém não creia no que nós cremos.

Se passarmos a viver nossa fé de modo irracional, isso criará enormes distorções. Passaremos a acreditar em falsas doutrinas, adotaremos práticas bizarras em nossos cultos, agiremos de modo diferente do que a Bíblia nos orienta a agir, nos comportaremos de modo antibíblico com o próximo… são muitos os absurdos que podem ser praticados pela irracionalidade religiosa. Por isso, é extremamente necessário que nossa fé siga a lógica bíblica – pois fora da Bíblia a fé torna-se ilógica. E, se é ilógica, não é fé cristã. Muitos dizem que não há lógica em se ter fé, mas isso não é verdade. Há a lógica do mistério. Seguimos um Cristo que revelou seus mistérios até o limite que poderíamos compreender (observe que “compreender” exige racionalidade). Se assim não fosse, não poderíamos conhecer a vontade de Deus por meio de um livro. Pois leitura é um processo lógico e racional. Tudo o que propõe uma vida cristã baseada em pressupostos irracionais do ponto de vista bíblico… não é bíblico. Logo, não é cristianismo.

Amor ao proximoReligião e futebol têm, sim, muito em comum. Mas a nossa religião exige de nós um conhecimento bíblico que gera o equilíbrio. E esse equilíbrio vem mediante a prática do amor, da graça, da justiça, do perdão, da reconciliação e de muitas outras virtudes que o evangelho destaca. Por isso é tão importante estudarmos a Palavra. Se apenas vivermos a fé sem nos aprofundarmos em seu aspecto racional, acabaremos urinando em estátuas da Virgem Maria e nos tornando a “torcida organizada de Jesus”, que vive aquilo em que crê de forma ignorante, intolerante e irracional, espancando os diferentes e agredindo os que nos agridem. Se não vivenciarmos a fé racional, nos uniremos aos que tacam coquetéis molotov, paus e pedras nos que não concordam conosco. A História da Igreja mostra que esse é um caminho que leva para longe, muito longe, do único Caminho.

A Copa está começando. Vivamos este momento com amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio (Gl 5.22-23). Vivamos a alegria do jogo junto com a irritação por tudo o que a realização dessa competição gerou em termos negativos, mas vivamos racionalmente, controladamente, com equilíbrio, como seguidores de Jesus e à luz dos ensinamentos bíblicos. Porque não há nenhum outro modo de se conformar à imagem de Cristo neste momento que não seja agindo como Cristo agiria: buscando a justiça, mas com alegria.

Sejamos diferentes, como todo cristão deve ser. Curtamos a Copa do Mundo de futebol em paz. Não permitamos que nada nem ninguém nos tire neste momento do caminho da serenidade, da santidade, da graça e do amor.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Mauricio

 

 

Gays1Olá, bom dia. Meu nome é Maurício Zágari e sou um cristão protestante (ou evangélico). Gostaria de falar, se me permite, a você que é homoafetivo (ou homossexual, ou gay, ou integrante do movimento LGBT – deixo a seu critério como prefere ser chamado) e que não compartilha da minha fé. Mas, antes, permita-me dizer que não pretendo te atacar, ofender, discriminar ou rebaixar. Quero apenas dialogar, com extremo respeito pela pessoa que você é. Um papo de um ser humano para outro ser humano. Tenho visto na internet, na televisão e em outras mídias uma lamentável troca de farpas entre certos evangélicos e certos gays (em geral, líderes e políticos) e isso tem me deixado profundamente triste. Parece que há uma guerra entre todo cristão e todo homoafetivo, e isso simplesmente não é verdade – nossa luta não é essa (Ef 6.12). Então gostaria de tentar deixar de lado o que alguns têm feito e dito, e expor questões a respeito de tudo o que tem acontecido, se você tiver paciência de prosseguir mais um pouco neste texto e me honrar com a sua leitura.

A primeira coisa que eu queria fazer, amigo homoafetivo, é te pedir perdão. E falo como cristão, embora nenhum outro cristão tenha me autorizado a fazer isso. E esse é o problema: muitos cristãos têm falado em meu nome sobre a tua sexualidade, sem que eu nunca tenha autorizado. Em geral, é gente famosa, que te ataca, ofende, agride, xinga e bate na mesa, como se todos os evangélicos estivessem fazendo a mesma coisa. Bem, eu não estou. Conheço muitos que também não estão. Não quero conversar com você ou com ninguém agredindo. Então, por favor, perdoe meus irmãos que te ofenderam. Pois a mensagem do Cristo a quem amo é a da paz, da restauração, da salvação; não a da guerra, da ofensa, da agressão. Quero que você saiba que, aos meus olhos, você é um ser humano precioso e importante. De valor.

A segunda coisa é explicar algo sobre a relação entre os evangélicos e os homoafetivos nos nossos dias. Eu não tenho absolutamente nada contra você como indivíduo. Tenho conhecidos que são gays, pessoas boas, trabalhadoras, amorosas, que pagam seus impostos e são extremamente agradáveis. Então, por favor, entenda que não existe nenhuma hostilidade contra os homoafetivos pelo fato de eu ser cristão. Só que não posso ser hipócrita, então deixe-me dizer que, de fato, não concordo com a prática homossexual. Perceba que existe uma diferença entre gostar, respeitar e amar alguém e concordar com algo que ela faça. Por exemplo: amo de todo coração minha filha. Não tenho preconceito contra ela. Não sou “infantifóbico”. Mas, se ela faz algo que em minha opinião é errado, não vou concordar e direi isso a ela – eu a amo e por isso sinto-me compelido a dizer a ela a verdade sobre o que penso acerca de suas ações. Uma coisa não exclui a outra. Percebe a diferença entre a pessoa e a prática?

Esse é o problema que tem gerado tanto conflito entre gays e cristãos: muitos cristãos tratam mal seres humanos gays por discordar do que eles fazem. E muitos seres humanos gays tratam mal os cristãos porque não nos dão o direito de discordar do que eles fazem. Assim, estamos errando dos dois lados. Pois estamos confundindo as pessoas com as suas crenças e práticas. Amo minha filha, mas posso discordar de algo que ela pense ou faça.

Gays2Se você diz que assistir a um jogo de futebol é mais legal que ler um livro vou discordar, mas vou continuar amando você. Se você diz que pizza é melhor que camarão vou discordar, mas vou continuar amando você. Se você diz que o Rio de Janeiro não é a melhor cidade do mundo vou discordar, mas vou continuar amando você. Se você diz que azul é mais bonito que preto vou discordar, mas vou continuar amando você. Enfim, se você pensa ou age de modo diferente de mim vou discordar, mas vou continuar amando você. O que você faz e pensa não anula o meu respeito humano por você. Gostaria muito que o mesmo fosse igual de sua parte quanto a mim. Temos, cristãos e homoafetivos, de começar a perceber que discordar de uma prática ou crença não é motivo para odiar quem pratica aquilo ou crê naquilo. É como flamenguistas e tricolores que discordam com relação a seus times mas se encontram na saída do estádio e não se espancam, mas se abraçam.

Assim, gostaria que você entendesse que, embora eu não concorde com o fato de você se relacionar com pessoas do mesmo sexo, isso em nada muda o meu apreço pelo indivíduo que você é. Se amanhã você aparecer na minha igreja, vou te receber com um abraço apertado, sentar ao teu lado e tirar todas as dúvidas que você porventura tenha quanto às questões de fé. Vou te apresentar a meus amigos da igreja e procurar compartilhar o amor que Cristo semeou no meu coração da melhor forma que eu puder. Claro que pediria respeito mútuo, o que inclui não ficar beijando outra pessoa do mesmo sexo na hora do culto, como algumas pessoas homoafetivas fizeram no passado (como foi amplamente divulgado pela mídia). Acredito que você, como pessoa inteligente que é, entende com toda clareza por que o que essas pessoas fizeram não é algo correto do ponto de vista da boa convivência. Foi bem desrespeitoso, na verdade.

A terceira coisa que queria é discorrer sobre por que existe essa discordância entre cristãos e gays. E aqui você não tem de concordar comigo, mas, pelo menos, pediria gentilmente que procurasse compreender por que não concordamos com a prática da homossexualidade. Veja: cremos que a Bíblia apresenta a ética e a vontade de Deus. Logo, acreditamos naquilo que ali está escrito como sendo a verdade absoluta do universo – por mais que o mundo pós-existencialista odeie o termo “absoluto” e prefira “relativo”. E a Bíblia diz que a prática da homoafetividade é pecado (palavra antiga, que significa “desobediência à vontade de Deus”). Diz isso de Gênesis a Apocalipse. Veja apenas dois exemplos:

Romanos 1:26-27 “Pelo que Deus os entregou a paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural no que é contrário à natureza; semelhantemente, também os varões, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para como os outros, varão com varão, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a devida recompensa do seu erro.”

Levítico 18:22 “Não te deitarás com varão, como se fosse mulher; é abominação.”

Logo, os cristãos entendem que a prática homossexual desagrada Deus. Você tem todo o direito de discordar disso! Eu respeito sua discordância. Ninguém é obrigado a crer no que eu creio. Mas, do mesmo modo, peço, por favor, que respeite meu direito de crer no que creio. Temos de concordar em discordar, mas sempre com carinho e afeto um pelo outro. E eu creio que – embora você e todos os demais homoafetivos sejam seres humanos merecedores de abraços sinceros, respeitáveis e amáveis – estão incorrendo em pecado quando põem em prática o relacionamento entre pessoas do mesmo sexo (lembrando que “tentação” e “pecado” são conceitos bem diferentes, mas essa é outra discussão). Assim, se for de fato pecado, um dia você prestará contas. Mas a Deus, não a mim.

Gays3Aproveitando, queria pedir que me permita esclarecer algo sobre duas palavras que são usadas para se referir a mim no que tange à questão da homoafetividade pelo fato de eu discordar da prática homossexual. A primeira é “preconceituoso”. Pelo dicionário, “preconceito” é  “opinião desfavorável que não é baseada em dados objetivos.”. Gostaria de te explicar que eu discordar do relacionamento entre pessoas do mesmo sexo não faz de mim, por definição, um preconceituoso. Pois tudo em que creio tem fundamento em dados objetivos, que são afirmações feitas ao longo da Bíblia, o livro que norteia minha vida. Você pode não crer em nada do que está ali, mas, por favor, pediria que respeitasse o fato de que eu creio. E, como creio, acredito que todos os dados objetivos que estão ali são verdade. Assim, não tenho “preconceito” contra a prática homossexual, mas sim um “conceito”, firmemente baseado em uma filosofia de vida (material e espiritual).

Outro termo é “homofóbico”. Pelo dicionário, “fobia” é “medo”. Assim, “aracnofobia” é “medo de aranhas”, “agorafobia” é medo de espaços abertos”. Me faz crer que “homofobia” seria “medo de homossexuais”. Bem, eu não tenho medo de você, tenho carinho e afeto pelo ser humano que você é. Também não tenho medo do que você pratica, eu discordo, mas não temo. Logo, não vejo a lógica de ser chamado de “homofóbico”. É como se eu chamasse você de “cristofóbico” porque discorda dos cristãos. Não acredito que seria correto dizer isso.

Bem, teríamos muito ainda a dialogar, sobre temas como o amor e a graça de Deus, as dores que você sofre quando é discriminado, vida eterna e tantas outras coisas envolvidas no relacionamento entre cristãos e gays. Mas não dá pra falar tudo de uma vez. Então vou encerrar por aqui, na esperança de que você tenha compreendido o que eu quis dizer. Não te odeio. Olho para você e vejo um ser humano tão humano como um heterossexual. Mas, com base na Bíblia, acredito que a prática da homossexualidade constitui pecado e levará quem a pratica a ter de prestar contas a Deus. Respeito se você não crê nisso. Porém, mais uma vez, peço, por favor, que você respeite o fato de eu crer.

Gays5O que me motivou a escrever este texto foi essencialmente mostrar que podemos nos tratar com gentileza e amor, mesmo que discordemos. Não há razão para os cristãos te tratarem mal. Não há razão para vocês nos tratarem mal. Podemos conversar civilizadamente. Olho para parlamentares e pessoas da mídia se agredindo e se ofendendo por causa de tudo o que aqui falamos e me entristeço enormemente. Abomino esse comportamento. E isso, se formos pensar bem, não tem a ver com religião ou sexualidade: tem a ver, acima de tudo, com educação e polidez. Chega de agressividade. Chega de ódio mútuo. Peço a Deus que consigamos conviver em paz e com respeito, sabendo que cada um dará contas de si e de suas ações diante do Criador.

Sabe, amigo homoafetivo que não professa a mesma fé que eu… tenho uma certeza: Deus, que é bom e misericordioso, deseja ter um relacionamento pessoal com a humanidade – inclusive com você. Minha oração é que isso aconteça e que você seja alcançado pela maravilhosa graça de Deus. O amor de Jesus, acredite, é maior e mais arrebatador do que o de qualquer pessoa.

Te desejo muita paz. Com respeito,
Mauricio

Medo1O medo está ali, depois da esquina, esperando para pular em nossas costas. A cada passo da vida, tememos. A cada dia, mais e mais medos se acumulam sobre nossa cabeça. Medo do desemprego. Medo da doença. Medo da escassez. Medo da depressão. Medo do abandono. Medo da solidão. Medo da dor. Medo do sofrimento. Medo de assaltantes. Medo da morte. Medo da vida. Medo do medo. Quem nunca sentiu medo que atire a primeira pedra. Ninguém gosta de sentir medo, mas é líquido e certo que ele virá. Será que há algo que possamos fazer? Será que saber que Jesus caminha conosco tem alguma influência?

Difícil, não é? As contas chegam, como não temer a falta de dinheiro? O médico faz aquela cara séria quando recebe o nosso exame, como não temer as dores que virão? O marido diz que precisam conversar, como não temer o divórcio que desponta no horizonte? O filho chega com as roupas cheirando a fumaça, como não temer que esteja dependente de algum vício? O medo está salivando, esperando a próxima situação difícil para gargalhar em nosso rosto com seu hálito fétido e cravar as unhas em nossa pele.

Medo2Diante do medo, um animal pode reagir de três maneiras diferentes: fugir, lutar ou paralisar. Se você foge, corre o risco de ser alcançado pelo problema. Se luta, pode perder o embate e sucumbir. Se paralisa, as mandíbulas se fecharão sobre você. Então o que fazer? Bem, veja por outro ângulo. Se foge, pode ser que consiga escapar. Se luta, pode ser que consiga vencer. E, se paralisa, pode ser que seja confundido com o ambiente e escape do ataque. Vemos, então, que cada reação pode gerar resultados diametralmente opostos. O que fazer?

Jesus enfatizou demais que não deveríamos ter medo. Os evangelhos listam 125 ordens que Cristo pronunciou. Dessas, 21 são “Não tenham medo”, “não temam”, “sejam corajosos” ou “tenham bom ânimo”. O segundo mandamento mais presente, que nos insta a amar a Deus e ao próximo, é mencionado oito vezes. Assim, a declaração que Jesus faz mais que qualquer outra é esta: não tenha medo. Acredito que ele sabia o que estava dizendo. Repare as palavras da vida:

“O Senhor é bom, um refúgio em tempos de angústia. Ele protege os que nele confiam” (Na 1.7).

“Aquele que habita no abrigo do Altíssimo e descansa à sombra do Todo-poderoso pode dizer ao Senhor: ‘Tu és o meu refúgio e a minha fortaleza, o meu Deus, em quem confio’” (Sl 91.1-2)

“Descanse somente em Deus, ó minha alma; dele vem a minha esperança. Somente ele é a rocha que me salva; ele é a minha torre alta! Não serei abalado! A minha salvação e a minha honra de Deus dependem; ele é a minha rocha firme, o meu refúgio. Confie nele em todos os momentos, ó povo; derrame diante dele o coração, pois ele é o nosso refúgio” (Sl 62.5-8)

Medo3A verdade é que não importa se você foge, luta ou paralisa. O que importa é agir tendo Jesus ao seu lado, como seu refúgio, sua fortaleza, a esperança em todos os momentos. Pedro temeu e, por isso, começou a afundar nas águas bravias do mar da Galileia, até que uma mão divina o segurou e o puxou para fora do medo. “Mas, sentindo o vento forte, teve medo; e, começando a ir para o fundo, clamou, dizendo: Senhor, salva-me! E logo Jesus, estendendo a mão, segurou-o, e disse-lhe: Homem de pouca fé, por que duvidaste?” (Mt 14.30-31). Não duvide. Porque, se o medo puxa você para baixo, Jesus o sustém. Se o medo pula em suas costas, Jesus o arranca. Se os medos cravam as unhas em sua carne, Jesus os espanta. Jesus é segurança. Ele é o sorriso de conforto em meio à angústia. É a mão que nos ergue quando as pernas fraquejam. É o pão que sacia a fome. É a água que nos revigora no deserto. Jesus é a paz. Jesus é o porvir. Jesus é a resposta.

Você está sentindo medo neste exato momento? Está envolvido em uma situação sobre a qual não tem controle? As pedras voam em sua direção e você já sofre em antecipação ao impacto? A dor é grande? O que virá é incerto? Só vê sombras no futuro? Está com medo?

Então grite em um sussurro: “Jesus, filho de Davi, tem misericórdia de mim…”. Ele ouve, meu irmão, minha irmã. O Criador dos céus e da terra sabe quem você é e cada segundo da sua vida está diante dos olhos do seu Salvador. Ele planejou sua vida, o semeou no ventre de sua mãe, formou o seu corpo, soprou fôlego em suas narinas, o tomou pela mão no berço, o conduziu pela vida, o amou intensamente a cada instante da sua jornada. Por que você acha que neste momento ele o abandonaria? Não. Ele conhece o seu medo. E ele diz: “Não tenha medo”. Não é uma frase feita, um jargão para fazê-lo relaxar sem a certeza de que o alívio virá. Jesus não faz assim. Se ele diz para você não temer é porque ele dá garantias.

cruz“Não tenha medo” em nossos lábios humanos é uma esperança. Mas nos lábios que beberam o cálice da cruz é uma promessa e uma certeza: “Não tenha medo. Pois eu sei. Eu controlo. Eu domino. Em governo. Eu reino. Eu mando. Eu estou com você todos os dias, até o fim dos tempos”. Na cruz, ele derrotou o pecado. A morte. O inferno.

E o medo.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

adoteumpecador1Você já deve ter visto na televisão anúncios de organizações que estimulam você a apadrinhar crianças pelo mundo inteiro ou a ajudar instituições humanitárias de auxílio medico em regiões de pobreza extrema. São entidades como Action Aid, Médicos sem Fronteiras ou Visão Mundial, que fazem um trabalho maravilhoso de amor pelo próximo. Você contribui com trinta a cinquenta reais por mês e ajuda pessoas desnutridas, doentes ou carentes a melhorar de vida, estudar, ter auxilio médico, encontrar dignidade. Fiquei pensando sobre a ação dessas belíssimas organizações e me inspirei para propor uma campanha. Assim, lanço hoje a Adote um pecador.

A diferença entre essa minha campanha solitária e as dessas instituições é que ela funciona em moldes diferentes. Em vez de você doar um pouco de dinheiro mensalmente e deixar que os integrantes desses grupos ponham a mão na massa para auxiliar os carentes, doentes e necessitados, minha proposta não vai lhe custar nem um centavo. Também não vai exigir ações mensais. Na verdade, vai requerer de você muito mais: o seu coração.

O alvo de nossa campanha é alguma pessoa que você conheceu, que pertencia a alguma igreja e hoje não pertence mais. Mas não qualquer um, tem de ser um indivíduo com perfil específico: alguém que cometeu um ou mais pecados do tipo que os cristãos costumam considerar – sabe Deus por quê – mais graves do que os outros e que por isso foi discriminado dentro da igreja, oprimido pelos irmãos e que, diante de tanta falta de amor, acabou se afastando da família de fé.

Vou ajudar você a se lembrar de alguém: em geral, são pessoas que cometeram pecados sexuais (pode até mesmo ser um pastor que adulterou); que se divorciaram sem a bênção da igreja; que não conseguiram abandonar a dependência química por álcool ou outras drogas; gente que foi vista em algum ambiente “pecaminoso”, como uma boate, o samba ou o baile funk; indivíduos que cometeram algum tipo de delito que os levaram a ser humilhados publicamente, talvez até conduzidos à frente da igreja para serem expostos em suas transgressões diante dos demais. Perceba que não estou entrando pelo mérito do pecado em si (se é pecado, é pecado e ponto) nem passando a mão na cabeça da transgressão. Meu foco é o que nós, a Igreja de Jesus Cristo, fizemos com essa vida após o pecado. Pois bem, a pessoa que é o alvo dessa campanha deve ser alguém que, além do estrago causado pelo próprio pecado, tenha sido ainda mais prejudicada pela forma discriminatória ou humilhante da qual os irmãos em Cristo a trataram ao tomar conhecimento de suas falhas. Essas são as almas que desejo alcançar com a campanha Adote um pecador.

adoteumpecador2E como ela funciona? Em vez de doar seu dinheiro, você vai doar seu coração e seu tempo. Primeiro, proponho que você ou um grupo de irmãos da igreja partam ao encontro dessa pessoa – em sua casa, no trabalho, na escola, nas ruas. Não é só dar um folheto não. É sair do seu conforto e ir até ela, onde ela estiver, como o bom pastor da parábola foi até a ovelha perdida. Quando a encontrar, você vai lhe dar amor. Abrace-a. Chore com ela. Peça perdão em nome da igreja inteira por, em vez de ajudá-la a ficar de pé após o pecado, tê-la afundado ainda mais na lama mediante a segregação, os olhares tortos, a falta de tato, a desumanidade. Deixe claro que ela é importante. Por fim, fale do amor de Cristo. Diga-lhe que Deus perdoa todos os pecados mediante arrependimento, que ela é extremamente bem-vinda no seio da igreja do Senhor, que nenhuma condenação há para aqueles que estão em Cristo Jesus. Dê-lhe um beijo, um abraço apertado e… vá embora.

adoteumpecador3E atenção, pois este é um ponto fundamental da campanha: não convide essa preciosa alma para ir à igreja. Nem mesmo toque no assunto. O objetivo é dar amor, trazer perdão à tona, viver o evangelho junto com ela. Demonstrar bondade. Amabilidade. Carinho. Afeto. Cristo. Se ela achar que você a procurou apenas para voltar a frequentar cultos, tudo estará perdido. A finalidade é que ela se sinta acolhida, perdoada, querida, importante. É dar-lhe o senso de humanidade e de comunhão que a discriminação que sofreu roubou dela. Tenho certeza de que, se ela voltar a enxergar a família de fé como uma família de fato, mais do que um grupo de carrascos da inquisição, tornar a frequentar o ambiente eclesiástico será uma consequência natural. Mas será uma consequência, não a causa. Triste igreja é aquela que tenta trazer pessoas para tornar-se uma frequentadora de cultos, em vez de um membro amado e perdoado do Corpo de Cristo. Dê amor a ela, sem esperar nada em troca. O resto ficará por conta do Espírito Santo.

A campanha está lançada. O blog APENAS tem na data de hoje quase 2.400 assinantes, que somam-se a uma média de 11 mil acessos semanais. Isso significa que mais de 13 mil pessoas lerão este post apenas na primeira semana de sua publicação. Imagine se cada uma dessas 13 mil partirem em busca de um pecador. Seriam 13 mil seres humanos, abandonados e segregados devido a pecados que cometeram, que receberiam amor e graça da parte de irmãos em Cristo. E, se você repassar este texto para pelo menos um conhecido e ele decidir adotar um pecador, já seriam 26 mil indivíduos que visualizariam, na prática, o amor de Cristo em sua vida por meio de irmãos. Elas deixariam de ver a igreja como um antro de inquisidores e passariam a enxergar os cristãos como gente que ama, perdoa, acolhe e vive de fato o que a Bíblia diz. Eu ouso até sonhar mais alto: imagine que cada uma dessas 26 mil pessoas chamasse mais três irmãos para também adotar um pecador. Se isso acontecesse, alcançaríamos 100 mil indivíduos feridos, machucados e oprimidos dentro das igrejas que teriam um vislumbre da graça da cruz de fato em sua vida. Tremo só de imaginar.

Eu tenho esse sonho. E é um sonho bom de se sonhar – pois é bíblico e mira no epicentro da nossa fé: amor, bondade, perdão, reconciliação, restauração. Se meu sonho vai se tornar realidade ou não… depende única e exclusivamente de você.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Prio1Tudo na vida é uma questão de prioridade. A cada passo que damos nós fazemos escolhas com base no que consideramos mais importante, prioritário. Hoje vou à igreja ou à praia? Oro à noite ou fico no Facebook? Estudo a Bíblia ou assisto à TV? Jejuo ou saio para jantar com os amigos? Escuto uma pregação ou uma música? Vou ao hospital visitar os enfermos ou durmo domingo à tarde? Faço seminário ou vou à academia? Passo meu sábado no futebol ou em um orfanato? Gasto meu dinheiro com esmolas e ofertas ou compro um sapato novo? Peco ou agrado ao Senhor? A resposta a cada uma dessas perguntas será determinada pelo nosso poder de escolha. E vamos escolher sempre o que consideramos mais importante.

Você percebe que implicações enormes tem a escolha daquilo que priorizamos? Porque nossas prioridades acabam determinando se seremos mais espirituais ou mais carnais, conhecedores da Palavra ou das novidades da internet, pecadores contumazes ou cristãos esforçados na luta contra o pecado, servos de Cristo ou de Mamom… e por aí vai. Prioridades ditam o nível de nossa vida cristã, especialmente em função de algo chamado tempo.

Nosso dia é curto. Em média, você dorme 8 horas e passa 8 horas trabalhando ou estudando a cada dia. Das 24 horas, sobram 8. Podemos dizer que duas horas gasta-se com atividade secundárias, mas indispensáveis, como tempo no trânsito e hábitos de higiene. Restam 6. Nesse espaço de tempo você encaixará as demais atividades do dia. E, de todas as opções possíveis, entrará aí o que você priorizar.

Prio2Nossas prioridades invadem até o campo dos assuntos sobre os quais conversamos. Por vezes fico atônito ao ver quanto se fala, por exemplo, sobre coisas como Iluminatti, nova ordem mundial, satanismo na Disney, mensagens subliminares, músicas do mundo, escândalos gospel, calvinismo versus arminianismo e outros assuntos menores, quando poderíamos investir nossas energias em tratar daquilo que é de fato relevante, o tutano da nossa fé: relacionamento com Deus. Atos de amor ao próximo. Dar de comer a quem tem fome e de beber a quem tem sede. Evangelismo. Promoção da paz. E por aí vai.

Se você for analisar o cerne da nossa fé, verá que a questão da prioridade está sempre na mesa. Jesus disse: “Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos? Porque os gentios é que procuram todas estas coisas; pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas; buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6.31-33). Repare que a ordem divina não é apenas para procurar o reino de Deus e a sua justiça, mas procurar essas coisas em primeiro lugar. Não basta procurá-las, Jesus quer que as priorizemos. Assim, se priorizarmos qualquer outra coisa, pecamos, pois estaremos desobedecendo a ordem de Jesus. É curioso isso, porque, em geral, não percebemos que o que o Senhor diz aqui não é uma sugestão, do tipo “olha, se você quiser que as demais coisas lhe sejam acrescentadas, tem a possibilidade de buscar o reino de Deus e a sua justiça, mas, se não quiser, tudo bem”. Ele fala no imperativo, “buscai”. Estamos falando de um mandamento, não de uma opção – e desobedecer um mandamento significa pecar. Então, se você prioriza atividades secundárias a algo que represente a busca do reino de Deus e sua justiça, está entristecendo o Senhor.

Prio3Outra determinação de Cristo quanto às prioridades é pôr Deus em primeiro lugar, depois o próximo. Na Bíblia, o próximo é sempre prioridade. “Mestre, qual é o grande mandamento na Lei? Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mt 22.36-40). Repare: Cristo disse mandamento. Ou: “Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros” (Rm 12.10). Ou, ainda: “Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo” (Fp 2.3). E tem mais: “Meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigo” (Jo 15.12-13). Deus quer que priorizemos o próximo. Mas, em nossos dias, quem dá atenção a essa ordem bíblica? Bem… Jesus dá. Lembre-se de João 3.16. Egoísmo é um horror do ponto de vista bíblico. Egocentrismo, então, é uma abominação. E a egolatria é o estágio máximo desse pecado.

Consegue perceber como prioridades são importantes no reino de Deus? Uma constatação que nos leva a uma pergunta dolorida: o que temos priorizado?

Prio4Já ouvi gente dizer que os momentos em que nós, cristãos, mais mentimos é quando cantamos louvores. Discordo. Creio que mais mentimos quando tentamos explicar a razão de falharmos na vida espiritual por “não termos tempo”. “Não consigo orar porque não tenho tempo”. “Não estudei a Bíblia este ano porque tenho muitos deveres de casa, sabe como é, o Enem está chegando”. “Quem consegue ler bons livros cristãos se não tenho tempo nem para respirar? Afinal, tenho inglês, balé, coral e minha ronda diária pelas redes sociais”.

Não é verdade. É claro que você tem tempo. Só que você prioriza outras atividades para ocupar seu tempo. Simples assim.

Se você é adepto de redes sociais e gosta de espiar a vida dos outros pela web, verá a enormidade de coisas que eles fazem e que nada têm a ver com o reino de Deus. E, se eles olharem o seu, tenho certeza de que terão a mesma percepção. Sim, tempo há. A questão é que o temos usado de forma bastante ligada ao “eu” e a atividades terrenas sem importância para a eternidade. Se você é mulher, pense em quanto tempo gastou no último mês em shoppings, lojas e salões de beleza. Se é homem, a quantos jogos de futebol assistiu e quantas horas em frente da TV passou. Agora responda com sinceridade: não teve tempo? Ou simplesmente priorizou outras coisas?

Entenda: não é que não se possa realizar atividades secundárias. Claro que é lícito ter períodos de lazer, momentos de cuidado com a estética do corpo, compras. O problema é quando essas coisas tomam o lugar daquilo que é prioritário. O ponto em questão é deixar de fazer o que é importante para Deus para fazer o que é importante para nós.

A vida é curta. Os dias são curtos. Mas a eternidade é longa… muito longa… Se o que fazemos em nossos dias curtos produz resultados que vão durar por toda a eternidade, isso deveria nos chamar para uma mudança urgente em nossas prioridades. Tente imaginar no dia em que você morrer (sim, lamento informar, esse dia vai chegar), você sendo chamado à presença de Deus e gaguejando na hora de explicar a ele como usou seus recursos.

- Éééé… sabe o que é, Senhor, não tive tempo para orar muito.

- Bem, aqui no meu livro diz que você passou mais de sete horas por semana jogando PlayStation ou X-Box.

- Éééé… bem… eu…

- E ajuda aos pobres?

- Ah, não dava, né, Pai, meus filhos exigiam muito de mim, não sobrava dinheiro pra isso.

- Mas espia aqui a quantidade de coisas supérfluas em que você gastou o dinheiro que te dei. Filho meu, pra que você precisava de tantos tênis assim?! E esse guarda-roupa lotado de camisas, pra que isso tudo?

- Éééé… bem… as roupas tinham de combinar, né, Senhor?

- E as suas atenções, meu filho? Aqui está dizendo que você gastava tempo e energias discutindo sobre calvinismo versus arminianismo e nova ordem mundial em vez de dialogar sobre como estender a mão para ajudar o próximo, estimular o perdão e a reconciliação entre irmãos em atrito e outros temas centrais da fé.

- Poxa, mas os illuminati não eram importantes não?

- Ai, meu filho, você nunca leu na Bíblia o que eu revelei que era o mais importante, aquilo que deveria ser a prioridade? Tenho um exemplar aqui, leia só: “Quando vier o Filho do Homem na sua majestade e todos os anjos com ele, então, se assentará no trono da sua glória; e todas as nações serão reunidas em sua presença, e ele separará uns dos outros, como o pastor separa dos cabritos as ovelhas; e porá as ovelhas à sua direita, mas os cabritos, à esquerda; então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me hospedastes; estava nu, e me vestistes; enfermo, e me visitastes; preso, e fostes ver-me. Então, perguntarão os justos: Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer? Ou com sede e te demos de beber? E quando te vimos forasteiro e te hospedamos? Ou nu e te vestimos? E quando te vimos enfermo ou preso e te fomos visitar? O Rei, respondendo, lhes dirá: Em verdade vos afirmo que, sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes. Então, o Rei dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos. Porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; sendo forasteiro, não me hospedastes; estando nu, não me vestistes; achando-me enfermo e preso, não fostes ver-me. E eles lhe perguntarão: Senhor, quando foi que te vimos com fome, com sede, forasteiro, nu, enfermo ou preso e não te assistimos? Então, lhes responderá: Em verdade vos digo que, sempre que o deixastes de fazer a um destes mais pequeninos, a mim o deixastes de fazer. E irão estes para o castigo eterno, porém os justos, para a vida eterna” (Mt 25.31-46).

- Hm…

- Isso, filho, é importante. Discutir horas a fio sobre predestinação? Você chegou aqui independente da crença soteriológica que tinha, não foi? Em compensação, quanto amou o próximo? E… mensagem subliminar em filmes? Francamente! Por que não priorizou alimentar os famintos e cuidar dos doentes?

E por aí vai. Tempo temos, pois o dia tem 24 horas desde sempre e, com essa mesma quantidade de tempo, muitos fizeram muita coisa pelo reino, pelo próximo e pela própria vida espiritual ao longo dos milênios. Mas hoje aprendemos a dar boas desculpas para justificar nossas prioridades equivocadas do ponto de vista bíblico.

Prio5Só uma coisa resolve esse problema: uma real mudança de atitude. Se você terminar de ler este texto , pensar “é verdade, é preciso mudar”, mas não fizer nada a respeito… vai seguir com as prioridades às avessas. A vida está correndo, o relógio não para. E, enquanto prosseguimos priorizando o que não é prioridade para Deus, vamos seguir pecando, entristecendo o Senhor e prejudicando nossa própria espiritualidade – que ficará mirrada, baseada em temas e práticas de importância secundária. Nosso relacionamento com Deus continuará em segundo plano, restrito a um ou dois cultos por semana e a uma oração de desencargo de consciência antes de cada refeição. E viveremos para jogar videogame; ficar horas espiritualmente infrutíferas na internet; assistir a novelas, reality shows e jogos de futebol na TV; discutir assuntos tanto-fez-ou-tanto-faz; gastar dinheiro com o que não é pão e outras atividades e atitudes que não terão absolutamente nenhum tipo de eco na eternidade.

Afinal, com que finalidade Jesus te criou? É a resposta a isso que vai definir as suas prioridades.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

foto.PNG Gosto muito de pôr minha filha para dormir. Temos uma espécie de ritual entre o instante que deitamos em sua cama e o momento em que ela pega no sono: começamos lendo livros juntos, eu conto histórias que invento, brincamos de coisas como sombra na parede e, por fim, oro por ela cantarolando uma oração, usando melodias de músicas calmas e tranquilas com palavras de intercessão. Em geral, ela adormece enquanto canto a oração, deitado ao seu lado. Geralmente, na hora de cantar, para deixá-la mais confortável escorrego para baixo no colchão e fico com a cabeça na altura de sua cintura, quase que aos seus pés. Isso permite que ela tenha mais espaço para esparramar os braços e também me facilita sair da cama quando minha filha dorme sem esbarrar demais nela e correr o risco de acordá-la. Domingo passado, seguimos essa mesma rotina. No momento em que eu estava cantarolando a canção, ela, já sonolenta,  virou-se para mim e sussurrou:

- Papai?

- Sim?

- Chega mais pra cima.

E abriu os braços. Eu sorri e, suavemente, pus minha cabeça no peito dela. Minha filhinha de três anos aconchegou o papai, pôs sua mão na minha e envolveu meu pescoço com o bracinho. Ali fiquei eu, recebendo aquele amor em forma de proximidade e toque, até que, algum tempo depois, senti sua respiração mais pesada e percebi que tinha adormecido. Quando estava aos pés dela, já articulava como eu faria para escapulir dali e ir fazer outras coisas. Mas, quando fiquei naquela posição de paz e extremo afeto, toda vontade de sair desapareceu. Tudo o que eu queria era ficar e desfrutar daquele amor.

cima1Se você é cristão, isso significa que vive aos pés de Jesus. Assim como Maria, a irmã de Lázaro, você se deleita em estar aos pés do Mestre, aprendendo dele, adorando e exaltando o seu amado. É um lugar confortável, pois permite que você esteja em postura de submissão, reverência, amor e servidão ao Senhor mas, ao mesmo tempo, com mobilidade para esticar os braços, mexer as pernas e até se levantar e ir embora, se desejar. Estar aos pés de Cristo é uma posição desejável ao servo de Deus, é digna e demonstra um relacionamento fiel ao Salvador.

Você vive aos pés de Jesus? Ótimo. Só que, às vezes, isso não basta. Pois é bem possível que, em determinado instante, você ouça o Mestre lhe falar:

- Chega mais pra cima.

Ao falar isso, o que Deus quer dizer é que ele anseia por mais do relacionamento de vocês. É quando ele deixa claro que não deseja que você fique apenas aos seus pés, mas que vá para o seu colo. E, do colo, para o abraço. Em outras palavras, o Senhor quer te elevar para um patamar de maior intimidade com ele.

Num primeiro momento, você pode estranhar o processo de elevação. Quando deitei no peito de minha filha, demorei um certo tempo até ficar confortável, pois tinha medo de pesar sobre ela ou de machucá-la com meu ombro, por isso fiz uma certa força para não pressionar demais seu corpinho. Embora fossem um lugar e uma situação deliciosamente agradáveis, havia um certo desconforto envolvido. Quando Deus nos convida para subir de seus pés e repousar a cabeça em seu peito ou descansarmos em seu abraço, há a probabilidade de que fará isso por caminhos que te deixarão desconfortável ou mesmo assustado.

Engraving of  by Dore, 1866Veja o exemplo de Jó. Toda a situação que ele enfrentou tinha apenas um objetivo, traçado no coração de Deus: fazer com que aquele servo fiel fosse elevado a um patamar superior de intimidade com o Senhor. Repare que Jó vivia aos pés do Pai: a Bíblia o define como um “homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desviava do mal” (Jó 1.1). Estar mais aos pés do Todo-poderoso do que isso é difícil, quem me dera poder ser definido dessa maneira. Ao final do processo de elevação, porém, aquele mesmo servo fiel diz: “Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te veem” (Jó 42.5). Você consegue perceber que transformação ocorreu no nível espiritual dele, que diferença? Embora vivesse em integridade, retidão, temor e santidade, Jó ainda estava apenas aos pés de Deus. Era preciso mais. O Pai queria que seu filho fosse para um outro nível de intimidade. Então ele diz:

- Chega mais pra cima, Jó.

E Jó enfrenta um processo longo e doloroso, mas que o eleva ao patamar de onde podia ver o Senhor com os olhos. Pense agora no menino mimado José, escolhido para viver uma grande experiência com Deus. O problema é que ele era extremamente imaturo. Foi preciso passar por escravidão, servidão, calúnia e prisão para alcançar o nível que o Senhor queria.

- Chega mais pra cima, José.

E lá foi o filhinho riquinho de Jacó amarrado como um bicho numa caravana de escravagistas estrangeiros, esforço importante para que ele deixasse de ser playboy e virasse um homem de Deus. Paulo de Tarso era outro que vivia aos pés do Senhor, mas de maneira completamente errada. Zeloso e dedicado a Jeová, perseguia cristãos e os prendia, como serviço ao Deus de quem só via a sola dos pés. Mas, então, Jesus aparece e lhe diz:

- Saulo, Saulo, por que me persegues? Dura coisa é recalcitrares contra os aguilhões. Agora… chega mais pra cima.

E lá foi aquele homem, agora cego, deprimido, abatido, mas com sua mente renovada para experimentar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. O fariseu Paulo tinha sido elevado a um nível de intimidade em que foi arrebatado ao paraíso e ouviu coisas indizíveis, coisas que ao homem não é permitido falar. A ponto de dizer, com segurança, ao final de sua vida:

- Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé.

cima2Muitas vezes, atravessamos períodos de muita dificuldade, de esforço, sofrimento e falta de paz. Culpamos o Diabo, xingamos a vida, brigamos com Deus. Somos acusados de falta de fé, pecado, frieza espiritual. Não entendemos nada, ficamos sufocados pelas circunstâncias, questionamos o Pai: como pode um servo fiel como eu passar por tudo isso?! Se esse é o seu caso, procure o Senhor com serenidade, em oração e pelo estudo da Santa Palavra. De repente, tudo o que está enfrentando faz parte de um processo doloroso, mas necessário, para elevar você a novos patamares de intimidade com o Criador. O objetivo divino é tirá-lo dos pés e colocá-lo no abraço de Cristo. Tudo o que você precisa fazer para aguentar firme e superar essa fase é afinar seu espírito com o Espírito Santo e ouvir o sussurro suave daquele que nos ama com amor incompreensível:

- Chega mais pra cima, filho meu. E vem para o abraço do teu Pai…

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Pai1Já relatei em alguns posts do APENAS como minha experiência como pai me fez (e faz) enxergar de maneira muito mais profunda as realidades do relacionamento de Deus conosco, seus filhos. Se você é pai ou mãe certamente entende o que estou dizendo. Parece que cada episódio de nossa vida paterna é uma pregação. Cada dia com nossos filhos, um culto. Cada noite, uma vigília. A voz do Senhor e suas verdades tornam-se muito mais concretas diante daquilo que vivemos com nossos pequenos. Permita-me trazer mais uma reflexão sobre nossa fé a partir de algo que aconteceu comigo e minha filha de 3 anos.

Moro no Rio, cidade de praias. Naturalmente, levo minha pequena desde bebê para desfrutar desse playground natural. Ela sempre amou se esbaldar na areia e na água. Bem… nem sempre, na verdade. Quando completou 2 anos, um episódio teve grande impacto sobre ela. Sempre fui extremamente cuidadoso, pois sei os riscos que um segundo de distração paterna pode causar quando um filho está na água. Um dia, porém, estávamos na praia do Leblon, que tem uma arrebentação muito perto da beira, e um erro meu custou caro. De mãos dadas, eu a fazia pular por cima de cada onda que arrebentava, com aqueles gritinhos de “uúu!” que as crianças tanto amam. Ela estava eufórica, gargalhava e gritava “de novo!”. Mas, então, cometi um descuido. Eu me distraí com alguma coisa e não vi quando uma onda maior se aproximou e estourou em cima de nós. Resultado: a água entrou pelo nariz, os ouvidos, a boca e a alma da minha filhinha.

Entre engasgos e olhares assustados, ela se atracou ao meu pescoço, num gesto de desespero. Eu havia falhado e, por causa de um segundo de desatenção, a pequena parecia ter ficado traumatizada. Daquele momento em diante, nunca mais ela quis entrar na água do mar. Embora ame as aulas de natação e nade boas distâncias em uma piscina sem que ninguém a segure, daquele dia em diante ela começou a demonstrar pânico do mar. Ir à praia com ela passou a significar fincar âncora na areia e nem sonhar em chegar à beirinha da água.

Tentei muitas vezes. Cheguei mesmo a forçar a barra, entrando com ela no meu colo em águas calmas. Em vão: minha filha cravava as unhas no meu pescoço, escalava minha cabeça e, como um macaquinho que foge de um tsunami subindo ao ponto mais alto de uma árvore, ela se instalava no ponto mais alto dos ombros e da cabeça de seu papai, em pânico. Os fracassos sucessivos, durante meses, quase me convenceram de que não tinha mais jeito, o negócio era aceitar que ela tinha se tornado uma pessoa traumatizada e que nunca mais entraria no mar.

Mas um pai amoroso nunca desiste de seus filhos.

Pai2Decidimos passar as férias desse fim de ano em Cabo Frio, uma cidade essencialmente praiana. Como conheço bem a rotina do lugar, sei que ficar na cidade significa, em resumo, acordar, ir à praia, comer, ir à praia e dormir. Por um lado já estava antevendo a dor de cabeça que seria passar 20 dias na praia com uma filha que tem pavor de mar. Mas, por outro, decidi que aquela situação tinha de acabar. Então, em vez de simplesmente aparecer com ela diante do mar e tentar empurrá-la para dentro da água, desde que decidimos passar as férias em Cabo Frio resolvi trabalhar a ideia na mente dela. Decidi… pregar.

Comecei pedindo-lhe perdão por tê-la deixado se assustar uma vez e garanti que eu estaria sempre presente, extremamente atento a sua segurança. Deixei claro que o papai iria protegê-la e faria disso prioridade. Verbalizei tudo o que era possível para deixá-la totalmente segura naquela situação. E fiz isso por um longo tempo e muitas vezes. A fim de torná-la ciente do que vinha pela frente, passei a dizer rotineiramente que iríamos a um lugar de praia e que passaríamos muito tempo lá. Junto a isso, comecei a explicar repetidamente e frequentemente como é o mar, propositadamente iniciei uma série de preleções sobre as águas do oceano, explicando como funcionam as ondas, o que fazer para evitar que elas sejam incômodas e outros aspectos relacionados ao seu grande medo. Preguei, preguei e preguei.

Enfim chegou o dia.

Creio que eu estava muito mais ansioso do que ela. Chegamos a Cabo Frio, nos instalamos e logo fomos à praia. Assim que pisamos na areia, minha filhinha disse algo surpreendente:

- Eu adoro o mar!

Sorri, surpreso com aquela afirmação inesperada. Montamos a barraca e ela começou:

- Vamos, papai, vamos para a água!

Pai3Seria possível? Segurei minha pequenininha pela mão e caminhamos rumo às ondas. Para meu espanto, ela não hesitou um segundo sequer: saiu invadindo a água. Pulou, mergulhou, se jogou em cima de mim. Daqui a pouco pediu para que eu soltasse sua mão, pois queria nadar sozinha. Eu, temeroso, permiti que aquele pingo de gente se esbaldasse, mas minha atenção ficou focada em cada onda que vinha. Sempre que uma maiorzinha despontava, eu a suspendia no ar, livrando minha filha de tomar água na cabeça. Aprendi com meu deslize. E cumpri minha promessa.

Durante todas as nossas férias, fui acordado por aquele pingo de gente me sacudindo e dizendo “vamos para a praia, papai?”. Quando chegávamos, antes que eu começasse a montar a barraca ela perguntava umas trinta vezes “vamos para a água, papai?”. Conclusão: foi difícil manter minha filhinha longe do mar. Ela pedia, destemida, para ir até o fundo; queria nadar, pular, fazer tudo o que pudesse, excitadíssima com a diversão. Quando vinha uma onda maior, por iniciativa própria corria para os braços do pai. Se entrava água em seu nariz ou sua boca, dava ouvidos ao pai e assoava ou cuspia. Creio que ela amadureceu, a partir dos problemas do passado, das palavras de esclarecimento e segurança que ouviu com constância e pela confiança que desenvolveu de que nunca seria desamparada ou abandonada pelo papai (e pela mamãe), sua fonte de segurança e conforto. O conhecimento e a confiança em que estaria segura a permitiram viver momentos de extrema felicidade.

Agora pense:

Infant Grabbing Man's FingerDeus é um Pai muito melhor do que eu. Ele nunca nos desampara. Ao contrário de mim, nunca fica desatento, jamais se distrai. Nada passa despercebido diante de seus olhos. Sua atenção conosco é constante, focada e dedicada. Ele jamais é pego de surpresa por qualquer onda, mas muitas vezes deixa que uma ou outra nos atinja, pelas razões mais diversas. Doenças, desemprego, luto, perdas, dificuldades, problemas, vales, desertos, dores, seja o que for: quando esses males chegam, parece que estamos nos afogando, perdemos o fôlego, ficamos espantados. O Pai permite que isso aconteça não para que percamos a fé ou fiquemos com medo diante da vida, mas para que amadureçamos, tenhamos experiências, cresçamos, subamos a patamares mais elevados em nossa espiritualidade. O problema ocorre quando, em vez de aproveitarmos essas circunstâncias para evoluir, deixamos que nos afetem de modo negativo, o que nos leva a questionar o cuidado de Deus.

Será que ele me abandonou? Será que não ouve minha oração? Será que cometi algum pecado que fez Deus virar-me as costas? Será que o Senhor desistiu de mim? Nossa fé é abalada. A confiança no Pai é minada. Passamos a temer. Os desafios da vida se tornam monstros apavorantes. Escalamos a árvore até o galho mais alto, pois a segurança de que Deus cuidará de nós a cada segundo foi posta de lado. Temores. Medo. Ansiedade. Trauma. Depressão. Tristeza. Sensação de abandono.

- Pai, as ondas estão fortes demais, não consigo!

Mas o Aba, nosso protetor celestial, aquele que nos ama com amor incompreensível, em momento algum se ausentou. Ele tentou numerosas vezes nos fazer ver que estava nos segurando pela mão ou nos carregando no colo, mas os traumas com as dores e os sofrimentos do passado fizeram nossa fé totalmente infrutífera. É o fim? Nem de longe, pois Deus é seu Pai.

E um pai amoroso nunca desiste de seus filhos.

Pai5Então, por saber que muito virá pela frente, o Senhor começa o processo de cura de nossa alma. Para isso, Deus começa a falar conosco. Leituras da Palavra nos dão explicações e esclarecimentos. Pregações iluminadas pelo Espírito Santo nos revelam como funcionam as coisas, como o Senhor age, por que certos sofrimentos ocorrem, o que fazer quando chegam as tribulações. Livros escritos por irmãos e irmãs movidos pelo Divino abrem os olhos para realidades profundas da ação do Pai. Aos poucos, o poder das verdades celestes vai transformando nossos medos em paz, nossa dor em esperança, nossos traumas em aprendizado. Amadurecemos. Vemos a vida e Deus de maneira diferente e com muito mais transparência. Entendemos que ele nunca nos abandonou nem nunca nos abandonará. Torna-se clara a certeza de que, em meio a toda aflição, o Senhor não soltou nossa mão, mas deixou as ondas nos atingirem sem causar um dano permanente – e os propósitos do alto diante daquela situação ficam patentes.

Passamos a compreender. Somos fortalecidos na fé. Galgamos novos patamares em nossa intimidade com o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Conhecemos Deus, então, não mais por ouvir falar, mas por vê-lo com nossos próprios olhos espirituais. Com isso, ganhamos total confiança nele. E quando novas ondas despontam no horizonte, ameaçando nos afundar, afogar e machucar, dizemos com destemor:

- Vamos, papai, vamos para a água!

Pai6Passamos a encarar os problemas com segurança. Os momentos de trevas não nos apavoram mais. Sabemos que os vales virão, mas nosso Pai está e estará sempre ali, a nos proteger, guardar, escoltar, sustentar, salvar. Ele é Emanuel: Deus conosco. Conosco, nunca longe de nós (Mt 1.23). Ele está com você todos os dias, até a consumação do século (Mt 28.20). E temos a certeza de que “Se subo aos céus, lá estás; se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também; se tomo as asas da alvorada e me detenho nos confins dos mares, ainda lá me haverá de guiar a tua mão, e a tua destra me susterá” (Sl 139.8-10). Tudo o que temos de fazer, então, é entregar nosso caminho ao Senhor, confiar nele e saber que o mais ele fará (Sl 37.5). E se, em algum momento, sua fé vacilar e você acreditar na mentira de que teu Pai não ajudará a te sustentar, “Confia os teus cuidados ao SENHOR, e ele te susterá” (Sl 55.22).

Meu irmão, minha irmã, as ondas certamente virão, pois ninguém atravessa o mar da vida sem ser açoitado por elas. Mas tenha esta certeza: o teu Pai, que jamais se distrai ou se descuida, te susterá. Palavra de pai.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Sombra0Sombras são nossas companheiras inseparáveis. Qualquer homem ou mulher pode nos abandonar: pai, mãe, marido, esposa, filhos, irmão, colegas, amigos. Mas sombras não: elas sempre estarão ali, fieis, leais. Presentes na alegria e na tristeza, nossa sombra nunca desgruda de nós – silenciosa, soturna, com um certo ar de mistério; mas está ali, firme, constante. Temos poucas certezas na vida, mas a convicção da presença perene de nossa sombra é uma garantia inquestionável.

É interessante notar que a sombra é algo que não é. Ou seja, ela não subsiste por si só: denuncia, na verdade, a presença de luz. Não existe sombra no escuro. Ela é como um oco que se forma num espaço vazio, que a luminosidade não ocupou. Mas, embora uma sombra não exista em si, ela revela necessariamente a presença de dois elementos: o objeto que lhe deu seu formato e uma fonte de luz. Ou seja, se há ao meu lado uma sombra com o perfil de uma cadeira, isso prova que estou na presença de uma cadeira e, também, de um foco de luz.

Curioso é que, apesar da sua presença tão constante, não temos o hábito de dar muita atenção a ela. Estamos tão acostumados à sua permanência que acabamos pensando pouco ou quase nada sobre nossa leal sombra, reservamos um tempo quase nulo para refletir sobre ela e a relegamos a um papel secundário (para não dizer inexistente) em nossa vida. A verdade é que não valorizamos muito as sombras.

Exceto no calor abrasador.

Sombra5Pense bem: você chega à praia, o sol está escaldante; a areia, pelando; e a sola do seu pé começa a queimar. Seu primeiro impulso é sair correndo para…? Isso mesmo: para a primeira sombra que aparecer. Nessa hora, você põe a sombra como prioridade máxima em sua vida. O mesmo ocorre num dia de verão bem quente e abafado, quando você está na rua, morrendo de calor, atravessando uma enorme praça que precisa ser cruzada para chegar ao outro lado, enquanto o suor escorre por dentro de sua roupa. Ao seu lado há um muro que projeta um corredor sombreado ao longo do caminho. Por onde você procura andar: pelo meio da praça ou junto ao muro, pela sombrinha? Pensemos em uma terceira situação: você chegou a um estacionamento a céu aberto naquele dia de rachar. Há muitas vagas ao sol e apenas uma junto a uma árvore solitária, com aquela sombrinha preciosa. Onde você procura parar o carro? Em geral, buscamos instintivamente o alívio proporcionado por aquele pedacinho de área fresca. Essas realidades revelam que, quando estamos debaixo de um calor abrasador, a sombra, normalmente relegada a um plano de pouca ou nenhuma importância, recebe papel de primazia.

Salmos 91 fala sobre a sombra de Deus. Claro que é uma metáfora, ou seja, algo dito em linguagem figurada, pois o Altíssimo, por ser espírito, não tem sombra, além do que Ele é a própria fonte de luz. Ele é o sol. Ele é a luz do mundo. No mundo espiritual, só projeta sombra quem sobre si recebe a luminosidade que vem do Divino; já quem está longe do Senhor vive em trevas: não projeta sombra porque a luz não o alcança e, portanto, vive circundado de escuridão.

Sombra3Mas quando o salmista usa a imagem metafórica da sombra de Deus, nos remete a uma realidade muito parecida com as que mencionei nos exemplos da praia, da praça e do estacionamento. Porque o Onipotente está sempre conosco, constantemente disposto a nos proteger e a dar alívio. Nos momentos de maior tribulação e sofrimento, o fato de a sombra do Todo-poderoso estar por perto denuncia que Ele não nos abandonou. Onde está a sombra de Deus certamente nosso Pai está. Nossa vida pode estar sufocante, podemos estar vivendo agonias que parecem não ter fim, o chão sob nossos pés queima ante a quentura das circunstâncias, não há muro que nos dê alento debaixo do calor da insegurança e parece não haver nenhum lugar onde estacionar sem que torremos debaixo das temperaturas elevadas de um dia a dia que não dá tréguas. Sufocamos. Queimamos. Suamos. Agonizamos. Não há repouso nem paz na vida.

Mas, então… a suave voz de Deus nos aponta um caminho: “Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo e descansa à sombra do Onipotente…” (Sl 91.1). Sim, existe a sombra do Onipotente, um refúgio seguro onde buscar descanso, onde refazer as forças para a jornada da vida, um local de segurança e alívio. Estar ao lado desse Ser que nos esconde, protege, fortalece e guarda dos ambientes hostis da luta diária é a saída para todos os males que podem nos atingir.

Sombra2E a promessa do descanso ofertado para quem se achegar à sombra do Onipotente vai além daquilo que uma sombrinha comum pode proporcionar. É uma promessa de proteção, confiança, livramento, segurança, saúde, paz, tranquilidade, vida, preservação e justiça. Veja: “Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo e descansa à sombra do Onipotente diz ao SENHOR: Meu refúgio e meu baluarte, Deus meu, em quem confio. Pois ele te livrará do laço do passarinheiro e da peste perniciosa. Cobrir-te-á com as suas penas, e, sob suas asas, estarás seguro; a sua verdade é pavês e escudo. Não te assustarás do terror noturno, nem da seta que voa de dia, nem da peste que se propaga nas trevas, nem da mortandade que assola ao meio-dia. Caiam mil ao teu lado, e dez mil, à tua direita; tu não serás atingido. Somente com os teus olhos contemplarás e verás o castigo dos ímpios. Pois disseste: O SENHOR é o meu refúgio. Fizeste do Altíssimo a tua morada. Nenhum mal te sucederá, praga nenhuma chegará à tua tenda. Porque aos seus anjos dará ordens a teu respeito, para que te guardem em todos os teus caminhos. Eles te sustentarão nas suas mãos, para não tropeçares nalguma pedra. Pisarás o leão e a áspide, calcarás aos pés o leãozinho e a serpente…” (Sl 91.1-13).

Lindas promessas, não? Mas aí você pode se perguntar: e o que é preciso para eu viver essas promessas em minha vida? Simples. Vamos continuar ouvindo a voz do Senhor: “…porque a mim se apegou com amor, eu o livrarei; pô-lo-ei a salvo, porque conhece o meu nome. Ele me invocará, e eu lhe responderei; na sua angústia eu estarei com ele, livrá-lo-ei e o glorificarei. Saciá-lo-ei com longevidade e lhe mostrarei a minha salvação” (Sl 91 14-16). Eis o segredo:

1. Apegue-se com amor a Deus.

2. Busque-o, saiba quem Ele é, aprofunde-se no conhecimento do Senhor, isto é, “conheça o seu nome”.

Basta conhecer Jesus e amá-lo. Não é difícil. Com isso, ele responderá tuas orações, te acompanhará em tuas angústias, te livrará de todo mal e concederá longevidade. E, de tudo, aquilo que mais nos enche de júbilo, esperança e alegria eterna: mediante teu amor e busca, o Onipotente te dará salvação e te glorificará, junto com Ele, pelos séculos dos séculos.

Paz a todos vocês que descansam à sombra do Onipotente,
Maurício

Natal1Natal não tem como foco dar presentes, muito menos falar sobre Papai Noel ou decorar sua casa com luzes e enfeites – tudo isso é o padrão do mundo. A Bíblia nos conclama: “Não se amoldem ao padrão deste mundo” (Rm 12.2). Natal é momento de celebrarmos apenas um único fato: “Cristo Jesus [...] embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens. E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até a morte, e morte de cruz!” (Fp 2.5-8). E isso ocorreu “porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. Pois Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que este fosse salvo por meio dele” (Jo 3.16-17). É isso que celebramos.

Por que é importante anualmente trazer à memória o nascimento de Cristo? Porque importa “trazer à memória o que me pode dar esperança” (Lm 3.21). E, mediante essa esperança, Paulo nos exorta: “Alegrem-se na esperança” (Rm 12.12), logo, Natal é período de alegria e celebração! Natal2E celebração por algo extraordinário, o fato de que “um menino nos nasceu, um filho nos foi dado, e o governo está sobre os seus ombros. E ele será chamado Maravilhoso Conselheiro, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz. Ele estenderá o seu domínio, e haverá paz sem fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, estabelecido e mantido com justiça e retidão, desde agora e para sempre” (Is 9.6-7). Assim, celebrar o nascimento do “Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (Jo 1.29) é também se lembrar do que isso significa para o nosso futuro: que, naquele grande dia, “o próprio Deus estará com eles e será o seu Deus. Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem já passou” (Ap 21.3-5).

A ocasião do Natal deve direcionar nossos pensamentos para a Palavra que “estava com Deus, e era Deus [e] estava com Deus no princípio” (Jo 1.1-2). Não para o feriado, a Ceia, os presentes, as férias ou o que for, pois isso não é nem de longe o foco. Minha sugestão? Celebre o Natal pensando em Cristo e nas consequências da vinda dele à terra. Eu recomendaria comemorar a data com algumas atitudes que tomam como ponto de partida muito do que foi dito no episódio do nascimento de Cristo:

1. Renove sua fé – lembrando, como disse Gabriel, que “nada é impossível para Deus” (Lc 1. 37). Você tem vivido de fato como quem crê que o seu Deus pode tudo?

2. Renove sua entrega a Deus – lembrando, como disse Maria, que importa que “aconteça comigo conforme a tua palavra” (Lc (1.38). Você tem de fato priorizado a vontade de Deus em tudo, amando  “o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todas as suas forças e de todo o seu entendimento [e amando] o seu próximo como a si mesmo” (Lc 10.27)? Tem buscado de fato “em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça” Mt 6.33)?

3. Adore ao Senhor – assim como disse Maria, que seus lábios digam “Minha alma engrandece ao Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador” (Lc 1.47). Você tem de fato adorado a Deus “em espírito e em verdade” (Jo 4.24)?

4. Confie que a graça de Deus está presente em sua vida – por saber, como disse Maria, que “A sua misericórdia estende-se aos que o temem, de geração em geração” (Lc 1.50). Você tem vivido como quem sabe que a compaixão de Deus é absoluta para aqueles que o buscam em arrependimento? Ou tem se deixado levar pela mentira de que não há perdão para você, quando a Bíblia deixa claro que “O Senhor é compassivo e misericordioso, mui paciente e cheio de amor.  Não acusa sem cessar nem fica ressentido para sempre; não nos trata conforme os nossos pecados nem nos retribui conforme as nossas iniquidades. Pois como os céus se elevam acima da terra, assim é grande o seu amor para com os que o temem; e como o Oriente está longe do Ocidente, assim ele afasta para longe de nós as nossas transgressões. Como um pai tem compaixão de seus filhos, assim o Senhor tem compaixão dos que o temem; pois ele sabe do que somos formados; lembra-se de que somos pó” (Sl 103.3-5; 8-14)?

5. Lembre-se de que a presença de Jesus traz alegria - como disse o anjo aos pastores, “estou lhes trazendo boas novas de grande alegria” (Lc 2.10). Será que você tem vivido a alegria que é “fruto do Espírito” (Gl 5.22-23)? Aquela que vem “porque seus nomes estão escritos nos céus” (Lc 10.20)? Você deixa seu ânimo se guiar mais pela tristeza causada pelas dificuldades da vida ou pela alegria causada pelo fato de que Jesus te deu a vida eterna?

6. Reflita sobre quem é Jesus – como o anjo disse aos pastores, “Hoje, na cidade de Davi, lhes nasceu o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lc 2.11). Você consegue compreender o profundo significado prático e objetivo de ter sido escolhido e chamado por aquele que salva e que é Senhor de todo o universo?

7. Glorifique a Deus – como os anjos cantaram, “Glória a Deus nas alturas” (Lc 2. 14). Você tem glorificado o Senhor não só com os lábios, mas com cada atitude sua?

8. Pense em como você tem contribuído para a paz entre as pessoas - como os anjos cantaram, “paz na terra aos homens aos quais ele concede o seu favor” (Lc 2.14). Você tem sido um bem-aventurado pacificador (Mt 5.9), alguém que transborda a paz que é “fruto do Espírito” (Gl 5.22-23), ou tem sido agressivo, promovido discórdias, usado a língua para o mal, feito intrigas, inflamado corações, estimulado conflitos, alimentado polêmicas, se deleitado em controvérsias?

9. Analise o quanto vale sua vida hoje – como disse o velho Simeão, “Ó Soberano, como prometeste, agora podes despedir em paz o teu servo” (Lc 2.29). Você seria capaz de dizer hoje mesmo a Deus que pode partir em paz desta vida, porque o tempo que passou sobre a terra já valeu a pena? Tem vivido cada dia como se fosse o último? Tem abençoado o próximo? Tem perdoado? Tem edificado vidas? Tem deixado um legado? Viveu seus anos amando, ajudando, abençoando, entregando-se, devotando-se? Em resumo, sua vida já deu frutos dignos de serem apresentados diante do Criador? Se não… o que está esperando?

A encarnação de Cristo nos conduz a muitas reflexões. Mas refletir não basta, se apenas pensarmos e não tomarmos nenhuma atitude a partir das conclusões a que chegamos. Algo ainda não está bom? Precisa melhorar? Necessita galgar novos patamares? A hora é esta.

E que, acima de tudo, o Natal sirva para lembrar da verdade máxima da vida: “Pois dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele seja a glória para sempre!” (Rm 11.36).

Amém.

Paz a todos vocês que estão em Cristo. E um Natal feliz e cheio da maravilhosa graça,
Maurício