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Inimigo de nossas almas1Ele é mau. Sua natureza o faz agir diariamente contra nós. Ninguém tem maior capacidade de nos prejudicar do que ele. Seus pensamentos constantemente vão contra aquilo que é puro e bom. Suas ações cotidianamente sabotam nossa santidade. Ele é o grande responsável por cada um dos pecados que cometemos. Ele é o maior adversário de cada cristão na luta diária para ser fiel a Deus. Ele é o inimigo de nossas almas. Você sabe de quem estou falando. Sabe, não sabe? Então diga o nome dele em voz alta. Não se preocupe, ele não vai mordê-lo. Pode dizer.

Já disse?

Pois bem, se você disse “Satanás”, lamento, não é essa a resposta. O nome que deveria ter dito é… o seu próprio. Porque o maior inimigo de sua alma é você mesmo.

Para muitos o que acabei de dizer pode soar estranho. Mas, se você achava que seu grande adversário era o Diabo, está na hora de reconsiderar. Por uma simples razão: embora tente constantemente influenciá-lo, ele não obriga você a fazer absolutamente nada. Você faz porque decide fazer.

Inimigo de nossas almas2Vamos pensar em Adão e Eva. A serpente obrigou um dos dois a comer o fruto proibido? Não, não obrigou. Do mesmo modo que, em nossos dias, o Diabo não nos obriga a cometer nenhum pecado. O que ele fez com o primeiro casal e o que faz hoje é exatamente a mesma coisa: sedução. Satanás não força ninguém a nada, ele apenas sugere. Sussurra. Mostra possibilidades. Incentiva. Usa toda a sua lábia para fazermos o que ele quer. Mente que não haverá consequências. Mas quem toma a decisão de pecar somos eu e você. A única circunstância em que o Diabo obriga um ser humano a algo é na possessão demoníaca. Como não é o seu caso, não existe nada que Satanás possa levá-lo a fazer, contra a sua vontade, se você não consentir.

A verdade é que todas as vezes em que eu pequei, o fiz por decisão própria. Eu escolhi pecar. Tinha as duas possibilidades, o “sim” e o “não”, mas optei pelo “sim”. A responsabilidade por cada pecado da minha vida é  minha, o que me torna a pessoa com maior potencial de prejudicar a mim mesmo. Evidentemente, o Diabo tem um importante papel nessa equação. A ação dele é simbolicamente parecida com aquilo que você já viu em alguns desenhos animados, em que o personagem fica com um demoniozinho perto da orelha, ouvindo incentivos para fazer algo. Na vida real, os demônios só têm poder para fazer isto: tentar seduzir as pessoas para que pequem. O espírito maligno sugere: “Faça”. Mas quem faz… é você.

Inimigo de nossas almas3Paulo falou sobre isso. “Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço” (Rm 7.19). Note que ele não diz “o mal que não quero o Diabo me obriga a fazer”: Paulo assume a responsabilidade. Ficar pondo a culpa em Satanás por todas as coisas ruins que fazemos cria um grande problema para nós. Pois, se terceirizamos a culpa de nossas transgressões, acabaremos, como Pilatos, crendo que estamos com as mãos limpas porque as lavamos. “Eu fiz porque o Diabo me obrigou”, podemos dizer. Só que essa não é uma afirmação bíblica. Seria leviandade pôr a culpa de nossos erros em alguém que, por mais que tente de todo jeito fazer que pequemos, não tem poder nenhum de nos fazer pecar.

Eu peco porque decido pecar. Todos os meus pecados são responsabilidade minha. Eu é que darei contas de cada pensamento, palavra e ação que puser em prática. O mesmo se aplica a cada pessoa do planeta. Peço a Deus que essa percepção nos leve a tomar mais cuidado a cada nova tentação que atravessar nosso caminho.

Inimigo de nossas almas4Ah, sim, não quero que essa realidade deixe você triste. É uma verdade que não deve nos abater, mas sim nos deixar alertas, vigilantes, precavidos – atentos aos sussurros sedutores de Satanás e às nossas próprias atitudes. E uma boa notícia, de que você nunca deve se esquecer: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1Jo 1.9). Jesus morreu na cruz para perdoar cada uma das suas transgressões. O sangue dele repousa sobre você. E não há nada que o Diabo possa fazer com relação a isso.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Gay1O assunto de que desejo tratar hoje é extremamente delicado, em especial em nossos dias: homossexuais nas igrejas. Por isso, se você for adiante na leitura, é importante que leia com muita calma e atenção o texto a seguir (que é longo), porque, caso contrário, a probabilidade de que tenha um entendimento errado acerca da reflexão que levanto aqui é enorme. Não é novidade para ninguém que existe atualmente uma forte tensão entre as igrejas (evangélica ou católica) e a militância LGBT, formada por homossexuais. Não quero entrar pelo mérito das polêmicas, PL 122, nada disso. Já tem gente demais falando sobre o assunto pelo viés político, debatendo aspectos legais e similares. Não quero falar sobre a “cura gay”, o “casamento gay” ou qualquer outra controvérsia macro.

O que me interessa aqui é tratar especificamente do âmbito da alma humana e do amor pelo próximo.

Acerca da homoafetividade em si não há muito o que dizer. Cientificamente e psicologicamente, ninguém até hoje sabe o que leva uma pessoa a ser homossexual. Eu não sei, você não sabe, ninguém sabe. Há muitas teorias, todas inconclusivas. Mas o que todos sabem é que, para a fé cristã, a prática homossexual é pecado. Ponto. Não sou eu quem diz, está na Bíblia. Não é uma questão de opinião pessoal, é algo afirmado no livro sagrado do cristianismo. Se você crê na Bíblia vai acreditar nisso; se não crê, não vai. Logo, o que está em debate não é se a prática homossexual é biblicamente pecado ou não. À luz das Escrituras, os cristãos encontram a resposta em passagens como:

“Por causa disso Deus os entregou a paixões vergonhosas. Até suas mulheres trocaram suas relações sexuais naturais por outras, contrárias à natureza. Da mesma forma, os homens também abandonaram as relações naturais com as mulheres e se inflamaram de paixão uns pelos outros. Começaram a cometer atos indecentes, homens com homens, e receberam em si mesmos o castigo merecido pela sua perversão.” (Rm 1.26-27).

“Não se deite com um homem como quem se deita com uma mulher; é repugnante.” (Lv 18.22).

“Vocês não sabem que os perversos não herdarão o Reino de Deus? Não se deixem enganar: nem imorais, nem idólatras, nem adúlteros, nem homossexuais passivos ou ativos e nem ladrões, nem avarentos, nem alcoólatras, nem caluniadores, nem trapaceiros herdarão o Reino de Deus.”  (1Co 6.9-10).

“Sabemos que a Lei é boa, se alguém a usa de maneira adequada. Também sabemos que ela não é feita para os justos, mas para os transgressores e insubordinados, para os ímpios e pecadores, para os profanos e irreverentes, para os que matam pai e mãe, para os homicidas, para os que praticam imoralidade sexual e os homossexuais, para os sequestradores, para os mentirosos e os que juram falsamente; e para todo aquele que se opõe à sã doutrina” (1Tm 1.8-10).

Portanto, para a fé cristã, o evangelho de Jesus Cristo, a Bíblia sagrada, o cristianismo… a prática homossexual é pecado – ou seja, algo que contraria a vontade de Deus. Isso é um fato de fé, ou seja: crê quem crê; não crê quem não crê.

O que gostaria de trazer à reflexão é a forma como nós, cristãos, temos lidado com seres humanos homossexuais que chegam às nossas igrejas. Sejamos francos: a maioria de nós, membros ou líderes, não sabe muito bem o que fazer quando alguém entra em nossa congregação e diz: “Sou homossexual, creio que a prática homossexual é pecado e amo Jesus Cristo, meu Senhor e Salvador”. E esse nosso despreparo nos tem feito ferir – acredito eu que, na maioria das vezes, sem querer – muitas almas. Que deveriam ser amadas, tratadas, cuidadas, acolhidas, discipuladas.

Gay2Conheço todas as teorias. Já ouvi que homossexuais são endemoninhados, que decidiram ser gays, que são fruto de uma mutação genética, que tiveram traumas de infância… há muitas explicações para o que faz um homoafetivo ser homoafetivo. A verdade é que, até hoje, ninguém sabe. Ninguém comprovou nada. Há muita especulação sendo proclamada como fato irrefutável, mas, na realidade, não há nenhuma resposta definitiva. Para muitos, não tem nem o que discutir: se é gay basta passar por um “processo de libertação” e a pessoa se tornará heterossexual. Ou basta decidir não ser mais gay de uma hora para outra e pronto. É o que dizem, mas… sinceramente? Eu não sei. Não sei a causa da homossexualidade. Não sei como resolver o caso de alguém que é gay e diz que não quer mais ser. Honestamente, não sei. Deixo a questão para os especialistas.

Enquanto o debate sobre aspectos políticos, legais, psicológicos, científicos e similares segue a todo vapor, vejo homossexuais entrarem pelas portas de nossas igrejas, confessarem Jesus como Senhor e Salvador e passarem a viver entre nós. É aí? Como lidamos com eles? Será que temos amado essas pessoas? Será que temos estendido graça a elas? Será que as discipulamos com carinho, respeito e amor ou as discriminamos, segregamos, ofendemos, machucamos, expulsamos, extirpamos de nosso meio?

Afinal, lidamos com uma certa tranquilidade e/ou tolerância em nossas igrejas com indivíduos sobre os quais a Bíblia diz que “Aqueles que praticam essas coisas não herdarão o Reino de Deus” (Gl 5.21), como idólatras (de bens, dinheiro ou pessoas) que dizem professar a fé em Cristo; como gente que odeia e diz professar a fé em Cristo; indivíduos que promovem a discórdia e dizem professar a fé em Cristo; ciumentos que dizem professar a fé em Cristo; irados que dizem professar a fé em Cristo; egoístas que dizem professar a fé em Cristo; invejosos que dizem professar a fé em Cristo; e gente que promove dissensões e facções mas diz professar a fé em Cristo. Só que, quando se trata de um gay que diz professar a fé em Cristo… ficamos meio perdidos.

Então, esta é a grande pergunta deste texto: como eu e você tratamos um gay que entra em nossa igreja?

Gay3Um jovem cujo nome vou manter no anonimato deixa, há algum tempo, comentários no APENAS. Ele é gay. Nascido e criado na igreja evangélica, afirma que ama Jesus. Sua experiência congregacional, no entanto, é péssima. Ele alega ter sido maltratado e discriminado a tal ponto pelos irmãos na fé que sua alma carrega feridas profundas. Ele compartilha a visão bíblica de que a prática homossexual é pecado e não nega isso em nenhum momento. Mas suas palavras mostram alguém perdido em meio ao tiroteio, num conflito profundo entre sua fé e sua realidade afetivo-sexual. Eu o convidei para escrever um texto sobre sua experiência como homossexual dentro da igreja, que vou reproduzir a seguir. Com que finalidade? Nos fazer refletir. Para que possamos pensar sobre o que se passa no coração de seres humanos gays que creem que a prática homossexual é pecado e afirmam seu amor por Cristo. Pois eu e você sabemos perfeitamente o que dizem os cristãos sobre a homossexualidade. Sabemos perfeitamente o que os homossexuais não cristãos dizem sobre a homossexualidade. Mas… e um homossexual que professa a fé em Cristo e repudia sua homossexualidade, você sabe o que ele diz? O que sente? Que conflitos enfrenta?

Que fique claro: sou cristão e, como tal, creio no que a Bíblia diz sobre a prática homossexual. No entanto, procuro não discriminar ninguém. Não tenho preconceitos, mas sim conceitos quanto ao assunto. E não sou homofóbico, pois não tenho fobia a homossexuais. Tampouco sou a favor da prática homossexual. Por outro lado, sou totalmente a favor de tratar gays como seres humanos. E penso que, se não sabemos como lidar com um gay que se senta nos bancos da igreja, está mais do que na hora de descobrirmos.

Não acredito que devemos passar a mão na cabeça do pecado. Mas creio piamente que devemos abraçar com todo o carinho do mundo o pecador.

Cedo agora a palavra ao meu convidado. Leia, Reflita. Questione. Critique. Tudo bem discordar dele. Tudo bem repensar atitudes suas. Não espero que todos concordem com esse rapaz ou que discordem dele, mas gostaria que você, pelo menos, pensasse um pouco sobre o que nós, evangélicos, fizemos a esse jovem (que representa uma multidão de pessoas em situação análoga à dele) para que ele se apresente como alguém tão ferido pela igreja. Será que poderíamos ter feito algo diferente?

Ao depoimento:

“Mexer em uma ferida pode ser algo doloroso e com certeza desagradável, ainda mais se esta ferida estiver aberta. Eu tenho uma ferida que foi aberta anos atrás, quando ainda era criança e, pelo visto, permanecerá assim por um longo tempo. Nasci e fui criado em um lar evangélico, meus pais são evangélicos (já não tenho mais pai); grande parte de meus parentes são ou evangélicos ou católicos. Estou com 31 anos e desde que criei consciência enfrento uma guerra contra o homossexualismo (digo homossexualismo e não homossexualidade pois me sinto patologicamente gay). A homossexualidade refere-se à dificuldade que o indivíduo tem de se relacionar com indivíduos do mesmo sexo, e não o oposto, como muitos pensam. São anos de luta interior, confusão e, obviamente, falta de apoio, já que costumamos temer o que não entendemos e a homossexualidade é um grande mistério tanto dentro quanto fora do sistema religioso.

O cerne desta questão é exatamente a dificuldade. Ela vem de todos os lados. Por muito tempo tentei manter uma vida religiosa saudável. Ia à igreja, orava, jejuava, lia a Bíblia com frequência, participava das atividades da igreja da qual era membro, mas sempre com este espinho na minha carne incomodando. Tentei resistir até onde pude, mas chegou o momento em que a solidão e os medos oprimiram tanto que decidi dar um tempo da igreja. Muitos questionamentos começaram a rondar minha cabeça. Ninguém escolhe ser homossexual. No meu caso escolheram para mim. Apesar de ter pais evangélicos, sofri tentativas de abuso de meu próprio pai! Perdoem o pleonasmo, mas poucas coisas conseguem reforçar o medo e angústia que a situação traz. Por muitas vezes pensei em pedir ajuda, mas quem acreditaria em um moleque que vivia à sombra da vontade soberana de seu pai? Ninguém daria crédito. Passei anos da minha vida com medo e frustrado, e, quando se passa muito tempo nesse estado, o sentimento se torna ódio. Desejei que meu pai morresse e, quando ele morreu, não senti remorso nem arrependimento, senti liberdade. Não que eu tenha prazer na morte dele, mas tenho na ausência.

Por vezes pensei em conversar com o pastor da igreja que frequentava, mas ele me aterrorizava. Não o considero um pastor além da formalidade do cargo, mas um mero fantoche de um sistema. Mudei de igreja na tentativa de mudar o quadro e no fim das contas nada mudou. Em maio deste ano conheci um rapaz, nos envolvemos e pude tirar muitas dúvidas. Mas a verdade é que não cheguei a conclusão nenhuma. Não sendo assumido, precisava me esconder, até que um dia fomos pegos pela polícia. Dois policiais tentaram nos extorquir, foi uma situação traumática e humilhante. Naquele momento entendi que meu lugar não era me escondendo, mas sim no caminho reto. Mas qual é este caminho reto? Abri mão do relacionamento, estou tentando me firmar na igreja novamente, tenho recebido ajuda de algumas pessoas. Escrevo um blog que me serve como um canal para catarse. Mas a dúvida continua. A guerra continua. Infelizmente a igreja está longe de saber lidar com indivíduos como eu. Sei que existem muitos rapazes e moças oprimidos pela homossexualidade dentro das igrejas e muitos não sabem como agir.

Dói profundamente ver que hoje, ao invés de amar e estender a mão àqueles que buscam ajuda, muitos têm usado a mídia e os púlpitos para conclamar uma guerra contra a comunidade homossexual. Não que eu seja a favor do PLC 122, mas, como alguém que sente na pele a rejeição e o preconceito, também não sou de todo contra. Somos culpados sim pelo mal que se alastra, pois não somos capazes (e falo como cristão) de seguir o exemplo de Cristo. Sei que não somos perfeitos, mas, como diz a letra da música, se a verdade é o que pregamos, por que erramos não sendo um?

Quantas histórias eu já ouvi de jovens que não suportam a pressão e veem no suicídio a resposta! E, muitas vezes, estamos discutindo valores que sequer temos em frente para passar! Meu Deus! Não é fácil lutar esta guerra, a maior parte do tempo ela é solitária. Acredito que alguns consideram homossexualidade o pecado-mor. Sei que, ao contrário do que a máxima popular diz que “pra Deus não há pecadinho nem pecadão”, há sim diferença de pecados, mas devemos entender que pecado significa errar o alvo, e o apóstolo Paulo, em Romanos 3.23, diz que TODOS pecaram e destituídos estão da glória de Deus. Alguns se esquecem de que estamos todos encerrados debaixo do mesmo fardo, que é o pecado, e que só o sangue de Cristo pode nos limpar.

Quantas vezes quis trabalhar na igreja, mas era visto com desconfiança. Chegaram até o ponto de me dar um cargo em uma sexta-feira e tirar-me no sábado. Eu vi de perto a história de pessoas que estavam por um fio e foram chutadas de dentro da igreja. Hoje estão sem Deus e, o pior, as acusações contra estas pessoas foram as mais pesadas possíveis. Acredito que, se você quer ganhar alguém para sua causa, deve ser simpático e amável com a pessoa, no mínimo.

Como já disse, todos estamos encerrados debaixo do pecado. A igreja deveria se lembrar de que, quando Deus olha para a humanidade, Ele nos olha através do sacrifício de Cristo. Eu, mesmo sendo homossexual, estou sendo visto por Deus através de Cristo e do sacrifício que Ele fez. Jesus também morreu por mim! Queria saber como enfrentar e como ajudar aquelas pessoas que enfrentam a homossexualidade, mas definitivamente não sei. O que sei é que, sem amor, jamais serão ganhas para Cristo.

Um dos maiores eruditos cristãos da atualidade, o Dr. William Lane Craig, em seu livro Apologética para questões difíceis da vida, defende que ser homossexual não é pecado, afinal não parte de uma escolha do indivíduo, mas a prática da homossexualidade sim. Acredito que este pensamento esteja correto. Afinal, além de ele ser uma autoridade em questões bíblicas, para mim é exatamente o que faz sentido. Baseado nisso, um dos passos para se vencer esta batalha é exatamente a negação desta natureza. Dói demais, não queria saber o quanto. Quisera a igreja ter esta percepção e, ao invés de partir para o ataque, lembrar-se de que Cristo nos chamou para amar o pecador. Muitos também esquecem que a Palavra nos diz, em Efésios 6.12, que nossa luta não é contra carne nem sangue, mas sim uma batalha espiritual!

Eu decidi acreditar em Deus, decidi e concluí que não vale a pena trilhar o caminho da homossexualidade. Tudo que peço é que você que está lendo este texto agora e conhece alguém nesta situação pare e pense: o que Jesus faria? Como Ele trataria alguém que enfrenta este fardo? Se cada pessoa que me julgou e me apedrejou tivesse apenas orado pela minha vida, acredito que tudo estaria diferente agora. Sei que é difícil combater uma guerra quando não conhecemos direito nosso inimigo, mas a Igreja de Cristo tem ao seu lado o Conhecedor de TODAS AS COISAS. Por muitas vezes pensei que Deus ou teria um plano grandioso ou queria me enlouquecer. Muitas vezes beirei a loucura. Se você não sabe o que é passar mais de vinte anos negando sua natureza não tente entender. Não são vinte horas nem vinte dias, são vinte ANOS. Que Deus me ajude a seguir em frente”.

Gay4É isso. Eu, Zágari, não sou homossexual. Mas sou um monte de outras coisas. E confesso: eu peco todos os dias. Ficaria feliz se meus irmãos em Cristo olhassem meus pecados e me ajudassem a superá-los, que dobrassem os joelhos ao meu lado e, mesmo sabendo da terrível natureza pecaminosa que tenho, orassem comigo e por mim. Ficaria feliz se não pisassem na minha cabeça ao tomar conhecimento das minhas iniquidades. Acredito que você, que também desobedece Deus dia após dia, desejaria que agissem assim com relação aos seus pecados. Não devemos nunca ser coniventes com o pecado. Com relação a ele, a única e exclusiva atitude que a Bíblia nos orienta a tomar é: arrepender-se, confessar e deixar. Mas, por favor, faça um  esforço e não deixe de me amar por causa dos muitos pecados diários que cometo; pelo contrário, ajude-me com amor cristão a superá-los. Tentarei fazer o mesmo com você, que peca muito e peca todos os dias. E seria ótimo se eu e você fizéssemos o mesmo com relação a todos os outros pecadores do mundo.

Espero que você consiga sentir em si a dor desse rapaz, que é a dor de muitas e muitas pessoas que vivem situações parecidas à dele. Para que, de fato, ame o próximo como a si mesmo – mesmo que considere o próximo um pecador. Pois “Se alguém afirmar: ‘Eu amo a Deus’, mas odiar seu irmão, é mentiroso, pois quem não ama seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê.” (1Jo 4.20). Este post não traz respostas, mas deixa uma pergunta: será que temos amado como Jesus amou?

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

A Grande Batalha  Espiritual Capa1.

Em nossos dias, muito se fala sobre batalha espiritual. Já se escreveu de tudo sobre o assunto, de livros muito bons a alguns absurdos. Por se tratar de um tema que mexe com o sobrenatural, fascina e atrai muitos. O que a Bíblia fala de fato sobre essa guerra invisível, que tem consequências tão visíveis em nossa vida? O que é bíblico e o que é invenção humana? Qual é, realmente, a grande batalha espiritual que todos vivenciamos?

Um grupo de cinco pastores da denominação de que sou membro se reuniu e escreveu um livro sobre o assunto. Particularmente, considero esse o material mais bíblico que já li sobre o tema. O texto está sendo disponibilizado gratuitamente, somente como livro eletrônico, e pode ser baixado em formato de PDF (para leitura em computadores e tablets ou para ser impresso pelo leitor em sua impressora pessoal).

Com a concordância dos cinco autores, o APENAS está oferecendo esse e-book como presente a você, se tiver interesse de ler. Eu recomendo a leitura, que é bastante fácil e rápida. Para fazer o download do PDF basta clicar no link abaixo. A iniciativa não tem fins lucrativos e o único objetivo (dos autores e meu) é a edificação da Igreja. Por isso, fique à vontade para baixar o arquivo para sua leitura e para repassá-lo a quem desejar. Só não se autoriza a venda, em nenhuma circunstância, desse material sem a autorização expressa dos autores.

Se desejar ler, oro a Deus que esse texto seja muito esclarecedor e edificante para você:

A GRANDE BATALHA ESPIRITUAL

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Sata2A proclamação do Evangelho deve ter como centro Jesus. A cruz. As boas-novas da salvação. Sempre. Sempre. Sempre. Podemos pregar sobre qualquer assunto correlato, desde que tenha ligação com o epicentro de nossa fé: Cristo. Pregações sobre dízimo devem ter foco em Jesus. Pregações sobre casamento devem ter foco em Jesus. Pregações sobre vida sexual devem ter foco em Jesus. Pregações sobre arrependimento devem ter foco em Jesus. Por isso, existe uma grande resistência em alguns setores da Igreja a se pregar sobre o inferno, o diabo e os demônios. Em grande parte, isso ocorre como reação à ênfase despropositada que certas denominações dão à chamada “libertação”, em todas as suas variáveis – “descarrego”, “batalha espiritual”, expulsão de demônios etc. -,  o que leva muitos a tomar uma postura contrária, eliminando totalmente do púlpito mensagens que tenham a ver com as hostes espirituais da maldade. Essa postura acaba se refletindo em todas as esferas da vida cristã dos que assim procedem, como a rejeição por livros que falem do assunto ou mesmo nas orações que fazem e nas músicas que cantam. Por muito tempo compartilhei desse pensamento. Falar sobre isso era como jogar uma barata dentro de uma refeição refinada num restaurante chique. Mas tenho revisto essa posição. Hoje estou convencido de que devemos sim pregar sobre o inferno e os perigos das forças espirituais do mal – desde que as pregações sobre o assunto tenham foco em Jesus.

A primeira razão que me fez rever essa posição foi a releitura do Novo Testamento. Lendo as Escrituras e alguns bons livros descobri, espantado, que Jesus de Nazaré falou muito nos Evangelhos sobre o inferno. Ou seja: o próprio Senhor abriu o precedente. Afirmar que não se pode pregar sermões que tratem do mundo espiritual maligno – com foco em Cristo, sempre – seria dizer que Jesus não poderia ter falado o que falou. E repreender Deus é, no mínimo, complicado. Se por um lado, o Senhor nos disse para não ficarmos eufóricos com esse assunto (“Contudo, alegrem-se, não porque os espíritos se submetem a vocês, mas porque seus nomes estão escritos nos céus” – Lc 10.20), por outro nos instrui muitas vezes sobre ele (como em “Jesus repreendeu o demônio; este saiu do menino [...]  Então os discípulos aproximaram-se de Jesus em particular e perguntaram: “Por que não conseguimos expulsá-lo? ”  Ele respondeu: [...] esta espécie só sai pela oração e pelo jejum” -  Mt 17.18-22).

Sata3Trabalho como editor de livros cristãos. Meu último projeto – sobre o qual não posso falar muito, por enquanto, por questões éticas – é uma obra de um importante pastor presbiteriano brasileiro e chanceler de uma universidades  cristã. Tradicional. Histórico. E brilhante. Surpreendeu-me, portanto, quando li em seu texto o seguinte:  “Alguém já disse que pregar sobre o inferno não é um caminho muito bom para levar pecadores ao arrependimento, porque, nesse caso, as pessoas se converteriam por medo da perdição eterna. Pessoalmente, entendo que é preferível que seja assim ao fato de o indivíduo não se converter de maneira nenhuma. Se alguém se converteu porque tem medo de ir para o inferno, isso é ótimo, mas se a conversão ocorreu por amor a Jesus é melhor ainda. Não faz mal o crente se assustar com a realidade da justiça divina”.

Cada vez mais tenho percebido a importância de alertar a Igreja, como fez o próprio apóstolo Pedro, de que “o diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge, procurando a quem possa tragar” (1 Pe 5.8). Forças do mal estão se infiltrando nas igrejas. Nas empresas cristãs. Ensinamentos diabólicos estão conquistando espaço nos corações e nas mentes dos jovens e adolescentes evangélicos. Temos guardado os portões da frente de nossas vidas pela proclamação indispensável do Evangelho de Cristo, mas, ao fecharmos os lábios contra “as ciladas do diabo” (Ef 6.11), deixamos a porta dos fundos escancarada para a entrada dos sabotadores de nossa espiritualidade.

Sata4Deus é infinitamente mais poderoso que o diabo. A velha ideia de que Satanás e Jeová disputam as almas humanas como num cabo-de-guerra, em igualdade de condições, é um erro de proporções (anti)bíblicas. O Deus criador é tão superior ao diabo criatura que, com um piscar de olhos, Ele poderia, se quisesse, eliminar todos os demônios, todo o inferno, tudo, tudo, tudo. Então, imaginar que o diabo é inimigo direto do Todo-poderoso chega a ser engraçado, pois o querubim caído não pode absolutamente nada contra o criador do universo. Na-da. Ele é inimigo, isso sim, dos homens, a quem consegue astutamente enganar. Em especial aqueles que não estão alertas contra esse engano  e que se julgam imunes à tentação maligna.

Portanto, é por isso que Paulo, o apóstolo, prega à igreja de Éfeso: “A nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes” (Ef 6.12). E deixar de fora das nossas preocupações, do nosso discurso e da nossa pregação essa realidade seria ignorar um assunto tratado extensamente por Jesus e por seus discípulos nos evangelhos, nas epístolas e em Apocalipse. Seria uma irresponsabilidade.

Sata5A literatura cristã está repleta de livros sérios que alertam para o tema, seja de forma direta ou por meio da ficção. Um exemplo que imediatamente me vem à mente é o do grande C.S.Lewis, que escreveu as obras ficcionais “Cartas de um diabo a seu aprendiz”, “O Grande Abismo” e “As crônicas de Nárnia”, que mostram explicita ou implicitamente a ação de demônios e – graças a Deus – despertam o fascínio sobre o tema. Aliás, dedicar tempo e tinta para alertar a Igreja contra o inferno, o diabo e seus ardis fez parte da preocupação de grandes homens de Deus desde o princípio. Além do próprio Jesus e dos autores canônicos, os primeiros escritos da época patrística trazem textos sobre o assunto de alguns pais da Igreja, como Orígenes (“De principiis”), Gregório de Nissa e outros. Assim foi e prosseguiu pelo período da escolástica (com Erasmo) e da Reforma (com Lutero e Zuínglio), seguindo por John Wesley, John Bunyan e outros (a série do website Voltemos ao Evangelho sobre “A História do Inferno” fornece uma boa bibliografia sobre o assunto). A conclusão é que sempre houve na Igreja cristã saudável a preocupação de pregar e escrever sobre Satanás, os demônios e o inferno – de Jesus a John Piper e Paul Washer. Basta procurar.

Em nossos dias, livros e relatos de ficção apresentados como verídicos, como as histórias de Rebecca Brown e similares, prestaram um desserviço à Igreja, por dois ângulos: de um lado houve quem cresse em seus contos como se fossem realidade e passasse a viver segundo suas ficções. Do outro, quem percebeu que se tratava de uma farsa passou a ter um preconceito refratário a qualquer coisa do gênero, qualquer livro que toque no assunto, qualquer música que mencione o diabo ou o inferno. O satanismo, uma realidade tão presente e infiltrada nas igrejas, ministérios e outros ambientes cristãos, tornou-se um assunto sobre o qual não se deveria falar. Com isso, saiu perdendo a importância bíblica e histórica de se tratar e de pregar sobre a questão. E quem saiu ganhando? Preciso responder?

Até mesmo na música. O tradicional hino “Castelo Forte”, composto pelo reformador Martinho Lutero,  dedica quase metade de suas linhas ao diabo e os demônios (depois que ele afirmou, veja você: “Não pretendo deixar para o Diabo as melhores melodias!”):

“Castelo forte é nosso Deus,
Amparo e fortaleza:
Com seu poder defende os seus
Na luta e na fraqueza.
Nos tenta Satanás,
Com fúria pertinaz,
Com artimanhas tais
E astúcias tão cruéis,
Que iguais não há na Terra.

A nossa força nada faz:
Estamos, sim, perdidos.
Mas nosso Deus socorro traz
E somos protegidos.
Defende-nos Jesus,
O que venceu na cruz
O Senhor dos altos céus.
E sendo também Deus,
Triunfa na batalha.

Se nos quisessem devorar
Demônios não contados,
Não nos podiam assustar,
Nem somos derrotados.
O grande acusador
Dos servos do Senhor
Já condenado está:
Vencido cairá
Por uma só palavra.

Que Deus a luta vencerá,
Sabemos com certeza,
E nada nos assustará
Com Cristo por defesa.
Se temos de perder
Família, bens, poder,
E, embora a vida vá,
Por nós Jesus está,
E dar-nos-á seu reino.”

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Sata6O inferno existe e é um assunto sério. Bíblico. Jesus falou e pregou sobre ele – e muito. Devemos fazer o mesmo. Satanás e os demônios são um assunto sério. Bíblico. Jesus lidou pessoalmente, expulsou constantemente e falou sobre eles – e muito. Devemos fazer o mesmo. Se for preciso despertar o fascínio sobre o assunto, que assim seja. Pois, no pesar da balança, é melhor pecar pelo excesso do que pela omissão. Pois o que está em jogo aqui são almas humanas. Precisamos saber lidar de forma bíblica e correta com as hostes espirituais da maldade, que tanto dano provocam no seio da Igreja. E isso só vai acontecer se nossos líderes nos ensinarem a fazê-lo biblicamente. Enquanto acreditarem na inverdade que “não se prega falando sobre o inferno, Satanás e os demônios”, estarão na contramão do que fez Jesus, os escritores canônicos, os pais da Igreja, os escolásticos, os reformadores, os expoentes dos grandes despertamentos e importantes pregadores reformados de nossos dias. E, com isso, só quem lucra é o diabo, que pode usar e abusar dos cristãos que não sabem lidar com o mal porque nunca lhes ensinaram a fazer isso de forma sadia.

É ingenuidade acreditar que basta pregar sobre Cristo sem falar nada sobre o diabo e estaremos isentos das artimanhas e dos ataques do maligno. Já ouvi o bom argumento de que para aprender a identificar a nota falsa basta conhecer bem a verdadeira – só que, se a tinta da nota falsa gera prurido e alergia em nossa pele, somente conhecer a verdadeira não vai adiantar muito, depois que já manuseamos a falsificada. A luz espanta as trevas, é verdade, mas me diga um cristão com Jesus no coração que não peca porque aqui e ali se deixou enganar pelas forças do mal. Como vigiaremos se não sabemos como é o inimigo? Como estaremos alertas às “ciladas do diabo” se não temos conhecimento de como ele age, o que faz, como se combate? Muitas tecnologias fajutas de “batalha espiritual” ganham notoriedade em nossos dias justamente porque houve muitos que ensinaram errado enquanto os que poderiam ensinar certo deram as costas ao assunto.

Sata7Pregar sobre Jesus é o centro, o foco e a essência. Mas o que muitos lamentavelmente não enxergam é que pregar mensagens de alerta sobre o inferno, Satanás, o satanismo, as hostes espirituais da maldade – de forma bíblica! – também é fazer exatamente isso: ressaltar a altura da montanha pela profundidade do vale. Mostrar a luz pela contraposição com as trevas. Posicionar o bem a partir de um referencial maligno. Exilar o mal de nossa proclamação do Evangelho é remover o diabo da tentação de Jesus no deserto; é tirar a história do rico e Lázaro da Bíblia; é contar a parábola do semeador pela metade; é amputar os primeiros capítulos do livro de Jó; é rasgar páginas e mais páginas das epístolas; é anular todo o sentido de Apocalipse; é jogar no lixo trechos como Lc 11.14, Mc 7.29, Jo 8.49, Mt 9.33, Mt 17.18, Mc 7.26, Lc 4.33 e muitos outros. Mais importante ainda: é arrancar da história da salvação o relato da Queda. E, sem o que a serpente fez no Éden, por que mesmo precisaríamos da cruz?

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício