Posts com Tag ‘Inferno’

aflicao1Existem momentos na vida em que parece que você está se afogando no seco. Já passou por alguma fase assim? É como se o ar faltasse, se a pressão em cima de você fosse maior do que é capaz de suportar, como se estivesse afundando rumo a profundezas escuras da sua alma. Debater-se não adianta. O grito é abafado e parece que a voz não sai. A palavra que melhor define esses momentos é aflição. É muito significativo que o dicionário liste como sinônimos de aflição justamente os termos “tribulação” e “tormento”, que têm, ambos, grande relevância bíblica. Dá para compreender quão angustiante é esse estado de ânimo perturbado quando percebemos em que circunstâncias as Escrituras utilizam essas duas palavras.

Tribulação é exatamente o vocábulo utilizado para designar o período escatológico que antecede a segunda vinda de Cristo. Será a época de maior sofrimento na história da humanidade. “Nesse tempo haverá grande tribulação, como desde o princípio do mundo até agora não tem havido e nem haverá jamais. Não tivessem aqueles dias sido abreviados, ninguém seria salvo; mas, por causa dos escolhidos, tais dias serão abreviados” (Mt 24.21-22). Como os dois termos são sinônimos, a famosa expressão escatológica poderia ser substituída de “grande tribulação” por “grande aflição”. Já tormento é a palavra utilizada para falar do estado de sofrimento que as pessoas vivenciam no inferno, como no relato de Jesus sobre o rico e Lázaro: “No inferno, estando em tormentos, levantou os olhos e viu ao longe a Abraão e Lázaro no seu seio” (Lc 16.23).

Assim, podemos dizer que, biblicamente, uma pessoa aflita é a que está vivenciando os maiores estágios possíveis de sofrimento: Aflição é o que o povo de Israel enfrentou quando teve de suportar a escravidão no Egito. “Viste a aflição de nossos pais no Egito, e lhes ouviste o clamor junto ao mar Vermelho” (Ne 9.9). Aflição também é o que experimentou Jó, o homem que perdeu todos os filhos, os bens e a saúde: “Agora, dentro de mim se me derrama a alma; os dias da aflição se apoderaram de mim” (Jó 30.16). No original em hebraico, inclusive, a palavra usada nessas duas passagens é exatamente a mesma, ‛ŏnı̂y.

Será que você está passando por um momento de aflição? A sensação é a de estar se afogando no seco, debaixo de muita pressão, envolto em escuridão? Parece que ninguém ouve seu clamor por socorro? Você não sabe mais o que fazer, para onde correr, como sair dessa situação? As dores são muitas, as esperanças são poucas, as lágrimas tornaram-se companheiras inseparáveis? Então permita-me mostrar o que a Bíblia diz a quem está passando por aflições.

aflicao2Primeiro, é importante compreender por que Deus permite que sejamos afligidos. O Pai não é sádico. Tampouco nos odeia. Também não está alheio a nós. Muito pelo contrário: se sabemos que o Senhor é soberano e, ao mesmo tempo, só quer o que é melhor para cada um de nós, devemos sempre compreender que nossa aflição faz parte de um propósito divino mais elevado, que resultará em algo benéfico que na hora não entendemos. Se não fosse assim, ou nossa aflição denunciaria maldade no coração de Deus ou desdém da parte dele pela nossa vida. Mas ambas suposições são incompatíveis com o caráter do Senhor. Logo, devemos entender nossa aflição como a compreendeu o salmista: como algo que, de algum modo, contribui para o nosso crescimento e nossa aproximação de Deus. “Foi-me bom ter eu passado pela aflição, para que aprendesse os teus decretos [...] Bem sei, ó SENHOR, que os teus juízos são justos e que com fidelidade me afligiste” (Sl 119.71,75).

Deus é bom e cuida dos que lhe pertencem. Lembra da aflição do povo de Israel no Egito? Por 400 anos aquelas pessoas poderiam supor que o Senhor não estava vendo sua aflição nem ouvindo seu clamor, tampouco ciente de seu sofrimento. É de se imaginar que pensassem isso, afinal, não é o que muitos que estão afligidos pensam em nossos dias? Bem, então veja qual era a realidade dos fatos: “Disse ainda o SENHOR: Certamente, vi a aflição do meu povo, que está no Egito, e ouvi o seu clamor por causa dos seus exatores. Conheço-lhe o sofrimento; por isso, desci a fim de livrá-lo da mão dos egípcios e para fazê-lo subir daquela terra a uma terra boa e ampla, terra que mana leite e mel” (Êx 3.7-8).

aflicao0A Palavra de Deus nos dá alento e esperança. Assim como o povo de Israel nunca foi ignorado pelo Senhor em sua aflição – que tinha um propósito -, nós, hoje, permanecemos incessantemente debaixo de atenção do Todo-poderoso. E, para os nossos dias, temos uma promessa que traz esperança e revigora os ânimos. Meu irmão, minha irmã, muitas são as suas aflições? Então saiba disto: “Muitas são as aflições do justo, mas o SENHOR de todas o livra” (Sl 34.19).

Se as lutas estão muito fortes, se você se sente como se estivesse se afogando no seco, se está passando por aflições… lembre-se de que Jesus confirmou: “No mundo, passais por aflições…”, mas, mais importante, nunca se esqueça do que ele declarou: “…tende bom ânimo; eu venci o mundo” (Jo 16.33). Está passando por aflições? Pois tenha bom ânimo, meu irmão, minha irmã. Nos piores momentos, nunca se esqueça: Jesus venceu o mundo e suas aflições. E, nele, você é herdeiro dessa vitória.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

copa do mundo1Assim que o Brasil perdeu para a Alemanha por 7 x 1, nas semifinais da Copa do Mundo, comecei a ver muitas pessoas questionando qual seria a explicação para uma derrota tão inexplicável. Justamente por ser “inexplicável”, todos buscavam explicar. Qual seria a explicação por tantos erros? A pergunta foi feita aos jogadores logo na saída do gramado, na zona mista, na primeira coletiva com Felipão, na segunda coletiva com Felipão, nos jornais e telejornais, nas entrevistas com pessoas nas ruas do país e do exterior e em todo ambiente em que a questão era levantada. Até na entrevista coletiva com Neymar, em sua visita à Granja Comary após a goleada, fizeram a mesma pergunta, a que ele respondeu “Foi uma coisa inacreditável, inexplicável. Eu não consigo explicar, não tem o que explicar”. Em meio a todas as opiniões, ouvi de tudo: a culpa foi da escalação, do estado emocional dos jogadores, do esquema tático, do fato de o Brasil jogar em casa, da ausência de Neymar e Thiago Silva… enfim, na ânsia de explicar aquela sucessão de erros, as pessoas buscaram todo tipo de resposta, como é natural ao ser humano – afinal, não basta um evento ter ocorrido, ele tem sempre de ser explicado de forma lógica e racional. Eu preferi ouvir bem o falatório e refletir antes de escrever qualquer coisa sobre o assunto. Depois de ter escutado tantas explicações para tantos erros, cheguei às minhas próprias conclusões e acredito ter encontrado a resposta bíblica para o fato de uma seleção formada por jogadores profissionais, que atuam nos melhores times do mundo, treinada por uma comissão técnica que conta com os últimos dois técnicos campeões do mundo pelo Brasil, ter perdido de forma tão avassaladora, cometendo tantos erros.

E a explicação é simples. Eles erraram tanto pela mesma razão que eu e você erramos tanto: errar faz parte da natureza humana.

O ser humano é imperfeito. Somos pecadores. Deslizes, transgressões e falhas são consequência natural da queda da humanidade. Nesse ponto, a derrota da seleção brasileira aponta para uma grande realidade de toda e qualquer pessoa: não importa o quão preparado você esteja, não importa quanto você tenha acertado antes, não importa se você já saiu vitorioso de tantas situações que no passado chegou ao topo do pódio muitas vezes, não importa nem mesmo se você tem uma vida de fidelidade a Deus e de santidade (como muitos dos jogadores da nossa seleção, que são cristãos fiéis a Cristo). Nada importa. Porque a realidade é que, se você é gente, um dia vai errar. E pode ser que erre muito feio.

copa do mundo3Davi (não o zagueiro, o rei) levantou a taça na disputa contra Golias, em seu comportamento com relação a Saul, em suas muitas vitórias contra os inimigos, em sua atitude diante de Abigail… ele era o cara. Um craque. Só que chegou o dia em que mostrou que, como absolutamente todo ser humano, era capaz de errar. Resultado: tomou de 7 x 1 quando mandou matar Urias e se deitou com Bate-Seba. O tempo se passou e, tempos depois, nova derrota de lavada: 7 x 1 no episódio do recenseamento. Os repórteres da época podem ter realizado mesas redondas para discutir a causa daquilo, em busca de uma explicação. Nas manchetes de jornal, se lia “Vexame: Davi perde de 7 x 1″. Como explicar o inexplicável? Como explicar que o homem segundo o coração de Deus, que fora campeão tantas vezes no passado, perdera de forma tão vexaminosa? A resposta: Davi era humano. E Davi errava.

O mesmo aconteceu com cada grande homem de Deus que já falhou ao longo da história. Abraão tomou de 7 x 1 ao fingir que Sara não era sua esposa. Jacó perdeu de 7 x 1 ao enganar seu irmão. Moisés perdeu de 7 x 1 no episódio das águas de Meribá. Sansão perdeu de 7 x 1 ao se casar com uma estrangeira. Pedro perdeu de 7 x 1 ao negar Cristo. Paulo perdeu de 7 x 1 tantas vezes que se apresentava como “o pior dos pecadores”. Eu e você perdemos muitas vezes de 7 x 1 em nossa caminhada de fé, mesmo depois de nossa conversão. Todos perdem de 7 x 1 pela mesmíssima razão: somos pecadores, erramos.

copa do mundo2Não parece inexplicável que um cristão que verdadeiramente ama a Cristo e que por décadas viveu de forma correta um dia cometa erros terríveis? Não nos deixa chocados e com cara de arquibancada derrotada saber que um pastor famoso pagou propina a fiscais ou faltou com seu sigilo pastoral? Não nos lança em lágrimas tomar conhecimento que aquele irmão exemplar da igreja falhou em seus votos matrimoniais? Não nos abate e nos dá vontade de sair do estádio antes do fim do primeiro tempo quando percebemos que nós mesmos perdemos de 7 x 1 para o pecado de forma que não sabemos explicar? A verdade é que, quando essas coisas acontecem, buscamos e até mesmo encontramos muitas explicações. Só que, na raiz de tudo, a explicação é só uma: somos miseráveis pecadores, perdidos, falhos, transgressores. Erramos.

A seleção brasileira perdeu de forma vergonhosa. Não tem mais volta, a Copa acabou e aquela derrota acachapante ficará para sempre marcada na história. Nossos netos nos perguntarão sobre aquele dia e jamais se poderá fazer nada para mudar o que aconteceu. O 7 x 1 para a Alemanha é eterno. Mas há uma diferença entre esse 7 x 1 e o nosso 7 x 1. No nosso caso, essa derrota não precisa marcar nosso futuro. Pois, no campeonato da cruz, existe uma regra que diz que, se a graça de Jesus nos alcança, a partida em que perdemos de goleada pode ser eliminada da tabela de nossa vida. Se nos arrependermos de nossos pecados, os confessarmos e nos dispusermos de todo coração a não mais os cometermos, aquele jogo é deletado do nosso histórico de partidas. “Quem é comparável a ti, ó Deus, que perdoas o pecado e esqueces a transgressão do remanescente da sua herança? Tu, que não permaneces irado para sempre, mas tens prazer em mostrar amor. De novo terás compaixão de nós; pisarás as nossas maldades e atirarás todos os nossos pecados nas profundezas do mar” (Mq 7.18-19).

Jesus convida cada um de nós a retomar a trajetória que pode nos levar ao lugar mais alto do pódio, por meio de uma regra chamada perdão. Em última análise, ficar buscando explicações para o seu pecado não adianta nada, ele é inexplicável. O pecado é uma força avassaladora que nos arrasta e nos faz cometer atitudes inexplicáveis, como Paulo explicou muito bem: “Tenho o desejo de fazer o que é bom, mas não consigo realizá-lo. Pois o que faço não é o bem que desejo, mas o mal que não quero fazer, esse eu continuo fazendo. Ora, se faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, mas o pecado que habita em mim” (Rm 7.18-20).

Você tomou de 7 x 1 de sua natureza falível e pecaminosa? Foi humilhado, sente-se envergonhado, não tem coragem de olhar as pessoas ou mesmo Deus nos olhos? Assim como David Luiz, você só tem vontade de sair de campo, repetindo vez após vez “Desculpe… desculpe… desculpe…. desculpe…”? Então saiba que Jesus olha para você, com uma taça daquele ouro que não derrete estendida para te entregar. Ele olha no fundo de seus olhos e diz: “Está arrependido? Então esse jogo de 7 x 1 será apagado da sua história. Eu te perdoo. Eu não te condeno. Agora vá e não peque mais”.

copa do mundo4Você toma a taça nas mãos e, mesmo tendo perdido de 7 x 1, descobre que, pela graça, pode erguê-la acima de sua cabeça, em direção aos céus, de sorriso no rosto e coração leve. Bem-vindo à vida eterna, campeão. Você não merece, pois não foi você quem venceu o mundo, mas ainda assim a taça é sua. Qual é a explicação? Parece inexplicável que pecadores tão terríveis como nós consigamos ser campeões e herdar a vida eterna? Bem, nesse caso, a explicação é só uma: Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus, que tira o 7 x 1 do mundo. Ele venceu o mundo. E, se você foi convocado para jogar no time dele, isso faz de você um eterno vencedor.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Misericordia1Um homem matou a facadas a tia, o primo e a prima de 12 anos. Esta última com 30 punhaladas. Preso, o triplo assassino caiu em lágrimas durante o interrogatório, confessou o crime e falou que simplesmente não sabia por que tinha feito aquilo. Ouvi quando ele disse “eu não quero ser preso, porque, senão, vou morrer na prisão e vou para o inferno. E não quero arder no fogo do inferno!”. Que cena. Que tragédia. Que tristeza. Mas houve algo que me chamou a atenção em meio a tudo isso. Assim que, aos prantos, ele fez essas afirmações, a delegada responsável pelo caso disparou um comentário: “Ele não teve misericórdia e agora quer que tenham misericórdia dele, que absurdo…”. Peraí. Há algo estranho com essa frase. Uma contradição que ficou martelando em minha cabeça. Reflitamos um pouco sobre misericórdia, um dos conceitos mais fundamentais da fé cristã.

Não vou entrar pelo mérito daquele crime em si. Foi tão abominável que dispensa comentários. Mas a questão da misericórdia bateu em meu peito como 30 facadas. Repare bem as palavras da policial. Ela está condicionando o recebimento de misericórdia à prática de misericórdia. Em outras palavras, “é dando que se recebe”. Só que esse pensamento contraria frontalmente o evangelho, conforme disse o próprio Jesus: “Há maior felicidade em dar do que em receber” (At 20.35). Aquela delegada não compreende o sentido de misericórdia – nem de longe.

Também conhecida como “compaixão” ou “piedade”, misericórdia significa dar a alguém algo que não merece. É o contrário de “justiça”, que é dar a alguém algo que merece. Cristo deu exemplos contundentes do que isso significa. Veja o caso da mulher adúltera. Pela Lei judaica, ela deveria ser apedrejada até a morte. Isso seria justo. Era o que ela merecia. Mas Jesus preferiu não agir com justiça, mas com misericórdia, e deu a ela o que aquela mulher não merecia: “Eu também não a condeno. Agora vá e abandone sua vida de pecado” (Jo 8.11). Sim, Jesus foi misericordioso e a perdoou. Foi magnânimo. Foi divino. E não só pregou de púlpito sobre misericórdia: ele agiu conforme pregou.

Outro exemplo de Cristo é a parábola do servo impiedoso (repare no termo, “impiedoso”, ou seja, “sem piedade”, “sem misericórdia”). Sei que você já a leu inúmeras vezes, mas, se puder, por favor, leia novamente: Misericordia2“Então Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou: ‘Senhor, quantas vezes deverei perdoar a meu irmão quando ele pecar contra mim? Até sete vezes?’ Jesus respondeu: ‘Eu lhe digo: Não até sete, mas até setenta vezes sete. Por isso, o Reino dos céus é como um rei que desejava acertar contas com seus servos. Quando começou o acerto, foi trazido à sua presença um que lhe devia uma enorme quantidade de prata. Como não tinha condições de pagar, o senhor ordenou que ele, sua mulher, seus filhos e tudo o que ele possuía fossem vendidos para pagar a dívida. O servo prostrou-se diante dele e lhe implorou: ‘Tem paciência comigo, e eu te pagarei tudo’. O senhor daquele servo teve compaixão dele, cancelou a dívida e o deixou ir.

“Mas quando aquele servo saiu, encontrou um de seus conservos, que lhe devia cem denários. Agarrou-o e começou a sufocá-lo, dizendo: ‘Pague-me o que me deve!’ Então o seu conservo caiu de joelhos e implorou-lhe: ‘Tenha paciência comigo, e eu lhe pagarei’. Mas ele não quis. Antes, saiu e mandou lançá-lo na prisão, até que pagasse a dívida. Quando os outros servos, companheiros dele, viram o que havia acontecido, ficaram muito tristes e foram contar ao seu senhor tudo o que havia acontecido. Então o senhor chamou o servo e disse: ‘Servo mau, cancelei toda a sua dívida porque você me implorou. Você não devia ter tido misericórdia do seu conservo como eu tive de você?’ Irado, seu senhor entregou-o aos torturadores, até que pagasse tudo o que devia. Assim também lhes fará meu Pai celestial, se cada um de vocês não perdoar de coração a seu irmão’” (Lc 18.21-35).

Claro como água. O trecho central da parábola é este: “O senhor daquele servo teve compaixão dele, cancelou a dívida e o deixou ir”. A justiça era cumprir a lei, vender os parentes do devedor como escravos e pegar o dinheiro. Justo. Mas aquele senhor não fez isso. Antes, teve compaixão dele. E, com isso, cancelou a dívida e o deixou ir. Isso é misericórdia: cancelar a dívida.

Misericordia3Quando eu e você fomos chamados pela graça de Deus, ele cancelou nossa dívida. Zero. Misericórdia em ação. A justiça exigia que eu ardesse no fogo do inferno, como aquele triplo assassino lembrou muito bem. Você também. Toda a humanidade, sofrendo pela eternidade distante do Criador. Mas, então… um Cordeiro é agarrado, surrado, cuspido, humilhado e levado ao matadouro. Ali, o holocausto oferecido numa cruz pinga sangue. E quando sai da sepultura, a terra treme com um som que diz: “Recebam minha misericórdia!”.

Ao contrário de Cristo, hoje muitos cristãos pregam sobre piedade mas não a vivem em suas vidas. Amam a misericórdia da boca para fora, mas não a praticam em suas ações. Agem exatamente como aquela delegada.

O grande erro daquela policial foi crer que misericórdia é algo que se merece. É exatamente o contrário. Misericórdia só existe quando não há absolutamente nenhum merecimento. Aquele assassino cruel vai cumprir a justiça humana e ficará preso, possivelmente até o fim de sua vida. Ele merece isso. É justo. Mas, se, em algum momento dos anos que lhe restam, o homem que chacinou a própria família sem misericórdia alguma vier a ser tocado pela graça do Cordeiro, prostrar seu espírito de joelhos e pedir a Deus perdão sincero pelos seus pecados… ele alcançará misericórdia. E irá para o céu.

Vivemos dias em que há tanta iniquidade ao redor que o nosso senso de justiça clama por punição. Só que repare uma coisa: Jesus não disse “bem-aventurados os justos”, tampouco “bem-aventurados os que cumprem a lei”. Ele afirmou: “Bem-aventurados os misericordiosos” (Mt 5.7). Essa ênfase não quer dizer, é claro, que justiça e o cumprimento da lei não importam. Claro que importam. São fundamentais e indispensáveis. Mas, se o Senhor enfatizou a misericórdia, isso nos leva a uma reflexão. Será que ela não tem mais peso? Será que ela não recebeu essa menção especial porque Deus a considera especial? “Desejo misericórdia, e não sacrifícios” (Os 6.6), diz o Senhor.

Acredito que Deus ama os justos. Mas ouso especular que ele tem um olhar diferente sobre os misericordiosos.

Sejamos bem-aventurados. Tenhamos um coração mais perdoador, compassivo, piedoso, misericordioso. Essa, meu irmão, minha irmã, é a única forma de termos um coração como o de Jesus.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Divorcio1Existem entre nós multidões de irmãos e irmãs que enfrentam problemas em seu casamento. Alguns dos posts mais lidos do APENAS são justamente aqueles que se referem a casamentos infelizes, uma prova de que a coisa não vai bem e o povo de Deus está ávido por orientação e consolo nessa área. Lamentavelmente, ser cristão não nos dá passaporte automático para a felicidade matrimonial. O aspecto que considero o mais triste de tudo é que, muitas e muitas vezes, irmãos e irmãs consideram que a saída mais “fácil” para seus dramas conjugais é o divórcio. Embora cada vez mais o divórcio venha se difundindo no seio da Igreja, nada me convence que essa seja a alternativa preferida do Senhor para um matrimônio em crise. Jamais você ouvirá de mim uma recomendação para que se divorcie. Acredito na restauração. Acredito que o poder de Deus é capaz de pegar o relacionamento mais devastado do mundo e reconstruí-lo, fazer com que seja funcional e feliz novamente. O próprio Jesus afirmou: “Para Deus todas as coisas são possíveis” (Mt 19.26). Então ou acredito em Cristo ou não acredito. E, se ele garantiu que é possível para Deus fazer tudo, eu creio que é possível ele restaurar todo e qualquer casamento.

Divorcio2No entanto, por mais que a Bíblia afirme certas verdades, muitos de nós sempre têm um “porém” quando se trata de sua vida em particular. Quando alguém me pergunta se deve se divorciar ou não e eu digo que deve lutar pelo casamento, que deve ter fé na restauração por Cristo, ouço com uma frequência enorme coisas do tipo “Ah, você diz isso porque não conhece meu marido”, “Mesmo depois que tudo o que minha esposa aprontou?”, “Sei que Deus pode, mas no meu caso não tem jeito”, “Eu acho que não casei no Senhor”, “Já profetizaram que ela não era a escolhida de Deus para mim”, “Depois de tudo o que eu sofri não tem volta”. As justificativas são muitas. E todas elas trazem em si duas características: despem Deus de sua onipotência (pois carregam em si a ideia de que, naquele caso, o Senhor não tem como resolver), e buscam no divórcio a solução. Mas Deus pode todas as coisas (Mt 19.26), odeia o divórcio (Ml 2.16) e ama a família (Mt 19.6). Portanto, acredito firmemente que o caminho divino para todo casamento é sempre a restauração – mesmo nos casos de práticas sexuais ilícitas, para os quais Jesus abre a possibilidade de separação (Mt 5.31-32).

Você, nesse momento, pode olhar para sua vida e comentar: “Ah, Zágari, falar é fácil”. E é  verdade, falar é fácil. Mas, então, eu gostaria de lhe dar esperanças sem falar muito mais. O que passo a fazer a seguir é simplesmente reproduzir uma troca de e-mails que tive com uma irmã. Ela me procurou com uma crise aguda em seu casamento. Com a autorização dela e de seu marido, mostro a seguir o que aconteceu em sua vida e em seu matrimônio, na esperança de que essa história real ajude você naquilo que for preciso. Existem muitos elementos no caso dela com que você pode se identificar e a minha esperança é que o relato a seguir (que é longo, peço desculpas por isso, mas não tinha jeito) venha a impactar a sua vida.

Três observações: 1. Para este post não ficar enorme, tive de encurtar alguns trechos, indicados por “[...]“. 2. A irmã será mantida no anonimato e informações que poderiam levar à sua identificação serão ocultadas ou alteradas. 3. Nos momentos em que a irmã se refere a mim com palavras elogiosas, isso não tem nenhum sentido de autoexaltação e peço encarecidamente que, se você está em crise no seu casamento, não procure conselhos meus: vá ao seu pastor e, acima de tudo, a Deus. Eu não faço milagres e não tenho absolutamente nenhum poder de restaurar lares: só o Senhor tem. Por favor, não veja em mim ninguém especial nesse sentido, não me peça aconselhamento: Deus comissionou a sua alma ao seu pastor, é ele quem deve tratar de sua vida. Sou apenas uma ovelhinha, balindo pela internet. Tendo dito isso, passemos ao diálogo:

div3 IRMÃ:
“Bom dia, irmão Maurício! [...] Li seu artigo sobre casamentos infelizes, e infelizmente, me identifiquei com todos os casos ali citados, porém, meu caso é bem pior… [...] Casei-me há X anos, depois de X anos de namoro. Tenho um filho de X anos, que é a nossa felicidade e pelo qual lutamos arduamente pra manter nosso casamento porque queremos dar a ele uma referência de família estruturada. Quando eu namorava meu marido, nós brigávamos muito, por ciúmes, e ele chegou a me agredir severamente.

Neste meio tempo, conheci um rapaz, que foi o grande amor da minha vida. Mas, por pressão da família e pq achava que casar com meu marido atual seria mais seguro pra mim, aceitei o fato e me casei com ele. Íamos na igreja, fomos trabalhando, tivemos nosso filho….Mas esquecemos do nosso casamento. Ele sempre gritou comigo, me destratava na frente das pessoas…

Até que um dia, o antigo amor apareceu. E, quando o vi, todo aquele amor que guardei por X anos ressuscitou com força total e eu acabei traindo meu marido. Acabei contando pro meu marido, pois não podia esconder algo tão grave (ele havia visto um email meu pra uma amiga contando da traição, eu não tive alternativas e contei tudo pra ele….). Me arrependi, pedi perdão, pois sabia que havia pecado contra Deus e contra meu esposo. Ele ficou irado, se revoltou, mas me perdoou, só que vive me ameaçando, dizendo que, se encontrar com o outro, não sabe a reação dele.

Ele se transformou em um homem amargo, vive me policiando, desconfia dos meus olhares, não posso nem pensar em olhar pro lado, pra todo lugar que vou, tenho que avisar…perdi a minha liberdade, mas isso eu já previa desde a hora que contei pra ele… [...] num dia desses, me recusei deitar com ele…num ato de desespero, ele me pegou à força e me meu um tapa na cara, dizendo que isso servia para que eu acordasse pra vida…

Fiquei muito magoada, pois prometi à mim mesma que nunca mais ele colocaria a mão em mim pra me agredir…me revoltei e pedi o divórcio. Ele, arrependido, pediu perdão, mas eu, com o coração duro como pedra, não quis voltar atrás na minha decisão, pois estava em jogo meu ego, minha dignidade de mulher, o respeito…

Estávamos prontos a entregar nossos cargos na igreja, mas, meia hora antes da reunião, li o seu artigo…. de verdade, fiquei mais revoltada por estar de mãos atadas, mas esperançosa no Deus do impossível, pois vi que se eu quisesse agradar a Deus, terei que me sacrificar mas sei que Ele iria me dar um escape….

Mas confesso que amo o outro rapaz com todas as minhas forças (e o pior de tudo é que ele me espera, pois se divorciou da esposa dele pra ficar comigo…eu não pedi, ele fez pq quis)….mas sei que vai contra todos os princípios que acredito…e não sei o que faço…tô mais perdida que cego em tiroteio, perdida em meus sentimentos, meus princípios, em questão à vontade de Deus na minha vida, do pq que tenho que passar por tudo isso (lógico que sei que é consequência das minhas próprias escolhas, certas ou erradas)… O que é mais difícil é ter que aguentar olhar pra cara do meu marido, não tenho a mínima vontade de estar com ele, me deitar com ele….como manter o casamento assim né???”

RESPOSTA:
“Minha irmã, eu recomendo enfaticamente que vocês procurem seu pastor. Houve e há erros de todos os lados. Você errou, seu marido errou, esse rapaz errou. Está tudo uma grande confusão e é preciso retornar ao prumo. Isso só vai acontecer com abnegação, reconhecimento de erros e uma fidelidade inegociável à Palavra de Deus.

O que vejo pelo que você me disse é que falta muita coisa nessa história toda. Falta perdão. Falta amor. Falta arrependimento. Falta buscar Deus em primeiro lugar. Falta agir conforme o padrão bíblico de marido e mulher. Vocês precisam apagar essa confusão toda e recomeçar. Busque seu pastor. Converse com ele. Peça orientação. Peça oração. É um caso complexo demais para eu te aconselhar por email, minha irmã. Vocês precisam de muito mais que conselho: precisam de pastoreio, amparo e discipulado. E seu pastor é a pessoa para isso. [...] Mas tenha esperança: Deus faz o impossível. Se vocês se arrependerem e buscarem o Senhor, Ele vai consertar tudo. Tenha paz. Confie na graça. Realize as obras do Reino. É o que posso te dizer por este meio tão limitado.”

IRMÃ:
Pois é, Maurício….Eu e meu marido não achamos que o pastor saberá lidar com a nossa situação….Nossa comunidade é muito pequena, bem tradicional….Eu não quero expôr meu marido e nem ele a mim….Por isso não buscamos ajuda dentro na nossa igreja, pois será um “baque” muito grande….temos medo de escandalizar a comunidade e de servir de pedra de tropeço pra alguns…. E realmente falta muita coisa….faltou vergonha na minha cara rsrsrs….faltou temor a Deus…e qdo vi, o desastre já estava feito….Me arrependo do dia em que me encontrei com o outro…pois foi nesse dia que o pecado entrou na minha vida conjugal….Sei que a culpa de tudo isso foi minha…mas ficar me lamentando é pior….Mas não tenho coragem de abrir a situação pro meu pastor….”

RESPOSTA:
“Seu pastor não é um carrasco. Se ele exercer o ministério com zelo pastoral, antes de mais nada vai manter sigilo absoluto sobre o caso e não exporá nenhum de vocês a absolutamente ninguém. Nenhum cristão decente faria isso. Em segundo lugar, ele vai trabalhar para reconstruir o que foi destruído e não para condenar vocês. Se houve arrependimento e abandono do pecado, o que resta é a restauração. Se seu pastor não for confiável a ponto de poder pastorear vocês dessa maneira, recomendo que mudem urgentemente de igreja e procurem um pastor que entenda o seu papel – apascentar vidas e não afundá-las mais na lama. [...] Em oração por ti, minha irmã, na esperança da reconstrução.”

IRMÃ:
Mauricio…isso é verdade. Vou conversar com meu marido. Lembre-se de nós em suas orações, mesmo que não nos conheça pessoalmente, precisamos muito, pois sei que Deus ouve e intercederá por nós. E eu vou orar não só pela restauração, mas também pelo seu ministério, que é muito edificante e confortante. Deus o abençoe, obrigada pelo auxílio muito benéfico num momento tão difícil pra mim….Confio que Deus é muito bom pra mim, que me mostrou seu artigo meia hora antes de entregarmos tudo…Sinto muita alegria na palavra de Deus e não poderia viver longe da casa de Deus…é isso que me sustenta e não me faz desistir de tudo….”

Depois de algum tempo, recebi o e-mail abaixo dela:

IRMÃ:
“Boa tarde, irmão Maurício,
Venho trazer notícias: conversamos com nosso pastor. Deus fez surgir a oportunidade e sabemos que é o cuidado Dele …. O pastor soube lidar com a situação (o meu medo era que ele NÃO soubesse lidar), abrimos tudo aquilo que havia acontecido e também o que sentíamos (como dizem por aí: lavamos a roupa suja ali mesmo) e ele nos aconselhou e vai continuar nos aconselhando. E nós, como casal, vamos lutar pra manter nosso casamento. Entendemos que precisamos da graça de Deus, do perdão mútuo e muita paciência. Sabemos que é um novo começo, como diz o artigo que escreveu…. Obrigada pelas orações (e continue orando, por favor) [...] Deus o abençoe ricamente….”

Aparentemente, a situação tinha melhorado, mas, então, recebi este e-mail:

div5IRMÃ:
“Paz do Senhor, irmão Maurício…lembra de mim? [...] Tenho algumas perguntas, espero que vc possa me ajudar, como irmão em Cristo….Tenho passado algumas situações referentes ao meu marido….ele não me perdoa pela traição, faz coisas absurdas, como me seguir o tempo todo, não tem mais confiança e vira e mexe discutimos…há meses que não temos relações sexuais, não da parte dele….da minha mesmo, pois não tenho um pingo de vontade, pois as coisas que ele anda fazendo, só tem me feito rejeitá-lo…

E depois disso, ainda tem mais um problema: ele está muito agressivo….um tempo atrás ele me deu um tapa na cara, sem mais, nem menos e outro dia agrediu nosso filho tão violentamente, que quase perdemos nosso filho pro conselho tutelar, pois a professora viu as marcas que ficaram sobre o corpo dele….nesse dia saí de casa com meu filho….E pra piorar tudo, ele escancarou o problema pra toda a liderança de nossa igreja, mas de um jeito agressivo e me expôs de uma maneira vergonhosa, relatando tudo à maneira dele, do ponto de vista dele….me chamou de mentirosa e etc…nem tive como me defender diante as acusações dele….pois eu só sabia chorar de vergonha e me senti humilhada…. nas nossas discussões ele me acusa de estar acabando com nossa família, diz que eu estou jogando a vida de todo mundo no lixo…[...]

A minha pergunta é: Se eu me separar dele, vou pro inferno? Quais as consequências que terei que arcar? Como fica meu ministério na igreja? O que faço eu diante de tudo isso, se meu coração só deseja ficar longe dele? Vou ser perseguida a vida toda, sendo julgada, se me separar ? Deus vai me condenar? me ajuda meu irmão…..”

RESPOSTA:
“Minha irmã, você e seu marido precisam voltar às bases da fé: amor e perdão. Sem isso, carregarão feridas pelo resto da vida. Separar-se não é a solução, vocês precisam de cura. Estão feridos, machucados, magoados. Divórcio será apenas mais um problema, até porque, como pai do teu filho, ele manterá contato pelo resto da vida com você.

Vocês precisam voltar ao básico: dialogo em vez de briga. Amor em vez de ódio. Perdão em vez de acusação. Você esta fazendo as perguntas erradas. Não tem que se perguntar o que acontece caso se separe, mas o que acontece se não amar, perdoar, restaurar. A Bíblia nos diz que Deus não perdoa os pecados de quem não perdoa o próximo. Você não está perdoando. Seu marido não está perdoando. Isso sim é grave. O perdão restaura a alma. Recompõe relacionamentos. Traz paz. A falta de perdão alimenta o ódio, nos afasta de Deus, nos assemelha ao Diabo.

Tente conversar e orar junto com ele. Como vocês se relacionarão sexualmente cheios de mágoa, rancor e ressentimento um com o outro? É preciso zerar tudo. Como? Pedindo perdão.  Perdoando. Conversando. Buscando aconselhamento em amor. Sua liderança não tem o direito de julgar ou condenar ninguém, tem de trabalhar no sentido de reconduzir vocês ao caminho de onde saíram.

Oro por você, minha irmã, para que tenha a sabedoria da mulher virtuosa de Pv 31. Lembre-se que a mulher sábia edifica o lar. Seja sábia. Aja e reaja com maturidade às ofensas de seu marido. Lembre-se que o filho de vocês ficará marcado pelo resto da vida pelo que vocês dois fizerem agora. Seja modelo para seu filho, por mais que seu marido não seja.

Recomendo que você assista junto com seu marido a essa pregação de Paul Washer, é magnífica e bíblica: http://youtu.be/uEugHA8R6qg. Faça a coisa certa, que não necessariamente é a mais fácil.”

IRMÃ:
“Acho que sou rebelde….pois sei de tudo que está na Biblia….e não consigo aceitar que tenho que escolher ficar com meu marido….Não tenho ódio, de verdade…perdoo o que ele anda fazendo….a única coisa é que não quero mais conviver com ele….Ele  não tem a alternativa de se separar de mim? Já que é a parte ofendida?”

RESPOSTA:
“E por que vc quereria isso? Celibato eterno? Biblicamente não é o melhor.”

IRMÃ:
“Difícil…..mas entendo que seguir Jesus nunca seria fácil….Que Deus me ajude e me direcione…acredito que Deus é um Deus de milagres…..mas sinceramente, não sei se Deus vai conseguir trabalhar em mim…pois reconheço que sou muito dura de coração…:(

Agradeço suas palavras  e conselhos Mauricio…ore por mim, por nossa família…. Deus continue abençoando sua vida…Continuo lendo seus posts….aliás, são muito abençoados e abençoadores! Paz esteja contigo e sua família…”

Finalmente, após muito tempo sem ter notícias, semana passada recebi este e-mail da irmã:

div1IRMÃ:
“Bom dia, irmão Mauricio
Venho trazer notícias, boas notícias…
A tempestade passou, e confesso. ..que tempestade tenebrosa!
Conseguimos passar por ela, não ilesos, mas com certeza, mais maduros e com a certeza do grandioso amor de Deus.
Hoje entendo que estive cega, nas mãos do inimigo, satisfazendo as vontades dele e quase perdi o meu maior tesouro:  minha família.
Mas Deus nos resgatou, me resgatou e estou vivendo a volta ao meu primeiro Amor.
E você é parte contribuinte de todo esse processo, junto com muitos outros irmãos que se juntaram nesta causa.
E acredito que Deus sorriu quando decidimos voltar atrás e reconstruir nossa família.
Que Deus sorriu quando Ele estava pegando meus pecados e lançando ao mar do esquecimento diante ao meu arrependimento.
Nós somos feitos à semelhança Dele…então…Ele sorri,  como nós. ..como eu sorrio agora, porque vejo o sorriso do meu filho quando me vê junto ao meu marido.E meu marido sorri porque tem a mulher que ele diz amar ao seu lado. ..
Assim como vc deve estar sorrindo ao ler este email da pessoa que um dia pediu ajuda, sem ao menos saber quem vc era e vc decidiu ajudar sem saber quem eu sou, simplesmente por amor de irmãos,  unidos por Cristo, por um Deus que nos ensinou o que era o amor verdadeiro.
Como Deus não haveria de sorrir numa situação dessas? !
[...] Agradeço pelo seu tempo, que não foi perdido, pois o resultado está neste email.
No amor de Cristo”.

cruz-cristo-jesus-pascoa-deusA você, que teve paciência de ler este post tão longo, peço a Deus que a história dessa irmã ajude a lhe dar esperança. Lembre-se que, não importa quão graves foram os pecados envolvidos no seu casamento, se você se dispuser a buscar a restauração e confiar em Deus… tudo mais ele fará.

Todo casamento pode ser restaurado. Todo. Deus não realiza o impossível dia sim, dia não: ele é onipotente a todo momento. Ele pode tudo. Ele pode pegar o seu casamento em ruínas e construir a partir dos escombros um lar cheio de alegria, paz e respeito.

Você crê nisso? Deus crê.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Mauricio

Sexo1Quantos tipos de pecados existem? Serão dezenas, centenas, milhares, milhões? Confesso que não sei ao certo, mas uma certeza tenho: são muitos. Muitos mesmo. Isso é curioso, porque, embora existam tantas e tantas e tantas formas de desobedecer a vontade de Deus, parece que concentramos nossa atenção em um pequeno punhado delas. Veja se estou errado: o que escandaliza a esmagadora maioria de nós são atitudes como embriaguez, fumo, consumo de drogas, envolvimento em programações consideradas pecaminosas (boate, bailes, carnaval, shows etc.) e aquilo que pomos no pináculo dos pecados: práticas sexuais ilícitas. Tudo o que é pecado é pecado, logo, não podemos ignorar o quanto qualquer uma dessas atitudes pecaminosas é tóxica para nossa alma nem diminuir a gravidade de qualquer uma delas. Mas o que me chama a atenção é como desenvolvemos o hábito de pôr no paredão apenas um pequeno grupo de transgressões – em especial, os pecados sexuais, considerados por muitos como piores do que a blasfêmia contra o Espírito Santo – quando existem dezenas, centenas, milhares ou milhões. Será que a eleição do sexo ilícito no imaginário popular como a pior de todas as transgressões tem alguma implicação? Tem sim, e são implicações sérias.

Sexo2Acabei de ler um livro em que, em síntese, o autor expõe sua visão do que faz um sacerdote ser bem-sucedido, ou seja, o que seria sucesso no ministério. É uma obra bem interessante e que tem o seu valor, mas algo chamou minha atenção. Percorri com interesse suas páginas, até que cheguei ao capítulo que fala sobre santidade. Quando vi o tema, imaginei que ele discorreria sobre diferentes questões, como bom uso do dinheiro da igreja, relacionamento saudável com a família, cuidados com a vaidade excessiva, sexualidade sadia, humildade no uso do poder, justiça ao lidar com as ovelhas, a importância de ser manso no trato com os diferentes, a necessidade de não se corromper para obter facilidades, amar o próximo como a si mesmo, e uma série de outros tópicos que, a meu ver, são indissociáveis do tema santidade do ministro. Só que, para minha surpresa, o autor começa o capítulo falando sobre sexo, prossegue falando sobre sexo e o termina falando sobre… sexo. Cheguei ao final desse trecho pensando: “Tá certo, concordo, mas… sexo?!”.

É absolutamente inquestionável que uma sexualidade santa é fundamental para a vida pessoal e ministerial de um indivíduo, devemos estar em constante vigilância para não cometer transgressões sexuais e, caso pequemos, sempre buscar o arrependimento sincero e a mudança de atitude. Mas, do jeito que o autor desse livro e muitos irmãos e irmãs tratam a questão, a sensação que tenho é que ser santo é apenas ser sexualmente santo. A pergunta é: e o resto? E as outras dezenas ou centenas, os outros milhares ou milhões de pecados, que fim levaram?

A conclusão a que chego é que nós criamos um ranking de pecados. E, no alto do pódio, triunfando como os piores pecados de todos, estão os de cunho sexual. Uma distinção que, é importante lembrar, a Bíblia não faz.

Revista UltimatoA revista Ultimato publicou na sua mais recente edição (número 346, pg. 42) um artigo não assinado em que aponta a negligência de grande parcela dos cristãos no que tange aos pecados ligados à injustiça social. Diz o texto: “A maior parte dos pregadores tem chamado a minha atenção para os pecados do sexo – o amor livre, a prostituição, o adultério, a pornografia, o homossexualismo – indicando a conduta certa nesta área. Agradeço a Deus por isso, mas lamento muito o silêncio, a falta de clareza e de ênfase na outra pregação, não menos importante que a anterior (…) Por falta de profetas nesta área, demorei muito tempo a compreender que é pecado tanto trair o cônjuge como deixar o irmão de estômago vazio”. Creio que o autor teve 101% de clareza em sua afirmação, pois conseguiu enxergar o quanto a “ditadura do sexo” está desviando as nossas preocupações de muitos outros tipos de pecados.

Não quero ser mal compreendido, então preciso enfatizar algo: pecado sexuais são graves. Nunca vou dizer o contrário nem vou passar a mão na cabeça deles. São horríveis e ponto. Toda prática sexual ilícita é destrutiva e só gera problemas, dor, morte e devastação. Sofro com um gosto amargo na boca só de pensar nos erros que cometi nessa área (e se você está praticando algo do gênero recomendo, por amor a sua vida e a sua alma, que pare imediatamente, já – de preferência, ontem). Mas o grande mal de se resumir os pecados graves a sexo é que todos os outros pecados graves começam a ser praticados sem que se dê o devido peso a eles.

Sexo3E vou te contar um segredo: todo pecado é grave. Não existe “pecado não grave” ou “pecado menos grave”. Poderíamos nos perder em discussões eternas sobre “pecadinho e pecadão”, “pecados para a morte” ou mesmo o conceito católico romano de “pecado mortal e pecado venial”. Conheço a teologia de tudo isso e a grande conclusão, em última análise, é uma só: pecado é pecado. Desobediência é desobediência. Morte espiritual é morte espiritual. Não existe morte que mate mais do que outra morte. Quem morre de queda de avião morre tanto quanto quem morre de pneumonia. Quem morre numa explosão nuclear morre tanto quanto quem morre de dengue. Tirando a imperdoável blasfêmia contra o Espírito Santo (que é atribuir atos divinos ao Diabo), os demais pecados estão todos no mesmo saco: representam morte espiritual e carecem de arrependimento, confissão e abandono.

Se um ministro do evangelho comete um pecado sexual, ele imediatamente é afastado de seu cargo. E isso é correto, pois essa alma preciosa e valiosa está doente e necessita ser tratada, cuidada, pastoreada, sarada e, só então, reconduzida às suas atividades ministeriais. Mas não deveria ser assim também com um ministro que peca pela inveja? Pela ganância? Pela arrogância? Pela soberba? Pela corrupção? Falta de amor? Vaidade? Maledicência? Dissensões? Partidarismos? Egoísmo? Egocentrismo? Hipocrisia? Abuso de poder? Favorecimentos ilícitos? Violência verbal? Injustiça? Traições? Quebra da ética pastoral? Mau uso do dinheiro da igreja? Etc., etc., etc? Confesso que não consigo me lembrar de quase nenhum caso de um ministro que tenha sido afastado do cargo por qualquer um desses pecados. Graves, diga-se. Hediondos. Um pastor soberbo, agressivo, corrupto ou vaidoso é uma anomalia espiritual. Precisa de tratamento tanto quanto um viciado em pornografia na internet.

Sexo4E não estou nem de longe falando apenas de ministros do evangelho. O mesmo se aplica a cada um de nós. Em um culto recente em minha igreja, um de meus pastores iniciou a celebração convidando a congregação a confessar seus pecados a Deus. Claro que me lembrei de meus pecado sexuais. Mas também me lembrei de muitos e muitos e muitos outros tipos de pecados, a ponto de a oração terminar e eu ter de interromper meu ato de contrição sem ter tido tempo de conversar com o Senhor sobre todos. Poucas vezes nos derramamos em lágrimas por termos sido, por exemplo, invejosos, iracundos, gananciosos, espertalhões, abusados ou por termos usado o “jeitinho brasileiro” (que é pecado, diga-se de passagem). Praticamos essas transgressões contra Deus sem nenhum drama de consciência, enquanto legiões de irmãos se deprimem por estarem, por exemplo, escravizados ao vício em pornografia. Por ser uma situação tão inexistente, chega a soar engraçado imaginar um líder ir a público dizer:

- Meus irmãos, preciso me licenciar do ministério pois não honro meu pai e minha mãe e tenho de me tratar espiritualmente.

Ou um membro de igreja que procure auxílio em gabinete pastoral afirmando:

- Pastor, preciso de libertação porque sou muito invejoso.

Inferno de DanteVocê já viu alguém ser disciplinado na igreja por ter praticado a glutonaria? Eu nunca. Na verdade, em todos os meus anos de convertido nunca ouvi uma única pregação, escutei uma música gospel ou li um livro cristão sequer que fosse sobre esse pecado. Parece engraçado eu estar dizendo isso? Não quando lemos na Bíblia que “não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam” (Gl 5.21). Meu irmã, minha irmã, isso é extremamente sério! Essa passagem, por exemplo, me mostra que a glutonaria é tão grave e tem consequências tão severas como a fornicação, por exemplo, e outros pecados sexuais. E aqui reside o perigo, o xis da questão: se eu te perguntar quantas vezes você adulterou na vida, pode ser que me responda, indignado e ofendido: “Nunca!”; mas, sinceramente, quantas vezes você foi glutão? Umas 50? 100? 200? 300? E será que ao menos se arrependeu e pediu perdão a Deus por isso? Ainda: será que ter pecado pela glutonaria sem arrependimento faz de você menos culpado diante do Senhor do que se tivesse fornicado mas se arrependesse e pedisse perdão com toda sinceridade?

A mesma passagem que mostra a gravidade da obra da carne glutonaria a inclui no mesmo grupo que “prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas” (Gl 19-21). Atravessamos a vida com nossa santidade sexual intocada mas cultivamos inimizades, sentimos ciúmes, promovemos discórdias, estimulamos facções, sentimos inveja e por aí vai – sem que nos arrependamos ou peçamos perdão ao Senhor. Será mesmo que estamos tão melhores assim na fita?

Todo pecado é grave. Mas existe um tipo de pecado que, sim, é mais grave do que os outros: o pecado não confessado. Enquanto ficarmos pondo corretamente o dedo na cara dos pecados sexuais mas passando incorretamente a mão na cabeça dos demais tipos de pecados, estaremos deixando de pregar contra eles, continuaremos a praticá-los sem arrependimento, não os confessaremos a Deus e, com tudo isso, seremos engolidos por atos hediondos para o Senhor mas a que não damos tanta atenção porque, para nós, não são tão hediondos assim.

Eis o grande mal da ditadura do sexo: deixamos de confessar nossos outros pecados, igualmente perniciosos.

Pecados sexuaisPode ser que você tenha se casado virgem, nunca tenha se masturbado, viva uma vida livre de adultérios e jamais tenha espiado pornografia na internet, entre outras atitudes sexuais biblicamente ilícitas. Se esse é o seu caso, ótimo – mas cuidado: sua sexualidade pode não te afastar de Deus, porém, de repente, sua língua, seus olhos, seu coração, seu ego ou suas atitudes o estão mantendo a anos-luz de distância do Senhor.

Quais são os pecados que você comete habitualmente mas aos quais não dá muita importância? Lembre-se de Provérbios 28.13: “O que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia”. Examine-se, pois, o homem a si mesmo… e alcance a misericórdia do Pai.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

A Grande Batalha  Espiritual Capa1.

Em nossos dias, muito se fala sobre batalha espiritual. Já se escreveu de tudo sobre o assunto, de livros muito bons a alguns absurdos. Por se tratar de um tema que mexe com o sobrenatural, fascina e atrai muitos. O que a Bíblia fala de fato sobre essa guerra invisível, que tem consequências tão visíveis em nossa vida? O que é bíblico e o que é invenção humana? Qual é, realmente, a grande batalha espiritual que todos vivenciamos?

Um grupo de cinco pastores da denominação de que sou membro se reuniu e escreveu um livro sobre o assunto. Particularmente, considero esse o material mais bíblico que já li sobre o tema. O texto está sendo disponibilizado gratuitamente, somente como livro eletrônico, e pode ser baixado em formato de PDF (para leitura em computadores e tablets ou para ser impresso pelo leitor em sua impressora pessoal).

Com a concordância dos cinco autores, o APENAS está oferecendo esse e-book como presente a você, se tiver interesse de ler. Eu recomendo a leitura, que é bastante fácil e rápida. Para fazer o download do PDF basta clicar no link abaixo. A iniciativa não tem fins lucrativos e o único objetivo (dos autores e meu) é a edificação da Igreja. Por isso, fique à vontade para baixar o arquivo para sua leitura e para repassá-lo a quem desejar. Só não se autoriza a venda, em nenhuma circunstância, desse material sem a autorização expressa dos autores.

Se desejar ler, oro a Deus que esse texto seja muito esclarecedor e edificante para você:

A GRANDE BATALHA ESPIRITUAL

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

A senhora que faz limpeza em minha casa é uma irmã em Cristo. Há alguns dias ela chegou para o trabalho, tocou a campainha e abri a porta. Ela não deu dois passos dentro de casa e disparou a falar sobre o pastor fulano de tal, que fora preso porque tinha estuprado não sei quantas mulheres, isso, aquilo e aquilo outro. “No trem vindo pra cá todo mundo só falava sobre esse assunto”, disse, tentando puxar papo e dar continuidade à polêmica comigo. Eu estava por fora da história e, por isso, fiquei escutando enquanto ela, empolgadíssima, praticamente mandava o tal pastor para o inferno, já julgado e condenado. Depois de relatar a arrepiante história com a empolgação de uma criança que ganhou um presente novo, ela ficou enfim em silêncio, enquanto aguardava que eu disparasse palavras de condenação ao tal pastor. Eu pensei um segundo e disse a ela: “Bem, vamos aguardar que se prove que de fato ele é culpado, não é? E, se for, vamos orar pela restauração da vida dele”. Pela cara dessa senhora percebi que era tudo o que ela não esperava ouvir. Porque é muito mais gostoso e empolgante acreditar que algum cristão cometeu um pecado cabeludo do que crer na sua inocência – afinal, saber que os outros pecaram faz com que nos sintamos melhor com nossa própria natureza pecaminosa, como se o pecado alheio tivesse a capacidade de diminuir o nosso. Pude perceber que ela ficou sem ação diante do que falei, pois esperava que eu – como todas as pessoas do trem – começasse a alimentar a polêmica, assumir a culpa do homem e relegá-lo para o sétimo círculo do inferno. Só que não é isso que a Bíblia ensina.

Na faculdade de Jornalismo, aprendemos uma regra básica da profissão: nunca ouça um lado só da história. Pois todo relato sempre terá mais de uma versão, mais de um ponto de vista, e os implicados sempre vão defender os seus interesses. Isso é algo tão evidente que, se assim não fosse, não haveria juízes para intermediar disputas, nem árbitros, para dizer se foi pênalti ou não: o atacante sempre vai afirmar que o zagueiro pôs a mão na bola dentro da área e o zagueiro sempre vai negar. Por isso, ninguém conhece uma moeda por inteiro sem ver suas duas faces. No entanto, muito frequentemente nós assumimos verdades sobre outros só porque “alguém disse”. O que, em linguagem bíblica, é exatamente o que significa “julgar o próximo”.

Existe a regra de ouro do trânsito que, se for aplicada a sua vida, vai ajudá-lo muito a não cometer o pecado do julgamento: “Na dúvida, não ultrapasse”. Em outras palavras, se alguém te diz algo negativo sobre um terceiro indivíduo que não está ali para se defender, não assuma imediatamente como uma verdade, mesmo que a pessoa que te passou a informação em questão seja alguém próximo de você, o seu melhor amigo ou alguém da sua família. Sempre desconfie.

Lembre-se que uma mera afirmação contada como uma grande verdade não quer dizer absolutamente nada: se eu digo que o céu é vermelho ele não será menos azul por causa disso. Mas nós, seres humanos,  somos como grandes papagaios, que propagamos maldosas inverdades, meias-verdades ou realidades distorcidas só porque alguém nos falou – e como o ser humano tem um prazer sádico e inerente de falar mal dos outros, repetimos a quem quiser ouvir sem ter sequer escutado o que os réus têm a dizer. E acreditamos em tudo! Tenho visto isso com uma frequência avassaladora entre nós, cristãos. Lembre-se das mulheres que foram a Salomão para ele decidir de qual das duas era o filho. Ambas juravam de pés juntos que eram a mãe. Salomão não acreditou, simplesmente tirou a prova dos nove e averiguou sabiamente os fatos em sua totalidade.

Uma passagem bíblica específica sobre o assunto é o julgamento de Jesus, relatado em Mateus 26. Não só porque mostra como é a coisa mais fácil do mundo levantar falsas testemunhas cheias de provas e afirmações contra alguém, mas, principalmente, porque mostra o exemplo do Mestre acerca de como reagir. Repare: “Ora, os principais sacerdotes e todo o Sinédrio procuravam algum testemunho falso contra Jesus, a fim de o condenarem à morte. E não acharam, apesar de se terem apresentado muitas testemunhas falsas“. Veja que estamos falando de pessoas que na sociedade eram altamente conceituadas, eram sacerdotes e autoridades e que apresentaram muitas provas. Mas foi tudo articulado com um único objetivo: sujar o bom nome daquele homem.

Vamos adiante: “Mas, afinal, compareceram duas, afirmando: Este disse: Posso destruir o santuário de Deus e reedificá-lo em três dias. E, levantando-se o sumo sacerdote, perguntou a Jesus: Nada respondes ao que estes depõem contra ti? Jesus, porém, guardou silêncio“. De tudo, as antipalavras do Mestre são o que mais me maravilha. O homem que teve sua honra achincalhada e seu nome lançado na lama não berrou nem esperneou para se defender. Não apresentou provas ou testemunhas que o inocentassem. Mas “guardou silêncio”. Confirmando Isaías 53.7: “Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca“. Eis o padrão cristão.

Sei que é difícil, pois nossa natureza clama por justiça. Mas foi o que o manso Cordeiro fez. Em seu exemplo, ele demonstrou que o juízo de Deus é muito, muito, mas muito mais severo que o dos homens – e do que qualquer coisa que você possa fazer para revidar ataques ou maledicências contra você. Lembre-se de Hebreus 10.31: “Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo“. E tem mais uma coisa: um cristão autêntico – aquele que errou no passado, se arrependeu de seus pecados, alcançou a misericórdia de Deus e se esforça por não errar mais – não condena pessoas, ainda que sejam culpadas. Pois sabe que elas são tão pó como ele. Porque o cristão que se arrependeu de fato de seus erros e sabe que o ser humano é passível de errar e ser reerguido por Cristo não devolve mal com mal. Ora e torce pela restauração do pecador. O cristão de verdade não quer prejudicar ninguém – pois sempre tem a esperança de que o outro chegue ao arrependimento e produza frutos para o Reino de Deus. O cristão de verdade não destrói: constrói. Pois quem veio para destruir você sabe quem é.

Em Romanos 12, Paulo nos ensina algo que quase nenhum cristão faz: “Não torneis a ninguém mal por mal; esforçai-vos por fazer o bem perante todos os homens; se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens; não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira; porque está escrito: A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor“. Depois de mostrar o que espera aquele que receberá a vingança de Deus pelo mal que praticou contra o próximo, o apóstolo nos diz o que fazer: “Pelo contrário, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas vivas sobre a sua cabeça. Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem“. Mas isso só faz quem é cristão de verdade.

Essa é a atitude bíblica. Esse é o procedimento. É isso o que pelo menos devemos tentar fazer. Vejo pessoas famosas do “meio evangélico” indo para a TV e a Internet para, em vez de pregar o Evangelho, agredir, atacar, ofender. Os modelos que a Igreja tem hoje agem contrariamente aos ensinamentos de Jesus. Não siga esses exemplos, meu irmão, minha irmã. Há muitos frequentadores de igreja que desejam o mal ao próximo. Que estimulam o disse-me-disse sobre o último escândalo da moda. Sem meias palavras: isso é demoníaco. É assim, entre outras coisas, que se mede um verdadeiro servo de Deus: como ele zela pelo próximo, em especial os que erraram contra si. Então, se você de fato é trigo e não joio, preserve as pessoas e lute em aconselhamento e oração para que cheguem ao arrependimento e à salvação.

Minha sugestão sincera: não se junte à massa dos que tomam de Deus o papel de juiz. Se pastor fulano estuprou alguém, se o irmão da tua igreja cometeu esse e aquele pecado, se estoura a última polêmica gospel… a atitude mais bíblica que você tem a fazer é se calar. Não se assente na roda dos escarnecedores cristãos. Não alimente o disse-me-disse. Não ponha lenha na fogueira. Sei que o Diabo fica tentando pôr a lenha na sua mão, mas resista a ele. Deixe que a língua coce, garanto que depois passa. Tente guardar silêncio e agir com amor perdoador e sofredor, pois aí a justiça do alto funcionará em favor de todos: dos acusados e dos acusadores. Inclusive você.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício