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Formiga1Um programa de rádio evangélico me convidou para responder perguntas de ouvintes sobre casamento, família, relacionamentos, sexualidade e temas correlatos. Minha reação imediata foi recusar, por me sentir totalmente incompetente e indigno de fazê-lo – e já explico por quê. Mas o pastor responsável pelo programa insistiu que fosse eu. Diante disso, orei e pensei bastante sobre o assunto. Decidi ir em frente, pelas razões que compartilho com você neste texto. É possível que a linha de raciocínio que me fez aceitar o convite lhe seja útil em alguma situação que esteja vivendo ou venha a viver.

O primeiro motivo que, de cara, me fez querer recusar o convite foi a consciência de que há muitas pessoas infinitamente mais bem preparadas do que eu para falar sobre os temas referidos. Não digo isso com nenhuma falsa modéstia, é a mais pura constatação da realidade. Há tanta gente gabaritada, que estudou psicologia, que trabalha há anos com aconselhamento familiar, pastores e líderes, pessoas qualificadas e experientes. Eu, por outro lado, não sou um “especialista” em vida familiar, não sou sexólogo, tampouco cultivo um ministério na área de casais… nem ao menos um cargo eclesiástico tenho. Sou só uma ovelhinha balindo por aí. Então, a total consciência de que não sou a melhor pessoa para falar sobre esses assuntos me levou a dizer ao pastor responsável pelo programa que eu não era o convidado certo.

Como ele insistiu, orei e comecei a pensar em tudo aquilo que aparece em nosso caminho e que não nos sentimos qualificados para fazer. Isso já aconteceu com você? Em geral, é algo que ocorre em qualquer área de nossa vida (já teve de trocar uma tomada sem saber nada de eletricidade ou consertar a descarga do vaso sanitário sem entender a diferença de um parafuso para uma mola? Esse sou eu…). E, na vida eclesiástica, em especial, isso acontece com muita frequência. É quando, por exemplo, seu pastor te chama para liderar um departamento na igreja sem que você se sinta capaz. Ou quando um irmão te convida para participar do evangelismo e você não acha que dá conta. Ou mesmo quando a líder da escolinha infantil lhe oferece a possibilidade de ajudá-la no cuidado com os pequenos e você percebe que nunca educou uma única criança sequer na vida. Tarefas que você se sente incompetente para executar, mas que são postas nas suas mãos: e aí, o que fazer?

Formiga musculaçãoNão tenha absolutamente nenhuma dúvida de que o melhor é você ser um especialista, alguém que se preparou, estudou, leu muito sobre o assunto. Claro que há dons naturais, concedidos por Deus, mas se aprofundar no que precisa ser feito é o melhor dos mundos. Se o pastorado surge em seu caminho, melhor é que faça um seminário teológico, leia tudo o que puder e se dedique a cuidar de vidas humanas. Se é chamado para dar aulas, o ideal é que faça cursos e especializações pedagógicas. Se te convidaram para tocar no grupo de louvor e você sente que poderia ser um músico ainda melhor, procure estudar com um professor. E por aí vai. Seja qual for a atividade que te chamaram para realizar, o ideal é que você se aprofunde, leia livro atrás de livro sobre o assunto, estude, dedique-se, pratique, faça o que estiver ao seu alcance para se desenvolver. Mas, e se você não for um especialista e Deus, ainda assim, te chamar para realizar uma tarefa? Será que Deus errou? Não creio. Então, se o Senhor entregou algo em suas mãos, não fuja de Nínive: faça. Ou você pode acabar na barriga de um grande peixe.

Pedro era pescador, mas Deus o chamou para ser pregador. José não nasceu governador do Egito, certamente. Davi era pastor de ovelhas, mas o Senhor o convocou para se tornar guerreiro e rei. Moisés… bem, basta ler o diálogo dele com o Senhor em Êxodo 3-4 para ver quanto aquele homem se sentia despreparado para realizar a missão que lhe era confiada. Os exemplos são muitos. Conheço pastores que nunca cursaram um seminário teológico mas são cuidadores de almas infinitamente mais gabaritados, sábios e competentes do que muitos outros com doutorado em teologia. Se Deus te convocou para realizar algo, não se sinta incapaz: mãos à obra. E, uma vez que esteja com a mão no arado, faça de tudo para se especializar – leia muito sobre o assunto, estude, peça conselhos, vá à luta.

Formiga insignificanteMas houve uma segunda razão para eu querer, de cara, recusar quando o pastor me chamou para falar sobre vida familiar, relacionamentos e sexualidade. A questão é que eu mesmo já falhei tanto nessas áreas que me senti realmente indigno de abordar tais assuntos. Depois de 15 anos de casamento, não pense você que nunca tive problemas familiares. Claro que tive. Sou tão humano, falho e pecador como qualquer outra pessoa. Não serei hipócrita: já errei muitas e muitas vezes e deixei a desejar em incontáveis situações – como filho, como marido e como pai.

Estou aprendendo, errando e acertando, pecando e buscando não mais pecar. Tentando melhorar sempre, mais ainda longe, muito longe, da perfeição. Você também é assim? Eu sou, da cabeça aos pés. Pergunte a minha mãe sobre meus defeitos como filho e ela passará horas falando sem parar. Pergunte a minha esposa quantas vezes já pequei contra ela, a ofendi, entristeci e falhei em meu papel de marido e eu não teria coragem de ficar por perto para ouvir a resposta. Pergunte a minha filha meus deslizes como pai e… bem, graças a Deus a bebê ainda não percebeu que papai não é infalível, mas volte daqui a alguns anos e garanto que o relatório será extenso. Então este é o problema: a clareza sobre todos os meus muitos erros e pecados na vida familiar me fizeram pensar instantaneamente que não tenho nenhuma moral para opinar sobre o assunto. Quem sou eu para comentar sobre áreas em que já falhei tanto?

Mas, então, na oração que fiz após receber o convite, veio ao meu coração a lembrança de que Deus chamou pecadores para pregar contra o pecado. Convocou homens imperfeitos para pregar a perfeição. Intimou gente abatida para proclamar a alegria. Conclamou doentes a orar pelos enfermos. Constrangeu carentes a anunciar a plenitude. “O SENHOR olha dos céus para os filhos dos homens, para ver se há alguém que tenha entendimento, alguém que busque a Deus. Todos se desviaram, igualmente se corromperam; não há ninguém que faça o bem, não há nem um sequer” (Sl 14.2-3). Deus nunca chamou pessoas irretocáveis para fazer sua obra – ele só usa gente capenga.

SuperformigaOu você acha mesmo que existem supercrentes? Cristãos infalíveis? Não viemos de Krypton, minha irmã, meu irmão: em pecado fomos gerados e, embora tenhamos sido justificados pela graça, seguimos atrelados ao “corpo sujeito a esta morte”: “Sei que nada de bom habita em mim, isto é, em minha carne. Porque tenho o desejo de fazer o que é bom, mas não consigo realizá-lo. Pois o que faço não é o bem que desejo, mas o mal que não quero fazer, esse eu continuo fazendo. Ora, se faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, mas o pecado que habita em mim. Assim, encontro esta lei que atua em mim: Quando quero fazer o bem, o mal está junto a mim. No íntimo do meu ser tenho prazer na Lei de Deus; mas vejo outra lei atuando nos membros do meu corpo, guerreando contra a lei da minha mente, tornando-me prisioneiro da lei do pecado que atua em meus membros. Miserável homem que eu sou! Quem me libertará do corpo sujeito a esta morte?” (Rm 7.18-24), confessou o sincero Paulo, pecador que Deus chamou na estrada de Damasco para realizar exatamente o oposto daquilo que ele fez a vida inteira.

O pecado que habita em nós cisma em não ir embora e nossa natureza aguarda a ressurreição em glória, quando, só então, estaremos livres de errar. Até lá a coisa está feia. Mas, mesmo em meio a toda essa feiura, Deus nos convoca para proclamar a beleza das virtudes cristãs. Não conheço um único pregador que suba ao púlpito sem pecados, erros, falhas e fraquezas nas costas. Nenhum. Tampouco palestrantes – nacionais ou internacionais. Ou professores de seminário teológico ou de escola bíblica. Nenhum. Absolutamente todo ser humano que prega o evangelho e os valores cristãos tem montes e montes de defeitos e escorrega constantemente em sua falibilidade. Se você conhece alguém que ensine, aconselhe, pregue ou trabalhe na obra de Deus e seja impecável em suas ações, desconfie que é Jesus Cristo disfarçado – porque só ele é puro, só ele é digno. “Vi um anjo poderoso, proclamando em alta voz: ‘Quem é digno de romper os selos e de abrir o livro?’ Mas não havia ninguém, nem no céu nem na terra nem debaixo da terra, que pudesse abrir o livro, ou sequer olhar para ele. Eu chorava muito, porque não se encontrou ninguém que fosse digno de abrir o livro e de olhar para ele. Então um dos anciãos me disse: ‘Não chore! Eis que o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi, venceu para abrir o livro e os seus sete selos’” (Ap 5.2-5). Nem uma única alma está isenta de indignidade. Quem nos dignifica é Cristo.

Vasos de barroQuando essa ficha caiu, percebi que não era a minha dignidade ou a minha infalibilidade que me tornaria apto a falar verdades bíblicas: o que tem efeito são a dignidade e a infalibilidade de Jesus e da Palavra de Deus. A leitura de 2Coríntios fechou para mim a questão: “Não pregamos a nós mesmos, mas a Jesus Cristo, o Senhor, e a nós como escravos de vocês, por causa de Jesus. Pois Deus, que disse: ‘Das trevas resplandeça a luz’, ele mesmo brilhou em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo. Mas temos esse tesouro em vasos de barro, para mostrar que este poder que a tudo excede provém de Deus, e não de nós” (2Co 4.5-7).

Por isso, meus muitos erros não devem me impedir de proclamar a verdade inerrante das Escrituras. É evidente e até desnecessário dizer que você deve sempre fugir do pecado e procurar com todas as suas forças manter-se em santidade – isso sempre, sempre e sempre. Sua falibilidade jamais deve ser uma desculpa para falhar. Mas entenda, meu irmão, minha irmã, que o fato de você ser falho não deve impedi-lo de pregar sobre Aquele que não falha. O fato de você errar não pode calar teus lábios para anunciar o único que não erra. A certeza da sua pecaminosidade jamais pode fazer com que você não pregue contra o pecado e exalte Aquele que nos livra do pecado. Em resumo, mesmo sabendo que não valemos nada, Deus nos chamou para disseminar a verdade, a pureza, o amor, a graça, a restauração, a união, o perdão e tudo aquilo em que falhamos tantas vezes e continuaremos a falhar.

Se Deus fosse esperar que pessoas perfeitas pregassem e ensinassem acerca do evangelho, jamais as boas-novas teriam sido pregadas ou ensinadas. Jamais. Mas é claro que o Diabo vai tentar usar a sua indignidade para calar você. Ele te acusará e tentará convencê-lo de que seus erros o tornam incapacitado para fazer qualquer coisa para Deus. Se você acreditar nisso, as trevas terão derrotado a luz. Não permita que isso aconteça. Judas permitiu e se enforcou. Pedro não permitiu e se tornou o grande apóstolo aos judeus.

E foi assim, com total consciência de que não sou a pessoa mais bem preparada do mundo e de que sou totalmente indigno de fazê-lo, que aceitei participar do programa de rádio. Espero que tenha abençoado algumas vidas. Espero que tenha servido aos propósitos do reino de Deus.

Dependente de DeusAproveito essa minha experiência para perguntar: quantas vezes você deixou de servir a Deus por se sentir despreparado? Quantas vezes você deixou de pregar sobre algo, ensinar, aconselhar, evangelizar, amparar, ajudar, edificar porque se sentia indigno de fazê-lo? Se Deus chamou, meu irmão, minha irmã, vá em frente. Se tem dúvidas de que foi Deus, busque o esclarecimento em oração. Mas, se sente aquela paz sobrenatural no seu coração, então seja forte e corajoso, não tema nem desanime. Porque, se o Senhor convocou você a fazer algo, ele garante. Acredite: o Todo-poderoso não é bobo nem toma decisões impensadas. Se é você o escolhido, nada nem ninguém impedirá Deus de usar a sua vida em prol de seus grandes, graciosos e eternos propósitos.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Campo2Um dos conceitos mais falados na igreja mas menos compreendidos é o de avivamento. Há muitas ideias erradas sobre o que isso significa exatamente – como, por exemplo, o pensamento de que uma igreja avivada é aquela com muito barulho ou muito movimento. E não é nada disso. Para compreendermos exatamente o que avivamento significa, precisamos analisar muito bem o que esse fenômeno envolve. Não vou listar aqui histórias de avivamentos ou coisa parecida. Não desejo falar de “Pecadores nas mãos de um Deus irado”, de John Wesley ou de George Whitefield. Tampouco quero discorrer acerca dos grandes despertamentos da era moderna, muito menos do que ocorreu na rua Azuza ou em Pensacola. Se você quiser se aprofundar no tema, recomendo que leia o excelente livro “O Verdadeiro Avivamento”, de John Armstrong (editora Vida) – a meu ver, o melhor já publicado no Brasil sobre o assunto. O meu objetivo neste texto é apenas fazer uma síntese de como enxergo o fenômeno do avivamento cristão e as principais consequências disso para a sua vida.

A primeira pista está no próprio nome. A maioria de nós entende “avivamento” como “o ato de tornar vivo”. Ou seja, pegar algo morto e avivar, dar vida. Só que essa não é a única definição. O dicionário explica que “avivar” também é “dar vivacidade a algo”, “tornar mais vivo”, “renovar”.

Campo1Então, “avivamento” não se refere somente a dar vida a algo morto. Se isso fosse verdade, avivamentos espirituais viriam apenas sobre o mundo – que está morto em seus delitos e pecados – e não sobre a Igreja. Só que avivamentos acontecem justamente no Corpo de Cristo. Portanto, o conceito essencial de avivamento cristão é “dar vivacidade à Igreja”, “tornar a Igreja mais viva”. Assim, uma igreja que precisa de avivamento é aquela que está viva por estar enxertada na Videira mas que se encontra sem vivacidade – isto é, sem fulgor, energia, vigor.

A morte do mundo é não ter Deus. A “morte” no seio dos cristãos é viver como se não tivesse Deus.

Todo cristão crê que Deus existe. Mas daí a viver como se ele existisse… a distância é enorme. Eu posso crer que Jesus é meu Senhor e Salvador mas isso não ter consequência alguma na minha vida. Seja franco e olhe ao redor: você não vê isso acontecer aos montes? Assim, creio em Cristo mas vivo pecando sem me arrepender; amo ao Senhor sem compartilhar esse amor com os perdidos; valorizo a oração mas não tenho uma vida de oração; carrego a Biblia para cima e para baixo mas jamais estudo o texto sagrado; sei da importância do próximo mas não faço nada por ele… enfim, a perda de vivacidade do cristão ocorre não no que tange à perda da salvação, mas sim a um relacionamento tão mirrado com Deus e o próximo que o indivíduo torna-se espiritualmente esquelético. Pele e osso.

Campo3A imagem que vem à minha mente quando penso no cristão que precisa de um avivamento é a dos sobreviventes dos campos de concentração nazistas na 2a Guerra Mundial. Olhe para as fotos daqueles homens e mulheres raquíticos e me responda, sinceramente: parecem pessoas plenamente vivas ou sem nenhuma vivacidade… mortas em vida? Quase zumbis?

Aqueles homens e mulheres estavam vivos, o ar entrava em seus pulmões e o sangue circulava por suas artérias, mas… encontravam-se sem vida. Apáticos. Acordavam de manhã sem propósitos. Sobreviviam, sem viço e sem vigor. Compreende o que quero dizer? Do que aqueles sobreviventes do holocausto precisavam assim que foram resgatados dos campos de concentração? De vida. Ser avivados.

Ou seja: avivamento.

Aqueles esqueletos ambulantes saíram do cativeiro famintos e sedentos, desesperados por comer e beber e, assim, nutrir seu corpo. De igual modo, cristãos espiritualmente esqueléticos que são tocados pelo Espírito Santo tornam-se famintos e sedentos de Deus, desesperados por ter mais e mais do Senhor.

Campo4Cristãos sem fulgor, energia e vigor são como pessoas anoréxicas: estão extremamente desnutridas mas não se dão conta disso. É quando chega o avivamento: Deus os toca sobrenaturalmente e desperta neles uma fome incontrolável, que antes não sentiam – e fome de Deus: avivamento leva cristãos a buscar desesperadamente nutrição espiritual. De forma prática, avivamento leva você ao joelho, numa busca ávida por relacionamento com o Senhor. Também faz com que mergulhe nas páginas das Escrituras, numa sede gigantesca por conhecer mais e mais do Criador. Desperta no seu coração um amor sem tamanho pelos perdidos, que conduz invariavelmente ao compartilhamento ousado de Cristo – evangelismo. Avivamento também acende em sua alma o fogo do amor ao próximo e o leva a atos de devoção, entrega e caridade.

Em outras palavras, o cristão avivado é o que deseja relacionar-se sempre e mais com Deus, e que transborda de amor pelo próximo.

Campo5Infelizmente, muitos de nós acreditam que avivamento é quando a congregação começa a fazer muito barulho, berrar em línguas estranhas, ficar gritando “glória a Deus” e coisas do gênero. Não é nada disso – e falo como pentecostal. Tente visualizar aqueles esqueléticos sobreviventes dos campos de concentração, sedentos e famintos por algo que lhes dê vida e, de repente, começam a rodopiar, saltar, pular e gritar. Isso os faria ter mais vida como? Acreditar que devolver a vivacidade a alguém é fazer com que ele fique gritando e pulando é não compreender o significado de “vida”. Precisamos compreender que o avivamento cristão é o surgimento sobrenatural de uma necessidade desesperada e incontrolável por se relacionar com Deus e se aproximar dele numa intimidade inédita até então. E o Senhor não é surdo: podemos fazer isso sem barulho. Pois relacionamento com barulho é relacionamento, mas barulho sem relacionamento é só barulho.

Eu disse no início do texto que “o conceito essencial de avivamento cristão é dar vivacidade à Igreja”. Ou seja, é uma manifestação interna, que brota no Corpo de Cristo. Mas há um detalhe: quando o avivamento ocorre, a vida passa a fluir com tanto vigor e força pelas veias dos cristãos avivados que torna-se impossível conter tanta presença divina dentro das paredes da igreja. Portanto, sempre que ocorre avivamento, a vida transborda para fora e acaba levando a muitas conversões. Sim, essa é outra marca de um avivamento cristão real: salvação em massa. Centenas, milhares de pessoas sendo alcançadas pela graça salvadora de Cristo. Se você ouve dizer que em certo lugar está havendo um avivamento mas não há conversões de pecadores, pode ter certeza de que não é avivamento. Olhe para as imagens dos sobreviventes dos campos de concentração. Você consegue imaginar esses seres humanos gerando novos seres humanos? Se eles mal têm disposição para manter a si mesmos em pé, quanto mais gerar novas vidas. Como uma mulher que é pele e 0sso conseguiria nutrir por nove meses um feto, se mal tem vida para si? E como amamentar um bebê, se não tem nutrientes? Mas, uma vez que essas pessoas forem nutridas, alimentadas, saciadas, aí sim terão energia e forças para gerar novas vidas. De igual modo, a igreja avivada gera muitos filhos. E, desse modo, cresce.

Haveria muito mais a dizer sobre avivamento. Mas esta é a essência: avivamento cristão é a busca desesperada por relacionamento com Jesus de Nazaré. É a injeção caudalosa de Deus nas veias de almas apáticas, improdutivas e espiritualmente esqueléticas. É a seiva da Videira fluindo com tal força que transborda e espirra para todos os lados, fazendo mais e mais galhos se ligarem ao seu tronco.

PaoHistoricamente, avivamentos ocorrem por iniciativa única e exclusiva do Senhor. É uma ação unilateral. Eu não posso “produzir” um avivamento. Mas, quando olhamos para os grandes avivamentos da história, vemos um aspecto em comum às igrejas, denominações, cidades e nações onde brotaram avivamentos: sempre havia nesses lugares um pequeno núcleo de cristãos que oravam incansavelmente, clamando a Deus que mandasse um avivamento. É só o que podemos fazer: pedir e esperar, exatamente como os sobreviventes dos campos de concentração: eles não tinham como produzir alimento ou vida a partir do nada. Mas podiam pedir. No dia em que o exército aliado libertou os sobreviventes do holocausto, a primeira coisa que aquelas pessoas lhes pediram foi comida e bebida. E receberam.

Você quer experimentar um avivamento? Ore. Peça. Clame. E, se aprouver a Deus promover um verdadeiro avivamento, prepare-se para sentir a maior fome e sede de Jesus que já sentiu em toda a sua vida.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Prio1Tudo na vida é uma questão de prioridade. A cada passo que damos nós fazemos escolhas com base no que consideramos mais importante, prioritário. Hoje vou à igreja ou à praia? Oro à noite ou fico no Facebook? Estudo a Bíblia ou assisto à TV? Jejuo ou saio para jantar com os amigos? Escuto uma pregação ou uma música? Vou ao hospital visitar os enfermos ou durmo domingo à tarde? Faço seminário ou vou à academia? Passo meu sábado no futebol ou em um orfanato? Gasto meu dinheiro com esmolas e ofertas ou compro um sapato novo? Peco ou agrado ao Senhor? A resposta a cada uma dessas perguntas será determinada pelo nosso poder de escolha. E vamos escolher sempre o que consideramos mais importante.

Você percebe que implicações enormes tem a escolha daquilo que priorizamos? Porque nossas prioridades acabam determinando se seremos mais espirituais ou mais carnais, conhecedores da Palavra ou das novidades da internet, pecadores contumazes ou cristãos esforçados na luta contra o pecado, servos de Cristo ou de Mamom… e por aí vai. Prioridades ditam o nível de nossa vida cristã, especialmente em função de algo chamado tempo.

Nosso dia é curto. Em média, você dorme 8 horas e passa 8 horas trabalhando ou estudando a cada dia. Das 24 horas, sobram 8. Podemos dizer que duas horas gasta-se com atividade secundárias, mas indispensáveis, como tempo no trânsito e hábitos de higiene. Restam 6. Nesse espaço de tempo você encaixará as demais atividades do dia. E, de todas as opções possíveis, entrará aí o que você priorizar.

Prio2Nossas prioridades invadem até o campo dos assuntos sobre os quais conversamos. Por vezes fico atônito ao ver quanto se fala, por exemplo, sobre coisas como Iluminatti, nova ordem mundial, satanismo na Disney, mensagens subliminares, músicas do mundo, escândalos gospel, calvinismo versus arminianismo e outros assuntos menores, quando poderíamos investir nossas energias em tratar daquilo que é de fato relevante, o tutano da nossa fé: relacionamento com Deus. Atos de amor ao próximo. Dar de comer a quem tem fome e de beber a quem tem sede. Evangelismo. Promoção da paz. E por aí vai.

Se você for analisar o cerne da nossa fé, verá que a questão da prioridade está sempre na mesa. Jesus disse: “Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos? Porque os gentios é que procuram todas estas coisas; pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas; buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6.31-33). Repare que a ordem divina não é apenas para procurar o reino de Deus e a sua justiça, mas procurar essas coisas em primeiro lugar. Não basta procurá-las, Jesus quer que as priorizemos. Assim, se priorizarmos qualquer outra coisa, pecamos, pois estaremos desobedecendo a ordem de Jesus. É curioso isso, porque, em geral, não percebemos que o que o Senhor diz aqui não é uma sugestão, do tipo “olha, se você quiser que as demais coisas lhe sejam acrescentadas, tem a possibilidade de buscar o reino de Deus e a sua justiça, mas, se não quiser, tudo bem”. Ele fala no imperativo, “buscai”. Estamos falando de um mandamento, não de uma opção – e desobedecer um mandamento significa pecar. Então, se você prioriza atividades secundárias a algo que represente a busca do reino de Deus e sua justiça, está entristecendo o Senhor.

Prio3Outra determinação de Cristo quanto às prioridades é pôr Deus em primeiro lugar, depois o próximo. Na Bíblia, o próximo é sempre prioridade. “Mestre, qual é o grande mandamento na Lei? Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mt 22.36-40). Repare: Cristo disse mandamento. Ou: “Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros” (Rm 12.10). Ou, ainda: “Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo” (Fp 2.3). E tem mais: “Meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigo” (Jo 15.12-13). Deus quer que priorizemos o próximo. Mas, em nossos dias, quem dá atenção a essa ordem bíblica? Bem… Jesus dá. Lembre-se de João 3.16. Egoísmo é um horror do ponto de vista bíblico. Egocentrismo, então, é uma abominação. E a egolatria é o estágio máximo desse pecado.

Consegue perceber como prioridades são importantes no reino de Deus? Uma constatação que nos leva a uma pergunta dolorida: o que temos priorizado?

Prio4Já ouvi gente dizer que os momentos em que nós, cristãos, mais mentimos é quando cantamos louvores. Discordo. Creio que mais mentimos quando tentamos explicar a razão de falharmos na vida espiritual por “não termos tempo”. “Não consigo orar porque não tenho tempo”. “Não estudei a Bíblia este ano porque tenho muitos deveres de casa, sabe como é, o Enem está chegando”. “Quem consegue ler bons livros cristãos se não tenho tempo nem para respirar? Afinal, tenho inglês, balé, coral e minha ronda diária pelas redes sociais”.

Não é verdade. É claro que você tem tempo. Só que você prioriza outras atividades para ocupar seu tempo. Simples assim.

Se você é adepto de redes sociais e gosta de espiar a vida dos outros pela web, verá a enormidade de coisas que eles fazem e que nada têm a ver com o reino de Deus. E, se eles olharem o seu, tenho certeza de que terão a mesma percepção. Sim, tempo há. A questão é que o temos usado de forma bastante ligada ao “eu” e a atividades terrenas sem importância para a eternidade. Se você é mulher, pense em quanto tempo gastou no último mês em shoppings, lojas e salões de beleza. Se é homem, a quantos jogos de futebol assistiu e quantas horas em frente da TV passou. Agora responda com sinceridade: não teve tempo? Ou simplesmente priorizou outras coisas?

Entenda: não é que não se possa realizar atividades secundárias. Claro que é lícito ter períodos de lazer, momentos de cuidado com a estética do corpo, compras. O problema é quando essas coisas tomam o lugar daquilo que é prioritário. O ponto em questão é deixar de fazer o que é importante para Deus para fazer o que é importante para nós.

A vida é curta. Os dias são curtos. Mas a eternidade é longa… muito longa… Se o que fazemos em nossos dias curtos produz resultados que vão durar por toda a eternidade, isso deveria nos chamar para uma mudança urgente em nossas prioridades. Tente imaginar no dia em que você morrer (sim, lamento informar, esse dia vai chegar), você sendo chamado à presença de Deus e gaguejando na hora de explicar a ele como usou seus recursos.

- Éééé… sabe o que é, Senhor, não tive tempo para orar muito.

- Bem, aqui no meu livro diz que você passou mais de sete horas por semana jogando PlayStation ou X-Box.

- Éééé… bem… eu…

- E ajuda aos pobres?

- Ah, não dava, né, Pai, meus filhos exigiam muito de mim, não sobrava dinheiro pra isso.

- Mas espia aqui a quantidade de coisas supérfluas em que você gastou o dinheiro que te dei. Filho meu, pra que você precisava de tantos tênis assim?! E esse guarda-roupa lotado de camisas, pra que isso tudo?

- Éééé… bem… as roupas tinham de combinar, né, Senhor?

- E as suas atenções, meu filho? Aqui está dizendo que você gastava tempo e energias discutindo sobre calvinismo versus arminianismo e nova ordem mundial em vez de dialogar sobre como estender a mão para ajudar o próximo, estimular o perdão e a reconciliação entre irmãos em atrito e outros temas centrais da fé.

- Poxa, mas os illuminati não eram importantes não?

- Ai, meu filho, você nunca leu na Bíblia o que eu revelei que era o mais importante, aquilo que deveria ser a prioridade? Tenho um exemplar aqui, leia só: “Quando vier o Filho do Homem na sua majestade e todos os anjos com ele, então, se assentará no trono da sua glória; e todas as nações serão reunidas em sua presença, e ele separará uns dos outros, como o pastor separa dos cabritos as ovelhas; e porá as ovelhas à sua direita, mas os cabritos, à esquerda; então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me hospedastes; estava nu, e me vestistes; enfermo, e me visitastes; preso, e fostes ver-me. Então, perguntarão os justos: Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer? Ou com sede e te demos de beber? E quando te vimos forasteiro e te hospedamos? Ou nu e te vestimos? E quando te vimos enfermo ou preso e te fomos visitar? O Rei, respondendo, lhes dirá: Em verdade vos afirmo que, sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes. Então, o Rei dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos. Porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; sendo forasteiro, não me hospedastes; estando nu, não me vestistes; achando-me enfermo e preso, não fostes ver-me. E eles lhe perguntarão: Senhor, quando foi que te vimos com fome, com sede, forasteiro, nu, enfermo ou preso e não te assistimos? Então, lhes responderá: Em verdade vos digo que, sempre que o deixastes de fazer a um destes mais pequeninos, a mim o deixastes de fazer. E irão estes para o castigo eterno, porém os justos, para a vida eterna” (Mt 25.31-46).

- Hm…

- Isso, filho, é importante. Discutir horas a fio sobre predestinação? Você chegou aqui independente da crença soteriológica que tinha, não foi? Em compensação, quanto amou o próximo? E… mensagem subliminar em filmes? Francamente! Por que não priorizou alimentar os famintos e cuidar dos doentes?

E por aí vai. Tempo temos, pois o dia tem 24 horas desde sempre e, com essa mesma quantidade de tempo, muitos fizeram muita coisa pelo reino, pelo próximo e pela própria vida espiritual ao longo dos milênios. Mas hoje aprendemos a dar boas desculpas para justificar nossas prioridades equivocadas do ponto de vista bíblico.

Prio5Só uma coisa resolve esse problema: uma real mudança de atitude. Se você terminar de ler este texto , pensar “é verdade, é preciso mudar”, mas não fizer nada a respeito… vai seguir com as prioridades às avessas. A vida está correndo, o relógio não para. E, enquanto prosseguimos priorizando o que não é prioridade para Deus, vamos seguir pecando, entristecendo o Senhor e prejudicando nossa própria espiritualidade – que ficará mirrada, baseada em temas e práticas de importância secundária. Nosso relacionamento com Deus continuará em segundo plano, restrito a um ou dois cultos por semana e a uma oração de desencargo de consciência antes de cada refeição. E viveremos para jogar videogame; ficar horas espiritualmente infrutíferas na internet; assistir a novelas, reality shows e jogos de futebol na TV; discutir assuntos tanto-fez-ou-tanto-faz; gastar dinheiro com o que não é pão e outras atividades e atitudes que não terão absolutamente nenhum tipo de eco na eternidade.

Afinal, com que finalidade Jesus te criou? É a resposta a isso que vai definir as suas prioridades.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

pro1Se o Diabo tivesse um livro sagrado, acredito que nele haveria um versículo que diria: “Não deixe para amanhã o que você pode fazer… depois de amanhã”. Digo isso porque o ser humano tem uma forte tendência a empurrar com a barriga decisões importantes que precisa tomar – o que, em se tratando de vida espiritual, é muito prejudicial. Por isso, devemos refletir e nos disciplinar para mudar essa estranha atração que temos pelo “deixar para depois”. A procrastinação (o ato de adiar ações ou decisões) torna-se, assim, um mal a ser combatido. Se você percebe que, na lista da sua vida, há mais itens na coluna das “coisas a fazer” do que na de “dever cumprido” é hora de acender a luz vermelha e tomar alguma atitude para reverter essa situação.

Claro que cada pessoa sabe em que precisa melhorar. Mas existem áreas de nossa vida em que o problema é mais comum e, por isso, merecem mais atenção.

pro2O grande mal de nossa época é a falta de amor ao próximo. Não é por acaso que o primeiro campo em que estamos sempre procrastinando é no exercício do amor – nas suas mais variadas formas. Existem multidões de pessoas ao nosso redor, na igreja e fora dela, que estão solitárias, carentes, tristes, deprimidas, infelizes, à espera de alguém que se aproxime com uma palavra amiga, um ombro acolhedor ou, simplesmente, com presença e calor humano. Nós, filhos de uma era em que só cuidamos de nós mesmos e, no máximo, de nossa família, fechamos os olhos a elas. Sabemos que existem, vemos seu semblante abatido, mas… o que fazemos por essas tristes almas? Ou delegamos a outras pessoas a tarefa de amá-las ou deixamos para depois tudo aquilo que poderíamos fazer por elas mas não fazemos. “Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força. O segundo é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” (Mc 12.30-31). Temos cumprido esse mandamento? Se você estivesse mal, precisando de amor, gostaria que o próximo ficasse adiando o momento de vir até você para abraçá-lo e perguntar: “Onde dói a tua dor?”. Então o que você está esperando para começar a amar o próximo de fato e não só de boca?

pro3Outra área em que falhamos de forma atroz é no compartilhar o amor de Deus. Estou falando de evangelismo. E esqueça aquele imagem de pessoas nas ruas abordando outras com folhetos nas mãos, essa é apenas uma das formas de evangelizar e nem de longe é a mais eficiente. Não existe nenhuma outra maneira mais eficaz de pregar o evangelho do que a proclamação do amor de Cristo junto àqueles que convivem conosco, no dia a dia, na convivência pessoal. Mas, seja por vergonha, seja por crer que há ainda tempo de sobra, seja por que razões for, aqueles que receberam a ordem de ir, fazer discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que Jesus nos ordenou (Mt 18.19-20)… simplesmente a ignoram. E, assim, por culpa de nosso espírito procrastinador, deixamos de cumprir a grande comissão. O problema é que, se não pregarmos, meu irmão, minha irmã, muitos irão para o inferno.

pro4Procrastinamos não só ações de evangelismo, mas também projetos de edificação no nosso próximo. De que forma você gostaria de contribuir para abençoar o Corpo de Cristo e os não cristãos? Visitando orfanatos? Indo a casas de repouso? Criando um blog na internet? Escrevendo um livro? Ensinando? Intercedendo? Voluntariado-se em alguma instituição filantrópica? Alimentando quem tem fome e saciando quem tem sede? Apadrinhando uma criança pela Visão Mundial? Construindo casas para os desabrigados? Como, afinal? Se você tem planos, sonhos ou vontades nessa área… o que está esperando? O próximo precisa de você hoje, não depois de amanhã. “Então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me hospedastes; estava nu, e me vestistes; enfermo, e me visitastes; preso, e fostes ver-me” (Mt 25.34-36).

pro5Procrastinamos, ainda, o abandono dos pecados. Sabemos que estamos errados, o Espírito Santo nos incomoda diariamente, mas agimos como se disséssemos a Deus: “Senhor, me deixa pecar só mais um pouquinho, vai. Tá tão bom, amanhã eu me arrependo, peço perdão e deixo, tem tempo…”. O pecado é como um leão que devora a nossa alma constantemente, um pedaço por vez. Imagine a dor e o dano que provoca uma fera arrancando pedaços de você a cada dia. Mas procrastinar o abandono do pecado é como se pensássemos “Deixa esse leão comer mais um pouquinho do meu fígado, amanhã eu tento afastá-lo”. Chega a ser surreal cogitar isso. Mas é exatamente o que fazemos quanto ao pecado. O perigo é adiarmos tanto a expulsão dessa besta que, daqui a pouco, não sobrará nada da nossa carne – e sabe o que é um ser humano sem carne? Um cadáver. Jesus disse: “Se eu não viera, nem lhes houvera falado, pecado não teriam; mas, agora, não têm desculpa do seu pecado” (Jo 15.22). Até quando você vai continuar escravizado por pecados recorrentes e adiar o abandono das suas transgressões?

pro6Também procrastinamos o estudo das coisas de Deus. Queremos servir Jesus, amamos o Senhor, mas deixamos sempre para algum dia o aprofundamento na compreensão acerca de quem ele é, de qual é a sua ética e montes de informações que nos fariam cristãos mais maduros e íntimos de Cristo. Mas procrastinamos nossa entrada no seminário; deixamos sempre para o ano seguinte o plano de ler a Bíblia inteira; acumulamos pilhas de livros cristãos em cima do móvel. na expectativa de começar a ler no dia seguinte… estamos sempre priorizando outras atividades e deixamos o estudo das coisas concernentes a Deus para um futuro que nunca chega.

Uma das atitudes mais destrutivas espiritualmente é a hostilidade entre irmãos. A gravidade desse mal não está somente em seu poder destruidor, mas em sua frequência entre nós. pro8Irmãos em Cristo se ofendem, se agridem, se prejudicam, fazem o mal uns aos outros e fica tudo por isso mesmo. Seja por orgulho, seja por um entendimento errado acerca do perdão, seja por que razão for, muitos de nós criam barreiras entre si e vivem deixando para depois o ato de pedir perdão a quem ofendeu ou de perdoar quem o ofendeu. “Se você estiver apresentando sua oferta diante do altar e ali se lembrar de que seu irmão tem algo contra você, deixe sua oferta ali, diante do altar, e vá primeiro reconciliar-se com seu irmão; depois volte e apresente sua oferta” (Mt 5.23-24). Honestamente: qual de nós verdadeiramente faz isso de imediato? Adiar a reconciliação pode ter efeitos drásticos: “Se perdoarem as ofensas uns dos outros, o Pai celestial também lhes perdoará. Mas se não perdoarem uns aos outros, o Pai celestial não lhes perdoará as ofensas” (Mt 6.14-15).

pro7Mais uma área em que a procrastinação ocorre de forma espiritualmente prejudicial é na vida daqueles que foram chamados pela voz da graça, viveram em comunhão com o Senhor e, por alguma razão, se afastaram. Imersos nos prazeres deste mundo, nunca deixaram de saber a verdade, de ouvir a voz do Espírito Santo e de ter – lá no fundo – a convicção de que um dia retornariam ao aprisco do Bom Pastor. Mas ficam adiando, adiando, adiando e, nessa procrastinação, seguem distantes de Jesus. A quem procede assim, “Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?” (Lc 12.20). Jesus, aliás, foi bem enfático ao tratar deste ponto. Quando um jovem o abordou com a proposta de procrastinar sua adesão à causa de Cristo, veja o que ocorreu: “Outro discípulo lhe disse: ‘Senhor, deixa-me ir primeiro sepultar meu pai’. Mas Jesus lhe disse: ‘Siga-me, e deixe que os mortos sepultem os seus próprios mortos’.” (Mt 8.21-22).

Esses são apenas alguns exemplos de áreas comuns em que os cristãos têm o hábito de procrastinar. Há muitas outras e convido você a refletir sobre isto: o que você tem adiado em sua vida e que tem prejudicado sua caminhada com Cristo? Seja o que for, procrastinar é uma atitude que pode destruir almas, afastar pessoas de Jesus, nos manter na ignorância sobre as coisas de Deus, deixar vidas em ruínas e… e tudo mais que há de pior na vida espiritual de uma pessoa. É uma atitude humana, mas que age com o poder destruidor de um demônio furioso. Reflita que benefícios e que malefícios esses constantes adiamentos têm provocado.

“A esperança que se adia faz adoecer o coração, mas o desejo cumprido é árvore de vida” (Pv 13.12). O desejo de Deus é que você não adie aquilo que é importante para ele. Será que você cumprirá o desejo do seu Senhor?

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

plano1Desde que o Senhor me converteu, ouço falar de algo chamado “plano de salvação”. Você também já deve ter ouvido falar disso. Em curtas palavras, seria o planejamento, a estratégia de Deus para redimir a humanidade pecadora. Esse plano seria, em essência, o que devemos pregar para quem não conhece o Senhor, pois revela a realidade perdida e (literalmente) desgraçada de quem existe sem Deus e de que maneira pode se religar ao Criador. A meu ver, nenhuma outra coisa deveria ser pregada ao incrédulo. Nenhuma. No entanto, não é o que tem acontecido.

Que mensagem o mundo precisa ouvir? Uma só: a humanidade desobedeceu o Senhor e por isso afastou-se dele nesta vida e, consequentemente, na próxima. Mas Deus amou tanto esses bilhões de condenados que encarnou como Jesus, para morrer e ressuscitar e, assim, restabelecer o contato entre os pecadores perdidos e o Criador. Uma vez que isso foi feito, tudo o que aquele que não vive em Deus precisa fazer é reconhecer a realidade divina de Cristo e de seu sacrifício na cruz. Pronto. Eis o plano de salvação. Resgate feito. Justificação ocorrida. Salvação concedida. O céu está disponível.

Não consigo entender qualquer outra pregação feita a incrédulos em Jesus. A salvação em Cristo é a urgência. O novo nascimento é a prioridade. Essa é a única mensagem que aquele que está a caminho do inferno precisa ouvir. Se você for pregar para um não cristão, foque no que é o ponto de partida: ele está espiritualmente morto e precisa de vida, que é Cristo. Convido você a prestar muita atenção ao que Paulo diz em Efésios 2:

plan“Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência; entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais. Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, – pela graça sois salvos, e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus.”

Sim, o incrédulo está “morto em seus delitos e pecados”. Morto. Uma vez que ele esteja vivo, aí sim você pode pregar sobre qualquer outra coisa. Pois vivos ouvem. Já mortos são surdos. E, enquanto o morto estiver morto, sua única e exclusiva necessidade é… vida. Só. Nada mais. Então, meu irmão, minha irmã, para um morto pregue vida. Depois pense no resto.

No entanto, nossos tempos propõem outro tipo de pregação. Pregamos para mortos que eles precisam de vitória. Pregamos a mortos que eles precisam de bens materiais. Pregamos a mortos que eles precisam de cura. Pregamos a mortos que eles precisam de prosperidade. Pregamos a mortos que eles precisam de milagres. Pregamos a mortos que eles precisam de bênçãos.

Errado.

Mortos não precisam de nada disso, pois nada disso tem utilidade alguma para um morto.

Temos de mudar nossa pregação. Temos pregado para quem precisa desesperadamente de Cristo que eles necessitam de prosperidade, vitória, cura física… Quem necessita disso se não tem vida?! Meu irmão, minha irmã, zumbis não existem. Zumbis espirituais muito menos.

plano2Se você tem amor pelas almas humanas que estão a caminho do inferno, é hora de oferecer a elas a única coisa que lhes será útil no momento: a vida que está em Jesus Cristo. Pregue isso. Se você é um pregador, por favor, pare de ficar tentando animar auditórios com pregações recheadas de “glória” e “aleluia” mas completamente vazias de sentido evangelístico. Se você for falar para cristãos salvos, aí você prega sobre temas que os vivos precisam ouvir. Mas se quem te ouve são aqueles que estão mortos em seus delitos e pecados, pregue a única mensagem que importa: você pecou, está a um milímetro do inferno, mas Deus amou você de tal maneira que deu seu Filho unigênito para que, se nele crer, não pereça, mas tenha a vida eterna. Creia nele. E viva.

No dia em que a Igreja voltar a pregar Jesus – que é o caminho, a verdade e a…vida – para o incrédulo, voltaremos a ter uma igreja formada por pessoas que amam o Deus que as salvou. Até lá, uma enorme parte da igreja será formada por gente que ama a prosperidade, a cura, as bênçãos, as facilidades. Pois foi isso que pregamos a elas. E foi a isso que se converteram.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

O blog APENAS, após 1 ano e 6 meses no ar, alcançou a marca de meio milhão de acessos. Isso significa que foram realizadas mais de 500 mil leituras dentre as 204 reflexões aqui postadas (sem considerar os irmãos que assinam e recebem os posts direto por e-mail). Como tudo isso são números, é uma excelente oportunidade para pensarmos sobre o assunto, tão controverso no que tange à Igreja: números são relevantes para o Evangelho? Muitos seguem a linha de que o importante é ganhar o maior número possível de almas para Cristo, portanto igrejas abarrotadas de gente e grandes eventos seriam sinal de sucesso na obra de Deus. Assim, se certa igreja ou ministério cresce em quantidade de membros, tamanho do santuário, número de congregações ou conta bancária, então supõe-se estar agradando a Deus. Já outros tantos defendem que o que importa é a qualidade dos discípulos, que é preferível ter grupos, comunidades ou igrejas pequenas e bem pastoreadas, de modo que o líder possa estar mais próximo de cada ovelha, mesmo que não haja tanta multiplicação de membresia. Afinal: em se tratando do Evangelho o que importa é quantidade ou qualidade?

O grande erro que muitos cometem é achar que temos de escolher entre um ou outro. Mas não temos. Essa não é uma questão de escolha, mas de prioridade. Ou seja: o que tem mais peso.

Claro que quantidade importa, no sentido que todos queremos que o maior número possível de almas seja resgatado do inferno. Negar isso seria hipocrisia. Mas defendo que a qualidade é infinitamente mais importante – e explico por quê. Não fico impressionado por shows e cruzadas que reúnem milhares de pessoas. Catedrais suntuosas também não enchem meus olhos, só me mostram que certo grupo eclesiástico teve dinheiro suficiente para realizar aquela obra. Megaigrejas não me geram interjeições: são paredes grandes e só. Meu blog ter tantos mil acessos em xis meses muito menos me faz sentir especial – nada de bom que escrevo seria escrito sem a iluminação do Espírito Santo. Nada disso me toca, e por uma simples razão: não consigo enxergar na Bíblia base para dizer que arrebatar multidões é o propósito do Reino de Deus.

Repare: em Mateus 22.14 descobrimos que “muitos são chamados, mas poucos, escolhidos”. Já em Mateus 7.13,14, Jesus escancara: “Entrai pela porta estreita (larga é a porta, e espaçoso, o caminho que conduz para a perdição, e são muitos os que entram por ela), porque estreita é a porta, e apertado, o caminho que conduz para a vida, e são poucos os que acertam com ela”. Leia com calma e veja que verdade fulminante: poucos são os escolhidos. Poucos são os que entram pela porta da vida. Em outras palavras: poucos são os que vão para o Céu. E, se há milhões nas igrejas, isso só significa que muitos dos que estão ali não vão entrar na Glória de Cristo. São membros de igrejas mas não são salvos. Isso me entistece tanto quanto a você, mas é uma dedução lógica e óbvia, a partir do que Jesus afirmou – e da qual não há como fugir simplesmente porque me dói.

Que diferença entre essas afirmações de Jesus e as frases triunfalistas que dizem que vamos “ganhar o Brasil para Cristo”, não é? Chocado? Você ainda acha difícil crer que poucos serão salvos? Então preste atenção ao que o próprio Cristo diz a esse respeito, em Lucas 13.23-27: “Alguém lhe perguntou: Senhor, são poucos os que são salvos? Respondeu-lhes: Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, pois eu vos digo que muitos procurarão entrar e não poderão. Quando o dono da casa se tiver levantado e fechado a porta, e vós, do lado de fora, começardes a bater, dizendo: Senhor, abre-nos a porta, ele vos responderá: Não sei donde sois. Então, direis: Comíamos e bebíamos na tua presença, e ensinavas em nossas ruas. Mas ele vos dirá: Não sei donde vós sois; apartai-vos de mim, vós todos os que praticais iniquidades”. É uma verdade dura: muitos dos que frequentam igrejas e se acham salvos não são. As catedrais podem estar abarrotadas, mas o Paraíso terá bem menos gente do que se supõe. Você, atônito, pergunta então: “Mas e aí? O que essa percepção deve provocar em nós?”.

Primeiro, em nada isso deve diminuir nosso fervor evangelístico. Pois você nunca sabe quem será salvo. Então temos que seguir pregando a tempo e fora de tempo para toda criatura. Mas… não só pregar, como Marcos 16 parece sugerir. Pois Mateus 28.19,20 nos mostra a Grande Comissão como um todo: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado”.

A grande missão da Igreja não é, assim, ganhar almas: é fazer discípulos. E discípulos não são pessoas que frequentam aulas pré-batismais. Discípulos são gente que vai caminhar por anos, ombro a ombro, com cristãos mais experientes, aprendendo na convivência a ser um servo bom e fiel de Jesus de Nazaré. Para se formar um discípulo é preciso tempo, dedicação, atenção, abnegação. E não é possível fazer isso com multidões sem nome. Só se faz isso em grupos onde há possibilidade de os irmãos se relacionarem intimamente.

Nas igrejas faraônicas isso não ocorre. Grandes números impossibilitam isso. Imagine que cada pessoa que lê os posts que escrevo no APENAS me mandasse um e-mail com questões pessoais ligadas a cada texto. Só no dia em que publiquei, por exemplo, o recente artigo  “Perfeito amor“, teria de responder a mais de 3.100 e-mails – o que é virtualmente impossível. Imagine então, o pastor de uma igreja com 3.100 membros… como os pastoreará? Como dará atenção a cada um? Como os visitará em casa? Como os conhecerá pelo nome e sarará suas feridas?

Uma pergunta fundamental que envolve essa discussão e que, portanto, devemos nos fazer é: o que faremos ao chegar no Céu? Muitos têm aquela imagem de que vamos nos deitar em edredons de nuvens fofas e ficar de papo pro ar pela eternidade. Não creio. Nós passamos nove meses na barriga de nossa mãe sendo formados e preparados não para permanecer ali, mas para desempenharmos bem nossa vida pós-nascimento. E penso que passamos 70 anos, em média, nesta terra sendo formados e preparados para desempenharmos bem nossa vida pós-morte. Haverá coisas a se fazer no Céu. E penso que esta vida existe tão somente como uma preparação para a próxima. Meus erros e acertos nesta terra servem para formar o caráter que terei no dia em que, pela graça de Deus, entrar pelos portões do Paraíso – despido, já, da natureza pecaminosa corruptível.

Por tudo isso penso que Deus quer salvar pessoas para que sejamos bem preparados, nos tornando, assim, discípulos fieis. Não consigo ver o Senhor convocando um enorme exército despreparado para estar com ele na eternidade. O vejo mais separando para si um destacamento de elite, como era a guarda pretoriana na antiga Roma. Poucos, mas bem preparados. Poucos, mas espirituais. Poucos, mas santos. Poucos, mas cheios do fruto do Espírito. Poucos, mas que demonstram um autêntico amor pelo próximo. Poucos, mas que carregam consigo as cicatrizes de uma vida de aprendizado adquirido com muito suor, dor, pecados seguidos de arrependimento, perdões, humilhações e outros fatores que formam nosso caráter cristão.

Não, números não me enchem os olhos. Simplesmente porque não creio que encham os de Deus. Pastor querido, você se gaba de que sua igreja tem muitos membros? A pergunta certa é: como é a qualidade da vida espiritual deles? Quando quebro um braço, prefiro ter um único médico bem preparado ao meu lado do que mil pessoas que não sabem engessá-lo.

Chegamos a meio milhão de acessos. Louvo a Deus por isso. Mas se há qualquer mérito neste blog não está nem nas qualidades extremamente questionáveis do pecador que aqui escreve textos e muito menos no número de assinantes ou de cliques. Pois, se as milhares de pessoas que passaram por aqui leram algum texto mas nada mudou para melhor em suas vidas, o APENAS tem como único número relevante o seu valor: zero à esquerda. Mas se houve 1 só alma que foi abençoada, edificada, incomodada, transformada ou levada ao arrependimento pelas palavras aqui escritas… então o blog teve algum valor para o Reino de Deus. Qualidade acima de tudo. E, se houver quantidade com qualidade, ótimo.

Pois o que importa para qualquer espaço onde se fale do Evangelho – seja uma igreja, um livro, uma revista ou um blog – é aproximar almas humanas de Deus e torná-los mais íntimos um do outro. Se um blog tem 500 mil acessos e não aproxima ninguém de Deus nem ajuda a sarar as feridas da alma humana, seria preferível ter tido apenas 1 acesso com consequência. Pois, ao fazer isso, teria cumprido a razão da existência do homem e de tudo o que fazemos: glorificar Deus. Porque nada que você faça na vida vai glorificar mais ao Senhor do que amar o próximo e conduzi-lo à intimidade com o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Mauricio.