Xingamento1Depois que postei o texto O futebol e a religião, muitos irmãos e irmãs me escreveram fazendo perguntas sobre assuntos relacionados a como deve ser o comportamento do cristão ante uma série de questões relacionadas à Copa do Mundo e aos protestos que vêm ocorrendo pelo país. Normalmente eu evito que as reflexões que compartilho no APENAS sejam pautadas pelo que está nas manchetes dos jornais, mas, desta vez, entendo que vale a pena compartilhar pensamentos sobre um dos temas que mais me foram perguntados: os xingamentos que a presidenta Dilma sofreu no jogo de abertura da competição, de Brasil contra a Croácia. Pois esse é um assunto importante e que está diretamente ligado a duas questões bíblicas fundamentais: o respeito à autoridade e o amor ao próximo. Afinal, a insatisfação com atitudes de nossos superiores hierárquicos nos permite reagir a eles com ímpeto semelhante ao demonstrado no Itaquerão?

Não.

E gostaria de explicar por quê.

O episódio reflete uma característica dos nossos tempos. Vivemos uma época de total desrespeito pela autoridade, seja ela qual for. Filhos têm desrespeitado os pais. Alunos têm desrespeitado professores. Empregados têm desrespeitado patrões. Cidadãos têm desrespeitado seus governantes. O desrespeito tem ido muito além de apenas não acatar as decisões, ele se manifesta em ofensas, agressões, confrontos e, até, ameaças. É sempre bom lembrar que a rebelião contra a autoridade foi o que levou Satanás a ser expulso da presença de Deus e a ser condenado ao lago de fogo e enxofre por toda a eternidade. Insubmissão e desrespeito pelos superiores hierárquicos são consequência de arrogância, postura sobre a qual a Bíblia afirma: “Os arrogantes não permanecerão à tua vista; aborreces a todos os que praticam a iniqüidade” (Sl 5.5) (veja mais sobre arrogância clicando aqui).

Essa arrogância nada mais é do que sinal de que vivemos os últimos dias, como Paulo profetizou dois milênios atrás: “Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus, tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder. Foge também destes” (2Tm 3.1-5).

Xingamento2Nessa passagem há uma referência direta a um dos Dez Mandamentos, que fala do respeito e da obediência à autoridade paterna: “Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o SENHOR, teu Deus, te dá” (Êx 20.12). O século 21 tem sido marcado por uma geração de filhos rebeldes, que destratam pai e mãe, não acatam suas determinações, se consideram independentes daqueles que os criaram. Não é de se estranhar, portanto, que o desrespeito exercido no lar seja repetido em relação a outras autoridades – no trabalho, na igreja, na sociedade, na nova família. E isso é gravíssimo. Se você não tem honrado seu pai ou sua mãe, saiba que incorre em um pecado perigoso – a despeito de eles merecerem ou não o respeito; o mandamento não é condicional.

E aqui chegamos a um ponto essencial. Um dos grandes problemas de nossos dias se refere à ideia equivocada de que só devemos cumprir as ordens divinas “se”. Como assim? “Só vou respeitar meu marido se ele fizer isso e aquilo”; “Só respeitarei meu patrão se…”; “Só respeitarei o governante se…”. Mas a Bíblia não põe “se” nessa história. Devemos honrar pai e mãe independentemente de eles merecerem. As esposas devem se submeter ao marido independentemente de ele amá-las como Cristo amou a Igreja. Os empregados devem obedecer os patrões independentemente de eles serem gente fina. Os cidadãos devem ser respeitosos aos governantes independentemente de concordarem politicamente com suas decisões. O único “se” bíblico à autoridade é caso ela esteja obrigando você a fazer algo que contraria a vontade de Deus. Assim, não devem ser acatados arbítrios, por exemplo, de maridos que propõem práticas sexuais ilícitas, patrões que exigem de você atitudes fraudulentas ou desonestas no trabalho, leis que obrigam a fazer o contrário do que está nas Escrituras. A Lei de Deus sempre vem antes da lei dos homens, justamente porque sua autoridade é superior.

Xingamento3Mas nada justifica o desrespeito. Cristo demonstrou isso na prática. Repare que Jesus em momento algum de seu julgamento desrespeita Pilatos ou os mestres da lei e os sacerdotes. Esse é o xis da questão. Nossa postura deve ser sempre de muito respeito. O que fizeram com a presidenta da república foi uma desonra ao ser humano que ela é e ao cargo que ocupa de forma legítima e democrática – e isso independentemente de concordarmos ou não com seu governo e suas ações. E entenda que isso não tem absolutamente nada a ver com política ou com apoiar o partido de que ela faz parte, tem a ver com a Bíblia. Nada justifica aquela barbaridade. Você quer agir conforme a vontade de Deus mas não está satisfeito com o governo? Então, o que você deve fazer é, primeiro, orar: “Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranqüila e mansa, com toda piedade e respeito. Isto é bom e aceitável diante de Deus, nosso Salvador” (1Tm 2.1-3). Em seguida, pode fazer duas coisas: manifestar-se de forma pacífica e/ou expor seu protesto nas urnas, por meio do seu voto.

Xingar com aquele nível de agressividade e ofensa é algo inadmissível da parte de qualquer ser humano e para qualquer ser humano. Foi um ato que de cristão não tem nada – logo, foi satânico. “O Senhor sabe livrar da provação os piedosos e reservar, sob castigo, os injustos para o Dia de Juízo, especialmente aqueles que, seguindo a carne, andam em imundas paixões e menosprezam qualquer governo. Atrevidos, arrogantes, não temem difamar autoridades superiores, ao passo que anjos, embora maiores em força e poder, não proferem contra elas juízo infamante na presença do Senhor. Esses, todavia, como brutos irracionais, naturalmente feitos para presa e destruição, falando mal daquilo em que são ignorantes, na sua destruição também hão de ser destruídos” (2Pe 2.9-12). Xingamento4Repare que Pedro não coloca nenhum “se” ao que diz aqui. Parece que muitos cristãos que defendem (e/ou praticam) a agressão, a ofensa e o desrespeito à autoridade se esquecem de uma verdade universal: “Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas. De modo que aquele que se opõe à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos condenação. Porque os magistrados não são para temor, quando se faz o bem, e sim quando se faz o mal. Queres tu não temer a autoridade? Faze o bem e terás louvor dela, visto que a autoridade é ministro de Deus para teu bem. Entretanto, se fizeres o mal, teme; porque não é sem motivo que ela traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal. É necessário que lhe estejais sujeitos, não somente por causa do temor da punição, mas também por dever de consciência. Por esse motivo, também pagais tributos, porque são ministros de Deus, atendendo, constantemente, a este serviço. Pagai a todos o que lhes é devido: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem respeito, respeito; a quem honra, honra” (Rm 13.1-7).

Meu irmão, minha irmã, a Bíblia é claríssima. O respeito à autoridade é um princípio que permeia as Escrituras desde Gênesis até Apocalipse. O conceito do respeito aos hierarquicamente superiores está presente o tempo todo na Palavra de Deus, da desobediência de Adão, no Éden, até o anjo que não permite que João se prostre diante de si. Outro princípio é o da paz, que é uma das virtudes do fruto do Espírito e é uma qualidade de pessoas que Jesus apontou como bem-aventuradas – prova de que devemos sempre buscar promover a paz. Por fim, o principio do amor ao próximo tem de estar presente em cada atitude nossa. Portanto, você sempre deve se perguntar, quando tiver alguma dúvida sobre seu posicionamento em relação a alguma autoridade: a forma como estou agindo condiz com os princípios do respeito, do amor e da paz? Se perceber que não, não é bíblico.

Quero enfatizar: esta não é uma reflexão política, muito menos político-partidária. É espiritual. Uma vez que isso esteja claro, preciso dizer que os xingamentos a Dilma foram uma postura errada, deselegante, mal-educada, infeliz, desrespeitosa e antibíblica. E assim teria sido se quem estivesse ali fosse qualquer outro presidente, de esquerda ou de direita; ou se fôssemos eu, você ou outra pessoa sem cargo ou posição. O caminho não é esse. A solução não é essa. A atitude não é essa. Respeito, sempre. Amor, sempre. Paz, sempre.

Xingamento5Discordar não é pecado. Manifestar insatisfação não é pecado. Mas isso deve ser feito com mansidão e honra – com qualquer um e em qualquer circunstância. O Sermão do Monte deixa isso extremamente evidente. A agressão à presidenta aconteceu porque quem a xingou acredita que ela tem errado em suas ações. Gostaria de lembrar que eu e você erramos em nossas ações todos os dias. Apesar disso, Deus não nos tratou como merecíamos, mas enviou Jesus para morrer pelos nossos erros. Que estendamos a todos a mesma graça que o Senhor manifestou a nós. Fora disso não há cristianismo.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

teologia1Tive uma conversa com um amigo que me incomodou profundamente. Já conto o que aconteceu, mas antes me permita dizer algo, por favor. Eu amo teologia. Poucas atividades me dão tanto prazer quanto sentar com amigos e discutir as coisas de Deus, falar sobre livros de bons autores cristãos, discorrer sobre aspectos variados da fé, remoer sobre filosofias, ideologias e sistemas de pensamento. Tanto que cursei com muito prazer dois seminários teológicos, dei aulas em uma instituição acadêmica cristã por nove anos e sinto enorme alegria em ler com constância obras teológicas. Penso que tentar viver uma vida de fé sem conhecimento teológico é como dirigir um carro sem ter estudado as leis do trânsito – um perigo. Portanto, quero deixar bem claro que considero o estudo da teologia enriquecedor, prazeroso e, por que não dizer, indispensável. Incentivo que todos estudem a boa teologia ortodoxa. Mas vou te confidenciar uma coisa: tenho andado um pouco cansado de certas discussões teológicas que não me parecem ter nenhuma aplicação prática na vida de fé das pessoas e aparentam ter como principal objetivo mostrar que as pessoas que se envolvem nos referidos debates sabem muito. Sem falar que muitos desses debates e exposições são feitos num tom tão arrogante de superioridade intelectual que não consigo enxergar neles, de jeito nenhum, um espírito cristão – pois Cristo não tem parte com quem usa de arrogância e/ou agressividade no falar, mesmo que seja para defender Jesus e a sã doutrina.

Jesus falou o tempo inteiro sobre teologia. O Sermão do Monte é um belíssimo tratado teológico. A leitura atenta das palavras de Cristo nos evangelhos mostra que ele abordou temas de diferentes áreas da teologia sistemática: eclesiologia, escatologia, cristologia, pneumatologia, soteriologia, hamartiologia… o Senhor foi, de fato, um grande Mestre, um pensador, um teólogo. Portanto, viva a teologia! Mas há uma particularidade que chama minha atenção: tudo o que ele disse tem uma função. Uma aplicação no dia a dia. E ele fugia constantemente do rebuscamento: Jesus simplificava sempre o seu discurso: explicava profundas realidades teológicas por meio de simples parábolas, usava aspectos do dia a dia do povo como metáfora de conceitos teológicos complexos, e agia de fato a partir do que falava.

teologia2Este, aliás, é um ponto nevrálgico das atitudes do grande teólogo Jesus de Nazaré: seus ensinamentos “em sala de aula” eram sempre seguidos de “aulas práticas”. Jesus punha a mão na massa: andava com as pessoas, sentia o cheiro do povo, comia com os pecadores, dialogava com mestres da lei e com prostitutas, botava cuspe nos olhos do cego… ele suava a camisa. Mais ainda: o Senhor vivia a teologia que ensinava e, com isso, demonstrava a todos ao seu redor que ela fazia sentido e existia por uma razão consequente. Não eram apenas belas palavras formuladas e debatidas por um cérebro privilegiado: eram vida.

É por ver esse exemplo magnífico de Jesus que me espanta a enorme frequência com que vejo irmãos entrarem em debates, discussões e assuntos que te levam a pensar: “Tá, mas… e daí?”. Muitas vezes são até temas bem saborosos, dos que fazem o cérebro trabalhar a mil por hora, mas que não têm nenhuma consequência para o mundo real. E, diante disso, confesso meu nefasto pecado: por vezes, chego a supor que o único interesse dessas pessoas é mostrar que sabem muito e, com isso, alimentar sua vaidade. É maldade minha, eu sei, não deveria pensar isso. Mas penso. Perdoe-me.

Já me perguntaram algumas vezes por que uso neste blog uma linguagem tão popular. Esta semana fui questionado por um amigo acadêmico, em uma conversa, acerca do que escrevi no último post que publiquei aqui no APENAS, O futebol e a religião. Como citei no texto alguns aspectos teológicos relacionados ao pensamento de Anselmo de Cantuária sobre fé e razão, esse amigo querido disse coisas como “Finalmente você falou sobre teologia em um texto seu”, “Já que você é formado em Teologia, por que você não entra em questões teológicas mais acadêmicas?” e “Você não deveria estar escrevendo coisas mais profundas?”. Bem… eu explico: é porque não consigo enxergar nada que seja mais profundo do que refletir sobre verdades bíblicas fundamentais numa linguagem e num formato que sejam compreendidos por todos e que conduzam à transformação de vidas e a uma aproximação de Cristo na prática diária. Não me contento com nada menos do que isso.

PlatãoNo meu pequeno círculo de amigos amantes de teologia deixamos a mente voar solta e as conversas trafegam em outros trilhos, vamos de Karl Barth aos irmãos Boff, passando por Platão e Schaeffer; debatemos de Tertuliano a McGrath, trafegando por Tozer e Dallas Willard. Mas em situações e ambientes públicos como a internet, em palestras, pregações, programas de rádio, livros voltados para o grande público e similares eu não consigo me ver me posicionando de forma que as pessoas não me compreendam. Todas. Minha vaidade teológica nessas horas precisa permanecer muito bem trancafiada e amordaçada, porque ela impediria que eu fosse um proclamador do evangelho e me restringiria ao triste e deplorável papel de um intelectual que quer mostrar que sabe muito e usa palavras difíceis.

Na conversa que tive esta semana, ouvi que eu deveria “entregar os pontos”, porque “é impossível discutir teologia de forma acessível a todos”. Bem, eu discordo. Claro que é possível. Não é exatamente o que fazemos aqui no APENAS? E, se você leu o livro A Verdadeira Vitória do Cristão, viu que procurei fazer uma abordagem de conteúdo extremamente teológico e histórico, mas com uma linguagem conscientemente escolhida para ser a mais coloquial possível – pois desejo que qualquer pessoa entenda o que quero dizer e, assim, que meus escritos tenham consequência real em sua vida. Não me interessa ser aplaudido por poucos intelectuais, entrar em um pequeno círculo de notáveis, participar de eventos e debates teológicos se nada disso gerar frutos concretos para o reino de Deus. Se os resultados forem concretos, podem me chamar e debateremos com alegria. Mas se for apenas para ficar discutindo o sexo dos anjos, prefiro usar esse tempo para chorar abraçado a um homem que perdeu um filho num acidente de moto ou para falar do amor de Cristo a uma mulher que pensa em cometer suicídio.

O que me parece é que muitos excelentes pensadores perdem grandes oportunidades de se fazer entender porque se recusam a abandonar o academicismo de seu discurso. São teólogos falando para teólogos e não para pessoas comuns. Fico pensando em como seria se Jesus tivesse optado por falar numa linguagem tão elitizada que só os mestres da lei o compreenderiam. Você acha que ele não era capaz disso? Claro que era. Mas Jesus sabia que seria ineficaz, e ele não estava ali para mostrar apenas o que sabia, estava ali para mostrar, acima de tudo, quem era e o que fazia – salvar, perdoar, amar, curar, restaurar e por aí vai.

william_holman_hunt-the_shadow_of_deathEm círculos restritos, como na sala de aula, em uma conferência teológica ou em um evento de uma universidade, é compreensível que se adote o “teologuês”. Faz sentido e é natural que nesses ambientes seja assim, não tenho absolutamente nada contra. Faz parte do contexto. Mas, em foro público, em ambientes abertos a quantidades maiores de pessoas… para quê? Que voltemos à simplicidade do evangelho. Às palavras compreensíveis. Amo a teologia, ela é indispensável. Mas se vier a tornar-se um fim em si mesma, passa a ser dispensável. Embora eu ame teologia, sei que jamais devemos amá-la mais do que amamos Cristo – pois, se assim fizermos, nos tornamos idólatras teológicos. E quem ama Cristo usa a teologia meramente como uma ferramenta a serviço do reino de Deus, o que pressupõe proclamar o reino de modo que o próximo compreenda. Palavras bonitas, ideias complexas e discursos rebuscados jamais levaram ninguém para perto de Deus: a simplicidade da cruz é que leva.

A proclamação do evangelho, para ocorrer como Jesus fez, deve vir montada num jumentinho. Mais ainda: deve ser feita na linguagem de um carpinteiro.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Futebol e religiãoA Copa do Mundo começou. Assisti a um excelente programa de televisão estrangeiro, em que o apresentador John Oliver analisa esse evento de forma coerente e divertida. Se você fala inglês, recomendo assistir ao vídeo inteiro, é muito bom (veja AQUI). O que mais me chamou a atenção foi a explicação que Oliver dá ao fato de que, apesar dos inúmeros absurdos envolvidos na realização desta Copa e dos descalabros praticados pela FIFA, ainda assim as pessoas estão empolgadas com a competição e ansiosas pelos jogos. Para ele, a razão é que “futebol é como uma religião”. Fiquei pensando sobre isso e gostaria de compartilhar algumas reflexões sobre o assunto. O que leva alguém a comparar um simples esporte a algo tão sublime, transcendente e celestial como uma religião? (E entenda que me refiro a religião como o religare do homem com Deus e não a um sistema engessado de práticas e liturgias. Se desejar entender melhor essa diferença você pode ler este post).

Primeiro, porque a fé religiosa é algo que mexe com o mais íntimo de nosso ser, desperta paixões, produz debates acalorados. A religiosidade afeta tudo em nós: influencia nossos valores, pensamentos, ações; enfim, tudo aquilo que somos e fazemos. Isso é bem visível, também, no futebol: quem aprecia veste a camisa e a defende como a um manto sagrado. Por exemplo, é preciso muita paciência para lidar com torcedores que, toda segunda-feira, parece que não têm assunto além do jogo da véspera. Durante certo tempo, um vizinho invariavelmente encontrava comigo no elevador e engrenava uma conversa animadíssima sobre o mais recente desempenho do Flamengo. “E o mengão, hein, rapaz, que garfada!” E eu: “É… am-ham…”, com aquele sorriso amarelo no rosto e sem fazer ideia do que ele estava falando. No dia em que confessei a ele que não acompanho futebol e não assisto a jogos, nossos próximos encontros passaram a ser sempre silenciosos – parecia que, se não fosse para falar de bola, não havia assunto. Deixei de ser um bom papo para ele, uma vez que futebol era o que mexia com tudo à sua volta. E não foram poucas as vezes em que fiquei avulso em rodinhas de amigos amantes do esporte bretão, tão inteirado eu estava acerca do que eles falavam como uma girafa numa conversa sobre física quântica.

Brazilian attorney, Nelson Paviotti, poses with his two Volkswagen Beetles painted with the colors of the national flag in CampinasSegundo, porque futebol e religião criam fanáticos. Assisti a um vídeo recentemente de um advogado (foto) que fez a promessa, em 1994, de só se vestir de verde e amarelo pelo resto da vida caso a seleção brasileira fosse campeã. Dito e feito. Agora, ele promete só comer alimentos que tenham essas cores caso a seleção vença. Fiquei chocado. Mas o fanatismo está aí, e veio para ficar. É o crente que se torna um chato, por exemplo, por querer impor sua fé de qualquer modo aos não cristãos, sem compreender que quem converte é o Espírito Santo e não a nossa insistência. Fanatismo tem um quê de desequilíbrio. É diferente de ser radical. O radical é alguém equilibrado, que não negocia aquilo em que acredita por ter raízes muito bem fincadas no que crê; já o fanático é quem transborda sua fé de forma exuberante e, muitas vezes, excêntrica e, até mesmo, incômoda para quem está em volta. Radicalismo é elegante, fanatismo é extravagante. No futebol, o fanatismo por vezes torna-se assustador. Da última vez que fui ao Maracanã, para acompanhar parentes que moram no exterior, tive de sair com minha filha pequena das cadeiras e ir passear perto das lanchonetes, de tão assustada que ela ficou com os gritos, os gestos agressivos e os palavrões berrados pelos fanáticos que nos rodeavam.

EstatuaTerceiro, porque futebol e religião têm a capacidade de conduzir pessoas desequilibradas a um passo além do fanatismo, que é a intolerância. Você pode ser fanático por algo sem que isso te torne alguém agressivo a quem pensa diferente de você. Há o que poderíamos chamar de “fanáticos do bem”, ou seja, aqueles que são extremamente emotivos quanto ao que amam, mas que não fazem mal a quem pensa diferente de si. Já os intolerantes são os “fanáticos do mal”. Muitos se tornam irracionais, como os vândalos que recentemente quebraram e urinaram em uma estátua da Virgem Maria, um absurdo fruto de ignorância e da falta de entendimento acerca do que é o evangelho da graça e da paz. No futebol, isso também é assim. Torcedores espancam e matam seres humanos que torcem para outro time simplesmente porque… bem, porque torcem para outro time. A intolerância leva pessoas a agredir outras somente porque se enganaram e entraram com a camisa do outro time no meio da torcida organizada, assim como leva cristãos desequilibrados a agredir homossexuais e espíritas. Em ambos os casos, a intolerância fere o princípio do amor e o da graça.

Há outros pontos que identificam futebol e religião, mas, para não me alongar demais, eu gostaria de tratar de um aspecto que, em vez de assemelhar o futebol à religião, os diferencia: a racionalidade. E acredito que foi nesse ponto que John Oliver se baseou em seu programa para fazer a comparação entre futebol e religião. Na visão dele (e na de muitos), tanto o esporte quanto as crenças religiosas seriam alimentados por irracionalidade. Só que isso não é verdade. Sem racionalidade, a fé cristã não é fé cristã.

BrasilO amor pelo futebol, em qualquer nível, é irracional. Seja você um saudável e comedido apreciador desse esporte ou um intolerante e agressivo torcedor, seu envolvimento com o time do seu coração não se dá de forma racional. Eu explico: você saberia racionalizar por que torce para este ou aquele time? Será que é porque ele é o melhor de todos? Bem, o campeão de hoje estará na segunda divisão amanhã, então o conceito de “melhor” é relativo. A verdade é que você torce para quem torce por razões emocionais e não racionais. Como alguém que se apaixona por um amor impossível, você se apaixonou por uma equipe e passou a torcer por ela sem que haja uma explicação lógica imediata – talvez tenha adotado como seu o time que era de seus pais, por exemplo, ou vai ver que gostou das cores da camisa na sua infância. Não se sabe exatamente o que leva alguém a escolher este ou aquele time para ser o seu. Se não fosse assim, eu não teria torcido para a seleção brasileira até 1994, quando a vi ser campeã pela primeira vez. Eu e você torcemos para o Brasil porque tem a ver com a nossa relação emocional com nossa pátria.

leitura biblicaNa religião, entretanto, se as decisões são irracionais, isso só vai gerar problemas – em todos os âmbitos. “Estejam sempre preparados para responder a qualquer pessoa que lhes pedir a razão da esperança que há em vocês. Contudo, façam isso com mansidão e respeito, conservando boa consciência, de forma que os que falam maldosamente contra o bom procedimento de vocês, porque estão em Cristo, fiquem envergonhados de suas calúnias. É melhor sofrer por fazer o bem, se for da vontade de Deus, do que por fazer o mal” (1Pe 3.15-17). Repare: “razão da esperança”. Pedro está falando de racionalidade. A fé necessariamente tem de ter um componente racional. A sua conversão aconteceu no dia em que a graça de Deus se manifestou em sua vida e o Espírito Santo conduziu você a perceber, racionalmente, que o evangelho faz sentido. O teólogo Anselmo de Cantuária (1033-1109) apontou dois conceitos que se tornaram célebres na história do pensamento cristão: Credo ut intelligam (“creio para que possa entender”) e Fides quaerens intellectum (“a fé em busca de compreensão”). Com isso, Anselmo quis dizer que a tarefa da teologia é mostrar que crer é também pensar, ou seja, que não há uma oposição entre fé e reflexão intelectual (embora a fé tenha lugar de primazia). O que isso significa? Que não há como afastar a fé da racionalidade. Você crê porque Jesus e as boas-novas da salvação fazem sentido para você. Quando Paulo escreveu que “a mensagem da cruz é loucura para os que estão perecendo, mas para nós, que estamos sendo salvos, é o poder de Deus” (1Co 1.18), estava mostrando que o cristianismo não faz sentido para os que não são salvos, mas, para nós, é totalmente compreensível e nos soa até estranho que alguém não creia no que nós cremos.

Se passarmos a viver nossa fé de modo irracional, isso criará enormes distorções. Passaremos a acreditar em falsas doutrinas, adotaremos práticas bizarras em nossos cultos, agiremos de modo diferente do que a Bíblia nos orienta a agir, nos comportaremos de modo antibíblico com o próximo… são muitos os absurdos que podem ser praticados pela irracionalidade religiosa. Por isso, é extremamente necessário que nossa fé siga a lógica bíblica – pois fora da Bíblia a fé torna-se ilógica. E, se é ilógica, não é fé cristã. Muitos dizem que não há lógica em se ter fé, mas isso não é verdade. Há a lógica do mistério. Seguimos um Cristo que revelou seus mistérios até o limite que poderíamos compreender (observe que “compreender” exige racionalidade). Se assim não fosse, não poderíamos conhecer a vontade de Deus por meio de um livro. Pois leitura é um processo lógico e racional. Tudo o que propõe uma vida cristã baseada em pressupostos irracionais do ponto de vista bíblico… não é bíblico. Logo, não é cristianismo.

Amor ao proximoReligião e futebol têm, sim, muito em comum. Mas a nossa religião exige de nós um conhecimento bíblico que gera o equilíbrio. E esse equilíbrio vem mediante a prática do amor, da graça, da justiça, do perdão, da reconciliação e de muitas outras virtudes que o evangelho destaca. Por isso é tão importante estudarmos a Palavra. Se apenas vivermos a fé sem nos aprofundarmos em seu aspecto racional, acabaremos urinando em estátuas da Virgem Maria e nos tornando a “torcida organizada de Jesus”, que vive aquilo em que crê de forma ignorante, intolerante e irracional, espancando os diferentes e agredindo os que nos agridem. Se não vivenciarmos a fé racional, nos uniremos aos que tacam coquetéis molotov, paus e pedras nos que não concordam conosco. A História da Igreja mostra que esse é um caminho que leva para longe, muito longe, do único Caminho.

A Copa está começando. Vivamos este momento com amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio (Gl 5.22-23). Vivamos a alegria do jogo junto com a irritação por tudo o que a realização dessa competição gerou em termos negativos, mas vivamos racionalmente, controladamente, com equilíbrio, como seguidores de Jesus e à luz dos ensinamentos bíblicos. Porque não há nenhum outro modo de se conformar à imagem de Cristo neste momento que não seja agindo como Cristo agiria: buscando a justiça, mas com alegria.

Sejamos diferentes, como todo cristão deve ser. Curtamos a Copa do Mundo de futebol em paz. Não permitamos que nada nem ninguém nos tire neste momento do caminho da serenidade, da santidade, da graça e do amor.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Mauricio

 

 

Hipocrisia1Ninguém gosta de viver crises. Eu não gosto. Você não gosta. Crises são ruins, doem, machucam, entristecem, abatem. Elas podem vir com as mais variadas aparências: desemprego, doenças, divórcio, alcoolismo, opressão, escassez, pecados, agressões e por aí vai. Deus nos livre das crises. Mas… eis que vem a má notícia: elas são inevitáveis. Certeiras. Elas virão. Ninguém está isento de crises. Jesus as enfrentou, todos os apóstolos foram afligidos por elas, a Igreja primitiva as teve como companheiras constantes, os reformadores praticamente as convidaram ao peitar os religiosismos de então, você e eu tropeçamos nelas a cada esquina. Crises virão e são inevitáveis. Mas, sabe… crises têm um aspecto positivo, do qual devemos desfrutar: elas revelam quem cada pessoa realmente é.

Foi na hora da crise que Pedro mostrou que ainda pensava mais em si do que nos outros. Foi na crise que Judas revelou que, embora tivesse passado anos com Cristo, não compreendia o perdão divino. Quando a crise veio, Paulo e Pedro mostraram que não eram grandes especialistas em conciliação. À sombra da crise, Caim revelou onde estava seu coração com relação a Deus e a seu irmão. A crise expôs mais de uma vez que Abraão tinha uma indisfarçável covardia, ao fingir que sua esposa era sua irmã – diante de faraó e de Abimeleque. Os exemplos bíblicos são muitos e todos levam à mesma conclusão: crises revelam seu verdadeiro eu.

Hipocrisia3Na fome você descobre os caridosos. Na angústia aparecem os empáticos. Na dor se revelam aqueles que choram com quem chora. No escândalo caem as máscaras dos egocêntricos. Na pobreza somem os interesseiros. Na derrota permanecem os parceiros. Quando você não tem mais nada a oferecer se destacam seus verdadeiros amigos e desaparecem os falsos. “As riquezas multiplicam os amigos; mas, ao pobre, o seu próprio amigo o deixa” (Pv 19.4) – repare que “riquezas”, aqui, não se refere apenas a dinheiro, mas a tudo o que você pode oferecer aos demais. A crise peneira os que de fato têm amor no coração dos que têm apenas aparência de piedade.

No meio cristão merece nossa atenção especial a crise do pecado, uma vez que ela é a que mais mexe com cada um de nós. Na igreja, ela é uma das mais reveladoras que há. Quando alguém comete um daqueles pecados bem cabeludos, arrepende-se e seus irmãos em Cristo tomam conhecimento, é bom que ele se prepare, pois vai conhecer de fato quão santos, piedosos e verdadeiros são aqueles que o cercam. Os salvos o apoiarão e ajudarão na sua restauração. Os que não têm a natureza de Cristo lançarão pedras. Os medrosos sairão de perto. Os mansos e humildes de coração o abraçarão e o puxarão para cima. Em suma, é no pecado que se descobre quem realmente ama ao próximo como a si mesmo e quem ama a si mesmo como a si mesmo.

Por exemplo, você sistematicamente desonra pai e mãe, mas ninguHipocrisia2ém sabe disso. No dia em que esse pecado abominável vem à tona, muitos se afastam. Outros que te chamam de “amigo” deletam você de sua convivência – afinal, não pega bem associar seu nome a alguém que desonra pai e mãe. E por aí vai. É quando você chega diante da igreja e confessa publicamente que tem amado o dinheiro acima de seres humanos que muitos passam a atravessar para o outro lado da rua ao te avistar de longe, começam a te boicotar e demonstram que sua vida não lhes importava tanto assim.

Parece ruim? Então ouça a boa noticia: não é. Pois bendita é a crise que mostra quão cristãos os cristãos que te cercam são. Porque (preste bem atenção a isto)  o que demonstra se você é  cristão de verdade não é apenas se você peca ou não, mas como reage diante do pecado dos outros. Porque pecar 100% dos cristãos pecam, mas reagir como Cristo diante do pecado alheio… não é virtude de uma maioria.

A piedade de impiedosos não sobrevive na hora da crise. Nesse sentido, a crise é uma maravilha, pois ajuda você a enxergar com mais clareza ao seu redor. “Um homem desesperado deve receber a compaixão de seus amigos, muito embora ele tenha abandonado o temor do Todo-poderoso” (Jó 6.14) é um versículo que poucos conhecem e menos ainda o vivem no dia a dia.

Hipocrisia4Mas a crise não só revela a hipocrisia: ela põe os holofotes sobre os magnânimos. Pois é quando explode na igreja o escândalo de que você é um terrível preguiçoso que muitos chegarão até você com abraços amigos, palavras de consolo e restauração. É ao revelar publicamente que você não merece o céu porque é um glutão de primeira linha que os amorosos, pacificadores, bondosos e amáveis brotarão com braços abertos, mãos estendidas, ombros ofertados, colos à disposição, palavras de apoio e encorajamento e, acima de tudo, com aquilo que mais pesa nessas horas: sua presença. Pois os salvos permanecem na hora crise. Os que são amantes do próprio ventre vão cuidar de si.

Doença, pobreza, pecado, dificuldades, carência, depressão… são muitas as crises que podem pular à nossa frente. Possivelmente, ao longo da leitura desta reflexão, você imaginou pessoas que conhece e que se encaixam naquilo que foi descrito aqui. Eu perguntaria, então, se me permite: e você? Como você se comporta quando é o seu próximo que está em crise? Você permanece, apoia, ama, dá a cara a tapa, abre mão de seu tempo pelo outro, fortalece, diz palavras de amor… perdoa? Você dá as costas ou age em prol da restauração? O que a crise do seu próximo revela sobre você? Sobre sua fé? Sobre quanto ama as outras pessoas? Sobre seu cristianismo? Sobre sua vida com Cristo?

A crise virá, não tem jeito. Mas, quando ela for embora, tenha a certeza de que você terá recebido um magnífico presente do Pai que o ama: a revelação de como é de fato o coração daqueles que te chamam de “amigo”. Passada a crise, muitos “amigos” terão desaparecido – dê graças a Deus por isso. E os poucos que ficarem não serão mais seus amigos: “Em todo tempo ama o amigo, e na angústia se faz o irmão” (Pv 17.17). Sim, louve a Deus pelas crises, pois elas farão brotar ao seu lado verdadeiros irmãos. E, dependendo de como você se comportar na crise do seu amigo, o Senhor lhe mostrará muito a respeito de como anda o seu próprio coração.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Gays1Olá, bom dia. Meu nome é Maurício Zágari e sou um cristão protestante (ou evangélico). Gostaria de falar, se me permite, a você que é homoafetivo (ou homossexual, ou gay, ou integrante do movimento LGBT – deixo a seu critério como prefere ser chamado) e que não compartilha da minha fé. Mas, antes, permita-me dizer que não pretendo te atacar, ofender, discriminar ou rebaixar. Quero apenas dialogar, com extremo respeito pela pessoa que você é. Um papo de um ser humano para outro ser humano. Tenho visto na internet, na televisão e em outras mídias uma lamentável troca de farpas entre certos evangélicos e certos gays (em geral, líderes e políticos) e isso tem me deixado profundamente triste. Parece que há uma guerra entre todo cristão e todo homoafetivo, e isso simplesmente não é verdade – nossa luta não é essa (Ef 6.12). Então gostaria de tentar deixar de lado o que alguns têm feito e dito, e expor questões a respeito de tudo o que tem acontecido, se você tiver paciência de prosseguir mais um pouco neste texto e me honrar com a sua leitura.

A primeira coisa que eu queria fazer, amigo homoafetivo, é te pedir perdão. E falo como cristão, embora nenhum outro cristão tenha me autorizado a fazer isso. E esse é o problema: muitos cristãos têm falado em meu nome sobre a tua sexualidade, sem que eu nunca tenha autorizado. Em geral, é gente famosa, que te ataca, ofende, agride, xinga e bate na mesa, como se todos os evangélicos estivessem fazendo a mesma coisa. Bem, eu não estou. Conheço muitos que também não estão. Não quero conversar com você ou com ninguém agredindo. Então, por favor, perdoe meus irmãos que te ofenderam. Pois a mensagem do Cristo a quem amo é a da paz, da restauração, da salvação; não a da guerra, da ofensa, da agressão. Quero que você saiba que, aos meus olhos, você é um ser humano precioso e importante. De valor.

A segunda coisa é explicar algo sobre a relação entre os evangélicos e os homoafetivos nos nossos dias. Eu não tenho absolutamente nada contra você como indivíduo. Tenho conhecidos que são gays, pessoas boas, trabalhadoras, amorosas, que pagam seus impostos e são extremamente agradáveis. Então, por favor, entenda que não existe nenhuma hostilidade contra os homoafetivos pelo fato de eu ser cristão. Só que não posso ser hipócrita, então deixe-me dizer que, de fato, não concordo com a prática homossexual. Perceba que existe uma diferença entre gostar, respeitar e amar alguém e concordar com algo que ela faça. Por exemplo: amo de todo coração minha filha. Não tenho preconceito contra ela. Não sou “infantifóbico”. Mas, se ela faz algo que em minha opinião é errado, não vou concordar e direi isso a ela – eu a amo e por isso sinto-me compelido a dizer a ela a verdade sobre o que penso acerca de suas ações. Uma coisa não exclui a outra. Percebe a diferença entre a pessoa e a prática?

Esse é o problema que tem gerado tanto conflito entre gays e cristãos: muitos cristãos tratam mal seres humanos gays por discordar do que eles fazem. E muitos seres humanos gays tratam mal os cristãos porque não nos dão o direito de discordar do que eles fazem. Assim, estamos errando dos dois lados. Pois estamos confundindo as pessoas com as suas crenças e práticas. Amo minha filha, mas posso discordar de algo que ela pense ou faça.

Gays2Se você diz que assistir a um jogo de futebol é mais legal que ler um livro vou discordar, mas vou continuar amando você. Se você diz que pizza é melhor que camarão vou discordar, mas vou continuar amando você. Se você diz que o Rio de Janeiro não é a melhor cidade do mundo vou discordar, mas vou continuar amando você. Se você diz que azul é mais bonito que preto vou discordar, mas vou continuar amando você. Enfim, se você pensa ou age de modo diferente de mim vou discordar, mas vou continuar amando você. O que você faz e pensa não anula o meu respeito humano por você. Gostaria muito que o mesmo fosse igual de sua parte quanto a mim. Temos, cristãos e homoafetivos, de começar a perceber que discordar de uma prática ou crença não é motivo para odiar quem pratica aquilo ou crê naquilo. É como flamenguistas e tricolores que discordam com relação a seus times mas se encontram na saída do estádio e não se espancam, mas se abraçam.

Assim, gostaria que você entendesse que, embora eu não concorde com o fato de você se relacionar com pessoas do mesmo sexo, isso em nada muda o meu apreço pelo indivíduo que você é. Se amanhã você aparecer na minha igreja, vou te receber com um abraço apertado, sentar ao teu lado e tirar todas as dúvidas que você porventura tenha quanto às questões de fé. Vou te apresentar a meus amigos da igreja e procurar compartilhar o amor que Cristo semeou no meu coração da melhor forma que eu puder. Claro que pediria respeito mútuo, o que inclui não ficar beijando outra pessoa do mesmo sexo na hora do culto, como algumas pessoas homoafetivas fizeram no passado (como foi amplamente divulgado pela mídia). Acredito que você, como pessoa inteligente que é, entende com toda clareza por que o que essas pessoas fizeram não é algo correto do ponto de vista da boa convivência. Foi bem desrespeitoso, na verdade.

A terceira coisa que queria é discorrer sobre por que existe essa discordância entre cristãos e gays. E aqui você não tem de concordar comigo, mas, pelo menos, pediria gentilmente que procurasse compreender por que não concordamos com a prática da homossexualidade. Veja: cremos que a Bíblia apresenta a ética e a vontade de Deus. Logo, acreditamos naquilo que ali está escrito como sendo a verdade absoluta do universo – por mais que o mundo pós-existencialista odeie o termo “absoluto” e prefira “relativo”. E a Bíblia diz que a prática da homoafetividade é pecado (palavra antiga, que significa “desobediência à vontade de Deus”). Diz isso de Gênesis a Apocalipse. Veja apenas dois exemplos:

Romanos 1:26-27 “Pelo que Deus os entregou a paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural no que é contrário à natureza; semelhantemente, também os varões, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para como os outros, varão com varão, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a devida recompensa do seu erro.”

Levítico 18:22 “Não te deitarás com varão, como se fosse mulher; é abominação.”

Logo, os cristãos entendem que a prática homossexual desagrada Deus. Você tem todo o direito de discordar disso! Eu respeito sua discordância. Ninguém é obrigado a crer no que eu creio. Mas, do mesmo modo, peço, por favor, que respeite meu direito de crer no que creio. Temos de concordar em discordar, mas sempre com carinho e afeto um pelo outro. E eu creio que – embora você e todos os demais homoafetivos sejam seres humanos merecedores de abraços sinceros, respeitáveis e amáveis – estão incorrendo em pecado quando põem em prática o relacionamento entre pessoas do mesmo sexo (lembrando que “tentação” e “pecado” são conceitos bem diferentes, mas essa é outra discussão). Assim, se for de fato pecado, um dia você prestará contas. Mas a Deus, não a mim.

Gays3Aproveitando, queria pedir que me permita esclarecer algo sobre duas palavras que são usadas para se referir a mim no que tange à questão da homoafetividade pelo fato de eu discordar da prática homossexual. A primeira é “preconceituoso”. Pelo dicionário, “preconceito” é  “opinião desfavorável que não é baseada em dados objetivos.”. Gostaria de te explicar que eu discordar do relacionamento entre pessoas do mesmo sexo não faz de mim, por definição, um preconceituoso. Pois tudo em que creio tem fundamento em dados objetivos, que são afirmações feitas ao longo da Bíblia, o livro que norteia minha vida. Você pode não crer em nada do que está ali, mas, por favor, pediria que respeitasse o fato de que eu creio. E, como creio, acredito que todos os dados objetivos que estão ali são verdade. Assim, não tenho “preconceito” contra a prática homossexual, mas sim um “conceito”, firmemente baseado em uma filosofia de vida (material e espiritual).

Outro termo é “homofóbico”. Pelo dicionário, “fobia” é “medo”. Assim, “aracnofobia” é “medo de aranhas”, “agorafobia” é medo de espaços abertos”. Me faz crer que “homofobia” seria “medo de homossexuais”. Bem, eu não tenho medo de você, tenho carinho e afeto pelo ser humano que você é. Também não tenho medo do que você pratica, eu discordo, mas não temo. Logo, não vejo a lógica de ser chamado de “homofóbico”. É como se eu chamasse você de “cristofóbico” porque discorda dos cristãos. Não acredito que seria correto dizer isso.

Bem, teríamos muito ainda a dialogar, sobre temas como o amor e a graça de Deus, as dores que você sofre quando é discriminado, vida eterna e tantas outras coisas envolvidas no relacionamento entre cristãos e gays. Mas não dá pra falar tudo de uma vez. Então vou encerrar por aqui, na esperança de que você tenha compreendido o que eu quis dizer. Não te odeio. Olho para você e vejo um ser humano tão humano como um heterossexual. Mas, com base na Bíblia, acredito que a prática da homossexualidade constitui pecado e levará quem a pratica a ter de prestar contas a Deus. Respeito se você não crê nisso. Porém, mais uma vez, peço, por favor, que você respeite o fato de eu crer.

Gays5O que me motivou a escrever este texto foi essencialmente mostrar que podemos nos tratar com gentileza e amor, mesmo que discordemos. Não há razão para os cristãos te tratarem mal. Não há razão para vocês nos tratarem mal. Podemos conversar civilizadamente. Olho para parlamentares e pessoas da mídia se agredindo e se ofendendo por causa de tudo o que aqui falamos e me entristeço enormemente. Abomino esse comportamento. E isso, se formos pensar bem, não tem a ver com religião ou sexualidade: tem a ver, acima de tudo, com educação e polidez. Chega de agressividade. Chega de ódio mútuo. Peço a Deus que consigamos conviver em paz e com respeito, sabendo que cada um dará contas de si e de suas ações diante do Criador.

Sabe, amigo homoafetivo que não professa a mesma fé que eu… tenho uma certeza: Deus, que é bom e misericordioso, deseja ter um relacionamento pessoal com a humanidade – inclusive com você. Minha oração é que isso aconteça e que você seja alcançado pela maravilhosa graça de Deus. O amor de Jesus, acredite, é maior e mais arrebatador do que o de qualquer pessoa.

Te desejo muita paz. Com respeito,
Mauricio

Formiga1Um programa de rádio evangélico me convidou para responder perguntas de ouvintes sobre casamento, família, relacionamentos, sexualidade e temas correlatos. Minha reação imediata foi recusar, por me sentir totalmente incompetente e indigno de fazê-lo – e já explico por quê. Mas o pastor responsável pelo programa insistiu que fosse eu. Diante disso, orei e pensei bastante sobre o assunto. Decidi ir em frente, pelas razões que compartilho com você neste texto. É possível que a linha de raciocínio que me fez aceitar o convite lhe seja útil em alguma situação que esteja vivendo ou venha a viver.

O primeiro motivo que, de cara, me fez querer recusar o convite foi a consciência de que há muitas pessoas infinitamente mais bem preparadas do que eu para falar sobre os temas referidos. Não digo isso com nenhuma falsa modéstia, é a mais pura constatação da realidade. Há tanta gente gabaritada, que estudou psicologia, que trabalha há anos com aconselhamento familiar, pastores e líderes, pessoas qualificadas e experientes. Eu, por outro lado, não sou um “especialista” em vida familiar, não sou sexólogo, tampouco cultivo um ministério na área de casais… nem ao menos um cargo eclesiástico tenho. Sou só uma ovelhinha balindo por aí. Então, a total consciência de que não sou a melhor pessoa para falar sobre esses assuntos me levou a dizer ao pastor responsável pelo programa que eu não era o convidado certo.

Como ele insistiu, orei e comecei a pensar em tudo aquilo que aparece em nosso caminho e que não nos sentimos qualificados para fazer. Isso já aconteceu com você? Em geral, é algo que ocorre em qualquer área de nossa vida (já teve de trocar uma tomada sem saber nada de eletricidade ou consertar a descarga do vaso sanitário sem entender a diferença de um parafuso para uma mola? Esse sou eu…). E, na vida eclesiástica, em especial, isso acontece com muita frequência. É quando, por exemplo, seu pastor te chama para liderar um departamento na igreja sem que você se sinta capaz. Ou quando um irmão te convida para participar do evangelismo e você não acha que dá conta. Ou mesmo quando a líder da escolinha infantil lhe oferece a possibilidade de ajudá-la no cuidado com os pequenos e você percebe que nunca educou uma única criança sequer na vida. Tarefas que você se sente incompetente para executar, mas que são postas nas suas mãos: e aí, o que fazer?

Formiga musculaçãoNão tenha absolutamente nenhuma dúvida de que o melhor é você ser um especialista, alguém que se preparou, estudou, leu muito sobre o assunto. Claro que há dons naturais, concedidos por Deus, mas se aprofundar no que precisa ser feito é o melhor dos mundos. Se o pastorado surge em seu caminho, melhor é que faça um seminário teológico, leia tudo o que puder e se dedique a cuidar de vidas humanas. Se é chamado para dar aulas, o ideal é que faça cursos e especializações pedagógicas. Se te convidaram para tocar no grupo de louvor e você sente que poderia ser um músico ainda melhor, procure estudar com um professor. E por aí vai. Seja qual for a atividade que te chamaram para realizar, o ideal é que você se aprofunde, leia livro atrás de livro sobre o assunto, estude, dedique-se, pratique, faça o que estiver ao seu alcance para se desenvolver. Mas, e se você não for um especialista e Deus, ainda assim, te chamar para realizar uma tarefa? Será que Deus errou? Não creio. Então, se o Senhor entregou algo em suas mãos, não fuja de Nínive: faça. Ou você pode acabar na barriga de um grande peixe.

Pedro era pescador, mas Deus o chamou para ser pregador. José não nasceu governador do Egito, certamente. Davi era pastor de ovelhas, mas o Senhor o convocou para se tornar guerreiro e rei. Moisés… bem, basta ler o diálogo dele com o Senhor em Êxodo 3-4 para ver quanto aquele homem se sentia despreparado para realizar a missão que lhe era confiada. Os exemplos são muitos. Conheço pastores que nunca cursaram um seminário teológico mas são cuidadores de almas infinitamente mais gabaritados, sábios e competentes do que muitos outros com doutorado em teologia. Se Deus te convocou para realizar algo, não se sinta incapaz: mãos à obra. E, uma vez que esteja com a mão no arado, faça de tudo para se especializar – leia muito sobre o assunto, estude, peça conselhos, vá à luta.

Formiga insignificanteMas houve uma segunda razão para eu querer, de cara, recusar quando o pastor me chamou para falar sobre vida familiar, relacionamentos e sexualidade. A questão é que eu mesmo já falhei tanto nessas áreas que me senti realmente indigno de abordar tais assuntos. Depois de 15 anos de casamento, não pense você que nunca tive problemas familiares. Claro que tive. Sou tão humano, falho e pecador como qualquer outra pessoa. Não serei hipócrita: já errei muitas e muitas vezes e deixei a desejar em incontáveis situações – como filho, como marido e como pai.

Estou aprendendo, errando e acertando, pecando e buscando não mais pecar. Tentando melhorar sempre, mais ainda longe, muito longe, da perfeição. Você também é assim? Eu sou, da cabeça aos pés. Pergunte a minha mãe sobre meus defeitos como filho e ela passará horas falando sem parar. Pergunte a minha esposa quantas vezes já pequei contra ela, a ofendi, entristeci e falhei em meu papel de marido e eu não teria coragem de ficar por perto para ouvir a resposta. Pergunte a minha filha meus deslizes como pai e… bem, graças a Deus a bebê ainda não percebeu que papai não é infalível, mas volte daqui a alguns anos e garanto que o relatório será extenso. Então este é o problema: a clareza sobre todos os meus muitos erros e pecados na vida familiar me fizeram pensar instantaneamente que não tenho nenhuma moral para opinar sobre o assunto. Quem sou eu para comentar sobre áreas em que já falhei tanto?

Mas, então, na oração que fiz após receber o convite, veio ao meu coração a lembrança de que Deus chamou pecadores para pregar contra o pecado. Convocou homens imperfeitos para pregar a perfeição. Intimou gente abatida para proclamar a alegria. Conclamou doentes a orar pelos enfermos. Constrangeu carentes a anunciar a plenitude. “O SENHOR olha dos céus para os filhos dos homens, para ver se há alguém que tenha entendimento, alguém que busque a Deus. Todos se desviaram, igualmente se corromperam; não há ninguém que faça o bem, não há nem um sequer” (Sl 14.2-3). Deus nunca chamou pessoas irretocáveis para fazer sua obra – ele só usa gente capenga.

SuperformigaOu você acha mesmo que existem supercrentes? Cristãos infalíveis? Não viemos de Krypton, minha irmã, meu irmão: em pecado fomos gerados e, embora tenhamos sido justificados pela graça, seguimos atrelados ao “corpo sujeito a esta morte”: “Sei que nada de bom habita em mim, isto é, em minha carne. Porque tenho o desejo de fazer o que é bom, mas não consigo realizá-lo. Pois o que faço não é o bem que desejo, mas o mal que não quero fazer, esse eu continuo fazendo. Ora, se faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, mas o pecado que habita em mim. Assim, encontro esta lei que atua em mim: Quando quero fazer o bem, o mal está junto a mim. No íntimo do meu ser tenho prazer na Lei de Deus; mas vejo outra lei atuando nos membros do meu corpo, guerreando contra a lei da minha mente, tornando-me prisioneiro da lei do pecado que atua em meus membros. Miserável homem que eu sou! Quem me libertará do corpo sujeito a esta morte?” (Rm 7.18-24), confessou o sincero Paulo, pecador que Deus chamou na estrada de Damasco para realizar exatamente o oposto daquilo que ele fez a vida inteira.

O pecado que habita em nós cisma em não ir embora e nossa natureza aguarda a ressurreição em glória, quando, só então, estaremos livres de errar. Até lá a coisa está feia. Mas, mesmo em meio a toda essa feiura, Deus nos convoca para proclamar a beleza das virtudes cristãs. Não conheço um único pregador que suba ao púlpito sem pecados, erros, falhas e fraquezas nas costas. Nenhum. Tampouco palestrantes – nacionais ou internacionais. Ou professores de seminário teológico ou de escola bíblica. Nenhum. Absolutamente todo ser humano que prega o evangelho e os valores cristãos tem montes e montes de defeitos e escorrega constantemente em sua falibilidade. Se você conhece alguém que ensine, aconselhe, pregue ou trabalhe na obra de Deus e seja impecável em suas ações, desconfie que é Jesus Cristo disfarçado – porque só ele é puro, só ele é digno. “Vi um anjo poderoso, proclamando em alta voz: ‘Quem é digno de romper os selos e de abrir o livro?’ Mas não havia ninguém, nem no céu nem na terra nem debaixo da terra, que pudesse abrir o livro, ou sequer olhar para ele. Eu chorava muito, porque não se encontrou ninguém que fosse digno de abrir o livro e de olhar para ele. Então um dos anciãos me disse: ‘Não chore! Eis que o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi, venceu para abrir o livro e os seus sete selos’” (Ap 5.2-5). Nem uma única alma está isenta de indignidade. Quem nos dignifica é Cristo.

Vasos de barroQuando essa ficha caiu, percebi que não era a minha dignidade ou a minha infalibilidade que me tornaria apto a falar verdades bíblicas: o que tem efeito são a dignidade e a infalibilidade de Jesus e da Palavra de Deus. A leitura de 2Coríntios fechou para mim a questão: “Não pregamos a nós mesmos, mas a Jesus Cristo, o Senhor, e a nós como escravos de vocês, por causa de Jesus. Pois Deus, que disse: ‘Das trevas resplandeça a luz’, ele mesmo brilhou em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo. Mas temos esse tesouro em vasos de barro, para mostrar que este poder que a tudo excede provém de Deus, e não de nós” (2Co 4.5-7).

Por isso, meus muitos erros não devem me impedir de proclamar a verdade inerrante das Escrituras. É evidente e até desnecessário dizer que você deve sempre fugir do pecado e procurar com todas as suas forças manter-se em santidade – isso sempre, sempre e sempre. Sua falibilidade jamais deve ser uma desculpa para falhar. Mas entenda, meu irmão, minha irmã, que o fato de você ser falho não deve impedi-lo de pregar sobre Aquele que não falha. O fato de você errar não pode calar teus lábios para anunciar o único que não erra. A certeza da sua pecaminosidade jamais pode fazer com que você não pregue contra o pecado e exalte Aquele que nos livra do pecado. Em resumo, mesmo sabendo que não valemos nada, Deus nos chamou para disseminar a verdade, a pureza, o amor, a graça, a restauração, a união, o perdão e tudo aquilo em que falhamos tantas vezes e continuaremos a falhar.

Se Deus fosse esperar que pessoas perfeitas pregassem e ensinassem acerca do evangelho, jamais as boas-novas teriam sido pregadas ou ensinadas. Jamais. Mas é claro que o Diabo vai tentar usar a sua indignidade para calar você. Ele te acusará e tentará convencê-lo de que seus erros o tornam incapacitado para fazer qualquer coisa para Deus. Se você acreditar nisso, as trevas terão derrotado a luz. Não permita que isso aconteça. Judas permitiu e se enforcou. Pedro não permitiu e se tornou o grande apóstolo aos judeus.

E foi assim, com total consciência de que não sou a pessoa mais bem preparada do mundo e de que sou totalmente indigno de fazê-lo, que aceitei participar do programa de rádio. Espero que tenha abençoado algumas vidas. Espero que tenha servido aos propósitos do reino de Deus.

Dependente de DeusAproveito essa minha experiência para perguntar: quantas vezes você deixou de servir a Deus por se sentir despreparado? Quantas vezes você deixou de pregar sobre algo, ensinar, aconselhar, evangelizar, amparar, ajudar, edificar porque se sentia indigno de fazê-lo? Se Deus chamou, meu irmão, minha irmã, vá em frente. Se tem dúvidas de que foi Deus, busque o esclarecimento em oração. Mas, se sente aquela paz sobrenatural no seu coração, então seja forte e corajoso, não tema nem desanime. Porque, se o Senhor convocou você a fazer algo, ele garante. Acredite: o Todo-poderoso não é bobo nem toma decisões impensadas. Se é você o escolhido, nada nem ninguém impedirá Deus de usar a sua vida em prol de seus grandes, graciosos e eternos propósitos.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

LIVROSComo prometi no post Livros cristãos para você, publicado no dia do aniversário de 3 anos do APENAS (14/05/14), hoje anuncio quem foram os cinco assinantes do blog que foram sorteados, ontem à noite, para receber um de cinco livros diferentes ofertados carinhosamente pela editora Mundo Cristão. Quero agradecer a todos que fizeram parte do sorteio, compartilhando sua visão acerca do perdão bíblico. Mais do que ter participado apenas para ganhar um livro, espero que você tenha refletido sobre o tema perdão, um dos pilares da fé cristã, e lido as respostas dos demais irmãos e irmãs que deixaram sua contribuição.

E, agora que refletimos sobre o que significa e qual é a importância de perdoar, te convido a pôr o perdão em prática. Se há alguém que te ofendeu, agrediu, fez mal, machucou, magoou… a hora é esta: telefone, convide para conversar, vá até ele, o procure pessoalmente, e, assim, estenda perdão. Por outro lado, se foi você quem feriu o seu próximo, a oportunidade está lançada: peça perdão hoje mesmo, humilhe-se e o Senhor te exaltará. Perdoar ou pedir perdão será algo maravilhoso e Deus ficará extremamente feliz com a sua atitude.

Abaixo apresento a sinopse de cada um dos cinco livros, junto com o nome de cada sorteado. Pediria aos cinco irmãos que serão presenteados que deixassem no espaço de comentários deste post específico seu nome completo e o endereço para envio (com rua, número, bairro, cidade, estado e CEP). Seus dados chegarão até mim mas eu não os publicarei, podem ficar tranquilos, apenas vou repassá-los à editora, que providenciará o envio. Se algum dos cinco não enviar os dados em uma semana, terei de fazer um novo sorteio. Que Deus os abençoe muito e que a leitura dessas cinco excelentes obras seja edificante para cada um. Apenas para frisar, uma vez mais, esta não foi uma ação paga e não estou recebendo dinheiro ou qualquer outro benefício da editora, apenas pedi os livros e a Mundo Cristão gentilmente os ofertou para que eu os repassasse a você. Obrigado à Mundo Cristão por isso.

Eis os sorteados:

A vida de CS LewisA vida de C. S. Lewis: Do ateísmo às terras de Nárnia (Alister McGrath) – Sinopse do livro: Por mais de meio século, C. S. Lewis vem alimentando a imaginação de milhões de pessoas em todo o planeta com seu fantástico mundo de Nárnia. Para celebrar o 50º aniversário de sua morte, o Dr. Alister McGrath reconta a vida deste que é considerado um dos maiores escritores do século 20. A obra oferece um panorama abrangente e fascinante da trajetória de um pensador profundamente original e que se tornou fonte de inspiração para crianças e adultos em todo o mundo. McGrath oferece um olhar novo, e por vezes chocante, sobre a vida dessa figura complexa, em uma biografia profundamente embasada. O autor nos faz mergulhar no coração de um Lewis que poucos conhecem. SORTEADO: ELIANA (início de e-mail: “elianasafira@…”).

 

Quem voce pensa que eQuem você pensa que é? (Mark Driscoll) – Sinopse do livro: Quem é você? O que o define? Qual é sua verdadeira identidade? Como você responderia essas três perguntas? Saber responder corretamente pode ser a diferença entre viver uma vida de significado ou simplesmente existir. Em geral, esquecemos quem realmente somos e, por isso, buscamos preencher esse vazio com coisas passageiras, incapazes de satisfazer os anseios da alma. Até mesmo muitos que dizem “estar em Cristo” parecem não viver de modo significativo o que acreditam. Mark Driscoll explora com inteligência e sagacidade as reais implicações de sermos criados à imagem e semelhança de Deus. E revela como potencializar em realizações pessoais e comunitárias essa condição única da Criação. SORTEADO: PAULO RICARDO DOS SANTOS

 

Diga sim com convicçãoDiga sim com convicção (Miguel Uchôa) – Sinopse do livro: As estatísticas mostram índices alarmantes de divórcio entre cristãos e não cristãos. Os gabinetes pastorais e os consultórios especializados em terapia de casais vivem lotados de pessoas que experimentam a infelicidade na vida a dois. Certamente, ninguém ingressa num relacionamento com o objetivo de fazer parte do grupo dos divorciados ou dos infelizes. Mas, se o processo decisório não for conduzido de forma consciente, madura e bíblica, isso lamentavelmente pode se tornar uma grande possibilidade. Com sua larga experiência em aconselhamento matrimonial, Miguel Uchôa (bispo anglicano da Diocese do Recife) mostra diferentes maneiras de evitar que a dissolução e a infelicidade entrem no lar daqueles que sonham em construir uma família. SORTEADO: ALESSANDRA (início de e-mail “aleoka@…”).

 

Pais admiráveis educam pelo exemploPais admiráveis educam pelo exemplo (Cris Poli) – Sinopse do livro: A máxima “Faça o que eu digo, não faça o que eu faço” não funciona quando o assunto é criação de filhos. As crianças, desde muito pequenas, observam e se espelham nas atitudes e no comportamento dos pais, muito mais do que em seus ensinamentos verbais ou broncas. Todo pai e toda mãe deseja que os filhos sejam amorosos, alegres, pacíficos e pacificadores, pacientes, tolerantes, amáveis, bondosos, fiéis, mansos e que tenham domínio próprio. Então lembre-se: eles precisam ver essas características em você primeiro! Neste livro, Cris Poli (a Supernanny) vai ajudar você em sua enorme responsabilidade de transmitir os valores mais importantes que existem a seus filhos, com a didática que eles compreendem melhor: seu exemplo pessoal. SORTEADO:CELINHUU

 

BonhoefferBonhoeffer – pastor, mártir, profeta, espião (Eric Metaxas) – Sinopse do livro: As tropas nazistas avançavam pela Europa. Numa época em que se calar era a melhor forma de se expressar e se omitir era a mais acertada ação, o pastor Dietrich Bonhoeffer tornou-se uma ameaça a Hitler. Sabotando ordens e ações de guerra nazistas, ele salvou milhares de vidas e impediu os planos de Hitler. Descoberto, Bonhoeffer foi preso e enforcado por ordem direta de Adolf Hitler. Este livro traça o perfil profundo e cuidadosamente detalhado de um dos teólogos alemães mais importantes desde Lutero e uma das figuras principais da resistência contra o regime nazista. Inspirador, desafiador e emocionante, Bonhoeffer é o relato instigante do que um homem pode fazer movido por amor ao próximo e contra a injustiça. SORTEADO: WALLYSSON BRUNO

Mais uma vez, muito obrigado a você que acompanha com paciência os posts do APENAS. Peço a Deus que cada texto aqui publicado o conduza à reflexão e, queira Deus, a uma transformação para melhor. Se você refletiu um pouco que seja sobre o perdão bíblico, ganhei o dia. Muito obrigado.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Mauricio