Arquivo da categoria ‘Vídeos’

Musica-AmorUma das razões que motivam nós, evangélicos, e enfatizar tanto o evangelismo é o desejo de compartilhar com as demais pessoas o que consideramos excelente. Eu, pessoalmente, não compartilho o amor de Cristo e as boas novas de salvação com ninguém porque ele assim ordenou, porque o ide é um mandamento, mas porque venho experimentando de tal forma as maravilhas da graça em minha vida que tenho enorme alegria de compartilhar algo que é tão, mas tão bom. Jesus fez a diferença em minha vida; quero que ele faça a diferença na dos demais. É uma expressão de amor e de cuidado pelo próximo.

De igual modo, sempre que descubro algo bom e que me toca tenho prazer e alegria de compartilhar com os irmãos. Fim de semana passado fui fazer uma preleção na Igreja Cristã Nova Vida de Mesquita, município do estado do Rio, e fiquei encantado com a arte do irmão que fez o louvor no início da programação. O nome dele é Fábio Muniz e é membro da Assembleia de Deus em Queimados (RJ). Nós não nos conhecíamos e, ao final, Fábio carinhosamente me presenteou com um CD dele (eu, vergonhosamente, não o presenteei com nada, pois não tinha levado nenhum dos livros que escrevi). Cheguei em casa e fui ao YouTube para ver se havia vídeos dele. Para minha alegria encontrei alguns. Então resolvi compartilhar com você o prazer que é ouvir esse irmão talentoso e simples, de uma capacidade singela de nos conduzir em louvor ao Senhor. Se você puder, vale a pena assistir a esses dois vídeos.

A primeira canção, “Descanso”, ele entoou no momento de louvor que tivemos. A segunda, “Jesus”, conheci assistindo no YouTube, e mostra a criatividade desse músico. A letra de ambas é simples, bíblica e diz tudo.

Gosto de compartilhar o que é bom. Por isso, hoje compartilho Fábio Muniz.

Descanso:

Jesus:

[Aproveito para deixar um abraço carinhoso para os irmãos da ICNV Mesquita, que me receberam com um amor tão transbordante que me fizeram sentir pequenininho ante vocês, em especial os simpaticíssimos e agora muito queridos Daniel e Adriana, Paulo (que Deus te recompense por sair de madrugada para me trazer em casa, tão longe, que coração grande esse teu, mano), o Pr. Jorge Duarte (um dos mais eficientes plantadores de igrejas que já conheci e, ao mesmo tempo, homem de uma simplicidade que nos humilha) e tantos outros que me presentearam com seus abraços e sorrisos. Vocês ganharam meu coração.]

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Alem1Você quer evoluir na sua espiritualidade? Quer crescer em intimidade com Deus? Quer aprender mais da Palavra? Se você é um bom cristão, provavelmente respondeu sim a todas essas perguntas. Mas será que existe algo que te limite nesse sentido? Algo que te faça achar que não vai conseguir? Ou, de repente, será que você está satisfeito e confortável com sua atual posição espiritual e não vê necessidade de galgar novos patamares? Te convido a refletir sobre isso.

Paulo escreveu em Romanos 12.2 que é condição para experimentarmos a boa, perfeita e agradável vontade de Deus que passemos por um processo de renovação da mente. Renovar significa tornar algo novo… de novo. Ou seja, para conhecermos o coração de Deus precisamos pegar o que já era novo e fazer novo novamente. Interessante pensar nisso.

É importante refletir sobre essa questão porque existe uma ideia equivocada entre nós. Achamos que, uma vez que tudo se fez novo na conversão, nunca mais é preciso mudar nada. Está feito. Conversão ocorrida, aprendemos os conceitos cristãos e pronto. Agora é só se agarrar ao que nos ensinaram, carregar esse vinho velho nas costas até a hora da nossa morte e tudo está bem. Só que, na verdade, não está. Romanos 12.2 que o diga.

Alem3A caminhada no evangelho pressupõe uma constante reavaliação de crenças, valores, conceitos, ideias. É a Igreja reformada sempre reformando – e a Igreja somos eu e você. A maior parte do que você aprende no seu primeiro ano pós-conversão descobrirá depois que eram introduções, verdades parciais ou mesmo erros. Era leitinho, alimento para quem dá os primeiros passos. A maturidade espiritual clareia muito essa percepção e muda tudo. Só que existe uma ideia que emperra a evolução de muita gente: a de que certas coisas não devem mudar ou não devemos aprender nada novo. Já ouvi frases como “não podemos pregar que passagens como Marcos 16 ou o trecho da mulher adúltera de João 8 não estão em muitos dos manuscritos originais da Bíblia, porque o povo não entenderia”. Bobagem. Tudo o que é bem explicado e vem para edificação pode ser compreendido – e, logo, deve ser ensinado. Temos de ensinar a verdade, na certeza de que absolutamente todos podem aprender, se desenvolver, crescer, mudar do leite para a comida espiritual sólida.

Recentemente tive uma experiência que mostrou com muita clareza o quanto subestimamos as pessoas. Gosto muito de ópera. Ouço óperas com muita frequência. Uma certa pessoa de meu círculo de relacionamentos desde que a conheço só ouvia músicas bem bobinhas, simples, para não dizer infantis. Eu a achava incapaz se gostar de algo mais profundo e elaborado. Alem4Semana passada eu estava junto com essa pessoa e resolvi assistir no computador à opereta “I Pagliacci”, de Rugero Leoncavallo. Achei que ela não fosse dar a mínima, ou mesmo reclamar. Para minha surpresa, essa conhecida fixou os olhos na tela e começou a prestar muita atenção. Passou a fazer montes de perguntas sobre a história, os personagens, a música. Fiquei empolgado. Nunca imaginei que ela pudesse gostar daquilo. Perguntei se estava apreciando. Disse que sim. Então propus que víssemos algumas partes da minha ópera favorita: “Carmen”, de Georges Bizet. Ela assentiu. Assistimos juntos a muitos trechos. O ápice foi quando, para meu assombro, chegou a ária “La fleur que tu m’avais jetté”, cantada pelo excelente tenor Jonas Kaufmann (o vídeo da ária está ao final deste post). Fiquei de queixo caído ao perceber que ela visivelmente se emocionou e, ante meu olhar estupefato, disse:

- Gostei. Quero ouvir de novo, papai.

Sim, essa pessoa era minha filhinha de 2 anos. E eu, que só dava “Patati Patatá”, “Homenzinho torto” e “Galinha Pintadinha” para ela ouvir… descobri que ela é capaz de apreciar ópera. E, creia: por quase duas horas ela ficou sentada no meu colo, sorvendo o que há de melhor nessa arte tão bela e sensível. Eu explicava tudo, o que era a orquestra, o som de cada instrumento, os cenários, a trama, técnicas vocais, o que é canto lírico… enfim, expliquei muito para alguém que eu achava que não entenderia nada. E anteontem, dois dias depois dessa experiência, ela chegou da creche e disse que queria assistir a óperas. Não desenhos animados: óperas. Essa experiência me mostrou como, muitas vezes, nós é que não levamos fé nas pessoas. Qualquer um é capaz de nos surpreender. De aprender. De se renovar. De evoluir. De coisas grandiosas. Você também.

alem5Pode ser que você acredite (ou alguém tenha feito você acreditar) que não dá para ir além de onde já chegou. Talvez, até, você mesmo creia que não precisa ir além, que está tudo bem como está. Que não precisa mudar, renovar a mente. Se é o caso, saiba que Paulo discordaria. Escute e escute bem: você pode ir muito além de onde já chegou. Pode ganhar muito mais conhecimento bíblico, teológico, histórico. Pode mergulhar muito mais profundamente na sua espiritualidade. Pode ter uma vida de oração bem mais sólida, uma rotina de estudo bíblico mais aprofundada, uma intimidade muito maior com Cristo. Você duvida? Bem, eu duvidava que minha filha de 2 anos trocasse a “Galinha Pintadinha” pela “Habanera”, de Bizet.

Nada é impossível. É desejo de Deus que você renove sua mente e cresça em sua devoção e em sua espiritualidade. Esse seria também o seu desejo? Então prepare-se para descobrir um mundo novo dentro da sua fé, porque, quando o desejo do seu coração encontra o desejo do coração de Deus, o resultado é uma harmonia espiritual com a beleza e a complexidade de uma ária de ópera.

Meu irmão, minha irmã, não fique estagnado, seja por que razão for. Se você se acha incapaz de crescer espiritualmente, saiba que tem toda a capacidade do mundo para isso. Se te disseram que não precisa evoluir, afirmo que não é verdade. Seja lá o que faz você permanecer estagnado onde está, saiba que, em Cristo, você pode ir muito além. Levante a âncora e se lance ao mar, reme com vontade. O resto deixe com os ventos do Espírito Santo de Deus, que te levará a novas, produtivas e emocionantes aventuras por oceanos que você nem sabia que poderia vir a conhecer.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Meu próximo entrevistado na coluna de Cultura da revista CRISTIANISMO HOJE (http://cristianismohoje.com.br/) é o cultíssimo e sensível Gerson Borges. O bate-papo será publicado na edição de outubro/novembro. Inspirado pela entrevista tão edificante com esse que é um dos músicos cristãos de maior qualidade e sensibilidade do país, hoje vou apenas compartilhar um pouco da arte desse irmão querido, poeta de alto gabarito e pastor amoroso – além de ser uma companhia extremamente agradável. Caso você ainda não conheça a música de Gerson Borges, fica aqui meu incentivo enfático para buscar conhecer mais. Compartilho a canção mais significativa para a minha vida do repertório de Gerson: “Janelas”.

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Paz a todos vocês que estão em Cristo,

Maurício

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Vinte minutos muito bem gastos. Recomendo:

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Paz a todos vocês que estão em Cristo,

Maurício

Túmulo vazio“E eis que sobreveio um grande terremoto, pois um anjo do Senhor desceu dos céus e, chegando ao sepulcro, rolou a pedra da entrada e assentou-se sobre ela. Sua aparência era como um relâmpago, e suas vestes eram brancas como a neve. Os guardas tremeram de medo e ficaram como mortos. O anjo disse às mulheres: “Não tenham medo! Sei que vocês estão procurando Jesus, que foi crucificado. Ele não está aqui; ressuscitou, como tinha dito. Venham ver o lugar onde ele jazia. Vão depressa e digam aos discípulos dele: Ele ressuscitou dentre os mortos” (Mt 28.2-7)

Que lembremos sempre do real significado da Páscoa, com um coração puro e aberto como o de uma criança. Ressurgir da morte para a vida. Do pecado para a santidade. Da dor para a paz. Deste mundo para a vida eterna.

Feliz Páscoa a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

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Obrigado, Edu, por enviar esse vídeo.

Marjoe1Nos últimos meses tenho evitado escrever no APENAS sobre polêmicas na Igreja, Teologia da Prosperidade, heresias e outras questões macro. Já há gente demais fazendo isso, com discursos inflamados e agressões incompreensíveis. Esse universo não tem me atraído tanto, tenho preferido refletir mais sobre a alma humana, suas dores, as questões do indivíduo, por entender que esse sim era o foco de Jesus Cristo. Ao ler os evangelhos, ficou muito claro para mim que Jesus não veio para fazer apologética, mas para curar os doentes de alma e corpo, libertar os cativos, sarar corações, perdoar pecados. Por isso tenho me concentrado em pensar sobre isso. Apologética evidentemente tem sua importância, mas na escala de prioridades de Jesus – analisando tudo o que Ele falou e fez – percebo que ela está lá em baixo, enquanto as questões da alma humana estão batendo no teto. No entanto, não vivo em alienação e, por isso, peço que me permita eventualmente falar sobre aspectos macro da Igreja. É o que farei hoje.

Recebi de um amigo o link para um documentário a que assisti com tanta dor no coração que foi difícil ver até o final. Seu nome é “Marjoe”, um filme de 1972 que recebeu o Oscar de Melhor Documentário. Conta a história de um pregador que, depois de usar o Evangelho por anos para enriquecer, decidiu abandonar a farsa e vir a público contar todos os seus esquemas, suas técnicas para enganar os fiéis e para simular a ação do Espírito Santo. Para quem ama o Evangelho, assistir a esse documentário entristece, deprime, enche os olhos de lágrimas. Pois fato é que, assim como o “evangelista” Marjoe Gortner, há muitos por aí que fazem o mesmo que ele. Graças a falsos pregadores como esse homem, que usam o nome de Jesus para faturar, os servos realmente tementes a Deus têm colhido o fruto da rejeição e da chacota do mundo.

Marjoe2Durante sua infância, os pais de Marjoe usaram o filho para arrecadar milhões de dólares como “pregador-mirim”. Depois que alcançou a maioridade, mesmo sem ter fé ele continuou a fazer a única coisa que sabia e ganhou tanto dinheiro que conseguia “trabalhar” por seis meses e ficar seis meses de férias. Na época do lançamento do documentário, a distribuidora optou por restringir sua exibição no Sul dos Estados Unidos (região mais cristã do país) com medo da reação do público.

Marjoe5Não tenho muito a dizer, creio que o documentário fala por si. Apesar de ter sido feito no ano em que nasci, é extremamente atual. Apenas peço que não julgue toda a Igreja pelo que você verá. Assim como há a banda podre, há o remanescente fiel. Compartilho esse documentário com a única intenção de despertar cautela e provocar reflexões, não para denegrir a religião verdadeira. A conclusão é que nem tudo o que reluz é ouro.

Marjoe4Sei que muitos têm dificuldade de assistir a um filme em inglês sem legendas. Por isso, procurei o documentário legendado, mas só encontrei uma versão editada, que vem com muitas opiniões pessoais do irmão em Cristo que o legendou e editou (num total de 25 minutos). Posto a seguir o vídeo legendado, em três partes (os comentários do irmão são opiniões pessoais dele e não necessariamente representam a minha) e, em seguida, posto o documentário na íntegra, em inglês sem legendas (duração: 1h23). Se você consegue assistir sem legendas, prefira o filme na íntegra. Caso contrário, a versão editada dá uma ideia do principal.

Que Deus tenha misericórdia de sua Igreja.

DOCUMENTÁRIO “MARJOE”, VERSÃO EDITADA EM TRÊS PARTES, LEGENDADO EM PORTUGUÊS (25min):

Parte 1

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Parte 2

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Parte 3

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DOCUMENTÁRIO “MARJOE”, VERSÃO NA ÍNTEGRA, ORIGINAL EM INGLÊS, SEM LEGENDAS (1h23):

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Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Quando você cria um blog, seu nível de exposição torna-se bem maior do que se possa imaginar. Atualmente, após 13 meses no ar, o APENAS tem uma média de 4.000 leituras por post, fora outros blogs que o replicam e irmãos que fizeram a assinatura e assim recebem os textos por e-mail, repassando-os para outras pessoas. É uma quantidade significativa de internautas que leem os textos e interagem comigo pelos comentários, uma média de 60 por dia. Isso me gerou muitas percepções. Mas, de todas as percepções que blogar me proporcionou, uma das mais visíveis é como é fácil as pessoas se enganarem a seu respeito.

Calma. Não estou dizendo que deliberadamente engano você, meu irmão, minha irmã. Não é isso. Mas como escrevo sobre a fé cristã a partir daquilo em que acredito, a imagem que muitos dos leitores acabam construindo sobre o autor dos textos é de uma grande santidade, de uma monstruosa intimidade com Deus, de muita devoção. Isso fica claro quando leio os comentários de diversos irmãos que, por uma enorme bondade em seus corações, tecem elogios a mim. São irmãos e irmãs que não me conhecem pessoalmente, não enxergam as profundezas do meu coração e, assim, formam uma imagem a meu respeito baseado no que escrevo. E confesso que por vezes sou tratado como um homem de Deus tão santo que quase acredito.

Isso é um enorme problema. Pois é exatamente assim que começam a se formar celebridades gospel. Que pastores começam a ser idolatrados. Que cantores evangélicos ganham fãs. Que teólogos e palestrantes passam a ser vistos como inerrantes aos olhos de muitos. Que pastores hereges ou gananciosos são amados por cristãos sinceros apesar de suas heresias e de seus intere$$e$. Tudo porque, sem se conhecer a fundo os indivíduos e suas mazelas, começamos a olhar para eles por sua aparência de santidade e piedade, por suas palavras eloquentes ou bonitas, por seu jeito aparentemente espiritual de entoar louvores… e criamos imagens em nossas mentes sobre como essas pessoas são a partir de suas máscaras. Mas por baixo dessas máscaras muitas vezes a coisa é bem diferente. E eu vou provar com o meu exemplo. Para não falar dos outros, vou me pôr na berlinda. A você que me elogia pelo que eu escrevo, deixe-me confessar algumas coisas a meu respeito.

Sou uma pessoa absolutamente normal. Como você, tenho minhas muitas deficiências. Como você, luto constantemente contra minha carne e contra zilhões de defeitos. Me iro, sinto ódio, brigo com minha esposa, perco minha paciência, falo o que não devia, faço o que não devia, sinto inveja, mágoa, ciúmes. Cobiço o bem do próximo. Como você, luto a cada dia para viver em intimidade com Deus, embora tenha dias em que fique com preguiça de ler a Bíblia e sinta sono para orar. Como diz o clichê, tem dias em que “só a graça”! Como você, nem sempre amo a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a mim mesmo. Chego a ser egoísta, em muitas ocasiões. Perco a cabeça. Como você, tenho pensamentos impuros. Como você, tenho vontade de matar certas pessoas – depois de enchê-las de sopapos, claro. Já cometi pecados após a minha conversão que me enchem de culpa e, embora eu esteja sinceramente arrependido e saiba que Deus me perdoou, eu mesmo não me perdoei. Em resumo, meu irmão, minha irmã, sou exatamente como você: decepcionante, um pecador de marca maior, numa luta constante contra minha natureza humana e numa perene busca desesperada por Deus e pela santidade. Que parece sempre um alvo inatingível.

Mas há um porém: apesar de eu ser todo esse amontoado de pecados, escrevo sobre aquilo em que creio. Aquilo de que não tenho a menor dúvida que seja verdade. Creio no Evangelho. Creio na Bíblia como a inerrante revelação de Cristo. Creio em Jesus. Creio na graça sem a qual eu e você iríamos para o inferno. Creio que há perdão para o pecador arrependido. Creio na santidade e a vejo como uma meta essencial. Creio que devemos combater as heresias e os hereges. Creio na pureza de coração. Creio que devemos ser como o cristão que Jesus descreve no Sermão do Monte. Se eu fosse perfeito é como eu gostaria de ser. Difícil, para não dizer impossível. Mas lutar para chegar lá é totalmente possível.

Vivo, portanto, uma contradição. Escrevo e prego sobre o que creio, mas vivo com milhões de erros e cometo bilhões de pecados. Isso faz de mim um hipócrita? Ou… um humano? Não sei. Só cabe ao Espírito Santo de Deus me julgar. Mas sei de uma coisa, como já pus em outro post: a Bíblia diz que os anjos pediram ao Senhor para proclamar o Evangelho, só que, estranhamente, Ele decidiu dar essa tarefa aos homens. Que bizarro, que escolha aparentemente contraditória e sem sentido. Porque, se você parar para pensar, ao longo dos últimos 2 mil anos, as boas-novas de salvação só têm sido pregadas por… pecadores carentes de salvação. A santidade tem sido estimulada somente por homens com falhas graves na sua própria santidade. O arrependimento dos pecados tem sido apregoado por homens e mulheres desesperadamente necessitados do arrependimento de seus pecados. Todos os humanos que pregaram o Evangelho até hoje compõem uma grande multidão de “mascarados”, pessoas que anunciaram o Caminho para o Céu enquanto dentro de seus peitos pecados horrendos vicejavam e os poluiam.

Somos desgraças ambulantes pregando a graça.

Eu me enquadro nesse grupo. Todos os cristãos que caminharam sobre a terra nos últimos 20 séculos se enquadram nesse grupo. Mesmo assim, Deus nos mandou divulgar o maravilhoso Jesus e as coisas que Ele ensinou. Fascinante. Se Cristo aparecesse para mim hoje eu teria vergonha de olhá-lo nos olhos. Pois o peso da minha pecaminosidade e falibilidade me esmagaria. Mesmo assim o amo. E nunca cessarei, enquanto Ele me permitir, de proclamar que Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida. Nunca cessarei de pregar a mensagem da Cruz. Trinta segundos após pecar subirei num púlpito e pregarei que não devemos pecar. Simplesmente porque é o que devemos fazer. Porque é o certo.

Sejamos honestos: se eu e você fossemos esperar sermos santíssimos para anunciar que devemos ser santíssimos jamais ninguém abriria a boca.

Se eu e você fossemos esperar que nossos pecados cessassem ou que nossa máscara de bons homens e mulheres caíssem para que fossemos sentar e escrever sobre como devemos nos despir das máscaras de santidade, assumir nossa natureza pecaminosa e afirmar que precisamos terrivelmente nos santificar…você não estaria lendo essas linhas agora. Sim, eu uso máscaras de santidade, negar sim seria hipocrisia e mentira. Oculto dos outros meus muitos pecados e os trato com Deus, entre as quatro paredes do meu quarto. Exatamente como você faz. Ele me conhece. Ele conhece você. E sabe que quem se esconde atrás de cada máscara – como diz a música do Bispo Walter McAlister (veja vídeo ao final deste post) – é uma pessoa real: pecadora, errada, miserável em suas transgressões. Se cada um saisse pelas ruas alardeando seus próprios pecados não haveria espaço para caminhar em meio à multidão. Mas a questão é que absolutamente todo cristão que pisa numa igreja é um tremendo pecador vestindo máscaras de santidade mas com o rosto desfigurado pelo pecado. Todo. Sem exceção. Eu. E, se você tiver coragem de admitir, você também.

O que nunca deve nos impedir de proclamar Cristo, o Evangelho, a salvação, o arrependimento dos pecados, o juízo, o perdão… e a maravilhosa graça.

Em 1 João 1.8-10 disse o apóstolo amado: “Se afirmarmos que estamos sem pecado, enganamos a nós mesmos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça. Se afirmarmos que não temos cometido pecado, fazemos de Deus um mentiroso, e a sua palavra não está em nós“. Não, eu jamais faria de Deus um mentiroso, assumo minha natureza pecadora, confesso a Ele meus pecados e creio que Ele é fiel e justo para ter me purificado de todo o mal que pratiquei. E, assim, sigo escrevendo sobre a fé.

Então sim, eu escrevo sobre o que tem que ser escrito. Escrevo porque é a verdade. Escrevo para edificar, embora eu mesmo prejudique pessoas. Escrevo para consolar, embora eu mesmo tenha minhas dores, que precisam de consolo. Escrevo para exortar, embora eu, me conhecendo como me conheço, saiba que ninguém mais do que eu precisa ser exortado. Mas mesmo assim o faço. Escrevo neste blog. Escrevo em livros. E Deus, por sua graça incompreensível, por seu amor imensurável, por sua compaixão e misericórdia impossíveis de se alcançar racionalmente em toda sua extensão… ainda assim usa as palavras que saem deste pecador incorrigível que sou para tocar corações, amparar necessitados, aconselhar pesssoas em dor e até evitar suicídios, como já contei aqui. Eis o porquê de eu continuar escrevendo sobre santidade; combatendo os inimigos de Cristo; denunciando as heresias e os hereges; trazendo reflexões sobre as coisas de Deus; buscando não esmagar quem peca, mas ajudá-lo a se pôr novamente de pé.

Meu irmão, minha irmã, eu sou pó e cinza escondidos por trás de uma máscara de piedade. Como todo pastor-celebridade. Como todo artista gospel. Como todo blogueiro. Como todo tuiteiro. Como todo teólogo. Como todo cristão. Por isso, não seja fã nem idolatre ninguém. Nenhum de nós tem a capacidade de ser exemplo: só Jesus. Só Jesus.

Não me idealize, querido, querida. Meus prêmios, livros e textos não fazem de mim alguém louvável. Sou exatamente igual a você: um pecador que carece diariamente da graça do Cordeiro de Deus que veio tirar o pecado do mundo. Não pense que sou melhor do que ninguém, não sou. Eu poderia ser muito melhor. Mas não é por isso que deixarei de estimular meu próximo a ser o melhor que ele puder. E não é por isso que não creio piamente no que escrevo: creio na graça, na glória de Deus, na remissão da humanidade pelo sangue derramado na Cruz, na luta desesperada pela santidade. E já escrevi sobre pecados enquanto lágrimas desciam por meu rosto sabendo que eu estava sendo o primeiro a ser alcançado pela minha própria exortação.

Então, querido, não me elogie nos seus comentários no blog. Em vez disso faça uma oração por mim – e por todos aqueles que você considera exemplos de santidade. Isso será muito mais proveitoso para minha vida espiritual, tão carente por trás das máscaras que uso. Tenha certeza absoluta ao ler meus textos e livros: foram escritos por um homem que peca, que sabe que peca, que odeia pecar e ainda assim peca, mas que proclama o Evangelho acreditando com toda sua alma naquilo que escreve e que deseja edificar o Corpo de Cristo. Que ama Jesus, a Bíblia, a Igreja, o Evangelho. E que luta diariamente para aproximar aquilo que vive daquilo que prega – embora nem sempre consiga. Mesmo assim, se for o caso não deixe de abrir seu coração para aquilo que escrevo, pois Deus pode usar até uma mula falha como eu para falar a você. É o que Ele tem feito por 2 mil anos por meio de cada pecador que proclamou o Evangelho da graça e é o que continuará fazendo até a gloriosa volta de Jesus.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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As reflexões expressas neste blog são pessoais e não representam necessariamente a posição oficial de nenhuma igreja, denominação ou grupo religioso.

A idade é algo interessante no Reino de Deus. Ao mesmo tempo em que é impensável preferir o conselho dos mais novos do que o dos mais velhos (e quem o faz peca por ignorar anos de vivência, conhecimento e experiência), também não podemos nos esquecer do talento e da energia dos jovens. Se você acha que crianças e adolescente em igrejas só servem para ficar participando de atividadezinhas bobas e secundárias dentro do Corpo de Cristo, deixo aqui dois vídeos que mostram a força e o potencial dos jovens (1 João 2.14). O primeiro, enviado a mim via twitter pelo mano Klelber (@klelber), mostra um grupo cuja disciplina e habilidades dispensam comentários. O segundo chegou a mim via Facebook, infelizmente com qualidade técnica ruim. Detalhe: neste segundo vídeo apareço eu, com 11 anos de idade. Não vou dizer onde, de tão feio que era, e dou um doce a quem descobrir.

Deleite-se com o talento dos mais novos. E imagine se, em vez de relegarmos nossos meninos e meninas a um posto de incompetência e se os discipulássemos corretamente, os usássemos de fato para viver uma vida de devocionalidade plena em Cristo, como a Igreja seria diferente e mais vigorosa. Teríamos de fato uma geração em ação. Sem mais, aos vídeos:

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Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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Agradeço à irmã  Cris Brancatelli por compartilhar este vídeo.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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Desculpe se o título deste post é forte demais. Claro que não tenho vergonha de TODOS os nossos jovens cristãos. Mas preciso dizer uma verdade: se Jesus dependesse de uma enorme parcela dos jovens cristãos brasileiros dos nossos dias para cumprir a Grande Comissão, a mensagem do Evangelho morreria. Deixaria de ser divulgada. Porque olho em volta e o que vejo são muitos garotões e menininhas fúteis do ponto de vista espiritual, que se interessam em ir para a igreja por causa da festa. Para cantar, pular, gritar, encontrar amigos, namorar e comer uma pizza depois do culto dos jovens. Mas que nas suas escolas e faculdades, na sua vida familiar e no dia a dia vivem de modo tão inútil para o Reino de Deus como qualquer jovem não-cristão. E, perdoe-me pela dureza desse comentário: parece-me que uma enorme quantidade dos que frequentam os cultos de jovens não nasceram de novo. Não tiveram uma experiência real com Jesus de Nazaré, o Salvador. E vão para a igreja para pular, pular e pular… na presença de Deus?

Se você acha que minha visão é pessimista demais, pergunte aos jovens de sua igreja para quantas pessoas ao longo da última semana elas pregaram sobre o amor de Cristo. Quantas estão mais interessadas na eternidade do que no vestibular e na carreira? Quantas veem seus amigos indo para o inferno e choram por eles em oração noite após noite diante de Deus? Que sacrifícios estão dispostos a fazer por Cristo e pelos perdidos? Nossos jovens mal oram, mal conhecem o conteúdo das Escrituras, não há interesse por fazer um seminário teológico, não praticam as disciplinas espirituais, não estão nem aí para missões: querem é pipoca, cinema e ar condicionado. Não vejo fogo em seus corações pelo Espírito Santo, vejo uma preguiça desanimadora para as coisas de Deus.

Não gosto de generalizar. Há esperança de um futuro para a igreja. Há aqueles que sentem o toque do Espírito e abrem mão de si por Jesus. Que tomam suas cruzes e seguem-no. Há os que se dedicam, que leem livros cristãos, que vivem uma vida devocional, que buscam crescer na fé. Mais ainda: que buscam agir segundo a fé. Esses são os que me emocionam, porque são a prova de que o Deus vivo ainda vocaciona homens e mulheres para dedicarem suas vidas a levar as boas novas da salvação aos pecadores – não importa que idade tenham.

O que me motivou a escrever este post foi o vídeo que reproduzo abaixo. Foi-me enviado pelo mano Diego Vieira, da Igreja Cristã Nova Vida de Lote XV, em Belford Roxo (RJ). Dura menos de 9 minutos e mostra o depoimento de uma jovem da Coreia do Norte, um dos países onde cristãos mais são perseguidos no mundo, em que ela conta seu testemunho.

O que vejo ali não é uma jovem de 18 anos. É uma mulher de Deus. Alguém cujos sofrimentos e cujas experiências a estão levando a dedicar sua vida à causa do Evangelho.

Assista. E envergonhe-se. Eu, que tenho 40 anos, me envergonhei ao ouvir as palavras de Kyung Ju Song, esse gigante em corpo de menina. Suas rápidas palavras mostram que ela tinha tudo para odiar Deus, por tudo o que ela e sua família passaram. Mas seu amor por Cristo e sua visível emoção ao final de sua fala são uma lição para todos nós.

Estou ciente que minhas palavras podem te soar duras demais. E são. Mas não são as mais duras que você ouvirá, caso venha a assistir ao video abaixo. Pois as palavras de Kyung Ju Song são ditas num tom de voz doce e quase meigo, mas são pungentes e perfuram como um punhal afiado. Que elas venham a despertar aqueles que estão dormindo o sono do conforto e da mesquinha rotina diária para uma vida de dedicação à causa da Cruz. Paro aqui. O que ela tem a te dizer em poucos minutos é mais importante do que o que eu poderia falar por horas. Ouça-a. Morra de vergonha. E depois, jovem cristão, sugiro que reflita e faça algo pelo Reino de Deus.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício
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