Arquivo da categoria ‘Vida após a morte’

sal e luzSe você foi um aluno atento às aulas de física na escola vai se lembrar de um princípio chamado “impenetrabilidade”. Esse palavrão estabelece que dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo. Ou seja: ou eu estou no lugar X neste momento ou outra pessoa está. Eu e meu próximo de maneira alguma podemos estar no mesmo lugar, no mesmo instante. Essa lei da física encontra paralelo numa lei espiritual: é impossível eu ocupar o lugar de primazia nas minhas atitudes e o meu próximo também: ou eu me priorizo ou eu priorizo o meu próximo, não dá para fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Portanto, se eu quiser ser sal da terra e luz do mundo, cumprindo o grande mandamento, que é amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a mim mesmo, terei de negar-me e preferi-lo em honra.

Em linguagem bíblica: para que eu cumpra isto: “Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força. O segundo é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes” (Mc 12.30-31), é preciso que eu faça isto: “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me” (Lc 9.23) e também isto: “Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros” (Rm 12.10).

Hoje ocorreu um episódio simples mas que me mostrou de forma prática essa realidade espiritual. Escrevo este texto no dia do jogo de Brasil contra México, pela Copa do Mundo de futebol. De manhã, fui levar minha filha à escola. Chegando lá, muitos de seus coleguinhas já se encontravam no pátio, brincando, a maioria vestida de verde e amarelo, com camisas e enfeites com as cores da seleção brasileira. Toda vez que vou deixar minha filha no colégio, os coleguinhas dela voam em cima de mim, comentando coisas e me chamando para brincar. Eu entrei no clima.

Começamos a falar animadamente sobre a roupa que cada um usava, os enfeites, a Copa et cetera. Foi quando Pablo se aproximou. Na turma da minha filha há dois estrangeiros: uma menina inglesa e esse menino, que chamo de Pablo (como não tenho autorização de seus pais, não faria a indelicadeza de postar na internet seu nome verdadeiro). Ocorre que Pablo é mexicano. E lá estava ele: o inimigo. O adversário. Bem no dia da batalha, infiltrado entre nós. Levado pela empolgação do momento, acabei dizendo para aquele garotinho de apenas 3 anos uma frase impensada e horrível:

- Ih, Pablo, hoje você vai perder.

Amor2Não se passaram três segundos e o Espírito Santo já dava um cartão vermelho para a minha consciência. Pablo vive em um país estranho e já enfrenta todas as dificuldades que isso gera. Fico imaginando nesse dia específico, todos os seus amigos torcendo por um país diferente do seu, gritando “Brasil! Brasil!”, enquanto em casa seus pais torcem pelo México. Que confusão isso deve gerar em sua cabecinha. E, de repente, chego eu, o adulto mais insensível e bruto da face da terra, e mando essa. “Você vai perder”. Meu Deus… nota zero para mim. A carinha de confusão e tristeza que o querido Pablo fez, assim que falei isso, rasgou meu coração. Eu me senti um animal estúpido, fazendo mal a uma criancinha.

Na mesma hora, o meu peito apertou e percebi o absurdo que cometi. Fiz um dos piores tipos de bullying. Naquele momento percebi que só havia um meio de consertar o meu erro: amar o próximo. Preferi-lo em honra. Negar a mim mesmo. Era o mínimo que podia fazer. Então, segundos após ter dito aquela frase ignorante, bárbara e altiva, tive uma ideia. Voltei-me para a criançada e conclamei:

- Pessoal, o Brasil é legal, mas o México também! Quem acha o México legal?!

E o coro:

- Eeeeeeeeuuuuu!!!

- Entao vamos lá: México! México! México! México! México! México! México! México!

E, quando me dei conta, havia um monte de crianças pulando, vibrando e se abraçando, vestidas de verde e amarelo, demonstrando afeto pelo “adversário” e amando o “inimigo” aos gritos de “México!”. O resultado me trouxe alívio: no meio deles, Pablo saltava, alegre e sorridente, não mais com aquele olhar confuso e abatido de quem sofreu desamor, mas com a felicidade de quem é amado pelo próximo. Fui antipatriota? Pode ser. Mas, naquele momento, me senti muito mais um cidadão da pátria celestial do que o cidadão do mundo que segundos antes oprimira uma pobre criancinha.

Lamento, meu irmão, minha irmã, mas muitas e muitas vezes você terá de abdicar de si caso queira amar o próximo. Terá de abrir mão de seu tempo, de seu dinheiro, das suas vontades, do seu orgulho, da sua vaidade, de seu conforto, da sua primazia e de tantas outras coisas. A boa notícia é que, se isso significa perder algo na terra, também significa ganhar muito no céu. Deus aprecia quando brasileiros gritam “México! México! México! México!” em favor de uma criancinha mexicana.

Amor3Assisti ao jogo com uma camisa amarela, mas o coração um pouco mais mexicano – e feliz por isso. Deixo aqui a sugestão: da próxima vez que você se vir diante de uma situação em que, para cumprir o mandamento de amar o próximo, veja que precisa abrir mão de vantagens pessoais, tenha em mente este grito: “México! México! México! México!”. Peço a Deus que isso lhe dê o impulso necessário para agir em favor do mexicano que cruzar o seu caminho. Seja esse mexicano seu amigo, inimigo, brasileiro, estrangeiro, cristão ou ateu. Pois, ao fazer bem a ele, você estará fazendo bem, antes de tudo, a um israelense que deu sua vida por bilhões de cidadãos de uma pátria que não era a sua.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Morte0De vez em quando eu me pego pensando sobre o exato momento em que deixaremos esta vida e ingressaremos na eternidade. Como será? Já parou para imaginar isso? Normalmente, as pessoas fogem de falar sobre a transição desta vida para a sua continuação no plano espiritual – o que costumamos chamar de “morte”. Consideram um assunto lúgubre, sombrio, deprimente, algo até mesmo agourento. Eu não. Claro que penso sobre isso com expectativa e um certo temor pelo desconhecido, mas, quando leio na Bíblia todas as promessas sobre a vida eterna, alento e ansiedade brotam em meu coração. Então, sim, por vezes me pego pensando em como será o momento exato da morte, de maneira parecida com um jovem que sente um calafrio ao imaginar o primeiro dia na faculdade, uma mocinha que cogita como será engravidar, um menino ansioso pela expectativa do primeiro emprego, um casal trêmulo antes da noite de núpcias. Não há descrições claras e objetivas nas Escrituras que nos permitam ter certeza de como será com exatidão o instante da morte, essa é uma área que a Bíblia mantém nas sombras. Mas temos algumas pistas bíblicas que nos dão paz e nos trazem consolo quanto à partida dos nossos entes queridos e a nossa própria, se morremos em Cristo.

Primeiro é importante percebermos que a Bíblia aponta a eternidade como uma existência totalmente desprovida de sofrimento, tristeza, preocupações, estresse. A entrada no reino final é sinônimo de paz. A tão falada “paz do Senhor” será experimentada plenamente no porvir. João registrou em Apocalipse informações que, de forma bem generalista, anunciam como será o estado eterno dos salvos: “Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe. Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, ataviada como noiva adornada para o seu esposo. Então, ouvi grande voz vinda do trono, dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles. E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram” (Ap 21.1-4).

No porvir, os salvos não sentirão mais tristeza nem sofrerão. Isso nos revela uma realidade sobre o momento da morte: a maneira como você morre não faz nenhuma diferença, se dormindo, acordado, atropelado, afogado, de embolia, de pneumonia, de infarto, escorregando no banheiro, de câncer, numa queda de avião, em decorrência da Aids. Seja da forma que for, pela causa que for, sofrendo nos instantes finais o quanto se sofra… no exato instante em que seu espírito fechar atrás de si a porta do corpo decaído e falido e der o primeiríssimo passo dentro do reino eterno, tudo aquilo que causa dor e tristeza vai acabar. Imediatamente. Instantaneamente. Num piscar de olhos. Não há injeção de morfina que se compare ao fim do sofrimento que entrar na eternidade causará.

Mergulho0Se você parar para pensar, perceberá que, todas as vezes em que alguém fala sobre a própria partida desta vida, o que se traz à tona são os instantes que antecedem a morte e raramente você ouve alguém mencionar os instantes que a sucedem. Fala-se muito sobre como se preferia morrer, dormindo, sem sofrimento, assim ou assado. Sempre o que se destaca é o antes – e geralmente com certo receio e temor (natural, afinal, quem quer sofrer em seus instantes finais?). Pouco se fala da alegria que atravessar a cortina da vida vai proporcionar. Por isso, queria convidar você a dar asas a sua imaginação junto comigo. Em meus devaneios, costumo fazer uma analogia desse momento. Imagine que você está em um calor sufocante e salta em uma piscina gelada. No segundo em que seu corpo transpõe a linha d’água, a sensação de frio instantaneamente toma conta de si. É uma entrada imediata em uma realidade que muda tudo. Assim, imagino o mergulho na morte não pela perspectiva do “calor” que se sentia momentos antes, mas do “frio” que se sentirá momentos depois. Nesse sentido, a história bíblica do mendigo Lázaro é muito significativa e esclarecedora.

O próprio Jesus fez esse relato, que uns dizem ser uma parábola e outros, uma realidade – eu não sei, ninguém sabe com absoluta certeza. Mas, seja uma ilustração ou não, essa história é magnífica no que tange à esperança pós-morte. Disse o Senhor: “Havia também certo mendigo, chamado Lázaro, coberto de chagas, que jazia à porta daquele; e desejava alimentar-se das migalhas que caíam da mesa do rico; e até os cães vinham lamber-lhe as úlceras. Aconteceu morrer o mendigo e ser levado pelos anjos para o seio de Abraão” (Lc 16.20-22). Lázaro vivia em pobreza extrema, não tinha trabalho nem condições de comprar um pouco de comida que fosse. Além disso, era doente. Se você tem uma ferida dolorosa sabe o incômodo que é, então tente imaginar o que é ser “coberto” de chagas. Fica claro que ele tinha ferimentos dos pés à cabeça, o que devia causar uma dor constante que beirava a agonia. Meu irmão, minha irmã, é muito sofrimento. Aquele cidadão vivia, da hora em que acordava até a de dormir, em meio a uma dor que não dá pra imaginar. Talvez tivesse insônia. E, não bastasse a fome, a escassez, a dor e o sofrimento, ele ainda era obrigado a conviver com a humilhação de ficar sendo lambido por um bando de animais.  Será que você consegue dimensionar quanto aquele pobre homem sofreu – fisicamente e emocionalmente – durante anos?

Morte2Até que Lázaro deu o passo para fora deste mundo. Fico pensando com fascinação sobre aquele instante. Seu corpo chega ao limite, sem suportar mais. Entra em falência. Ele morre. Visualize o preciso segundo daquela morte. De olhos abertos, talvez em meio a muitas lágrimas, ele sente aquela dor lancinante provocada pela soma de muitas úlceras, da fome, da miséria humana. Um trapo. Então Deus sussurra: “Vem…”. Lázaro fecha os olhos. Um segundo depois, abre-os novamente. Como alguém que entra em uma piscina gelada e deixa instantaneamente de sentir calor, num piscar de olhos as dores físicas, o senso de humilhação, o vazio no estômago, toda a desgraça daquele mendigo simplesmente desaparece. Ele fecha os olhos no último suspiro e, quando os abre, já numa sensação de total paz e ausência de sofrimento, vê um grupo de anjos diante de si. “Levado pelos anjos…”, afirma Jesus. Suponho que estarão sorrindo, porque a alegria que sentem ao receber mais um salvo que chega à casa do Pai deve ser enorme. Pense em como Lázaro não deve ter se sentido ao ver aquele comitê de boas-vindas! O pedinte doente e sofredor é recebido por seres celestiais. Da miséria absoluta à mais plena glória!

A partir daqui é puro voo da minha imaginação. É quando já não vejo Lázaro nessa situação, penso em mim mesmo. Penso em você. Penso em cada um de nós. Fico supondo que aqueles anjos nos tomarão pela mão, ou nos envolverão num abraço, para nos conduzir à tão esperada e ansiada presença do Criador do universo, o Autor da vida, o Rei dos reis e Senhor dos Senhores. O nosso Pai. Nos meus sonhos especulativos, creio que esse encontro nos porá em nosso devido lugar, porque, diante daquela tão pura essência de santidade, a lembrança de nossa multidão de pecados nos lançará em terra e cravará o rosto no chão, em adoração a tão magnífico ser e em contrição pelo nosso histórico de pecados e falhas, transgressões e desobediências. Mas, então, penso eu, ouviremos de seus divinos lábios:

- Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.

Surpreso com essa declaração injusta, uma vez que teria total consciência de quem fui na terra e da multidão de pecados que estaria carregando, eu diria:

- Mas, Senhor, eu não sou digno…

E o Pai sorrirá. Então ele trará à luz por que nos chamou de “bom e fiel” se somos tão maus e infiéis – a razão da cruz, o motivo da encarnação do Verbo e da morte do Cordeiro:

- Eu sei que você não é digno, filho, mas você não está aqui pela sua dignidade. Está aqui pela graça. Pelo amor. Pela cruz. Pelo sangue de Jesus, derramado pelos seus pecados. Nenhuma condenação há para quem chegou aqui por meio de Cristo, daquilo que meu Filho fez no Calvário.

Morte3Pronto, está consumado, entramos na eternidade. Não há mais choro, nem dor. Só a presença do Senhor, desvendado em toda a sua glória. O que virá depois disso eu não sei, é um absoluto mistério. Mas me apego às palavras de Paulo, o homem que foi arrebatado ao coração dos segredos do Senhor e viu coisas inefáveis: “Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam” (1Co 2.9).

A morte chegará. Para os salvos, não é um tema sombrio. É um passo dentro de um reino sem sofrimento, para o abraço dos anjos, para a presença daquele que então veremos face a face e que nos amou desde antes da fundação do mundo. E, ao final de todas as coisas, todos os que derem aquele passo se reunirão e, juntos, dirão: “Aleluia!, pois reina o Senhor, o nosso Deus, o Todo-poderoso. Regozijemo-nos! Vamos alegrar-nos e dar-lhe glória!” (Ap 19.6-7).

Que linda esperança…

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Legado1José Wilker morreu no último dia 5 de abril. Este texto sai com um certo atraso, mas tive de ruminar um pouco em cima do pensamento que compartilho aqui antes de pôr no papel. Trabalhei com Wilker durante nove anos, quando eu era editor de um programa da Globosat do qual ele era comentarista de cinema. Nunca fomos íntimos, nosso relacionamento era estritamente profissional, mas admito que a notícia da sua morte me impactou, é estranho imaginar que alguém com quem convivemos regularmente por tanto tempo não caminha mais sobre a terra. Eu não esperava. Alguém esperava? Não. Mas morte, em geral, tem mesmo esta característica: arromba a porta sem pedir licença. Claro que, ao meditar sobre a partida do Wilker, muito veio à minha mente sobre quão frágil é nossa vida, mas, além dessa questão óbvia, sua morte me fez pensar muito sobre outro conceito: legados.

Se você não está familiarizado com o termo, “legado” é “aquilo que é transmitido às gerações que se seguem”.

O Wilker se foi e deixou um legado que será lembrado ainda por muitas décadas, na forma de filmes, peças de teatro, novelas e outros tantos trabalhos artísticos. Foi um homem dedicado ao que sabia fazer e que conquistou um espaço na memória cultural do nosso país. Nesse sentido, sua passagem pela vida deixou uma marca. Por meio de suas atuações, ele provocou risos, lágrimas e outras emoções, como só a arte é capaz de fazer – e isso em, literalmente, milhões de pessoas.

Legado2Pensar no legado do Wilker me fez refletir sobre o que eu vou deixar após a minha partida. De que adianta eu ter nascido? Quando eu me for, qual terá sido o sentido de minha vida? Que herança deixarei para outras pessoas? Valeu a pena ter vivido ou minha passagem pela terra foi vazia de significado? Pensei muito sobre isso. Gostaria de aproveitar e estender a reflexão também a você: que legado você vai deixar? Ao final de sua jornada, quantas pessoas terá tocado, influenciado, aperfeiçoado, edificado, abençoado? Como será lembrado? Claro que, como cristão, o seu legado não será algo estritamente material. Todo aquele que tem Cristo como o centro de sua vida sabe que não há legado mais importante do que o espiritual. Jesus disse: “Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam; porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração” (Mt 6.19-21). Podemos extrapolar essa afirmação para além de riquezas materiais. A meu ver, essa ordem do Senhor refere-se a priorizar em tudo as coisas eternas em detrimento das passageiras.

Isso se confirma em outras passagens. Logo depois de pronunciar essas palavras, Jesus diz: “Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6.33). Assim, o legado que precisamos deixar na terra após nossa partida deve ter relação com o reino de Deus.

Legado3Nosso dia a dia terreno não é desprezível. Temos coisas importantes a fazer para a manutenção de nossa jornada. Construir uma casa, ter uma vida profissional honesta, crescer nos estudos, deixar uma segurança financeira para a família… tudo isso é relevante e devemos nos dedicar para sermos bem-sucedidos nas necessidades da matéria. Mas nada disso configura legado à luz do evangelho. Pois tudo o que construímos aqui em termos materiais ficará aqui. Passará. Tudo virará pó. Só o que permanecerá é aquilo que é feito para glorificar Deus e abençoar o próximo – pois é o que ecoará pela eternidade.

A Bíblia é clara quando diz que o legado que terá relevância após nossa vida está diretamente ligado ao que fizemos ao nosso próximo. Sei que você conhece bem essa passagem, mas, se puder, leia mais uma vez e diga se não tenho razão: “Quando o Filho do homem vier em sua glória, com todos os anjos, assentar-se-á em seu trono na glória celestial. Todas as nações serão reunidas diante dele, e ele separará umas das outras como o pastor separa as ovelhas dos bodes. E colocará as ovelhas à sua direita e os bodes à sua esquerda. Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: ‘Venham, benditos de meu Pai! Recebam como herança o Reino que lhes foi preparado desde a criação do mundo. Pois eu tive fome, e vocês me deram de comer; tive sede, e vocês me deram de beber; fui estrangeiro, e vocês me acolheram; necessitei de roupas, e vocês me vestiram; estive enfermo, e vocês cuidaram de mim; estive preso, e vocês me visitaram’. Então os justos lhe responderão: ‘Senhor, quando te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e te demos de beber? Quando te vimos como estrangeiro e te acolhemos, ou necessitado de roupas e te vestimos? Quando te vimos enfermo ou preso e fomos te visitar?’ O Rei responderá: ‘Digo-lhes a verdade: O que vocês fizeram a algum dos meus menores irmãos, a mim o fizeram’. Então ele dirá aos que estiverem à sua esquerda: ‘Malditos, apartem-se de mim para o fogo eterno, preparado para o Diabo e os seus anjos. Pois eu tive fome, e vocês não me deram de comer; tive sede, e nada me deram para beber; fui estrangeiro, e vocês não me acolheram; necessitei de roupas, e vocês não me vestiram; estive enfermo e preso, e vocês não me visitaram’. Eles também responderão: ‘Senhor, quando te vimos com fome ou com sede ou estrangeiro ou necessitado de roupas ou enfermo ou preso, e não te ajudamos?’ Ele responderá: ‘Digo-lhes a verdade: O que vocês deixaram de fazer a alguns destes mais pequeninos, também a mim deixaram de fazê-lo’. E estes irão para o castigo eterno, mas os justos para a vida eterna” (Mt 25.31-46).

Com isso em mente, volto à pergunta: o que você deixará como legado? O que tem feito na sua vida que glorifica a Deus por meio de atos de dedicação ao próximo, ao desenvolvimento de maior intimidade entre as pessoas e Cristo, ao bem-estar dos seres humanos que te cercam, ao crescimento espiritual das almas à sua volta? Você tem levado consolo aos tristes, edificação aos destruídos, alimento aos famintos, paz aos atribulados, carinho aos doentes, Jesus aos perdidos? Tem chorado com os que choram? Tem doado tempo para quem está mal? Afinal, que marcas de amor está imprimindo na vida do próximo?

Legado4Todo mundo tem talentos e dons que podem ser usados para edificar e levar amor a outros seres humanos. No meu caso, o Senhor concedeu a habilidade de escrever o que se passa em meu coração. Por isso mantenho este blog, publiquei livros, sigo escrevendo outros que ainda serão lançados. Talvez seja o meio principal pelo qual procuro deixar legado: edificação por meio do que escrevo, para abençoar a sua vida. Você não tem, necessariamente, o mesmo dom que eu, a Igreja de Cristo é muito plural em suas capacidades. Por isso, precisa buscar descobrir junto ao Senhor qual é a sua capacitação. E, quando descobrir, importa pôr em prática. Se é bom de pregar, pregue. Se tem facilidade de evangelizar, evangelize. Se é talentoso na música, abençoe pela arte. Se é aconselhando que exercerá a bênção sobre as pessoas, empreste os ouvidos e lábios para o próximo. Se é amparando, chore com os que choram. Algum talento você tem, que precisa usar com a finalidade de deixar um legado para a eternidade. Deus não faria você vazio. Cada um tem seu dom, que serve para amar o próximo e amar a Deus.

O Wilker se foi. Eu partirei um dia. Você também. Que legado deixará? Que marcas ficarão, pelas suas mãos, nas gerações que virão e que, naturalmente, terão reflexos na eternidade?

A hora é esta. Há almas precisando de você. Há lágrimas a ser enxugadas. Há feridas a ser tratadas. E Deus conta com a sua disponibilidade para deixar um legado de bênçãos e amor. É só entrar em ação. O que está esperando?

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Misericordia1Um homem matou a facadas a tia, o primo e a prima de 12 anos. Esta última com 30 punhaladas. Preso, o triplo assassino caiu em lágrimas durante o interrogatório, confessou o crime e falou que simplesmente não sabia por que tinha feito aquilo. Ouvi quando ele disse “eu não quero ser preso, porque, senão, vou morrer na prisão e vou para o inferno. E não quero arder no fogo do inferno!”. Que cena. Que tragédia. Que tristeza. Mas houve algo que me chamou a atenção em meio a tudo isso. Assim que, aos prantos, ele fez essas afirmações, a delegada responsável pelo caso disparou um comentário: “Ele não teve misericórdia e agora quer que tenham misericórdia dele, que absurdo…”. Peraí. Há algo estranho com essa frase. Uma contradição que ficou martelando em minha cabeça. Reflitamos um pouco sobre misericórdia, um dos conceitos mais fundamentais da fé cristã.

Não vou entrar pelo mérito daquele crime em si. Foi tão abominável que dispensa comentários. Mas a questão da misericórdia bateu em meu peito como 30 facadas. Repare bem as palavras da policial. Ela está condicionando o recebimento de misericórdia à prática de misericórdia. Em outras palavras, “é dando que se recebe”. Só que esse pensamento contraria frontalmente o evangelho, conforme disse o próprio Jesus: “Há maior felicidade em dar do que em receber” (At 20.35). Aquela delegada não compreende o sentido de misericórdia – nem de longe.

Também conhecida como “compaixão” ou “piedade”, misericórdia significa dar a alguém algo que não merece. É o contrário de “justiça”, que é dar a alguém algo que merece. Cristo deu exemplos contundentes do que isso significa. Veja o caso da mulher adúltera. Pela Lei judaica, ela deveria ser apedrejada até a morte. Isso seria justo. Era o que ela merecia. Mas Jesus preferiu não agir com justiça, mas com misericórdia, e deu a ela o que aquela mulher não merecia: “Eu também não a condeno. Agora vá e abandone sua vida de pecado” (Jo 8.11). Sim, Jesus foi misericordioso e a perdoou. Foi magnânimo. Foi divino. E não só pregou de púlpito sobre misericórdia: ele agiu conforme pregou.

Outro exemplo de Cristo é a parábola do servo impiedoso (repare no termo, “impiedoso”, ou seja, “sem piedade”, “sem misericórdia”). Sei que você já a leu inúmeras vezes, mas, se puder, por favor, leia novamente: Misericordia2“Então Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou: ‘Senhor, quantas vezes deverei perdoar a meu irmão quando ele pecar contra mim? Até sete vezes?’ Jesus respondeu: ‘Eu lhe digo: Não até sete, mas até setenta vezes sete. Por isso, o Reino dos céus é como um rei que desejava acertar contas com seus servos. Quando começou o acerto, foi trazido à sua presença um que lhe devia uma enorme quantidade de prata. Como não tinha condições de pagar, o senhor ordenou que ele, sua mulher, seus filhos e tudo o que ele possuía fossem vendidos para pagar a dívida. O servo prostrou-se diante dele e lhe implorou: ‘Tem paciência comigo, e eu te pagarei tudo’. O senhor daquele servo teve compaixão dele, cancelou a dívida e o deixou ir.

“Mas quando aquele servo saiu, encontrou um de seus conservos, que lhe devia cem denários. Agarrou-o e começou a sufocá-lo, dizendo: ‘Pague-me o que me deve!’ Então o seu conservo caiu de joelhos e implorou-lhe: ‘Tenha paciência comigo, e eu lhe pagarei’. Mas ele não quis. Antes, saiu e mandou lançá-lo na prisão, até que pagasse a dívida. Quando os outros servos, companheiros dele, viram o que havia acontecido, ficaram muito tristes e foram contar ao seu senhor tudo o que havia acontecido. Então o senhor chamou o servo e disse: ‘Servo mau, cancelei toda a sua dívida porque você me implorou. Você não devia ter tido misericórdia do seu conservo como eu tive de você?’ Irado, seu senhor entregou-o aos torturadores, até que pagasse tudo o que devia. Assim também lhes fará meu Pai celestial, se cada um de vocês não perdoar de coração a seu irmão’” (Lc 18.21-35).

Claro como água. O trecho central da parábola é este: “O senhor daquele servo teve compaixão dele, cancelou a dívida e o deixou ir”. A justiça era cumprir a lei, vender os parentes do devedor como escravos e pegar o dinheiro. Justo. Mas aquele senhor não fez isso. Antes, teve compaixão dele. E, com isso, cancelou a dívida e o deixou ir. Isso é misericórdia: cancelar a dívida.

Misericordia3Quando eu e você fomos chamados pela graça de Deus, ele cancelou nossa dívida. Zero. Misericórdia em ação. A justiça exigia que eu ardesse no fogo do inferno, como aquele triplo assassino lembrou muito bem. Você também. Toda a humanidade, sofrendo pela eternidade distante do Criador. Mas, então… um Cordeiro é agarrado, surrado, cuspido, humilhado e levado ao matadouro. Ali, o holocausto oferecido numa cruz pinga sangue. E quando sai da sepultura, a terra treme com um som que diz: “Recebam minha misericórdia!”.

Ao contrário de Cristo, hoje muitos cristãos pregam sobre piedade mas não a vivem em suas vidas. Amam a misericórdia da boca para fora, mas não a praticam em suas ações. Agem exatamente como aquela delegada.

O grande erro daquela policial foi crer que misericórdia é algo que se merece. É exatamente o contrário. Misericórdia só existe quando não há absolutamente nenhum merecimento. Aquele assassino cruel vai cumprir a justiça humana e ficará preso, possivelmente até o fim de sua vida. Ele merece isso. É justo. Mas, se, em algum momento dos anos que lhe restam, o homem que chacinou a própria família sem misericórdia alguma vier a ser tocado pela graça do Cordeiro, prostrar seu espírito de joelhos e pedir a Deus perdão sincero pelos seus pecados… ele alcançará misericórdia. E irá para o céu.

Vivemos dias em que há tanta iniquidade ao redor que o nosso senso de justiça clama por punição. Só que repare uma coisa: Jesus não disse “bem-aventurados os justos”, tampouco “bem-aventurados os que cumprem a lei”. Ele afirmou: “Bem-aventurados os misericordiosos” (Mt 5.7). Essa ênfase não quer dizer, é claro, que justiça e o cumprimento da lei não importam. Claro que importam. São fundamentais e indispensáveis. Mas, se o Senhor enfatizou a misericórdia, isso nos leva a uma reflexão. Será que ela não tem mais peso? Será que ela não recebeu essa menção especial porque Deus a considera especial? “Desejo misericórdia, e não sacrifícios” (Os 6.6), diz o Senhor.

Acredito que Deus ama os justos. Mas ouso especular que ele tem um olhar diferente sobre os misericordiosos.

Sejamos bem-aventurados. Tenhamos um coração mais perdoador, compassivo, piedoso, misericordioso. Essa, meu irmão, minha irmã, é a única forma de termos um coração como o de Jesus.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Amor5Eu e minha filhinha estávamos nos divertindo a valer. Já era tarde e passava da hora de ela dormir, mas a brincadeira estava tão legal que é lógico que a pequena não queria ir para a cama. Só que faço questão de manter a disciplina de seu sono e, por isso, lhe informei que precisávamos parar. Você sabe como são as crianças: imediatamente o sorriso sumiu de seu rosto, ela fez um bico enorme, cruzou os braços e afundou o queixo no peito. Raro é o dia em que não lhe digo no mínimo uma três vezes que a amo. Ela também diz que me ama e sabe perfeitamente quanto seu amor é importante para mim. Por isso, naquele minuto, usou a estratégia da chantagem emocional para tentar ficar acordada por mais algum tempo, brincando comigo. Foi golpe baixo: “Eu não te amo mais, papai”, falou alto. Eu sei que ela disse isso da boca para fora, e a minha reação foi espontânea e imediata. Eu respondi, em voz baixa e acariciando seus cabelos: “Bebê, absolutamente nada do que você faça ou fale vai me fazer deixar de te amar. Meu amor por você é pelo resto da vida”. Percebi que ela não esperava por aquelas palavras. Relaxou a postura, encostou-se em mim, sorriu de canto de boca e me abraçou. Em pouco tempo estava na cama, sendo embalada por uma oração cantada pelo papai.

Nossas reações impensadas merecem atenção. Elas falam muito sobre nós, porque ocorrem sem planejamento, sem censura. Se você quiser saber como é o temperamento de alguém, dê nela um susto. Umas pessoas reagem gritando, outras saem correndo, outras partem para cima. Isso demonstra se são agressivas, defensivas, tímidas ou o que for. Do mesmo modo, reações espontâneas revelam verdades profundas. Depois desse episódio, fiquei pensando sobre o que eu disse a minha filha. Sei que soa como um lugar-comum dizer que nada abalará o amor de um pai pelo filho, mas, acredite, eu falei  aquilo de modo irrefletido e sei que partiu do fundo do meu coração. Foi uma verdade absoluta. Naquele instante, eu tive a plena convicção de que, mesmo que minha filha cometa as maiores atrocidades contra mim, meu amor por ela permanecerá.

Que dirá o amor do Aba, nosso Pai celestial.

Amor2Todos os dias, eu e você temos atitudes, pensamentos e posturas que trazem subentendido a afirmação para Deus: “Eu não te amo mais, papai”. Os pecados são a maior expressão disso. Desobedecemos ao Senhor, mesmo sabendo que Jesus disse: “Quem tem os meus mandamentos e lhes obedece, esse é o que me ama” (Jo 14.21). A conclusão é óbvia: se desobedecemos os mandamentos de Cristo, estamos lhe dizendo com nossas ações que não o amamos.

Outra forma de dizer a Deus que não o amamos é quando não o amamos sobre todas as coisas. Confuso? Explico: o maior mandamento é que amemos ao Senhor sobre todas as coisas. Quando estabelecemos prioridades em vez do nosso relacionamento com ele, não o estamos amando sobre todas as coisas. Como é sua vida de oração? Como anda seu estudo das Escrituras? Quem não ora nem estuda a Bíblia está dizendo ao Criador com sua atitude que não deseja se relacionar com ele, que ter intimidade com o Senhor não é prioritário. E isso é o descumprimento do primeiro mandamento.

E por aí vai. Além de pecados e prioridades equivocadas, é extensa a lista de posturas e pensamentos que se traduzem para Deus como falta de amor – como, por exemplo, a falta de fé e a busca do Senhor por interesses pessoais. Poderíamos gastar muito tempo aqui falando sobre todos os itens dessa lista, mas não é esse o foco do que eu gostaria de compartilhar. O que mais penso acerca desse assunto é na reação de Jesus a essas nossas demonstrações de desamor. Como o Senhor considera essas posturas?

Amor3Minhas palavras espontâneas a minha filha me fizeram compreender mais sobre o amor de um pai. Pois se eu, que sou mau, tenho esse sentimento com relação a quem gerei, que dirá nosso Pai com relação a nós. Pense: você não simplesmente brotou de um “espermatozoide divino”. O Senhor não esperou nove meses para ver como você seria. Não. Você é fruto de um projeto. Você foi planejado. Foi cuidadosamente pensado e idealizado pelo Criador. O salmista já disse, sob inspiração do Espírito Santo: “Tu criaste o íntimo do meu ser e me teceste no ventre de minha mãe. Eu te louvo porque me fizeste de modo especial e admirável. Tuas obras são maravilhosas! Digo isso com convicção. Meus ossos não estavam escondidos de ti quando em secreto fui formado e entretecido como nas profundezas da terra. Os teus olhos viram o meu embrião; todos os dias determinados para mim foram escritos no teu livro antes de qualquer deles existir” (Sl 139.13-16).

Você é uma obra de arte. Deus idealizou absolutamente tudo o que diz respeito a sua pessoa antes mesmo de criar a primeira célula do seu corpo. Quando você não passava de um zigoto microscópico no útero de sua mãe, o Senhor já te amava com um amor profundo e inabalável. Ele olhava para aquele amontoado disforme de células e pensava: “Eis aqui o filho que eu amo”. Deus já tinha um propósito para a sua existência. Na verdade, antes que Gênesis 1.1 ocorresse, você já era realidade no coração do Todo-poderoso, e creio que ele ansiava pelo dia em que formaria sua vida. Você é precioso, amado, valioso e importante para o seu Pai.

Erramos sim. Muitas vezes cometemos atrocidades. Dizemos diariamente a Deus com nossas atitudes: “Eu não te amo mais, papai”. Chegamos a nos afastar dele, por amarmos mais o mundo e os prazeres da vida do que o nosso Criador. Só que o Pai está na janela, de olhos fixos no horizonte, à espera do Filho amado. E, quando temos a coragem de reconhecer nosso erro, ele se vira para nós e diz: “Bebê, absolutamente nada do que você faça ou fale vai me fazer deixar de te amar. Meu amor por você é pelo resto da vida”. Eu diria mais: é pela eternidade.

Como eu posso afirmar isso? Porque assim disse o Senhor: “Todo aquele que o Pai me der virá a mim, e quem vier a mim eu jamais rejeitarei. Pois desci dos céus, não para fazer a minha vontade, mas para fazer a vontade daquele que me enviou. E esta é a vontade daquele que me enviou: que eu não perca nenhum dos que ele me deu, mas os ressuscite no último dia. Porque a vontade de meu Pai é que todo aquele que olhar para o Filho e nele crer tenha a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6.37-40).

Amor4E se você acha que, por algo que tenha feito, o amor de Deus por você se acabou, por favor preste muita atenção a esta verdade irrefutável da Bíblia (recomendo que leia umas três vezes, pensando no que está lendo): “Nem morte nem vida, nem anjos nem demônios, nem o presente nem o futuro, nem quaisquer poderes, nem altura nem profundidade, nem qualquer outra coisa na criação será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 8.38-39). Nada. Nada, nada, nada é capaz de separar você do amor de Deus. Nada.

Você é amado. Amado desde sempre e amado para sempre.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Mauricio

Ganho1A época em que vivemos é a era do ganho. Nossa sociedade é capitalista, materialista, consumista e existencialista. Se você não entende algum desses conceitos, basta compreender o que está no centro de todas essas filosofias de vida: o eu. O meu. O que posso ganhar. O lucro pessoal. O benefício próprio. Os nossos tempos estimulam um individualismo exacerbado, que nos arrasta como um carro de Fórmula 1 pelas ruas pedregosas da vida. Acabamos destroçados pela necessidade de ganhar, ganhar, ganhar. Só seremos vistos como pessoas bem-sucedidas se ganharmos muito dinheiro, ganharmos o coração do menino mais cobiçado, ganharmos um cargo de destaque na igreja, ganharmos uma cobiçada vaga de emprego, ganharmos status, ganharmos títulos, ganharmos celebridade, ganhar, ganhar, ganhar! Somos levados pelo mundo ao nosso redor a crer que a vida é uma grande competição, em que ganhar diariamente (seja lá o que for) é a grande razão de estarmos sobre a terra. Mas não é isso o que a Bíblia nos ensina.

É fácil reparar como essa forma de ver a vida invadiu a igreja e tomou conta de nós, do mesmo modo que um câncer se espalha silenciosamente por nossos organismo. A maior prova disso é que nossa caminhada de fé tornou-se permeada pelo conceito de vitória. E só tem vitória quem triunfa, vence… ganha. “A vitória é tua!”, dizemos aos irmãos. “Deus, nos dê a vitória!”, oramos. “Faça tal campanha na igreja e Deus te dará a vitória!”, mentimos. Falamos mais a palavra “vitória” em nossas orações e nos cultos do que “Jesus”. Parece que, para muitos de nós, uma vida sem “vitória” é uma vida sem fé, sem bênção, sem a presença do Senhor. Em outras palavras, cremos que, se não ganhamos diariamente, nossa espiritualidade é mirrada, raquítica.

Para cumprir a vontade de Deus, Abraão perdeu a terra Natal e a parentela; Jó perdeu tudo o que tinha; Moisés perdeu a pacata vida de pastor; Jeremias perdeu a paz; Noé perdeu o respeito dos vizinhos; Paulo perdeu tudo aquilo em que cria; João perdeu a liberdade; Raabe perdeu sua cidade; Jesus perdeu a própria vida. A lista de personagens da Bíblia que perderam muito nesta vida é gigantesca. Mas, na gramática de Deus, perder por amor a ele é ganhar para a vida eterna.

Martir“Mulheres receberam, pela ressurreição, os seus mortos. Alguns foram torturados, não aceitando seu resgate, para obterem superior ressurreição; outros, por sua vez, passaram pela prova de escárnios e açoites, sim, até de algemas e prisões. Foram apedrejados, provados, serrados pelo meio, mortos a fio de espada; andaram peregrinos, vestidos de peles de ovelhas e de cabras, necessitados, afligidos, maltratados (homens dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos, pelos montes, pelas covas, pelos antros da terra. Ora, todos estes que obtiveram bom testemunho por sua fé não obtiveram, contudo, a concretização da promessa, por haver Deus provido coisa superior a nosso respeito, para que eles, sem nós, não fossem aperfeiçoados” (Hb 11.35-40). Essa parece uma lista de “vitoriosos”? Ou parece mais a descrição de gente que sofreu perdas enormes? Tenha a certeza de que foram perdas que resultaram num ganho muito superior – por ser um ganho eterno e não terreno. É impossível viver para Deus sem perder para si.

“Quem ama a sua vida perde-a; mas aquele que odeia a sua vida neste mundo preservá-la-á para a vida eterna” (Jo 12.25), disse Jesus. Ele afirmou, ainda: “Quem acha a sua vida perdê-la-á; quem, todavia, perde a vida por minha causa achá-la-á” (Mt 10.39). E, nesta era em que somos instigados a ganhar o mundo inteiro, precisamos ouvir as palavras do Mestre a seus discípulos: “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me. Porquanto, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por minha causa achá-la-á. Pois que aproveitará o homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?” (Mt 16.25-26).

Se não temos de ganhar o mundo inteiro, o que, afinal, precisamos ganhar? Paulo responde: “O que, para mim, era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo. Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo” (Fp 3.7-8).

Cristo. Eis o que precisamos ganhar. Pois, como disse Paulo, “para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro” (Fp 1.21). São o Rei, seu reino e sua justiça que devemos buscar antes de tudo mais, sabendo que, assim, tudo mais nos será acrescentado.

E como se ganha Cristo?

cruzPerdendo. Abrindo mão de si. Perco prazeres terrenos a fim de ganhar Cristo. Perco oportunidades, porém fraudulentas, a fim de ganhar Cristo. Perco o casamento com aquele partidão que não é cristão a fim de ganhar Cristo. Perco aquele negócio da China, mas que exigiria liberação de propina, a fim de ganhar Cristo. Perco a fama e deixo outros brilharem a fim de ganhar Cristo. Perco dinheiro justo que eu deveria receber, para não escandalizar a igreja, a fim de ganhar Cristo. Perco respeito de quem considera minha fé uma fábula e minhas crenças, fanatismo, a fim de ganhar Cristo. Perco a vingança e dou a outra face a fim de ganhar Cristo. Perco o emprego em que teria de me corromper, a fim de ganhar Cristo. Perco o que desejo a fim de ganhar Cristo. Perco minha felicidade a fim de ganhar Cristo. Perder, perder, perder.

Mas o que ganhamos por essa perda, acredite, vale a pena.

O que você está disposto a perder a fim de ganhar Cristo? É a resposta a essa pergunta que vai determinar quem vem em primeiro lugar na sua vida. Será você mesmo? Ou Jesus? Suas ações responderão. E Deus estará bem atento a elas.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Morte2Eu estava na sala de meu apartamento, às 0h10 da madrugada de sábado para domingo passado, quando um estrondo me fez dar um pulo. Corri para a janela e vi uma cena horrível: um automóvel tinha acabado de arrancar, a toda velocidade, uma pesada grade que separa a rua da ciclovia que há em frente ao meu prédio e se chocado contra uma árvore. Calculo que algo em torno de uns dez metros da grade foram varridos e lançados à distância, e uma barra grossa de metal entrou pelo para-brisa, varando o banco do passageiro. A coisa foi feia. Na mesma hora, minha esposa correu para ligar para a polícia e comecei a orar pela vida de quem estava no veículo. Algumas pessoas dispararam rumo ao carro e vi quando tiraram o motorista e o deitaram no asfalto (algo que, aliás, jamais deve ser feito. Se você presenciar um acidente e não houver necessidade de deslocar as vítimas do local por questões de segurança, mantenha-as imóveis até que chegue o socorro médico, pois mover um acidentado sem um colar cervical pode causar sérios danos à coluna). Em pouco tempo chegou uma viatura da polícia e um grupo de curiosos se amontoou para olhar a pessoa que estava no automóvel. Daí em diante foi difícil ver o que se passava, pelo escuro da noite e o aglomerado de gente. Não sei como aquele homem ficou. Mas sei que a ambulância demorou longos e absurdos vinte minutos para chegar e os paramédicos enfim o removeram, saindo em disparada algum tempo depois. Os bombeiros vieram para levar o carro. E acabou.

Estou escrevendo este texto à 1h10, exatamente uma hora após o acidente. Não há mais vestígio de que algo tenha acontecido, fora a pesada grade que desapareceu e estilhaços de vidro pelo chão. Fora isso, parece que tudo continua exatamente igual no mundo: os grilos ainda cantam, as pessoas circulam, o vento sopra. Vida que segue. Não pude deixar de pensar na fragilidade de nossa existência e lembrei-me do que Tiago disse: “Vós não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois, apenas, como neblina que aparece por instante e logo se dissipa” (Tg 4.14).

5.0.2A Bíblia, escrita por inspiração do Espírito eterno, usa termos bem reveladores sobre nossa vida. Além de “uma neblina que [...] logo se dissipa”, também diz que ela é “um sopro” (Jó 7.7) e como “a sombra que passa” (Sl 144.4). Frágil. Tênue. Fugaz. Volátil. Puf… e acabou. Em um momento você está alegre e contente, dirigindo seu automóvel caro e chamativo, no instante seguinte é um corpo inerte estendido no asfalto, cercado por olhares curiosos. Uma hora depois, tudo passou. Peço a Deus que aquele homem tenha sobrevivido e venha a se recuperar dessa tragédia. Mas, se porventura ele vier a falecer, fico pensando em como sua partida desta vida foi num piscar de olhos. O estrondo da batida foi rápido, ecoou por, no máximo, uns cinco segundos. Nesse mínimo  intervalo de tempo a alma daquela pessoa pode ter deixado seu corpo e tomado o rumo da eternidade. Experimente: conte de 1 a 5. Pronto. Essa é a duração da finitude de toda uma existência. Não há sala de espera, tampouco saguão de entrada. É uma decolagem rápida e imediata para o destino eterno.

Enquanto eu permanecia na janela, esperando que uma ambulância chegasse ao local, minha intercessão por aquele homem se misturou com algumas lágrimas que escorreram pelo meu rosto. Preciso ser sincero: não sei se elas brotaram pela dor da possível perda daquela vida ou por lembranças que a situação fez brotar em minha mente. Olhando para o acidente, lembrei-me de uma madrugada, vinte anos atrás, em que o homem no carro acidentado era eu.

Morte3Eu tinha 22 anos e estava no último ano da faculdade. Voltava para casa de madrugada, após uma festa de aniversário, quando sem aviso e num milésimo de segundo, dormi ao volante. O carro prosseguiu direto pela curva da enseada de Botafogo, no Rio, chocou-se contra uma árvore, virou para o lado, capotou por cima do alto canteiro que separava a pista de ida da de vinda e caiu, totalmente amassado, virado ao contrário, de frente para a direção de onde eu vinha. A confusão mental numa situação dessas é grande e, quando me dei conta, um grupo de rapazes que estava em um ponto de ônibus próximo correu, na certeza de que tiraria um corpo de dentro do automóvel, tão cinematográfica tinha sido a batida. O resto foi o resto. Lembro-me que a porta não abria; pessoas me tiraram do carro e me sentaram no meio-fio; telefonemas; carros chegando é por aí vai. E, para minha grande surpresa, não quebrei nem mesmo uma unha.

Sim, eu poderia ter morrido aquele dia. Se o Senhor batesse o martelo naquele segundo, eu não estaria aqui hoje. Mas aprouve ao Todo-poderoso que eu seguisse caminhando mais um pouco nesta terra. Parado na janela, olhos fixos no acidente dessa madrugada de Carnaval, refleti sobre muito do que vivi nesses vinte anos com que o Criador me presenteou além daquela data que poderia ser meu ponto final por aqui. Muitos erros, alguns acertos, grandes experiências, histórias para contar. Quando me dei conta, tinha saído da janela e me sentado ao lado da cama de minha filha, que dormia alheia a tudo o que se passara a poucos metros de onde estava. Olhando para ela, me peguei pensando se valeu a pena ter recebido esse bônus.

O que você tem feito com a sua vida? Se amanhã fosse o seu carro que estivesse pressionado contra uma árvore, enquanto seu corpo permanecesse estendido no asfalto, eu perguntaria: você fez valer o tempo que passou sobre a terra? O que realizou até hoje terá impacto positivo sobre quantas pessoas? Quantas almas conheceram Cristo por seu intermédio? Quantas vidas lhe agradeceram por ter feito algo por elas? Aprendeu com os erros e fez deles o início de novos acertos? Valeu a pena viver? Como você será lembrado pelas gerações?

Morte4Um sopro… uma neblina… uma sombra que passa. É assim que Deus enxerga a sua vida. Num tempo que aos olhos do Senhor é muito breve, ele vai pedir sua alma, minha irmã, meu irmão. E aí eu pergunto: o que você vai apresentar a ele? Se ele te concedesse mais vinte anos de vida, que tipo de ações você praticaria para ser a pessoa mais próxima possível daquilo que poderia ser de acordo com o coração de Deus? Haveria mudanças a fazer? Se você respondeu “sim”, por que não começar já? Viva hoje como se fosse morrer daqui a cinco segundos.

“[Jesus] lhes proferiu ainda uma parábola, dizendo: O campo de um homem rico produziu com abundância. E arrazoava consigo mesmo, dizendo: Que farei, pois não tenho onde recolher os meus frutos? E disse: Farei isto: destruirei os meus celeiros, reconstruí-los-ei maiores e aí recolherei todo o meu produto e todos os meus bens. Então, direi à minha alma: tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e regala-te. Mas Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?” (Lc 12.16-20).

Morte5Faça a sua vida valer cada segundo. Não adie o que é essencial. Nunca deixe para depois dizer a quem você ama que o ama. Não postergue o amor, o perdão, a reconciliação, a paz. Viva plenamente… e viva para que seus dias ecoem na eternidade. Amanhã pode haver não mais do que estilhaços de vidro no chão e uma tênue lembrança da sua passagem por este mundo. Mas, se você soube viver como as Escrituras especificam, o sopro que foi a sua vida se transformará numa brisa colorida e interminável, a ser lembrada pelos séculos dos séculos.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Prio1Tudo na vida é uma questão de prioridade. A cada passo que damos nós fazemos escolhas com base no que consideramos mais importante, prioritário. Hoje vou à igreja ou à praia? Oro à noite ou fico no Facebook? Estudo a Bíblia ou assisto à TV? Jejuo ou saio para jantar com os amigos? Escuto uma pregação ou uma música? Vou ao hospital visitar os enfermos ou durmo domingo à tarde? Faço seminário ou vou à academia? Passo meu sábado no futebol ou em um orfanato? Gasto meu dinheiro com esmolas e ofertas ou compro um sapato novo? Peco ou agrado ao Senhor? A resposta a cada uma dessas perguntas será determinada pelo nosso poder de escolha. E vamos escolher sempre o que consideramos mais importante.

Você percebe que implicações enormes tem a escolha daquilo que priorizamos? Porque nossas prioridades acabam determinando se seremos mais espirituais ou mais carnais, conhecedores da Palavra ou das novidades da internet, pecadores contumazes ou cristãos esforçados na luta contra o pecado, servos de Cristo ou de Mamom… e por aí vai. Prioridades ditam o nível de nossa vida cristã, especialmente em função de algo chamado tempo.

Nosso dia é curto. Em média, você dorme 8 horas e passa 8 horas trabalhando ou estudando a cada dia. Das 24 horas, sobram 8. Podemos dizer que duas horas gasta-se com atividade secundárias, mas indispensáveis, como tempo no trânsito e hábitos de higiene. Restam 6. Nesse espaço de tempo você encaixará as demais atividades do dia. E, de todas as opções possíveis, entrará aí o que você priorizar.

Prio2Nossas prioridades invadem até o campo dos assuntos sobre os quais conversamos. Por vezes fico atônito ao ver quanto se fala, por exemplo, sobre coisas como Iluminatti, nova ordem mundial, satanismo na Disney, mensagens subliminares, músicas do mundo, escândalos gospel, calvinismo versus arminianismo e outros assuntos menores, quando poderíamos investir nossas energias em tratar daquilo que é de fato relevante, o tutano da nossa fé: relacionamento com Deus. Atos de amor ao próximo. Dar de comer a quem tem fome e de beber a quem tem sede. Evangelismo. Promoção da paz. E por aí vai.

Se você for analisar o cerne da nossa fé, verá que a questão da prioridade está sempre na mesa. Jesus disse: “Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos? Porque os gentios é que procuram todas estas coisas; pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas; buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6.31-33). Repare que a ordem divina não é apenas para procurar o reino de Deus e a sua justiça, mas procurar essas coisas em primeiro lugar. Não basta procurá-las, Jesus quer que as priorizemos. Assim, se priorizarmos qualquer outra coisa, pecamos, pois estaremos desobedecendo a ordem de Jesus. É curioso isso, porque, em geral, não percebemos que o que o Senhor diz aqui não é uma sugestão, do tipo “olha, se você quiser que as demais coisas lhe sejam acrescentadas, tem a possibilidade de buscar o reino de Deus e a sua justiça, mas, se não quiser, tudo bem”. Ele fala no imperativo, “buscai”. Estamos falando de um mandamento, não de uma opção – e desobedecer um mandamento significa pecar. Então, se você prioriza atividades secundárias a algo que represente a busca do reino de Deus e sua justiça, está entristecendo o Senhor.

Prio3Outra determinação de Cristo quanto às prioridades é pôr Deus em primeiro lugar, depois o próximo. Na Bíblia, o próximo é sempre prioridade. “Mestre, qual é o grande mandamento na Lei? Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mt 22.36-40). Repare: Cristo disse mandamento. Ou: “Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros” (Rm 12.10). Ou, ainda: “Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo” (Fp 2.3). E tem mais: “Meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigo” (Jo 15.12-13). Deus quer que priorizemos o próximo. Mas, em nossos dias, quem dá atenção a essa ordem bíblica? Bem… Jesus dá. Lembre-se de João 3.16. Egoísmo é um horror do ponto de vista bíblico. Egocentrismo, então, é uma abominação. E a egolatria é o estágio máximo desse pecado.

Consegue perceber como prioridades são importantes no reino de Deus? Uma constatação que nos leva a uma pergunta dolorida: o que temos priorizado?

Prio4Já ouvi gente dizer que os momentos em que nós, cristãos, mais mentimos é quando cantamos louvores. Discordo. Creio que mais mentimos quando tentamos explicar a razão de falharmos na vida espiritual por “não termos tempo”. “Não consigo orar porque não tenho tempo”. “Não estudei a Bíblia este ano porque tenho muitos deveres de casa, sabe como é, o Enem está chegando”. “Quem consegue ler bons livros cristãos se não tenho tempo nem para respirar? Afinal, tenho inglês, balé, coral e minha ronda diária pelas redes sociais”.

Não é verdade. É claro que você tem tempo. Só que você prioriza outras atividades para ocupar seu tempo. Simples assim.

Se você é adepto de redes sociais e gosta de espiar a vida dos outros pela web, verá a enormidade de coisas que eles fazem e que nada têm a ver com o reino de Deus. E, se eles olharem o seu, tenho certeza de que terão a mesma percepção. Sim, tempo há. A questão é que o temos usado de forma bastante ligada ao “eu” e a atividades terrenas sem importância para a eternidade. Se você é mulher, pense em quanto tempo gastou no último mês em shoppings, lojas e salões de beleza. Se é homem, a quantos jogos de futebol assistiu e quantas horas em frente da TV passou. Agora responda com sinceridade: não teve tempo? Ou simplesmente priorizou outras coisas?

Entenda: não é que não se possa realizar atividades secundárias. Claro que é lícito ter períodos de lazer, momentos de cuidado com a estética do corpo, compras. O problema é quando essas coisas tomam o lugar daquilo que é prioritário. O ponto em questão é deixar de fazer o que é importante para Deus para fazer o que é importante para nós.

A vida é curta. Os dias são curtos. Mas a eternidade é longa… muito longa… Se o que fazemos em nossos dias curtos produz resultados que vão durar por toda a eternidade, isso deveria nos chamar para uma mudança urgente em nossas prioridades. Tente imaginar no dia em que você morrer (sim, lamento informar, esse dia vai chegar), você sendo chamado à presença de Deus e gaguejando na hora de explicar a ele como usou seus recursos.

- Éééé… sabe o que é, Senhor, não tive tempo para orar muito.

- Bem, aqui no meu livro diz que você passou mais de sete horas por semana jogando PlayStation ou X-Box.

- Éééé… bem… eu…

- E ajuda aos pobres?

- Ah, não dava, né, Pai, meus filhos exigiam muito de mim, não sobrava dinheiro pra isso.

- Mas espia aqui a quantidade de coisas supérfluas em que você gastou o dinheiro que te dei. Filho meu, pra que você precisava de tantos tênis assim?! E esse guarda-roupa lotado de camisas, pra que isso tudo?

- Éééé… bem… as roupas tinham de combinar, né, Senhor?

- E as suas atenções, meu filho? Aqui está dizendo que você gastava tempo e energias discutindo sobre calvinismo versus arminianismo e nova ordem mundial em vez de dialogar sobre como estender a mão para ajudar o próximo, estimular o perdão e a reconciliação entre irmãos em atrito e outros temas centrais da fé.

- Poxa, mas os illuminati não eram importantes não?

- Ai, meu filho, você nunca leu na Bíblia o que eu revelei que era o mais importante, aquilo que deveria ser a prioridade? Tenho um exemplar aqui, leia só: “Quando vier o Filho do Homem na sua majestade e todos os anjos com ele, então, se assentará no trono da sua glória; e todas as nações serão reunidas em sua presença, e ele separará uns dos outros, como o pastor separa dos cabritos as ovelhas; e porá as ovelhas à sua direita, mas os cabritos, à esquerda; então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me hospedastes; estava nu, e me vestistes; enfermo, e me visitastes; preso, e fostes ver-me. Então, perguntarão os justos: Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer? Ou com sede e te demos de beber? E quando te vimos forasteiro e te hospedamos? Ou nu e te vestimos? E quando te vimos enfermo ou preso e te fomos visitar? O Rei, respondendo, lhes dirá: Em verdade vos afirmo que, sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes. Então, o Rei dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos. Porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; sendo forasteiro, não me hospedastes; estando nu, não me vestistes; achando-me enfermo e preso, não fostes ver-me. E eles lhe perguntarão: Senhor, quando foi que te vimos com fome, com sede, forasteiro, nu, enfermo ou preso e não te assistimos? Então, lhes responderá: Em verdade vos digo que, sempre que o deixastes de fazer a um destes mais pequeninos, a mim o deixastes de fazer. E irão estes para o castigo eterno, porém os justos, para a vida eterna” (Mt 25.31-46).

- Hm…

- Isso, filho, é importante. Discutir horas a fio sobre predestinação? Você chegou aqui independente da crença soteriológica que tinha, não foi? Em compensação, quanto amou o próximo? E… mensagem subliminar em filmes? Francamente! Por que não priorizou alimentar os famintos e cuidar dos doentes?

E por aí vai. Tempo temos, pois o dia tem 24 horas desde sempre e, com essa mesma quantidade de tempo, muitos fizeram muita coisa pelo reino, pelo próximo e pela própria vida espiritual ao longo dos milênios. Mas hoje aprendemos a dar boas desculpas para justificar nossas prioridades equivocadas do ponto de vista bíblico.

Prio5Só uma coisa resolve esse problema: uma real mudança de atitude. Se você terminar de ler este texto , pensar “é verdade, é preciso mudar”, mas não fizer nada a respeito… vai seguir com as prioridades às avessas. A vida está correndo, o relógio não para. E, enquanto prosseguimos priorizando o que não é prioridade para Deus, vamos seguir pecando, entristecendo o Senhor e prejudicando nossa própria espiritualidade – que ficará mirrada, baseada em temas e práticas de importância secundária. Nosso relacionamento com Deus continuará em segundo plano, restrito a um ou dois cultos por semana e a uma oração de desencargo de consciência antes de cada refeição. E viveremos para jogar videogame; ficar horas espiritualmente infrutíferas na internet; assistir a novelas, reality shows e jogos de futebol na TV; discutir assuntos tanto-fez-ou-tanto-faz; gastar dinheiro com o que não é pão e outras atividades e atitudes que não terão absolutamente nenhum tipo de eco na eternidade.

Afinal, com que finalidade Jesus te criou? É a resposta a isso que vai definir as suas prioridades.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Doente1Imagine que você recebe o diagnóstico de um problema de saúde que te levará à morte em cerca de dois a três anos. Você se trata por alguns meses, faz tudo o que os médicos mandam, toma remédios, esgota todas as possibilidades de tratamento, mas, ao final, descobre que não adiantou nada. O quadro só piorou. O mal é inoperável. Transplante não resolveria. Nada a fazer. É apenas uma questão de se conformar e usufruir do tempo que tem. O que você faria?

Sei que essa não é uma pergunta muito original, muitas vezes já ouvi algo do tipo: “Se o mundo fosse acabar amanhã o que você faria hoje?”. Mas isso sempre esteve muito no campo da irrealidade, da urgência e até da brincadeira. Só que… pense numa possibilidade real. Concreta. Um fim não tão imediato mas em curto prazo, três anos no máximo. Isso daria tempo para atitudes mais pensadas, ações consequentes, e não aquela coisa de “ah, eu torraria todo meu dinheiro numa noite só”. Estou propondo uma pergunta consciente e realista: você recebeu o diagnóstico de uma disfunção letal, as alternativas extremas que a medicina oferecem são arriscadas demais e, um dia, os médicos, constrangidos, te informam que você tem cerca de três anos de vida. Com muita sorte, quatro. E aí?

No início você ficará deprimido, é normal – os especialistas explicam que o luto dura em torno de um ano e meio a dois anos. Mas sugiro um esforço para que isso se abrevie, afinal, você não vai querer passar todo o tempo que lhe resta em depressão. Um bom remédio prescrito por um psiquiatra vai te ajudar, junto com terapia e aconselhamento pastoral. Desabafar com pessoas de confiança também ajuda – mas só aquelas que tiverem estrutura emocional para saber da situacão, caso contrário, contar será pior do que manter sigilo (pois, em vez de apoio, você só terá ao seu lado ataques de choro e olhares de pena). Agora, passados os efeitos do choque inicial, é hora de se levantar e decidir o que fazer.

No imaginário popular, descobrir que a morte tem data marcada para chegar está associado a um descontrole total. As respostas que você ouve por aí são as mais desvairadas. Mas um cristão tem de pensar diferente. Venho refletindo sobre isso e cheguei a uma teoria sobre o que é importante fazer nesse tempo que lhe resta. Na verdade, penso em duas coisas.

Doente2Primeira: faça o que é certo. Se houve pessoas que você prejudicou, aja da forma que for necessária para consertar as coisas. Promova a união. Ponha sua vida em ordem. Ajude a pôr a vida dos que te são caros em ordem. Peça perdão a quem feriu. Perdoe quem te fez mal. Abandone pecados recorrentes. Ajude o próximo. Devote-se ao outro. Tente edificar o máximo de vidas que puder. Dê todo carinho e amor do mundo aos seus filhos, para que, mesmo após a sua partida, você deixe marcas positivas neles. Aconselhe amigos com problemas. Em outras palavras: viva como um bom cristão, para que, de algum modo, ajude aqueles que ainda permanecerão por mais tempo do que você nesta terra. Algumas dessas atitudes poderão exigir sacrifícios, mas, convenhamos, você terá em breve muito tempo para se recuperar do sofrimento e dos desafios que fazer o que é certo vai promover.

Segunda: deixe um legado. Deus não te pôs no mundo só para que você coma, durma, ganhe dinheiro, assista a futebol, vá ao cinema, perca tempo em redes sociais, jogue videogame e fim. Nada disso. Sua curta passagem pela terra precisa ter um significado maior. Algo que ecoeDoente3 pelos anos a seguir. Que edifique vidas. Se você quer escrever um ou mais livros que permanecerão abençoando pessoas após sua partida, corra e escreva (e nada de dizer que não tem tempo, você pode dormir mais tarde ou acordar mais cedo, por exemplo). Se você deseja plantar um belo jardim, que trará paz e beleza às pessoas, mãos à obra. Se quer compor canções ou poesias, não adie: o mundo precisa de arte. Se seu sonho é abrir uma igreja, abra, Deus dará um jeito de pôr boas pessoas ali para cuidar do rebanho. Se tem vontade de lecionar, ensine, passe adiante tudo o que aprendeu ao longo da vida. Você pode até mesmo criar um blog e deixar textos para a posteridade, que ainda daqui a muitos anos poderão abençoar uma ou outra pessoa – e não escreva futilidades, mas só o que promove a edificação. Deixe uma herança que, de algum modo, vai registrar sua passagem pela terra – sempre com foco no próximo. Em curtas palavras: plante uma semente.

É claro que você não conseguirá acertar tudo. Sua humanidade não desaparecerá só porque você descobriu que porta uma síndrome letal. Ainda vai errar, tropeçar, pecar. Mas isso pode ser usado para te ensinar muito mais sobre o amor de Deus ainda nesta vida. Não seria esse, aliás, um dos poucos benefícios dos pecados que cometemos? Aprender mais sobre a compaixão divina? Desfrutar mais do caráter de Deus? Conhecer a graça face a face?

Doente4Fazer o que é certo e deixar um legado. Pelas minhas reflexões, essa é a melhor forma de desfrutar de seus últimos anos de vida. Eu peço a Deus que você não passe por isso, que viva ainda anos longos, produtivos e felizes. Mas não custa nada começar a viver hoje como se descobrisse que seu coração vai parar de funcionar em dois a três anos. Pois, com isso, você terá uma vida extremamente significativa. Imagine que maravilha seria se pudesse perpetuar o que se propôs a realizar nesse curto período por duas, três, quatro décadas? Com certeza sua passagem pela terra seria memorável. Nem todos terão a oportunidade de viver tanto, alguns o Senhor decide chamar precocemente para junto de si. Mas, se você for agraciado com longevidade, desfrute de modo abnegado, devotado e piedoso dos anos que Deus te dá. Abra mão de si pelo próximo. Faça o melhor por quem ama. Dedique-se ao bem-estar das outras pessoas. E plante um legado. As futuras gerações agradecem, pois você terá feito parte da construção de um mundo melhor. E, acredito eu, você será recebido no céu com um lindo sorriso.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Mao1Hoje passei algum tempo observando as palmas de minhas mãos. Não sei se foi a iluminação de meu escritório em dia nublado, mas, pela primeira vez, notei que elas apresentam uma série de linhas que, em breve, se tornarão rugas. Confesso que fiquei um bom tempo entre o admirado e o maravilhado, observando as mãos que me acompanham há 41 anos tomarem o aspecto das mãos não mais de uma criança, um jovem ou um homem novo, mas sim a aparência das mãos de um senhor. É isto: virei um senhor. Olho para as minhas palmas e me vêm à mente as mãos de meu pai. Os fios brancos nas laterais da cabeça e na barba (educadamente chamados de “grisalhos”, numa tentativa de retardar nosso envelhecimento irretardável) há algum tempo já me acompanham, mas sempre foram considerados como uma espécie de “charme quarentão”. Só que rugas na palma da mão… nunca vi ninguém achar charmoso. Portanto, pela primeira vez, me vi senhor. E esse momento de percepção da própria decadência física traz reflexões óbvias – pois estou hoje mais perto do dia em que me verei frente a frente com Deus (para paz ou para juízo) do que do dia em que entrei pelas portas da vida.

Essa percepção nos confronta. Se você ainda é um rapaz ou uma moça, para quem o que descrevi no parágrafo anterior é uma realidade longínqua e meio alienígena, saiba que esse dia também vai chegar para você. Se não chegar é porque aprouve a Deus removê-lo Mao5da vida em idade precoce. Caso contrário, um dia você será um senhor ou uma senhora. Esse processo denuncia que o tempo está passando: começa quando aqueles adolescentes que você ainda acha que são seus colegas começam a te chamar de “moço”. Tempos depois, a namorada do seu priminho de 20 anos te chama de “tio”. Capítulo seguinte: sua sobrinha fala sobre “esses velhos de quarenta anos”. A consciência de que o dia do encontro com o Senhor está mais próximo vai tomando forma lentamente. Você, moça, se agita para casar, pois percebe que todas suas amigas já têm aliança no dedo e “ficar pra titia” soa como uma maldição. Você, moço, de repente percebe que todos os seus amigos de escola já têm filhos. E, um dia, você se pega admirando as linhas de expressão das palmas de suas mãos. Sim: isso vai acontecer com você. Bem-vindo ao clube.

A percepção da idade que avança tem profundas implicações espirituais. Que, em geral, jovens não têm. Jovens estão preocupados em ganhar dinheiro mais do que em deixar um legado neste mundo. Em estufar músculos e queimar celulite mais do que fazer sua vida ter um significado para a humanidade. Em festejar aniversários mais do que preparar aniversários para deixar os outros felizes. Em discutir que nome dará aos filhos mais do que em como fazer seus filhos serem boas pessoas. Em viver bem mais do que em morrer bem. Sim, pois a juventude carrega em si um lindo sonho de infinitude, enquanto a maturidade põe sob os holofotes o final desta jornada e o início da próxima.

Mao2Não trocaria por nada do mundo as rugas nas palmas de minhas mãos. Se encontrasse a fonte da juventude, passaria ao largo, confesso sem hipocrisia. A consciência de vida que possuo hoje não tem preço. Quando você percebe que já está na metade final de sua trajetória terrena (mesmo que ainda faltem três ou quatro décadas para dar aquele curto passo dentro da vida eterna) é como se luzes se acendessem em áreas do pensamento onde antes só havia sombras. A morte deixa de apavorar e a percepção da eternidade faz sorrir. Por favor, entenda que este não é um texto lúgubre: é um texto de alegria e esperança, de maturidade e descobertas, de dar valor ao que é valioso. Pois as linhas nas palmas das mãos denunciam uma realidade nova e empolgante em nossa vida.

Se eu pudesse, diria a todos os jovens: viva hoje como se já houvesse rugas em suas mãos. Em outras palavras: viva hoje sabendo que amanhã você poderá estar na presença de Deus em sua glória eterna. Pois essa percepção mudaria muita coisa em sua vida. Mudaria prioridades, valores, ações, pensamentos. Na verdade… mudaria tudo.

Jesus contou uma história: “A terra de certo homem rico produziu muito bem. Ele pensou consigo mesmo: ‘O que vou fazer? Não tenho onde armazenar minha colheita’. “Então disse: ‘Já sei o que vou fazer. Vou derrubar os meus celeiros e construir outros maiores, e ali guardarei toda a minha safra e todos os meus bens. E direi a mim mesmo: Você tem grande quantidade de bens, armazenados para muitos anos. Descanse, coma, beba e alegre-se’. “Contudo, Deus lhe disse: ‘Insensato! Esta mesma noite a sua vida lhe será exigida. Então, quem ficará com o que você preparou? ’ “Assim acontece com quem guarda para si riquezas, mas não é rico para com Deus” (Lc 12.16-21).

Mao4As linhas nas palmas das minhas mãos me chamam a isto: ser rico para com Deus. Buscar em primeiro lugar o reino de Deus e sua justiça. Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a mim mesmo. Deixar para trás as futilidades e inutilidades da vida e mirar no que tem valor eterno. Usar o tempo naquilo que de fato importa. Não perder tempo. Sim, creio que esta é uma das principais mensagens das nossas rugas: acabou-se o tempo de perder tempo. Cada segundo é precioso. Vivamos como quem morre, para vivermos plenamente.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício