Arquivo da categoria ‘Televisão’

Prio1Tudo na vida é uma questão de prioridade. A cada passo que damos nós fazemos escolhas com base no que consideramos mais importante, prioritário. Hoje vou à igreja ou à praia? Oro à noite ou fico no Facebook? Estudo a Bíblia ou assisto à TV? Jejuo ou saio para jantar com os amigos? Escuto uma pregação ou uma música? Vou ao hospital visitar os enfermos ou durmo domingo à tarde? Faço seminário ou vou à academia? Passo meu sábado no futebol ou em um orfanato? Gasto meu dinheiro com esmolas e ofertas ou compro um sapato novo? Peco ou agrado ao Senhor? A resposta a cada uma dessas perguntas será determinada pelo nosso poder de escolha. E vamos escolher sempre o que consideramos mais importante.

Você percebe que implicações enormes tem a escolha daquilo que priorizamos? Porque nossas prioridades acabam determinando se seremos mais espirituais ou mais carnais, conhecedores da Palavra ou das novidades da internet, pecadores contumazes ou cristãos esforçados na luta contra o pecado, servos de Cristo ou de Mamom… e por aí vai. Prioridades ditam o nível de nossa vida cristã, especialmente em função de algo chamado tempo.

Nosso dia é curto. Em média, você dorme 8 horas e passa 8 horas trabalhando ou estudando a cada dia. Das 24 horas, sobram 8. Podemos dizer que duas horas gasta-se com atividade secundárias, mas indispensáveis, como tempo no trânsito e hábitos de higiene. Restam 6. Nesse espaço de tempo você encaixará as demais atividades do dia. E, de todas as opções possíveis, entrará aí o que você priorizar.

Prio2Nossas prioridades invadem até o campo dos assuntos sobre os quais conversamos. Por vezes fico atônito ao ver quanto se fala, por exemplo, sobre coisas como Iluminatti, nova ordem mundial, satanismo na Disney, mensagens subliminares, músicas do mundo, escândalos gospel, calvinismo versus arminianismo e outros assuntos menores, quando poderíamos investir nossas energias em tratar daquilo que é de fato relevante, o tutano da nossa fé: relacionamento com Deus. Atos de amor ao próximo. Dar de comer a quem tem fome e de beber a quem tem sede. Evangelismo. Promoção da paz. E por aí vai.

Se você for analisar o cerne da nossa fé, verá que a questão da prioridade está sempre na mesa. Jesus disse: “Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos? Porque os gentios é que procuram todas estas coisas; pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas; buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6.31-33). Repare que a ordem divina não é apenas para procurar o reino de Deus e a sua justiça, mas procurar essas coisas em primeiro lugar. Não basta procurá-las, Jesus quer que as priorizemos. Assim, se priorizarmos qualquer outra coisa, pecamos, pois estaremos desobedecendo a ordem de Jesus. É curioso isso, porque, em geral, não percebemos que o que o Senhor diz aqui não é uma sugestão, do tipo “olha, se você quiser que as demais coisas lhe sejam acrescentadas, tem a possibilidade de buscar o reino de Deus e a sua justiça, mas, se não quiser, tudo bem”. Ele fala no imperativo, “buscai”. Estamos falando de um mandamento, não de uma opção – e desobedecer um mandamento significa pecar. Então, se você prioriza atividades secundárias a algo que represente a busca do reino de Deus e sua justiça, está entristecendo o Senhor.

Prio3Outra determinação de Cristo quanto às prioridades é pôr Deus em primeiro lugar, depois o próximo. Na Bíblia, o próximo é sempre prioridade. “Mestre, qual é o grande mandamento na Lei? Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mt 22.36-40). Repare: Cristo disse mandamento. Ou: “Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros” (Rm 12.10). Ou, ainda: “Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo” (Fp 2.3). E tem mais: “Meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigo” (Jo 15.12-13). Deus quer que priorizemos o próximo. Mas, em nossos dias, quem dá atenção a essa ordem bíblica? Bem… Jesus dá. Lembre-se de João 3.16. Egoísmo é um horror do ponto de vista bíblico. Egocentrismo, então, é uma abominação. E a egolatria é o estágio máximo desse pecado.

Consegue perceber como prioridades são importantes no reino de Deus? Uma constatação que nos leva a uma pergunta dolorida: o que temos priorizado?

Prio4Já ouvi gente dizer que os momentos em que nós, cristãos, mais mentimos é quando cantamos louvores. Discordo. Creio que mais mentimos quando tentamos explicar a razão de falharmos na vida espiritual por “não termos tempo”. “Não consigo orar porque não tenho tempo”. “Não estudei a Bíblia este ano porque tenho muitos deveres de casa, sabe como é, o Enem está chegando”. “Quem consegue ler bons livros cristãos se não tenho tempo nem para respirar? Afinal, tenho inglês, balé, coral e minha ronda diária pelas redes sociais”.

Não é verdade. É claro que você tem tempo. Só que você prioriza outras atividades para ocupar seu tempo. Simples assim.

Se você é adepto de redes sociais e gosta de espiar a vida dos outros pela web, verá a enormidade de coisas que eles fazem e que nada têm a ver com o reino de Deus. E, se eles olharem o seu, tenho certeza de que terão a mesma percepção. Sim, tempo há. A questão é que o temos usado de forma bastante ligada ao “eu” e a atividades terrenas sem importância para a eternidade. Se você é mulher, pense em quanto tempo gastou no último mês em shoppings, lojas e salões de beleza. Se é homem, a quantos jogos de futebol assistiu e quantas horas em frente da TV passou. Agora responda com sinceridade: não teve tempo? Ou simplesmente priorizou outras coisas?

Entenda: não é que não se possa realizar atividades secundárias. Claro que é lícito ter períodos de lazer, momentos de cuidado com a estética do corpo, compras. O problema é quando essas coisas tomam o lugar daquilo que é prioritário. O ponto em questão é deixar de fazer o que é importante para Deus para fazer o que é importante para nós.

A vida é curta. Os dias são curtos. Mas a eternidade é longa… muito longa… Se o que fazemos em nossos dias curtos produz resultados que vão durar por toda a eternidade, isso deveria nos chamar para uma mudança urgente em nossas prioridades. Tente imaginar no dia em que você morrer (sim, lamento informar, esse dia vai chegar), você sendo chamado à presença de Deus e gaguejando na hora de explicar a ele como usou seus recursos.

- Éééé… sabe o que é, Senhor, não tive tempo para orar muito.

- Bem, aqui no meu livro diz que você passou mais de sete horas por semana jogando PlayStation ou X-Box.

- Éééé… bem… eu…

- E ajuda aos pobres?

- Ah, não dava, né, Pai, meus filhos exigiam muito de mim, não sobrava dinheiro pra isso.

- Mas espia aqui a quantidade de coisas supérfluas em que você gastou o dinheiro que te dei. Filho meu, pra que você precisava de tantos tênis assim?! E esse guarda-roupa lotado de camisas, pra que isso tudo?

- Éééé… bem… as roupas tinham de combinar, né, Senhor?

- E as suas atenções, meu filho? Aqui está dizendo que você gastava tempo e energias discutindo sobre calvinismo versus arminianismo e nova ordem mundial em vez de dialogar sobre como estender a mão para ajudar o próximo, estimular o perdão e a reconciliação entre irmãos em atrito e outros temas centrais da fé.

- Poxa, mas os illuminati não eram importantes não?

- Ai, meu filho, você nunca leu na Bíblia o que eu revelei que era o mais importante, aquilo que deveria ser a prioridade? Tenho um exemplar aqui, leia só: “Quando vier o Filho do Homem na sua majestade e todos os anjos com ele, então, se assentará no trono da sua glória; e todas as nações serão reunidas em sua presença, e ele separará uns dos outros, como o pastor separa dos cabritos as ovelhas; e porá as ovelhas à sua direita, mas os cabritos, à esquerda; então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me hospedastes; estava nu, e me vestistes; enfermo, e me visitastes; preso, e fostes ver-me. Então, perguntarão os justos: Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer? Ou com sede e te demos de beber? E quando te vimos forasteiro e te hospedamos? Ou nu e te vestimos? E quando te vimos enfermo ou preso e te fomos visitar? O Rei, respondendo, lhes dirá: Em verdade vos afirmo que, sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes. Então, o Rei dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos. Porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; sendo forasteiro, não me hospedastes; estando nu, não me vestistes; achando-me enfermo e preso, não fostes ver-me. E eles lhe perguntarão: Senhor, quando foi que te vimos com fome, com sede, forasteiro, nu, enfermo ou preso e não te assistimos? Então, lhes responderá: Em verdade vos digo que, sempre que o deixastes de fazer a um destes mais pequeninos, a mim o deixastes de fazer. E irão estes para o castigo eterno, porém os justos, para a vida eterna” (Mt 25.31-46).

- Hm…

- Isso, filho, é importante. Discutir horas a fio sobre predestinação? Você chegou aqui independente da crença soteriológica que tinha, não foi? Em compensação, quanto amou o próximo? E… mensagem subliminar em filmes? Francamente! Por que não priorizou alimentar os famintos e cuidar dos doentes?

E por aí vai. Tempo temos, pois o dia tem 24 horas desde sempre e, com essa mesma quantidade de tempo, muitos fizeram muita coisa pelo reino, pelo próximo e pela própria vida espiritual ao longo dos milênios. Mas hoje aprendemos a dar boas desculpas para justificar nossas prioridades equivocadas do ponto de vista bíblico.

Prio5Só uma coisa resolve esse problema: uma real mudança de atitude. Se você terminar de ler este texto , pensar “é verdade, é preciso mudar”, mas não fizer nada a respeito… vai seguir com as prioridades às avessas. A vida está correndo, o relógio não para. E, enquanto prosseguimos priorizando o que não é prioridade para Deus, vamos seguir pecando, entristecendo o Senhor e prejudicando nossa própria espiritualidade – que ficará mirrada, baseada em temas e práticas de importância secundária. Nosso relacionamento com Deus continuará em segundo plano, restrito a um ou dois cultos por semana e a uma oração de desencargo de consciência antes de cada refeição. E viveremos para jogar videogame; ficar horas espiritualmente infrutíferas na internet; assistir a novelas, reality shows e jogos de futebol na TV; discutir assuntos tanto-fez-ou-tanto-faz; gastar dinheiro com o que não é pão e outras atividades e atitudes que não terão absolutamente nenhum tipo de eco na eternidade.

Afinal, com que finalidade Jesus te criou? É a resposta a isso que vai definir as suas prioridades.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

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Assisti absolutamente estarrecido aos telejornais na sexta-feira passada. As imagens da barbárie que foi a violência em diferentes cidades do Brasil, com atos de vandalismo, depredações, ofensas, agressões, confrontos, roubos de lojas, ataques a bancos e o cerceamento do direito de ir e vir dos cidadãos de bem me deixaram paralisado e de olhos marejados. O país que eu amo está em uma guerra civil descontrolada. Quando manifestações pacíficas por causas sociais justas degringolam e viram um caos primitivo e sanguinário é sinal de que o país precisa urgentemente de socorro. Assisti ao pronunciamento de nossa presidenta, em cadeia nacional de rádio e TV, em que ela desfilou uma lista bastante colorida de ações que pretende tomar para resolver os problemas. Achei tudo ótimo. Afinal, quem não gostaria, por exemplo, de ver todos os royalties do petróleo destinados à educação? Sou filho de professores do estado aposentados, há décadas anseio por escolas públicas melhores. Em 1987 fui às ruas – em manifestações pacíficas – pedir por isso e pela meia passagem para estudantes. Eu fui um cara-pintada da era Collor. Só que, depois de ouvir as possíveis soluções de nossa presidenta com um pouquinho de alegria dentro de mim, meu lado reflexivo me lembrou de uma triste realidade: nada do que ela propõe vai resolver nada.

Parei para pensar, quando terminou o show dos telejornais, que o que está acontecendo pelo Brasil afora não é um “a que ponto chegamos”, mas sim um “e lá vamos nós de novo”. O que vi na TV foi Caim matando Abel. Sodoma se corrompendo. Exércitos destroçando os povos vizinhos na antiga Palestina. Davi assassinando Urias. Diná sendo estuprada. Sansão estraçalhando filisteus. A Babilônia pondo Jerusalém abaixo. Jefté matando a própria filha. Jael cravando a cabeça de Sísera no chão com uma estaca. Jacó enganando seu irmão e seu pai e sendo enganado pelo sogro. Os irmãos vendendo José como escravo. Os primeiros cristãos sendo atirados aos leões. Inocentes queimados na fogueira da Inquisição. A igreja corrupta vendendo indulgências. As guerras entre católicos e protestantes. O papa de Roma amaldiçoando o patriarca de Constantinopla e o patriarca amaldiçoando o papa. As trevas da Idade Média. A corrupção do clero. O holocausto nazista. As invasões bárbaras. A Jihad islâmica. O martírio dos huguenotes na Guanabara. Índios dizimados. Negros escravizados. Pedofilia de padres. Teologia da Prosperidade de pastores. Gays querendo matar cristãos e cristãos querendo apedrejar gays. Cristãos ofendendo cristãos nas redes sociais.

Sim, minha conclusão, ao final dos telejornais, foi a mesma de Salomão três mil anos atrás: “O que foi é o que há de ser; e o que se fez, isso se tornará a fazer; nada há, pois, novo debaixo do sol. Há alguma coisa de que se possa dizer: Vê, isto é novo? Não! Já foi nos séculos que foram antes de nós.” (Ec 1.9-10). Porque tudo o que está acontecendo no Brasil tem uma única causa, uma única explicação, uma única origem. Que é a mesma para toda essa lista de barbaridades e atos de violência que ocorrem desde que um homem chamado Adão e uma mulher chamada Eva caminharam sobre a terra:

Pecado.

Fiquei estarrecido, chocado, emocionado e abatido por tudo o que vi na TV. Mas não fiquei surpreso. Pois sei bem do que nós, seres humanos, somos capazes. Eu e você somos portadores dessa gangrena espiritual chamada pecado, que gera em nós sintomas como os que estão se manifestando entre as hordas de monstros que disseminaram a barbárie nos últimos dias pelo Brasil. Sim, o pecado faz de nós animais, bestas selvagens cuja única racionalidade é a irracionalidade. Todo pecado faz isso, todo. Eu ouvi cético às explicações dos jornalistas, comentaristas e entrevistados sobre as causas dos atos de brutalidade ocorridos em Salvador, Belém, Rio, São Paulo e tantas outras cidades. As análises são todas muito interessantes, mas a verdade é que a raiz de tudo o que vi, cada vidraça quebrada, cada gota de sangue derramado, cada poste derrubado, cada cabine da polícia incendiada… é esse terror invisível que carregamos dentro de nós chamado pecado.

E, por mais que tenha ficado alegre com as medidas que a presidenta diz que tomará, no fundo sei que nada adiantará. Porque tudo o que é feito no âmbito social fica no exterior do homem e, portanto, é paliativo. Qualquer atitude que se tome só vai amainar as coisas, nenhuma solução humana é solução. Pois o problema, a raiz, a origem de tudo isso é o pecado. E pecado não se resolve com canetadas, decretos ou mobilizações sociais. Só se resolve com Jesus de Nazaré.

Diante disso, fiquei pensando: qual é o nosso papel, como cristãos, diante desse cenário infernal que viraram nossas ruas? O que a Igreja (eu e você) devemos fazer? Organizar manifestações? Emitir notas públicas de repúdio? Eleger mais pastores em cargos públicos? Gritar palavras de ordem? Criar hashtags no Twitter? Escrever mais posts sobre a violência no Brasil em blogs? Nada disso. Tudo isso é correr contra o vento. Simplesmente porque nada disso elimina o pecado da humanidade. Se a Igreja quiser ser Igreja tem de lutar com as armas de quem foi “chamado para fora”. Ou seja: tem de lutar com armas diferentes das que usam os que “estão dentro”. Deixemos as marchas, passeatas, entrevistas coletivas, notas oficiais em sites institucionais e outras coisas do gênero para a sociedade não cristã. O nosso papel é proclamar Cristo. Pregar o evangelho. Anunciar as boas novas de salvação.

A lógica é simples e existe há dois mil anos: só existe uma cura para o pecado. O remédio se chama Jesus. Eu e você sabemos disso. O mundo não sabe. Por isso temos de levar essa cura aos que estão doentes. Contra os violentos levemos o Príncipe da Paz. Contra os sanguinários levemos o manso Cordeiro. Contra os depredadores levemos o reconstrutor. Contra os que matam levemos quem dá vida. Os royalties do petróleo não vão salvar do pecado os baderneiros mascarados. Nem bombas de gás lacrimogêneo. Tampouco tropas de choque. Projetos sociais menos ainda. A Copa do Mundo também não. Grupos de trabalho da presidência não tiram o pecado do mundo. Toda solução possível é apenas assoprar o ferimento, não arranca a raiz do problema.

Propor Jesus como solução para a crise no Brasil não é ser simplório. Não é ser ingênuo. Não é espiritualizar uma realidade concreta. Não é ser bobo. Propor Jesus como a solução do caos no Brasil é ser bíblico. É ser cristão. É propor a única cura possível para a única causa de tudo o que está acontecendo. Quer colaborar para o fim da violência em nosso país, meu irmão, minha irmã? Pregue a Cristo, e ele crucificado. Anuncie o evangelho verdadeiro. Proclame a salvação da cruz. Abra a boca! Homens livres do pecado, redimidos, restaurados, nascidos de novo não depredam, não roubam, não batem, não apedrejam, não incendeiam, não agridem, não ofendem, não machucam, não brigam, não matam. Homens livres do pecado são pacificadores, humildes de espírito; têm domínio próprio, amor, benignidade, bondade, olhos meigos e um tom de voz suave. São a imagem de Cristo.

As imagens da violência e da brutalidade em nosso país conclamam a mim e a você para a ação (recomendo a leitura do post “É tempo de orar”). Mas, se eu e você somos cristãos, a nossa ação não pode ser a mesma do mundo. O mundo sabe organizar manifestações, fazer grupos de trabalho e convocar mais policiais. Deixe o mundo fazer o que o mundo sabe fazer, pois essas são as soluções que ele conhece. Eu e você temos de fazer aquilo que o mundo não sabe: proclamar Deus. Brilhar a luz de Cristo nas trevas. Apresentar a cruz. Você é um embaixador do reino. Então aja como tal. O pecado está pondo as garras para fora e todos estão vendo, pois está sendo exibido em rede nacional de TV. Mas será que alguém está vendo Jesus? Não, não está. Porque isso os telejornais não mostram. Logo, mostrar Cristo e divulgar sua mensagem compete a mim e a você.

E aí, o que você vai fazer a esse respeito? Ver mais um jogo de futebol?

Paz a todos vocês que estão em Cristo – para que possam levar essa mesma paz a todos aqueles que não estão.
Maurício

A idade é algo interessante no Reino de Deus. Ao mesmo tempo em que é impensável preferir o conselho dos mais novos do que o dos mais velhos (e quem o faz peca por ignorar anos de vivência, conhecimento e experiência), também não podemos nos esquecer do talento e da energia dos jovens. Se você acha que crianças e adolescente em igrejas só servem para ficar participando de atividadezinhas bobas e secundárias dentro do Corpo de Cristo, deixo aqui dois vídeos que mostram a força e o potencial dos jovens (1 João 2.14). O primeiro, enviado a mim via twitter pelo mano Klelber (@klelber), mostra um grupo cuja disciplina e habilidades dispensam comentários. O segundo chegou a mim via Facebook, infelizmente com qualidade técnica ruim. Detalhe: neste segundo vídeo apareço eu, com 11 anos de idade. Não vou dizer onde, de tão feio que era, e dou um doce a quem descobrir.

Deleite-se com o talento dos mais novos. E imagine se, em vez de relegarmos nossos meninos e meninas a um posto de incompetência e se os discipulássemos corretamente, os usássemos de fato para viver uma vida de devocionalidade plena em Cristo, como a Igreja seria diferente e mais vigorosa. Teríamos de fato uma geração em ação. Sem mais, aos vídeos:

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Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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Já fui vítima de alguns desgraçados erros médicos, que me fizeram pensar muito sobre desgraçados erros bíblicos. Vou contar apenas duas histórias para depois chegar ao ponto. Anos atrás comecei a sentir uma dor forte na sola do pé, que mal me permitia andar. Fui a um centro de reumatologia e ortopedia, daqueles de plano de saúde, onde você tem de ser atendido em dez minutos para que se possa atender muita gente e os donos da empresa faturarem muito. Peguei minha senha, sentei na filinha e esperei minha vez. Depois de muito tempo, me chamaram e entrei no consultório. A médica, sem sair de trás da mesa, perguntou o que eu estava sentindo e descrevi o problema. Sem nem ao menos me examinar ou mandar eu tirar o sapato, ela decretou de sua cadeira: “É fascite plantar, você precisa pôr o pé em água gelada e fazer fisioterapia”. Ela é a médica, eu sou um leigo, logo obedeci caninamente o que ela disse: passei a pôr o pé todo dia em água gelada e a fazer a fisioterapia. Mas a dor não cedia. Pelo contrário: piorava. E piorava. E piorava. Chegou a um ponto em que, não aguentando mais, paguei uma consulta cara com um médico maravilhoso. Ele gastou tempo comigo. Mandou tirar o sapato e a meia, mexeu, apertou, fez diversas perguntas e diagnosticou: eu não tinha fascite plantar coisa alguma, tinha um músculo contraturado. O tratamento: pôr o pé em água quente, a água gelada fazia o músculo se contrair mais e a dor piorar. Com um dia pondo o pé no calor a dor desapareceu.

Ou seja: uma médica inconsequente, despreparada, que não fez o seu dever de casa, não só não resolveu meu problema como ajudou a piorá-lo. E ela tinha todo o aspecto de uma pessoa muito bem capacitada, vestia jaleco e roupa branca, ocupava um consultório numa clínica aparentemente muito bem estruturada. Tinha toda a aparência de deter o conhecimento que me auxiliaria, que me mostraria o caminho. Mas piorou a minha vida. Piorou a minha saúde. Cometeu um erro médico sério, que poderia ter causado lesões piores.

O segundo erro que relato foi ainda pior. Pois foi o erro de 4 médicos, todos com aparência de ter todo o conhecimento, alguns famosos, com nome na praça. Uma baixa de imunidade causada por estresse me fez ter candidíase na virilha. Trata-se de um fungo que todos nós temos mas que, quando as defesas do corpo baixam, isso permite que o fungo ataque seu organismo. Com muita coceira e inchaço, procurei um médico. Ele olhou e me receitou uma pomada que “me deixaria bom em 5 dias”. Apliquei pelo tempo prescrito mas o local continuava inchado. Erro médico número 1.

Como eu viajaria para passar uma semana numa conferência teológica numa cidade pequena e sem muita estrutura, resolvi procurar uma dermatologista, para não ter surpresas desagradáveis durante a viagem. Ela olhou e disse que realmente a doença ainda não havia cedido completamente. “O outro médico não te receitou nenhum antifúngico oral?”, perguntou em tom condenatório. Eu disse que não. Ela então me receitou um comprimido em dose única e mais um antifúngico de aplicação local, que chamarei de X, para aplicar por 14 dias. Foi o que fiz. Erro médico número 2.

Toda vez que aplicava o remédio X sentia o local arder. O 14o dia coincidiu com meu primeiro dia na Conferência, uma 2a feira. No dia seguinte, quando bati os olhos no local da doença fiquei apavorado: estava cheio de bolhas, inchaço, feridas em carne viva e sangrando. Tremi. Descobri junto ao plano de saúde o único hospital da cidade onde havia atendimento de emergência. Corri para lá e fui socorrido por um clínico geral. Contei a história toda. Ele examinou o local e disse que poderia ser herpes. Falou com uma tranquilidade assombrosa que eu poderia ter HIV. Mandou passar somente uma pomada no local “até melhorar”, pomada que na verdade é um coquetel de antibióticos e antifúngicos. Erro médico número 3.

Voltei na 6a feira ao Rio e já sábado de manhã procurei um especialista, pois em 5 dias não havia aparência de melhora. Novamente contei a história toda. Ele olhou o local e disse que achava que era herpes. Mandou tomar aciclovir e continuar passando a mesma pomada. Erro médico número 4.

Quando chegou na 5a feira seguinte, sem nenhum sinal de melhora, já cansado emocionalmente e cheio de dores, decidi procurar mais um médico. E graças a Deus que o fiz. Contei a via-crúcis inteira, ele examinou o local e disse: “A médica te passou o remédio X? Ela está louca? Ele é usado para micose de unhas! Isso parece ser uma queimadura causada pelo remédio”. Eu perguntei sobre a herpes. “Nenhum desses médicos a que você foi pediu um exame de sangue? Não temos que especular, existe um exame para isso, vamos fazer”. Depois me pediu para ver a pomada que estava passando. “Essa pomada é uma mistureba que não resolve nada, por isso o local está infeccionado, você tem que passar a pomada Y”, e me deu a receita. Saí do consultório, fiz o exame de sangue e passei a usar a pomada Y.

Resultado: no dia seguinte a dor sumiu e as feridas começaram a cicatrizar. O exame de herpes? Deu negativo. Não, eu não tinha herpes. Nem HIV. Tinha feridas provocadas primeiro porque um médico não soube me tratar, o que me levou a uma médica que me passou um remédio errado e piorou o meu problema gerando queimaduras químicas na pele, que um terceiro médico não soube diagnosticar e me receitou uma pomada que não resolveu nada e por um quarto médico que, tendo recursos para fechar um diagnóstico, só especulou, me apavorou e não ajudou em nada. Desgraçados erros médicos.

Quando finalmente encontrei alguém que sabia o que fazer, fiquei bom.

Essas duas histórias mostram o estrago que aparentes especialistas que na verdade são completamente mal-preparados são capazes de fazer com uma pessoa.

O mesmo acontece em nossa vida espiritual.

Muitas vezes, tomamos como referências pastores, pregadores, teólogos e até mesmo blogueiros que têm toda a aparência de conhecer Deus, a Bíblia, a Verdade, a sã doutrina. Nos apaixonamos por eles. Os seguimos cegamente. Cada receita que eles nos passam nós cumprimos. Afinal, somos leigos e eles, os detentores do conhecimento, os ungidos, os que sabem apontar o caminho. Falam bonito. Citam poetas. Escrevem coisas lindas em seus blogs e twitters. Gravam vídeos atraentes e bem produzidos no Youtube. São charmosos. Muitos não usam “aquela ultrapassada toga sacerdotal” nem terno e gravata, são in, falam a linguagem de nossos dias. Uns até falam palavrão. Outros citam Vinícius de Morais, Cecília Meirelles e Clarice Lispector.

Há também o que nos conquistam porque falam como machos. Gritam. Poem o dedo na cara dos pecadores. E daí se seus programas de TV só servem para vender produtos de suas empresas e se defender das acusações dos blogueiros pensantes? São nossos porta-vozes. Dizem aos gays o que gostaríamos de dizer. Esbravejam. Batem na mesa. Chamam outros cristãos de “trouxas”, “bundões” e adjetivos similares que demonstram como estão cheios de “poder de Deus” ou da “graça de Deus”. Os amamos.

Mas o que não percebemos é que muitos deles cometem desgraçados erros bíblicos. E, assim como os erros médicos que fizeram comigo e que tinham a aparência de solução mas só me prejudicaram, esses formadores de opinião arrastam multidões para longe de Deus. Pregam doutrinas de demônios. Receitam práticas, crenças e conceitos “bíblicos” que vão causar bolhas e feridas sanguinolentas em sua alma, meu irmão, minha irmã, e vão deixar sua alma em carne viva. Por isso, é essencial sabermos identificar esses homens.

Se algum pregador que você admira diz que é possível ser salvo por caminhos que não Jesus de Nazaré, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira diz que Deus abriu mão de sua soberania e não age nas tragédias do mundo, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira diz que Deus não controla as forças da natureza e que essa ideia é só influência de ensinos gregos, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira diz que se você der 900 reais ao ministério dele receberá unção financeira, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira traz representantes da Teologia da Prosperidade do exterior para dizer a você em seu programa de TV que você deve dar-lhe dinheiro como forma de semeadura, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira usa palavras torpes – como falar palavrão em púlpito, ofender outros pastores chamando-os de “bundões” ou afirmar que quem oferta para a obra de Deus por amor e não querendo receber dinheiro de volta é “trouxa” – ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira fala sobre graça mas é agressivo ao mencionar outros pregadores, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira manda você “tomar posse da bênção” ou “decretar/declarar a vitória”, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira realiza exorcismos na TV em que o suposto demônio diz que líderes de outras igrejas são guiados por Satanás, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira diz que é a favor do aborto, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira pede dinheiro e com isso compra fazendas ou jatinhos particulares com os recursos sagrados que os fieis dão à igreja, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira diz que é possível viver a fé cristã fora de uma comunidade, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira diz que não tem problema algum ir a shows de artistas do naipe de Ozzy Osbourne, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira diz que irmãos na fé são malditos porque creem em doutrinas em que ele não crê, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira diz que a Bíblia é apenas um conjunto de mitos que revelam uma verdade maior, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira ama mais o dinheiro do que pessoas, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira é visivelmente vaidoso ou arrogante, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira participa de campanha política, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira trai seu chamado sacerdotal e se candidata a um cargo político, ele está te prescrevendo veneno.

E se algum pregador que você admira não admite ser criticado…ele é o veneno.

Desgraçados erros bíblicos. Desgraçados não por ofensa, meu irmão, minha irmã, mas simplesmente porque estão totalmente fora da graça de Deus. E fora da graça de Deus não há salvação.

Deus tenha misericórdia de sua Igreja.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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Sou jornalista e passei ao longo de minha carreira por três dos principais veículos de comunicação do país, sendo dois jornais e um a maior emissora de televisão brasileira. Há alguns anos decidi não ler mais jornal, cancelar minha assinatura da revista jornalística que eu consumia semanalmente e parar de assistir a TV, pois a quantidade de mentiras, notícias manipuladas e até inventadas de acordo com os interesses de alguns me fizeram um cético com relação à imprensa. Se eu fosse contar aqui tudo o que vi e vivi nos 13 anos em que trabalhei na grande imprensa você provavelmente também pararia de assistir a telejornais, por exemplo. Há mais verdade nos filmes B de zumbis, por exemplo, do que em muitas reportagens de programas aparentemente “jornalísticos”.

Lembro de um colega que, em sua primeira semana trabalhando como crítico de cinema num dos maiores jornais do país (e que ainda não conhecia as “regras do jogo”), escreveu uma critica ruim de um filme horrível estrelado por uma famosa apresentadora de programas infantis. Foi honesto. Só que ela é uma das estrelas das organizações das quais faz parte o jornal. Tadinho. Aos berros, foi obrigado pelo diretor de redação, na frente de todos, a mudar o texto e… elogiar o filme! Eu mesmo vivi situações assim. Lembro que saí muitas vezes para fazer reportagens com um fotógrafo veterano que é considerado um dos maiores do país (com livros publicados, que faz exposições etc) e o vi com meus próprios olhos simular fotos falsas para elas darem ibope e serem publicadas na primeira página (e foram), em situações completamente mentirosas. Ele arrumava o “cenário” e clicava. Sua cara-de-pau me deixava de queixo caído. Também vi repórteres consagrados inventarem depoimentos fictícios de pessoas que não existem para compor suas reportagens porque estava chegando a hora de fechar o jornal e eles ainda não tinham conseguido quem desse uma entrevista. Tenho amigos que pediram demissão da que é considerada a mais importante revista do país porque não aguentaram mais o tanto que seus textos originais foram distorcidos pela chefia por interesses políticos e econômicos: falas de entrevistados eram reinventadas e publicava-se o que pessoas não tinham dito. Isso entre milhões de episódios. Mas há um que eu mesmo vivenciei e considero emblemático sobre o jornalismo brasileiro.

Eu era um jovem e idealista estagiário que achava que o jornalismo era o grande fiscalizador da sociedade, a grande ferramenta para mudar o mundo. Trabalhava na editoria Internacional de um desses grandes jornais. Num plantão de fim de semana me escalaram para fazer uma matéria de esportes: jogo do Flamengo contra Corinthians no Maracanã. Minha pauta: o vestiário do Corinthians após a partida e uma coluna onde pegava o depoimento de alguém e transcrevia ao pé da letra (entre aspas) o que ele achou do jogo. Entrevistei Branco, o jogador que foi campeão do mundo na Copa de 1994 (na foto, à esq.). Gravei seu depoimento, fiz o que tinha de fazer e voltei à redação. Escrevi o texto do vestiário e transcrevi tudo (TUDO!) o que Branco dissera, para a tal coluna. Pronto. Dever cumprido. Estava só esperando minha hora de ir embora quando um redator (que hoje é bem conhecido e respeitado por participar dessas mesas redondas de domingo na TV) me chamou e disse que precisava crescer o depoimento de Branco porque um anúncio tinha sido cancelado na página e o espaço estava sobrando. Eu lhe disse que tudo o que o jogador dissera eu já tinha transcrito, que não havia mais nada a acrescentar. Ele sorriu e respondeu: “Ah, é?” e… começou a tirar de sua própria cabeça um monte de coisas, escrevendo como se Branco tivesse dito o que não disse! Cresceu umas oito linhas de texto. E deu enter no teclado, liberando a página para a gráfica. Lembro que eu olhava aquilo estarrecido. O redator, veterano, olhou para mim, viu meu espanto e disse rindo a frase de que nunca me esquecerei:

- Zágari, se o leitor soubesse como nós fazemos o jornal ele não leria.

Aquilo foi o embrião da minha grande decepção com o jornalismo. Mas também penso uma coisa. Vi muitos bons profissionais em ação. Repórteres competentes correndo atrás da verdade de fato (mesmo que depois de terem escrito suas matérias a chefia do jornal tenha mudado tudo conforme seus interesses). Gente do bem, que preferia dizer ao chefe “não tem matéria, o assunto morreu” do que inventar algo pela vaidade de ter seu nome assinado nas páginas no dia seguinte. Ou seja: não é porque vi péssimos profissionais fazendo o que há de pior dentro de seu péssimo jornalismo que vou achar que todo e qualquer jornalista é mentiroso, manipulador e canalha. Muitos são. Alguns não.

E por que estou falando tudo isso num blog que tem como meta refletir sobre as coisas de Deus? Porque há uma analogia bastante pertinente em nossos dias com um título eclesiástico: “bispo”. Muitos são os homens que assumiram para si o título de “bispo” dentro da Igreja evangélica porque… bem, simplesmente porque quiseram. Em grande parte, são homens (e mulheres) envolvidos com escândalos, com arrecadação indevida de dinheiro, com tudo o que há de mais réprobo na História atual do protestantismo no Brasil. Para mim, o que falam e praticam inclusive os desqualifica como evangélicos, muito mais como cristãos. O inferno certamente receberá alguns desses “bispos”.

A questão é que, por causa dessa banda podre, o título em si do bispo tem sido desqualificado como um todo. E os bons e autênticos bispos têm sido atacados porque… são bispos! Do mesmo modo que presenciei jornalistas calhordas em atividade calhorda debaixo do meu nariz, vejo “bispos” calhordas simularem um falso protestantismo calhorda sob o nariz da sociedade e com isso a lama salpica todos os evangélicos – e todos os bispos. Mesmo os autênticos.

E isso é uma injustiça histórica. Vejo nas redes sociais gente desinformada ou ignorante historicamente baixando o sarrafo no título (e aqui não quero tratar de quem se chama “apóstolo”, “patriarca”, “semideus” ou o que for – quero falar só sobre o episcopado). A questão é que o título “bispo” é legítimo. É bíblico. Pode ser usado. E se você nunca estudou nada sobre isso deixe-me te situar historicamente, para além dos escândalos da atualidade.

O cargo eclesiástico de “bispo” é encontrado já em passagens bíblicas. Como, por exemplo, 1 Timóteo 3.2 (“É necessário, portanto, que o bispo seja irrepreensível, esposo de uma só mulher, temperante, sóbrio, modesto, hospitaleiro, apto para ensinar) e Tito 1.7 (“Porque é indispensável que o bispo seja irrepreensível como despenseiro de Deus, não arrogante, não irascível, não dado ao vinho, nem violento, nem cobiçoso de torpe ganância”). É importante ressaltar que, biblicamente, o que esse cargo especifica é a função de um certo irmão dentro da organização da igreja, e em nada o torna mais divino do que qualquer outro de sua família de fé – em razão do sacerdócio universal dos santos. Há sobre um autêntico bispo, como há sobre qualquer líder divinamente comissionado, uma capacitação especial do Senhor para dar direção ao rebanho. Mas Deus não deu a ele uma auréola, deu, isto sim, uma função de liderança, que exerce conforme foi vocacionado a fazer.

A palavra “bispo” vem do grego επίσκοπος e tem como significado original “inspetor”, “supervisor”. É um vocábulo que vem de antes do surgimento do Cristianismo, quando o título era usado para designar todo tipo de administrador. E isso nas esferas civil, financeira, militar e judiciária. Foi adotado por diferentes tradições cristãs, desde a Igreja primitiva até os nossos dias, e em cada uma tem seu conceito e suas atribuições específicas. Ou seja, não há uma definição única, absoluta e dogmática para o que é e o que faz um bispo: cada tradição designa suas especificidades.

No princípio do Cristianismo, no século I, os títulos já existentes “presbítero” e “bispo” foram adotados pela Igreja e passaram a ser usados para se referir aos servos de Deus que agiam como líderes da igreja local e eram submissos a um dos apóstolos. No fim do primeiro século, a alcunha “bispo” foi aplicada somente aos doze apóstolos. Até que aconteceu uma reviravolta no uso dos termos. No ano 96, Clemente de Roma, durante o período em que João, o evangelista e servo amado de Jesus , ainda estava vivo, afirmou em seus escritos que os  apóstolos deixaram “instruções no sentido de que, após a morte deles, outros homens comprovados lhes sucedessem em seu ministério”.

O mártir Inácio (ilustração acima), que foi bispo de Antioquia e conviveu com João, Paulo e Pedro, registrou a sucessão de bispos desde a época dos apóstolos, logo após a morte dos mesmos, em sua própria igreja e em Esmirna. No século II, o patriarca Irineu afirmou a validade de uma “linhagem” de bispos desde o tempo apostólico e os enumerou até seu contemporâneo Vítor. Também fizeram isso alguns dos principais teólogos e historiadores antigos, como Sexto Júlio Africano, Tertuliano, Eusébio e Jerônimo.

Assim, vemos claramente que a forma de governo episcopal é bíblica e historicamente correta. Mas aí surge a pergunta: quem de fato pode ser chamado legitimamente de bispo?  A resposta depende da tradição cristã que você siga. Na Igreja Católica Romana (foto), bispos são considerados sucessores dos apóstolos, responsáveis por santificar, ensinar e governar dentro de uma determinada região. O mesmo se aplica às Igrejas Ortodoxa Russa e Grega, sendo que o bispo recebe o nome de “eparca”. Já entre os anglicanos, o bispo é o pastor principal da Igreja e exerce sua atividade numa diocese, que seria uma menor expressão da Igreja. Sua missão seria a proclamação e o ensino, o provimento dos sacramentos e a  supervisão e liderança administrativa da Igreja, além de simbolizar unidade entre as comunidades de uma diocese e entre a diocese e toda a Igreja. Na Igreja luterana de alguns países há a figura do bispo, embora no Brasil não. Já a Igreja Metodista é episcopal, mas os bispos não são uma ordem especial ou diferente dos presbíteros, ele é apenas o primeiro entre seus iguais (“primus inter pares“) e seu cargo no nosso país não é vitalício.

Entre as igrejas pentecostais, a grande maioria não tem a figura do bispo. Algumas têm, como a Igreja Cristã Nova Vida, a primeira pentecostal do Brasil a adotar esse sistema de regência eclesiástica. Há um Bispo Primaz e um Colégio de 7 bispos (foto) que atuam como seus auxiliares e conselheiros. O Primaz nada mais é do que um pastor de pastores de igrejas independentes, que se submetem a sua autoridade voluntariamente. Outra é a Igreja do Evangelho Quadrangular, onde “bispo” é um cargo que um pastor recebe para reger uma ou mais regiões, e pode ser retirado do cargo. Vale ressaltar que até aqui só falamos de igrejas históricas, sérias, sem envolvimentos com escândalos ou absurdos – como a miscigenação com práticas espíritas ou coisas do gênero. E aí chegamos às neopentecostais. É quando começa o problema.

Algumas igrejas neopentecostais no Brasil adotam em sua hierarquia o sistema episcopal, sendo que em algumas dessas denominações o bispo é o representante máximo.  Em outras denominações, o bispo é um representante que administra uma região, com bispos que gerem as chamadas “regionais” – mas não são independentes, estão subordinados ao líder máximo, autointitulado “apóstolo”. Numa certa igreja há ainda a figura da “bispa”, um neologismo infeliz, uma vez que existe um feminino para bispo: episcopisa.

Se você for analisar, perceberá que é o grupo dos neopentecostais que vive nas manchetes e nas reportagens de TV. Em sua maioria, seguem a herética Teologia da Prosperidade (veja o post Demonologia da Prosperidade). São denominações em que seus líderes hipervalorizam o dinheiro e os bens materiais e que já protagonizaram episódios em que foram flagrados em contrabando de dinheiro, falsos exorcismos, uso de dinheiro de dízimos e ofertas em benefício próprio e outras falcatruas. É por causa desses “bispos” e dessas “bispas” que o título legítimo tem sido maldito por tantos.

Muitos dos tais “bispos” neopentecostais poderiam se virar para mim ou para você e dizer “Se o fiel soubesse como fazemos igreja ele não viria”. Só que o uso do título não tem nada a ver com isso. O líder desses grupos poderia se chamar “bispo”, “padre”, “epaminondas” ou “bilu-bilu”, a questão não é a legitimidade do nome. É o fruto que os tais geram – que qualquer um com discernimento espiritual ou pelo menos bom senso consegue ver que está podre. Se você é flagrado contrabandeando dinheiro na Bíblia (meu Deus…) ou ensinando a pedir oferta na base do “ou dá ou desce” isso em nada tem a ver com o nome que você ostenta. Poderia ser “Irmão Mais Velho na Fé Fulano” ou simplesmente “Missionário Beltrano”. Daria na mesma.

Chamar-se de “bispo” é apenas uma opção por um cargo que explica o tipo de governo eclesiástico que segue a sua igreja. É um título biblicamente e historicamente correto. Em cada denominação, ao longo dos séculos, o título “bispo” designou alguém que tinha certas atribuições, que variam de denominação a denominação. Mas que qualquer um tem o direito de usar… isso tem. Se eu quiser abrir uma igreja e me intitular “Príncipe Zágari”… bem, eu poderia. Mas não haveria antecedente histórico para o título numa convivência eclesiástica. Madre Teresa de Calcutá, uma pessoa do bem, usava o título de “Madre”, embora ela não fosse minha mãe e, apesar de seus gestos caridosos, crer – ao contrário de minha mãe de verdade – na mariolatria, na veneração de santos, na transubstanciação da Ceia e em montes de outras heresias. Nem por isso qualquer um de nós deixa de chamá-lá de “Madre”. Pois não passa de um título, ela não era mãe de ninguém. O mesmo se aplica a Joseph Ratzinger. Você alguma vez já o chamou de algo diferente de “Papa”? Sim, você, evangélico como eu, já chamou o ex-hitlerista Ratzinger de algum título diferente de (vamos traduzir) “Papai” Bento 16? Não. Todos nós o chamamos de “Papa”. Pois é apenas o nome do cargo, com raízes historicamente definidas.

Então, meu irmão, minha irmã, o importante nessa história é que essa perseguição que muitos de nós impomos ao título “bispo” que certos falsos cristãos adotam em suas igrejas é uma perda de tempo, uma bobagem e uma irrelevância. Eles têm, apesar de tudo o que eu e você sabemos, o direito de adotar o título. O que não podem é praticar o que praticam – ESTE SIM É O PROBLEMA. Paremos, assim, de criticar fulano ou beltrano só porque se chamam “bispo” e passemos a criticar suas ações nefastas. Porque, ao fazer isso, paramos de errar por desmerecer os bons bispos. Como os anglicanos, os metodistas, os da Igreja Cristã Nova Vida, os ortodoxos. Esses, sendo íntegros e homens de Deus, acabam sofrendo o bullying que impomos sobre o título por os colocarmos no mesmo saco que os canalhas. E aí erramos e pecamos por julgar e reprovar os que Jesus não julga ou reprova.

É como chamar alguém de “fariseu” como uma ofensa. Não podemos esquecer que o grande apóstolo Paulo foi  fariseu. Gamaliel foi fariseu. José de Arimateia era membro do Sinédrio, possivelmente um fariseu. Mas pomos todos os fariseus no mesmo saco, como se todos fossem “hipócritas”, “raça de víboras” ou “sepulcros caiados”. Calma. Como se pode ver, nem todos eram assim. Só Paulo e Gamaliel já desmontam essa tese. O mesmo se aplica aos bispos.

Eu quero um dia voltar a ler jornal e a assistir a noticiários na TV. Mas só quando tiver confiança de que aquilo não é uma obra de ficção, pois sei que muito do que ali está é balela e mentira. É teatro. Provavelmente isso nunca acontecerá.  E eu quero um dia voltar a ter confiança de que todo bispo é um homem de Deus,  irrepreensível, esposo de uma só mulher, temperante, sóbrio, modesto, hospitaleiro, apto para ensinar, não  arrogante, não irascível, não dado ao vinho, nem violento, nem cobiçoso de torpe ganância. Como Deus zela pela sua Igreja, creio que um dia os falsos líderes serão desmascarados e o rebanho se voltará para os realmente vocacionados e que esperam sua recompensa no Céu e não nas Ilhas Caymã.

E a você que vive bradando “chega de bispos!”, sugiro que mude o seu discurso. E comece a bradar, como eu, “chega de líderes que enganam o povo usando o nome de Jesus!”. Aí sim você estará começando a criticar o que de fato tem de ser criticado e não estará mais pecando por depositar joio e trigo no mesmo saco antes do tempo da colheita – algo que só compete a Deus. E, até onde eu sei, você não ostenta o título “Deus”, ostenta?

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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Desculpe se o título deste post é forte demais. Claro que não tenho vergonha de TODOS os nossos jovens cristãos. Mas preciso dizer uma verdade: se Jesus dependesse de uma enorme parcela dos jovens cristãos brasileiros dos nossos dias para cumprir a Grande Comissão, a mensagem do Evangelho morreria. Deixaria de ser divulgada. Porque olho em volta e o que vejo são muitos garotões e menininhas fúteis do ponto de vista espiritual, que se interessam em ir para a igreja por causa da festa. Para cantar, pular, gritar, encontrar amigos, namorar e comer uma pizza depois do culto dos jovens. Mas que nas suas escolas e faculdades, na sua vida familiar e no dia a dia vivem de modo tão inútil para o Reino de Deus como qualquer jovem não-cristão. E, perdoe-me pela dureza desse comentário: parece-me que uma enorme quantidade dos que frequentam os cultos de jovens não nasceram de novo. Não tiveram uma experiência real com Jesus de Nazaré, o Salvador. E vão para a igreja para pular, pular e pular… na presença de Deus?

Se você acha que minha visão é pessimista demais, pergunte aos jovens de sua igreja para quantas pessoas ao longo da última semana elas pregaram sobre o amor de Cristo. Quantas estão mais interessadas na eternidade do que no vestibular e na carreira? Quantas veem seus amigos indo para o inferno e choram por eles em oração noite após noite diante de Deus? Que sacrifícios estão dispostos a fazer por Cristo e pelos perdidos? Nossos jovens mal oram, mal conhecem o conteúdo das Escrituras, não há interesse por fazer um seminário teológico, não praticam as disciplinas espirituais, não estão nem aí para missões: querem é pipoca, cinema e ar condicionado. Não vejo fogo em seus corações pelo Espírito Santo, vejo uma preguiça desanimadora para as coisas de Deus.

Não gosto de generalizar. Há esperança de um futuro para a igreja. Há aqueles que sentem o toque do Espírito e abrem mão de si por Jesus. Que tomam suas cruzes e seguem-no. Há os que se dedicam, que leem livros cristãos, que vivem uma vida devocional, que buscam crescer na fé. Mais ainda: que buscam agir segundo a fé. Esses são os que me emocionam, porque são a prova de que o Deus vivo ainda vocaciona homens e mulheres para dedicarem suas vidas a levar as boas novas da salvação aos pecadores – não importa que idade tenham.

O que me motivou a escrever este post foi o vídeo que reproduzo abaixo. Foi-me enviado pelo mano Diego Vieira, da Igreja Cristã Nova Vida de Lote XV, em Belford Roxo (RJ). Dura menos de 9 minutos e mostra o depoimento de uma jovem da Coreia do Norte, um dos países onde cristãos mais são perseguidos no mundo, em que ela conta seu testemunho.

O que vejo ali não é uma jovem de 18 anos. É uma mulher de Deus. Alguém cujos sofrimentos e cujas experiências a estão levando a dedicar sua vida à causa do Evangelho.

Assista. E envergonhe-se. Eu, que tenho 40 anos, me envergonhei ao ouvir as palavras de Kyung Ju Song, esse gigante em corpo de menina. Suas rápidas palavras mostram que ela tinha tudo para odiar Deus, por tudo o que ela e sua família passaram. Mas seu amor por Cristo e sua visível emoção ao final de sua fala são uma lição para todos nós.

Estou ciente que minhas palavras podem te soar duras demais. E são. Mas não são as mais duras que você ouvirá, caso venha a assistir ao video abaixo. Pois as palavras de Kyung Ju Song são ditas num tom de voz doce e quase meigo, mas são pungentes e perfuram como um punhal afiado. Que elas venham a despertar aqueles que estão dormindo o sono do conforto e da mesquinha rotina diária para uma vida de dedicação à causa da Cruz. Paro aqui. O que ela tem a te dizer em poucos minutos é mais importante do que o que eu poderia falar por horas. Ouça-a. Morra de vergonha. E depois, jovem cristão, sugiro que reflita e faça algo pelo Reino de Deus.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício
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