Arquivo da categoria ‘Satanás’

Sata2A proclamação do Evangelho deve ter como centro Jesus. A cruz. As boas-novas da salvação. Sempre. Sempre. Sempre. Podemos pregar sobre qualquer assunto correlato, desde que tenha ligação com o epicentro de nossa fé: Cristo. Pregações sobre dízimo devem ter foco em Jesus. Pregações sobre casamento devem ter foco em Jesus. Pregações sobre vida sexual devem ter foco em Jesus. Pregações sobre arrependimento devem ter foco em Jesus. Por isso, existe uma grande resistência em alguns setores da Igreja a se pregar sobre o inferno, o diabo e os demônios. Em grande parte, isso ocorre como reação à ênfase despropositada que certas denominações dão à chamada “libertação”, em todas as suas variáveis – “descarrego”, “batalha espiritual”, expulsão de demônios etc. -,  o que leva muitos a tomar uma postura contrária, eliminando totalmente do púlpito mensagens que tenham a ver com as hostes espirituais da maldade. Essa postura acaba se refletindo em todas as esferas da vida cristã dos que assim procedem, como a rejeição por livros que falem do assunto ou mesmo nas orações que fazem e nas músicas que cantam. Por muito tempo compartilhei desse pensamento. Falar sobre isso era como jogar uma barata dentro de uma refeição refinada num restaurante chique. Mas tenho revisto essa posição. Hoje estou convencido de que devemos sim pregar sobre o inferno e os perigos das forças espirituais do mal – desde que as pregações sobre o assunto tenham foco em Jesus.

A primeira razão que me fez rever essa posição foi a releitura do Novo Testamento. Lendo as Escrituras e alguns bons livros descobri, espantado, que Jesus de Nazaré falou muito nos Evangelhos sobre o inferno. Ou seja: o próprio Senhor abriu o precedente. Afirmar que não se pode pregar sermões que tratem do mundo espiritual maligno – com foco em Cristo, sempre – seria dizer que Jesus não poderia ter falado o que falou. E repreender Deus é, no mínimo, complicado. Se por um lado, o Senhor nos disse para não ficarmos eufóricos com esse assunto (“Contudo, alegrem-se, não porque os espíritos se submetem a vocês, mas porque seus nomes estão escritos nos céus” – Lc 10.20), por outro nos instrui muitas vezes sobre ele (como em “Jesus repreendeu o demônio; este saiu do menino [...]  Então os discípulos aproximaram-se de Jesus em particular e perguntaram: “Por que não conseguimos expulsá-lo? “  Ele respondeu: [...] esta espécie só sai pela oração e pelo jejum” -  Mt 17.18-22).

Sata3Trabalho como editor de livros cristãos. Meu último projeto – sobre o qual não posso falar muito, por enquanto, por questões éticas – é uma obra de um importante pastor presbiteriano brasileiro e chanceler de uma universidades  cristã. Tradicional. Histórico. E brilhante. Surpreendeu-me, portanto, quando li em seu texto o seguinte:  “Alguém já disse que pregar sobre o inferno não é um caminho muito bom para levar pecadores ao arrependimento, porque, nesse caso, as pessoas se converteriam por medo da perdição eterna. Pessoalmente, entendo que é preferível que seja assim ao fato de o indivíduo não se converter de maneira nenhuma. Se alguém se converteu porque tem medo de ir para o inferno, isso é ótimo, mas se a conversão ocorreu por amor a Jesus é melhor ainda. Não faz mal o crente se assustar com a realidade da justiça divina”.

Cada vez mais tenho percebido a importância de alertar a Igreja, como fez o próprio apóstolo Pedro, de que “o diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge, procurando a quem possa tragar” (1 Pe 5.8). Forças do mal estão se infiltrando nas igrejas. Nas empresas cristãs. Ensinamentos diabólicos estão conquistando espaço nos corações e nas mentes dos jovens e adolescentes evangélicos. Temos guardado os portões da frente de nossas vidas pela proclamação indispensável do Evangelho de Cristo, mas, ao fecharmos os lábios contra “as ciladas do diabo” (Ef 6.11), deixamos a porta dos fundos escancarada para a entrada dos sabotadores de nossa espiritualidade.

Sata4Deus é infinitamente mais poderoso que o diabo. A velha ideia de que Satanás e Jeová disputam as almas humanas como num cabo-de-guerra, em igualdade de condições, é um erro de proporções (anti)bíblicas. O Deus criador é tão superior ao diabo criatura que, com um piscar de olhos, Ele poderia, se quisesse, eliminar todos os demônios, todo o inferno, tudo, tudo, tudo. Então, imaginar que o diabo é inimigo direto do Todo-poderoso chega a ser engraçado, pois o querubim caído não pode absolutamente nada contra o criador do universo. Na-da. Ele é inimigo, isso sim, dos homens, a quem consegue astutamente enganar. Em especial aqueles que não estão alertas contra esse engano  e que se julgam imunes à tentação maligna.

Portanto, é por isso que Paulo, o apóstolo, prega à igreja de Éfeso: “A nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes” (Ef 6.12). E deixar de fora das nossas preocupações, do nosso discurso e da nossa pregação essa realidade seria ignorar um assunto tratado extensamente por Jesus e por seus discípulos nos evangelhos, nas epístolas e em Apocalipse. Seria uma irresponsabilidade.

Sata5A literatura cristã está repleta de livros sérios que alertam para o tema, seja de forma direta ou por meio da ficção. Um exemplo que imediatamente me vem à mente é o do grande C.S.Lewis, que escreveu as obras ficcionais “Cartas de um diabo a seu aprendiz”, “O Grande Abismo” e “As crônicas de Nárnia”, que mostram explicita ou implicitamente a ação de demônios e – graças a Deus – despertam o fascínio sobre o tema. Aliás, dedicar tempo e tinta para alertar a Igreja contra o inferno, o diabo e seus ardis fez parte da preocupação de grandes homens de Deus desde o princípio. Além do próprio Jesus e dos autores canônicos, os primeiros escritos da época patrística trazem textos sobre o assunto de alguns pais da Igreja, como Orígenes (“De principiis”), Gregório de Nissa e outros. Assim foi e prosseguiu pelo período da escolástica (com Erasmo) e da Reforma (com Lutero e Zuínglio), seguindo por John Wesley, John Bunyan e outros (a série do website Voltemos ao Evangelho sobre “A História do Inferno” fornece uma boa bibliografia sobre o assunto). A conclusão é que sempre houve na Igreja cristã saudável a preocupação de pregar e escrever sobre Satanás, os demônios e o inferno – de Jesus a John Piper e Paul Washer. Basta procurar.

Em nossos dias, livros e relatos de ficção apresentados como verídicos, como as histórias de Rebecca Brown e similares, prestaram um desserviço à Igreja, por dois ângulos: de um lado houve quem cresse em seus contos como se fossem realidade e passasse a viver segundo suas ficções. Do outro, quem percebeu que se tratava de uma farsa passou a ter um preconceito refratário a qualquer coisa do gênero, qualquer livro que toque no assunto, qualquer música que mencione o diabo ou o inferno. O satanismo, uma realidade tão presente e infiltrada nas igrejas, ministérios e outros ambientes cristãos, tornou-se um assunto sobre o qual não se deveria falar. Com isso, saiu perdendo a importância bíblica e histórica de se tratar e de pregar sobre a questão. E quem saiu ganhando? Preciso responder?

Até mesmo na música. O tradicional hino “Castelo Forte”, composto pelo reformador Martinho Lutero,  dedica quase metade de suas linhas ao diabo e os demônios (depois que ele afirmou, veja você: “Não pretendo deixar para o Diabo as melhores melodias!”):

“Castelo forte é nosso Deus,
Amparo e fortaleza:
Com seu poder defende os seus
Na luta e na fraqueza.
Nos tenta Satanás,
Com fúria pertinaz,
Com artimanhas tais
E astúcias tão cruéis,
Que iguais não há na Terra.

A nossa força nada faz:
Estamos, sim, perdidos.
Mas nosso Deus socorro traz
E somos protegidos.
Defende-nos Jesus,
O que venceu na cruz
O Senhor dos altos céus.
E sendo também Deus,
Triunfa na batalha.

Se nos quisessem devorar
Demônios não contados,
Não nos podiam assustar,
Nem somos derrotados.
O grande acusador
Dos servos do Senhor
Já condenado está:
Vencido cairá
Por uma só palavra.

Que Deus a luta vencerá,
Sabemos com certeza,
E nada nos assustará
Com Cristo por defesa.
Se temos de perder
Família, bens, poder,
E, embora a vida vá,
Por nós Jesus está,
E dar-nos-á seu reino.”

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Sata6O inferno existe e é um assunto sério. Bíblico. Jesus falou e pregou sobre ele – e muito. Devemos fazer o mesmo. Satanás e os demônios são um assunto sério. Bíblico. Jesus lidou pessoalmente, expulsou constantemente e falou sobre eles – e muito. Devemos fazer o mesmo. Se for preciso despertar o fascínio sobre o assunto, que assim seja. Pois, no pesar da balança, é melhor pecar pelo excesso do que pela omissão. Pois o que está em jogo aqui são almas humanas. Precisamos saber lidar de forma bíblica e correta com as hostes espirituais da maldade, que tanto dano provocam no seio da Igreja. E isso só vai acontecer se nossos líderes nos ensinarem a fazê-lo biblicamente. Enquanto acreditarem na inverdade que “não se prega falando sobre o inferno, Satanás e os demônios”, estarão na contramão do que fez Jesus, os escritores canônicos, os pais da Igreja, os escolásticos, os reformadores, os expoentes dos grandes despertamentos e importantes pregadores reformados de nossos dias. E, com isso, só quem lucra é o diabo, que pode usar e abusar dos cristãos que não sabem lidar com o mal porque nunca lhes ensinaram a fazer isso de forma sadia.

É ingenuidade acreditar que basta pregar sobre Cristo sem falar nada sobre o diabo e estaremos isentos das artimanhas e dos ataques do maligno. Já ouvi o bom argumento de que para aprender a identificar a nota falsa basta conhecer bem a verdadeira – só que, se a tinta da nota falsa gera prurido e alergia em nossa pele, somente conhecer a verdadeira não vai adiantar muito, depois que já manuseamos a falsificada. A luz espanta as trevas, é verdade, mas me diga um cristão com Jesus no coração que não peca porque aqui e ali se deixou enganar pelas forças do mal. Como vigiaremos se não sabemos como é o inimigo? Como estaremos alertas às “ciladas do diabo” se não temos conhecimento de como ele age, o que faz, como se combate? Muitas tecnologias fajutas de “batalha espiritual” ganham notoriedade em nossos dias justamente porque houve muitos que ensinaram errado enquanto os que poderiam ensinar certo deram as costas ao assunto.

Sata7Pregar sobre Jesus é o centro, o foco e a essência. Mas o que muitos lamentavelmente não enxergam é que pregar mensagens de alerta sobre o inferno, Satanás, o satanismo, as hostes espirituais da maldade – de forma bíblica! – também é fazer exatamente isso: ressaltar a altura da montanha pela profundidade do vale. Mostrar a luz pela contraposição com as trevas. Posicionar o bem a partir de um referencial maligno. Exilar o mal de nossa proclamação do Evangelho é remover o diabo da tentação de Jesus no deserto; é tirar a história do rico e Lázaro da Bíblia; é contar a parábola do semeador pela metade; é amputar os primeiros capítulos do livro de Jó; é rasgar páginas e mais páginas das epístolas; é anular todo o sentido de Apocalipse; é jogar no lixo trechos como Lc 11.14, Mc 7.29, Jo 8.49, Mt 9.33, Mt 17.18, Mc 7.26, Lc 4.33 e muitos outros. Mais importante ainda: é arrancar da história da salvação o relato da Queda. E, sem o que a serpente fez no Éden, por que mesmo precisaríamos da cruz?

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Tenho aprendido muitas coisas sobre Deus com a paternidade. Uma delas são os benefícios proporcionados pelas dificuldades da vida. É muito comum em nosso meio ouvirmos dos irmãos que, se estão passando “pela prova”, é porque Deus está descontente, castigando por algum pecado cometido ou algo assim. Uma das correntes mais fortes é a que atribui as dificuldades ao diabo. “O inimigo está furioso”, “o diabo se levantou contra minha vida”, “estou na luta contra os demônios”, “o devorador não está me dando descanso”… são muitas variações do mesmo tema. Mas, quanto mais eu vivo, menos acredito que as dificuldades da vida são fruto do ódio de Satanás e cada vez mais me convenço de que são fruto do amor de Deus.

Minha filha completa dois anos esta semana. A cada dia que passa vejo o quanto facilitar as coisas para ela a prejudica. Um exemplo que considero clássico, e que vou usar aqui para exemplificar minha reflexão, é quando ela deixa escapulir algum brinquedo para baixo da mesa de nossa sala – o que é algo muito frequente, pois a mesa fica ao lado da área onde mais brinca. É difícil resgatar o brinquedo, pois a mesa acaba formando um labirinto de pernas de cadeiras e as laterais são limitadas por uma parede. É realmente complicado pegar algo que caia ali embaixo. Por isso, no início a tendência imediata dela era me olhar com aquela cara de gato de botas do Shrek e, sem se mexer, pedir com voz melosa: “Pa-paaaai…”, já esperando que eu me levantasse, tirasse todas as barreiras da frente, pegasse o brinquedinho e desse de bandeja na mãozinha dela.

Confesso: no princípio minha ignorância me levava a fazer exatamente isso. Mas, lendo livros especializados e observando, comecei a notar que ela tornava-se cada dia mais dependente de mim em montes de coisas e, sempre que podia, em vez de se esforçar soltava aquele “pa-paaaai…”, tentando me comover para conseguir o que queria sem muito esforço. Foi quando percebi que ajudá-la não a estava ajudando. E muito menos a preparando para a vida. Pois a vida não nos dá as coisas de mão beijada. Mudei então de estratégia. Em vez de levantar e sempre tratar minha filha como uma bonequinha de cristal, tentando protegê-la das próprias gotas de suor, passei a incentivá-la. Frases de encorajamento como “vai lá, filha, eu sei que você consegue”, “tenho certeza de que você é capaz de pegar sozinha” e outras similares passaram a ser a tônica.

E a dificuldade passou a fazê-la crescer como pessoa. Comecei a reparar que aquela bebezinha que estava se tornando uma pequena preguiçosa agora punha os neurônios para funcionar, por vezes engatinhando pelas cadeiras e descobrindo itinerários e formas de chegar onde queria, por vezes arrastando as cadeiras do lugar para abrir caminho, em outras vezes dando a volta na mesa para se aproximar pelo outro lado. Sua mudança foi incrível – como consequência da mudança na forma como papai lidava com ela. De repente parece que  deslanchou como pessoa. Tornou-se mais confiante e independente. Passou a ter mais proatividade e a solucionar suas dificuldades sem ficar dependendo dos outros. Vi que até seu relacionamento com as pessoas mudou para melhor: a timidez diminuiu, parou de agarrar-se tanto ao meu pescoço quando chegava perto de um estranho, tornou-se mais sociável e até mais generosa. Parou de pensar tanto em si e começou a compartilhar mais as suas coisas com os outros, de seus brinquedos a sua comida. Em resumo, começou a se formar diante de meus olhos um ser humano que merece muito mais a minha admiração do que quem ela estava a caminho de se tornar caso eu ficasse facilitando demais a sua vida.

Quando via que ela empacava, eu procurava levá-la a achar soluções sem oferecer respostas prontas. Em vez de dizer “vá por ali” eu perguntava “será que não tem um caminho melhor?”. E deixava que ela raciocinasse e encontrasse seus próprios caminhos. E, lógico, se em algum momento ela ficava presa ou algo assim, de um salto eu a tomava nos braços e a confortava. Conversava com ela, tentava perguntar se ela sabia por que razão tinha se metido naquela situação e tentava mostrar outras possibilidades. Nunca de mão beijada. Sempre conduzindo-a e encorajando-a para, por méritos próprios, ela obter êxito, ganhar confiança, crescer, amadurecer. Encorajamento e elogios todas as vezes, com muita ênfase e festa.

Naturalmente eu fico sempre de olho.  Sempre zelei por sua segurança, não deixava que pegasse em facas ou chegasse perto do fogo aceso. Mas passei a procurar torná-la participante das atividades, a desafiando a encontrar as soluções que eu já conheço e poderia dar mastigado a ela. E sempre – sempre – respeitando o fato de que ela não sou eu e que tem que seguir por seus próprios passos e não necessariamente pelos que eu creio serem os melhores. Notei que às vezes eu dizia “e se você der a volta, filha?” e ela parava, pensava e tomava outro caminho para chegar aonde queria. Claro que ainda é uma criança. Mas se eu continuar a tratá-la como criança para sempre é uma criança que ela sempre será.

Com um ano e meio de vida, eu já não lavava mais as suas mãos. Comprei um banquinho e a ensinei a subir, enxaguar, ensaboar, secar, descer, dobrar o banco e o guardar no lugar. Faço meu café a quatro mãos, pois é ela quem apertava todos os botões da máquina – extremamente sorridente por ter ajudado a fazer o café do papai com seus próprios talentos e suas ações. Ela não faz ideia do que seja medo do escuro, entra e sai de lugares com a luz apagada com a maior tranquilidade, tateando paredes e móveis para cumprir sua meta, pois desenvolveu segurança suficiente para isso.

Da primeira vez que me pediu um suco eu, em vez de lhe entregar o copo pronto, a sentei ao meu lado e mostrei como se espreme uma laranja (na mão, sem ser no espremedor elétrico). E ela adorou! Como, aliás, adora descobrir que é capaz de realizar as coisas. Superar as dificuldades tornou-se, literalmente, um prazer para ela, uma aventura. Se sobe em algum lugar alto e depois não consegue descer, eu pergunto “e agora?” e ela fica pensando por um longo tempo, arrisca algumas tentativas, vira de costas, estica a perna e… consegue. Fico ali, ao lado, as mãos a um palmo dela para que não caia, mas só lhe dou segurança, procuro ao máximo não interferir. Caso contrário ela vai crescer pensando que o papai vai estar sempre ali pra resolver tudo. E, em vez de ajudar, eu estaria estragando a futura adulta que um dia ela se tornará.

Não sou um daqueles pais corujas que acham seus filhos perfeitos. Não: meus pés estão no chão, conheço as falhas de minha filha e sei que ela não é nenhuma criança prodígio, é normal como qualquer outra. Mas consigo enxergar sua evolução como pessoa. Noto que hoje ela não se deixa abater com facilidade ante os becos sem saída, não tem nenhuma preguiça (eu sou muito mais preguiçoso do que ela) e é capaz de, com confiança em si e uma segurança sólida, realizar as tarefas mais complicadas para alguém da sua idade – com intensa vontade de não desistir na primeira ou na segunda dificuldades. Nem sempre ela consegue – e nem eu espero isso. Mas o que me alegra é que ela sempre tenta, tem iniciativa e corre atrás. Não senta no chão e chora. Dá o seu melhor. E, quando consegue… seus olhos brilham e o sorriso de felicidade contagia. Naturalmente, sou o primeiro a ser contagiado.

Ela também é muito edificada pelo “não”. Quando quer que papai compre uma guloseima, um brinquedo ou qualquer outra coisa, na maioria das vezes sou obrigado a me recusar. “Desculpe, filhinha, papai está sem dinheiro”. Ela fica triste, por vezes insiste ou até chora, mas sou obrigado a manter o meu “não”. Isso tem mostrado a ela que a vida muitas e muitas vezes não nos dará o que queremos. É simples assim e temos de nos conformar com os dissabores que virão pela frente.

Hoje, quando ela fala “pa-paaaai…” não é mais para pedir facilidades. É sempre para pedir um abraço, um beijo, uma demonstração de afeto. Pois em seu curto tempo sobre a terra já descobriu que um pai não é uma mina de bênçãos, mas alguém que mostra caminhos, está presente nas emergências e, acima de tudo, é uma fonte inesgotável de amor. Aliás, deixe-me consertar: nem sempre é para pedir um abraço, um beijo, uma demonstração de afeto. Muitas vezes, é para oferecer um abraço, um beijo, uma demonstração de afeto. Pois ela já aprendeu que um pai que orienta, ampara e está sempre junto nas dificuldades – em vez de fazer as coisas por ela – toma essa atitude por amor. E ela se sente amada em toda e qualquer dificuldade.

Mais do que nunca, hoje acredito que o mesmo se dá com o Pai celestial.

Quando olho para as dificuldades da vida tenho a nítida sensação de que Deus faz o mesmo conosco. Ele não nos dá as coisas de bandeja. Permite que cadeiras e pianos fiquem no caminho e pergunta “e agora? Como você vai resolver isso?”. Pois creio que o Senhor quer que cresçamos, amadureçamos, nos solidifiquemos. Moleza não nos ajuda em nada. Tenho primos cujos pais eram os mais ricos da família, foram mimados a vida inteira e ouvi mais de uma vez meus tios dizerem que “queriam dar a eles aquilo que eles próprios não tiveram”. Hoje meus tios não estão mais entre nós. E de todos os primos da familia logo esses são os mais desajustados, sem rumo na vida, perdidos. Pois não passaram pela escola da dificuldade.

Não, não creio que o diabo nos infernize tanto quanto imaginamos. Pois ele não é bobo e sabe como as dificuldades nos fazem crescer e nos aproximam de Deus. O que é tudo o que Satanás não quer. O objetivo do diabo é que nossas almas vão para o inferno e não que nosso carro quebre ou percamos o emprego. Acredito muito mais que o inimigo quer nos dar boa vida aqui para perecermos mais adiante do que criar mil dificuldades que nos façam crescer. Simplesmente não faz sentido. Se tudo está calmo demais nos meus dias… começo a desconfiar. Quando Satanás fustigou Jó foi para que blasfemasse contra Deus e não porque queria sadicamente ver aquele homem sofrer. Satanás, acredite, não é tão raso assim. Ele pensa grande, pensa lá na frente e age sempre preocupado com a eternidade. Deus também.

Deus permite que no mundo tenhamos aflições. Mas ele está sempre ao nosso lado, para nos dizer “mas tende bom ânimo…”. Deus permite a dor e o sofrimento, mas está com as mãos sempre a um palmo de nós, para nos dizer “a minha graça te basta”. Deus permite que passemos por situações em que nos sentimos perdidos num labirinto, sem saber para onde ir ou o que fazer, mas Ele está conosco todos os dias, até a consumação do século, para nos dizer “entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele…”. Deus permite grandes apertos, para que nos tornemos cristãos maduros na fé o suficiente a ponto de dizer  “Nu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei; o Senhor o deu e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor!”

O título deste post é “Superando as dificuldades da vida”. Mas, pensando bem… não tenho muita certeza se superá-las é o que Deus deseja de nós. Creio que aprender com elas seja algo muito mais produtivo para a eternidade.

As dificuldades da vida não são prova de que Deus nos abandonou. As dificuldades da vida não são prova de que Deus é mau. As dificuldades da vida não são prova de que Deus abriu mão de sua soberania. As dificuldades da vida não são prova de que Deus não existe. As dificuldades da vida não são prova de que Deus quer nos castigar.

Por tudo o que já vivi como pai, hoje creio firmemente que as dificuldades da vida são, isso sim, uma das maiores provas do amor de Deus por nós.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Existe um problema extremamente sério quando falamos sobre pecado/perdão: é muito comum encontrarmos pessoas que foram perdoadas por Deus mas que não conseguem perdoar a si mesmas. Junte-se a isso recaídas no mesmo pecado e uma Igreja que em sua grande maioria infelizmente ainda não aprendeu a perdoar… e o resultado final é devastador: irmãos e irmãs em Cristo achatados pela própria pecaminosidade, que se veem como indivíduos menores, indignos da graça de Deus, sem possibilidade de perdão. E, quando isso ocorre, o peso da própria natureza pecadora torna-se tão esmagador e a percepção equivocada de um Pai que fechou as comportas da graça tão presente que muitos acabam abandonando a fé e se afastando de Jesus por se julgarem incapazes de viver o Evangelho. Se é o seu caso, leia com muita atenção: você está enganado. Graças a Deus, literalmente.

O que me motivou a abordar esse assunto foram dois comentários postados no APENAS que me deixaram com o coração apertado. Os reproduzo abaixo. O primeiro é de um irmão:

“Partindo da analogia, estou completamente infectado. O sistema ainda consegue operar, mas estou sentindo-o a beira de uma pane completa. Ainda consigo ler seus escritos e de outros poucos sites sérios, mas de fato, a contaminação é tamanha que não consigo colocar em prática os conselhos, admoestações, alertas que posso considerar, sem medo de errar, inspirados por Deus. Já estou tão machucado de cair de abismo em abismo, que não me sinto seguro com ninguém, visto que deixei a igreja e mesmo o convívio com alguns irmãos mais chegados eu abandonei. Seu texto me ajudou a enxergar uma necessidade imensa da qual eu já havia esquecido, a de chamar pelo Pai e sobretudo acreditar. Mas me sinto tão sujo e amaldiçoado, envergonhado que nem sei se se consigo acreditar que ele venha. A dúvida já tomou a minha mente há algum tempo: será que Ele desistiu de mim?”

O segundo desabafo veio de uma irmã:

“Mauricio, não tenho conseguido aceitar essa graça. Eu tenho caído sempre. Não me lembro de um compromisso ou voto que fiz ao Senhor que tenha cumprido. Toda vez eu me coloco diante da presença do Senhor e me arrependo, choro, sinto o perdão Dele. Mas basta passar alguns dias para eu cair e deixar de orar ler como antes. Então hoje eu me sinto cansada. Cansada de sempre me arrepender e depois começar tudo novamente. Não consigo me manter firme, apesar dos cargos na igreja, apesar do respeito dos irmãos pela minha conduta. Que na verdade diante de Deus não é a mesma coisa. A minha vida tem sido dividida em duas, entre a minha conduta cristã na igreja e entre os familiares e finalmente a realidade diante de Deus, que não passa de uma pessoa inconstante em seus caminhos.”

Assim como esses irmãos, muitos e muitos estão tão feridos pelas próprias falhas que perderam as forças. Mais do que eu responder a isso, preciso mostrar o que a Palavra de Deus fala a esse respeito. O salmo 103 dá muitas informações:

“É ele que perdoa todos os seus pecados e cura todas as suas doenças, que resgata a sua vida da sepultura e o coroa de bondade e compaixão, que enche de bens a sua existência, de modo que a sua juventude se renova como a águia. O Senhor é compassivo e misericordioso, mui paciente e cheio de amor. Não acusa sem cessar nem fica ressentido para sempre; não nos trata conforme os nossos pecados nem nos retribui conforme as nossas iniquidades. Pois como os céus se elevam acima da terra, assim é grande o seu amor para com os que o temem; e como o Oriente está longe do Ocidente, assim ele afasta para longe de nós as nossas transgressões. Como um pai tem compaixão de seus filhos, assim o Senhor tem compaixão dos que o temem; pois ele sabe do que somos formados; lembra-se de que somos pó” (Salmos 103.3-5; 8-14)

Vemos, assim, que:

1. Deus perdoa TODOS os pecados (exceto a blasfêmia contra o Espírito Santo);
2. Deus nos coroa com bondade e compaixão. E compaixão significa agir conosco como não merecemos;
3. Deus é paciente, ao contrário do homem Ele não perde a paciência: se nos manda perdoar 70X7, imagine o quanto Ele não nos perdoa;
4. Deus é cheio de amor. E a maior expressão de seu amor é a graça que salva (Jo 3.16);
5. Deus não é acusador. Isso é papel do diabo (Ap 12.10);
6. Deus não nos trata conforme nossos pecados, mas segundo a Cruz de Cristo;
7. Deus não é vingativo, Ele não retribui conforme nossos pecados, mas segundo Sua graça;
8. Deus nos perdoa a tal ponto de nossos pecados que os afasta de nós, metaforicamente, como o Oriente do Ocidente. Creia: é muita distância;
9. Deus conhece seus filhos e entende a nossa natureza. Embora odeie o pecado, compreende o poder que ele tem sobre nós. Por isso perdoa constantemente, vez após vez. Ele não se conforma com nossos pecados, mas nunca, jamais, se cansa de exercer sua misericórdia e graça.

Diante desses pontos, responda você: Deus desiste de alguém?

O próprio Jesus responde isso, em João 6.37: “Todo o que o Pai me der virá a mim, e quem vier a mim eu jamais rejeitarei”. Não, Jesus não rejeita aqueles que vão a Ele pela graça. Isso significa que Ele não desiste de nenhum dos seus. E você, meu irmão, se acha que o Cordeiro de Deus que veio justamente para tirar os pecados do mundo desistiu de você por causa dos seus pecados… saiba que essa não é uma verdade. Pense melhor sobre isso. Mas não pense com base na atitude impiedosa de muitos irmãos, que tratam o pecador como lixo. Pense com base na Palavra de Deus, que trata o pecador sempre com o intuito de botá-lo de pé, com perdão e reconciliação, e nunca visando à segregação e ao isolamento. Quem pisa no ferido é o homem: Jesus nunca faz isso. Nunca.

O propósito de Jesus ter vindo à terra é exatamente reconciliar a humanidade caída com o Todo-Poderoso. “Eu lhes digo que, da mesma forma, haverá mais alegria  no céu por um pecador que se arrepende do que por  noventa e nove justos que não precisam arrepender-se”, disse Jesus em Lucas 15.7. Isso soa a você como vindo de alguém que está disposto a reter a sua graça e a estabelecer limites para seu perdão?

Isso é o básico. Agora gostaria de tratar pontualmente algumas questões contidas no desabafo do irmão citado acima:

1. “A contaminação é tamanha que não consigo colocar em prática os conselhos, admoestações, alertas”- a contaminação cessa quando há arrependimento sincero e confissão de pecados. Provérbios 28.13 deixa claro:  “O que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia”.  O caminho para se “descontaminar” é o arrependimento seguido de confissão, com o firme propósito de não mais cometer aquele pecado. Um exemplo claro são as palavras de Davi no salmo 51, escrito após seu adultério seguido de assassinato. Repare que ele se derrama em arrependimento e confissão sinceros e na parte final do que transcrevo aqui ele demonstra saber que a “descontaminação” vem e o deixa “mais branco do que a neve”:

“Tem misericórdia de mim, ó Deus, por teu amor; por tua grande compaixão apaga as minhas transgressões. Lava-me de toda a minha culpa e purifica-me do meu pecado. Pois eu mesmo reconheço as minhas transgressões, e o meu pecado sempre me persegue. Contra ti, só contra ti, pequei e fiz o que tu reprovas, de modo que justa é a tua sentença e tens razão em condenar-me. Sei que sou pecador desde que nasci, sim, desde que me concebeu minha mãe. Sei que desejas a verdade no íntimo; e no coração me ensinas a sabedoria. Purifica-me com hissopo, e ficarei puro; lava-me, e mais branco do que a neve serei”. 

2. “Já estou tão machucado de cair de abismo em abismo…” – esse é um grande problema. A sucessão de pecados mina as forças. Mas Paulo nos diz, ao falar sobre o famoso espinho na carne, em 2 Coríntios 12: “Mas ele [Deus] me disse: ‘Minha graça é suficiente para você, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza’. Portanto, eu me gloriarei ainda mais alegremente em minhas fraquezas, para que o poder de Cristo repouse em mim.  Por isso, por amor de Cristo, regozijo-me nas fraquezas, nos insultos, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias. Pois, quando sou fraco é que sou forte”. Paulo deixa claro que nosso momento de maior fraqueza é a maior oportunidade que temos para nos abrirmos para Deus, confessarmos a Ele nossa incapacidade humana e rogarmos para que ele assuma as rédeas de nossa vida. Nossos momentos de queda nos mostram o quanto não somos nada e o Senhor é tudo.

Assim, buscamos nele a força que não temos. Somos machucados por nós mesmos, minamos nossas próprias forças, mas o bálsamo celestial está sempre pronto para ser derramado em nossas feridas. É promessa de Cristo: “Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso”. (Mateus 11.28). Há descanso em Cristo. Há cura. Há restauração. Há novas possibilidades. O abismo nunca é o ponto final: é a vírgula antes de se chegar aos pastos verdejantes.

3. “Deixei a igreja e mesmo o convívio com alguns irmãos mais chegados eu abandonei” – esse é um dos grandes erros que podemos cometer. Embora a maior parte das igrejas esteja cheia de pessoas que não sabem perdoar e de irmãos que tratam quem peca como leprosos em vez de fazer o que Jesus ensinou – estar perto, ajudar na restauração, amar, doar-se pelo outro – ainda assim é ali que podemos ouvir a boa Palavra, onde celebraremos a Ceia, onde poderemos ser úteis ao próximo. “Não deixemos de reunir-nos como igreja, segundo o costume de alguns, mas encorajemo-nos uns aos outros, ainda mais quando vocês vêem que se aproxima o Dia” (Hb 10.25). Nunca podemos permitir que o pecado nos afaste da família de fé. Só quem quer isso é o diabo.

4. “Mas me sinto tão sujo e amaldiçoado, envergonhado que nem sei se se consigo acreditar que ele [o Pai] venha” – o cristão que peca precisa ter consciência de que, se ele verdadeiramente se arrepende de seu pecado por mérito da cruz, “agora já não há condenação para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8.1). Aqui cabe a leitura de todo o capítulo 15 do evangelho segundo Lucas, onde Jesus conta três parábolas sobre o mesmo tema: a da ovelha perdida, a da dracma perdida e a do filho pródigo. Todas versam sobre a alegria do Pai em reencontrar aquele único filho que se havia desgarrado.

Não existe sujeira ou maldição para quem se sente envergonhado pelo que fez, disposto a mudar de atitude, pois essa vergonha demonstra que há arrependimento. E, se há arrependimento, tudo o que o Pai espera é que o filho volte para casa, onde será recebido com um abraço e lágrimas de alegria, uma roupa nova, um anel no dedo e um grande banquete celestial. “Há alegria na presença dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende” (Lc 15.10).

5. “Será que Ele desistiu de mim?” – Não. Deus não desiste de nenhum dos seus, por mais que eles estejam comendo a comida dos porcos. Cabe novamente frisar João 6.37: “Todo o que o Pai me der virá a mim, e quem vier a mim eu jamais rejeitarei”.

No caso do depoimento tão sincero e dolorido da irmã, a vemos enfrentar aquilo que todos nós enfrentamos: os “pecados de cabeceira”, aqueles que são os mais difíceis de evitarmos. Os que mais nos seduzem, que mais nos arrastam de novo e de novo para longe de Deus. Nesse caso, além das disciplinas espirituais (oração, leitura das Escrituras e jejum, entre outras), é importante ter um confessor. Essa precisa ser uma pessoa de confiança, muito bem escolhida, alguém que vai te amparar, te ouvir, orar com você, te aconselhar, estar perto nos momentos de tentação. Alguém que vai segurar sua mão e se recusará a largá-la enquanto você não estiver totalmente de pé pelos pecados que te derrubaram e pronto para enfrentar os que estão pela frente.

Evite buscar como confessores os indiscretos, os inconstantes ou os néscios. Busque irmãos ou irmãs sólidos e corretos, pessoas que serão colunas ao seu lado, que vão fortalecê-lo e ajudá-lo a estar firme. Se você encontrar alguém assim (pode ser seu pastor ou um(a) amigo(a) espiritualmente maduro), terá ao seu lado uma  bênção enviada pelos céus para ajudá-lo a se manter longe dos pecados.

A caminhada cristã não é fácil, meu irmão, minha irmã. O pecado nos espreita dentro de nós. O diabo está ao derredor buscando quem possa tragar. E a união da nossa própria natureza pecaminosa com as forças espirituais da maldade são nitroglicerina, prestes a explodir a qualquer momento. Mas nossos olhos devem estar além, na cruz, na graça, no perdão ilimitado de Deus. Se você está mal por enfrentar pecados dos quais não consegue se livrar, busque ajuda. Primeiro e antes de tudo, no Senhor. Segundo, em irmãos sólidos na fé, que vão te aconselhar, amparar e caminhar com você. Tentar lutar suas lutas sozinho por vezes é muito difícil e, sem Deus e o amparo da Igreja piedosa, temos tudo para falhar e cair.

Oro por cada irmão e irmã que está em guerra contra os próprios pecados. Que consigam encontrar em Cristo e em confessores e mentores abnegados a força que lhes falta. Que consigam vencer a si mesmos. Que entendam que a Deus não interessa nos abandonar – Deus não é como os homens e nunca vê nos pecadores casos perdidos, mas indivíduos que têm tudo para serem bem-sucedidos. Oro para que compreendam a dinâmica de arrependimento-confissão-abandono de pecados-perdão-restauração. E que, em vez de entregarem os pontos por se sentirem amaldiçoados e incapazes, encontrem na graça de Deus a paz que Ele está sempre pronto a dar.

Deus te perdoa, meu irmão, minha irmã. Ele não é um carrasco, mas um Pai bondoso e amoroso. Deus não age impiedosamente como os homens, Deus é piedoso e age com misericórdia – e temos de enxergá-lo como tal. Siga em frente, de cabeça erguida. E desfrute do amor daquele que te fez filho não para desistir de você, mas para caminhar contigo todos os dias, bons e maus, até a consumação do século.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Quero começar este texto pedindo perdão. Pois estou tão transtornado com o que li em dois comentários deixados no mesmo dia aqui no APENAS que posso soar um pouco rude – embora esteja lutando contra minha natureza humana para ser manso nas minhas palavras. Há duas coisas que me tiram do sério, confesso: injustiças e pessoas que impõem jugos sobre o próximo que Deus não impõe – gente que julga irmãs por usar calça ou saia, que não perdoa quem Deus perdoou, que diz que se alguém não foi curado de uma doença foi por falta de fé… ou que acusa outros de estarem possessos por demônios. Isso mesmo. Fiquei horrorizado ao ler dois comentários sobre pessoas que tiveram de ouvir que estavam possuídas por demônios. A falta de amor e a ignorância de quem fez esse tipo de afirmação mostram o estado de analfabetismo bíblico e de ausência de discernimento em que se encontra grande parte da Igreja de nossos dias. Quero falar sobre isso, correndo o risco de irritar alguns e de provocar polêmica. Mas vale a pena o risco, em nome da verdade bíblica e do amor cristão.

Reproduzo aqui sem alterar uma vírgula o que o primeiro irmão escreveu. Note a agonia contida em suas palavras, causada pelo que ele ouviu (a bem da verdade, um esclarecimento: eu não sou pastor):

“olá amado Pastor, só fugindo um pouco do tema que o senhor postou, eu queria te fazer uma pergunta . Hoje eu fui numa loja evangélica atrás de um livro que falasse de doenças depressivas, ou mentais, não sei se é a mesma coisa, então o vendedor me indicou o senhor me garantindo que o senhor é muito bom e confiável, é que eu tenho uma irmã que é esquizofrênica, e muitas pessoas dizem que é possessão demoníaca, e as vezes isso deixa ela muito triste, ela é uma pessoa totalmente normal, mas a base de remédios, se ela não tomar ela entra em crise, queria saber sua opinião sobre isso. Esquizofrenia é possessão ou não, é muito importante pra mim.”

Já vai longe o tempo em que se desconheciam transtornos mentais como a esquizofrenia. Hoje a psiquiatria entende bem essa e outras moléstias de origem cerebral, como síndrome do pânico, fibromialgia, EPT, TOC, depressão clínica e por aí vai. Embora em alguns casos não se saiba ainda a causa ou o mecanismo exato de funcionamento de tais distúrbios, a medicina humana que Deus nos deu por sua graça comum permite diagnosticar e tratar com uma considerável taxa de sucesso a maioria dessas patologias. No caso específico da esquizofrenia, estima-se que 1% da população mundial sofra desse mal.

Creio na existência de demônios. Creio em possessão demoníaca. Já vi pessoas endemoninhadas e, pelo nome de Cristo e seu amor, eu mesmo já expulsei demônios. Mas não é por isso que vou ignorar as descobertas da ciência e dizer que tudo é possessão. Essa é a resposta mais fácil, rápida e ignorante que há. Sempre desconfio. Recentemente preguei em certo lugar e, ao final do culto, um irmão me procurou. Saímos para beber alguma coisa e ele me contou estar com pensamentos de morte e um sentimento de opressão. Não tive nenhuma prova de que era algo de origem espiritual. Então oramos e recomendei a ele que buscasse seu pastor para avaliar essa possibilidade e que em paralelo fosse a um psiquiatra para fazer uma avaliação. Sendo uma ou outra causa, ele estaria coberto e bem amparado.

Meu pensamento e minha experiência me levam a uma prática simples: oremos. Se for um mal de causa espiritual, revelará sua presença e agiremos como Jesus agiu: “Cala-te e sai”. Sem shows. Sem espetáculos. Sem alto-falantes. Sem berrarias. Sem câmeras de televisão. Sem expor ao vitupério público ou traumatizar ainda mais aquela pobre alma aprisionada, que tem de ser amada e cuidada. Prestamos tanta atenção ao demônio que nos esquecemos do ser humano que está sofrendo sob sua influência. Antes de pensarmos em poder temos de pensar em amor. Tendo isso na mente e no coração, expulsar aquela imundície da vida da pessoa ocorre naturalmente. Sem dar chance de falar muito: “Cala-te”. E sai. Pronto. E, depois, é fundamental iniciar um discipulado com aquela vida. O exorcismo não é a última etapa, é a primeira. Pois mais do que ser liberto de demônios, importa caminhar com Cristo. Expulsar e largar pra lá não adianta nada.

Se na oração e em um eventual acompanhamento não houver nenhum indício de influência espiritual (seja opressão ou possessão), costumo recomendar à pessoa que procure um bom psiquiatra, para que faça um diagnóstico e inicie um tratamento. Já vi mais de uma dezena de “possessos” terem seus “demônios” expulsos por comprimidos e pílulas.

Lembro quando, alguns anos atrás, comecei a sentir tonteiras diárias. Após exames como ressonância, tomografia e eletroencefalograma, o neurologista diagnosticou um tipo leve de epilepsia, que causa tonturas e dores de cabeça. O tratamento: três anos tomando carbamazepina. Nessa época ouvi de um cristão que “não existe epilepsia, todo caso de epilepsia é na verdade possessão”. Pois bem, depois dos três anos recebi alta e nunca mais senti nenhum dos sintomas: os neurotransmissores descompassados do meu cérebro estavam equilibrados e tudo ficou bem. Se fosse acreditar no que aquela pessoa disse, teria de admitir que a carbamazepina tem o mesmo poder que o nome de Jesus para expulsar demônios. Que tal?

O segundo relato veio de um jovem que estava, em suas próprias palavras, “numa aflição enorme, com dores no peito, deprimido e coisas do gênero”. A razão? Mostrou para os pais um texto que escrevi sobre batalha espiritual (leia AQUI) e teve de ouvir deles que o que falei “é coisa do diabo” e que por isso ele “precisava de libertação”. Segundo esse irmão, “meu pai me disse duas vezes que eu estava com o diabo no corpo de pensar isso que você diz no texto”. Compreensivelmente assustado, o jovem concordou em ir a um “culto de libertação”. Lá, segundo contou, na hora em que foram orar por ele o intercessor “chamou o inferno inteiro e repetia várias vezes: Eu sei que você está aí dentro desse rapaz, sai daí agora em nome de Jesus!! Nessa hora eu pensei: estou sendo liberto ou carregado com coisas ruins espiritualmente?”. E desde aquele dia esse jovem, que estava bem, passou a se sentir mal, aflito, confuso, com dores e depressão.

Não preciso dizer o quanto me entristece, choca e abate ler relatos como esse. Você consegue sentir na sua pele a dor de um filho que ouve dos próprios pais que “tem o diabo no corpo”? Que jugo terrível foi posto sobre um jovem cristão simplesmente por ter uma visão teológica diferente da de outros irmãos. Por preferir crer na Bíblia em vez de nas doutrinas de demônios ensinadas por esses grupos de batalha espiritual que baseiam seus ensinos apócrifos em “revelações” de supostos ex-satanistas ou de demônios, feitas em sessões de exorcismo. Como se demônios fossem revelar as verdades do inferno, esses mentirosos. E os irmãos seduzidos por essas histórias deixam a Bíblia sagrada de lado e preferem acreditar em “guerreiros da luz” e “divinas revelações do inferno” – enormes absurdos do ponto de vista bíblico. Onde está a sã doutrina? Onde está o amor pelo próximo? Como crer que poder de Deus se manifesta independentemente do amor de Deus? Desculpem, estou realmente muito triste e abalado por essas histórias.

O que mais incomoda nesses relatos é que pessoas desinformadas, patologicamente místicas ou seguidoras desses grupos irresponsáveis de batalha espiritual acabam jogando legiões de demônios nas costas de pessoas normais ou de vítimas de doenças bioquímicas – demônios que simplesmente não estão lá. Fazem pessoas espiritualmente saudáveis crer que são possessas. Você consegue ter ideia do que sente alguém que ouve isso a seu respeito? Da sensação de desamparo, culpa e uma lista enorme de emoções negativas? Afirmações irresponsáveis como essas podem piorar o estado de saúde dos doentes, sem falar que, enquanto dez “obreiros” ficam berrando no ouvido do pobre coitado e sacudindo sua cabeça tentando expulsar um suposto demônio que não está lá, ele está deixando de ser tratado adequadamente. E sendo severamente traumatizado.

Quando falamos dos dons do Espírito mencionados em 1 Coríntios 12, muitos ficam salivando para profetizar, sobem o monte e fazem correntes e campanhas para receber dons de curar e por aí vai. Mas pouquíssimos pedem a Deus discernimento de espíritos. E, ao meu ver, é um dos dons mais necessários e mais ausentes da Igreja em nossos dias. Falta discernimento. Pior: falta bom senso.

Perdoe-me o tom chateado, por favor. Mas me ponho no lugar da irmã desse querido que escreveu o comentário acima e do jovem acusado de ter o diabo no corpo e a dor que sinto por eles é muito grande. Vitimada por uma enfermidade psiquiátrica e ainda por cima acusada de possessão demoníaca. Chamado de endemoninhado pelos próprios pais. Que jugo enorme! É muita falta de amor dizer uma coisa dessas para alguém. Mesmo que fosse o caso, não se deveria falar nada, mas orar e deixar o nome de Jesus fazer o resto, sem penalizar aquela alma mais ainda. São seres humanos, por Deus! Onde estão nossa compaixão e nossa graça!?

Vivamos com olhos espirituais abertos sim. O mundo espiritual existe, todos sabemos que nossa luta não é contra carne e sangue, que Jesus expulsou demônios e Satanás vive em derredor buscando quem possa tragar. Creio em tudo isso. Mas não podemos jamais deixar de lado a razão ou o coração. A ciência e a compaixão. As descobertas da medicina e as misericórdias com os que sofrem. Senão daqui a pouco estaremos novamente torturando epiléticos, afogando quem discorda de nossas crenças teológicas e queimando pessoas com síndrome de Down na fogueira achando que são bruxos e feiticeiros. Ou, quem sabe, duendes e fadas.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Para você que acredita ou professa a Teologia da Prosperidade, este post será esclarecedor, pois aqui vou explicar como surgiu essa filosofia, articulada habilmente pelas forças do mal para escravizar cristãos sérios com argumentos que, de tão bem engendrados, parecem fazer sentido bíblico. Mas que na verdade não passam de doutrina de demônios – e eu provo. Se você não gosta de ler textos mais longos, sugiro que segure um pouquinho e vá até o final deste. Tome posse do que está lendo, decrete a vitória, declare em nome de Jesus que “conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará” e vá adiante. É o destino de tua alma que está em jogo. Então penso que vale a pena. Vem comigo ao longo dos próximos parágrafos e vamos falar um pouco sobre Teologia da Prosperidade.

Tem havido muito ti-ti-ti ultimamente sobre a herética, antibíblica e demoníaca Teologia da Prosperidade. Não por ela ser herética, antibíblica e demoníaca, como sempre foi e sempre continuará sendo. Não também por ela ser alguma novidade: desde os anos 1970 algumas denominações neopentecostais abraçaram esse monte de mentiras “bíblicas” e enriqueceram às custas de pessoas desesperadas, dispostas a dar o que não têm a igrejas e falsos pastores para que Deus supostamente as abençoe. Foi assim com muitas denominações que, enganando seus membros com essa doutrina de demônios, encheram o bolso de dinheiro, compraram canais de TV e estações de rádio, viraram impérios empresariais mundanos cuja única finalidade é o lucro. Seus líderes são tão despreparados biblicamente que alguns defendem o aborto e a masturbação e acusam irmãos em Cristo de estarem possessos. Tá me entendendo, sim ou não?

Mas nada disso é novidade. Programas seculares de TV nos anos 80 já denunciavam as práticas dessas “igrejas”. Só que um fato inesperado trouxe de novo essa teologia vinda do mais profundo do inferno novamente à boca dos cristãos. Aliás, dada a sua origem em religiões satânicas (mais à frente eu conto como surgiu essa “teologia”) tenho certa dificuldade de chamá-la de Teo (Deus) Logia (Estudo), costumo denominar mais de “demonologia” da prosperidade.

De certo modo  nós, que acreditamos professar o Cristianismo bíblico, já olhávamos para esses neopentecostais com um olhar meio “ah, eles são assim mesmo, deixe-os pra lá enganando o povo, vamos tocar aqui a nossa espiritualidade e largar esse turma, depois Deus acertará as contas com eles”. Ocorre que um fato estarrecedor e inesperado trouxe a Demonologia da Prosperidade de volta à luz do dia e das nossas conversas: um telepastor de uma denominação séria, da chamada primeira onda no pentecostalismo brasileiro, a Assembleia de Deus (onde aliás Jesus me converteu, que em sua maioria professa um Cristianismo barulhento mas totalmente bíblico e pela qual tenho um carinho enorme) parou de pregar a verdade e começou a proclamar essa doutrina espúria. E em vez de ficar no seu canto, enganando as ovelhinhas que suicidam-se espiritualmente ao acreditar em suas palavras, lançou-se numa cruzada para promover essa demonologia.

Anos atrás, como comprovam videos do youtube, esse senhor biblicamente desqualificava essa doutrina. Metia o sarrafo nela e a acusava de ser fruto de más intenções. Mas aí os anos foram se passando, sabe-se  lá o quê dentro do coração desse homem foi mudando e aos poucos Mamom foi empurrando Jesus para fora de seu programa de TV, de suas pregações, dos livros que publica… e a coisa foi ficando sombria. Herdou a igreja onde prega e criou uma denominação que está ganhando pelas posturas de seu líder ares de seita.

Quando menos se esperava sua editora lançou uma inacreditável Bíblia que tem como foco a “vitória financeira” – como se Jesus estivesse muito preocupado com esse assunto. Em seguida, importou dos Estados Unidos um pregador da Prosperidade, acusado de estelionato em seu país, mas que chamou de “profeta de Deus”. O cidadão prometeu a satânica “unção dos R$ 900″: quem doasse  esse montante ao dono do programa receberia, ele garantia – avalizado pelo próprio Criador do universo – uma grana do Alto. Consta que com o dinheiro dos que caíram nessa história o apresentador desse programa comprou um jato particular. Já os pobres coitados que deram seu suado dinheirinho para ele até hoje estão olhando para o céu esperando a tal unção descer – e vão continuar esperando até Jesus voltar e explicar a essas inocentes e crédulas almas que Ele não tinha nada a ver com aquilo.

Depois esse telepastor importou outro papa da Demonologia da Prosperidade (dono de uma bela voz, sejamos justos com o homem), que em seu programa de TV novamente lançou uma campanha para arrancar dos inocentes que acreditam no empresário que comanda o show… adivinha? Mais dinheiro. Só o que eu vi foi um pastor americano pedir dinheiro “para a obra do Evangelho”. Em português claro, isso significa dar um montante para a organização do dono daquele programa, o que ele chamou de “a causa de Cristo”. Em troca, o americano garantiu que os que “plantassem essa semente” teriam 12 meses de vida espetacular, que o filho desviado do doador voltaria a Jesus, que cada decisão que o doador tomasse seria vinda direta de Deus e que o doador não tomaria uma decisão errada sequer por 12 meses. Nessa linha.

Durante uma hora inteira não se falou absolutamente nada de vida eterna, de arrependimento de pecados, de discipulado, de crescimento espiritual, de regeneração, de justificação, de ser sal da terra e luz do mundo, da Cruz de Cristo, da ressurreição do Senhor, da glória de Deus, nada, nada, nada edificante. Incrível. Um programa que se apresenta como sendo “evangelístico”. E eu só pensava naqueles que vão tirar do seu suado dinheirinho, mandar para o já abastado dono do programa e… nada disso vai acontecer.

Claro que, como o empresário que comanda o programa sabe que pessoas que pensam e leem a Bíblia criticariam mais essa loucura, voltou a tentar desqualificar os críticos de promessas como essas repetindo seu mantra “criticos nao fazem nada por ninguém”, o que absolutamente não é verdade (leia o post Cristãos críticos que criticam cristãos críticos). Essa frase é um tremendo absurdo. Mesmo se não fosse, olha o contrassenso: o senhor que diz isso vive criticando outras pessoas (inclusive quem o critica). Chamando-as de “trouxa” e outras ofensas, como se pode conferir em vídeos que estão no Youtube. Recentemente criticou um sacerdote para quem quisesse ouvir. Ou seja: ele próprio é o maior dos críticos. A última desse telepastor foi chamar de “idiotas” os que são contra a Demonologia da Prosperidade. “Idiotas e trouxas”. Uau. Que belo exemplo de linguajar cristão.

As origens da Demonologia da Prosperidade

Mas deixe-me te contar como surgiu a Demonologia da Prosperidade. E o que você lerá aqui são fatos. E aqui estão as origens da doutrina que esse líder assembleiano vem pregando e ensinando:

Não sei se você sabe, mas na verdade a Teologia da Prosperidade teria tudo para ser muito mais ligada às religiões não-cristãs do que ao Cristianismo. Simplesmente porque suas raízes estão na Nova Era. Uso como base estudo feito pelo respeitado Pastor Elinaldo Renovato de Lima, da Assembleia de Deus de Parnamirim e escritor de comentários e lições bíblicas – que cita outros autores em seu artigo, publicado em detalhes AQUI, mas vou procurar resumir ao máximo.

Tudo começou com uma mulher chamada Mary Baker Eddy (foto à esquerda), fundadora do movimento herético de Nova Era chamado Ciência Cristã, que afirma que “a matéria e a doença não existem e que tudo depende da nossa mente”. Foi quando, nas décadas de 1930 e 1940, um pastor chamado Essek William Kenyon (foto à direita) passou a admirar os ensinamentos heréticos de Mary Baker Eddy, sabe-se lá por quê. Ele acabou fazendo uma grande salada religiosa, em que misturava as heresias de movimentos não-cristãos (como Ciência da Mente, Ciência Cristã e Novo Pensamento) com partes do Cristianismo, tornando-se assim pai do chamado “Movimento da Fé”.  Todas essas religiões afirmavam que, graças ao poder da mente, “tudo o que você pensar e disser se transformará em realidade”.É quando entra na história o homem que disseminou isso entre as igrejas cristãs: Kenneth Hagin.

Kenneth Hagin (foto à direita) conseguiu dar uma maquiagem cristã convincente às ideias satânicas de Kenyon. Discípulo dele, nasceu em 1918, nos Estados Unidos. Depois de ter sofrido com muitas doenças e de ter sido muito pobre, diz que se converteu “após ter ido três vezes ao inferno”. Aos 16 anos Kenneth Hagin afirmou ter recebido uma revelação e aí descobriu “que tudo se pode obter de Deus, desde que confesse em voz alta, nunca duvidando da obtenção da resposta, mesmo que as evidências indiquem o contrário”. Pronto. Com isso ele inventou a heresia da “Confissão Positiva” – aquela coisa de “eu declaro isso em nome de Jesus”, “eu tomo posse daquilo em nome de Jesus”, “eu decreto isso em nome de Jesus” etc que até hoje é um modismo disseminado como um câncer entre grande parte da Igreja.

O próximo ensinamento que Hagin herdou de Kenyon, que por sua vez herdou das religiões de Nova Era, é o das “promessas da doutrina da prosperidade”. Segundo essa doutrina, o cristão tem direito a saúde e riqueza, o que tornaria doença e pobreza “maldições da lei”.  Usando Gl 3.13,14, Kenneth Hagin diz que fomos libertos da maldição da lei, que seriam: pobreza, doença e morte espiritual. Ele tomou emprestadas as maldições de Dt 28 contra os israelitas que pecassem. Citando Pr. Elinaldo, “Hagin diz que os cristão sofrem doenças por causa da lei de Moisés”.

Depois que inventou seus absurdos, Hagin foi pastor de igrejas de diversas denominações até que fundou sua própria organização, o Instituto Bíblico Rhema. Uma curiosidade é que o inventor da Teologia da Prosperidade foi inclusive acusado de plágio, por ter escrito livros com total semelhança aos de seu mentor, Essek Kenyon. Sua explicação? “Não é plágio, recebi diretamente de Deus”. Tá me entendendo, sim ou não?

Pois é. Aí Kenneth Hagin começou a escrever um monte de livros, onde afirma, entre outras coisas, que “recebe revelações diretamente do Senhor” (Hagin, Compreendendo a Unção, p. 7).  E esse lixo teológico passou a ser devorado por legiões de pessoas, que começaram a propagar a Teologia da Prosperidade. Como seus argumentos trazem soluções imediatas aos problemas da vida, foi fácil arrebanhar multidões. Mas, se você analisar bem, a Confissão Positiva e a Teologia da Prosperidade tentam com suas práticas fazer Deus de escravo – afinal, por esse pensamento, se as pessoas “declaram pela fé”, “decretam em nome de Jesus” e coisa que o valha, o Onipotente e Soberano Criador do Universo não tem o que fazer a não ser obedecer suas criaturas como uma vaquinha de presépio. É só ter fé e vai chover dinheiro.

A coisa está feia

Essa é a verdade, meu irmão, minha irmã. Se você acredita nessa doutrina de demônios, pare hoje. Abandone essas práticas agora. E volte a professar o verdadeiro Evangelho de Jesus Cristo. Enquanto essas mentiras invadiam apenas rincões reconhecidamente neopentecostais, onde quem entra já sabe o que esperar, a gente até entende. Mas quando um representante de uma das mais tradicionais e bíblicas denominações do país, como a Assembleia de Deus, que está na TV, é visto como um semideus por milhares de pessoas e que inclusive está fazendo acordos com a TV Globo para organizar festivais de “louvor” abraça esse pensamento de Nova Era, satânico, elaborado nas profundezas do inferno e começa a pregar aos quatro ventos, chamando de “trouxa” quem oferta por amor e de “idiota” quem se opõe a essa doutrina de demônios… é hora de levantar a bandeira vermelha. É sinal de que a coisa está feia. Feia e cheirando mal.

Mamom – que, em primeira análise, é Satanás – está conquistando adeptos. E eles seguem, achando que estão a serviço de Jesus. É hora de despertar e dizer NÃO a essas Demonologias infiltradas nas pregações e nos programas daqueles que, um dia, já serviram o Deus Altíssimo. Não assista a esses programas, meu irmão. Não doe dinheiro a essas organizações. Mantenha suas ofertas na sua igreja local. Quer doar? Apadrinhe uma criança pela Visão Mundial, uma organização cristã séria. E pare de acreditar em absurdos teológicos e bíblicos que são pregados em nome de Jesus. Por amor a Cristo e a sua própria alma. Afinal, o Jesus da Teologia da Prosperidade não é o Jesus da Bíblia. É um ídolo. E quem deposita sua fé em ídolos não tem a fé que salva. Então o que está em jogo aqui é mais do que o seu dinheiro: é o destino eterno da sua alma.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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Sou megaultrahiper a favor do estudo Teológico. Já fiz dois seminários e defendo com unhas e dentes o estudo da Teologia. Mas estou preocupadíssimo. Tenho visto instituições de ensino e certos professores falarem cada absurdo que minha vontade é começar a concordar com os irmãos que dizem que basta ter Jesus no coração e cantar umas músicas num festival gospel que tá tudo certo. Pois a verdade é que há muitas instituições ditas evangélicas de ensino teológico cujos desensinos têm me arrepiado todo. Por mais que seja uma contradição em termos, parecem teologias do inferno.

A última foi um professor de pós-graduação de uma universidade Metodista de São Paulo que tem quase 9 mil seguidores no twitter e que soltou a seguinte pérola na rede social: “Eu não falei nada em ganhar almas, eu nem acredito que há almas imortais“. Depois de alguns segundos de catatonia, fiquei pensando nas pobres criaturas que têm aulas com esse cavalheiro. Que matriculam-se numa universidade, pagam mensalidades, gastam horas em salas de aula… para desaprender a Bíblia. Minutos depois, mandou-me outro tweet: “biblia fala na ressureição da pessoa por parte d Deus, alma imortal é conceito grego e ñ necessita de ressurreição“.

Ou seja, o que esse teólogo disse (se não é isso, por favor, que me corrijam) é que a alma morre e depois ressuscita com o corpo (pessoa = parte corpórea + parte espiritual). Bem, aí eu fiz o que todos deveriam fazer ao ler coisas estranhas assim: fui checar na Bíblia. E não é que descobri que em Mateus 10.28 Jesus diz que a alma não pode ser morta?! “Não tenham medo dos que matam o corpo, mas não podem matar a alma. Antes, tenham medo daquele que pode destruir tanto a alma como o corpo no inferno“. Pois é, biblicamente apenas as almas que vão para o inferno podem ser destruidas. As demais não – e, portanto, permanecem existindo em sua imortalidade. Ou Jesus estava equivocado?

Ou Mateus 16.26: “Pois, que adiantará ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou, o que o homem poderá dar em troca de sua alma?“. Como se perderia uma alma se ela não fosse imortal? Ah, já sei, é conceito grego…

Ou Ap 6.9: “Quando ele abriu o quinto selo, vi debaixo do altar as almas daqueles que haviam sido mortos por causa da palavra de Deus e do testemunho que deram“. Peraí. no Céu João viu almas cujos corpos morreram mas elas continuavam vivas? Então temos: “eu nem acredito que há almas imortais” versus “vi debaixo do altar as almas daqueles que haviam sido mortos”. Hmmm… começo a sentir cheiro de ensinos teológicos errados no ar. E teologias erradas não vêm de Deus. E se não vêm de Deus… vêm de quem então? Talvez de 1 Timóteo 4.1, “O Espírito diz claramente que nos últimos tempos alguns abandonarão a fé e seguirão espíritos enganadores e doutrinas de demônios”.

Foi quando lembrei-me que esse mesmo senhor, meses atrás, por ocasião do tsunami no Japão,  apoiou as opiniões de um certo pastor (autointitulado “o herege da vez”) que disse que “Um deus q tem propósito pra tudo, inclusive pra o mal, é réu confesso! E a pena deveria ser a morte!“. Ao que esse professor que não crê em almas imortais afirmou no twitter: “Quem se pergunta c/ Deus pode permitir terremoto-tsunami ñ entendeu q Deus,por ser Amor, abdicou d controle sobre o mundo“.

Calma. Para tudo. Vou repetir o que ele escreveu, atenção por favor: “…Deus, por ser Amor, abdicou d controle sobre o mundo“. Isso dito por um professor de uma universidade metodista e que tem quase 9 mil seguidores no twitter. Imagina quantos corações e mentes ele não influencia com esses pensamentos. Que vêm de onde mesmo? Uma teologia como essa, que tira de Deus o controle do mundo é um beijo de Judas: tem aparência de amor mas por trás só traz destruição.

Eu confesso: diante dessa última resposta não aguentei e lhe pedi uma explicação mais a fundo (sei lá, vai que entendi errado, que peguei a frase fora de contexto ou que a validade de meus óculos venceu). E não é que ele meteu os gregos de novo na história? Defendeu a mesma ideia de que o Deus da Bíblia controlar as forças da natureza é uma herança pagã dos gregos, que o Deus da Bíblia é relacional e não interfere nas forças da natureza. Agostinho cristianizou Platão e Tomás de Aquino, Aristóteles e por isso agora os teólogos pós-modernos do século 21 helenizaram 2 mil anos de teologia cristã. Jesus…

Aí eu me lembrei do Dilúvio, da abertura do Mar Vermelho,  da abertura do Rio Jordão para os israelitas entrarem em Canaã, do “sol que parou”, das pragas do Egito, de Cristo acalmando a tempestade, do terremoto no momento da morte de Jesus e outras forças da natureza sobre as quais a Bíblia – e não os gregos – é clara sobre terem sido provocadas pelo controle de Deus sobre o mundo, suspirei e simplesmente ignorei os devaneios desse senhor. Dei unfollow nele e toquei a vida sem que suas frasezinhas bonitinhas pontuadas por absurdos teológicos incomodassem minha vista. Mas agora ele volta à minha vida ao afirmar que não há almas imortais. Então tá.

Peraí. “Então tá” coisa nenhuma. A coisa é séria. Pois são senhores como esse que assumem a direção de cursos de Teologia e ensinam multidões de pobres almas imortais que elas não são almas imortais!

Isso me faz lembrar de um amigo que depois de 6 anos na igreja matriculou-se num seminário dominado pelo Liberalismo Teológico e ouviu tanta bobagem antibíblica que apostatou da fé. Hoje segue a religião de um guru chamado Osho (que assim como esse professor, tem umas frases lindíssimas e que fisgam milhares de simpatizantes nas redes sociais, mas que prega pesado contra o Cristianismo). Então não posso simplesmente falar “então tá”, pois, com todo respeito à opinião do nobre colega, levar pessoas a crer em heresias pode levar almas imortais a irem para o inferno.

Quer dizer, isso se esse senhor acreditar em inferno, talvez ele creia que seja apenas “uma metáfora”, como afirmam os teólogos liberais. Ou uma invenção dos gregos. Em dias maus como os nossos, se até pastores emergentes estão tirando Gandhi do inferno… tudo é possível.

Um Jesus caótico e descontrolado

Segundo artigo intitulado A soberania de Deus e a contingência do mundo, do blog de um pastor chamado Ed René Kivitz, o referido professor é mencionado como tendo dito que “o Deus da Bíblia não é o Deus da ordem e do controle, pois o amor instala, ou, no mínimo, abre espaço e a possibilidade do caos“. Se você leu rápido demais, deixe-me repetir: “o Deus da Bíblia não é o Deus da ordem e do controle“. Fico me perguntando de que Bíblia ele está falando. Será a mesma Bíblia que afirma que Deus fez certos preparativos “desde antes da fundação do mundo”? Como, p.ex., em Ef 1.4: “Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor“. Suponho eu que organizar e preparar ocorrências antes da fundação do mundo para acontecerem dali a milênios exija um pouco de ordem e controle, não? Ou é possível planejar algo com tanta antecedência cruzando os dedos para que o caos faça as coisas acontecerem como se desejou?

Vai ver que Deus criou o mundo cantando “o acaso vai me proteger enquanto eu andar distraído…”.

Mas essa praga de pensamentos apócrifos que contradizem dois mil anos de Cristianismo como se fossem uma grande descoberta teológica revelada a essas poucas mentes privilegiadas não é exclusividade desse cavalheiro, a quem um grupo de irmãos sérios na teologia que conheço apelidou carinhosamente de “Senhor Miyagi” (não só por sua aparência oriental, mas por ficar se preocupando em inventar teologias bizarras tão úteis ao Reino de Deus como catar moscas no ar, um hábito desse personagem do filme Karatê Kid). No seminário teológico Presbiteriano onde meu sogro estudou antes de ser ordenado Pastor, as heresias do Liberalismo Teológico comiam soltas. Schleiermacher, Ritschl, Troeschl e Bultmann reinavam absolutos. Graças a Deus (e põe Deus nisso), a direção do seminário mudou e um ortodoxo assumiu, demitindo os professores que ensinavam o falso cristianismo do Deus que não faz milagres e voltando às bases da fé. Que alívio e que sorte para os futuros alunos. Oro para que os alunos da universidade metodista paulistana onde esse cavalheiro das almas mortais e do Deus sem controle leciona venham a ter a mesma sorte.

Eu mesmo ministrei por nove anos em um seminário teológico onde os alunos me relatavam ensinos de outros professores, como um querido que ensinava que almas penadas caminham entre nós após a morte – e outras sandices do gênero.

Considerações finais

Enfim…volto a dizer: sou a favor do estudo teológico. O considero imprescindível. Recomendo enfaticamente a quem não cursou um seminário que o faça, para aprender as verdades bíblicas e não ficar achando, por exemplo, que um programa de música “gospel”  na televisão secular é um grande avanço do Evangelho. Mas meu irmão, minha irmã, aqui vai o ponto-chave do que eu quero dizer com todo este post: informe-se muito bem sobre o lugar onde você pretende estudar. Não matricule-se apenas. O que você aprenderá ali vai mexer a tal ponto com sua mente que você poderá crescer enormemente no conhecimento de Cristo ou poderá se tornar um herege ou mesmo um apóstata.

Ser cristão sem compreender e saber explicar as razões da nossa fé é manter-se na tensão superficial do oceano do Espírito. Faço minhas as palavras de Anselmo de Cantuária, teólogo e filósofo cristão do século XII, que disse que Teologia é “fides quaerens intellectum” – fé em busca de entendimento. Mas é fundamental que seja um entendimento baseado na Verdade que Pedro afirmou em 2 Pe 1.15,16: “Eu me empenharei para que, também depois da minha partida, vocês sejam sempre capazes de lembrar-se destas coisas. De fato, não seguimos fábulas engenhosamente inventadas, quando lhes falamos a respeito do poder e da vinda de nosso Senhor Jesus Cristo; ao contrário, nós fomos testemunhas oculares da sua majestade“.

Portanto, querido irmão, querida irmã, fuja das fábulas engenhosamente inventadas por aqueles que querem garantir seu lugar na História inventando uma nova teologia (falar o que todo mundo já fala não dá muito ibope, afinal, não é?).
Fuja da Teologia Relacional.
Fuja do Teísmo Aberto.
Fuja do Universalismo.
Fuja da Teologia Liberal.
Fuja da Ética Transacional Ascendente.
Fuja da Teologia da Prosperidade.
Fuja da Confissão Positiva.
Fuja de tudo aquilo que contraria 2 mil anos de conhecimento e traz novas invenções doutrinárias que servem tão somente para dar notoriedade aos seus proponentes mas que não fazem absolutamente nada pela causa do Evangelho. Porque entre me associar a uma dessas heresias ou ficar tocando pandeirinho e cantando “Desce fogo, desce poder, quem estiver ligado vai receber…” eu fico com a segunda opção. Causa menos dano espiritual. E os pandeiros, tenho certeza, não foram inventados pelos gregos.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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Uma coisa que me impressiona em nós, cristãos, é o fascínio que temos por teorias de conspiração. Somos o grupo de nossa sociedade que mais consome boatos, que mais acredita em complôs secretos, que mais fica procurando no Youtube vídeos que denunciem sociedades ocultas com suas agendas de dominação global. O número da besta,  666, está em cada mensagem subliminar e capa de CD. Ao mesmo tempo, isso faz de nós o grupo que mais perde tempo precioso com bobagens. Deixe-me de cara esclarecer uma coisa, antes que você pense que sou um infiltrado tentando desviar você do conhecimento oculto das realidades do mundo: não sou maçom. Não sou Illuminati. Não sou membro de nenhuma organização maligna que objetiva implementar o governo do anticristo. Também não sou satanista. O único corpo a que pertenço e em que acredito é a Igreja de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Ah, sim, uma informação importante: quando criança fui escoteiro – e como dizem que após fazer a promessa do escoteiro nunca mais deixamos de ser, então posso dizer que ainda sou escoteiro. E só. Bem, tendo dito isso, vamos aos Illuminati e outras teorias conspiratórias.

Dei aula por nove anos em um seminário teológico das Assembleias de Deus, lecionando 4 matérias distintas. Imagine quantos alunos passaram pelas salas de aula em que ministrei. E algo que acontecia praticamente toda semana era algum deles me procurar para saber minha opinião sobre aquele último vídeo no Youtube sobre os Illuminati, sobre uma tal apostila que andou circulando para denunciar os símbolos ocultistas escondidos na nota de 1 dólar, sobre o testemunho do pastor a, b ou c que revela “os segredos da maçonaria”. Tive de ouvir e ver de tudo. Poucos me perguntavam “como posso ser um cristão melhor?” Ou “o que devo fazer para me aproximar mais de Deus?”. Mas sobre bobagens gospel… era toda hora um levantando o dedo.

“Bem, vamos discutir agora sobre o fruto do Espirito de Gálatas 5.22,23.,,”.  “Tá, professor, mas antes de falar disso, qual sua opinião sobre os Illuminati?”. E a história se repetia.

Um dia um aluno me trouxe uma apostila que provava por “a” mais “b” que o Papa João Paulo II vai ressuscitar, arrebanhar as massas e se tornar o anticristo. Outra vez tive de ver um DVD do pastor que “prova” com argumentos “irrefutáveis” que a Disney é um império do mal. Sobre Xuxa, então, já ouvi de tudo, que ela se transmuta num demônio em rituais satânicos e que um ex-jardineiro cristão dela (que ninguém sabe quem é) viu isso acontecer. Supostas Mensagens subliminares em músicas tocadas ao contrário fazem um sucesso absurdo entre os cristãos – já me trouxeram gravações de backward masking (nome em inglês dessa técnica) em que ruídos como “Usndjcbfbdxvbshxnbxhnxn” eram interpretados como “Satanás  vai vencer e quer te matar, cristão”. Sem falar no irmão que me pegou  no corredor do seminário e queria me provar de qualquer modo que o inferno fica no centro da Terra (quando eu discordei ele perguntou com uma agressividade típica de apresentadores de TV evangélicos “o que você tem contra os teólogos”?!?!).

Sobre esse assunto tem ainda aquela história dos caras que enfiaram um microfone em uma broca, perfuraram o subsolo e gravaram os sons dos gritos das almas do inferno… que estaria no centro da terra (uma história que, aliás já foi exaustivamente comprovada como mentira, mas que volta e meia alguém traz à tona de novo). E não para por aí: tem o cidadão que escreveu livros sobre ser um ex-satanista que já fez dezenas de irmãos virem me perguntar se eu sei que o vice-presidente do Brasil é servo do Diabo e está ajudando a preparar a vinda do anticristo. Creia: já ouvi de tudo – lenda atrás de lenda.

E agora a moda são os Illuminati. “Zágari, e os Illuminati?”, me perguntam com uma frequência irritante. ” Os Ilumimati estão em cargos estratégicos do governo”, afirmam outros.  “Os Illuminati querem implantar a nova ordem mundial”, batem pé terceiros.

Vamos à Bíblia?

Pois bem, vamos pôr o Youtube um pouco de lado, vamos deixar as empresas que criam esses vídeos e faturam milhares de dólares com a venda de seus DVD de lado e voltar os olhos para a Palavra de Deus. A Biblia fala da vinda do anticristo, dos últimos tempos, da grande tribulação, do número da besta, de tudo isso. Isso é verdade.

Conheço razoavelmente bem a Maçonaria, seu lado social e também metafísico, já tive conversas francas com maçons de alto grau. Sei o que é o satanismo, já escrevi reportagens sobre o “grande” satanista Alister Crowley, fundador da Igreja de Satanás, e  pesquisei o assunto. Já analisei o movimento Wicca, o nome da moda da bruxaria (os “Harry Potter” da vida real). Fui a um seminário de “batalha espiritual” promovido por um famoso grupo que dá palestras e fatura uma boa grana com esse assunto, embora fale montes de besteiras  não canônicas sobre coisas tipo mapeamento espiritual – eu inclusive “fui ministrado”, como eles dizem, sem que nada acontecesse. Não manifestei nenhum demônio. Ufa, que alivio, não estou endemoninhado.

E o que sei dos Illuminati? Muito pouco. Historicamente, sei que foi uma sociedade secreta fundada no século XVIII e que nos nossos dias seria uma suposta organização conspiracional que controlaria os assuntos mundiais secretamente.  Seu objetivo, segundo os vídeos surreais que abundam no Youtube e que eu tive uma paciência de Jó para assistir (por amor a meus alunos) seria implementar uma Nova Ordem Mundial que, por sua vez, prepararia o terreno para a vinda do anticristo, sendo eles os cérebros por trás dos acontecimentos que levariam a ela. Ou seja: tudo o que sei são boatarias.

Há a possibilidade de haver grupos que propagam densas trevas sobre a Terra. E aí? Diante disso o que fazemos? A Igreja faz o quê? Cada cristão deve fazer o quê? Eu tenho a resposta a essa pergunta:

Nada.

“Como assim ‘nada’, Zágari, e a nova ordem mundial, e os Illuminati?!?!”. Que fazemos quanto a isso?

Bem, repare o que diz o texto das Escrituras: nosso olhar tem sempre que estar firmemente dirigido para o Senhor. Para a luz. E não para as trevas. Ao mesmo tempo diz que o foco do cristão deve ser Jesus, autor e consumador da fé. Querido irmão, querida irmã, eu e você que somos cristãos devemos fitar nossos olhos em Illuminatis, satanistas, maçons e outras organizações que podem – ou não – provocar sujeiras espirituais ou… em Cristo? Cristianismo versa sobre o quê?

O que ou quem devemos olhar firmemente?  Deixemos que  a Bíblia nos responda, em Hebreus 12.1,2: “Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz,  não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus”. Mantendo nossos olhos firmes em Cristo nada nem nenhuma conspiração global importa. Esse é o cerne da questão que muitos não entendem. Onde a Luz brilha as trevas se dissipam. Simples assim. Pregue Cristo. Viva Cristo. E aí os Illuminati terão importância zero.

Ou seja: suponhamos que haja uma grande conspiração satânica em andamento no mundo. O que importa não é nada disso: importa Jesus de Nazaré.. Importa a sã doutrina. Importa proclamar o Cristo ressurreto e fazer discípulos. Importa glorificar Deus. Ficar discutindo essas coisas não nos leva a nada, não divulga o Evangelho, não soma, não acrescenta. Por isso eu fujo dessas discussões inócuas.

Voltemos ao Evangelho, à ortodoxia, à leitura, aos fundamentos da fé, à intimidade com o Criador dos Céus e da Terra. O verdadeiro Evangelho é puro e simples. É amar ao próximo como a si mesmo. Devemos continuar com o que realmente importa: uma devoção real ao Senhor, com oração, leitura da Palavra, meditação em versículos, demonstrações de amor ao proximo e tudo o mais que Jesus nos ensinou. Temos que focar no que é central na fé cristã e não nessas bobagenzinhas de Youtube.

Existe o culto a Satanás? Existe. Existe a Maçonaria? Sim. Há sociedades secretas não cristãs? Há. Contra esses a Biblia é clara: devemos orar e pedir que a Luz suplante as trevas. Nossa luta não é contra a carne ou contra sangue. Agora… Os Illuminati estão trabalhando para implementar a Nova Ordem Mundial? Não faço a mínima ideia.

Entao, o que temos de fazer é aquilo que sabemos: ir por todo o mundo levando a mensagem da Cruz, proclamando o Reino e fazendo discípulos.

Meu querido, minha querida, não percamos tempo com essas inutilidades.. A Bíblia é clara ao afirmar que nos últimos tempos viria o anticristo e faria barbaridades. Mas também afirma que no final Satanás e a Besta serão lançados no lago de fogo e enxofre e Jesus triunfará. O que mais precisamos saber? Se isso vai ocorrer por meio de uma sociedade secreta que promoverá o anticristo… glória a Deus! É sinal de que os novos céus e a nova terra se aproximam e que, passada a tribulação, veremos Deus face a face! Quer algo melhor? Que venham os Illuminati! Que venha o anticristo! Eu, sinceramente, estou cansado de viver neste mundo tenebroso e podre. Se a tal Nova Ordem Mundial representa o cumprimento das profecias bíblicas que apontam para a segunda vinda de Cristo, mal posso esperar por ela! Que venha o fim dos tempos! Que venha a glorificação de nossos corpos! Que venha finalmente o tão esperado dia em que entraremos na Sala do Trono e louvaremos o Senhor junto com a multidão celestial, dizendo: “Digno é o Cordeiro que foi morto de receber o poder, e riqueza, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e louvor. Àquele que está sentado no trono e ao Cordeiro, seja o louvor, e a honra, e a glória,  e o domínio pelos séculos dos séculos…”. Amém.

Mas, professor, e os Illuminati?

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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Ao final do filme “O Advogado do Diabo”, Satanás (interpretado por Al Pacino) diz uma frase emblemática: “Vaidade: definitivamente meu pecado favorito”. Por trás dessa ficção há uma grande verdade bíblica: a vaidade é um enorme perigo para nossas vidas espirituais . Segundo o dicionário, vaidade é o “sentimento de grande valorização que alguém tem em relação a si próprio”, ou, em outras palavras, é quando você glorifica a si mesmo. Só que biblicamente não temos glória em nós, a ponto de Paulo dizer em 1 Co 1.31 e 2 Co 10.17: “Quem se gloriar, glorie-se no Senhor“. Somos pó e ao final da vida nosa carcaça será comida por vermes. Além disso, todo dom que temos vem de Deus, todo talento que temos vem de Deus, toda boa dádiva vem de Deus. Então, TUDO o que temos de elogioso não é mérito meu ou seu: é mérito de Deus. Nós apenas administramos aquilo que o Senhor nos doa. É como quando alguém elogia uma roupa que estamos usando. Mas…quem idealizou, desenhou e costurou a roupa foi o estilista, tudo o que nós fizemos foi comprá-la. Então eu acho muito engraçado quando alguém chega para outra e diz “que roupa linda” e o mero usuário responde todo bobo: “Obrigado”. Só que…obrigado por quê? Todo o mérito está em quem FEZ  a roupa, a ela a honra. Você? Você só a comprou.

Pois bem, sou Diretor Editorial da Anno Domini, a editora de livros da Igreja Cristã Nova Vida, e isso me torna responsável por cada livro que publicamos (ou seja, espero que isso não aconteça, mas se um dia lançarmos um livro horrível, pode me culpar, ecce homo). Ocorre que em 18 de novembro foi a entrega do Prêmio Areté, promovido desde 1991 pela Associação das Editoras Cristãs do Brasil (ASEC) para galardoar os melhores do ano no mercado editorial. E a Anno Domini, com menos de dois anos de existência, foi a recordista em prêmios: ganhamos 7, enquanto algumas editoras com décadas de experiência ganharam apenas 3 ou 4. Uau! Motivo de vaidade ou não? Segundo nos confidenciou o editor chefe de uma grande editora, “este é um fato inédito na história do Prêmio Areté”. Uau! Motivo de vaidade ou não? E não para por aí: entre os troféus recebidos dois vieram diretamente para mim: “Autor Revelação” e “Melhor Livro de Ficção/Romance”, ambos por um dos 3 livros que eu escrevi, “O ENIGMA DA BIBLIA DE GUTEMBERG“.  Uau! Motivo de vaidade ou não?

Além desses dois, recebemos os troféus de “Livro do Ano” e “Vida Cristã” (“O FIM DE UMA ERA“), “Autor Nacional” (Walter McAlister, por “O FIM DE UMA ERA”), “Meditação/Inspiração” (“O PAI NOSSO“) e “Livro Infantil” (“AS AVENTURAS DE MARIANA“). Detalhe: eu fui o editor de todos esses livros. Uau! Motivo de vaidade ou não? E, em “O FIM DE UMA ERA”, que é escrito como uma entrevista no formato de perguntas e respostas, eu fui o entrevistador do Bispo Walter e tembém o preparador do texto. Uau! Motivo de vaidade ou não?

Agora…reparou quantas vezes nestes últimos parágrafos usei a palavra EU? Faz-me desconfiar que estou me pondo no centro de muita coisa. “Ah, Zágari, o que é que tem, a Anno Domini ganhou 7 prêmios! Se-te!!! U-huuuuu”. Pois é, os 7 Prêmios Areté tinham tudo para inflar até estourar meu peito de tanta vaidade. Motivos razoáveis do ponto de vista humano para isso eu tinha.

Só que tem um pequeno detalhe: no Reino dos Céus as coisas não funcionam nem de longe do ponto de vista humano. Assim que acabou a cerimônia de entrega dos troféus e a euforia do momento, o Espírito Santo falou ao meu coração. Eu não ouço sobrenaturalmente a voz de Deus, como alguns dizem escutar, mas como busco viver em intimidade com meu Bom Pastor, acredito que sei reconhecer razoavelmente bem a Sua voz quando reverbera em meu coração. E o que queimava em mim não era vaidade. Era uma voz interior que parecia dizer: “Guarda-te da vaidade! Fuja desse câncer! Mate esse lobo que uiva em teu peito! Não deixe a semente podre da vaidade germinar no teu coração, pois TODOS os teus méritos são resultado da graça de Deus. TO-DOS!”.

Foi quando me lembrei do nada de uma pregação que ouvira cerca de 20 anos antes, quando o Pastor Eduardo Rosa Pedreira pregou sobre vaidade em cima de Eclesiastes 1.2 (“Vaidade de vaidades, diz o pregador; vaidade de vaidades, tudo é vaidade“). Recordei, assim, num momento que não tinha nada a ver, daquele sermão. E nele o Pastor havia explicado que a palavra no hebraico para “vaidade” naquele idioma é a mesma que significa “bolha de sabão”. Ou seja: vaidade é um sentimento tão firme, sólido, com conteúdo e importância como uma reles bolhinha de sabão.

Quando essa lembrança invadiu minha memória, meus pés se fincaram no chão e percebi que todos os meus “eu” e todos os meus “uau” eram… bolha de sabão. Não vou negar, os inesperados 7 prêmios por alguns minutos me encheram de um inesperada e boba euforia humana. Mas a lembrança daquela pregação de 20 anos antes me deu um tapa na cara e disse-me: “Mauricio, recomponha-se”. Foi quando lembrei de onde Deus me tirou. Voltou à minha boca o gosto das bolotas dos porcos. E recordei que do pó fui formado e ao pó retornarei. Que nu saí do ventre de minha mãe e nu retornarei. Deus me fez lembrar de quem eu sou. De que o vaso não tem mérito em si, quem o esculpe é o oleiro. E então percebi claramente que fugir da vaidade é um gesto de cuidado com a nossa alma.

Você que me lê certamente é muito bom em alguma coisa. Talvez seja um excelente pregador. Talvez um músico virtuoso. Pode ser que só tire 10 na escola. Sua inteligência de repente supera a média. Às vezes o que te destaca é sua beleza física e onde chegue atraia todos os olhares. Ou então é alguém muito carismático. Você pode ser um grande profissional. Ou entender de tecnologia como ninguém. Ou ainda há grandes chances de você sacar à beça de teologia, de Biblia. Você fala sobre as coisas de Deus e ganha admiradores fieis, gente que baba pela sua aparente santidade e/ou vida com Deus. Quem sabe você tem tantos followers no twitter ou amigos no Facebook que lá no fundinho inconfessavelmente se acha melhor do que os outros. Enfim, certamente você é muito bom em alguma coisa que te destaca.

Nesse caso, só não se esqueça de uma coisa: entre o seu “eu” e seu “uau” o que existe… é só bolha de sabão.

Sim, recebemos 7 Prêmios Areté. Bacana. Que esses livros que suamos para publicar venham a edificar muitas vidas, pois cada um deles foi escrito, arduamente trabalhado, publicado e lançado exatamente com essa intenção. Mas jamais podemos perder de vista o prêmio que realmente importa. Tá, Zágari, mas, afinal, se o Areté não é o prêmio que importa… qual prêmio então importa? A resposta está explícita em Filipenses 3.10-14: “Quero conhecer Cristo, o poder da sua ressurreição e a participação em seus sofrimentos, tornando-me como ele em sua morte para, de alguma forma, alcançar a ressurreição dentre os mortos. Não que eu já tenha obtido tudo isso ou tenha sido aperfeiçoado, mas prossigo para alcançá-lo, pois para isso também fui alcançado por Cristo Jesus. Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo pelo PRÊMIO da vocação celestial de Deus em Cristo Jesus“.

E para esse prêmio, meu irmão, minha irmã, não há mérito humano, não há vaidade, não há vanglória. Há somente graça. A graça do Cordeiro de Deus. A maravilhosa graça de Jesus Cristo, o homem mais sem vaidade que já pisou sobre a Terra.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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