Arquivo da categoria ‘Pregação’

plano1Desde que o Senhor me converteu, ouço falar de algo chamado “plano de salvação”. Você também já deve ter ouvido falar disso. Em curtas palavras, seria o planejamento, a estratégia de Deus para redimir a humanidade pecadora. Esse plano seria, em essência, o que devemos pregar para quem não conhece o Senhor, pois revela a realidade perdida e (literalmente) desgraçada de quem existe sem Deus e de que maneira pode se religar ao Criador. A meu ver, nenhuma outra coisa deveria ser pregada ao incrédulo. Nenhuma. No entanto, não é o que tem acontecido.

Que mensagem o mundo precisa ouvir? Uma só: a humanidade desobedeceu o Senhor e por isso afastou-se dele nesta vida e, consequentemente, na próxima. Mas Deus amou tanto esses bilhões de condenados que encarnou como Jesus, para morrer e ressuscitar e, assim, restabelecer o contato entre os pecadores perdidos e o Criador. Uma vez que isso foi feito, tudo o que aquele que não vive em Deus precisa fazer é reconhecer a realidade divina de Cristo e de seu sacrifício na cruz. Pronto. Eis o plano de salvação. Resgate feito. Justificação ocorrida. Salvação concedida. O céu está disponível.

Não consigo entender qualquer outra pregação feita a incrédulos em Jesus. A salvação em Cristo é a urgência. O novo nascimento é a prioridade. Essa é a única mensagem que aquele que está a caminho do inferno precisa ouvir. Se você for pregar para um não cristão, foque no que é o ponto de partida: ele está espiritualmente morto e precisa de vida, que é Cristo. Convido você a prestar muita atenção ao que Paulo diz em Efésios 2:

plan“Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência; entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais. Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, – pela graça sois salvos, e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus.”

Sim, o incrédulo está “morto em seus delitos e pecados”. Morto. Uma vez que ele esteja vivo, aí sim você pode pregar sobre qualquer outra coisa. Pois vivos ouvem. Já mortos são surdos. E, enquanto o morto estiver morto, sua única e exclusiva necessidade é… vida. Só. Nada mais. Então, meu irmão, minha irmã, para um morto pregue vida. Depois pense no resto.

No entanto, nossos tempos propõem outro tipo de pregação. Pregamos para mortos que eles precisam de vitória. Pregamos a mortos que eles precisam de bens materiais. Pregamos a mortos que eles precisam de cura. Pregamos a mortos que eles precisam de prosperidade. Pregamos a mortos que eles precisam de milagres. Pregamos a mortos que eles precisam de bênçãos.

Errado.

Mortos não precisam de nada disso, pois nada disso tem utilidade alguma para um morto.

Temos de mudar nossa pregação. Temos pregado para quem precisa desesperadamente de Cristo que eles necessitam de prosperidade, vitória, cura física… Quem necessita disso se não tem vida?! Meu irmão, minha irmã, zumbis não existem. Zumbis espirituais muito menos.

plano2Se você tem amor pelas almas humanas que estão a caminho do inferno, é hora de oferecer a elas a única coisa que lhes será útil no momento: a vida que está em Jesus Cristo. Pregue isso. Se você é um pregador, por favor, pare de ficar tentando animar auditórios com pregações recheadas de “glória” e “aleluia” mas completamente vazias de sentido evangelístico. Se você for falar para cristãos salvos, aí você prega sobre temas que os vivos precisam ouvir. Mas se quem te ouve são aqueles que estão mortos em seus delitos e pecados, pregue a única mensagem que importa: você pecou, está a um milímetro do inferno, mas Deus amou você de tal maneira que deu seu Filho unigênito para que, se nele crer, não pereça, mas tenha a vida eterna. Creia nele. E viva.

No dia em que a Igreja voltar a pregar Jesus – que é o caminho, a verdade e a…vida – para o incrédulo, voltaremos a ter uma igreja formada por pessoas que amam o Deus que as salvou. Até lá, uma enorme parte da igreja será formada por gente que ama a prosperidade, a cura, as bênçãos, as facilidades. Pois foi isso que pregamos a elas. E foi a isso que se converteram.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

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Assisti absolutamente estarrecido aos telejornais na sexta-feira passada. As imagens da barbárie que foi a violência em diferentes cidades do Brasil, com atos de vandalismo, depredações, ofensas, agressões, confrontos, roubos de lojas, ataques a bancos e o cerceamento do direito de ir e vir dos cidadãos de bem me deixaram paralisado e de olhos marejados. O país que eu amo está em uma guerra civil descontrolada. Quando manifestações pacíficas por causas sociais justas degringolam e viram um caos primitivo e sanguinário é sinal de que o país precisa urgentemente de socorro. Assisti ao pronunciamento de nossa presidenta, em cadeia nacional de rádio e TV, em que ela desfilou uma lista bastante colorida de ações que pretende tomar para resolver os problemas. Achei tudo ótimo. Afinal, quem não gostaria, por exemplo, de ver todos os royalties do petróleo destinados à educação? Sou filho de professores do estado aposentados, há décadas anseio por escolas públicas melhores. Em 1987 fui às ruas – em manifestações pacíficas – pedir por isso e pela meia passagem para estudantes. Eu fui um cara-pintada da era Collor. Só que, depois de ouvir as possíveis soluções de nossa presidenta com um pouquinho de alegria dentro de mim, meu lado reflexivo me lembrou de uma triste realidade: nada do que ela propõe vai resolver nada.

Parei para pensar, quando terminou o show dos telejornais, que o que está acontecendo pelo Brasil afora não é um “a que ponto chegamos”, mas sim um “e lá vamos nós de novo”. O que vi na TV foi Caim matando Abel. Sodoma se corrompendo. Exércitos destroçando os povos vizinhos na antiga Palestina. Davi assassinando Urias. Diná sendo estuprada. Sansão estraçalhando filisteus. A Babilônia pondo Jerusalém abaixo. Jefté matando a própria filha. Jael cravando a cabeça de Sísera no chão com uma estaca. Jacó enganando seu irmão e seu pai e sendo enganado pelo sogro. Os irmãos vendendo José como escravo. Os primeiros cristãos sendo atirados aos leões. Inocentes queimados na fogueira da Inquisição. A igreja corrupta vendendo indulgências. As guerras entre católicos e protestantes. O papa de Roma amaldiçoando o patriarca de Constantinopla e o patriarca amaldiçoando o papa. As trevas da Idade Média. A corrupção do clero. O holocausto nazista. As invasões bárbaras. A Jihad islâmica. O martírio dos huguenotes na Guanabara. Índios dizimados. Negros escravizados. Pedofilia de padres. Teologia da Prosperidade de pastores. Gays querendo matar cristãos e cristãos querendo apedrejar gays. Cristãos ofendendo cristãos nas redes sociais.

Sim, minha conclusão, ao final dos telejornais, foi a mesma de Salomão três mil anos atrás: “O que foi é o que há de ser; e o que se fez, isso se tornará a fazer; nada há, pois, novo debaixo do sol. Há alguma coisa de que se possa dizer: Vê, isto é novo? Não! Já foi nos séculos que foram antes de nós.” (Ec 1.9-10). Porque tudo o que está acontecendo no Brasil tem uma única causa, uma única explicação, uma única origem. Que é a mesma para toda essa lista de barbaridades e atos de violência que ocorrem desde que um homem chamado Adão e uma mulher chamada Eva caminharam sobre a terra:

Pecado.

Fiquei estarrecido, chocado, emocionado e abatido por tudo o que vi na TV. Mas não fiquei surpreso. Pois sei bem do que nós, seres humanos, somos capazes. Eu e você somos portadores dessa gangrena espiritual chamada pecado, que gera em nós sintomas como os que estão se manifestando entre as hordas de monstros que disseminaram a barbárie nos últimos dias pelo Brasil. Sim, o pecado faz de nós animais, bestas selvagens cuja única racionalidade é a irracionalidade. Todo pecado faz isso, todo. Eu ouvi cético às explicações dos jornalistas, comentaristas e entrevistados sobre as causas dos atos de brutalidade ocorridos em Salvador, Belém, Rio, São Paulo e tantas outras cidades. As análises são todas muito interessantes, mas a verdade é que a raiz de tudo o que vi, cada vidraça quebrada, cada gota de sangue derramado, cada poste derrubado, cada cabine da polícia incendiada… é esse terror invisível que carregamos dentro de nós chamado pecado.

E, por mais que tenha ficado alegre com as medidas que a presidenta diz que tomará, no fundo sei que nada adiantará. Porque tudo o que é feito no âmbito social fica no exterior do homem e, portanto, é paliativo. Qualquer atitude que se tome só vai amainar as coisas, nenhuma solução humana é solução. Pois o problema, a raiz, a origem de tudo isso é o pecado. E pecado não se resolve com canetadas, decretos ou mobilizações sociais. Só se resolve com Jesus de Nazaré.

Diante disso, fiquei pensando: qual é o nosso papel, como cristãos, diante desse cenário infernal que viraram nossas ruas? O que a Igreja (eu e você) devemos fazer? Organizar manifestações? Emitir notas públicas de repúdio? Eleger mais pastores em cargos públicos? Gritar palavras de ordem? Criar hashtags no Twitter? Escrever mais posts sobre a violência no Brasil em blogs? Nada disso. Tudo isso é correr contra o vento. Simplesmente porque nada disso elimina o pecado da humanidade. Se a Igreja quiser ser Igreja tem de lutar com as armas de quem foi “chamado para fora”. Ou seja: tem de lutar com armas diferentes das que usam os que “estão dentro”. Deixemos as marchas, passeatas, entrevistas coletivas, notas oficiais em sites institucionais e outras coisas do gênero para a sociedade não cristã. O nosso papel é proclamar Cristo. Pregar o evangelho. Anunciar as boas novas de salvação.

A lógica é simples e existe há dois mil anos: só existe uma cura para o pecado. O remédio se chama Jesus. Eu e você sabemos disso. O mundo não sabe. Por isso temos de levar essa cura aos que estão doentes. Contra os violentos levemos o Príncipe da Paz. Contra os sanguinários levemos o manso Cordeiro. Contra os depredadores levemos o reconstrutor. Contra os que matam levemos quem dá vida. Os royalties do petróleo não vão salvar do pecado os baderneiros mascarados. Nem bombas de gás lacrimogêneo. Tampouco tropas de choque. Projetos sociais menos ainda. A Copa do Mundo também não. Grupos de trabalho da presidência não tiram o pecado do mundo. Toda solução possível é apenas assoprar o ferimento, não arranca a raiz do problema.

Propor Jesus como solução para a crise no Brasil não é ser simplório. Não é ser ingênuo. Não é espiritualizar uma realidade concreta. Não é ser bobo. Propor Jesus como a solução do caos no Brasil é ser bíblico. É ser cristão. É propor a única cura possível para a única causa de tudo o que está acontecendo. Quer colaborar para o fim da violência em nosso país, meu irmão, minha irmã? Pregue a Cristo, e ele crucificado. Anuncie o evangelho verdadeiro. Proclame a salvação da cruz. Abra a boca! Homens livres do pecado, redimidos, restaurados, nascidos de novo não depredam, não roubam, não batem, não apedrejam, não incendeiam, não agridem, não ofendem, não machucam, não brigam, não matam. Homens livres do pecado são pacificadores, humildes de espírito; têm domínio próprio, amor, benignidade, bondade, olhos meigos e um tom de voz suave. São a imagem de Cristo.

As imagens da violência e da brutalidade em nosso país conclamam a mim e a você para a ação (recomendo a leitura do post “É tempo de orar”). Mas, se eu e você somos cristãos, a nossa ação não pode ser a mesma do mundo. O mundo sabe organizar manifestações, fazer grupos de trabalho e convocar mais policiais. Deixe o mundo fazer o que o mundo sabe fazer, pois essas são as soluções que ele conhece. Eu e você temos de fazer aquilo que o mundo não sabe: proclamar Deus. Brilhar a luz de Cristo nas trevas. Apresentar a cruz. Você é um embaixador do reino. Então aja como tal. O pecado está pondo as garras para fora e todos estão vendo, pois está sendo exibido em rede nacional de TV. Mas será que alguém está vendo Jesus? Não, não está. Porque isso os telejornais não mostram. Logo, mostrar Cristo e divulgar sua mensagem compete a mim e a você.

E aí, o que você vai fazer a esse respeito? Ver mais um jogo de futebol?

Paz a todos vocês que estão em Cristo – para que possam levar essa mesma paz a todos aqueles que não estão.
Maurício

Vivemos na era do cristianismo de massa. Boas igrejas são as enormes. As com milhares de membros. A celebrada congregação do Pr. David Yonggi Cho, na Coreia do Sul, é tão monumental que quem se senta nos lugares mais altos tem à disposição televisores individuais  para enxergar o pregador. Vivemos a era dos grandes eventos evangelísticos, dos enormes shows na praia de Copacabana, da separação pastor-na-plataforma/membro-na-plateia. É um cristianismo externamente vibrante e ululante mas internamente vazio e frágil. Essa é nossa era. Um pastor é considerado “bom” se a congregação dele cresce a cada dia em número de membros – e ele é tão “bom” que nem conhece o nome de seu gigantesco rebanho. O pastor que cuida de perto das ovelhas, as visita, sabe o nome de seus filhos mas não gera um crescimento numérico recebe a ordem de retornar à sede, pois “não está sabendo fazer o trabalho”. Ou “não tem ministério”. Ou “não tem unção”. Em resumo, não é “bom”. Essa é a nossa era. Mas… quero lhe fazer um convite. Vamos viajar a uma outra era e analisá-la em comparação com a nossa.

O ano é cerca de 57 d.C. Um pregador escreve uma carta para uma igreja da qual é mentor. Seu nome é Paulo de Tarso. Um homem do mais elevado grau dentro da hierarquia eclesiástica da época, apóstolo, doutor da lei, chamado pessoalmente pelo Senhor, alguém que conversou de boca com o próprio Jesus, eleito entre milhares para ser arrebatado ao céu e ver coisas inefáveis. Um indivíduo que tinha tudo para subir no salto alto, exigir ser chamado de mil adjetivos alimentadores de vaidade, entrar pela porta dos fundos para não sofrer o assédio dos membros e olhar para a massa como… a massa – um amontoado de rostos sem nome. E para que saber seus nomes, não é? O que importa é subir no púlpito, pregar e descer do púlpito pela portinha lateral. Importante demais para se misturar, que isso fique ao cargo dos auxiliares.

A carta que ele escreve vai para a igreja de Roma. Se fosse hoje, não seria uma carta, mas uma transmissão pela TV, um editorial na revista da denominação, um devocional matinal na rádio de propriedade da igreja. Seria dirigida aos “irmãos e irmãs” ou a “meu amigo, minha amiga”. Mas naquela época não havia essa tecnologia. Só havia cartas. É de se supor, pela mentalidade de nossa era, que o grande apóstolo Paulo escreveu então para o líder máximo da igreja romana, seja ele o pastor, o bispo, o presbítero. Será?

Te convido para analisar Romanos 16, o último capítulo da epístola. Vamos ver como aquele importante homem de Deus tratou as massas sem nome da igreja Romana:

“Recomendo-vos a nossa irmã Febe, que está servindo à igreja de Cencréia, para que a recebais no Senhor como convém aos santos e a ajudeis em tudo que de vós vier a precisar; porque tem sido protetora de muitos e de mim inclusive”. Hmmm, nada mal, Febe deve ser uma alta dignatária da igreja romana, para merecer ter seu nome mencionado por tão reverendo homem. Prossigamos:

“Saudai Priscila e Áqüila, meus cooperadores em Cristo Jesus, os quais pela minha vida arriscaram a sua própria cabeça; e isto lhes agradeço, não somente eu, mas também todas as igrejas dos gentios”. Mais dois nomes. Mas, também, o casal arriscou a vida pelo grande apóstolo, não é de admirar que os tenha citado nominalmente. Mas deve parar por aí, Paulo é muito ocupado, não tem tempo de se dedicar a indivíduos, tem uma enorme rede de igrejas espalhadas pela Ásia Menor para administrar. Não é…? Continuemos.

“Saudai meu querido Epêneto, primícias da Ásia para Cristo”. Estranho. Outro que Paulo conhece pelo nome.

“Saudai Maria, que muito trabalhou por vós”. Hmmm.

“Saudai Andrônico e Júnias, meus parentes e companheiros de prisão, os quais são notáveis entre os apóstolos e estavam em Cristo antes de mim”. (Silêncio)

“Saudai Amplíato, meu dileto amigo no Senhor”. (O-O)

“Saudai Urbano, que é nosso cooperador em Cristo”.

“E também meu amado Estáquis”.

“Saudai Apeles, aprovado em Cristo”.

“Saudai os da casa de Aristóbulo. Saudai meu parente Herodião. Saudai os da casa de Narciso, que estão no Senhor. Saudai Trifena e Trifosa, as quais trabalhavam no Senhor. Saudai a estimada Pérside, que também muito trabalhou no Senhor. Saudai Rufo, eleito no Senhor, e igualmente a sua mãe, que também tem sido mãe para mim. Saudai Asíncrito, Flegonte, Hermes, Pátrobas, Hermas e os irmãos que se reúnem com eles. Saudai Filólogo, Júlia, Nereu e sua irmã, Olimpas e todos os santos que se reúnem com eles”.

Até aqui contei pelo menos 27 nomes. Há algo errado. Quem explica? Como pode? Como compreender à luz do cristianismo da nossa era essa intimidade, essa proximidade, esse carinho, esse afeto, esse…

…amor?

Como entender que um pregador de tal envergadura ministerial conheceria as pessoas da igreja pelo nome? Seriam grandes dizimistas? Dignatários do governo? Intelectuais e artistas famosos? Não, eram pessoas comuns. Então como explicar tanto amor vindo de um homem com tamanha intimidade com Jesus?!

A explicação é exatamente essa: Paulo era um homem de tamanha intimidade com Jesus.

Quem conhece intimamente Cristo preocupa-se em conhecer intimamente sua noiva. A noiva por quem Ele deu a própria vida numa cruz. Quem é intimo do Senhor preocupa-se com aqueles que lhe são caros. Um ministro do presidente do Brasil não está no cargo para servir somente o presidente, mas para servir também os brasileiros. É algo indissociável. Dizer que ama Deus e não amar cada um de Seus filhos é uma prova de que, na verdade, só ama Deus da boca para fora.

Deus conhece você pelo nome. Importa que quem pastoreie sua vida também o conheça pelo nome. Se foi por falta de oportunidade ou porque você chega e sai do culto sem nunca ter se apresentado… faça isso. Vá até seu pastor e lhe diga: “Quero ser discipulado”. Megaigrejas não permitem isso. Quem avalia um pastor pelo crescimento numérico da congregação que ele pastoreia não entendeu nada do que Paulo ensinou. Em vez de apenas contar o número de membros ou batizados na igreja que ele lidera, para se perceber seu tônus ministerial deve-se conversar com as ovelhas dele. Perguntar se o pastor já foi a sua casa. Se já conversou sobre sua vida. Se já o amparou em momentos de angústia. Se desce da torre de marfim para o nível do chão. Se sua com o povo. Se chora com os pequenos. Se abraça os malcheirosos. Se beija os pecadores arrependidos. Se os conhece pelo nome. Esse é o bom pastor. Os outros podem ser bons pregadores ou bons qualquer-outra-coisa. Mas pastores?

O bom pastor sabe a razão de conhecer as ovelhas pelo nome: pois, ao fazer isso, está glorificando com sua vida – como bem mostra Romanos 16.27 – o “Deus único e sábio”, a quem “seja dada glória, por meio de Jesus Cristo, pelos séculos dos séculos”.

Amém…

Paz a todos vocês que estão em Cristo: Eliana, Marco, Luiz Felipe, Bianca, Lelê, Carla, Robson, Nanda, Alexandre, Isabelle, Poliana, Luiz Fernando, Cranudo, Fábio, Solange, Felipe, João, Danila, Ricardo, Jacy, Amanda, José, Gamaliel, Elinton, Luciene, Gutemberg, Alfredo, Tarciso, Alex, Dayana, Rodrigo, Juliana, Teresa, Edson, Artimes, Willian, Ruben, Marcos, Líbia, Anderson, Luiz Henrique, Carina, Regina, Katia, Katiana, Elias, Renan, Daniel, Gessé, Davi, Gleiscon, Raquel, Simone e tantos outros que só não menciono aqui por falta de espaço.

O mano, Maurício.

Não tenho nenhuma vaidade de querer ser criativo; desejo muito mais que o APENAS seja eficiente naquilo a que se presta: alcançar corações e levar pessoas a pensar de forma crítica e construtiva nas questões ligadas à fé – para, assim, se aproximar de Deus. Por isso, hoje decidi postar uma reflexão que, embora o texto seja escrito por mim, o conteúdo não é de minha autoria. Quero compartilhar a pregação que meu pastor fez domingo passado em nossa igreja. Foi uma mensagem profunda e bíblica, dura e reconfortante. Pode falar ao teu coração, como falou ao meu. Tenho o hábito de fazer anotações dos pontos principais dos sermões que ouço para posterior meditação, portanto o que você lerá a seguir é um resumo da mensagem trazida para a igreja por meu pastor. Praticamente todas as frases transcritas aqui são, ao pé da letra, o que ele pregou. O tema: perdão.

O texto base é Mateus 8, a partir do versículo 23. É a parábola de Jesus em que Ele compara o reino dos céus com um rei que resolveu ajustar contas com os seus servos. Chega um que lhe deve dez mil talentos, mas não tem como pagar. Seu senhor manda, então, que ele, toda sua família e seus bens sejam vendidos como pagamento da dívida. Desesperado, o servo prostra-se e pede paciência, perdão e misericórdia. Diz a Bíblia: “O senhor daquele servo, compadecendo-se, mandou-o embora e perdoou-lhe a dívida”.

Só que o mesmo servo logo depois encontra um conhecido que lhe devia uma quantia, o agride e exige que lhe pague. O conservo devedor humilha-se e implora, pedindo paciência e perdão. Em vez disso, o homem que havia sido perdoado pelo rei o lança na prisão. Ao tomar conhecimento do ocorrido, o monarca manda chamar o homem, lhe recorda do perdão que tinha recebido e o entrega aos carrascos, para que o torturem até que pague toda a dívida. E Jesus conclui: “Assim também meu Pai celeste vos fará, se do íntimo não perdoardes cada um a seu irmão”. Segue a síntese da pregação:

“Essa passagem deixa claro que perdoar é o único caminho para se ter saúde espiritual. Quem não perdoa vive uma vida espiritual pobre e moribunda. Quem não perdoa está morto diante de Deus em seu coração. É como um sino que ressoa (1 Co 13.1): algo que faz barulho, tem aparência e volume… mas não tem vida própria. Pior: quem não perdoa não será reconhecido por Jesus no último dia, pois não está pondo em prática um dos fundamentos da fé cristã: a certeza de que o bem que quero que me façam devo fazer ao outro. Se você gosta de ser perdoado, perdoe, para que haja saúde e sua vida espiritual não se perca.

Para perdoarmos biblicamente, é importante sabermos o que significa exatamente perdoar. Romanos 12.17 nos dá a resposta:

“Não retribuam a ninguém mal por mal. Procurem fazer o que é correto aos olhos de todos. Façam todo o possível para viver em paz com todos. Amados, nunca procurem vingar-se, mas deixem com Deus a ira, pois está escrito: ‘Minha é a vingança; eu retribuirei’, diz o Senhor.  Pelo contrário: ‘Se o seu inimigo tiver fome, dê-lhe de comer; se tiver sede, dê-lhe de beber. Fazendo isso, você amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele’. Não se deixem vencer pelo mal, mas vençam o mal com o bem”.

Não devolver mal com mal. Vencer o mal com o bem. Eis a resposta. Pois vingar-se significa vencer alguém mas deixar Satanás vencer você.

O grande engano dos cristãos é achar que perdão é algo emocional. Não é. Não tem a ver com “sentir” algo, mas com “fazer” algo. O perdão está relacionado a atos e atitudes. É ação. É agir como se o pecado nunca tivesse existido. As emoções, de acordo com a Bíblia e o Evangelho, estão sujeitas à razão. Assim, perdoar é um ato de sã consciência, é saber o que Deus quer. Se eu não perdoo, simplesmente isso mostra que não sou alimentado pela graça de Deus.

Então, o perdão ocorre em duas etapas: Primeiro se perdoa racionalmente (sabendo que aquilo é necessário, que é a vontade de Deus). É uma decisão mental, racional. O segundo passo são as ações. É não se alegrar com o mal que quem lhe ofendeu sofre. É orar pedindo que Deus ajude a pessoa que lhe ofendeu e que está em dificuldades. Mais ainda: é procurar quem lhe ofendeu e se oferecer para ajudá-lo no que ele precisa, com obras da graça e da bondade de Deus. E, por fim, é não causar danos ou perdas a quem lhe ofendeu.

É ao fazermos – ou não – tudo isso que demostramos quem de fato somos. Se pensamos em nós e em cumprir o que nossa justiça manda mais do que pensamos em Deus e na justiça dele, simplesmente estamos pecando. Pois nada é imperdoável quando contamos com a ajuda de Deus, nenhuma ofensa que nos fizeram é imperdoável. Tudo pode ser zerado.

A pessoa que não perdoa em forma de atitudes tem cheiro de diabo. Satanás nunca estende a mão a ninguém e quem se recusa a estender a mão está agindo como o diabo e, logo, é servo dele. Temos sempre que lembrar: não perdoar só satisfaz e alegra… o diabo.

Se dizemos que perdoamos nossos ofensores mas não retomamos a vida como tudo seguia antes da ofensa… na verdade não perdoamos. Pois isso mostra que ainda guardamos rancores, ressentimentos, medos, mágoas ou sentimento do gênero. É perdoar de boca mas não por obras. E a fé sem obras é morta. Fé sem perdão expresso em atitudes em prol de quem nos ofendeu não é fé cristã.

Não adianta eu saber orar se eu não souber perdoar. Minha oração não será respondida (Mt 6.14,15). Pois, se estou em litígio com Deus ao não perdoar meu próximo, o que posso esperar do Senhor? Nada.

A natureza desse assunto é grave. Pois Deus é perdoador. E, se eu não perdoo, não estou identificado com Deus. Não ando com Deus se não perdoo como Ele perdoa. E o perdão de Deus é absoluto, é uma quitação total da dívida e não parcial. O perdão verdadeiro nunca põe seus próprios interesses acima dos daquele que precisa de perdão (1 Co 13).

E para que perdoamos?  Primeiro, para ter paz com os outros. Segundo, para ter paz com Deus (Mt 6.15).

A renovação da mente de Romanos 12.2 passa por demonstrar perdão. Pois só tem a mente de Cristo quem perdoa, esquece das ofensas e retoma a vida a partir do ponto onde ocorreu a ofensa. Quem não o faz não perdoou, não teve a mente renovada e não age conforme a natureza de Cristo. É um cristão que não age como Cristo. Que Deus nos ensine a perdoar e a praticar o perdão. Em cada situação e a cada dia. Que Deus cure quem não perdoa. Pois a falta de perdão é uma grave doença espiritual. Quem nasceu de novo tem obrigação de perdoar.

Que Deus nos perdoe da nossa demora em fazer o que Ele quer. Que Deus nos perdoe por não perdoar. Podemos encontrar mil desculpas para não perdoar, mas não perdoar aos olhos de Deus… não tem desculpa”.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício
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Santarrão. Antes de Jesus me converter eu nunca tinha ouvido falar dessa palavra. É um jargão da Igreja protestante usado para designar pessoas que basicamente ostentam uma aparência de santidade externa sendo pecadoras e que vivem pondo o dedo na cara dos outros por seus pecados. Em linguagem bíblica, seria gente com trave no olho mas que está sempre apontando o argueiro no olho dos outros. Pois bem, eu gostaria de confessar publicamente que sou um santarrão. Cheguei a essa conclusão depois de me analisar à luz da Bíblia. Mas vamos por partes. Tomando por exemplo a definição acima de “santarrão”, mostro aqui três constatações que me levaram a descobrir que sou um:

1. “Pessoas que basicamente ostentam uma aparência de santidade externa sendo pecadoras” – Começando pelo final da frase, confesso: eu sou um grande pecador. Sou pó, sou humano e carrego o pecado original. Nasci de novo em Cristo quando Ele me estendeu sua graça, mas isso não evita que todos os dias eu cometa uns 3 mil pecados. E isso antes de levantar da cama pela manhã. 1 João 1.8ss me denuncia: “Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça. Se dissermos que não temos cometido pecado, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós”. E, sendo eu um miserável pecador, confesso que apesar disso procuro sempre mostrar aparência de santidade. O que, aliás, é o que todo cristão faz, não? Ou você encontra seus irmãos em Cristo e eles saem gritando pelos corredores os pecados que cometeram? Usam camisas e bandanas onde se lê “Hoje eu menti” ou “Sou um tremendo glutão”? Os adesivos que põem em seus carros dizem “Invejoso e fofoqueiro a bordo”? Não. Porque nenhum cristão faz isso. Todos nós procuramos nos apresentar com aparência de santidade, mesmo nos conhecendo e sabendo do mal que em nós grita e viceja.  Todos.

2. “Que vivem pondo o dedo na cara dos outros por seus pecados” – Pensei bem e vi que também faço isso. Denuncio pastores hereges que arrastam multidões para o erro, alerto sobre os teólogos que ensinam doutrinas de demônios, chamo meus irmãos em Cristo para a responsabilidade com aquilo que creem. Curiosamente, mais uma vez ao fazer isso estou sendo bíblico: em 2 Timóteo 4.2 Paulo diz: “Prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina”. Ele também fala em  1 Timóteo 5.1: “Não repreendas ao homem idoso; antes, exorta-o como a pai; aos moços, como a irmãos”. Novamente repete a ordem em Tito 2.6: “Quanto aos moços, de igual modo, exorta-os para que, em todas as coisas, sejam criteriosos”.  No mesmo Tito 2.15 prossegue: “Dize estas coisas; exorta e repreende também com toda a autoridade. Ninguém te despreze”. E ainda poderíamos concluir com mais palavras de Paulo em Romanos 12.8a: “o que exorta faça-o com dedicação”. Então vejo bastante base bíblica para exortar, admoestar. Ou, como disse, “pôr o dedo na cara”.

Aí você poderia dizer: “Ah, Zágari, mas quem falou tudo isso foi o grande apóstolo Paulo, ele era um santo, tinha moral para isso. Que moral você tem?”. Eu rio ao ouvir isso, pois é curioso que as pessoas não percebem quão pecador Paulo era. Dou só três exemplos bíblicos. Em 2 Coríntios 12, o apóstolo conta que Deus o arrebatou ao Paraíso, onde “ouviu palavras inefáveis, as quais não é lícito ao homem referir”. Só que Deus sabia que Paulo era humano e que estava passível de sentir soberba por aquilo, pecador que era. Então o que o Todo-Poderoso faz? “E, para que não me ensoberbecesse com a grandeza das revelações, foi-me posto um espinho na carne, mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de que não me exalte”. Para ajudar Paulo a combater o autoengrandecimento, o Senhor põe o tal espinho na carne dele. Para auxiliá-lo a não pecar pela soberba.

Segundo exemplo da pecaminosidade de Paulo: em Gálatas 2.11  ele confessa: “Quando, porém, Cefas veio a Antioquia, resisti-lhe face a face, porque se tornara repreensível”. Em outras palavras, Paulo teve um belo de um bate-boca com Pedro. Parece que o apóstolo tinha lá seus momentos de pega-pra-capar com os irmãos. E se essas duas provas não bastam e parecem especulativas, vamos ao terceiro exemplo: Atos 15 revela que o cabeça-quente Paulo mais uma vez entrou em uma briga com um irmão: “Alguns dias depois, disse Paulo a Barnabé: Voltemos, agora, para visitar os irmãos por todas as cidades nas quais anunciamos a palavra do Senhor, para ver como passam. E Barnabé queria levar também a João, chamado Marcos. Mas Paulo não achava justo levarem aquele que se afastara desde a Panfília, não os acompanhando no trabalho. Houve entre eles tal desavença, que vieram a separar-se”. Note que a expressão “tal desavença” mostra que não foi uma simples discordância, mas uma divergência tão feia que fez a dupla de irmãos missionários rachar. Sim, Paulo estava sujeito a soberba, a brigas e desavenças com irmãos na fé: tudo pecado.

3. “Gente com trave no olho mas que está sempre apontando o argueiro no olho dos outros” – Já disse: sou um tremendo pecador. Se eu cruzasse comigo na rua provavelmente atravessaria para a calçada do outro lado. Sei o mal que há em mim. No meu olho há uma trave maior do que a do Maracanã. E sim, como eu disse, estou sempre apontando o erro dos outros, dizendo qual é o cantor gospel cuja letra é mundana, falando que o sacerdote x ou y ensina teologias demoníacas e anticristãs – como a da Prosperidade, a Relacional, a da Confissão Positiva, a Liberal e outros pensamentos  que por fora se mostram belos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia. Eu faço isso, basta ler meus posts aqui no blog APENAS. No meu livro “A Verdadeira Vitória do Cristão”, então, sai de baixo, denuncio o triunfalismo mentiroso dos pregadores hereges e manipuladores da primeira à última página – com provas bíblicas e históricas. Como amo Cristo e a Igreja, vivo apontando o argueiro nos olhos dos enganadores do povo de Deus, dos que usam dinheiro sagrado em benefício próprio, das celebridades gospel arrogantes, dos pastores vaidosos, dos lobos em pelo de cordeiro. Confesso: sim, eu faço isso.

Portanto, cumpro todos os requisitos para ser chamado de santarrão: peco, busco ter aparência de santidade, denuncio o pecado alheio. Taí, inegável, sou mesmo um santarrão. Porém…

…essa constatação nos leva a uma ponderação: como sou um santarrão devo me calar? Fechar o APENAS? Deixar de escrever livros? Deixar de proclamar o Evangelho? Isso faz de mim alguém  indigno de anunciar as verdades do Reino e a salvação por Cristo? Eis o ponto. Independentemente de eu ser um santarrão, Deus continua sendo Deus, Jesus continua sendo o caminho, o pecado continua sendo pecado. Um aspecto interessantíssimo que 1 Pedro 1.12 nos revela é que os anjos pediram a Deus o privilégio de anunciar o Evangelho. Faria sentido: seres sem pecado pregarem contra o pecado. Mas, veja você, quem é que o Altíssimo comissiona para proclamar as boas-novas de salvação, a santidade, o mau cheiro do pecado? Marcos 16 e Mateus 28 deixam claro que essa grande comissão foi delegada aos homens pecadores. Extraordinário. Pecadores necessitados de arrependimento denunciando o pecado de pecadores e os chamando ao arrependimento. Isso é hipocrisia? Se for, meu irmão, minha irmã, eu e você que anunciamos – sendo pecadores – que o pecador necessita se arrepender dos pecados e se voltar para Cristo somos gigantescos hipócritas.

E, sabendo que todo homem peca, todo cristão busca a aparência de santidade e que todo salvo para proclamar o plano de salvação teria de pôr o dedo na cara do pecador, sendo ele próprio pecador, e dizer “arrependa-se dos seus pecados”, é justamente a todo homem manchado pelo pecado que Deus ordena que proclame a salvação por meio do Cordeiro sem mácula. Não é fascinante?

Em 2 mil anos de História da Igreja houve milhões e milhões de cristãos que proclamaram o Evangelho. Que chamaram pecadores ao arrependimento em Cristo. E absolutamente todos eles eram tremendos pecadores. Paulo: pecador, soberbo, brigão, mas é esse o homem que escreve sobre o amor em 1 Coríntios 13. Pedro: impulsivo, cortou a orelha de Malco, negou Cristo três vezes, e é esse que escreve na Bíblia: “segundo é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos também vós mesmos em todo o vosso procedimento, porque escrito está: Sede santos, porque eu sou santo”. Tremendos santarrões.

Mas vamos além: Agostinho, o grande teólogo dos primeiros mil anos de Igreja, era um conhecido rabo de saia.  Lutero, o grande Reformador, vivia bêbado. Calvino, o teólogo da Reforma, ajudou a condenar um homem à pena de morte. Consta que John Wesley viajava tanto para pregar porque vivia às turras com a esposa e viajar era um alívio. Charles Spurgeon (conhecido como “o príncipe dos pregadores”) era um fumante convicto e pufava montes de charutos por dia, a ponto de ter defendido esse hábito de púlpito e dito que “fumava para a glória de Deus”. Dietrich Bonhoeffer, mártir da Igreja no século 20, arquitetou planos para assassinar Hitler. Mauricio Zágari, escritor de alguns livros cristãos, tem tantos pecados que não caberiam num post. E você, será que se enxerga no meio de tão grande nuvem de testemunhas… pecadoras? Todos chamados por Deus para de alguma forma proclamar o Evangelho, a Cruz, a santidade, o arrependimento de pecados, Jesus Cristo. Todos poços de pecados. Logo, todos santarrões.

Sim, eu peco. Sim, procuro manter a aparência de santidade mesmo pecando. Sim, eu denuncio os erros dos outros tendo eu muitos erros. Sim, eu sou um santarrão. Mas Deus é Deus, independente de mim, e eu amo a mensagem da Cruz. E até morrer eu a vou proclamar.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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As reflexões expressas neste blog são pessoais e não representam necessariamente a posição oficial de nenhuma igreja, denominação ou grupo religioso.

“Como eu sei os planos de Deus para minha vida? Como sei se estou cumprindo a vontade dEle para mim?”. No período seguinte à minha conversão, essas perguntas me assombraram. Eu era néscio, novo convertido, mal tinha pego um ou dois bons livros teológicos para ler (já tinha lido muita besteira teológica, como livros de pastores da TV e de editoras evangélicas ruins: bons livros, quase nada) e essa questão me intrigava. Todos diziam que eu tinha de seguir a vontade de Deus. Mas como fazer isso se o Altíssimo não aparecia para mim em meio a um raio de luz ou uma sarça ardente e dizia o que esperava para a minha vida? Era um mistério para um neocristão como eu. E eu vivia perguntando a Ele. Eu, um pentecostal sem instrução, aguardava uma revelação, uma profecia ou algo do gênero que viesse a me mostrar se deveria virar para a esquerda ou a direita. Até um anjo aparecer à noite em meu quarto servia. Mas nada. Nem uma resposta. Nenhum dom sobrenatural. Nenhuma aparição divina entre gelo seco. Só o silêncio.

A resposta veio. Mas não como eu esperava. Não por meio de um fenômeno sobrenatural. Não trazida pelo varão de branco numa bandeja de prata andando no meio da congregação enquanto a igreja cantava um corinho de fogo. E quando ela veio eu aprendi o que todo pentecostal – como eu sou até hoje – deve aprender: as respostas de Deus aos nossos questionamentos só numa minoria ínfima das vezes chegam por meio de “vasos” ou “varoas de fogo”. Elas vêm pela ministração da Palavra. Ou seja: pela pregação e a exposição da Bíblia.

Não é muito empolgante, eu sei, nos emocionamos, choramos e nos arrepiamos muito mais quando alguém dá um berro, põe a mão em nosso ombro e nos fulmina com aquela voz empostada que só um profeta dos mantos de fogo sabe fazer:”Eeeeeeeeeeeeiiiiiiiiiiissss que te diiiiiiiiiigo, servo meu!!!”. Ah! Quem não gosta? O Altíssimo em linha direta conosco! Coisa boa demais. Só que em 99,99% das vezes não será assim que você terá as respostas de Deus: será pelas Escrituras. Creio nos dons? Claro, são bíblicos. Creio que Deus fala por profecia ou pela palavra de conhecimento (a popular “revelação”)? Claro, é bíblico. Mas também creio que as maiores respostas Deus já deixou preparadas e embrulhadas para nós na Bíblia Sagrada. E o tempo que muitos perdem indo atrás de profetas e similares seria muito mais bem aplicado se dedicado à leitura estudada da Palavra revelada de Deus. Quando o Senhor quer falar por meio dos dons Ele fala. Nós não temos que correr atrás. Ele tomará a iniciativa. Ficar correndo atrás disso deixando a Bíblia na prateleira pegando poeira denuncia um cristão mal discipulado.

Mas voltemos ao meu questionamento de novo convertido. Entenda que saber para onde Deus queria que eu fosse, qual era sua vontade para minha vida, que rumo eu devia tomar, qual seu plano para mim era algo muito importante na minha concepção, algo que eu vivia me perguntando e perguntando a Deus. Eu queria saber o futuro! Queria saber os desígnios do Todo-Poderoso para os anos a seguir! Queria ser o dono do conhecimento. Afinal, conhecimento é poder e eu me sentia aflito por não deter o poder de saber o meu futuro. Que bobo eu era.

Como disse, a resposta veio. Mas quando, onde e da forma que eu menos esperava. E junto com uma bela lição. Jesus me converteu em 1996. Em 1999 viajei a Nova York num passeio de férias. Repare: foram três anos perguntando ao Senhor como saber a Sua vontade e os Seus planos para a minha vida, sem obter uma resposta. Ao chegar à cidade, fiquei hospedado na casa de um amigo. Meu sonho e objetivo de longa data era visitar as igrejas de negros do Harlem, onde queria ver o canto gospel de raízes, sentir o cheiro do povão, me mesclar com a celebração em templos onde as mulheres se vestem como Whoopi Goldberg no filme “Ghost” e os homens gritam “Hallellujahhhhhhhh!” e “Amennnnn!!!” (pronuncia-se “êi-mén”) com aquelas vozes poderosas de Ray Charles. Esse era meu sonho. Poder gritar “Oh, yes, Lord!!!” no meio deles. Sim, eu tinha sonhado muito com aquilo.

Estava de férias, desligado da questão de “Deus, para onde eu vou?”. Minha dúvida naquele momento era saber em que estação de metrô descer para chegar ao World Trade Center (sim, eu subi ao terraço-mirante de uma das Torres Gêmeas dois anos antes de elas desaparecerem). Estava prestando atenção apenas no meu passeio. Domingo se aproximou e perguntei ao meu amigo como fazia para encontrar uma boa igreja no Harlem onde pudesse experimentar o gospel de raízes. Ele me respondeu que não fazia ideia. Mas que havia uma igreja muito visitada no centro de Manhattan, a Times Square Church, e me deu as dicas de como chegar lá. Eu queria ir para o Harlem, mas, pela falta de informações, me conformei e acabei mesmo indo para aquele antigo teatro da Broadway, onde anos antes havia estreado o musical “Jesus Cristo Superstar” e que agora havia sido comprado, mal sabia eu, por ninguém menos que David Wilkerson, o celebrado pastor e autor do clássico “A Cruz e o Punhal”. Era a sua igreja.

Só descobri isso quando, chegando domingo de manhã ao santuário, vi aquele senhor de cabelos brancos atravessando a rua ao meu lado. “Caramba, é o David Wilkerson!”, me assustei. E fui em frente. Pensei com meus botões:”Se é essa celebridade quem vai pregar, de um famosão desses só pode vir uma palavra fogo puro! Ô Glória!”. Entrei naquele lindíssimo santuário, com membresia da alta sociedade novaiorquina, só gente muito bem vestida, as cortinas vermelhas fechadas. De repente elas se abriram e um belo coral trajando becas amarelas e roxas começou a cantar, as letras projetadas num vidro preso no alto do santuário. Eu só me impressionava pela grandiosidade do lugar, pela tecnologia, e derramava lágrimas ouvindo aqueles gringos cantando “Jesus, lover of my soul”. Não estava nem aí naquele momento para “saber quais são os planos de Deus para minha vida”. Estava deslumbrado com tudo ao redor e excitadíssimo por poder ouvir David Wilkerson pregar. Chegou enfim a hora da pregação e eis que sobe ao púlpito… quem?! Quem?! Quem?!

O pastor auxiliar.

Hm. Tá. Ok. É, né, fazer o quê. Afundei na cadeira.

Wilkerson sentado, eu decepcionado e o Pastor Carter Conlon (foto) ao microfone. E foi quando aconteceu. Aquele homem sem fama ou best-sellers escritos, no meio de minhas férias, a milhares de quilômetros dos profetas mais usados da minha igreja local, sem que eu estivesse nem aí no momento para os planos de Deus para minha vida… pregou a resposta à pergunta que eu vinha fazendo há 3 anos. Foi uma mensagem simples. Sem grandes argumentos. Sem muito brilhantismo. Puro feijão com arroz espiritual. Mas que saciou uma fome que durava cerca de mil dias. Não houve um grande coral de anjos cantando enquanto o Céu se abria, fogos espocavam e a grande revelação vinha direto do sétimo, oitavo ou nono Céu numa carruagem puxada por cavalos de fogo e escoltada por arcanjos e querubins. Nada disso. Em voz calma e baixa, Pastor Conlon simplesmente disse, como quem comenta um fato corriqueiro com um amigo:

- Você quer que os planos de Deus para tua vida se cumpram? Quer que a vontade dEle para você torne-se realidade? Saber é difícil, nós mesmos nunca saberemos. Mas Deus sabe. Não é uma questão de saber, mas de deixá-la se cumprir. Então, se você quer sair daqui e ir para o Brooklyn sem saber o caminho, o que você faz? Pega um ônibus que tenha ao volante um motorista com as informações sobre como chegar lá. Depois basta ficar ali, perto dele, até que chegue ao seu destino. Do mesmo modo, se você quer cumprir o plano de Deus para sua vida, tudo o que tem a fazer é ficar perto de quem sabe como te conduzir até seu destino. Fique sempre perto de Jesus e todos os planos dEle se cumprirão na sua vida. Você não precisa saber. Basta estar junto a Deus e esperar, pois, um dia após o outro, todas as coisas cooperarão para que a vontade dEle se cumpra em você.

Simples. Bíblico. Silencioso. Pura explanação eficiente e inteligente das verdades bíblicas. Naquele momento, eu congelei. Primeiro, porque percebi que Deus tinha respondido à minha pergunta. Segundo, porque foi de modo totalmente diferente de como eu esperava. Terceiro, porque mostrou-me que eu estava fazendo a pergunta errada: o importante não era “saber”, mas “o que fazer”. Fiquei estarrecido.

Fui embora da Times Square Church com um livro com pregações de David Wilkerson e uma fita k-7 com mensagens dele debaixo do braço, cortesia para os visitantes de primeira vez. Mas, mais importante do que isso, saí dali com uma autêntica experiência com Deus. Sim, Deus tinha falado. E me dado uma bronca ao mesmo tempo. Fiquei feliz por finalmente conhecer a resposta à minha pergunta: para cumprir o plano, a vontade de Deus em minha vida, tudo o que eu tinha de fazer era estar junto a Ele a cada dia. Mas saí humilhado por ver o tamanho da minha prepotência. Por achar que seria da minha forma que a resposta viria. E foi quando entendi algo que é indissociável da pessoa do Senhor: sua absoluta soberania sobre tudo o que ocorre no mundo, as coisas boas e as coisas más.

Saí dali sem ter realizado o sonho de ouvir o gospel dos negros do Harlem, pois a Times Square Church é uma igreja de brancos, com louvores para brancos ao estilo dos brancos. Mas dei de cara com uma estação do metrô. Parei. Pensei. E disse a Deus: “É com o Senhor”. Embarquei e fui para o Harlem, sem ter noção de onde ia e totalmente às cegas. Era hora do almoço, chance mínima de realizar meu sonho, de ouvir o autêntico canto gospel de raízes. Saí sozinho, no meio do bairro, e comecei a andar por suas ruas. Em pensamento, orei: “Senhor, não conheço nada ao meu redor. Não tenho ideia de onde ir. Mas estou contigo, conduze-me”. Foi quando dobrei uma esquina e dei de cara não com uma igreja, mas com um palco montado numa rua interditada, onde 20 igrejas haviam se reunido para um dia de louvor a Deus, com corais, grupos, duetos, quintetos, solistas e os mais variados tipos de autênticos músicos gospel negro de raízes se sucedendo na plataforma. Sentei quietinho e isolado numa cadeira, o único latino em meio a centenas de negros, e vivi ali em êxtase um dos dias mais inesquecíveis da minha vida, com todo tipo de louvor do Harlem sendo entoado ao longo de toda uma tarde. Gozo para minha alma e a realização de um sonho, multiplicado por 20.

Não precisei saber para onde ir. Mas Deus conhecia meu desejo e tinha seus planos para minha tarde: dar-me de presente muito mais do que eu tinha pedido. Deleitei-me no Senhor e ele concedeu o desejo do meu coração. Tudo o que precisei fazer foi estar junto a Ele, dar um passo após o outro e dizer: “Pai, eis-me aqui. Leva-me aonde Tu quiseres e cumpre em mim a Tua vontade”.

Desde então não busco saber o meu futuro, vivo um dia após o outro. E se hoje olho para trás e vejo como Deus conduziu minha vida nos últimos 13 anos, desde aquele dia de maio de 1999, sorrio e percebo claramente como os planos dEle para mim têm todos se cumprido. O que Ele reserva para meus próximos 13 anos? Sinceramente não sei. E sinceramente não faço questão de saber. Apenas entrego meu caminho ao Senhor, confio nEle e sei que o mais… Ele fará. Confie nisso também.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício
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Desculpe se o título deste post é forte demais. Claro que não tenho vergonha de TODOS os nossos jovens cristãos. Mas preciso dizer uma verdade: se Jesus dependesse de uma enorme parcela dos jovens cristãos brasileiros dos nossos dias para cumprir a Grande Comissão, a mensagem do Evangelho morreria. Deixaria de ser divulgada. Porque olho em volta e o que vejo são muitos garotões e menininhas fúteis do ponto de vista espiritual, que se interessam em ir para a igreja por causa da festa. Para cantar, pular, gritar, encontrar amigos, namorar e comer uma pizza depois do culto dos jovens. Mas que nas suas escolas e faculdades, na sua vida familiar e no dia a dia vivem de modo tão inútil para o Reino de Deus como qualquer jovem não-cristão. E, perdoe-me pela dureza desse comentário: parece-me que uma enorme quantidade dos que frequentam os cultos de jovens não nasceram de novo. Não tiveram uma experiência real com Jesus de Nazaré, o Salvador. E vão para a igreja para pular, pular e pular… na presença de Deus?

Se você acha que minha visão é pessimista demais, pergunte aos jovens de sua igreja para quantas pessoas ao longo da última semana elas pregaram sobre o amor de Cristo. Quantas estão mais interessadas na eternidade do que no vestibular e na carreira? Quantas veem seus amigos indo para o inferno e choram por eles em oração noite após noite diante de Deus? Que sacrifícios estão dispostos a fazer por Cristo e pelos perdidos? Nossos jovens mal oram, mal conhecem o conteúdo das Escrituras, não há interesse por fazer um seminário teológico, não praticam as disciplinas espirituais, não estão nem aí para missões: querem é pipoca, cinema e ar condicionado. Não vejo fogo em seus corações pelo Espírito Santo, vejo uma preguiça desanimadora para as coisas de Deus.

Não gosto de generalizar. Há esperança de um futuro para a igreja. Há aqueles que sentem o toque do Espírito e abrem mão de si por Jesus. Que tomam suas cruzes e seguem-no. Há os que se dedicam, que leem livros cristãos, que vivem uma vida devocional, que buscam crescer na fé. Mais ainda: que buscam agir segundo a fé. Esses são os que me emocionam, porque são a prova de que o Deus vivo ainda vocaciona homens e mulheres para dedicarem suas vidas a levar as boas novas da salvação aos pecadores – não importa que idade tenham.

O que me motivou a escrever este post foi o vídeo que reproduzo abaixo. Foi-me enviado pelo mano Diego Vieira, da Igreja Cristã Nova Vida de Lote XV, em Belford Roxo (RJ). Dura menos de 9 minutos e mostra o depoimento de uma jovem da Coreia do Norte, um dos países onde cristãos mais são perseguidos no mundo, em que ela conta seu testemunho.

O que vejo ali não é uma jovem de 18 anos. É uma mulher de Deus. Alguém cujos sofrimentos e cujas experiências a estão levando a dedicar sua vida à causa do Evangelho.

Assista. E envergonhe-se. Eu, que tenho 40 anos, me envergonhei ao ouvir as palavras de Kyung Ju Song, esse gigante em corpo de menina. Suas rápidas palavras mostram que ela tinha tudo para odiar Deus, por tudo o que ela e sua família passaram. Mas seu amor por Cristo e sua visível emoção ao final de sua fala são uma lição para todos nós.

Estou ciente que minhas palavras podem te soar duras demais. E são. Mas não são as mais duras que você ouvirá, caso venha a assistir ao video abaixo. Pois as palavras de Kyung Ju Song são ditas num tom de voz doce e quase meigo, mas são pungentes e perfuram como um punhal afiado. Que elas venham a despertar aqueles que estão dormindo o sono do conforto e da mesquinha rotina diária para uma vida de dedicação à causa da Cruz. Paro aqui. O que ela tem a te dizer em poucos minutos é mais importante do que o que eu poderia falar por horas. Ouça-a. Morra de vergonha. E depois, jovem cristão, sugiro que reflita e faça algo pelo Reino de Deus.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício
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É notório que, no imaginário popular do evangélico brasileiro, uma igreja abençoada por Deus é uma igreja enorme. Cheia. De preferência, lotada. Com montes de departamentos, atividades, grupos disso e daquilo, ministérios mis e cheias de bons dizimistas. Quem entra nesses maracanãs da fé costuma achar que ali é a sucursal do Céu, pois tudo é grande, os projetos são ousados, o lance é arrebentar o inferno, mergulhar no oceano do Espirito, ter um grupo de louvor (ou mais de um) com CD gravado, um coral de 300 vozes (por que não 500?), grupo de dança, teatro, evangelismo e vamos que vamos! Só que, para mim, Deus não está nem aí para esse tipo de igreja. E explico por quê.

O Senhor não suporta arrogância e orgulho. A Biblia diz que “Deus se opõe aos orgulhosos, mas concede graça aos humildes” (Tg 4.6; 1 Pe 5.5). e que “Os arrogantes não são aceitos na tua presença” (Sl 5.5); “O Senhor preserva os fiéis, mas aos arrogantes dá o que merecem” (Sl 31.23); “Embora esteja nas alturas, o Senhor olha para os humildes, e de longe reconhece os arrogantes” (Sl 138.6).

A Bíblia deixa claro que humildade é uma das características que o Criador mais preza nas suas criaturas. Pois demonstra que elas sabem quem são diante da grandeza do Rei e que têm compreensão de sua natureza: pó. Ocorre que, se você observar com muita atenção, na grande maioria das vezes, líderes e outras pessoas ligadas aos diferentes ministérios dessas megamáquinas da fé são pessoas extremamente arrogantes. Se acham especiais – afinal, Deus as ” abençoou” com tamanho, com quantidade.

Já tive a oportunidade de observar às vezes simples líderes de juventude de megaigrejas se comportarem como os manda-chuvas do pedaço, exigindo tratamento diferenciado, destratando pessoas. Arrogância pura. Causada por o quê? Pelo pensamento equivocado de que “se Deus me pôs à frente de um trabalho tão grandioso, com tantas pessoas sob meu comando, eu devo ser algo especial”. Ao que a Biblia responde: “O orgulho vem antes da destruição; o espírito altivo, antes da queda” (Pv 16.18).

Quem conhece os bastidores desses Taj Mahals da fé sabe ainda que muitas vezes há pecados relacionados a dinheiro nas coxias dessas megaestruturas. Em impérios eclesiásticos, os olhos crescem. A concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida inundam corações outrora puros. Que me perdoem os Mike Murdocks e os Morris Cerullo da vida, mas ter muito dinheiro à mão, acredite, é uma desgraça para o cristão. Pois ele perde o senso de dependência de Deus, torna-se abusador, gasta mais do que precisa, esbanja. O cofre da igreja torna-se acessível a qualquer momento e como “o líder merece, afinal rala tanto por aquela igreja”, sente-se à vontade para sacar,  alem de seu justo salário, quanto e quando quiser daquela conta corrente descontrolada.  E  sem meias-palavras? Isso é pecado.

É pecado pois esse dinheiro não pertence ao líder, mas a Deus. E deve ser investido nas coisas de Deus e não em benefícios para o líder e sua vida pessoal. Entenda isso: o líder de uma igreja é servo. E um servo não é dono da casa de seu senhor. Muito menos do dinheiro dele. Os que lançam mão daquilo que não é seu… bem, precisa dizer o nome que se dá a isso?

Essas megaigrejas se tornam fábricas de ex-bons cristãos: homens e mulheres de Deus que começaram suas caminhadas de fé de joelhos e na simplicidade mas que acabam se corrompendo. Se formos pensar apenas nessas igrejas que se destacam porque fazem música que ganha fama, lançam CDs e DVDs e vão a programas de auditório na TV, veremos pequenos servos de Deus que viraram artistas profissionais gospel movidos a cachê, a glamour, que passaram a amar dar autógrafos. Alisam ou arrepiam os cabelos, usam roupas moderninhas e “ministram” com uma estética que me lembra Elvis Presley  Aliás, voltando um pouco atrás… que piada: cristãos que amam dar autógrafos. Tive que rir desse pensamento.

Mas o pior mesmo são os pastores que se perdem pelo meio do caminho. Pregadores que antes eram devotados a Cristo, homens de joelhos calejados e olhos marejados, homens de Deus humildes e simples que tornam-se vaidosos porque suas igrejas viraram arranha-céus da fé. Refratários a críticas. Acham que o seu jeito é o jeito certo pois, afinal, suas igrejas estao cheias e são enormes  e se esquecem de que a quem muito foi dado muito será cobrado. Organizam eventos faraônicos. Compram canais de TV. E quando menos se espera deixarm de se preocupar com oração, jejum e vigílias para se devotar a empréstimos em bancos, asinaturas de documentos e negociatas com políticos.

Começa então a prostituição. O desejo por ter sempre mais leva muitos dos líderes desses palácios eclesiásticos a buscar qualquer forma de associação que lhes permita ganhar mais e mais. Associam-se ao poder político. Entram na maçonaria. Assinam contratos com gravadoras seculares. Fecham acordos com emissoras de TV pagãs. Quando nos damos conta, o monstro está tão grande que se torna uma besta descontrolada – e lá no meio, perdido em algum canto obscuro, empoeirado e esquecido, fica um tal de Jesus de Nazaré, olhando em volta e tentando dizer “ei… alguem aí se lembra de mim?”.

É por isso que acredito piamente que Deus não está nem aí para esse tipo de igreja. Que Deus ignora megaestruturas. Ignora megaeventos. Há mesquitas muçulmanas enormes. Templos budistas palacianos. Centros de umbanda que ocupam quarteirões inteiros. Grande coisa.  Para o Senhor, pés-direitos altos são irrelevantes. Grandes torres, muitos bancos, milhões de decibeis de uma aparelhagem de som importada… tudo lixo no Reino de Deus. E imagino Jesus se perguntando “pra que isso tudo mesmo”? Ah sim, tem a questão da vaidade…

Nem toda megaigreja vira uma fria mansão vazia de espiritualidade. Nem todo líder de um palácio da fé se corrompe. Mas a experiência mostra que isso só acontece com  poucos. Pois o ser humano se impressiona com tamanhos e grandes números. Isso é inegável. E  tamanhos e números são um convite à vaidade. E a vaidade é o caminho mais curto para a ruína de uma alma.

Igrejas não precisam ser cheias. Precisam ser Igreja. Cristo não precisa de um megaevento por ano em palcos suntuosos, mas de pequenos cultos semanais em igrejinhas onde haja corações derramados. Os poucos membros têm de ser fieis. Têm de cumprir o que na raiz significa “Igreja”: ser eclésia, os chamados para fora do mundo, do pecado, de uma vida de vaidades, orgulho, arrogância e outros pecados fáceis de converter corações puros em soberbos. Jesus quer pessoas bem discipuladas, Ele disse isso em Mt 28.19, quando falou “vão e façam discípulos”. E você acha que Ele estava se referindo a quê? Jesus não disse “vão e encham igrejas”, ou “vão e criem monstros da fé que se achem acima do bem e do mal”. Jesus quer igrejas com homens e mulheres de Deus que entregariam seus peitos à espada e os pescoços aos leões alegremente para não negar Cristo. Só. Pois esse ato já diria tudo.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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