Arquivo da categoria ‘Pecado’

Perdao total_pilhaSou um pecador. Peco todos os dias, embora eu odeie os meus pecados. Isso também acontece com você? Já cometi pecados que me envergonham profundamente e até mesmo me fizeram questionar se seria possível que Deus me perdoasse. Também já fui ferido por outras pessoas e tive de estender perdão a elas, apesar de profundamente machucado. E, claro, já causei mal a outras tantas pessoas também, e precisei ser perdoado por elas. Se você é humano e falho como eu, percebe, então, a suma importância de perdoar, de se perdoar e de ser perdoado. Não há como mensurar o valor incalculável do precioso perdão, algo que, ao recebermos ou concedermos, remove de nossa alma toneladas de culpa, dor, sofrimento, falta de paz. A vida cristã só é possível porque existe perdão, a cruz de Cristo teve como objetivo conceder perdão… enfim, é absolutamente impossível caminhar no evangelho sem perdão. Esse assunto tem feito parte de minhas reflexões de modo muito intenso nos últimos anos, o que me levou a realizar uma pesquisa profunda nas Escrituras sobre o tema. Essa busca para compreender (e viver) melhor o perdão de Cristo acabou gerando um livro, lançado oficialmente ontem pela editora Mundo Cristão: Perdão Total – Um livro para quem não se perdoa e para quem não consegue perdoar (já disponível no site da Mundo Cristão e, nos próximos dias, nas livrarias de todo o Brasil).

Peço desculpas se este texto soa como a propaganda de um livro. Acredite: para mim, é muito mais do que isso. Tenho a convicção, reforçada pelo depoimento de pessoas que já o leram, de que ele pode ajudar vidas que por anos estiveram aprisionadas pela falta de perdão a encontrar o caminho da paz e do cumprimento da vontade de Deus; da graça e do amor divinos. A falta de perdão é um fardo pesado demais e ninguém precisa carregá-lo. Ninguém. A você, que acompanha este blog semanalmente, explico que tudo o que procurei fazer com esse livro foi o que faço nos posts do APENAS: estudar e refletir sobre as coisas de Deus para abençoar a vida de quem me lê.

Além na necessidade pessoal de viver diariamente o perdão (seja dando-o, seja recebendo-o), o que me motivou a escrever esta obra foi a clara percepção de que muitos e muitos de meus irmãos e minhas irmãs em Cristo não estão vivendo o perdão como Deus deseja. Ao conversar com centenas de cristãos em igrejas em que prego ou palestro ou mesmo por meio deste blog, me espanto e me entristeço pela quantidade de almas que sofrem (muitas vezes em silêncio) por não conseguir viver plenamente o perdão. Por isso, meu objetivo é que este livro – escrito numa linguagem extremamente fácil e simples, para ser compreendido por qualquer pessoa – conduza quem o ler a vivenciar de modo pleno e absoluto o perdão bíblico. Perdão Total_Capa 3D em alta

Primeiro, o texto mostra a quem vive atormentado pela culpa por ter cometido determinados pecados no passado que pode ser liberto imediatamente desse peso e viver com leveza e felicidade. Isso mesmo para cristãos que cometeram tais pecados após a conversão.

Segundo, o livro apresenta verdades bíblicas para quem foi magoado, ferido, humilhado, abandonado, traído, desprezado, agredido, enganado, roubado, vilipendiado, usado, maltratado, molestado, abusado… enfim, para quem de algum modo sofreu algo que o deixou ressentido e, por isso, não consegue perdoar quem o fez sofrer. Às vezes até sabe que deve perdoar e gostaria de liberar perdão… mas não consegue. E, por isso, vive preso a amarras espirituais que têm consequências sérias.

Se você vive alguma dessas realidades, recomendo carinhosamente a leitura deste livro. Ou, se você conhece alguém que não perdoa a si mesmo ou que precisa perdoar outra pessoa, recomendo que indique o livro ou o dê de presente. Claro que, como autor, minha recomendação é suspeita. Por isso, sinto-me mais à vontade deixando que outros falem em vez de mim. “Perdão Total” tem prefácio do pastor presbiteriano JR Vargas, apresentador do Debate 93 FM; além de endossos de pessoas como a pregadora Helena Tannure; a coordenadora nacional do movimento Desperta Débora, Nina Targino; e o juiz federal e escritor William Douglas. Eles escreveram sobre o livro:

Nina Targino“Falar sobre Perdão Total em poucas palavras é um desafio grande demais, pois o livro é maravilhoso. Nele aprendemos sobre o amor que vai além dos dramas da vida. É luz para quem não sente o perdão de Deus e para quem não consegue perdoar os que lhes têm ofendido. A beleza não é somente o esmero do autor, mas a possibilidade de falar a corações que vivem em prisões da alma. Leia este livro, encontre a paz!” —– Nina Targino, Coordenadora Nacional do Desperta Débora.

JR Vargas“Você tem em suas mãos uma obra valiosa, que o ajudará a descobrir o caminho do Perdão Total. Em cada página somos conduzidos a uma prática libertadora, sustentada pela Palavra do Senhor. Aproveite a oportunidade, leia prazerosamente este livro — pelo qual já fui grandemente abençoado — e seja livre” —– Jr. Vargas, Pastor da Igreja Presbiteriana das Américas (RJ) e apresentador do Debate 93, na Rádio 93 FM.

William Douglas “Este é um livro único. Tem a grande virtude de destacar as verdades bíblicas sobre o perdão em uma linguagem muito acessível e agradável. Maurício Zágari tem se destacado como escritor e editor, melhorando substancialmente as obras nas quais trabalha, então ele não poderia deixar de fazer um livro de excepcional qualidade. É uma grande alegria poder ler um livro de Maurício Zágari” —– William Douglas, Juiz federal, escritor e conferencista, membro da Academia Evangélica de Letras do Brasil (AELB) e da Academia Niteroiense de Letras (ANL). “

Helena TannureEm Perdão Total, Maurício Zágari nos dá o vislumbre de uma vida livre do fardo pesado que o acusador impõe, encorajando cada leitor a receber a dádiva do perdão e a permanecer trilhando o caminho da verdadeira liberdade que também nos fará estender a outros o que de graça recebemos. O amor de Deus é completo, absoluto e suficiente para arrebentar as amarras de culpa que continuam prendendo pessoas em intermináveis teias de dor ao longo de toda a história humana” —– Helena Tannure, Palestrante, escritora e cantora.

Entenda que “Perdão Total” não tem nenhuma virtude em si. Seu valor está, isto sim, em indicar de forma ao mesmo tempo profunda e compreensível o que a Palavra de Deus fala sobre o perdão divino. A Bíblia sim aponta o caminho. Jesus é quem realiza a obra. Tudo o que eu fiz, como autor, foi amplificar aquilo que as Escrituras revelam. A Deus toda a glória e todo o mérito. Desde que comecei a idealizar “Perdão Total”, minha oração sempre foi que ele se tornasse um instrumento de Deus para transformar muitas e muitas vidas. Talvez a sua. Talvez a de alguém que você conheça. Seja a de quem for, oro a Jesus que abençoe, liberte, restaure, ilumine, edifique e mostre o caminho mais excelente que só o verdadeiro perdão pode proporcionar. Perdão total: abrace essa realidade e viva plenamente essa verdade!

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari Perdao Total_News cortado

Perdão é um assunto essencial para nossa saúde espiritual. A falta de perdão é um câncer que corrói a alma, gera culpa e ressentimento e nos afasta de Deus. Foi por isso que decidi me dedicar a esse tema em meu livro mais recente, Perdão Total – Um livro para quem não se perdoa e para quem não consegue perdoar (veja AQUI), que acabou de ser lançado pela editora Mundo Cristão. Semana que vem falarei um pouco mais sobre ele, se você me permitir. Hoje compartilho apenas um pequeno vídeo, que a editora me pediu para gravar, em que abordo um dos temas tratados no livro. Espero que aquilo que procuro compartilhar nessa fala de 2 minutos abençoe a sua vida.

Perdão Total_Youtube

(Se, ao clicar na imagem, o vídeo não abrir, clique AQUI)

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Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari

 

toxicas2É triste mas é verdade: existem pessoas tóxicas. São indivíduos que, por onde passam, deixam uma sensação muito ruim no ar, seja de mal-estar, tristeza, mágoa, derrotismo, antipatia, dissensões… suas palavras e/ou ações acabam provocando muitas sensações ruins e gerando situações incômodas. Essas pessoas me lembram um pouco o personagem Cascão, da Turma da Mônica, que por onde anda deixa o rastro de seu cheirinho desagradável. No caso de gente tóxica, o que fica não é mau odor, mas um clima muito estranho no ambiente, algo ruim, falta de paz. Você conhece gente assim? Provavelmente sim. E o que fazer com pessoas que causam mal-estar por onde passam? Melhor: como proceder, como cristão, quando pessoas tóxicas atravessam seu caminho?

Não fui eu quem inventou o conceito de “pessoa tóxica”, ele já existe e foi elaborado com mais cuidado pelo escritor e psicólogo argentino Bernardo Stamateas. “Tóxico” significa ser “venenoso”. Assim como uma substância tóxica que, despejada em um rio, mata peixes, plantas e outros seres vivos que tiverem contato com aquela água, um indivíduo “tóxico” é aquele que envenena os arredores – seja pelo que fala, seja pelo que faz, seja pelo que transmite. Ele causa abatimento de alma, conflitos, irritação, uma sensação incômoda e, invariavelmente, provoca falta de paz. Essa, aliás, é uma característica comum a todo tipo de pessoa tóxica: parece que ela contamina a paz que existe ao seu redor, como a fumaça tóxica de cigarros parece tornar o ar à sua volta irrespirável. Não é alguém que você tenha prazer de encontrar. A má notícia é que todo lugar tem sua cota de pessoas tóxicas – até mesmo as igrejas. Por isso, temos de aprender a lidar com esse problema, biblicamente.

toxicas3O melhor dos mundos é que esse indivíduo perceba que tem influenciado negativamente seu entorno, arrependa-se e abandone esse modo de ser. Você, meu irmão, minha irmã, pode ser o canal para essa transformação. Por isso, se houver ocasião e você tiver liberdade para isso, advirta com amor e carinho essa pessoa. Procure mostrar as consequências ruins de suas atitudes. Mas, se ela prosseguir em sua postura incômoda e desagradável, só há um caminho: afastar-se, para que você não acabe sendo contaminado e reproduza em seu comportamento aquilo que Deus aborrece ou abomina: “Seis coisas o SENHOR aborrece, e a sétima a sua alma abomina: olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, coração que trama projetos iníquos, pés que se apressam a correr para o mal, testemunha falsa que profere mentiras e o que semeia contendas entre irmãos” (Pv 6.16-19). Fuja de tudo isso. Não deixe que ninguém o influencie a trilhar esses caminhos.

Portanto, se não houver mudança de comportamento, a melhor maneira de se lidar com pessoas tóxicas é manter-se distante delas e, se necessário, cortar o contato. Paulo dá um exemplo de pessoa tóxica que deveria ser evitada, quando recomenda a Timóteo: “Alexandre, o latoeiro, causou-me muitos males; o Senhor lhe dará a paga segundo as suas obras. Tu, guarda-te também dele, porque resistiu fortemente às nossas palavras” (2Tm 4.14). Com esse afastamento, tais indivíduos não conseguirão exercer sua influência nociva sobre você.

toxicas4Portanto, não se deixe contaminar. Pois é fácil, por exemplo, virar um fofoqueiro quando se convive muito com fofoqueiros. Ou tornar-se um reclamão, quando cercado por reclamões. Ou adotar uma postura pessimista, se andar na companhia de pessimistas. A língua é terrível, nesse sentido, como Tiago destacou bem em sua epístola. Nas igrejas, geralmente uma pessoa maledicente acaba conduzindo quem está ao redor à maledicência. Ela fala mal de um irmão e, em pouco tempo, atrai para si um grupo de “discípulos” que passa a multiplicar aquilo que ela diz. Então, se você detectar que uma determinada pessoa consegue infectar as demais com a nuvenzinha negra que transporta sobre sua cabeça, evite reproduzir o que ela faz. Se ela chega para fofocar sobre a vida alheia, criticar negativamente os outros, meter o malho sem nada edificar, arrastar você para um estado de espírito depressivo, transformar seu dia para pior… simplesmente se recuse a participar da conversa. Em outras palavras, fuja das rodas tóxicas, sejam elas dos escarnecedores ou de quaisquer outros influenciadores de comportamentos perniciosos – mesmo que essa influência ocorra “em nome de Jesus”.

Em nossos dias, infelizmente muitas pessoas tóxicas conseguiram ampliar o alcance de seu veneno graças ao advento da televisão e, principalmente, da internet. Quem antes só destilava mal-estar para quem o cercava agora consegue estender esse clima ruim para milhares de pessoas por meio de todo tipo de mídia: programas de TV, redes sociais, YouTube, blogs, sites… as possibilidades são muitas. Pode reparar: se você criar o hábito de consumir o azedume destilado por esses irmãos, vai acabar destilando o mesmo azedume. Se não tomar cuidado, em pouco tempo estará adotando o mesmo tipo de discurso, assumindo postura agressiva semelhante, deixando-se deformar pela influência do veneno que chega até você pelo computador e pela televisão – e isso será péssimo. “Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes. Tornai-vos à sobriedade, como é justo, e não pequeis; porque alguns ainda não têm conhecimento de Deus; isto digo para vergonha vossa” (1Co 15.33-33). Conhece quem esteja vivendo sob a influência de gente tóxica on-line ou via satélite? Pois cuidado para não se deixar envenenar também.

toxicas5As pessoas tóxicas que estão nas mais variadas mídias são diferentes das que convivem com você, no sentido que raramente você conseguirá chegar até elas para alertá-las em amor acerca do mal que estão disseminando. E, se conseguir, geralmente o seu posicionamento será repudiado como errado, menos espiritual ou menos embasado teologicamente. A distância virtual blinda. Pessoas com, por exemplo, fama ou muitos seguidores e “amigos” em redes sociais muitas vezes confundem isso com sinal verde para se tornarem altivos. Nesses casos, meu irmão, minha irmã, bater de frente não vai adiantar nada. A atitude deve ser fugir dessas pessoas. Falo por experiência. Há um bom tempo eu simplesmente fujo de toda e qualquer coisa que pessoas tóxicas postem na web ou falem na TV. Não leio mais o que escrevem em redes sociais; não assisto mais a suas pregações, a seus podcasts ou programas on-line; ignoro o que publicam em seus sites e blogs; fujo de seus programas de web TV. Se alguém me manda por e-mail o que as tais divulgam, eu simplesmente deleto sem olhar. E como valeu a pena! Por isso falo de algo que tenho posto em prática: fugir desse tipo de influência deixa você mais leve, saudável, em paz. É bom para a saúde – física, emocional e espiritual. E, livre dessas influências, o que você passa a falar torna-se muito mais agradável e edificante e a sua vida passa a dar muito mais frutos. Como alguém que para de fumar e, aos poucos, torna-se mais saudável e bem disposto, remover essas influências da sua vida só vai te fazer bem. Busque consumir somente aquilo que some e te faça ser alguém melhor.

Uma das grandes dificuldades para se conseguir manter-se distante da influência das pessoas tóxicas que estão na internet e na TV é a curiosidade. Você vai chegar na igreja e todos vão começar a comentar o que o famoso fulano de tal disse e que está disponível no YouTube. É natural sentir aquele comichão para buscar assistir ao que está na boca do povo. Mas, como alguém que enfia a mão em uma toca de cascavel, abrir-se a essa influência só te fará mal. Se você está nas redes sociais, fatalmente montes de seus amigos vão compartilhar o texto daquele irmão tóxico que destila mal-estar, tensão, polêmicas, dissensões e amargura por onde passa. É preciso ter domínio próprio para não abrir o link e ler aquilo que te fará mal. A boa notícia: é possível. Basta você querer.

Para muitos, fugir dessas influências significaria alienar-se das coisas que estão acontecendo no mundo e na igreja. Só que não. Com o tempo e a desintoxicação, você vai perceber que o que pessoas tóxicas produzem não faz nenhuma falta – assim como fumaça de cigarro não faz falta, apenas vicia e gera um certo prazer tóxico a quem é adepto. O veneno das tais provoca efeitos como tristeza, depressão, escândalo, polêmicas, chateações e facções. Não precisamos de nada disso em nossa vida. Precisamos de paz. Cristo passa longe de bate-bocas entre irmãos, das indiretas on-line, de agressões via satélite, picuinhas “gospel”, maledicências, confrontos nocivos, sarcasmo e coisas similares. “Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade; porém não useis da liberdade para dar ocasião à carne; sede, antes, servos uns dos outros, pelo amor. Porque toda a lei se cumpre em um só preceito, a saber: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Se vós, porém, vos mordeis e devorais uns aos outros, vede que não sejais mutuamente destruídos. Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne” (Gl 5.13-16).

Fuja de todo veneno, mesmo o que vem de irmãos em Cristo. É provável até que os tais lancem seu veneno na maior das boas intenções e crendo estar agradando a Deus (como os fariseus e mestres da lei criam na época de Jesus). Mas isso não faz o veneno deles ser menos venenoso. Assim como você naturalmente mantém distância se encontra uma aranha venenosa, afaste-se de pessoas tóxicas. Se puder contribuir para que mudem, ótimo. Se elas não quiserem te dar ouvidos, deixe – e não permita que o veneno que destilam por suas palavras e atitudes chegue até você. “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o coração, porque dele procedem as fontes da vida. Desvia de ti a falsidade da boca e afasta de ti a perversidade dos lábios” (Pv 4.23-24).

toxicas6Se não conseguimos influenciar positivamente as pessoas tóxicas, devemos, então, nos preocupar com quem temos a capacidade de mudar: nós mesmos. Sobre isso, reflita comigo: até que ponto não sou eu quem tem envenenado o próximo? Será que levo a paz a todos? Será que minhas palavras são sempre edificantes e temperadas com sal? Será que ajo em tudo com mansidão, amabilidade e carinho? Será que sou dos que edificam ou dos que prejudicam? Será que tenho defendido o evangelho como um pacificador ou como um gladiador? Em suma, tenho incensado os ambientes reais e virtuais por onde passo com o suave perfume de Cristo ou os tenho intoxicado com um jeito de agir e de falar que envenena corações e mentes? Se você perceber que, de alguma forma, tem sido tóxico, peço a Deus que aceite minha exortação em amor – e faça de tudo para mudar. No dia em que percebi que eu estava sendo um cristão tóxico, comecei a buscar em Deus a transformação, então falo com conhecimento de causa. Sim, eu já envenenei muito, e a percepção disso me abateu enormemente e me conduziu a um doloroso processo de arrependimento. Tenho me esforçado diariamente para mudar e ser alguém que direciona suas energias para edificar e abençoar, então sei que é possível lutar nesse sentido. E, se é possível para mim, é possível para qualquer um.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Mauricio Zágari

Perdao Total_News cortado

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imageAbrir mão é um dos maiores desafios que Deus nos propõe. Não se engane: se você quer ser um bom cristão terá de abdicar de muitas e muitas coisas. Frequentemente, coisas de enorme importância em sua vida. É interessante pensar que, ao fazer isso, você se aproxima de Cristo e reproduz o padrão divino. Afinal, quando o Criador se fez humano para viver entre uma humanidade que não merecia nada, ele estava, exatamente, abrindo mão de sua glória celestial para se tornar como um de nós – por amor a nós. Assim, quando você renuncia algo simplesmente porque é o certo e por amor ao Senhor, possivelmente vai sofrer enormes perdas e, com elas, virá certa dose de sofrimento. Mas eu gostaria de encorajá-lo a perder. Acredite: vai valer a pena, pois o que você ganhará com sua abnegação será algo de valor incalculável: a aprovação de Deus.

Em nossa sociedade, pôr o outro em primeiro lugar é visto como fraqueza, talvez tolice, para não dizer burrice. No evangelho não. Paulo escreveu: “Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros” (Rm 12.10). Portanto, abrir mão aos olhos de Deus é sinal de grandeza. É virtuoso. É nobre. Se for pelo bem do próximo, você trilhou o caminho mais excelente. Se for por amor a Cristo, você alcançou a grandeza.

Pode ser que você tenha amado muito uma pessoa, mas abriu mão de prosseguir no relacionamento porque teria representado jugo desigual. O adeus certamente foi doloroso, mas foi o certo. Tenho certeza de que Deus abençoará a sua vida por ter se recusado a prosseguir por amor a Cristo. Se foi o caso, jamais olhe para trás, deixe o que passou no passado, com a absoluta certeza de que você fez o certo. Outro exemplo: possivelmente você já teve a chance de colar em uma prova. Se o tivesse feito, sua nota teria sido maior. Mas o sorriso de Deus quando você abriu mão da fraude compensou, pode ter certeza. Deixou de ganhar pontos no teste, mas recebeu muitos no céu. É possível, ainda, que tenha sofrido graves perdas financeiras por ter se recusado a dar propina a fiscais. Garanto que todo o dinheiro que você abriu mão de ganhar será convertido em muito galardão na eternidade. Também pode ter sido o caso de você ter se afastado de amigos que o arrastavam para o pecado, por mais que gostasse deles. Jesus, o seu melhor amigo, ficou feliz, acredite.

Ou ainda, pode ser que  você tenha aberto mão de seu orgulho para perdoar alguém que não merecia seu perdão. Talvez essa pessoa nem mesmo tenha lhe pedido desculpas… mas você perdoou assim mesmo. Acredite: abrir mão de si para perdoar é uma atitude celestial, pois, quando você estende perdão total a alguém, está fazendo o que Jesus faz com todo aquele que chama das trevas para a luz. Perdoar significa abrir mão de si para ganhar a natureza de Cristo.

Se você abriu mão de algo muito importantes – muitas vezes à custa de sofrimento, não pense que Cristo não valoriza o que você fez. Ele está ciente.

E percebeu uma coisa? Tudo de que você tem de abrir mão por amor a Jesus se converte em aprovação divina e, logo, em bênção para sua vida. “E todo aquele que tiver deixado casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe ou mulher, ou filhos, ou campos, por causa do meu nome, receberá muitas vezes mais e herdará a vida eterna” (Mt 19.29). O Senhor está falando aqui exatamente sobre abrir mão das coisas mais preciosas que podemos ter nesta vida por amor a ele.

Em muitos momentos de sua caminhada você se verá frente a frente com situações em que terá de abrir mão de algo muito valioso para ser fiel ao seu Salvador. Enxugue as lágrimas, sacuda a poeira e vá em frente de cabeça erguida. Sem arrependimento. Sem olhar para trás. Sem pensar “como teria sido se…?”. Esqueça. Foi por amor a Deus? Então foi pela razão certa. No dia em que você entrar na glória do Pai, o abraço que receberá dele compensará tudo.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari

baiacu1Muitos animais têm um mecanismo de defesa interessante quando se sentem ameaçados por predadores ou se veem em alguma situação de risco: eles tentam parecer maiores do que são. Você já deve ter visto em documentários da televisão, por exemplo, cenas de sapos que incham diante de uma serpente, baiacus que inflam quando dão de cara com uma moreia, cobras naja que abrem uma espécie de capuz de pele diante de inimigos ameaçadores ou ursos que se erguem sobre as patas traseiras quando atacados por outros machos da espécie. É uma estratégia instintiva desses bichos, uma forma de autopreservação, como se quisessem se proteger parecendo maiores do que de fato são. Em outras palavras, é uma reação ao medo. Essa é uma atitude que muitos de nós, seres humanos, também tomamos, embora num contexto diferente, como já veremos.

Claro que, ao contrário dessas outras espécies, não possuímos a capacidade de nos agigantarmos fisicamente. Não temos como inflar o tórax até ficarmos com as dimensões de um elefante, tampouco nosso cabelo se arrepia para se assemelhar ao pelo eriçado de um gato selvagem. Deus simplesmente não nos concedeu a habilidade de alterarmos nossa compleição física para crescermos diante de uma ameaça. Mesmo assim, inconscientemente (ou não), em nosso dia a dia tomamos uma série de atitudes que nos fazem tentar “crescer” aos olhos dos demais. Só que, ao contrário dos animais, o que nos faz querer ser maiores do que os outros não é o medo ou o instinto de defesa: é a vaidade.

baiacu4Por que você acha, por exemplo, que homens se preocupam tanto com o carro ou a moto que compram? Só porque é o mais econômico da praça? Ou porque o status que ter aquela máquina proporciona o faz sentir-se maior do que as demais pessoas? O mais capaz, o mais bem-sucedido, o alfa do bando? E não só veículos, isso vale para smartphones, roupas, bolsas, relógios, videogames, imóveis, quantidade de seguidores nas redes sociais… a lista de elementos usados como artifício para dizer, sem palavras, “eu sou melhor que você” é inumerável. Outro exemplo são os títulos. Se eu e você saímos nus do ventre de nossa mãe e chegamos absolutamente equiparados a este mundo, o que fará você se sobressair a mim? Fácil: comendas, honrarias, títulos, pós-ultra-PhD-doutorado, cargos pomposos. Se você parar para pensar, o prazer que um indivíduo ostenta por ter adjetivos e predicados à frente de seu nome nada mais é do que um meio de tentar se agigantar diante dos demais. É como se dissesse: “Veja como sou maior ou mais importante do que você, afinal sou um conde, um visconde, um barão!”. Por que você acha que durante tantos séculos os títulos de nobreza custaram tão caro e foram tão cobiçados? Simplesmente porque tê-los era uma maneira de tentar sobressair.

Em nossos dias, até mesmo os jogos de futebol revelam com clareza esse fenômeno. Sejamos sinceros: não basta nosso time ganhar, temos de pegar no pé dos amigos que torcem para a equipe que perdeu. A troça futebolística faz parte da nossa cultura de querer ser superior aos outros. E por aí vai, em tudo aquilo que fazemos. A realidade é que todo ser humano busca, inconscientemente, destacar-se dos demais. Eu sou assim, você é assim, todos somos assim. Queremos fama. Queremos notoriedade. Queremos o lugar mais alto do pódio. Esqueça o Barão de Coubertin: o importante é ser o maioral e ganhar, sim, senhor.

Mas, então…

Então chega Jesus e diz “aquele que se humilhar como esta criança, esse é o maior no reino dos céus” (Mt 18.4). Ouvimos isso e, se queremos ser como Cristo ensina, nos vemos obrigados a desinflar o peito, abaixar a crista, nos posicionar de cabeça baixa; assumir a postura submissa de um cordeiro. Pôr nosso ego nas dimensões de uma criancinha. Diminuirmos para que ele cresça. Considerarmos os outros maiores em honra.

baiacu3A aproximação de Cristo nos distancia da nossa realidade animal e nos atrai para a espiritual. Nosso animal, nossa carne, quer buscar glórias, fama, títulos, cargos na igreja, o lugar de maior destaque, a roupa mais pomposa, elogios, adjetivos, comendas, honrarias, o pináculo do templo. Tudo isso nos infla como um baiacu. Nossa humanidade quer desesperadamente nos agigantar. No entanto, Jesus vem e nos desestrutura: “Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus” (Mt 5.3). E, se ainda resta alguma dúvida, Paulo dá o ultimato: “Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo” (Fp 2.3). Em outras palavras: abaixe a crista. Deixe o outro sobressair. Difícil? Sim, mas cristão.

Vaidade sob controle não é pecado. Mas quando ela passa a ditar seus valores, a maneira como se comporta, as suas decisões e, especialmente, o modo como trata as pessoas, cuidado: você pode não estar sendo muito melhor do que um baiacu. E Deus sabe que você vale muito mais do que um peixe amedrontado.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Mauricio Zágari

castigo1A Supernanny do Brasil, a educadora argentina Cris Poli, é uma das autoras da editora em que trabalho, o que me permite o privilégio de editar os livros dela. Para um pai de uma menina de 3 anos, como eu, isso é ótimo, pois posso aprender muito sobre a criação de filhos enquanto trabalho. Confesso que, apesar da gritaria contra a Lei da Palmada, não sou adepto de bater em filhos, por isso adotei com minha bebê a técnica do Cantinho da Disciplina, defendida pela Cris, que nada mais é do que uma forma elaborada do bom e tradicional castigo: se há uma desobediência e a filhota não obedece depois da primeira advertência, tem de ficar três minutos sentadinha numa cadeira de minha casa, pensando sobre o que fez (é um minuto para cada ano de vida da criança). Ao final, a pequena precisa pedir desculpas e o pai termina a disciplina dando muitos beijinhos e abraços, com afirmações de “eu te amo”. Dá muito certo, recomendo. Houve um episódio recente que me fez ir além do que está na cartilha, para ensinar à pequena mais do que apenas obedecer.

Sempre que tenho oportunidade, procuro ensinar a ela valores cristãos, naturalmente utilizando recursos e linguajar adequados à sua idade. Concordo com um pastor conhecido, que diz que costumamos em nossas igrejas valorizar muito o ensino de histórias da Bíblia para as crianças, em detrimento da ética bíblica. Eu procuro, sim, contar as historinhas de Sansão, Ester, Jonas, Daniel e Jesus, mas também me esforço para transmitir as verdades sagradas fundamentais. Afinal, as Escrituras dizem o que devemos fazer: “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele” (Pv 22.6). Repare que o texto bíblico não diz que devemos ensinar histórias, mas apontar princípios. Então é o que tento fazer, sempre que surge oportunidade.

graça1Recentemente minha filha teve um dia complicado. Dormiu pouco, estava com sono e muito ranzinza. Por isso, acabou me desobedecendo e, por sua insistência em não fazer a coisa certa, decidi que deveria pô-la no Cantinho da Disciplina. Naquele dia, ela estava especialmente cabeça dura e se recusou a ficar sentada no lugar designado, pensando. Era eu colocá-la na cadeira e ela descia, se negando a ficar no local. Cumpri toda a cartilha da Cris: reconduzi minha filha à tal cadeira algumas vezes, com paciência e sem perder o autocontrole, mas a pequena sempre voltava a sair. Foi quando tive uma ideia e resolvi subverter a estratégia, aproveitando para ir além da pedagogia, a fim de ensinar princípios cristãos fundamentais.

- Filha, esta é a última vez que eu falo: você não vai ficar no castigo?

- Não – deu o ultimato, desafiadora.

Então eu respondi:

- Então quem vai ficar no seu lugar sou eu.

Sob o olhar espantado dela, caminhei até a cadeira do castigo e me sentei. Expliquei:

- Você desobedeceu e deveria ficar em disciplina. Bem, alguém precisa ficar de castigo por causa da sua desobediência. Então eu vou ficar. E como tenho 42 anos, vou ficar 42 minutos.

Sentei e me calei.

O efeito foi imediato e surpreendente. Ela ficou me olhando, estática, sem dizer uma palavra, por um longo tempo. Como viu que eu não estava brincando, percebi que ficou muito confusa com minha atitude. Como assim, o papai ficar no castigo em meu lugar?, eu lia claramente nos seus olhos. Mas foi o que aconteceu. Como avisei que faria, ali permaneci. Ela caminhou devagarinho para fora do quarto. Não deu um minuto e ela tinha voltado, se arrastando junto à parede. Chegou à porta e ficou espiando de canto de olho. Sumiu. Voltou de novo. Eu estava ali havia alguns minutos quando ela veio, apoiou as mãos na minha perna e falou, bem baixinho:

- Pa-paaaai?

- Sim, minha filha?

- Você vai ficar aí?

- Vou, filhinha.

- Por quê?

- Porque você desobedeceu e alguém tinha de ficar de castigo por isso. Então eu decidi que vou ficar no seu lugar.

Ela piscou algumas vezes, em silêncio, e percebi que tudo aquilo parecia muito estranho. Não fazia sentido. Notei quão reflexiva ela ficou ao ver minha atitude. A pequena saiu devagarinho do quarto, de novo. Passou um tempinho e ela retornou.

- Papai, já pode sair? Quer vir brincar comigo?

Eu respondi:

- Filhinha, eu até queria sair, mas não posso. Tenho de cumprir o castigo no seu lugar até o fim. Se eu sair antes dos 42 minutos não vou ter feito a minha parte e a disciplina não terá efeito.

Ela pensou um pouco, tentando entender a lógica de tudo aquilo. Quando, finalmente, parece que captou a razão de eu estar ali em seu lugar, ela se aproximou, deitou a cabeça no meu colo e ficou fazendo carinho nos pelos da minha perna. Ficamos ali, em silêncio, por mais de dez minutos. Ela, então, novamente se virou para mim e perguntou:

- Já acabou, papai?

Olhei para o relógio e respondi:

- Não, bebê, estou só na metade do tempo do castigo.

Ela voltou a se aninhar no meu colo, desta vez se encolhendo toda. E ali ficou. Quando me dei conta, estávamos abraçados, esperando, juntos, o tempo passar. De vez em quando ela me olhava, como se quisesse dizer “Já acabou?”, e eu apenas sorria, demonstrando que ainda faltava tempo. Até que os 42 minutos chegaram ao fim.

- Pronto, filhinha, papai já pode sair do seu castigo.

Ela abriu um largo sorriso. Abraçou-me e me beijou e, para minha surpresa, disse o que eu costumo dizer a ela ao final de um momento de disciplina:

- Eu te amo, papai.

Em seguida, imediatamente se empertigou e me puxou pela mão.

- Vem, papai, vem ler um livro pra mim!

E lá fomos nós, para uma tarde bastante agradável de intimidade entre pai e filha. Passadas umas duas horas do fim da disciplina, em um momento em que ela estava menos agitada, aproveitei e lhe perguntei:

- Filha, você sabe o nome daquilo que o papai fez, quando ficou no castigo em seu lugar?

Ela olhou, em silêncio, à espera da resposta.

- Aquilo se chama “graça”. Significa que eu fiz por você o que eu não precisava fazer e que você não merecia, mas por amor eu decidi pagar o preço da sua desobediência. Sabe quem também fez isso? Jesus.

E comecei a explicar, num linguajar adequado para sua idade, o que Jesus fez na cruz pela humanidade transgressora. Eu já havia falado sobre a cruz antes, mas acredito que, dessa vez, o relato do sacrifício do Senhor teve uma compreensão muito mais aprofundada.

Eu e minha esposa temos o hábito de, sempre que a pequena come o alimento todo nas refeições, celebrar com festinha e cantando uma musiquinha que inventamos com o nome dela. Se ela come tudo, cantamos; se não come, não tem música. No dia seguinte a eu ter sofrido o castigo no lugar dela, na hora do almoço minha filha não comeu tudo o que estava no prato. Ela pediu para cantarmos a musiquinha, mas eu respondi que não, porque ainda tinha ficado papá. Foi quando ela fez uma carinha fofa e sincera e disse:

- Papai, e por graça? Por graça vocês cantam?

graca0Eu sorri. Olhei para minha esposa e cantamos a música. Percebi que minha filha, hoje, compreende melhor o conceito principal da nossa fé: a graça de Deus. Ela sabe que Jesus é mais do que um desenho em uma Bíblia infantil ou um nome que a gente fala ao final da oração, antes de comer. Ela agora percebe que Jesus é alguém que fez de fato algo concreto por ela, num gesto de amor em que ele pagou o preço por algo de ruim que ela fez. E que nós recebemos as bênçãos do alto não necessariamente por retribuição a algo de bom que façamos, mas porque o coração de Deus é cheio dessa coisa chamada graça, que o levou a sofrer o castigo que ele não merecia, por compaixão por cada um de nós.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari

propinaAs eleições estão se aproximando. Este período de campanha política costuma ser momento de muito bochicho sobre atos de corrupção nas esferas de poder, um mal que assola as instituições públicas. A verdade é que vivemos cercados de corruptos. Compre o jornal de hoje e você verá escândalos de corrupção ocuparem as primeiras páginas. Compre o de amanhã e verá também. E, provavelmente, continuará vendo por quase todos os dias de sua vida. Em geral, os casos de corrupção mais escandalosos são aqueles que ocorrem no governo, entre deputados, funcionários públicos, ministérios… esses são os que ganham mais visibilidade. E nós nos indignamos quando tomamos conhecimento disso, com toda razão. Afinal, não pagamos impostos para que nosso dinheiro vá parar numa conta na Suíça ou debaixo do colchão de algum político espertalhão – quando isso acontece é revoltante mesmo. Converse com qualquer pessoa do seu círculo de amizades e ela se mostrará indignada com a corrupção nas esferas de poder, na polícia, em empresas estatais, entre aqueles que ocupam cargos que lhes abrem grandes possibilidades de corromper e ser corrompidos. O curioso é que essas mesmas pessoas que metem o malho nos corruptos muitas vezes praticam atos de corrupção elas próprias. E, se pararmos para pensar, talvez nós mesmos sejamos corruptos e não tenhamos nos dado conta disso.

O jornal O Globo entrevistou o cientista político Alexandre Gouveia, que fez uma lista de quinze práticas de corrupção cotidiana. Veja se você pratica ou já praticou alguma(s) delas:

1. Não dar nota fiscal.

2. Vender ou comprar produtos falsificados e/ou contrabandeados.

3. Não declarar produtos comprados no exterior, para evitar o recolhimento de impostos.

4.  Não declarar rendimentos extras no Imposto de Renda.

5.  Usar o vale refeição para fazer compras no supermercado.

6. Estacionar veículos, utilizar filas prioritárias e assentos destinados exclusivamente para idosos e deficientes.

7. Vender seu voto ou trocá-lo por algum benefício pessoal, como emprego, material de construção, cesta básica etc.

8. Na escola, dar uma olhada na resposta do colega (a famosa “cola”).

9. Andar com o veículo pelo acostamento.

10. Evitar uma multa oferecendo dinheiro ao policial.

11.  Furar fila.

12. Fazer ligação ilegal de serviços como TV a Cabo, Energia Elétrica etc.

13. Apresentar atestado médico falso.

14.  Falsificar carteirinha de estudante para obter descontos e benefícios.

15.  Bater o ponto de trabalho para o amigo.

cola na escolaVocê pratica ou já praticou alguma dessas quinze ações? Se sua resposta foi positiva, tenho uma má notícia: você é um corrupto. Talvez pense que exista corrupção que seja “menos corrupção” do que outra. Biblicamente falando, não existe. “Quem obedece a toda a Lei, mas tropeça em apenas um ponto, torna-se culpado de quebrá-la inteiramente. Pois aquele que disse: ‘Não adulterarás’, também disse: ‘Não matarás’. Se você não comete adultério, mas comete assassinato, torna-se transgressor da Lei” (Tg 2.10-11). Assim, vemos que aquilo que você poderia considerar um simples “jeitinho” ou uma prática “que não faz mal a ninguém” é tão séria, ilegal, desonesta e grave como o escândalo do Mensalão, por exemplo. Por quê? Porque é uma questão de princípios, não de quantias. Se um político recebe milhões de propina para beneficiar uma determinada empresa numa licitação ou se você dá uma propina de algumas dezenas de reais a um policial para não receber multa, o erro foi o mesmo: propina. Quanto dinheiro estava envolvido? Aí já é um segundo aspecto, mas o primeiro já está definido: você corrompeu ou foi corrompido. O que faz de você um corrupto.

A casa construída porque você deu propina ao fiscal para liberar a obra é um atestado de corrupção. Sua carteirinha de estudante falsificada para pagar meia entrada é um atestado de corrupção. A nota da sua prova obtida espiando a prova do colega ao lado é um atestado de corrupção. O gato na sua casa é um atestado de corrupção. As horas de trabalho acumuladas mas não trabalhadas são um atestado de corrupção. Aquela caneta ou outro objeto que você levou do seu local de trabalho para casa sem autorização é um atestado de corrupção. Aqueles minutos que você economizou subindo com o carro pelo acostamento ou trafegando pela via exclusiva dos ônibus são um atestado de corrupção. A bandalha que você fez no trânsito é um atestado de corrupção. A comida que você comeu antes porque furou a fila do restaurante é um atestado de corrupção. Meu irmão, minha irmã, se a carapuça serviu, para mim ou para você… estamos mal na fita e não temos nenhuma moral para criticar os políticos corruptos.

propina2Claro que essa percepção não deve ter como objetivo desculpar os políticos corruptos nem deixar você com sentimento de culpa, mas conduzi-lo a uma reflexão acerca do seu comportamento. Não podemos, como Igreja de Cristo, acreditar que realizar “pequenas” transgressões (isso existe?) seja algo de menos importância e que não exija um profundo arrependimento de nossa parte. A proposta bíblica é que fujamos da corrupção que há no mundo: “Seu divino poder nos deu tudo de que necessitamos para a vida e para a piedade, por meio do pleno conhecimento daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude. Dessa maneira, ele nos deu as suas grandiosas e preciosas promessas, para que por elas vocês se tornassem participantes da natureza divina e fugissem da corrupção que há no mundo, causada pela cobiça” (2Pe 1.3-4). O termo no original grego que Pedro usou aqui e que foi traduzido em português como “corrupção” é “phthora”, que significa “decadência”, “ruína” (literal ou figurativa), “corrupção”, “destruição”. Dá o que pensar.

Ninguém é perfeito. Você não é, eu não sou. Já cometi ao longo da minha trajetória (inclusive após a conversão) muitos atos de corrupção, que, até mesmo, não achava na hora que tinham algo de mais mas, hoje, vejo que foram atitudes totalmente erradas. Sim, já me corrompi, por isso não falo de nada que eu mesmo não tenha vivido – para minha vergonha, mas também para minha constante percepção de quanto sou um miserável pecador e careço desesperadamente e diariamente da graça de Deus. Como servos e filhos do Deus santo, não podemos nos conformar em praticar irregularidades, desonestidades e atos que configurem desrespeito ao próximo e deixar tudo por isso mesmo. Porque, senão, estaremos nos conformando com este mundo, o que contraria os ensinamentos bíblicos (cf. Rm 12.2). Furar fila não é “só” furar fila, pelo contrário, é uma ação que demonstra que você não respeita o direito do próximo. Logo, você não está demonstrando amor pelo próximo e, portanto, está transgredindo o grande mandamento.

Convido você a um exame de consciência. Pense naquilo que tem feito e em como enxerga esse tipo de pecados que se convencionou chamar de “menores”. Eles não são menores, pois demonstram falta de temor pela santidade divina. Entenda, meu irmão, minha irmã, que meu objetivo com essa reflexão não é deixar você mal, mas, se perceber que tem pecado nesse sentido, conduzi-lo ao arrependimento e à mudança de atitude. Pense e ore. Identifica “pequenos” atos de corrupção em sua vida que o tornam tão culpado como os políticos ou policiais corruptos? A hora de mudar é esta. Peça perdão a Deus e dê uma guinada na sua atitude (Pv 28.13). Se fizer isso, encontrará misericórdia, será perdoado e poderá começar do zero. E, aí sim, terá moral para condenar os que roubam milhões dos cofres públicos.

cruzO maior escândalo de corrupção que pode existir é o da nossa própria corrupção. Pois é essa que nos fará prestar contas a Deus. Então, antes de se escandalizar com o que aparece nas manchetes dos jornais, fique chocado com aquilo que você faz e ninguém sabe. Porque, na verdade, Deus sabe – e sempre pega você em flagrante, sempre. As consequências podem não ser nada agradáveis. Errou? Confesse. Deixe. Mude. E a misericórdia celestial te alcançará. Foi para isso mesmo que Jesus morreu e ressuscitou. Ah, meu irmão, minha irmã, nós somos maus e falíveis e dependemos totalmente da graça de Deus. A boa notícia? Ela está ao nosso alcance e, por isso, te garante perdão total.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Mauricio