Arquivo da categoria ‘Mártires’

Blog Apenas 3 anosMinha mãe tem um hábito raro e curioso. Em todas as datas comemorativas em que deveria receber presentes, é ela quem presenteia as pessoas mais próximas. Muitas vezes fui surpreendido ao receber dela algo no seu aniversário, no dia das mães ou ocasiões similares. O blog APENAS completa no próximo dia 14 de maio três anos de vida. Para comemorar a data, decidi seguir o exemplo de minha mãe e celebrar esse dia com um gesto de carinho: em vez de ser presenteado, optei por presentear você, que me presenteia todas as semanas com a leitura das reflexões que aqui compartilho. É um pequeno ato de gratidão pela honra que é ter a sua companhia semanal neste meu pequeno espaço virtual.

Naturalmente, os presentes que decidi entregar são o que considero o tipo de bem material mais valioso e importante que há: livros. Eu gostaria de entregá-los a todos irmãos e irmãs que investem alguns preciosos minutos por semana na leitura dos pensamentos que compartilho, mas, infelizmente, isso não seria possível. Então, o modo que encontrei para definir quem receberá os exemplares é o que considero o mais justo: um sorteio.

A editora Mundo Cristão gentilmente cedeu cinco livros para eu sortear entre todos os assinantes do blog. Quero deixar bem claro que esta não é uma ação paga e não estou recebendo dinheiro ou qualquer outro benefício da editora para realizar este sorteio – apenas pedi e a Mundo Cristão me ofertou os livros, que vou repassar a você. No dia 14/05/14 próximo, que é a data do aniversário, vou postar aqui um texto explicando como você pode ganhar um dos cinco livros. Para participar, basta ser assinante do APENAS e responder, no espaço dos comentários, uma pergunta que farei. Não haverá resposta certa ou errada, o importante será você expor sua opinião sobre o que vou indagar, para ajudar na reflexão sobre um tema que considero de extrema importância para a nossa fé – e que, paradoxalmente, é muito menos compreendido e praticado do que deveria: o perdão.

Estes são os cinco livros que a Mundo Cristão cedeu para a comemoração (um exemplar de cada):

A vida de CS LewisA vida de C. S. Lewis: Do ateísmo às terras de Nárnia (Alister McGrath) – Sinopse do livro: Por mais de meio século, C. S. Lewis vem alimentando a imaginação de milhões de pessoas em todo o planeta com seu fantástico mundo de Nárnia. Para celebrar o 50º aniversário de sua morte, o Dr. Alister McGrath reconta a vida deste que é considerado um dos maiores escritores do século 20. A obra oferece um panorama abrangente e fascinante da trajetória de um pensador profundamente original e que se tornou fonte de inspiração para crianças e adultos em todo o mundo. McGrath oferece um olhar novo, e por vezes chocante, sobre a vida dessa figura complexa, em uma biografia profundamente embasada. O autor nos faz mergulhar no coração de um Lewis que poucos conhecem.

 

Quem voce pensa que eQuem você pensa que é? (Mark Driscoll) – Sinopse do livro: Quem é você? O que o define? Qual é sua verdadeira identidade? Como você responderia essas três perguntas? Saber responder corretamente pode ser a diferença entre viver uma vida de significado ou simplesmente existir. Em geral, esquecemos quem realmente somos e, por isso, buscamos preencher esse vazio com coisas passageiras, incapazes de satisfazer os anseios da alma. Até mesmo muitos que dizem “estar em Cristo” parecem não viver de modo significativo o que acreditam. Mark Driscoll explora com inteligência e sagacidade as reais implicações de sermos criados à imagem e semelhança de Deus. E revela como potencializar em realizações pessoais e comunitárias essa condição única da Criação.

 

Diga sim com convicçãoDiga sim com convicção (Miguel Uchôa) – Sinopse do livro: As estatísticas mostram índices alarmantes de divórcio entre cristãos e não cristãos. Os gabinetes pastorais e os consultórios especializados em terapia de casais vivem lotados de pessoas que experimentam a infelicidade na vida a dois. Certamente, ninguém ingressa num relacionamento com o objetivo de fazer parte do grupo dos divorciados ou dos infelizes. Mas, se o processo decisório não for conduzido de forma consciente, madura e bíblica, isso lamentavelmente pode se tornar uma grande possibilidade. Com sua larga experiência em aconselhamento matrimonial, Miguel Uchôa (bispo anglicano da Diocese do Recife) mostra diferentes maneiras de evitar que a dissolução e a infelicidade entrem no lar daqueles que sonham em construir uma família.

 

Pais admiráveis educam pelo exemploPais admiráveis educam pelo exemplo (Cris Poli) – Sinopse do livro: A máxima “Faça o que eu digo, não faça o que eu faço” não funciona quando o assunto é criação de filhos. As crianças, desde muito pequenas, observam e se espelham nas atitudes e no comportamento dos pais, muito mais do que em seus ensinamentos verbais ou broncas. Todo pai e toda mãe deseja que os filhos sejam amorosos, alegres, pacíficos e pacificadores, pacientes, tolerantes, amáveis, bondosos, fiéis, mansos e que tenham domínio próprio. Então lembre-se: eles precisam ver essas características em você primeiro! Neste livro, Cris Poli (a Supernanny) vai ajudar você em sua enorme responsabilidade de transmitir os valores mais importantes que existem a seus filhos, com a didática que eles compreendem melhor: seu exemplo pessoal.

 

BonhoefferBonhoeffer – pastor, mártir, profeta, espião (Eric Metaxas) – Sinopse do livro: As tropas nazistas avançavam pela Europa. Numa época em que se calar era a melhor forma de se expressar e se omitir era a mais acertada ação, o pastor Dietrich Bonhoeffer tornou-se uma ameaça a Hitler. Sabotando ordens e ações de guerra nazistas, ele salvou milhares de vidas e impediu os planos de Hitler. Descoberto, Bonhoeffer foi preso e enforcado por ordem direta do líder germânico. Este livro traça o perfil profundo e cuidadosamente detalhado de um dos teólogos alemães mais importantes desde Lutero e uma das figuras principais da resistência contra o regime nazista. Inspirador, desafiador e emocionante, Bonhoeffer é o relato instigante do que um homem pode fazer movido por amor ao próximo e contra a injustiça.

É isso. Se você deseja ganhar um desses cinco livros de presente, basta espiar o post do próximo dia 14/05 e responder uma pergunta que farei sobre perdão. Todos os que fizerem isso participarão do sorteio. Desde já agradeço o seu carinho e o privilégio de contar com a sua companhia nas minhas reflexões ao longo desses três anos.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

 

 

Ganho1A época em que vivemos é a era do ganho. Nossa sociedade é capitalista, materialista, consumista e existencialista. Se você não entende algum desses conceitos, basta compreender o que está no centro de todas essas filosofias de vida: o eu. O meu. O que posso ganhar. O lucro pessoal. O benefício próprio. Os nossos tempos estimulam um individualismo exacerbado, que nos arrasta como um carro de Fórmula 1 pelas ruas pedregosas da vida. Acabamos destroçados pela necessidade de ganhar, ganhar, ganhar. Só seremos vistos como pessoas bem-sucedidas se ganharmos muito dinheiro, ganharmos o coração do menino mais cobiçado, ganharmos um cargo de destaque na igreja, ganharmos uma cobiçada vaga de emprego, ganharmos status, ganharmos títulos, ganharmos celebridade, ganhar, ganhar, ganhar! Somos levados pelo mundo ao nosso redor a crer que a vida é uma grande competição, em que ganhar diariamente (seja lá o que for) é a grande razão de estarmos sobre a terra. Mas não é isso o que a Bíblia nos ensina.

É fácil reparar como essa forma de ver a vida invadiu a igreja e tomou conta de nós, do mesmo modo que um câncer se espalha silenciosamente por nossos organismo. A maior prova disso é que nossa caminhada de fé tornou-se permeada pelo conceito de vitória. E só tem vitória quem triunfa, vence… ganha. “A vitória é tua!”, dizemos aos irmãos. “Deus, nos dê a vitória!”, oramos. “Faça tal campanha na igreja e Deus te dará a vitória!”, mentimos. Falamos mais a palavra “vitória” em nossas orações e nos cultos do que “Jesus”. Parece que, para muitos de nós, uma vida sem “vitória” é uma vida sem fé, sem bênção, sem a presença do Senhor. Em outras palavras, cremos que, se não ganhamos diariamente, nossa espiritualidade é mirrada, raquítica.

Para cumprir a vontade de Deus, Abraão perdeu a terra Natal e a parentela; Jó perdeu tudo o que tinha; Moisés perdeu a pacata vida de pastor; Jeremias perdeu a paz; Noé perdeu o respeito dos vizinhos; Paulo perdeu tudo aquilo em que cria; João perdeu a liberdade; Raabe perdeu sua cidade; Jesus perdeu a própria vida. A lista de personagens da Bíblia que perderam muito nesta vida é gigantesca. Mas, na gramática de Deus, perder por amor a ele é ganhar para a vida eterna.

Martir“Mulheres receberam, pela ressurreição, os seus mortos. Alguns foram torturados, não aceitando seu resgate, para obterem superior ressurreição; outros, por sua vez, passaram pela prova de escárnios e açoites, sim, até de algemas e prisões. Foram apedrejados, provados, serrados pelo meio, mortos a fio de espada; andaram peregrinos, vestidos de peles de ovelhas e de cabras, necessitados, afligidos, maltratados (homens dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos, pelos montes, pelas covas, pelos antros da terra. Ora, todos estes que obtiveram bom testemunho por sua fé não obtiveram, contudo, a concretização da promessa, por haver Deus provido coisa superior a nosso respeito, para que eles, sem nós, não fossem aperfeiçoados” (Hb 11.35-40). Essa parece uma lista de “vitoriosos”? Ou parece mais a descrição de gente que sofreu perdas enormes? Tenha a certeza de que foram perdas que resultaram num ganho muito superior – por ser um ganho eterno e não terreno. É impossível viver para Deus sem perder para si.

“Quem ama a sua vida perde-a; mas aquele que odeia a sua vida neste mundo preservá-la-á para a vida eterna” (Jo 12.25), disse Jesus. Ele afirmou, ainda: “Quem acha a sua vida perdê-la-á; quem, todavia, perde a vida por minha causa achá-la-á” (Mt 10.39). E, nesta era em que somos instigados a ganhar o mundo inteiro, precisamos ouvir as palavras do Mestre a seus discípulos: “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me. Porquanto, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por minha causa achá-la-á. Pois que aproveitará o homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?” (Mt 16.25-26).

Se não temos de ganhar o mundo inteiro, o que, afinal, precisamos ganhar? Paulo responde: “O que, para mim, era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo. Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo” (Fp 3.7-8).

Cristo. Eis o que precisamos ganhar. Pois, como disse Paulo, “para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro” (Fp 1.21). São o Rei, seu reino e sua justiça que devemos buscar antes de tudo mais, sabendo que, assim, tudo mais nos será acrescentado.

E como se ganha Cristo?

cruzPerdendo. Abrindo mão de si. Perco prazeres terrenos a fim de ganhar Cristo. Perco oportunidades, porém fraudulentas, a fim de ganhar Cristo. Perco o casamento com aquele partidão que não é cristão a fim de ganhar Cristo. Perco aquele negócio da China, mas que exigiria liberação de propina, a fim de ganhar Cristo. Perco a fama e deixo outros brilharem a fim de ganhar Cristo. Perco dinheiro justo que eu deveria receber, para não escandalizar a igreja, a fim de ganhar Cristo. Perco respeito de quem considera minha fé uma fábula e minhas crenças, fanatismo, a fim de ganhar Cristo. Perco a vingança e dou a outra face a fim de ganhar Cristo. Perco o emprego em que teria de me corromper, a fim de ganhar Cristo. Perco o que desejo a fim de ganhar Cristo. Perco minha felicidade a fim de ganhar Cristo. Perder, perder, perder.

Mas o que ganhamos por essa perda, acredite, vale a pena.

O que você está disposto a perder a fim de ganhar Cristo? É a resposta a essa pergunta que vai determinar quem vem em primeiro lugar na sua vida. Será você mesmo? Ou Jesus? Suas ações responderão. E Deus estará bem atento a elas.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

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Assisti absolutamente estarrecido aos telejornais na sexta-feira passada. As imagens da barbárie que foi a violência em diferentes cidades do Brasil, com atos de vandalismo, depredações, ofensas, agressões, confrontos, roubos de lojas, ataques a bancos e o cerceamento do direito de ir e vir dos cidadãos de bem me deixaram paralisado e de olhos marejados. O país que eu amo está em uma guerra civil descontrolada. Quando manifestações pacíficas por causas sociais justas degringolam e viram um caos primitivo e sanguinário é sinal de que o país precisa urgentemente de socorro. Assisti ao pronunciamento de nossa presidenta, em cadeia nacional de rádio e TV, em que ela desfilou uma lista bastante colorida de ações que pretende tomar para resolver os problemas. Achei tudo ótimo. Afinal, quem não gostaria, por exemplo, de ver todos os royalties do petróleo destinados à educação? Sou filho de professores do estado aposentados, há décadas anseio por escolas públicas melhores. Em 1987 fui às ruas – em manifestações pacíficas – pedir por isso e pela meia passagem para estudantes. Eu fui um cara-pintada da era Collor. Só que, depois de ouvir as possíveis soluções de nossa presidenta com um pouquinho de alegria dentro de mim, meu lado reflexivo me lembrou de uma triste realidade: nada do que ela propõe vai resolver nada.

Parei para pensar, quando terminou o show dos telejornais, que o que está acontecendo pelo Brasil afora não é um “a que ponto chegamos”, mas sim um “e lá vamos nós de novo”. O que vi na TV foi Caim matando Abel. Sodoma se corrompendo. Exércitos destroçando os povos vizinhos na antiga Palestina. Davi assassinando Urias. Diná sendo estuprada. Sansão estraçalhando filisteus. A Babilônia pondo Jerusalém abaixo. Jefté matando a própria filha. Jael cravando a cabeça de Sísera no chão com uma estaca. Jacó enganando seu irmão e seu pai e sendo enganado pelo sogro. Os irmãos vendendo José como escravo. Os primeiros cristãos sendo atirados aos leões. Inocentes queimados na fogueira da Inquisição. A igreja corrupta vendendo indulgências. As guerras entre católicos e protestantes. O papa de Roma amaldiçoando o patriarca de Constantinopla e o patriarca amaldiçoando o papa. As trevas da Idade Média. A corrupção do clero. O holocausto nazista. As invasões bárbaras. A Jihad islâmica. O martírio dos huguenotes na Guanabara. Índios dizimados. Negros escravizados. Pedofilia de padres. Teologia da Prosperidade de pastores. Gays querendo matar cristãos e cristãos querendo apedrejar gays. Cristãos ofendendo cristãos nas redes sociais.

Sim, minha conclusão, ao final dos telejornais, foi a mesma de Salomão três mil anos atrás: “O que foi é o que há de ser; e o que se fez, isso se tornará a fazer; nada há, pois, novo debaixo do sol. Há alguma coisa de que se possa dizer: Vê, isto é novo? Não! Já foi nos séculos que foram antes de nós.” (Ec 1.9-10). Porque tudo o que está acontecendo no Brasil tem uma única causa, uma única explicação, uma única origem. Que é a mesma para toda essa lista de barbaridades e atos de violência que ocorrem desde que um homem chamado Adão e uma mulher chamada Eva caminharam sobre a terra:

Pecado.

Fiquei estarrecido, chocado, emocionado e abatido por tudo o que vi na TV. Mas não fiquei surpreso. Pois sei bem do que nós, seres humanos, somos capazes. Eu e você somos portadores dessa gangrena espiritual chamada pecado, que gera em nós sintomas como os que estão se manifestando entre as hordas de monstros que disseminaram a barbárie nos últimos dias pelo Brasil. Sim, o pecado faz de nós animais, bestas selvagens cuja única racionalidade é a irracionalidade. Todo pecado faz isso, todo. Eu ouvi cético às explicações dos jornalistas, comentaristas e entrevistados sobre as causas dos atos de brutalidade ocorridos em Salvador, Belém, Rio, São Paulo e tantas outras cidades. As análises são todas muito interessantes, mas a verdade é que a raiz de tudo o que vi, cada vidraça quebrada, cada gota de sangue derramado, cada poste derrubado, cada cabine da polícia incendiada… é esse terror invisível que carregamos dentro de nós chamado pecado.

E, por mais que tenha ficado alegre com as medidas que a presidenta diz que tomará, no fundo sei que nada adiantará. Porque tudo o que é feito no âmbito social fica no exterior do homem e, portanto, é paliativo. Qualquer atitude que se tome só vai amainar as coisas, nenhuma solução humana é solução. Pois o problema, a raiz, a origem de tudo isso é o pecado. E pecado não se resolve com canetadas, decretos ou mobilizações sociais. Só se resolve com Jesus de Nazaré.

Diante disso, fiquei pensando: qual é o nosso papel, como cristãos, diante desse cenário infernal que viraram nossas ruas? O que a Igreja (eu e você) devemos fazer? Organizar manifestações? Emitir notas públicas de repúdio? Eleger mais pastores em cargos públicos? Gritar palavras de ordem? Criar hashtags no Twitter? Escrever mais posts sobre a violência no Brasil em blogs? Nada disso. Tudo isso é correr contra o vento. Simplesmente porque nada disso elimina o pecado da humanidade. Se a Igreja quiser ser Igreja tem de lutar com as armas de quem foi “chamado para fora”. Ou seja: tem de lutar com armas diferentes das que usam os que “estão dentro”. Deixemos as marchas, passeatas, entrevistas coletivas, notas oficiais em sites institucionais e outras coisas do gênero para a sociedade não cristã. O nosso papel é proclamar Cristo. Pregar o evangelho. Anunciar as boas novas de salvação.

A lógica é simples e existe há dois mil anos: só existe uma cura para o pecado. O remédio se chama Jesus. Eu e você sabemos disso. O mundo não sabe. Por isso temos de levar essa cura aos que estão doentes. Contra os violentos levemos o Príncipe da Paz. Contra os sanguinários levemos o manso Cordeiro. Contra os depredadores levemos o reconstrutor. Contra os que matam levemos quem dá vida. Os royalties do petróleo não vão salvar do pecado os baderneiros mascarados. Nem bombas de gás lacrimogêneo. Tampouco tropas de choque. Projetos sociais menos ainda. A Copa do Mundo também não. Grupos de trabalho da presidência não tiram o pecado do mundo. Toda solução possível é apenas assoprar o ferimento, não arranca a raiz do problema.

Propor Jesus como solução para a crise no Brasil não é ser simplório. Não é ser ingênuo. Não é espiritualizar uma realidade concreta. Não é ser bobo. Propor Jesus como a solução do caos no Brasil é ser bíblico. É ser cristão. É propor a única cura possível para a única causa de tudo o que está acontecendo. Quer colaborar para o fim da violência em nosso país, meu irmão, minha irmã? Pregue a Cristo, e ele crucificado. Anuncie o evangelho verdadeiro. Proclame a salvação da cruz. Abra a boca! Homens livres do pecado, redimidos, restaurados, nascidos de novo não depredam, não roubam, não batem, não apedrejam, não incendeiam, não agridem, não ofendem, não machucam, não brigam, não matam. Homens livres do pecado são pacificadores, humildes de espírito; têm domínio próprio, amor, benignidade, bondade, olhos meigos e um tom de voz suave. São a imagem de Cristo.

As imagens da violência e da brutalidade em nosso país conclamam a mim e a você para a ação (recomendo a leitura do post “É tempo de orar”). Mas, se eu e você somos cristãos, a nossa ação não pode ser a mesma do mundo. O mundo sabe organizar manifestações, fazer grupos de trabalho e convocar mais policiais. Deixe o mundo fazer o que o mundo sabe fazer, pois essas são as soluções que ele conhece. Eu e você temos de fazer aquilo que o mundo não sabe: proclamar Deus. Brilhar a luz de Cristo nas trevas. Apresentar a cruz. Você é um embaixador do reino. Então aja como tal. O pecado está pondo as garras para fora e todos estão vendo, pois está sendo exibido em rede nacional de TV. Mas será que alguém está vendo Jesus? Não, não está. Porque isso os telejornais não mostram. Logo, mostrar Cristo e divulgar sua mensagem compete a mim e a você.

E aí, o que você vai fazer a esse respeito? Ver mais um jogo de futebol?

Paz a todos vocês que estão em Cristo – para que possam levar essa mesma paz a todos aqueles que não estão.
Maurício

Muitos irmãos sofrem perseguição por sua fé em Cristo – possivelmente você já sofreu. Ela pode se manifestar de maneiras variadas, da zombaria e segregação à agressão física e morte. Como devemos lidar com isso? Como reagir quando alguém pega no nosso pé ou nos destrata pela nossa crença em Jesus? Revidamos? Abaixamos a cabeça? Há uma forma bíblica de proceder quando isso ocorre? Sim, há. E para termos convicção sobre ela e estarmos preparados para reagir biblicamente à perseguição teremos de percorrer algumas passagens das Escrituras, introjetá-las fundo em nossa alma e viver da difícil maneira a que elas nos ensinam.

Ao longo dos 2.000 anos de História do Cristianismo sempre houve perseguição, em escalas variadas. O martírio sempre foi uma constante. Nos três primeiros séculos, confessar Jesus era passaporte para ser estraçalhado por leões, incinerado na fogueira e torturado de formas inimagináveis. Os séculos se passaram e os cristãos continuaram a sofrer nas mãos dos mais variados tipos de gente, de islâmicos e cristãos de outras tradições (católicos nas mãos de protestantes e protestantes nas mãos de católicos, dependendo da época e do local) a ateus e comunistas. Ainda em nossos dias, ministérios como a Missão Portas Abertas se dedicam a denunciar a perseguição a cristãos por todo o mundo e, por meio de trabalhos como o realizado por eles, sabemos que em cerca de 90 países do mundo existe atualmente perseguição religiosa ativa (saiba mais AQUI).

No Brasil somos abençoados. Não existe, por definição, perseguição religiosa, uma vez que, segundo a Missão Portas Abertas, “o individuo é perseguido se for privado de qualquer dos elementos fundamentais da liberdade religiosa”. E mais: “Perseguição não se refere a casos individuais, mas sim, quando um sistema, político ou religioso, tira a liberdade de um cristão ou o acesso à Bíblia, restringe ou proíbe o evangelismo de jovens e crianças, atividades da igreja e de missões”. Assim, em nosso país não chegamos a esse ponto. Há uma grande intolerância, mas não “perseguição”.

Só que, se nos permitirmos fugir dessa definição e nos ativermos ao senso comum, podemos entender como perseguição até mesmo todo tipo de bullying que ocorre em muitos lugares. Ser evangélico hoje gera chacota para muitos. Rejeição da família por outros (conheci uma jovem cujos pais católicos não permitiam que ela frequentasse uma igreja evangélica). Piadas estereotipadas em programas de televisão. Proprietários que se recusam a alugar imóveis para igrejas. Eu mesmo, em certa empresa em que trabalhei, tive de ouvir que eu “não era criativo devido à minha religião”, simplesmente porque me recusei a editar uma revista corporativa de uma grande companhia fabricante de cigarros.

Verdade seja dita: por razões históricas, espirituais ou mesmo por culpa de certos setores da igreja evangélica e suas práticas questionáveis, hoje em dia dizer-se evangélico é, para enorme parcela de nossa sociedade, sinônimo de ser bitolado, massa de manobra, ignorante, ingênuo, homofóbico, medieval, supersticioso e coisas dessa linha. Eu já tive de enfrentar muitos desses adjetivos e muitas situações desagradáveis. Você já?

Feita essa constatação, voltamos à pergunta: quando nos deparamos com situações em que nos sentimos discriminados ou mesmo perseguidos devido à nossa crença em Jesus, como eu e você devemos reagir? Mais ainda: como devemos nos sentir?

Em primeiro lugar, temos de saber que é previsível que seremos perseguidos: “De fato, todos os que desejam viver piedosamente  em Cristo Jesus serão perseguidos” (2 Tm 3.12). Paulo já sabia disso 2.000 anos atrás. E as profecias dizem que nos últimos dias a perseguição só tende a piorar. Mas isso não deve ser motivo de temor, se considerarmos que importa mais viver a eternidade ao lado de Deus sofrendo nesta vida do que viver bem e ter morte espiritual. O próprio Jesus disse que seríamos “bem-aventurados”, ou seja, “felizes”, se fossemos perseguidos por amor a Ele: “Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, pois deles é o Reino dos céus. Bem-aventurados serão vocês quando, por minha causa os insultarem, perseguirem e levantarem todo tipo de calúnia contra vocês. Alegrem-se e regozijem-se, porque grande é a recompensa de vocês nos céus, pois da mesma forma perseguiram os profetas que viveram antes de vocês” (Mt 5.10-12).

Sei que você já leu essa passagem tantas vezes que, de repente, o sentido e a profundidade das palavras acabaram se perdendo. Então vamos prestar muita atenção aos detalhes. Repare o que Jesus está dizendo: ser perseguido por amor a Ele é razão de felicidade. Se você for perseguido por amor a Cristo – for insultado, ofendido e até mesmo se mentirem contra você – deve se alegrar. Mais do que isso, deve se regozijar, o que significa festejar ou ter prazer, contentamento, satisfação, júbilo. Naturalmente que sua natureza humana recusa-se a sentir isso na hora em que fazem troça de você, quando te acusam de forma estereotipada, quando sofre no emprego por ter colegas que pegam no seu pé devido a sua ética cristã, quando sua  família se levanta contra você por se declarar um servo de Jesus.

Só que… quem disse que ser cristão é agir como nossa natureza humana dita? Ser cristão é agir como a natureza de Cristo dita. E, se assim o fizermos, “grande é a recompensa” que nos espera nos céus. E o parâmetro que Jesus estabelece como exemplo são os profetas perseguidos do passado. A esse respeito, Hebreus 11 é riquíssimo. Veja, por exemplo,  o que se diz acerca do príncipe do Egito que virou pastor em Midiã: “Pela fé Moisés, já adulto, recusou ser chamado filho da filha do faraó, preferindo ser maltratado com o povo de Deus a desfrutar os prazeres do pecado durante algum tempo. Por amor de Cristo, considerou a desonra riqueza maior do que os tesouros do Egito, porque contemplava a sua recompensa” (Hb 11.24-26)

E não para por aí. O autor aos hebreus fala das situações horripilantes que muitos tiveram de enfrentar por fidelidade a Deus e fé nele. Transcrevo aqui esse trecho, em forma de tópicos, de forma a pontuar melhor o que ele diz:

“Alguns foram
1. torturados e
2. recusaram ser libertados, para poderem alcançar uma ressurreição superior. Outros
3. enfrentaram zombaria e açoites, outros ainda foram
4. acorrentados e colocados na prisão,
5. apedrejados,
6. serrados ao meio,
7. postos à prova,
8. mortos ao fio da espada.
9. Andaram errantes,
10. vestidos de pele de ovelhas e de cabras,
11. necessitados,
12. afligidos e
13. maltratados.
O mundo não era digno deles.
14. Vagaram pelos desertos e montes, pelas cavernas e grutas.
Todos estes receberam bom testemunho por meio da fé; no entanto, nenhum deles recebeu o que havia sido prometido. Deus havia planejado algo melhor para nós, para que conosco fossem eles aperfeiçoados”
(Hb 11.32-40). Aos olhos do mundo, derrotados. Aos olhos de Deus, o mundo não era digno deles.

E de modo muito prático? Você que sofre no trabalho por bullying de colegas, na escola, na universidade, na vizinhança ou em qualquer outra instância por sua fé em Jesus, como deve reagir? Mandar todo mundo pro inferno? Orar pedindo que a mão de Deus pese sobre quem te faz mal? Entrar em bate-bocas, acusações, troca de farpas, vendetas e outras formas de beligerância? Não. Nada disso. Pois isso, meu irmão, minha irmã, biblicamente é uma reação carnal e diabólica. O que Jesus nos ensina mais uma vez é contrário à natureza humana. Pois o homem natural reage com violência e ira. O homem espiritual segue o que Jesus de Nazaré ensinou: põe o outro acima de si, aceita as bofetadas e os açoites (físicos ou morais), suporta a provação e as perdas mas se recusa a agir com vingança, a se defender ou a devolver na mesma moeda. Segue em silêncio o caminho do seu calvário pessoal. E não sou eu quem diz, é ensinamento do próprio Salvador do mundo, do manso Cordeiro (novamente em tópicos, para captar mais a sua atenção):

“Vocês ouviram o que foi dito: ‘Olho por olho e dente por dente’.  Mas eu lhes digo:
1. Não resistam ao perverso.
2. Se alguém o ferir na face direita, ofereça-lhe também a outra.
3. E se alguém quiser processá-lo e tirar-lhe a túnica, deixe que leve também a capa.
4. Se alguém o forçar a caminhar com ele uma milha, vá com ele duas.
5. Dê a quem lhe pede, e não volte as costas àquele que deseja pedir-lhe algo emprestado”.
Vocês ouviram o que foi dito: ‘Ame o seu próximo e odeie o seu inimigo’. Mas eu lhes digo:
6. Amem os seus inimigos e
7. orem por aqueles que os perseguem,
para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos céus. Porque ele faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos. Se vocês amarem aqueles que os amam, que recompensa receberão? Até os publicanos fazem isso!”
(Mt 5.38-47).

Mas, Zágari, não posso revidar quem me persegue nem um pouquinho? Minha vontade é de acabar com a raça daquele incircunciso! Bem… responda você mesmo: “Abençoem aqueles que os perseguem; abençoem, e não os amaldiçoem” (Rm 12.14). E mais: “Amados, nunca procurem vingar-se, mas deixem com Deus a ira, pois está escrito: ‘Minha é a vingança; eu retribuirei’, diz o Senhor.  Pelo contrário: ‘Se o seu inimigo tiver fome, dê-lhe de comer; se tiver sede, dê-lhe de beber. Fazendo isso, você amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele’.  Não se deixem vencer pelo mal, mas vençam o mal com o bem” (Rm 12.19-21).

Seremos perseguidos, isso é um fato bíblico inescapável. O mandamento cristão é não revidar. Nada de lançar aviões contra os edifícios de quem nos persegue. Nada de invadir países para matar os inimigos. Nada de proferir nem sequer uma palavra de maldição contra nossos perseguidores. Jesus nos ensina a abençoá-los, a amá-los, a orar por eles, a alimentá-los, a saciá-los, a fazer-lhes o bem, a adotar uma postura pacificadora, a aguentar os murros na outra face. Quem de nós faz isso? Pouquíssimos, sejamos francos. A notícia é que esses pouquissimos são os que estão agindo como Deus deseja. A boa notícia para esses é que haverá recompensa na eternidade para os que engolirem sua humanidade, sofrerem perdas e danos por amor a Cristo e tiverem a nobreza de superar a vontade humana de dar o troco ou agir com violência verbal ou física. Não é preciso ter nascido de novo para pagar a perseguição na mesma moeda. Mas só quem nasceu de novo pode, pelo poder do Espírito, suportar tudo calado, negar-se a si mesmo e carregar a cruz até o dia de sua morte.

E esses, Jesus diz, são os bem-aventurados. Os felizes. Você está sofrendo qualquer tipo de perseguição pela sua fé, meu irmão, minha irmã? Sorria em silêncio. Você é feliz aos olhos de Deus. E grande será sua recompensa na eternidade.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício
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Todo mundo parece que quer reinventar o Evangelho. Se você não sabe, a palavra “evangelho” significa “boas-novas” – e o Evangelho de Cristo são as boas-novas da salvação. Ponto. O Verbo encarnou, morreu e ressuscitou para que tivéssemos salvação, ou seja, vida eterna. Ponto. O resto é só o resto. Por isso me impressiona a quantidade de cristãos que acham que o Senhor encarnou para resolver os problemas desta vida, da nossa sociedade, do mundo. O Evangelho não são as “boas-novas do saneamento básico”, as “boas-novas do enriquecimento financeiro”, as “boas-novas da influência sobre a política social” ou as “boas-novas da luta pelo fim da miséria”. Isso é Evangelho 2.0, uma nova versão daquilo que Jesus ensinou: seu Reino não é deste mundo. Ponto.

Um homem brasileiro vive, em média, 72,5 anos, enquanto na eternidade teremos vida – ou morte – eterna por 72 trilhões de trilhões de trilhões de trilhões de anos. E isso não será 0,1% da eternidade. E você realmente acha que Deus está tão preocupado assim com nossos anos sobre a terra? Um-hum. Claro que Ele se preocupa, mas esta vida, que a Bíblia diz que é como “um sopro” e “uma neblina”, é uma ridícula e minúscula portinhola de entrada para o porvir eterno. Daí a influência marxista sobre o Evangelho ser um equívoco tão elementar: Jesus se ofereceu ao sacrifício não para que seus servos fossem ao Planalto, fizessem comitês, organizassem passeatas, lançassem manifestos sobre política partidária. O sacrifício vicário é um sublime exercício espiritual, um estímulo à vida devocional.

Quando Jesus morre na Cruz não é a porta do palácio de Herodes que se rompe para que seus seguidores possam exigir melhores condições de vida, nem a fechadura da residência de Pilatos que arrebenta para que os discípulos tenham como reivindicar um melhor padrão de vida para as massas carentes: é o véu do templo que se rasga, para que o homem pecador tenha acesso ao Santo dos Santos, ao Altíssimo, ao Sagrado, ao espiritual, ao Pai. Para praticar o religare com o Todo-Poderoso, o tão mal-falado bicho papão do momento: religião. Uuuuuu, que medo, teve gente que só de ouvir essa palavra se arrepiou todo.

É lógico que agora, furiosos, os adeptos dessa linha terrena de Evangelho 2.0 virão com todos os argumentos das classes oprimidas, que temos que ajudar o próximo, que amparar os órfãos e as viúvas em suas tribulações. Isso é óbvio! A consequência das boas-novas é o amor pelo próximo. Não sou filho de família rica: meus pais eram professores do estado e tinham cada um quatro ou cinco empregos para poder sustentar os filhos. Mas não é pelas minhas raízes proletárias que segurarei a foice e o martelo e farei do foco da morte e da ressurreição de Cristo uma luta política por uma vida melhor. Segurarei a Bíblia. Meu compromisso, como o de todo cristão, é com a Jerusalém Celestial, não com Brasília.

Os problemas desta vida nós, que vivemos numa pseudodemocracia, resolvemos no voto. Ou, pelo menos, deveríamos resolver, se soubéssemos votar. A fé é sobre outras coisas. Amar o próximo, sem dúvida, mas a Deus sobre todas as coisas. Como disse o Cordeiro, a Videira, “de que adianta ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?”. Quem não entende que o Evangelho é sobre nossa comunhão eterna com Deus e não sobre nossa comunhão momentânea com os problemas desta vida não compreendeu que o Pai deu seu Filho unigênito para que os que nEle cressem não perecessem, mas tivessem…adivinha o quê? Bem, você conhece João 3.16.

Olho para os mártires dos 313 primeiros anos de Cristianismo e não consigo ver nenhum deles morrendo no Coliseu para que os pobres tivessem acesso a educação e saúde. Não me ache um insensível, acredite, choro pelos que choram e faço a minha ação social – e o que faço Deus sabe, não preciso alardear aqui. Mas não é por isso que vou ignorar o testemunho dos mártires da Igreja primitiva, que fizeram o bem ao próximo, mas que, como os casos citados em Hebreus 11, deram suas carnes alegremente aos leões e às torturas pelo entendimento de que a meta é o Céu – e não asfaltar um bairro. Blandina, Romano, Policarpo, Estêvão e tão grande nuvem de testemunhas deram-se ao martírio em nome da eternidade. Por entenderem que o Evangelho não é a respeito deste sopro de vida. Que adianta erradicar a miséria e irmos todos para o inferno? Jesus não é um super-herói que veio à terra para salvar mocinhas em becos escuros de batedores de carteiras.

O Evangelho 2.0 é um equívoco. Simplesmente porque põe uma das muitas consequências da Cruz como a causa. Ação social, caridade, cavar poços artesianos, construir creches e escolas, influir sobre as instâncias do poder público… não foi por nada disso que Jesus encarnou, morreu e ressuscitou. Isso é consequência e não causa. Jesus veio para tirar pecadores do inferno e não pobres das favelas. Isso é Evangelho.

Quando eu era mais jovem, com meus 17 anos, cheio de testosterona, filiado a organizações estudantis de esquerda e crente que ia mudar o mundo, acharia o Evangelho 2.0 o máximo. Fui a comícios nas eleições de 1989, fui orador na minha turma de formatura na escola ostentando um button do partido que eu apoiava, discutia com os padres do colégio São Bento, onde estudei como bolsista, porque eles eram uns “reacionários de direita”. Mas aí os anos se passaram, a esquerda assumiu o poder no país e tudo continuou igual, veio a minha conversão e fui discipulado por um bom sacerdote, que me mostrou que a grande revolução social ocorre mediante a pregação do Evangelho (o 1.0, o original). Refiz meus pensamentos. Mudei minhas premissas. E compreendi a razão de Jesus ter vindo à terra. Entendi o que é graça e a diferença entre causa e consequência da Encarnação do Verbo. Cheguei a ir a um Congresso Teológico sobre a vertente evangélica e da moda da Teologia da Libertação para entender melhor as ideias que importamos do Equador sobre o tema. Continuo acreditando em caridade, em ação social e em dar de comer a quem tem fome e beber a quem tem sede, em amar o próximo, em ajudar o necessitado. Mas não acredito que isso suplante a pregação das boas-novas de salvação e que isso seja a locomotiva. Não é, é o vagão.

Que os adeptos do marxismo cristão joguem pedras. Não tem importância. Antes importa agradar a Deus que aos homens. Não sou rico, não sou da elite, amo o próximo e quero o bem de pobres e ricos. Não vou aderir ao Evangelho 2.0, porque desejo proclamar as boas-novas de salvação para os miseráveis e também para os milionários. Olho para as favelas e para os condomínios de luxo e o que vejo são a mesma coisa: almas. Pior: almas pecadoras, destituídas da graça de Deus. Cobrirei quem tem frio com um cobertor, visitarei o preso, darei pão ao faminto e água a quem tem sede. Farei isso por amor e porque Jesus nos ensinou a fazê-lo. Mas investirei a maior parte de meu tempo e de minhas forças e esforços em proclamar o Evangelho. Em proclamar a Cruz. Em anunciar o Caminho estreito. Em cumprir o ide para fazer discípulos bons e fiéis que um dia, tenham passado fome ou não nesta vida, compartilhem comigo dos quadrilhões de séculos que dura a eternidade ao lado do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ponto final.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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As reflexões expressas neste blog são pessoais e não representam necessariamente a posição oficial de nenhuma igreja, denominação ou grupo religioso.

Devemos nos denominar “evangélicos” ou não? Somos “evangélicos” ou só “cristãos”? Essas são as perguntas-chave deste post. São fruto de um texto que publiquei aqui no APENAS dias atrás que mostrava como legiões de irmãos vivem suas vidas de fé sem refletir ou se informar sobre o que falam e que, por isso, cometem enormes equívocos (o post original é ESTE, caso você queira se situar no contexto). Ocorre que no meio do raciocínio citei um exemplo que deu margem a montes de comentários. Penso que o assunto merece uma reflexão só para ele, para elaborarmos em cima da questão: afinal de contas, sou “evangélico” ou não? Até uns três ou quatro anos atrás, ninguém tinha problema de se apresentar como evangélico. Era o que éramos e acabou. Mas, de repente, com o advento do twitter, do Facebook e das redes sociais, foi um bum de rejeição desse termo. De repente, vimos multidões e mais multidões de… evangélicos… repudiarem ser chamados daquilo que eram. “Sou cristão, não sou evangélico”, passaram a bradar muitos evangélicos – bem mais preocupados com isso do que proclamar Cristo. Sou um defensor do uso desse termo e quero convidar você a refletir por quê não o devemos abandonar.

A causa desse fenômeno é simples: a vergonha perante o mundo.

E como surgiu essa vergonha? Até há pouquíssimo tempo, todo mundo sabia que “evangélico” é sinônimo de “cristão de tradição protestante”, ou ainda “pessoa que segue o cristianismo segundo definido pela Reforma Protestante”. Só que aí vieram os escândalos. Igrejas “evangélicas” neopentecostais espantando o país com todo tipo de prática espúria, Teologia da Prosperidade praticada por “evangélicos” sendo esfregada na cara do mundo, celebridades de vida mundana se apresentando como evangélicas, exorcismos praticados por “evangélicos” como shows, roubalheiras em nome de Jesus saindo na primeira página do jornal, “evangélicos” chutando imagens de santas, bancada “evangélica” no governo envolvida em mutretas e tramoias, artistas “evangélicos” usando o nome de Deus para enriquecer, eventos “evangélicos” infernizando o trãnsito e a paz das cidades, pastores-celebridades “evangélicos” atacando outros setores da sociedade em rede nacional de TV com agressividade… enfim, a lama voou para todo lado.

Os setores evangélicos sérios começaram a olhar isso tudo com espanto. De repente, o Evangelho passou a ser escândalo para o mundo não mais por sua mensagem contracultural, mas porque aqueles mais visíveis que se dizem seus porta-vozes passaram a praticar tudo às avessas do que se esperaria de um servo de Jesus. Hoje, basta qualquer não-evangélico ligar a TV sábado de manhã para ver “pastores evangélicos” vendendo unções em troca de R$ 900 – o que, é óbvio, é um tremendo absurdo e todos os  que não são minimamente ingênuos percebem isso. Um ateu hoje liga a TV e assiste a “pastores evangélicos” aos berros contra gays, ofendendo e atacando. Sem entrar pelo mérito, aos olhos da sociedade aquele indivíduo representa todos nós e, se ele é tão agressivo e estúpido na hora de falar, todos devemos ser. E quando nos apresentamos como evangélicos somos automaticamente associados a esses ensandecidos empresários da fé e… sentimos vergonha, lógico. Quem não sentiria?

O não-evangélico hoje liga na TV cuja dona é uma igreja “evangélica” e assiste a reportagens denunciando… outras igrejas “evangélicas”. Não é preciso ser um gênio para ver o que está por trás daquilo: dinheiro e poder. O não-evangélico liga a TV e assiste a um Festival de música “evangélica” onde os artistas são iguaizinhos aos artistas do mundo, fazem tudo igual. Mas em nome de Jesus, claro. E isso é escândaloso para quem tem o mínimo de senso crítico, pois fica estampado em verde e amarelo que aquilo ali é apenas uma jogada para venda de CDs da gravadora pertencente à mesma organização que a emissora de TV.

Para piorar, alguns pastores-celebridades que eram evangélicos sem problema algum tornaram-se revoltados contra a Igreja evangélica por razões as mais diversas. Uns porque adulteraram e não buscaram recompor seu casamento e, como a Igreja evangélica obviamente não concordou com isso porque vai contra a Bíblia, tornaram-se inimigos dos evangélicos. E forjaram esse discurso “antievangélico” para captar o nicho dos revoltados e dos feridos e assim manter-se em evidência. Outros tornaram-se antievangélicos porque começaram a inventar teologias notoriamente heréticas, que esvaziam Deus de sua soberania, e, como a Igreja evangélica obviamente não concordou com isso porque vai contra a Bíblia, tornaram-se inimigos dos evangélicos. E aí entra o fenômeno da celebridade em ação: como esse punhado de pouquíssimos pastores são vistos como a quarta pessoa da Trindade por milhares de pessoas, começaram a arrebanhar um povo que somou-se a eles nesse discurso que partiu de razões pessoais e tornou-se o evento social e antropológico que estamos analisando aqui.

Em resumo: alguns que se dizem “evangélicos” e estão mais visíveis aos olhos do mundo acabaram fazendo o mundo associar todos os evangélicos a eles. Ao que eles fazem. Ao jeito como falam. Aos seus interesses visivelmente interesseiros. A tudo de mais horrível, réprobo e pecaminoso que representam. Outros, que tomaram atitudes ou inventaram teologias que contrariam a Bíblia foram rejeitados pelos evangélicos que viram o absurdo que há no que praticam e pregam e arrastaram consigo montes e montes de fãs com seu discurso “antievangélico”. Hoje são figuras tristes, que chamam irmãos na fé de malditos ou se portam como moleques de rua ao chamar homens de Deus de “bundões” ou coisa pior.

E, adivinha só? O mundo vê tudo isso. Sabe para quem sobrou? Para mim e para você, meu irmão evangélico.

Porque, de repente, muitos passaram a sentir vergonha de ser associados a toda essa baixaria. E, ao ouvir essas vozes do movimento “sou cristão, não sou evangélico”, agarraram-se a essa ideia como a um bote salva-vidas de sua dignidade. Como ratos que abandonam um barco que mina água, começaram a abandonar aquilo que sempre foram. A se redefinir. A deixar o termo que a sociedade vê como algo negativo na mão dos negativos e tentar se metamorfosear em outra coisa.

Mas isso é um enorme erro.

Se um bandido tem o mesmo nome que você, requerer junto à justiça a mudança do seu nome não vai resolver absolutamente nada. Se dizer “cristão mas não evangélico” também não resolve absolutamente nada. É apenas uma atitude de pessoas envergonhada que acham que por não se definirem mais pelo termo estão se livrando dos olhares tortos da sociedade. E, ao fugir da vergonha, tornam-se vergonhosos. Pois estão abrindo mão de uma definição belíssima historicamente, que define não o que os canalhas da fé são, mas o que Jesus plantou e Lutero, Calvino e outros resgataram – e que transformou a História da Igreja.

Quando a Igreja Católica Romana tornou-se o que tornou-se no século 16, praticando absurdos como a venda de indulgências e outros desmandos, Lutero protestou afixando suas 95 teses na porta da igreja castelo em Wittenberg, Alemanha, a 31 de Outubro de 1517. Os católicos, para denegrir a imagem dos discordantes, cunharam o termo “protestante”, em especial devido à grande manifestação de alguns Estados e príncipes alemães, em 1529, que protestaram contra decisões de caráter religioso, mas de motivação também política. Em contrapartida, os que seguiam a proposta reformadora do excomungado Lutero e seus simpatizantes começaram a usar o termo “evangélico”, na época visto (veja você) como menos polêmico e que remetia a uma das características positivas de tudo o que a Reforma significou: o retorno à mensagem evangélica original. Lindo. O adjetivo “evangélico” é simplesmente lindo, pois nos define como aqueles que seguem o sagrado Evangelho de Jesus Cristo, as boas-novas do Deus encarnado, a graça do Cordeiro de Deus que veio para tirar o pecado do mundo. Eis a essência do evangélico: abraçar o Evangelho e vivê-lo custe o que custar.

Ser evangélico, então, é seguir o Evangelho de acordo com a doutrina fundamental resgatada por Lutero, Zwinglio e Calvino, que traz em si como pontos fundamentais a prioridade das Escrituras, a justificação pela fé e o sacerdócio universal dos cristãos. É o que eu sou. E vou brigar pelo direito de me definir pelo que sou.

Se há aqueles que usam o Evangelho de Jesus como fonte de lucro, trilhando um caminho de escândalos e de práticas antibíblicas, cabe a nós, que nos consideramos fiéis ao Evangelho e que renegamos essas práticas, deixar claro que eles saíram de nós mas não eram de nós. Denominar-se “cristão” resolve? Nada! Pois cada um desses que escandalizam também se dizem “cristãos”! Então daqui a pouco vamos abandonar essa definição também?! Muitos, para não se identificarem com os canalhas que se apresentam como “evangélicos” já desmerecem tudo o que tem a ver com os tais: não congregam em “igrejas” ou “denominações”, mas em “comunidades”. Não têm “hierarquia”, só “irmãos mais experientes na fé”. Não seguem “religião”, mas “graça”. E, agora, não são “evangélicos”, mas “cristãos”. Tudo pura semântica. Jogos de palavras e conceitos que não resolvem absolutamente nada. Apenas deixa os que assim o fazem mais felizes por poder se apresentar aos olhos da sociedade como algo diferente do que aquilo que os embaraça perante as pessoas.

Lutero quis reformar a casa de fé em que vivia por causa dos desmandos e da vergonha que tinha de fazer parte daquilo. Foi excomungado, expulso, expelido. Hoje, os cristãos antievangélicos não querem reformar nada: optam por pular fora para se sentir melhor aos olhos do mundo porque podem dizer “eles são evangélicos, eu não”. Desertam porque têm vergonha daquilo de que não fazem parte. Eles próprios se excomungam, se expulsam , se expelem. E com isso se tornam vergonhosos.

Não, não temos que sentir vergonha desse belíssimo termo histórico, que custou a vida de muitos mártires da Reforma e que nos remete à essência de nossa fé: o Evangelho da Salvação de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Tenho orgulho disso. Defendo o direito de usar o termo. Ele nos pertence. Os apóstatas já abandonaram o termo. Os deixemos ir, não fazem falta, com suas heresias relacionais e sua agressividade “bundona” (para usar suas próprias palavras, perdoem-me por replicar suas agressões).  Se querem passar por cima das mulheres e crianças, pisoteá-las e sair correndo do barco que mina água, que o façam e levem sua vergonha consigo. Mas acredito que um cristão deve ser corajoso, como os mártires foram e se entregaram aos leões, à fogueira e à tortura por amor ao Evangelho. E isso porque eram evangélicos: deram as suas vidas pelas boas-novas. Deram suas vidas pela mensagem da Cruz.

Não fujamos como covardes. Fiquemos e defendamos o que é nosso por herança espiritual. Somos sim evangélicos, como Jesus o foi, os apóstolos foram, os patriarcas dos primeiros séculos, os pré-reformadores, os próprios reformadores e os que andaram em seus passos nos 500 anos que se seguiram. Eu sou cristão. Eu sou evangélico. E sou grato a Deus por isso. Pois, ao admitir essa verdade, honro aqueles que vieram antes de mim e defenderam muitas vezes com seus bens e suas vidas o direito de eu sê-lo hoje. Não vou deixar meia-dúzia de falsos “evangélicos” estragar isso. Vamos denunciar seus erros e suas práticas apócrifas. Vamos denunciar seu comportamento e suas ideias como algo estranho ao nosso corpo. Vamos purgar o mal que está em nosso meio pela proclamação da verdade que denuncia a mentira. Mas escapulir pela porta dos fundos furtivamente não é a saída. Postar-se de queixo erguido na porta da frente, de peito aberto, e assumir quem somos e quem eles são e que não compartilhamos da mesma fé… essa sim é a resposta.

Meu nome é Maurício Zágari e honro meus pais, que me deram esse nome. Honro meus antepassados, que me deixaram esse sobrenome como legado. Não os mudo por nada. Do mesmo modo, honro a Cruz de Cristo. Honro o Evangelho de Cristo. Honro os que resgataram pela Reforma o Evangelho de Cristo. E honro o nome que me deixaram: evangélico.

Se você tem vergonha disso, vá. E junte-se aos vergonhosos.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Mauricio
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por Eliana Neves (@elianapon), convidada especial do APENAS

Tenho 29 anos. Desde os 3 sofro de uma doença autoimune chamada “psoríase”, que provoca inflamação e descamação na pele. Não tem cura para a medicina. Seu controle depende de medicamentos pelo resto da vida. Também desde criança tenho enxaqueca, outra enfermidade para a qual a medicina desconhece a cura e cujo controle depende de tratamento pelo resto da vida. Nasci e cresci em um lar cristão. Dentro da igreja. E o fato é que desde criança já participei de inúmeras campanhas por cura. Campanhas de 7 semanas, de não sei quantos dias de jejum e oração… enfim, campanhas de todos os tipos. Meus pais, na ânsia de querer ver a filha sem dor e com uma pele saudável, me levavam em todo lugar em que tivesse um pastor que ministrasse cura. E, todas as vezes, sem exceção, eu ouvia ao final: “Você está curada, querida.  Creia!” , “Se você sentir dor novamente, é o diabo testando sua fé, repreenda!”, “Os sintomas estão aí, mas a cura já ocorreu, você tem que crer”, “Tome posse da cura”, “Eu decreto a sua cura, em nome de Jesus”. Eram momentos de muito entusiasmo, eu me lembro. Não faltavam “aleluias” e “glórias a Deus”.  Por fim, após certo tempo sem que houvesse a cura, eu escutava a mais cruel de todas as afirmações: “Você não foi curada porque não teve fé suficiente”.

Eu, ainda criança, não entendia essa afirmação dos irmãos, no sentido de já ter sido curada e continuar com os sintomas como um sinal de teste da minha fé. Como se Deus tivesse concedido a cura mas, depois de alguns dias, pelo fato de a minha fé não ser suficiente, tivesse tomado a cura de volta para Ele e me devolvido a enfermidade de novo. Quando mais velha, comecei a procurar algo que justificasse isso na Bíblia, mas eu não encontrava. Não havia coerência. E, o fato é que até hoje não encontrei, simplesmente porque é um ensinamento que vai contra tudo o que a Palavra de Deus ensina.

Ou melhor, não tinha encontrado. Até ler recentemente um livro que mudou meu entendimento. Seu título é A VERDADEIRA VITÓRIA DO CRISTÃO (de Maurício Zágari, editora Anno Domini).

Quando terminei a leitura de A VERDADEIRA VITÓRIA DO CRISTÃO (veja AQUI), pensei no quanto o sacerdote que escreveu o prefácio, Walter McAlister, estava certo quando escreveu  o seguinte: “Louvo a Deus pela coragem e a compaixão que este livro revela no seu autor”. Confesso que, antes de ler o livro, me perguntei o motivo pelo qual ele teria se referido a coragem. Mas, ao concluir a leitura, entendi. O livro revela coragem na medida em que desconstroi a falsa ideia de vitória pregada hoje no meio evangélico e defendida por sacerdotes que influenciam incontável número de cristãos. E, confesso, que já influenciaram a mim também.

Realmente não é fácil enfrentar uma heresia tão disseminada, sobretudo nos dias atuais, em que admitir que um cristão pode não obter aquilo que deseja de Deus, mesmo que tenha muita fé, chega a ser considerado uma blasfêmia por alguns. E, mais uma vez confirmando a afirmação de Walter McAlister, (premiado com 4 Prêmios Areté, inclusive “Livro do Ano”, por “O Fim de Uma Era“) percebi também que o livro, além de revelar a coragem de enfrentar a heresia triunfalista que contaminou nossas igrejas, revela compaixão pelo fato de consolar biblicamente aqueles que buscam uma vitória tão pregada hoje nas igrejas e que, não raramente, nunca acontece.

É claro que Deus cura, se Ele quiser. Mas, não é meu direito exigir isso dEle. Assim como não significa que um cristão nunca pode adoecer. E, aqui, cito uma frase do livro A VERDADEIRA VITÓRIA DO CRISTÃO: “Deus é Senhor, não nós”.

De fato, a heresia criada acerca da vida cristã sem problemas, além de desonrar a Deus, causa muito sofrimento ao cristão. Penso que, como eu, há muitos por aí. Certamente com problemas diferentes, familiares, de ordem financeira etc., mas também pedindo a Deus por um milagre que não aconteceu. E que só vai acontecer se o Senhor, que é soberano, assim quiser. O problema é que muitas dessas pessoas sofrem caladas na igreja de hoje, que prega apenas triunfalismo e usa a promessa de Jesus de vida abundante para distorcer o Evangelho e proclamar que cristão que é cristão de verdade vive de milagre.

E, não bastasse a existência de cristãos que sofrem sozinhos, a heresia traz para o seio da igreja milhares de pessoas que estão atrás de milagres, mas não de Jesus. Querem as bênçãos, mas não se comprometem com uma vida de luta contra o pecado. Afinal, Deus é bom e quer apenas a nossa felicidade. Crescem os evangélicos, mas não cresce o reino de Deus. Creio que, além de falsos mestres, há muitos cristãos bem intencionados que pregam esse “evangelho de vitória” porque assim foram ensinados.

E é aí que recomendo o livro A VERDADEIRA VITÓRIA DO CRISTÃO. Primeiro, porque o livro mostra, por intermédio de uma exposição bíblica maravilhosa, que absolutamente nada do que fizermos ou de quanta fé demonstrarmos ter fará com que tenhamos mérito em merecer alguma benção ou vitória de Deus. É tudo pela graça. Segundo, porque os cristãos bem intencionados que pregam um “evangelho” distorcido pelo fato de assim terem sido ensinados, poderão enfim entender o que a Bíblia expõe sobre o tema. Terceiro, porque aqueles cristãos que sofrem calados por não receberem a vitória que tanto almejam, perceberão que a graça de Deus lhes basta e que a verdadeira vitória do cristão é outra bem diferente – que só lendo o livro para saber qual é.  Neste aspecto, os relatos que o livro traz sobre os cristãos da igreja primitiva e os reformadores nos mostram o quanto o cristão está sujeito sim ao sofrimento enquanto estiver nesta terra. Esses relatos falaram muito ao meu coração.

Mas, além de tudo isso, o que mais me edificou neste livro foi o chamado de Deus para que voltemos os olhos àquilo que Sua Palavra diz. Para que, seguindo o exemplo dos cristãos da Igreja primitiva e dos reformadores, possamos nos desapegar dessa vida terrena e dos valores do mundo.

Encerro por aqui, pois, se fosse falar tudo o que esse livro me ensinou, o texto ficaria muito extenso.

O tema “vitória” necessita ser repensado à luz da Bíblia. Que A VERDADEIRA VITÓRIA DO CRISTÃO abençoe, instrua e console a muitos, assim como fez comigo. E que toda honra e toda glória sejam dadas apenas ao Senhor para sempre.

Eliana Neves, @elianapon no twitter (convidada especial do blog APENAS para fazer uma crítica sobre A VERDADEIRA VITÓRIA DO CRISTÃO por ter sido a primeira a adquirir o livro junto à editora).

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Esta semana publiquei o post “A Verdadeira Vitória do Cristão“, em que contei como, ao folhear uma revista evangélica, dei de cara com um anúncio que fazia propaganda de um livro de um famoso telepastor brasileiro, defensor da Teologia da Prosperidade, que garantia que quem lesse aquela obra teria “vitória” certa em sua vida. O título do livro era “Vitória… alguma coisa“. Contei como aquilo mexeu comigo e como decidi fazer uma pesquisa na Bíblia sobre o significado real de “vitória” na vida do cristão. Para compreender exatamente o que quer dizer, por exemplo, “somos mais do que vencedores”. E relatei como iniciei uma extensa investigação nas Escrituras sobre o assunto – mania de jornalista que também é formado em Teologia – com descobertas que jogam no lixo milhares de pregações feitas todos os dias pelos pregadores do triunfalismo, da prosperidade, daqueles que prometem “lições de vitória” e outros da mesma estirpe.

O resultado foi a publicação, com lançamento esta semana, do livro “A Verdadeira Vitória do Cristão”, meu quarto livro pela editora Anno Domini, a mais premiada no último Prêmio Areté (a mais importante premiação literária cristã do país), prefaciado para minha honra por ninguém menos que Walter McAlister, ganhador de 4 Prêmios Areté, entre eles “Livro do Ano” e “Autor Nacional do Ano”, por seus livros “O Fim de Uma Era” (foto à dir.) e “O Pai Nosso“. Quando ele leu meu livro fez questão de prefaciar o mesmo.

Pois bem. Reproduzo neste post trechos da introdução do livro, que considero tão missional que abri mão de receber um centavo sequer pelos direitos autorais. Essa é uma obra para quem quer entender exatamente o significado de “vitória” na Bíblia, para não se deixar enganar por pregações, livros, CDs e DVDs mentirosos, que prometem o que as Escrituras não prometem. É para quem não quer se deixar enganar e deseja alertar seus irmãos contra os lobos travestidos de cordeiro que pregam uma falsa vitória e um falso evangelho. Hoje reproduzo trechos da Introdução de “A Verdadeira Vitória do Cristão”, para você tomar mais intimidade com o conteúdo do livro. Segue abaixo, no trecho entre os dois banners:

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“‘A vitória é nossa, pelo sangue de Jesus!” Na igreja em que me converti ao Evangelho de Jesus Cristo, essa frase tradicionalmente encerrava todos os cultos, sob a batuta do celebrante e ecoada em alta voz por toda a congregação. Como um grito de guerra triunfal, garantia a todos os presentes uma subentendida vida vitoriosa, sem derrotas, de plenitude de conquistas, uma linha ascendente de êxito. Independentemente do seu significado teológico preciso, a afirmação – que é verdadeira e bíblica – era interpretada pelos membros da igreja como uma promessa de bênção no dia a dia de cada cristão. Sim, a vitória é nossa: na compra do carro, no dinheiro para o aluguel, na cura da doença, na libertação do marido alcoólatra, na conversão do filho traficante, no ganho da causa na justiça, na conquista do emprego e em todas as outras necessidades que tenhamos nesta vida – inclusive financeira. Líquido e certo.

Nos meus primeiros tempos como convertido, considerei aquilo fascinante e empolgante. Agora eu fazia parte de um grupo de elite para quem Jesus tinha conquistado a vitória ao dar seu sangue e minha vida prometia ser colorida, espetacularmente abençoada. Tudo de que eu precisava era ter fé e confiar que “a vitória já é certa”, e, com isso, “tomar posse da vitória” – porque, afinal, “sou filho do Rei!”.

Essa compreensão ganhava robustez a cada nova pregação a que eu assistia sobre vitória e toda vez que eu via programas ditos “evangélicos” na TV ou entrava nas livrarias do segmento. Afinal, a enxurrada de DVDs, livros, CDs de pregação e similares que traziam em seus títulos e temas a questão da vitória do crente em Jesus me soterrava o tempo todo com a certeza de que nasci para “ser cabeça e não cauda” e, seguindo a fórmula mágica aprendida com “lições de vitória” da vida de personagens bíblicos, teria os caminhos desimpedidos e a estrada para o sucesso e a tranquilidade escancarada à minha frente. Sim, a vitória era minha! (…) Ou seja: Jesus me garantia vitória, não importando o problema que eu tivesse. Cem por cento certo.

Porém, o tempo foi passando e comecei a perceber uma triste realidade, que em geral nós, cristãos, fingimos que não vemos ou então disfarçamos, mudamos de assunto. Inúmeras vezes, a compra do carro não sai como queremos, não conseguimos dinheiro para o aluguel, pessoas descem ao leito de morte sem nunca terem obtido a cura da doença, o marido permanece alcoólatra, o filho traficante é fuzilado sem ter se convertido, perde-se a causa na justiça, a empresa onde se desejava o emprego dá uma resposta negativa e muitas outras necessidades ou desejos que tenhamos nesta vida nunca são satisfeitos. Muitos financeiramente pobres se convertem ao Cristianismo, vivem uma vida de fé autêntica, sendo pobres, e deixam esta vida tão pobres como antes. Constatar esse fato foi um choque. Se Deus garantia a mim e a meus irmãos a vitória nesta vida, como explicar que diariamente eu e eles tivéssemos de encarar situações que evidenciavam a “derrota” em uma série de circunstâncias?

Explicações vinham de todos os lados, a maioria nada convincente: a fé foi pequena, Satanás sabotou minha bênção, eu não decretei a vitória, não pedi direito, não “tomei posse” da bênção e por aí vai. Com o tempo e a observação dos fatos inquestionáveis do cotidiano, essas explicações começaram a ganhar um sabor inconfundível de desculpa esfarrapada. E, se era garantido que eu teria a vitória se obedecesse aos “passos” ensinados e eu não a tinha em muitas situações, certamente a culpa era minha e não de Deus. Logo, vinham culpa, traumas e a sensação de derrota, incapacidade, incompetência. Se eu não saía “vitorioso” de alguma batalha, eu era o miserável responsável, um cristão incompleto, incompetente, néscio, inferior. Deus com certeza estava decepcionado comigo, pois Ele me dera a vitória e eu não conseguira – ou soubera – “tomar posse da bênção”. Muito pior era quando eu seguia à risca as “lições de vitória” e dava todos os “sete passos para vencer”, comparecia aos sete dias da “campanha da vitória”, mas não alcançava meus objetivos. O que, aos olhos daqueles ensinamentos, faziam de mim um derrotado total. E comecei a reparar que isso também acontecia com os irmãos ao meu redor. (…)

Foi então que pulou ante meus olhos a percepção de que “a vitória é nossa, pelo sangue de Jesus” não significava exatamente o que tinham me ensinado. A frase era correta segundo a Bíblia, mas seu sentido parecia não ter coerência. Decidi, então, ignorar os livros triunfalistas de autoajuda de televangelistas famosos que trazem “vitória” no título e investigar a fundo o significado desse conceito.

Para isso, comecei um extenso e demorado estudo do tema na Bíblia, buscando analisar os contextos e procurando o entendimento até mesmo nos originais. Espantei-me com o que encontrei. O resultado que apresento neste livro me surpreendeu principalmente por estar tão distante daquilo que a Igreja evangélica brasileira passou a ensinar. (…)

As constatações desse estudo estão expostas ao longo das próximas páginas. São conclusões que vão de encontro ao que vem sendo pregado nas igrejas evangélicas brasileiras, em especial nas neopentecostais, por aqueles que praticam o que passei a chamar de vitoriolatria – o culto à vitória. (…)

Este livro tem dois objetivos básicos. Primeiro, mostrar que não existem fórmulas para a vitória. De nada adianta seguir manuais evangélicos, pregações, livros, CDs e DVDs que prometem ensinar o caminho seguro para se alcançar o triunfo nas necessidades e lutas da nossa vida. Segundo, identificar qual é o real significado de vitória de acordo com a Bíblia.
Para construir esta obra, percorremos mais de 160 versículos bíblicos, investigamos muitas páginas de obras cristãs, exploramos regras de exegese e hermenêutica, viajamos aos tempos do Cristianismo primitivo. Aqui apresento em linguagem fácil e acessível a qualquer um cada passo da investigação, que é bastante detalhada. Mas que precisa ser assim, uma vez que a compreensão de verdades espirituais não pode ser feita, como é moda atualmente no Brasil, na base do achismo e de fórmulas fáceis. Muitas das quais correm por fora das verdades bíblicas.”

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Sem mais palavras, desejo a você, que tiver a ousadia de ler esta obra, que seja muito abençoado. Por isso faço esta divulgação sem nenhum constrangimento, uma vez que não vou ganhar um tostão com o livro. E ainda incentivo a que você leia e, se for edificado, dê de presente, recomende, indique, divulgue, retuite.

Se desejar, pode adquirir pelo site da editora (clique AQUI) ou ligando gratuitamente pelo 0800-701-3490. O livro é enviado pelo correio para sua casa. E oro a Deus que ele abençoe muito a sua vida, pois para isso é que foi escrito.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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O conteúdo deste site é de divulgação livre para fins não comerciais. É mandatório quem for reproduzir um post creditar: 1) Nome do autor. 2) URL do blog (com link). 3) Nome do blog: “APENAS”.

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Este post não é uma reflexão como você está acostumado a ler aqui e por isso peço desculpas: é o cumprimento de uma promessa a você que costuma me ler no APENAS e enxerga alguma qualidade e, assim, é edificado pelo que aqui é escrito. Como divulgado no twitter, a editora Anno Domini (@AnnoDomini_) vai sortear não cinco (05) como foi anunciado de início, mas dez (10) exemplares de meu quarto e mais recente livro, “A Verdadeira Vitória do Cristão” (mais informações aqui. Você pode clicar na imagem e ler a descrição do livro na contracapa): 05 pelo Twitter e mais 05 pelo Facebook, num total de 10.  Como seria dificil explicar em 140 caracteres a dinâmica da promoção, resolvi escrever este post para explicá-la um pouco melhor. Logo, é um post com data de validade e se autodestruirá no próximo sábado.

Como divulgado, assim que o APENAS comemorasse 200.00 acessos a editora divulgaria os parâmetros do sorteio. Bem, neste dia 13 de março, 3a feira, foi o lançamento oficial de “A Verdadeira Vitória do Cristão”, logo, já está disponível para aquisição pelo 0800-701-3490 ou pela loja virtual da editora: www.editoraannodomini.com.br . A marca de 200.000 foi alcançada exatamente na 3a feira (jesuscidência?), dia do lançamento, por isso divulgo o que você precisa fazer caso deseje ser presenteado com um exemplar.

1) Twitter: basta tuitar a frase abaixo. Detalhe: quanto mais vezes você tuitar, mais chances de ser sorteado você tem. Cada tuitada conta como mais uma chance. Então é só postar no twitter quantas vezes você quiser a seguinte frase:

“A VERDADEIRA VITÓRIA DO CRISTÃO”: um livro para quem quer que a igreja volte a ser Igreja. Indico: http://bit.ly/uhyFfM #VitoriaDoCristao

2) Facebook: associar-se ao FB da editora Anno Domini e seguir o que diz o seguinte link: http://www.facebook.com/photo.php?fbid=204419952993422&set=a.163393127096105.24611.154131798022238&type=1&theater

3) Quem não tem nem Twitter nem Facebook, deixar um comentário nos comments dos posts que vão ao ar AMANHÃ, dia 13, com a referida frase. Nesse caso, as chances de ser sorteado são menores, pois só será aceito um comentário e o concorrente só terá uma chance de ganhar.

Quem participar via twitter ou blog de 3a feira a 6a feira, quando será realizado o sorteio, vão concorrer a um de cinco exemplares do livro. Os cinco vencedores serão divulgados aqui no APENAS no sábado que vem. Já o sorteio dos participantes via Facebook será 2a feira, dia 19/03. Depois é só os sorteados passarem via comentários aqui no blog ou via DM para @MauricioZagari seus endereços, que a editora, como é de hábito, enviará seu exemplar pelo correio – e sem despesas de frete rsrs.

Brincadeiras à parte, venho orando muito a Deus que este livro venha a edificar muitas vidas. Não tenho objetivos financeiros com ele, todos meus direitos autorais serão doados à missão. O objetivo dessa obra é muito bem traduzido por Walter McAlister – Primaz da Igreja Cristã Nova Vida e vencedor de 4 Prêmios Areté, entre eles “Livro do Ano”, por “O Fim de uma Era” – em seu prefácio:

A Verdadeira Vitória do Cristão é um livro indispensável para quem quer ter uma vida de vitória plena e bíblica em Cristo e para os que pregam e ensinam a Palavra de Deus. Louvo a Deus pela coragem e a compaixão que este livro revela no seu autor, Maurício Zágari. Sua exposição bíblica é maravilhosa. Seu relato das testemunhas e dos mártires da História da Igreja cristã, uma inspiração. Sua mensagem é clara, nos apruma, nos consola e nos chama para viver uma fé verdadeira e operante.

Tenho certeza de que esta obra vai revolucionar um número incontável de vidas. Sei que para alguns será um consolo que lhes provocará lágrimas de alívio e renovará a sua fé no Deus da nossa salvação. Para outros, será um curso de desprendimento e mudará o seu modo de pensar, além de podar os galhos mortos da sua vida. 

Eu o recomendo a todos, sem exceção. Recomendo-o principalmente àqueles que choram e se perguntam se Deus realmente está cuidando deles. Também será uma excelente leitura para quem está consternado por achar que vive uma vida abaixo da ideal. Os pastores, pregadores e mestres precisam obrigatoriamente ler este livro e refletir, para que certos males, já disseminados por muitos de nós, não continuem a ser perpetrados.”

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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