Arquivo da categoria ‘Juventude’

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Assisti absolutamente estarrecido aos telejornais na sexta-feira passada. As imagens da barbárie que foi a violência em diferentes cidades do Brasil, com atos de vandalismo, depredações, ofensas, agressões, confrontos, roubos de lojas, ataques a bancos e o cerceamento do direito de ir e vir dos cidadãos de bem me deixaram paralisado e de olhos marejados. O país que eu amo está em uma guerra civil descontrolada. Quando manifestações pacíficas por causas sociais justas degringolam e viram um caos primitivo e sanguinário é sinal de que o país precisa urgentemente de socorro. Assisti ao pronunciamento de nossa presidenta, em cadeia nacional de rádio e TV, em que ela desfilou uma lista bastante colorida de ações que pretende tomar para resolver os problemas. Achei tudo ótimo. Afinal, quem não gostaria, por exemplo, de ver todos os royalties do petróleo destinados à educação? Sou filho de professores do estado aposentados, há décadas anseio por escolas públicas melhores. Em 1987 fui às ruas – em manifestações pacíficas – pedir por isso e pela meia passagem para estudantes. Eu fui um cara-pintada da era Collor. Só que, depois de ouvir as possíveis soluções de nossa presidenta com um pouquinho de alegria dentro de mim, meu lado reflexivo me lembrou de uma triste realidade: nada do que ela propõe vai resolver nada.

Parei para pensar, quando terminou o show dos telejornais, que o que está acontecendo pelo Brasil afora não é um “a que ponto chegamos”, mas sim um “e lá vamos nós de novo”. O que vi na TV foi Caim matando Abel. Sodoma se corrompendo. Exércitos destroçando os povos vizinhos na antiga Palestina. Davi assassinando Urias. Diná sendo estuprada. Sansão estraçalhando filisteus. A Babilônia pondo Jerusalém abaixo. Jefté matando a própria filha. Jael cravando a cabeça de Sísera no chão com uma estaca. Jacó enganando seu irmão e seu pai e sendo enganado pelo sogro. Os irmãos vendendo José como escravo. Os primeiros cristãos sendo atirados aos leões. Inocentes queimados na fogueira da Inquisição. A igreja corrupta vendendo indulgências. As guerras entre católicos e protestantes. O papa de Roma amaldiçoando o patriarca de Constantinopla e o patriarca amaldiçoando o papa. As trevas da Idade Média. A corrupção do clero. O holocausto nazista. As invasões bárbaras. A Jihad islâmica. O martírio dos huguenotes na Guanabara. Índios dizimados. Negros escravizados. Pedofilia de padres. Teologia da Prosperidade de pastores. Gays querendo matar cristãos e cristãos querendo apedrejar gays. Cristãos ofendendo cristãos nas redes sociais.

Sim, minha conclusão, ao final dos telejornais, foi a mesma de Salomão três mil anos atrás: “O que foi é o que há de ser; e o que se fez, isso se tornará a fazer; nada há, pois, novo debaixo do sol. Há alguma coisa de que se possa dizer: Vê, isto é novo? Não! Já foi nos séculos que foram antes de nós.” (Ec 1.9-10). Porque tudo o que está acontecendo no Brasil tem uma única causa, uma única explicação, uma única origem. Que é a mesma para toda essa lista de barbaridades e atos de violência que ocorrem desde que um homem chamado Adão e uma mulher chamada Eva caminharam sobre a terra:

Pecado.

Fiquei estarrecido, chocado, emocionado e abatido por tudo o que vi na TV. Mas não fiquei surpreso. Pois sei bem do que nós, seres humanos, somos capazes. Eu e você somos portadores dessa gangrena espiritual chamada pecado, que gera em nós sintomas como os que estão se manifestando entre as hordas de monstros que disseminaram a barbárie nos últimos dias pelo Brasil. Sim, o pecado faz de nós animais, bestas selvagens cuja única racionalidade é a irracionalidade. Todo pecado faz isso, todo. Eu ouvi cético às explicações dos jornalistas, comentaristas e entrevistados sobre as causas dos atos de brutalidade ocorridos em Salvador, Belém, Rio, São Paulo e tantas outras cidades. As análises são todas muito interessantes, mas a verdade é que a raiz de tudo o que vi, cada vidraça quebrada, cada gota de sangue derramado, cada poste derrubado, cada cabine da polícia incendiada… é esse terror invisível que carregamos dentro de nós chamado pecado.

E, por mais que tenha ficado alegre com as medidas que a presidenta diz que tomará, no fundo sei que nada adiantará. Porque tudo o que é feito no âmbito social fica no exterior do homem e, portanto, é paliativo. Qualquer atitude que se tome só vai amainar as coisas, nenhuma solução humana é solução. Pois o problema, a raiz, a origem de tudo isso é o pecado. E pecado não se resolve com canetadas, decretos ou mobilizações sociais. Só se resolve com Jesus de Nazaré.

Diante disso, fiquei pensando: qual é o nosso papel, como cristãos, diante desse cenário infernal que viraram nossas ruas? O que a Igreja (eu e você) devemos fazer? Organizar manifestações? Emitir notas públicas de repúdio? Eleger mais pastores em cargos públicos? Gritar palavras de ordem? Criar hashtags no Twitter? Escrever mais posts sobre a violência no Brasil em blogs? Nada disso. Tudo isso é correr contra o vento. Simplesmente porque nada disso elimina o pecado da humanidade. Se a Igreja quiser ser Igreja tem de lutar com as armas de quem foi “chamado para fora”. Ou seja: tem de lutar com armas diferentes das que usam os que “estão dentro”. Deixemos as marchas, passeatas, entrevistas coletivas, notas oficiais em sites institucionais e outras coisas do gênero para a sociedade não cristã. O nosso papel é proclamar Cristo. Pregar o evangelho. Anunciar as boas novas de salvação.

A lógica é simples e existe há dois mil anos: só existe uma cura para o pecado. O remédio se chama Jesus. Eu e você sabemos disso. O mundo não sabe. Por isso temos de levar essa cura aos que estão doentes. Contra os violentos levemos o Príncipe da Paz. Contra os sanguinários levemos o manso Cordeiro. Contra os depredadores levemos o reconstrutor. Contra os que matam levemos quem dá vida. Os royalties do petróleo não vão salvar do pecado os baderneiros mascarados. Nem bombas de gás lacrimogêneo. Tampouco tropas de choque. Projetos sociais menos ainda. A Copa do Mundo também não. Grupos de trabalho da presidência não tiram o pecado do mundo. Toda solução possível é apenas assoprar o ferimento, não arranca a raiz do problema.

Propor Jesus como solução para a crise no Brasil não é ser simplório. Não é ser ingênuo. Não é espiritualizar uma realidade concreta. Não é ser bobo. Propor Jesus como a solução do caos no Brasil é ser bíblico. É ser cristão. É propor a única cura possível para a única causa de tudo o que está acontecendo. Quer colaborar para o fim da violência em nosso país, meu irmão, minha irmã? Pregue a Cristo, e ele crucificado. Anuncie o evangelho verdadeiro. Proclame a salvação da cruz. Abra a boca! Homens livres do pecado, redimidos, restaurados, nascidos de novo não depredam, não roubam, não batem, não apedrejam, não incendeiam, não agridem, não ofendem, não machucam, não brigam, não matam. Homens livres do pecado são pacificadores, humildes de espírito; têm domínio próprio, amor, benignidade, bondade, olhos meigos e um tom de voz suave. São a imagem de Cristo.

As imagens da violência e da brutalidade em nosso país conclamam a mim e a você para a ação (recomendo a leitura do post “É tempo de orar”). Mas, se eu e você somos cristãos, a nossa ação não pode ser a mesma do mundo. O mundo sabe organizar manifestações, fazer grupos de trabalho e convocar mais policiais. Deixe o mundo fazer o que o mundo sabe fazer, pois essas são as soluções que ele conhece. Eu e você temos de fazer aquilo que o mundo não sabe: proclamar Deus. Brilhar a luz de Cristo nas trevas. Apresentar a cruz. Você é um embaixador do reino. Então aja como tal. O pecado está pondo as garras para fora e todos estão vendo, pois está sendo exibido em rede nacional de TV. Mas será que alguém está vendo Jesus? Não, não está. Porque isso os telejornais não mostram. Logo, mostrar Cristo e divulgar sua mensagem compete a mim e a você.

E aí, o que você vai fazer a esse respeito? Ver mais um jogo de futebol?

Paz a todos vocês que estão em Cristo – para que possam levar essa mesma paz a todos aqueles que não estão.
Maurício

A idade é algo interessante no Reino de Deus. Ao mesmo tempo em que é impensável preferir o conselho dos mais novos do que o dos mais velhos (e quem o faz peca por ignorar anos de vivência, conhecimento e experiência), também não podemos nos esquecer do talento e da energia dos jovens. Se você acha que crianças e adolescente em igrejas só servem para ficar participando de atividadezinhas bobas e secundárias dentro do Corpo de Cristo, deixo aqui dois vídeos que mostram a força e o potencial dos jovens (1 João 2.14). O primeiro, enviado a mim via twitter pelo mano Klelber (@klelber), mostra um grupo cuja disciplina e habilidades dispensam comentários. O segundo chegou a mim via Facebook, infelizmente com qualidade técnica ruim. Detalhe: neste segundo vídeo apareço eu, com 11 anos de idade. Não vou dizer onde, de tão feio que era, e dou um doce a quem descobrir.

Deleite-se com o talento dos mais novos. E imagine se, em vez de relegarmos nossos meninos e meninas a um posto de incompetência e se os discipulássemos corretamente, os usássemos de fato para viver uma vida de devocionalidade plena em Cristo, como a Igreja seria diferente e mais vigorosa. Teríamos de fato uma geração em ação. Sem mais, aos vídeos:

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Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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Licença Creative Commons Blog APENAS by Maurício Zágari is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial 2.5 Brasil License.

Lembro-me de um semestre no seminário teológico em que lecionei por 9 anos quando passei como trabalho para os alunos que fizessem uma análise sobre o que significavam as obras da carne descritas em Gálatas 5. Dos cinco grupos, dois entregaram o material com uma capa onde havia fotos de pessoas tatuadas, com piercings, espaçadores de orelhas, cabelos pintados de verde e similares. Isso deixou claro para mim que esses elementos compõem, no imaginário geral do evangélico brasileiro, o arquétipo do que seria a pessoa mundana, pecadora. E é muitíssimo frequente essa questão vir à tona: cristãos podem se tatuar? É um assunto secundário e de menor importância para o Evangelho, mas como é um pedido recorrente nos comentários do APENAS que eu fale sobre o tema e como cresce a cada dia nas nossas igrejas o número de irmãos que ostentam tatuagens, farei uma análise bíblica, histórica e cultural da questão. Antes de continuar, só um registro: não sou tatuado nem pretendo me tatuar.

Antes de entrar pelo assunto em si explico por que disse que é “assunto secundário e de menor importância para o Evangelho”. Nos dias de hoje, em que a Igreja padece com o destemor dos seus membros, a falta de devocionalidade, o menosprezo pela oração, o posicionamento da leitura bíblica em segundo plano, a falta de amor ao próximo, a total irreverência pelas coisas de Deus, o uso de palavras torpes por pastores em púlpito visto com naturalidade, o mundanismo invadindo o santuário por todas as frestas, o desprezo pelo fruto do Espírito, a supervalorização e o mau uso dos dons, o esfarelamento do Corpo em facções e panelinhas… algo como aplicar tinta sobre a pele continua sendo visto como um assunto importante. Quando me perguntam se eu gostaria de visitar a Disneylândia, respondo: “Claro, depois de visitar 238 lugares antes”, simplesmente porque não tenho o menor interesse em gastar meu tempo naquele parque de diversões. Prefiro antes conhecer Israel, a Grécia, a Rússia, o Japão. Gosto de História, quero ver castelos e ruínas. Não desmereço quem acha a Disneylândia o must, mas para mim o interesse é mínimo. Do mesmo modo, muitos setores da Igreja acham que a questão das tatuagens está entre o top ten das preocupações de Deus. E quando vejo a falta de amor ao próximo, a egolatria e a agressividade que têm crescido assustadoramente entre os cristãos olho para o tema das tatuagens e penso “como isso pode ocupar tanto a preocupação de tantos? Há 238 preocupações maiores”. Mas tudo bem, vamos lá.

Biblicamente não há qualquer proibição a se tatuar. Sim, eu sei, aí imediatamente alguém se levantará para citar Levítico 19.28: “Pelos mortos não ferireis a vossa carne; nem fareis marca nenhuma sobre vós. Eu sou o Senhor”. A primeira vista, parece óbvio: Deus manda não fazer nenhuma marca no corpo, a tatuagem é uma marca no corpo, logo é pecado se tatuar. Só que para entender esse texto temos que entender o contexto.

Por que Deus estabeleceu essa norma para os israelitas? A resposta é que havia um povo, chamado caldeu, que tinha como hábito religioso cortar a carne de seus próprios corpos e fazer marcas com lâminas afiadas na pele como parte dos seus rituais aos falsos deuses que seguiam (a exemplo do que ocorre atualmente em muitas tribos africanas). Eram marcas que denunciavam idolatria. Em outras palavras, o que Deus está dizendo é que os hebreus não deviam cometer as práticas idólatras dos povos pagãos com que tinham contato. Se fosse em nossos dias, seria mais ou menos como dizer “Não poreis despacho na encruzilhada” ou “Não rezareis para santos mortos”.

Essa orientação era tão direta e específica para aquele povo que se formos ler o versículo imediatamente anterior, teríamos hoje de cumprir o que ele determina: “Não cortareis o cabelo em redondo, nem danificareis as extremidades da barba” (Lv 19.27). Bem, não vejo nenhum pastor pregar contra cabelos arredondados ou contra fazer a barba – pelo contrário, em denominações como a Assembleia de Deus é até mal visto usar barba, a ponto de a Casa Publicadora dessa denominação apagar no photoshop a barba de indivíduos cujas fotos são publicadas em seus jornais e revistas.  Ou, ainda, teríamos hoje de guardar o sábado, visto que dois versículos depois, em Levítico 19.30, Deus especifica: “Guardareis os meus sábados e reverenciareis o meu santuário. Eu sou o Senhor”.  O contexto hermenêutico deixa claro que eram leis específicas para os israelitas daquela época e o contexto cultural mostra a razão de o Altíssimo proibir marcas nos corpos: não cometer as práticas religiosas idólatras dos povos vizinhos. Não tem rigorosamente nada a ver com tatuagens não-rituais e muito menos Lv 19.28 se aplica à Nova Aliança.

A conclusão é que, biblicamente, não: o ato de se tatuar em si não constitui pecado.

Ok, agora virá alguém e dirá que nosso corpo é templo do Espírito e que fazer tatuagens nele seria pecar contra o mesmo. A esse respeito há alguns aspectos: primeiro, se fazer qualquer coisa que prejudique nosso corpo é um atentado contra o templo, não poderíamos comer comida salgada, ingerir açúcar (muito menos adoçantes), comer pizza (cheia de gordura que causa obesidade e entope artérias), tomar refrigerante (das coisas que ingerimos uma das mais maléficas) ou comer torresminho (um pedido explícito para se ter um AVC). Comer no McDonald´s então seria pecado sem perdão. Logo, devemos olhar esse argumento com muito cuidado. Segundo, no contexto de 1 Coríntios 6.19, que diz “Acaso não sabem que o corpo de vocês é santuário do Espírito Santo que habita em vocês, que lhes foi dado por Deus, e que vocês não são de si mesmos?”, o que está sendo tratado aqui são questões de natureza sexual.

Veja os versículos anteriores, a partir do 15: “Vocês não sabem que os seus corpos são membros de Cristo? Tomarei eu os membros de Cristo e os unirei a uma prostituta? De maneira nenhuma! Vocês não sabem que aquele que se une a uma prostituta é um corpo com ela? Pois, como está escrito: “Os dois serão uma só carne”. Mas aquele que se une ao Senhor é um espírito com ele. Fujam da imoralidade sexual. Todos os outros pecados que alguém comete, fora do corpo os comete; mas quem peca sexualmente, peca contra o seu próprio corpo”. E aí vem o versículo em questão: “Acaso não sabem que o corpo de vocês é santuário do Espírito Santo que habita em vocês, que lhes foi dado por Deus, e que vocês não são de si mesmos?”. Logo, o que está sendo discutido aqui é o corpo como santuário do Espírito de Deus no que tange à imoralidade sexual, não tem nada a ver com tinta aplicada sobre a pele.

Sob o aspecto cultural, a repulsa que a Igreja sempre mostrou a essa prática vem do fato que, até algumas décadas atrás, nas sociedades ocidentais, os grupos que se tatuavam geralmente apresentavam um comportamento bastante mundano. Eram, em especial, marinheiros, que quando aportavam em alguma cidade podiam ser vistos em prostíbulos ou bastante bêbados, com atitudes bastante réprobas. Logo, sempre que a sociedade “bem-comportada” via essas pessoas tatuadas era em situações de devassidão, mau exemplo ou pecado. Assim, essa visão foi sendo passada de geração em geração e, para um grupo como os cristãos, para quem prostituição e beber álcool são o supra sumo da pecaminosidade, gente tatuada passou a ser sinônimo de gente pecadora. Só que o problema desses indivíduos não eram as tatuagens, era seu comportamento antibíblico.

O tempo passou e nos nossos dias a tatuagem perdeu essa conotação. Hoje há muitas e muitas pessoas de vida honesta que se tatuam. A associação de tatuados com baderneiros arruaceiros e gente de má fama deixou de existir. Então, com o passar do tempo, na sociedade ocidental aplicar pigmentos sobre a pele perdeu aquele aspecto negativo de décadas e séculos passados. Mas, por uma tradição cultural, as novas gerações herdaram das antigas que se tatuar é sinônimo de devassidão anticristã e por isso, sem conhecer as origens da questão, dão continuidade ao que aprenderam de seus pais, sem nem ao menos saber explicar as razões. Bem, aqui expliquei.

Portanto, não podemos dizer que biblicamente ou culturalmente haja condenação para o uso da tatuagem.

Mas, antes que os tatuados saiam dando gritinhos de alegria, temos que dar atenção a outros fatores, em especial no meio cristão. É de suma importância aos olhos de Deus a unidade do Corpo. Por isso, em diversas passagens da Bíblia somos alertados que existem coisas que “são lícitas mas não nos convém”. Devemos estar atentos para não levar os irmãos à murmuração, ao escândalo, ao julgamento. Muitas vezes o fazem por tradição, outras por ignorância ou mesmo por diferença de gerações, mas, indepentente da razão, o que importa é termos paz com todos. Romanos 14.13ss, nos alerta: “Portanto, deixemos de julgar uns aos outros. Em vez disso, façamos o propósito de não colocar pedra de tropeço ou obstáculo no caminho do irmão. Como alguém que está no Senhor Jesus, tenho plena convicção de que nenhum alimento é por si mesmo impuro, a não ser para quem assim o considere; para ele é impuro. Se o seu irmão se entristece devido ao que você come, você já não está agindo por amor. Por causa da sua comida, não destrua seu irmão, por quem Cristo morreu. Aquilo que é bom para vocês não se torne objeto de maledicência”.

Repare as palavras de Paulo: é mais importante não gerar maledicência ou escândalo entre os irmãos do que fazer aquilo que não tem nenhum problema segundo a Bíblia. O mesmo ele repete pouco depois, no capítulo 14: “Como alguém que está no Senhor Jesus, tenho plena convicção de que nenhum alimento é por si mesmo impuro, a não ser para quem assim o considere; para ele é impuro. Se o seu irmão se entristece devido ao que você come, você já não está agindo por amor. Por causa da sua comida, não destrua seu irmão, por quem Cristo morreu. Aquilo que é bom para vocês não se torne objeto de maledicência. Pois o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo; aquele que assim serve a Cristo é agradável a Deus e aprovado pelos homens. Por isso, esforcemo-nos em promover tudo quanto conduz à paz e à edificação mútua. Não destrua a obra de Deus por causa da comida. Todo alimento é puro, mas é errado comer qualquer coisa que faça os outros tropeçarem. É melhor não comer carne nem beber vinho, nem fazer qualquer outra coisa que leve seu irmão a cair. Assim, seja qual for o seu modo de crer a respeito destas coisas, que isso permaneça entre você e Deus. Feliz é o homem que não se condena naquilo que aprova”.

O que essas passsagens nos dizem? Tatuar-se biblicamente é pecado? Não. Tatuar-se culturalmente no Brasil é sinal de devassidão moral? Não. Mas ainda há aqueles que se escandalizam ao ver na igreja quem se tatue? Sim. Portanto, o grande problema de o cristão se tatuar não passa por “poder ou não poder”, passa pelo amor ao próximo.

É o mesmo caso de mulheres usarem saias ou calças em igrejas mais conservadoras. Esse hábito surgiu porque décadas atrás, no início do século 20, calça era roupa exclusivamente de homens. Absolutamente todas as mulheres no Brasil usavam saia. As décadas se passaram e a calça, entre os anos 50 e 60, deixou de ser traje exclusivo de homens e foi adotado pelas mulheres. Ninguém mais se escandaliza em nossa sociedade ao ver uma mulher, por exemplo, de terninho. Porém, nessas igrejas o costume foi passando de geração a geração, os mais antigos foram morrendo e os mais novos, sem saberem explicar a origem da proibição de calças na igreja por mulheres apenas mimetizam o que aprenderam, sem saber as origens ou as razões. E aí criamos um bando de estranhos ao século 21, que acreditam que mulher usar calça é pecado – quando não é, se for uma calça decorosa.

Mas, do mesmo modo que a tatuagem, se você opta voluntariamente por ser membro de uma congregação onde a norma seja a mulher usar saia, se usar calça estará sendo desobediente às regras da assembleia onde está e, portanto, em rebeldia – e pecará por levar os irmãos ao escândalo e à murmuração.

A conclusão é: se o meio que você frequenta tem usos e costumes, não afronte, faça parte. Se discordar, saia e procure outro meio. Ou fique, adote o hábito e tente com amor ir influenciando os irmãos no conhecimento da verdade. O confronto jamais é o caminho. Por uma razão simples: é pecado.

E há ainda alguns pontos a ponderar. Aqui tomo por base um texto muito bem refletido publicado no blog de Nathan Joyce (foto à esquerda), Pastor do Heartland Worship Center, em Paducah (EUA) e divulgado no twitter pela irmã Francine Veríssimo (@FranVerissimo_), de quem tirei as boas reflexões que acrescento abaixo. O artigo, originalmente em inglês, chama-se “O que tatuagens realmente dizem”. Após mencionar que estimados 45 milhões de estadunidenses hoje são tatuados, o autor lembra alguns pontos relevantes:

1. Você vai envelhecer e se tornar um avô ou avó. E ninguém quer identificar seus avós como aqueles que têm “uma caveira ou arame farpado”.

2. Lembre-se que, na medida em que envelhece, seu corpo muda. Sua tatuagem vai acompanhar as mudanças. Cuidado, pois ao passo que sua pele se torna mais flácida, a borboleta em seu ombro pode se transformar num pterodáctilo e sua rosa pode virar o planeta Saturno.

3. De jeito algum tatue o nome de um namorado ou noivo. Se o relacionamento acabar, seu futuro marido ou esposa não vai gostar nada disso.

Joyce se pergunta por que afinal alguém precisa tanto se tatuar. Tatuagens dizem algo a nosso respeito. Que necessidade tentamos suprir com elas? Qual é a psicologia das tatoos? Mais ainda: qual é a espiritualidade delas? E ele apresenta sua conclusão: as pessoas se tatuam porque desejam desesperadamente pertencer e se expressar. Desejamos ter vidas que digam algo, queremos nos identificar com algo publicamente e nos marcar permite que nos expressemos e nos identifiquemos com a imagem de nossa escolha. Certo ou errado, é uma tentativa de realizar uma necessidade humana. Uma vez que se tatua, você assumiu um compromisso de longo prazo com uma imagem que para sempre vai marcá-lo, ou seja, identificá-lo e expressar algo a seu respeito para os outros. Ou seja: nos etiquetamos.

E ele continua: “De onde vem essa necessidade? Do fato de que fomos feitos à imagem de Deus, que também ama o pertencimento e a autoexpressão. Mesmo antes da Criação, Deus se identificava e pertencia à Trindade e a Criação é uma autoexpressão de Deus. E assim o Senhor nos criou do mesmo modo. Somos incompletos, a menos que pertençamos a algo ou alguém – nosso desenvolvimento depende disso. Os humanos também almejam uma vida que expresse legado. O problema é que o pecado atrapalhou todo o processo. Por causa dele, nossa busca por identificação tornou-se tóxica e compulsiva e nossa necessidade de autoexpressão deixou de ser motivada por amor, mas por desejo de grandeza e egocentrismo. Nossa cultura ama se expressar, não porque desejemos amar o próximo por meio dessa expressão, mas porque amamos ser o centro das atenções”. No final, essa profunda necessidade humana de pertencimento e expressão não será alcançada por meios humanos – somente quando o amor passar a habitar em você. E não qualquer tipo de amor, mas o amor de Cristo. Esse amor lhe convida a pertencer a um Deus eterno e a expressar Seu amor e Seus propósitos eternos.

Ao final, Pastor Joyce tem uma magnífica epifania: tatuado ou não, o amor é a marca que identifica você com Cristo. Um amor expressado por boas obras em benefício do próximo deixa uma marca que jamais se apagará.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício
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Uma das maiores invenções da humanidade foram os livros. Não foi à toa que Deus escolheu tinta sobre papel para se revelar aos homens, pela Bíblia. Graças à literatura você consegue perpetuar conhecimento por milênios, passar ideias e emoções de geração a geração, fazer rir, chorar, se emocionar, aprender, crescer, viver. Sim, pois graças à Bíblia temos vida: é por ela que descobrimos o caminho da vida eterna, Jesus Cristo. Por isso amo livros e – confesso – tenho pena de quem diz que não gosta de ler, pois não sabe o que está perdendo. Foi esse amor pela literatura que me leva a passar para o papel aquilo que Deus põe em meu coração. Assim surgiram seis livros que escrevi: O Enigma da Bíblia de Gutemberg, 7 Enigmas e um Tesouro e O Mistério de Cruz das Almas (livros de ficção cristã publicados pela editora Anno Domini na série Geração Ação), A Verdadeira Vitória do Cristão (obra teológica que mostra qual é o real conceito bíblico de “vitória”, lançado no início deste ano), “O Ritual” (quarto livro da série Geração Ação, que será publicado no segundo semestre) e um último já escrito e aguardando aprovação da editora. Minha motivação para escrever todos esses livros foi unicamente edificar a Igreja, sem mais expectativas. Qual não foi então minha surpresa quando O Enigma da Bíblia de Gutemberg recebeu ano passado o Prêmio Areté de excelência em literatura cristã na categoria “Melhor Livro de Ficção/Romance”, 7 Enigmas e um Tesouro foi indicado na mesma categoria (e perdeu para o meu outro livro, pois curiosamente concorri contra mim mesmo) e ainda recebi o troféu de “Autor Revelação do Ano”, absolutamente imprevisto. E é sobre isso que quero falar: os imprevistos de Deus. Pois este ano o Senhor me surpreendeu novamente quando descobri que O Mistério de Cruz das Almas também foi indicado para o Prêmio Areté, o que pôs toda a trilogia inicial da série Geração Ação entre os melhores livros de ficção cristã do país, entre centenas de títulos. E aí eu digo aquilo que você muitas vezes já deve ter dito: “Por essa eu não esperava”.

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Na oração do Pai Nosso me chama muito a atenção a frase “…e livra-nos do mal”. Pode parecer um pedido normal. Mas você já parou para pensar quantas e quantas vezes Deus lhe livrou de perigos, situações desagradáveis, riscos, doenças e muito mais só por ter pedido isso a Ele… sem que você nem tomasse conhecimento? Aquele ônibus que passa direto, você ainda xinga o motorista mas sem que tenha conhecimento lá na frente ele será assaltado? Ou o pneu que fura, você fica irado e irritado, mas que se isso não tivesse ocorrido teria sido pego por um caminhão no próximo cruzamento? Ou ainda uma doença que te fez faltar àquela prova da escola e evitou que saísse na rua onde um vaso de plantas caído de uma janela do décimo andar de um prédio esmagaria sua cabeça?

Quando a Bíblia diz que os anjos do Senhor acampam ao nosso redor e nos livram isso não é brincadeira. Não os estamos vendo, mas constantemente Deus dá ordens a eles a nosso respeito, para que atuem e provoquem imprevistos. Situações que não esperamos. Mudanças de planos. Surpresas. Mas que se reverterão a nosso favor. Decisões divinas que nunca saberemos até que cheguemos à eternidade.

Os mistérios de Deus são insondáveis. Por que Ele decide por uma coisa e não outra compete única e exclusivamente a sua soberania. É um enigma. Ele é um Pai que dá peixe e pão aos seus filhos e não serpente e pedra. Primeiro porque Ele é bom e nos ama. Segundo porque aprouve a Ele fazê-lo. Explicações racionais não há. Por que o Criador do universo decide tocar os corações de um grupo de jurados da Associação Brasileira de Editores Cristãos para que todos os três livros que lancei de uma mesma série estivessem entre os considerados melhores do país? Não faço a mínima ideia. Certamente não é por vanglória ou para despertar vaidade no autor, pois isso iria contra os princípios bíblicos. Fiquei pensando nisso. Talvez porque Deus queira que com isso os livros se tornem mais conhecidos e, assim, sua mensagem de edificação alcance mais pessoas? Talvez. Mas a certeza eu nunca terei. A única certeza que isso me dá é que Ele é imprevisível e faz coisas que nunca imaginaríamos em nossa vida.

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Sei que Deus se preocupa conosco. E sei que Deus zela pela sua Igreja. O Enigma da Bíblia de Gutemberg aborda questões como o que significou o sacrifício de Cristo, respeito a pais e autoridades, nunca mentir, a importância da familia, não julgar pessoas por seu passado ignorando os frutos do presente e outros temas bíblicos. Já 7 Enigmas e um Tesouro trata de importância da amizade, não julgar as pessoas pela aparência, não fazer acepção de pessoas, namoro em jugo desigual, o peso do arrependimento quando se peca e outras coisas mais. E O Mistério de Cruz das Almas mostra biblicamente o risco de livros como “Harry Potter” e a série “Crepúsculo”, mostra o que a Bíblia diz sobre feitiçaria e criaturas das trevas, aborda a importância de missões, destaca como ter fé inabalável em Deus mesmo quando tudo vai mal é fundamental revela como estar antenado nos planos do Senhor para nossa vida e muito mais. E, algo essencial: toda a trilogia enfatiza a importância da oração e do estudo da Bíblia. Então, diante de tudo isso, suponho que essas indicações e prêmios vieram para que todos esses valores cristãos e todas essas mensagens que visam a levar a igreja a voltar a ser Igreja sejam mais difundidas, lidas, assimiladas e postas em prática na vida de milhares e milhares de cristãos e mesmo não cristãos.

Aliás, esse ponto é mais uma prova dos imprevistos de Deus. Escrevi essa série com cristãos em mente. Para edificação do Corpo de Cristo. Para ajudar no discipulado. Tanto que muitas igrejas os estão usando para trabalhar as questões que abordam com seus jovens e adolescentes. Tenho palestrado em algumas e visto o fruto da leitura dos livros: irmãos e irmãs que me procuram ao final para dizer que terminaram namoros equivocados, fizeram pazes com pessoas, compreenderam melhor o sacrifício de Cristo e muitas outras bênçãos vindas da reflexão que a leitura da trilogia provocou. Mas para minha surpresa…eis que Deus me surpreende novamente e descubro que há jovens e pastores usando os livros como instrumento de evangelismo. Nunca imaginei isso. Escrevi para cristãos. Mas muitos jovens têm presenteado amigos da escola, parentes, colegas da faculdade e outras pessoas com os livros em amigos ocultos, aniversários e ocasiões similares – uma forma sutil de passar a mensagem da Cruz embutida em obras que entretém, divertem e prendem a atenção por toda a ficção e a adrenalina que provocam. O imprevisto de Deus de novo em ação.

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Compartilhei com você a partir da minha experiência com a série Geração Ação como Deus tem me mostrado que Ele age de formas absolutamente imprevisível. Certamente você tem experiências para contar nesse sentido. Se nunca prestou atenção a isso, comece a ver no seu dia a dia fatos que ocorrem de modo totalmente sem expectativas e que mudam o rumo da sua vida. Se tiver o discernimento para isso, perceberá Deus intervindo na tua História. No meu caso, o maior ganho com as indicações e os prêmios recebidos pelos livros não foram os troféus de plástico e mármore (um até se espatifou no chão e teve de ser substituído). Pois essas coisas são perecíveis. O maior ganho foram as vidas que tomaram conhecimento dos livros por causa da premiação e a experiência que isso me proporcionou com Deus. Aprendi a entender melhor os imprevistos.

E descobri algo fundamental para a vida cristã: que aquilo que chamamos de “imprevistos”, para Deus é exatamente o que Ele tinha previsto fazer.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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Quando criei há 9 meses o APENAS segui passo a passo o tutorial do WordPress, que em certo momento diz que “os textos do blog devem ser curtos, porque as pessoas não têm paciência de ler textos longos”. Minha visão pessoal é que uma reflexão tem que percorrer todas as etapas do pensamento para que a conclusão e os argumentos que forem usados façam sentido na mente de quem lê: começo, meio e fim  Que façam o leitor pensar. Refletir. E, se for o caso, mudar de rumo. E, me perdoem, sou incompetente para fazer isso em três ou quatro parágrafos. Por isso, resolvi ignorar a dica e escrever textos do tamanho que julgasse necessário. Já recebi nos comentários umas duas ou três reclamações: “Seus textos são muito longos”. Cheguei a cogitar escrever telegramas em vez de reflexões, mas depois pensei bem e optei por manter o que meu cérebro ordena aos meus dedos que digitem em vez de seguir a voz do povo – que, aliás, nunca foi a voz de Deus. A quem não tiver paciência, infelizmente só posso sugerir que sinta-se completamente a vontade para não ler. Quem quiser investir uns minutinhos a mais em leitura, oro a Deus que faça bom proveito do que aqui escrevo.

Mas por que estou falando sobre esse assunto? É que essa questão me fez refletir sobre o hábito de leitura do cristão brasileiro e a influência que o seu twitter, o seu Facebook e outras mídias de Internet estão tendo sobre o teu cérebro.

Tenho 40 anos. Fui educado a aprender as coisas por meio das três tecnologias que havia na minha infância: livros, livros e livros. Comunicação à longa distância era por meio das deliciosas cartinhas, com páginas e páginas que escreviamos para nossos amigos distantes ou pen friends. Não havia e-mails, MSN, Skype, nada disso. E era uma delícia escrever cartas e, mais ainda, receber. Quem nasceu dos anos 90 pra cá não sabe o prazer de rasgar a bordinha do envelope contra a luz, o gostinho de conhecer a letra do remetente, a alegria de ver que tipo de papel a pessoa escolheu. Dependendo da pessoa, eram quatro ou cinco páginas. Atualmente, pelo correio só chegam contas, revistas e propaganda. Que saudades das cartinhas…

Fato é que a minha geração não tinha dificuldades para ler livros longos. Li na biblioteca da escola todos os livros de Sir Arthur Conan Doyle, Agatha Christie, muitos de Jorge Amado, Edgar Allan Poe, Homero, Drummond, Paulo Mendes Campos, Fernando Pessoa e muitos autores que ajudaram a formar quem Mauricio Zágari é hoje. Cada livro era uma emoção nova: viajei ao galante Rio de Janeiro do passado com Machado de Assis, passeei com José de Alencar pelas florestas, chorei nas ruas de Budapeste com “Os Meninos da Rua Paulo”, tive minha sensibilidade profundamente abalada com Gabriel Garcia Marquez – por quem me apaixonei e li tanto que hoje me sinto íntimo e chamo pelo apelido, Gabito. Meu amigo Gabito, que tantas vezes me fez rir, sorrir, chorar, me emocionar, sonhar… tudo usando apenas tinta sobre papel. E se você conhece as grandes obras do Gabito, como “Cem anos de solidão” e “O amor nos tempos do cólera”, sabe que não são livros nada, nada, nada curtos.

Aí chegou a Internet. Amei quando conheci. Na época eu trabalhava no O Globo e me ajudou demais a fazer muitas reportagens que sem essa ferramenta eu nunca conseguiria. Não demonizo a web, que fique claro. Acredito que foi um avanço. Conheci a mulher da minha vida pela internet; nela fui apresentado a gente muito interessante. Então nutro pela web um enorme apreço. Só que, com ela, vieram os efeitos colaterais. Talvez o mais grave de todos tenha sido o surgimento de uma geração que não foi treinada a ler textos longos.

Twitter: 140 caracteres. Orkut e Facebook: pequenos scraps. Blogs: 3 ou 4 parágrafos. Ou seja: os formatos de texto da internet estão nos deseducando a ler textos longos. Nos tornando mentalmente preguiçosos. E textos longos nao são longos porque o escritor é um tagarela ocioso que não tem o que fazer e por isso escreve muito. Eles são longos porque há algo a ser dito e supõe-se que cada parágrafo tenha sua função e seu valor.

Temo pelas futuras gerações, em especial de cristãos. Eu entendo que muitos acessam a web no trabalho e por isso não tenham muito tempo livre. Mas no meu entendimento, uma reflexão sobre a fé não tem nenhuma razão de ser se de fato o leitor não for tocado pelo que lê e possa, assim, ser conduzido a um crescimento, à edificação, ao arrependimento ou, no mínimo, a uma reflexão. Nem que para isso tenha de imprimir aquele texto para ler no ônibus, em casa ou onde for.

Quem está acostumado a apenas 140 caracteres lerá os 28 capítulos do evangelho segundo Mateus? Ou os 42 de Jó? Os 50 capítulos de Gênesis então! Que sacrifício será. Vai dar sono. A desatenção virá num piscar de olhos – sonolentos. Mais fácil é esperar alguém tuitar um ou outro versiculozinho, vai que assim Deus fala? De preferência “Jesus chorou”, que é bem curtinho.

Amado, amada, use a internet. Use as mídias sociais. Mas, pelo amor do Nosso Senhor, não abra nunca mão de ler bons livros. Ler textos longos evita a atrofia e a preguiça mental do teu cérebro e, por conseguinte, o emburrecimenro da Igreja.

Eu temo por uma Igreja que não tenha paciência de pegar um J.T.Wright, um Alister McGrath, um Dallas Willard, uma Teologia Sistematica de 1.200 páginas… por ter preguiça de ler. Que prefira formar sua bagagem de conhecimentos por twits de pastores-poetas que escrevem bonitinho ou de pastores-celebridades que têm mais de 80 mil followers mas só falam abobrinha atrás de abobrinha nas mídias sociais. E a consequência disso está escrachada nos tuites e scraps de quem segue essa gente, que acaba passando horas escrevendo coisas absolutamente irrelevantes e, honestamente, inúteis – claro que não estou falando de você, querido leitor, porque, afinal, você gosta de ler textos que tenham o tamanho que precisem ter e só usa as mídias sociais para tratar de assuntos maduros e relevantes, não é?

Na porta da biblioteca de minha antiga escola havia um cartaz com uma frase que uns atribuem a Malba Tahan e outros a Monteiro Lobato. Na verdade, o autor aqui não importa, é a verdade contida na reflexão que chama a atenção: Quem não lê mal fala, mal ouve, mal vê. É isso aí. Que nossa Igreja (e você que me lê é parte dela) não perca sua capacidade bereana, apologética, crítica e devocional  por não gostar de ler textos longos. Isso significa, acima de tudo: LIVROS!!! Por preguiça mental. Por flacidez cerebral.

Não importa o tamanho do texto. Não importa o tamanho do livro. Se de algum modo edifica sua vida, leia. E, assim, além de fortalecer seu cérebro pelo uso e pela aquisição de conhecimento, vc pode ler reflexões que vão mudar sua vida – pois livros mudam vidas. Coisa que dificilmente 3 ou 4 parágrafos fazem.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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Desculpe se o título deste post é forte demais. Claro que não tenho vergonha de TODOS os nossos jovens cristãos. Mas preciso dizer uma verdade: se Jesus dependesse de uma enorme parcela dos jovens cristãos brasileiros dos nossos dias para cumprir a Grande Comissão, a mensagem do Evangelho morreria. Deixaria de ser divulgada. Porque olho em volta e o que vejo são muitos garotões e menininhas fúteis do ponto de vista espiritual, que se interessam em ir para a igreja por causa da festa. Para cantar, pular, gritar, encontrar amigos, namorar e comer uma pizza depois do culto dos jovens. Mas que nas suas escolas e faculdades, na sua vida familiar e no dia a dia vivem de modo tão inútil para o Reino de Deus como qualquer jovem não-cristão. E, perdoe-me pela dureza desse comentário: parece-me que uma enorme quantidade dos que frequentam os cultos de jovens não nasceram de novo. Não tiveram uma experiência real com Jesus de Nazaré, o Salvador. E vão para a igreja para pular, pular e pular… na presença de Deus?

Se você acha que minha visão é pessimista demais, pergunte aos jovens de sua igreja para quantas pessoas ao longo da última semana elas pregaram sobre o amor de Cristo. Quantas estão mais interessadas na eternidade do que no vestibular e na carreira? Quantas veem seus amigos indo para o inferno e choram por eles em oração noite após noite diante de Deus? Que sacrifícios estão dispostos a fazer por Cristo e pelos perdidos? Nossos jovens mal oram, mal conhecem o conteúdo das Escrituras, não há interesse por fazer um seminário teológico, não praticam as disciplinas espirituais, não estão nem aí para missões: querem é pipoca, cinema e ar condicionado. Não vejo fogo em seus corações pelo Espírito Santo, vejo uma preguiça desanimadora para as coisas de Deus.

Não gosto de generalizar. Há esperança de um futuro para a igreja. Há aqueles que sentem o toque do Espírito e abrem mão de si por Jesus. Que tomam suas cruzes e seguem-no. Há os que se dedicam, que leem livros cristãos, que vivem uma vida devocional, que buscam crescer na fé. Mais ainda: que buscam agir segundo a fé. Esses são os que me emocionam, porque são a prova de que o Deus vivo ainda vocaciona homens e mulheres para dedicarem suas vidas a levar as boas novas da salvação aos pecadores – não importa que idade tenham.

O que me motivou a escrever este post foi o vídeo que reproduzo abaixo. Foi-me enviado pelo mano Diego Vieira, da Igreja Cristã Nova Vida de Lote XV, em Belford Roxo (RJ). Dura menos de 9 minutos e mostra o depoimento de uma jovem da Coreia do Norte, um dos países onde cristãos mais são perseguidos no mundo, em que ela conta seu testemunho.

O que vejo ali não é uma jovem de 18 anos. É uma mulher de Deus. Alguém cujos sofrimentos e cujas experiências a estão levando a dedicar sua vida à causa do Evangelho.

Assista. E envergonhe-se. Eu, que tenho 40 anos, me envergonhei ao ouvir as palavras de Kyung Ju Song, esse gigante em corpo de menina. Suas rápidas palavras mostram que ela tinha tudo para odiar Deus, por tudo o que ela e sua família passaram. Mas seu amor por Cristo e sua visível emoção ao final de sua fala são uma lição para todos nós.

Estou ciente que minhas palavras podem te soar duras demais. E são. Mas não são as mais duras que você ouvirá, caso venha a assistir ao video abaixo. Pois as palavras de Kyung Ju Song são ditas num tom de voz doce e quase meigo, mas são pungentes e perfuram como um punhal afiado. Que elas venham a despertar aqueles que estão dormindo o sono do conforto e da mesquinha rotina diária para uma vida de dedicação à causa da Cruz. Paro aqui. O que ela tem a te dizer em poucos minutos é mais importante do que o que eu poderia falar por horas. Ouça-a. Morra de vergonha. E depois, jovem cristão, sugiro que reflita e faça algo pelo Reino de Deus.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício
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Eu estava calmamente lendo a Bíblia de madrugada quanto cometi o erro de entrar no twitter no exato momento em que um canal de TV estava transmitindo lutas de Ultimate Fighting (UFC). Montes e montes de cristãos estavam tuitando e vibrando com as lutas. Eu li aquilo e postei um comentário dizendo que não conseguia compreender como pessoas que seguem Jesus são capazes de se divertir vendo gente bater uma na outra, como servos do Cordeiro de Deus podem vibrar com tanta pancadaria e violência. Jesus… para que eu fui fazer aquilo?! Comecei a ser espancado verbalmente por uma legião de fãs das lutas. Alguns foram educados e argumentaram como cavalheiros. Mas os demais me jogaram no chão e começaram a dar chutes e pontapés verbais que me deixaram estarrecido. Fui nocauteado moralmente.  E isso me fez refletir mais uma vez sobre um dos problemas que considero um dos mais graves da igreja visível no Brasil: como aqueles que se chamam pelo nome de Jesus passaram a achar nos nossos dias que agressão, ofensas, verborragia e ataques pessoais é uma atitude absolutamente aceitável do ponto de vista bíblico O que é um sinal de que não foram muito bem discipulados na fé cristã.

Um cavalheiro chamado Renato desferiu de cara quatro tuites que parecem ter saído de dentro do ringue: “Gosto é como nariz, cada um tem o seu… então pegue sua hipocrisia e vai ler a bíblia”, me disse esse suposto cristão. E, não satisfeito, continuou: “Aposto que não está lendo a bíblia as 3:30h. Com certeza em algum site pornô ou coisa parecida… isso sim é coisa de quem julga os irmãos… Farizeu.” Tenho de confessar: fiquei pasmo. Nem adiantava dizer que ler a Biblia era exatamente o que eu estava fazendo. Simplesmente, pela primeira vez na vida, dei block no “irmão” (meu Deus, quem discipula um homem desses?) Dois “cristãos” me chamaram de hipócrita. Mais um de fariseu. Outros usaram termos que eu prefiro não repetir aqui porque este é um blog para pessoas cristãs, ou seja, que não apreciam linguajar torpe. E, depois de falar assim com um irmão, vão às suas igrejas, louvam de mãos levantadas, tomam a Ceia do Senhor e creem que estão agindo como filhos de Deus.

Vi até pastores vibrando! Um deles tuitou coisas como “Uhuuu Vitor quebrou tudo!!!”, “Que joelhada linda” e “Vitor Belfort entrou falando em línguas que emoção vai sacudir tudo #Torcendo”. Eu mal conseguia acreditar: Um pastor realmente escreveu para milhares de pessoas “Que joelhada linda”???

Outro pastor, conferencista que vive pregando pelo Brasil, escreveu: “Quebra tudo Zé Aldo…”. Isso então é o que muitos de nossos pastores estão ensinando por aí: não o arrependimento de pecados, a paz, a paciência, o amor ao próximo, dar a outra face, pagar mal com bem. Estão ensinando: “quebra tudo” e “que joelhada linda”. Para pra pensar com calma: um sacerdote do Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo elogiando uma joelhada, um gesto de extrema violência! Que dias de profundas trevas nós – a igreja do manso Cordeiro de Deus – estamos vivendo…

Bem, eu não entro no mérito do gosto pessoal de cada um. Tem gente que gosta de briga de galos. Na antiguidade, as hordas se divertiam com os gladiadores do Coliseu. O ser humano sempre foi atraído por violência, gosta de filmes como os de Charles Bronson e tudo isso naturalmente é consequência da entrada do pecado no gênero humano – ou você consegue imaginar Adão antes da queda ou mesmo Jesus na primeira fileira de um estádio (ou o correto é falar ginásio, não sei), vibrando e gritando: “Vai, Belfort, arrebenta ele! Quebra esse jumento!” – palavras verídicas que reproduzo do tuiter de um homem que se diz cristão e estava assistindo ao massacre. Pode me chamar de hipócrita, fariseu ou careta, mas eu não consigo imaginar isso.

Claro que muitos concordaram comigo. Me alegrou em especial um jovem que postou diretamente para mim: “Confesso que vibrei e até me alegrei em alguns momentos. Mas suas palavras foram um despertar para uma reflexão sobre isso. Só posso agradecer”. Essa parcela da Igreja não me preocupa, pois o Espírito Santo já cuida dela e convence do pecado, da justiça e do juízo. O que me preocupa é a parte da igreja que está sanguinária, violenta… tão distante do que Jesus ensinou!

Muito disso tem a ver com nossos modelos. Hoje em dia muitos líderes evangélicos que estão na TV e na Internet são homens agressivos, verborrágicos e ofensivos, que usam termos como “trouxa” e “bundão” para se referir a irmãos na fé. Por outro lado há grupos de religiosos que incentivam esportes de contato e que defendem esse tipo de prática e comportamento. Pronto: junta isso tudo e temos uma legião de “cristãos” que serão ensinados a cada culto ou programa na Internet ou na televisão que ofender, agredir, atacar, revidar e coisas similares é algo aceitável dentro do verdadeiro Cristianismo. E isso, naturalmente, em especial é algo atraente para os jovens, cheios de testosterona.

Só tem um problema: isso está biblicamente muito errado.

O Cristianismo é a religião da não violência. Quando Jesus foi preso no Getsêmani e Pedro cortou a orelha do soldado Malco, o Senhor repreendeu o agressor e restaurou o homem ferido. Cristo era o Cordeiro Manso e humilde de coração, que deixou-se voluntariamente apanhar, ser cuspido, xingado, ofendido, açoitado, vilipendiado, crucificado… e como ovelha muda perante seus tosquiadores não abriu a boca. Ele deu o exemplo. Ajudava os necessitados e elogiou a atitude do samaritano que auxiliou o homem que tinha sido espancado pelos ladrões. Jesus visava sempre à cura, nunca a provocar a violência e a dor.

No Sermão do Monte, Jesus ensina a dar a outra face, a andar a segunda milha. Diz que os pacificadores e os mansos são bem-aventurados. Em momento algum você vê nos discursos do Mestre incentivo à violência. Pelo contrário, quando ele diz aos seus discípulos que eles seriam perseguidos pela fé, a sua ordem é que fujam e não que revidem. Olhe esta foto à esquerda: você consegue encaixá-la nas bem-aventuranças ou consegue imaginar que isso seja algo que deixe Jesus de Nazaré feliz? E se alguém vier com a história da derrubada das mesas dos cambistas no templo eu nem entro por esse mérito, apenas sugiro que pegue um bom livro que explicará que aquilo não foi um ato de violência, mas de limpeza e purificação motivado por desonestidade e exploração na hora das negociações que aqueles homens faziam.

Nas epístolas você não encontra linguagem ofensiva. Mesmo quando o apostolado de Paulo é questionado ele o defende com veemência, mas jamais alguém é ofendido ou agredido. Se não pela sua pessoa, muito menos pelas ideias que expressa. Pecados são confrontados mas nunca se veem retaliações verborrágicas ou de incentivo à agressão física. Pelo contrário, quando os judeus levam a mulher adúltera até Jesus, Ele estaria coberto de razão pela Lei Mosaica se dissesse: “Podem baixar o sarrafo nela, arrebentem com essa desgraçada”. Mas não. Calmamente, sem erguer a voz ou mesmo o rosto o Mestre preserva a integridade física daquela senhora e corta toda e qualquer possibilidade de um ato de violência.

A verdade é que grande parcela da igreja visível no Brasil está doente, muito doente. Cega, não enxerga o que a Bíblia diz. Sem estudo teológico, não compreende as realidades das Escrituras. Carnal, não vive as disciplinas espirituais e por isso não tem intimidade com o Deus vivo. E, com isso, nós criamos os nossos gladiadores cristãos: homens e mulheres que vibram com a violência (mascarada sob alcunhas simpáticas, como “esporte”, “competição”, “profissão”, “artes marciais” ou o que for – mas que não passam de nomes socialmente aceitáveis para definir a mesma coisa: pancadaria). Que exultam com seres humanos aos chutes, socos, murros, pancadas, joelhadas e outras atitudes que, digo novamente, não consigo imaginar Jesus fazendo ou mesmo se alegrando por ver.

Pior: trazem a violência para fora dos ringues. Estão tão transtornados (ou você acha que assistir a esses gladiadores em ação não mexe com o instinto violento de quem vê as lutas?) e salivando com os golpes e as agressões que exportam toda essa testosterona para o mundo das palavras. Intolerantes, agridem quem discorda deles. Não sabem argumentar ou dialogar: partem pro braço. “Te pego lá fora, seu cristão que é contra a violência!’, parecem dizer. E com isso a igreja visível segue crescendo como opróbrio dentro da sociedade secular; nós, cristãos, continuamos sendo vistos como tão mundanos como qualquer outro segmento da sociedade e os valores do mundo continuam se alastrando descontrolados entre o povo de Deus. Ou seja: não nos tornamos em nada diferentes do mundo. Somos tão violentos, agressivos, espancadores, humilhadores, “trouxas” e “bundões” como qualquer não-cristão.

O tal pastor disse em maiúsculas no tuiter que “UFC É PAIXÃO NACIONAL”. Certamente não é a paixão da nação celestial nem motivo de admiração para os verdadeiros peregrinos que caminham por esta terra estranha vendo esses espetáculos grotescos e animalescos sendo aceitos por aqueles que deveriam pregar a mansidão, a humildade de espírito, o amor. Jesus disse que deveríamos ser sal da terra e luz do mundo e que, se não fôssemos, só serviríamos para sermos “lançados fora e pisados pelos homens”. Aí eu leio coisas como…

Aposto que não está lendo a bíblia as 3:30h. Com certeza em algum site pornô ou coisa parecida… isso sim é coisa de quem julga os irmãos… Farizeu

… e vejo que já estamos sendo pisados pelos homens há muito tempo. E pior: gostamos disso. Afinal, ser pisado faz parte do esporte de contato, né?

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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Eu fui convertido muito tarde na minha vida, já com 24 anos.  O curioso é que estudei numa escola de padres dos 10 aos 17 anos e lá tínhamos aula de religião semanalmente. Ou seja, com 18 anos eu conhecia as histórias da Biblia de trás pra frente. Repare no verbo que eu usei: conhecia. Depois, com 18 para 19 anos comecei a frequentar uma igreja de uma certa denominação evangélica tradicional. Gostava dos cultos, achava o pessoal legal e até tocava baixo no grupo de louvor. Mas não vivia em novidade de vida. Não compreendia o Evangelho. Repare no verbo que eu usei: compreendia. Às vezes me pegava me digladiando com o pastor por questões como “por que Jesus cria um pessoa se já sabe que antes de criá-lá que ela vai ao inferno?” ou “por que Jesus teve de sofrer e morrer pra nos salvar, não bastava um decreto divino?”. Eu era intelectualmente interessado pelo Evangelho. A  Bíblia pra mim era uma questão cerebral. Com o início da minha vida profissional afastei-me daquela igreja e passei a me dedicar muito à profissão. Até que, enfim, com 24 anos, numa denominaçao pentecostal, fui alcançado pela graça de Deus, após um longo processo de dor (que não cabe relatar aqui agora) e ali eu passei a viver o Evangelho. Repare no verbo que usei: viver.

Então, hoje eu vejo por experiência própria que existe uma grande diferença entre aqueles que frequentam uma igreja: há os que conhecem, os que compreendem e os que vivem Cristo.

Isso me remete aos cristãos de berço. Aqueles que nasceram em lar evangélico. Frequentam a igreja desde sempre, sabem as bistórias da Biblia porque foram à escolinha bíblica infantil, aceitam o sacrifício salvifico de Jesus mas… em que momento de fato são salvos? Porque eu olho em volta e vejo “cristãos”, muitos deles até filhos, netos e parentes de pastores, que não demonstram em suas vidas fruto do Espirito. Não têm paciência. Domínio próprio é algo de que só ouviram falar vagamente  Nao promovem a paz, amam uma discussãozinha e uma contenda. E por aí vai.

Além disso, não mostram postura cristã. Nao pacificam, mas botam sempre lenha na fogueira. São insubmissos, rebeldes, respondões, não respeitam seus cônjuges, não oram, não leem a Bíblia, têm zero de devocionalidade, são iracundos… Enfim, podem até não roubar ou matar (o que um bom ateu também não faz) mas não demonstram o comportamento mínimo esperado de um cristão. Não investem tempo orando pelos filhos. Brigam intempestivamente por qualquer coisa. Falam mal dos outros pelas costas. São fofoqueiros. Dificilmente resolvem uma diferença com argumentos e diálogo,  mas sim com birras, brigas e bate-bocas. Mas todo domingo, por puro hábito, batem seu cartãozinho de ponto no culto da igreja porque, afinal, foi o que lhes ensinaram que é o certo a fazer. E acham que Deus está feliz da vida com eles – afinal, são de berço evangélico e batizados. Conhecem e compreendem. “Uhu, Jesus me ama”. Mas não vivem esse Jesus.

Como eu passei por essas três fases e conheço bem cada uma e o comportamento de quem se encaixa em cada uma, cometeria a ousadia de dizer que os tais não são salvos. Porque é como diz Tiago 2.18, “Mas alguém dirá: “Você tem fé; eu tenho obras”. Mostre-me a sua fé sem obras, e eu lhe mostrarei a minha fé pelas obras.” E mais: “Você crê que existe um só Deus? Muito bem! Até mesmo os demônios creem – e tremem!” (Tg 2.19) Os demônios creem! E tremem! Mas isso é o mínimo. Porque, vamos combinar, fazer uma profissão de fé e se batizar é acoisa mais fácil que tem. Frequentar cultos… basta sentar num banco e às vezes ficar de pé. Agora… viver conforme Cristo determinou no dia a dia, na sua casa, no seu trabalho, com sua família e com os colegas de profissão, no supermercado e no shopping são outros quinhentos bem diferentes. Como o crente de berço reage quando alguém o ofnde? Ou quando pede algo ao chefe no trabalho e recebe um “não”? Ou quando o professor o trata com injustiça na sala de aula?

Abrir mão da sua natureza respondona, egoísta, insubmissa às autoridades, materialista, mimada e tomar a cruz para seguir Cristo, isso sim é o que eu quero ver. Aliás, eu não, Deus.

Muitos e muitos e muitos crentes de berço estarão entre os que no grande e temível dia dirão: “Senhor, Senhor”. E aqui me permitam fazer uma paráfrase apócrifa da Biblia. Os tais chegarão e dirão: “Senhor, nasci de pais cristãos, fui apresentado como bebê na igreja, frequentei os cultos e as escolinhas, fui aos retiros, trabalhei até em departamentos, casei virgem, chorei com as mãos levantadas na hora do louvor e de vez em quando até fazia uma oração”. E, mais uma vez, me atrevo à ousadia de parafrasear apocrifamente o texto das Escrituras e imagino que Jesus responderia: “Você me conhecia e compreendia, mas não me viveu. Pois a cada vez que te chamei para conversar em oração você preferiu ver televisão. Cada vez que você tinha de se submeter às decisões do seu superior hierárquico no trabalho, em casa ou na igreja você o tratou com respostas agressivas e rebeldia. Cada vez que te chamei para ouvir a minha voz você ignorou minha Palavra e preferiu ir ao shopping do que ler as Escrituras. Cada vez que te toquei para ouvir alguém em sofrimento você concluiu que alguma outra pessoa podia fazer isso no seu lugar. Cada vez que você ou um dos teus ficou doente sempre o médico era lembrado antes da oração. Cada vez que te chamei para ler livros que falam sobre mim você deu uma desculpa para não ler e assim aprender mais sobre o padrão de comportamento que Eu queria que você seguisse. Cada vez que te chamei para uma vida de devocionalidade diária você se entregou a uma rotina de atividades materialistas e tinha sempre uma desculpa. Cada vez que te chamei para tirar momentos de reflexão e meditação sobre minhas Escrituras e como aquilo afetava seu comportamento em família, no trabalho ou mesmo em sociedade você preferiu ir ao salão fazer unha, malhar na academia ou simplesmente ficar sem fazer nada”. Ao fim do que o Senhor diria: “Logo, apartai-vos de mim, pois nunca vos conheci”.

A coisa é séria. Se você percebe que na sua igreja há crentes de berço cuja forma de proceder faz o termo “crente” te fazer perguntar “mas crente em quê?” e não são salvos, evangelize-os! Pregue o Evangelho para eles. E repare que não estou dizendo nem “discipule-os”, mas “evangelize-os”. Pois o discipulado vem após a conversão e se esforçar por discipular quem não passou pelo novo nascimento é pura perda de tempo. Pois não se discipula ossos secos.  Primeiro a carne tem de cobri-los e por fim o discipulado será feito.

Não adianta tentarmos nos enganar. Há muitos frequentadores de igrejas desde a época em que usavam fraldas, a quem chamamos “irmãos em Cristo”, que não são nossos irmãos em Cristo. Não passaram da morte para a vida. Não estão dispostos a tomar sua Cruz para seguir Cristo. Querem uma vida de moleza. E também moleza espiritual. “Sou crente mesmo, batizado, vou aos cultos, então tá tudo certo”. E mal sabem que no final vão para o inferno.

Duras palavras? E desde quando Jesus disse que a coisa seria fácil?

Diante disso, o que fazer? Orar, meus irmãos. Orar pelos perdidos: aqueles que estão perdidos fora mas também dentro das igrejas. Orar pela conversão dos crentes de berço que conhecem e compreendem mas não vivem. Orar pela salvação da pessoa que está ao teu lado no banco da igreja. Você não sabe. Mas ela pode estar cantando todos os louvores de cor e caminhando a passos largos para o abismo, simplesmente porque vive ela, mas Cristo não vive nela.

E que Deus tenha misericórdia de cada um de nós.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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Eu me emocionei ao ver esse video, pois vi nessa garotinha o comportamento que eu, você e todos os cristãos deveríamos ter: você leva uma mordida, uma patada, o que for, mas depois perdoa, ama, compreende, abraça, se dedica. Quem faz o contrário do que essa menina fez, ou seja, é contrariado e sai distribuindo agressões, patadas e ofensas não entendeu o que é verdadeiramente ser cristão. E está fadado a viver em amargura.

“Eu lhes asseguro que, a não ser que vocês se convertam e se tornem como crianças, jamais entrarão no Reino dos céus” (Mateus 18.3).

(Com meus agradecimentos à pessoa que amorosamente me enviou o video mas pediu para ficar no anonimato)

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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“Ah, que saudades que eu tenho da aurora da minha vida, da minha infância querida que os anos não trazem mais“. Estava lendo poesias de Casimiro de Abreu e deparei-me com essa frase, do poema “Meus oito anos”, publicado em 1859 no livro As Primaveras. Parei para pensar e percebi que não: não tenho saudades da aurora da minha vida. Não tenho saudades do passado. Tenho boas lembranças sim, mas… saudades? Não. Estou a exatamente um mês de completar 40 anos de idade e, quer saber? Estou adorando! Ouço tantas pessoas falarem das coisas boas do passado, de como a vida era melhor, da saudade daquilo que ficou para trás, tendo vergonha de dizer a idade, enfadadas por estarem envelhecendo… e me sinto um ET por gostar da maturidade. Sim, vivi coisas boas. Muitas. Mas refletindo sobre essa poesia de Casimiro me dei conta de que o presente e o futuro me instigam muito mais do que o passado. E também me alegram muito mais.

E olha que vivi um passado rico. Com dores e mágoas, naturalmente, mas também com alegrias. Cantei em óperas, velejei, viajei mais de 12 vezes ao exterior, tive experiências riquíssimas com Deus, li livros emocionantes e transformadores, assisti a deliciosas peças de teatro, tive amigos que me acrescentaram muito, vi castelos, naveguei entre icebergs, afaguei cachorros, deitei na areia fofa da praia, escrevi poesias ruins e livros que para minha surpesa até foram premiados, vi alguns entardeceres dos mais lindos do mundo, tomei sorvete Bertillon, dormi em chalés de Lumiar com paisagens de tirar o fôlego, toquei instrumentos musicais, comi fondue, ganhei de Deus a filha mais linda e carinhosa do mundo, casei-me com uma mulher rara, tive pais que me deram cultura e um irmão que é chato mas eu amo…e ainda por cima deitei muitas vezes nas pedras do Arpoador para ouvir as ondas baterem nas rochas. É…que passado legal…

Mas penso na minha trajetória e vejo que tudo o que me aconteceu até hoje foi  uma preparação para o que está por vir. Porque olho para a vida da esmagadora maioria das pessoas e percebo que as coisas acontecem nessa progressão: você nasce, estuda na escola se preparando pra universidade, passa pra universidade se preparando pro mercado de trabalho, começa a trabalhar se preparando para a aposentadoria, se aposenta se preparando para um período de repouso e repousa se preparando para a morte. E aí morre. Meu Deus! Que perspectiva é essa?! Eu prefiro ver por outro ângulo.

Ao contrário de Casimiro, eu não tenho saudades da aurora da minha vida porque eu tinha vivido tão pouco! Experimentado tão pouco! Amado tão pouco! Com oito anos eu era um girino ambulante que só pensava bobagens. Fui crescendo e a cada novo dia algo novo ia sendo acrescentado a essa pessoinha chamada Mauricio Zágari, algo que ajudava a me lapidar, me forjar, me afiar, formar o quarentão que em breve eu serei. E quer saber? Me perdoe, querido irmão ou irmã mais novo ou mais nova do que eu, você que é adolescente, jovem ou um neoadulto pelo que vou dizer a seguir, mas é a pura expressão da realidade.

Quando era adolescente eu era um toupeira. Achava que sabia tudo, peitava meus pais, era o dono da verdade. Um tolo. Cresci um pouquinho mais, cheguei aos meus 20 anos e acreditava ser um homem. Dá vontade de rir. Hoje eu olho para o Mauricio de 20 anos e percebo que era um pouquinho melhor do que quando adolescente, mas ainda era um boboca. Um completo energúmeno. Sabia pouco ou nada sobre a vida. E o engraçado é que achava que sabia tudo! Cheguei aos 24 para os 25, idade da minha conversão. Sofri muito naquela época e graças a isso amadureci bastante, mas olhando hoje para trás vejo como ainda era cru, bobo, sem traquejo, ignorante em milhões de coisas.

Aos 27 me casei. Pronto, cumpri uma etapa da vida, agora podia ser independente, fugir da pressão da sociedade para me casar, podia ter meu cantinho, fazer minhas coisas…mas hoje, olhando para aquela época percebo que não era apenas 21 quilos a menos que eu tinha, mas muito menos entendimento da vida, conhecimento do mundo, sabedoria e cultura. Meu Deus, eu tinha chegado aos 27 anos, era um homem casado e mal sabia lidar com o ser humano, com o meu próximo…como eu ainda tinha a evoluir! E sabe o que é o mais engraçado? Eu não fazia ideia disso. Achava que estava abafando. Que era maduro. Mas não passava de um meninão brincando de casinha.

Aos 30 eu comecei a pensar mais. Sempre fui uma pessoa reflexiva, mas naquela etapa as reflexões começaram a se intensificar. Eu via coisas bobas e simples e conseguia viajar até a China e voltar apenas vendo uma formiga escalar um galho. Sei lá, é como se o cérebro tivesse mudado de algum modo. Também comecei a ler livros diferentes. Foi quando comecei a me tornar uma pessoa que valia a pena. Ainda não era, mas estava no caminho. Aos 35, percebi que já não era tão bobo. Conseguia ter conversas mais profundas e inteligentes, embora a cada novo livro que devorava percebia, como dizia o fillósofo Sócrates, que “só sei que nada sei”. Descobri que gostava de aprender. Entrei no meu segundo seminário teológico e me deleitei com a aquisição de mais conhecimento. Como eu era ignorante…

Para abreviar…estou com 39. Em um mês faço 40. A história da minha vida me mostra que a cada novo dia eu vou aprender mais, viver mais, ter novas experiências. Não devo viver mais do que 30 anos, pois a média do homem brasileiro é de 70 anos. Mas isso não me incomoda. Em 30 anos tem tanta coisa boa que posso fazer, tantos livros a ler, tanto amor a trocar, tanto a ensinar, tanto a aprender! A história da minha vida me diz para não ter saudades dos meus oito anos, lamento, Casimiro. O que ela me ensinou é que cada dia é uma oportunidade nova. Oportunidade de crescer, de sentir, de conhecer mais Deus, de cometer erros e aprender com eles – para, aos 45, não cometê-los mais.

Estou feliz. Vou fazer 40 anos. Serão 14.600 dias de aprendizado, de sensações, de poesia, leitura, oração, comunhão com a coisa mais fascinante que há sobre a face da terra, que é o ser humano. Em alguns desses dias abracei pessoas, em outros consolei gente triste, conversei com muitas pessoas – coisas sérias e coisas divertidas. Meus Deus, embora não tenha saudades (por que de que adianta ter saudades “dos anos que não voltam mais”, pare para pensar), aprendi com tudo isso, com minha puerilidade de criança, minha tolice de adolescência, minha prepotência de juventude, minha ignorância de neoadultice…enfim, tudo o que vivi em quase 40 anos me ensinaram, num grande resumo da minha vida, algo muito importante: meus próximos anos me reservam ainda muitas coisas espetaculares para viver.

Não faço a mínima ideia do que o futuro me reserva. Ele é um grande ponto de interrogação. Mas uma certeza eu tenho: com 45 serei uma pessoa ainda melhor do que com 40. E com 50, melhor do que com 45. Essa tem sido a progressão da minha vida. Tudo indica que continuará a ser. Pois hoje me vejo até como alguém que tem algo a acrescentar. Mas com 50 vou olhar para hoje e certamente pensar “como eu com 40 era um bobo que não sabia nada…”

Agora…você pode estar se perguntando: o que tem a ver esse papo todo num blog que deveria falar das coisas de Deus? O que me interessa saber da vida do Zágari? Meu irmão, minha irmã, a Biblia nos diz que nossa vida é como um “sopro” e como uma “neblina”. Tanto um como a outra são coisas breves, que se desanuviam em um segundo. Acredite: sua vida vai passar num piscar de olhos. Faça tudo o que estiver ao seu alcance para ela valer a pena. Que cada dia da sua vida tenha um significado. Um aprendizado. Uma doação. Uma entrega. Uma manifestação de amor a Deus e ao próximo. Isso principalmente: amor.

Assim, quando você chegar lá no finalzinho da sua jornada na terra, vai saber que o entardecer da sua vida terá sido muito mais bonito do que a aurora da sua vida.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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