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perdao totalVocê, que acompanha o blog APENAS, deve ter percebido que tenho falado nos posts mais recentes sobre meu livro Perdão Total – Um livro para quem não se perdoa e para quem não consegue perdoar, em função do seu lançamento, este mês. Se você lê o que escrevo já há algum tempo, espero que perceba que minha intenção ao divulgar uma obra de minha autoria não é mercadológica ou financeira, mas, sim, missional, pois eu acredito com convicção que a mensagem contida nesse livro pode abençoar muitas vidas – uma vez que entendo que compreender o que a Bíblia de fato explica sobre o processo pecado-perdão-restauração é uma necessidade urgente entre os cristãos. Muitos não perdoam quem os ofendeu, o que os faz carregar toneladas de ressentimento. Muitos não se perdoam por pecados que cometeram no passado, o que os faz carregar toneladas de culpa. E todos precisamos ser perdoados. Porém, encontro em todo lugar por onde passo centenas e centenas de pessoas que vivem soterradas por ressentimento, culpa e pecados não perdoados simplesmente por não compreender com exatidão como se processa essa dinâmica do perdão (e, consequentemente, da restauração de quem pecou). É justamente isso o que procurei explicar no livro, para que você, que se vê numa situação de falta de perdão, ou alguém que conhece e que precise ouvir essa mensagem sejam libertos desse fardo. Falta de perdão mata. Já o perdão liberta, transforma, dá paz, revoluciona vidas, reconcilia pessoas e nos aproxima de Deus.

O assunto do perdão e da falta de perdão é extremamente sério. Eu não conseguiria tratar tudo o que precisa ser dito sobre o assunto para trazer paz à sua vida em um ou dois posts, por isso optei por escrever um livro que, pela vontade de Deus, foi aprovado e está sendo lançado este mês pela editora Mundo Cristão. Eu o considero como mais um dos posts do APENAS, só que muito mais completo e profundo, uma análise bíblica detalhada, escrita numa linguagem muito fácil e compreensível a qualquer um.

Por isso, se você costuma ser abençoado pelo que escrevo no blog, recomendo a leitura do “Perdão Total”. Se você conhece alguém que precise perdoar ou se perdoar, dê de presente. A obra já está disponível em grandes livrarias seculares como a Saraiva, pela internet (NESTE LINK) ou em livrarias evangélicas de todo o Brasil. Para quem vive no exterior, ele está em formato e-book em diferentes livrarias virtuais, como Amazon, Google, Kobo, Livraria Cultura e outras.

Banner Leitor CristaoCaso você queira saber mais sobre o livro, compartilho AQUI uma entrevista que concedi para o site Leitor Cristão, onde entro em mais detalhes. Ou poderá assistir a uma entrevista que darei ao vivo à jornalista Leda Nagle no programa Sem Censura (TV Brasil), na próxima segunda-feira, dia 27/10, às 16h, para falar sobre o perdão bíblico e, naturalmente, sobre o livro. Aliás, aproveito para pedir as suas orações, pois tenho concedido entrevistas à mídia secular para falar sobre o livro e sobre o perdão bíblico (como as rádios Globo e Inconfidência), e preciso de muita sabedoria para falar sobre o tema a não cristãos. Preciso muito das suas orações.

Também deixo aqui um vídeo que a editora Mundo Cristão me pediu que gravasse para que eu explicasse em dois minutos do que trata o Perdão Total – Um livro para quem não se perdoa e para quem não consegue perdoar e a quem ele se destina, caso queira assistir e compartilhar:

Peço a Deus que a leitura deste livro abençoe muito a sua vida e a das pessoas que você conhece e enfrentam problemas para perdoar. Ele foi feito para ser lido, promover reflexão e, até mesmo, conduzir debates sobre o tema em pequenos grupos e estudos bíblicos.

O perdão é um dos alicerces do evangelho. Sem perdão, não há cristianismo nem vida com Deus. Jesus veio à terra para perdoar. O perdão está estendido para você. Não perdoar traz graves consequências, enquanto perdoar traz grande liberdade, paz e intimidade com Deus. Perdoe. Perdoe-se. Peça perdão. Pois Deus jamais perdoa alguém pela metade, o perdão dele… é total.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari

Perdao Total_News cortado

 

Perdao total_pilhaSou um pecador. Peco todos os dias, embora eu odeie os meus pecados. Isso também acontece com você? Já cometi pecados que me envergonham profundamente e até mesmo me fizeram questionar se seria possível que Deus me perdoasse. Também já fui ferido por outras pessoas e tive de estender perdão a elas, apesar de profundamente machucado. E, claro, já causei mal a outras tantas pessoas também, e precisei ser perdoado por elas. Se você é humano e falho como eu, percebe, então, a suma importância de perdoar, de se perdoar e de ser perdoado. Não há como mensurar o valor incalculável do precioso perdão, algo que, ao recebermos ou concedermos, remove de nossa alma toneladas de culpa, dor, sofrimento, falta de paz. A vida cristã só é possível porque existe perdão, a cruz de Cristo teve como objetivo conceder perdão… enfim, é absolutamente impossível caminhar no evangelho sem perdão. Esse assunto tem feito parte de minhas reflexões de modo muito intenso nos últimos anos, o que me levou a realizar uma pesquisa profunda nas Escrituras sobre o tema. Essa busca para compreender (e viver) melhor o perdão de Cristo acabou gerando um livro, lançado oficialmente ontem pela editora Mundo Cristão: Perdão Total – Um livro para quem não se perdoa e para quem não consegue perdoar (já disponível no site da Mundo Cristão e, nos próximos dias, nas livrarias de todo o Brasil).

Peço desculpas se este texto soa como a propaganda de um livro. Acredite: para mim, é muito mais do que isso. Tenho a convicção, reforçada pelo depoimento de pessoas que já o leram, de que ele pode ajudar vidas que por anos estiveram aprisionadas pela falta de perdão a encontrar o caminho da paz e do cumprimento da vontade de Deus; da graça e do amor divinos. A falta de perdão é um fardo pesado demais e ninguém precisa carregá-lo. Ninguém. A você, que acompanha este blog semanalmente, explico que tudo o que procurei fazer com esse livro foi o que faço nos posts do APENAS: estudar e refletir sobre as coisas de Deus para abençoar a vida de quem me lê.

Além na necessidade pessoal de viver diariamente o perdão (seja dando-o, seja recebendo-o), o que me motivou a escrever esta obra foi a clara percepção de que muitos e muitos de meus irmãos e minhas irmãs em Cristo não estão vivendo o perdão como Deus deseja. Ao conversar com centenas de cristãos em igrejas em que prego ou palestro ou mesmo por meio deste blog, me espanto e me entristeço pela quantidade de almas que sofrem (muitas vezes em silêncio) por não conseguir viver plenamente o perdão. Por isso, meu objetivo é que este livro – escrito numa linguagem extremamente fácil e simples, para ser compreendido por qualquer pessoa – conduza quem o ler a vivenciar de modo pleno e absoluto o perdão bíblico. Perdão Total_Capa 3D em alta

Primeiro, o texto mostra a quem vive atormentado pela culpa por ter cometido determinados pecados no passado que pode ser liberto imediatamente desse peso e viver com leveza e felicidade. Isso mesmo para cristãos que cometeram tais pecados após a conversão.

Segundo, o livro apresenta verdades bíblicas para quem foi magoado, ferido, humilhado, abandonado, traído, desprezado, agredido, enganado, roubado, vilipendiado, usado, maltratado, molestado, abusado… enfim, para quem de algum modo sofreu algo que o deixou ressentido e, por isso, não consegue perdoar quem o fez sofrer. Às vezes até sabe que deve perdoar e gostaria de liberar perdão… mas não consegue. E, por isso, vive preso a amarras espirituais que têm consequências sérias.

Se você vive alguma dessas realidades, recomendo carinhosamente a leitura deste livro. Ou, se você conhece alguém que não perdoa a si mesmo ou que precisa perdoar outra pessoa, recomendo que indique o livro ou o dê de presente. Claro que, como autor, minha recomendação é suspeita. Por isso, sinto-me mais à vontade deixando que outros falem em vez de mim. “Perdão Total” tem prefácio do pastor presbiteriano JR Vargas, apresentador do Debate 93 FM; além de endossos de pessoas como a pregadora Helena Tannure; a coordenadora nacional do movimento Desperta Débora, Nina Targino; e o juiz federal e escritor William Douglas. Eles escreveram sobre o livro:

Nina Targino“Falar sobre Perdão Total em poucas palavras é um desafio grande demais, pois o livro é maravilhoso. Nele aprendemos sobre o amor que vai além dos dramas da vida. É luz para quem não sente o perdão de Deus e para quem não consegue perdoar os que lhes têm ofendido. A beleza não é somente o esmero do autor, mas a possibilidade de falar a corações que vivem em prisões da alma. Leia este livro, encontre a paz!” —– Nina Targino, Coordenadora Nacional do Desperta Débora.

JR Vargas“Você tem em suas mãos uma obra valiosa, que o ajudará a descobrir o caminho do Perdão Total. Em cada página somos conduzidos a uma prática libertadora, sustentada pela Palavra do Senhor. Aproveite a oportunidade, leia prazerosamente este livro — pelo qual já fui grandemente abençoado — e seja livre” —– Jr. Vargas, Pastor da Igreja Presbiteriana das Américas (RJ) e apresentador do Debate 93, na Rádio 93 FM.

William Douglas “Este é um livro único. Tem a grande virtude de destacar as verdades bíblicas sobre o perdão em uma linguagem muito acessível e agradável. Maurício Zágari tem se destacado como escritor e editor, melhorando substancialmente as obras nas quais trabalha, então ele não poderia deixar de fazer um livro de excepcional qualidade. É uma grande alegria poder ler um livro de Maurício Zágari” —– William Douglas, Juiz federal, escritor e conferencista, membro da Academia Evangélica de Letras do Brasil (AELB) e da Academia Niteroiense de Letras (ANL). “

Helena TannureEm Perdão Total, Maurício Zágari nos dá o vislumbre de uma vida livre do fardo pesado que o acusador impõe, encorajando cada leitor a receber a dádiva do perdão e a permanecer trilhando o caminho da verdadeira liberdade que também nos fará estender a outros o que de graça recebemos. O amor de Deus é completo, absoluto e suficiente para arrebentar as amarras de culpa que continuam prendendo pessoas em intermináveis teias de dor ao longo de toda a história humana” —– Helena Tannure, Palestrante, escritora e cantora.

Entenda que “Perdão Total” não tem nenhuma virtude em si. Seu valor está, isto sim, em indicar de forma ao mesmo tempo profunda e compreensível o que a Palavra de Deus fala sobre o perdão divino. A Bíblia sim aponta o caminho. Jesus é quem realiza a obra. Tudo o que eu fiz, como autor, foi amplificar aquilo que as Escrituras revelam. A Deus toda a glória e todo o mérito. Desde que comecei a idealizar “Perdão Total”, minha oração sempre foi que ele se tornasse um instrumento de Deus para transformar muitas e muitas vidas. Talvez a sua. Talvez a de alguém que você conheça. Seja a de quem for, oro a Jesus que abençoe, liberte, restaure, ilumine, edifique e mostre o caminho mais excelente que só o verdadeiro perdão pode proporcionar. Perdão total: abrace essa realidade e viva plenamente essa verdade!

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari Perdao Total_News cortado

Perdão é um assunto essencial para nossa saúde espiritual. A falta de perdão é um câncer que corrói a alma, gera culpa e ressentimento e nos afasta de Deus. Foi por isso que decidi me dedicar a esse tema em meu livro mais recente, Perdão Total – Um livro para quem não se perdoa e para quem não consegue perdoar (veja AQUI), que acabou de ser lançado pela editora Mundo Cristão. Semana que vem falarei um pouco mais sobre ele, se você me permitir. Hoje compartilho apenas um pequeno vídeo, que a editora me pediu para gravar, em que abordo um dos temas tratados no livro. Espero que aquilo que procuro compartilhar nessa fala de 2 minutos abençoe a sua vida.

Perdão Total_Youtube

(Se, ao clicar na imagem, o vídeo não abrir, clique AQUI)

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Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari

 

Papai desenhado por Laura aos 3 anosEsse rabisco do desenho ao lado sou eu. Pode ser que você não o ache muito parecido com a minha foto que ilustra este blog, mas creia: sou eu. Tenho provavelmente centenas de fotos minhas no computador e até mesmo desenhos: na parede em cima de minha cama há um retrato meu com minha esposa, pintado em Paris por um artista de rua, e até mesmo uma gravura em 3D de meu rosto feita a laser dentro de  cubo de acrílico. Mas preciso reconhecer que essas obras de arte não me enchem tanto os olhos: esse rabisco aí do lado é, de longe, a representação de minha pessoa que mais amo, tanto que a carrego sempre comigo na carteira. E há uma razão para isso: foi minha filha quem fez, pensando em mim, e me deu com todo o seu amor. Para quem não tem vínculos afetivos comigo ou com minha filhota, esse desenho pode não passar de um amontoado de rabiscos mal feitos, de péssima qualidade. Mas, para mim, a beleza artística e a perfeição do traço são o que menos importa: eu sou apaixonado por esse desenho, simplesmente porque foi alguém que amo quem fez de todo o coração e me ofertou com sinceridade e amor. Isso me leva a pensar naquilo que fazemos para nosso Pai celestial.

É óbvio que devemos fazer tudo para Deus da melhor forma possível. Nosso louvor tem de ser bem composto, ensaiado e entoado. Nosso culto deve ser organizado. Nossa adoração deve seguir certas diretrizes. As aulas de ensino bíblico e teológico devem ser muito bem preparadas. Enfim, tudo o que fazemos para o Pai necessariamente deve ter o nível máximo de excelência. Porém, muito mais do que uma forma adequada, Deus quer saber do conteúdo. De que adianta tudo ser impecável e nosso coração não estar entregue ao Senhor naquilo que fazemos? O livro de Amós mostra como Deus rejeitou o culto bem organizado que seu povo não prestava de todo coração, devido à contaminação de sua alma: “Aborreço, desprezo as vossas festas e com as vossas assembléias solenes não tenho nenhum prazer. E, ainda que me ofereçais holocaustos e vossas ofertas de manjares, não me agradarei deles, nem atentarei para as ofertas pacíficas de vossos animais cevados. Afasta de mim o estrépito dos teus cânticos, porque não ouvirei as melodias das tuas liras” (Am 5.21-23).

Jesus disse: Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade” (Jo 4.24). Já ouvi muitas explicações teológicas sobre o que exatamente isso significa, mas, para mim, o que Jesus está dizendo é, em outras palavras: “Deus quer carregar na carteira desenhos que seus filhos fizeram dele com todo coração e em total amor”. 

Eu jamais serei perfeito. Acredito que meu Pai saiba disso. Embora ele estabeleça a perfeição como alvo para que nos aproximemos o máximo possível dela, o Onisciente tem certeza absoluta de que jamais a alcançaremos. O que ele espera de nós não é perfeição, é esforço máximo para atingir a perfeição. Mas, em nossa imperfeição, ele nos recebe e aceita, se nos aproximamos dele com total amor e sinceridade de alma. Meu louvor não é dos mais afinados, mas acredito que o Senhor o carrega na carteira. Minha oração é cheia de imperfeições e por vezes as palavras não são das mais bonitas, mas minhas lágrimas e meus gemidos de intercessão estão todos na carteira do Pai. Os livros que escrevo podem não ser extraordinários, mas Deus os carrega na carteira se cada pessoa que os lê é abençoada, edificada e transformada pelas minhas palavras.

Meu irmão, minha irmã, não importa se você não é perfeito. Bem que Deus queria que fosse, mas ele sabe que não é. Importa que os rabiscos da sua vida, embora tortos e de valor artístico duvidoso, sejam entregues em sinceridade de coração ao Pai – ou seja, “em verdade”, como disse Jesus.  Faça tudo para Deus com muito amor e sem hipocrisia. O Pai quer o seu melhor, mas, muito mais que isso, ele quer o seu coração.

Sabe… o Senhor não espera que você seja um Picasso ou  um Salvador Dalí. Mas, se as suas pinturas de vida forem desenhadas com o real objetivo de alegrar o coração de Deus, tudo o que você fizer o glorificará e, com isso, você fará brotar um largo sorriso no rosto de seu Pai amado.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Mauricio Zágari

Perdao Total_News cortado

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baiacu1Muitos animais têm um mecanismo de defesa interessante quando se sentem ameaçados por predadores ou se veem em alguma situação de risco: eles tentam parecer maiores do que são. Você já deve ter visto em documentários da televisão, por exemplo, cenas de sapos que incham diante de uma serpente, baiacus que inflam quando dão de cara com uma moreia, cobras naja que abrem uma espécie de capuz de pele diante de inimigos ameaçadores ou ursos que se erguem sobre as patas traseiras quando atacados por outros machos da espécie. É uma estratégia instintiva desses bichos, uma forma de autopreservação, como se quisessem se proteger parecendo maiores do que de fato são. Em outras palavras, é uma reação ao medo. Essa é uma atitude que muitos de nós, seres humanos, também tomamos, embora num contexto diferente, como já veremos.

Claro que, ao contrário dessas outras espécies, não possuímos a capacidade de nos agigantarmos fisicamente. Não temos como inflar o tórax até ficarmos com as dimensões de um elefante, tampouco nosso cabelo se arrepia para se assemelhar ao pelo eriçado de um gato selvagem. Deus simplesmente não nos concedeu a habilidade de alterarmos nossa compleição física para crescermos diante de uma ameaça. Mesmo assim, inconscientemente (ou não), em nosso dia a dia tomamos uma série de atitudes que nos fazem tentar “crescer” aos olhos dos demais. Só que, ao contrário dos animais, o que nos faz querer ser maiores do que os outros não é o medo ou o instinto de defesa: é a vaidade.

baiacu4Por que você acha, por exemplo, que homens se preocupam tanto com o carro ou a moto que compram? Só porque é o mais econômico da praça? Ou porque o status que ter aquela máquina proporciona o faz sentir-se maior do que as demais pessoas? O mais capaz, o mais bem-sucedido, o alfa do bando? E não só veículos, isso vale para smartphones, roupas, bolsas, relógios, videogames, imóveis, quantidade de seguidores nas redes sociais… a lista de elementos usados como artifício para dizer, sem palavras, “eu sou melhor que você” é inumerável. Outro exemplo são os títulos. Se eu e você saímos nus do ventre de nossa mãe e chegamos absolutamente equiparados a este mundo, o que fará você se sobressair a mim? Fácil: comendas, honrarias, títulos, pós-ultra-PhD-doutorado, cargos pomposos. Se você parar para pensar, o prazer que um indivíduo ostenta por ter adjetivos e predicados à frente de seu nome nada mais é do que um meio de tentar se agigantar diante dos demais. É como se dissesse: “Veja como sou maior ou mais importante do que você, afinal sou um conde, um visconde, um barão!”. Por que você acha que durante tantos séculos os títulos de nobreza custaram tão caro e foram tão cobiçados? Simplesmente porque tê-los era uma maneira de tentar sobressair.

Em nossos dias, até mesmo os jogos de futebol revelam com clareza esse fenômeno. Sejamos sinceros: não basta nosso time ganhar, temos de pegar no pé dos amigos que torcem para a equipe que perdeu. A troça futebolística faz parte da nossa cultura de querer ser superior aos outros. E por aí vai, em tudo aquilo que fazemos. A realidade é que todo ser humano busca, inconscientemente, destacar-se dos demais. Eu sou assim, você é assim, todos somos assim. Queremos fama. Queremos notoriedade. Queremos o lugar mais alto do pódio. Esqueça o Barão de Coubertin: o importante é ser o maioral e ganhar, sim, senhor.

Mas, então…

Então chega Jesus e diz “aquele que se humilhar como esta criança, esse é o maior no reino dos céus” (Mt 18.4). Ouvimos isso e, se queremos ser como Cristo ensina, nos vemos obrigados a desinflar o peito, abaixar a crista, nos posicionar de cabeça baixa; assumir a postura submissa de um cordeiro. Pôr nosso ego nas dimensões de uma criancinha. Diminuirmos para que ele cresça. Considerarmos os outros maiores em honra.

baiacu3A aproximação de Cristo nos distancia da nossa realidade animal e nos atrai para a espiritual. Nosso animal, nossa carne, quer buscar glórias, fama, títulos, cargos na igreja, o lugar de maior destaque, a roupa mais pomposa, elogios, adjetivos, comendas, honrarias, o pináculo do templo. Tudo isso nos infla como um baiacu. Nossa humanidade quer desesperadamente nos agigantar. No entanto, Jesus vem e nos desestrutura: “Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus” (Mt 5.3). E, se ainda resta alguma dúvida, Paulo dá o ultimato: “Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo” (Fp 2.3). Em outras palavras: abaixe a crista. Deixe o outro sobressair. Difícil? Sim, mas cristão.

Vaidade sob controle não é pecado. Mas quando ela passa a ditar seus valores, a maneira como se comporta, as suas decisões e, especialmente, o modo como trata as pessoas, cuidado: você pode não estar sendo muito melhor do que um baiacu. E Deus sabe que você vale muito mais do que um peixe amedrontado.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Mauricio Zágari

solidao1O rosto é sorridente. O aperto de mão, amigável. Quando lhe perguntam como está, a resposta é sempre “tudo bem”. Da hora em que chega à igreja até o momento em que se despede, todos acreditam que sua vida é repleta de felicidade. Mas, por trás de toda essa aparência, esconde-se uma pessoa extremamente solitária. Não deveria ser assim, mas a dura realidade é que nossas igrejas estão cheias de irmãos e irmãs que se encaixam nessa descrição, e que, embora escondam e não demonstrem, são muitos solitários. São cristãos, vivem em comunidade, vão aos cultos e cantam louvores, mas, na verdade, sentem-se sozinhos. Os laços com os demais são superficiais e frágeis e eles percebem que, na hora em que precisam de um ombro sincero, não o encontram. Por vezes, chegam a derramar lágrimas escondido. Poucas pessoas lhes telefonam, por isso se sentem como se ninguém estivesse nem aí para si. Olham a vida dos demais e acabam com a sensação de que todos são felizes e têm muitos amigos, menos eles próprios – o que os deprime. Apesar disso, por mais que se esforcem por ser amáveis e gentis na igreja, poucos demonstram interesse real por sua vida. Qual deve ser nosso papel junto a quem se vê nessa situação? Será que há algo que você possa fazer pelos milhares de solitários que transitam entre nós mas não demonstram, tocando a vida em meio à multidão mas tendo a solidão como companheira mais fiel? Qual é o remédio para a solidão?

Como cristãos, é importante prestarmos atenção a quem sofre, pois, sendo nós membros do Corpo de Cristo, temos o dever fraterno de zelar uns pelos outros, de acolher, amar, cuidar. Quando o pé sofre um corte, não é ele próprio que se aplica remédios, é a mão. Quando a panturrilha sente cãibras, é o pé que se alonga para aliviá-la, com a ajuda da mão, sendo que as costas se vergam para que a mão alcance o pé. O corte no dedo é levado à boca. E quando os músculos e tendões doem é dos olhos que descem as lágrimas.  Como integrantes de um todo, devemos cuidar dos irmãos. Mas que remédio podemos dar a eles?

solidão2Para conseguir auxiliar pessoas adoentadas pela solidão, quem não sofre desse mal precisa, antes de tudo, compreender que solidão não tem a ver com a quantidade de pessoas que te cercam, mas, sim, com a quantidade de pessoas que se preocupam com você. Muitas vezes descobrimos que alguém se sente solitário e nos perguntamos como pode, afinal, ele se relaciona com tanta gente! Chegamos a pensar que é frescura ou necessidade de atenção, pois não compreendemos que não basta ter pessoas em volta. O solitário não é um ermitão, é alguém que, embora viva em comunidade, não tem laços fortes de ligação com ninguém. Ele não sente falta de mais eventos na igreja, mas de alguém lhe diga: “Que saudade, liguei só para saber como você está”.

O solitário geralmente tem a percepção de que, se partisse desta vida, não faria muita falta. Pode até ser uma percepção equivocada, mas não é por ser uma visão distorcida que deixa de ser algo que o machuque. Muitos que olham de fora acham que o problema é culpa do próprio solitário, afinal, por que ele não se enturma? Por que ele não corre atrás? Basta se aproximar das pessoas! Bem, na verdade, correr atrás dos outros não satisfaz a solidão, pois não demonstra um real interesse do próximo. O solitário se sente desimportante na vida dos irmãos e vive uma real necessidade de ser amado e querido. Algo que ele não quer impor, pois precisa que ocorra espontaneamente. Correr atrás das pessoas não é o remédio para a solidão.

Como Igreja, precisamos estar constantemente atentos para os solitários que nos cercam. Devemos identificá-los e amá-los sem hipocrisia. A única forma de fazermos isso é saindo de nossa zona de conforto e indo até eles para buscar conhecê-los em profundidade, descobrir quem eles são e, a partir daí, criar vínculos verdadeiros. Não devemos amar os solitários como um gesto de caridade, “com pena” ou por “obrigação cristã”: precisamos buscar conhecê-los para criar laços verdadeiros de afeto mútuo e passar a amá-los de verdade. Temos de criar as circunstâncias para que eles de fato nos façam falta. Amizades não são apenas aquelas que a vida nos joga no colo, são também as que nos mexemos para construir. Mas, para o solitário, esse movimento partir dele não é um remédio muito eficaz, ele deseja ver interesse que parta das outras pessoas.

solidão3É bastante difícil para alguém que tem muitos amigos sinceros e vive numa atmosfera de amizade perene compreender a solidão. Quem vive imerso em amor não capta com facilidade a intensidade da dor que o solitário sente. O que fazer? Buscar em Deus a resposta. Em sua glória celestial, o Deus que é amor jamais sentiu solidão. Acompanhado, de eternidade a eternidade, pela Trindade santa, o Criador se basta a si mesmo e se complementa, vivendo numa unidade plural e singular que faz de si um ser pleno e absolutamente destituído de carência. No entanto, dos altos céus ele olhou para a humanidade solitária, despida da plenitude de Deus, e desceu à terra, fazendo-se solitário como os solitários, para nos devolver a capacidade de comungar para sempre com aquele que nunca nos deixará sós. E, ao fazer-se como um se nós, o Filho experimentou o gosto da solidão: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mt 27.46), gemeu o Senhor agonizante. Por que Jesus decidiu vivenciar a dor dos solitários? Amor. Puro amor.

Meu irmão, minha irmã, há muitos solitários nas nossas igrejas. Peço a Deus que encha o seu coração do amor que é fruto do Espírito, para que você sinta em si a dor dos solitários e faça algo para cuidar de quem precisa urgentemente de calor humano. É aproximando-se de Deus que você terá discernimento para identificar as vítimas da solidão, frutificará em amor pelos tais e partirá em seu socorro com interesse genuíno. Ao fazê-lo, você estará permitindo que Deus o use para transformar a vida de tantos que precisam desse amor.

Afinal, já entendeu qual é o remédio para a solidão do seu irmão? Se você disse “Deus”… lamento, errou. Deus é o médico que aplica o remédio.  O remédio… é você.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

primeiro amor1É muito conhecida a expressão “voltar ao primeiro amor”. Ela está em Apocalipse 2.4, quando Deus puxa a orelha dos cristãos da cidade de Éfeso por terem “abandonado o primeiro amor”. É interessante que, por causa dessa passagem, é popularmente difundida a ideia de que o “primeiro amor” é o estado ideal e a meta de todo cristão. Que sentir e fazer por toda a vida o que se sentia e se fazia no início da caminhada cristã é o que Jesus espera de todos nós. Particularmente, eu discordo disso. Por estranho que possa parecer, não penso que o primeiro amor seja o estado ideal para todos os cristãos. Para muitos sim, mas não para todos. Acredito mais que, em nossa espiritualidade, devemos procurar viver o “segundo amor”. Esquisito? Permita-me explicar.

Em geral, quando nos referimos a esse “primeiro amor”, o associamos a uma certa empolgação; a um sentimento de busca profunda de Deus; a uma vontade constante de evangelizar, de pensar e agir o tempo todo por Jesus. Sabe aquele sentimento de empolgação que você sente no início de um namoro? Seria mais ou menos a isso que associamos esse estado espiritual mencionado em Apocalipse. Só que, quando analisamos com calma o texto, vemos que não é bem isso o que ele diz.

primeiro amor2Veja: “Conheço as suas obras, o seu trabalho árduo e a sua perseverança. Sei que você não pode tolerar homens maus, que pôs à prova os que dizem ser apóstolos mas não são, e descobriu que eles eram impostores. Você tem perseverado e suportado sofrimentos por causa do meu nome, e não tem desfalecido. Contra você, porém, tenho isto: você abandonou o seu primeiro amor. Lembre-se de onde caiu! Arrependa-se e pratique as obras que praticava no princípio. Se não se arrepender, virei a você e tirarei o seu candelabro do lugar dele” (Ap 2.2-5). Repare que Deus dá ordem para se lembrar “de onde caiu”. No contexto bíblico do processo de queda e restauração do homem, “cair” é um verbo usado como sinônimo de “viver de modo pecaminoso” (cf. 1Co 10.12-13). Se dizemos “fulano caiu”, automaticamente compreendemos que ele está vivendo em pecado e sem arrependimento. Isso é reforçado pelo que é dito a seguir aos cristãos de Éfeso: que, se os membros daquela igreja não se arrependessem, sofreriam consequências. E qual tipo de cristão precisa de arrependimento? Quem pecou.

Se a ideia popularmente difundida for correta, viver uma espiritualidade menos impulsiva, menos empolgada, menos assemelhada a uma paixão de início de namoro seria um pecado que necessita de arrependimento. Só que não é. Ninguém tem seu “candelabro” removido porque tornou-se menos empolgado. Isso ocorre se foram cometidos pecados. Portanto, conclui-se que o problema dos efésios é que estavam em um estado de transgressão e necessitavam de arrependimento, para retornar a realizar “as primeiras obras”, ou seja, as práticas de santidade que faziam parte de sua rotina antes dessa queda. Era uma igreja dedicada, sofredora e apologética – como o texto bíblico descreve com clareza -, mas que estava envolvida em algum pecado.

Entendo, então, que o problema da igreja de Éfeso não era estar vivendo uma vida espiritual menos eufórica – visto que essa interpretação é  incompatível com o que o Senhor fala nos versículos anteriores -, mas estava incorrendo em pecados de que necessitava se arrepender. Não consigo ver o “primeiro amor”, portanto, como um estado de euforia pós-conversão, como muitos apregoam, mas sim o estado de santidade que devemos viver ao longo de toda nossa vida.

primeiro amor3Tendo dito tudo isso, permita-me explicar, então, por que acredito que o “segundo amor” é mais desejável que o primeiro. E aqui o conceito que uso é o popular. Muitos creem, pela interpretação que entendo ser equivocada, de Ap 2.4, que aquela euforia do período imediatamente pós-conversão é o estado ideal de vida espiritual do crente. Não vejo assim. O início da caminhada cristã é uma fase de imaturidade e impetuosidade, ignorância bíblica e limitação teológica. Nessa fase, o cristão responde à graça de Deus, recebe o chamado do Espírito Santo, mas ainda engatinha na fé, bebe leite espiritual, o que é um estado imperfeito, como Hebreus 5.12-14; 1 Coríntios 3.1,2 e 1 Timóteo 3.6 deixam claro. Não é o padrão que Deus deseja para nós. Ele quer cristãos maduros, fortalecidos na Palavra, experientes. Somos convidados a buscar a maturidade espiritual e não a viver eternamente naquele estado inicial de impulsividade, grande emotividade e enormes limitações. Deus quer que fiquemos firmes na rocha, com solidez – não com empolgação.

Façamos uma analogia, por exemplo, com um casamento. Pessoas recém-casadas vivem numa enorme euforia, numa empolgação só, como se a vida a dois fosse uma eterna lua de mel: fazem caminhos de pétalas da porta à cama, preparam as comidas preferidas do cônjuge, deixam bilhetinhos em lugares estratégicos… vivem alegres o conto de fadas. Mas, passados os primeiros anos de casamento, se não foi desenvolvida uma maturidade naquele relacionamento ele vai se desgastar. Virão as necessidades práticas do dia a dia, as contas, a perda do pudor de soltar gases na frente do outro, a mulher descobrirá que o marido ronca, o marido descobrirá que a mulher tem mau hálito de manhã… a magia começa a ser substituída pelo mundo real. E, então, quem dependia do conto de fadas para ser feliz no matrimônio vai se decepcionar, esfriar, viver infeliz, se divorciar. Pois, se aquele “primeiro amor” é o estágio que traz felicidade, lamento informar aos sonhadores: ele não vai durar para sempre.

primeiro amor4Portanto, é o “segundo amor”, o que se solidifica passada a fase dos cuticutis iniciais de um casamento, que vai sustentá-lo. A maturidade. O amor sólido e perene. A capacidade de continuar dando a vida pelo outro pelo resto de seus dias. As gracinhas dos primeiros anos de matrimônio passam. O que permanece é o amor verdadeiro e maduro. Na vida espiritual é igual. O cristão que acha que deve buscar aquele cuticuti inicial com Deus como o modelo de vida espiritual vai viver uma espiritualidade limitada. Vai querer sempre buscar emoções. Ficará insatisfeito quando não sentir nada no culto. Vai se tornar viciado na empolgação que viveu nos primeiros tempos de convertido. Mas Deus procura verdadeiros adoradores e não adoradores empolgados.

Assim, biblicamente, “voltar ao primeiro amor” é o que precisa fazer o cristão que passou a viver na prática do pecado. Ele tem de abandonar suas transgressões, lembrar-se de onde caiu, arrepender-se e voltar a realizar as obras que praticava no início – as boas obras, fruto da fé salvífica. Já o cristão que vive em intimidade com o Senhor e que, apesar de seus pecados, não se conforma com eles e se esforça em viver em santidade, esse deve viver o “segundo amor”. Maduro. Sólido. Consistente. Consequente. Duradouro.

“Esta é a minha oração: Que o amor de vocês aumente cada vez mais em conhecimento e em toda a percepção” (Fp 1.9).

Ao contrário do que diz a música, eu não quero voltar a esse “primeiro amor” que a cultura popular estabeleceu. Quero viver no “segundo amor”. Nas vezes em que eu descarrilei no meio do caminho, não só quis, mas precisei voltar ao primeiro amor. Mas, enquanto estiver nos trilhos, não. Pois desejo que minha vida com Deus seja uma linha ascendente, cada vez com mais intimidade, conhecimento, crescimento e maturidade. Uma evolução. E nunca um retrocesso.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício