Arquivo da categoria ‘Fé’

Medo1O medo está ali, depois da esquina, esperando para pular em nossas costas. A cada passo da vida, tememos. A cada dia, mais e mais medos se acumulam sobre nossa cabeça. Medo do desemprego. Medo da doença. Medo da escassez. Medo da depressão. Medo do abandono. Medo da solidão. Medo da dor. Medo do sofrimento. Medo de assaltantes. Medo da morte. Medo da vida. Medo do medo. Quem nunca sentiu medo que atire a primeira pedra. Ninguém gosta de sentir medo, mas é líquido e certo que ele virá. Será que há algo que possamos fazer? Será que saber que Jesus caminha conosco tem alguma influência?

Difícil, não é? As contas chegam, como não temer a falta de dinheiro? O médico faz aquela cara séria quando recebe o nosso exame, como não temer as dores que virão? O marido diz que precisam conversar, como não temer o divórcio que desponta no horizonte? O filho chega com as roupas cheirando a fumaça, como não temer que esteja dependente de algum vício? O medo está salivando, esperando a próxima situação difícil para gargalhar em nosso rosto com seu hálito fétido e cravar as unhas em nossa pele.

Medo2Diante do medo, um animal pode reagir de três maneiras diferentes: fugir, lutar ou paralisar. Se você foge, corre o risco de ser alcançado pelo problema. Se luta, pode perder o embate e sucumbir. Se paralisa, as mandíbulas se fecharão sobre você. Então o que fazer? Bem, veja por outro ângulo. Se foge, pode ser que consiga escapar. Se luta, pode ser que consiga vencer. E, se paralisa, pode ser que seja confundido com o ambiente e escape do ataque. Vemos, então, que cada reação pode gerar resultados diametralmente opostos. O que fazer?

Jesus enfatizou demais que não deveríamos ter medo. Os evangelhos listam 125 ordens que Cristo pronunciou. Dessas, 21 são “Não tenham medo”, “não temam”, “sejam corajosos” ou “tenham bom ânimo”. O segundo mandamento mais presente, que nos insta a amar a Deus e ao próximo, é mencionado oito vezes. Assim, a declaração que Jesus faz mais que qualquer outra é esta: não tenha medo. Acredito que ele sabia o que estava dizendo. Repare as palavras da vida:

“O Senhor é bom, um refúgio em tempos de angústia. Ele protege os que nele confiam” (Na 1.7).

“Aquele que habita no abrigo do Altíssimo e descansa à sombra do Todo-poderoso pode dizer ao Senhor: ‘Tu és o meu refúgio e a minha fortaleza, o meu Deus, em quem confio’” (Sl 91.1-2)

“Descanse somente em Deus, ó minha alma; dele vem a minha esperança. Somente ele é a rocha que me salva; ele é a minha torre alta! Não serei abalado! A minha salvação e a minha honra de Deus dependem; ele é a minha rocha firme, o meu refúgio. Confie nele em todos os momentos, ó povo; derrame diante dele o coração, pois ele é o nosso refúgio” (Sl 62.5-8)

Medo3A verdade é que não importa se você foge, luta ou paralisa. O que importa é agir tendo Jesus ao seu lado, como seu refúgio, sua fortaleza, a esperança em todos os momentos. Pedro temeu e, por isso, começou a afundar nas águas bravias do mar da Galileia, até que uma mão divina o segurou e o puxou para fora do medo. “Mas, sentindo o vento forte, teve medo; e, começando a ir para o fundo, clamou, dizendo: Senhor, salva-me! E logo Jesus, estendendo a mão, segurou-o, e disse-lhe: Homem de pouca fé, por que duvidaste?” (Mt 14.30-31). Não duvide. Porque, se o medo puxa você para baixo, Jesus o sustém. Se o medo pula em suas costas, Jesus o arranca. Se os medos cravam as unhas em sua carne, Jesus os espanta. Jesus é segurança. Ele é o sorriso de conforto em meio à angústia. É a mão que nos ergue quando as pernas fraquejam. É o pão que sacia a fome. É a água que nos revigora no deserto. Jesus é a paz. Jesus é o porvir. Jesus é a resposta.

Você está sentindo medo neste exato momento? Está envolvido em uma situação sobre a qual não tem controle? As pedras voam em sua direção e você já sofre em antecipação ao impacto? A dor é grande? O que virá é incerto? Só vê sombras no futuro? Está com medo?

Então grite em um sussurro: “Jesus, filho de Davi, tem misericórdia de mim…”. Ele ouve, meu irmão, minha irmã. O Criador dos céus e da terra sabe quem você é e cada segundo da sua vida está diante dos olhos do seu Salvador. Ele planejou sua vida, o semeou no ventre de sua mãe, formou o seu corpo, soprou fôlego em suas narinas, o tomou pela mão no berço, o conduziu pela vida, o amou intensamente a cada instante da sua jornada. Por que você acha que neste momento ele o abandonaria? Não. Ele conhece o seu medo. E ele diz: “Não tenha medo”. Não é uma frase feita, um jargão para fazê-lo relaxar sem a certeza de que o alívio virá. Jesus não faz assim. Se ele diz para você não temer é porque ele dá garantias.

cruz“Não tenha medo” em nossos lábios humanos é uma esperança. Mas nos lábios que beberam o cálice da cruz é uma promessa e uma certeza: “Não tenha medo. Pois eu sei. Eu controlo. Eu domino. Em governo. Eu reino. Eu mando. Eu estou com você todos os dias, até o fim dos tempos”. Na cruz, ele derrotou o pecado. A morte. O inferno.

E o medo.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Eu matei um homem1Vivemos uma contradição muito interessante. Somos cristãos, o que significa que abraçamos a religião da graça (pois o cristianismo é a única crença religiosa do planeta em que a salvação não depende do homem, mas de Deus, que age movido por amor e compaixão). Por outro lado, temos uma forma de enxergar os erros do nosso próximo de forma quase implacável. Quanto mais fios brancos nascem na minha cabeça, mais claramente percebo o coração extremamente perdoador do Senhor em oposição ao coração pouco perdoador dos homens. Em nome do amor a Deus sobre todas as coisas acabamos por não amar nada o próximo como a nós mesmos. Diga, por favor, se estou errado: muitas vezes você admira um certo cristão e, no dia que descobre que ele cometeu um pecado considerado grave, passa a não enxergá-lo mais do mesmo modo. Deus pode tê-lo perdoado décadas atrás, mediante seu arrependimento, mas, ainda hoje, sussurramos sobre aquele pecador num tom nada gracioso. Não é o que acontece? A questão é que, se agimos dessa maneira, não nos conformamos à imagem de Cristo e procedemos com nosso próximo de maneira nada diferente do mundo. Decidi conduzir você à reflexão sobre isso de um modo extremamente doloroso para mim. Se está lendo este blog, é porque você enxerga em quem aqui escreve algum tipo de virtude cristã. Então tomei a decisão de confessar publicamente um pecado hediondo que cometi, e gostaria de ver se, diante disso, você continuará lendo o APENAS, se deixará de ser assinante do blog, se passará a ver o que escrevo com desconfiança. Acredite, não é nem de longe fácil para mim expor esse meu pecado, mas, se vai ajudar a levar você a uma meditação que o fará aproximar-se mais do modo divino de ser e o tornará um praticante mais ativo da graça… vale a pena.

Pois bem, a verdade é que eu já matei uma pessoa.

É muito difícil expor isso. Por motivos óbvios, não saio por aí dizendo às pessoas que cometi esse crime, que me marcará para o resto de meus dias. Levarei essa marca na alma até o dia de minha morte, pois cometi o chamado homicídio culposo – o que é cometido sem a intenção de matar. Fato é que um homem deu seu último suspiro porque o assassinei, e ter ou não a intenção original não muda este fato: eu tirei a vida de um ser humano. Se eu dissesse isso de cara, possivelmente você não leria um único post deste blog, pois eu me tornaria um desqualificado para falar das coisas de Deus, minha única definição aos seus olhos seria assassino.

Eu matei um homem0Estou usando de uma sinceridade que, acredite, não é nada fácil para mim. Seria mais conveniente continuar mantendo esse crime do meu passado oculto e seguir falando e escrevendo sobre as coisas de Deus sem que você visse em mim o que realmente sou – um assassino. Confessar isso pela internet exige muito, me faz sofrer, traz lágrimas aos meus olhos. Mas senti que chegou a hora de abrir esse pecado. Em troca, tudo o que peço é que você use da mesma sinceridade e diga: saber disso muda a forma como você me vê? Saber que pequei contra o sexto mandamento me desqualifica aos seus olhos? Até que ponto você é capaz de me ver como um igual tendo conhecimento de que levei um ser humano à morte? Em que medida consegue enxergar o perdão de Deus sobre a minha vida e continuar a ler o que escrevo sem passar a ver minhas palavras como água que brota de uma fonte contaminada, estragada? E – o mais importante de tudo – o que a percepção sobre a forma como você passará a me ver a partir da leitura deste texto levará a você a pensar, à luz da Bíblia, sobre a graça que existe no seu coração?

Muita coisa aconteceu depois que tirei a vida daquele homem. Fui restaurado, pequei de novo, me arrependi de novos erros, pequei novamente e sigo nessa caminhada – transgredindo, acertando, escorregando, me levantando, me esforçando para não errar mais. Mas nada apagará o fato de que um ser humano foi morto pela minha mão. Agora você entende por que poucas coisas me entristecem tanto como ver irmãos em Cristo agindo de modo impiedoso com pecadores arrependidos – pois eu mesmo sou um pecador arrependido. Mais ainda: um terrível pecador arrependido.

A falta de entendimento bíblico sobre a graça, a misericórdia e o perdão gerou uma situação tão grave que muitos não perdoam nem a si mesmos, por causa de erros que cometeram no passado – embora Deus já os tenha perdoado. Outros tantos não conseguem estender perdão àqueles que pecaram. Como um pecador perdoado, não tenho como não me entristecer ao ver tanta gente imperfeita enterrando tanta gente imperfeita. Desqualificando. Segregando. Pondo o dedo no nariz. Acusando. É por isso que, de vez em quando, volto no APENAS ao tema do perdão – pois, apesar de ser um dos fundamentos do evangelho, graça é algo tão pouco posto em prática em nossos dias. Tão pouco…

Eu matei um homem00Devemos odiar o pecado com todas as nossas forças, não nos conformar com ele, pregar contra ele, exortar os irmãos que sabemos estar praticando pecados dos quais não se arrependem. É o que a Bíblia manda e ponto final. Mas também devemos odiar a impiedade hipócrita daqueles que só sabem acusar e não enxergam a trave do tamanho de um campo de futebol que ostentam em seus olhos. O pecado me enoja. Meu pecado me enoja. Mas também me enoja a postura que costumo chamar de “nazismo espiritual”: gente que, em defesa da santidade, esquece as próprias iniquidades e promove uma “limpeza étnica”, pondo aqueles que considera “mais pecadores” do que si mesmos (isso existe?) em um gueto de impiedade, num campo de concentração de acusações,  num paredão de falta de misericórdia, numa câmara de gás de falta de graça. Até acredito que fazem isso com boas intenções, por falta de instrução bíblica ou de amor, mas não podemos deixar isso passar sem nos esforçarmos por levá-los a ver como Cristo vê.

Jesus mesmo disse, “Portanto, eu lhe digo, os muitos pecados dela lhe foram perdoados; pois ela amou muito. Mas aquele a quem pouco foi perdoado, pouco ama” (Lc 7.47). Eu  sei que meus muitos pecados foram perdoados e por isso minha gratidão ao Senhor não tem fim. Sei que o assassinato que cometi não pesa mais sobre mim, por isso banho os pés de Cristo com minhas lágrimas e os enxugo com meus cabelos. Mas, infelizmente, sou obrigado a conviver diariamente com a triste visão de irmãos em Cristo que odeiam a graça e amam pisar em pecadores. Uma igreja formada por gente assim não é a que vai morar no céu. É humana, carnal, pecadora e – literalmente – des… graçada.

Eu matei um homem2Por favor, faça uma análise de suas atitudes. Como você age quando sabe que um irmão cometeu um pecado que o escandaliza, mas do qual se arrependeu? Compare sua postura com a que acredita que Jesus teria. Seria a mesma? Precisamos estudar mais sobre o que a Bíblia fala sobre o perdão, a misericórdia, a graça. Temos urgentemente de compreender a razão de Jesus ter encarnado e se oferecido na cruz. É indispensável olhar para o Cordeiro pendurado no madeiro e sempre, sempre, sempre perceber que, ao lado dele, há um bandido arrependido ouvindo dos lábios do Salvador: “Eu lhe garanto: Hoje você estará comigo no paraíso” (Lc 23.43).

Resgate pecadores, não os afunde ainda mais na lama. Ame pecadores, assim como o Senhor ama você, pecador. Eu me tornei uma pessoa muito mais graciosa no dia em que percebi – em meio à minha própria impiedade agressiva, miserável e sem misericórdia – que não sou melhor do que ninguém. Você é?

Confesso publicamente: eu matei um homem. Sou um assassino. Ele perdeu a vida por minha causa. Seu nome é Jesus de Nazaré.

A boa notícia é que ele ressuscitou e nenhuma condenação há para aqueles que nele estão. Uma Páscoa abençoada para você, que matou a mesma pessoa que eu.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Misericordia1Um homem matou a facadas a tia, o primo e a prima de 12 anos. Esta última com 30 punhaladas. Preso, o triplo assassino caiu em lágrimas durante o interrogatório, confessou o crime e falou que simplesmente não sabia por que tinha feito aquilo. Ouvi quando ele disse “eu não quero ser preso, porque, senão, vou morrer na prisão e vou para o inferno. E não quero arder no fogo do inferno!”. Que cena. Que tragédia. Que tristeza. Mas houve algo que me chamou a atenção em meio a tudo isso. Assim que, aos prantos, ele fez essas afirmações, a delegada responsável pelo caso disparou um comentário: “Ele não teve misericórdia e agora quer que tenham misericórdia dele, que absurdo…”. Peraí. Há algo estranho com essa frase. Uma contradição que ficou martelando em minha cabeça. Reflitamos um pouco sobre misericórdia, um dos conceitos mais fundamentais da fé cristã.

Não vou entrar pelo mérito daquele crime em si. Foi tão abominável que dispensa comentários. Mas a questão da misericórdia bateu em meu peito como 30 facadas. Repare bem as palavras da policial. Ela está condicionando o recebimento de misericórdia à prática de misericórdia. Em outras palavras, “é dando que se recebe”. Só que esse pensamento contraria frontalmente o evangelho, conforme disse o próprio Jesus: “Há maior felicidade em dar do que em receber” (At 20.35). Aquela delegada não compreende o sentido de misericórdia – nem de longe.

Também conhecida como “compaixão” ou “piedade”, misericórdia significa dar a alguém algo que não merece. É o contrário de “justiça”, que é dar a alguém algo que merece. Cristo deu exemplos contundentes do que isso significa. Veja o caso da mulher adúltera. Pela Lei judaica, ela deveria ser apedrejada até a morte. Isso seria justo. Era o que ela merecia. Mas Jesus preferiu não agir com justiça, mas com misericórdia, e deu a ela o que aquela mulher não merecia: “Eu também não a condeno. Agora vá e abandone sua vida de pecado” (Jo 8.11). Sim, Jesus foi misericordioso e a perdoou. Foi magnânimo. Foi divino. E não só pregou de púlpito sobre misericórdia: ele agiu conforme pregou.

Outro exemplo de Cristo é a parábola do servo impiedoso (repare no termo, “impiedoso”, ou seja, “sem piedade”, “sem misericórdia”). Sei que você já a leu inúmeras vezes, mas, se puder, por favor, leia novamente: Misericordia2“Então Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou: ‘Senhor, quantas vezes deverei perdoar a meu irmão quando ele pecar contra mim? Até sete vezes?’ Jesus respondeu: ‘Eu lhe digo: Não até sete, mas até setenta vezes sete. Por isso, o Reino dos céus é como um rei que desejava acertar contas com seus servos. Quando começou o acerto, foi trazido à sua presença um que lhe devia uma enorme quantidade de prata. Como não tinha condições de pagar, o senhor ordenou que ele, sua mulher, seus filhos e tudo o que ele possuía fossem vendidos para pagar a dívida. O servo prostrou-se diante dele e lhe implorou: ‘Tem paciência comigo, e eu te pagarei tudo’. O senhor daquele servo teve compaixão dele, cancelou a dívida e o deixou ir.

“Mas quando aquele servo saiu, encontrou um de seus conservos, que lhe devia cem denários. Agarrou-o e começou a sufocá-lo, dizendo: ‘Pague-me o que me deve!’ Então o seu conservo caiu de joelhos e implorou-lhe: ‘Tenha paciência comigo, e eu lhe pagarei’. Mas ele não quis. Antes, saiu e mandou lançá-lo na prisão, até que pagasse a dívida. Quando os outros servos, companheiros dele, viram o que havia acontecido, ficaram muito tristes e foram contar ao seu senhor tudo o que havia acontecido. Então o senhor chamou o servo e disse: ‘Servo mau, cancelei toda a sua dívida porque você me implorou. Você não devia ter tido misericórdia do seu conservo como eu tive de você?’ Irado, seu senhor entregou-o aos torturadores, até que pagasse tudo o que devia. Assim também lhes fará meu Pai celestial, se cada um de vocês não perdoar de coração a seu irmão’” (Lc 18.21-35).

Claro como água. O trecho central da parábola é este: “O senhor daquele servo teve compaixão dele, cancelou a dívida e o deixou ir”. A justiça era cumprir a lei, vender os parentes do devedor como escravos e pegar o dinheiro. Justo. Mas aquele senhor não fez isso. Antes, teve compaixão dele. E, com isso, cancelou a dívida e o deixou ir. Isso é misericórdia: cancelar a dívida.

Misericordia3Quando eu e você fomos chamados pela graça de Deus, ele cancelou nossa dívida. Zero. Misericórdia em ação. A justiça exigia que eu ardesse no fogo do inferno, como aquele triplo assassino lembrou muito bem. Você também. Toda a humanidade, sofrendo pela eternidade distante do Criador. Mas, então… um Cordeiro é agarrado, surrado, cuspido, humilhado e levado ao matadouro. Ali, o holocausto oferecido numa cruz pinga sangue. E quando sai da sepultura, a terra treme com um som que diz: “Recebam minha misericórdia!”.

Ao contrário de Cristo, hoje muitos cristãos pregam sobre piedade mas não a vivem em suas vidas. Amam a misericórdia da boca para fora, mas não a praticam em suas ações. Agem exatamente como aquela delegada.

O grande erro daquela policial foi crer que misericórdia é algo que se merece. É exatamente o contrário. Misericórdia só existe quando não há absolutamente nenhum merecimento. Aquele assassino cruel vai cumprir a justiça humana e ficará preso, possivelmente até o fim de sua vida. Ele merece isso. É justo. Mas, se, em algum momento dos anos que lhe restam, o homem que chacinou a própria família sem misericórdia alguma vier a ser tocado pela graça do Cordeiro, prostrar seu espírito de joelhos e pedir a Deus perdão sincero pelos seus pecados… ele alcançará misericórdia. E irá para o céu.

Vivemos dias em que há tanta iniquidade ao redor que o nosso senso de justiça clama por punição. Só que repare uma coisa: Jesus não disse “bem-aventurados os justos”, tampouco “bem-aventurados os que cumprem a lei”. Ele afirmou: “Bem-aventurados os misericordiosos” (Mt 5.7). Essa ênfase não quer dizer, é claro, que justiça e o cumprimento da lei não importam. Claro que importam. São fundamentais e indispensáveis. Mas, se o Senhor enfatizou a misericórdia, isso nos leva a uma reflexão. Será que ela não tem mais peso? Será que ela não recebeu essa menção especial porque Deus a considera especial? “Desejo misericórdia, e não sacrifícios” (Os 6.6), diz o Senhor.

Acredito que Deus ama os justos. Mas ouso especular que ele tem um olhar diferente sobre os misericordiosos.

Sejamos bem-aventurados. Tenhamos um coração mais perdoador, compassivo, piedoso, misericordioso. Essa, meu irmão, minha irmã, é a única forma de termos um coração como o de Jesus.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

erosao1Um câncer começa com uma única célula defeituosa. Um vírus microscópico é capaz de tirar uma vida. Cupins menores do que uma unha conseguem destruir toda uma casa. Uma pitada de veneno mata. Um punhado de grãos de cocaína são suficientes para causar uma overdose letal. Bactérias ínfimas provocam estragos monstruosos. Tudo isso são exemplos de que não é preciso algo ser grande para gerar enormes danos. Em nossa vida espiritual não é diferente: muitas vezes são os “pequenos pecados” que acabam nos conduzindo a grandes quedas – isto é, justamente os pecados que não consideramos muito problemáticos é que poderão acabar nos afastando de Deus. Uma onda do mar não destrói uma rocha. Na verdade, parece ter pouco efeito sobre ela. Mas ponha uma onda, após outra, após outra. Adicione tempo. Em alguns séculos você terá um buraco naquele pedaço de granito sólido e aparentemente impenetrável. É o processo chamado erosão. Nossa alma também pode ser vítima da erosão do pecado.

A Bíblia nos alerta para sempre vigiarmos, em oração. E de fato fazemos isso. Tomamos precauções contra muitos pecados e até que nós saímos bem. Evitamos andar nos becos escuros das grandes tentações, pois sabemos que ali há transgressões aguardando por nós atrás de cada poste. Mas nos expomos em plena luz do dia aos “pequenos pecados”.

erosao2Começamos praticando o que consideramos que são delitos menores, aparentemente insignificantes. É a “mentirinha branca”, por exemplo, aquela que “não faz mal a ninguém”. Ou somos só um pouquinho agressivos com aquele vendedor de telemarketing que nos irrita ligando no sábado. Que mal faz, afinal? Olhamos de cara feia para o cidadão no ônibus que passou de qualquer maneira e esbarrou na gente. Topamos não pedir nota fiscal do serviço que nos é prestado, desde que o preço cobrado seja mais baixo, assim todos saem ganhando! Fazemos aquela fofoquinha santa da irmã, porque, bem, não chega a ser maledicência, né, é só um comentariozinho de nada. E por aí vai. Ficamos descansados, achando que nada disso representa algo demais.

Só que “Um abismo chama outro abismo” (Sl 42.7). O que acontece é que os pequenos delitos, os “pecadinhos que não fazem mal a ninguém”, acabam nos acostumando ao pecado. Nos insensibilizam à transgressão. E, com isso, passamos a ver a desobediência a Deus como algo que não nos enoja mais. Algo “aceitável”.

erosao0Por que você acha que Jesus disse que não deveríamos nem ao menos chamar alguém de “tolo”? Porque as desavenças nos acostumam ao ódio e, dentro de algum tempo, dar um tiro em alguém não será algo tão mau assim. Por que você acha que Jesus disse que se olhássemos para alguém com desejo no coração já estaríamos adulterando? Porque a cobiça dos olhos dentro de algum tempo nos acostuma ao delito e daqui a pouco deitar-se com alguém não soa tão grave assim. Em outras palavras, a ética de Cristo estimula você a cortar todo mal pela raiz, ela é preventiva e mostra que não existe pecado “menos grave” que outro. Hoje você dá propina no trânsito; amanhã no Congresso Nacional.

Estava pensando: será que o primeiro pecado de Satanás foi a rebelião contra Deus, já no ato do “golpe de estado” que tentou dar? Não posso afirmar, pois a Bíblia não afirma, mas eu acredito que ele deve ter alimentado pecados – se não na prática – pelo menos no seu coração por muito tempo. O motim foi o clímax. Não acredito que ele foi para a cama como um querubim magnífico e sem mancha e acordou dizendo “Acho que hoje vou me insurgir contra Deus”. Muito difícil crer nisso. Especulo que tenha sido um longo processo, talvez pontuado por algumas transgressões que ele considerava “menores”. Claro, isso tudo é puro fruto da minha imaginação, mas me faz todo sentido.

Cuidado com os pecados que lhe parecem insignificantes. Eles não são. “Pecadinhos de nada” têm o poder de uma bomba atômica. E eles vão fazer você se acostumar com o ato de pecar. Uma vez que transgredir naquilo que você considera inofensivo se torna uma prática tranquila aos seus olhos, você não vai parar quando se deparar com algo que entende ser mais grave. Simplesmente porque desobedecer Deus virou algo comum.

erosao00Não permita que isso ocorra. Convido você a refletir sobre os seus “pequenos delitos”, aqueles a que não presta muita atenção, que não o incomodam tanto assim. E o estimulo enfaticamente a abandonar a prática desse delito. Ele não é insignificante. É maligno. É destrutivo. Cam não achou que rir do pai bêbado era algo muito problemático. Adão e Eva devem ter pensado que, ora bolas, era apenas uma frutinha. Davi possivelmente se convenceu de que “ah, será só um recenseamento”. Saul talvez tenha suposto que somente um sacrifício sem a presença do profeta não seria lá grande coisa. Deu no que deu.

Você pode se considerar uma rocha de santidade. Talvez creia que está tão alerta contra as tentações que nada vai te alcançar. Mas as ondas estão batendo. A erosão está destruindo as suas defesas contra o pecado. Se você não tomar uma providência agora mesmo… a montanha inteira pode vir abaixo.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Ganho1A época em que vivemos é a era do ganho. Nossa sociedade é capitalista, materialista, consumista e existencialista. Se você não entende algum desses conceitos, basta compreender o que está no centro de todas essas filosofias de vida: o eu. O meu. O que posso ganhar. O lucro pessoal. O benefício próprio. Os nossos tempos estimulam um individualismo exacerbado, que nos arrasta como um carro de Fórmula 1 pelas ruas pedregosas da vida. Acabamos destroçados pela necessidade de ganhar, ganhar, ganhar. Só seremos vistos como pessoas bem-sucedidas se ganharmos muito dinheiro, ganharmos o coração do menino mais cobiçado, ganharmos um cargo de destaque na igreja, ganharmos uma cobiçada vaga de emprego, ganharmos status, ganharmos títulos, ganharmos celebridade, ganhar, ganhar, ganhar! Somos levados pelo mundo ao nosso redor a crer que a vida é uma grande competição, em que ganhar diariamente (seja lá o que for) é a grande razão de estarmos sobre a terra. Mas não é isso o que a Bíblia nos ensina.

É fácil reparar como essa forma de ver a vida invadiu a igreja e tomou conta de nós, do mesmo modo que um câncer se espalha silenciosamente por nossos organismo. A maior prova disso é que nossa caminhada de fé tornou-se permeada pelo conceito de vitória. E só tem vitória quem triunfa, vence… ganha. “A vitória é tua!”, dizemos aos irmãos. “Deus, nos dê a vitória!”, oramos. “Faça tal campanha na igreja e Deus te dará a vitória!”, mentimos. Falamos mais a palavra “vitória” em nossas orações e nos cultos do que “Jesus”. Parece que, para muitos de nós, uma vida sem “vitória” é uma vida sem fé, sem bênção, sem a presença do Senhor. Em outras palavras, cremos que, se não ganhamos diariamente, nossa espiritualidade é mirrada, raquítica.

Para cumprir a vontade de Deus, Abraão perdeu a terra Natal e a parentela; Jó perdeu tudo o que tinha; Moisés perdeu a pacata vida de pastor; Jeremias perdeu a paz; Noé perdeu o respeito dos vizinhos; Paulo perdeu tudo aquilo em que cria; João perdeu a liberdade; Raabe perdeu sua cidade; Jesus perdeu a própria vida. A lista de personagens da Bíblia que perderam muito nesta vida é gigantesca. Mas, na gramática de Deus, perder por amor a ele é ganhar para a vida eterna.

Martir“Mulheres receberam, pela ressurreição, os seus mortos. Alguns foram torturados, não aceitando seu resgate, para obterem superior ressurreição; outros, por sua vez, passaram pela prova de escárnios e açoites, sim, até de algemas e prisões. Foram apedrejados, provados, serrados pelo meio, mortos a fio de espada; andaram peregrinos, vestidos de peles de ovelhas e de cabras, necessitados, afligidos, maltratados (homens dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos, pelos montes, pelas covas, pelos antros da terra. Ora, todos estes que obtiveram bom testemunho por sua fé não obtiveram, contudo, a concretização da promessa, por haver Deus provido coisa superior a nosso respeito, para que eles, sem nós, não fossem aperfeiçoados” (Hb 11.35-40). Essa parece uma lista de “vitoriosos”? Ou parece mais a descrição de gente que sofreu perdas enormes? Tenha a certeza de que foram perdas que resultaram num ganho muito superior – por ser um ganho eterno e não terreno. É impossível viver para Deus sem perder para si.

“Quem ama a sua vida perde-a; mas aquele que odeia a sua vida neste mundo preservá-la-á para a vida eterna” (Jo 12.25), disse Jesus. Ele afirmou, ainda: “Quem acha a sua vida perdê-la-á; quem, todavia, perde a vida por minha causa achá-la-á” (Mt 10.39). E, nesta era em que somos instigados a ganhar o mundo inteiro, precisamos ouvir as palavras do Mestre a seus discípulos: “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me. Porquanto, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por minha causa achá-la-á. Pois que aproveitará o homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?” (Mt 16.25-26).

Se não temos de ganhar o mundo inteiro, o que, afinal, precisamos ganhar? Paulo responde: “O que, para mim, era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo. Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo” (Fp 3.7-8).

Cristo. Eis o que precisamos ganhar. Pois, como disse Paulo, “para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro” (Fp 1.21). São o Rei, seu reino e sua justiça que devemos buscar antes de tudo mais, sabendo que, assim, tudo mais nos será acrescentado.

E como se ganha Cristo?

cruzPerdendo. Abrindo mão de si. Perco prazeres terrenos a fim de ganhar Cristo. Perco oportunidades, porém fraudulentas, a fim de ganhar Cristo. Perco o casamento com aquele partidão que não é cristão a fim de ganhar Cristo. Perco aquele negócio da China, mas que exigiria liberação de propina, a fim de ganhar Cristo. Perco a fama e deixo outros brilharem a fim de ganhar Cristo. Perco dinheiro justo que eu deveria receber, para não escandalizar a igreja, a fim de ganhar Cristo. Perco respeito de quem considera minha fé uma fábula e minhas crenças, fanatismo, a fim de ganhar Cristo. Perco a vingança e dou a outra face a fim de ganhar Cristo. Perco o emprego em que teria de me corromper, a fim de ganhar Cristo. Perco o que desejo a fim de ganhar Cristo. Perco minha felicidade a fim de ganhar Cristo. Perder, perder, perder.

Mas o que ganhamos por essa perda, acredite, vale a pena.

O que você está disposto a perder a fim de ganhar Cristo? É a resposta a essa pergunta que vai determinar quem vem em primeiro lugar na sua vida. Será você mesmo? Ou Jesus? Suas ações responderão. E Deus estará bem atento a elas.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Campo2Um dos conceitos mais falados na igreja mas menos compreendidos é o de avivamento. Há muitas ideias erradas sobre o que isso significa exatamente – como, por exemplo, o pensamento de que uma igreja avivada é aquela com muito barulho ou muito movimento. E não é nada disso. Para compreendermos exatamente o que avivamento significa, precisamos analisar muito bem o que esse fenômeno envolve. Não vou listar aqui histórias de avivamentos ou coisa parecida. Não desejo falar de “Pecadores nas mãos de um Deus irado”, de John Wesley ou de George Whitefield. Tampouco quero discorrer acerca dos grandes despertamentos da era moderna, muito menos do que ocorreu na rua Azuza ou em Pensacola. Se você quiser se aprofundar no tema, recomendo que leia o excelente livro “O Verdadeiro Avivamento”, de John Armstrong (editora Vida) – a meu ver, o melhor já publicado no Brasil sobre o assunto. O meu objetivo neste texto é apenas fazer uma síntese de como enxergo o fenômeno do avivamento cristão e as principais consequências disso para a sua vida.

A primeira pista está no próprio nome. A maioria de nós entende “avivamento” como “o ato de tornar vivo”. Ou seja, pegar algo morto e avivar, dar vida. Só que essa não é a única definição. O dicionário explica que “avivar” também é “dar vivacidade a algo”, “tornar mais vivo”, “renovar”.

Campo1Então, “avivamento” não se refere somente a dar vida a algo morto. Se isso fosse verdade, avivamentos espirituais viriam apenas sobre o mundo – que está morto em seus delitos e pecados – e não sobre a Igreja. Só que avivamentos acontecem justamente no Corpo de Cristo. Portanto, o conceito essencial de avivamento cristão é “dar vivacidade à Igreja”, “tornar a Igreja mais viva”. Assim, uma igreja que precisa de avivamento é aquela que está viva por estar enxertada na Videira mas que se encontra sem vivacidade – isto é, sem fulgor, energia, vigor.

A morte do mundo é não ter Deus. A “morte” no seio dos cristãos é viver como se não tivesse Deus.

Todo cristão crê que Deus existe. Mas daí a viver como se ele existisse… a distância é enorme. Eu posso crer que Jesus é meu Senhor e Salvador mas isso não ter consequência alguma na minha vida. Seja franco e olhe ao redor: você não vê isso acontecer aos montes? Assim, creio em Cristo mas vivo pecando sem me arrepender; amo ao Senhor sem compartilhar esse amor com os perdidos; valorizo a oração mas não tenho uma vida de oração; carrego a Biblia para cima e para baixo mas jamais estudo o texto sagrado; sei da importância do próximo mas não faço nada por ele… enfim, a perda de vivacidade do cristão ocorre não no que tange à perda da salvação, mas sim a um relacionamento tão mirrado com Deus e o próximo que o indivíduo torna-se espiritualmente esquelético. Pele e osso.

Campo3A imagem que vem à minha mente quando penso no cristão que precisa de um avivamento é a dos sobreviventes dos campos de concentração nazistas na 2a Guerra Mundial. Olhe para as fotos daqueles homens e mulheres raquíticos e me responda, sinceramente: parecem pessoas plenamente vivas ou sem nenhuma vivacidade… mortas em vida? Quase zumbis?

Aqueles homens e mulheres estavam vivos, o ar entrava em seus pulmões e o sangue circulava por suas artérias, mas… encontravam-se sem vida. Apáticos. Acordavam de manhã sem propósitos. Sobreviviam, sem viço e sem vigor. Compreende o que quero dizer? Do que aqueles sobreviventes do holocausto precisavam assim que foram resgatados dos campos de concentração? De vida. Ser avivados.

Ou seja: avivamento.

Aqueles esqueletos ambulantes saíram do cativeiro famintos e sedentos, desesperados por comer e beber e, assim, nutrir seu corpo. De igual modo, cristãos espiritualmente esqueléticos que são tocados pelo Espírito Santo tornam-se famintos e sedentos de Deus, desesperados por ter mais e mais do Senhor.

Campo4Cristãos sem fulgor, energia e vigor são como pessoas anoréxicas: estão extremamente desnutridas mas não se dão conta disso. É quando chega o avivamento: Deus os toca sobrenaturalmente e desperta neles uma fome incontrolável, que antes não sentiam – e fome de Deus: avivamento leva cristãos a buscar desesperadamente nutrição espiritual. De forma prática, avivamento leva você ao joelho, numa busca ávida por relacionamento com o Senhor. Também faz com que mergulhe nas páginas das Escrituras, numa sede gigantesca por conhecer mais e mais do Criador. Desperta no seu coração um amor sem tamanho pelos perdidos, que conduz invariavelmente ao compartilhamento ousado de Cristo – evangelismo. Avivamento também acende em sua alma o fogo do amor ao próximo e o leva a atos de devoção, entrega e caridade.

Em outras palavras, o cristão avivado é o que deseja relacionar-se sempre e mais com Deus, e que transborda de amor pelo próximo.

Campo5Infelizmente, muitos de nós acreditam que avivamento é quando a congregação começa a fazer muito barulho, berrar em línguas estranhas, ficar gritando “glória a Deus” e coisas do gênero. Não é nada disso – e falo como pentecostal. Tente visualizar aqueles esqueléticos sobreviventes dos campos de concentração, sedentos e famintos por algo que lhes dê vida e, de repente, começam a rodopiar, saltar, pular e gritar. Isso os faria ter mais vida como? Acreditar que devolver a vivacidade a alguém é fazer com que ele fique gritando e pulando é não compreender o significado de “vida”. Precisamos compreender que o avivamento cristão é o surgimento sobrenatural de uma necessidade desesperada e incontrolável por se relacionar com Deus e se aproximar dele numa intimidade inédita até então. E o Senhor não é surdo: podemos fazer isso sem barulho. Pois relacionamento com barulho é relacionamento, mas barulho sem relacionamento é só barulho.

Eu disse no início do texto que “o conceito essencial de avivamento cristão é dar vivacidade à Igreja”. Ou seja, é uma manifestação interna, que brota no Corpo de Cristo. Mas há um detalhe: quando o avivamento ocorre, a vida passa a fluir com tanto vigor e força pelas veias dos cristãos avivados que torna-se impossível conter tanta presença divina dentro das paredes da igreja. Portanto, sempre que ocorre avivamento, a vida transborda para fora e acaba levando a muitas conversões. Sim, essa é outra marca de um avivamento cristão real: salvação em massa. Centenas, milhares de pessoas sendo alcançadas pela graça salvadora de Cristo. Se você ouve dizer que em certo lugar está havendo um avivamento mas não há conversões de pecadores, pode ter certeza de que não é avivamento. Olhe para as imagens dos sobreviventes dos campos de concentração. Você consegue imaginar esses seres humanos gerando novos seres humanos? Se eles mal têm disposição para manter a si mesmos em pé, quanto mais gerar novas vidas. Como uma mulher que é pele e 0sso conseguiria nutrir por nove meses um feto, se mal tem vida para si? E como amamentar um bebê, se não tem nutrientes? Mas, uma vez que essas pessoas forem nutridas, alimentadas, saciadas, aí sim terão energia e forças para gerar novas vidas. De igual modo, a igreja avivada gera muitos filhos. E, desse modo, cresce.

Haveria muito mais a dizer sobre avivamento. Mas esta é a essência: avivamento cristão é a busca desesperada por relacionamento com Jesus de Nazaré. É a injeção caudalosa de Deus nas veias de almas apáticas, improdutivas e espiritualmente esqueléticas. É a seiva da Videira fluindo com tal força que transborda e espirra para todos os lados, fazendo mais e mais galhos se ligarem ao seu tronco.

PaoHistoricamente, avivamentos ocorrem por iniciativa única e exclusiva do Senhor. É uma ação unilateral. Eu não posso “produzir” um avivamento. Mas, quando olhamos para os grandes avivamentos da história, vemos um aspecto em comum às igrejas, denominações, cidades e nações onde brotaram avivamentos: sempre havia nesses lugares um pequeno núcleo de cristãos que oravam incansavelmente, clamando a Deus que mandasse um avivamento. É só o que podemos fazer: pedir e esperar, exatamente como os sobreviventes dos campos de concentração: eles não tinham como produzir alimento ou vida a partir do nada. Mas podiam pedir. No dia em que o exército aliado libertou os sobreviventes do holocausto, a primeira coisa que aquelas pessoas lhes pediram foi comida e bebida. E receberam.

Você quer experimentar um avivamento? Ore. Peça. Clame. E, se aprouver a Deus promover um verdadeiro avivamento, prepare-se para sentir a maior fome e sede de Jesus que já sentiu em toda a sua vida.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Divorcio1Existem entre nós multidões de irmãos e irmãs que enfrentam problemas em seu casamento. Alguns dos posts mais lidos do APENAS são justamente aqueles que se referem a casamentos infelizes, uma prova de que a coisa não vai bem e o povo de Deus está ávido por orientação e consolo nessa área. Lamentavelmente, ser cristão não nos dá passaporte automático para a felicidade matrimonial. O aspecto que considero o mais triste de tudo é que, muitas e muitas vezes, irmãos e irmãs consideram que a saída mais “fácil” para seus dramas conjugais é o divórcio. Embora cada vez mais o divórcio venha se difundindo no seio da Igreja, nada me convence que essa seja a alternativa preferida do Senhor para um matrimônio em crise. Jamais você ouvirá de mim uma recomendação para que se divorcie. Acredito na restauração. Acredito que o poder de Deus é capaz de pegar o relacionamento mais devastado do mundo e reconstruí-lo, fazer com que seja funcional e feliz novamente. O próprio Jesus afirmou: “Para Deus todas as coisas são possíveis” (Mt 19.26). Então ou acredito em Cristo ou não acredito. E, se ele garantiu que é possível para Deus fazer tudo, eu creio que é possível ele restaurar todo e qualquer casamento.

Divorcio2No entanto, por mais que a Bíblia afirme certas verdades, muitos de nós sempre têm um “porém” quando se trata de sua vida em particular. Quando alguém me pergunta se deve se divorciar ou não e eu digo que deve lutar pelo casamento, que deve ter fé na restauração por Cristo, ouço com uma frequência enorme coisas do tipo “Ah, você diz isso porque não conhece meu marido”, “Mesmo depois que tudo o que minha esposa aprontou?”, “Sei que Deus pode, mas no meu caso não tem jeito”, “Eu acho que não casei no Senhor”, “Já profetizaram que ela não era a escolhida de Deus para mim”, “Depois de tudo o que eu sofri não tem volta”. As justificativas são muitas. E todas elas trazem em si duas características: despem Deus de sua onipotência (pois carregam em si a ideia de que, naquele caso, o Senhor não tem como resolver), e buscam no divórcio a solução. Mas Deus pode todas as coisas (Mt 19.26), odeia o divórcio (Ml 2.16) e ama a família (Mt 19.6). Portanto, acredito firmemente que o caminho divino para todo casamento é sempre a restauração – mesmo nos casos de práticas sexuais ilícitas, para os quais Jesus abre a possibilidade de separação (Mt 5.31-32).

Você, nesse momento, pode olhar para sua vida e comentar: “Ah, Zágari, falar é fácil”. E é  verdade, falar é fácil. Mas, então, eu gostaria de lhe dar esperanças sem falar muito mais. O que passo a fazer a seguir é simplesmente reproduzir uma troca de e-mails que tive com uma irmã. Ela me procurou com uma crise aguda em seu casamento. Com a autorização dela e de seu marido, mostro a seguir o que aconteceu em sua vida e em seu matrimônio, na esperança de que essa história real ajude você naquilo que for preciso. Existem muitos elementos no caso dela com que você pode se identificar e a minha esperança é que o relato a seguir (que é longo, peço desculpas por isso, mas não tinha jeito) venha a impactar a sua vida.

Três observações: 1. Para este post não ficar enorme, tive de encurtar alguns trechos, indicados por “[...]“. 2. A irmã será mantida no anonimato e informações que poderiam levar à sua identificação serão ocultadas ou alteradas. 3. Nos momentos em que a irmã se refere a mim com palavras elogiosas, isso não tem nenhum sentido de autoexaltação e peço encarecidamente que, se você está em crise no seu casamento, não procure conselhos meus: vá ao seu pastor e, acima de tudo, a Deus. Eu não faço milagres e não tenho absolutamente nenhum poder de restaurar lares: só o Senhor tem. Por favor, não veja em mim ninguém especial nesse sentido, não me peça aconselhamento: Deus comissionou a sua alma ao seu pastor, é ele quem deve tratar de sua vida. Sou apenas uma ovelhinha, balindo pela internet. Tendo dito isso, passemos ao diálogo:

div3 IRMÃ:
“Bom dia, irmão Maurício! [...] Li seu artigo sobre casamentos infelizes, e infelizmente, me identifiquei com todos os casos ali citados, porém, meu caso é bem pior… [...] Casei-me há X anos, depois de X anos de namoro. Tenho um filho de X anos, que é a nossa felicidade e pelo qual lutamos arduamente pra manter nosso casamento porque queremos dar a ele uma referência de família estruturada. Quando eu namorava meu marido, nós brigávamos muito, por ciúmes, e ele chegou a me agredir severamente.

Neste meio tempo, conheci um rapaz, que foi o grande amor da minha vida. Mas, por pressão da família e pq achava que casar com meu marido atual seria mais seguro pra mim, aceitei o fato e me casei com ele. Íamos na igreja, fomos trabalhando, tivemos nosso filho….Mas esquecemos do nosso casamento. Ele sempre gritou comigo, me destratava na frente das pessoas…

Até que um dia, o antigo amor apareceu. E, quando o vi, todo aquele amor que guardei por X anos ressuscitou com força total e eu acabei traindo meu marido. Acabei contando pro meu marido, pois não podia esconder algo tão grave (ele havia visto um email meu pra uma amiga contando da traição, eu não tive alternativas e contei tudo pra ele….). Me arrependi, pedi perdão, pois sabia que havia pecado contra Deus e contra meu esposo. Ele ficou irado, se revoltou, mas me perdoou, só que vive me ameaçando, dizendo que, se encontrar com o outro, não sabe a reação dele.

Ele se transformou em um homem amargo, vive me policiando, desconfia dos meus olhares, não posso nem pensar em olhar pro lado, pra todo lugar que vou, tenho que avisar…perdi a minha liberdade, mas isso eu já previa desde a hora que contei pra ele… [...] num dia desses, me recusei deitar com ele…num ato de desespero, ele me pegou à força e me meu um tapa na cara, dizendo que isso servia para que eu acordasse pra vida…

Fiquei muito magoada, pois prometi à mim mesma que nunca mais ele colocaria a mão em mim pra me agredir…me revoltei e pedi o divórcio. Ele, arrependido, pediu perdão, mas eu, com o coração duro como pedra, não quis voltar atrás na minha decisão, pois estava em jogo meu ego, minha dignidade de mulher, o respeito…

Estávamos prontos a entregar nossos cargos na igreja, mas, meia hora antes da reunião, li o seu artigo…. de verdade, fiquei mais revoltada por estar de mãos atadas, mas esperançosa no Deus do impossível, pois vi que se eu quisesse agradar a Deus, terei que me sacrificar mas sei que Ele iria me dar um escape….

Mas confesso que amo o outro rapaz com todas as minhas forças (e o pior de tudo é que ele me espera, pois se divorciou da esposa dele pra ficar comigo…eu não pedi, ele fez pq quis)….mas sei que vai contra todos os princípios que acredito…e não sei o que faço…tô mais perdida que cego em tiroteio, perdida em meus sentimentos, meus princípios, em questão à vontade de Deus na minha vida, do pq que tenho que passar por tudo isso (lógico que sei que é consequência das minhas próprias escolhas, certas ou erradas)… O que é mais difícil é ter que aguentar olhar pra cara do meu marido, não tenho a mínima vontade de estar com ele, me deitar com ele….como manter o casamento assim né???”

RESPOSTA:
“Minha irmã, eu recomendo enfaticamente que vocês procurem seu pastor. Houve e há erros de todos os lados. Você errou, seu marido errou, esse rapaz errou. Está tudo uma grande confusão e é preciso retornar ao prumo. Isso só vai acontecer com abnegação, reconhecimento de erros e uma fidelidade inegociável à Palavra de Deus.

O que vejo pelo que você me disse é que falta muita coisa nessa história toda. Falta perdão. Falta amor. Falta arrependimento. Falta buscar Deus em primeiro lugar. Falta agir conforme o padrão bíblico de marido e mulher. Vocês precisam apagar essa confusão toda e recomeçar. Busque seu pastor. Converse com ele. Peça orientação. Peça oração. É um caso complexo demais para eu te aconselhar por email, minha irmã. Vocês precisam de muito mais que conselho: precisam de pastoreio, amparo e discipulado. E seu pastor é a pessoa para isso. [...] Mas tenha esperança: Deus faz o impossível. Se vocês se arrependerem e buscarem o Senhor, Ele vai consertar tudo. Tenha paz. Confie na graça. Realize as obras do Reino. É o que posso te dizer por este meio tão limitado.”

IRMÃ:
Pois é, Maurício….Eu e meu marido não achamos que o pastor saberá lidar com a nossa situação….Nossa comunidade é muito pequena, bem tradicional….Eu não quero expôr meu marido e nem ele a mim….Por isso não buscamos ajuda dentro na nossa igreja, pois será um “baque” muito grande….temos medo de escandalizar a comunidade e de servir de pedra de tropeço pra alguns…. E realmente falta muita coisa….faltou vergonha na minha cara rsrsrs….faltou temor a Deus…e qdo vi, o desastre já estava feito….Me arrependo do dia em que me encontrei com o outro…pois foi nesse dia que o pecado entrou na minha vida conjugal….Sei que a culpa de tudo isso foi minha…mas ficar me lamentando é pior….Mas não tenho coragem de abrir a situação pro meu pastor….”

RESPOSTA:
“Seu pastor não é um carrasco. Se ele exercer o ministério com zelo pastoral, antes de mais nada vai manter sigilo absoluto sobre o caso e não exporá nenhum de vocês a absolutamente ninguém. Nenhum cristão decente faria isso. Em segundo lugar, ele vai trabalhar para reconstruir o que foi destruído e não para condenar vocês. Se houve arrependimento e abandono do pecado, o que resta é a restauração. Se seu pastor não for confiável a ponto de poder pastorear vocês dessa maneira, recomendo que mudem urgentemente de igreja e procurem um pastor que entenda o seu papel – apascentar vidas e não afundá-las mais na lama. [...] Em oração por ti, minha irmã, na esperança da reconstrução.”

IRMÃ:
Mauricio…isso é verdade. Vou conversar com meu marido. Lembre-se de nós em suas orações, mesmo que não nos conheça pessoalmente, precisamos muito, pois sei que Deus ouve e intercederá por nós. E eu vou orar não só pela restauração, mas também pelo seu ministério, que é muito edificante e confortante. Deus o abençoe, obrigada pelo auxílio muito benéfico num momento tão difícil pra mim….Confio que Deus é muito bom pra mim, que me mostrou seu artigo meia hora antes de entregarmos tudo…Sinto muita alegria na palavra de Deus e não poderia viver longe da casa de Deus…é isso que me sustenta e não me faz desistir de tudo….”

Depois de algum tempo, recebi o e-mail abaixo dela:

IRMÃ:
“Boa tarde, irmão Maurício,
Venho trazer notícias: conversamos com nosso pastor. Deus fez surgir a oportunidade e sabemos que é o cuidado Dele …. O pastor soube lidar com a situação (o meu medo era que ele NÃO soubesse lidar), abrimos tudo aquilo que havia acontecido e também o que sentíamos (como dizem por aí: lavamos a roupa suja ali mesmo) e ele nos aconselhou e vai continuar nos aconselhando. E nós, como casal, vamos lutar pra manter nosso casamento. Entendemos que precisamos da graça de Deus, do perdão mútuo e muita paciência. Sabemos que é um novo começo, como diz o artigo que escreveu…. Obrigada pelas orações (e continue orando, por favor) [...] Deus o abençoe ricamente….”

Aparentemente, a situação tinha melhorado, mas, então, recebi este e-mail:

div5IRMÃ:
“Paz do Senhor, irmão Maurício…lembra de mim? [...] Tenho algumas perguntas, espero que vc possa me ajudar, como irmão em Cristo….Tenho passado algumas situações referentes ao meu marido….ele não me perdoa pela traição, faz coisas absurdas, como me seguir o tempo todo, não tem mais confiança e vira e mexe discutimos…há meses que não temos relações sexuais, não da parte dele….da minha mesmo, pois não tenho um pingo de vontade, pois as coisas que ele anda fazendo, só tem me feito rejeitá-lo…

E depois disso, ainda tem mais um problema: ele está muito agressivo….um tempo atrás ele me deu um tapa na cara, sem mais, nem menos e outro dia agrediu nosso filho tão violentamente, que quase perdemos nosso filho pro conselho tutelar, pois a professora viu as marcas que ficaram sobre o corpo dele….nesse dia saí de casa com meu filho….E pra piorar tudo, ele escancarou o problema pra toda a liderança de nossa igreja, mas de um jeito agressivo e me expôs de uma maneira vergonhosa, relatando tudo à maneira dele, do ponto de vista dele….me chamou de mentirosa e etc…nem tive como me defender diante as acusações dele….pois eu só sabia chorar de vergonha e me senti humilhada…. nas nossas discussões ele me acusa de estar acabando com nossa família, diz que eu estou jogando a vida de todo mundo no lixo…[...]

A minha pergunta é: Se eu me separar dele, vou pro inferno? Quais as consequências que terei que arcar? Como fica meu ministério na igreja? O que faço eu diante de tudo isso, se meu coração só deseja ficar longe dele? Vou ser perseguida a vida toda, sendo julgada, se me separar ? Deus vai me condenar? me ajuda meu irmão…..”

RESPOSTA:
“Minha irmã, você e seu marido precisam voltar às bases da fé: amor e perdão. Sem isso, carregarão feridas pelo resto da vida. Separar-se não é a solução, vocês precisam de cura. Estão feridos, machucados, magoados. Divórcio será apenas mais um problema, até porque, como pai do teu filho, ele manterá contato pelo resto da vida com você.

Vocês precisam voltar ao básico: dialogo em vez de briga. Amor em vez de ódio. Perdão em vez de acusação. Você esta fazendo as perguntas erradas. Não tem que se perguntar o que acontece caso se separe, mas o que acontece se não amar, perdoar, restaurar. A Bíblia nos diz que Deus não perdoa os pecados de quem não perdoa o próximo. Você não está perdoando. Seu marido não está perdoando. Isso sim é grave. O perdão restaura a alma. Recompõe relacionamentos. Traz paz. A falta de perdão alimenta o ódio, nos afasta de Deus, nos assemelha ao Diabo.

Tente conversar e orar junto com ele. Como vocês se relacionarão sexualmente cheios de mágoa, rancor e ressentimento um com o outro? É preciso zerar tudo. Como? Pedindo perdão.  Perdoando. Conversando. Buscando aconselhamento em amor. Sua liderança não tem o direito de julgar ou condenar ninguém, tem de trabalhar no sentido de reconduzir vocês ao caminho de onde saíram.

Oro por você, minha irmã, para que tenha a sabedoria da mulher virtuosa de Pv 31. Lembre-se que a mulher sábia edifica o lar. Seja sábia. Aja e reaja com maturidade às ofensas de seu marido. Lembre-se que o filho de vocês ficará marcado pelo resto da vida pelo que vocês dois fizerem agora. Seja modelo para seu filho, por mais que seu marido não seja.

Recomendo que você assista junto com seu marido a essa pregação de Paul Washer, é magnífica e bíblica: http://youtu.be/uEugHA8R6qg. Faça a coisa certa, que não necessariamente é a mais fácil.”

IRMÃ:
“Acho que sou rebelde….pois sei de tudo que está na Biblia….e não consigo aceitar que tenho que escolher ficar com meu marido….Não tenho ódio, de verdade…perdoo o que ele anda fazendo….a única coisa é que não quero mais conviver com ele….Ele  não tem a alternativa de se separar de mim? Já que é a parte ofendida?”

RESPOSTA:
“E por que vc quereria isso? Celibato eterno? Biblicamente não é o melhor.”

IRMÃ:
“Difícil…..mas entendo que seguir Jesus nunca seria fácil….Que Deus me ajude e me direcione…acredito que Deus é um Deus de milagres…..mas sinceramente, não sei se Deus vai conseguir trabalhar em mim…pois reconheço que sou muito dura de coração…:(

Agradeço suas palavras  e conselhos Mauricio…ore por mim, por nossa família…. Deus continue abençoando sua vida…Continuo lendo seus posts….aliás, são muito abençoados e abençoadores! Paz esteja contigo e sua família…”

Finalmente, após muito tempo sem ter notícias, semana passada recebi este e-mail da irmã:

div1IRMÃ:
“Bom dia, irmão Mauricio
Venho trazer notícias, boas notícias…
A tempestade passou, e confesso. ..que tempestade tenebrosa!
Conseguimos passar por ela, não ilesos, mas com certeza, mais maduros e com a certeza do grandioso amor de Deus.
Hoje entendo que estive cega, nas mãos do inimigo, satisfazendo as vontades dele e quase perdi o meu maior tesouro:  minha família.
Mas Deus nos resgatou, me resgatou e estou vivendo a volta ao meu primeiro Amor.
E você é parte contribuinte de todo esse processo, junto com muitos outros irmãos que se juntaram nesta causa.
E acredito que Deus sorriu quando decidimos voltar atrás e reconstruir nossa família.
Que Deus sorriu quando Ele estava pegando meus pecados e lançando ao mar do esquecimento diante ao meu arrependimento.
Nós somos feitos à semelhança Dele…então…Ele sorri,  como nós. ..como eu sorrio agora, porque vejo o sorriso do meu filho quando me vê junto ao meu marido.E meu marido sorri porque tem a mulher que ele diz amar ao seu lado. ..
Assim como vc deve estar sorrindo ao ler este email da pessoa que um dia pediu ajuda, sem ao menos saber quem vc era e vc decidiu ajudar sem saber quem eu sou, simplesmente por amor de irmãos,  unidos por Cristo, por um Deus que nos ensinou o que era o amor verdadeiro.
Como Deus não haveria de sorrir numa situação dessas? !
[...] Agradeço pelo seu tempo, que não foi perdido, pois o resultado está neste email.
No amor de Cristo”.

cruz-cristo-jesus-pascoa-deusA você, que teve paciência de ler este post tão longo, peço a Deus que a história dessa irmã ajude a lhe dar esperança. Lembre-se que, não importa quão graves foram os pecados envolvidos no seu casamento, se você se dispuser a buscar a restauração e confiar em Deus… tudo mais ele fará.

Todo casamento pode ser restaurado. Todo. Deus não realiza o impossível dia sim, dia não: ele é onipotente a todo momento. Ele pode tudo. Ele pode pegar o seu casamento em ruínas e construir a partir dos escombros um lar cheio de alegria, paz e respeito.

Você crê nisso? Deus crê.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Mauricio

Deus1Deus sorri. Não, a Bíblia não afirma isso com todas as letras. Não há um versículo específico onde se leia “Jesus sorriu” ou algo do gênero. Mas existem verdades que estão claramente subentendidas nas Escrituras (e creio que o sorriso divino é uma delas). Um exemplo clássico é o da Trindade. Não há uma afirmação explícita no cânon sagrado acerca dessa doutrina, mas ela permeia toda a Palavra de Deus. O sorriso do Senhor, pelo meu entendimento, também é uma realidade bíblica. Já explico o porquê e que implicações isso tem para nós.

Paulo revela que uma das virtudes do fruto do Espírito Santo é a alegria. “Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio” (Gl 5.22-23). Tudo isso são características divinas que fluem para aqueles que estão ligados ao Senhor, assim como a seiva corre pelo tronco de uma árvore até chegar a seus ramos. “Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto” (Jo 15.5). Um Deus triste não faria brotar em seus filhos algo que fosse diferente de sua natureza. Logo, Deus é alegre.

Deus0E como você identifica alguém que está alegre? A resposta é evidente: pelo sorriso. Alegria gera sorrisos. Tristeza gera um semblante carregado. Quando você diz a respeito de alguém que “fulano está sempre alegre”, na verdade o que está dizendo é “fulano está sempre sorrindo, logo, concluo que está sempre alegre”. O que, aliás, é bíblico: “O coração alegre aformoseia o rosto, mas com a tristeza do coração o espírito se abate” (Pv 15.13).

Conclusão: se a alegria flui do Espírito Santo, ele é alegre. E se Deus é alegre… ele sorri.

Que implicações tem essa realidade? Muitas. Olhar para o Senhor e saber que ele não é carrancudo, mal-humorado e soturno muda totalmente a percepção que temos de seu coração e de sua natureza. Um deus triste e sério tem graça limitada, ama pouco, quer castigar e punir. Um deus de cenho carregado está pouco preocupado em perdoar, restaurar e reconstruir. Um deus triste não se importa com a tristeza de seus filhos, pois se identifica com ela. Um deus triste acha natural o choro e o ranger de dentes.

Mas o Deus que sorri não. Ele olha para o perdido e quer lhe conceder a “alegria da sua salvação (Sl 51.12). O Deus que sorri quer ver sorrisos no rosto daqueles que o cercam, pois isso lhe é natural. Ser feito à imagem e semelhança do Deus que sorri pressupõe que o Senhor quer que nós também venhamos a sorrir – logo, a tristeza não é o estado desejável do ser humano, é uma consequência indesejada do pecado original.

Deus01O Deus que sorri tem enorme prazer em estender sua graça, perdoar pecados, restaurar vidas, dar amor. A parábola do filho pródigo é extremamente reveladora sobre a natureza do Senhor. Repare as palavras que o pai diz aos seus servos quando o filho arrependido retorna para os seus braços: “Comamos e regozijemo-nos, porque este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado. E começaram a regozijar-se” (Lc 15.23-24). Atenção para o verbo que Jesus decidiu utilizar nesse relato (duas vezes, aliás): “regozijar-se”. Esse termo significa exultar, alegrar-se muito, fazer festa. Será que esse verbo foi escolhido à toa? Será que Cristo o utilizou por acaso ou teria sido uma opção bem pensada? A parábola mostra que a restauração do pecador faz o Pai sorrir, sorrir e sorrir, inundado de contentamento. Deus sorri. Deus se alegra. A sua relação com Deus o faz regozijar-se, abrir um sorriso de uma orelha a outra. Creia: nada do que você faça de errado na sua vida retém o sorriso do Senhor, se você se achega a ele e diz “me perdoa, Pai, pequei contra ti” e abandona a prática.

Creio que passaremos a eternidade sorrindo, ao lado de um Deus que sorri. Jesus deixou claro que o céu é um lugar onde há júbilo, alegria: “Eu vos afirmo que, de igual modo, há júbilo diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende” (Lc 15.10). Os anjos sorriem. Deus sorri. Na vida eterna, sorriremos. João descreveu muito bem essa realidade: “Então, ouvi grande voz vinda do trono, dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles. E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram” (Ap 21.3-4). O que isso revela? Que no céu não haverá tristeza. Não haverá choro. Não haverá sofrimento. Não haverá dor. Haverá um banquete. E banquete é ocasião de grande alegria.

No céu haverá sorrisos. Dos anjos. De Deus. E os teus.

Na cruz Jesus estava triste, sua alma estava abatida até a morte. Mas, na ressurreição, sorriu, vitorioso. E creio que ele permanece sorrindo, e permanecerá, até o fim dos tempos – e sorrindo para você. Isso não seria motivo para você sorrir também?

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

foto.PNG Gosto muito de pôr minha filha para dormir. Temos uma espécie de ritual entre o instante que deitamos em sua cama e o momento em que ela pega no sono: começamos lendo livros juntos, eu conto histórias que invento, brincamos de coisas como sombra na parede e, por fim, oro por ela cantarolando uma oração, usando melodias de músicas calmas e tranquilas com palavras de intercessão. Em geral, ela adormece enquanto canto a oração, deitado ao seu lado. Geralmente, na hora de cantar, para deixá-la mais confortável escorrego para baixo no colchão e fico com a cabeça na altura de sua cintura, quase que aos seus pés. Isso permite que ela tenha mais espaço para esparramar os braços e também me facilita sair da cama quando minha filha dorme sem esbarrar demais nela e correr o risco de acordá-la. Domingo passado, seguimos essa mesma rotina. No momento em que eu estava cantarolando a canção, ela, já sonolenta,  virou-se para mim e sussurrou:

- Papai?

- Sim?

- Chega mais pra cima.

E abriu os braços. Eu sorri e, suavemente, pus minha cabeça no peito dela. Minha filhinha de três anos aconchegou o papai, pôs sua mão na minha e envolveu meu pescoço com o bracinho. Ali fiquei eu, recebendo aquele amor em forma de proximidade e toque, até que, algum tempo depois, senti sua respiração mais pesada e percebi que tinha adormecido. Quando estava aos pés dela, já articulava como eu faria para escapulir dali e ir fazer outras coisas. Mas, quando fiquei naquela posição de paz e extremo afeto, toda vontade de sair desapareceu. Tudo o que eu queria era ficar e desfrutar daquele amor.

cima1Se você é cristão, isso significa que vive aos pés de Jesus. Assim como Maria, a irmã de Lázaro, você se deleita em estar aos pés do Mestre, aprendendo dele, adorando e exaltando o seu amado. É um lugar confortável, pois permite que você esteja em postura de submissão, reverência, amor e servidão ao Senhor mas, ao mesmo tempo, com mobilidade para esticar os braços, mexer as pernas e até se levantar e ir embora, se desejar. Estar aos pés de Cristo é uma posição desejável ao servo de Deus, é digna e demonstra um relacionamento fiel ao Salvador.

Você vive aos pés de Jesus? Ótimo. Só que, às vezes, isso não basta. Pois é bem possível que, em determinado instante, você ouça o Mestre lhe falar:

- Chega mais pra cima.

Ao falar isso, o que Deus quer dizer é que ele anseia por mais do relacionamento de vocês. É quando ele deixa claro que não deseja que você fique apenas aos seus pés, mas que vá para o seu colo. E, do colo, para o abraço. Em outras palavras, o Senhor quer te elevar para um patamar de maior intimidade com ele.

Num primeiro momento, você pode estranhar o processo de elevação. Quando deitei no peito de minha filha, demorei um certo tempo até ficar confortável, pois tinha medo de pesar sobre ela ou de machucá-la com meu ombro, por isso fiz uma certa força para não pressionar demais seu corpinho. Embora fossem um lugar e uma situação deliciosamente agradáveis, havia um certo desconforto envolvido. Quando Deus nos convida para subir de seus pés e repousar a cabeça em seu peito ou descansarmos em seu abraço, há a probabilidade de que fará isso por caminhos que te deixarão desconfortável ou mesmo assustado.

Engraving of  by Dore, 1866Veja o exemplo de Jó. Toda a situação que ele enfrentou tinha apenas um objetivo, traçado no coração de Deus: fazer com que aquele servo fiel fosse elevado a um patamar superior de intimidade com o Senhor. Repare que Jó vivia aos pés do Pai: a Bíblia o define como um “homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desviava do mal” (Jó 1.1). Estar mais aos pés do Todo-poderoso do que isso é difícil, quem me dera poder ser definido dessa maneira. Ao final do processo de elevação, porém, aquele mesmo servo fiel diz: “Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te veem” (Jó 42.5). Você consegue perceber que transformação ocorreu no nível espiritual dele, que diferença? Embora vivesse em integridade, retidão, temor e santidade, Jó ainda estava apenas aos pés de Deus. Era preciso mais. O Pai queria que seu filho fosse para um outro nível de intimidade. Então ele diz:

- Chega mais pra cima, Jó.

E Jó enfrenta um processo longo e doloroso, mas que o eleva ao patamar de onde podia ver o Senhor com os olhos. Pense agora no menino mimado José, escolhido para viver uma grande experiência com Deus. O problema é que ele era extremamente imaturo. Foi preciso passar por escravidão, servidão, calúnia e prisão para alcançar o nível que o Senhor queria.

- Chega mais pra cima, José.

E lá foi o filhinho riquinho de Jacó amarrado como um bicho numa caravana de escravagistas estrangeiros, esforço importante para que ele deixasse de ser playboy e virasse um homem de Deus. Paulo de Tarso era outro que vivia aos pés do Senhor, mas de maneira completamente errada. Zeloso e dedicado a Jeová, perseguia cristãos e os prendia, como serviço ao Deus de quem só via a sola dos pés. Mas, então, Jesus aparece e lhe diz:

- Saulo, Saulo, por que me persegues? Dura coisa é recalcitrares contra os aguilhões. Agora… chega mais pra cima.

E lá foi aquele homem, agora cego, deprimido, abatido, mas com sua mente renovada para experimentar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. O fariseu Paulo tinha sido elevado a um nível de intimidade em que foi arrebatado ao paraíso e ouviu coisas indizíveis, coisas que ao homem não é permitido falar. A ponto de dizer, com segurança, ao final de sua vida:

- Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé.

cima2Muitas vezes, atravessamos períodos de muita dificuldade, de esforço, sofrimento e falta de paz. Culpamos o Diabo, xingamos a vida, brigamos com Deus. Somos acusados de falta de fé, pecado, frieza espiritual. Não entendemos nada, ficamos sufocados pelas circunstâncias, questionamos o Pai: como pode um servo fiel como eu passar por tudo isso?! Se esse é o seu caso, procure o Senhor com serenidade, em oração e pelo estudo da Santa Palavra. De repente, tudo o que está enfrentando faz parte de um processo doloroso, mas necessário, para elevar você a novos patamares de intimidade com o Criador. O objetivo divino é tirá-lo dos pés e colocá-lo no abraço de Cristo. Tudo o que você precisa fazer para aguentar firme e superar essa fase é afinar seu espírito com o Espírito Santo e ouvir o sussurro suave daquele que nos ama com amor incompreensível:

- Chega mais pra cima, filho meu. E vem para o abraço do teu Pai…

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

pro1Se o Diabo tivesse um livro sagrado, acredito que nele haveria um versículo que diria: “Não deixe para amanhã o que você pode fazer… depois de amanhã”. Digo isso porque o ser humano tem uma forte tendência a empurrar com a barriga decisões importantes que precisa tomar – o que, em se tratando de vida espiritual, é muito prejudicial. Por isso, devemos refletir e nos disciplinar para mudar essa estranha atração que temos pelo “deixar para depois”. A procrastinação (o ato de adiar ações ou decisões) torna-se, assim, um mal a ser combatido. Se você percebe que, na lista da sua vida, há mais itens na coluna das “coisas a fazer” do que na de “dever cumprido” é hora de acender a luz vermelha e tomar alguma atitude para reverter essa situação.

Claro que cada pessoa sabe em que precisa melhorar. Mas existem áreas de nossa vida em que o problema é mais comum e, por isso, merecem mais atenção.

pro2O grande mal de nossa época é a falta de amor ao próximo. Não é por acaso que o primeiro campo em que estamos sempre procrastinando é no exercício do amor – nas suas mais variadas formas. Existem multidões de pessoas ao nosso redor, na igreja e fora dela, que estão solitárias, carentes, tristes, deprimidas, infelizes, à espera de alguém que se aproxime com uma palavra amiga, um ombro acolhedor ou, simplesmente, com presença e calor humano. Nós, filhos de uma era em que só cuidamos de nós mesmos e, no máximo, de nossa família, fechamos os olhos a elas. Sabemos que existem, vemos seu semblante abatido, mas… o que fazemos por essas tristes almas? Ou delegamos a outras pessoas a tarefa de amá-las ou deixamos para depois tudo aquilo que poderíamos fazer por elas mas não fazemos. “Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força. O segundo é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” (Mc 12.30-31). Temos cumprido esse mandamento? Se você estivesse mal, precisando de amor, gostaria que o próximo ficasse adiando o momento de vir até você para abraçá-lo e perguntar: “Onde dói a tua dor?”. Então o que você está esperando para começar a amar o próximo de fato e não só de boca?

pro3Outra área em que falhamos de forma atroz é no compartilhar o amor de Deus. Estou falando de evangelismo. E esqueça aquele imagem de pessoas nas ruas abordando outras com folhetos nas mãos, essa é apenas uma das formas de evangelizar e nem de longe é a mais eficiente. Não existe nenhuma outra maneira mais eficaz de pregar o evangelho do que a proclamação do amor de Cristo junto àqueles que convivem conosco, no dia a dia, na convivência pessoal. Mas, seja por vergonha, seja por crer que há ainda tempo de sobra, seja por que razões for, aqueles que receberam a ordem de ir, fazer discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que Jesus nos ordenou (Mt 18.19-20)… simplesmente a ignoram. E, assim, por culpa de nosso espírito procrastinador, deixamos de cumprir a grande comissão. O problema é que, se não pregarmos, meu irmão, minha irmã, muitos irão para o inferno.

pro4Procrastinamos não só ações de evangelismo, mas também projetos de edificação no nosso próximo. De que forma você gostaria de contribuir para abençoar o Corpo de Cristo e os não cristãos? Visitando orfanatos? Indo a casas de repouso? Criando um blog na internet? Escrevendo um livro? Ensinando? Intercedendo? Voluntariado-se em alguma instituição filantrópica? Alimentando quem tem fome e saciando quem tem sede? Apadrinhando uma criança pela Visão Mundial? Construindo casas para os desabrigados? Como, afinal? Se você tem planos, sonhos ou vontades nessa área… o que está esperando? O próximo precisa de você hoje, não depois de amanhã. “Então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me hospedastes; estava nu, e me vestistes; enfermo, e me visitastes; preso, e fostes ver-me” (Mt 25.34-36).

pro5Procrastinamos, ainda, o abandono dos pecados. Sabemos que estamos errados, o Espírito Santo nos incomoda diariamente, mas agimos como se disséssemos a Deus: “Senhor, me deixa pecar só mais um pouquinho, vai. Tá tão bom, amanhã eu me arrependo, peço perdão e deixo, tem tempo…”. O pecado é como um leão que devora a nossa alma constantemente, um pedaço por vez. Imagine a dor e o dano que provoca uma fera arrancando pedaços de você a cada dia. Mas procrastinar o abandono do pecado é como se pensássemos “Deixa esse leão comer mais um pouquinho do meu fígado, amanhã eu tento afastá-lo”. Chega a ser surreal cogitar isso. Mas é exatamente o que fazemos quanto ao pecado. O perigo é adiarmos tanto a expulsão dessa besta que, daqui a pouco, não sobrará nada da nossa carne – e sabe o que é um ser humano sem carne? Um cadáver. Jesus disse: “Se eu não viera, nem lhes houvera falado, pecado não teriam; mas, agora, não têm desculpa do seu pecado” (Jo 15.22). Até quando você vai continuar escravizado por pecados recorrentes e adiar o abandono das suas transgressões?

pro6Também procrastinamos o estudo das coisas de Deus. Queremos servir Jesus, amamos o Senhor, mas deixamos sempre para algum dia o aprofundamento na compreensão acerca de quem ele é, de qual é a sua ética e montes de informações que nos fariam cristãos mais maduros e íntimos de Cristo. Mas procrastinamos nossa entrada no seminário; deixamos sempre para o ano seguinte o plano de ler a Bíblia inteira; acumulamos pilhas de livros cristãos em cima do móvel. na expectativa de começar a ler no dia seguinte… estamos sempre priorizando outras atividades e deixamos o estudo das coisas concernentes a Deus para um futuro que nunca chega.

Uma das atitudes mais destrutivas espiritualmente é a hostilidade entre irmãos. A gravidade desse mal não está somente em seu poder destruidor, mas em sua frequência entre nós. pro8Irmãos em Cristo se ofendem, se agridem, se prejudicam, fazem o mal uns aos outros e fica tudo por isso mesmo. Seja por orgulho, seja por um entendimento errado acerca do perdão, seja por que razão for, muitos de nós criam barreiras entre si e vivem deixando para depois o ato de pedir perdão a quem ofendeu ou de perdoar quem o ofendeu. “Se você estiver apresentando sua oferta diante do altar e ali se lembrar de que seu irmão tem algo contra você, deixe sua oferta ali, diante do altar, e vá primeiro reconciliar-se com seu irmão; depois volte e apresente sua oferta” (Mt 5.23-24). Honestamente: qual de nós verdadeiramente faz isso de imediato? Adiar a reconciliação pode ter efeitos drásticos: “Se perdoarem as ofensas uns dos outros, o Pai celestial também lhes perdoará. Mas se não perdoarem uns aos outros, o Pai celestial não lhes perdoará as ofensas” (Mt 6.14-15).

pro7Mais uma área em que a procrastinação ocorre de forma espiritualmente prejudicial é na vida daqueles que foram chamados pela voz da graça, viveram em comunhão com o Senhor e, por alguma razão, se afastaram. Imersos nos prazeres deste mundo, nunca deixaram de saber a verdade, de ouvir a voz do Espírito Santo e de ter – lá no fundo – a convicção de que um dia retornariam ao aprisco do Bom Pastor. Mas ficam adiando, adiando, adiando e, nessa procrastinação, seguem distantes de Jesus. A quem procede assim, “Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?” (Lc 12.20). Jesus, aliás, foi bem enfático ao tratar deste ponto. Quando um jovem o abordou com a proposta de procrastinar sua adesão à causa de Cristo, veja o que ocorreu: “Outro discípulo lhe disse: ‘Senhor, deixa-me ir primeiro sepultar meu pai’. Mas Jesus lhe disse: ‘Siga-me, e deixe que os mortos sepultem os seus próprios mortos’.” (Mt 8.21-22).

Esses são apenas alguns exemplos de áreas comuns em que os cristãos têm o hábito de procrastinar. Há muitas outras e convido você a refletir sobre isto: o que você tem adiado em sua vida e que tem prejudicado sua caminhada com Cristo? Seja o que for, procrastinar é uma atitude que pode destruir almas, afastar pessoas de Jesus, nos manter na ignorância sobre as coisas de Deus, deixar vidas em ruínas e… e tudo mais que há de pior na vida espiritual de uma pessoa. É uma atitude humana, mas que age com o poder destruidor de um demônio furioso. Reflita que benefícios e que malefícios esses constantes adiamentos têm provocado.

“A esperança que se adia faz adoecer o coração, mas o desejo cumprido é árvore de vida” (Pv 13.12). O desejo de Deus é que você não adie aquilo que é importante para ele. Será que você cumprirá o desejo do seu Senhor?

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício