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dieta do perdao1O que é preciso fazer para perder peso? Se você já se dedicou a uma dieta, sabe que ela exige que sigamos, essencialmente, três passos. Primeiro, é necessário compreender bem a dinâmica do emagrecimento, ou seja, inteirar-se do que diz a teoria: necessidade de ingerir menos calorias do que se gasta, importância do controle metabólico, explicação de por que se deve comer menos e mais vezes por dia etc. Sem compreender como se perde peso você jamais conseguirá emagrecer. Segundo, uma vez que entende a teoria, é hora de pôr em prática o que aprendeu. E quem já se dedicou a perder peso sabe que essa etapa não é nem um pouco fácil, pois o aspecto mais importante para emagrecer é abrir mão da sua vontade de comer o que não deve (às vezes é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que recusar aquele suculento brigadeiro, não é?). Ou seja: dizer não a si mesmo é fundamental. Terceiro, além da correta escolha dos alimentos, também é preciso exercer disciplinas complementares e indispensáveis, como exercícios físicos.

Assim, se você consegue: 1) Compreender a teoria do emagrecimento; 2) abrir mão de suas vontades; e 3) praticar as disciplinas complementares tem grandes chances de atingir o objetivo e conquistar a tão almejada silhueta esbelta.

Neste ponto, gostaria de fazer um paralelo entre a dificuldade de emagrecer e a de… perdoar. Muitas pessoas não conseguem perdoar alguém que lhes tenha ferido; outras não conseguem perdoar a si mesmas por algum pecado que tenham cometido. Isso se deve a uma razão muito simples: perdoar não é fácil, é uma atitude que exige muito de nós. Contraria nossa natureza humana, muito mais inclinada a entregar-se a culpa, raiva, ressentimento, ira, mágoa, rancor e sentimento de vingança. Só que sem perdão não há vida com Cristo. Dizer-se cristão e não perdoar é uma contradição. Mais do que isso: é uma impossibilidade. Portanto, se você até hoje precisa perdoar alguém ou mesmo se perdoar por algo que tenha feito, saiba que sua vida espiritual depende disso.

Se você vive uma situação em que precisa estender perdão, mas considera muito difícil, o que deve fazer? Bem, a Bíblia trata muito sobre esse assunto e seria preciso um livro para abordar a questão com a amplidão que tem, é impossível resumir tudo em um pequeno post de blog. Mas, em síntese, posso dizer que perdoar e emagrecer têm algo em comum: os três pontos que mencionei no início deste texto.

dieta do perdao01. Assim como nas dietas é preciso conhecer a teoria, para perdoar não é diferente. Em geral, tenho visto que os irmãos e as irmãs com dificuldade de perdoar não conhecem em sua totalidade o que a Bíblia fala sobre o assunto. Têm um conhecimento parcial e, por isso, acabam sem as orientações básicas que as Escrituras sagradas dão a respeito de o que exatamente é perdoar, como perdoar, as consequências de não perdoar, os benefícios de perdoar e muito mais. Entenda: é conhecendo a verdade sagrada que somos libertos das amarras da falta de perdão e de suas terríveis consequências. Assim, o primeiro passo para conseguir perdoar e se perdoar é conhecer as diferentes informações sobre o tema contidas na Bíblia. “Se vocês permanecerem firmes na minha palavra, verdadeiramente serão meus discípulos. E conhecerão a verdade, e a verdade os libertará” (Jo 8.31-32).

Falo por experiência. Há alguns anos vivi uma grande necessidade de praticar o perdão – perdoar outros e perdoar a mim mesmo. Foi quando percebi a gigantesca importância desse tema para nossa saúde espiritual, bem-estar e felicidade, por isso dediquei-me a uma pesquisa ampla e detalhada na Bíblia sobre o assunto perdão. Essa investigação nas Escrituras acabou se tornando meu próximo livro, chamado Perdão Total – Um livro para quem não se perdoa e para quem não consegue perdoar, que será lançado em outubro pela editora Mundo Cristão. Nesse processo pessoal, vi como me ajudou enormemente saber o que a Bíblia fala sobre o assunto – na verdade, foi indispensável, pois, sem as verdades bíblicas, eu nunca conseguiria fazer isso por vontade própria. Sem esse conhecimento, é impossível qualquer um se ver livre do pesadíssimo fardo da falta de perdão. Peço a Deus que o resultado dessa minha pesquisa venha a ajudar pessoas que precisam de mais informações e entendimento sobre o assunto, para que, assim, também consigam se ver livres do amargo fardo da falta de perdão.

dieta do perdao22. Ao adquirir o conhecimento bíblico necessário, consegui partir para o segundo passo: pôr em prática o perdão. Foi, então, possível perdoar e me perdoar. Só que, para que esse perdão se tornasse realidade, foi preciso negar a mim mesmo. Do mesmo modo que fazer dieta exige abrir mão de suas vontades, perdoar exige abrir mão do seu eu e assumir a natureza de Cristo, que nos perdoa sem que haja qualquer mérito nosso. O nome disso é graça. Sem negar as inclinações, as vontades e os impulsos que nos dominam, não conseguiremos jamais ser como Jesus nem agir como ele agiu. “Então Jesus disse aos seus discípulos: ‘Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida, a perderá, mas quem perder a sua vida por minha causa, a encontrará'” (Mt 16.24-25).

dieta do perdao33. Por fim, para conseguir perdoar, você precisa exercitar as disciplinas espirituais, como oração e jejum. Do mesmo modo que o exercício físico é fundamental no processo de perder peso, sem uma comunhão constante com Deus em oração e sem a mortificação da sua natureza carnal, por meio do jejum, torna-se muito difícil conseguir fazer aquilo que nossa vontade humana não quer fazer.

É evidente que comparar o perdão a uma dieta de emagrecimento não passa de uma analogia altamente imperfeita. Assim como as parábolas de Jesus eram ilustrações materiais de realidades espirituais profundas, essa comparação serve apenas para chamar nossa atenção para determinados aspectos da fé. Dieta emagrece o corpo, perdão agiganta a alma. O corpo ficará, a alma seguirá pela eternidade. Se você se preocupa em emagrecer, recomendo que preocupe-se ainda mais em perdoar e se perdoar. Culpa por algo que você fez e ressentimento por algo que alguém fez contra você não geram absolutamente nada de bom, pelo contrário, trazem consequências altamente negativas para sua vida.

Conheça o que a Bíblia diz sobre perdão e remova de suas costas o fardo tão pesado da falta de perdão, que você não precisaria estar carregando. Jesus te libertou desse fardo na cruz do Calvário. Conheça a realidade que a Bíblia apresenta sobre o assunto e abrace as verdades sagradas. Se tomar essa atitude, a graça de Deus se manifestará e, creio piamente, sua vida será totalmente transformada.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

compaixao1Não há nada mais distante da realidade do que a ideia de um Jesus distante da nossa realidade. Imaginar Deus como alguém distante é um dos maiores erros que podemos cometer em nossa vida de fé. Essa concepção equivocada, aliás, gera muitos problemas, como a suposição de que ele não ouve nossa oração, de que não está conosco, de que os olhos do Senhor não estão atentos a nós, de que estamos sozinhos no mundo, de que o pecado é capaz de surpreender Cristo e montes de outras ideias erradas que assombram milhares de milhares de cristãos. Sabe quando Jesus fica distante de nós e alheio a nossos problemas? Nunca. Jamais. Em nem um único instante de nossa vida.

A presença diária de Cristo é um fato incontestável da Bíblia, uma realidade que não tem um bilionésimo de possibilidade de ser incorreta. “E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos” (Mt 28.20), assegurou o Deus encarnado, em sua última fala antes de subir aos céus. Ele é Emanuel, “Deus conosco”. Sua permanência onipresente é uma garantia. Uma promessa. E Deus não mente. “Deus não é homem para que minta” (Nm 23.19). Se Jesus falou, tá falado.

Esse mesmo Jesus que deu sua palavra imutável de que nunca estaria longe de nós passou por tudo aquilo que eu e você passamos nesta vida. Frio? Jesus sentiu. Dor? Jesus sentiu. Abandono? Jesus sentiu. Tristeza? Jesus sentiu. Mais ainda: Cristo foi tentado em tudo. E sabe o que significa tudo? Significa… tudo. Portanto, “visto que temos um grande sumo sacerdote que adentrou os céus, Jesus, o Filho de Deus, apeguemo-nos com toda a firmeza à fé que professamos, pois não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas, mas sim alguém que, como nós, passou por todo tipo de tentação, porém, sem pecado. Assim, aproximemo-nos do trono da graça com toda a confiança, a fim de recebermos misericórdia e encontrarmos graça que nos ajude no momento da necessidade.” (Hb 4.14-17). Se Jesus passou por todo tipo de tentação, não seria pecado dizer que ele foi tentado para roubar, fornicar, sonegar, corromper, faltar com a ética, trair, amar o dinheiro… a lista é interminável. Foi tentado, sim, mas não pecou. Ele conhece bem o doce gosto da venenosa tentação, que é o amargo sabor de se tornar humano.

A grande conclusão: Jesus entende você totalmente. Ele sentiu na pele tudo o que você sente. Ele sentiu na alma tudo o que te machuca. E Jesus está com você, perto. Portanto, o Deus que tudo pode compreende com absoluta clareza o que você está enfrentando e ele está ao seu lado para auxiliá-lo. Você poderia se perguntar se Deus se identifica com sua humanidade. Sobre isso escreveu Paulo: “… embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens” (Fp 2.6-7). Sim, Deus sabe o que é ser gente.

compaixao2E aqui entra uma das maiores realidades sobre o Deus que se fez homem: a palavra grega usada em diferentes passagens dos evangelhos para se referir a compaixão é splanchnizomai. É curioso que, na medicina, “esplancnologia” é o estudo das vísceras, das entranhas. Os conceitos têm a mesma raiz. Assim, a compaixão de Jesus por pessoas como eu e você não é comum: Jesus sente a nossa dor em suas entranhas. Como escreveu Max Lucado, ele “sentiu a deficiência dos mancos, a dor dos enfermos, a solidão do leproso, o constrangimento dos pecadores”. Por isso, quando Jesus encontra pessoas que estão sofrendo, ele sente a dor delas nas próprias entranhas.

Sabe a sua dor? Tenha certeza de que o Cordeiro de Deus a está sentindo no mais íntimo de seu ser divino e humano. Se dói em você dói nele. Se te aflige, aflige o Mestre. Sabe o seu abatimento, a decepção, a solidão, o amor-próprio ferido, a falta de paz e tudo mais que você está sentindo? Jesus sente também. Você foi traído? Jesus soltou um gemido. Você foi esquecido? Jesus sofreu. Você foi desamparado? Jesus cerrou os dentes. Você foi agredido? Jesus sentiu o golpe. Doeu? Jesus disse “Ai…”.

Isso só ocorre porque ele sente splanchnizomai. Compaixão. Co-paixão, paixão compartilhada. Ele compartilha sua dor.

Assim que Jesus sente o seu sofrimento, porém, ele se lembra do Calvário. Recorda-se dos cravos e da coroa de espinhos. E, por fim, lança sobre a cruz toda essa enorme carga de sofrimento – as suas mágoas, tristezas, aflições, decepções. Você tem carregado suas aflições nas costas? Então siga o exemplo do compassivo Deus: lance-as sobre a cruz, pois há dois mil anos ela espera por cada uma de suas dores.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

casar1É enorme a quantidade de casamentos problemáticos entre cristãos. Alguns dos posts mais lidos e comentados aqui do APENAS são os que versam sobre problemas matrimoniais. Muitos dos livros mais vendidos pelas editoras cristãs são os que tratam do assunto. Um dos tipos de ministério “direcionado” que mais surgem é o voltado a famílias e casamentos. Esses fatos denunciam que cristãos enfrentam problemas conjugais tanto quanto não cristãos. Pelo espaço dos comentários do blog chegam até mim muitos casos de pessoas que buscam respostas para problemas conjugais, em situações as mais variadas (se é o seu caso, procure seu pastor, ele é quem melhor pode aconselhá-lo). Em programas de rádio e palestras de que já participei sobre o assunto vejo tipos de problemas que jamais imaginaria, que vão da chamada “incompatibilidade de gênios” a casos de incesto. O que fica muito claro é que o casamento é uma das áreas mais visadas nos ataques espirituais contra os cristãos e por uma simples razão: ao se destruir uma família, ocorre a desestruturação dos cônjuges em diversos âmbitos, os filhos ficam traumatizados, as comunidades são abaladas e, com tudo isso, fere-se a Igreja de Cristo. Assim, qualquer ataque a um casamento é uma afronta direta a Deus. Para quem vive desilusões e problemas no matrimônio, muitas vezes o divórcio é a solução. Já para mim, uma das soluções para problemas matrimoniais é uma mudança na sua compreensão acerca do verdadeiro propósito do casamento.

Como todo mundo, eu me casei acreditando naquelas frases feitas, como “Casei para ser feliz” ou “Casei para fazer o meu cônjuge feliz”. De um modo ou de outro, o que por anos foi muito claro é que o matrimônio tem – no imaginário popular – como finalidade levar o casal à felicidade. É o que nos ensinam nos contos de fadas, em que príncipe e princesa necessariamente têm de “ser felizes para sempre” e ninguém ensina a nossos filhos que príncipes e princesas não vivem deitados eternamente em berço esplêndido, tampouco são lindos de morrer (lembra do príncipe Charles, por exemplo?). Pelo contrário, eles têm obrigações, cotidianos corridos e estressantes, assuntos complicadíssimos do reino para resolver, responsabilidades graves, estresse constante pelo assédio da imprensa (lembra de como foi a morte da princesa Diana, fugindo dos paparazzi?), que exigem demais deles. Mas a imagem ensinada aos pequenos é que príncipes e princesas são bonequinhos lindos e cheirosos, sempre felizes, eternamente de bem com a vida, numa utopia destrutiva para a formação de identidade de um ser humano – é por isso que sinto pânico quando ouço crianças serem chamadas por cargos da monarquia, como “reizinho” e “princesinha”. E, assim, somos adestrados desde os primeiros anos de vida a acreditar que o casamento tem de nos conduzir a esse estado de “ser feliz para sempre”. O que, aliás, é impossível, nunca acontecerá com ninguém e é propaganda enganosa. Mas todo mundo sobe ao altar acreditando nisso.

princesasA princesinha da mamãe um dia vai se casar com um ogro, que, por mais esforçado que seja, terá todos os defeitos que ela não espera (afinal, tirando o Shrek, os príncipes dos contos de fadas nunca têm defeitos). O principezinho do papai um dia se casará com uma mulher que não é delicadinha e obediente como a princesa dos desenhos animados (ou você acha que a rainha Elsa, de “Frozen”, nunca vai engordar, criar pelanca e dar ataques de TPM?). A realidade é a realidade, mas aprendemos de nossos pais e ensinamos a nossos filhos que nosso casamento tem de ser exatamente como na ficção. Que, como diz o nome, é ficção. A realidade tem cores, cheiros e um peso enormemente diferentes.

Adestrados por essa mentalidade equivocada, hedonista e antibíblica de que casamento foi feito para nossa felicidade ininterrupta, subimos correndo ao altar com essa ideia totalmente irreal em mente. Seguimos para a lua de mel com ela. E, pior de tudo, prosseguimos pela vida tomando-a como o critério para julgar se um casamento é bem-sucedido ou não. Só que, por acreditarmos no conto de fadas da felicidade ininterrupta, quando somos confrontados pela realidade é impossível não se frustrar com o cônjuge, não se desapontar, não se chocar com a enorme distância entre ele e aquele lindo príncipe sem espinhas, nariz escorrendo ou cheiro de suor que desperta a Branca de Neve de seu sono com um lindo beijo nos lábios (já imaginou o hálito da Branca de Neve depois de tanto tempo dormindo, sem escovar os dentes?).

washerEu acreditei por muitos anos na mentira da felicidade como critério para julgar a solidez de um casamento. E, assim como você, tive muitas infelicidades ao longo de minha vida matrimonial justamente porque em muitos momentos me vi infeliz. E, assim, a infelicidade alimenta a infelicidade, num ciclo que parece não ter fim. “Se quero ser feliz no casamento mas não sou sempre feliz na vida a dois, então meu casamento é um desastre”, cheguei a penar. Tudo mudou quando ouvi há poucos anos uma pregação do pastor Paul Washer, no YouTube, que causou uma grande transformação na minha forma de enxergar o matrimônio. Recomendo enfaticamente que você assista (clique AQUI). Como toda pregação eficaz e bíblica, ela mexeu com minhas estruturas e modificou minha forma de ver tudo.

Essencialmente, o que Washer ressalta, com muita correção bíblica, é que o casamento não foi criado por Deus para nos fazer felizes, ao contrário do que prega a sociedade em que vivemos. “O verdadeiro propósito do casamento é que ambos sejam conformes à imagem de Jesus Cristo”, diz. Essa percepção mudou totalmente a minha visão sobre o casamento. Ouvir essa pregação foi como uma cortina que se levantasse diante de meus olhos e me fez compreender enormemente coisas que antes eu não compreendia. Meus paradigmas foram transformados. E Deus promoveu em mim a metanoia, a renovação da mente de que Paulo fala em Romanos 12.2.

Meu casamento tornou-se perfeito depois disso? Claro que não. Eu não sou perfeito e minha esposa também não é, lógico que nosso matrimônio jamais seria (ou será) perfeito. Mas o entendimento do verdadeiro propósito do casamento fez com que meus esforços e minhas percepções começassem a me conduzir por caminhos completamente diferentes. Quando você compreende que não se casa para ficar sorrindo, dançando e pulando o tempo inteiro, com dentes brilhantes sob a luz do luar, passa a ter atitudes muito contrárias às que tinha antes.

casalEntenda algo. Se seu cônjuge é turrão e cabeça dura mas você acredita que ele teria de ser diferente para você ser feliz, então você viverá eternamente insatisfeito (ou você ainda acredita na ideia de que as pessoas mudam conforme o seu querer? A sua vontade de que mudem não mudará ninguém). Mas, se entende que seu cônjuge turrão faz com que você se torne alguém mais paciente, então enxerga que o seu casamento com alguém cabeça dura te conforma mais à imagem de Cristo. Outro exemplo: se o seu marido (ou a sua esposa) é meio brigão, comece a tentar ver que isso pode desenvolver em você um lado pacificador cada vez maior. Ou, ainda, se o seu cônjuge é do tipo que de vez em quando busca iniciar briguinhas e discussões, perceba quanto isso te leva a crescer em domínio próprio. Em outras palavras, cada defeito da pessoa com quem você se casou pode ser visto de duas maneiras: ou como um obstáculo à sua felicidade e à sua ideia de casamento conto de fadas, ou como um meio que Deus estabeleceu para que você seja cada vez mais assemelhado a Cristo. Como disse Paul Washer, “Ele [Deus] quer prová-lo e testá-lo de forma que você será conformado à imagem de Jesus Cristo”.

Sei que muitos não concordarão de imediato com essa visão, o que é totalmente compreensível. Não é fácil mudar décadas de uma ideia formatada, que foi inserida na sua cabeça desde que você usava fraldas. Mas, se você consegue adquirir a percepção de que seu cônjuge não é um adversário imperfeito que chegou para atazanar sua vida, mas, sim, um aliado imperfeito que chegou para criar mais e mais intimidade entre você e o Cordeiro de Deus… tudo muda. Em mim mudou.

aliançaO Senhor quer nos fazer crescer em misericórdia, graça e amor incondicional. Deus deseja que cresçamos a partir das fraquezas de nosso cônjuge – e ele, das nossas – para que cuidemos e amemos nossos maridos e nossas esposas mesmo quando eles não atenderem às nossas expectativas. Sei que você vai questionar muito o que escrevi aqui quando olhar seu cônjuge, lembrar de todos os defeitos, falhas e pecados dele – repetidos dezenas de vezes, muitas delas sem arrependimento. Vai achar loucura que ter de enfrentar isso seja algo que venha para o seu crescimento. E é mesmo: “a mensagem da cruz é loucura para os que estão perecendo, mas para nós, que estamos sendo salvos, é o poder de Deus” (1Co 1.18). Sim, é loucura a olhos humanos. Mas é crescimento espiritual aos olhos divinos. “‘Os meus pensamentos não são os pensamentos de vocês, nem os seus caminhos são os meus caminhos’, declara o SENHOR. ‘Assim como os céus são mais altos do que a terra, também os meus caminhos são mais altos do que os seus caminhos, e os meus pensamentos, mais altos do que os seus pensamentos'” (Is 55.8-9).

Desde que ouvi essa pregação, volto a ela com frequência. Ouço e ouço de novo. A demolição de ideias que nos acompanharam por décadas nunca é algo rápido ou fácil. Exige humildade e dói. Mas a reconstrução é libertadora. Só Deus sabe como essa nova percepção da realidade bíblica mudou totalmente a forma de enxergar meu casamento e minha esposa e, com isso, mudou muito em mim. O que antes eu via como defeito agora enxergo como canal de bênção. O que antes eu acreditava que subtraía hoje eu vejo que soma. Ainda estou no processo, mas já é possível observar a diferença que faz o abandono da teoria irreal de que casamento tem como finalidade a felicidade eterna. Pois essa teoria necessariamente pressupõe a existência de um cônjuge que seja perfeito a ponto de ser capaz de nos proporcionar felicidade eterna e, também, na existência de perfeição em nós, para que possamos proporcionar felicidade eterna a nosso cônjuge. Só que isso não existe, jamais existiu e nunca existirá. Ninguém jamais será perfeito, meu irmão, minha irmã. Você jamais será perfeito. Logo, o cônjuge ideal só existe nos nossos sonhos irreais. É por isso que você é um cônjuge tão imperfeito. A realidade é o que está dentro de sua casa – seu cônjuge e você. E é a partir dessa realidade que Deus quer conformar ambos à imagem de Cristo.

casal0Sei que deve ser muito duro para você ler isso. Acredite, não escrevo este texto com o coração leve. Pois entendo perfeitamente o que é alguém que vive realidades muito difíceis em sua vida conjugal olhar para elas e aceitar que Deus as permite para seu crescimento espiritual. Compreendo se você se revoltar contra esse pensamento, embora lamente caso não consiga enxergar a profundidade espiritual que ele carrega em si. Mas a sabedoria bíblica que essa mensagem compartilha é fulminante. Como diz Pr. Washer com extremo discernimento espiritual, “Como Deus te ama muito, ele não lhe dá alguém compatível com você. Isso ocorre porque Deus é muito melhor do que você e os seus presentes são muito maiores do que aqueles que você poderia sequer dar a si mesmo. Você ia querer uma vida fácil e com perfeita compatibilidade. Deus não vai te dar isso, porque isso nunca produz caráter cristão, piedade verdadeira ou conformidade com a imagem de Jesus Cristo”.

Vi em outro vídeo – de uma curta conversa entre John Piper, Tim Keller e D.A.Carson – que o  pastor, teólogo e mártir cristão Dietrich Bonhoeffer disse que “a aliança entre marido e mulher sustenta o amor e não o amor sustenta a aliança” (veja o vídeo AQUI). O pacto que fazemos no altar é, acima de tudo, de respeito a uma aliança, antes de ser de amor. Quando você compreende isso, tudo muda. E, pode acreditar, você passa a amar muito mais. E, se você rompe esse pacto, tudo torna-se muito pior. Por isso, fica aqui o conselho enfático: se você falhou nas promessas estabelecidas na aliança, não descarte esse casamento, pelo contrário, busque na graça de Deus o restabelecimento da aliança e prossiga em frente. Houve erros e pecados que feriram os termos da aliança entre você e seu cônjuge? Então recorra ao Senhor em busca da restauração – pois ele deseja, pode e vai restaurar seu casamento se você tão somente se dispuser a isso.

cruz de cristoPeço a Deus que todas as dificuldades de sua vida matrimonial venham a fazer você e seu cônjuge crescerem em intimidade com Deus. Que as falhas e imperfeições suas e de seu cônjuge sirvam para conformá-los cada vez mais à imagem de Cristo. Pois “Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito. Pois aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho…” (Rm 8.28-29). Você não é perfeito. Seu cônjuge não é perfeito. E, para tentar aproximar vocês dois um pouco mais da perfeição, o Ser perfeito criou essa estranha ferramenta chamada casamento. Use-a e torne-se a cada dia um pouco mais como Cristo.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

paciencia1Vivemos dias de grande impaciência. A fila do supermercado nos irrita; esperar mais do que trinta segundos pelo download nos chateia; o engarrafamento nos transtorna; “KD VC?!”, cobramos, pelo celular, da pessoa que ainda não chegou onde marcamos; meu Deus, nove meses para nascer o bebê! Não sabemos mais esperar. Em poucas décadas, a humanidade aprendeu que tudo está ao alcance de um botão, que a food pode ser fast, que a pipoca de microondas estoura mais rápido, que um clique do mouse resolve tudo na hora; que esperar é perder tempo. Só que não temos tempo a perder! Aliás, tempo temos, nós é que não queremos mais perder tempo. Tudo é pra já. Nada mais em nossa vida nos treina para sermos pacientes, pelo contrário, a rapidez de tudo nos adestra, na verdade, para sermos especialistas em impaciência. Não sabemos esperar com tranquilidade. Infelizmente, a cultura do “é pra ontem” tem cobrado um preço alto de nossa vida espiritual e de nosso relacionamento com Deus.

“Esperei com paciência no SENHOR, e ele se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor” (Sl 40.1). As palavras do salmista soam bastante fora de moda, pois esperamos com cada vez menos paciência que Deus cumpra seus propósitos. Oramos sempre na expectativa de uma cura instantânea – se ela vier daqui a uma semana é porque o Onipotente está meio fora de forma. Barganhamos fé em troca de pressa. Seis meses desempregado? Que Deus é esse? A oração precisa ter resposta imediata. O amor que ainda não apareceu? Anda logo, Onipotente! O parente que ainda não foi salvo? Acho que não tem mais jeito para ele. Chegamos ao Senhor como quem chega ao balcão do McDonald’s, exigindo uma bênção crocante e quentinha – se chegar fria ameaçamos mudar para a concorrência, como muitos que abandonam o evangelho porque não foram atendidos na hora em que queriam. Nossa impaciência tem nos levado a viver um cristianismo bem diferente daquele que a Bíblia ensina. É o cristianismo do Deus express.

paciencia2Só que o Deus da Bíblia não é assim e seus servos não devem esperar que ele seja de outro jeito. Na vida de Abraão, por exemplo, sempre destacamos a sua fé, mas o autor de Hebreus mostra que a paciência foi indispensável para o êxito do patriarca: “E assim, depois de esperar com paciência, obteve Abraão a promessa” (Hb 6.15). Queremos que a promessa se cumpra, mas não temos paciência de esperar por ela. Fé, meu irmão, minha irmã, é algo ligado intimamente à paciência. Paulo deixou isso claro: “Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o aguardamos” (Rm 8.25). Não basta ter fé se ela só durar até o limite da paciência. Entenda que ter fé significa ter a certeza de algo que virá (Hb 11.1) e, se é uma certeza, você espera por toda a eternidade que ocorra. Fé que acaba ou que se abandona depois de algum tempo não é fé, pois certeza implica em paciência para se aguardar quanto tempo for preciso.

Paciência não é uma opção em nossa vida espiritual: ela é indispensável. O cristão que não sabe esperar com paz no coração aquilo que almeja acabará vivendo crises difíceis. Pois ter paciência significa ser capaz de tolerar contrariedades, dissabores e infelicidades. É esperar o que se deseja em sossego e com perseverança. “Mas, se somos atribulados, é para o vosso conforto e salvação; se somos confortados, é também para o vosso conforto, o qual se torna eficaz, suportando vós com paciência os mesmos sofrimentos que nós também padecemos” (2Co 2.1-6).

paciencia3Paciência, aliás, faz parte da essência do Senhor: “Ora, o Deus da paciência e da consolação vos conceda o mesmo sentir de uns para com os outros, segundo Cristo Jesus (Rm 15.5). Que expressão linda: “Deus da paciência”. Não é de se espantar que uma das virtudes do fruto do Espírito seja, exatamente, paciência (Gl 5.22-23), pois, para nos conformarmos à imagem de Cristo, precisamos ter em nós aquilo que ele é. E é fundamental lembrar sempre que fazemos parte de um povo que baseia toda sua crença religiosa numa esperança que exige de nós paciência: “Sede, pois, irmãos, pacientes, até à vinda do Senhor. Eis que o lavrador aguarda com paciência o precioso fruto da terra, até receber as primeiras e as últimas chuvas. Sede vós também pacientes e fortalecei o vosso coração, pois a vinda do Senhor está próxima. Irmãos, não vos queixeis uns dos outros, para não serdes julgados. Eis que o juiz está às portas. Irmãos, tomai por modelo no sofrimento e na paciência os profetas, os quais falaram em nome do Senhor. Eis que temos por felizes os que perseveraram firmes. Tendes ouvido da paciência de Jó e vistes que fim o Senhor lhe deu; porque o Senhor é cheio de terna misericórdia e compassivo” (Tg 5.7-11). Se não tivermos paciência para esperar pelo retorno do Senhor, de que adianta tudo o que vivemos?

Sei que eu e você fomos criados para viver em uma sociedade que não sabe esperar, que deseja tudo para ontem, que tem respostas e comodidades a um botão de distância. Mas o evangelho nos convida a contrariar essa ideia. Se queremos viver plenamente segundo a esperança que nos foi proposta, precisamos aprender a esperar com paz na alma. A respirar fundo e deixar Deus ser Deus, isto é, a agir no tempo que tem planejado. É por ser impacientes que muitos de nós enfiamos os pés pelas mãos e, tal qual Saul sacrificou sem ter esperado a chegada de Samuel, agimos precipitadamente e tomamos escolhas erradas – com consequências que podem ser desastrosas. Muitas vezes, temos de abrir mão de algo por anos se desejamos que Deus aja. O preço da impaciência costuma ser muito alto.

A Bíblia nos mostra que o Senhor age quando quer agir e não quando nós queremos. Jesus não chegou à casa de Lázaro quando Marta e Maria queriam, mas quando o defunto já cheirava mal. Embora não parecesse aos homens, era o momento certo para Deus. O cativeiro babilônico durou 70 anos. A escravidão no Egito, 400. Às vezes, o calendário divino demanda bastante tempo. Entre a primeira e a segunda vindas de Jesus já se passaram mais de dois mil anos, e a ampulheta segue escorrendo areia. Por que essa ansiedade toda? Por que essa impaciência toda? Você não confia? Será que Deus não é a melhor pessoa para dizer a hora certa de algo acontecer?

paciencia4Calma. Paciência. Paciência, meu irmão, minha irmã. Deixe-se guiar sempre pelas palavras de Davi: “Entrega o teu caminho ao SENHOR, confia nele, e o mais ele fará. Fará sobressair a tua justiça como a luz e o teu direito, como o sol ao meio-dia. Descansa no SENHOR e espera nele [...] Deixa a ira, abandona o furor; não te impacientes…” (Sl 37.5-8). Que o Deus da paciência acalme o seu coração, a fim de que você olhe cada vez menos para o relógio e cada vez mais para a cruz.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Rixosa1A Bíblia fala sobre um tipo específico de mulher, que merece nossa atenção: a mulher rixosa. Como essa não é uma palavra muito comum, temos de entender exatamente o que significa. Segundo o dicionário, “rixosa” é uma pessoa “que promove contenda”. Ou seja, uma mulher briguenta, que causa discórdia ou desavença, que com enorme frequência está de mau humor. Ela é irritadiça, explode por qualquer coisa, descarrega suas tensões e frustrações em cima dos outros, ira-se num piscar de olhos, tem sempre uma boa desculpa para despejar sua cabeça quente e falta de mansidão sobre os demais – eles que aguentem. Ela tem prazer em comprar briga. E, por tudo isso, é intragável. Bem… por que tratar especificamente desse tipo de mulher? Pois, acredite, é um dos tipos sobre os quais a Bíblia mais fala – certamente, não à toa.

Vejamos algumas verdades que as Escrituras expõem sobre a mulher que promove contendas: “Melhor é morar no canto do eirado do que junto com a mulher rixosa na mesma casa”. Essa mesma afirmação é tão séria que ocorre em duas passagens: Provérbios 21.9 e 25.24. O que esse versículo está dizendo é que a mulher rixosa é alguém tão insuportável que ninguém consegue conviver debaixo do mesmo teto com ela. Quando chega da rua, em vez de trazer alegria para o lar traz uma nuvem negra sobre a cabeça e contamina todos ao redor com seu mau humor crônico. É aquela que, quando você dá “bom dia” parece que ela responde “o que há de bom nele?!”. A mulher rixosa afasta os outros de si. Ela destrói seu casamento, leva os filhos à ira e sabota a harmonia do lar. Dificilmente ela cede e nunca admite que está errada. A culpa de tudo é sempre do outro – que, por isso, precisa ouvir umas boas verdades. Desculpar-se? Jamais, pois acredita que pedir perdão é diminuir-se em vez de engrandecer-se. Em suma, a mulher rixosa faz você querer estar em qualquer lugar do mundo, menos perto dela.

Morte6A Bíblia avança na descrição desse tipo de mulher: “Melhor é morar numa terra deserta do que com a mulher rixosa e iracunda” (Pv 21.19). Essa afirmação parece semelhante à anterior, elevada ao quadrado. Uma terra deserta não tem água, é um lugar onde você morre de sede. A comida é escassa, restrita a animais rastejantes e peçonhentos. De dia, o calor é abrasador, queima a alma, tira o ânimo, mata por desidratação. As noites são gélidas e congelam quem anda por ali. Uma terra deserta tem tempestades de areia que tornam a vida de quem está na região um inferno, pois açoitam sua pele, enchem seus orifícios de sedimentos, impedem a visão, tornam a caminhada impossível. O deserto é o último lugar do mundo em que você quer morar, porque a qualidade de vida ali é a pior que há. No entanto, a Bíblia diz que é melhor morar nesse local insuportável do que com uma mulher iracunda e rixosa. É… a coisa é grave.

Morte7Mas não para por aí. A sabedoria bíblica afirma: “O gotejar contínuo no dia de grande chuva e a mulher rixosa são semelhantes” (Pv 27.15). Os antigos chineses tinham um método conhecido de tortura, simples e eficaz. Quando capturavam um inimigo, o amarravam de modo que ficasse imóvel. Em seguida, punham uma fonte qualquer de água sobre a cabeça daquele pobre coitado, para que um gotejar contínuo caísse sobre o mesmo ponto de sua cabeça. Uma gota. Duas gotas. Três. Quatro. Vinte. Cem. Mil. Dez mil. E por aí vai. Não parece grande coisa, mas os relatos históricos revelam que essa simples forma de tortura, após dias seguidos de pingos intermináveis, era capaz de levar os torturados simplesmente à loucura. Isso mesmo. Guerreiros fortes e bem treinados, com resistência a grandes dores e sofrimentos, eram quebrados e enlouqueciam devido a um gotejar contínuo. E é a isso que o texto bíblico compara a mulher que vive em contendas. Em outras palavras: a mulher rixosa é capaz de te levar à loucura. Ela tira qualquer um do sério e a convivência com ela torna-se uma tortura insuportável.

Morte9A mulher rixosa age, portanto, de modo errado, indigno e vergonhoso. Muitas vezes vemos homens casados definharem depois de conviver por anos com esposas do tipo. Eles perdem o viço, o vigor, a alegria e, muitas vezes, a saúde. É fácil entender a razão: “A mulher virtuosa é a coroa do seu marido, mas a que procede vergonhosamente é como podridão nos seus ossos” (Pv 12.4). Pela medicina, apodrecimento ósseo ocorre em algumas poucas circunstâncias. Uma é uma condição chamada osteonecrose, uma consequência da má circulação sanguínea dentro do osso, que causa a morte de células e tem como resultado o apodrecimento do osso e, consequentemente, fraturas e dor no local. A única solução para a osteonecrose é remover o osso e substituí-lo por uma prótese. A outra situação que faz o osso apodrecer? A morte. Deu para entender a que a Bíblia compara esse tipo de mulher?

A mulher rixosa vive de modo oposto ao que o evangelho propõe. Ela precisa urgentemente de uma mudança de vida. Já tratei aqui no APENAS do fato que não existem cristãos arrogantes (ver AQUI) e, do mesmo modo, não acredito que uma mulher rixosa tenha intimidade com Deus. Simplesmente porque a natureza de um cristão autêntico exclui totalmente o prazer por promover a contenda. Paulo admoesta que devemos fazer tudo “sem murmurações nem contendas” (Fp 2.14), logo, viver estimulando a rixa contraria a vontade divina. Provérbios 10.12 diz que “O ódio excita contendas, mas o amor cobre todas as transgressões”. Vemos, então, que a rixa é fruto do ódio e, por sua vez, o ódio é contrário à natureza de Cristo, como deixam claro algumas passagens das Escrituras: “Aquele que diz estar na luz e odeia a seu irmão, até agora, está nas trevas” (1Jo 2.9); “Todo aquele que odeia a seu irmão é assassino; ora, vós sabeis que todo assassino não tem a vida eterna permanente em si” (1Jo 3.15). Por outro lado, o amor é a essência de Deus: “Deus é amor, e aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus, nele” (1Jo 4.16).

Rixosa2Uma mulher rixosa, ou seja, que promove contendas, faz exatamente o contrário do que a Bíblia estipula como o comportamento ideal de uma mulher de Deus. Paulo condena as contendas em passagens como 2Timóteo 2.23, Romanos 13.13 e Tito 3.9. Em 1 Coríntios 3.3, o apóstolo de Cristo associa diretamente as rixas à carnalidade: “Porquanto, havendo entre vós ciúmes e contendas, não é assim que sois carnais e andais segundo o homem?”. Isso é totalmente corroborado por Tiago, quando o irmão de Jesus diz: “De onde procedem guerras e contendas que há entre vós? De onde, senão dos prazeres que militam na vossa carne?” (Tg 4.1). Mais claro, impossível: ser rixoso é ser carnal – logo, é viver distante de Deus.

Meu objetivo ao chamar sua atenção para a deformação espiritual que é ser uma mulher rixosa é despertá-la para uma reflexão. Pense sobre a sua vida. Será que as pessoas vivem se afastando de você? Será que seu marido tem preferido ficar em qualquer outro lugar que não seja ao seu lado? Será que os irmãos fogem de sua companhia? Será que seus filhos evitam ficar muito tempo com você? Se a resposta a alguma dessas perguntas foi “sim”, não necessariamente significa que você é rixosa, pode haver outras explicações. Mas… pode ser que sim. Talvez as suas atitudes e o seu temperamento precisem ser reavaliados, o que é algo excelente: “Honroso é para o homem o desviar-se de contendas, mas todo insensato se mete em rixas” (Pv 20.3).

A boa notícia é que isso tem jeito. Se você perceber que tem vivido a insensatez do mau humor constante, saiba que rabugice tem cura. Um espírito belicoso tem cura. Uma alma amarga tem cura. E a cura tem nome: Jesus de Nazaré.

Rixosa3Jesus é o Príncipe da Paz. Ele é o manso Cordeiro. Ele é o Senhor dos exércitos que foi humilhado sem revidar. “Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma” (Mt 11.29). Aproxime-se de Cristo. Procure crescer em intimidade com ele. Busque-o na oração e no estudo de sua Palavra. Viva uma vida com Deus. Negue-se a si mesmo e siga-o. Aprenda a pedir perdão, isso não diminui ninguém – muito pelo contrário. Reconheça seus erros, pois só almas grandiosas são capazes disso. Fale palavras de edificação e afirmação e não de diminuição e destruição. Aprenda a dar o braço a torcer. Ceda. Prefira os outros em honra. Sorria. Ame.

Se Cristo fizer morada no seu coração, os seus pensamentos se tornarão os pensamentos de Jesus, a sua mente será renovada e você se tornará uma mulher exemplar, como a de Provérbios 31.10-31: amada por todos, elogiada e que deixa um rastro de alegria e vida por onde passa.

Ah, sim: se você é um homem rixoso, não pense que está em melhor situação. Tudo o que leu neste post se aplica a você também.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Habito1Nunca dei muita atenção a algo a que uma grande quantidade de pessoas dedica boa parte de suas preocupações: a cor da pele. No Rio de Janeiro, em especial no verão é bem comum ver muita gente em busca daquela corzinha bronzeada. Para obter esse resultado estético vale tudo: bronzeamento artificial, bronzeamento por spray e, em especial, horas e horas sob o sol na praia ou na piscina. Para mim, no entanto, nada disso nunca fez parte das minhas preocupações. Esse desinteresse me garante um constante tom de pele alvo-mais-que-a-neve. E confesso que em minhas idas à praia uso um filtro solar fator 98 (sim, isso existe), para me livrar da ardência do sol. Consequentemente, sempre que pego um solzinho continuo com a mesma cor de leite de antes. Nas minhas últimas férias, porém, como relatei no último post do APENAS passei quase vinte dias indo diariamente à praia. E aí não há filtro solar que resolva: você acaba com a pele muito, mas muito mais morena do que antes. Só que isso traz também outro resultado: você descasca. Se você já passou por isso, sabe que seu braço pode ficar todo escamoso, com pelezinhas que se soltarão ao longo de alguns dias. Observando meus braços descascados ao final da minha temporada sob o sol, acabei sendo levado a uma reflexão sobre a importância da mudança de hábitos.

Quando o sol queima nossa pele, o que ocorre é que a camada superior de células literalmente morre. Com isso, ficamos com milhões e milhões de células inúteis presas ao nosso corpo. Curiosamente, antes de morrer, esse tecido foi encharcado por uma enorme quantidade de melanina, o pigmento que nosso organismo produz como uma barreira contra os raios ultravioletas do sol e que é justamente o que nos confere aquele tom bronzeado. Assim, se essa pele morta e dourada permanecesse em nós, teria apenas função estética, uma vez que suas atribuições funcionais estariam todas perdidas. E, cá entre nós, nosso corpo não está muito preocupado com nossa estética, por isso procura se livrar o mais rápido possível daquele material morto. O resultado é a decepção que experimentamos quando vemos nosso lindo bronzeado de praia se perder a cada pedaço de pele que descola.

Esse simples fenômeno da natureza nos remete a uma grande lei do cosmos: a necessidade de renovação. Tudo o que morre ou torna-se inútil precisa ser renovado, transformado, reciclado. Isso ocorre com tudo no universo: animais morrem e são decompostos, plantas morrem e viram adubo, dinossauros morreram e viraram petróleo, energia elétrica se transforma em luz e calor, gás carbônico vira oxigênio… enfim, tudo chega a um fim e se torna algo novo. Espiritualmente a coisa não é diferente.

Paulo escreveu: “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12.2). Esse simples versículo tem muito a nos ensinar. Primeiro: a renovação da nossa mente ocorre a partir do inconformismo: “…não vos conformeis…”. Se nos acomodamos e ficamos confortáveis onde estamos e com o que estamos fazendo e não nos questionamos acerca daquilo que nos cerca, não experimentaremos a vontade divina. Segundo: essa renovação acontece a partir de uma iniciativa nossa, como o apóstolo diz, “transformai-vos”, ou seja, “ajam no sentido de promover mudança em vocês mesmos”. Assim, vemos que temos de sair do conforto e agir para mudar.

Nossa mente é muito ligada a aquilo que é um hábito em nossa vida. Hábitos nos trazem conforto, paz, tranquilidade. Rotinas nos dão segurança. Elas não nos desafiam, não geram instabilidade, não exigem esforço. Por isso, mudar um hábito é uma das tarefas mais difíceis que há. É raro encontrar alguém que goste de mudar uma prática que já se consolidou, que faz parte do dia a dia, que nos obriga a reformular, repensar, renovar.

Habito3Por exemplo: você está acostumado a seguir para o trabalho, a escola ou a faculdade sempre pelo mesmo itinerário. Num certo dia descobre que a prefeitura mudou a mão de várias ruas e interditou outras, o que te obriga a mudar totalmente sua forma de chegar ao destino. Confesse: isso te incomoda ou não? Na realidade, não haveria nenhum mal nisso, mas você é obrigado a reconstruir algo que já estava solidificado, estabelecido… e isso traz desconforto. Vamos supor outra situação: você está acostumado a certa estrutura na igreja, gosta dos pastores e da forma como as coisas acontecem e tudo segue na mais calma paz. Em certo domingo, recebe a informação que os pastores vão mudar e vai haver alterações na liturgia, no estilo de louvores, nas lideranças dos departamentos e por aí vai. Se você já viveu isso sabe que fica sempre atrás da orelha aquela pulga cochichando “poxa, estava tudo tão bom, por que tinha de mudar?”. Na verdade, o que te incomoda é a alteração de hábitos que, juntos, tornavam a situação confortável.

Sim, ninguém gosta de mudar aquilo a que já está habituado. O problema é que, muitas vezes, nossos hábitos se tornam como células mortas na pele e, se não forem descartados e trocados por outros, vamos sofrer as consequências. Por isso, precisamos constantemente buscar a renovação. E isso segue um caminho, em geral, parecido: primeiro, devemos nos examinar, pondo nossos hábitos sob a luz das Escrituras. Se percebermos que algo precisa mudar, não dá para nos acomodarmos: temos de nos inconformar.  E, mediante o inconformismo, é preciso agir no sentido de promover de fato a transformação.

Habito2Quais são as células mortas da sua vida? Você está preso a antigos hábitos sexuais pecaminosos? Pois isso é pele podre agarrada a sua alma, é preciso se inconformar e mudar. Ou será que ainda vive na prática do “jeitinho”, arrumando modos de sonegar impostos ou escorregando umas propinas de vez em quando? Enquanto não perceber que isso são células apodrecidas presas a você, viverá debaixo de podridão espiritual. De repente você não tem questões na área sexual nem pratica corrupção, mas ainda não conseguiu se livrar do hábito de falar mal dos outros. Pele morta. Talvez você seja um marido abusivo ou uma esposa insubmissa. Pele morta. Vai ver ainda não conseguiu se livrar de certas formas de entretenimento que ferem a sua santidade. Pele morta.  Pode ser que faça articulações dentro da igreja para obter poder pessoal. Pele morta. Ou, então, a sua vaidade siga tão pomposa e pecaminosa como antigamente. Pele morta. Pode ser que seu espírito continue tão altivo como quando estava no mundo. Pele morta. Há ainda a chance de seu amor pelo dinheiro alimentar uma ganância que não coaduna com o padrão bíblico. Pele morta. Será que seu temperamento segue tão explosivo como antes? Pele morta. É possível que pratique o favorecimento de pessoas próximas a você por interesse. Pele morta.

E por aí vai…

Há muitos e muitos hábitos que as pessoas trazem do mundo e que permanecem após a conversão. Ou mesmo cristãos de berço que adquiriram hábitos perniciosos que não conseguiram abandonar. Mascarados por justificativas como “não tem nada de mais”, “sou autêntico”, “não consigo deixar”, “é mais forte do que eu”, “sempre foi feito dessa forma” e tantas outras, esses hábitos permanecem na sua vida, agarrados de forma tóxica a sua alma, mortos e apodrecidos. Você, conformado, não consegue ou nem mesmo tenta se livrar deles. E, por isso, eles ali ficam, enchendo sua vida de decrepitude espiritual.

Você não pode se conformar com esses velhos hábitos, meu irmão, minha irmã. Seja sincero diante de Deus. Se vê que ainda há hábitos que pratica mas que configuram pele morta, mude. Aja. Parta para a ação. Você consegue – pois, antes que você queira a renovação, Deus já queria. E, se ele quer, ele vai te ajudar, fortalecer, capacitar. Que hábito em sua vida é pele espiritualmente morta? Se você sabe, não se conforme. A hora de mudar é já.

Ah, a propósito: meus braços ficaram com aquele descascado feio por alguns dias. Mas, assim que toda a pele morta se soltou e caiu, uma pele nova nasceu por baixo. Não tão morena. Não tão na moda. Mas incomparavelmente mais saudável.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Pai1Já relatei em alguns posts do APENAS como minha experiência como pai me fez (e faz) enxergar de maneira muito mais profunda as realidades do relacionamento de Deus conosco, seus filhos. Se você é pai ou mãe certamente entende o que estou dizendo. Parece que cada episódio de nossa vida paterna é uma pregação. Cada dia com nossos filhos, um culto. Cada noite, uma vigília. A voz do Senhor e suas verdades tornam-se muito mais concretas diante daquilo que vivemos com nossos pequenos. Permita-me trazer mais uma reflexão sobre nossa fé a partir de algo que aconteceu comigo e minha filha de 3 anos.

Moro no Rio, cidade de praias. Naturalmente, levo minha pequena desde bebê para desfrutar desse playground natural. Ela sempre amou se esbaldar na areia e na água. Bem… nem sempre, na verdade. Quando completou 2 anos, um episódio teve grande impacto sobre ela. Sempre fui extremamente cuidadoso, pois sei os riscos que um segundo de distração paterna pode causar quando um filho está na água. Um dia, porém, estávamos na praia do Leblon, que tem uma arrebentação muito perto da beira, e um erro meu custou caro. De mãos dadas, eu a fazia pular por cima de cada onda que arrebentava, com aqueles gritinhos de “uúu!” que as crianças tanto amam. Ela estava eufórica, gargalhava e gritava “de novo!”. Mas, então, cometi um descuido. Eu me distraí com alguma coisa e não vi quando uma onda maior se aproximou e estourou em cima de nós. Resultado: a água entrou pelo nariz, os ouvidos, a boca e a alma da minha filhinha.

Entre engasgos e olhares assustados, ela se atracou ao meu pescoço, num gesto de desespero. Eu havia falhado e, por causa de um segundo de desatenção, a pequena parecia ter ficado traumatizada. Daquele momento em diante, nunca mais ela quis entrar na água do mar. Embora ame as aulas de natação e nade boas distâncias em uma piscina sem que ninguém a segure, daquele dia em diante ela começou a demonstrar pânico do mar. Ir à praia com ela passou a significar fincar âncora na areia e nem sonhar em chegar à beirinha da água.

Tentei muitas vezes. Cheguei mesmo a forçar a barra, entrando com ela no meu colo em águas calmas. Em vão: minha filha cravava as unhas no meu pescoço, escalava minha cabeça e, como um macaquinho que foge de um tsunami subindo ao ponto mais alto de uma árvore, ela se instalava no ponto mais alto dos ombros e da cabeça de seu papai, em pânico. Os fracassos sucessivos, durante meses, quase me convenceram de que não tinha mais jeito, o negócio era aceitar que ela tinha se tornado uma pessoa traumatizada e que nunca mais entraria no mar.

Mas um pai amoroso nunca desiste de seus filhos.

Pai2Decidimos passar as férias desse fim de ano em Cabo Frio, uma cidade essencialmente praiana. Como conheço bem a rotina do lugar, sei que ficar na cidade significa, em resumo, acordar, ir à praia, comer, ir à praia e dormir. Por um lado já estava antevendo a dor de cabeça que seria passar 20 dias na praia com uma filha que tem pavor de mar. Mas, por outro, decidi que aquela situação tinha de acabar. Então, em vez de simplesmente aparecer com ela diante do mar e tentar empurrá-la para dentro da água, desde que decidimos passar as férias em Cabo Frio resolvi trabalhar a ideia na mente dela. Decidi… pregar.

Comecei pedindo-lhe perdão por tê-la deixado se assustar uma vez e garanti que eu estaria sempre presente, extremamente atento a sua segurança. Deixei claro que o papai iria protegê-la e faria disso prioridade. Verbalizei tudo o que era possível para deixá-la totalmente segura naquela situação. E fiz isso por um longo tempo e muitas vezes. A fim de torná-la ciente do que vinha pela frente, passei a dizer rotineiramente que iríamos a um lugar de praia e que passaríamos muito tempo lá. Junto a isso, comecei a explicar repetidamente e frequentemente como é o mar, propositadamente iniciei uma série de preleções sobre as águas do oceano, explicando como funcionam as ondas, o que fazer para evitar que elas sejam incômodas e outros aspectos relacionados ao seu grande medo. Preguei, preguei e preguei.

Enfim chegou o dia.

Creio que eu estava muito mais ansioso do que ela. Chegamos a Cabo Frio, nos instalamos e logo fomos à praia. Assim que pisamos na areia, minha filhinha disse algo surpreendente:

- Eu adoro o mar!

Sorri, surpreso com aquela afirmação inesperada. Montamos a barraca e ela começou:

- Vamos, papai, vamos para a água!

Pai3Seria possível? Segurei minha pequenininha pela mão e caminhamos rumo às ondas. Para meu espanto, ela não hesitou um segundo sequer: saiu invadindo a água. Pulou, mergulhou, se jogou em cima de mim. Daqui a pouco pediu para que eu soltasse sua mão, pois queria nadar sozinha. Eu, temeroso, permiti que aquele pingo de gente se esbaldasse, mas minha atenção ficou focada em cada onda que vinha. Sempre que uma maiorzinha despontava, eu a suspendia no ar, livrando minha filha de tomar água na cabeça. Aprendi com meu deslize. E cumpri minha promessa.

Durante todas as nossas férias, fui acordado por aquele pingo de gente me sacudindo e dizendo “vamos para a praia, papai?”. Quando chegávamos, antes que eu começasse a montar a barraca ela perguntava umas trinta vezes “vamos para a água, papai?”. Conclusão: foi difícil manter minha filhinha longe do mar. Ela pedia, destemida, para ir até o fundo; queria nadar, pular, fazer tudo o que pudesse, excitadíssima com a diversão. Quando vinha uma onda maior, por iniciativa própria corria para os braços do pai. Se entrava água em seu nariz ou sua boca, dava ouvidos ao pai e assoava ou cuspia. Creio que ela amadureceu, a partir dos problemas do passado, das palavras de esclarecimento e segurança que ouviu com constância e pela confiança que desenvolveu de que nunca seria desamparada ou abandonada pelo papai (e pela mamãe), sua fonte de segurança e conforto. O conhecimento e a confiança em que estaria segura a permitiram viver momentos de extrema felicidade.

Agora pense:

Infant Grabbing Man's FingerDeus é um Pai muito melhor do que eu. Ele nunca nos desampara. Ao contrário de mim, nunca fica desatento, jamais se distrai. Nada passa despercebido diante de seus olhos. Sua atenção conosco é constante, focada e dedicada. Ele jamais é pego de surpresa por qualquer onda, mas muitas vezes deixa que uma ou outra nos atinja, pelas razões mais diversas. Doenças, desemprego, luto, perdas, dificuldades, problemas, vales, desertos, dores, seja o que for: quando esses males chegam, parece que estamos nos afogando, perdemos o fôlego, ficamos espantados. O Pai permite que isso aconteça não para que percamos a fé ou fiquemos com medo diante da vida, mas para que amadureçamos, tenhamos experiências, cresçamos, subamos a patamares mais elevados em nossa espiritualidade. O problema ocorre quando, em vez de aproveitarmos essas circunstâncias para evoluir, deixamos que nos afetem de modo negativo, o que nos leva a questionar o cuidado de Deus.

Será que ele me abandonou? Será que não ouve minha oração? Será que cometi algum pecado que fez Deus virar-me as costas? Será que o Senhor desistiu de mim? Nossa fé é abalada. A confiança no Pai é minada. Passamos a temer. Os desafios da vida se tornam monstros apavorantes. Escalamos a árvore até o galho mais alto, pois a segurança de que Deus cuidará de nós a cada segundo foi posta de lado. Temores. Medo. Ansiedade. Trauma. Depressão. Tristeza. Sensação de abandono.

- Pai, as ondas estão fortes demais, não consigo!

Mas o Aba, nosso protetor celestial, aquele que nos ama com amor incompreensível, em momento algum se ausentou. Ele tentou numerosas vezes nos fazer ver que estava nos segurando pela mão ou nos carregando no colo, mas os traumas com as dores e os sofrimentos do passado fizeram nossa fé totalmente infrutífera. É o fim? Nem de longe, pois Deus é seu Pai.

E um pai amoroso nunca desiste de seus filhos.

Pai5Então, por saber que muito virá pela frente, o Senhor começa o processo de cura de nossa alma. Para isso, Deus começa a falar conosco. Leituras da Palavra nos dão explicações e esclarecimentos. Pregações iluminadas pelo Espírito Santo nos revelam como funcionam as coisas, como o Senhor age, por que certos sofrimentos ocorrem, o que fazer quando chegam as tribulações. Livros escritos por irmãos e irmãs movidos pelo Divino abrem os olhos para realidades profundas da ação do Pai. Aos poucos, o poder das verdades celestes vai transformando nossos medos em paz, nossa dor em esperança, nossos traumas em aprendizado. Amadurecemos. Vemos a vida e Deus de maneira diferente e com muito mais transparência. Entendemos que ele nunca nos abandonou nem nunca nos abandonará. Torna-se clara a certeza de que, em meio a toda aflição, o Senhor não soltou nossa mão, mas deixou as ondas nos atingirem sem causar um dano permanente – e os propósitos do alto diante daquela situação ficam patentes.

Passamos a compreender. Somos fortalecidos na fé. Galgamos novos patamares em nossa intimidade com o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Conhecemos Deus, então, não mais por ouvir falar, mas por vê-lo com nossos próprios olhos espirituais. Com isso, ganhamos total confiança nele. E quando novas ondas despontam no horizonte, ameaçando nos afundar, afogar e machucar, dizemos com destemor:

- Vamos, papai, vamos para a água!

Pai6Passamos a encarar os problemas com segurança. Os momentos de trevas não nos apavoram mais. Sabemos que os vales virão, mas nosso Pai está e estará sempre ali, a nos proteger, guardar, escoltar, sustentar, salvar. Ele é Emanuel: Deus conosco. Conosco, nunca longe de nós (Mt 1.23). Ele está com você todos os dias, até a consumação do século (Mt 28.20). E temos a certeza de que “Se subo aos céus, lá estás; se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também; se tomo as asas da alvorada e me detenho nos confins dos mares, ainda lá me haverá de guiar a tua mão, e a tua destra me susterá” (Sl 139.8-10). Tudo o que temos de fazer, então, é entregar nosso caminho ao Senhor, confiar nele e saber que o mais ele fará (Sl 37.5). E se, em algum momento, sua fé vacilar e você acreditar na mentira de que teu Pai não ajudará a te sustentar, “Confia os teus cuidados ao SENHOR, e ele te susterá” (Sl 55.22).

Meu irmão, minha irmã, as ondas certamente virão, pois ninguém atravessa o mar da vida sem ser açoitado por elas. Mas tenha esta certeza: o teu Pai, que jamais se distrai ou se descuida, te susterá. Palavra de pai.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Ora1O que devemos fazer quando estamos enfrentando um problema; oramos, oramos e oramos a Deus… mas não recebemos o que pedimos? Isso ocorre muitas vezes em nossa vida: simplesmente nossa oração não é atendida. A sensação que temos, nesses casos, é que Deus ou não nos ouviu ou nos virou as costas. Bem, na verdade não é isso o que ocorre. Há um acontecimento na vida de Paulo que pode nos conduzir a uma reflexão bem interessante sobre orações não atendidas.

Para pensarmos sobre essa questão, precisamos ler a famosa passagem do espinho na carne. “Conheço um homem em Cristo que, há catorze anos [...] foi arrebatado ao paraíso e ouviu palavras inefáveis, as quais não é lícito ao homem referir. [...] E, para que não me ensoberbecesse com a grandeza das revelações, foi-me posto um espinho na carne, mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de que não me exalte. Por causa disto, três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim. Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza” (2Co 12.2-9).

Pense bem: o que diferencia essa experiência de Paulo da sua experiência pessoal? Vejamos: Paulo tem um problema. Você tem um problema. Paulo ora a Deus pedindo uma solução. Você ora a Deus pedindo uma solução. Paulo não vê sua oração ser respondida da primeira vez. Você não vê sua oração ser respondida da primeira vez. Paulo persiste na oração, orando uma segunda vez. Você persiste na oração, orando uma segunda vez. Paulo não é atendido. Você não é atendido. Paulo ora sem cessar, clamando uma terceira vez. Você ora sem cessar, clamando uma terceira vez. Paulo não é atendido. Você não é atendido. Tudo igualzinho, reparou? A experiência do apóstolo em nada difere da sua. Só que, no caso dele, aconteceu um fenômeno que com você não acontece. É um detalhe nessa passagem que, a meu ver, é de suma importância.

Deus explicou.

Ora2Estas palavras de Paulo fazem toda a diferença: “Então, ele me disse…”. Sim, o Senhor verbalizou ao apóstolo, deu a ele uma explicação audível para o fato de não ter atendido seu clamor. E isso tirou do coração de Paulo toda a angústia que sente a pessoa que ora mas não é atendida. Havia uma explicação. Havia uma motivo cognoscível para aquilo. Mesmo que seu desejo não tivesse sido satisfeito, Paulo agora sabia a razão. E podia seguir em paz, pois tomou conhecimento do que levou Deus a não lhe conceder o que queria. E essa é a grande diferença da experiência de Paulo para a sua: ele recebeu uma justificativa. Com você e comigo isso não acontece. Ninguém nos diz por que nosso pedido ao Todo-poderoso foi negado.

Faça um exercício de imaginação. Suponha que Deus tivesse ficado quieto e simplesmente não explicasse a Paulo o porquê de não ter atendido aos seus pedidos. O apóstolo permaneceria ali, clamando, em angústia de alma, cheio de perguntas na cabeça. “Será que Deus não me ouviu?”. “Será que Deus só me atenderá daqui a muitos anos?”. “Será ao menos que Deus atenderá ao meu clamor algum dia, mesmo que demore?”. “Será que os céus se fecharam a mim?”. “Será que os meus pecados impedem Deus de atender minha oração?”. Será que o Diabo está impedindo Deus de atender meu clamor?”. Será, será, será, será, será…?

Paulo poderia ter feito isso, e não seria nenhuma novidade. Afinal… não é exatamente o que nós fazemos?

Ora3Deus decidiu em sua soberania que simplesmente não iria atender a oração de Paulo. Não teve nada a ver com falta de fé, ação do Diabo, pecado não confessado, nada disso. Simplesmente o Senhor disse “não” à oração do apóstolo porque queria proteger seu filho amado de pecar pela soberba. E é precisamente o que ele faz conosco em muitas e muitas situações semelhantes. Nós oramos, clamamos, nos esgoelamos, mas não somos atendidos. E aí os “será” invadem nossa mente e ficamos angustiados, cheios de conjecturas, sofrendo, questionando até mesmo a onisciência de Deus: “Será que ele não ouviu minha oração?”.

Claro que ouviu. Deus ouve todas as orações. E antes mesmo de orarmos ele já sabe o que vamos falar: “Ainda a palavra me não chegou à língua, e tu, SENHOR, já a conheces toda” (Sl 139.4)“. Essa ideia de que “Deus não ouve a oração” não é bíblica. O que acontece é que ele decide não nos dar o que pedimos. Ouve, pondera e responde com um grande “não”. Ponto. Não há fé no mundo que altere a vontade soberana do Criador do universo. Paulo não tinha fé? Possivelmente a maior do mundo. Mas Deus quis não atender seus pedidos, porque, por saber tudo, entendia que, no grande plano de causas e consequências do universo e da eternidade… não atendê-los era o melhor. Inclusive, era o melhor para o próprio apóstolo, embora ele não soubesse, visto que “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8.28). A grande vantagem de Paulo é que o Senhor disse de forma inequívoca que tinha escutado a oração mas não a atenderia. Conosco ele não faz isso. Temos de nos contentar com o silêncio. Não vem resposta. O que pedimos não acontece. Ficamos impacientes, como se o Pai tivesse a obrigação de nos atender só porque oramos com fé. E não entendemos nada.

Ora4Em vez de ficar imerso em “será”, talvez Paulo partisse para a ação se Deus não tivesse afirmado explicitamente a ele que sua oração não seria atendida. É possível que orasse uma quarta vez, uma quinta, uma sexta, uma sétima. Talvez ficasse anos orando. E ficaria a ver navios, porque, apesar de sua inequívoca grande fé, Paulo estava debaixo da soberana vontade de Deus – e, para aquela oração, a resposta da soberania divina era “não”. Se Paulo fosse um crente temperamental ou imaturo, ele poderia “ficar de mal” com o Senhor ou até mesmo se desviar da fé. Não é o que muitos de nós fazemos? Como não recebemos de Deus o que pedimos o largamos para lá? Ou então tomamos as rédeas da situação e agimos pela força da nossa mão? Quero a cura, mas, como não fui curado, vou procurar um pai de santo. Quero prosperidade, mas, como não tive um aumento de salário, vou atrás de facilidades. Quero que liberem o meu processo na Prefeitura, mas, como não liberaram, vou dar propina. Quero me casar, mas, como não encontrei ainda a pessoa ideal, vou buscar no mundo. E coisas do gênero.

Deus é muito sábio. O silêncio dele é uma maravilhosa maneira de ver que tipo de crentes somos nós. Se o Senhor explicasse suas decisões e seus “não” a cada um de nós… aí seria fácil. Mas o fato de ele decidir não atender e – também – não responder nossa oração mostra o alcance de nossa fé, estimula nossa perseverança e nos testa, para ver até onde estamos dispostos a segui-lo e servi-lo tendo somente a graça divina em nossa vida. A graça dele nos basta. Ele sabe disso; nós é que não nós contentamos com ela, queremos porque queremos também as bênçãos. O silêncio de Deus ante uma oração não atendida é a maneira de o Senhor nos mostrar quem nós somos: se perseverantes, servis, fiéis, homens e mulheres de fé, murmuradores, interesseiros, compromissados… ou não.

Ora6Tenho visto que o problema maior entre nós, cristãos, não é Deus não atender nossas orações, mas ele não respondê-las. Como o silêncio divino é a regra (o que ele fez com Paulo é a exceção), isso nos tira do sério. O caminho para permanecermos inabaláveis na nossa fé e no relacionamento com o Senhor é sabermos que ele está agindo por trás do véu do silêncio. E, se não temos uma resposta, isso absolutamente não significa que ele não nos ouviu. Devemos abandonar essa ideia infantil. Deus é onisciente, ele ouve tudo, ele sabe tudo. Mas muitas vezes decide que atender nossos pedidos não é o melhor. Se confiarmos nele, isso nos conformará e confortará. “Entrega o teu caminho ao SENHOR, confia nele, e o mais ele fará” (Sl 37.5). Se não confiarmos… é hora de repensarmos todo o nosso relacionamento com o Senhor, porque estamos muito longe de entendê-lo.

Deus vai negar muitos dos teus pedidos. Mas tenha esta certeza: isso não significa que ele não ouviu tua oração. Foi exatamente o que aconteceu com Paulo. É o que acontece conosco. Num caso raro, o apóstolo foi presenteado com uma explicação da boca de Deus. Nós não somos. Diante disso, nosso papel é orar, perseverar em oração e esperar com paciência. E se, depois de tudo isso, não formos atendidos, que tenhamos sempre em nossos lábios as palavras de Jó: “O SENHOR o deu, o SENHOR o levou; louvado seja o nome do SENHOR ” (Jó 1.21). Como escreveu o mesmo Paulo: “Orem continuamente. Deem graças em todas as circunstâncias, pois esta é a vontade de Deus para vocês em Cristo Jesus” (1Ts 5.17-18). Orou mas não recebeu o que pediu? Dê graças. Em todas as circunstâncias dê graças. Ou seja: agradeça. Pois, se não recebeu, é porque não receber é o melhor. Não receber é pão e peixe. “Qual de vocês, se seu filho pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou se pedir peixe, lhe dará uma cobra? Se vocês, apesar de serem maus, sabem dar boas coisas aos seus filhos, quanto mais o Pai de vocês, que está nos céus, dará coisas boas aos que lhe pedirem!” (Mt 7.9-11).

Obrigado, Pai, porque minha oração não foi atendida. Agradeço por isso, pois sei que, se o Senhor decidiu não atendê-la… o teu “não” é o melhor para mim.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

plano1Desde que o Senhor me converteu, ouço falar de algo chamado “plano de salvação”. Você também já deve ter ouvido falar disso. Em curtas palavras, seria o planejamento, a estratégia de Deus para redimir a humanidade pecadora. Esse plano seria, em essência, o que devemos pregar para quem não conhece o Senhor, pois revela a realidade perdida e (literalmente) desgraçada de quem existe sem Deus e de que maneira pode se religar ao Criador. A meu ver, nenhuma outra coisa deveria ser pregada ao incrédulo. Nenhuma. No entanto, não é o que tem acontecido.

Que mensagem o mundo precisa ouvir? Uma só: a humanidade desobedeceu o Senhor e por isso afastou-se dele nesta vida e, consequentemente, na próxima. Mas Deus amou tanto esses bilhões de condenados que encarnou como Jesus, para morrer e ressuscitar e, assim, restabelecer o contato entre os pecadores perdidos e o Criador. Uma vez que isso foi feito, tudo o que aquele que não vive em Deus precisa fazer é reconhecer a realidade divina de Cristo e de seu sacrifício na cruz. Pronto. Eis o plano de salvação. Resgate feito. Justificação ocorrida. Salvação concedida. O céu está disponível.

Não consigo entender qualquer outra pregação feita a incrédulos em Jesus. A salvação em Cristo é a urgência. O novo nascimento é a prioridade. Essa é a única mensagem que aquele que está a caminho do inferno precisa ouvir. Se você for pregar para um não cristão, foque no que é o ponto de partida: ele está espiritualmente morto e precisa de vida, que é Cristo. Convido você a prestar muita atenção ao que Paulo diz em Efésios 2:

plan“Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência; entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais. Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, – pela graça sois salvos, e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus.”

Sim, o incrédulo está “morto em seus delitos e pecados”. Morto. Uma vez que ele esteja vivo, aí sim você pode pregar sobre qualquer outra coisa. Pois vivos ouvem. Já mortos são surdos. E, enquanto o morto estiver morto, sua única e exclusiva necessidade é… vida. Só. Nada mais. Então, meu irmão, minha irmã, para um morto pregue vida. Depois pense no resto.

No entanto, nossos tempos propõem outro tipo de pregação. Pregamos para mortos que eles precisam de vitória. Pregamos a mortos que eles precisam de bens materiais. Pregamos a mortos que eles precisam de cura. Pregamos a mortos que eles precisam de prosperidade. Pregamos a mortos que eles precisam de milagres. Pregamos a mortos que eles precisam de bênçãos.

Errado.

Mortos não precisam de nada disso, pois nada disso tem utilidade alguma para um morto.

Temos de mudar nossa pregação. Temos pregado para quem precisa desesperadamente de Cristo que eles necessitam de prosperidade, vitória, cura física… Quem necessita disso se não tem vida?! Meu irmão, minha irmã, zumbis não existem. Zumbis espirituais muito menos.

plano2Se você tem amor pelas almas humanas que estão a caminho do inferno, é hora de oferecer a elas a única coisa que lhes será útil no momento: a vida que está em Jesus Cristo. Pregue isso. Se você é um pregador, por favor, pare de ficar tentando animar auditórios com pregações recheadas de “glória” e “aleluia” mas completamente vazias de sentido evangelístico. Se você for falar para cristãos salvos, aí você prega sobre temas que os vivos precisam ouvir. Mas se quem te ouve são aqueles que estão mortos em seus delitos e pecados, pregue a única mensagem que importa: você pecou, está a um milímetro do inferno, mas Deus amou você de tal maneira que deu seu Filho unigênito para que, se nele crer, não pereça, mas tenha a vida eterna. Creia nele. E viva.

No dia em que a Igreja voltar a pregar Jesus – que é o caminho, a verdade e a…vida – para o incrédulo, voltaremos a ter uma igreja formada por pessoas que amam o Deus que as salvou. Até lá, uma enorme parte da igreja será formada por gente que ama a prosperidade, a cura, as bênçãos, as facilidades. Pois foi isso que pregamos a elas. E foi a isso que se converteram.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

DoençaDomingo passado fiquei profundamente tocado ao saber que uma irmã da igreja recebeu a notícia de que está com câncer. A previsão é de pelo menos um ano e meio de tratamento, quimioterapia e tudo o mais a que tem de se submeter alguém que é acometido por essa moléstia. Jovem, cristã, casada com o baterista do grupo de louvor… oramos juntos durante o culto – eu, ela e seu marido. Choramos. Pedimos a cura. E meus olhos demoraram algum tempo para secar, pois parecia que conseguia sentir em mim a dor e a ansiedade daquele casal, já em antecipação pelos meses de batalha que terão pela frente. Esse episódio me afundou em reflexão sobre uma das questões mais antigas entre os cristãos: como aceitar a ideia de um Deus bondoso e misericordioso deixar seus filhos enfrentarem doenças que causam dor e sofrimento? Eu tenho uma teoria.

Para falar sobre isso, antes de mais nada devemos nos lembrar de que estamos vivos e, como tal, sujeitos a todo tipo de doença. Parece meio óbvio, mas – acredite – para muitos não é. Há uma crença disseminada em muitas igrejas, com base em Isaías 53, de que Jesus curou todas as doenças do universo Doença1na cruz e basta termos fé que o interruptor da cura será acionado. Não acredito nisso. Acredito que, em sua soberania, Deus é capaz de me manter doente por mais que eu tenha a fé maior do mundo (se quiser se aprofundar no assunto, pode ler o post “E quando Deus não cura? – Parte 2/2“). Acredito no “seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu”. Enquanto estamos vivos, habitaremos em corpos frágeis, aglomerados de tecidos e líquidos sujeitos a doença, degradação, falência, decadência. A salvação não blinda nossos corpos contra bactérias, vírus, torções, multiplicação descontrolada de células (tumores), fraturas, amputações, dores e centenas de outros tipos de problemas de saúde que podemos ter. A salvação é espiritual e não corpórea. Salvos e não salvos ficarão doentes do mesmo modo. A vida nos prova que isso é fato.

Se você não crê nisso, pense em uma coisa. Islâmicos ficam doentes e são curados. Espíritas ficam doentes e são curados. Budistas ficam doentes e são curados. Hindus ficam doentes e são curados. Xintoístas ficam doentes e são curados. Candomblecistas ficam doentes e são curados. Satanistas ficam doentes e são curados. Ateus ficam doentes e são curados. Cristãos ficam doentes e são curados. Simplesmente porque todos os fieis de todas as religiões fazem parte do mesmo grupo de seres: humanos. E humanos ficam doentes. Humanos produzem anticorpos. Humanos reagem a  medicamentos. Humanos ficam curados. E humanos também morrem.

Doença2Meu pastor eventualmente diz: exceto por um acidente ou um assassinato, ninguém “morre de morte”. Todos morremos de doenças. De falhas no funcionamento do organismo. Desconsidere quem morre por fatores de origem externa, como tiros, facadas, atropelamentos, afogamentos ou similares. Os demais morrerão de AVC, infarto, malária, dengue hemorrágica, pneumonia e centenas de outros tipos de problemas orgânicos. Ninguém morre de velhice: velhos morrem porque seus organismos não comportam mais a vida e, por isso, algo falha, uma doença os acomete e chega o momento da partida desta existência material. Se todos os cristãos fossem ser curados de tudo, nenhum de nós morreria. Lembre-se de que todo mundo que um dia foi curado de algo – seja por atendimento médico ou por um milagre – no fim acabará sucumbindo a outro mal. Ou você acha que Lázaro, o irmão de Maria e Marta, está vivo até hoje?

Então, somos espíritos infinitos que habitam corpos finitos. Vamos adoecer. Vamos morrer. É bom estarmos cientes disso.

Você poderia dizer: “Ok, Maurício, tudo bem, todos vamos ficar doentes e morrer um dia, mas precisamos sofrer tanto com certas doenças tão terríveis?”. Vamos analisar alguns casos bíblicos. Miriã, a irmã de Moisés, ficou leprosa, pela vontade do Senhor. Jó, o homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desviava do mal, ficou cheio de tumores na pele, pela vontade do Senhor. Doença3O próprio Lázaro, um dos melhores amigos de Jesus, adoeceu, como explicou o Mestre, “para a glória de Deus, a fim de que o Filho de Deus seja por ela [a doença] glorificado”. O cego de nascença de João 9 carregava essa condição por anos, para, segundo Jesus, “que se manifestem nele as obras de Deus”. Até aqui falamos de lepra, tumores, cegueiras e uma doença mortal indefinida, todas enfermidades terríveis. Mas tem mais: muitos são os relatos, de Êxodo a Juízes, de circunstâncias em que o Senhor amoroso enviou doenças, pragas e pestes ao seu povo, o povo eleito, o povo escolhido, para que aprendesse que não havia outro Deus além dele e abandonasse a idolatria. E não nos esqueçamos do espinho na carne de Paulo que, é possível, talvez fosse uma doença. E estamos falando do grande apóstolo Paulo, o homem que foi arrebatado ao céu… mas para quem a graça de Deus bastava.

Agora eu pergunto a você: o que têm em comum todas essas circunstâncias, em que, pela ação direta de Deus, membros do seu povo, pessoas que ele amava e a quem queria bem –  Miriã, Lázaro, Jó e tantos outros – acabaram sendo acometidos por doenças horríveis e que causaram tanto sofrimento? O que vejo em comum a todos esses casos é o desejo do Senhor de que venhamos a aprender lições importantes por meio das enfermidades.

Veja: Miriã foi vencida pela soberba e a lepra veio para lhe ensinar humildade. Paulo (se é que o espinho na carne foi uma moléstia) recebeu a lição de que a graça de Deus é o que há de mais importante. O povo israelita sofreu muitas vezes com pestes para aprender que a obediência e a fidelidade ao Todo-poderoso são vitais. Jó sofreu para que bilhões de judeus e cristãos ao longo dos milênios aprendessem com sua história sobre a soberania divina. O cego e Lázaro padeceram para que bilhões de indivíduos aprendessem que o mais importante de tudo é a glória de Deus.

Doenças e aprendizado andam de mãos dadas desde o Éden. Andavam na época do Antigo Testamento, continuaram andando após a vinda de Jesus, andam ainda em nossos dias e seguirão andando até a consumação do século. Deus sabe que somos pó e, muitas e muitas vezes, o aprendizado sobre a obediência, a graça e a glória de Deus vêm mediante um instrumento pedagógico chamado doença (que, infelizmente, carrega a reboque dor e sofrimento).

Muitos poderiam dizer que esse tipo de pensamento não coaduna com a essência de um Deus que é amor. É exatamente por isso que precisamos entender os fatos do dia a dia pela óptica do Senhor e não pela dos homens. CoDoença4mpreenda uma coisa: quando o Pai olha para você, ele não está enxergando somente os míseros 70 anos de vida durante os quais a sua alma estará na terra – tão preciosos aos seus olhos humanos. Ele está vendo de uma perspectiva muito mais elevada, o Senhor contempla os milhões, bilhões, trilhões, quatrilhões de anos que você terá de vida eterna. Se essa matemática lhe parece nebulosa, perceba que, se a eternidade tivesse apenas 1 milhão de anos de duração, nela caberiam 14.285 vezes o tempo de vida de alguém que vive na terra 70 anos. E, lembre-se que a eternidade vai durar milhões de milhões de milhões de milhões de milhões de milhões de milhões de milhões (e por aí vai, indefinidamente) de anos. Ou seja: uma eternidade que tivesse somente 1 milhão de anos equivaleria a 14.285 vidas terrenas.

Diante disso, sinceramente, o que você acha que é mais importante para o Senhor? Suas poucas décadas aqui ou sua existência eterna? Se for preciso fazer você enfrentar alguns anos de aperto agora que promoverão um aprendizado benéfico para toda a eternidade, o que você acha que ele fará? No lugar dele, o que você faria?

Doenla5Eu estava brincando de massinha de modelar com minha filha de 2 anos quando vi que ela ia enfiar um pedaço daquela substância tóxica na boca (e, se eu não visse, possivelmente engolir). Num reflexo, dei um grito. A pobrezinha tomou um susto, pois não está acostumada a ouvir papai gritar com ela. Paralisou. Fez beicinho. E começou a chorar. Tomei-a em meus braços, a acalmei e depois lhe expliquei a razão de ter gritado com ela: evitar um mal maior. Ela compreendeu, enxugou as lágrimas, apertou meu pescoço num abraço e me deu um beijo. Quase nunca grito com ela, mas se você me perguntar se eu gritaria de novo se tivesse de reviver aquela situação, afirmo que berraria quantas vezes fosse necessário, pois a amo e prefiro que ela sofra um pouquinho por algum tempo do que sofra muito por muito tempo. Por que com Deus seria diferente? O amor de Deus por nós é tão, mas tão grande, que ele deixa que fiquemos doentes.

Deus olha para mim e você sempre, sempre e sempre a partir da perspectiva da eternidade. Ele quer nosso bem eterno. Se para isso for preciso que soframos um tanto de tempo nesta vida terrena e, assim, aprendamos importantes lições que impactarão diretamente nosso relacionamento e nossa intimidade com o Senhor pelos zilhões de anos que teremos entre a doença e a eternidade, afirmo que Deus nos enfermaria quantas vezes fosse necessário. Por quê? Em linguagem bíblica, “Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação, não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não veem; porque as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas” (2Co 4.17-18).

Sim, ficaremos doentes. Sim, homens bons e íntegros, cristãos fieis, servos cheios de fé… todos ficarão doentes. Sim, todos os que adoecerem sofrerão. Sim, devemos orar pelos enfermos na esperança de sua restauração. Sim, remédios curarão muitos. Sim, milagres curarão alguns. Sim, muitos morrerão. Sim, no fim todos morreremos. O que fará a diferença é o quanto teremos capacidade de tirar de aprendizado de toda a dor e o sofrimento que precisaremos encarar.

Doença5Quando Jó finalmente parou de questionar as razões de sua doença e aprendeu o que Deus queria que ele aprendesse, disse: “Certo é que falei de coisas que eu não entendia, coisas tão maravilhosas que eu não poderia saber.  [...] Meus ouvidos já tinham ouvido a teu respeito, mas agora os meus olhos te viram.  Por isso menosprezo a mim mesmo e me arrependo no pó e na cinza” (Jó 42.3-6). Quatro versículos depois, Deus acaba com o sofrimento de Jó. Será coincidência? É por isso que eu sempre recomendo: se você está doente, junto à oração pela cura ore a Deus perguntando o que Ele quer que você aprenda com aquela enfermidade. Há uma grande chance de seu sofrimento ser abreviado se você aprender o mais rápido possível o que Deus quer que você aprenda. Essa é uma certeza canônica? Não, a Bíblia não afirma isso. Mas é no que eu creio.

Que em meio à doença aprendamos mais sobre santidade. Sobre obediência. Sobre a graça de Jesus. E, por fim, sobre a glória de Deus.

Doença6Eu choro pela minha irmã que recebeu o diagnóstico de câncer. Fico muito, muito triste – e domingo fiz um compromisso comigo mesmo de orar diariamente por ela. Não queria que ela passasse por isso. Jesus, na noite de sua paixão, entrou em depressão a tal ponto por causa do sofrimento que teria de enfrentar que Mateus 26 registra: ele “começou a entristecer-se e a angustiar-se” e disse a seus amigos: “A minha alma está profundamente triste até à morte”. Pois a dor… dói. E de sentir dor quem gosta? Mas o sofrimento de Jesus trouxe benefícios eternos. O Pai sabia disso e, por essa razão, não afastou de seu Filho amado o cálice do sofrimento. Por isso, muitas vezes o compassivo e bom Deus deixa que também nós bebamos do cálice do nosso sofrimento: para que aprendamos algo que virá a trazer benefícios eternos. O que cada um de nós tem de aprender com nossas doenças? Não faço ideia (para cada pessoa há um aprendizado específico). Mas Deus faz.

De minha parte, sei que a graça dele nos basta. E que a ele seja dada toda a glória, pelos séculos dos séculos.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício