Arquivo da categoria ‘Cura divina’

Rixosa1A Bíblia fala sobre um tipo específico de mulher, que merece nossa atenção: a mulher rixosa. Como essa não é uma palavra muito comum, temos de entender exatamente o que significa. Segundo o dicionário, “rixosa” é uma pessoa “que promove contenda”. Ou seja, uma mulher briguenta, que causa discórdia ou desavença, que com enorme frequência está de mau humor. Ela é irritadiça, explode por qualquer coisa, descarrega suas tensões e frustrações em cima dos outros, ira-se num piscar de olhos, tem sempre uma boa desculpa para despejar sua cabeça quente e falta de mansidão sobre os demais – eles que aguentem. Ela tem prazer em comprar briga. E, por tudo isso, é intragável. Bem… por que tratar especificamente desse tipo de mulher? Pois, acredite, é um dos tipos sobre os quais a Bíblia mais fala – certamente, não à toa.

Vejamos algumas verdades que as Escrituras expõem sobre a mulher que promove contendas: “Melhor é morar no canto do eirado do que junto com a mulher rixosa na mesma casa”. Essa mesma afirmação é tão séria que ocorre em duas passagens: Provérbios 21.9 e 25.24. O que esse versículo está dizendo é que a mulher rixosa é alguém tão insuportável que ninguém consegue conviver debaixo do mesmo teto com ela. Quando chega da rua, em vez de trazer alegria para o lar traz uma nuvem negra sobre a cabeça e contamina todos ao redor com seu mau humor crônico. É aquela que, quando você dá “bom dia” parece que ela responde “o que há de bom nele?!”. A mulher rixosa afasta os outros de si. Ela destrói seu casamento, leva os filhos à ira e sabota a harmonia do lar. Dificilmente ela cede e nunca admite que está errada. A culpa de tudo é sempre do outro – que, por isso, precisa ouvir umas boas verdades. Desculpar-se? Jamais, pois acredita que pedir perdão é diminuir-se em vez de engrandecer-se. Em suma, a mulher rixosa faz você querer estar em qualquer lugar do mundo, menos perto dela.

Morte6A Bíblia avança na descrição desse tipo de mulher: “Melhor é morar numa terra deserta do que com a mulher rixosa e iracunda” (Pv 21.19). Essa afirmação parece semelhante à anterior, elevada ao quadrado. Uma terra deserta não tem água, é um lugar onde você morre de sede. A comida é escassa, restrita a animais rastejantes e peçonhentos. De dia, o calor é abrasador, queima a alma, tira o ânimo, mata por desidratação. As noites são gélidas e congelam quem anda por ali. Uma terra deserta tem tempestades de areia que tornam a vida de quem está na região um inferno, pois açoitam sua pele, enchem seus orifícios de sedimentos, impedem a visão, tornam a caminhada impossível. O deserto é o último lugar do mundo em que você quer morar, porque a qualidade de vida ali é a pior que há. No entanto, a Bíblia diz que é melhor morar nesse local insuportável do que com uma mulher iracunda e rixosa. É… a coisa é grave.

Morte7Mas não para por aí. A sabedoria bíblica afirma: “O gotejar contínuo no dia de grande chuva e a mulher rixosa são semelhantes” (Pv 27.15). Os antigos chineses tinham um método conhecido de tortura, simples e eficaz. Quando capturavam um inimigo, o amarravam de modo que ficasse imóvel. Em seguida, punham uma fonte qualquer de água sobre a cabeça daquele pobre coitado, para que um gotejar contínuo caísse sobre o mesmo ponto de sua cabeça. Uma gota. Duas gotas. Três. Quatro. Vinte. Cem. Mil. Dez mil. E por aí vai. Não parece grande coisa, mas os relatos históricos revelam que essa simples forma de tortura, após dias seguidos de pingos intermináveis, era capaz de levar os torturados simplesmente à loucura. Isso mesmo. Guerreiros fortes e bem treinados, com resistência a grandes dores e sofrimentos, eram quebrados e enlouqueciam devido a um gotejar contínuo. E é a isso que o texto bíblico compara a mulher que vive em contendas. Em outras palavras: a mulher rixosa é capaz de te levar à loucura. Ela tira qualquer um do sério e a convivência com ela torna-se uma tortura insuportável.

Morte9A mulher rixosa age, portanto, de modo errado, indigno e vergonhoso. Muitas vezes vemos homens casados definharem depois de conviver por anos com esposas do tipo. Eles perdem o viço, o vigor, a alegria e, muitas vezes, a saúde. É fácil entender a razão: “A mulher virtuosa é a coroa do seu marido, mas a que procede vergonhosamente é como podridão nos seus ossos” (Pv 12.4). Pela medicina, apodrecimento ósseo ocorre em algumas poucas circunstâncias. Uma é uma condição chamada osteonecrose, uma consequência da má circulação sanguínea dentro do osso, que causa a morte de células e tem como resultado o apodrecimento do osso e, consequentemente, fraturas e dor no local. A única solução para a osteonecrose é remover o osso e substituí-lo por uma prótese. A outra situação que faz o osso apodrecer? A morte. Deu para entender a que a Bíblia compara esse tipo de mulher?

A mulher rixosa vive de modo oposto ao que o evangelho propõe. Ela precisa urgentemente de uma mudança de vida. Já tratei aqui no APENAS do fato que não existem cristãos arrogantes (ver AQUI) e, do mesmo modo, não acredito que uma mulher rixosa tenha intimidade com Deus. Simplesmente porque a natureza de um cristão autêntico exclui totalmente o prazer por promover a contenda. Paulo admoesta que devemos fazer tudo “sem murmurações nem contendas” (Fp 2.14), logo, viver estimulando a rixa contraria a vontade divina. Provérbios 10.12 diz que “O ódio excita contendas, mas o amor cobre todas as transgressões”. Vemos, então, que a rixa é fruto do ódio e, por sua vez, o ódio é contrário à natureza de Cristo, como deixam claro algumas passagens das Escrituras: “Aquele que diz estar na luz e odeia a seu irmão, até agora, está nas trevas” (1Jo 2.9); “Todo aquele que odeia a seu irmão é assassino; ora, vós sabeis que todo assassino não tem a vida eterna permanente em si” (1Jo 3.15). Por outro lado, o amor é a essência de Deus: “Deus é amor, e aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus, nele” (1Jo 4.16).

Rixosa2Uma mulher rixosa, ou seja, que promove contendas, faz exatamente o contrário do que a Bíblia estipula como o comportamento ideal de uma mulher de Deus. Paulo condena as contendas em passagens como 2Timóteo 2.23, Romanos 13.13 e Tito 3.9. Em 1 Coríntios 3.3, o apóstolo de Cristo associa diretamente as rixas à carnalidade: “Porquanto, havendo entre vós ciúmes e contendas, não é assim que sois carnais e andais segundo o homem?”. Isso é totalmente corroborado por Tiago, quando o irmão de Jesus diz: “De onde procedem guerras e contendas que há entre vós? De onde, senão dos prazeres que militam na vossa carne?” (Tg 4.1). Mais claro, impossível: ser rixoso é ser carnal – logo, é viver distante de Deus.

Meu objetivo ao chamar sua atenção para a deformação espiritual que é ser uma mulher rixosa é despertá-la para uma reflexão. Pense sobre a sua vida. Será que as pessoas vivem se afastando de você? Será que seu marido tem preferido ficar em qualquer outro lugar que não seja ao seu lado? Será que os irmãos fogem de sua companhia? Será que seus filhos evitam ficar muito tempo com você? Se a resposta a alguma dessas perguntas foi “sim”, não necessariamente significa que você é rixosa, pode haver outras explicações. Mas… pode ser que sim. Talvez as suas atitudes e o seu temperamento precisem ser reavaliados, o que é algo excelente: “Honroso é para o homem o desviar-se de contendas, mas todo insensato se mete em rixas” (Pv 20.3).

A boa notícia é que isso tem jeito. Se você perceber que tem vivido a insensatez do mau humor constante, saiba que rabugice tem cura. Um espírito belicoso tem cura. Uma alma amarga tem cura. E a cura tem nome: Jesus de Nazaré.

Rixosa3Jesus é o Príncipe da Paz. Ele é o manso Cordeiro. Ele é o Senhor dos exércitos que foi humilhado sem revidar. “Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma” (Mt 11.29). Aproxime-se de Cristo. Procure crescer em intimidade com ele. Busque-o na oração e no estudo de sua Palavra. Viva uma vida com Deus. Negue-se a si mesmo e siga-o. Aprenda a pedir perdão, isso não diminui ninguém – muito pelo contrário. Reconheça seus erros, pois só almas grandiosas são capazes disso. Fale palavras de edificação e afirmação e não de diminuição e destruição. Aprenda a dar o braço a torcer. Ceda. Prefira os outros em honra. Sorria. Ame.

Se Cristo fizer morada no seu coração, os seus pensamentos se tornarão os pensamentos de Jesus, a sua mente será renovada e você se tornará uma mulher exemplar, como a de Provérbios 31.10-31: amada por todos, elogiada e que deixa um rastro de alegria e vida por onde passa.

Ah, sim: se você é um homem rixoso, não pense que está em melhor situação. Tudo o que leu neste post se aplica a você também.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Habito1Nunca dei muita atenção a algo a que uma grande quantidade de pessoas dedica boa parte de suas preocupações: a cor da pele. No Rio de Janeiro, em especial no verão é bem comum ver muita gente em busca daquela corzinha bronzeada. Para obter esse resultado estético vale tudo: bronzeamento artificial, bronzeamento por spray e, em especial, horas e horas sob o sol na praia ou na piscina. Para mim, no entanto, nada disso nunca fez parte das minhas preocupações. Esse desinteresse me garante um constante tom de pele alvo-mais-que-a-neve. E confesso que em minhas idas à praia uso um filtro solar fator 98 (sim, isso existe), para me livrar da ardência do sol. Consequentemente, sempre que pego um solzinho continuo com a mesma cor de leite de antes. Nas minhas últimas férias, porém, como relatei no último post do APENAS passei quase vinte dias indo diariamente à praia. E aí não há filtro solar que resolva: você acaba com a pele muito, mas muito mais morena do que antes. Só que isso traz também outro resultado: você descasca. Se você já passou por isso, sabe que seu braço pode ficar todo escamoso, com pelezinhas que se soltarão ao longo de alguns dias. Observando meus braços descascados ao final da minha temporada sob o sol, acabei sendo levado a uma reflexão sobre a importância da mudança de hábitos.

Quando o sol queima nossa pele, o que ocorre é que a camada superior de células literalmente morre. Com isso, ficamos com milhões e milhões de células inúteis presas ao nosso corpo. Curiosamente, antes de morrer, esse tecido foi encharcado por uma enorme quantidade de melanina, o pigmento que nosso organismo produz como uma barreira contra os raios ultravioletas do sol e que é justamente o que nos confere aquele tom bronzeado. Assim, se essa pele morta e dourada permanecesse em nós, teria apenas função estética, uma vez que suas atribuições funcionais estariam todas perdidas. E, cá entre nós, nosso corpo não está muito preocupado com nossa estética, por isso procura se livrar o mais rápido possível daquele material morto. O resultado é a decepção que experimentamos quando vemos nosso lindo bronzeado de praia se perder a cada pedaço de pele que descola.

Esse simples fenômeno da natureza nos remete a uma grande lei do cosmos: a necessidade de renovação. Tudo o que morre ou torna-se inútil precisa ser renovado, transformado, reciclado. Isso ocorre com tudo no universo: animais morrem e são decompostos, plantas morrem e viram adubo, dinossauros morreram e viraram petróleo, energia elétrica se transforma em luz e calor, gás carbônico vira oxigênio… enfim, tudo chega a um fim e se torna algo novo. Espiritualmente a coisa não é diferente.

Paulo escreveu: “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12.2). Esse simples versículo tem muito a nos ensinar. Primeiro: a renovação da nossa mente ocorre a partir do inconformismo: “…não vos conformeis…”. Se nos acomodamos e ficamos confortáveis onde estamos e com o que estamos fazendo e não nos questionamos acerca daquilo que nos cerca, não experimentaremos a vontade divina. Segundo: essa renovação acontece a partir de uma iniciativa nossa, como o apóstolo diz, “transformai-vos”, ou seja, “ajam no sentido de promover mudança em vocês mesmos”. Assim, vemos que temos de sair do conforto e agir para mudar.

Nossa mente é muito ligada a aquilo que é um hábito em nossa vida. Hábitos nos trazem conforto, paz, tranquilidade. Rotinas nos dão segurança. Elas não nos desafiam, não geram instabilidade, não exigem esforço. Por isso, mudar um hábito é uma das tarefas mais difíceis que há. É raro encontrar alguém que goste de mudar uma prática que já se consolidou, que faz parte do dia a dia, que nos obriga a reformular, repensar, renovar.

Habito3Por exemplo: você está acostumado a seguir para o trabalho, a escola ou a faculdade sempre pelo mesmo itinerário. Num certo dia descobre que a prefeitura mudou a mão de várias ruas e interditou outras, o que te obriga a mudar totalmente sua forma de chegar ao destino. Confesse: isso te incomoda ou não? Na realidade, não haveria nenhum mal nisso, mas você é obrigado a reconstruir algo que já estava solidificado, estabelecido… e isso traz desconforto. Vamos supor outra situação: você está acostumado a certa estrutura na igreja, gosta dos pastores e da forma como as coisas acontecem e tudo segue na mais calma paz. Em certo domingo, recebe a informação que os pastores vão mudar e vai haver alterações na liturgia, no estilo de louvores, nas lideranças dos departamentos e por aí vai. Se você já viveu isso sabe que fica sempre atrás da orelha aquela pulga cochichando “poxa, estava tudo tão bom, por que tinha de mudar?”. Na verdade, o que te incomoda é a alteração de hábitos que, juntos, tornavam a situação confortável.

Sim, ninguém gosta de mudar aquilo a que já está habituado. O problema é que, muitas vezes, nossos hábitos se tornam como células mortas na pele e, se não forem descartados e trocados por outros, vamos sofrer as consequências. Por isso, precisamos constantemente buscar a renovação. E isso segue um caminho, em geral, parecido: primeiro, devemos nos examinar, pondo nossos hábitos sob a luz das Escrituras. Se percebermos que algo precisa mudar, não dá para nos acomodarmos: temos de nos inconformar.  E, mediante o inconformismo, é preciso agir no sentido de promover de fato a transformação.

Habito2Quais são as células mortas da sua vida? Você está preso a antigos hábitos sexuais pecaminosos? Pois isso é pele podre agarrada a sua alma, é preciso se inconformar e mudar. Ou será que ainda vive na prática do “jeitinho”, arrumando modos de sonegar impostos ou escorregando umas propinas de vez em quando? Enquanto não perceber que isso são células apodrecidas presas a você, viverá debaixo de podridão espiritual. De repente você não tem questões na área sexual nem pratica corrupção, mas ainda não conseguiu se livrar do hábito de falar mal dos outros. Pele morta. Talvez você seja um marido abusivo ou uma esposa insubmissa. Pele morta. Vai ver ainda não conseguiu se livrar de certas formas de entretenimento que ferem a sua santidade. Pele morta.  Pode ser que faça articulações dentro da igreja para obter poder pessoal. Pele morta. Ou, então, a sua vaidade siga tão pomposa e pecaminosa como antigamente. Pele morta. Pode ser que seu espírito continue tão altivo como quando estava no mundo. Pele morta. Há ainda a chance de seu amor pelo dinheiro alimentar uma ganância que não coaduna com o padrão bíblico. Pele morta. Será que seu temperamento segue tão explosivo como antes? Pele morta. É possível que pratique o favorecimento de pessoas próximas a você por interesse. Pele morta.

E por aí vai…

Há muitos e muitos hábitos que as pessoas trazem do mundo e que permanecem após a conversão. Ou mesmo cristãos de berço que adquiriram hábitos perniciosos que não conseguiram abandonar. Mascarados por justificativas como “não tem nada de mais”, “sou autêntico”, “não consigo deixar”, “é mais forte do que eu”, “sempre foi feito dessa forma” e tantas outras, esses hábitos permanecem na sua vida, agarrados de forma tóxica a sua alma, mortos e apodrecidos. Você, conformado, não consegue ou nem mesmo tenta se livrar deles. E, por isso, eles ali ficam, enchendo sua vida de decrepitude espiritual.

Você não pode se conformar com esses velhos hábitos, meu irmão, minha irmã. Seja sincero diante de Deus. Se vê que ainda há hábitos que pratica mas que configuram pele morta, mude. Aja. Parta para a ação. Você consegue – pois, antes que você queira a renovação, Deus já queria. E, se ele quer, ele vai te ajudar, fortalecer, capacitar. Que hábito em sua vida é pele espiritualmente morta? Se você sabe, não se conforme. A hora de mudar é já.

Ah, a propósito: meus braços ficaram com aquele descascado feio por alguns dias. Mas, assim que toda a pele morta se soltou e caiu, uma pele nova nasceu por baixo. Não tão morena. Não tão na moda. Mas incomparavelmente mais saudável.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Pai1Já relatei em alguns posts do APENAS como minha experiência como pai me fez (e faz) enxergar de maneira muito mais profunda as realidades do relacionamento de Deus conosco, seus filhos. Se você é pai ou mãe certamente entende o que estou dizendo. Parece que cada episódio de nossa vida paterna é uma pregação. Cada dia com nossos filhos, um culto. Cada noite, uma vigília. A voz do Senhor e suas verdades tornam-se muito mais concretas diante daquilo que vivemos com nossos pequenos. Permita-me trazer mais uma reflexão sobre nossa fé a partir de algo que aconteceu comigo e minha filha de 3 anos.

Moro no Rio, cidade de praias. Naturalmente, levo minha pequena desde bebê para desfrutar desse playground natural. Ela sempre amou se esbaldar na areia e na água. Bem… nem sempre, na verdade. Quando completou 2 anos, um episódio teve grande impacto sobre ela. Sempre fui extremamente cuidadoso, pois sei os riscos que um segundo de distração paterna pode causar quando um filho está na água. Um dia, porém, estávamos na praia do Leblon, que tem uma arrebentação muito perto da beira, e um erro meu custou caro. De mãos dadas, eu a fazia pular por cima de cada onda que arrebentava, com aqueles gritinhos de “uúu!” que as crianças tanto amam. Ela estava eufórica, gargalhava e gritava “de novo!”. Mas, então, cometi um descuido. Eu me distraí com alguma coisa e não vi quando uma onda maior se aproximou e estourou em cima de nós. Resultado: a água entrou pelo nariz, os ouvidos, a boca e a alma da minha filhinha.

Entre engasgos e olhares assustados, ela se atracou ao meu pescoço, num gesto de desespero. Eu havia falhado e, por causa de um segundo de desatenção, a pequena parecia ter ficado traumatizada. Daquele momento em diante, nunca mais ela quis entrar na água do mar. Embora ame as aulas de natação e nade boas distâncias em uma piscina sem que ninguém a segure, daquele dia em diante ela começou a demonstrar pânico do mar. Ir à praia com ela passou a significar fincar âncora na areia e nem sonhar em chegar à beirinha da água.

Tentei muitas vezes. Cheguei mesmo a forçar a barra, entrando com ela no meu colo em águas calmas. Em vão: minha filha cravava as unhas no meu pescoço, escalava minha cabeça e, como um macaquinho que foge de um tsunami subindo ao ponto mais alto de uma árvore, ela se instalava no ponto mais alto dos ombros e da cabeça de seu papai, em pânico. Os fracassos sucessivos, durante meses, quase me convenceram de que não tinha mais jeito, o negócio era aceitar que ela tinha se tornado uma pessoa traumatizada e que nunca mais entraria no mar.

Mas um pai amoroso nunca desiste de seus filhos.

Pai2Decidimos passar as férias desse fim de ano em Cabo Frio, uma cidade essencialmente praiana. Como conheço bem a rotina do lugar, sei que ficar na cidade significa, em resumo, acordar, ir à praia, comer, ir à praia e dormir. Por um lado já estava antevendo a dor de cabeça que seria passar 20 dias na praia com uma filha que tem pavor de mar. Mas, por outro, decidi que aquela situação tinha de acabar. Então, em vez de simplesmente aparecer com ela diante do mar e tentar empurrá-la para dentro da água, desde que decidimos passar as férias em Cabo Frio resolvi trabalhar a ideia na mente dela. Decidi… pregar.

Comecei pedindo-lhe perdão por tê-la deixado se assustar uma vez e garanti que eu estaria sempre presente, extremamente atento a sua segurança. Deixei claro que o papai iria protegê-la e faria disso prioridade. Verbalizei tudo o que era possível para deixá-la totalmente segura naquela situação. E fiz isso por um longo tempo e muitas vezes. A fim de torná-la ciente do que vinha pela frente, passei a dizer rotineiramente que iríamos a um lugar de praia e que passaríamos muito tempo lá. Junto a isso, comecei a explicar repetidamente e frequentemente como é o mar, propositadamente iniciei uma série de preleções sobre as águas do oceano, explicando como funcionam as ondas, o que fazer para evitar que elas sejam incômodas e outros aspectos relacionados ao seu grande medo. Preguei, preguei e preguei.

Enfim chegou o dia.

Creio que eu estava muito mais ansioso do que ela. Chegamos a Cabo Frio, nos instalamos e logo fomos à praia. Assim que pisamos na areia, minha filhinha disse algo surpreendente:

- Eu adoro o mar!

Sorri, surpreso com aquela afirmação inesperada. Montamos a barraca e ela começou:

- Vamos, papai, vamos para a água!

Pai3Seria possível? Segurei minha pequenininha pela mão e caminhamos rumo às ondas. Para meu espanto, ela não hesitou um segundo sequer: saiu invadindo a água. Pulou, mergulhou, se jogou em cima de mim. Daqui a pouco pediu para que eu soltasse sua mão, pois queria nadar sozinha. Eu, temeroso, permiti que aquele pingo de gente se esbaldasse, mas minha atenção ficou focada em cada onda que vinha. Sempre que uma maiorzinha despontava, eu a suspendia no ar, livrando minha filha de tomar água na cabeça. Aprendi com meu deslize. E cumpri minha promessa.

Durante todas as nossas férias, fui acordado por aquele pingo de gente me sacudindo e dizendo “vamos para a praia, papai?”. Quando chegávamos, antes que eu começasse a montar a barraca ela perguntava umas trinta vezes “vamos para a água, papai?”. Conclusão: foi difícil manter minha filhinha longe do mar. Ela pedia, destemida, para ir até o fundo; queria nadar, pular, fazer tudo o que pudesse, excitadíssima com a diversão. Quando vinha uma onda maior, por iniciativa própria corria para os braços do pai. Se entrava água em seu nariz ou sua boca, dava ouvidos ao pai e assoava ou cuspia. Creio que ela amadureceu, a partir dos problemas do passado, das palavras de esclarecimento e segurança que ouviu com constância e pela confiança que desenvolveu de que nunca seria desamparada ou abandonada pelo papai (e pela mamãe), sua fonte de segurança e conforto. O conhecimento e a confiança em que estaria segura a permitiram viver momentos de extrema felicidade.

Agora pense:

Infant Grabbing Man's FingerDeus é um Pai muito melhor do que eu. Ele nunca nos desampara. Ao contrário de mim, nunca fica desatento, jamais se distrai. Nada passa despercebido diante de seus olhos. Sua atenção conosco é constante, focada e dedicada. Ele jamais é pego de surpresa por qualquer onda, mas muitas vezes deixa que uma ou outra nos atinja, pelas razões mais diversas. Doenças, desemprego, luto, perdas, dificuldades, problemas, vales, desertos, dores, seja o que for: quando esses males chegam, parece que estamos nos afogando, perdemos o fôlego, ficamos espantados. O Pai permite que isso aconteça não para que percamos a fé ou fiquemos com medo diante da vida, mas para que amadureçamos, tenhamos experiências, cresçamos, subamos a patamares mais elevados em nossa espiritualidade. O problema ocorre quando, em vez de aproveitarmos essas circunstâncias para evoluir, deixamos que nos afetem de modo negativo, o que nos leva a questionar o cuidado de Deus.

Será que ele me abandonou? Será que não ouve minha oração? Será que cometi algum pecado que fez Deus virar-me as costas? Será que o Senhor desistiu de mim? Nossa fé é abalada. A confiança no Pai é minada. Passamos a temer. Os desafios da vida se tornam monstros apavorantes. Escalamos a árvore até o galho mais alto, pois a segurança de que Deus cuidará de nós a cada segundo foi posta de lado. Temores. Medo. Ansiedade. Trauma. Depressão. Tristeza. Sensação de abandono.

- Pai, as ondas estão fortes demais, não consigo!

Mas o Aba, nosso protetor celestial, aquele que nos ama com amor incompreensível, em momento algum se ausentou. Ele tentou numerosas vezes nos fazer ver que estava nos segurando pela mão ou nos carregando no colo, mas os traumas com as dores e os sofrimentos do passado fizeram nossa fé totalmente infrutífera. É o fim? Nem de longe, pois Deus é seu Pai.

E um pai amoroso nunca desiste de seus filhos.

Pai5Então, por saber que muito virá pela frente, o Senhor começa o processo de cura de nossa alma. Para isso, Deus começa a falar conosco. Leituras da Palavra nos dão explicações e esclarecimentos. Pregações iluminadas pelo Espírito Santo nos revelam como funcionam as coisas, como o Senhor age, por que certos sofrimentos ocorrem, o que fazer quando chegam as tribulações. Livros escritos por irmãos e irmãs movidos pelo Divino abrem os olhos para realidades profundas da ação do Pai. Aos poucos, o poder das verdades celestes vai transformando nossos medos em paz, nossa dor em esperança, nossos traumas em aprendizado. Amadurecemos. Vemos a vida e Deus de maneira diferente e com muito mais transparência. Entendemos que ele nunca nos abandonou nem nunca nos abandonará. Torna-se clara a certeza de que, em meio a toda aflição, o Senhor não soltou nossa mão, mas deixou as ondas nos atingirem sem causar um dano permanente – e os propósitos do alto diante daquela situação ficam patentes.

Passamos a compreender. Somos fortalecidos na fé. Galgamos novos patamares em nossa intimidade com o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Conhecemos Deus, então, não mais por ouvir falar, mas por vê-lo com nossos próprios olhos espirituais. Com isso, ganhamos total confiança nele. E quando novas ondas despontam no horizonte, ameaçando nos afundar, afogar e machucar, dizemos com destemor:

- Vamos, papai, vamos para a água!

Pai6Passamos a encarar os problemas com segurança. Os momentos de trevas não nos apavoram mais. Sabemos que os vales virão, mas nosso Pai está e estará sempre ali, a nos proteger, guardar, escoltar, sustentar, salvar. Ele é Emanuel: Deus conosco. Conosco, nunca longe de nós (Mt 1.23). Ele está com você todos os dias, até a consumação do século (Mt 28.20). E temos a certeza de que “Se subo aos céus, lá estás; se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também; se tomo as asas da alvorada e me detenho nos confins dos mares, ainda lá me haverá de guiar a tua mão, e a tua destra me susterá” (Sl 139.8-10). Tudo o que temos de fazer, então, é entregar nosso caminho ao Senhor, confiar nele e saber que o mais ele fará (Sl 37.5). E se, em algum momento, sua fé vacilar e você acreditar na mentira de que teu Pai não ajudará a te sustentar, “Confia os teus cuidados ao SENHOR, e ele te susterá” (Sl 55.22).

Meu irmão, minha irmã, as ondas certamente virão, pois ninguém atravessa o mar da vida sem ser açoitado por elas. Mas tenha esta certeza: o teu Pai, que jamais se distrai ou se descuida, te susterá. Palavra de pai.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Ora1O que devemos fazer quando estamos enfrentando um problema; oramos, oramos e oramos a Deus… mas não recebemos o que pedimos? Isso ocorre muitas vezes em nossa vida: simplesmente nossa oração não é atendida. A sensação que temos, nesses casos, é que Deus ou não nos ouviu ou nos virou as costas. Bem, na verdade não é isso o que ocorre. Há um acontecimento na vida de Paulo que pode nos conduzir a uma reflexão bem interessante sobre orações não atendidas.

Para pensarmos sobre essa questão, precisamos ler a famosa passagem do espinho na carne. “Conheço um homem em Cristo que, há catorze anos [...] foi arrebatado ao paraíso e ouviu palavras inefáveis, as quais não é lícito ao homem referir. [...] E, para que não me ensoberbecesse com a grandeza das revelações, foi-me posto um espinho na carne, mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de que não me exalte. Por causa disto, três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim. Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza” (2Co 12.2-9).

Pense bem: o que diferencia essa experiência de Paulo da sua experiência pessoal? Vejamos: Paulo tem um problema. Você tem um problema. Paulo ora a Deus pedindo uma solução. Você ora a Deus pedindo uma solução. Paulo não vê sua oração ser respondida da primeira vez. Você não vê sua oração ser respondida da primeira vez. Paulo persiste na oração, orando uma segunda vez. Você persiste na oração, orando uma segunda vez. Paulo não é atendido. Você não é atendido. Paulo ora sem cessar, clamando uma terceira vez. Você ora sem cessar, clamando uma terceira vez. Paulo não é atendido. Você não é atendido. Tudo igualzinho, reparou? A experiência do apóstolo em nada difere da sua. Só que, no caso dele, aconteceu um fenômeno que com você não acontece. É um detalhe nessa passagem que, a meu ver, é de suma importância.

Deus explicou.

Ora2Estas palavras de Paulo fazem toda a diferença: “Então, ele me disse…”. Sim, o Senhor verbalizou ao apóstolo, deu a ele uma explicação audível para o fato de não ter atendido seu clamor. E isso tirou do coração de Paulo toda a angústia que sente a pessoa que ora mas não é atendida. Havia uma explicação. Havia uma motivo cognoscível para aquilo. Mesmo que seu desejo não tivesse sido satisfeito, Paulo agora sabia a razão. E podia seguir em paz, pois tomou conhecimento do que levou Deus a não lhe conceder o que queria. E essa é a grande diferença da experiência de Paulo para a sua: ele recebeu uma justificativa. Com você e comigo isso não acontece. Ninguém nos diz por que nosso pedido ao Todo-poderoso foi negado.

Faça um exercício de imaginação. Suponha que Deus tivesse ficado quieto e simplesmente não explicasse a Paulo o porquê de não ter atendido aos seus pedidos. O apóstolo permaneceria ali, clamando, em angústia de alma, cheio de perguntas na cabeça. “Será que Deus não me ouviu?”. “Será que Deus só me atenderá daqui a muitos anos?”. “Será ao menos que Deus atenderá ao meu clamor algum dia, mesmo que demore?”. “Será que os céus se fecharam a mim?”. “Será que os meus pecados impedem Deus de atender minha oração?”. Será que o Diabo está impedindo Deus de atender meu clamor?”. Será, será, será, será, será…?

Paulo poderia ter feito isso, e não seria nenhuma novidade. Afinal… não é exatamente o que nós fazemos?

Ora3Deus decidiu em sua soberania que simplesmente não iria atender a oração de Paulo. Não teve nada a ver com falta de fé, ação do Diabo, pecado não confessado, nada disso. Simplesmente o Senhor disse “não” à oração do apóstolo porque queria proteger seu filho amado de pecar pela soberba. E é precisamente o que ele faz conosco em muitas e muitas situações semelhantes. Nós oramos, clamamos, nos esgoelamos, mas não somos atendidos. E aí os “será” invadem nossa mente e ficamos angustiados, cheios de conjecturas, sofrendo, questionando até mesmo a onisciência de Deus: “Será que ele não ouviu minha oração?”.

Claro que ouviu. Deus ouve todas as orações. E antes mesmo de orarmos ele já sabe o que vamos falar: “Ainda a palavra me não chegou à língua, e tu, SENHOR, já a conheces toda” (Sl 139.4)“. Essa ideia de que “Deus não ouve a oração” não é bíblica. O que acontece é que ele decide não nos dar o que pedimos. Ouve, pondera e responde com um grande “não”. Ponto. Não há fé no mundo que altere a vontade soberana do Criador do universo. Paulo não tinha fé? Possivelmente a maior do mundo. Mas Deus quis não atender seus pedidos, porque, por saber tudo, entendia que, no grande plano de causas e consequências do universo e da eternidade… não atendê-los era o melhor. Inclusive, era o melhor para o próprio apóstolo, embora ele não soubesse, visto que “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8.28). A grande vantagem de Paulo é que o Senhor disse de forma inequívoca que tinha escutado a oração mas não a atenderia. Conosco ele não faz isso. Temos de nos contentar com o silêncio. Não vem resposta. O que pedimos não acontece. Ficamos impacientes, como se o Pai tivesse a obrigação de nos atender só porque oramos com fé. E não entendemos nada.

Ora4Em vez de ficar imerso em “será”, talvez Paulo partisse para a ação se Deus não tivesse afirmado explicitamente a ele que sua oração não seria atendida. É possível que orasse uma quarta vez, uma quinta, uma sexta, uma sétima. Talvez ficasse anos orando. E ficaria a ver navios, porque, apesar de sua inequívoca grande fé, Paulo estava debaixo da soberana vontade de Deus – e, para aquela oração, a resposta da soberania divina era “não”. Se Paulo fosse um crente temperamental ou imaturo, ele poderia “ficar de mal” com o Senhor ou até mesmo se desviar da fé. Não é o que muitos de nós fazemos? Como não recebemos de Deus o que pedimos o largamos para lá? Ou então tomamos as rédeas da situação e agimos pela força da nossa mão? Quero a cura, mas, como não fui curado, vou procurar um pai de santo. Quero prosperidade, mas, como não tive um aumento de salário, vou atrás de facilidades. Quero que liberem o meu processo na Prefeitura, mas, como não liberaram, vou dar propina. Quero me casar, mas, como não encontrei ainda a pessoa ideal, vou buscar no mundo. E coisas do gênero.

Deus é muito sábio. O silêncio dele é uma maravilhosa maneira de ver que tipo de crentes somos nós. Se o Senhor explicasse suas decisões e seus “não” a cada um de nós… aí seria fácil. Mas o fato de ele decidir não atender e – também – não responder nossa oração mostra o alcance de nossa fé, estimula nossa perseverança e nos testa, para ver até onde estamos dispostos a segui-lo e servi-lo tendo somente a graça divina em nossa vida. A graça dele nos basta. Ele sabe disso; nós é que não nós contentamos com ela, queremos porque queremos também as bênçãos. O silêncio de Deus ante uma oração não atendida é a maneira de o Senhor nos mostrar quem nós somos: se perseverantes, servis, fiéis, homens e mulheres de fé, murmuradores, interesseiros, compromissados… ou não.

Ora6Tenho visto que o problema maior entre nós, cristãos, não é Deus não atender nossas orações, mas ele não respondê-las. Como o silêncio divino é a regra (o que ele fez com Paulo é a exceção), isso nos tira do sério. O caminho para permanecermos inabaláveis na nossa fé e no relacionamento com o Senhor é sabermos que ele está agindo por trás do véu do silêncio. E, se não temos uma resposta, isso absolutamente não significa que ele não nos ouviu. Devemos abandonar essa ideia infantil. Deus é onisciente, ele ouve tudo, ele sabe tudo. Mas muitas vezes decide que atender nossos pedidos não é o melhor. Se confiarmos nele, isso nos conformará e confortará. “Entrega o teu caminho ao SENHOR, confia nele, e o mais ele fará” (Sl 37.5). Se não confiarmos… é hora de repensarmos todo o nosso relacionamento com o Senhor, porque estamos muito longe de entendê-lo.

Deus vai negar muitos dos teus pedidos. Mas tenha esta certeza: isso não significa que ele não ouviu tua oração. Foi exatamente o que aconteceu com Paulo. É o que acontece conosco. Num caso raro, o apóstolo foi presenteado com uma explicação da boca de Deus. Nós não somos. Diante disso, nosso papel é orar, perseverar em oração e esperar com paciência. E se, depois de tudo isso, não formos atendidos, que tenhamos sempre em nossos lábios as palavras de Jó: “O SENHOR o deu, o SENHOR o levou; louvado seja o nome do SENHOR ” (Jó 1.21). Como escreveu o mesmo Paulo: “Orem continuamente. Deem graças em todas as circunstâncias, pois esta é a vontade de Deus para vocês em Cristo Jesus” (1Ts 5.17-18). Orou mas não recebeu o que pediu? Dê graças. Em todas as circunstâncias dê graças. Ou seja: agradeça. Pois, se não recebeu, é porque não receber é o melhor. Não receber é pão e peixe. “Qual de vocês, se seu filho pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou se pedir peixe, lhe dará uma cobra? Se vocês, apesar de serem maus, sabem dar boas coisas aos seus filhos, quanto mais o Pai de vocês, que está nos céus, dará coisas boas aos que lhe pedirem!” (Mt 7.9-11).

Obrigado, Pai, porque minha oração não foi atendida. Agradeço por isso, pois sei que, se o Senhor decidiu não atendê-la… o teu “não” é o melhor para mim.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

plano1Desde que o Senhor me converteu, ouço falar de algo chamado “plano de salvação”. Você também já deve ter ouvido falar disso. Em curtas palavras, seria o planejamento, a estratégia de Deus para redimir a humanidade pecadora. Esse plano seria, em essência, o que devemos pregar para quem não conhece o Senhor, pois revela a realidade perdida e (literalmente) desgraçada de quem existe sem Deus e de que maneira pode se religar ao Criador. A meu ver, nenhuma outra coisa deveria ser pregada ao incrédulo. Nenhuma. No entanto, não é o que tem acontecido.

Que mensagem o mundo precisa ouvir? Uma só: a humanidade desobedeceu o Senhor e por isso afastou-se dele nesta vida e, consequentemente, na próxima. Mas Deus amou tanto esses bilhões de condenados que encarnou como Jesus, para morrer e ressuscitar e, assim, restabelecer o contato entre os pecadores perdidos e o Criador. Uma vez que isso foi feito, tudo o que aquele que não vive em Deus precisa fazer é reconhecer a realidade divina de Cristo e de seu sacrifício na cruz. Pronto. Eis o plano de salvação. Resgate feito. Justificação ocorrida. Salvação concedida. O céu está disponível.

Não consigo entender qualquer outra pregação feita a incrédulos em Jesus. A salvação em Cristo é a urgência. O novo nascimento é a prioridade. Essa é a única mensagem que aquele que está a caminho do inferno precisa ouvir. Se você for pregar para um não cristão, foque no que é o ponto de partida: ele está espiritualmente morto e precisa de vida, que é Cristo. Convido você a prestar muita atenção ao que Paulo diz em Efésios 2:

plan“Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência; entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais. Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, – pela graça sois salvos, e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus.”

Sim, o incrédulo está “morto em seus delitos e pecados”. Morto. Uma vez que ele esteja vivo, aí sim você pode pregar sobre qualquer outra coisa. Pois vivos ouvem. Já mortos são surdos. E, enquanto o morto estiver morto, sua única e exclusiva necessidade é… vida. Só. Nada mais. Então, meu irmão, minha irmã, para um morto pregue vida. Depois pense no resto.

No entanto, nossos tempos propõem outro tipo de pregação. Pregamos para mortos que eles precisam de vitória. Pregamos a mortos que eles precisam de bens materiais. Pregamos a mortos que eles precisam de cura. Pregamos a mortos que eles precisam de prosperidade. Pregamos a mortos que eles precisam de milagres. Pregamos a mortos que eles precisam de bênçãos.

Errado.

Mortos não precisam de nada disso, pois nada disso tem utilidade alguma para um morto.

Temos de mudar nossa pregação. Temos pregado para quem precisa desesperadamente de Cristo que eles necessitam de prosperidade, vitória, cura física… Quem necessita disso se não tem vida?! Meu irmão, minha irmã, zumbis não existem. Zumbis espirituais muito menos.

plano2Se você tem amor pelas almas humanas que estão a caminho do inferno, é hora de oferecer a elas a única coisa que lhes será útil no momento: a vida que está em Jesus Cristo. Pregue isso. Se você é um pregador, por favor, pare de ficar tentando animar auditórios com pregações recheadas de “glória” e “aleluia” mas completamente vazias de sentido evangelístico. Se você for falar para cristãos salvos, aí você prega sobre temas que os vivos precisam ouvir. Mas se quem te ouve são aqueles que estão mortos em seus delitos e pecados, pregue a única mensagem que importa: você pecou, está a um milímetro do inferno, mas Deus amou você de tal maneira que deu seu Filho unigênito para que, se nele crer, não pereça, mas tenha a vida eterna. Creia nele. E viva.

No dia em que a Igreja voltar a pregar Jesus – que é o caminho, a verdade e a…vida – para o incrédulo, voltaremos a ter uma igreja formada por pessoas que amam o Deus que as salvou. Até lá, uma enorme parte da igreja será formada por gente que ama a prosperidade, a cura, as bênçãos, as facilidades. Pois foi isso que pregamos a elas. E foi a isso que se converteram.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

DoençaDomingo passado fiquei profundamente tocado ao saber que uma irmã da igreja recebeu a notícia de que está com câncer. A previsão é de pelo menos um ano e meio de tratamento, quimioterapia e tudo o mais a que tem de se submeter alguém que é acometido por essa moléstia. Jovem, cristã, casada com o baterista do grupo de louvor… oramos juntos durante o culto – eu, ela e seu marido. Choramos. Pedimos a cura. E meus olhos demoraram algum tempo para secar, pois parecia que conseguia sentir em mim a dor e a ansiedade daquele casal, já em antecipação pelos meses de batalha que terão pela frente. Esse episódio me afundou em reflexão sobre uma das questões mais antigas entre os cristãos: como aceitar a ideia de um Deus bondoso e misericordioso deixar seus filhos enfrentarem doenças que causam dor e sofrimento? Eu tenho uma teoria.

Para falar sobre isso, antes de mais nada devemos nos lembrar de que estamos vivos e, como tal, sujeitos a todo tipo de doença. Parece meio óbvio, mas – acredite – para muitos não é. Há uma crença disseminada em muitas igrejas, com base em Isaías 53, de que Jesus curou todas as doenças do universo Doença1na cruz e basta termos fé que o interruptor da cura será acionado. Não acredito nisso. Acredito que, em sua soberania, Deus é capaz de me manter doente por mais que eu tenha a fé maior do mundo (se quiser se aprofundar no assunto, pode ler o post “E quando Deus não cura? – Parte 2/2“). Acredito no “seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu”. Enquanto estamos vivos, habitaremos em corpos frágeis, aglomerados de tecidos e líquidos sujeitos a doença, degradação, falência, decadência. A salvação não blinda nossos corpos contra bactérias, vírus, torções, multiplicação descontrolada de células (tumores), fraturas, amputações, dores e centenas de outros tipos de problemas de saúde que podemos ter. A salvação é espiritual e não corpórea. Salvos e não salvos ficarão doentes do mesmo modo. A vida nos prova que isso é fato.

Se você não crê nisso, pense em uma coisa. Islâmicos ficam doentes e são curados. Espíritas ficam doentes e são curados. Budistas ficam doentes e são curados. Hindus ficam doentes e são curados. Xintoístas ficam doentes e são curados. Candomblecistas ficam doentes e são curados. Satanistas ficam doentes e são curados. Ateus ficam doentes e são curados. Cristãos ficam doentes e são curados. Simplesmente porque todos os fieis de todas as religiões fazem parte do mesmo grupo de seres: humanos. E humanos ficam doentes. Humanos produzem anticorpos. Humanos reagem a  medicamentos. Humanos ficam curados. E humanos também morrem.

Doença2Meu pastor eventualmente diz: exceto por um acidente ou um assassinato, ninguém “morre de morte”. Todos morremos de doenças. De falhas no funcionamento do organismo. Desconsidere quem morre por fatores de origem externa, como tiros, facadas, atropelamentos, afogamentos ou similares. Os demais morrerão de AVC, infarto, malária, dengue hemorrágica, pneumonia e centenas de outros tipos de problemas orgânicos. Ninguém morre de velhice: velhos morrem porque seus organismos não comportam mais a vida e, por isso, algo falha, uma doença os acomete e chega o momento da partida desta existência material. Se todos os cristãos fossem ser curados de tudo, nenhum de nós morreria. Lembre-se de que todo mundo que um dia foi curado de algo – seja por atendimento médico ou por um milagre – no fim acabará sucumbindo a outro mal. Ou você acha que Lázaro, o irmão de Maria e Marta, está vivo até hoje?

Então, somos espíritos infinitos que habitam corpos finitos. Vamos adoecer. Vamos morrer. É bom estarmos cientes disso.

Você poderia dizer: “Ok, Maurício, tudo bem, todos vamos ficar doentes e morrer um dia, mas precisamos sofrer tanto com certas doenças tão terríveis?”. Vamos analisar alguns casos bíblicos. Miriã, a irmã de Moisés, ficou leprosa, pela vontade do Senhor. Jó, o homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desviava do mal, ficou cheio de tumores na pele, pela vontade do Senhor. Doença3O próprio Lázaro, um dos melhores amigos de Jesus, adoeceu, como explicou o Mestre, “para a glória de Deus, a fim de que o Filho de Deus seja por ela [a doença] glorificado”. O cego de nascença de João 9 carregava essa condição por anos, para, segundo Jesus, “que se manifestem nele as obras de Deus”. Até aqui falamos de lepra, tumores, cegueiras e uma doença mortal indefinida, todas enfermidades terríveis. Mas tem mais: muitos são os relatos, de Êxodo a Juízes, de circunstâncias em que o Senhor amoroso enviou doenças, pragas e pestes ao seu povo, o povo eleito, o povo escolhido, para que aprendesse que não havia outro Deus além dele e abandonasse a idolatria. E não nos esqueçamos do espinho na carne de Paulo que, é possível, talvez fosse uma doença. E estamos falando do grande apóstolo Paulo, o homem que foi arrebatado ao céu… mas para quem a graça de Deus bastava.

Agora eu pergunto a você: o que têm em comum todas essas circunstâncias, em que, pela ação direta de Deus, membros do seu povo, pessoas que ele amava e a quem queria bem –  Miriã, Lázaro, Jó e tantos outros – acabaram sendo acometidos por doenças horríveis e que causaram tanto sofrimento? O que vejo em comum a todos esses casos é o desejo do Senhor de que venhamos a aprender lições importantes por meio das enfermidades.

Veja: Miriã foi vencida pela soberba e a lepra veio para lhe ensinar humildade. Paulo (se é que o espinho na carne foi uma moléstia) recebeu a lição de que a graça de Deus é o que há de mais importante. O povo israelita sofreu muitas vezes com pestes para aprender que a obediência e a fidelidade ao Todo-poderoso são vitais. Jó sofreu para que bilhões de judeus e cristãos ao longo dos milênios aprendessem com sua história sobre a soberania divina. O cego e Lázaro padeceram para que bilhões de indivíduos aprendessem que o mais importante de tudo é a glória de Deus.

Doenças e aprendizado andam de mãos dadas desde o Éden. Andavam na época do Antigo Testamento, continuaram andando após a vinda de Jesus, andam ainda em nossos dias e seguirão andando até a consumação do século. Deus sabe que somos pó e, muitas e muitas vezes, o aprendizado sobre a obediência, a graça e a glória de Deus vêm mediante um instrumento pedagógico chamado doença (que, infelizmente, carrega a reboque dor e sofrimento).

Muitos poderiam dizer que esse tipo de pensamento não coaduna com a essência de um Deus que é amor. É exatamente por isso que precisamos entender os fatos do dia a dia pela óptica do Senhor e não pela dos homens. CoDoença4mpreenda uma coisa: quando o Pai olha para você, ele não está enxergando somente os míseros 70 anos de vida durante os quais a sua alma estará na terra – tão preciosos aos seus olhos humanos. Ele está vendo de uma perspectiva muito mais elevada, o Senhor contempla os milhões, bilhões, trilhões, quatrilhões de anos que você terá de vida eterna. Se essa matemática lhe parece nebulosa, perceba que, se a eternidade tivesse apenas 1 milhão de anos de duração, nela caberiam 14.285 vezes o tempo de vida de alguém que vive na terra 70 anos. E, lembre-se que a eternidade vai durar milhões de milhões de milhões de milhões de milhões de milhões de milhões de milhões (e por aí vai, indefinidamente) de anos. Ou seja: uma eternidade que tivesse somente 1 milhão de anos equivaleria a 14.285 vidas terrenas.

Diante disso, sinceramente, o que você acha que é mais importante para o Senhor? Suas poucas décadas aqui ou sua existência eterna? Se for preciso fazer você enfrentar alguns anos de aperto agora que promoverão um aprendizado benéfico para toda a eternidade, o que você acha que ele fará? No lugar dele, o que você faria?

Doenla5Eu estava brincando de massinha de modelar com minha filha de 2 anos quando vi que ela ia enfiar um pedaço daquela substância tóxica na boca (e, se eu não visse, possivelmente engolir). Num reflexo, dei um grito. A pobrezinha tomou um susto, pois não está acostumada a ouvir papai gritar com ela. Paralisou. Fez beicinho. E começou a chorar. Tomei-a em meus braços, a acalmei e depois lhe expliquei a razão de ter gritado com ela: evitar um mal maior. Ela compreendeu, enxugou as lágrimas, apertou meu pescoço num abraço e me deu um beijo. Quase nunca grito com ela, mas se você me perguntar se eu gritaria de novo se tivesse de reviver aquela situação, afirmo que berraria quantas vezes fosse necessário, pois a amo e prefiro que ela sofra um pouquinho por algum tempo do que sofra muito por muito tempo. Por que com Deus seria diferente? O amor de Deus por nós é tão, mas tão grande, que ele deixa que fiquemos doentes.

Deus olha para mim e você sempre, sempre e sempre a partir da perspectiva da eternidade. Ele quer nosso bem eterno. Se para isso for preciso que soframos um tanto de tempo nesta vida terrena e, assim, aprendamos importantes lições que impactarão diretamente nosso relacionamento e nossa intimidade com o Senhor pelos zilhões de anos que teremos entre a doença e a eternidade, afirmo que Deus nos enfermaria quantas vezes fosse necessário. Por quê? Em linguagem bíblica, “Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação, não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não veem; porque as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas” (2Co 4.17-18).

Sim, ficaremos doentes. Sim, homens bons e íntegros, cristãos fieis, servos cheios de fé… todos ficarão doentes. Sim, todos os que adoecerem sofrerão. Sim, devemos orar pelos enfermos na esperança de sua restauração. Sim, remédios curarão muitos. Sim, milagres curarão alguns. Sim, muitos morrerão. Sim, no fim todos morreremos. O que fará a diferença é o quanto teremos capacidade de tirar de aprendizado de toda a dor e o sofrimento que precisaremos encarar.

Doença5Quando Jó finalmente parou de questionar as razões de sua doença e aprendeu o que Deus queria que ele aprendesse, disse: “Certo é que falei de coisas que eu não entendia, coisas tão maravilhosas que eu não poderia saber.  [...] Meus ouvidos já tinham ouvido a teu respeito, mas agora os meus olhos te viram.  Por isso menosprezo a mim mesmo e me arrependo no pó e na cinza” (Jó 42.3-6). Quatro versículos depois, Deus acaba com o sofrimento de Jó. Será coincidência? É por isso que eu sempre recomendo: se você está doente, junto à oração pela cura ore a Deus perguntando o que Ele quer que você aprenda com aquela enfermidade. Há uma grande chance de seu sofrimento ser abreviado se você aprender o mais rápido possível o que Deus quer que você aprenda. Essa é uma certeza canônica? Não, a Bíblia não afirma isso. Mas é no que eu creio.

Que em meio à doença aprendamos mais sobre santidade. Sobre obediência. Sobre a graça de Jesus. E, por fim, sobre a glória de Deus.

Doença6Eu choro pela minha irmã que recebeu o diagnóstico de câncer. Fico muito, muito triste – e domingo fiz um compromisso comigo mesmo de orar diariamente por ela. Não queria que ela passasse por isso. Jesus, na noite de sua paixão, entrou em depressão a tal ponto por causa do sofrimento que teria de enfrentar que Mateus 26 registra: ele “começou a entristecer-se e a angustiar-se” e disse a seus amigos: “A minha alma está profundamente triste até à morte”. Pois a dor… dói. E de sentir dor quem gosta? Mas o sofrimento de Jesus trouxe benefícios eternos. O Pai sabia disso e, por essa razão, não afastou de seu Filho amado o cálice do sofrimento. Por isso, muitas vezes o compassivo e bom Deus deixa que também nós bebamos do cálice do nosso sofrimento: para que aprendamos algo que virá a trazer benefícios eternos. O que cada um de nós tem de aprender com nossas doenças? Não faço ideia (para cada pessoa há um aprendizado específico). Mas Deus faz.

De minha parte, sei que a graça dele nos basta. E que a ele seja dada toda a glória, pelos séculos dos séculos.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Lele1De vez em quando convido pessoas queridas para contar aqui no APENAS algo que creio que vai edificar a sua vida, meu irmão, minha irmã. Tenho uma amiga chamada Alessandra (a dançarina da foto ao lado), membro da igreja em que congrego, cuja vida me humilha. Se você tem o hábito de ler os comentários deixados aqui no blog já deve ter visto algo que ela escreveu, assinado com o apelido com que a costumamos chamar, Lelê. Dona de um enorme coração, sempre faz elogios ao que aqui é escrito, mas a vida dela é um post tão mais maravilhoso do que qualquer texto que eu possa escrever que confesso que fico constrangido e me sinto indigno todas as vezes em que ela escreve palavras elogiosas. De verdade, sem falsa modéstia. Conhecendo a vida e as lutas de Lelê, soube que ela fez algo no último fim de semana que banhou meu rosto em lágrimas. Eu, que tive um ano muito difícil, chorei e reclamei tanto aos pés do Senhor e me senti tão mal em tantos momentos, olhei para a foto que Lelê postou na Internet (e que reproduzo ao final deste post) e, ao vê-la, conhecendo a luta de sua vida… me senti um gigantesco reclamão. Um murmurador. Ela é um exemplo tão grande para mim que eu já quis lançar um livro com a história magnífica de sua trajetória. Infelizmente não foi possível, mas hoje quero publicar a síntese da caminhada de Lelê, contada por ela própria. Para honrar essa amiga extraordinária que Deus me deu e para glorificar Deus pela obra extraordinária que Ele fez na vida dessa minha amiga. É um relato um pouquinho grande, mas, acredite, vale a pena ler até a última linha. Passo a palavra a Lelê:

“Me chamo Alessandra e sou convertida há mais de 15 anos. Minha vida era a mais normal possível: eu estudava, dançava como profissão e como hobby e estava me descobrindo em todos os sentidos. Tive um encontro supremo com Deus quando tinha 21 anos. Sim, com 21 anos eu renasci para a vida e para as pessoas. Com aquela idade eu tinha responsabilidade de gente grande. Fazia faculdade, curso de inglês e francês, dançava em duas companias de dança e ainda dava conta de administrar a minha casa. Estava tudo “bem” deste jeito.

Naquele tempo confesso que a minha vida com Deus era morna. Eu orava quando era do meu interesse, apesar de ir todo domingo à igreja, mas não cria de fato que Deus poderia transformar a minha vida. E costumo dizer que as pessoas se aproximam do Senhor pelo amor ou pela dor. Dito e feito! Deus não quer metade de nada, ele não queria o meu coração pela metade – muito menos a minha doação e minha entrega. E eu, intensa como era, já me sentia incomodada com a situação.

Deus escolheu o dia 12 de junho para fazer a virada que eu merecia e poderia suportar, sem que ao menos disconfiasse que algo tão trágico poderia acontecer. O dia começou igual aos demais, acordei às 6h, fui para a faculdade e voltei para casa. O único fato fora do normal é que meu pai estava viajando e eu fiquei com o carro, o que facilitava muito o deslocamento. Estava indo ao shopping perto de casa.

E tudo aLele5conteceu ali mesmo, no sinal de trânsito: sofri um AVC hemorrágico, um derrame cerebral. Sim, eu, com 21 anos de idade, bailarina em ascenção, sem vício algum, sem ter nenhum indício, carregava uma bomba relógio na cabeça. Uma veia que teve má-formação, localizada em uma parte nobre do cérebro, onde não se pode fazer nenhuma intervenção, estava pronta para estourar a qualquer momento. Deus quis assim – para mostrar a todos que só Ele tinha o poder para me restaurar.

Desmaiei ao voltante. Me levaram ao hospital público que fica bem perto do local ocorrido. Imagine a situação: uma menina saudável e toda serelepe em um dia no outro estava entre a vida e morte no hospital. Pode haver quem pense que isso foi uma grande fatalidade. Eu prefiro acreditar que Deus cumpriu o seu propósito na minha vida. Os médicos que me atenderam me desenganaram. Disseram que o local da hemorragia era nobre e que a dimensão do derrame era a de uma bola de tênis. Em resumo, só um milagre me salvaria.

O tempo em que passei inconsciente era terrível para as pessoas que estavam na ânsia por algum milagre. Deus foi muito fiel comigo. E, um dia, eu simplesmente acordei. E só acordei, pois não conseguia fazer nada sozinha. Respirar, falar, sentar, andar e mexer o corpo era para pessoas que tinham controle do seu corpo. Não pra mim. Nesse momento eu renasci, pois tive que aprender a fazer tudo de novo, já que meu corpo não respondia aos estímulos. Foi muito lenta a minha recuperação. Os médicos me diziam horrores, que levaria dez anos para voltar a andar, falar, estudar – e isso se eu fosse uma pessoa muito disciplinada. Assim renasceu Lelê.

Lele6Quando acordei, tive a certeza de que Deus estava me dando uma nova chance de viver e que teria de caminhar segundo a Sua vontade. Renasci sedenta por cumprir o propósito de Deus. Ele me deu uma nova chance de viver, tive que reaprender a fazer TUDO. Sentar, levantar, andar, respirar, falar, escovar os dentes. Algumas ações, conseguia fazer com muita dificuldade; outras eu tive que reaprender na marra. Tudo o que é corriqueiro para qualquer ser humano com mais de cinco anos era muito difícil para mim.

E Deus nunca me abandonou, eu sabia que ele estava ao meu lado em todos os momentos. Nos inúmeros tombos, nas palavras que não conseguia pronunciar, quando eu queria comer algo e a comida caía da minha boca, quando desejava falar alguma coisa mas a palavra saía em outro tom. Até quando eu queria somente ir ao banheiro e não conseguia ir com as minhas próprias pernas.

Depois de muitos anos de lapidação de movimentos, cheguei na zona de conforto. Já conseguia andar (devagar), falar, escrever (com a mão esquerda, eu que sou destra), comer, respirar e – o melhor – ter vontade própria. E nesse estágio eu poderia escolher viver uma vida “muito mais ou menos” ou então correr atrás da minha qualidade de vida. Escolhi a minha qualidade de vida. Foi quando listei TUDO o que eu fazia antes do meu acidente e que eu não conseguia fazer mais. A lista era muito maior do que esta, mas aqui vão alguns dos pontos:

1. Colocar e tirar brincos e cordões
2. Prender meu cabelo
3. Andar sem segurar em nada e falar ao mesmo tempo
4. Dirigir
5. Dançar sapateado
6. Nadar
7. Correr

Lele3Eu não consegui fazer todas essas coisas rápido, algumas delas demorei muitos anos. Mas gostaria de me ater ao ato de correr – e você já vai entender por quê. Nunca tive muita resistência respiratória. No máximo conseguia correr 100 metros, cansava e parava. Todas as pessoas que olham pra mim hoje notam que algo de estranho aconteceu comigo. Eu ainda ando mancando e, se não me forçar a usar o meu lado direito, consigo fazer todas as atividades sem ele. Mas correr era quase uma questão de honra. Eu moro em um condominio e, quando descia para fazer a minha atividade física diária, olhava para as pessoas correndo e sempre me perguntava: “Será que um dia vou correr?”

Anos e anos se passaram, o meu andar ficou menos vagaroso e comecei a trotar, buscando maior gasto calórico. Mas o medo de cair era o que me impedia de ir mais rápido. Bolei um plano: eu marchava entre um quebra-mola e outro e andava no trecho seguinte – e assim eu fiz por mais de dois anos. Mas eu precisava ir além. Aquela velha história da acomodação: eu poderia me contentar com o fato de andar rápido. Mas não quis.

No meu trabalho existe um programa de qualidade de vida para funcionários e eles sempre anunciam as Corridas Adidas. Todos meus colegas que foram amaram e minha vontade ficou ainda mais latente. O medo de falhar era grande, mas a minha busca pelo meu objetivo era maior. Contei toda a minha história para o meu treinador e ele se dispôs a correr ao meu lado. Tomei coragem e fui encarar os cinco quilômetros do percurso.

A cada quilômetro que passava eu me lembrava de uma fase da minha vida. Do tempo em que era completamente dependente de tudo e todos, que não tinha a opção de decidir se queria ou não fazer as coisas. E o primeiro quilômetro simplesmente passou.

Correndo estava e assim continuei. No segundo, me lembrei da dificuldade que era para andar e da dificuldade que tive de provar para as pessoas que só estava com limitações físicas. A minha mente, o raciocínio e a consciencia, continuava preservada. Mas, hoje em dia, não preciso provar mais nada para ninguém. E assim passou o terceiro quilômetro.

No quarto recordei que já tinha conseguido uma qualidade de vida excelente, mas não me contentei com tudo que eu tinha. Eu queria mais. Essa sim foi a parte mais cansativa. E, nessa hora, me lembrei de Deus. Ele não me abandonou jamais, sempre me dando forças, me sustentando quando eu caía e me levantando com a sua destra fiel.

Eu já enxergava a linha de chegada e o sucesso da prova dependia só de mim. Deus já tinha me capacitado para completar com êxito e eu também estava me preparando há tempos. Deus sempre foi fiel e não iria me desamparar nessa hora. Estava perto de acabar o trajeto quando lembrei que voltei a dirigir o carro que eu mesma comprei com o salário do meu próprio trabalho, tudo graças ao Senhor. Deus sempre soube de todas as minhas aflições. Por quantas e quantas noites eu chorei no quarto, sozinha, clamando a Deus por ajuda, porque estava muito cansada de viver, de provar o tempo todo para as pessoas que estava lúcida. Chorei na luta por um emprego e hoje trabalho em uma multinacional. Chorei muito, mas Deus sempre esteve ao meu lado, enxugando todas as minhas lágrimas.

Ultrapassei, enfim, a linha de chegada.

Lele4

Deus sempre foi muito fiel comigo, desde o meu nascimento até o dia de hoje. Quando olho pra trás e vejo onde cheguei, tenho mais certeza de que sem Deus eu nem teria saído do estado de coma – muito menos conseguiria realizar todas essas peripécias.

Com este testemunho gostaria de enfatizar a misericórdia do Senhor. Assim como Ele teve muita comigo, Ele também tem muita com você. Abra seu coração, ore sem cessar, leia a Bíblia e pratique tudo o que está escrito. Você não vai se arrepender. Que estas simples palavras exaltem o nome de Deus, pois é Dele toda a honra e glória.

Lelê.”

Obrigado, amiga, por ser uma pregação em forma de gente. Que me recorda sempre da bondade de Deus e me faz sentir tão ingrato ao Senhor por minhas lutas tão pequenas.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Quero começar este texto pedindo perdão. Pois estou tão transtornado com o que li em dois comentários deixados no mesmo dia aqui no APENAS que posso soar um pouco rude – embora esteja lutando contra minha natureza humana para ser manso nas minhas palavras. Há duas coisas que me tiram do sério, confesso: injustiças e pessoas que impõem jugos sobre o próximo que Deus não impõe – gente que julga irmãs por usar calça ou saia, que não perdoa quem Deus perdoou, que diz que se alguém não foi curado de uma doença foi por falta de fé… ou que acusa outros de estarem possessos por demônios. Isso mesmo. Fiquei horrorizado ao ler dois comentários sobre pessoas que tiveram de ouvir que estavam possuídas por demônios. A falta de amor e a ignorância de quem fez esse tipo de afirmação mostram o estado de analfabetismo bíblico e de ausência de discernimento em que se encontra grande parte da Igreja de nossos dias. Quero falar sobre isso, correndo o risco de irritar alguns e de provocar polêmica. Mas vale a pena o risco, em nome da verdade bíblica e do amor cristão.

Reproduzo aqui sem alterar uma vírgula o que o primeiro irmão escreveu. Note a agonia contida em suas palavras, causada pelo que ele ouviu (a bem da verdade, um esclarecimento: eu não sou pastor):

“olá amado Pastor, só fugindo um pouco do tema que o senhor postou, eu queria te fazer uma pergunta . Hoje eu fui numa loja evangélica atrás de um livro que falasse de doenças depressivas, ou mentais, não sei se é a mesma coisa, então o vendedor me indicou o senhor me garantindo que o senhor é muito bom e confiável, é que eu tenho uma irmã que é esquizofrênica, e muitas pessoas dizem que é possessão demoníaca, e as vezes isso deixa ela muito triste, ela é uma pessoa totalmente normal, mas a base de remédios, se ela não tomar ela entra em crise, queria saber sua opinião sobre isso. Esquizofrenia é possessão ou não, é muito importante pra mim.”

Já vai longe o tempo em que se desconheciam transtornos mentais como a esquizofrenia. Hoje a psiquiatria entende bem essa e outras moléstias de origem cerebral, como síndrome do pânico, fibromialgia, EPT, TOC, depressão clínica e por aí vai. Embora em alguns casos não se saiba ainda a causa ou o mecanismo exato de funcionamento de tais distúrbios, a medicina humana que Deus nos deu por sua graça comum permite diagnosticar e tratar com uma considerável taxa de sucesso a maioria dessas patologias. No caso específico da esquizofrenia, estima-se que 1% da população mundial sofra desse mal.

Creio na existência de demônios. Creio em possessão demoníaca. Já vi pessoas endemoninhadas e, pelo nome de Cristo e seu amor, eu mesmo já expulsei demônios. Mas não é por isso que vou ignorar as descobertas da ciência e dizer que tudo é possessão. Essa é a resposta mais fácil, rápida e ignorante que há. Sempre desconfio. Recentemente preguei em certo lugar e, ao final do culto, um irmão me procurou. Saímos para beber alguma coisa e ele me contou estar com pensamentos de morte e um sentimento de opressão. Não tive nenhuma prova de que era algo de origem espiritual. Então oramos e recomendei a ele que buscasse seu pastor para avaliar essa possibilidade e que em paralelo fosse a um psiquiatra para fazer uma avaliação. Sendo uma ou outra causa, ele estaria coberto e bem amparado.

Meu pensamento e minha experiência me levam a uma prática simples: oremos. Se for um mal de causa espiritual, revelará sua presença e agiremos como Jesus agiu: “Cala-te e sai”. Sem shows. Sem espetáculos. Sem alto-falantes. Sem berrarias. Sem câmeras de televisão. Sem expor ao vitupério público ou traumatizar ainda mais aquela pobre alma aprisionada, que tem de ser amada e cuidada. Prestamos tanta atenção ao demônio que nos esquecemos do ser humano que está sofrendo sob sua influência. Antes de pensarmos em poder temos de pensar em amor. Tendo isso na mente e no coração, expulsar aquela imundície da vida da pessoa ocorre naturalmente. Sem dar chance de falar muito: “Cala-te”. E sai. Pronto. E, depois, é fundamental iniciar um discipulado com aquela vida. O exorcismo não é a última etapa, é a primeira. Pois mais do que ser liberto de demônios, importa caminhar com Cristo. Expulsar e largar pra lá não adianta nada.

Se na oração e em um eventual acompanhamento não houver nenhum indício de influência espiritual (seja opressão ou possessão), costumo recomendar à pessoa que procure um bom psiquiatra, para que faça um diagnóstico e inicie um tratamento. Já vi mais de uma dezena de “possessos” terem seus “demônios” expulsos por comprimidos e pílulas.

Lembro quando, alguns anos atrás, comecei a sentir tonteiras diárias. Após exames como ressonância, tomografia e eletroencefalograma, o neurologista diagnosticou um tipo leve de epilepsia, que causa tonturas e dores de cabeça. O tratamento: três anos tomando carbamazepina. Nessa época ouvi de um cristão que “não existe epilepsia, todo caso de epilepsia é na verdade possessão”. Pois bem, depois dos três anos recebi alta e nunca mais senti nenhum dos sintomas: os neurotransmissores descompassados do meu cérebro estavam equilibrados e tudo ficou bem. Se fosse acreditar no que aquela pessoa disse, teria de admitir que a carbamazepina tem o mesmo poder que o nome de Jesus para expulsar demônios. Que tal?

O segundo relato veio de um jovem que estava, em suas próprias palavras, “numa aflição enorme, com dores no peito, deprimido e coisas do gênero”. A razão? Mostrou para os pais um texto que escrevi sobre batalha espiritual (leia AQUI) e teve de ouvir deles que o que falei “é coisa do diabo” e que por isso ele “precisava de libertação”. Segundo esse irmão, “meu pai me disse duas vezes que eu estava com o diabo no corpo de pensar isso que você diz no texto”. Compreensivelmente assustado, o jovem concordou em ir a um “culto de libertação”. Lá, segundo contou, na hora em que foram orar por ele o intercessor “chamou o inferno inteiro e repetia várias vezes: Eu sei que você está aí dentro desse rapaz, sai daí agora em nome de Jesus!! Nessa hora eu pensei: estou sendo liberto ou carregado com coisas ruins espiritualmente?”. E desde aquele dia esse jovem, que estava bem, passou a se sentir mal, aflito, confuso, com dores e depressão.

Não preciso dizer o quanto me entristece, choca e abate ler relatos como esse. Você consegue sentir na sua pele a dor de um filho que ouve dos próprios pais que “tem o diabo no corpo”? Que jugo terrível foi posto sobre um jovem cristão simplesmente por ter uma visão teológica diferente da de outros irmãos. Por preferir crer na Bíblia em vez de nas doutrinas de demônios ensinadas por esses grupos de batalha espiritual que baseiam seus ensinos apócrifos em “revelações” de supostos ex-satanistas ou de demônios, feitas em sessões de exorcismo. Como se demônios fossem revelar as verdades do inferno, esses mentirosos. E os irmãos seduzidos por essas histórias deixam a Bíblia sagrada de lado e preferem acreditar em “guerreiros da luz” e “divinas revelações do inferno” – enormes absurdos do ponto de vista bíblico. Onde está a sã doutrina? Onde está o amor pelo próximo? Como crer que poder de Deus se manifesta independentemente do amor de Deus? Desculpem, estou realmente muito triste e abalado por essas histórias.

O que mais incomoda nesses relatos é que pessoas desinformadas, patologicamente místicas ou seguidoras desses grupos irresponsáveis de batalha espiritual acabam jogando legiões de demônios nas costas de pessoas normais ou de vítimas de doenças bioquímicas – demônios que simplesmente não estão lá. Fazem pessoas espiritualmente saudáveis crer que são possessas. Você consegue ter ideia do que sente alguém que ouve isso a seu respeito? Da sensação de desamparo, culpa e uma lista enorme de emoções negativas? Afirmações irresponsáveis como essas podem piorar o estado de saúde dos doentes, sem falar que, enquanto dez “obreiros” ficam berrando no ouvido do pobre coitado e sacudindo sua cabeça tentando expulsar um suposto demônio que não está lá, ele está deixando de ser tratado adequadamente. E sendo severamente traumatizado.

Quando falamos dos dons do Espírito mencionados em 1 Coríntios 12, muitos ficam salivando para profetizar, sobem o monte e fazem correntes e campanhas para receber dons de curar e por aí vai. Mas pouquíssimos pedem a Deus discernimento de espíritos. E, ao meu ver, é um dos dons mais necessários e mais ausentes da Igreja em nossos dias. Falta discernimento. Pior: falta bom senso.

Perdoe-me o tom chateado, por favor. Mas me ponho no lugar da irmã desse querido que escreveu o comentário acima e do jovem acusado de ter o diabo no corpo e a dor que sinto por eles é muito grande. Vitimada por uma enfermidade psiquiátrica e ainda por cima acusada de possessão demoníaca. Chamado de endemoninhado pelos próprios pais. Que jugo enorme! É muita falta de amor dizer uma coisa dessas para alguém. Mesmo que fosse o caso, não se deveria falar nada, mas orar e deixar o nome de Jesus fazer o resto, sem penalizar aquela alma mais ainda. São seres humanos, por Deus! Onde estão nossa compaixão e nossa graça!?

Vivamos com olhos espirituais abertos sim. O mundo espiritual existe, todos sabemos que nossa luta não é contra carne e sangue, que Jesus expulsou demônios e Satanás vive em derredor buscando quem possa tragar. Creio em tudo isso. Mas não podemos jamais deixar de lado a razão ou o coração. A ciência e a compaixão. As descobertas da medicina e as misericórdias com os que sofrem. Senão daqui a pouco estaremos novamente torturando epiléticos, afogando quem discorda de nossas crenças teológicas e queimando pessoas com síndrome de Down na fogueira achando que são bruxos e feiticeiros. Ou, quem sabe, duendes e fadas.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Se Deus é bom por que Ele permite a dor? Por que o Deus que é amor permite tanto sofrimento, até entre seus filhos? Essa é a pergunta que não quer calar e que tem levado inclusive ao surgimento de heresias, como a Teologia Relacional, inventada para tentar explicar essa aparente contradição. Quanto e quantos de nós já não passamos por situações de dor – seja física, moral, emocional ou de qualquer outro tipo – e questionamos o Senhor sobre nossa condição? Isso já aconteceu comigo e certamente também com você. Pois bem: eu tenho uma teoria. É claro que nem todos os casos se encaixam nela, mas acredito que muitos sim. Creio que o Senhor nos deixa passar pelo “vale”, como diz o jargão, para que no futuro possamos auxiliar outras pessoas que por sua vez venham a atravessar o mesmo “vale”. Em outras palavras, penso que Deus autoriza a dor para que mais à frente possamos usar a experiência advinda desse sofrimento com o objetivo de ajudar o próximo que esteja vivendo aquilo que já vivemos. E, nesse ajudar, tanto quem ajuda quanto quem é ajudado desenvolve, fortalece e solidifica muito seu relacionamento com Cristo.

Como já contei aqui no APENAS, sofro de uma doença chamada fibromialgia, que me faz sentir dor 24 horas por dia, 7 dias por semana, há 16 anos. Não tem cura e impede que desempenhemos uma série de atividades, como digitar no computador, dirigir, carregar muito peso, fazer exercícios, praticar esportes e outras mais. E é uma doença cruel, pois não aparece em nenhum exame (seu diagnóstico é clínico) e muitas pessoas não entendem ou mesmo não acreditam que a sua dor, a sua prostração e a indisposição para fazer qualquer coisa sejam fruto de uma moléstia invisível: simplesmente te rotulam de preguiçoso, exagerado ou coisa parecida. Desde 1996 esse mal ocupa cada músculo e tendão do meu corpo. De lá para cá tenho buscado alternativas tecnológicas que me permitam viver e peço a Deus constantemente que, se for da vontade dEle, venha a me sarar. Se não o fizer, o glorificarei do mesmo jeito – meu amor pelo Senhor independe de me curar ou não.

Contei esse relato no post E quando Deus não cura – Parte 1/2, já há alguns meses. Não pretendia voltar ao assunto, pois não gosto de ficar falando sobre esse problema – simplesmente porque falar não adianta nada. Mas recentemente recebi pelo Facebook o testemunho de uma irmã, que me pediu para não divulgar seu nome, que leu sobre a minha experiência e isso de certo modo tocou sua vida. Conversamos a respeito e, com a autorização dela, compartilho o que ela me escreveu, com um único intuito: mostrar que, se você está passando por um momento de dor ou de sofrimento, em vez de se lamuriar pode usar sua experiência no futuro para ajudar alguém que venha a cruzar seu caminho enquanto enfrenta uma situação parecida com a sua. Assim, sua dor pode vir a abençoar muitos.

Em seu relato, a irmã E.D. tece alguns elogios a mim, mas deixo bem claro que tenho plena ciência de que toda boa dádiva e todo dom perfeito vem do Pai das Luzes, logo, não reproduzo os mesmos com nenhum intento de me exaltar, senão com o de glorificar ao Senhor pelo que Ele fez na vida dessa irmã por meio do sofrimento que o Soberano me permite passar. E que, espelhado na experiência dela, meu irmão, minha irmã, você possa usar o seu sofrimento, e aquilo que com ele aprender, para a glória do Criador do Universo e para ajudar o seu próximo. Passo então a palavra a E.D.:

“Zágari, bom dia!

Talvez você tenha se perguntado: por que essa jovem do Maranhão me adicionou no Facebook? Quero rapidamente compartilhar contigo de que forma DEUS te usou pra me abençoar. Me chamo E.D., tenho 31 anos, casada, sem filhos, crente em Cristo Jesus, da igreja X.

Agora, onde você entra nisso tudo? Vou contar…

Sempre fui muito ativa, criativa, motivada e dedicada. Aos 24 anos comecei a sentir fortes dores nas costas, tórax, falta de ar e desânimo para realizar coisas simples. Depois essas dores se intensificaram e foi então que resolvi procurar auxílio médico. Para minha surpresa, nada aparecia nos exames. Foi então que, além da dor física, comecei a sofrer emocionalmente, pois caí em descrédito com minha família, amigos, esposo, no trabalho. Você deve saber a que me refiro: É isso sim! Fibromialgia. Fui diagnosticada formalmente somente este ano, pois até então eu não queria aceitar que tinha isso e infelizmente procurei os médicos errados e não atualizados a respeito do assunto. Por isso, tentei sufocar o assunto o máximo que pude!

Ao ser questionada, sempre tentava explicar às pessoas o que eu sentia. Mas como explicar o invisível? Tive depressão e síndrome do pânico, por ter a plena convicção de que ia morrer de tanta dor. E o pior: ninguém me entendia. De ativa passei a ser instável emocionalmente por conta das dores.

Foi aí que comecei a me ferir e me magoar com as pessoas. Não vou pormenorizar aqui o que vivi, mas, para você ter noção, até na igreja sofri preconceito. Bem, semana passada, ao acordar (SEM FORÇAS PARA TRABALHAR), não quis falar com DEUS. Simplesmente pensei: ‘Não vou falar com DEUS sobre esse assunto mais, tudo o que gostaria era de ser curada disso, ter uma vida normal como as pessoas normais que estudam e trabalham. Mas DEUS parece não ver minha disposição em querer muito isso’. Saí de casa decidida a deixar tudo: cargos na igreja, trabalho, toda e qualquer atividade e me isolar como uma ostra. Há dias em que só quero ter o direito de ficar no meu canto, sem falar com ninguém, ou mesmo sem explicar por que alguém tão comunicativa e brincalhona como eu não quer falar. Como esse direito eu não tenho, porque preciso me relacionar, decidi que em casa, bem fechadinha, poderia sentir dor e não ter que forçar sorrisos ou passar por alguém lábil!

Foi aí que na Internet, procurando artigos sobre fibromialgia, não sei como fui parar no teu blog. E, ao ver o artigo “E quando Deus não cura? – Parte 1/2″, o título me chamou a atenção. Na medida em que fui lendo, comecei a chorar. Pois, ao descrever tudo o que você sentia, fui tomada por uma empatia muito grande. Me reportei à minha vida. Vendo suas competências técnicas, sua disposição em levar o Evangelho a sério, vendo que trata-se de alguém que é de uma igreja genuinamente cristã, dei crédito ao que estava diante de mim e continuei a ler. Pois bem: o fato é que aquele post foi um bálsamo para minha vida. Não fui curada da doença, mas mudei minha percepção dela. De verdade!

Vi também que DEUS sempre quer nos ensinar e que eu preciso entender isso na prática, pois essa é a forma pedagógica de DEUS. Às vezes somos crentes meramente teóricos. Infelizmente alguns, como eu, até que passem pela vivência prática das lutas, são muitíssimo teóricos. Eu realmente pensei: ‘Se o Zágari consegue administrar esse problema, se consegue ser feliz apesar de tudo isso, talvez eu também consiga e me torne uma crente valorosa, piedosa. Meu caráter, vida, ações, tudo pode mudar, DEUS pode usar isso para moldar características em mim que até eu vejo e condeno’.

Esse texto enorme é para que saibas: você foi benção em minha vida apesar de suas limitações. E eu quero ser benção na vida de outros também – apesar das minhas. Certa vez li uma frase que dizia que DEUS não está tão interessado em mudar as circunstâncias do nossos meio como está em mudar as pessoas. É isso mesmo. Hoje estou com muita dor aqui no trabalho, mas com esperança de que tudo acabará bem.

Obrigada por chegar até o fim dessa mensagem e pela tolerância em me ‘escutar’.

Que DEUS em Cristo o abençoe!

E.D.

PS: Também fiz um trato com DEUS, de falar sobre o assunto com outras pessoas somente quando houver extrema necessidade. E de só falar para Ele minha dores. Pois só Ele me entenderá na totalidade!”

E aqui acaba o testemunho de E.D. Não preciso dizer que o li com lágrimas nos olhos. Olhei para trás, para os 16 anos de dor, e orei ao Senhor: “É, Deus… já serviu para alguma coisa”.

Jó sofreu demais. E até hoje, mais de 5 mil anos após ele ter caminhado sobre a terra, milhares e milhares de pessoas são abençoadas com seu testemunho de vida. E quero deixar essa reflexão a você, meu irmão, minha irmã: a coisa está difícil? Está doendo? O sofrimento está demais? Então cogite a possibilidade de Deus estar permitindo você passar por tudo isso para que mais à frente você ajude E.D.s que vão cruzar o teu caminho – vivendo dificuldades, com dores e sofrendo demais. Certamente, enquanto Jó raspava suas feridas ele não imaginava que sua história iria pelos milênios à frente ajudar tantos. Como a irmã Ruth Martins, que passou por uma experiência terrível mas espiritualmente enriquecedora, como relata em seu livro Há benefícios na dor (foto).

E você, será que consegue imaginar o que Deus tem preparado pelos anos à frente como fruto da sua dor? Se não consegue, não se preocupe: Ele sabe. O Onisciente sabe direitinho por que você está enfrentando essa luta tão difícil. E Ele está contigo todos os dias, até a consumação dos séculos – mesmo quando caem as lágrimas mais amargas.

Um beijo especial para E.D., que está suportando essa leve e momentânea tribulação sabendo que o que a espera é um grande peso de glória eterna.

E paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício
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Já fui vítima de alguns desgraçados erros médicos, que me fizeram pensar muito sobre desgraçados erros bíblicos. Vou contar apenas duas histórias para depois chegar ao ponto. Anos atrás comecei a sentir uma dor forte na sola do pé, que mal me permitia andar. Fui a um centro de reumatologia e ortopedia, daqueles de plano de saúde, onde você tem de ser atendido em dez minutos para que se possa atender muita gente e os donos da empresa faturarem muito. Peguei minha senha, sentei na filinha e esperei minha vez. Depois de muito tempo, me chamaram e entrei no consultório. A médica, sem sair de trás da mesa, perguntou o que eu estava sentindo e descrevi o problema. Sem nem ao menos me examinar ou mandar eu tirar o sapato, ela decretou de sua cadeira: “É fascite plantar, você precisa pôr o pé em água gelada e fazer fisioterapia”. Ela é a médica, eu sou um leigo, logo obedeci caninamente o que ela disse: passei a pôr o pé todo dia em água gelada e a fazer a fisioterapia. Mas a dor não cedia. Pelo contrário: piorava. E piorava. E piorava. Chegou a um ponto em que, não aguentando mais, paguei uma consulta cara com um médico maravilhoso. Ele gastou tempo comigo. Mandou tirar o sapato e a meia, mexeu, apertou, fez diversas perguntas e diagnosticou: eu não tinha fascite plantar coisa alguma, tinha um músculo contraturado. O tratamento: pôr o pé em água quente, a água gelada fazia o músculo se contrair mais e a dor piorar. Com um dia pondo o pé no calor a dor desapareceu.

Ou seja: uma médica inconsequente, despreparada, que não fez o seu dever de casa, não só não resolveu meu problema como ajudou a piorá-lo. E ela tinha todo o aspecto de uma pessoa muito bem capacitada, vestia jaleco e roupa branca, ocupava um consultório numa clínica aparentemente muito bem estruturada. Tinha toda a aparência de deter o conhecimento que me auxiliaria, que me mostraria o caminho. Mas piorou a minha vida. Piorou a minha saúde. Cometeu um erro médico sério, que poderia ter causado lesões piores.

O segundo erro que relato foi ainda pior. Pois foi o erro de 4 médicos, todos com aparência de ter todo o conhecimento, alguns famosos, com nome na praça. Uma baixa de imunidade causada por estresse me fez ter candidíase na virilha. Trata-se de um fungo que todos nós temos mas que, quando as defesas do corpo baixam, isso permite que o fungo ataque seu organismo. Com muita coceira e inchaço, procurei um médico. Ele olhou e me receitou uma pomada que “me deixaria bom em 5 dias”. Apliquei pelo tempo prescrito mas o local continuava inchado. Erro médico número 1.

Como eu viajaria para passar uma semana numa conferência teológica numa cidade pequena e sem muita estrutura, resolvi procurar uma dermatologista, para não ter surpresas desagradáveis durante a viagem. Ela olhou e disse que realmente a doença ainda não havia cedido completamente. “O outro médico não te receitou nenhum antifúngico oral?”, perguntou em tom condenatório. Eu disse que não. Ela então me receitou um comprimido em dose única e mais um antifúngico de aplicação local, que chamarei de X, para aplicar por 14 dias. Foi o que fiz. Erro médico número 2.

Toda vez que aplicava o remédio X sentia o local arder. O 14o dia coincidiu com meu primeiro dia na Conferência, uma 2a feira. No dia seguinte, quando bati os olhos no local da doença fiquei apavorado: estava cheio de bolhas, inchaço, feridas em carne viva e sangrando. Tremi. Descobri junto ao plano de saúde o único hospital da cidade onde havia atendimento de emergência. Corri para lá e fui socorrido por um clínico geral. Contei a história toda. Ele examinou o local e disse que poderia ser herpes. Falou com uma tranquilidade assombrosa que eu poderia ter HIV. Mandou passar somente uma pomada no local “até melhorar”, pomada que na verdade é um coquetel de antibióticos e antifúngicos. Erro médico número 3.

Voltei na 6a feira ao Rio e já sábado de manhã procurei um especialista, pois em 5 dias não havia aparência de melhora. Novamente contei a história toda. Ele olhou o local e disse que achava que era herpes. Mandou tomar aciclovir e continuar passando a mesma pomada. Erro médico número 4.

Quando chegou na 5a feira seguinte, sem nenhum sinal de melhora, já cansado emocionalmente e cheio de dores, decidi procurar mais um médico. E graças a Deus que o fiz. Contei a via-crúcis inteira, ele examinou o local e disse: “A médica te passou o remédio X? Ela está louca? Ele é usado para micose de unhas! Isso parece ser uma queimadura causada pelo remédio”. Eu perguntei sobre a herpes. “Nenhum desses médicos a que você foi pediu um exame de sangue? Não temos que especular, existe um exame para isso, vamos fazer”. Depois me pediu para ver a pomada que estava passando. “Essa pomada é uma mistureba que não resolve nada, por isso o local está infeccionado, você tem que passar a pomada Y”, e me deu a receita. Saí do consultório, fiz o exame de sangue e passei a usar a pomada Y.

Resultado: no dia seguinte a dor sumiu e as feridas começaram a cicatrizar. O exame de herpes? Deu negativo. Não, eu não tinha herpes. Nem HIV. Tinha feridas provocadas primeiro porque um médico não soube me tratar, o que me levou a uma médica que me passou um remédio errado e piorou o meu problema gerando queimaduras químicas na pele, que um terceiro médico não soube diagnosticar e me receitou uma pomada que não resolveu nada e por um quarto médico que, tendo recursos para fechar um diagnóstico, só especulou, me apavorou e não ajudou em nada. Desgraçados erros médicos.

Quando finalmente encontrei alguém que sabia o que fazer, fiquei bom.

Essas duas histórias mostram o estrago que aparentes especialistas que na verdade são completamente mal-preparados são capazes de fazer com uma pessoa.

O mesmo acontece em nossa vida espiritual.

Muitas vezes, tomamos como referências pastores, pregadores, teólogos e até mesmo blogueiros que têm toda a aparência de conhecer Deus, a Bíblia, a Verdade, a sã doutrina. Nos apaixonamos por eles. Os seguimos cegamente. Cada receita que eles nos passam nós cumprimos. Afinal, somos leigos e eles, os detentores do conhecimento, os ungidos, os que sabem apontar o caminho. Falam bonito. Citam poetas. Escrevem coisas lindas em seus blogs e twitters. Gravam vídeos atraentes e bem produzidos no Youtube. São charmosos. Muitos não usam “aquela ultrapassada toga sacerdotal” nem terno e gravata, são in, falam a linguagem de nossos dias. Uns até falam palavrão. Outros citam Vinícius de Morais, Cecília Meirelles e Clarice Lispector.

Há também o que nos conquistam porque falam como machos. Gritam. Poem o dedo na cara dos pecadores. E daí se seus programas de TV só servem para vender produtos de suas empresas e se defender das acusações dos blogueiros pensantes? São nossos porta-vozes. Dizem aos gays o que gostaríamos de dizer. Esbravejam. Batem na mesa. Chamam outros cristãos de “trouxas”, “bundões” e adjetivos similares que demonstram como estão cheios de “poder de Deus” ou da “graça de Deus”. Os amamos.

Mas o que não percebemos é que muitos deles cometem desgraçados erros bíblicos. E, assim como os erros médicos que fizeram comigo e que tinham a aparência de solução mas só me prejudicaram, esses formadores de opinião arrastam multidões para longe de Deus. Pregam doutrinas de demônios. Receitam práticas, crenças e conceitos “bíblicos” que vão causar bolhas e feridas sanguinolentas em sua alma, meu irmão, minha irmã, e vão deixar sua alma em carne viva. Por isso, é essencial sabermos identificar esses homens.

Se algum pregador que você admira diz que é possível ser salvo por caminhos que não Jesus de Nazaré, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira diz que Deus abriu mão de sua soberania e não age nas tragédias do mundo, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira diz que Deus não controla as forças da natureza e que essa ideia é só influência de ensinos gregos, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira diz que se você der 900 reais ao ministério dele receberá unção financeira, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira traz representantes da Teologia da Prosperidade do exterior para dizer a você em seu programa de TV que você deve dar-lhe dinheiro como forma de semeadura, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira usa palavras torpes – como falar palavrão em púlpito, ofender outros pastores chamando-os de “bundões” ou afirmar que quem oferta para a obra de Deus por amor e não querendo receber dinheiro de volta é “trouxa” – ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira fala sobre graça mas é agressivo ao mencionar outros pregadores, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira manda você “tomar posse da bênção” ou “decretar/declarar a vitória”, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira realiza exorcismos na TV em que o suposto demônio diz que líderes de outras igrejas são guiados por Satanás, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira diz que é a favor do aborto, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira pede dinheiro e com isso compra fazendas ou jatinhos particulares com os recursos sagrados que os fieis dão à igreja, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira diz que é possível viver a fé cristã fora de uma comunidade, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira diz que não tem problema algum ir a shows de artistas do naipe de Ozzy Osbourne, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira diz que irmãos na fé são malditos porque creem em doutrinas em que ele não crê, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira diz que a Bíblia é apenas um conjunto de mitos que revelam uma verdade maior, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira ama mais o dinheiro do que pessoas, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira é visivelmente vaidoso ou arrogante, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira participa de campanha política, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira trai seu chamado sacerdotal e se candidata a um cargo político, ele está te prescrevendo veneno.

E se algum pregador que você admira não admite ser criticado…ele é o veneno.

Desgraçados erros bíblicos. Desgraçados não por ofensa, meu irmão, minha irmã, mas simplesmente porque estão totalmente fora da graça de Deus. E fora da graça de Deus não há salvação.

Deus tenha misericórdia de sua Igreja.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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