Arquivo da categoria ‘Celebridades gospel’

Ovelha1O Senhor não resgata ninguém para descartar depois. Se ele resgata é para tornar aquele indivíduo alguém útil e produtivo, um servo ativo na obra de Deus e plenamente capacitado e aprovado para atuar em prol do reino dos céus. É um absurdo achar que Jesus busca a ovelha perdida para fazer dela um peso morto, inútil. Esse é um pensamento antibíblico e, vamos concordar, impiedoso e maldoso. Mas hoje importa começar esta reflexão com palavras que não são minhas, mas de Jesus: “O Filho do homem veio para salvar o que se havia perdido. ‘O que acham vocês? Se alguém possui cem ovelhas, e uma delas se perde, não deixará as noventa e nove nos montes, indo procurar a que se perdeu? E se conseguir encontrá-la, garanto-lhes que ele ficará mais contente com aquela ovelha do que com as noventa e nove que não se perderam’.” (Mt 18.11-13). No relato de Lucas, o Senhor emenda essa parábola com a da moeda perdida: “Qual é a mulher que, possuindo dez dracmas e, perdendo uma delas, não acende uma candeia, varre a casa e procura atentamente, até encontrá-la? E quando a encontra, reúne suas amigas e vizinhas e diz: ‘Alegrem-se comigo, pois encontrei minha moeda perdida’. Eu lhes digo que, da mesma forma, há alegria na presença dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende” (Lc 15.8-10). E, em seguida, Jesus fecha com chave de ouro, contando a famosa história do filho pródigo.

Creio que o conceito por trás desses ensinamentos está claro: se uma ovelha, alguém que se perdeu, um filho do Pai tropeça no meio do caminho, chafurda no pecado e é resgatado por Cristo, o nosso papel é exultar, festejar, juntar-nos a Deus e aos anjos na enorme alegria que representa o retorno dessa vida. Não consigo ver em nenhuma dessas passagens que nossa postura deva ser a de discriminar o arrependido que retornou – como fez o irmão mais velho do filho pródigo, alguém que, certamente, não compreendia o que significa amor nem graça.

Ovelha3Tendo dito isso, falemos sobre Jimmy Swaggart. Para as gerações mais novas, explico: ele é um evangelista que nos anos 1970 e 1980 lotava estádios por todo o mundo, tinha um ministério profícuo e famoso. Até que cometeu adultério. Pecou. Errou. O que fez foi feio. Horrível. Abominável. Nisso todos concordamos e não há espaço para discussão sobre a gravidade desse pecado (é possível até que seja tão grave como ódio, discórdia, ciúmes, ira, egoísmo e inveja, visto que sobre todos esses diz Gálatas 5.21 que “Aqueles que praticam essas coisas não herdarão o Reino de Deus”). Mas vamos adiante: consta que Swaggart se arrependeu, confessou e deixou sua transgressão. Diante disso, não sou o Espírito Santo para julgar o homem, simplesmente porque a Bíblia não me autoriza a isso. Se ele se arrependeu de fato, confessou e deixou, que autoridade tenho eu para condená-lo? Jesus o justificou e eu o condeno? Ai de mim se o fizer, como o Senhor mostra com apavorante clareza na parábola do credor incompassivo (Mt 18.21-35). Mas ninguém vinha dando muita atenção a isso por aqui pois, afinal, Swaggart deixou de estar presente na vida da Igreja brasileira há muitos e muitos anos.

Bem, até agora. A Sociedade Bíblica do Brasil lançou há algum tempo a “Bíblia de Estudo do Expositor – Jimmy Swaggart”, com comentários exclusivos escritos pelo próprio. Dei uma boa espiada no material e, acredite, é bastante bom. Uma ferramenta útil para o estudo das Escrituras, uma obra digna de ser lida por todo cristão interessado em compreender melhor a Palavra de Deus. Claro, não é perfeito. Mas – com exceção da Bíblia e de Jesus – existe algum livro ou ser humano na face da terra que seja?

Ovelha4Fiquei muito feliz quando tive contato com essa Bíblia de Estudo; aliás, duplamente feliz. Primeiro por ver um material do gênero à disposição da Igreja. E, segundo, por ver que não só o filho pródigo, Swaggart, tornou à casa do Pai, recebeu um anel no seu dedo, foi vestido de roupas novas e gerou alegria entre os anjos do céu, mas também porque ele ganhou a oportunidade de voltar a ser um membro produtivo do Corpo de Cristo – em prol da edificação do Corpo de Cristo. Bravo, palmas para Jesus, que cumpriu o milagre da justificação em mais uma alma que estava fora do aprisco, e palmas para o Espírito Santo, que convenceu a ovelha pedida do pecado, da justiça e do juízo. O Bom Pastor deixou as 99 ovelhas e foi atrás de Jimmy Swaggart. Consta que seu arrependimento foi sincero e Deus me livre de dizer que não foi, pois não compete a mim julgá-lo neste momento de sua vida. Os frutos até o momento não o condenam, pelo que me consta. E, vamos combinar: sendo eu este terrível pecador que sou, que moral tenho para lançar a primeira pedra?

Ovelha5No entanto, quando minha alegria ao ver essa dupla bênção aflorou, eis que baldes de água gelada foram lançados na minha cabeça. Pois foi só as pessoas tomarem conhecimento de que essa Bíblia de Estudo seria publicada e não demorou para alguns cristãos impiedosos se manifestarem, desmerecendo a obra, pelo fato de ser comentada pelo homem que um dia adulterou. Parece que preferiam que ele jamais voltasse a produzir nada para o reino. Perdoem-me, mas não consigo acreditar que seja isso o que o Senhor deseja: pelo meu entendimento bíblico, o perdão do pecado confessado e abandonado zera tudo: “O SENHOR é compassivo e misericordioso, mui paciente e cheio de amor. Não acusa sem cessar nem fica ressentido para sempre; não nos trata conforme os nossos pecados nem nos retribui conforme as nossas iniquidades. Pois como os céus se elevam acima da terra, assim é grande o seu amor para com os que o temem; e como o Oriente está longe do Ocidente, assim ele afasta para longe de nós as nossas transgressões” (Sl 103.8-12). Isso, claro, é como Deus vê e faz. Mas para cristãos impiedosos não é assim: o cumprimento da sua justiça humana exige que se enterre aquele que Jesus desenterrou e que ele se torne inútil para a obra do Senhor. A justiça da cruz some nessa hora. Vale é a justiça do degredo ou, no mínimo, a do desmerecimento eterno.

É a filosofia do “não o resgate, mate. Mas, já que vai resgatar, pelo menos o esconda em algum porão. E, se não der, desmereça tudo o que ele vier a fazer…”.

Eu não deveria mais me espantar com isso. Afinal, já vi a impiedade se manifestar no seio da Igreja muitas e muitas vezes e de muitas e muitas maneiras. Não em poucas ocasiões testemunhei o apedrejamento de cristãos arrependidos de seus pecados por grupos que consideram seus próprios pecados menos graves do que os dos outros. Pior: vi gente que prossegue sem arrepender-se de suas iniquidades não confessadas acusar e desmerecer coisas feitas por iníquos que se arrependeram, confessaram e deixaram o pecado. O que não é novidade nenhuma, Jesus mesmo falou sobre isso (atente para o negrito):

“Propôs também esta parábola a alguns que confiavam em si mesmos, por se considerarem justos, e desprezavam os outros: Dois homens subiram ao templo com o propósito de orar: um, fariseu, e o outro, publicano. O fariseu, posto em pé, orava de si para si mesmo, desta forma: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano; jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho. O publicano, estando em pé, longe, não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim, pecador! Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque todo o que se exalta será humilhado; mas o que se humilha será exaltado” (Lc 18.9-14).

De tanto isso acontecer, eu não deveria mais me surpreender ao ver tantos cristãos justificados de seus pecados serem escorraçados por cristãos que não compreendem o alcance do perdão e da graça de Deus. Aliás, permita-me confessar o meu pecado: eu mesmo não entendia tempos atrás, encharcado de impiedade que eu era, até o dia em que as asas da graça divina se estenderam sobre minha vida e experimentei na pele e na alma o que é ser alvo da compaixão do Senhor. Então, de certo modo, entendo os impiedosos, pois já estive cego como eles estão. O que não quer dizer que eu não fique muito, mas muito triste com atitudes como essas.

Ovelha6É duro ver ovelhas que Jesus trouxe de volta ao aprisco se esforçando para fazer algo em prol da edificação da Igreja e observar o fruto do seu esforço ser desmerecido, desdenhado e boicotado por irmãos em Cristo. Gente que voa na jugular, sabotadores da redenção da cruz. Será que o pai do filho pródigo o recebeu de volta em casa para  ele ficar sentado o dia inteiro, sem fazer nada? O fato de o filho pródigo ter saído dos trilhos por uma fase faz dele imprestável pelo resto da vida? O que Jesus diria sobre isso? Quando Pedro traiu Cristo (três vezes, lembremos) e Jesus o perdoou, o que o Mestre disse ao apóstolo? “Tudo bem, mas nem ouse fazer a obra de Deus, esconda-se num canto e nunca mais faça nada”. É isso? Ou ele manda o pecador arrependido apascentar as suas ovelhas? Pare. Preste atenção: Jesus manda o pecador que o traiu três vezes fazer nada menos do que pastorear as suas ovelhas, cuidar delas, guiá-las. Que lição para todos nós!

Sinto arder na minha pele a tristeza por ver homens impiedosos depreciarem todo o esforço de Swaggart em elaborar essa Bíblia de Estudo, em vez de se alegrarem por ele estar ativo na edificação do Corpo de Cristo. Que tipo de gente faz isso? Que tipo de gente faz caretas e comentários maldosos e maquiavélicos porque alguém que estava perdido foi encontrado e voltou a ser útil? Deveriam estar se alegrando junto com os anjos no céu, por Deus!

E note algo: em momento algum estou falando de concordar ou discordar da teologia que ele prega, de suas crenças soteriológicas ou do que for. Minha reflexão passa longe disso. Estou falando de pecado, arrependimento e perdão de um cristão, algo que perpassa absolutamente toda e qualquer divergência teológica ou doutrinária.

Ovelha7Uma verdade: infelizmente, fala-se muito mais sobre graça do que se exerce graça. É lindo teologizar sobre graça. Mas… pôr em prática? É para poucos. Pois muitos preferem se juntar não ao pai do filho pródigo, mas aos apedrejadores da mulher adúltera.

Peço a Deus que sejamos mais piedosos. Perdoadores. Graciosos. Amorosos. Menos ferinos na língua que fustiga os outros e mais amáveis ao aplicar o bálsamo sobre as feridas dos que se embrenharam pelo espinheiro do pecado mas foram resgatados pela maravilhosa graça.

Volto a dizer: não sou o Espírito Santo para dizer o que se passa no coração de Jimmy Swaggart. Se ele abandonou a prática do pecado eu não posso garantir. Mas quero crer que sim. E, até que me provem o contrário, o sangue de Cristo repousa sobre a vida daquele homem, tornando-o inculpável. E herdeiro do céu.

A ovelha foge do aprisco. O Senhor parte em seu resgate. Ele a traz de volta. Os anjos no céu fazem festa. O banquete é servido. O Pai se alegra. E depois? Depois muitos de nós pegamos aquela ovelha e a espancamos com socos, murros, pontapés e cusparadas. Que linda lição de cristianismo.

Obrigado, Senhor, pela graça. Obrigado, Senhor, pelo perdão. Obrigado, Senhor, pela restauração. E tem misericórdia de mim, pois não sou melhor do que ninguém. Ó Deus, sê propício a mim, pecador…

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Marcha1A moda de organizar marchas para Jesus conquistou o mundo. Recebi recentemente de um irmão querido que mora no Japão e acompanha o APENAS um vídeo de divulgação (abaixo) da versão nipônica desse evento, realizado em Nagoya. Pelo que vi, lá o acontecimento carrega traços bem semelhantes aos dos similares organizados em outros locais do planeta, inclusive no Brasil. Ao assistir ao vídeo e refletir sobre esse fenômeno, algumas perguntas brotaram em minha mente: qual é exatamente a finalidade de se realizar esse tipo de evento? Representa evangelismo? Leva à salvação de almas? Glorifica o Senhor? Traz benefícios para o reino de Deus? Meditei longamente sobre isso e meus pensamentos me levaram a uma interessante analogia.

Para muitos, a resposta é indiscutível: uma vez que se está falando de Jesus – e como a palavra de Deus não volta vazia – é evidente que pessoas serão tocadas, haverá conversões em massa, será uma grande celebração do povo cristão, com inegáveis benefícios para a Igreja e glorificação do nome de Deus. Em outras palavras, acreditam de forma arraigada que a Marcha para Jesus é o céu na terra. Jesus está, para os defensores desses eventos, obviamente sendo proclamado e os benefícios são extraordinários. E se você diz que marchas para Jesus são meras articulações políticas e/ou comerciais, certamente você deve estar a serviço do Diabo ou no mínimo é um pecador carnal que deseja sabotar as grandes coisas que os políticos/artistas/empresários/líderes eclesiásticos que organizam tais manifestações querem promover por puro e desinteressado amor a Cristo.

MarchaBudaResolvi, então, fazer um exercício de imaginação. Suponha que, em vez da Marcha para Jesus, uma coalizão de líderes religiosos famosos, seguidores de Siddhartha Gautama, organizasse a Marcha para Buda. Assim, milhares e milhares de budistas, vestindo camisas e portando faixas glorificando Buda sairiam às ruas para celebrar que “o Brasil pertence a Buda”. Veríamos multidões andando sorridentes pelas avenidas, pontes e becos, batendo palmas, saltando, pulando e levantando as mãos. Haveria políticos budistas em cima dos carros de som conclamando a população a se unir em favor da ética e dos valores de seu livro sagrado, além de exaltar Buda com gritos e palavras de ordem. Ao longo de toda a programação, pessoas estrategicamente escolhidas fariam orações para que o país se rendesse a Buda.

Ainda nesse exercício de imaginação, cantores e bandas especializadas em interpretar músicas de louvor a Buda se apresentariam em um grande espetáculo de som e luz – e, para delírio dos participantes, o show seria transmitido em cadeia nacional de televisão. Evidentemente, aos olhos dos fãs, essa transmissão representaria a proclamação máxima de Buda, um inconteste e eficientíssimo evangelismo via satélite, que levaria legiões e legiões de pessoas a abraçar a fé budista. Seria um autêntico comício pró-Buda mescMarchaAerobicalado com uma espécie de “Rock in Rio budista”. Em certos momentos, haveria coreografias semelhantes à dança aeróbica, as pessoas dariam as mãos e gritariam que “Buda ama o Brasil”. Trenzinhos. Gente chorando. Pessoas pulando. Festa total. Quem tivesse acesso ao microfone conclamaria os participantes a “profetizar sobre a nação” ou a “tomar posse” dela. Aos gritos, estimularia o povo presente a declarar que “o país pertence ao senhor Buda”. Usariam totalmente fora de contexto uma passagem do livro “A Doutrina de Buda” em que uma divindade budista prometeria a um de seus generais-profetas que “todo lugar onde puserem os pés eu darei a vocês” para, ferindo toda a boa hermenêutica, garantir que o Brasil pertence a Buda – já que os budistas puseram os pés em solo brasileiro e tomaram posse do solo tupiniquim.

Na ocasião, muitos diriam, ainda, que aquela aglomeração de gente era o prenúncio de um grande avivamento budista que varreria o Brasil. Aliás, muitas pessoas na plateia estariam enroladas na bandeira brasileira. Organizadores exibiriam eMarchaBrasilia2m gigantescos telões depoimentos motivacionais de gente famosa dizendo que aquilo não era só mais uma marcha, mas “um ato profético, um decreto, porque a hora do avivamento chegou”. Outros, contrariando totalmente o conceito correto de avivamento, diriam: “Não vamos esperar o avivamento chegar, mas vamos fazer o avivamento”, sob urros animados dos participantes emocionados. Ao final, todos voltariam felizes e cansados para suas casas, com a certeza de que Buda fora glorificado e que muitas vidas abandonariam o cristianismo, o islamismo, o espiritismo e o ateísmo para abraçar o budismo, graças àquele magnífico e sobrenatural evento. Pelo caminho, levariam suas faixas dizendo “Rio de Janeiro para Buda”, com a certeza absoluta de que aqueles dizeres mudaram a vida de centenas de pessoas que os leram. Talvez milhares.

Claro que no dia seguinte tudo continuaria igual na cidade e na nação – com exceção das muitas pessoas que estariam reclamando dos engarrafamentos provocados pela Marcha para Buda, dos políticos que ganharam muita visibilidade (e votos) e dos empresários que faturaram rios de dinheiro com vendas, anúncios e promoção de artistas.

Naturalmente, essa é uma situação que nunca aconteceu. Nunca vi marchas para Buda, marchas para Alá ou marchas para Iemanjá. Parece que a única fé que vê benefícios nesse tipo de evento é a cristã. Mas fico imaginando se essa ficção de fato acontecesse. Caso eu comparecesse por qualquer razão à Marcha para Buda, me pergunto se abandonaria Jesus porque presenciei uma passeata-show de outra religião. Ou, se visse pela TV, me questiono se ver aquilo me levaria a pensar algo como “realmente, com tantas pessoas falando tanto de Buda, creio que devo me converter ao budismo. Afinal, foram milhares de budistas reunidos”. Em suma, penso muito se eu, como fiel de outra religião, mudaria totalmente minhas crenças porque assisti a uma marcha dessa tal religião. E, finda a analogia, me pergunto se tudo isso se aplica à Marcha para Jesus.

MarchaBrasiliaA essa altura, alguém poderia argumentar que estou desprezando a graça de Cristo. Afinal, Jesus salva de modo sobrenatural, uma vantagem com que as outras religiões não contam. Ok, concordo. Jesus salva sobrenaturalmente por meio da graça, Buda não. Só que aí eu pensaria: mas a graça não alcança também no evangelismo pessoal? Se, em vez de dedicar um dia inteiro para ficar passeando sob olhares  incomodados ou indiferentes dos não cristãos, cantando e pulando em uma marcha-show dessas, cada um dos milhares de presentes investisse o mesmo tempo para compartilhar o evangelho face a face com alguma pessoa… não haveria muito mais conversões? Não é estatístico que as pessoas se convertem a Cristo muito mais pelo convívio e pela pregação de um cristão do que em grandes eventos? Então não seria muito mais lógico que toda a fortuna investida nessas marchas fosse devotada a uma grande campanha de estímulo à evangelização pessoal? Para usar uma linguagem bem mercadológica, o custo/benefício não seria muito maior?

A resposta é óbvia. Só que evangelismo pessoal não gera mídia. Não faz o evangelista anônimo aparecer no Jornal Nacional. Não ajuda a vender produtos gospel no intervalo. Não dá oportunidade a políticos de serem vistos por milhares de eleitores. Evangelismo pessoal só rende uma coisa: salvação de almas. Só que almas salvas não ajudam a vender nada nem a eleger ninguém. Então… façamos marchas.

Sim, eu sei que a essa altura muitos estão me achando um servo de Satanás (onde já se viu comparar a sacrossanta Marcha para Jesus a uma pagã Marcha para Buda!). Peço perdão a você por essa heresia e conto com a sua paciência. Pois o fato é que sou um cristão à moda antiga, do tipo que acredita na pregação pelo exemplo pessoal, na proclamação homem a homem, na mensagem da cruz e não do palco, na graça de um Deus que não precisa de raios laser, holofotes, faixas, banners ou passeatas. Creio naquela ideia ultrapassada de que as passagens bíblicas devem ser entendidas a partir de seu contexto, na ideia estranha para nossos dias de que fé e política partidária não deveriam se misturar. Sim, eu sei que sou antiquado. Mas é interessante não seguir a moda. Afinal, evangelho sempre foi e sempre será contracultura, nadar contra a corrente, fazer o contrário do que o mundo faz. E marchas para Jesus são diferentes do mundo em que mesmo? Ah, sim, usam o nome de Deus. Se usam em vão ou não só o tempo dirá…

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

.

Ted1Para que o Verbo se fez carne? A Bíblia diz, entre outras coisas, que o Cristo veio para perdoar pecadores, resgatar almas, curar os doentes, dar esperança ao desesperançado, conceder paz ao aflito, compartilhar sua graça, buscar a ovelha desgarrada, cuidar dos desesperados, zelar por Sua noiva. Só que, infelizmente, em grande parte nós, seus embaixadores na terra, parece que nos esquecemos disso. Estou escrevendo este texto ainda sob o impacto de um documentário a que assisti, chamado “O Julgamento de Ted Haggard” – que, admito, emocionou-me profundamente. Pela inequívoca constatação de que uma grande parcela da Igreja evangélica está pecando gravemente na missão que Jesus nos confiou: a de cuidar, tratar e restaurar pecadores. Não afundá-los ainda mais na lama, mas conduzi-los ao Pai em reconciliação. Felizmente, a Igreja como um todo não é assim, é misericordiosa e amorosa. Mas, ao ver esse filme, o que se descortinou ante meus olhos foi uma parcela feia da igreja: uma igreja impiedosa, egoísta e deficiente em seus propósitos. Uma igreja descartável e sem nenhuma semelhança com o Reino de Deus. Em outras palavras: uma igreja que não serve para nada.

Confesso que o nome Ted Haggard me era familiar, mas eu não sabia nada da história desse pastor. Em resumo, ele era um famoso pregador nos Estados Unidos, do tipo que dá entrevistas na televisão, é recebido na Casa Branca e enche estádios com suas cruzadas. Fundou a New Life Church, em Colorado Springs, no estado do Colorado, uma congregação com mais de 14 mil membros. Até o dia em que veio a público a notícia explosiva: Pr. Haggard, um homem casado e pai de dois filhos adolescentes, teve um encontro  homossexual com um garoto de programa, que, para piorar, lhe vendeu drogas.

O que me deixou de queixo caído foi o que fizeram com ele. O homem foi excomungado (expulso) da igreja que fundou e os demais líderes da igreja simplesmente o proibiram de continuar vivendo no estado do Colorado. Isso mesmo: a igreja o baniu não só da congregação, mas do estado! Não ficou claro para mim como o fez, mas fez.

Isso me chocou porque sempre achei que, horizontalmente, uma igreja serve para tratar pecadores. Para acompanhá-los, acolhê-los, exortá-los, ministrar o Evangelho a eles e, como decorrência do seu amor cristão, pôr o caído novamente de pé – e, assim, conduzi-lo a Cristo. É o que as três parábolas de Lucas 15, por exemplo, me ensinam. A atitude correta e bíblica que a liderança da igreja deveria ter tido com Pr. Haggard? O afastado do cargo, tratado de sua alma como se faz com qualquer ovelha ferida, acompanhado e amparado sua família, mantido o suporte para não piorar sua situação e, quando ele estivesse restaurado e totalmente recuperado de seu pecado, o reinstituído na obra do Senhor. Mas o que a liderança da New Life Church fez com Haggard me lembrou muito mais a ditadura bolchevique de Stálin, que exilava seus desafetos na Sibéria para definhar e morrer por lá sem criar problemas.

Ted2Entenda que em momento nenhum estou defendendo o pecado desse homem. O que ele fez contraria a santidade de Deus, é grave, vai contra os ensinamentos de Jesus e cheira mal às narinas do Senhor. Meu objetivo com essa reflexão não é em momento algum justificar o pecado. Foi errado e ponto. Não há discussão sobre isso. O circo da mídia já explorou à exaustão o erro de Haggard, até mesmo com piadinhas sujas e sádicas – que foram vistas na TV pela família do pastor, inclusive – não preciso fazer mais isso aqui. Minha reflexão é sobre como a New Life Church agiu – como muitas igrejas agem, assim como eu e você – quando descobriu que esse cristão incorreu em um pecado.

A propósito, quantos pecados eu e você cometemos mesmo desde nossa conversão? Atiremos, pois, a primeira pedra. Mas nessas horas ninguém se lembra disso…

Voltando ao caso Haggard, o documentário mostra como o pastor, sua magnífica mulher (que manteve-se ao seu lado, o apoiando, apesar de tudo) e seus filhos tiveram de sair do estado em que moravam com uma mão na frente e outra atrás, totalmente desamparados pela igreja, para viver em casas emprestadas e hotéis de beira de estrada. Não houve um mínimo de cuidado com sua vida, se não por amor e misericórdia cristãos, pelo menos por reconhecimento a seus muitos anos colaborando para o crescimento da congregação (que fundou, lembre-se). Anos e anos de dedicação de repente foram apagados do mapa devido a um pecado. E nenhum de seus ex-colegas de ministério lhe deu sequer um mísero telefonema para saber como ele estava. Simplesmente lhe viraram as costas.

Ted4Em certo momento, a diretora do filme pergunta: “Onde estão seus amigos?”. E Haggard, num sorriso amarelo, responde: “Foram embora”. A próxima pergunta: “Como é o exílio?”. E ele: “Estamos infelizes”. Depois é a vez de a esposa dele falar: “Não acredito em banir pessoas porque cometeram erros, simplesmente porque a Bíblia ensina justamente o contrário”. Elementar. Básico do básico. É o que nos ensinam na escolinha bíblica infantil. Mas nessa hora o Evangelho não teve peso algum na decisão dos líderes da New Life. Bíblia? Que Bíblia? Perdoar setenta vezes sete? Deixar as 99 ovelhas para buscar a desgarrada? Não devolver mal com mal? Ao próximo como a mim mesmo? Amor? Compaixão? Preocupação com o destino eterno daquela alma? Ficou tudo na teoria. Banam o pecador leproso, para que morra no deserto, será menos incômodo para nós.

Chamou minha atenção que em todo momento Haggard reconhece seu pecado. Ele não culpa ninguém. Não ataca quem o expulsou. Não atribui dolo a seus colegas de ministério ou aos “amigos” que sumiram. Sempre assume sua posição como aquele que cometeu o erro. Mas em um momento de profunda depressão ele deixa escapar como se deu sua saída da New Life Church: “Me disseram para ir pro inferno e decidiram me exilar”.

Ted5 Desamparado, para tentar dar um pouco de dignidade a sua família Haggard começou a buscar empregos seculares, até mesmo como motorista de ônibus. Após 6 meses de exílio, ele continuava desempregado. Decidiu, então, ingressar numa faculdade de Psicologia. Quando indagado pela entrevistadora sobre a razão de escolher esse caminho, ele diz: “A igreja não fez nada por mim após minha queda, mas os terapeutas fizeram. Por isso resolvi estudar psicologia”. O peso dessas palavras me arrebentou: “A igreja não fez nada por mim”. Jesus no céu deve estar orgulhoso dessa igreja, que larga a ovelha doente e ferida para morrer no degredo. Meu Deus… meu Deus…

Um ano depois de o pecador ter sido expulso, conseguiu seu primeiro emprego: começou a vender seguros de vida de porta em porta. E confessou: “Quando estou sozinho eu choro. Neste momento de minha vida sou um perdedor de primeira classe”. E aí comparo esse sentimento com o que deve ter sentido a mulher flagrada em adultério ao ouvir de Jesus: “Nem eu te condeno, vai e não peque mais”. Que diferença é quando Jesus trata o pecador e quando o homem trata o pecador…

O filme intercala cenas de pregações que ele fez na época de ouro de seu ministério com imagens atuais de sua vida após ter sido enxotado da igreja. Curiosamente, as cenas do documentário que mostram imagens de arquivo de sermões de Haggard são sempre voltadas ao perdão, à restauração de pecadores, nunca propõem execuções sumárias. O homem que pregava que o papel de cada cristão é pegar o caído e botá-lo de pé teve seu crânio esmagado quando chegou sua vez de cair. Que triste ironia. Ah, se os líderes da New Life estivessem lá quando ele pregou aquelas mensagens… bem, provavelmente estavam.

Ted6Só 18 meses depois de ter sido exilado do estado, a benigna e amorosa liderança da New Life Church (foto) permitiu que Haggard, sua mulher e os filhos voltassem a sua casa, no Colorado. O filme termina com a informação de que agora ele está se sustentando vendendo seguros de vida – um emprego digno, nada contra. Mas o que me deixou assombrado ao extremo foi a atitude dos líderes da New Life, tendo passado todo esse tempo, para restaurá-lo, ajudá-lo enquanto alma necessitada, carregar seu fardo, erguer o caído. Sabe qual?

Nada mais, nada menos do que proibi-lo de pisar na igreja. Vou repetir: ele foi proibido de pisar na igreja.

Richard Foster escreveu que “a maldição de nossos tempos” é a superficialidade. Com todo respeito e deferência que tenho por esse brilhante escritor e pensador, acredito que ele está errado. A grande maldição do século 21 é o descumprimento do Grande Mandamento. Muitos não amam de fato o próximo como a si mesmos. Todo o resto é consequência disso. A Igreja de Cristo é maravilhosa, essencial, benigna, amorosa e compassiva. Só que uma parcela gigantesca dela transborda de belos discursos mas não tem feito ao próximo o que gostaria que fizessem a si. Não trata o pecador da forma que gostaria de ser tratada. E as multidões de feridos, desiludidos, desigrejados e deprimidos como consequência desse desamor aumentam enormemente a cada dia. É por isso que só podemos depender mesmo da graça do Deus que se fez homem para nos reconciliar com o Pai. A maravilhosa graça da cruz, que pega pecadores como Ted Haggard, eu e você, nos purifica, nos restaura, veste-nos de branco e escreve nosso nome no livro da vida.

Em silêncio,
Maurício

Unge1Nos nossos dias, todos têm explicação para tudo. Como herdeiros do Iluminismo, parece que afirmar “eu não sei” tornou-se vergonhoso. Pois bem, vou fazer uma confissão: cursei dois seminários teológicos, já fui a mais congressos do que posso me lembrar, li dezenas e dezenas de livros e, ainda assim, quando penso em Deus, constato que não sei nada ou, no máximo, que há muito mais sobre Ele que não sei do que aquilo que eu sei. Sou frequentemente confrontado com minhas limitações e ignorâncias e os pontos de interrogação são meus companheiros inseparáveis. Quando não sei algo… simplesmente não sei. Gosto muito de investigar a Bíblia, procurar minuciosamente explicações para o que não tenho. Foi assim, por exemplo, que nasceu o livro A Verdadeira Vitória do Cristão, quando eu quis entender exatamente o que as Escrituras afirmam ser a vitória dos filhos de Deus. Nesse caso achei as respostas, mas, muitas e muitas vezes, acabo num beco sem saída. O texto de hoje se encaixa nisso: não trará nenhuma resposta para nada, nenhum insight, nenhuma certeza, nenhuma explicação. Apenas vou compartilhar uma questão e deixar a resposta no ar, para que cada um de nós ore ao Senhor e peça iluminação. Um dos maiores mistérios para mim no que tange à fé é o conceito, na Nova Aliança, de unção.

Naturalmente já ouvi de tudo. Sei que unção é uma capacitação especial de Deus para desempenhar uma tarefa específica. Mas como ela capacita? Quem? De que modo ela age? Depende somente de Deus? Pode ser removida? Enfim, embora tenha noções do básico bíblico sobre o que é a unção do Senhor em nossos dias, há muitas e muitas perguntas que faço sobre isso. É extraordinário como Deus me surpreende e constantemente ri de minhas convicções. Recentemente isso aconteceu de forma muito forte.

Fui visitar um amigo que está enfrentando um problema de saúde e ele me mostrou o vídeo abaixo. Confesso que nunca tinha ouvido falar do cantor que você verá, não assisto ao programa de Raul Gil, de Aline Barros só conheço o DVD infantil dela que ponho para minha filha assistir, enfim… assisti com zero de conhecimento sobre tudo o que estava vendo. Então, se puder, assista a este curto vídeo e depois prosseguiremos:

Quem me acompanha aqui pelo APENAS já deve ter percebido que sou um chorão. Meu sangue italiano me faz chorar por qualquer coisa. Ao final desse vídeo eu chorei e chorei e chorei, inundado pela presença de Deus, por percepções de contrição, de humildade, de quanto preciso ser mudado, do desejo arrebatador de ser instrumento para glorificar Deus e levar amor aos homens. A letra dessa música é exatamente a oração que faço há meses e, de repente, a vi sendo cantada por esse cavalheiro. Bíblica, é baseada no salmo 139 e traz uma letra com licença poética e metáforas corretas sobre o papel do cristão no mundo pecador.

Foi quando perguntei ao meu amigo de que igreja era esse cantor. E ele me disse que Ricky Vallen não é cristão.

Unge2Como pode? Como um cantor sem vida com Jesus conseguiu ser um instrumento para me conduzir a um estado de alma de tanta humilhação, gratidão e intimidade com o Senhor? E, acredite, não foi um mero emocionalismo gerado por uma bela música, como ocorre ao se ir a um show musical secular: foi uma real experiência com Deus, um momento racional de comunhão e intimidade com o Senhor que acabou me levando à emoção. Na minha ignorância, enquanto assistia ao vídeo eu pensava “meu Deus, que unção…”. Mas, então, descobri que o artista não é cristão. Deus unge não cristãos? Como… por quê… quando… o quê… ? Em busca de uma explicação, de cara vieram à minha mente conceitos como graça comum, lembrei da mula de Balaão, pensei em emocionalismo provocado por uma bela canção, recordei que o sol nasce para bons e maus e a chuva desce sobre justos e injustos… enfim, todas as explicações racionais e teológicas possíveis.

Consegue perceber o nó nos neurônios? Tenho convicções firmes sobre a questão da música cristã x música do mundo x música secular, como já expus em posts como O que é boa música evangélica? e Cristão deve ouvir música do mundo?, mas se você reparar, em nenhum desses textos abordei a questão da unção. Simplesmente porque não sei. Elvis Presley, mesmo depois de ter se afastado do Evangelho, cantava hinos cristãos em suas apresentações e era absolutamente lindo ouvi-lo. Como explicar isso à luz da ideia de que a unção sobre o cantor faz diferença na hora em que uma música é entoada?

Embora não tenha conseguido chegar a uma conclusão sobre a unção de Deus no caso de Ricky Vallen, tive uma certeza: Deus usou aquele homem não cristão. Sem dúvida alguma agiu por intermédio dele para falar ao meu coração, para me conduzir a uma oração cantada que estabeleceu um religare autêntico com o Senhor. Enquanto Ricky Vallen cantava eu orava com ele as palavras daquela música. E minha comunhão com Deus naquele momento ocorreu de fato. A verdade é que fui inundado e transbordei daquela santa presença. Só que o homem não é cristão.

Enquanto meu cérebro lutava contra o que minha alma vivia, meu amigo mostrou-me uma versão estendida do vídeo, que mostra o diálogo entre o artista e Aline Barros após ele terminar de cantar. Ali pude ver que ele próprio foi tocado profundamente pelas verdades que aquela música transmite e tive a oportunidade de ver essa cantora evangélica falar de Deus para ele de um modo extremamente carinhoso, amoroso e semeador, sem confrontá-lo, sem fugir da Bíblia para querer agradá-lo. Enfim, ela compartilhou com ele (e com os milhares que estavam assistindo ao programa) verdades da fé com toda a delicadeza que um evangelista cristão deve ter – sem ofender, sem confrontar, sem humilhar, mas sim com amor. Você pode ver essa segunda parte no vídeo abaixo, a partir de 6:o5 (se não quiser ouvir a música toda de novo):

Saí da casa de meu amigo com temor e tremor. Guardei minhas certezas bem guardadas no embornal da minha ignorância e só o que eu conseguia comentar com o Senhor era o quanto eu me sentia pequeno por ser tão arrogante e presunçoso. A única verdade que tinha em meu coração naquele momento é que Deus é soberano, faz o que quer, quando quer, onde quer… com quem quer. E, enquanto ficamos petulantemente estabelecendo fórmulas, Ele sorri e segue fazendo as coisas ao seu modo. Não é à toa que Deus se apresentou a Moisés como o “Eu sou”. Pois Ele é. Simples assim. Nada do que eu possa fazer ou crer mudará isso. Ele é o que Ele é, a despeito de nossas certezas tão soberbas e limitadas. Como disse o filósofo Sócrates, “só sei que nada sei”. E essa é a verdade que tem me acompanhado desde aquele dia: a certeza de que minhas certezas não passam de possibilidades. De que agora vejo como por espelho e só na eternidade verei face a face.

Obrigado, Senhor, por pôr este pequeno arrogante que sou em meu devido lugar.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Marjoe1Nos últimos meses tenho evitado escrever no APENAS sobre polêmicas na Igreja, Teologia da Prosperidade, heresias e outras questões macro. Já há gente demais fazendo isso, com discursos inflamados e agressões incompreensíveis. Esse universo não tem me atraído tanto, tenho preferido refletir mais sobre a alma humana, suas dores, as questões do indivíduo, por entender que esse sim era o foco de Jesus Cristo. Ao ler os evangelhos, ficou muito claro para mim que Jesus não veio para fazer apologética, mas para curar os doentes de alma e corpo, libertar os cativos, sarar corações, perdoar pecados. Por isso tenho me concentrado em pensar sobre isso. Apologética evidentemente tem sua importância, mas na escala de prioridades de Jesus – analisando tudo o que Ele falou e fez – percebo que ela está lá em baixo, enquanto as questões da alma humana estão batendo no teto. No entanto, não vivo em alienação e, por isso, peço que me permita eventualmente falar sobre aspectos macro da Igreja. É o que farei hoje.

Recebi de um amigo o link para um documentário a que assisti com tanta dor no coração que foi difícil ver até o final. Seu nome é “Marjoe”, um filme de 1972 que recebeu o Oscar de Melhor Documentário. Conta a história de um pregador que, depois de usar o Evangelho por anos para enriquecer, decidiu abandonar a farsa e vir a público contar todos os seus esquemas, suas técnicas para enganar os fiéis e para simular a ação do Espírito Santo. Para quem ama o Evangelho, assistir a esse documentário entristece, deprime, enche os olhos de lágrimas. Pois fato é que, assim como o “evangelista” Marjoe Gortner, há muitos por aí que fazem o mesmo que ele. Graças a falsos pregadores como esse homem, que usam o nome de Jesus para faturar, os servos realmente tementes a Deus têm colhido o fruto da rejeição e da chacota do mundo.

Marjoe2Durante sua infância, os pais de Marjoe usaram o filho para arrecadar milhões de dólares como “pregador-mirim”. Depois que alcançou a maioridade, mesmo sem ter fé ele continuou a fazer a única coisa que sabia e ganhou tanto dinheiro que conseguia “trabalhar” por seis meses e ficar seis meses de férias. Na época do lançamento do documentário, a distribuidora optou por restringir sua exibição no Sul dos Estados Unidos (região mais cristã do país) com medo da reação do público.

Marjoe5Não tenho muito a dizer, creio que o documentário fala por si. Apesar de ter sido feito no ano em que nasci, é extremamente atual. Apenas peço que não julgue toda a Igreja pelo que você verá. Assim como há a banda podre, há o remanescente fiel. Compartilho esse documentário com a única intenção de despertar cautela e provocar reflexões, não para denegrir a religião verdadeira. A conclusão é que nem tudo o que reluz é ouro.

Marjoe4Sei que muitos têm dificuldade de assistir a um filme em inglês sem legendas. Por isso, procurei o documentário legendado, mas só encontrei uma versão editada, que vem com muitas opiniões pessoais do irmão em Cristo que o legendou e editou (num total de 25 minutos). Posto a seguir o vídeo legendado, em três partes (os comentários do irmão são opiniões pessoais dele e não necessariamente representam a minha) e, em seguida, posto o documentário na íntegra, em inglês sem legendas (duração: 1h23). Se você consegue assistir sem legendas, prefira o filme na íntegra. Caso contrário, a versão editada dá uma ideia do principal.

Que Deus tenha misericórdia de sua Igreja.

DOCUMENTÁRIO “MARJOE”, VERSÃO EDITADA EM TRÊS PARTES, LEGENDADO EM PORTUGUÊS (25min):

Parte 1

.

Parte 2

.

Parte 3

.

.

DOCUMENTÁRIO “MARJOE”, VERSÃO NA ÍNTEGRA, ORIGINAL EM INGLÊS, SEM LEGENDAS (1h23):

.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Cada civilização contém conceitos que são considerados as maiores virtudes entre as pessoas que a formam. Na Grécia antiga, por exemplo, o poder de argumentação era tão valorizado que existiam escolas voltadas especificamente para ensinar a debater. Em certas tribos aborígenes, trair alguém antes de matá-la dava status, como revela o livro O totem da paz. Também não são poucas as sociedades ao longo da História em que os mais fortes fisicamente são e foram os mais louvados. A espiritualidade e a obediência ao Alcorão são bem vistas em culturas islâmicas. Em certas sociedades orientais, a honra era vista como o valor principal de um homem. E na nossa? O que dá destaque a um indivíduo na cultura ocidental do século 21, em que eu e você estamos imersos? Basicamente o que chamo de “os três F”: fama, fortuna e físico. Quer ser o maior entre os seus semelhantes no Brasil de hoje? Então seja famoso: destaque-se, apareça mais que os outros, seja venerado, que muitos olhos se voltem para você. Ou então ganhe muito dinheiro, ostente carros caríssimos, more numa mansão, demonstre como você é bem-sucedido financeiramente. Por fim, tenha um aspecto físico invejável, seja por uma beleza natural ou por recursos como malhação, cirurgias plásticas, implante de silicone, botox, cabelos bem cortados – ou ainda, por roupas e sapatos caríssimos e da grife que está na moda. Pronto. Você será visto com destaque, valorizado, bajulado, invejado, amado. Mas… e no Reino de Deus? O que destaca alguém? Acredite: o exato oposto daquilo que dá destaque a um indivíduo na cultura ocidental do século 21:

Humildade.

O pecado de Satanás foi a arrogância. Ele quis ser mais do que era. Deu no que deu. Podemos contrastar sua atitude com a do grande profeta João Batista, sobre quem o próprio Jesus disse: “Eu lhes digo que entre os que nasceram de mulher não há ninguém maior do que João” (Lc 7.28). Sendo João isso tudo, ele mesmo afirmou: “Depois de mim vem alguém mais poderoso do que eu, tanto que não sou digno nem de curvar-me e desamarrar as correias das suas sandálias” (Mc 1.7). João sabia quem era. Mas, mesmo sendo o maior de todos os que haviam nascido em toda a história da humanidade, ele conhecia seu lugar. Sabia que era pó. Que exemplo para todos nós…

Nossa civilização nos condicionou a querer sempre um lugar de destaque. Um emprego que nos projete. Títulos. Nosso nome escrito em letras de neon. Elogios. Um ego muito bem nutrido por palavras que mostrem como nós somos grandiosos. Mas o que Jesus ensina contraria de frente essa mentalidade: “Bem-aventurados os humildes, pois eles receberão a terra por herança. (Mt 5.5). Que diferença! E a afirmação que não deixa dúvida alguma (peço que você leia essas palavras de Jesus com muita atenção): Quem se faz humilde como esta criança, este é o maior no Reino dos céus” (Mt 18.4). Humildade na terra, grandeza no Céu. Diminuir para crescer.

Jesus é o único digno de abrir o livro, Jesus é o maior, Jesus é maravilhoso, Jesus é o Altíssimo, Jesus é Criador, Jesus é o Caminho, Jesus é amor, Jesus é o santíssimo, Jesus é o Onipotente, Jesus é tudo. No entanto: “Jesus sabia que o Pai havia colocado todas as coisas debaixo do seu poder, e que viera de Deus e estava voltando para Deus;  assim, levantou-se da mesa, tirou sua capa e colocou uma toalha em volta da cintura.  Depois disso, derramou água numa bacia e começou a lavar os pés dos seus discípulos, enxugando-os com a toalha que estava em sua cintura.  [...] Disse Pedro: “Não; nunca lavarás os meus pés”. Jesus respondeu: “Se eu não os lavar, você não terá parte comigo”.  [...] Então lhes perguntou: “Vocês entendem o que lhes fiz?  [...] Pois bem, se eu, sendo Senhor e Mestre de vocês, lavei-lhes os pés, vocês também devem lavar os pés uns dos outros.  Eu lhes dei o exemplo, para que vocês façam como lhes fiz” (Jo 13.1-15).

Permita-me perguntar: qual foi a última vez que você seguiu esse exemplo e “lavou os pés” de alguém menor do que você?

Entre nós, cristãos, certas características nos dão destaque no meio dos irmãos. O santo se acha mais santo do que os outros. O que ora muito crê que isso o torna mais especial do que os demais. O pecador condena quem julga que é mais pecador do que ele. O que tem um cargo na igreja se acha mais do que o que não tem. O que manifesta um dom se acha mais agraciado por Deus. Em resumo, eu e você não estamos isentos de nos acharmos os tais porque fazemos ou somos algo que nos põe numa posição de destaque.

Já parou para pensar por que os cristãos são tão fascinados por escândalos? Já parou para pensar por que amamos falar sobre aquele pastor famoso que caiu em adultério? Já parou para pensar por que comentamos salivando que a cantora gospel famosa rastejou no palco? Já parou para pensar por que temos um prazer indizível em comentar o último pecado que fulano cometeu? Em suma, já parou para pensar por que temos o prazer sádico de tricotar entre nós quando algum outro cristão incorre em desgraça?

Porque isso faz com que nós nos sintamos superiores.

Pura e simplesmente isso. É um sentimento mesquinho que, até inconscientemente, nos faz pensar “não sou tão mau assim, afinal fulano é um tremendo pecador, muito mais do que eu, que vivo tão corretamente”. É por isso que a maioria prefere segregar o pecador e não lhe dar um único telefonema para saber como ele está em vez de se aproximar, amar, dar ombro, dar afeto, ajudar em sua restauração: porque gostamos demais de nós mesmos para gostarmos dos outros.

Certa vez entrevistei o ator e comediante Jerry Lewis. Perguntei a ele como explicava seu sucesso. Sua resposta foi simples: “Todo filme que faço se baseia num princípio: um homem em apuros.  E cada pessoa do público fica feliz porque quem está naquela situação embaraçosa ou complicada é outro e não ela mesma”. Ou seja: rimos da desgraça do outro porque isso nos faz nos sentirmos melhor conosco. Não fosse assim, como explicar o sucesso das videocassetadas? Pessoas se arrebentando no chão, levando tombos, sendo atropeladas, pegando fogo… e nós daqui caindo na gargalhada. Os cristãos, inclusive – sejamos honestos. Como explicar esse contrassenso absoluto? Simples: a desgraça alcançou o outro e não nós.

Quando o outro peca isso faz dele inferior aos olhos dos cristãos. Portanto, um pecado que tornou alguém um escândalo faz com que eu, que também peco todos os dias mas não virei escândalo, me sinta melhor, mais feliz comigo mesmo. Superior. Maior. Sinto orgulho de mim mesmo, essa é a grande verdade. No entanto, as palavras de Paulo atravessam nosso sentimento de superioridade como uma espada afiada: “Se devo me orgulhar, que seja nas coisas que mostram a minha fraqueza” (2 Co 11.30).

Essa é a proposta do Evangelho. Reconhecer nossa fraqueza. Reconhecer nossa falibilidade. Pois, enquanto nos achamos mais especiais do que os demais, sofreremos do traiçoeiro pecado do “orgulho santo” – o orgulho do que há de bom em nós, o orgulho até de nossa “santidade”, tão maior do que a dos demais. Mas se nos achamos tão melhores do que os outros, não abrimos espaço para nos escancararmos para Deus, como Paulo fez: “Miserável homem que eu sou!” (Rm 7.24). Não. Diremos em nosso íntimo (sem falar em voz alta, para não pegar mal): “Magnífico homem que eu sou!”. Assim, nos sentiremos mais. Nos sentiremos os eleitos, os profetas, os escolhidos, os queridinhos do Pai. Nos sentiremos superiores. E nos sentiremos aliviados por não sermos tão ruins como os outros. Só que… com isso, não reconhecemos nossas fraquezas e não reconhecemos que o pior dos pecadores não é pior do que nós. E no dia em que estivermos diante do trono de Deus para prestar contas de tudo o que fizemos e falamos, será que o que ouviremos dele é “você é realmente o tal”?

Prefiro ficar com Paulo, que em Romanos 7.18 confessa com uma humildade que não encontramos em quase ninguém em nossos dias: “Sei que nada de bom habita em mim, isto é, em minha carne. Porque tenho o desejo de fazer o que é bom, mas não consigo realizá-lo”. Não é à toa que Paulo foi Paulo. Pois, talvez lembrado pelo espinho na carne, reconhecia que só a graça lhe bastava e que só a graça fazia dele um vaso de barro com a excelência do fôlego de vida em si.

Fico muito triste ao ver cristãos que se acham mais do que outros, seja por que razões forem. E oro por muitos que conheço e que são assim. Ore por mim também, por favor, pois não sou melhor do que meus pais. Em vez de nos acusarmos, nos rebaixarmos e nos segregarmos, amemo-nos mais e oremos mais uns pelos outros. No grande e terrível dia em que estaremos diante do Justo Juiz, que ele olhe para nós e veja a cruz de Cristo. Porque, se Ele olhar para quem nós realmente somos (e não para quem achamos que somos) nada nos restará a não ser choro e ranger de dentes.

Sou um pecador, mas se puder fazer algo por você, meu irmão pecador, minha irmã pecadora, tentarei. E não te desprezarei pelo fato de que você pecou um pecado diferente do meu e que ingenuamente considero pior. Pois… quem sou eu? “Pois qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos” (Tg 2.10). Quem sou eu…

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício.

Já fui vítima de alguns desgraçados erros médicos, que me fizeram pensar muito sobre desgraçados erros bíblicos. Vou contar apenas duas histórias para depois chegar ao ponto. Anos atrás comecei a sentir uma dor forte na sola do pé, que mal me permitia andar. Fui a um centro de reumatologia e ortopedia, daqueles de plano de saúde, onde você tem de ser atendido em dez minutos para que se possa atender muita gente e os donos da empresa faturarem muito. Peguei minha senha, sentei na filinha e esperei minha vez. Depois de muito tempo, me chamaram e entrei no consultório. A médica, sem sair de trás da mesa, perguntou o que eu estava sentindo e descrevi o problema. Sem nem ao menos me examinar ou mandar eu tirar o sapato, ela decretou de sua cadeira: “É fascite plantar, você precisa pôr o pé em água gelada e fazer fisioterapia”. Ela é a médica, eu sou um leigo, logo obedeci caninamente o que ela disse: passei a pôr o pé todo dia em água gelada e a fazer a fisioterapia. Mas a dor não cedia. Pelo contrário: piorava. E piorava. E piorava. Chegou a um ponto em que, não aguentando mais, paguei uma consulta cara com um médico maravilhoso. Ele gastou tempo comigo. Mandou tirar o sapato e a meia, mexeu, apertou, fez diversas perguntas e diagnosticou: eu não tinha fascite plantar coisa alguma, tinha um músculo contraturado. O tratamento: pôr o pé em água quente, a água gelada fazia o músculo se contrair mais e a dor piorar. Com um dia pondo o pé no calor a dor desapareceu.

Ou seja: uma médica inconsequente, despreparada, que não fez o seu dever de casa, não só não resolveu meu problema como ajudou a piorá-lo. E ela tinha todo o aspecto de uma pessoa muito bem capacitada, vestia jaleco e roupa branca, ocupava um consultório numa clínica aparentemente muito bem estruturada. Tinha toda a aparência de deter o conhecimento que me auxiliaria, que me mostraria o caminho. Mas piorou a minha vida. Piorou a minha saúde. Cometeu um erro médico sério, que poderia ter causado lesões piores.

O segundo erro que relato foi ainda pior. Pois foi o erro de 4 médicos, todos com aparência de ter todo o conhecimento, alguns famosos, com nome na praça. Uma baixa de imunidade causada por estresse me fez ter candidíase na virilha. Trata-se de um fungo que todos nós temos mas que, quando as defesas do corpo baixam, isso permite que o fungo ataque seu organismo. Com muita coceira e inchaço, procurei um médico. Ele olhou e me receitou uma pomada que “me deixaria bom em 5 dias”. Apliquei pelo tempo prescrito mas o local continuava inchado. Erro médico número 1.

Como eu viajaria para passar uma semana numa conferência teológica numa cidade pequena e sem muita estrutura, resolvi procurar uma dermatologista, para não ter surpresas desagradáveis durante a viagem. Ela olhou e disse que realmente a doença ainda não havia cedido completamente. “O outro médico não te receitou nenhum antifúngico oral?”, perguntou em tom condenatório. Eu disse que não. Ela então me receitou um comprimido em dose única e mais um antifúngico de aplicação local, que chamarei de X, para aplicar por 14 dias. Foi o que fiz. Erro médico número 2.

Toda vez que aplicava o remédio X sentia o local arder. O 14o dia coincidiu com meu primeiro dia na Conferência, uma 2a feira. No dia seguinte, quando bati os olhos no local da doença fiquei apavorado: estava cheio de bolhas, inchaço, feridas em carne viva e sangrando. Tremi. Descobri junto ao plano de saúde o único hospital da cidade onde havia atendimento de emergência. Corri para lá e fui socorrido por um clínico geral. Contei a história toda. Ele examinou o local e disse que poderia ser herpes. Falou com uma tranquilidade assombrosa que eu poderia ter HIV. Mandou passar somente uma pomada no local “até melhorar”, pomada que na verdade é um coquetel de antibióticos e antifúngicos. Erro médico número 3.

Voltei na 6a feira ao Rio e já sábado de manhã procurei um especialista, pois em 5 dias não havia aparência de melhora. Novamente contei a história toda. Ele olhou o local e disse que achava que era herpes. Mandou tomar aciclovir e continuar passando a mesma pomada. Erro médico número 4.

Quando chegou na 5a feira seguinte, sem nenhum sinal de melhora, já cansado emocionalmente e cheio de dores, decidi procurar mais um médico. E graças a Deus que o fiz. Contei a via-crúcis inteira, ele examinou o local e disse: “A médica te passou o remédio X? Ela está louca? Ele é usado para micose de unhas! Isso parece ser uma queimadura causada pelo remédio”. Eu perguntei sobre a herpes. “Nenhum desses médicos a que você foi pediu um exame de sangue? Não temos que especular, existe um exame para isso, vamos fazer”. Depois me pediu para ver a pomada que estava passando. “Essa pomada é uma mistureba que não resolve nada, por isso o local está infeccionado, você tem que passar a pomada Y”, e me deu a receita. Saí do consultório, fiz o exame de sangue e passei a usar a pomada Y.

Resultado: no dia seguinte a dor sumiu e as feridas começaram a cicatrizar. O exame de herpes? Deu negativo. Não, eu não tinha herpes. Nem HIV. Tinha feridas provocadas primeiro porque um médico não soube me tratar, o que me levou a uma médica que me passou um remédio errado e piorou o meu problema gerando queimaduras químicas na pele, que um terceiro médico não soube diagnosticar e me receitou uma pomada que não resolveu nada e por um quarto médico que, tendo recursos para fechar um diagnóstico, só especulou, me apavorou e não ajudou em nada. Desgraçados erros médicos.

Quando finalmente encontrei alguém que sabia o que fazer, fiquei bom.

Essas duas histórias mostram o estrago que aparentes especialistas que na verdade são completamente mal-preparados são capazes de fazer com uma pessoa.

O mesmo acontece em nossa vida espiritual.

Muitas vezes, tomamos como referências pastores, pregadores, teólogos e até mesmo blogueiros que têm toda a aparência de conhecer Deus, a Bíblia, a Verdade, a sã doutrina. Nos apaixonamos por eles. Os seguimos cegamente. Cada receita que eles nos passam nós cumprimos. Afinal, somos leigos e eles, os detentores do conhecimento, os ungidos, os que sabem apontar o caminho. Falam bonito. Citam poetas. Escrevem coisas lindas em seus blogs e twitters. Gravam vídeos atraentes e bem produzidos no Youtube. São charmosos. Muitos não usam “aquela ultrapassada toga sacerdotal” nem terno e gravata, são in, falam a linguagem de nossos dias. Uns até falam palavrão. Outros citam Vinícius de Morais, Cecília Meirelles e Clarice Lispector.

Há também o que nos conquistam porque falam como machos. Gritam. Poem o dedo na cara dos pecadores. E daí se seus programas de TV só servem para vender produtos de suas empresas e se defender das acusações dos blogueiros pensantes? São nossos porta-vozes. Dizem aos gays o que gostaríamos de dizer. Esbravejam. Batem na mesa. Chamam outros cristãos de “trouxas”, “bundões” e adjetivos similares que demonstram como estão cheios de “poder de Deus” ou da “graça de Deus”. Os amamos.

Mas o que não percebemos é que muitos deles cometem desgraçados erros bíblicos. E, assim como os erros médicos que fizeram comigo e que tinham a aparência de solução mas só me prejudicaram, esses formadores de opinião arrastam multidões para longe de Deus. Pregam doutrinas de demônios. Receitam práticas, crenças e conceitos “bíblicos” que vão causar bolhas e feridas sanguinolentas em sua alma, meu irmão, minha irmã, e vão deixar sua alma em carne viva. Por isso, é essencial sabermos identificar esses homens.

Se algum pregador que você admira diz que é possível ser salvo por caminhos que não Jesus de Nazaré, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira diz que Deus abriu mão de sua soberania e não age nas tragédias do mundo, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira diz que Deus não controla as forças da natureza e que essa ideia é só influência de ensinos gregos, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira diz que se você der 900 reais ao ministério dele receberá unção financeira, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira traz representantes da Teologia da Prosperidade do exterior para dizer a você em seu programa de TV que você deve dar-lhe dinheiro como forma de semeadura, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira usa palavras torpes – como falar palavrão em púlpito, ofender outros pastores chamando-os de “bundões” ou afirmar que quem oferta para a obra de Deus por amor e não querendo receber dinheiro de volta é “trouxa” – ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira fala sobre graça mas é agressivo ao mencionar outros pregadores, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira manda você “tomar posse da bênção” ou “decretar/declarar a vitória”, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira realiza exorcismos na TV em que o suposto demônio diz que líderes de outras igrejas são guiados por Satanás, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira diz que é a favor do aborto, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira pede dinheiro e com isso compra fazendas ou jatinhos particulares com os recursos sagrados que os fieis dão à igreja, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira diz que é possível viver a fé cristã fora de uma comunidade, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira diz que não tem problema algum ir a shows de artistas do naipe de Ozzy Osbourne, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira diz que irmãos na fé são malditos porque creem em doutrinas em que ele não crê, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira diz que a Bíblia é apenas um conjunto de mitos que revelam uma verdade maior, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira ama mais o dinheiro do que pessoas, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira é visivelmente vaidoso ou arrogante, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira participa de campanha política, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira trai seu chamado sacerdotal e se candidata a um cargo político, ele está te prescrevendo veneno.

E se algum pregador que você admira não admite ser criticado…ele é o veneno.

Desgraçados erros bíblicos. Desgraçados não por ofensa, meu irmão, minha irmã, mas simplesmente porque estão totalmente fora da graça de Deus. E fora da graça de Deus não há salvação.

Deus tenha misericórdia de sua Igreja.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

.

.

Direitos Reservados
O conteúdo deste site é de divulgação livre para fins não comerciais. É mandatório quem for reproduzir um post creditar: 1) Nome do autor. 2) URL do blog (com link). 3) Nome do blog: “APENAS”.

Licença Creative Commons Blog APENAS by Maurício Zágari is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial 2.5 Brasil License.