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Gracas1Um dos trechos mais interessantes da Bíblia, em minha opinião, é 1 Tessalonicenses 5.18: “Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco”. Como assim, “em tudo, dai graças”? Temos de ser gratos a Deus pela dor, a tristeza, o sofrimento, a solidão, a depressão, o desamor, o abandono, a tragédia, as heresias, a falsidade, a acusação, a traição… em tudo o que ocorre de pior em nossa vida? Sejamos francos: nós não sentimos vontade nenhuma de agradecer a Deus nessas horas, queremos mais é brigar com Ele, alardear o quanto somos fiéis e não merecemos aquilo, ficar de mal com o Senhor, questionar sua bondade, sua justiça e seu amor. Soube recentemente de uma mulher, evangélica, que perdeu o irmão de 28 anos de câncer e, ao receber a notícia de sua morte, soltou um grito no hospital:

- Deus F.D.P.!

Chocou? A mim também. Como pode isso? Essa blasfêmia, esse ato impensável? Mas a verdade é que muitos não têm coragem de dizer isso quando vem a desgraça… mas que pensam, ah, isso pensam. Estou errado? Porque a verdade é que nós não conseguimos conceber Deus deixar coisas ruins acontecerem em nossa vida. Com um ímpio vá lá, mas comigo?! Eu que sou tão obediente?! Vamos pensar um pouco sobre esse versículo. Mais ainda: vamos pensar um pouco sobre gratidão.

Graca2A chave do “em tudo dai graças”, para mim, vem alguns versículos antes: “Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para recebermos a salvação por meio de nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Tessalonicenses 5.9). O que isso significa? Façamos uma parábola: imagine que você está em um navio que naufraga. Você está ali, em alto-mar, nadando com suas últimas forças para sobreviver. Sente câibras, percebe que não há salvação para você: seu destino certo é a perdição, é afundar na escuridão do abismo submerso, ser devorado pelos peixes. De repente, desponta no horizonte uma luz. É um navio! O capitão da embarcação o viu de longe, desviou seu curso e, cheio de compaixão, partiu em sua direção. Quando você já está meio metro abaixo da superfície, ele lhe lança uma bóia. Você está salvo! Foi resgatado! Assim, você sobe a bordo, exausto, desgrenhado e rasgado – e recebe, sem que esperasse, o direito à vida.

Eu lhe perguntaria: qual seria diante dessa circunstância o seu sentimento pelo resto da vida para com aquele capitão? Provavelmente você diria algo como “eu seria eternamente grato a ele”. E diria com razão, porque o que ele fez foi algo que merece que você lhe seja agradecido pelo resto de seus dias. Ao chegar a bordo, exausto e encharcado, num primeiro momento, instintivamente, você pula no pescoço dele, o abraça com todas as poucas forças que ainda tem e repete em voz fraca: “Obrigado… obrigado… obrigado… obrigado…”. Não quer soltar a mão do bondoso capitão. Aquele homem renovou a esperança de vida para alguém que tinha a certeza da morte! Você o ama! Promete devotar o resto de seus dias a sentir gratidão por ele.

Gracas3Só que aí o navio prossegue na viagem. Vocês estão a meses do porto mais próximo, então você se recupera e acaba se integrando à rotina do navio. O capitão chega e lhe dá uma atribuição: você terá de descascar pilhas de batatas por dia para alimentar a tripulação. Em princípio parece chato, mas, afinal, o homem te salvou, é o mínimo que pode fazer. Só que as semanas passam e aquilo fica cansativo. Seus dedos doem. É entendiante. E você começa a reclamar. E não é só isso: ele deu um canto cheio de graxa para você dormir no porão da embarcação. Cheira mal, é barulhento, tem ratos, o colchão é duro. Logo, logo você se pega reclamando. Foi para aquilo que ele te resgatou? Para você ter de encarar toda aquela situação deprimente? Poxa, e você estava se esforçando tanto, era-lhe tão fiel, descascava tantas batatas por dia! Era uma injustiça! Você não merecia passar por aquilo!

Você começa a desconfiar que o capitão te salvou apenas para ter mão-de-obra barata. Se junta aos tripulantes que falam mal dele. Murmura pelas costas. O acusa de injusto, de não ter amor por você por permitir que passe por aquela situação humilhante e dolorosa. Aquele capitão é um crápula. Chega a pensar em abandonar o barco na primeira oportunidade que tiver. Vida desgraçada, capitão maldito!

Graca5O que você não sabe é que o capitão tem bons informantes e sabe tudo o que você diz. Um dia ele se aproxima de você. Cheio de amor, fala: “Eu não o destinei para a ira, mas para receber a salvação por meio deste navio”. E então, diante daquelas palavras, parece que tudo faz sentido. Você percebe que a pilha de problemas – o desconforto, o trabalho, o enfado, a chateação, o sofrimento – era algo muito pequeno perto do que o capitão fez por você. Ele não precisava, não tinha obrigação nenhuma, mas lhe estendeu a mão e o recolheu da morte certa. E simplesmente porque ele quis. Não porque você merecesse. Tudo o que você estava fazendo era se debater na água. Ia afundar, era absolutamente certo. Mas ele veio. Parou. Te resgatou. Te abrigou. Te deu alimento. Te deu um lugar para repousar. Ali você teria aflições? Naturalmente! O navio era bem desconfortável. Mas aquele homem te deu vida, não seria motivo suficiente para ter bom ânimo?

Mais do que isso: não seria motivo mais do que suficiente para… em tudo dar graças?

Deus nos deu a salvação. É motivo suficiente para em tudo darmos graças. Para em todos os piores momentos da vida, quando nos sentimos os mártires do universo… agradecermos. “Obrigado, Senhor, porque estou passando pelo vale da sombra da morte. Mas, se tu não tivesses me resgatado, eu estaria morto. Afogado em meus pecados. Afundando rumo ao inferno”. Depois disso, tendo clareza dessa realidade, só nos resta dizer, em meio aos piores dos piores momentos da vida: “Deus… obrigado… obrigado… obrigado…”.

Gratidão. Que nunca nos esqueçamos disso. Deus nos deu a vida eterna. Gratidão é o mínimo que podemos dar em troca.

Graca6Hoje, 14 de maio de 2013, o blog APENAS completa dois anos de vida. Quis que o tema de hoje fosse especificamente gratidão em ação de graças a Deus por esses dois anos em que ele tem me dado forças e ideias para continuar escrevendo aqui e, quem sabe, ajudando uma vida, edificando outra, somando de algum modo. Nesses dois anos, descasquei muita batata, reclamei muito, fiz muitas besteiras e realizei algumas coisas boas. Com certeza aprendi muito. Tive o privilégio de ter as 245 singelas reflexões que já postei neste blog lidas em cerca de 710.000 ocasiões. Foram mais de 15.000 comentários deixados aqui ao longo desse período, por irmãos que aguentam minha demora em aprová-los e respondê-los, devido à constante falta de tempo (me perdoem por não conseguir moderar todos com rapidez, eu tento… mas nem sempre consigo). Ganhei até aqui quase 1.700 companheiros fiéis de caminhada, que tiveram a coragem de assinar este blog e têm a paciência de receber por e-mail uma, duas vezes por semana aquilo que aqui escrevo.

Sou grato a Deus por me permitir, como bem disse um dos irmãos que escreveram nos comentários, “ser um cano enferrujado por meio do qual corre a água da vida”. Sou grato a você por ter a paciência de ler minhas reflexões, em posts mais longos do que habitualmente são os textos de blogs – e que são fruto da minha incapacidade de sintetizar pensamentos complexos. Muito obrigado pelo seu carinho nessa caminhada internética e por vir me visitar de vez em quando aqui no meu pequeno mosteiro virtual. Sinto-me profundamente honrado.

Gratidão. Por hoje é o que basta.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Quem olha de fora, lê slogans como “Pare de sofrer” e “Uma igreja que faz vencedores” deve achar que a vida do cristão é muito fácil. Afinal, em nosso triunfalismo, parece que servir Cristo é um grande carnaval, uma festa eterna, uma chuva de bênçãos. Prosperidade é o tom do momento. Alegria todo dia. Viver feliz da vida. E é o que a Bíblia diz, não é? Em  Marcos 8.34, por exemplo, lemos as palavras de Jesus: “Então, convocando a multidão e juntamente os seus discípulos, disse-lhes: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me”. Opa. Espere um pouco. Tem algo estranho aí. Negar a si mesmo? Tomar sua cruz? Isso soa como algo sacrificante. Parece ter a ver com abrir mão de coisas que nos são importantes. Negar-se significa dizer “não” para si mesmo. Então, se quisermos viver com Jesus Ele deixa claro que vamos ter de dizer “não” para o espelho. Mas… como assim? Em quê? O que afinal é esse “negar-se”, apontado por Jesus como o centro do alvo?

Em primeiro lugar, é dizer não para os prazeres do mundo. “Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus” (2 Tm 3.1-4).
“Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres” (Tg 4.3).
“De onde procedem guerras e contendas que há entre vós? De onde, senão dos prazeres que militam na vossa carne?” (Tg 4.1).

Essas e outras passagens deixam claro que os prazeres deste mundo não coadunam com o gozo eterno. Que dificuldade! Admitamos, como é difícil abrir mão das nossas vaidades e nossos benefícios em prol de uma esperança que não vemos! Nós, humanos, buscamos instintivamente o que nos dá prazer. Comemos doces e coisas gordurosas sabendo que nos fazem mal. Mas é tão gostoso! Só que é tão nocivo… Portanto, a Bíblia é clara: para andar no Caminho estreito que leva à Porta estreita é preciso caminhar na contramão de nós mesmos e de nossas concupiscências.

Dizer “não” para si mesmo também significa soltar as rédeas de nossa vida e confiar que Deus a está levando para o lugar certo. É abrir mão de planos pessoais, conformar-se com os rumos indesejados que o Senhor dá a nosso futuro, é lançar-se no vazio tendo a certeza de que o Criador está no controle. “Entrega o teu caminho ao SENHOR, confia nele, e o mais ele fará. Fará sobressair a tua justiça como a luz e o teu direito, como o sol ao meio-dia. Descansa no SENHOR e espera nele, não te irrites por causa do homem que prospera em seu caminho, por causa do que leva a cabo os seus maus desígnios” (Salmos 37.5-7). Entregar nosso caminho ao Senhor… que coisa difícil para seres tão independentes como nós. Mas é preciso, pois a promessa é que, se o fizermos, confiando, o mais o Todo-Poderoso fará.

Negar-se a si mesmo também implica em dizer não para antigas prioridades e atitudes. É deixar de lado uma carreira bem remunerada no meio secular para devotar seu tempo às coisas de Deus. É abrir mão de um relacionamento afetivo com um não cristão por saber que o jugo desigual desagrada Cristo. É perder o emprego por recusar-se a fazer algo antiético que lhe é exigido. Negar-se é, em outras palavras, priorizar Cristo em tudo: “Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim;  e quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim.  Quem acha a sua vida a perderá, e quem perde a sua vida por minha causa a encontrará” (Mateus 10.37-40).

Negar-se a si mesmo é também engolir o orgulho e reconhecer o erro. É saber dizer não para o amor-próprio e admitir que pecou. E então ter a humildade de abaixar a cabeça, ralar os joelhos e deixar seu pedido de perdão sair pelos olhos e por urros de contrição. Quando o amor-próprio é maior do que a capacidade de reconhecer o pecado diante de Deus, confessá-lo e abandoná-lo é sinal que estamos a anos-luz de distância de negar-nos a nós mesmos. “Quem esconde os seus pecados não prospera, mas quem os confessa e os abandona encontra misericórdia” (Provérbios 28.13).

Negar-se a si mesmo é também pôr o outro acima de si. É preferir o outro em honra, mesmo sabendo que ele é menos capaz, correto, digno ou santo do que você. É dar a outra face para quem não merece. É abençoar os que te perseguem, alegrar-se com os que se alegram, chorar com os que choram, não tornar a ninguém mal por mal; não se vingar a si mesmo. E, se o teu inimigo tiver fome, dar-lhe de comer; se tiver sede, dar-lhe de beber; é não se deixar vencer do mal, mas vencer o mal com o bem; é amar os inimigos, fazer o bem aos que nos odeiam; bendizer os que nos maldizem, orar pelos que nos caluniam; ao que te bater numa face, oferecer-lhe também a outra; e, ao que tirar a capa, deixá-lo levar também a túnica.

Isso tudo é difícil até a medula. Mas se não vivo mais eu, mas Cristo vive em mim… temos que viver conforme a natureza dele.

Você nunca vai me ouvir dizer que ser cristão é fácil. Não é. Quem prega isso está mentindo. Pois quem em sã consciência diria que tomar uma cruz é fácil? Arrastar um tronco de mais de 90 quilos por quilômetros é tarefa para leão. Não, negar-se a si mesmo, tomar sua cruz e seguir nos passos do Mestre é doloroso, sacrificante, mortificante.

Muitos, ao lerem isso, poderiam então se perguntar: mas se a vida do cristão significa tanta abnegação e sofrimento, por que seguir Cristo? Eu respondo: porque o que importa não é a vida do cristão, é a morte. Pois, depois que tivermos de nos dizer “não” tantas vezes, nos depararemos com a realidade de que “Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam” (1 Co 2.9).

Vale a pena dizer “não” a si mesmo nesta vida e o fazemos com prazer, se conseguimos enxergar essa suprema verdade do Evangelho: que a vida eterna é o grande “sim” de Deus para cada um de seus eleitos.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Beijo1]Que cor tem um beijo? Qual é seu formato? Que aparência tem? Quantos quilos pesa? O beijo é sólido, líquido ou gasoso? Tem quantos centímetros de comprimento? Qual é o grau de transparência do beijo? Qual é sua temperatura? Se bater um vento forte, carrega o beijo para longe? É inflamável? Desbota com o tempo? O beijo anda, nada ou voa? Flutua na água? Beijo enferruja? Pode-se esconder em algum lugar sem que estrague? É portátil? É duro ou mole? Derrete no calor? Mofa? Beijo cresce se regar? Muda como uma borboleta? É comestível?

Afinal… como é um beijo? Por favor, descreva-o para mim.

Difícil, não é? Desista, você não vai conseguir. E isso porque o beijo é algo que não tem como ser descrito. Não há como se fazer um retrato falado de um beijo. Nem como se guardar numa caixa. Como se carregar no bolso. É impossível encher uma caixa de beijos. Colher um em uma árvore. Pôr em cima da mesa e ficar observando cada detalhe dele. Simplesmente porque beijo é algo que não existe.

Como assim, não existe?

Claro, pois se o que existe é aquilo que podemos pegar, cheirar, medir, descrever, apalpar, enxergar… o beijo não existe.

Só que… a humanidade ama o beijo. Venera o beijo. Se há algo de que absolutamente todo mundo se lembra é como foi o primeiro beijo, de tão marcante. Filhos pedem beijo de seus pais. Pais ficam tristes se os filhos saem de casa sem dar beijo. Casais enamorados, se deixar, passarão horas imersos em beijos. Nada faz mais falta para quem ama sem ser correspondido do que o beijo do ser amado.

E beijo tem significado, também. Beijo nos lábios significa amor exclusivo. Beijo no rosto é amizade. Beijo na testa é carinho. Beijo na mão é galanteio. Beijo nos pés é humildade. Beijo no espelho é vaidade. Beijo na foto é saudade. Beijo em troféu é vitória. Beijo no chão é amor à pátria. E por aí vai.

Logo, é claro que beijo existe! Mas… ao mesmo tempo, não existe… Que nó nos neurônios, meu Deus…

Beijo2Tudo bem, vamos tentar um pouco mais. Vamos visualizar uma situação em que ocorra um beijo. O beijo é algo formado pelo toque de lábios em alguma coisa. Segundo o dicionário, beijo é: “Toque de lábios, pressionando ou fazendo leve sucção”. Então não existe o beijo. Existem lábios tocando algo. Mas lábios por si só não são um beijo. Se eu arrancasse meus lábios e os pusesse na palma da mão você diria que estou “segurando um beijo”? Não, não diria. Se alguém estica os lábios na posição tradicional mas não faz barulhinho aquilo é um biquinho, não é beijo. Então dizer que beijo pode ser descrito como lábios por si só é algo errado. Aí chega uma pessoa e fala que beijo sáo lábios tocando lábios. Mas então respiração boca-a-boca é beijo? Não, não é. Então beijo são lábios tocando a pele. Só que tirar uma farpa do dedo com a boca não é beijo.

É, desisto. Beijo não existe.

Beijo3Mas se eu me lembro de um beijo que dei hoje de manhã! Se me lembro do primeiro beijo que dei na vida! Se me lembro do primeiro beijo que dei na minha filha na sala de parto! Se me entristeço pelos beijos que nunca mais darei naquela pessoa querida que partiu! Sim, beijo existe! Claro que existe! Mas aí chega alguém que afirma só acreditar que algo existe se puder tocar, cheirar, ver, provar cientificamente. E eu diria, então, a ela: prove-me que o beijo existe. Esse cético jamais conseguiria. Pois ele me mostraria fotos, desenhos e imagens de uma boca encostando em qualquer outra coisa. Mas aquilo continuaria sendo uma boca. Portanto, eu diria a esse cético ou viciado em provas científicas: “Desculpe-me, mas, pelos seus critérios…  beijo não existe. O que estou vendo é uma boca e não um objeto chamado beijo“.

Com Deus é igual.

Eu não vejo Deus. Não o toco. Não sei seu formato. Não conheço sua textura. Não vislumbro sua aparência. Não tenho como segurá-lo em minhas mãos. Não tenho nenhuma expectativa de ter um encontro visível, concreto, sensorial com o Senhor até o dia de minha morte. Mas, ah, que experiência extraordinária é quando Deus se faz presente! Como é impossível estar na presença do Criador do universo sem ser afetado de alguma forma! Como é possível estar com Ele e não ser tocado por Ele? Muitos dizem que Ele não existe porque não pode ser cientificamente, cartesianamente, pragmaticamente visto, tocado, segurado, distinguido. Se me pedirem para mostrar uma foto dele eu não terei como fazer. Exatamente como um beijo.

Beijo4Quando acontece um beijo entre você e a pessoa amada, qual é a sensação? É fantástico, não? Pois eu te digo a sensação fantástica que é quando Deus acontece em nossa vida. Não, não tenho como provar cientificamente  que Ele existe. Mas jamais vou me esquecer da primeira vez que o Senhor me tocou. É só eu sei a falta que Ele me faz. O tanto que mudou minha vida. O que sinto quando faço algo que sei que o entristece. A alegria que me invade quando me perdoa. O gozo que me inunda quando o busco. As línguas que falo quando me enche. A esperança que brota quando leio Sua Palavra. O calor de seu abraço. O conforto que vem de nossas conversas. O tudo que Deus é, faz, transforma e significa.

Se digo a qualquer ateu que o beijo não existe e ele se rirá de mim. Mas se qualquer ateu disser a mim que Deus não existe eu me rirei dele – pelas exatas mesmas razões.

Beijo5Sabe, no final das contas, lendo a Bíblia, me ocorre que existe uma maneira bem concreta de se provar que beijo existe. E, se qualquer cético me pedir uma prova palpável disso, eu terei como dar a ele. Bastará eu me lembrar que Deus amou o mundo de tal maneira que o beijou com um beijo de amor ágape que pôde ser visto, tocado, segurado, abraçado, esbofeteado, açoitado, crucificado. Um beijo que sangrou. Que foi furado. Um beijo que teve as feridas nas mãos e no lado tocadas por um incrédulo. Um beijo cheio de significado, que se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade – e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai.

Um beijo a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Recebi o e-mail abaixo de uma irmã em Cristo. Tocou-me tanto que decidi reproduzi-lo aqui, com a resposta que enviei a ela, na esperança de que venha a trazer paz a corações que estejam passando por situações semelhantes à que ela está enfrentando. É desnecessário divulgar seu nome, pois não quero expô-la. O que importa não é quem ela é, mas a sua experiência. E oro a Deus que aquilo que lhe respondi – e, em especial, os textos bíblicos – alcance o maior número possível de corações angustiados. Segue o desabafo honesto, sincero e dolorido que recebi de R.:

“Bom dia, como você está?

Não sei nem como começar a escrever, preciso desabafar e essa angústia não pode ser com qualquer pessoa.

Estou me sentindo fraca, já não tenho ânimo para frequentar a igreja, há muito tempo não oro nem faço jejum. Estou me sentindo triste, meu espirito está angustiado com tudo o que vejo dentro das igrejas, estou triste por ver pessoas agredindo uma as outras.

Estou triste, pois me parte o coração ver pessoas na rua passando frio, triste por ver tanto sofrimento e nenhuma mudança. Fico me perguntando cadê os verdadeiros cristãos.

Preciso de forças, estou envergonhada da pessoa que sou, tenho olhado o cisco no olho do meu próximo, mas fui incapaz de retirar a trave que estava nos meus olhos. Sou orgulhosa, egoísta, hipócrita, venenosa. Apenas reclamo e não faço nada.

Estou caindo, fui fraca e deixei as aflições do mundo ficarem entre eu e Deus. Estou decepcionada, porque magoei Deus, não fui fiel a Ele, deixei as paixões do mundo me afastarem dEle. Estou com vergonha, me sinto suja, me sinto como alguém desprezivel, uma pecadora que não sabe reconhecer seus erros. Estou sentindo tantas coisas em meu coração e não sei como escrever, como colocar para fora.

Entendo a minha condição, entendo que enquanto estiver nesse corpo cairei e continuarei caindo até o dia que Cristo voltar ou até a minha morte. Mas sou fraca, tenho trocado o tesouro do Reino por coisas pequenas, não tenho tido concentração para orar, vivo em um ambiente onde domina a fofoca, a inveja, a maldade, são pessoas perversas com suas linguas afiadas. Tenho bebido desse veneno e compactuado com isso, estou sentindo as consequências dessa minha escolha.

Mas eu quero voltar, eu quero voltar para o meu Pai, quero ficar com Ele, não quero que as coisas do mundo sejam as minhas coisas. Que Deus possa me perdoar pela minhas transgressões, pelos meus pecados, não estou mais suportando viver uma vida sem Deus, sem a presença dEle, isso tem me matado.

Meu peito vai explodir, estou caindo, peço que ore por mim meu irmão. Estou angustiada, tomada por uma profunda tristeza.

Que Deus te abençoe, meu irmão!”

Li essa confissão tão honesta e dolorosa. E respondi a ela o que reproduzo abaixo, com acréscimos que depois, com mais calma, incluí no texto. Peço a Deus que as singelas palavras que vêm a seguir alcancem corações:

“R.,

meu coração chora pela tua angústia. Li o que você escreveu e gostaria de te dizer algumas palavras.

Primeiro, lembre-se se uma coisa: você é humana e Deus sabe disso. Não quero passar a mão na cabeça do pecado, mas importa que você entenda o olhar do Pai. Veja o que a respeito do Senhor diz Salmos 103.3-5; 8-14:

É ele que perdoa todos os seus pecados e cura todas as suas doenças, que resgata a sua vida da sepultura e o coroa de bondade e compaixão, que enche de bens a sua existência, de modo que a sua juventude se renova como a águia. O Senhor é compassivo e misericordioso, mui paciente e cheio de amor. Não acusa sem cessar nem fica ressentido para sempre; não nos trata conforme os nossos pecados nem nos retribui conforme as nossas iniquidades. Pois como os céus se elevam acima da terra, assim é grande o seu amor para com os que o temem; e como o Oriente está longe do Ocidente, assim ele afasta para longe de nós as nossas transgressões. Como um pai tem compaixão de seus filhos, assim o Senhor tem compaixão dos que o temem; pois ele sabe do que somos formados; lembra-se de que somos pó.

Essas verdades magníficas nos mostram que Deus não se interressa em punir ou destruir: isso é papel do Diabo. O que Nosso Senhor quer é pôr de pé o abatido, levantar o caído, pôr o anel no dedo do filho que foi comer as bolotas dos porcos.

R., Deus não espera de você perfeição, mas sim esforço. Pois, como disse o salmista, “ele sabe do que somos formados, lembra-se de que somos pó”: o Senhor sabe que você nunca será inerrante, perfeita, que você é pó. Assim, Deus compreende as suas fraquezas. O que Ele não aceita é o acomodamento. O cristão de verdade não é o que vence todas as batalhas, mas o que luta com toda a sua energia para vencê-las.

Se você está sem forças para viver sua vida devocional, lembre-se que Paulo disse que quando somos fracos é que somos fortes, pois o poder de Deus se aperfeiçoa na nossa fraqueza. É nessa hora, R., em que você se vira para o Senhor e diz “sozinha não posso”. E aprende a depender dele. Nunca deixando, claro, de fazer a sua parte.

As igrejas são imperfeitas, as pessoas são imperfeitas, todos nós somos. Se eu fosse me espelhar em mim mesmo e na minha santidade capenga, jamais frequentaria a igreja. Pois sei quem sou e quão distante estou de quem deveria ser. Mas é exatamente a percepção que tenho quando olho para mim e vejo o quão falho e pecador sou que me faz  olhar com compaixão para as falhas dos meus irmãos e isso me estimula a participar da comunhão. Pois nós, cristãos, somos, sem exceção, um bando de pecadores que amam a Cristo, reunidos em assembleia para cultuá-lo e nos ajudarmos uns aos outros em nossas fraquezas. Não é porque há imperfeições entre – todos – os cristãos que vamos abandonar o culto a Deus. É preciso saber racionalmente disso. Nos meus momentos de maior angústia, foram irmãos da igreja que me aconselharam, choraram comigo, deram seu ombro, compartilharam suas experiências, me apoiaram para ficar de pé. Nem todos farão isso. Mas há muitos irmãos piedosos que vão ser colunas na sua vida. E lembre-se de Hebreus 10.25: “Não deixemos de reunir-nos como igreja, segundo o costume de alguns, mas encorajemo-nos uns aos outros, ainda mais quando vocês vêem que se aproxima o Dia.”

Compartilho da sua tristeza ao ver cristãos agredindo uns aos outros. Não é o padrão nem o desejo de Cristo para nós, mas hoje entendo que a natureza humana caída muitas vezes faz a carne agir com mais força que o espírito. Aos que agridem temos de estender perdão e misericórdia. Ore por eles. Peça a Deus que os abençoe. O que Paulo manda fazermos sobre isso é algo que pouquíssimos de nós fazem. Mas que precisamos pôr em prática. Tenho tentado. Muitas vezes não consigo. Mas tenho lido este trecho diariamente, há muito templ, e estou tentando torná-lo uma realidade na minha vida, e tenho conseguido única e exclusivamente pela graça de Deus:Abençoem aqueles que os perseguem; abençoem, e não os amaldiçoem.  Alegrem-se com os que se alegram; chorem com os que choram.  Tenham uma mesma atitude uns para com os outros. Não sejam orgulhosos, mas estejam dispostos a associar-se a pessoas de posição inferior. Não sejam sábios aos seus próprios olhos.  Não retribuam a ninguém mal por mal. Procurem fazer o que é correto aos olhos de todos.  Façam todo o possível para viver em paz com todos.  Amados, nunca procurem vingar-se, mas deixem com Deus a ira, pois está escrito: “Minha é a vingança; eu retribuirei”, diz o Senhor.  Pelo contrário: “Se o seu inimigo tiver fome, dê-lhe de comer; se tiver sede, dê-lhe de beber. Fazendo isso, você amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele”.  Não se deixem vencer pelo mal, mas vençam o mal com o bem” (Romanos 12.14-21). Tente. Sei que você vai conseguir. Perdoe.

Isso é dar a outra face. É se deixar ser agredido sem revidar. É ser atacado sem atacar. É fazer o que Jesus fez: como ovelha muda ante seus tosquiadores Ele não abriu a boca. Esse é o padrão bíblico. Se fazemos justiça com as próprias mãos, agimos carnalmente e tomamos do Senhor aquilo que compete a Ele. Não sou eu que digo, R., está aí em Romanos, está no Sermão do Monte, a Bíblia sempre nos orienta que essa é a postura do verdadeiro cristão. Então não sinta raiva dos irmãos que te agridem. Ame-os. Ore por eles. E, se te fizerem mal, faça-lhes o bem. Tenha paz com todos, sabendo que o Senhor é quem retribuirá o mal que lhe fizerem.

Quando você diz “fico me perguntando cadê os verdadeiros cristãos” eu te respondo: olhe-se no espelho e lá você encontrará. Pois verdadeiros cristãos não são anjos flutuando sobre nuvens. São seres humanos, pó, que erram – mas com uma grande diferença: como têm o Espirito Santo habitando em si, se incomodam com o erro e fazem de tudo para não errar de novo.

Tudo o que você me diz sobre como se sente, todos os adjetivos depreciativos que usou para se referir a si mesma, toda a vergonha que expressa sobre a forma que você diz ser pode parecer algo repreensível, pode fazer parecer que você é uma perdida sem esperanças. Talvez seja assim que você se sinta. Mas o que leio nas entrelinhas da sua confissão é uma coisa linda: o Espirito de Deus habita em ti. Você pode se perguntar “como assim?? Pois se estou sendo tão pecadora!!”. Mas repare: é Ele quem convence do pecado, da justiça e do juízo. O homem por si mesmo é incapaz disso. E, se você se sente como descreve, é sinal de que o nosso Pai te ama e está te chamando ao arrependimento. Se Deus não se preocupasse contigo, você estaria pecando sem se incomodar. Esse incômodo prova que o Senhor está te chamando para uma mudança – por amor.

Agora, há um ponto importante, que aprendi com meu pastor: existe uma diferença grande entre remorso e arrependimento. Remorso é o choro que não tem consequência. Arrependimento é o choro que nos faz mudar de atitude. Remorso é carnal, é o que Judas sentiu. Arrependimento é espiritual, é o que Pedro sentiu após negar Cristo. O que é importante agora é você fazer essa angústia que o Espírito de Deus está gerando dentro de si pelo estilo de vida pecador que você está vivendo ter como consequência uma mudança de rumo. Deus está à porta e bate. Você vai abrir a porta do seu coração? Só depende de você.

Repare o que Paulo escreveu aos Coríntios em 2 Coríntios 7.8-11: “Mesmo que a minha carta lhes tenha causado tristeza, não me arrependo. É verdade que a princípio me arrependi, pois percebi que a minha carta os entristeceu, ainda que por pouco tempo. Agora, porém, me alegro, não porque vocês foram entristecidos, mas porque a tristeza os levou ao arrependimento. Pois vocês se entristeceram como Deus desejava, e de forma alguma foram prejudicados por nossa causa.  A tristeza segundo Deus produz um arrependimento que leva à salvação e não remorso, mas a tristeza segundo o mundo produz morte.  Vejam o que esta tristeza segundo Deus produziu em vocês: que dedicação, que desculpas, que indignação, que temor, que saudade, que preocupação, que desejo de ver a justiça feita! Em tudo vocês se mostraram inocentes a esse respeito”.

Não é lindo? Consigo ver em você essa mesma tristeza. Não é um abatimento de alma destruidor, mas é Deus te chamando para o arrependimento, para a paz, para a salvação, para a dedicação, o temor, a justiça. Acredite, há muito pouco tempo vivi isso. E dói. Sei que dói. Mas o resultado é maravilhoso, se você consegue converter essa tristeza em mudança de rumo.

Quando você diz “Mas eu quero voltar, eu quero voltar para o meu Pai”, só te digo uma coisa: Ele está de braços abertos, apenas esperando. Volte hoje. Volte agora. Não adie um dia sequer. Não adie um minuto. Sinta o abraço do Pai.

E você diz “Que Deus possa me perdoar pela minhas transgressões, pelos meus pecados”. Vou te contar um segredo: Ele pode. Mais ainda: Ele quer. Jesus veio à terra exatamente com esse propósito: perdoar pecados. E existe uma fórmula mágica para isso acontecer, que está em Provérbios 28.13: “Quem esconde os seus pecados não prospera, mas quem os confessa e os abandona encontra misericórdia“. Tudo o que você tem de fazer é se arrepender (o que suas palavras demonstram que já aconteceu), confessar a Deus os seus pecados e abandoná-los. Pronto. Está feito. Foi para isso que Jesus encarnou, sofreu, morreu e ressuscitou, R., para que você e eu tivéssemos perdão e possamos estar na eternidade com Deus. 

Compreenda que Deus não te despreza porque você errou. Veja que revelação maravilhosa Jesus nos faz: “Eu lhes digo que, da mesma forma, há alegria na presença dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende.” (Lc 15.8-10). Você está arrependida? Quer realmente abandonar o pecado? Saiba que os anjos estão em festa.

De modo muito prático, R., recomendo que você acalme-se, respire fundo e busque silenciar. É hora de você se recolher ao silêncio das quatro paredes, só você e Deus. Chore. Derrame sua verdade pelos seus olhos ante o Cordeiro de Deus. Você terá momentos de muita angústia e dor pela sua pecaminosidade nesse processo. Mas, uma vez que o perdão do Senhor vier sobre ti… ah, R., é um gozo sem explicação. Neste momento há muita confusão na sua mente. É hora de se recompor, chorar, gemer e se cobrir de pó e cinza. Mas, depois, lave o rosto, quando você se acalmar, já tendo confessado e abandonado o pecado, retome sua vida devocional com Deus. Sua oração pode ser um sussurro, um gemido. Sua leitura da Biblia pode ser curta, desde que profunda e feita com muita reflexão, para que aquilo que você lê deixe de ser texto e se torne vida prática. Seu jejum pode esperar. Assim, aos poucos, vai recuperando a paz, o equilíbrio e a comunhão com Deus. E tudo ficará bem. A vida ganhará novas cores, você se conhecerá muito mais e terá muito mais ímpeto de agradar o Salvador e de ser íntima e útil para Ele. Sabendo que Jesus de Nazaré não quer te punir: quer te restaurar.

Fique calma. Jesus ama muito você. Não se sinta indigna, sinta-se amada e cuidada. Lembre-se que, se o Espirito está falando ao seu coração, é sinal de que Ele te chama, ama e não desistiu de você. Tenha paz. Fuja do pecado. E volte aos braços do Pai, com coração sincero e contrito.

Oro por ti, minha irmã. Entrega teu caminho ao Senhor, confia nele e o mais Ele fará. Deus é contigo.

Na paz que excede todo o entendimento,
Mauricio”

.
Decidi reproduzir aqui meu diálogo com R. pois sei que há muitas e muitas pessoas que estão passando por o que ela passou. Eu já passei. E, por isso mesmo, posso afirmar: há esperança. Há perdão. Há reconciliação com Deus. E há muito a viver e fazer uma vez que você se põe em pé após passar pelo vale da sombra da morte e/ou pelo lamaçal do pecado. Deus não despreza um coração contrito, afirma a Palavra. Deus não despreza os Seus. Deus não é um carrasco: é um Pai – amoroso, bondoso e perdoador.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Mauricio

Eu e você certamente já escutamos todo tipo de oração: por casa, emprego, casamento, causas na justiça, recebimento de dons, curas e por aí vai, a lista é interminável. Mas rarissimamente você vai ouvir alguém pedir a Deus por… amigos. Amigos? Sim, bons e verdadeiros amigos. Em nossa vida eles são extremamente importantes, desempenham um papel fundamental, são colunas na alegria e na tribulação, mas, ainda assim, parece que não damos muita atenção a isso. Não se vê igrejas organizando “correntes de sete semanas por amigos”, “reunião de intercessão por amigos”, “grande clamor por obtenção de amigos” ou nada do gênero. E penso que essa é uma falha grave em nossa devocionalidade. Pois estamos deixando de solicitar do Pai um dos artigos mais indispensáveis para a caminhada humana.

Em 1996, eu trabalhava no jornal O Globo, um jovem e promissor jornalista, cheio de “amigos”. Afinal, muitos viam em mim alguém que teria um grande futuro profissional: em menos de dois anos de formado tinha passado pelo Jornal do Brasil e sido convidado para ir para O Globo pelo dobro do salário (e não, não estou me gabando, é que no JB eu ganhava muito mal mesmo). Assim, ser meu “amigo” parecia que traria muitas vantagens para quem estivesse por perto quando eu tivesse um upgrade profissional. Só que o inesperado aconteceu: fiquei doente e fui obrigado a deixar o emprego, visto que não conseguia mais usar um computador. A notícia correu pelas redações: Zágari não poderia mais trabalhar, estava inválido para sempre. Não tinha mais nada a oferecer. E foi então que percebi que as dezenas de pessoas que me convidavam para sair, viajar, fazer mil coisas… não eram minhas amigas de fato. Para elas eu era um “contato”. Desempregado e deprimido, fui para casa com a certeza de que muitos e muitos me dariam apoio naquela hora tão difícil. Lembro até hoje quantos amigos me deram um telefonema que fosse para saber como eu estava:

2.

E só.

Bem diz Provérbios 14.20 que “O pobre é odiado até do vizinho, mas o rico tem muitos amigos”. Isso fala de aproximação por interesse, por aquilo que você pode proporcionar. Naquele momento aprendi o que NÃO É um amigo de verdade. Não é quem te bajula, nem quem está por perto para se divertir ou pelo que você possa oferecer. Não é quem precisa de você porque a bola do jogo é sua ou fica sempre falando somente de si. Não é o que te pergunta se está tudo bem sem real interesse de ouvir a resposta. Tampouco conviver todos os dias, muitas horas por dia, garante algo – passar muito tempo junto também não faz um amigo, faz colegas. Não, nada disso é amizade. E, naquela época, vi de perto a falta que o calor humano faz.

Tudo isso voltou à minha mente quando um irmão querido que conheci por meio do APENAS me escreveu um email contando como se sente solitário e sem amigos. E lembrei então da oração que fiz naquela época, quando, deprimido e só, resolvi erguer a Deus o clamor tão inusitado: “Senhor, dá-me amigos…”. E Ele deu. Conheci pessoas em pouco tempo que até hoje, 16 anos depois, são capazes de tirar a roupa do corpo para me vestir. E eu a elas. E de lá para cá o Pai tem acrescentado mais alguns a essa lista, que faço questão de manter seleta e restrita. Hoje só entram nela aqueles que nos momentos de maior adversidade em minha vida doaram-se por amor sem pensar em si mesmos. Ou aqueles por quem eu pude fazer isso. Pois descobri que essa é a grande e maior prova de amizade que existe. Biblicamente falando.

Amigos, pela ótica bíblica, são pessoas que gostam de você de graça (ou com graça), isto é, a despeito de qualquer coisa. Com quem não vai concordar em tudo, mas que continuará amando do mesmo jeito. Que estarão do teu lado apesar de todos os teus defeitos, tuas falhas e teus pecados. São aqueles que servem de coluna na sua vida, que saem no meio da noite do calor de sua casa para te ajudar no frio da escuridão da rua. Amigos são vidas que abrem mão de  algo importante para elas por você.

Sim, fui à Bíblia tentar entender o padrão divino de amizade. E percebi que, acima de tudo, segundo as Escrituras é isso o que determina de fato o que é um amigo: é alguém que abre mão de si por você. Palavras do próprio Jesus, em João 15.13: “Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos”. Abdicar de si. Deixar o próprio conforto pelo outro. Dispor do seu tempo em favor do amigo. Ouvir com interesse e empatia. Suportar os defeitos. Amparar. Brigar por ele. E nunca virar as costas, não importa o quê – em especial nos momentos de maior tribulação. Pois é nessa hora que você descobre quem de fato é seu amigo, como diz Provérbios 17.17: “Em todo tempo ama o amigo, e na angústia se faz o irmão”. Nada como um bom momento de angústia para você peneirar quem de fato te considera um amigo.

Aprendi lendo a Bíblia que amizade se prova na hora em que temos tudo para abandonar o amigo e não o fazemos. Aprendi com Salomão, em Provérbios 27.10: “Não abandones o teu amigo, nem o amigo de teu pai, nem entres na casa de teu irmão no dia da tua adversidade. Mais vale o vizinho perto do que o irmão longe”. Sim, eu já tinha descoberto na prática o que não é um amigo. Depois descobri na Bíblia o que É.

Essa é um recomendação que faço com ênfase: se você nunca orou a Deus pedindo amigos verdadeiros, não perca tempo e ore. Peça amizades reais, desinteressadas e que não desaparecem quando vem a ventania.

Jesus tinha doze amigos. Mas na hora em que ele mais precisou, cada um pensou só em si mesmo, escondendo-se para salvar a própria pele. Todos o abandonaram… com exceção de um. Sim, só um, João, ficou aos pés da cruz, sofrendo com Cristo, correndo o risco de ser preso, torturado e morto também. Prova de que o perigo pessoal importava para ele menos do que prestar solidariedade e carinho ao seu amigo naquela hora de dor.

E eu acredito ser essa a razão de ele ter sido, dentre todos, “aquele a quem Jesus amava”.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Marcos1Há pessoas que simbolizam valores importantes em nossa vida. Quando falamos de Jesus logo pensamos em perdão, graça e amor. Ao mencionarmos Salomão, automaticamente o associamos à sabedoria. Quando lembramos de Sansão vem à nossa mente força bruta. Jó nos remete à paciência. E por aí vai. Três pessoas são marcos em minha caminhada, pois simbolizam aspectos fundamentais da minha vida e da minha jornada como cristão. Mesmo que você não os conheça, permita-me por favor falar um pouco sobre esses três marcos.

O primeiro chama-se Marcos José. Para mim ele é o símbolo da amizade. O conheci quando eu era novo convertido. Ele era pastor, líder de mocidade, e fui sua ovelha, seu aluno e discípulo. Aprendi muito com ele em longos papos sobre as coisas de Deus e a Igreja. Ele celebrou meu casamento e fui padrinho de casamento dele. Viramos amigos. Devido a discordâncias teológicas e outras bobagens da vida ficamos meses sem um contato mais íntimo. Mas, na minha mais recente crise pessoal, seu comportamento – junto com o de sua esposa e minha maninha Marta – foi o de um verdadeiro amigo. Sem pensar em si, aturou com paciência meus momentos de baixo astral (e só Deus sabe como fico chato quando estou para baixo), me aguentou até 5h da madrugada em uma longa conversa, me buscou em casa e me trouxe de volta mais de uma vez (e moramos longe um do outro) e se fez presente em telefonemas, encontros e almoços que se estenderam por mais de seis horas. Relevou todas as diferenças, discordâncias e quaisquer outros poréns para abraçar o amigo, acima de qualquer outra preocupação. Sua forma de agir numa hora como essa solidificou essa amizade em meu coração num nível até então inédito. Se ele me pedir um dedo eu dou o braço, feliz.

O segundo chama-se Marco Antônio. É meu pastor. Para mim ele simboliza a espiritualidade. Seu cuidado com as ovelhas, sua compreensão e aplicação do Evangelho e sua forma de tratar as situações mais cabeludas sob seu pastoreio me ensinaram muito mais sobre vida cristã do que os dois seminários teológicos que cursei juntos. Se hoje há um pinguinho de graça e misericórdia em meu coração devo ao que aprendi com ele em palavra e atitude. Sei que ele não é perfeito, que é apenas um homem, mas um dia quero ser um homem como ele é: um homem… de Deus. E que age como tal acima de qualquer coisa.

O terceiro é um irmão de minha igreja, Marcos Sá, o “Marquinhos”. Ele, para mim, simboliza a santidade e o amor pelo próximo. Conviver com ele é deliciar-me com seu coração pastoral, transbordante de preocupação genuína pelas pessoas, com afeto desinteressado, abnegação, alma pura e dedicação incansável. Recentemente oramos juntos após um culto e pude sentir suas lágrimas sinceras pingarem em minha mão – o que para mim não foi um incômodo: foi uma honra. Quando penso em Marquinhos sinto vergonha de mim mesmo, tão distante estou de ter um coração bondoso e temente como o dele. Já ouvi pessoas o criticarem por seu excesso de zelo com as coisas de Deus e seu jeito metódico de cuidar da obra do Senhor, mas queria eu conhecer alguém que tivesse dez por cento de sua intimidade com Jesus e amor pelo próximo. E, sinceramente, não conheço quem chegue nem perto.

Três marcos, três símbolos de virtudes essenciais à vida cristã: amizade, espiritualidade, santidade e amor ao próximo. Claro que esses três “Marcos” compartilham das demais virtudes: Marcos Filho tem espiritualidade, Marco Antônio tem santidade e Marquinhos tem amizade, por exemplo, mas destaquei o que pula de imediato em minha mente quando penso em cada um. Assim como esse trio, há outras pessoas em minha história que me servem de inspiração, em aspectos os mais variados. Poderia gastar páginas falando sobre Evandro, Alexandre, Alessandra, Cláudio, Irene, Wilson, Marcelo, Jovana e tantos outros. Mas se fosse discorrer sobre cada um seria um livro enorme e não um post.

A essa altura, você deve estar se perguntando o que afinal de contas lhe interessa saber sobre essas pessoas que nem ao menos conhece. Bem, do mesmo modo que tenho em minha história esses três Marcos que me remetem a aspectos fundamentais da vida, penso que cada um de nós deve se cercar de pessoas que nos ensinem a ser cristãos melhores, com suas qualidades, virtudes, atitudes e até defeitos. Como somos extremamente falhos e inconstantes, é fundamental ter quem nos faça recordar daquilo de que não podemos nos esquecer se quisermos ter uma vida com Deus. Muitas vezes, sem que precisem dizer uma só palavra para isso.

Sem a comunhão da amizade não há Igreja. Sem a espiritualidade não há relacionamento com Jesus. Sem santidade ninguém verá a Deus. Sem amor ao próximo nossa fé é inútil. E louvado seja o Senhor por me lembrar sempre de buscar e exercer essas virtudes ao tomar irmãos como modelos e parâmetros que me lembrem de que tenho de ser a cada dia uma pessoa melhor.

De quem você se cerca? Quais são as virtudes que aqueles que convivem com você te levam a almejar? Será que você tem modelos de vida que te façam querer subir de nível como pessoa e como cristão? Se não tem, sugiro que busque ter. Alguém para quem possa olhar e dizer “quero ser como ele quando crescer”. Isso não é idolatria, não é bajulação: é reconhecimento. E que seja dada honra a quem tem honra.

“Eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também” (Jo 13.15). Temos em Jesus o modelo pleno e perfeito de quem devemos ser. É nosso melhor amigo, totalmente espiritual, santo dos santos, padrão de entrega pelo próximo. Mas Eliseu olhou para Elias como um referencial de alguém tão digno que ter “porção dobrada” do que ele tinha seria o dom mais desejado. Timóteo viu em Paulo alguém que merecia sua intensa atenção. Davi viu em Jônatas a expressão daquilo que lhe acrescentava como ser humano. E você? Em quem você se espelha? Quem são seus referenciais? São homens e mulheres amorosos, alegres, pacíficos, pacientes, amáveis, bondosos, mansos e temperantes? Ou são iracundos, carnais, agressivos, arrogantes, vaidosos, egocêntricos, pueris, bobos, inexperientes, vulgares, boquirrotos ou mais amigos de si do que amigos de Deus?

Oro ao Senhor que você encontre pessoas que o inspirem. Que o motivem. Que o impulsionem. E ouso ainda mais nessa oração: peço a Deus que você chegue ao ponto em que as pessoas apontem para você e digam:”Quando eu crescer, quero ser igual a ele”.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Tenho aprendido muitas coisas sobre Deus com a paternidade. Uma delas são os benefícios proporcionados pelas dificuldades da vida. É muito comum em nosso meio ouvirmos dos irmãos que, se estão passando “pela prova”, é porque Deus está descontente, castigando por algum pecado cometido ou algo assim. Uma das correntes mais fortes é a que atribui as dificuldades ao diabo. “O inimigo está furioso”, “o diabo se levantou contra minha vida”, “estou na luta contra os demônios”, “o devorador não está me dando descanso”… são muitas variações do mesmo tema. Mas, quanto mais eu vivo, menos acredito que as dificuldades da vida são fruto do ódio de Satanás e cada vez mais me convenço de que são fruto do amor de Deus.

Minha filha completa dois anos esta semana. A cada dia que passa vejo o quanto facilitar as coisas para ela a prejudica. Um exemplo que considero clássico, e que vou usar aqui para exemplificar minha reflexão, é quando ela deixa escapulir algum brinquedo para baixo da mesa de nossa sala – o que é algo muito frequente, pois a mesa fica ao lado da área onde mais brinca. É difícil resgatar o brinquedo, pois a mesa acaba formando um labirinto de pernas de cadeiras e as laterais são limitadas por uma parede. É realmente complicado pegar algo que caia ali embaixo. Por isso, no início a tendência imediata dela era me olhar com aquela cara de gato de botas do Shrek e, sem se mexer, pedir com voz melosa: “Pa-paaaai…”, já esperando que eu me levantasse, tirasse todas as barreiras da frente, pegasse o brinquedinho e desse de bandeja na mãozinha dela.

Confesso: no princípio minha ignorância me levava a fazer exatamente isso. Mas, lendo livros especializados e observando, comecei a notar que ela tornava-se cada dia mais dependente de mim em montes de coisas e, sempre que podia, em vez de se esforçar soltava aquele “pa-paaaai…”, tentando me comover para conseguir o que queria sem muito esforço. Foi quando percebi que ajudá-la não a estava ajudando. E muito menos a preparando para a vida. Pois a vida não nos dá as coisas de mão beijada. Mudei então de estratégia. Em vez de levantar e sempre tratar minha filha como uma bonequinha de cristal, tentando protegê-la das próprias gotas de suor, passei a incentivá-la. Frases de encorajamento como “vai lá, filha, eu sei que você consegue”, “tenho certeza de que você é capaz de pegar sozinha” e outras similares passaram a ser a tônica.

E a dificuldade passou a fazê-la crescer como pessoa. Comecei a reparar que aquela bebezinha que estava se tornando uma pequena preguiçosa agora punha os neurônios para funcionar, por vezes engatinhando pelas cadeiras e descobrindo itinerários e formas de chegar onde queria, por vezes arrastando as cadeiras do lugar para abrir caminho, em outras vezes dando a volta na mesa para se aproximar pelo outro lado. Sua mudança foi incrível – como consequência da mudança na forma como papai lidava com ela. De repente parece que  deslanchou como pessoa. Tornou-se mais confiante e independente. Passou a ter mais proatividade e a solucionar suas dificuldades sem ficar dependendo dos outros. Vi que até seu relacionamento com as pessoas mudou para melhor: a timidez diminuiu, parou de agarrar-se tanto ao meu pescoço quando chegava perto de um estranho, tornou-se mais sociável e até mais generosa. Parou de pensar tanto em si e começou a compartilhar mais as suas coisas com os outros, de seus brinquedos a sua comida. Em resumo, começou a se formar diante de meus olhos um ser humano que merece muito mais a minha admiração do que quem ela estava a caminho de se tornar caso eu ficasse facilitando demais a sua vida.

Quando via que ela empacava, eu procurava levá-la a achar soluções sem oferecer respostas prontas. Em vez de dizer “vá por ali” eu perguntava “será que não tem um caminho melhor?”. E deixava que ela raciocinasse e encontrasse seus próprios caminhos. E, lógico, se em algum momento ela ficava presa ou algo assim, de um salto eu a tomava nos braços e a confortava. Conversava com ela, tentava perguntar se ela sabia por que razão tinha se metido naquela situação e tentava mostrar outras possibilidades. Nunca de mão beijada. Sempre conduzindo-a e encorajando-a para, por méritos próprios, ela obter êxito, ganhar confiança, crescer, amadurecer. Encorajamento e elogios todas as vezes, com muita ênfase e festa.

Naturalmente eu fico sempre de olho.  Sempre zelei por sua segurança, não deixava que pegasse em facas ou chegasse perto do fogo aceso. Mas passei a procurar torná-la participante das atividades, a desafiando a encontrar as soluções que eu já conheço e poderia dar mastigado a ela. E sempre – sempre – respeitando o fato de que ela não sou eu e que tem que seguir por seus próprios passos e não necessariamente pelos que eu creio serem os melhores. Notei que às vezes eu dizia “e se você der a volta, filha?” e ela parava, pensava e tomava outro caminho para chegar aonde queria. Claro que ainda é uma criança. Mas se eu continuar a tratá-la como criança para sempre é uma criança que ela sempre será.

Com um ano e meio de vida, eu já não lavava mais as suas mãos. Comprei um banquinho e a ensinei a subir, enxaguar, ensaboar, secar, descer, dobrar o banco e o guardar no lugar. Faço meu café a quatro mãos, pois é ela quem apertava todos os botões da máquina – extremamente sorridente por ter ajudado a fazer o café do papai com seus próprios talentos e suas ações. Ela não faz ideia do que seja medo do escuro, entra e sai de lugares com a luz apagada com a maior tranquilidade, tateando paredes e móveis para cumprir sua meta, pois desenvolveu segurança suficiente para isso.

Da primeira vez que me pediu um suco eu, em vez de lhe entregar o copo pronto, a sentei ao meu lado e mostrei como se espreme uma laranja (na mão, sem ser no espremedor elétrico). E ela adorou! Como, aliás, adora descobrir que é capaz de realizar as coisas. Superar as dificuldades tornou-se, literalmente, um prazer para ela, uma aventura. Se sobe em algum lugar alto e depois não consegue descer, eu pergunto “e agora?” e ela fica pensando por um longo tempo, arrisca algumas tentativas, vira de costas, estica a perna e… consegue. Fico ali, ao lado, as mãos a um palmo dela para que não caia, mas só lhe dou segurança, procuro ao máximo não interferir. Caso contrário ela vai crescer pensando que o papai vai estar sempre ali pra resolver tudo. E, em vez de ajudar, eu estaria estragando a futura adulta que um dia ela se tornará.

Não sou um daqueles pais corujas que acham seus filhos perfeitos. Não: meus pés estão no chão, conheço as falhas de minha filha e sei que ela não é nenhuma criança prodígio, é normal como qualquer outra. Mas consigo enxergar sua evolução como pessoa. Noto que hoje ela não se deixa abater com facilidade ante os becos sem saída, não tem nenhuma preguiça (eu sou muito mais preguiçoso do que ela) e é capaz de, com confiança em si e uma segurança sólida, realizar as tarefas mais complicadas para alguém da sua idade – com intensa vontade de não desistir na primeira ou na segunda dificuldades. Nem sempre ela consegue – e nem eu espero isso. Mas o que me alegra é que ela sempre tenta, tem iniciativa e corre atrás. Não senta no chão e chora. Dá o seu melhor. E, quando consegue… seus olhos brilham e o sorriso de felicidade contagia. Naturalmente, sou o primeiro a ser contagiado.

Ela também é muito edificada pelo “não”. Quando quer que papai compre uma guloseima, um brinquedo ou qualquer outra coisa, na maioria das vezes sou obrigado a me recusar. “Desculpe, filhinha, papai está sem dinheiro”. Ela fica triste, por vezes insiste ou até chora, mas sou obrigado a manter o meu “não”. Isso tem mostrado a ela que a vida muitas e muitas vezes não nos dará o que queremos. É simples assim e temos de nos conformar com os dissabores que virão pela frente.

Hoje, quando ela fala “pa-paaaai…” não é mais para pedir facilidades. É sempre para pedir um abraço, um beijo, uma demonstração de afeto. Pois em seu curto tempo sobre a terra já descobriu que um pai não é uma mina de bênçãos, mas alguém que mostra caminhos, está presente nas emergências e, acima de tudo, é uma fonte inesgotável de amor. Aliás, deixe-me consertar: nem sempre é para pedir um abraço, um beijo, uma demonstração de afeto. Muitas vezes, é para oferecer um abraço, um beijo, uma demonstração de afeto. Pois ela já aprendeu que um pai que orienta, ampara e está sempre junto nas dificuldades – em vez de fazer as coisas por ela – toma essa atitude por amor. E ela se sente amada em toda e qualquer dificuldade.

Mais do que nunca, hoje acredito que o mesmo se dá com o Pai celestial.

Quando olho para as dificuldades da vida tenho a nítida sensação de que Deus faz o mesmo conosco. Ele não nos dá as coisas de bandeja. Permite que cadeiras e pianos fiquem no caminho e pergunta “e agora? Como você vai resolver isso?”. Pois creio que o Senhor quer que cresçamos, amadureçamos, nos solidifiquemos. Moleza não nos ajuda em nada. Tenho primos cujos pais eram os mais ricos da família, foram mimados a vida inteira e ouvi mais de uma vez meus tios dizerem que “queriam dar a eles aquilo que eles próprios não tiveram”. Hoje meus tios não estão mais entre nós. E de todos os primos da familia logo esses são os mais desajustados, sem rumo na vida, perdidos. Pois não passaram pela escola da dificuldade.

Não, não creio que o diabo nos infernize tanto quanto imaginamos. Pois ele não é bobo e sabe como as dificuldades nos fazem crescer e nos aproximam de Deus. O que é tudo o que Satanás não quer. O objetivo do diabo é que nossas almas vão para o inferno e não que nosso carro quebre ou percamos o emprego. Acredito muito mais que o inimigo quer nos dar boa vida aqui para perecermos mais adiante do que criar mil dificuldades que nos façam crescer. Simplesmente não faz sentido. Se tudo está calmo demais nos meus dias… começo a desconfiar. Quando Satanás fustigou Jó foi para que blasfemasse contra Deus e não porque queria sadicamente ver aquele homem sofrer. Satanás, acredite, não é tão raso assim. Ele pensa grande, pensa lá na frente e age sempre preocupado com a eternidade. Deus também.

Deus permite que no mundo tenhamos aflições. Mas ele está sempre ao nosso lado, para nos dizer “mas tende bom ânimo…”. Deus permite a dor e o sofrimento, mas está com as mãos sempre a um palmo de nós, para nos dizer “a minha graça te basta”. Deus permite que passemos por situações em que nos sentimos perdidos num labirinto, sem saber para onde ir ou o que fazer, mas Ele está conosco todos os dias, até a consumação do século, para nos dizer “entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele…”. Deus permite grandes apertos, para que nos tornemos cristãos maduros na fé o suficiente a ponto de dizer  “Nu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei; o Senhor o deu e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor!”

O título deste post é “Superando as dificuldades da vida”. Mas, pensando bem… não tenho muita certeza se superá-las é o que Deus deseja de nós. Creio que aprender com elas seja algo muito mais produtivo para a eternidade.

As dificuldades da vida não são prova de que Deus nos abandonou. As dificuldades da vida não são prova de que Deus é mau. As dificuldades da vida não são prova de que Deus abriu mão de sua soberania. As dificuldades da vida não são prova de que Deus não existe. As dificuldades da vida não são prova de que Deus quer nos castigar.

Por tudo o que já vivi como pai, hoje creio firmemente que as dificuldades da vida são, isso sim, uma das maiores provas do amor de Deus por nós.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Existe um problema extremamente sério quando falamos sobre pecado/perdão: é muito comum encontrarmos pessoas que foram perdoadas por Deus mas que não conseguem perdoar a si mesmas. Junte-se a isso recaídas no mesmo pecado e uma Igreja que em sua grande maioria infelizmente ainda não aprendeu a perdoar… e o resultado final é devastador: irmãos e irmãs em Cristo achatados pela própria pecaminosidade, que se veem como indivíduos menores, indignos da graça de Deus, sem possibilidade de perdão. E, quando isso ocorre, o peso da própria natureza pecadora torna-se tão esmagador e a percepção equivocada de um Pai que fechou as comportas da graça tão presente que muitos acabam abandonando a fé e se afastando de Jesus por se julgarem incapazes de viver o Evangelho. Se é o seu caso, leia com muita atenção: você está enganado. Graças a Deus, literalmente.

O que me motivou a abordar esse assunto foram dois comentários postados no APENAS que me deixaram com o coração apertado. Os reproduzo abaixo. O primeiro é de um irmão:

“Partindo da analogia, estou completamente infectado. O sistema ainda consegue operar, mas estou sentindo-o a beira de uma pane completa. Ainda consigo ler seus escritos e de outros poucos sites sérios, mas de fato, a contaminação é tamanha que não consigo colocar em prática os conselhos, admoestações, alertas que posso considerar, sem medo de errar, inspirados por Deus. Já estou tão machucado de cair de abismo em abismo, que não me sinto seguro com ninguém, visto que deixei a igreja e mesmo o convívio com alguns irmãos mais chegados eu abandonei. Seu texto me ajudou a enxergar uma necessidade imensa da qual eu já havia esquecido, a de chamar pelo Pai e sobretudo acreditar. Mas me sinto tão sujo e amaldiçoado, envergonhado que nem sei se se consigo acreditar que ele venha. A dúvida já tomou a minha mente há algum tempo: será que Ele desistiu de mim?”

O segundo desabafo veio de uma irmã:

“Mauricio, não tenho conseguido aceitar essa graça. Eu tenho caído sempre. Não me lembro de um compromisso ou voto que fiz ao Senhor que tenha cumprido. Toda vez eu me coloco diante da presença do Senhor e me arrependo, choro, sinto o perdão Dele. Mas basta passar alguns dias para eu cair e deixar de orar ler como antes. Então hoje eu me sinto cansada. Cansada de sempre me arrepender e depois começar tudo novamente. Não consigo me manter firme, apesar dos cargos na igreja, apesar do respeito dos irmãos pela minha conduta. Que na verdade diante de Deus não é a mesma coisa. A minha vida tem sido dividida em duas, entre a minha conduta cristã na igreja e entre os familiares e finalmente a realidade diante de Deus, que não passa de uma pessoa inconstante em seus caminhos.”

Assim como esses irmãos, muitos e muitos estão tão feridos pelas próprias falhas que perderam as forças. Mais do que eu responder a isso, preciso mostrar o que a Palavra de Deus fala a esse respeito. O salmo 103 dá muitas informações:

“É ele que perdoa todos os seus pecados e cura todas as suas doenças, que resgata a sua vida da sepultura e o coroa de bondade e compaixão, que enche de bens a sua existência, de modo que a sua juventude se renova como a águia. O Senhor é compassivo e misericordioso, mui paciente e cheio de amor. Não acusa sem cessar nem fica ressentido para sempre; não nos trata conforme os nossos pecados nem nos retribui conforme as nossas iniquidades. Pois como os céus se elevam acima da terra, assim é grande o seu amor para com os que o temem; e como o Oriente está longe do Ocidente, assim ele afasta para longe de nós as nossas transgressões. Como um pai tem compaixão de seus filhos, assim o Senhor tem compaixão dos que o temem; pois ele sabe do que somos formados; lembra-se de que somos pó” (Salmos 103.3-5; 8-14)

Vemos, assim, que:

1. Deus perdoa TODOS os pecados (exceto a blasfêmia contra o Espírito Santo);
2. Deus nos coroa com bondade e compaixão. E compaixão significa agir conosco como não merecemos;
3. Deus é paciente, ao contrário do homem Ele não perde a paciência: se nos manda perdoar 70X7, imagine o quanto Ele não nos perdoa;
4. Deus é cheio de amor. E a maior expressão de seu amor é a graça que salva (Jo 3.16);
5. Deus não é acusador. Isso é papel do diabo (Ap 12.10);
6. Deus não nos trata conforme nossos pecados, mas segundo a Cruz de Cristo;
7. Deus não é vingativo, Ele não retribui conforme nossos pecados, mas segundo Sua graça;
8. Deus nos perdoa a tal ponto de nossos pecados que os afasta de nós, metaforicamente, como o Oriente do Ocidente. Creia: é muita distância;
9. Deus conhece seus filhos e entende a nossa natureza. Embora odeie o pecado, compreende o poder que ele tem sobre nós. Por isso perdoa constantemente, vez após vez. Ele não se conforma com nossos pecados, mas nunca, jamais, se cansa de exercer sua misericórdia e graça.

Diante desses pontos, responda você: Deus desiste de alguém?

O próprio Jesus responde isso, em João 6.37: “Todo o que o Pai me der virá a mim, e quem vier a mim eu jamais rejeitarei”. Não, Jesus não rejeita aqueles que vão a Ele pela graça. Isso significa que Ele não desiste de nenhum dos seus. E você, meu irmão, se acha que o Cordeiro de Deus que veio justamente para tirar os pecados do mundo desistiu de você por causa dos seus pecados… saiba que essa não é uma verdade. Pense melhor sobre isso. Mas não pense com base na atitude impiedosa de muitos irmãos, que tratam o pecador como lixo. Pense com base na Palavra de Deus, que trata o pecador sempre com o intuito de botá-lo de pé, com perdão e reconciliação, e nunca visando à segregação e ao isolamento. Quem pisa no ferido é o homem: Jesus nunca faz isso. Nunca.

O propósito de Jesus ter vindo à terra é exatamente reconciliar a humanidade caída com o Todo-Poderoso. “Eu lhes digo que, da mesma forma, haverá mais alegria  no céu por um pecador que se arrepende do que por  noventa e nove justos que não precisam arrepender-se”, disse Jesus em Lucas 15.7. Isso soa a você como vindo de alguém que está disposto a reter a sua graça e a estabelecer limites para seu perdão?

Isso é o básico. Agora gostaria de tratar pontualmente algumas questões contidas no desabafo do irmão citado acima:

1. “A contaminação é tamanha que não consigo colocar em prática os conselhos, admoestações, alertas”- a contaminação cessa quando há arrependimento sincero e confissão de pecados. Provérbios 28.13 deixa claro:  “O que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia”.  O caminho para se “descontaminar” é o arrependimento seguido de confissão, com o firme propósito de não mais cometer aquele pecado. Um exemplo claro são as palavras de Davi no salmo 51, escrito após seu adultério seguido de assassinato. Repare que ele se derrama em arrependimento e confissão sinceros e na parte final do que transcrevo aqui ele demonstra saber que a “descontaminação” vem e o deixa “mais branco do que a neve”:

“Tem misericórdia de mim, ó Deus, por teu amor; por tua grande compaixão apaga as minhas transgressões. Lava-me de toda a minha culpa e purifica-me do meu pecado. Pois eu mesmo reconheço as minhas transgressões, e o meu pecado sempre me persegue. Contra ti, só contra ti, pequei e fiz o que tu reprovas, de modo que justa é a tua sentença e tens razão em condenar-me. Sei que sou pecador desde que nasci, sim, desde que me concebeu minha mãe. Sei que desejas a verdade no íntimo; e no coração me ensinas a sabedoria. Purifica-me com hissopo, e ficarei puro; lava-me, e mais branco do que a neve serei”. 

2. “Já estou tão machucado de cair de abismo em abismo…” – esse é um grande problema. A sucessão de pecados mina as forças. Mas Paulo nos diz, ao falar sobre o famoso espinho na carne, em 2 Coríntios 12: “Mas ele [Deus] me disse: ‘Minha graça é suficiente para você, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza’. Portanto, eu me gloriarei ainda mais alegremente em minhas fraquezas, para que o poder de Cristo repouse em mim.  Por isso, por amor de Cristo, regozijo-me nas fraquezas, nos insultos, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias. Pois, quando sou fraco é que sou forte”. Paulo deixa claro que nosso momento de maior fraqueza é a maior oportunidade que temos para nos abrirmos para Deus, confessarmos a Ele nossa incapacidade humana e rogarmos para que ele assuma as rédeas de nossa vida. Nossos momentos de queda nos mostram o quanto não somos nada e o Senhor é tudo.

Assim, buscamos nele a força que não temos. Somos machucados por nós mesmos, minamos nossas próprias forças, mas o bálsamo celestial está sempre pronto para ser derramado em nossas feridas. É promessa de Cristo: “Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso”. (Mateus 11.28). Há descanso em Cristo. Há cura. Há restauração. Há novas possibilidades. O abismo nunca é o ponto final: é a vírgula antes de se chegar aos pastos verdejantes.

3. “Deixei a igreja e mesmo o convívio com alguns irmãos mais chegados eu abandonei” – esse é um dos grandes erros que podemos cometer. Embora a maior parte das igrejas esteja cheia de pessoas que não sabem perdoar e de irmãos que tratam quem peca como leprosos em vez de fazer o que Jesus ensinou – estar perto, ajudar na restauração, amar, doar-se pelo outro – ainda assim é ali que podemos ouvir a boa Palavra, onde celebraremos a Ceia, onde poderemos ser úteis ao próximo. “Não deixemos de reunir-nos como igreja, segundo o costume de alguns, mas encorajemo-nos uns aos outros, ainda mais quando vocês vêem que se aproxima o Dia” (Hb 10.25). Nunca podemos permitir que o pecado nos afaste da família de fé. Só quem quer isso é o diabo.

4. “Mas me sinto tão sujo e amaldiçoado, envergonhado que nem sei se se consigo acreditar que ele [o Pai] venha” – o cristão que peca precisa ter consciência de que, se ele verdadeiramente se arrepende de seu pecado por mérito da cruz, “agora já não há condenação para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8.1). Aqui cabe a leitura de todo o capítulo 15 do evangelho segundo Lucas, onde Jesus conta três parábolas sobre o mesmo tema: a da ovelha perdida, a da dracma perdida e a do filho pródigo. Todas versam sobre a alegria do Pai em reencontrar aquele único filho que se havia desgarrado.

Não existe sujeira ou maldição para quem se sente envergonhado pelo que fez, disposto a mudar de atitude, pois essa vergonha demonstra que há arrependimento. E, se há arrependimento, tudo o que o Pai espera é que o filho volte para casa, onde será recebido com um abraço e lágrimas de alegria, uma roupa nova, um anel no dedo e um grande banquete celestial. “Há alegria na presença dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende” (Lc 15.10).

5. “Será que Ele desistiu de mim?” – Não. Deus não desiste de nenhum dos seus, por mais que eles estejam comendo a comida dos porcos. Cabe novamente frisar João 6.37: “Todo o que o Pai me der virá a mim, e quem vier a mim eu jamais rejeitarei”.

No caso do depoimento tão sincero e dolorido da irmã, a vemos enfrentar aquilo que todos nós enfrentamos: os “pecados de cabeceira”, aqueles que são os mais difíceis de evitarmos. Os que mais nos seduzem, que mais nos arrastam de novo e de novo para longe de Deus. Nesse caso, além das disciplinas espirituais (oração, leitura das Escrituras e jejum, entre outras), é importante ter um confessor. Essa precisa ser uma pessoa de confiança, muito bem escolhida, alguém que vai te amparar, te ouvir, orar com você, te aconselhar, estar perto nos momentos de tentação. Alguém que vai segurar sua mão e se recusará a largá-la enquanto você não estiver totalmente de pé pelos pecados que te derrubaram e pronto para enfrentar os que estão pela frente.

Evite buscar como confessores os indiscretos, os inconstantes ou os néscios. Busque irmãos ou irmãs sólidos e corretos, pessoas que serão colunas ao seu lado, que vão fortalecê-lo e ajudá-lo a estar firme. Se você encontrar alguém assim (pode ser seu pastor ou um(a) amigo(a) espiritualmente maduro), terá ao seu lado uma  bênção enviada pelos céus para ajudá-lo a se manter longe dos pecados.

A caminhada cristã não é fácil, meu irmão, minha irmã. O pecado nos espreita dentro de nós. O diabo está ao derredor buscando quem possa tragar. E a união da nossa própria natureza pecaminosa com as forças espirituais da maldade são nitroglicerina, prestes a explodir a qualquer momento. Mas nossos olhos devem estar além, na cruz, na graça, no perdão ilimitado de Deus. Se você está mal por enfrentar pecados dos quais não consegue se livrar, busque ajuda. Primeiro e antes de tudo, no Senhor. Segundo, em irmãos sólidos na fé, que vão te aconselhar, amparar e caminhar com você. Tentar lutar suas lutas sozinho por vezes é muito difícil e, sem Deus e o amparo da Igreja piedosa, temos tudo para falhar e cair.

Oro por cada irmão e irmã que está em guerra contra os próprios pecados. Que consigam encontrar em Cristo e em confessores e mentores abnegados a força que lhes falta. Que consigam vencer a si mesmos. Que entendam que a Deus não interessa nos abandonar – Deus não é como os homens e nunca vê nos pecadores casos perdidos, mas indivíduos que têm tudo para serem bem-sucedidos. Oro para que compreendam a dinâmica de arrependimento-confissão-abandono de pecados-perdão-restauração. E que, em vez de entregarem os pontos por se sentirem amaldiçoados e incapazes, encontrem na graça de Deus a paz que Ele está sempre pronto a dar.

Deus te perdoa, meu irmão, minha irmã. Ele não é um carrasco, mas um Pai bondoso e amoroso. Deus não age impiedosamente como os homens, Deus é piedoso e age com misericórdia – e temos de enxergá-lo como tal. Siga em frente, de cabeça erguida. E desfrute do amor daquele que te fez filho não para desistir de você, mas para caminhar contigo todos os dias, bons e maus, até a consumação do século.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Spams são uma das maiores pragas para os usuários de internet. Não tenho nem de explicar: se você está lendo este artigo é porque é usuário da web. E, se navega no mundo cibernético, já foi vítima de spam. “Ganhe dinheiro sem sair de casa”, “Aumente o tamanho do pênis” (desculpe se isso te escandaliza, mas esse chega todo dia), “Viagra com 50% de desconto”, “Livro da AD Santos é destaque da revista Quem” e inutilidades do gênero lotam nossa caixa de entrada de e-mails, trazendo consigo desde vírus até a mera chateação de ter que ficar deletando cada um. Mesmo o espaço de moderação de comentários do APENAS sofre com isso, acredite. A cada comentário legítimo, entram três spams, em média. Recentemente, um irmão me mandou um comentário indignado (com toda razão): “Não entendo quando vejo em blogs tal como o seu e outros de conteúdo evangélico, voltados para edificação da igreja, banners de propagandas totalmente contrárias à fé evangélica em Cristo Jesus, tal como o que vejo acima, oferecendo os serviços de um vidente de nome tupak ou tupac, e em outro caso que me vem a memória (em outro blog), quando vi ali propagandas da medalha milagrosa”. Pois é, spams nos atacam até como banners não solicitados e não aprovados em nosso blog. Como esse aqui abaixo, que acabou de aparecer na página enquanto eu fechava este texto, de “Tara, a médium visionária”. São incômodos, indesejados, prejudiciais, chegam sem que queiramos, invadem nossa privacidade, geram em nós sentimentos ruins. E em nossa vida espiritual há um tipo de spam muito pior do que esses, que não só irritam e causam confusão como nos fazem muito mal. Chama-se pecado.

Nenhum cristão quer pecar. Tenho absoluta certeza que, se você tem o coração em Cristo, a última coisa que quer fazer é desobedecer e entristecer o teu Salvador. E não estou falando de joio, mas de cristãos sinceros, tementes a Deus, honestos em sua devoção. Só que, de repente, quando menos se espera, seu firewall falha e eis que entra no inbox da sua alma um spam enviado pela sua natureza pecaminosa com auxílio de um hacker chamado Satanás. Pode vir em formas diversas: pensamentos maldosos, desejos ilícitos, cobiças impróprias, sentimento de vingança, vaidade odiosa, maledicências nocivas, invejas desnecessárias, glutonaria despropositada… são muitas. Elas invadem sua caixa de entrada na forma de tentações. Furaram as defesas, o antivírus não pegou, o antispam foi ineficaz e lá está ele. Não teve jeito, alcançou seu coração. E agora?

Agora há dois caminhos. Ao detectar o spam indesejado você pode deletá-lo apertando o botão da oração, clicando no comando da leitura bíblica, arrastando-o para a pasta do fruto do Espírito ou pondo na quarentena das disciplinas espirituais. O outro caminho é cedendo à tentação e abrindo o email, deixando que o vírus escondido dentro do spam do pecado contamine todo o software da sua alma. E aí a coisa fica feia.

Uma vez que o spam do pecado cumpriu o seu papel, a sua máquina começa a funcionar mais lentamente. Some a vontade de ir à igreja, a concentração na hora da oração se dispersa, a leitura das Escrituras diminui ou some, um abismo vai chamando outro abismo. Nenhum computador foi feito para ser contaminado, assim como nenhum cristão deseja pecar, mas se o spam foi bem-sucedido ao furar os bloqueios, mesmo o mais sincero cristão vai começar a agir segundo a programação que se infiltrou em seu código-fonte de boas obras. Aliás, isso acontece com absolutamente todos os cristãos. O hacker espiritual logrou êxito e conseguiu contaminar todos os computadores espirituais do mundo todo, de todas as eras e em todos os lugares.

Veja como o apóstolo Paulo reconhece com sinceridade e humildade que seu software estava cheio desse spam virulento: O pecado, aproveitando a oportunidade dada pelo mandamento, produziu em mim todo tipo de desejo cobiçoso. (…) Sabemos que a lei é espiritual; eu, contudo, não o sou, pois fui vendido como escravo ao pecado.  Não entendo o que faço. Pois não faço o que desejo, mas o que odeio.  E, se faço o que não desejo, admito que a lei é boa.  Neste caso, não sou mais eu quem o faz, mas o pecado que habita em mim.  Sei que nada de bom habita em mim, isto é, em minha carne. Porque tenho o desejo de fazer o que é bom, mas não consigo realizá-lo.  Pois o que faço não é o bem que desejo, mas o mal que não quero fazer, esse eu continuo fazendo.  Ora, se faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, mas o pecado que habita em mim.  Assim, encontro esta lei que atua em mim: Quando quero fazer o bem, o mal está junto a mim.  Pois, no íntimo do meu ser tenho prazer na lei de Deus;  mas vejo outra lei atuando nos membros do meu corpo, guerreando contra a lei da minha mente, tornando-me prisioneiro da lei do pecado que atua em meus membros. (Romanos 7.11-23).

A descrição de Paulo é perfeita. O spam do pecado aproveita uma oportunidade e produz todo tipo de estragos que o computador originalmente não desejava. O software age sem entender o que faz. Não faz o que foi feito para fazer, mas “o que odeia”. Assim, quem executou o que o spam determina não é o software original, mas o vírus que habita nele. E, deste modo, o computador sai completamente da normalidade, faz o mal que não foi programado inicialmente para fazer. No íntimo, sua programação tem prazer na lei de Deus, mas uma outra força atua em seus sistemas, guerreando contra os códigos originais, tornando o computador prisioneiro do vírus que determina suas operações.

Pronto, a máquina contaminou. O estrago foi feito. Talvez muitos arquivos importantes tenham sido perdidos. Pessoas ao seu redor foram afetadas, como spams que fazem seu e-mail enviar cópias dele para sua lista de contatos. A máquina pode até mesmo travar e parar de funcionar. Páginas pornográficas vão pular na tela à sua frente. Banners de videntes vão escandalizar quem lê sua vida. Softwares de santidade deixam de abrir. Quando se dá conta, o estrago é tamanho que você cai em si, despenca em prantos e fica se perguntando o que tinha na cabeça quando clicou no arquivo executável que veio naquele spam. E tudo parece perdido. Será preciso formatar a máquina. Talvez vendê-la. Não havia backup, então tudo está perdido. Deus…

De repente, chega um e-mail enviado por  “Espírito Santo”, um amigo e conselheiro antigo com quem você costumava andar muito, mas de quem tinha se afastado há algum tempo. Escrito no “subject” vem o assunto: “Graça”. Sentado no chiqueiro da virulência, você abre a mensagem e vê um texto curto, escrito em vermelho cor de sangue, dizendo para você se lembrar que na casa de seu pai há um antivírus muito potente. Que basta você enviar um e-mail escrito “Arrependimento” e seu pai lhe mandará esse antivírus, chamado “Cruz”.

Você faz isso. Para sua surpresa, o Pai não manda o e-mail. Vem pessoalmente instalá-lo na sua máquina. Ele observa com gigantesco amor o seu olhar impotente, insere o DVD da misericórdia e procede a limpeza. Aparece uma mensagem na tela: “O sangue de Jesus está purificando sua alma de todo pecado. Aguarde o fim da limpeza”. Enquanto espera (a limpeza é muito rápida), só dá tempo de ler uma mensagem que o antivírus da Cruz estampa antre seus olhos, escrita pelo apóstolo Paulo: “Miserável homem eu que sou! Quem me libertará do corpo sujeito a esta morte?  Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor!” (Romanos 7.24,25a). Em segundos o software de limpeza informa o fim do procedimento. Na tela, aparece a última caixa de texto do processo: “Portanto, agora já não há condenação para os que estão em Cristo Jesus,  porque por meio de Cristo Jesus a lei do Espírito de vida me libertou da lei do pecado e da morte.  Porque, aquilo que a lei fora incapaz de fazer por estar enfraquecida pela carne, Deus o fez, enviando seu próprio Filho, à semelhança do homem pecador, como oferta pelo pecado” (Romanos 8.1-3).

Seu pai te abraça. Você não tem palavras para agradecer. Lágrimas rolam pelo seu rosto. Todos os programas e arquivos que você julgava ter perdido estão lá, como se tudo tivesse sido feito novo, como se o computador tivesse acabado de sair da fábrica. Você não para de agradecer, os olhos cheios d’água. E promete nunca mais clicar num daqueles spams. Seu pai se contenta em sorrir, como se soubesse que essa é uma promessa que você jamais conseguiria cumprir sozinho. E apenas lhe responde: “Tudo bem. Mas se voltar a clicar num spam não hesite em me chamar. Mesmo se for setenta vezes sete vezes”. Você diz que sim. Sabe que aquele antivírus estará à disposição todos os dias, até a consumação do século.

Seu pai se despede e faz que vai embora, mal sabendo você que ele ficou onde sempre esteve, no mesmo cômodo que você, quietinho, escondido atrás de uma cortina, vendo tudo o que você faz, o DVD na mão. Você está feliz demais. Mas… de repente, um barulhinho no seu computador chama sua atenção. Na tela, uma janela indica: “Você tem 1 nova mensagem”. Quando vai ver, adivinha: é um spam. Você se lembra da promessa feita ao seu pai. Seu dedo paira sobre o botão de deletar. Um pensamento vem: que mal poderia fazer? Vai que te dá algum prazer ou alguma vantagem ler esse e-mail, nunca se sabe. E então… clica.

Atrás da cortina, seu pai se entristece. Abaixa os olhos para o DVD e, falando de si para si mesmo, sussurra: “Antes vocês estavam separados de Deus e, em suas mentes, eram inimigos por causa do mau procedimento de vocês.  Mas agora ele os reconciliou pelo corpo físico de Cristo, mediante a morte, para apresentá-los diante dele santos, inculpáveis e livres de qualquer acusação” (Colossenses 1.21,22).

E então ele sorri um sorriso com gosto de vitória final.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Tenho lido e ouvido muitas coisas sobre o amor cristão. Vozes de todos os lados levantam as mais variadas teorias sobre como deve ser o amor entre nós, que pertencemos à família de Cristo. Já ouvi de tudo. E já vi de tudo. Adeptos de diferentes linhas são bem-sucedidos e malsucedidos em suas vidas amorosas ou afetuosas. Parece não haver a fórmula infalível da felicidade afetiva, que comprove na prática o que muitos defendem na teoria. Por isso fui às Escrituras tentar encontrar uma resposta. Não tenho a petulância de dizer “é assim” ou “é assado”, mas podemos seguir pistas bíblicas que dão uma boa base para responder: afinal, como nós, cristãos, devemos amar?

O amor é algo divino. Quando João diz em sua primeira epístola que “Deus é amor, e aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus, nele”, vemos que amor não é invenção de filmes de Hollywood ou de livros água com açúcar para adolescentes, é uma verdade bíblica e celestial absoluta. O amor existe. E é algo que identifica-se diretamente com a essência do Criador. Tanto é assim que 1 Coríntios 13 nos dá o retrato falado do amor ágape, o amor celestial. Não, não podemos usar esse texto para escrever cartas apaixonadas para nosso namorado ou nossa esposa, o amor a que Paulo se refere aqui é o de Deus e não o dos homens: jamais a humanidade pecadora e imperfeita conseguirá amar desse modo. Na prática é simplesmente um ideal inatingível.

Apesar disso, podemos e devemos ver no amor de Deus um exemplo a ser seguido no amor entre os homens. Quando Jesus diz na famosa passagem de João 3.16, “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”, uma coisa fica clara: o amor que agrada Deus é aquele em que quem ama abre mão de si pelo outro. É o famoso “amor sacrificial”. É o mesmo princípio proposto por Paulo em Efésios 5, onde  lemos “Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados; e andai em amor, como também Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós”. Logo em seguida, nesse mesmo capítulo, vemos a mulher sendo conclamada a submeter-se ao marido e o marido a amar a esposa como Cristo amou a Igreja. Em tudo aqui o que fica claro é o interesse da pessoa amada sendo posto acima do próprio interesse.

Isso traz implicações de proporções inimagináveis. Se você ama alguém vai fazer o que for preciso para que o outro seja feliz. Vai abrir mão do próprio bem-estar pelo do outro. Nem que para isso tenha de destruir sua própria imagem e abrir mão, literalmente, do amor-próprio para que quem se ama trilhe um caminho que será melhor para ele. Se o melhor para quem você ama exige que desconstrua o que ele/ela admira em você, meu irmão, minha irmã, faça. Desglorifique aos olhos do outro o que ele mais admira na sua pessoa. É preciso que quem você ama esteja por cima e você, por baixo, se preciso for. Não foi o que João Batista fez por amor ao seu primo – que ele sabia que era o Verbo? “Convém que ele cresça e que eu diminua” é uma regra sólida do amor bíblico. Por amor à humanidade Filipenses 2.7 mostra que Jesus esvaziou-se de sua glória. Dispa-se da sua também, se é necessário para que quem você ama fique bem.

O amor verdadeiro exigirá grande sacrifício e abnegação. Deus manda Abraão sacrificar o próprio filho, “a quem ama” (Gn 22.2),  para provar seu amor ainda maior pelo Senhor. Se Pedro ama Cristo precisa deixar tudo de si para cuidar das ovelhas do Mestre. Enquanto todos fugiram para cuidar da própria segurança, João, o discípulo amado, correu o risco de ser morto mas não abriu mão de ficar junto ao seu amigo durante toda a crucificação. Abrir mão de si pelo outro. Sacrificar-se. Desglorificar-se. Humilhar-se. Perdoar. Diminuir-se, se preciso for. Caso contrário não é amor bíblico.

O amor cristão necessariamente existe para a glória de Deus. Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo é uma regra elementar dentro dessa visão. Dizer que se ama Deus é fácil, difícil é fazer com que o amor ao próximo como a si mesmo seja fato perceptível. É impossível glorificar o Senhor se você não exerce o amor pelo próximo em atitudes práticas. Aquele que diz que glorifica Deus e ama o próximo, mas põe os próprios interesses acima dos das outras pessoas, não glorifica Deus nem ama o próximo. Quem desampara o próximo não glorifica Deus nem ama o próximo. É por isso que o egocêntrico não glorifica Deus nem ama o próximo: ama o próprio ventre. Crê que o outro existe em função de si. Esquece que Romanos 12.10 afirma: “Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros”. E é muito fácil identificar quem não põe o outro acima de si e, portanto, não ama o próximo nem a Deus – e assim não o glorifica: o tal agirá sempre em seu próprio favor.

O amor bíblico também é belo. Cantares de Salomão nos mostra com clareza que Deus não nos propõe um amor de casamentos arranjados pelos pais ou desprovidos de um sentimento de profundo encantamento pela pessoa amada. Salomão era completamente embevecido pela amada e vice-versa. Amo a Deus não só porque racionalmente há razões para isso: eu o amo também porque Ele me deslumbra. Porque não há um dia sequer em que Ele deixe de atravessar meu coração. Nos períodos de minha vida em que razões variadas me fizeram cego a Cristo em meu coração e o mantiveram apenas na minha razão foi quando cometi os pecados mais torpes e vergonhosos de minha existência.

Não é porque o amor da ficção é romântico que isso desmereça o romantismo do amor verdadeiro. Amor não é uma decisão. Isso soa bacana e espiritual para os ouvidos, mas é um descompasso com a vida real e mesmo com o amor bíblico. Decisão é um dos muitos componentes do amor bíblico. Não fosse assim, como explicar declarações de amor como “Beija-me com os beijos de tua boca; porque melhor é o teu amor do que o vinho” (Ct 1.2); “Eis que és formosa, ó querida minha, eis que és formosa; os teus olhos são como os das pombas. Como és formoso, amado meu, como és amável!” (Ct 1.15,16); e “Sustentai-me com passas, confortai-me com maçãs, pois desfaleço de amor. A sua mão esquerda esteja debaixo da minha cabeça, e a direita me abrace” (Ct 2.5,6)?

Marcos 10.21 nos mostra o encontro de Jesus com o homem que preferiu as riquezas do que dar seus bens aos pobres e seguir o Mestre. Racionalmente o Senhor tinha tudo para chamar aquele rapaz de “hipócrita” para baixo. Mas o sentimento de Cristo por Ele foi empático, compassivo, pulsante. Diz a Palavra: “Jesus, fitando-o, o amou”. Sim, amor bíblico também é um magnífico sentimento. No episódio da ressurreição de Lázaro, Jesus chora de compaixão diante do sofrimento daquelas a quem amava, embora racionalmente Ele soubesse que iria ressuscitar o amigo e que o sofrimento cessaria. Mas o Cristo que despiu-se de sua glória não conseguia despir-se do coração derramado pelos seus irmãos. Deus amou Jacó e aborreceu Esaú (Rm 9.12) – explique-me esse amor pela razão, sendo que Jacó era um detestável trambiqueiro, mentiroso e enganador. Você é pai ou mãe? Tente convencer alguém de que seu amor por seu filho é apenas racional ou “uma decisão”. Boa sorte com isso. Conheço pais de filhos nada amáveis que fazem tudo por eles – e certamente não o fazem porque é o certo a ser feito, mas porque são unidos por um sentimento profundo. Por que entre marido e esposa o sentimento também não deve ser considerado no ponto de partida? Por que o amor entre homem e mulher seria um mero ato que tem sua gênese no racional? E por que amar o próximo deveria desconsiderar afetos? Repare com atenção e perceberá que, em geral, pessoas mais cerebrais fazem muito menos pelos outros do que pessoas afetuosas. Por tudo isso, não vejo base bíblica para a teoria de que amor é, primordialmente e originalmente, apenas uma decisão.

Haveria muito mais a se dizer sobre o amor bíblico. Mas o resumo é que sou obrigado a concluir que, para que possamos dizer que alguém ama como Deus deseja, é preciso que seu amor seja formado pela tríade razão + ação + emoção. O amor bíblico é razão porque exige critérios no trato com o ser amado, como a opção racional de pô-lo em primeiro plano. O amor bíblico é ação porque exige atitudes práticas que demonstrem esse amor, como a negação e a diminuição de si mesmo em prol do outro. E o amor bíblico é emoção porque se quisermos amar como Deus precisamos sentir em nós o pulsar do sentimento magnífico que o Pai demonstrou ter pelas suas criaturas, o Filho por aqueles por quem morreu e o Espírito Santo por aqueles a quem estende sua maravilhosa graça.

Ame com esse amor. Pois embora nenhum homem seja capaz de amar com o amor ideal, buscar essa meta o aproximará mais daquele que é a fonte, a expressão máxima e a mais pura essência do perfeito amor.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício.