Arquivo de julho, 2013

A área de administração do APENAS é rica em estatísticas. Permite que eu saiba quais foram os posts mais lidos, quem escreve mais comentários, a que horas do dia houve mais acessos, esse tipo de coisa. Alguns blogueiros são motivados e movidos pelas estatísticas, já eu confesso que raramente acesso essa seção. Esta semana o blog ultrapassou os 800 mil acessos desde sua criação e, por isso, acabei entrando nessa área do site. Movido pela curiosidade, pela primeira vez espiei qual é o link mais clicado de todos. Confesso que eu esperava que fosse o de algum dos livros que escrevi, de alguma das indicações dos links recomendados, dos vídeos do Youtube com os evangelhos de Mateus e Marcos em áudio ou algo assim. Algo de fato relevante. Para minha surpresa e espanto, porém, com alguns milhares de cliques, o link mais acessado do APENAS é…

…minha foto.

Ahn?! Minha foto? Com tantas coisas mais importantes, com links para livros extremamente edificantes, para blogs e sites de alta qualidade, para posts antigos que podem abençoar, para tanta coisa útil, o que foi mais clicado é a imagem do meu rosto. Eu até entenderia se fosse a página do “Quem sou eu”, afinal é importante saber quem é a pessoa que escreve aquilo que lemos, qual é sua formação e em que crê. Mas não: é a imagem de minha face que, disparado, tem milhares de acessos. Não quero dizer quantos por razões pessoais, mas, para você ter ideia, o segundo link mais clicado do blog tem somente 25% da quantidade de cliques da minha foto.

A inesperada constatação me fez pensar: por quê? Por que em um blog em que o principal são as palavras, as ideias, as reflexões e os conceitos, o que mais desperta a curiosidade das pessoas é uma imagem? Que, convenhamos, não diz nada. Que diferença faz se tenho orelhas de abano ou se uso óculos fundo de garrafa? A realidade é que vivemos numa época em que o visual é extremamente valorizado. A meu ver, muito mais do que deveria. Vivemos numa civilização que dá um peso gigantesco àquilo que nossos sentidos captam, muito mais do que àquilo que nosso cérebro formula e que nosso coração move.

Lembro-me de quando, poucos anos atrás, cientistas usaram um software para tentar recriar como teria sido o rosto de Jesus, a partir de informações étnicas dos homens israelitas do primeiro século. E me recordo de ter pensado “para quê?”. Pois que diferença faz se Jesus foi alto ou baixo, de nariz arrebitado ou adunco, com barba rala ou comprida, de queixo pontudo ou quadrado? Os traços do invólucro físico em que encarnou o Filho de Deus é irrelevante, muito mais importam suas boas novas, sua mensagem, seu sacrifício, sua história. A aparência física pouco proveito tem. Mas ainda assim há quem invista dezenas de horas e muito dinheiro para tentar imaginar como teria sido o rosto de Cristo (e, certamente, o resultado é a mais pura especulação). Quanta vaidade…

Damos excessivo valor à aparência de nossos santuários em detrimento do que acontece ali dentro. Saímos dos shows gospel comentando os efeitos visuais e nos esquecemos de falar de Jesus. Nos importamos demais com as camisas do congresso jovem da igreja e de menos com a preparação em oração para o evento. Julgamos a santidade de um cristão pelo aspecto externo em vez de pelo coração e os frutos. Em muitas denominações ainda discriminamos o irmão pelo que veste. A verdade é que nossa civilização é escrava do visual. Dependente dos sentidos. Amante das aparências. Isso fora ou dentro das igrejas.

Devemos nos perguntar: será que eu e você estamos nos deixando levar por isso? Será que temos apreciado mais a casca do que o miolo? Até que ponto nossa espiritualidade está atrelada a imagens e aparências? Pior: tratamos de forma diferente quem entra pelas portas da igreja dependendo de como a pessoa aparenta? Discriminamos o feio? Priorizamos o rico? Menosprezamos o pregador de terno mal ajustado? Acolhemos de igual modo o elegante e o maltrapilho?

Eu realmente fiquei triste por minha foto ser o link mais clicado do blog. Estou pensando seriamente em removê-la. Porque, sinceramente, num espaço sobre as coisas de Deus, meu rosto é o que menos importa. Nos quatro livros de minha autoria já publicados me recusei a pôr minha foto na contracapa, pois meus traços físicos não importam, o que tem relevância são as palavras e ideias ali contidas. No APENAS, o princípio é o mesmo. Afinal, será que se eu fosse vesgo, banguela ou careca isso mudaria o valor daquilo que penso? Porque, se analisarmos bem, é o que pensamos e cremos que dita nossas ações. E são nossas ações que demonstram quem somos. Pois são os frutos, e não a cor das folhas, que revelam quem é a árvore.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

P.S. Este post não está sem fotos por acaso.

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Em mais de dois anos de existência do APENAS, nunca reproduzi posts de outros blogs. Mas sábado passado o companheiro Renato Vargens publicou um texto tão lúcido e pertinente (para não dizer “brilhante”) que decidi reblogar. Você lê o original AQUI.

Por Renato Vargens

Antes de qualquer coisa preciso afirmar que não sou católico e que respeito a opção de fé de quem quer que seja. Afirmo também que possuo sérias divergências com o Catolicismo Romano quanto a aspectos doutrinários e teológicos os quais considero fundamentais. Discordo da veneração dos “Santos”, da “mariolatria”, da infabilidade papal, do ecumenismo, de sua soteriologia universalista, bem como de sua cristologia miscigenada.

Isto posto, vamos ao artigo:

A vinda do Papa Francisco ao Brasil tem despertado não somente a atenção da população em geral, como também dos evangélicos que não se cansam de elogiar o bispo de Roma. Basta olharmos as mídias sociais que constataremos isso. Na verdade , tornou-se comum encontramos evangélicos enaltecendo publicamente a postura simples do Papa. Diante disto resta-nos indagar o por que de tal comportamento, visto que o protestantismo possui inúmeras divergências teológicas com o catolicismo romano. Na minha opinião a valorização do Papa se deve em parte a insatisfação que os evangélicos tem feito quanto ao comportamento de alguns dos seus líderes, senão vejamos:

1- O papa passa uma imagem de simplicidade, enquanto os “apóstolos” tupiniquins ostentam riquezas.

2- O papa demonstra gostar de gente e de se relacionar com o povo, já os “apóstolos” tupiniquins preferem a ostentação de títulos eclesiásticos, além é claro da nítida e clara separação do restante do povo.

3- Ainda que tenha MUITO dinheiro, mesmo porque a Igreja Católica Romana é milionária, O Papa Francisco ostenta uma vida simples, sem muitas riquezas que se reflete na forma com que vive; já os “apóstolos” tupiniquins, fazem questão de ostentar riqueza, poder e glória.

4- O Papa Francisco demonstrou simplicidade em voar num avião comercial, em carregar sua própria mala, em dormir num mosteiro numa cama de solteiro, em andar em carro comum, em se relacionar com o povo sem protocolos, pompa ou exigências. Já os “Apóstolos” tupiniquins andam de avião particular, exigem hotéis cinco estrelas, além é claro de exigirem uma série de obrigações a todos àqueles que os convidam para pregar o Evangelho de Cristo.

5- O Papa tem falado de Cristo, os “apóstolos” tupiniquins só falam em dinheiro.

Caro leitor, a falta de compostura por parte de alguns dos líderes evangélicos, além é claro das heresias propagadas por “apóstolos” fraudulentos que teimam em contrapor-se aos ensinos das Escrituras, tem levado aos cristãos protestantes desse imenso país a valorizar pessoas como Francisco, que mesmo tendo uma fé diferente do protestantismo histórico, comporta-se (pelo menos aparentemente) como homens de Deus deveriam se comportar.

Pense nisso!

Renato Vargens

Mao1Hoje passei algum tempo observando as palmas de minhas mãos. Não sei se foi a iluminação de meu escritório em dia nublado, mas, pela primeira vez, notei que elas apresentam uma série de linhas que, em breve, se tornarão rugas. Confesso que fiquei um bom tempo entre o admirado e o maravilhado, observando as mãos que me acompanham há 41 anos tomarem o aspecto das mãos não mais de uma criança, um jovem ou um homem novo, mas sim a aparência das mãos de um senhor. É isto: virei um senhor. Olho para as minhas palmas e me vêm à mente as mãos de meu pai. Os fios brancos nas laterais da cabeça e na barba (educadamente chamados de “grisalhos”, numa tentativa de retardar nosso envelhecimento irretardável) há algum tempo já me acompanham, mas sempre foram considerados como uma espécie de “charme quarentão”. Só que rugas na palma da mão… nunca vi ninguém achar charmoso. Portanto, pela primeira vez, me vi senhor. E esse momento de percepção da própria decadência física traz reflexões óbvias – pois estou hoje mais perto do dia em que me verei frente a frente com Deus (para paz ou para juízo) do que do dia em que entrei pelas portas da vida.

Essa percepção nos confronta. Se você ainda é um rapaz ou uma moça, para quem o que descrevi no parágrafo anterior é uma realidade longínqua e meio alienígena, saiba que esse dia também vai chegar para você. Se não chegar é porque aprouve a Deus removê-lo Mao5da vida em idade precoce. Caso contrário, um dia você será um senhor ou uma senhora. Esse processo denuncia que o tempo está passando: começa quando aqueles adolescentes que você ainda acha que são seus colegas começam a te chamar de “moço”. Tempos depois, a namorada do seu priminho de 20 anos te chama de “tio”. Capítulo seguinte: sua sobrinha fala sobre “esses velhos de quarenta anos”. A consciência de que o dia do encontro com o Senhor está mais próximo vai tomando forma lentamente. Você, moça, se agita para casar, pois percebe que todas suas amigas já têm aliança no dedo e “ficar pra titia” soa como uma maldição. Você, moço, de repente percebe que todos os seus amigos de escola já têm filhos. E, um dia, você se pega admirando as linhas de expressão das palmas de suas mãos. Sim: isso vai acontecer com você. Bem-vindo ao clube.

A percepção da idade que avança tem profundas implicações espirituais. Que, em geral, jovens não têm. Jovens estão preocupados em ganhar dinheiro mais do que em deixar um legado neste mundo. Em estufar músculos e queimar celulite mais do que fazer sua vida ter um significado para a humanidade. Em festejar aniversários mais do que preparar aniversários para deixar os outros felizes. Em discutir que nome dará aos filhos mais do que em como fazer seus filhos serem boas pessoas. Em viver bem mais do que em morrer bem. Sim, pois a juventude carrega em si um lindo sonho de infinitude, enquanto a maturidade põe sob os holofotes o final desta jornada e o início da próxima.

Mao2Não trocaria por nada do mundo as rugas nas palmas de minhas mãos. Se encontrasse a fonte da juventude, passaria ao largo, confesso sem hipocrisia. A consciência de vida que possuo hoje não tem preço. Quando você percebe que já está na metade final de sua trajetória terrena (mesmo que ainda faltem três ou quatro décadas para dar aquele curto passo dentro da vida eterna) é como se luzes se acendessem em áreas do pensamento onde antes só havia sombras. A morte deixa de apavorar e a percepção da eternidade faz sorrir. Por favor, entenda que este não é um texto lúgubre: é um texto de alegria e esperança, de maturidade e descobertas, de dar valor ao que é valioso. Pois as linhas nas palmas das mãos denunciam uma realidade nova e empolgante em nossa vida.

Se eu pudesse, diria a todos os jovens: viva hoje como se já houvesse rugas em suas mãos. Em outras palavras: viva hoje sabendo que amanhã você poderá estar na presença de Deus em sua glória eterna. Pois essa percepção mudaria muita coisa em sua vida. Mudaria prioridades, valores, ações, pensamentos. Na verdade… mudaria tudo.

Jesus contou uma história: “A terra de certo homem rico produziu muito bem. Ele pensou consigo mesmo: ‘O que vou fazer? Não tenho onde armazenar minha colheita’. “Então disse: ‘Já sei o que vou fazer. Vou derrubar os meus celeiros e construir outros maiores, e ali guardarei toda a minha safra e todos os meus bens. E direi a mim mesmo: Você tem grande quantidade de bens, armazenados para muitos anos. Descanse, coma, beba e alegre-se’. “Contudo, Deus lhe disse: ‘Insensato! Esta mesma noite a sua vida lhe será exigida. Então, quem ficará com o que você preparou? ’ “Assim acontece com quem guarda para si riquezas, mas não é rico para com Deus” (Lc 12.16-21).

Mao4As linhas nas palmas das minhas mãos me chamam a isto: ser rico para com Deus. Buscar em primeiro lugar o reino de Deus e sua justiça. Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a mim mesmo. Deixar para trás as futilidades e inutilidades da vida e mirar no que tem valor eterno. Usar o tempo naquilo que de fato importa. Não perder tempo. Sim, creio que esta é uma das principais mensagens das nossas rugas: acabou-se o tempo de perder tempo. Cada segundo é precioso. Vivamos como quem morre, para vivermos plenamente.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

1Uma das atitudes mais incompreensíveis a meu ver para um cristão é a crença de que pessoas não mudam. Pelo simples fato de que pessoas mudam sempre e muito. Ouvi um homem de Deus dizer certa vez que a esposa dele já havia sido casada com sete homens diferentes ao longo da vida – e todos eram ele mesmo. Concordo totalmente. Todos nós somos seres em constante mutação. Por isso, me soa muito estranho ouvir um crente rotular alguém como um caso perdido. Ninguém é um caso perdido. Ninguém é imutável. E, principalmente: o evangelho é sobre pegar o pecador de hoje e transformá-lo no santo de amanhã. Negar isso é negar a cruz. Por isso, discriminar alguém porque pecou é negar o poder de Deus para restaurar aquela vida.

Davi é o exemplo clássico. Se você analisa a trajetória dele do começo ao fim verá o quanto ele mudou. Foi homicida, heroi, adúltero, libertador, soberbo, pai amoroso, sanguinário, homem segundo o coração de Deus, assassino de milhares sem misericórdia. Davi foi um genocida muitas vezes tão ou mais cruel que Hitler e Pol Pot (soa estranho? Releia 1Sm e 2Sm atentando para o que ele fazia com seus desafetos…). Era um cara difícil. No entanto, foi um homem de Deus. Pegue Paulo, que após se converter tem de ficar com um espinho na carne para não se ensoberbecer e, mesmo assim, se põe como o maior dos pecadores. Pegue Abraão, o pai da fé covarde que fingiu por duas vezes que sua mulher era sua irmã com medo da morte. E por aí vai, a lista é interminável: José, Moisés, Pedro, Salomão e tantos outros de humor inconstante, quedas e restaurações, pecados e aprendizados, erros e acertos. Deus acreditou em cada um deles. Devemos fazer o mesmo com os muitos Davi, Paulo, Abraão, José, Moisés, Pedro e Salomão que atravessam o nosso caminho.

Me recuso a olhar para quem quer que seja e dizer que fulano não tem mais jeito. Se eu fizer isso estarei negando a mensagem do evangelho e o poder de Deus. Até porque, sejamos francos, eu já cometi cada pecado tão horripilante – após minha conversão – que não tenho a mínima moral para falar de ninguém. Parabéns se você nunca cometeu (o que, honestamente, duvido). Mas a minha restauração após meus inúmeros erros me mostram na pele e na alma o quanto Deus pode pegar um comedor de bolotas dos porcos e reconduzi-lo ao ponto de onde nunca deveria ter saído.

Temos de cessar os apedrejamentos dentro das igrejas. Alguém pecou? Ame. Aproxime-se. Exorte. Pregue. Não abandone. Não dê as costas. Houve arrependimento? Bem-vindo, meu irmão, minha irmã. Bem-vindo de volta ao teu lar. Dá cá um abraço e vamos em frente. Esse é o nosso papel. Porque meter o malho em pecadores e desacreditar vidas é a coisa mais fácil do mundo, mas agir à semelhança do Cristo misericordioso é o que demonstra o quão maduros espiritualmente somos.

Pecadores sem arrependimento são um problema. Mas pecadores sem arrependimento são, também, potenciais futuros arrependidos. Não desista de ninguém. Não crucifique os que erraram. Deus sabe que somos pó e é importante que nós saibamos também. Algo que eu incorporei a minha vida é: só desisto de um pecador quando ele morre. Porque, até o momento de seu último suspiro, haverá chance de ele estar com Jesus no paraíso. Isso é licença para pecar? Jamais. A realidade do perdão não é um incentivo para o erro. Mas é um estímulo para amar quem peca.

Jesus veio para curar os enfermos – de corpo e de alma. Perdoar setenta vezes sete, vezes sete, vezes sete, vezes sete, vezes sete… Sarar almas doentes pelo pecado. O grande mandamento inclui amar o próximo como a si mesmo. E a maior expressão de amor são o perdão e restauração, que o diga João 3.16.

Que venham os pecadores. Que eles lotem nossas igrejas. Que ali encontrem um abraço amigo, e a pregação do evangelho do arrependimento, perdão e restauração. Pois aí o reino de Deus estará se fazendo presente. Fora disso é só vaidade e correr contra o vento.

Ame o pecador. E acredite nele. Pois Jesus nunca deixou de acreditar em você quando você cometeu os piores pecados de sua vida.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Volei1Estou escrevendo este texto dentro do Maracanãzinho, entre um set e outro do jogo da seleção brasileira de vôlei contra os Estados Unidos, pela Liga Mundial. Sempre fui mais das bibliotecas do que dos estádios, mas quando se ganha convites de graça e está com parentes de fora do Rio hospedados na sua casa, parece que surge uma obrigação para ir ao ginásio. Então viemos. Confesso minha ignorância: tirando o técnico, Bernardinho, não conheço nenhum jogador. Sei que eles são bastante altos e, segundo minha priminha, “lindos”. Tudo bem, acredito. Não acompanho nenhum campeonato, não estou por dentro da tabela e reconheço que ainda acho muito estranho o vôlei não ter “vantagem”. Sou velho, fazer o quê? Em resumo: vim como um alienígena, peregrino em uma terra muito estranha. Então sou um torcedor atípico e, por isso, meu olhar acaba sendo mais distanciado. E, admito, é bem interessante uma pessoa tão distante do mundo dos esportes como eu estar em uma situação dessas, pois me possibilita observar com uma visão crítica, diferente da de um fã. O que mais me chama a atenção é como tudo – absolutamente tudo – o que a torcida faz é dirigido, conduzido.

Esqueça tudo o que você vê na TV: nada é espontâneo. Nada. Nos dizem o tempo inteiro o que temos de fazer: o que cantar, o que gritar, quando sentar, quando levantar as mãos, em que momentos dizer tal e tal coisa. Todas as vibrações, as olas, o batuque com esses tubos infláveis amarelos e até o ritmo da batucada tem alguém conduzindo: um DJ com cocar de índio dita o ritmo em que o povo bate palmas e os bastões. A cada saque do Brasil mensagens no telão dizem quando devemos gritar “Ace!”. E quando parar.

20130715-000208.jpgAs vibrações nos intervalos dos sets são regidas por um “animador de auditório”, que, de microfone na mão, parece o Sergio Mallandro, fazendo todo tipo de palhaçadas. Músicas, com letras na tela, aparecem nos telões como um gigantesco videokê, que nos diz o que cantar, em que ritmo e, de novo, quando parar. Lamento, CBV, mas não vou cantar “vai, popozuda, vai, vai popozuda” só porque vocês querem. Dizem a hora exata em que devemos emitir os gritos de guerra do tipo “ôôô, Brasil!”. Minha filha, sentada em meu colo, está com a cara seriíssima, sem entender por que as pessoas gritam tanto. “Muito barulho, papai”. Mas tem algo que chama a atenção dela: um cidadão vestido com uma fantasia se jacaré dança alucinadamente, em esforços grandes para fazer pessoas dançarem e pularem quando as câmeras apontam para elas.

Estou vestindo uma camisa amarela, que me foi entregue na porta do ginásio. A logo do patrocinador ocupa todo o peito e tive de procurar bem até encontrar na manga a palavra “Brasil”. É uma camisa do patrocinador e não do Brasil, afinal. Outro aspecto interessante: as câmeras sempre focalizam o lado em que estou. A metade do ginásio que fica atrás das câmeras da Globo está em tons de cinza, dada a mistura de tantas camisas normais. É, quem senta atrás das câmeras não ganha camiseta amarela. Algo me faz crer que só interessa compor um cenário bonito e amarelo para você, que está em casa vendo pela televisão.

Volei3Tem umas pessoas espalhadas pelas arquibancadas com macacões pretos, cheios de luzes coloridas que piscam. Durante as jogadas, as luzes se apagam. Quando há um ponto, quando o técnico pede tempo, no intervalo entre os sets… aí as luzes acendem. Todas juntas, de todas as pessoas contratadas para usar aqueles trajes, visivelmente por um controle remoto, acionado em momentos estratégicos. Pausa. O “Sergio Mallandro” manda todo mundo tirar a camisa amarela e fazer ola ao som e ritmo da valsa “Danúbio Azul”, de Johann Strauss. De repente muda para a música-tema de “Tropa de Elite”, do grupo Tihuana, e todos descobrimos que “agora o bicho vai pegar”. Êxtase geral. Nada como manipular emoções. Para tentar somar, cinco cheerleaders se esforçam para animar o povo. Ninguém dá atenção a elas, tadinhas, afinal as meninas somem em meio ao universo de cores e brilhos. Podiam ter posto umas cem, em vez de cinco, para chamar mais atenção. Ah, peraí… é que “Nívea”, o patrocinador, só tem cinco letras, uma estampada na camisa de cada animadora de torcida: N-I-V-E-A, formam elas. Entendi.

Belo teatro. Mas confesso que me sinto bem manipulado aqui. Minha alegria me soa meio forçada. Como a de todo mundo ao meu redor, na verdade. Quando apareceu minha imagem junto com minha filha entediada no telão senti instantaneamente o impulso de sacudi-la e falar “filhinha, sorri, dá um oi pra câmera!”, como todos são condicionados a fazer. Mas resisti a agir como todos agem e como estávamos permanecemos: sérios. Reparei que a câmera ficou bem menos tempo na gente do que nos torcedores que pulam enlouquecidamente quando são enquadrados pelas câmeras. Compreensível: rostos sérios não combinam com a grande festa que ali está acontecendo. Afinal, espera-se que sejamos alegres integrantes de um coral sendo regido pela CBV. Ou será pela Globo? Ou pelo DJ? Talvez pelo jacaré.

Ou, penso eu, em vez de coristas somos peças em um grande cenário, formado por marionetes. Por acaso, há uns caras batendo bola no meio de toda essa Disneylândia.

A esta altura, você pode estar se perguntando: mas o que, afinal, essa história toda tem a ver com um blog voltado à Igreja e às coisas de Deus? Bem… a verdade é que, em muitas e muitas de nossas igrejas, o que acontece não é muito diferente do que vi ali. O quê? Se você pensar bem tenho certeza que vai descobrir.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Mauricio

A Grande Batalha  Espiritual Capa1.

Em nossos dias, muito se fala sobre batalha espiritual. Já se escreveu de tudo sobre o assunto, de livros muito bons a alguns absurdos. Por se tratar de um tema que mexe com o sobrenatural, fascina e atrai muitos. O que a Bíblia fala de fato sobre essa guerra invisível, que tem consequências tão visíveis em nossa vida? O que é bíblico e o que é invenção humana? Qual é, realmente, a grande batalha espiritual que todos vivenciamos?

Um grupo de cinco pastores da denominação de que sou membro se reuniu e escreveu um livro sobre o assunto. Particularmente, considero esse o material mais bíblico que já li sobre o tema. O texto está sendo disponibilizado gratuitamente, somente como livro eletrônico, e pode ser baixado em formato de PDF (para leitura em computadores e tablets ou para ser impresso pelo leitor em sua impressora pessoal).

Com a concordância dos cinco autores, o APENAS está oferecendo esse e-book como presente a você, se tiver interesse de ler. Eu recomendo a leitura, que é bastante fácil e rápida. Para fazer o download do PDF basta clicar no link abaixo. A iniciativa não tem fins lucrativos e o único objetivo (dos autores e meu) é a edificação da Igreja. Por isso, fique à vontade para baixar o arquivo para sua leitura e para repassá-lo a quem desejar. Só não se autoriza a venda, em nenhuma circunstância, desse material sem a autorização expressa dos autores.

Se desejar ler, oro a Deus que esse texto seja muito esclarecedor e edificante para você:

A GRANDE BATALHA ESPIRITUAL

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

plano1Desde que o Senhor me converteu, ouço falar de algo chamado “plano de salvação”. Você também já deve ter ouvido falar disso. Em curtas palavras, seria o planejamento, a estratégia de Deus para redimir a humanidade pecadora. Esse plano seria, em essência, o que devemos pregar para quem não conhece o Senhor, pois revela a realidade perdida e (literalmente) desgraçada de quem existe sem Deus e de que maneira pode se religar ao Criador. A meu ver, nenhuma outra coisa deveria ser pregada ao incrédulo. Nenhuma. No entanto, não é o que tem acontecido.

Que mensagem o mundo precisa ouvir? Uma só: a humanidade desobedeceu o Senhor e por isso afastou-se dele nesta vida e, consequentemente, na próxima. Mas Deus amou tanto esses bilhões de condenados que encarnou como Jesus, para morrer e ressuscitar e, assim, restabelecer o contato entre os pecadores perdidos e o Criador. Uma vez que isso foi feito, tudo o que aquele que não vive em Deus precisa fazer é reconhecer a realidade divina de Cristo e de seu sacrifício na cruz. Pronto. Eis o plano de salvação. Resgate feito. Justificação ocorrida. Salvação concedida. O céu está disponível.

Não consigo entender qualquer outra pregação feita a incrédulos em Jesus. A salvação em Cristo é a urgência. O novo nascimento é a prioridade. Essa é a única mensagem que aquele que está a caminho do inferno precisa ouvir. Se você for pregar para um não cristão, foque no que é o ponto de partida: ele está espiritualmente morto e precisa de vida, que é Cristo. Convido você a prestar muita atenção ao que Paulo diz em Efésios 2:

plan“Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência; entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais. Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, – pela graça sois salvos, e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus.”

Sim, o incrédulo está “morto em seus delitos e pecados”. Morto. Uma vez que ele esteja vivo, aí sim você pode pregar sobre qualquer outra coisa. Pois vivos ouvem. Já mortos são surdos. E, enquanto o morto estiver morto, sua única e exclusiva necessidade é… vida. Só. Nada mais. Então, meu irmão, minha irmã, para um morto pregue vida. Depois pense no resto.

No entanto, nossos tempos propõem outro tipo de pregação. Pregamos para mortos que eles precisam de vitória. Pregamos a mortos que eles precisam de bens materiais. Pregamos a mortos que eles precisam de cura. Pregamos a mortos que eles precisam de prosperidade. Pregamos a mortos que eles precisam de milagres. Pregamos a mortos que eles precisam de bênçãos.

Errado.

Mortos não precisam de nada disso, pois nada disso tem utilidade alguma para um morto.

Temos de mudar nossa pregação. Temos pregado para quem precisa desesperadamente de Cristo que eles necessitam de prosperidade, vitória, cura física… Quem necessita disso se não tem vida?! Meu irmão, minha irmã, zumbis não existem. Zumbis espirituais muito menos.

plano2Se você tem amor pelas almas humanas que estão a caminho do inferno, é hora de oferecer a elas a única coisa que lhes será útil no momento: a vida que está em Jesus Cristo. Pregue isso. Se você é um pregador, por favor, pare de ficar tentando animar auditórios com pregações recheadas de “glória” e “aleluia” mas completamente vazias de sentido evangelístico. Se você for falar para cristãos salvos, aí você prega sobre temas que os vivos precisam ouvir. Mas se quem te ouve são aqueles que estão mortos em seus delitos e pecados, pregue a única mensagem que importa: você pecou, está a um milímetro do inferno, mas Deus amou você de tal maneira que deu seu Filho unigênito para que, se nele crer, não pereça, mas tenha a vida eterna. Creia nele. E viva.

No dia em que a Igreja voltar a pregar Jesus – que é o caminho, a verdade e a…vida – para o incrédulo, voltaremos a ter uma igreja formada por pessoas que amam o Deus que as salvou. Até lá, uma enorme parte da igreja será formada por gente que ama a prosperidade, a cura, as bênçãos, as facilidades. Pois foi isso que pregamos a elas. E foi a isso que se converteram.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício