Arquivo de junho, 2013

Vinte minutos muito bem gastos. Recomendo:

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Paz a todos vocês que estão em Cristo,

Maurício

Marcha1A moda de organizar marchas para Jesus conquistou o mundo. Recebi recentemente de um irmão querido que mora no Japão e acompanha o APENAS um vídeo de divulgação (abaixo) da versão nipônica desse evento, realizado em Nagoya. Pelo que vi, lá o acontecimento carrega traços bem semelhantes aos dos similares organizados em outros locais do planeta, inclusive no Brasil. Ao assistir ao vídeo e refletir sobre esse fenômeno, algumas perguntas brotaram em minha mente: qual é exatamente a finalidade de se realizar esse tipo de evento? Representa evangelismo? Leva à salvação de almas? Glorifica o Senhor? Traz benefícios para o reino de Deus? Meditei longamente sobre isso e meus pensamentos me levaram a uma interessante analogia.

Para muitos, a resposta é indiscutível: uma vez que se está falando de Jesus – e como a palavra de Deus não volta vazia – é evidente que pessoas serão tocadas, haverá conversões em massa, será uma grande celebração do povo cristão, com inegáveis benefícios para a Igreja e glorificação do nome de Deus. Em outras palavras, acreditam de forma arraigada que a Marcha para Jesus é o céu na terra. Jesus está, para os defensores desses eventos, obviamente sendo proclamado e os benefícios são extraordinários. E se você diz que marchas para Jesus são meras articulações políticas e/ou comerciais, certamente você deve estar a serviço do Diabo ou no mínimo é um pecador carnal que deseja sabotar as grandes coisas que os políticos/artistas/empresários/líderes eclesiásticos que organizam tais manifestações querem promover por puro e desinteressado amor a Cristo.

MarchaBudaResolvi, então, fazer um exercício de imaginação. Suponha que, em vez da Marcha para Jesus, uma coalizão de líderes religiosos famosos, seguidores de Siddhartha Gautama, organizasse a Marcha para Buda. Assim, milhares e milhares de budistas, vestindo camisas e portando faixas glorificando Buda sairiam às ruas para celebrar que “o Brasil pertence a Buda”. Veríamos multidões andando sorridentes pelas avenidas, pontes e becos, batendo palmas, saltando, pulando e levantando as mãos. Haveria políticos budistas em cima dos carros de som conclamando a população a se unir em favor da ética e dos valores de seu livro sagrado, além de exaltar Buda com gritos e palavras de ordem. Ao longo de toda a programação, pessoas estrategicamente escolhidas fariam orações para que o país se rendesse a Buda.

Ainda nesse exercício de imaginação, cantores e bandas especializadas em interpretar músicas de louvor a Buda se apresentariam em um grande espetáculo de som e luz – e, para delírio dos participantes, o show seria transmitido em cadeia nacional de televisão. Evidentemente, aos olhos dos fãs, essa transmissão representaria a proclamação máxima de Buda, um inconteste e eficientíssimo evangelismo via satélite, que levaria legiões e legiões de pessoas a abraçar a fé budista. Seria um autêntico comício pró-Buda mescMarchaAerobicalado com uma espécie de “Rock in Rio budista”. Em certos momentos, haveria coreografias semelhantes à dança aeróbica, as pessoas dariam as mãos e gritariam que “Buda ama o Brasil”. Trenzinhos. Gente chorando. Pessoas pulando. Festa total. Quem tivesse acesso ao microfone conclamaria os participantes a “profetizar sobre a nação” ou a “tomar posse” dela. Aos gritos, estimularia o povo presente a declarar que “o país pertence ao senhor Buda”. Usariam totalmente fora de contexto uma passagem do livro “A Doutrina de Buda” em que uma divindade budista prometeria a um de seus generais-profetas que “todo lugar onde puserem os pés eu darei a vocês” para, ferindo toda a boa hermenêutica, garantir que o Brasil pertence a Buda – já que os budistas puseram os pés em solo brasileiro e tomaram posse do solo tupiniquim.

Na ocasião, muitos diriam, ainda, que aquela aglomeração de gente era o prenúncio de um grande avivamento budista que varreria o Brasil. Aliás, muitas pessoas na plateia estariam enroladas na bandeira brasileira. Organizadores exibiriam eMarchaBrasilia2m gigantescos telões depoimentos motivacionais de gente famosa dizendo que aquilo não era só mais uma marcha, mas “um ato profético, um decreto, porque a hora do avivamento chegou”. Outros, contrariando totalmente o conceito correto de avivamento, diriam: “Não vamos esperar o avivamento chegar, mas vamos fazer o avivamento”, sob urros animados dos participantes emocionados. Ao final, todos voltariam felizes e cansados para suas casas, com a certeza de que Buda fora glorificado e que muitas vidas abandonariam o cristianismo, o islamismo, o espiritismo e o ateísmo para abraçar o budismo, graças àquele magnífico e sobrenatural evento. Pelo caminho, levariam suas faixas dizendo “Rio de Janeiro para Buda”, com a certeza absoluta de que aqueles dizeres mudaram a vida de centenas de pessoas que os leram. Talvez milhares.

Claro que no dia seguinte tudo continuaria igual na cidade e na nação – com exceção das muitas pessoas que estariam reclamando dos engarrafamentos provocados pela Marcha para Buda, dos políticos que ganharam muita visibilidade (e votos) e dos empresários que faturaram rios de dinheiro com vendas, anúncios e promoção de artistas.

Naturalmente, essa é uma situação que nunca aconteceu. Nunca vi marchas para Buda, marchas para Alá ou marchas para Iemanjá. Parece que a única fé que vê benefícios nesse tipo de evento é a cristã. Mas fico imaginando se essa ficção de fato acontecesse. Caso eu comparecesse por qualquer razão à Marcha para Buda, me pergunto se abandonaria Jesus porque presenciei uma passeata-show de outra religião. Ou, se visse pela TV, me questiono se ver aquilo me levaria a pensar algo como “realmente, com tantas pessoas falando tanto de Buda, creio que devo me converter ao budismo. Afinal, foram milhares de budistas reunidos”. Em suma, penso muito se eu, como fiel de outra religião, mudaria totalmente minhas crenças porque assisti a uma marcha dessa tal religião. E, finda a analogia, me pergunto se tudo isso se aplica à Marcha para Jesus.

MarchaBrasiliaA essa altura, alguém poderia argumentar que estou desprezando a graça de Cristo. Afinal, Jesus salva de modo sobrenatural, uma vantagem com que as outras religiões não contam. Ok, concordo. Jesus salva sobrenaturalmente por meio da graça, Buda não. Só que aí eu pensaria: mas a graça não alcança também no evangelismo pessoal? Se, em vez de dedicar um dia inteiro para ficar passeando sob olhares  incomodados ou indiferentes dos não cristãos, cantando e pulando em uma marcha-show dessas, cada um dos milhares de presentes investisse o mesmo tempo para compartilhar o evangelho face a face com alguma pessoa… não haveria muito mais conversões? Não é estatístico que as pessoas se convertem a Cristo muito mais pelo convívio e pela pregação de um cristão do que em grandes eventos? Então não seria muito mais lógico que toda a fortuna investida nessas marchas fosse devotada a uma grande campanha de estímulo à evangelização pessoal? Para usar uma linguagem bem mercadológica, o custo/benefício não seria muito maior?

A resposta é óbvia. Só que evangelismo pessoal não gera mídia. Não faz o evangelista anônimo aparecer no Jornal Nacional. Não ajuda a vender produtos gospel no intervalo. Não dá oportunidade a políticos de serem vistos por milhares de eleitores. Evangelismo pessoal só rende uma coisa: salvação de almas. Só que almas salvas não ajudam a vender nada nem a eleger ninguém. Então… façamos marchas.

Sim, eu sei que a essa altura muitos estão me achando um servo de Satanás (onde já se viu comparar a sacrossanta Marcha para Jesus a uma pagã Marcha para Buda!). Peço perdão a você por essa heresia e conto com a sua paciência. Pois o fato é que sou um cristão à moda antiga, do tipo que acredita na pregação pelo exemplo pessoal, na proclamação homem a homem, na mensagem da cruz e não do palco, na graça de um Deus que não precisa de raios laser, holofotes, faixas, banners ou passeatas. Creio naquela ideia ultrapassada de que as passagens bíblicas devem ser entendidas a partir de seu contexto, na ideia estranha para nossos dias de que fé e política partidária não deveriam se misturar. Sim, eu sei que sou antiquado. Mas é interessante não seguir a moda. Afinal, evangelho sempre foi e sempre será contracultura, nadar contra a corrente, fazer o contrário do que o mundo faz. E marchas para Jesus são diferentes do mundo em que mesmo? Ah, sim, usam o nome de Deus. Se usam em vão ou não só o tempo dirá…

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

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Assisti absolutamente estarrecido aos telejornais na sexta-feira passada. As imagens da barbárie que foi a violência em diferentes cidades do Brasil, com atos de vandalismo, depredações, ofensas, agressões, confrontos, roubos de lojas, ataques a bancos e o cerceamento do direito de ir e vir dos cidadãos de bem me deixaram paralisado e de olhos marejados. O país que eu amo está em uma guerra civil descontrolada. Quando manifestações pacíficas por causas sociais justas degringolam e viram um caos primitivo e sanguinário é sinal de que o país precisa urgentemente de socorro. Assisti ao pronunciamento de nossa presidenta, em cadeia nacional de rádio e TV, em que ela desfilou uma lista bastante colorida de ações que pretende tomar para resolver os problemas. Achei tudo ótimo. Afinal, quem não gostaria, por exemplo, de ver todos os royalties do petróleo destinados à educação? Sou filho de professores do estado aposentados, há décadas anseio por escolas públicas melhores. Em 1987 fui às ruas – em manifestações pacíficas – pedir por isso e pela meia passagem para estudantes. Eu fui um cara-pintada da era Collor. Só que, depois de ouvir as possíveis soluções de nossa presidenta com um pouquinho de alegria dentro de mim, meu lado reflexivo me lembrou de uma triste realidade: nada do que ela propõe vai resolver nada.

Parei para pensar, quando terminou o show dos telejornais, que o que está acontecendo pelo Brasil afora não é um “a que ponto chegamos”, mas sim um “e lá vamos nós de novo”. O que vi na TV foi Caim matando Abel. Sodoma se corrompendo. Exércitos destroçando os povos vizinhos na antiga Palestina. Davi assassinando Urias. Diná sendo estuprada. Sansão estraçalhando filisteus. A Babilônia pondo Jerusalém abaixo. Jefté matando a própria filha. Jael cravando a cabeça de Sísera no chão com uma estaca. Jacó enganando seu irmão e seu pai e sendo enganado pelo sogro. Os irmãos vendendo José como escravo. Os primeiros cristãos sendo atirados aos leões. Inocentes queimados na fogueira da Inquisição. A igreja corrupta vendendo indulgências. As guerras entre católicos e protestantes. O papa de Roma amaldiçoando o patriarca de Constantinopla e o patriarca amaldiçoando o papa. As trevas da Idade Média. A corrupção do clero. O holocausto nazista. As invasões bárbaras. A Jihad islâmica. O martírio dos huguenotes na Guanabara. Índios dizimados. Negros escravizados. Pedofilia de padres. Teologia da Prosperidade de pastores. Gays querendo matar cristãos e cristãos querendo apedrejar gays. Cristãos ofendendo cristãos nas redes sociais.

Sim, minha conclusão, ao final dos telejornais, foi a mesma de Salomão três mil anos atrás: “O que foi é o que há de ser; e o que se fez, isso se tornará a fazer; nada há, pois, novo debaixo do sol. Há alguma coisa de que se possa dizer: Vê, isto é novo? Não! Já foi nos séculos que foram antes de nós.” (Ec 1.9-10). Porque tudo o que está acontecendo no Brasil tem uma única causa, uma única explicação, uma única origem. Que é a mesma para toda essa lista de barbaridades e atos de violência que ocorrem desde que um homem chamado Adão e uma mulher chamada Eva caminharam sobre a terra:

Pecado.

Fiquei estarrecido, chocado, emocionado e abatido por tudo o que vi na TV. Mas não fiquei surpreso. Pois sei bem do que nós, seres humanos, somos capazes. Eu e você somos portadores dessa gangrena espiritual chamada pecado, que gera em nós sintomas como os que estão se manifestando entre as hordas de monstros que disseminaram a barbárie nos últimos dias pelo Brasil. Sim, o pecado faz de nós animais, bestas selvagens cuja única racionalidade é a irracionalidade. Todo pecado faz isso, todo. Eu ouvi cético às explicações dos jornalistas, comentaristas e entrevistados sobre as causas dos atos de brutalidade ocorridos em Salvador, Belém, Rio, São Paulo e tantas outras cidades. As análises são todas muito interessantes, mas a verdade é que a raiz de tudo o que vi, cada vidraça quebrada, cada gota de sangue derramado, cada poste derrubado, cada cabine da polícia incendiada… é esse terror invisível que carregamos dentro de nós chamado pecado.

E, por mais que tenha ficado alegre com as medidas que a presidenta diz que tomará, no fundo sei que nada adiantará. Porque tudo o que é feito no âmbito social fica no exterior do homem e, portanto, é paliativo. Qualquer atitude que se tome só vai amainar as coisas, nenhuma solução humana é solução. Pois o problema, a raiz, a origem de tudo isso é o pecado. E pecado não se resolve com canetadas, decretos ou mobilizações sociais. Só se resolve com Jesus de Nazaré.

Diante disso, fiquei pensando: qual é o nosso papel, como cristãos, diante desse cenário infernal que viraram nossas ruas? O que a Igreja (eu e você) devemos fazer? Organizar manifestações? Emitir notas públicas de repúdio? Eleger mais pastores em cargos públicos? Gritar palavras de ordem? Criar hashtags no Twitter? Escrever mais posts sobre a violência no Brasil em blogs? Nada disso. Tudo isso é correr contra o vento. Simplesmente porque nada disso elimina o pecado da humanidade. Se a Igreja quiser ser Igreja tem de lutar com as armas de quem foi “chamado para fora”. Ou seja: tem de lutar com armas diferentes das que usam os que “estão dentro”. Deixemos as marchas, passeatas, entrevistas coletivas, notas oficiais em sites institucionais e outras coisas do gênero para a sociedade não cristã. O nosso papel é proclamar Cristo. Pregar o evangelho. Anunciar as boas novas de salvação.

A lógica é simples e existe há dois mil anos: só existe uma cura para o pecado. O remédio se chama Jesus. Eu e você sabemos disso. O mundo não sabe. Por isso temos de levar essa cura aos que estão doentes. Contra os violentos levemos o Príncipe da Paz. Contra os sanguinários levemos o manso Cordeiro. Contra os depredadores levemos o reconstrutor. Contra os que matam levemos quem dá vida. Os royalties do petróleo não vão salvar do pecado os baderneiros mascarados. Nem bombas de gás lacrimogêneo. Tampouco tropas de choque. Projetos sociais menos ainda. A Copa do Mundo também não. Grupos de trabalho da presidência não tiram o pecado do mundo. Toda solução possível é apenas assoprar o ferimento, não arranca a raiz do problema.

Propor Jesus como solução para a crise no Brasil não é ser simplório. Não é ser ingênuo. Não é espiritualizar uma realidade concreta. Não é ser bobo. Propor Jesus como a solução do caos no Brasil é ser bíblico. É ser cristão. É propor a única cura possível para a única causa de tudo o que está acontecendo. Quer colaborar para o fim da violência em nosso país, meu irmão, minha irmã? Pregue a Cristo, e ele crucificado. Anuncie o evangelho verdadeiro. Proclame a salvação da cruz. Abra a boca! Homens livres do pecado, redimidos, restaurados, nascidos de novo não depredam, não roubam, não batem, não apedrejam, não incendeiam, não agridem, não ofendem, não machucam, não brigam, não matam. Homens livres do pecado são pacificadores, humildes de espírito; têm domínio próprio, amor, benignidade, bondade, olhos meigos e um tom de voz suave. São a imagem de Cristo.

As imagens da violência e da brutalidade em nosso país conclamam a mim e a você para a ação (recomendo a leitura do post “É tempo de orar”). Mas, se eu e você somos cristãos, a nossa ação não pode ser a mesma do mundo. O mundo sabe organizar manifestações, fazer grupos de trabalho e convocar mais policiais. Deixe o mundo fazer o que o mundo sabe fazer, pois essas são as soluções que ele conhece. Eu e você temos de fazer aquilo que o mundo não sabe: proclamar Deus. Brilhar a luz de Cristo nas trevas. Apresentar a cruz. Você é um embaixador do reino. Então aja como tal. O pecado está pondo as garras para fora e todos estão vendo, pois está sendo exibido em rede nacional de TV. Mas será que alguém está vendo Jesus? Não, não está. Porque isso os telejornais não mostram. Logo, mostrar Cristo e divulgar sua mensagem compete a mim e a você.

E aí, o que você vai fazer a esse respeito? Ver mais um jogo de futebol?

Paz a todos vocês que estão em Cristo – para que possam levar essa mesma paz a todos aqueles que não estão.
Maurício

Azuis1Um conselho: não queira me conhecer pessoalmente. Um grande amigo costuma dizer que “de longe todas as montanhas são azuis, mas de perto são pedra e lama”. Pura verdade. Não foram poucas as pessoas que tomaram conhecimento da minha existência pelas coisas que escrevo, quiseram se aproximar e, depois de um tempo de convivência, sumiram. E não as censuro: elas simplesmente conheceram quem eu sou de verdade, com meus defeitos, meus pecados, minhas incorrigíveis falhas. E aí perdi a graça, pois deixei de ser aquele ser idealizado que elas achavam que eu era pelas coisas que escrevo e passei a ser… eu mesmo. Cá entre nós: sorte dessas pessoas, porque não há nada pior do que se relacionar com alguém que não é quem se pensa. Por isso admiro aqueles que descobrem quem é o verdadeiro Zágari e ainda assim continuam querendo conviver comigo. Acredito que Deus também admira os que o conhecem intimamente e, ainda assim, decidem permanecer convivendo com ele.

Claro que não dá para me comparar com Deus. No meu caso, as características que as pessoas que se aproximam de mim descobrem são todas negativas – minhas fraquezas morais, rabugice, impaciência, antipatia, preguiça, intolerância, palavras mal postas e por aí vai. Só coisas ruins, que agarram-se à ideia idealizada de quem eu sou como ferrugem a uma escultura. Já no caso de Deus é diferente. Paradoxalmente, o que faz muitas pessoas se afastarem dele quando o conhecem mais intimamente é sua real natureza, que, obviamente, é extremamente positiva – mas pode desanimar muitos.

Azuis2Pense comigo e veja se não é assim: a pessoa se converte. Em nossos dias, a pregação fácil que impera nos púlpitos cria um Deus idealizado, digno de ser amado por todos: que te fará prosperar em tudo, que vai curar todas as tuas doenças, que te fará ter uma vida eletrizantemente maravilhosa, que te dará tudo aquilo que você lhe pedir se tiver fé… que Deus extraordinário! A imagem que propagamos do Senhor é um ser disposto a dar, dar, dar, dar, dar, dar, dar e dar, num frenesi abençoador sem limites. Eu olho para um Deus desse, que sacia-me o tempo todo, e a paixão é imediata. Quem não se apaixonaria? Eu decreto que quero de volta o que é meu e me asseguram que ele vai dar. Gente, por onde andava esse Deus que eu ainda não tinha encontrado?! E, se você se mantém na superficialidade do conhecimento sobre ele, é esse Deus mesmo que terá: uma caricatura distante e idealizada do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Gente boa, mas irreal.

Só que algumas pessoas cometem o pecado imperdoável: decidem se aproximar de Deus e conhecê-lo mais intimamente. Começam então a estudar a Bíblia. Passam a ler bons livros cristãos. Ingressam em grupos de debate bíblicos onde se aprofundam nas questões sobre o Senhor. Matriculam-se em seminários teológicos. Passam a ser discipuladas por cristãos de verdade. E aí, meu irmão, minha irmã, ocorre o choque: descobrem que aquele Deus que, de longe, era tudo o que pediram a Deus, na verdade não é bem do jeito que tinham idealizado.

Azuis3Descobrem que ele é amor e graça, mas que seu juízo é severo. Reparam que muitos e muitos cristãos vão nascer, viver e morrer materialmente pobres. Percebem que, por mais incomensurável que seja a fé delas, se a soberania e a vontade divinas não quiserem lhes dar algo, simplesmente não receberão. Notam que os anos se passarão e, por mais que muitos irmãos ao seu redor tenham muita fé, não serão curados de suas doenças. Se espantam por ver que os sofrimentos vêm muitas e muitas vezes ao longo de sua caminhada com Cristo. Se dão conta de que estão deprimidos, mesmo tendo o Senhor em sua vida. Percebem que Deus diz “não” muitas vezes a nossas vontades. E por aí vai.

Muitos não suportam a intimidade com Deus. A realidade divina interessa pouco a quem o idealizou como um Deus que não faz outra coisa da vida a não ser abençoar. Não pouca gente se decepciona com a real caminhada com Jesus, que é bem diferente daquele triunfalismo mar de rosas que lhe ensinaram no início da sua vida de fé. E, por isso, acaba se afastando dele. Pois creu num Deus idealizado e, quando se aproximou de fato, notou que não era como a caricatura que pintaram dele. E de fato não é, perseverar na fé exige de nós amar Jesus com todas as coisas nele que não nos agradam (como, por exemplo, abrir mão de nós mesmo, tomar a nossa cruz e, só então, segui-lo).

Azuis4Não culpo quem se aproximou de mim, descobriu quem eu sou de fato e depois se afastou, sumiu, perdeu o interesse. Seu erro não foi se aproximar, mas acreditar na imagem idealizada e irreal que tiveram no começo – e que está longe de ser quem de fato sou. Se viessem dispostos a amar, encontrem quem encontrarem, não teriam se decepcionado. Do mesmo modo, é uma pena que haja quem se aproxime de Deus crendo que ele é aquele bom velhinho de amor sem justiça, graça sem obras, paz sem renúncia e bem-bom sem sofrimentos. Deus é Deus e felizes os que descobrem quem ele verdadeiramente é desde o início. Que chegam até ele dispostos a amá-lo encontrem quem encontrarem. Pois aí passarão a amar o Jesus de verdade, mesmo que Ele seja diferente do que inicialmente imaginaram.

Apesar de eu ser esse poço de problemas e pecados, ainda assim há quem persista em ser meu amigo ao descobrir o vaso de barro todo rachado que eu sou – vai entender. Esses não estão ganhando muito com isso. Vantagens maiores têm aqueles que, mesmo sabendo que estar com Jesus vai exigir muito de si, ainda assim persistem em se relacionar com ele. E esses estão ganhando tudo com isso: a vida eterna.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Arrogancia3A arrogância é uma doença espiritual maligna e silenciosa. Um dos efeitos dessa moléstia é que, em geral, o arrogante se acha a pessoa mais humilde do mundo – ele não se vê como verdadeiramente é. Constantemente aponta os erros dos outros mas não consegue perceber como a sua essência está contaminada – e, se consegue, tem a arrogância de dizer que não é arrogante. Lá vai bem longe o tempo de servos como Francisco de Assis, João da Cruz, Thomas-à-Kempis e outros homens de Deus verdadeiramente humildes. Hoje está totalmente disseminado  o conceito antibíblico de que é possível ser arrogante e ser um bom cristão. Não é. É absolutamente impossível ser um homem segundo o coração de Deus e ser arrogante ao mesmo tempo. São características que não cabem no mesmo indivíduo.

Arrogância é sinônimo de orgulho, altivez, soberba, prepotência. Mostre-me um arrogante e lhe mostrarei um homem sem Deus. Esse é um pecado tão grave que o salmista diz ao Senhor em Salmos 5.5: “Os arrogantes não permanecerão à tua vista”. Em 2 Timóteo 3.1-2, o apóstolo Paulo fala sobre o perfil dos homens nos últimos tempos: “Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes…”. Sim, o olhar altivo do arrogante é um dos defeitos que Deus mais detesta, como Salomão deixa claro em Provérbios 6.16-19.

Arrogancia2É fácil diagnosticar alguém que sofre de arrogância. Comece procurando uma pessoa que se acha especial. Diferente. O escolhido. O “cristão” altivo tem essa pretensão, achar que tem em si algo tão singular que Deus o separou do resto da humanidade. Pois os verdadeiramente separados pelo Senhor para realizar grandes feitos simplesmente os executam, não ficam fazendo alarde disso, e se mantêm com uma extraordinária postura de humildade (é só ver o caso do rei Davi). De certo modo, há em todo arrogante um pouco de nazista: ele se acha praticamente membro de uma linhagem superior, um ariano, eleito pelos céus para mostrar à humanidade errada que ele é quem está certo.

Essa é outra característica sempre e sempre presente no arrogante: ele se acha o dono da verdade. Se alguém discorda dele é porque é ignorante, atrasado, desinformado, rebelde, não foi tão iluminado por Deus, não entendeu as realidades do alto ou qualquer coisa do gênero. Isso acontece porque a arrogância cega. Ela não deixa o arrogante se ver como tal. Assim, qualquer verdade fora da sua verdade é inverdade. E ele trata quem dele discorda como culpado de uma suposta ignorância proposital. Discordar do arrogante é visto por ele praticamente como uma ofensa. Até porque, no seu entendimento, as outras pessoas existem em função dele.

Arrogancia1Lamentavelmente, o “cristão” arrogante em geral ganha discípulos. No caso do arrogante carismático, arrebanhará multidões, que se tornarão seus seguidores cegos – fãs tão fanáticos que não suportam ouvir uma crítica a seus ídolos. Hitler foi assim. Temos os nossos hitlers hoje em dia, líderes orgulhosos e altivos, que se tornam deidades das massas. Seu carisma atrai os incautos para a armadilha e a arrogância enterra seus seguidores, ao ser tomada como modelo e padrão aceitável. Em vez de uma triste doença, a soberba dos tais é vista e exaltada como uma qualidade, um sinal de força e posicionamento. Aos olhos de muitos, até como unção. Só que não passa da mais maligna e destrutiva soberba: “A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito, a queda” (Pv 16.18). E há, por outro lado, os arrogantes sem carisma, que se impõem em geral por seus cargos, fazem poucos discípulos sinceros – os que nele de fato creem acabam reproduzindo a mesma arrogância. Seja o arrogante carismático ou não, tornar-se um discípulo dele é altamente prejudicial: “Bem-aventurado o homem que põe no Senhor a sua confiança e não pende para os arrogantes” (Sl 40.4).

O arrogante geralmente se prende a títulos e cargos para legitimar-se. Esteja ele em que grau da hierarquia estiver. “Sabe com quem está falando? Eu sou o diácono aqui”, empavona-se. Não se contenta em ser quem é, precisa do reconhecimento e do garbo. Sem adjetivos a sua arrogância sente-se ofendida. É por isso que nascem entre nós tantos “patriarcas”, “apóstolos”, “ungidos do Senhor”, “doutores em divindade”, “profetas de Deus”. “vice-deus” ou o que for – o arrogante em geral se esforça mais por obter títulos do que empreender realizações. Enquanto o mais importante e preeminente dos humildes contenta-se em ser chamado de “Zé”, se for o caso, o arrogante exige para si títulos acessórios, que ficarão pendurados em seu nome como penduricalhos na farda de um velho general.

Arrogancia4Mas, por mais que receba o louvor alheio, o arrogante não se contenta com isso – precisa de mais. Pois realmente acredita que merece mais – afinal, ele é um escolhido de Deus. Daí surgem os impérios eclesiásticos, as empresas evangélicas de um homem só, as capitanias hereditárias gospel, as catedrais mundiais de qualquer coisa. E, para pôr tais empreendimentos de pé, o arrogante se coloca acima do bem e do mal: faz associações em jugo desigual para ter mais poder, dá propinas para ver avançar seus sonhos pessoais, cria falsas campanhas espirituais como forma de arrecadar dinheiro… enfim, faz o que for preciso para que seus projetos avancem – e sempre tem uma boa desculpa para justificar-se de que aquilo não é pecado. Peca porque, afinal, está fazendo para o Reino. Só que, na verdade, está fazendo para si mesmo.

Não há arrogantes admiráveis – pense nos homens de Deus que você admira e, se enxerga neles altivez e prepotência, sugiro que deixe de admirá-los – pois não são tão homens de Deus assim. Só continua a admirar arrogantes, após se dar conta de que são arrogantes, quem admira a arrogância. E não se pode admirar a arrogância e Jesus ao mesmo tempo.

Arrogancia5A arrogância foi o pecado que fez aquele que ficava ao lado do Senhor no Céu tornar-se Satanás. Não bastava ele ser querubim da guarda ungido, permanecer no monte santo de Deus, andar no brilho das pedras. É interessante reparar o caminho de corrupção que ele percorre, de anjo a demônio. No início, “perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado”, só que, aos poucos, “se achou iniquidade” nele. O que me entristece é que, se o destino dos homens arrogantes for o mesmo do querubim arrogante, o que eles ouvirão ao final de suas vidas é: “te lançarei, profanado, fora do monte de Deus e te farei perecer [...] em meio ao brilho das pedras. Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor; lancei-te por terra, diante dos reis te pus, para que te contemplem” (Ez 28).

É uma certeza quase matemática, que não tem como dar errado. Como registra Isaías 2.17, “A arrogância do homem será abatida, e a sua altivez será humilhada”. Fico triste, realmente triste por causa dos arrogantes. Pois, em geral, foram bons cristãos no início, mas, com o passar do tempo, começaram de fato a acreditar que são mais do que os demais. Assim como Lúcifer era perfeito, mas deixou seu coração enganá-lo, o mesmo processo ocorre com todo arrogante. Seu fim, lamento crer, não será diferente. Se não for abatido nesta vida, será na próxima.

Arrogancia6Entre os salvos de Deus não há arrogantes, há os mansos e humildes de coração. Se um arrogante é alcançado pela graça da cruz ele deixa de ser arrogante. Seus olhos perdem a altivez. Suas palavras abandonam o egocentrismo. Sua alma despreza os títulos e adjetivos. Seus projetos de projeção pessoal são postos de lado. Seu conforto passa a importar menos do que a obra de Deus. Suas ações passam a devotar-se ao ferido, ao doente e ao sofredor. A arrogância morre e em seu lugar brota o amor. Pois onde há amor não pode haver arrogância.

O arrogante prioriza a si se aos seus. O humilde prioriza o próximo. Simples e bíblico.

Termino aqui, com uma explicação. Não dediquei tantas linhas aos arrogantes para acusá-los. Mas, primeiro, para compartilhar meu entendimento bíblico de que não existem cristãos arrogantes, é um conceito impossível à luz das Escrituras: se é de fato cristão não pode ser arrogante, se é arrogante não é cristão. Segundo, para que você veja se tem seguido ou mesmo sido alguém altivo e soberbo. E, por fim, para que oremos pelos arrogantes. Devemos amar os tais e pedir que o Senhor os cure dessa doença tão maligna – para que vivam e parem de contagiar ou ferir os que estão ao seu redor. Oremos em especial para que venham a conhecer Cristo e tirem a si mesmos do altar. Não devemos desejar o mal dos arrogantes nem combater a arrogância com ataques, mas com oração e amor. Pois, se atacarmos os arrogantes com ferocidade e nossas próprias verdades, estaremos sendo tão arrogantes como eles.

Propor isso é muito arrogante de minha parte?

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

JacarezinhoDuas semana atrás preguei em uma bela igreja, localizada na principal avenida da zona norte do Rio de Janeiro. O espaçoso santuário era muito bem organizado, com tudo muito limpo, uma estrutura primorosa. O culto estava lotado, com algumas centenas de pessoas, muitas delas em pé no fundo da igreja. Os louvores traziam hinos antigos misturados com hinos atuais. Já no último fim de semana fui pregar em outra igreja, dentro da perigosa favela do Jacarezinho (foto). Para chegar lá você passa por baixo de um viaduto, atravessa a pé a linha do trem por um buraco em um muro, encara um mergulhão inundado de água malcheirosa, percorre uma longa rua que margeia um enorme canal com esgoto a céu aberto, passa ao lado de pelo menos dois lixões com pessoas catando coisas ali. Cheguei à igreja, na verdade uma espécie de garagem adaptada, e comecei a falar para os cerca de quinze ouvintes presentes. Eu competia com um pagode em último volume no boteco ao lado e ficava sentindo durante a preleção um cheiro de maconha que vinha sabe Deus de onde. O louvor era composto de composições dos próprios músicos do local, que incluíam musicas como “Injete na veia o sangue de Jesus”. Não pude deixar de refletir sobre a diferença entre essas duas realidades.

A constatação é que, para os propósitos do reino, entre elas não há diferença alguma. Tanto na igreja cheia e com recursos quanto na igrejinha humilde e com pouca gente havia cristãos ávidos por uma palavra bíblica. Nas duas havia não cristãos, carentes de salvação. Em ambas havia amor entre os membros, dedicação à preparação do louvor antes do culto, carinho com o pregador, lideranças que estavam ali graças a um profundo chamado para a obra. Quando vi tudo aquilo, percebi que a discriminação contra igrejas com muitos membros, compostas de pessoas com uma confortável condição financeira, é uma bobagem. E também percebi que a discriminação com igrejas compostas por poucas pessoas, de poder aquisitivo mais baixo, é um igual absurdo.

E isso por uma simples razão: a realidade espiritual em ambos os locais é idêntica: são almas carentes de salvação que, uma vez salvas, precisam ser discipuladas. Pessoas pobres e pessoas ricas precisam de salvação do mesmíssimo modo.

CruzMe senti muito bem na primeira igreja. Havia carinho, afeto, preocupação. Pessoas como Pr. Walmir Cohen, Marco Túlio, Fabiano e Pr. Sérgio deixaram em mim marcas de amor e a certeza de que éramos membros da mesma família, em busca do mesmo objetivo. Me ofereceram uma deliciosa massa ao molho branco, com banana caramelada. Na segunda igreja me senti igualmente amado. Havia carinho, afeto, preocupação. Pessoas como Pr. Jean, Marcos, Pr. Thiago e seu Josué transpareceram a certeza afetuosa de que pertencemos à mesma família, em busca do mesmo objetivo. Me ofereceram um delicioso pão com requeijão e guaraná Tobi, com biscoitos doces. A palavra foi ministrada em ambos lugares e, ao final de culto, os comentários dos irmãos que vieram falar comigo foram muito semelhantes: dúvidas teológicas, pedidos de oração, relatos daquilo que Deus havia falado aos seus corações pela ministração.

A diferença entre as duas realidades, do ponto de vista do discipulado, da necessidade de arrependimento e crescimento, da busca por Cristo, da necessidade de conhecimento bíblico? Absolutamente nenhuma.

Cruz2Já tinha dificuldade de entender isso antes, e agora – depois dessas duas experiências – ela aumentou: como pode, do ponto de vista espiritual, certos pregadores ou cantores só aceitarem ir ministrar em uma igreja onde lhe deem grandes ofertas ou onde haja muitos membros para comprar seus CDs? À luz da carne a explicação é óbvia para qualquer um, mas… à luz do mundo espiritual? Incompreensível. Minha oração sempre é que, a cada ministração minha, pelo menos uma única vida seja radicalmente mudada e transformada para melhor. E, nas duas igrejas que visitei em menos de duas semanas, havia montes de “uma única vida”. Quinze “uma única vida” ou centenas de “uma única vida” são, em essência, a mesmíssima coisa. Não há diferença alguma. Ai de mim escolher onde prego ou palestro com base no número de membros, na riqueza da comunidade ou qualquer outro aspecto irrelevante como esses. Deus me livre. Deus, por favor, me livre disso.

Por outro lado, também fiquei pensando: como pode alguém achar que o evangelho é só para os pobres e os de situação financeira mais carente? A alma sedenta de Cristo precisa ouvir as verdades do evangelho independentemente de habitar um corpo que desfruta de certo conforto financeiro. Confesso que ouço com ceticismo propostas surgidas no seio da igreja de nossos dias. Teologias direcionadas exclusivamente aos pobres, como se os ricos não fossem igualmente amados por Deus, são segregacionistas e, portanto, deficitárias e limitadas do ponto de vista bíblico. Por outro lado, teologias que privilegiam a riqueza e os abastados, centradas em prosperidade material, claudicam por restringir o escopo do reino de Deus. Ambas estão erradas. O socialismo espiritual é um erro. O capitalismo espiritual é um erro. O igualitarismo espiritual é a proposta do evangelho. Pois o reino de Deus é para todo aquele a quem Jesus chamar e não para quem tem mais ou menos dinheiro no banco.

Cruz3O céu é para os salvos, não exclusivo dos ricos ou dos pobres. O céu é para indivíduos. Pessoas. Almas humanas. Se o pecador se chama Zé ou Joseph, Raimundo ou Raymond, isso é irrelevante. Tenho sido despertado cada vez mais para as barreiras entre pessoas devido a aspectos de sua natureza humana. Minha oração a Deus é que Ele me livre de olhar para o próximo, no que tange à espiritualidade, devido a seu poder aquisitivo. Raça. Modo de vestir. Lugar onde mora. Perfume que usa. Denominação em que congrega. Tamanho e riqueza do santuário em que adora. Modelo do carro que dirige. Correção gramatical na forma como fala.  O exclusivismo tem me assustado, e tenho orado ao Senhor que extirpe esse mal totalmente de mim.

Não posso achar que só o louvor com hinos antigos, piano e violoncelo é aceitável. Acredite: na favela do Jacarezinho é “Injete na veia o sangue de Jesus” que estabelece o religare entre a criatura e o Criador. Pagode gospel na catedral presbiteriana também não faz sentido. A leitura recente dos livros “O plantador de igreja”, de Darrin Patrick (editora Vida Nova), e de “O impacto do reino”, de David Wraight (editora Palavra) me despertaram profundamente para a questão da contextualização do evangelho. Hoje vejo o quanto ela é essencial. O contexto muda, a essência é a mesma. Numa comunidade pobre há almas carentes, num contexto de pobreza. Numa comunidade de classe média há almas carentes, num contexto de classe média. Numa comunidade rica há almas carentes, num contexto de riqueza. Mas o que importa aqui são as “almas carentes”.

EsponjaEstou na caminhada. Cheguei ao ponto ideal? De jeito nenhum. Ainda há muita natureza humana falha e que faz acepção de pessoas dentro de mim. Peço a Deus que esprema esse mal para fora do meu organismo espiritual. A diferença é que, hoje, faz parte intrínseca de minha caminhada de fé a oração para que eu veja o próximo como Jesus vê e não segundo os valores que constam em seu imposto de renda. Você gostaria de caminhar junto comigo nessa direção?

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício