Arquivo de fevereiro, 2013

Sata2A proclamação do Evangelho deve ter como centro Jesus. A cruz. As boas-novas da salvação. Sempre. Sempre. Sempre. Podemos pregar sobre qualquer assunto correlato, desde que tenha ligação com o epicentro de nossa fé: Cristo. Pregações sobre dízimo devem ter foco em Jesus. Pregações sobre casamento devem ter foco em Jesus. Pregações sobre vida sexual devem ter foco em Jesus. Pregações sobre arrependimento devem ter foco em Jesus. Por isso, existe uma grande resistência em alguns setores da Igreja a se pregar sobre o inferno, o diabo e os demônios. Em grande parte, isso ocorre como reação à ênfase despropositada que certas denominações dão à chamada “libertação”, em todas as suas variáveis – “descarrego”, “batalha espiritual”, expulsão de demônios etc. -,  o que leva muitos a tomar uma postura contrária, eliminando totalmente do púlpito mensagens que tenham a ver com as hostes espirituais da maldade. Essa postura acaba se refletindo em todas as esferas da vida cristã dos que assim procedem, como a rejeição por livros que falem do assunto ou mesmo nas orações que fazem e nas músicas que cantam. Por muito tempo compartilhei desse pensamento. Falar sobre isso era como jogar uma barata dentro de uma refeição refinada num restaurante chique. Mas tenho revisto essa posição. Hoje estou convencido de que devemos sim pregar sobre o inferno e os perigos das forças espirituais do mal – desde que as pregações sobre o assunto tenham foco em Jesus.

A primeira razão que me fez rever essa posição foi a releitura do Novo Testamento. Lendo as Escrituras e alguns bons livros descobri, espantado, que Jesus de Nazaré falou muito nos Evangelhos sobre o inferno. Ou seja: o próprio Senhor abriu o precedente. Afirmar que não se pode pregar sermões que tratem do mundo espiritual maligno – com foco em Cristo, sempre – seria dizer que Jesus não poderia ter falado o que falou. E repreender Deus é, no mínimo, complicado. Se por um lado, o Senhor nos disse para não ficarmos eufóricos com esse assunto (“Contudo, alegrem-se, não porque os espíritos se submetem a vocês, mas porque seus nomes estão escritos nos céus” – Lc 10.20), por outro nos instrui muitas vezes sobre ele (como em “Jesus repreendeu o demônio; este saiu do menino [...]  Então os discípulos aproximaram-se de Jesus em particular e perguntaram: “Por que não conseguimos expulsá-lo? ”  Ele respondeu: [...] esta espécie só sai pela oração e pelo jejum” –  Mt 17.18-22).

Sata3Trabalho como editor de livros cristãos. Meu último projeto – sobre o qual não posso falar muito, por enquanto, por questões éticas – é uma obra de um importante pastor presbiteriano brasileiro e chanceler de uma universidades  cristã. Tradicional. Histórico. E brilhante. Surpreendeu-me, portanto, quando li em seu texto o seguinte:  “Alguém já disse que pregar sobre o inferno não é um caminho muito bom para levar pecadores ao arrependimento, porque, nesse caso, as pessoas se converteriam por medo da perdição eterna. Pessoalmente, entendo que é preferível que seja assim ao fato de o indivíduo não se converter de maneira nenhuma. Se alguém se converteu porque tem medo de ir para o inferno, isso é ótimo, mas se a conversão ocorreu por amor a Jesus é melhor ainda. Não faz mal o crente se assustar com a realidade da justiça divina”.

Cada vez mais tenho percebido a importância de alertar a Igreja, como fez o próprio apóstolo Pedro, de que “o diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge, procurando a quem possa tragar” (1 Pe 5.8). Forças do mal estão se infiltrando nas igrejas. Nas empresas cristãs. Ensinamentos diabólicos estão conquistando espaço nos corações e nas mentes dos jovens e adolescentes evangélicos. Temos guardado os portões da frente de nossas vidas pela proclamação indispensável do Evangelho de Cristo, mas, ao fecharmos os lábios contra “as ciladas do diabo” (Ef 6.11), deixamos a porta dos fundos escancarada para a entrada dos sabotadores de nossa espiritualidade.

Sata4Deus é infinitamente mais poderoso que o diabo. A velha ideia de que Satanás e Jeová disputam as almas humanas como num cabo-de-guerra, em igualdade de condições, é um erro de proporções (anti)bíblicas. O Deus criador é tão superior ao diabo criatura que, com um piscar de olhos, Ele poderia, se quisesse, eliminar todos os demônios, todo o inferno, tudo, tudo, tudo. Então, imaginar que o diabo é inimigo direto do Todo-poderoso chega a ser engraçado, pois o querubim caído não pode absolutamente nada contra o criador do universo. Na-da. Ele é inimigo, isso sim, dos homens, a quem consegue astutamente enganar. Em especial aqueles que não estão alertas contra esse engano  e que se julgam imunes à tentação maligna.

Portanto, é por isso que Paulo, o apóstolo, prega à igreja de Éfeso: “A nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes” (Ef 6.12). E deixar de fora das nossas preocupações, do nosso discurso e da nossa pregação essa realidade seria ignorar um assunto tratado extensamente por Jesus e por seus discípulos nos evangelhos, nas epístolas e em Apocalipse. Seria uma irresponsabilidade.

Sata5A literatura cristã está repleta de livros sérios que alertam para o tema, seja de forma direta ou por meio da ficção. Um exemplo que imediatamente me vem à mente é o do grande C.S.Lewis, que escreveu as obras ficcionais “Cartas de um diabo a seu aprendiz”, “O Grande Abismo” e “As crônicas de Nárnia”, que mostram explicita ou implicitamente a ação de demônios e – graças a Deus – despertam o fascínio sobre o tema. Aliás, dedicar tempo e tinta para alertar a Igreja contra o inferno, o diabo e seus ardis fez parte da preocupação de grandes homens de Deus desde o princípio. Além do próprio Jesus e dos autores canônicos, os primeiros escritos da época patrística trazem textos sobre o assunto de alguns pais da Igreja, como Orígenes (“De principiis”), Gregório de Nissa e outros. Assim foi e prosseguiu pelo período da escolástica (com Erasmo) e da Reforma (com Lutero e Zuínglio), seguindo por John Wesley, John Bunyan e outros (a série do website Voltemos ao Evangelho sobre “A História do Inferno” fornece uma boa bibliografia sobre o assunto). A conclusão é que sempre houve na Igreja cristã saudável a preocupação de pregar e escrever sobre Satanás, os demônios e o inferno – de Jesus a John Piper e Paul Washer. Basta procurar.

Em nossos dias, livros e relatos de ficção apresentados como verídicos, como as histórias de Rebecca Brown e similares, prestaram um desserviço à Igreja, por dois ângulos: de um lado houve quem cresse em seus contos como se fossem realidade e passasse a viver segundo suas ficções. Do outro, quem percebeu que se tratava de uma farsa passou a ter um preconceito refratário a qualquer coisa do gênero, qualquer livro que toque no assunto, qualquer música que mencione o diabo ou o inferno. O satanismo, uma realidade tão presente e infiltrada nas igrejas, ministérios e outros ambientes cristãos, tornou-se um assunto sobre o qual não se deveria falar. Com isso, saiu perdendo a importância bíblica e histórica de se tratar e de pregar sobre a questão. E quem saiu ganhando? Preciso responder?

Até mesmo na música. O tradicional hino “Castelo Forte”, composto pelo reformador Martinho Lutero,  dedica quase metade de suas linhas ao diabo e os demônios (depois que ele afirmou, veja você: “Não pretendo deixar para o Diabo as melhores melodias!”):

“Castelo forte é nosso Deus,
Amparo e fortaleza:
Com seu poder defende os seus
Na luta e na fraqueza.
Nos tenta Satanás,
Com fúria pertinaz,
Com artimanhas tais
E astúcias tão cruéis,
Que iguais não há na Terra.

A nossa força nada faz:
Estamos, sim, perdidos.
Mas nosso Deus socorro traz
E somos protegidos.
Defende-nos Jesus,
O que venceu na cruz
O Senhor dos altos céus.
E sendo também Deus,
Triunfa na batalha.

Se nos quisessem devorar
Demônios não contados,
Não nos podiam assustar,
Nem somos derrotados.
O grande acusador
Dos servos do Senhor
Já condenado está:
Vencido cairá
Por uma só palavra.

Que Deus a luta vencerá,
Sabemos com certeza,
E nada nos assustará
Com Cristo por defesa.
Se temos de perder
Família, bens, poder,
E, embora a vida vá,
Por nós Jesus está,
E dar-nos-á seu reino.”

.

Sata6O inferno existe e é um assunto sério. Bíblico. Jesus falou e pregou sobre ele – e muito. Devemos fazer o mesmo. Satanás e os demônios são um assunto sério. Bíblico. Jesus lidou pessoalmente, expulsou constantemente e falou sobre eles – e muito. Devemos fazer o mesmo. Se for preciso despertar o fascínio sobre o assunto, que assim seja. Pois, no pesar da balança, é melhor pecar pelo excesso do que pela omissão. Pois o que está em jogo aqui são almas humanas. Precisamos saber lidar de forma bíblica e correta com as hostes espirituais da maldade, que tanto dano provocam no seio da Igreja. E isso só vai acontecer se nossos líderes nos ensinarem a fazê-lo biblicamente. Enquanto acreditarem na inverdade que “não se prega falando sobre o inferno, Satanás e os demônios”, estarão na contramão do que fez Jesus, os escritores canônicos, os pais da Igreja, os escolásticos, os reformadores, os expoentes dos grandes despertamentos e importantes pregadores reformados de nossos dias. E, com isso, só quem lucra é o diabo, que pode usar e abusar dos cristãos que não sabem lidar com o mal porque nunca lhes ensinaram a fazer isso de forma sadia.

É ingenuidade acreditar que basta pregar sobre Cristo sem falar nada sobre o diabo e estaremos isentos das artimanhas e dos ataques do maligno. Já ouvi o bom argumento de que para aprender a identificar a nota falsa basta conhecer bem a verdadeira – só que, se a tinta da nota falsa gera prurido e alergia em nossa pele, somente conhecer a verdadeira não vai adiantar muito, depois que já manuseamos a falsificada. A luz espanta as trevas, é verdade, mas me diga um cristão com Jesus no coração que não peca porque aqui e ali se deixou enganar pelas forças do mal. Como vigiaremos se não sabemos como é o inimigo? Como estaremos alertas às “ciladas do diabo” se não temos conhecimento de como ele age, o que faz, como se combate? Muitas tecnologias fajutas de “batalha espiritual” ganham notoriedade em nossos dias justamente porque houve muitos que ensinaram errado enquanto os que poderiam ensinar certo deram as costas ao assunto.

Sata7Pregar sobre Jesus é o centro, o foco e a essência. Mas o que muitos lamentavelmente não enxergam é que pregar mensagens de alerta sobre o inferno, Satanás, o satanismo, as hostes espirituais da maldade – de forma bíblica! – também é fazer exatamente isso: ressaltar a altura da montanha pela profundidade do vale. Mostrar a luz pela contraposição com as trevas. Posicionar o bem a partir de um referencial maligno. Exilar o mal de nossa proclamação do Evangelho é remover o diabo da tentação de Jesus no deserto; é tirar a história do rico e Lázaro da Bíblia; é contar a parábola do semeador pela metade; é amputar os primeiros capítulos do livro de Jó; é rasgar páginas e mais páginas das epístolas; é anular todo o sentido de Apocalipse; é jogar no lixo trechos como Lc 11.14, Mc 7.29, Jo 8.49, Mt 9.33, Mt 17.18, Mc 7.26, Lc 4.33 e muitos outros. Mais importante ainda: é arrancar da história da salvação o relato da Queda. E, sem o que a serpente fez no Éden, por que mesmo precisaríamos da cruz?

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Beijo1]Que cor tem um beijo? Qual é seu formato? Que aparência tem? Quantos quilos pesa? O beijo é sólido, líquido ou gasoso? Tem quantos centímetros de comprimento? Qual é o grau de transparência do beijo? Qual é sua temperatura? Se bater um vento forte, carrega o beijo para longe? É inflamável? Desbota com o tempo? O beijo anda, nada ou voa? Flutua na água? Beijo enferruja? Pode-se esconder em algum lugar sem que estrague? É portátil? É duro ou mole? Derrete no calor? Mofa? Beijo cresce se regar? Muda como uma borboleta? É comestível?

Afinal… como é um beijo? Por favor, descreva-o para mim.

Difícil, não é? Desista, você não vai conseguir. E isso porque o beijo é algo que não tem como ser descrito. Não há como se fazer um retrato falado de um beijo. Nem como se guardar numa caixa. Como se carregar no bolso. É impossível encher uma caixa de beijos. Colher um em uma árvore. Pôr em cima da mesa e ficar observando cada detalhe dele. Simplesmente porque beijo é algo que não existe.

Como assim, não existe?

Claro, pois se o que existe é aquilo que podemos pegar, cheirar, medir, descrever, apalpar, enxergar… o beijo não existe.

Só que… a humanidade ama o beijo. Venera o beijo. Se há algo de que absolutamente todo mundo se lembra é como foi o primeiro beijo, de tão marcante. Filhos pedem beijo de seus pais. Pais ficam tristes se os filhos saem de casa sem dar beijo. Casais enamorados, se deixar, passarão horas imersos em beijos. Nada faz mais falta para quem ama sem ser correspondido do que o beijo do ser amado.

E beijo tem significado, também. Beijo nos lábios significa amor exclusivo. Beijo no rosto é amizade. Beijo na testa é carinho. Beijo na mão é galanteio. Beijo nos pés é humildade. Beijo no espelho é vaidade. Beijo na foto é saudade. Beijo em troféu é vitória. Beijo no chão é amor à pátria. E por aí vai.

Logo, é claro que beijo existe! Mas… ao mesmo tempo, não existe… Que nó nos neurônios, meu Deus…

Beijo2Tudo bem, vamos tentar um pouco mais. Vamos visualizar uma situação em que ocorra um beijo. O beijo é algo formado pelo toque de lábios em alguma coisa. Segundo o dicionário, beijo é: “Toque de lábios, pressionando ou fazendo leve sucção”. Então não existe o beijo. Existem lábios tocando algo. Mas lábios por si só não são um beijo. Se eu arrancasse meus lábios e os pusesse na palma da mão você diria que estou “segurando um beijo”? Não, não diria. Se alguém estica os lábios na posição tradicional mas não faz barulhinho aquilo é um biquinho, não é beijo. Então dizer que beijo pode ser descrito como lábios por si só é algo errado. Aí chega uma pessoa e fala que beijo sáo lábios tocando lábios. Mas então respiração boca-a-boca é beijo? Não, não é. Então beijo são lábios tocando a pele. Só que tirar uma farpa do dedo com a boca não é beijo.

É, desisto. Beijo não existe.

Beijo3Mas se eu me lembro de um beijo que dei hoje de manhã! Se me lembro do primeiro beijo que dei na vida! Se me lembro do primeiro beijo que dei na minha filha na sala de parto! Se me entristeço pelos beijos que nunca mais darei naquela pessoa querida que partiu! Sim, beijo existe! Claro que existe! Mas aí chega alguém que afirma só acreditar que algo existe se puder tocar, cheirar, ver, provar cientificamente. E eu diria, então, a ela: prove-me que o beijo existe. Esse cético jamais conseguiria. Pois ele me mostraria fotos, desenhos e imagens de uma boca encostando em qualquer outra coisa. Mas aquilo continuaria sendo uma boca. Portanto, eu diria a esse cético ou viciado em provas científicas: “Desculpe-me, mas, pelos seus critérios…  beijo não existe. O que estou vendo é uma boca e não um objeto chamado beijo“.

Com Deus é igual.

Eu não vejo Deus. Não o toco. Não sei seu formato. Não conheço sua textura. Não vislumbro sua aparência. Não tenho como segurá-lo em minhas mãos. Não tenho nenhuma expectativa de ter um encontro visível, concreto, sensorial com o Senhor até o dia de minha morte. Mas, ah, que experiência extraordinária é quando Deus se faz presente! Como é impossível estar na presença do Criador do universo sem ser afetado de alguma forma! Como é possível estar com Ele e não ser tocado por Ele? Muitos dizem que Ele não existe porque não pode ser cientificamente, cartesianamente, pragmaticamente visto, tocado, segurado, distinguido. Se me pedirem para mostrar uma foto dele eu não terei como fazer. Exatamente como um beijo.

Beijo4Quando acontece um beijo entre você e a pessoa amada, qual é a sensação? É fantástico, não? Pois eu te digo a sensação fantástica que é quando Deus acontece em nossa vida. Não, não tenho como provar cientificamente  que Ele existe. Mas jamais vou me esquecer da primeira vez que o Senhor me tocou. É só eu sei a falta que Ele me faz. O tanto que mudou minha vida. O que sinto quando faço algo que sei que o entristece. A alegria que me invade quando me perdoa. O gozo que me inunda quando o busco. As línguas que falo quando me enche. A esperança que brota quando leio Sua Palavra. O calor de seu abraço. O conforto que vem de nossas conversas. O tudo que Deus é, faz, transforma e significa.

Se digo a qualquer ateu que o beijo não existe e ele se rirá de mim. Mas se qualquer ateu disser a mim que Deus não existe eu me rirei dele – pelas exatas mesmas razões.

Beijo5Sabe, no final das contas, lendo a Bíblia, me ocorre que existe uma maneira bem concreta de se provar que beijo existe. E, se qualquer cético me pedir uma prova palpável disso, eu terei como dar a ele. Bastará eu me lembrar que Deus amou o mundo de tal maneira que o beijou com um beijo de amor ágape que pôde ser visto, tocado, segurado, abraçado, esbofeteado, açoitado, crucificado. Um beijo que sangrou. Que foi furado. Um beijo que teve as feridas nas mãos e no lado tocadas por um incrédulo. Um beijo cheio de significado, que se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade – e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai.

Um beijo a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Uptown Girls_1Sou aficcionado por filmes. Gosto muito de ir ao cinema, desfrutar de uma história bem elaborada, me emocionar com um bom Chaplin e me indignar com Michael Moore. Na maioria das vezes, admito sem nenhuma vergonha, consumo a sétima arte como mero entretenimento, não é pecado. Mas, muitas vezes, há longas-metragens que me levam para além da diversão e me fazem pensar, refletir, tirar lições de vida. E, para desconstruir completamente minha reputação de intelectual, faço uma grave confissão: gosto muito de uma tocante comédia romântica chamada “Grande Menina, Pequena Mulher” (foto), com Dakota Fanning e a falecida Brittany Murphy. É a história de duas vidas destruídas emocionalmente, por razões diferentes, que acabam encontrando no amor fraterno entre elas aprendizado, apoio afetivo e novas perspectivas. Mas é a última frase do filme que me lembra sempre de uma importante realidade. Diz: “Toda história tem um final. Mas, na vida, todo final é apenas um novo começo” (no vídeo abaixo, aos 2:57). E, ao longo da minha peregrinação sobre a Terra, tenho descoberto que essa é uma verdade bíblica.

Quando morremos, somos ensinados pela sociedade ateia que chegou nosso fim, mas as Escrituras mostram que é apenas um novo começo. Quando encerra-se a vida pecaminosa de Zaqueu, tem início uma etapa melhor e mais perfeita. Quando a adúltera ouve “nem eu te condeno”, percebe que uma nova era desponta em sua jornada. Quando Rute se vê desamparada é quando começa a mais importante fase de sua vida. Quando Paulo entra em profunda depressão por descobrir que tudo o que defendera por toda a sua vida era um erro, ocorre o nascimento do grande apóstolo de Cristo. Quando Cleopas e o outro discípulo do caminho para Emaús usam o tempo verbal no passado para se referir à obra do Mestre é que percebem no partir do pão que aquele tempo verbal era um equívoco. Quando os apóstolos pensam que Jesus está morto, acabado, terminado, são surpreendidos por sua ressurreição, o que marca o início da era cristã. E, em nossas trajetórias, as coisas também acontecem assim: fins e recomeços, fins e recomeços, fins e recomeços.

O término da escola é o início da faculdade. O término da faculdade é o início do mercado de trabalho. O término de um emprego é o início de outro. O término da vida profissional é o início da aposentadoria. E assim em todas as áreas: o fim do noivado é o início do casamento. O fim da vida a dois é o início da vida de pai. O fim da quimioterapia é o início da recuperação. O fim da tristeza é o início da alegria. Fins e recomeços, fins e recomeços, fins e recomeços… assim é a vida.

Uptown Girls_2O grande problema surge quando não conseguirmos compreender isso. A tendência natural do homem (inclusive do cristão) é viver intensamente as perdas, sem se dar conta de que elas marcam fases novas e potencialmente maravilhosas de sua vida. Por isso sofremos tanto e tão mais do que precisaríamos: pois não enxergamos que o momento em que chegamos ao que parece ser um beco sem saída na verdade é apenas uma esquina. Tudo o que temos de fazer é dobrá-la e seguir em frente. Só que, como conhecemos em parte e não nos lembramos que os caminhos de Deus são mais elevados que os nossos caminhos, nos desesperamos, nos deprimimos, nos abatemos. Meu irmão, minha irmã, preste muita atenção ao que vou dizer: se você está vivendo o que parece ser o fim, se não está vendo escapatória, se aparentemente tudo acabou… lembre-se que “na vida, todo final é apenas um novo começo”.

É por isso que Jesus enfatizou tanto no Sermão do Monte a importância de viver o momento. O hoje. O agora. Pois ele sabia que o homem tem a tendência natural de se preocupar excessivamente com o amanhã e antecipar sofrimentos. Só que Cristo sabe, desde antes da fundação do mundo, que “na vida, todo final é apenas um novo começo”. Então ele se vira para nós e diz palavras que já lemos tantas vezes que parece que não são mais verdade. Só que são. Leia, por favor, uma vez mais, o trecho a seguir, de Mateus 6 – desta vez saboreando palavra a palavra. Aplicando o que o Senhor afirma à sua situação de vida. E entendendo que esta realidade é um fato assegurado pelo Deus do universo:

“Por isso, vos digo: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo, mais do que as vestes? Observai as aves do céu: não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros; contudo, vosso Pai celeste as sustenta. Porventura, não valeis vós muito mais do que as aves? Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida? E por que andais ansiosos quanto ao vestuário? Considerai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham, nem fiam. Eu, contudo, vos afirmo que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles. Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós outros, homens de pequena fé? Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos? Porque os gentios é que procuram todas estas coisas; pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas; buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal.

Basta ao dia o seu próprio mal. Isso significa que hoje o dia pode ser mau, ter cara de fim, cheiro de término, aparência de beco sem saída, cores de tristeza pela falta de perspectiva. Mas, na realidade, se o choro durar uma noite, essa noite representa a passagem do hoje para o amanhã. E o amanhã nos presenteia com a magnífica perspectiva de que a alegria vem. De que o fim não representava o fim, mas sim um novo começo.

Jesus ama vocêJá enfrentei uma profunda tristeza, por razões que não vêm ao caso. Em muitos momentos me abati. Achei que era o fim. Chorei. Sofri. Rasguei a alma diante de Cristo. Achei que só me restava encostar num canto e ali ficar. Mas Deus virou-se para o homem de pouca fé que sou e disse, como a Elias: “Levanta-te e come, porque o caminho te será sobremodo longo”. E hoje digo a você, não por teoria, mas ainda sentindo na pele a queimadura de quem viveu essa realidade: o fim nunca é o fim. Para quem caminha com Jesus, “todo final é apenas um novo começo”. Sua vida parece ter chegado a um fim, meu irmão, minha irmã? Então prepare-se: creio piamente que algo novo, desafiador, magnífico e que cumpre os planos do Senhor está para começar.

Obrigado, Pai, pelo teu amor tão incompreensível. Tão maior do que nossa visão limitada. Tão maior do que tudo. Para sempre, obrigado pelo teu amor – que transforma cada fim… em um novo começo.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Você sabe quem foram Bacio Pontelli, Giovannino de Dolci, Perugino, Ghirlandaio, Rosselli, Signorelli, Pinturicchio, Piero di Cosimo, Bartolomeo della Gatta, Rafael, Michelangelo Buonarroti e Sisto IV? Não? Então aguarde um pouquinho que já vai saber. Mas antes vamos falar um pouco sobre tesouros.

Com a renúncia do papa Bento 16, li diferentes reportagens que falam sobre o local onde ocorre a eleição do líder católico: a Capela Sistina (foto ao lado). Em muitas dessas matérias de jornais o texto referiu-se a essa Capela como um “tesouro da Igreja”. Lembro bem das duas vezes em que tive a oportunidade de visitar a Capela Sistina, uma maravilha da arte sacra, um monumento da História da Igreja. Uma obra belíssima do bom gosto humano. Fica no Palácio Apostólico, residência oficial do papa, na Cidade do Vaticano. Seus afrescos (técnica de pintura em paredes) têm beleza e valor incalculáveis.

No entanto, falando espiritualmente, sempre que penso na Capela Sistina a imagem que vem a minha mente nunca são pessoas ajoelhadas em contrição, vidas em arrependimento sincero por seus pecados, a pregação genuína da Palavra de Deus, gente sendo discipulada, adoração de filhos ao Pai celestial. O que me lembro das duas ocasiões é uma multidão de turistas se espremendo, sentando no chão daquele santuário, uma balbúrdia incontrolável, desrespeito por um lugar sagrado, indivíduos desobedecendo todas as normas do lugar e guardas de segurança berrando em inglês “No photos!” (“Sem fotos!”) o tempo inteiro, sendo solenemente ignorados pelos turistas.

Enfim, naquele local, feito para prestar culto a Deus, o que há hoje é um coquetel alucinado de desobediência, desrespeito, desordem e indecência – e não vi ninguém entrar por aquelas portas mencionando o nome de Jesus: tudo é uma grande ode à arte das paredes e do teto. A Capela Sistina é considerada um tesouro artístico da humanidade. E é. Mas isso me faz pensar. Pois ali hoje não há nada que me lembre Cristo, que aproxime dele as hordas que se atropelam no local. Em resumo, é um tesouro de valor incalculável mas espiritualmente inútil.

Não é segredo para nenhum de nós que vivemos na época da Teologia da Prosperidade que os males provocados por essa heresia e as igrejas que a adotaram acabaram com a imagem da Igreja evangélica como um todo diante da sociedade. Mas esqueçamos a Teologia da Prosperidade e seus seguidores por alguns momentos. Pensemos nas igrejas sérias. Nas que de fato têm lideranças honestas diante do Senhor, onde se busca discipular bem os membros e glorificar a Deus, onde se pensa mais na eternidade do que na vida terrena. Será que é possível ultrapassar até mesmo inconscientemente os limites do uso do dinheiro nessas congregações piedosas, corretas e de fato cristãs?

Sim, é.

Não é pecado os responsáveis por uma igreja se preocuparem com sua estrutura e manutenção financeira. Na verdade, se não tratarem dessa questão com muito zelo estarão sendo negligentes com a obra de Deus. É preciso sobriedade e diligência na gestão econômica de uma igreja. Mas o maior erro que cometem, muitas vezes sem maldade e sem perceber que é um erro, é pôr o dinheiro acima de pessoas. E como isso pode acontecer?

Crendo ou agindo como se o tesouro de uma igreja fosse dinheiro ou qualquer coisa relacionada a ele em vez de Deus e de indivíduos. Fazendo mal a pessoas por causa de dinheiro. Pondo em qualquer instância dinheiro acima de seres humanos.

Ouvi algumas vezes de irmãos que se dedicam amorosamente à administração monetária eclesiástica a expressão “erário da igreja”, referindo-se ao dinheiro que seus membros entregaram aos líderes na forma de ofertas e dízimos. Pelo dicionário, “erário” é, literalmente, “Conjunto dos recursos econômicos e financeiros de uma entidade ou de um Estado. = TESOURO“. Nesse sentido, é correto dizer que “erário” são os números que aparecem no extrato bancário de uma igreja. Mas chama a minha atenção a apresentação e definição de “erário” também como “tesouro”, pois imediatamente vêm à minha mente Mateus 6.21 e Lucas 12.34, passagens que mostram a afirmação de Jesus no Sermão do Monte: “Onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração”. E onde deve estar o coração de uma igreja?

Mateus 22.36-40 registra o diálogo entre Jesus e um fariseu: “Mestre, qual é o grande mandamento na Lei. Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas.”

Eis a resposta. O tesouro de uma igreja, o erário de uma Igreja, não é dinheiro: são Deus e as pessoas. A mais bela, imponente, rica e suntuosa igreja já construída não vale um centavo aos olhos de Deus se posto em comparação com o mais humilde e desconhecido dos indivíduos. As magníficas pinturas da Capela Sistina têm zero de influência sobre o destino eterno de almas humanas. E, por esse prisma, ela vale menos do que qualquer igrejinha humilde de pau-a-pique de beira de estrada onde se realize um culto para três pessoas.

Sou favorável a termos um local de culto, um templo, um santuário. Não junto minha voz à dos irmãos bem-intencionados que julgam que igrejas nos lares ou “comunidades” são a resposta bíblica, embora entenda suas razões. São meus irmãos em Cristo e compreendo sua repulsa pelos templos institucionais, mas não coaduno de sua visão, por entender que estão condenando algo que o Senhor não condena, oferecem soluções que não solucionam e geram um debate que não leva a lugar nenhum. Não quero entrar nesse mérito aqui, as razões que me levam a acreditar na Igreja organizada já foi exposta em diversos posts deste blog (por exemplo, Jesus nunca construiu templos).

A questão é que paredes não são a riqueza de uma igreja. Nem bancos. Vitrais. Ou o batistério. Os instrumentos musicais. A decoração do teto. A arquitetura. A decoração. A conta bancária. No dia em que o “erário” de uma igreja passa a ser dinheiro em detrimento das almas que entram por suas portas essa igreja faliu. Tornou-se um monumento vazio e triste. Na Segunda Guerra Mundial os bombardeios assolaram dezenas de igrejas e catedrais pela Europa, que viraram montes de escombros (veja foto à dir.). Todo o dinheiro investido ali virou pó. Basta um terremoto, uma enchente, uma praga de cupins e o “erário” vai por água abaixo.

Passo com frequência na porta de igrejas suntuosas, como, por exemplo, a belíssima Catedral Presbiteriana do Rio de Janeiro. Você sabe dizer quem idealizou sua construção? Eu não. Sabe quem foi seu arquiteto? Eu não. Sabe os nomes dos presbíteros do Conselho que aprovaram sua edificação? Eu não. Não sei nada de sua história. Mas conheço diversas pessoas que ali conheceram Cristo e desenvolveram sua fé. Pessoas que, junto com o Deus que ali é adorado, são o verdadeiro erário, o tesouro daquele local. Aquele lindo templo não é a realização de seus idealizadores e construtores: os seres humanos que passaram por suas portas e por sua história são.

Fico imaginando quando chegaram ao céu os príncipes, reis e sacerdotes da Europa que idealizaram e financiaram igrejas monumentais, banhadas a ouro, com vitrais e rosetas coloridas, órgãos de tubos magistrais e pés direitos de dezenas de metros; e Deus lhes perguntando: “O que você tem a apresentar?”. Ao que responderam: “Ergui igrejas e catedrais magníficas para ti, Senhor”. E, em meu exercício de imaginação, consigo pensar em Deus balançando a cabeça e dizendo: “Não, meu filho, você não entendeu a pergunta. Quero saber quantos seres humanos você amou de modo desinteressadado. Quantas vidas você abençoou. Quantas almas edificou. Qual o nome de cada indivíduo que entrou pelas portas dessas igrejas, o que você fez para sanar suas dores, para dar paz a seus corações. A quantos estendeu perdão real. Quem preferiu em honra. Exerceu justiça com todos? Pois foi esse o erário que entreguei em suas mãos para que você cuidasse”.

É com isso, acima de tudo, que devemos nos preocupar. Grandes monumentos eclesiásticos serão comidos pela traça e a ferrugem. Virá um bombardeio, um terremoto, extremistas islâmicos ou uma enchente e as maiores catedrais valerão algo somente para algum ferro-velho. A magnífica Catedral de Córdoba, na Espanha (foto à esq.), erguida para  Jesus, virou uma mesquita para adoração de Alá após a conquista do país pelos mouros no ano 711. Se aquilo fosse o erário da igreja espanhola ela estaria sem nada para apresentar a Deus no dia da grande prestação de contas. No local do Templo de Jerusalém existe atualmente uma mesquita e só sobrou um muro onde judeus lamentam sua assolação, um erário de interesse meramente histórico para a Nova Aliança. No subsolo da famosíssima Catedral de Milão hoje há apenas um amontoado de pedras do que foi sua primeira construção, considerada (como diz o folheto para turistas) “uma pérola arqueológica”. Como local espiritual de adoração a Jeová seu valor é zero. Mas, quando estive lá, aos meus pés havia um buraco insosso que outrora foi o ricamente adornado tanque batismal onde Ambrósio batizou um dos mais valiosos itens do erário celestial: Agostinho de Hipona, um dos maiores teólogos de todos os tempos, um homem que há 1.700 anos abençoa vidas com seus ensinamentos – e elas sim são o seu legado.

É natural que a preocupação de um pastor seja fazer a igreja que lidera congregar no melhor templo possível. É compreensível e penso que eu, se estivesse à frente de uma congregação, faria o mesmo. Nunca, porém, erigiria uma construção suntuosa, prefiro um espaço onde se consiga conhecer todos pelo nome e se pastorear bem as ovelhas, de perto. No dia em que houvesse superlotação abriria congregações. Não gastaria muito dinheiro na obra, para que sobrasse o suficiente que me permitisse abençoar vidas, enviar e sustentar pelo tempo necessário muitos missionários, ajudar os necessitados, construir talvez uma pequena escola, editar livros que viessem a edificar e consolar vidas. Enfim, administraria o “erário” não para que ele se tornasse uma Capela Sistina – belíssima mas inútil para o Reino de Deus -, mas que fosse investido para aproximar cada vez mais o verdadeiro erário de Deus do maior erário que um homem pode ter: Jesus de Nazaré.

Agora, respondendo à pergunta do início: Bacio Pontelli foi o arquiteto que projetou a Capela Sistina, já tinha ouvido falar dele? Giovannino de Dolci foi quem supervisionou a obra, já tinha ouvido falar dele? Perugino, Ghirlandaio, Rosselli, Signorelli, Pinturicchio, Piero di Cosimo, Bartolomeo della Gatta, Rafael e Michelangelo Buonarroti são os artistas que embelezaram o local, já tinha ouvido falar de todos? Talvez de Rafael e Michelangelo, os mais famosos. E Sisto IV foi o papa católico que financiou a transformação da antiga Capela Magna na que veio a se chamar Sistina, em sua homenagem. Já tinha ouvido falar dele?

Nosso tesouro está no Céu, meu irmão, minha irmã. Enquanto estamos na terra, nosso tesouro são pessoas e Deus. Que nunca nos esqueçamos que aquilo que fazemos para os seres humanos e o nosso relacionamento com Deus são o nosso verdadeiro foco nesta vida. Pois é única e exclusivamente isso que nos fará sermos chamados “servos bons e fiéis”.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Recebi o e-mail abaixo de uma irmã em Cristo. Tocou-me tanto que decidi reproduzi-lo aqui, com a resposta que enviei a ela, na esperança de que venha a trazer paz a corações que estejam passando por situações semelhantes à que ela está enfrentando. É desnecessário divulgar seu nome, pois não quero expô-la. O que importa não é quem ela é, mas a sua experiência. E oro a Deus que aquilo que lhe respondi – e, em especial, os textos bíblicos – alcance o maior número possível de corações angustiados. Segue o desabafo honesto, sincero e dolorido que recebi de R.:

“Bom dia, como você está?

Não sei nem como começar a escrever, preciso desabafar e essa angústia não pode ser com qualquer pessoa.

Estou me sentindo fraca, já não tenho ânimo para frequentar a igreja, há muito tempo não oro nem faço jejum. Estou me sentindo triste, meu espirito está angustiado com tudo o que vejo dentro das igrejas, estou triste por ver pessoas agredindo uma as outras.

Estou triste, pois me parte o coração ver pessoas na rua passando frio, triste por ver tanto sofrimento e nenhuma mudança. Fico me perguntando cadê os verdadeiros cristãos.

Preciso de forças, estou envergonhada da pessoa que sou, tenho olhado o cisco no olho do meu próximo, mas fui incapaz de retirar a trave que estava nos meus olhos. Sou orgulhosa, egoísta, hipócrita, venenosa. Apenas reclamo e não faço nada.

Estou caindo, fui fraca e deixei as aflições do mundo ficarem entre eu e Deus. Estou decepcionada, porque magoei Deus, não fui fiel a Ele, deixei as paixões do mundo me afastarem dEle. Estou com vergonha, me sinto suja, me sinto como alguém desprezivel, uma pecadora que não sabe reconhecer seus erros. Estou sentindo tantas coisas em meu coração e não sei como escrever, como colocar para fora.

Entendo a minha condição, entendo que enquanto estiver nesse corpo cairei e continuarei caindo até o dia que Cristo voltar ou até a minha morte. Mas sou fraca, tenho trocado o tesouro do Reino por coisas pequenas, não tenho tido concentração para orar, vivo em um ambiente onde domina a fofoca, a inveja, a maldade, são pessoas perversas com suas linguas afiadas. Tenho bebido desse veneno e compactuado com isso, estou sentindo as consequências dessa minha escolha.

Mas eu quero voltar, eu quero voltar para o meu Pai, quero ficar com Ele, não quero que as coisas do mundo sejam as minhas coisas. Que Deus possa me perdoar pela minhas transgressões, pelos meus pecados, não estou mais suportando viver uma vida sem Deus, sem a presença dEle, isso tem me matado.

Meu peito vai explodir, estou caindo, peço que ore por mim meu irmão. Estou angustiada, tomada por uma profunda tristeza.

Que Deus te abençoe, meu irmão!”

Li essa confissão tão honesta e dolorosa. E respondi a ela o que reproduzo abaixo, com acréscimos que depois, com mais calma, incluí no texto. Peço a Deus que as singelas palavras que vêm a seguir alcancem corações:

“R.,

meu coração chora pela tua angústia. Li o que você escreveu e gostaria de te dizer algumas palavras.

Primeiro, lembre-se se uma coisa: você é humana e Deus sabe disso. Não quero passar a mão na cabeça do pecado, mas importa que você entenda o olhar do Pai. Veja o que a respeito do Senhor diz Salmos 103.3-5; 8-14:

É ele que perdoa todos os seus pecados e cura todas as suas doenças, que resgata a sua vida da sepultura e o coroa de bondade e compaixão, que enche de bens a sua existência, de modo que a sua juventude se renova como a águia. O Senhor é compassivo e misericordioso, mui paciente e cheio de amor. Não acusa sem cessar nem fica ressentido para sempre; não nos trata conforme os nossos pecados nem nos retribui conforme as nossas iniquidades. Pois como os céus se elevam acima da terra, assim é grande o seu amor para com os que o temem; e como o Oriente está longe do Ocidente, assim ele afasta para longe de nós as nossas transgressões. Como um pai tem compaixão de seus filhos, assim o Senhor tem compaixão dos que o temem; pois ele sabe do que somos formados; lembra-se de que somos pó.

Essas verdades magníficas nos mostram que Deus não se interressa em punir ou destruir: isso é papel do Diabo. O que Nosso Senhor quer é pôr de pé o abatido, levantar o caído, pôr o anel no dedo do filho que foi comer as bolotas dos porcos.

R., Deus não espera de você perfeição, mas sim esforço. Pois, como disse o salmista, “ele sabe do que somos formados, lembra-se de que somos pó”: o Senhor sabe que você nunca será inerrante, perfeita, que você é pó. Assim, Deus compreende as suas fraquezas. O que Ele não aceita é o acomodamento. O cristão de verdade não é o que vence todas as batalhas, mas o que luta com toda a sua energia para vencê-las.

Se você está sem forças para viver sua vida devocional, lembre-se que Paulo disse que quando somos fracos é que somos fortes, pois o poder de Deus se aperfeiçoa na nossa fraqueza. É nessa hora, R., em que você se vira para o Senhor e diz “sozinha não posso”. E aprende a depender dele. Nunca deixando, claro, de fazer a sua parte.

As igrejas são imperfeitas, as pessoas são imperfeitas, todos nós somos. Se eu fosse me espelhar em mim mesmo e na minha santidade capenga, jamais frequentaria a igreja. Pois sei quem sou e quão distante estou de quem deveria ser. Mas é exatamente a percepção que tenho quando olho para mim e vejo o quão falho e pecador sou que me faz  olhar com compaixão para as falhas dos meus irmãos e isso me estimula a participar da comunhão. Pois nós, cristãos, somos, sem exceção, um bando de pecadores que amam a Cristo, reunidos em assembleia para cultuá-lo e nos ajudarmos uns aos outros em nossas fraquezas. Não é porque há imperfeições entre – todos – os cristãos que vamos abandonar o culto a Deus. É preciso saber racionalmente disso. Nos meus momentos de maior angústia, foram irmãos da igreja que me aconselharam, choraram comigo, deram seu ombro, compartilharam suas experiências, me apoiaram para ficar de pé. Nem todos farão isso. Mas há muitos irmãos piedosos que vão ser colunas na sua vida. E lembre-se de Hebreus 10.25: “Não deixemos de reunir-nos como igreja, segundo o costume de alguns, mas encorajemo-nos uns aos outros, ainda mais quando vocês vêem que se aproxima o Dia.”

Compartilho da sua tristeza ao ver cristãos agredindo uns aos outros. Não é o padrão nem o desejo de Cristo para nós, mas hoje entendo que a natureza humana caída muitas vezes faz a carne agir com mais força que o espírito. Aos que agridem temos de estender perdão e misericórdia. Ore por eles. Peça a Deus que os abençoe. O que Paulo manda fazermos sobre isso é algo que pouquíssimos de nós fazem. Mas que precisamos pôr em prática. Tenho tentado. Muitas vezes não consigo. Mas tenho lido este trecho diariamente, há muito templ, e estou tentando torná-lo uma realidade na minha vida, e tenho conseguido única e exclusivamente pela graça de Deus:Abençoem aqueles que os perseguem; abençoem, e não os amaldiçoem.  Alegrem-se com os que se alegram; chorem com os que choram.  Tenham uma mesma atitude uns para com os outros. Não sejam orgulhosos, mas estejam dispostos a associar-se a pessoas de posição inferior. Não sejam sábios aos seus próprios olhos.  Não retribuam a ninguém mal por mal. Procurem fazer o que é correto aos olhos de todos.  Façam todo o possível para viver em paz com todos.  Amados, nunca procurem vingar-se, mas deixem com Deus a ira, pois está escrito: “Minha é a vingança; eu retribuirei”, diz o Senhor.  Pelo contrário: “Se o seu inimigo tiver fome, dê-lhe de comer; se tiver sede, dê-lhe de beber. Fazendo isso, você amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele”.  Não se deixem vencer pelo mal, mas vençam o mal com o bem” (Romanos 12.14-21). Tente. Sei que você vai conseguir. Perdoe.

Isso é dar a outra face. É se deixar ser agredido sem revidar. É ser atacado sem atacar. É fazer o que Jesus fez: como ovelha muda ante seus tosquiadores Ele não abriu a boca. Esse é o padrão bíblico. Se fazemos justiça com as próprias mãos, agimos carnalmente e tomamos do Senhor aquilo que compete a Ele. Não sou eu que digo, R., está aí em Romanos, está no Sermão do Monte, a Bíblia sempre nos orienta que essa é a postura do verdadeiro cristão. Então não sinta raiva dos irmãos que te agridem. Ame-os. Ore por eles. E, se te fizerem mal, faça-lhes o bem. Tenha paz com todos, sabendo que o Senhor é quem retribuirá o mal que lhe fizerem.

Quando você diz “fico me perguntando cadê os verdadeiros cristãos” eu te respondo: olhe-se no espelho e lá você encontrará. Pois verdadeiros cristãos não são anjos flutuando sobre nuvens. São seres humanos, pó, que erram – mas com uma grande diferença: como têm o Espirito Santo habitando em si, se incomodam com o erro e fazem de tudo para não errar de novo.

Tudo o que você me diz sobre como se sente, todos os adjetivos depreciativos que usou para se referir a si mesma, toda a vergonha que expressa sobre a forma que você diz ser pode parecer algo repreensível, pode fazer parecer que você é uma perdida sem esperanças. Talvez seja assim que você se sinta. Mas o que leio nas entrelinhas da sua confissão é uma coisa linda: o Espirito de Deus habita em ti. Você pode se perguntar “como assim?? Pois se estou sendo tão pecadora!!”. Mas repare: é Ele quem convence do pecado, da justiça e do juízo. O homem por si mesmo é incapaz disso. E, se você se sente como descreve, é sinal de que o nosso Pai te ama e está te chamando ao arrependimento. Se Deus não se preocupasse contigo, você estaria pecando sem se incomodar. Esse incômodo prova que o Senhor está te chamando para uma mudança – por amor.

Agora, há um ponto importante, que aprendi com meu pastor: existe uma diferença grande entre remorso e arrependimento. Remorso é o choro que não tem consequência. Arrependimento é o choro que nos faz mudar de atitude. Remorso é carnal, é o que Judas sentiu. Arrependimento é espiritual, é o que Pedro sentiu após negar Cristo. O que é importante agora é você fazer essa angústia que o Espírito de Deus está gerando dentro de si pelo estilo de vida pecador que você está vivendo ter como consequência uma mudança de rumo. Deus está à porta e bate. Você vai abrir a porta do seu coração? Só depende de você.

Repare o que Paulo escreveu aos Coríntios em 2 Coríntios 7.8-11: “Mesmo que a minha carta lhes tenha causado tristeza, não me arrependo. É verdade que a princípio me arrependi, pois percebi que a minha carta os entristeceu, ainda que por pouco tempo. Agora, porém, me alegro, não porque vocês foram entristecidos, mas porque a tristeza os levou ao arrependimento. Pois vocês se entristeceram como Deus desejava, e de forma alguma foram prejudicados por nossa causa.  A tristeza segundo Deus produz um arrependimento que leva à salvação e não remorso, mas a tristeza segundo o mundo produz morte.  Vejam o que esta tristeza segundo Deus produziu em vocês: que dedicação, que desculpas, que indignação, que temor, que saudade, que preocupação, que desejo de ver a justiça feita! Em tudo vocês se mostraram inocentes a esse respeito”.

Não é lindo? Consigo ver em você essa mesma tristeza. Não é um abatimento de alma destruidor, mas é Deus te chamando para o arrependimento, para a paz, para a salvação, para a dedicação, o temor, a justiça. Acredite, há muito pouco tempo vivi isso. E dói. Sei que dói. Mas o resultado é maravilhoso, se você consegue converter essa tristeza em mudança de rumo.

Quando você diz “Mas eu quero voltar, eu quero voltar para o meu Pai”, só te digo uma coisa: Ele está de braços abertos, apenas esperando. Volte hoje. Volte agora. Não adie um dia sequer. Não adie um minuto. Sinta o abraço do Pai.

E você diz “Que Deus possa me perdoar pela minhas transgressões, pelos meus pecados”. Vou te contar um segredo: Ele pode. Mais ainda: Ele quer. Jesus veio à terra exatamente com esse propósito: perdoar pecados. E existe uma fórmula mágica para isso acontecer, que está em Provérbios 28.13: “Quem esconde os seus pecados não prospera, mas quem os confessa e os abandona encontra misericórdia“. Tudo o que você tem de fazer é se arrepender (o que suas palavras demonstram que já aconteceu), confessar a Deus os seus pecados e abandoná-los. Pronto. Está feito. Foi para isso que Jesus encarnou, sofreu, morreu e ressuscitou, R., para que você e eu tivéssemos perdão e possamos estar na eternidade com Deus. 

Compreenda que Deus não te despreza porque você errou. Veja que revelação maravilhosa Jesus nos faz: “Eu lhes digo que, da mesma forma, há alegria na presença dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende.” (Lc 15.8-10). Você está arrependida? Quer realmente abandonar o pecado? Saiba que os anjos estão em festa.

De modo muito prático, R., recomendo que você acalme-se, respire fundo e busque silenciar. É hora de você se recolher ao silêncio das quatro paredes, só você e Deus. Chore. Derrame sua verdade pelos seus olhos ante o Cordeiro de Deus. Você terá momentos de muita angústia e dor pela sua pecaminosidade nesse processo. Mas, uma vez que o perdão do Senhor vier sobre ti… ah, R., é um gozo sem explicação. Neste momento há muita confusão na sua mente. É hora de se recompor, chorar, gemer e se cobrir de pó e cinza. Mas, depois, lave o rosto, quando você se acalmar, já tendo confessado e abandonado o pecado, retome sua vida devocional com Deus. Sua oração pode ser um sussurro, um gemido. Sua leitura da Biblia pode ser curta, desde que profunda e feita com muita reflexão, para que aquilo que você lê deixe de ser texto e se torne vida prática. Seu jejum pode esperar. Assim, aos poucos, vai recuperando a paz, o equilíbrio e a comunhão com Deus. E tudo ficará bem. A vida ganhará novas cores, você se conhecerá muito mais e terá muito mais ímpeto de agradar o Salvador e de ser íntima e útil para Ele. Sabendo que Jesus de Nazaré não quer te punir: quer te restaurar.

Fique calma. Jesus ama muito você. Não se sinta indigna, sinta-se amada e cuidada. Lembre-se que, se o Espirito está falando ao seu coração, é sinal de que Ele te chama, ama e não desistiu de você. Tenha paz. Fuja do pecado. E volte aos braços do Pai, com coração sincero e contrito.

Oro por ti, minha irmã. Entrega teu caminho ao Senhor, confia nele e o mais Ele fará. Deus é contigo.

Na paz que excede todo o entendimento,
Mauricio”

.
Decidi reproduzir aqui meu diálogo com R. pois sei que há muitas e muitas pessoas que estão passando por o que ela passou. Eu já passei. E, por isso mesmo, posso afirmar: há esperança. Há perdão. Há reconciliação com Deus. E há muito a viver e fazer uma vez que você se põe em pé após passar pelo vale da sombra da morte e/ou pelo lamaçal do pecado. Deus não despreza um coração contrito, afirma a Palavra. Deus não despreza os Seus. Deus não é um carrasco: é um Pai – amoroso, bondoso e perdoador.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Mauricio

.

Apenas1Para sermos cristãos verdadeiros, temos que viver em honestidade com Deus e sua Palavra, sem querer maquiar a proposta da piedade com cores mais brilhantes do que de fato são. Por isso, precisamos olhar as boas-novas de Jesus com sinceridade absoluta. E isso inclui desfrutar de todas as bênçãos e promessas da fé – mas também arcar com o preço caro que custa seguir Jesus. Tenho pensado sobre o comentário de um irmão querido que compartilhou suas impressões sobre o que escrevo no APENAS. Ele disse que alguns de meus textos dão a impressão de que a vida do cristão é um mar de sofrimento. Não é bem assim. Mas também é.

O fato é que o evangelho pressupõe sim sofrimento. Esqueça por um momento as pregações que ouviu de pastores triunfalistas, que se promovem fazendo somente sermões para você se sentir bem, do tipo “a vida do cristão é um mar de rosas”. Vamos dar ouvidos a quem tem autoridade desinteressada sobre o assunto. O apóstolo Paulo diz em Filipenses 1.21: “Porquanto, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro”. Ou seja, o sentido da vida é Jesus. Ele é a razão de viver, a meta, o alvo, o objetivo, o motivo de levantarmos da cama pela manhã, o foco de tudo o que fazemos no dia a dia. Tudo o que realizamos, falamos, deixamos de fazer, criamos, defendemos; todas as nossas ações, enfim, devem ter como motivo principal ir após Cristo.

Apenas2E o que significa “viver Cristo”, “ir após Cristo”? Em Marcos 8.34, num ensinamento que é citado em duas outras passagens bíblicas, é o próprio Jesus quem esclarece: “Então, convocando a multidão e juntamente os seus discípulos, disse-lhes: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me”. Então viver Cristo significa, antes de tudo, negar a si mesmo. Pare e pense em toda a sua profundidade o que isso implica: dizer não para si. Para seus desejos, suas vontades, seus objetivos pessoais e suas inclinações e pôr os desígnios do Senhor em primeiro lugar. É amar a Deus sobre todas as coisas… de fato.

A segunda parte da definição de Cristo sobre o que deve fazer quem quiser vivê-lo é “tomar a sua cruz”. Uma cruz do tipo que era usado no Império Romano na época da morte de Jesus pesava cerca de 90 quilos. Se você não consegue dimensionar o quão pesado é isso, imagine-se carregando 90 sacos de feijão. Minha filha pesa hoje 12 quilos e só Deus sabe as dores que sinto nas costas por pegá-la no colo. Carregar uma cruz exigiria, assim, o esforço de transportar sobre um ombro 7,5 filhas! Não consigo imaginar como isso seria humanamente possível. E não consigo imaginar como alguém pode crer que isso seja um mar de rosas. Não é: é duro, exige esforço e pressupõe sofrimento.

Portanto, vemos que ser um cristão, que significa viver Cristo, exige a negação de si mesmo e um sofrimento análogo ao de carregar uma cruz. É aí que fica claro o aspecto dolorido de nossa fé, o mar de sofrimento. Mas, se você já está desanimando por perceber a dureza de caminhar pelo estreito Caminho que leva à Porta estreita, surge então a parte final do que significa ir após Cristo: o mar de rosas do “…e siga-me”. E é aí que está nossa esperança.

Apenas3Seguir significa ir de um ponto “A” até um ponto “B” atrás de alguém. No caso da jornada cristã, o ponto “A” é o momento exato em que Jesus nos reconciliou com o Pai, quando fomos salvos. E o ponto “B”? Jesus ascendeu ao Céu e é lá que o Onipresente está, como viu Estêvão: à direita de Deus em sua glória eterna. Portanto, se o seguirmos esse será o destino final: o Céu. E, então, Deus “lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram” (Ap 21.4).

Essas passagens resumem bem o que significa a caminhada do cristão: uma vida pedregosa, com bons e maus momentos, com dores e sofrimentos sim, com alegrias e boas recordações sim, mas sem nenhuma promessa de riqueza material, ausência de problemas, eliminação de doenças, nada disso. Ser cristão não é viver isento de sofrimento – quem promete isso está ensinando autoajuda gospel e não o evangelho puro e simples. Pelo contrário, Jesus nos afirma que para ir após Ele temos de negar-nos e carregar uma pesada cruz. Não, não será um mar de rosas.

Apenas4Você certamente já leu na Bíblia que Jesus pediu que tivéssemos bom ânimo, pois Ele sabia que neste mundo teríamos aflições. Todos, indistintamente, cristãos ou não. A diferença é que nós, que fomos chamado das trevas para a luz, temos a esperança de seguir até onde Cristo está, o ponto “B”, o destino final: a glória celeste, a paz eterna, a alegria sem fim de se ver na presença do Criador do universo.

Portanto, para todo aquele que está em Cristo e cuja vida tem sido um mar de sofrimento, não espere falsas promessas. De mim você não as ouvirá. Mas posso te dar a certeza de que, após nadar no mar do sofrimento terreno, na eternidade você se banhará nas águas da vida do mar de rosas – a mesma certeza que Paulo nos dá em 1 Coríntios 2.9: “Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam”.

Você ama Jesus? Então prepare-se para dias melhores. Melhores, perfeitos e eternos.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
mz