Arquivo de junho, 2012

Quando você é convertido pelo Senhor, aprende a ser cristão imitando outros cristãos, da mesma maneira que uma criança aprende a falar: copiando os mais antigos. Por isso, aprendemos a orar do modo que ouvimos os outros orar. E, em nossos dias, a oração tem sido basicamente ególatra: eu, eu, eu e, por fim, eu. “Deus, o meu emprego, a minha casa, a minha família, a minha filha, o meu carro, a minha vida espiritual, o dom que eu quero receber, me dá, me dá, me dá, EU QUERO DE VOLTA O QUE É MEU!!!”. Perdemos o hábito de interceder. Orar pelos outros parece um negócio secundário na igreja egoísta em que vivemos. Por isso, sempre que agradecemos ao Pai é pelo que ganhamos, pela “bênção recebida”, pela “graça alcançada”, pela “MINHA VITÓRIA!!!”. E esquecemos de agradecer pelo que Deus NÃO nos deu.

“Ahn?! Como assim, Zágari?! Como é que vou agradecer pelo que NÃO recebi?”. Primeiro, meu irmão, minha irmã, porque é bíblico: Paulo nos ensina em 1 Tessalonicenses 5.18: “Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco“.  E tudo é tudo, não é só naquilo em que fomos atendidos. O autor da carta aos Hebreus cita no capítulo 11 uma lista de homens e mulheres que são dignos de nota por sua fé, e acerca deles afirma: “Todos estes morreram na fé, sem ter obtido as promessas; vendo-as, porém, de longe, e saudando-as, e confessando que eram estrangeiros e peregrinos sobre a terra“.

Uau. Repare que esses servos de Deus morreram sem obter as promessas. Ou seja: não as experimentaram em vida. E ainda assim foram elogiados. Se o autor aos Hebreus vivesse em nossos dias, possivelmente diria “Todos estes morreram sem fé, pois não obtiveram as promessas; vendo-as, porém, de longe, ficaram fulos da vida com Deus, pois decretaram a vitória, tomaram posse da bênção mas não receberam o que queriam e se esqueceram de que eram peregrinos sobre a terra”.

Certa vez voei de helicóptero sobre o Rio de Janeiro, cidade na qual, graças ao bom Deus, vivo há 40 anos. E me impressionei como, vista de cima, havia tantos e tantos lugares que eu não conhecia, nunca tinha reparado, passagens entre ruas, comunidades e casas escondidas… foi revelador. Deus vê as coisas assim, de um modo que não enxergamos. Por isso, muito do que pedimos não recebemos. “Deleita-te no Senhor e Ele satisfará os desejos do teu coração“, diz o salmista no Salmo 37.4, fazendo parecer que Deus nos dará tudo o que nós, seus filhos mimados, pedirmos. Mas nos esquecemos de continuar a leitura e ver alguns versículos à frente: “Mais vale o pouco do justo que a abundância de muitos ímpios“.

Se Deus te dá pouco, glorifique-o. Se Deus não te dá o que você pediu em oração, glorifique-o. Se Deus parece não escutar teus apelos, glorifique-o. Se pedes, buscas e bates e não recebes, glorifique-o. Você o tem e Ele te tem – quer mais do que isso? Se você não recebe o que pediu é porque Deus, de seu helicóptero de onisciência, enxerga o que você não enxerga. Vê o que há depois da curva. Por isso, faça como o homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desviava do mal: quando sua oração não é atendida, prostre-se, adore o Altíssimo e diga: “Nu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei; o SENHOR o deu e o SENHOR o tomou; bendito seja o nome do SENHOR!“.

Peça. É bíblico. Jesus nos ensinou a fazê-lo no Pai Nosso. Mas peça sabendo que pode nunca ser atendido. E fique feliz por isso. Pois se você, que tem a visão do futuro e das circunstâncias limitadas, ora e o Pai não te concede, pode ser que seja Deus concedendo o que você pediu em outra oração sua: “Mas livra-nos do mal…“. E, principalmente, esta: “Faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu“. Queremos e solicitamos a Deus que faça Sua vontade – que é boa, perfeita e agradável – mas se Ele faz e ela contraria a nossa vontade nos chateamos. Ou seja: pedimos uma coisa mais excelente do que outra que pedimos depois. O Criador nos atende. E ficamos chateados. Quem nos entende?

Meu irmão, minha irmã, peça. Ore. Clame. Suplique. Mas se sua oração não for atendida, erga as mãos para o Céu, agradeça, adore a Deus e saiba que não recebeu o que pediu porque você tem um Pai que cuida de ti. Pois, afinal, como Paulo deixa muito claro em Romanos 8.28: “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito“. Você ama a Deus? Foi chamado  segundo o seu propósito? Então o fato de o Senhor não atender tua oração é a maior bênção que Ele poderia te dar. Seja grato. E ore, agradecido: “Obrigado, Pai, pelo que NÃO me deu”.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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Um fenômeno incompreensível no nosso meio é a alegria que muitos frequentadores de igreja demonstram quando um  cristão cai em pecado. E digo “frequentadores de igreja” não por acaso: um cristão de verdade jamais se alegra com o pecado de ninguém. A verdade é que, enquanto Jesus diz que “haverá maior alegria no céu por um pecador que se arrepende, do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento” (Lc 15.7), aqui na terra a turma se esbalda quando alguém peca. Evidentemente não estou falando só de pecados gravíssimos, terríveis, como: glutonaria, rancor, ira, maledicência, discórdia, ciúmes, egoísmo, inveja e outros dessa estirpe (ou você achava que esses pecados não eram sérios? Leia Gálatas 5.19-21). Refiro-me basicamente à tríade sexo, poder e dinheiro – os grandes pecados que elegemos para não perdoar, junto, é claro, com o álcool e o cigarro. Envolveu um desses pecados e a turma vai adorar falar por anos a fio sobre os envolvidos nessas histórias, que na cabeça do cristão brasileiro são piores que a blasfêmia contra o Espírito Santo.

Não, pecar não é correto. Não se justifica. É uma desobediência ao Rei dos Reis. É feio. É condenável. Cheira mal às narinas do Santíssimo. Mas permita-me abordar 4 aspectos da questão:

1. Absolutamente todo mundo peca. Eu e você, inclusive.

2. Todos pecados são hediondos, mesmo os que você pratica e acha que não são. O glutão é tão pecador como o assassino. O invejoso e o ciumento são tão pecadores como o estuprador. Se você acha que o seu pecado é menor do que o do bandido da boca de fumo, novamente sugiro que leia Gálatas 5.19-21 e me diga se estou errado.

3. Jesus encarnou como o Cordeiro de Deus que veio para tirar o pecado do mundo. Depois da Cruz, ele concede o perdão a todo pecador que se arrepende (a única exceção é a blasfêmia contra o Espírito Santo, mas nesse caso não haveria arrependimento). E, se Deus já perdoou, quem você pensa que é para continuar acusando o pecador arrependido?

4. Alegrar-se quando alguém peca é tão pecado como qualquer outro, pois vai contra o maior mandamento: amar o próximo como a si mesmo.

Apesar dessas verdades, o que vejo ao meu redor é que o frequentador de igreja em geral ama crucificar quem Deus já perdoou. Ama de paixão. Tem um prazer e uma alegria sádicos de ficar apontando o pecado alheio. É como se dissesse: “Hehehe, sou melhor do que você”. Pior: há os que amam ficar sabendo e tricotando sobre o pecado do outro. “Você não soube o que fulana fez? Vou te contar, mas é só pra você orar por ela”, diz o fofoqueiro. “Pode contar, só quero saber para interceder por beltrano”, diz o frequentador de igreja com aparência de piedade mas que por dentro está se escangalhando de se entreter com a desgraça do seu próximo.

Tudo pelo sádico prazer anticristão de ver o próximo se dar mal. Essa que é a pura verdade.

Pois o cristão de fato não se alegra com a queda do irmão: o ajuda a se reerguer, o preserva, chora com ele, proteje-o. Pois todo aquele que escorregou tem o grande potencial de se tornar um cristão melhor após ser reerguido pelo Espírito de Deus – basta ver o exemplo de Davi no caso de Bateseba. E o cristão de verdade sabe disso e luta para que o irmão que pecou torne-se um homem segundo o coração de Deus. Não pisa na cabeça dele nem o acusa. Isso já tem alguém chamado Satanás para fazer, nenhum ser humano precisa tomar do diabo aquilo que ele já fará naturalmente. Quem o faz torna-se cúmplice dele.

Como disse um sacerdote veterano certa vez, quando alguém lhe perguntou se deveria perdoar alguém que praticou grande mal: “Bem… temos duas opções: ou nós não o perdoamos ou fazemos o que a Bíblia manda”. Sim, a resposta do problema era matemática: 70 vezes 7. E a equação estava resolvida. Esse relato me lembra uma frase de Jesus quando uma certa mulher adúltera foi levada até ele, pois queriam apedrejá-la. Você conhece a história. Disse o Cordeiro de Deus: “Visto que continuavam a interrogá-lo, Jesus se levantou e lhes disse: ‘Se algum de vocês estiver sem pecado, seja o primeiro a atirar pedra nela’.” (João 8.7).

Meu irmão, minha irmã, perceba: você peca todo santo dia – por pensamentos, palavras, atos e omissões. Você e eu não somos menos pecadores do que o pior dos assassinos. Mas aí vem logo alguém com aquele argumento óbvio: “Ah, eu peco, só que eu não vivo pecando”. E eu perguntaria: “Não vive pecando? Ok. Então me diga um único dia da sua vida em que você não pecou”. Pois é. Você e eu pecamos TODOS os dias das nossas vidas, tirando talvez algum dia em que estivemos em coma. Fora esse, você pecou TODOS os dias.

Então, caro amigo vaidoso, glutão, fofoqueiro, invejoso, iracundo, maledicente, preguiçoso, cobiçoso, egocêntrico, que não põe Deus acima de todas as coisas, que deseja o mal ao próximo, que não prefere os outros em honra, que devolve mal com o mal, que não perdoa as dívidas e ofensas, que é rude com os outros, que desdenha os mais pobres, que inveja os mais ricos, materialista, que tem inimizades e ciúmes, que tem iras e discórdias, que promove dissensões e facções… meu querido, lamento informar, mas você e eu vivemos  SIM pecando. Di-a-ri-a-men-te. E Paulo diz em Gálatas 5 que “não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam”. Então, caro, estamos mal na fita – e carecemos da graça de Deus tanto quanto quem você acha o pior dos pecadores.

É a isso que Jesus se referia quando disse para olharmos a trave em nosso olho antes de olhar o argueiro no olho do outro, caro frequentador de igreja. Diante disso, se me permite, sugiro que a partir de hoje você olhe menos para o pecado do seu próximo – em especial se por acaso você sente aquela satisfação sádica de ver o pecador se arrebentar – e passe a dirigir mais sua atenção para os seus próprios pecados e, principalmente, para a Cruz de Cristo. Pois, pode acreditar: você vai precisar muito dela no Dia do Juízo.

Paz a todos vocês que estão em Cristo – e que, como eu, sabem que são miseráveis pecadores.

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Quando você cria um blog, seu nível de exposição torna-se bem maior do que se possa imaginar. Atualmente, após 13 meses no ar, o APENAS tem uma média de 4.000 leituras por post, fora outros blogs que o replicam e irmãos que fizeram a assinatura e assim recebem os textos por e-mail, repassando-os para outras pessoas. É uma quantidade significativa de internautas que leem os textos e interagem comigo pelos comentários, uma média de 60 por dia. Isso me gerou muitas percepções. Mas, de todas as percepções que blogar me proporcionou, uma das mais visíveis é como é fácil as pessoas se enganarem a seu respeito.

Calma. Não estou dizendo que deliberadamente engano você, meu irmão, minha irmã. Não é isso. Mas como escrevo sobre a fé cristã a partir daquilo em que acredito, a imagem que muitos dos leitores acabam construindo sobre o autor dos textos é de uma grande santidade, de uma monstruosa intimidade com Deus, de muita devoção. Isso fica claro quando leio os comentários de diversos irmãos que, por uma enorme bondade em seus corações, tecem elogios a mim. São irmãos e irmãs que não me conhecem pessoalmente, não enxergam as profundezas do meu coração e, assim, formam uma imagem a meu respeito baseado no que escrevo. E confesso que por vezes sou tratado como um homem de Deus tão santo que quase acredito.

Isso é um enorme problema. Pois é exatamente assim que começam a se formar celebridades gospel. Que pastores começam a ser idolatrados. Que cantores evangélicos ganham fãs. Que teólogos e palestrantes passam a ser vistos como inerrantes aos olhos de muitos. Que pastores hereges ou gananciosos são amados por cristãos sinceros apesar de suas heresias e de seus intere$$e$. Tudo porque, sem se conhecer a fundo os indivíduos e suas mazelas, começamos a olhar para eles por sua aparência de santidade e piedade, por suas palavras eloquentes ou bonitas, por seu jeito aparentemente espiritual de entoar louvores… e criamos imagens em nossas mentes sobre como essas pessoas são a partir de suas máscaras. Mas por baixo dessas máscaras muitas vezes a coisa é bem diferente. E eu vou provar com o meu exemplo. Para não falar dos outros, vou me pôr na berlinda. A você que me elogia pelo que eu escrevo, deixe-me confessar algumas coisas a meu respeito.

Sou uma pessoa absolutamente normal. Como você, tenho minhas muitas deficiências. Como você, luto constantemente contra minha carne e contra zilhões de defeitos. Me iro, sinto ódio, brigo com minha esposa, perco minha paciência, falo o que não devia, faço o que não devia, sinto inveja, mágoa, ciúmes. Cobiço o bem do próximo. Como você, luto a cada dia para viver em intimidade com Deus, embora tenha dias em que fique com preguiça de ler a Bíblia e sinta sono para orar. Como diz o clichê, tem dias em que “só a graça”! Como você, nem sempre amo a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a mim mesmo. Chego a ser egoísta, em muitas ocasiões. Perco a cabeça. Como você, tenho pensamentos impuros. Como você, tenho vontade de matar certas pessoas – depois de enchê-las de sopapos, claro. Já cometi pecados após a minha conversão que me enchem de culpa e, embora eu esteja sinceramente arrependido e saiba que Deus me perdoou, eu mesmo não me perdoei. Em resumo, meu irmão, minha irmã, sou exatamente como você: decepcionante, um pecador de marca maior, numa luta constante contra minha natureza humana e numa perene busca desesperada por Deus e pela santidade. Que parece sempre um alvo inatingível.

Mas há um porém: apesar de eu ser todo esse amontoado de pecados, escrevo sobre aquilo em que creio. Aquilo de que não tenho a menor dúvida que seja verdade. Creio no Evangelho. Creio na Bíblia como a inerrante revelação de Cristo. Creio em Jesus. Creio na graça sem a qual eu e você iríamos para o inferno. Creio que há perdão para o pecador arrependido. Creio na santidade e a vejo como uma meta essencial. Creio que devemos combater as heresias e os hereges. Creio na pureza de coração. Creio que devemos ser como o cristão que Jesus descreve no Sermão do Monte. Se eu fosse perfeito é como eu gostaria de ser. Difícil, para não dizer impossível. Mas lutar para chegar lá é totalmente possível.

Vivo, portanto, uma contradição. Escrevo e prego sobre o que creio, mas vivo com milhões de erros e cometo bilhões de pecados. Isso faz de mim um hipócrita? Ou… um humano? Não sei. Só cabe ao Espírito Santo de Deus me julgar. Mas sei de uma coisa, como já pus em outro post: a Bíblia diz que os anjos pediram ao Senhor para proclamar o Evangelho, só que, estranhamente, Ele decidiu dar essa tarefa aos homens. Que bizarro, que escolha aparentemente contraditória e sem sentido. Porque, se você parar para pensar, ao longo dos últimos 2 mil anos, as boas-novas de salvação só têm sido pregadas por… pecadores carentes de salvação. A santidade tem sido estimulada somente por homens com falhas graves na sua própria santidade. O arrependimento dos pecados tem sido apregoado por homens e mulheres desesperadamente necessitados do arrependimento de seus pecados. Todos os humanos que pregaram o Evangelho até hoje compõem uma grande multidão de “mascarados”, pessoas que anunciaram o Caminho para o Céu enquanto dentro de seus peitos pecados horrendos vicejavam e os poluiam.

Somos desgraças ambulantes pregando a graça.

Eu me enquadro nesse grupo. Todos os cristãos que caminharam sobre a terra nos últimos 20 séculos se enquadram nesse grupo. Mesmo assim, Deus nos mandou divulgar o maravilhoso Jesus e as coisas que Ele ensinou. Fascinante. Se Cristo aparecesse para mim hoje eu teria vergonha de olhá-lo nos olhos. Pois o peso da minha pecaminosidade e falibilidade me esmagaria. Mesmo assim o amo. E nunca cessarei, enquanto Ele me permitir, de proclamar que Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida. Nunca cessarei de pregar a mensagem da Cruz. Trinta segundos após pecar subirei num púlpito e pregarei que não devemos pecar. Simplesmente porque é o que devemos fazer. Porque é o certo.

Sejamos honestos: se eu e você fossemos esperar sermos santíssimos para anunciar que devemos ser santíssimos jamais ninguém abriria a boca.

Se eu e você fossemos esperar que nossos pecados cessassem ou que nossa máscara de bons homens e mulheres caíssem para que fossemos sentar e escrever sobre como devemos nos despir das máscaras de santidade, assumir nossa natureza pecaminosa e afirmar que precisamos terrivelmente nos santificar…você não estaria lendo essas linhas agora. Sim, eu uso máscaras de santidade, negar sim seria hipocrisia e mentira. Oculto dos outros meus muitos pecados e os trato com Deus, entre as quatro paredes do meu quarto. Exatamente como você faz. Ele me conhece. Ele conhece você. E sabe que quem se esconde atrás de cada máscara – como diz a música do Bispo Walter McAlister (veja vídeo ao final deste post) – é uma pessoa real: pecadora, errada, miserável em suas transgressões. Se cada um saisse pelas ruas alardeando seus próprios pecados não haveria espaço para caminhar em meio à multidão. Mas a questão é que absolutamente todo cristão que pisa numa igreja é um tremendo pecador vestindo máscaras de santidade mas com o rosto desfigurado pelo pecado. Todo. Sem exceção. Eu. E, se você tiver coragem de admitir, você também.

O que nunca deve nos impedir de proclamar Cristo, o Evangelho, a salvação, o arrependimento dos pecados, o juízo, o perdão… e a maravilhosa graça.

Em 1 João 1.8-10 disse o apóstolo amado: “Se afirmarmos que estamos sem pecado, enganamos a nós mesmos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça. Se afirmarmos que não temos cometido pecado, fazemos de Deus um mentiroso, e a sua palavra não está em nós“. Não, eu jamais faria de Deus um mentiroso, assumo minha natureza pecadora, confesso a Ele meus pecados e creio que Ele é fiel e justo para ter me purificado de todo o mal que pratiquei. E, assim, sigo escrevendo sobre a fé.

Então sim, eu escrevo sobre o que tem que ser escrito. Escrevo porque é a verdade. Escrevo para edificar, embora eu mesmo prejudique pessoas. Escrevo para consolar, embora eu mesmo tenha minhas dores, que precisam de consolo. Escrevo para exortar, embora eu, me conhecendo como me conheço, saiba que ninguém mais do que eu precisa ser exortado. Mas mesmo assim o faço. Escrevo neste blog. Escrevo em livros. E Deus, por sua graça incompreensível, por seu amor imensurável, por sua compaixão e misericórdia impossíveis de se alcançar racionalmente em toda sua extensão… ainda assim usa as palavras que saem deste pecador incorrigível que sou para tocar corações, amparar necessitados, aconselhar pesssoas em dor e até evitar suicídios, como já contei aqui. Eis o porquê de eu continuar escrevendo sobre santidade; combatendo os inimigos de Cristo; denunciando as heresias e os hereges; trazendo reflexões sobre as coisas de Deus; buscando não esmagar quem peca, mas ajudá-lo a se pôr novamente de pé.

Meu irmão, minha irmã, eu sou pó e cinza escondidos por trás de uma máscara de piedade. Como todo pastor-celebridade. Como todo artista gospel. Como todo blogueiro. Como todo tuiteiro. Como todo teólogo. Como todo cristão. Por isso, não seja fã nem idolatre ninguém. Nenhum de nós tem a capacidade de ser exemplo: só Jesus. Só Jesus.

Não me idealize, querido, querida. Meus prêmios, livros e textos não fazem de mim alguém louvável. Sou exatamente igual a você: um pecador que carece diariamente da graça do Cordeiro de Deus que veio tirar o pecado do mundo. Não pense que sou melhor do que ninguém, não sou. Eu poderia ser muito melhor. Mas não é por isso que deixarei de estimular meu próximo a ser o melhor que ele puder. E não é por isso que não creio piamente no que escrevo: creio na graça, na glória de Deus, na remissão da humanidade pelo sangue derramado na Cruz, na luta desesperada pela santidade. E já escrevi sobre pecados enquanto lágrimas desciam por meu rosto sabendo que eu estava sendo o primeiro a ser alcançado pela minha própria exortação.

Então, querido, não me elogie nos seus comentários no blog. Em vez disso faça uma oração por mim – e por todos aqueles que você considera exemplos de santidade. Isso será muito mais proveitoso para minha vida espiritual, tão carente por trás das máscaras que uso. Tenha certeza absoluta ao ler meus textos e livros: foram escritos por um homem que peca, que sabe que peca, que odeia pecar e ainda assim peca, mas que proclama o Evangelho acreditando com toda sua alma naquilo que escreve e que deseja edificar o Corpo de Cristo. Que ama Jesus, a Bíblia, a Igreja, o Evangelho. E que luta diariamente para aproximar aquilo que vive daquilo que prega – embora nem sempre consiga. Mesmo assim, se for o caso não deixe de abrir seu coração para aquilo que escrevo, pois Deus pode usar até uma mula falha como eu para falar a você. É o que Ele tem feito por 2 mil anos por meio de cada pecador que proclamou o Evangelho da graça e é o que continuará fazendo até a gloriosa volta de Jesus.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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Todo mundo parece que quer reinventar o Evangelho. Se você não sabe, a palavra “evangelho” significa “boas-novas” – e o Evangelho de Cristo são as boas-novas da salvação. Ponto. O Verbo encarnou, morreu e ressuscitou para que tivéssemos salvação, ou seja, vida eterna. Ponto. O resto é só o resto. Por isso me impressiona a quantidade de cristãos que acham que o Senhor encarnou para resolver os problemas desta vida, da nossa sociedade, do mundo. O Evangelho não são as “boas-novas do saneamento básico”, as “boas-novas do enriquecimento financeiro”, as “boas-novas da influência sobre a política social” ou as “boas-novas da luta pelo fim da miséria”. Isso é Evangelho 2.0, uma nova versão daquilo que Jesus ensinou: seu Reino não é deste mundo. Ponto.

Um homem brasileiro vive, em média, 72,5 anos, enquanto na eternidade teremos vida – ou morte – eterna por 72 trilhões de trilhões de trilhões de trilhões de anos. E isso não será 0,1% da eternidade. E você realmente acha que Deus está tão preocupado assim com nossos anos sobre a terra? Um-hum. Claro que Ele se preocupa, mas esta vida, que a Bíblia diz que é como “um sopro” e “uma neblina”, é uma ridícula e minúscula portinhola de entrada para o porvir eterno. Daí a influência marxista sobre o Evangelho ser um equívoco tão elementar: Jesus se ofereceu ao sacrifício não para que seus servos fossem ao Planalto, fizessem comitês, organizassem passeatas, lançassem manifestos sobre política partidária. O sacrifício vicário é um sublime exercício espiritual, um estímulo à vida devocional.

Quando Jesus morre na Cruz não é a porta do palácio de Herodes que se rompe para que seus seguidores possam exigir melhores condições de vida, nem a fechadura da residência de Pilatos que arrebenta para que os discípulos tenham como reivindicar um melhor padrão de vida para as massas carentes: é o véu do templo que se rasga, para que o homem pecador tenha acesso ao Santo dos Santos, ao Altíssimo, ao Sagrado, ao espiritual, ao Pai. Para praticar o religare com o Todo-Poderoso, o tão mal-falado bicho papão do momento: religião. Uuuuuu, que medo, teve gente que só de ouvir essa palavra se arrepiou todo.

É lógico que agora, furiosos, os adeptos dessa linha terrena de Evangelho 2.0 virão com todos os argumentos das classes oprimidas, que temos que ajudar o próximo, que amparar os órfãos e as viúvas em suas tribulações. Isso é óbvio! A consequência das boas-novas é o amor pelo próximo. Não sou filho de família rica: meus pais eram professores do estado e tinham cada um quatro ou cinco empregos para poder sustentar os filhos. Mas não é pelas minhas raízes proletárias que segurarei a foice e o martelo e farei do foco da morte e da ressurreição de Cristo uma luta política por uma vida melhor. Segurarei a Bíblia. Meu compromisso, como o de todo cristão, é com a Jerusalém Celestial, não com Brasília.

Os problemas desta vida nós, que vivemos numa pseudodemocracia, resolvemos no voto. Ou, pelo menos, deveríamos resolver, se soubéssemos votar. A fé é sobre outras coisas. Amar o próximo, sem dúvida, mas a Deus sobre todas as coisas. Como disse o Cordeiro, a Videira, “de que adianta ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?”. Quem não entende que o Evangelho é sobre nossa comunhão eterna com Deus e não sobre nossa comunhão momentânea com os problemas desta vida não compreendeu que o Pai deu seu Filho unigênito para que os que nEle cressem não perecessem, mas tivessem…adivinha o quê? Bem, você conhece João 3.16.

Olho para os mártires dos 313 primeiros anos de Cristianismo e não consigo ver nenhum deles morrendo no Coliseu para que os pobres tivessem acesso a educação e saúde. Não me ache um insensível, acredite, choro pelos que choram e faço a minha ação social – e o que faço Deus sabe, não preciso alardear aqui. Mas não é por isso que vou ignorar o testemunho dos mártires da Igreja primitiva, que fizeram o bem ao próximo, mas que, como os casos citados em Hebreus 11, deram suas carnes alegremente aos leões e às torturas pelo entendimento de que a meta é o Céu – e não asfaltar um bairro. Blandina, Romano, Policarpo, Estêvão e tão grande nuvem de testemunhas deram-se ao martírio em nome da eternidade. Por entenderem que o Evangelho não é a respeito deste sopro de vida. Que adianta erradicar a miséria e irmos todos para o inferno? Jesus não é um super-herói que veio à terra para salvar mocinhas em becos escuros de batedores de carteiras.

O Evangelho 2.0 é um equívoco. Simplesmente porque põe uma das muitas consequências da Cruz como a causa. Ação social, caridade, cavar poços artesianos, construir creches e escolas, influir sobre as instâncias do poder público… não foi por nada disso que Jesus encarnou, morreu e ressuscitou. Isso é consequência e não causa. Jesus veio para tirar pecadores do inferno e não pobres das favelas. Isso é Evangelho.

Quando eu era mais jovem, com meus 17 anos, cheio de testosterona, filiado a organizações estudantis de esquerda e crente que ia mudar o mundo, acharia o Evangelho 2.0 o máximo. Fui a comícios nas eleições de 1989, fui orador na minha turma de formatura na escola ostentando um button do partido que eu apoiava, discutia com os padres do colégio São Bento, onde estudei como bolsista, porque eles eram uns “reacionários de direita”. Mas aí os anos se passaram, a esquerda assumiu o poder no país e tudo continuou igual, veio a minha conversão e fui discipulado por um bom sacerdote, que me mostrou que a grande revolução social ocorre mediante a pregação do Evangelho (o 1.0, o original). Refiz meus pensamentos. Mudei minhas premissas. E compreendi a razão de Jesus ter vindo à terra. Entendi o que é graça e a diferença entre causa e consequência da Encarnação do Verbo. Cheguei a ir a um Congresso Teológico sobre a vertente evangélica e da moda da Teologia da Libertação para entender melhor as ideias que importamos do Equador sobre o tema. Continuo acreditando em caridade, em ação social e em dar de comer a quem tem fome e beber a quem tem sede, em amar o próximo, em ajudar o necessitado. Mas não acredito que isso suplante a pregação das boas-novas de salvação e que isso seja a locomotiva. Não é, é o vagão.

Que os adeptos do marxismo cristão joguem pedras. Não tem importância. Antes importa agradar a Deus que aos homens. Não sou rico, não sou da elite, amo o próximo e quero o bem de pobres e ricos. Não vou aderir ao Evangelho 2.0, porque desejo proclamar as boas-novas de salvação para os miseráveis e também para os milionários. Olho para as favelas e para os condomínios de luxo e o que vejo são a mesma coisa: almas. Pior: almas pecadoras, destituídas da graça de Deus. Cobrirei quem tem frio com um cobertor, visitarei o preso, darei pão ao faminto e água a quem tem sede. Farei isso por amor e porque Jesus nos ensinou a fazê-lo. Mas investirei a maior parte de meu tempo e de minhas forças e esforços em proclamar o Evangelho. Em proclamar a Cruz. Em anunciar o Caminho estreito. Em cumprir o ide para fazer discípulos bons e fiéis que um dia, tenham passado fome ou não nesta vida, compartilhem comigo dos quadrilhões de séculos que dura a eternidade ao lado do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ponto final.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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Se Deus é bom por que Ele permite a dor? Por que o Deus que é amor permite tanto sofrimento, até entre seus filhos? Essa é a pergunta que não quer calar e que tem levado inclusive ao surgimento de heresias, como a Teologia Relacional, inventada para tentar explicar essa aparente contradição. Quanto e quantos de nós já não passamos por situações de dor – seja física, moral, emocional ou de qualquer outro tipo – e questionamos o Senhor sobre nossa condição? Isso já aconteceu comigo e certamente também com você. Pois bem: eu tenho uma teoria. É claro que nem todos os casos se encaixam nela, mas acredito que muitos sim. Creio que o Senhor nos deixa passar pelo “vale”, como diz o jargão, para que no futuro possamos auxiliar outras pessoas que por sua vez venham a atravessar o mesmo “vale”. Em outras palavras, penso que Deus autoriza a dor para que mais à frente possamos usar a experiência advinda desse sofrimento com o objetivo de ajudar o próximo que esteja vivendo aquilo que já vivemos. E, nesse ajudar, tanto quem ajuda quanto quem é ajudado desenvolve, fortalece e solidifica muito seu relacionamento com Cristo.

Como já contei aqui no APENAS, sofro de uma doença chamada fibromialgia, que me faz sentir dor 24 horas por dia, 7 dias por semana, há 16 anos. Não tem cura e impede que desempenhemos uma série de atividades, como digitar no computador, dirigir, carregar muito peso, fazer exercícios, praticar esportes e outras mais. E é uma doença cruel, pois não aparece em nenhum exame (seu diagnóstico é clínico) e muitas pessoas não entendem ou mesmo não acreditam que a sua dor, a sua prostração e a indisposição para fazer qualquer coisa sejam fruto de uma moléstia invisível: simplesmente te rotulam de preguiçoso, exagerado ou coisa parecida. Desde 1996 esse mal ocupa cada músculo e tendão do meu corpo. De lá para cá tenho buscado alternativas tecnológicas que me permitam viver e peço a Deus constantemente que, se for da vontade dEle, venha a me sarar. Se não o fizer, o glorificarei do mesmo jeito – meu amor pelo Senhor independe de me curar ou não.

Contei esse relato no post E quando Deus não cura – Parte 1/2, já há alguns meses. Não pretendia voltar ao assunto, pois não gosto de ficar falando sobre esse problema – simplesmente porque falar não adianta nada. Mas recentemente recebi pelo Facebook o testemunho de uma irmã, que me pediu para não divulgar seu nome, que leu sobre a minha experiência e isso de certo modo tocou sua vida. Conversamos a respeito e, com a autorização dela, compartilho o que ela me escreveu, com um único intuito: mostrar que, se você está passando por um momento de dor ou de sofrimento, em vez de se lamuriar pode usar sua experiência no futuro para ajudar alguém que venha a cruzar seu caminho enquanto enfrenta uma situação parecida com a sua. Assim, sua dor pode vir a abençoar muitos.

Em seu relato, a irmã E.D. tece alguns elogios a mim, mas deixo bem claro que tenho plena ciência de que toda boa dádiva e todo dom perfeito vem do Pai das Luzes, logo, não reproduzo os mesmos com nenhum intento de me exaltar, senão com o de glorificar ao Senhor pelo que Ele fez na vida dessa irmã por meio do sofrimento que o Soberano me permite passar. E que, espelhado na experiência dela, meu irmão, minha irmã, você possa usar o seu sofrimento, e aquilo que com ele aprender, para a glória do Criador do Universo e para ajudar o seu próximo. Passo então a palavra a E.D.:

“Zágari, bom dia!

Talvez você tenha se perguntado: por que essa jovem do Maranhão me adicionou no Facebook? Quero rapidamente compartilhar contigo de que forma DEUS te usou pra me abençoar. Me chamo E.D., tenho 31 anos, casada, sem filhos, crente em Cristo Jesus, da igreja X.

Agora, onde você entra nisso tudo? Vou contar…

Sempre fui muito ativa, criativa, motivada e dedicada. Aos 24 anos comecei a sentir fortes dores nas costas, tórax, falta de ar e desânimo para realizar coisas simples. Depois essas dores se intensificaram e foi então que resolvi procurar auxílio médico. Para minha surpresa, nada aparecia nos exames. Foi então que, além da dor física, comecei a sofrer emocionalmente, pois caí em descrédito com minha família, amigos, esposo, no trabalho. Você deve saber a que me refiro: É isso sim! Fibromialgia. Fui diagnosticada formalmente somente este ano, pois até então eu não queria aceitar que tinha isso e infelizmente procurei os médicos errados e não atualizados a respeito do assunto. Por isso, tentei sufocar o assunto o máximo que pude!

Ao ser questionada, sempre tentava explicar às pessoas o que eu sentia. Mas como explicar o invisível? Tive depressão e síndrome do pânico, por ter a plena convicção de que ia morrer de tanta dor. E o pior: ninguém me entendia. De ativa passei a ser instável emocionalmente por conta das dores.

Foi aí que comecei a me ferir e me magoar com as pessoas. Não vou pormenorizar aqui o que vivi, mas, para você ter noção, até na igreja sofri preconceito. Bem, semana passada, ao acordar (SEM FORÇAS PARA TRABALHAR), não quis falar com DEUS. Simplesmente pensei: ‘Não vou falar com DEUS sobre esse assunto mais, tudo o que gostaria era de ser curada disso, ter uma vida normal como as pessoas normais que estudam e trabalham. Mas DEUS parece não ver minha disposição em querer muito isso’. Saí de casa decidida a deixar tudo: cargos na igreja, trabalho, toda e qualquer atividade e me isolar como uma ostra. Há dias em que só quero ter o direito de ficar no meu canto, sem falar com ninguém, ou mesmo sem explicar por que alguém tão comunicativa e brincalhona como eu não quer falar. Como esse direito eu não tenho, porque preciso me relacionar, decidi que em casa, bem fechadinha, poderia sentir dor e não ter que forçar sorrisos ou passar por alguém lábil!

Foi aí que na Internet, procurando artigos sobre fibromialgia, não sei como fui parar no teu blog. E, ao ver o artigo “E quando Deus não cura? – Parte 1/2″, o título me chamou a atenção. Na medida em que fui lendo, comecei a chorar. Pois, ao descrever tudo o que você sentia, fui tomada por uma empatia muito grande. Me reportei à minha vida. Vendo suas competências técnicas, sua disposição em levar o Evangelho a sério, vendo que trata-se de alguém que é de uma igreja genuinamente cristã, dei crédito ao que estava diante de mim e continuei a ler. Pois bem: o fato é que aquele post foi um bálsamo para minha vida. Não fui curada da doença, mas mudei minha percepção dela. De verdade!

Vi também que DEUS sempre quer nos ensinar e que eu preciso entender isso na prática, pois essa é a forma pedagógica de DEUS. Às vezes somos crentes meramente teóricos. Infelizmente alguns, como eu, até que passem pela vivência prática das lutas, são muitíssimo teóricos. Eu realmente pensei: ‘Se o Zágari consegue administrar esse problema, se consegue ser feliz apesar de tudo isso, talvez eu também consiga e me torne uma crente valorosa, piedosa. Meu caráter, vida, ações, tudo pode mudar, DEUS pode usar isso para moldar características em mim que até eu vejo e condeno’.

Esse texto enorme é para que saibas: você foi benção em minha vida apesar de suas limitações. E eu quero ser benção na vida de outros também – apesar das minhas. Certa vez li uma frase que dizia que DEUS não está tão interessado em mudar as circunstâncias do nossos meio como está em mudar as pessoas. É isso mesmo. Hoje estou com muita dor aqui no trabalho, mas com esperança de que tudo acabará bem.

Obrigada por chegar até o fim dessa mensagem e pela tolerância em me ‘escutar’.

Que DEUS em Cristo o abençoe!

E.D.

PS: Também fiz um trato com DEUS, de falar sobre o assunto com outras pessoas somente quando houver extrema necessidade. E de só falar para Ele minha dores. Pois só Ele me entenderá na totalidade!”

E aqui acaba o testemunho de E.D. Não preciso dizer que o li com lágrimas nos olhos. Olhei para trás, para os 16 anos de dor, e orei ao Senhor: “É, Deus… já serviu para alguma coisa”.

Jó sofreu demais. E até hoje, mais de 5 mil anos após ele ter caminhado sobre a terra, milhares e milhares de pessoas são abençoadas com seu testemunho de vida. E quero deixar essa reflexão a você, meu irmão, minha irmã: a coisa está difícil? Está doendo? O sofrimento está demais? Então cogite a possibilidade de Deus estar permitindo você passar por tudo isso para que mais à frente você ajude E.D.s que vão cruzar o teu caminho – vivendo dificuldades, com dores e sofrendo demais. Certamente, enquanto Jó raspava suas feridas ele não imaginava que sua história iria pelos milênios à frente ajudar tantos. Como a irmã Ruth Martins, que passou por uma experiência terrível mas espiritualmente enriquecedora, como relata em seu livro Há benefícios na dor (foto).

E você, será que consegue imaginar o que Deus tem preparado pelos anos à frente como fruto da sua dor? Se não consegue, não se preocupe: Ele sabe. O Onisciente sabe direitinho por que você está enfrentando essa luta tão difícil. E Ele está contigo todos os dias, até a consumação dos séculos – mesmo quando caem as lágrimas mais amargas.

Um beijo especial para E.D., que está suportando essa leve e momentânea tribulação sabendo que o que a espera é um grande peso de glória eterna.

E paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício
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De fato não é. É um agradecimento. Pois quero agradecer a você que tem tido a paciência de ler as minhas reflexões sobre a Igreja, a fé cristã e as coisas de Deus aqui no blog APENAS. Como? Agora que ele ultrapassou os 325.000 acessos, com exatamente 1 ano e 1 mês no ar, 1.240 assinantes e 174 textos publicados, faço questão de  agradecer pela sua companhia e pelo carinho que sempre teve com o blog. Por isso, conversei com a editora Anno Domini, que gentilmente concordou em presenteá-lo com um dos meus 4 livros já lançados (se quiser, pode clicar em cima do nome para saber mais sobre cada um):

A VERDADEIRA VITÓRIA DO CRISTÃO

O ENIGMA DA BÍBLIA DE GUTEMBERG

7 ENIGMAS E UM TESOURO

O MISTÉRIO DE CRUZ DAS ALMAS

Resolvi então fazer uma brincadeira, mas que vai também me ajudar a entender um pouco mais a cabeça do cristão brasileiro. É o seguinte: no final deste texto há uma lista com os 50 posts mais lidos do blog, embaralhados fora de ordem. Ou seja: você não sabe, tirando os três mais lidos, que constam na barra superior do blog, qual foi mais lido que qual.

O objetivo é você votar nos textos que mais impactaram a sua vida – e você pode votar em até 3 posts. Como a enquete não registra seu nome, o que você precisa fazer para concorrer é votar e, depois, no espaço dos comentários, simplesmente escrever seu nome e e-mail de contato. Eles serão anotados mas não publicados. Quando o blog chegar a 350.000 acessos (o que estimo que deve acontecer dentro de cerca de 15 dias) a votação estará encerrada e faremos o sorteio. Será sorteado um exemplar de cada livro entre todos os que votaram, ou seja, no total 4 leitores serão presenteados com um livro. Só é possível votar uma vez.

Ao final, divulgarei aqui no blog o nome dos vencedores e os 10 posts mais votados por vocês, na ordem do Top Ten.

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E um bônus…

Uma novidade: no próximo mês de agosto, a Anno Domini lança meu novo livro, O RITUAL, o quarto da série Geração Ação, que teve todos seus 3 livros já publicados indicados como finalistas do Prêmio Areté de excelência em literatura cristã, sendo que  O ENIGMA DA BÍBLIA DE GUTEMBERG  ganhou dois troféus: o de “Melhor Livro de Ficção e Romance” e o de “Autor Revelação do Ano”.

Pois o primeiríssimo exemplar de O RITUAL que chegar da gráfica será sorteado entre os irmãos que votarem.

O RITUAL tem prefácio de Nina Targino, Coordenadora Nacional do movimento Desperta Débora de mães que oram por seus filhos (http://www.despertadebora.com.br/) e você pode ler abaixo um trecho do mesmo.

O livro foi escrito a partir de entrevistas com 21 pastores de diferentes estados do Brasil, que responderam à pergunta: “Quais são os maiores desafios que os jovens da sua igreja enfrentam nos dias de hoje em sua vida de fé?”. Com as respostas, construí a história de O RITUAL, uma trama que envolve satanismo, amor, aventura, adrenalina, muita Bíblia e debates sobre a realidade dos jovens cristãos de nossos dias.

E aqui você pode ver, em primeiríssima mão, a capa de O RITUAL e, depois, o texto de contracapa, com o trecho do Prefácio de Nina Targino. E logo abaixo está a enquete para você votar e concorrer aos 5 livros.

Não esqueça: após assinalar os 3 posts do APENAS que mais te edificaram, vá até o final em clique no botão “VOTE” para que seus votos sejam computados. Obrigado por participar dessa brincadeira e que Deus te abençoe!

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Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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“Tem misericórdia de mim, ó Deus, por teu amor; por tua grande compaixão apaga as minhas transgressões. Lava-me de toda a minha culpa e purifica-me do meu pecado“? (Sl 51.1,2)

Li recentemente em um blog a reprodução de um velho texto de um antigo líder religioso cristão. O artigo atesta, em resumo, que “o sentimento de culpa do pecador se opõe à graça de Deus”. Que seriam conceitos excludentes, opostos. Li o referido texto, de 2003, e cheguei a uma conclusão: esse argumento está errado. Bem errado, na verdade. Segundo o artigo, “é sem culpa que nós temos que tratar dos nossos pecados. Pois com culpa apenas os aumentaremos e os fixaremos mais profundamente em nós…como ‘pecados próprios’“. O autor propõe uma graça que desmaterializa a culpa previamente. Já eu entendo que a graça vem em sequência à culpa, como a borracha que apaga o erro. Em suma: entendo biblicamente que a graça de Deus não exclui a culpa do pecador, mas vem como o bálsamo que irá curar as dores dessa culpa e transformá-la em vida e paz.

Acredito que o pastor que escreveu o texto o fez com a melhor das boas intenções. O artigo foi escrito na tentativa de aliviar do coração dos pecadores o peso da culpa de pecados cometidos. Seria uma atitude amável e louvável, se não usasse de um argumento antibíblico. O conceito de culpa é tão execrado pelas pessoas por uma razão bem clara: ele se contrapõe frontalmente ao desejo de ser feliz. Pois culpa gera tristeza. E tristeza é o contrário de felicidade.

E a verdade é que vivemos na era do pseudoevangelho da felicidade, que afirma que o cristão tem que viver “feliz da vida”. Logo, a ideia de que o cristão sentir culpa pode ser algo benéfico como resultado da ação graciosa de Deus (e não em oposição à graça) é ofensiva ao cristão do século 21. Pois eu e você queremos seguir Jesus para sermos felizes, para fugir da tristeza, para nos livrarmos de toda a culpa e assim alcançar o máximo de felicidade que a vida com Cristo poderia nos proporcionar.

Só que há um porém. Se deixarmos de lado a poesia que existe no discurso da “graça anticulpa” e formos olhar para onde realmente importa, a Bíblia, veremos que a proposta de Cristo é que, se a tristeza for necessária, que venha! Jesus jamais, em nenhum lugar de todos os quatro Evangelhos, propõe fora do porvir uma vida de felicidade livre de culpa e de tristeza.

Culpa que funciona como canal da graça

Como funciona então – biblicamente – essa relação entre culpa e graça? A sequência é até bastante lógica:

1. O cristão peca.
2. O Espírito Santo o convence do pecado, da justiça e do juízo.
3. Esse convencimento faz brotar no coração do pecador, adivinhe você, culpa.
4. A percepção dessa culpa o leva ao arrependimento mediante a ação graciosa do Espírito Santo.
5. A confissão do pecado, motivada pela dor da culpa, aciona a ação intercessória de Cristo junto ao Pai e o pecado é lançado no mar do esquecimento.

Porém, pela proposta do texto em questão, automaticamente a graça vem e nos leva a lidar com aquele pecado com uma certa leveza. Afinal, propõe ele, a salvação já nos teria libertado da culpa de ter pecado.

Mas, se assim fosse, como entender as palavras do rei Davi no Salmo 51, rasgado pela culpa após ter adulterado com Bate-Seba e causado a morte de Urias, “tem misericórdia de mim, ó Deus, por teu amor; por tua grande compaixão apaga as minhas transgressões. Lava-me de toda a minha culpa e purifica-me do meu pecado“?

Fato é que a nossa sociedade pós-freudiana pintou a culpa como sendo um mal terrível. Um dos grandes vilões dos nossos dias, geradora de neuroses e infelicidade. Mas a verdade é que, na Bíblia, longe dos consultórios dos psicólogos, a culpa é um mal necessário. Aliás, fundamental. Sem que o pecador seja incomodado pela culpa gerada pelo toque do Espírito (que nos convence do nosso pecado) ele não alcançará arrependimento. Mostre-me um cristão sem sentimento de culpa e lhe mostrarei um cristão que não se arrepende de seus pecados.

Quando o profeta Natã é usado pelo Espírito Santo para mostrar a Davi que ele é réu de pecado, o rei, assolado por seu sentimento de culpa, escreve nos versículos 11 a 14 do mesmo Salmo: “Não me expulses da tua presença, nem tires de mim o teu Santo Espírito. Devolve-me a alegria da tua salvação e sustenta-me com um espírito pronto a obedecer. Então ensinarei os teus caminhos aos transgressores, para que os pecadores se voltem para ti. Livra-me da culpa dos crimes de sangue, ó Deus, Deus da minha salvação! E a minha língua aclamará a tua justiça“.

Será que, ao ler essas comoventes palavras de um pecador que busca desesperadamente o perdão, motivado pelo sentimento gracioso de culpa que o levou ao arrependimento, você concordaria com o que o prezado pastor escreveu em seu texto, que “é sem culpa que nós temos que tratar dos nossos pecados“? Lamento, eu não. A culpa redentora da Davi soa mais forte ao meu coração, visto que foi usada como canal da graça de Deus.

A tristeza que alegra Deus

O apóstolo Paulo, ao escrever aos cristãos de Corinto em 2 Co 7.8-11, deixa claro: “Mesmo que a minha carta lhes tenha causado tristeza, não me arrependo. É verdade que a princípio me arrependi, pois percebi que a minha carta os entristeceu, ainda que por pouco tempo. Agora, porém, me alegro, não porque vocês foram entristecidos, mas porque a tristeza os levou ao arrependimento. Pois vocês se entristeceram como Deus desejava, e de forma alguma foram prejudicados por nossa causa. A tristeza segundo Deus não produz remorso, mas sim um arrependimento que leva à salvação, e a tristeza segundo o mundo produz morte. Vejam o que esta tristeza segundo Deus produziu em vocês: que dedicação, que desculpas, que indignação, que temor, que saudade, que preocupação, que desejo de ver a justiça feita! Em tudo vocês se mostraram inocentes a esse respeito“.

Paulo está dizendo que a tristeza levou os cristãos que estavam em pecado ao arrependimento. E diz claramente:  “vocês se entristeceram como Deus desejava“, ou seja, a tristeza daqueles cristãos que estavam em pecado, que foram alcançados pela graça, que se viram imersos em culpa… era desejo de Deus! Paulo afirma que o Deus de toda a graça queria que os cristãos de Corinto ficassem tristes por estarem pecando, isto é, que sentissem culpa pelo pecado e mudassem de atitude para que esse sentimento fosse deletado. E o apóstolo usa uma expressão absolutamente fora de moda nos nossos dias e que destoa totalmente do texto que motivou este post: “tristeza segundo Deus“. Ou seja, uma tristeza que vem da graça de Deus e que nos leva a sentir culpa pelo pecado e, logo, tristeza – que por sua vez leva ao arrependimento.

Fato é que o Deus da graça pode usar a culpa como um grande elemento transformador. Ver-se culpado de uma transgressão, como Davi se viu, revela em nós a ação da graça e nos desperta para as consequências do pecado, da justiça e do juízo. E não o contrário. E é essa percepção que gera a vida – mediante nosso arrependimento, nossa posterior confissão de pecados e por fim nossa reconciliação com o Pai.

Freud X Bíblia

Nós, cristãos, temos que abandonar o conceito fredudiano de culpa como elemento destruidor e passarmos a abraçar o conceito bíblico e cristão de culpa como elemento transformador. Para Freud, culpa gera neuroses. Para o Deus da graça, culpa gera tristeza que leva ao arrependimento dos pecados. E, com isso, vida.

Por isso, perdoem-me se discordo da afirmação do pastor que escreveu que “é sem culpa que nós temos que tratar dos nossos pecados. Pois com culpa apenas os aumentaremos e os fixaremos mais profundamente em nós…como ‘pecados próprios’“. Respeito a opinião dele, mas acredito exatamente o contrário: que é com culpa que temos de tratar dos nossos pecados – pois ela é um santo remédio. A culpa age como um combustível para buscarmos com a mesma contrição de Davi o Deus Todo-Poderoso que nos livra da culpa e somente mediante esse contato deixaremos de ser escravos dela – por meio da ação perdoadora, reconciliadora e justificadora do Jesus ressurreto.

Assim, por mais curioso que seja, é justamente a culpa que nos livrará da culpa, pela ação de Deus. E, querido irmão, querida irmã, isso sim é graça: ser culpado mas ser absolvido da culpa sem nenhum merecimento. Pois tudo é mérito da Cruz.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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A cena certamente já aconteceu com você. Chove. Você está todo arrumado, talvez com sua melhor roupa, saindo atrasado de casa para um compromisso importante. Você toma todo o cuidado do mundo para não deixar sequer um pinguinho de água cair sobre a linda roupa que está usando. Aí acontece a tragédia:  um carro passa a toda velocidade sobre uma poça imunda e joga toda aquela sujeira e lama na sua calça, na sua camisa, no seu mais lindo vestido, às vezes até no seu rosto e nos seus braços. Agora pense em como se sentiu. Depois pense em como teve de carregar aquela sujeirada seca e fedorenta agarrada em você por todo o dia até chegar em casa, no trabalho ou na escola e poder no mínimo passar um pano molhado nas partes que ficaram imundas. Mas a verdade é que o alívio total só vem quando entra embaixo do chuveiro e se limpa por completo. Com nossa vida espiritual é mais ou menos assim. E essa lama se chama pecado.

Este post é o menos criativo que já escrevi. Mas certamente é o mais importante. Pois ele se aplica a 7 bilhões de pessoas no planeta, uma vez que todas elas pecaram, pecam e destituídas estão da glória de Deus. Eu disse…todas. Eu, inclusive. Você também. Pois todos somos carentes de Jesus e do resgate de suas almas do inferno mediante a graça de Deus.

Mas, mesmo aquelas que são salvas, lavadas no sangue do Cordeiro, pecam. Pecado, essa palavra tão fora de moda e que nada mais significa do que “desobediência a Deus”. Ou seja: você é eleito por Deus para receber o chamado da graça, recebe Cristo pela fé que o Senhor lhe deu, passa a chamar a si mesmo de “cristão”, vive em novidade de vida, nasce de novo, as coisas velhas se passaram e tudo se fez novo, sua velha vida é abandonada. Ou seja: nova criatura é!!! Mas… mesmo tendo passado da morte para a vida, um dia você peca. E no dia seguinte…de novo! E de novo! E de novo! E de novo! Edenovoedenovoedenovoedenovo! Que coisa! Para nossa surpresa descobrimos que a conversão nao nos transformou em anjos, que continuamos tendo impulsos carnais, sentimos ódio, ganância, rancor, desejamos o mal ao próximo… continuamos humanos. É como sempre digo: “Todo homem de Deus é de Deus mas não deixou de ser homem”.

Por isso posso afirmar sem nenhuma sombra de dúvida: só hoje você já cometeu diversos pecados. Sei disso porque eu também cometi os meus. Muitos. E tanto eu quanto você fomos alcançados pela graça salvífica de Cristo.

Meu Jesus do Céu… pequei. Desobedeci a Deus. Traí a confiança dAquele que me salvou. Ele me deu a vida eterna e fui incapaz de obedecê-lo. Pisei na bola. E agora? Pronto, agora você, que se via alvo mais que a neve, vê as alvas roupas da sua alma salpicadas da imundície do pecado. O carro da carne, do mundo e do diabo passou na poça e lançou a imundícia sobre você, que abraçou a lama com gosto. Se duvidar ainda lambeu os beiços e os dedos.

É, meu irmão, minha irmã. A verdade dura é que eu e você recebemos roupas alvas, mais que a neve, no instante em que Jesus disse “vem!”… mas continuamos a tê-la diariamente suja pela lama do pecado.

Ok, ok, eu sei: o crente peca mas não vive no pecado, todos nós sabemos disso. Mas se você fizer uma análise da sua vida espiritual, verá que das duas uma: ou continua pecando diariamente ou mente dizendo que não peca – o que lhe torna um pecador. Então não tem escapatória: você é um ser, mesmo salvo, desobediente a Aquele que lhe salvou. Tornou-se filho, mas um filho malcriado. Eu sou assim. Você também. Ouça o apóstolo João: “Se afirmarmos que estamos sem pecado, enganamos a nós mesmos, e a verdade não está em nós.  Se afirmarmos que não temos cometido pecado, fazemos de Deus um mentiroso, e a sua palavra não está em nós” (1 Jo 1.8,10). E João era cristão ou não?

Pequei. E agora?

Primeiro, tenho que admitir que minha natureza é pecaminosa – mesmo já tendo você sido purificado pela justificação em Cristo – e ela te pega pela mão e te arrasta para o charco de lodo todo dia. Ou seja: admita que peca. Eu admito: eu peco. É como o tratamento dos alcoólicos anônimos: o primeiro passo para se livrar do vício é reconhecer que você é alcoólatra. Sem isso jamais poderá ir ao segundo passo. E, no caso do cristão que pecou, primeiro há de reconhecer que, mesmo tendo sido salvo, continua precisando se santificar di-a-ria-men-te, num moto contínuo de pecado-arrependimento-absolvição-pecado-arrependimento-absolvição-pecado-arrependimento-absolvição-pecado-arrependimento-absolvição…

E qual é o segundo passo? Lance seus pecados sobre a Cruz. O que exatamente isso significa? Jesus não veio à terra a passeio. Ele veio morrer e ressuscitar para, assim, estraçalhar nosso pecado. Quando os cravos furaram suas mãos não foi sua carne que se rasgou: foram nossos pecados que o Cordeiro picotou e jogou no lixo. Então reconhecemos que pecamos, não temos como limpar nossas roupas por mérito próprio e, assim, o sangue que foi derramado na cruz  é aspergido sobre nossas roupas e as alveja novamente. Pronto. Estamos limpos. Pelo menos até o próximo pecado. Que tenha a certeza absoluta, caro ser humano pecaminoso, que vai acontecer já já.

A sua natureza pecaminosa ou a graça de Deus jamais podem ser desculpas para pecar numa boa. Não. O pecado é um inimigo e tem que ser combatido até a morte. “Feliz é o homem que persevera na provação, porque depois de aprovado receberá a coroa da vida, que Deus prometeu aos que o amam” (Tg 1.12). “Seja fiel até a morte, e eu lhe darei a coroa da vida” (Ap 2.10).

O problema é que o pecado é um inimigo sagaz e, se dependesse de nós e de nossas próprias forças, nos venceria todos os dias. Eu sou vencido por ele. Você é vencido por ele. Por isso caminhar com Jesus é tão importante. “Meus filhinhos, escrevo-lhes estas coisas para que vocês não pequem. Se, porém, alguém pecar, temos um intercessor junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo” (1 João 2.1). Taí a resposta.

Pequei. E agora? A resposta vem da união entre palavras do apóstolo João e de Salomão, inspirados pelo Santo Espírito consolador e conselheiro, com palavras do próprio Cordeiro de Deus que veio para tirar os pecados do mundo: João diz em 1 João 1.9: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça”. Assim, o primeiro passo é a confissão (ou seja, o reconhecimento do erro e a exposição direta a Deus de que o fez). O segundo passo vem nas palavras que o rei, sábio e profeta Salomão registrou em seu livro de Provérbios: “Quem esconde os seus pecados não prospera, mas quem os confessa e os abandona encontra misericórdia.” Essa é a segunda etapa: cessar o pecado. Por fim o terceiro passo: santificação. É o que Jesus diz à mulher adúltera: “Agora vá e abandone sua vida de pecado” (João 8.11b), ou, em outras palavras, assuma uma nova postura: “Esforcem-se para viver em paz com todos e para serem santos; sem santidade ninguém verá o Senhor” (Hebreus 12.14).

Você é cristão e ainda assim pecou? Eis aqui o que a Bíblia te diz para fazer:

1. Confesse.

2. Abandone.

3. Santifique-se.

Pecou? Deixe Jesus te lavar. Quando o pecado pesar de tal maneira que você não suportar mais e o Espirito Santo te tocar profundamente, arrependa-se e abandone. Já passei por isso. Creio que você também. E tome cuidado para não se sujar de novo. Se sujou? Deixe Jesus te lavar de novo. E, se fizer disso a sua prática de vida, pode o carro que for jogar lama nas tuas roupas que, na hora em que você chegar, finalmente, ao seu destino, ouvirá do Pai: “Muito bem, servo bom e fiel! Você foi fiel no pouco, eu o porei sobre o muito. Venha e participe da alegria do seu Senhor!”. E aí nunca mais suas roupas se sujarão e você viverá na magnífica pureza do Cordeiro de alvas lãs por toda a eternidade.

Eu peco, meu irmão, minha irmã. Confesso meu pecado. Erro. Creio que você também. Não sou hipócrita de dizer que não peco. Mas tento. Vivo tentando. Sei que você também. Ajudemo-nos nisso. Ergamos uns aos outros. Se você leva alguém ao pecado, pare. Peça ajuda se você não consegue parar de pecar. Creio que é o que devemos fazer. Tentar, tentar e tentar. Dia após dia. Pecou? Sua carne tem inclinações malignas? Busque a Deus. Peça socorro a Ele. Ele pode. Todos nós que pecamos não queremos pecar. Mas pecamos. É dificil. É duro. Pecamos de novo. E de novo. E um dia vem o Espírito e nos chama de novo à responsabilidade. E aí tentamos parar com o mal. Fazemos o que podemos para fugir do pecado. Eu sou assim. Você também. Por isso, todos nós precisamos da graça de Deus. Ela é a única que não atira a primeira pedra, que não devolve mal com mal. Graça. Essa é a resposta. É ela que lança nossos pecados no mar do esquecimento, nos levanta quando caímos e nos faz prosseguir. Deus, concede-nos de Tua graça, pois sem ela…

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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A idade é algo interessante no Reino de Deus. Ao mesmo tempo em que é impensável preferir o conselho dos mais novos do que o dos mais velhos (e quem o faz peca por ignorar anos de vivência, conhecimento e experiência), também não podemos nos esquecer do talento e da energia dos jovens. Se você acha que crianças e adolescente em igrejas só servem para ficar participando de atividadezinhas bobas e secundárias dentro do Corpo de Cristo, deixo aqui dois vídeos que mostram a força e o potencial dos jovens (1 João 2.14). O primeiro, enviado a mim via twitter pelo mano Klelber (@klelber), mostra um grupo cuja disciplina e habilidades dispensam comentários. O segundo chegou a mim via Facebook, infelizmente com qualidade técnica ruim. Detalhe: neste segundo vídeo apareço eu, com 11 anos de idade. Não vou dizer onde, de tão feio que era, e dou um doce a quem descobrir.

Deleite-se com o talento dos mais novos. E imagine se, em vez de relegarmos nossos meninos e meninas a um posto de incompetência e se os discipulássemos corretamente, os usássemos de fato para viver uma vida de devocionalidade plena em Cristo, como a Igreja seria diferente e mais vigorosa. Teríamos de fato uma geração em ação. Sem mais, aos vídeos:

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Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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Direitos Reservados
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Santarrão. Antes de Jesus me converter eu nunca tinha ouvido falar dessa palavra. É um jargão da Igreja protestante usado para designar pessoas que basicamente ostentam uma aparência de santidade externa sendo pecadoras e que vivem pondo o dedo na cara dos outros por seus pecados. Em linguagem bíblica, seria gente com trave no olho mas que está sempre apontando o argueiro no olho dos outros. Pois bem, eu gostaria de confessar publicamente que sou um santarrão. Cheguei a essa conclusão depois de me analisar à luz da Bíblia. Mas vamos por partes. Tomando por exemplo a definição acima de “santarrão”, mostro aqui três constatações que me levaram a descobrir que sou um:

1. “Pessoas que basicamente ostentam uma aparência de santidade externa sendo pecadoras” – Começando pelo final da frase, confesso: eu sou um grande pecador. Sou pó, sou humano e carrego o pecado original. Nasci de novo em Cristo quando Ele me estendeu sua graça, mas isso não evita que todos os dias eu cometa uns 3 mil pecados. E isso antes de levantar da cama pela manhã. 1 João 1.8ss me denuncia: “Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça. Se dissermos que não temos cometido pecado, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós”. E, sendo eu um miserável pecador, confesso que apesar disso procuro sempre mostrar aparência de santidade. O que, aliás, é o que todo cristão faz, não? Ou você encontra seus irmãos em Cristo e eles saem gritando pelos corredores os pecados que cometeram? Usam camisas e bandanas onde se lê “Hoje eu menti” ou “Sou um tremendo glutão”? Os adesivos que põem em seus carros dizem “Invejoso e fofoqueiro a bordo”? Não. Porque nenhum cristão faz isso. Todos nós procuramos nos apresentar com aparência de santidade, mesmo nos conhecendo e sabendo do mal que em nós grita e viceja.  Todos.

2. “Que vivem pondo o dedo na cara dos outros por seus pecados” – Pensei bem e vi que também faço isso. Denuncio pastores hereges que arrastam multidões para o erro, alerto sobre os teólogos que ensinam doutrinas de demônios, chamo meus irmãos em Cristo para a responsabilidade com aquilo que creem. Curiosamente, mais uma vez ao fazer isso estou sendo bíblico: em 2 Timóteo 4.2 Paulo diz: “Prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina”. Ele também fala em  1 Timóteo 5.1: “Não repreendas ao homem idoso; antes, exorta-o como a pai; aos moços, como a irmãos”. Novamente repete a ordem em Tito 2.6: “Quanto aos moços, de igual modo, exorta-os para que, em todas as coisas, sejam criteriosos”.  No mesmo Tito 2.15 prossegue: “Dize estas coisas; exorta e repreende também com toda a autoridade. Ninguém te despreze”. E ainda poderíamos concluir com mais palavras de Paulo em Romanos 12.8a: “o que exorta faça-o com dedicação”. Então vejo bastante base bíblica para exortar, admoestar. Ou, como disse, “pôr o dedo na cara”.

Aí você poderia dizer: “Ah, Zágari, mas quem falou tudo isso foi o grande apóstolo Paulo, ele era um santo, tinha moral para isso. Que moral você tem?”. Eu rio ao ouvir isso, pois é curioso que as pessoas não percebem quão pecador Paulo era. Dou só três exemplos bíblicos. Em 2 Coríntios 12, o apóstolo conta que Deus o arrebatou ao Paraíso, onde “ouviu palavras inefáveis, as quais não é lícito ao homem referir”. Só que Deus sabia que Paulo era humano e que estava passível de sentir soberba por aquilo, pecador que era. Então o que o Todo-Poderoso faz? “E, para que não me ensoberbecesse com a grandeza das revelações, foi-me posto um espinho na carne, mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de que não me exalte”. Para ajudar Paulo a combater o autoengrandecimento, o Senhor põe o tal espinho na carne dele. Para auxiliá-lo a não pecar pela soberba.

Segundo exemplo da pecaminosidade de Paulo: em Gálatas 2.11  ele confessa: “Quando, porém, Cefas veio a Antioquia, resisti-lhe face a face, porque se tornara repreensível”. Em outras palavras, Paulo teve um belo de um bate-boca com Pedro. Parece que o apóstolo tinha lá seus momentos de pega-pra-capar com os irmãos. E se essas duas provas não bastam e parecem especulativas, vamos ao terceiro exemplo: Atos 15 revela que o cabeça-quente Paulo mais uma vez entrou em uma briga com um irmão: “Alguns dias depois, disse Paulo a Barnabé: Voltemos, agora, para visitar os irmãos por todas as cidades nas quais anunciamos a palavra do Senhor, para ver como passam. E Barnabé queria levar também a João, chamado Marcos. Mas Paulo não achava justo levarem aquele que se afastara desde a Panfília, não os acompanhando no trabalho. Houve entre eles tal desavença, que vieram a separar-se”. Note que a expressão “tal desavença” mostra que não foi uma simples discordância, mas uma divergência tão feia que fez a dupla de irmãos missionários rachar. Sim, Paulo estava sujeito a soberba, a brigas e desavenças com irmãos na fé: tudo pecado.

3. “Gente com trave no olho mas que está sempre apontando o argueiro no olho dos outros” – Já disse: sou um tremendo pecador. Se eu cruzasse comigo na rua provavelmente atravessaria para a calçada do outro lado. Sei o mal que há em mim. No meu olho há uma trave maior do que a do Maracanã. E sim, como eu disse, estou sempre apontando o erro dos outros, dizendo qual é o cantor gospel cuja letra é mundana, falando que o sacerdote x ou y ensina teologias demoníacas e anticristãs – como a da Prosperidade, a Relacional, a da Confissão Positiva, a Liberal e outros pensamentos  que por fora se mostram belos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia. Eu faço isso, basta ler meus posts aqui no blog APENAS. No meu livro “A Verdadeira Vitória do Cristão”, então, sai de baixo, denuncio o triunfalismo mentiroso dos pregadores hereges e manipuladores da primeira à última página – com provas bíblicas e históricas. Como amo Cristo e a Igreja, vivo apontando o argueiro nos olhos dos enganadores do povo de Deus, dos que usam dinheiro sagrado em benefício próprio, das celebridades gospel arrogantes, dos pastores vaidosos, dos lobos em pelo de cordeiro. Confesso: sim, eu faço isso.

Portanto, cumpro todos os requisitos para ser chamado de santarrão: peco, busco ter aparência de santidade, denuncio o pecado alheio. Taí, inegável, sou mesmo um santarrão. Porém…

…essa constatação nos leva a uma ponderação: como sou um santarrão devo me calar? Fechar o APENAS? Deixar de escrever livros? Deixar de proclamar o Evangelho? Isso faz de mim alguém  indigno de anunciar as verdades do Reino e a salvação por Cristo? Eis o ponto. Independentemente de eu ser um santarrão, Deus continua sendo Deus, Jesus continua sendo o caminho, o pecado continua sendo pecado. Um aspecto interessantíssimo que 1 Pedro 1.12 nos revela é que os anjos pediram a Deus o privilégio de anunciar o Evangelho. Faria sentido: seres sem pecado pregarem contra o pecado. Mas, veja você, quem é que o Altíssimo comissiona para proclamar as boas-novas de salvação, a santidade, o mau cheiro do pecado? Marcos 16 e Mateus 28 deixam claro que essa grande comissão foi delegada aos homens pecadores. Extraordinário. Pecadores necessitados de arrependimento denunciando o pecado de pecadores e os chamando ao arrependimento. Isso é hipocrisia? Se for, meu irmão, minha irmã, eu e você que anunciamos – sendo pecadores – que o pecador necessita se arrepender dos pecados e se voltar para Cristo somos gigantescos hipócritas.

E, sabendo que todo homem peca, todo cristão busca a aparência de santidade e que todo salvo para proclamar o plano de salvação teria de pôr o dedo na cara do pecador, sendo ele próprio pecador, e dizer “arrependa-se dos seus pecados”, é justamente a todo homem manchado pelo pecado que Deus ordena que proclame a salvação por meio do Cordeiro sem mácula. Não é fascinante?

Em 2 mil anos de História da Igreja houve milhões e milhões de cristãos que proclamaram o Evangelho. Que chamaram pecadores ao arrependimento em Cristo. E absolutamente todos eles eram tremendos pecadores. Paulo: pecador, soberbo, brigão, mas é esse o homem que escreve sobre o amor em 1 Coríntios 13. Pedro: impulsivo, cortou a orelha de Malco, negou Cristo três vezes, e é esse que escreve na Bíblia: “segundo é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos também vós mesmos em todo o vosso procedimento, porque escrito está: Sede santos, porque eu sou santo”. Tremendos santarrões.

Mas vamos além: Agostinho, o grande teólogo dos primeiros mil anos de Igreja, era um conhecido rabo de saia.  Lutero, o grande Reformador, vivia bêbado. Calvino, o teólogo da Reforma, ajudou a condenar um homem à pena de morte. Consta que John Wesley viajava tanto para pregar porque vivia às turras com a esposa e viajar era um alívio. Charles Spurgeon (conhecido como “o príncipe dos pregadores”) era um fumante convicto e pufava montes de charutos por dia, a ponto de ter defendido esse hábito de púlpito e dito que “fumava para a glória de Deus”. Dietrich Bonhoeffer, mártir da Igreja no século 20, arquitetou planos para assassinar Hitler. Mauricio Zágari, escritor de alguns livros cristãos, tem tantos pecados que não caberiam num post. E você, será que se enxerga no meio de tão grande nuvem de testemunhas… pecadoras? Todos chamados por Deus para de alguma forma proclamar o Evangelho, a Cruz, a santidade, o arrependimento de pecados, Jesus Cristo. Todos poços de pecados. Logo, todos santarrões.

Sim, eu peco. Sim, procuro manter a aparência de santidade mesmo pecando. Sim, eu denuncio os erros dos outros tendo eu muitos erros. Sim, eu sou um santarrão. Mas Deus é Deus, independente de mim, e eu amo a mensagem da Cruz. E até morrer eu a vou proclamar.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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As reflexões expressas neste blog são pessoais e não representam necessariamente a posição oficial de nenhuma igreja, denominação ou grupo religioso.