Arquivo de maio, 2012

Já fui vítima de alguns desgraçados erros médicos, que me fizeram pensar muito sobre desgraçados erros bíblicos. Vou contar apenas duas histórias para depois chegar ao ponto. Anos atrás comecei a sentir uma dor forte na sola do pé, que mal me permitia andar. Fui a um centro de reumatologia e ortopedia, daqueles de plano de saúde, onde você tem de ser atendido em dez minutos para que se possa atender muita gente e os donos da empresa faturarem muito. Peguei minha senha, sentei na filinha e esperei minha vez. Depois de muito tempo, me chamaram e entrei no consultório. A médica, sem sair de trás da mesa, perguntou o que eu estava sentindo e descrevi o problema. Sem nem ao menos me examinar ou mandar eu tirar o sapato, ela decretou de sua cadeira: “É fascite plantar, você precisa pôr o pé em água gelada e fazer fisioterapia”. Ela é a médica, eu sou um leigo, logo obedeci caninamente o que ela disse: passei a pôr o pé todo dia em água gelada e a fazer a fisioterapia. Mas a dor não cedia. Pelo contrário: piorava. E piorava. E piorava. Chegou a um ponto em que, não aguentando mais, paguei uma consulta cara com um médico maravilhoso. Ele gastou tempo comigo. Mandou tirar o sapato e a meia, mexeu, apertou, fez diversas perguntas e diagnosticou: eu não tinha fascite plantar coisa alguma, tinha um músculo contraturado. O tratamento: pôr o pé em água quente, a água gelada fazia o músculo se contrair mais e a dor piorar. Com um dia pondo o pé no calor a dor desapareceu.

Ou seja: uma médica inconsequente, despreparada, que não fez o seu dever de casa, não só não resolveu meu problema como ajudou a piorá-lo. E ela tinha todo o aspecto de uma pessoa muito bem capacitada, vestia jaleco e roupa branca, ocupava um consultório numa clínica aparentemente muito bem estruturada. Tinha toda a aparência de deter o conhecimento que me auxiliaria, que me mostraria o caminho. Mas piorou a minha vida. Piorou a minha saúde. Cometeu um erro médico sério, que poderia ter causado lesões piores.

O segundo erro que relato foi ainda pior. Pois foi o erro de 4 médicos, todos com aparência de ter todo o conhecimento, alguns famosos, com nome na praça. Uma baixa de imunidade causada por estresse me fez ter candidíase na virilha. Trata-se de um fungo que todos nós temos mas que, quando as defesas do corpo baixam, isso permite que o fungo ataque seu organismo. Com muita coceira e inchaço, procurei um médico. Ele olhou e me receitou uma pomada que “me deixaria bom em 5 dias”. Apliquei pelo tempo prescrito mas o local continuava inchado. Erro médico número 1.

Como eu viajaria para passar uma semana numa conferência teológica numa cidade pequena e sem muita estrutura, resolvi procurar uma dermatologista, para não ter surpresas desagradáveis durante a viagem. Ela olhou e disse que realmente a doença ainda não havia cedido completamente. “O outro médico não te receitou nenhum antifúngico oral?”, perguntou em tom condenatório. Eu disse que não. Ela então me receitou um comprimido em dose única e mais um antifúngico de aplicação local, que chamarei de X, para aplicar por 14 dias. Foi o que fiz. Erro médico número 2.

Toda vez que aplicava o remédio X sentia o local arder. O 14o dia coincidiu com meu primeiro dia na Conferência, uma 2a feira. No dia seguinte, quando bati os olhos no local da doença fiquei apavorado: estava cheio de bolhas, inchaço, feridas em carne viva e sangrando. Tremi. Descobri junto ao plano de saúde o único hospital da cidade onde havia atendimento de emergência. Corri para lá e fui socorrido por um clínico geral. Contei a história toda. Ele examinou o local e disse que poderia ser herpes. Falou com uma tranquilidade assombrosa que eu poderia ter HIV. Mandou passar somente uma pomada no local “até melhorar”, pomada que na verdade é um coquetel de antibióticos e antifúngicos. Erro médico número 3.

Voltei na 6a feira ao Rio e já sábado de manhã procurei um especialista, pois em 5 dias não havia aparência de melhora. Novamente contei a história toda. Ele olhou o local e disse que achava que era herpes. Mandou tomar aciclovir e continuar passando a mesma pomada. Erro médico número 4.

Quando chegou na 5a feira seguinte, sem nenhum sinal de melhora, já cansado emocionalmente e cheio de dores, decidi procurar mais um médico. E graças a Deus que o fiz. Contei a via-crúcis inteira, ele examinou o local e disse: “A médica te passou o remédio X? Ela está louca? Ele é usado para micose de unhas! Isso parece ser uma queimadura causada pelo remédio”. Eu perguntei sobre a herpes. “Nenhum desses médicos a que você foi pediu um exame de sangue? Não temos que especular, existe um exame para isso, vamos fazer”. Depois me pediu para ver a pomada que estava passando. “Essa pomada é uma mistureba que não resolve nada, por isso o local está infeccionado, você tem que passar a pomada Y”, e me deu a receita. Saí do consultório, fiz o exame de sangue e passei a usar a pomada Y.

Resultado: no dia seguinte a dor sumiu e as feridas começaram a cicatrizar. O exame de herpes? Deu negativo. Não, eu não tinha herpes. Nem HIV. Tinha feridas provocadas primeiro porque um médico não soube me tratar, o que me levou a uma médica que me passou um remédio errado e piorou o meu problema gerando queimaduras químicas na pele, que um terceiro médico não soube diagnosticar e me receitou uma pomada que não resolveu nada e por um quarto médico que, tendo recursos para fechar um diagnóstico, só especulou, me apavorou e não ajudou em nada. Desgraçados erros médicos.

Quando finalmente encontrei alguém que sabia o que fazer, fiquei bom.

Essas duas histórias mostram o estrago que aparentes especialistas que na verdade são completamente mal-preparados são capazes de fazer com uma pessoa.

O mesmo acontece em nossa vida espiritual.

Muitas vezes, tomamos como referências pastores, pregadores, teólogos e até mesmo blogueiros que têm toda a aparência de conhecer Deus, a Bíblia, a Verdade, a sã doutrina. Nos apaixonamos por eles. Os seguimos cegamente. Cada receita que eles nos passam nós cumprimos. Afinal, somos leigos e eles, os detentores do conhecimento, os ungidos, os que sabem apontar o caminho. Falam bonito. Citam poetas. Escrevem coisas lindas em seus blogs e twitters. Gravam vídeos atraentes e bem produzidos no Youtube. São charmosos. Muitos não usam “aquela ultrapassada toga sacerdotal” nem terno e gravata, são in, falam a linguagem de nossos dias. Uns até falam palavrão. Outros citam Vinícius de Morais, Cecília Meirelles e Clarice Lispector.

Há também o que nos conquistam porque falam como machos. Gritam. Poem o dedo na cara dos pecadores. E daí se seus programas de TV só servem para vender produtos de suas empresas e se defender das acusações dos blogueiros pensantes? São nossos porta-vozes. Dizem aos gays o que gostaríamos de dizer. Esbravejam. Batem na mesa. Chamam outros cristãos de “trouxas”, “bundões” e adjetivos similares que demonstram como estão cheios de “poder de Deus” ou da “graça de Deus”. Os amamos.

Mas o que não percebemos é que muitos deles cometem desgraçados erros bíblicos. E, assim como os erros médicos que fizeram comigo e que tinham a aparência de solução mas só me prejudicaram, esses formadores de opinião arrastam multidões para longe de Deus. Pregam doutrinas de demônios. Receitam práticas, crenças e conceitos “bíblicos” que vão causar bolhas e feridas sanguinolentas em sua alma, meu irmão, minha irmã, e vão deixar sua alma em carne viva. Por isso, é essencial sabermos identificar esses homens.

Se algum pregador que você admira diz que é possível ser salvo por caminhos que não Jesus de Nazaré, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira diz que Deus abriu mão de sua soberania e não age nas tragédias do mundo, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira diz que Deus não controla as forças da natureza e que essa ideia é só influência de ensinos gregos, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira diz que se você der 900 reais ao ministério dele receberá unção financeira, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira traz representantes da Teologia da Prosperidade do exterior para dizer a você em seu programa de TV que você deve dar-lhe dinheiro como forma de semeadura, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira usa palavras torpes – como falar palavrão em púlpito, ofender outros pastores chamando-os de “bundões” ou afirmar que quem oferta para a obra de Deus por amor e não querendo receber dinheiro de volta é “trouxa” – ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira fala sobre graça mas é agressivo ao mencionar outros pregadores, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira manda você “tomar posse da bênção” ou “decretar/declarar a vitória”, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira realiza exorcismos na TV em que o suposto demônio diz que líderes de outras igrejas são guiados por Satanás, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira diz que é a favor do aborto, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira pede dinheiro e com isso compra fazendas ou jatinhos particulares com os recursos sagrados que os fieis dão à igreja, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira diz que é possível viver a fé cristã fora de uma comunidade, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira diz que não tem problema algum ir a shows de artistas do naipe de Ozzy Osbourne, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira diz que irmãos na fé são malditos porque creem em doutrinas em que ele não crê, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira diz que a Bíblia é apenas um conjunto de mitos que revelam uma verdade maior, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira ama mais o dinheiro do que pessoas, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira é visivelmente vaidoso ou arrogante, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira participa de campanha política, ele está te prescrevendo veneno.

Se algum pregador que você admira trai seu chamado sacerdotal e se candidata a um cargo político, ele está te prescrevendo veneno.

E se algum pregador que você admira não admite ser criticado…ele é o veneno.

Desgraçados erros bíblicos. Desgraçados não por ofensa, meu irmão, minha irmã, mas simplesmente porque estão totalmente fora da graça de Deus. E fora da graça de Deus não há salvação.

Deus tenha misericórdia de sua Igreja.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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Em que consiste a verdadeira liberdade do cristão? Essa pergunta não é minha. Sabendo que meu mais recente livro chama-se A Verdadeira Vitória do Cristão (onde faço uma análise bíblica e histórica sobre o real significado de “vitória” nas Escrituras e que prova que o triunfalismo que vem sendo pregado por muitos está errado e em desacordo com o que diz a Palavra de Deus), o irmão Isac Farias mandou-me uma mensagem pelo Facebook com essa indagação e minha ex-aluna Priscila Figueiredo na mesma semana perguntou algo parecido. Confesso que isso me fez pensar, pois considerei a dúvida curiosa e pertinente. Um assunto instigante, uma vez que vivemos em um período da História no qual a Igreja emergente e outros grupos mais modernosos começaram a liberar práticas que nunca antes os cristãos aceitaram. Depois de pesquisar nas Escrituras, trago aqui o que entendo ser a resposta a esse questionamento. E se você tem preguiça de ler textos grandes sugiro que nem mesmo passe ao próximo parágrafo, pois é impossível fazer uma análise criteriosa desse tema em poucas linhas. Mas se quiser compreender o assunto, gastemos aqui uns minutos. Porque, mais do que um post, este texto será uma análise bíblica.

Isac perguntou: “Vejo muitos cristãos dizendo que essa liberdade é para que eu possa ir a shows, esse tipo de coisas. Fico angustiado com isso. vejo muitos irmãos de um lado dizerem que a liberdade cristã é para poder ir a todo lugar, é ir a shows gospel, cinema, estádio de futebol, dançar funk, esses tipo de coisa, dizem que foi pra isso que Cristo nos libertou. Sinto-me angustiado quanto a isso. Irmão Zágari, qual é o verdadeiro significado da liberdade cristã? Por favor, o irmão poderia escrever algo?“. Posso, Isac. E a resposta é simplesmente “não”, isso que seus irmãos disseram não é a verdadeira liberdade do cristão – e pretendo mostrar isso ao longo dos próximos parágrafos.

O que NÃO é a verdadeira liberdade do cristão

Quem usa o nome de Cristo para dizer que pode fazer o que bem quiser na verdade está pondo em prática – muitas vezes sem saber – o lema “Faze o que tu queres pois é tudo da lei”. Só que esse lema é totalmente satânico. Isso mesmo: sa-tâ-ni-co. Por quê? Pois essa é nada menos que a Lei de Thelema, criada pelo fundador da moderna Igreja de Satanás, Alister Crowley (honrado por artistas como Ozzy Osbourne, em sua música “Mr. Crowley”, músico que pastores emergentes afirmam que os cristãos podem ouvir e ir aos seus shows sem nenhum problema – só por curiosidade comento isso).

Em seus escritos, o maligno Crowley (foto ao lado) criou o conceito de Sociedade Alternativa, que é parte de sua filosofia e tornou-se muito conhecida no Brasil pela famosa música do cantor ocultista Raul Seixas, parceiro em suas canções do “mago” e escritor Paulo Coelho. Os dois juntos, Raul e Paulo (foto abaixo), fundaram a “Sociedade Alternativa” na década de 1970, cujo objetivo era nada menos que viver os preceitos da ordem O.T.O, seguidora dos ensinamentos do satanista Crowley. No meio da música “Sociedade Alternativa“, composta por Raul e Paulo Coelho em 1974, eles avisam: “O número 666 chama-se Aleister Crowley”. Apenas para se ter uma ideia da filosofia que advoga a liberdade total do indivíduo, leia as palavras do próprio Raul Seixas:

“Sociedade alternativa
Sociedade novo aeon
É um sapato em cada pé
É direito de ser ateu
Ou de ter fé.
Ter prato entupido de comida
Que você mais gosta.
É ser carregado
ou carregar gente nas costas.
Direito de ter riso de prazer
E até direito de deixar Jesus sofrer.”
— Novo Aeon (Raul Seixas)

Não só essa música, mas todo o álbum “Gita”, de Raul Seixas, contém muitas alusões às ideias e à vida de Crowley (como por exemplo a música “Loteria da Babilônia” que fala sobre saber trechos da Bíblia e invenção de baralhos, provavelmente de Tarô). O nome do disco é uma homenagem ao livro sagrado dos indianos, e a música “O Trem das Sete” também está repleta de citações.

Bem, até aqui procurei mostrar que a ideia de que liberdade é para se fazer o que se quer não tem absolutamente nada a ver com o Evangelho, com graça ou com Cristo. Pelo contrário, “Faze o que tu queres pois é tudo da lei” é filosofia ocultista e de religiões satânicas. Isso não é especulação, não é fanatismo de adeptos da batalha espiritual nem nada do gênero. É um fato – sabido e comprovado.

E o que é a verdadeira liberdade do cristão?

Mas, então, se a verdadeira liberdade do cristão não é para fazer o que se quer… o que é? Até que ponto posso ir pelo fato de ter sido chamado por Jesus para fazer parte de seu rebanho? O que é “ser livre” segundo os padrões bíblicos? Provérbios 11.21 deixa claro que os que são justificados são livres: “O mau, é evidente, não ficará sem castigo, mas a geração dos justos é livre“. O mesmo conceito se repete em 2 Coríntios 3, quando o apóstolo no contexto faz oposição entre a Antiga e a Nova Alianças: “Ora, o Senhor é o Espírito; e, onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade“.

Então, a primeira constatação é que a liberdade do salvo é um fato. Curiosamente, leia o que Paulo diz em sua primeira carta aos coríntios, a partir de 9.16:  “Se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois sobre mim pesa essa obrigação; porque ai de mim se não pregar o evangelho! Se o faço de livre vontade, tenho galardão; mas, se constrangido, é, então, a responsabilidade de despenseiro que me está confiada. Nesse caso, qual é o meu galardão? É que, evangelizando, proponha, de graça, o evangelho, para não me valer do direito que ele me dá. Porque, sendo livre de todos, fiz-me escravo de todos, a fim de ganhar o maior número possível“. O que se entende aqui? Que ser livre em Cristo significa abrir mão da liberdade individual, de fazer o que se quer fazer, para proclamar o próprio Cristo. É ser escravo de Cristo e, consequentemente, daquilo que o deixa feliz. Ou seja, é exatamente o contrário de “Faze o que tu queres pois é tudo da lei”, o que Paulo ensina é “Faze o que não queres, mas sim o que Cristo quer, e assim ganhe vidas para Jesus”. Extraordinário.

Mas vamos adiante. Na mesma epístola, no capítulo 7, versículo 22, a Palavra diz: “Porque o que foi chamado no Senhor, sendo escravo, é liberto do Senhor; semelhantemente, o que foi chamado, sendo livre, é escravo de Cristo“. Mais uma vez o que você percebe?

Que  liberdade para o cristão é ser escravo de Cristo.

Esse assunto exige um aprofundamento. Que pode ser encontrado em Gálatas 5, o mesmo capítulo que trata das obras da carne em oposição ao fruto do Espírito. Diz a Palavra de Deus a partir do versículo 13: “Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade; porém não useis da liberdade para dar ocasião à carne“. Que coisa linda! Jesus nos chama à liberdade ao nos fazer seus escravos e escravos dos mandamentos de sua graça e pede que não confundamos essa liberdade de obedecê-lo com a liberdade de “dar vazão à carne”, isto é, de agir conforme nossa carne deseja. E, para entendermos o que isso significa, vamos no contexto do capítulo ver o que são as obras da carne, o que começa a ser descrito dois versículos depois. E aqui você verá o que NÃO é liberdade cristã:

Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne. Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer“. Paremos aqui para um rápido comentário. Observe que liberdade em Cristo nos leva a não dar ocasião à carne e neste versículo Paulo infere justamente que dar ocasião à carne é fazer o que nós queremos! E isso em oposição ao que o Espírito de Deus quer. Logo, concluímos que liberdade cristã é ser escravo dos mandamentos de Cristo e não fazer o que nossa carne quer. Hmmmm, a coisa está começando a tomar forma. Continuando na sequência, Paulo diz: “Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais sob a lei. Ora, as obras da carne são conhecidas e são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam“.

Algo que me chamou a atenção no comentário do Isac é que ficou claro o quão escandalizado ele está pelo comportamento dos irmãos que fazem o que querem com o argumento de estarem desfrutando da liberdade cristã. Sobre isso é fundamental aqueles que acreditam estar agindo segundo o que creem ser liberdade em Cristo não ferirem as sensibilidades do Corpo em nome dessa “liberdade”. Primeira epístola de Paulo aos coríntios, no capítulo 8, explicita, no contexto de cristãos que comiam alimentos oferecidos aos ídolos:

Alguns, por efeito da familiaridade até agora com o ídolo, ainda comem dessas coisas como a ele sacrificadas; e a consciência destes, por ser fraca, vem a contaminar-se. Não é a comida que nos recomendará a Deus, pois nada perderemos, se não comermos, e nada ganharemos, se comermos. Vede, porém, que esta vossa liberdade não venha, de algum modo, a ser tropeço para os fracos. Porque, se alguém te vir a ti, que és dotado de saber, à mesa, em templo de ídolo, não será a consciência do que é fraco induzida a participar de comidas sacrificadas a ídolos? E assim, por causa do teu saber, perece o irmão fraco, pelo qual Cristo morreu. E deste modo, pecando contra os irmãos, golpeando-lhes a consciência fraca, é contra Cristo que pecais. E, por isso, se a comida serve de escândalo a meu irmão, nunca mais comerei carne, para que não venha a escandalizá-lo“.

Essa passagem é claríssima. O que Paulo está dizendo aqui, se aplicado aos nossos dias, é precisamente isto (e pego aqui o comentário de Isac): Se você acredita que a liberdade do cristão te permite ir a shows gospel, cinema, estádio de futebol, dançar funk e coisas similares mas isso “serve de escândalo a seu irmão”… querido, querida, a resposta é enfática: “Nunca mais comerei carne, para que não venha a escandalizá-lo”. Preste atenção: nunca mais. O não escandalizar os membros do Corpo de Cristo importa mais a Deus do que praticar o que você considera ser liberdade. E sabe por quê? Se você leu rápido, permita-me repetir: “Pecando contra os irmãos, golpeando-lhes a consciência fraca, é contra Cristo que pecais“. Amigo, amiga, isso é muito sério. E grave.

Quando falamos de “liberdade do cristão” logo vem uma multidão de irmãos que virão falar de Lei e de Graça, seguindo a equivocada visão dispensacionalista de que antes de Jesus só havia Lei e depois de Jesus, só graça, esquecendo-se que houve graça no Antigo Testamento (Abraão foi justificado pela Lei?) e há Lei no Novo (ou os Dez Mandamentos foram abolidos?). Mas o texto bíblico é patente em Tiago 2.12ss: “Falai de tal maneira e de tal maneira procedei como aqueles que hão de ser julgados pela lei da liberdade. Porque o juízo é sem misericórdia para com aquele que não usou de misericórdia. A misericórdia triunfa sobre o juízo. Meus irmãos, qual é o proveito, se alguém disser que tem fé, mas não tiver obras? Pode, acaso, semelhante fé salvá-lo?“. Uau, que coice. Reparou com atenção no que o irmão de Jesus diz aqui? “Julgados pela lei da liberdade”. Ou seja: liberdade tem lei. A liberdade cristã obedece a regras. A liberdade cristã está submissa aos mandamentos de Cristo, isto é, a sua vontade soberana. Quem acha que a liberdade que Jesus concede é uma graça barata não entende o preço que custa ser livre, ser escravo de Cristo: “Aquele que quiser vir após mim negue-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me” – isso é liberdade cristã: a liberdade de abrir mão de si e de suas vontades para obedecer o Libertador.

Tiago 1 traz de novo à tona o conceito da lei da liberdade: “Porque, se alguém é ouvinte da palavra e não praticante, assemelha-se ao homem que contempla, num espelho, o seu rosto natural; pois a si mesmo se contempla, e se retira, e para logo se esquece de como era a sua aparência. Mas aquele que considera, atentamente, na lei perfeita, lei da liberdade, e nela persevera, não sendo ouvinte negligente, mas operoso praticante, esse será bem-aventurado no que realizar. Se alguém supõe ser religioso, deixando de refrear a língua, antes, enganando o próprio coração, a sua religião é vã“. Ou seja, o Evangelho, a religião verdadeira, o religare verdadeiro entre o Pai e os filhos, só pode ocorrer com aqueles que praticam operantemente a lei perfeita, que é a lei da liberdade.

A primeira carta de Pedro, no capítulo segundo, traz uma passagem espantosa sobre isso. No contexto, o apóstolo fala sobre a submissão do crente a alguém. Interessante é que, automaticamente, quando falamos de submissão,  vem-nos à mente o quê? Falta de liberdade, obediência à vontade alheia. Mas… leiamos o que diz a Palavra de Deus: “Sujeitai-vos a toda instituição humana por causa do Senhor, quer seja ao rei, como soberano, quer às autoridades, como enviadas por ele, tanto para castigo dos malfeitores como para louvor dos que praticam o bem. Porque assim é a vontade de Deus, que, pela prática do bem, façais emudecer a ignorância dos insensatos…“. E aqui Pedro vaticina no versículo 16: “…como livres que sois, não usando, todavia, a liberdade por pretexto da malícia, mas vivendo como servos de Deus“.

Simplesmente fantástico. Porque somos livres em Cristo devemos estar sujeitos a autoridades e às instituições humanas por causa do Senhor! É espantoso como isso contraria quem acha que liberdade em Cristo é não se submeter a instituições. Mas é justamente o contrário o que a Bíblia ordena: estarmos sujeitos a instituições justamente porque somos livres – e sem usar essa liberdade por pretexto da malícia. Extraordinário e um tapa na cara do orgulho de muitos cristãos anti-instituição (como a Igreja institucional, por exemplo) . Ai… doeu?

Caminhando já para o final desta reflexão, vemos pelas Escrituras que a liberdade do cristão tem um objetivo. Leiamos Romanos 8: “Ora, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo; se com ele sofremos, também com ele seremos glorificados. Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós. A ardente expectativa da criação aguarda a revelação dos filhos de Deus. Pois a criação está sujeita à vaidade, não voluntariamente, mas por causa daquele que a sujeitou, na esperança de que a própria criação será redimida do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus“. Em resumo, o que essa magnífica passagem diz é que a “liberdade da glória dos filhos de Deus”, ou seja, a “liberdade dos cristãos”, aponta para a eternidade, para a vida eterna, para aquele momento em que pela graça de Cristo seremos livres da corrupção do pecado para adentrarmos a sala do trono de Deus sem nenhuma amarra imposta pelo pecado, a carne, a morte ou o diabo. Assim, a verdadeira liberdade do cristão aponta para aquilo que nos possibilitou isso: a Cruz.

Que verdade gloriosa e emocionante! E que pena dá daqueles que entendem que a liberdade do cristão se aplica a coisas tão pequenas, irrelevantes e bobas como dançar funk e ir a um show. Quão insignificantes são essas coisas sob a sombra da Cruz de Cristo que nos dá acesso à glória eterna de Deus!

Conclusão

Diante disso tudo, qual é, então, a verdadeira liberdade do cristão? Ouçamos a voz de Cristo: “O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, e apregoar o ano aceitável do Senhor“. Essa é a verdadeira liberdade do cristão: a libertação do cativeiro do pecado e do inferno e submissão em escravidão ao Cordeiro que quebrou os grilhões.

João 8.34ss resume com chave de ouro a questão levantada pelo mano Isac: “Replicou-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: todo o que comete pecado é escravo do pecado. O escravo não fica sempre na casa; o filho, sim, para sempre. Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres“.  Essa é, enfim, a verdadeira liberdade do cristão: ser liberto por Jesus do pecado e tornar-se escravo de Cristo, fazendo o que Ele deseja e abrindo mão da própria vontade. Isto é, obedecer as regras da liberdade cristã, que está submissa aos mandamentos de Cristo, isto é, a sua vontade soberana. Como consequência de sermos livres em Jesus, devemos cuidar para não escandalizar os irmãos a pretexto de lançarmos mão dessa liberdade e também devemos nos sujeitar a autoridades e às instituições humanas por causa do Senhor. E, por fim, a mais gloriosa das consequências de ser livre em Cristo: ter acesso à vida eterna, livres que somos do pecado e do inferno.

Ser livre, então, não tem como foco último, segundo a Bíblia, ir para qualquer atividade social, como shows e bailes funk. Isso o mais mundano dos pagãos tem liberdade para fazer. Ser livre é ter a liberdade de ir para o Céu. E isso só é possível para aqueles que são escravos, servos, amigos e salvos por Jesus de Nazaré.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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As reflexões expressas neste blog são pessoais e não representam necessariamente a posição oficial de nenhuma igreja, denominação ou grupo religioso.

Uma das coisas que mais ferem minha alma são as injustiças. Não sei explicar, sempre foi assim, desde criança. Certa vez sumiu um montante de dinheiro da bolsa de minha mãe e, nem me lembro por que, ela cismou que eu tinha pego. Eu chorava, dizia que não tinha sido eu, mas ela insistia. No final lembrou que tinha posto embaixo do telefone. Eu devia ter uns 7 ou 8 anos, mas a agonia da injustiça daquele evento me marcou tanto que me recordo até hoje. Outra vez, ainda nessa época, houve uma festa de aniversário na minha casa e duas coleguinhas da escola ficaram por último. Resolvemos brincar de “gato mia”, em que as pessoas se trancam num quarto escuro e alguém tem que entrar e achar quem está escondido. Coisa inocente e boba, sem nenhuma maldade. Meu avô chegou e começou a gritar conosco, arrastou a mim, a meu irmão e as duas meninas para a sala e nos sentou em sofás separados. Nos olhávamos os quatro com cara de “o que está acontecendo?”. Naquela época, nunca poderíamos desconfiar que aos olhos de meu avô adulto estávamos engajados em alguma atividade sexual dentro do quarto. Era uma criança. Nem sabia o que era aquilo. No dia seguinte, minha mãe veio falar sobre a história, perguntando se tínhamos feito alguma coisa e explicou o quê. Foi quando entendi, dentro do que eu compreendia. Desabei no choro, me sentindo acusado de algo que não tinha feito. Lembro até hoje. Pois injustiças marcam.

Jesus foi injustiçado. Acusado falsamente. Cordeiro sem mancha indo para o abatedouro. Não é à toa que transpirou gotas de sangue: injustiça rasga nossa pele. Rasga nossa alma. Se o Verbo encarnado passou por isso, quanto mais nós, meros mortais. Seremos alvos de falsas acusações. Seremos acusados do que não fizemos nem pensamos. Desconfiarão de nós. Você dará pães e peixes e receberá de volta açoites. Prepare-se, um dia isso vai acontecer com você. E não será no mundão não: será dentro da igreja. De supostos irmãos. De gente que se chama pelo nome do Senhor. E você ficará ainda mais ferido por causa disso. Quem acusou Jesus foi um de seus apóstolos: Judas. Com um beijo. O traidor acusou Jesus de trair o status quo e, assim, o inocente virou réu de cruz. Imagino o que se passou no peito do Inocente na hora em que recebeu aquele beijo. Meu Deus… deve ter doído. Principalmente porque a injustiça veio da parte de alguém que Jesus chamava “amigo”:

“Dirigindo-se imediatamente a Jesus, Judas disse: ‘Salve, Mestre!’, e o beijou. Jesus perguntou: ‘Amigo, o que o traz?’ Então os homens se aproximaram, agarraram Jesus e o prenderam” (Mt 26.49,50).

Muitas vezes, assim como Jesus, somos aprisionados em injustiças. E, como Jesus, não nos darão chance de defesa. Nossa probidade será açoitada, nossa honra será cuspida, porão uma coroa de espinhos em nossa verdade e pregarão nossas boas intenções numa cruz de vergonha e dor. Não se engane: vai doer. Você vai sofrer por isso. E Deus não afastará de você esse cálice.

“Eis o homem!”, dirão. E você só poderá se calar, carregando nas costas o peso da sua inocência perante as acusações falsas, a desconfiança, o desamor.

Sofrer injustiça tem seus efeitos. Você sentirá sede de justiça e muitas vezes o que receberá será algo amargo como vinagre para saciar essa sede. Precisará de uma palavra de conforto e os que estão ao teu redor te porão ainda mais para baixo. Implorará a Deus por socorro e se sentirá abandonado. É o que João da Cruz chamou de “a noite escura da alma”. E como você estará cravado nessa cruz de desconfiança, não terá o que fazer. Vão lhe insultar a honra, balançando a cabeça, e você estará sem ar nos pulmões para se defender.

Mas aí você pergunta: “Zágari, e o que fazer então diante de um cenário tão pessimista? Não há justiça para a vítima de injustiça?” A solução, querido, querida, está em fazer o que Jesus fez: primeiro, mantenha-se íntegro como você sempre foi. Mantenha-se cristão. Ou seja: siga o exemplo do Cristo. Primeiro, perdoe quem te pôs no banco dos réus. “Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que estão fazendo”, deve ser sua primeira atitude. O verdadeiro cristão não é o que revida, aprendi isso com um bom homem de Deus. Sofra calado. E perdoe os que te injustiçam e te acusam de intenções inexistentes. Fale apenas com o Pai, chore em oculto. E, em seguida, continue fazendo como Jesus fez: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito”. Ou seja: entregue a situação nas mãos de Deus.

Quando te acusarem injustamente, desconfiarem de tua honra, puserem tua hombridade em xeque, perdoe quem te injustiçou, sofra calado e entregue a situação. E se você achar que isso é pouco, que deveria berrar e espernear para provar que é inocente, saiba que Deus é Justo. Logo, a injustiça dos homens jamais poderá se equiparar à Justiça de Deus. Se você tentar se defender, Deus permitirá que o faça, mas não interferirá. Mas se você der um passo para trás e deixar o Senhor Bom e Justo tomar conta da situação, chegará o momento em que haverá um grande terremoto, a pedra que oculta a verdade rolará e a verdade virá à luz.

Se neste momento você está sendo alvo de injustiça, meu irmão, minha irmã, saiba que a sua dor e a sua angústia podem durar uma noite ou mesmo três dias. Mas se você depositar a situação aos pés de Jeová Tsidkenu, o ‘Senhor Justiça Nossa”, Ele não deixará que tua carne permaneça na corrupção. E você sairá da sua tumba de vergonha e dor com as roupas resplandecentes, a alma limpa e a honra alva, mais que a neve.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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As reflexões expressas neste blog são pessoais e não representam necessariamente a posição oficial de nenhuma igreja, denominação ou grupo religioso.

Lembro-me de um semestre no seminário teológico em que lecionei por 9 anos quando passei como trabalho para os alunos que fizessem uma análise sobre o que significavam as obras da carne descritas em Gálatas 5. Dos cinco grupos, dois entregaram o material com uma capa onde havia fotos de pessoas tatuadas, com piercings, espaçadores de orelhas, cabelos pintados de verde e similares. Isso deixou claro para mim que esses elementos compõem, no imaginário geral do evangélico brasileiro, o arquétipo do que seria a pessoa mundana, pecadora. E é muitíssimo frequente essa questão vir à tona: cristãos podem se tatuar? É um assunto secundário e de menor importância para o Evangelho, mas como é um pedido recorrente nos comentários do APENAS que eu fale sobre o tema e como cresce a cada dia nas nossas igrejas o número de irmãos que ostentam tatuagens, farei uma análise bíblica, histórica e cultural da questão. Antes de continuar, só um registro: não sou tatuado nem pretendo me tatuar.

Antes de entrar pelo assunto em si explico por que disse que é “assunto secundário e de menor importância para o Evangelho”. Nos dias de hoje, em que a Igreja padece com o destemor dos seus membros, a falta de devocionalidade, o menosprezo pela oração, o posicionamento da leitura bíblica em segundo plano, a falta de amor ao próximo, a total irreverência pelas coisas de Deus, o uso de palavras torpes por pastores em púlpito visto com naturalidade, o mundanismo invadindo o santuário por todas as frestas, o desprezo pelo fruto do Espírito, a supervalorização e o mau uso dos dons, o esfarelamento do Corpo em facções e panelinhas… algo como aplicar tinta sobre a pele continua sendo visto como um assunto importante. Quando me perguntam se eu gostaria de visitar a Disneylândia, respondo: “Claro, depois de visitar 238 lugares antes”, simplesmente porque não tenho o menor interesse em gastar meu tempo naquele parque de diversões. Prefiro antes conhecer Israel, a Grécia, a Rússia, o Japão. Gosto de História, quero ver castelos e ruínas. Não desmereço quem acha a Disneylândia o must, mas para mim o interesse é mínimo. Do mesmo modo, muitos setores da Igreja acham que a questão das tatuagens está entre o top ten das preocupações de Deus. E quando vejo a falta de amor ao próximo, a egolatria e a agressividade que têm crescido assustadoramente entre os cristãos olho para o tema das tatuagens e penso “como isso pode ocupar tanto a preocupação de tantos? Há 238 preocupações maiores”. Mas tudo bem, vamos lá.

Biblicamente não há qualquer proibição a se tatuar. Sim, eu sei, aí imediatamente alguém se levantará para citar Levítico 19.28: “Pelos mortos não ferireis a vossa carne; nem fareis marca nenhuma sobre vós. Eu sou o Senhor”. A primeira vista, parece óbvio: Deus manda não fazer nenhuma marca no corpo, a tatuagem é uma marca no corpo, logo é pecado se tatuar. Só que para entender esse texto temos que entender o contexto.

Por que Deus estabeleceu essa norma para os israelitas? A resposta é que havia um povo, chamado caldeu, que tinha como hábito religioso cortar a carne de seus próprios corpos e fazer marcas com lâminas afiadas na pele como parte dos seus rituais aos falsos deuses que seguiam (a exemplo do que ocorre atualmente em muitas tribos africanas). Eram marcas que denunciavam idolatria. Em outras palavras, o que Deus está dizendo é que os hebreus não deviam cometer as práticas idólatras dos povos pagãos com que tinham contato. Se fosse em nossos dias, seria mais ou menos como dizer “Não poreis despacho na encruzilhada” ou “Não rezareis para santos mortos”.

Essa orientação era tão direta e específica para aquele povo que se formos ler o versículo imediatamente anterior, teríamos hoje de cumprir o que ele determina: “Não cortareis o cabelo em redondo, nem danificareis as extremidades da barba” (Lv 19.27). Bem, não vejo nenhum pastor pregar contra cabelos arredondados ou contra fazer a barba – pelo contrário, em denominações como a Assembleia de Deus é até mal visto usar barba, a ponto de a Casa Publicadora dessa denominação apagar no photoshop a barba de indivíduos cujas fotos são publicadas em seus jornais e revistas.  Ou, ainda, teríamos hoje de guardar o sábado, visto que dois versículos depois, em Levítico 19.30, Deus especifica: “Guardareis os meus sábados e reverenciareis o meu santuário. Eu sou o Senhor”.  O contexto hermenêutico deixa claro que eram leis específicas para os israelitas daquela época e o contexto cultural mostra a razão de o Altíssimo proibir marcas nos corpos: não cometer as práticas religiosas idólatras dos povos vizinhos. Não tem rigorosamente nada a ver com tatuagens não-rituais e muito menos Lv 19.28 se aplica à Nova Aliança.

A conclusão é que, biblicamente, não: o ato de se tatuar em si não constitui pecado.

Ok, agora virá alguém e dirá que nosso corpo é templo do Espírito e que fazer tatuagens nele seria pecar contra o mesmo. A esse respeito há alguns aspectos: primeiro, se fazer qualquer coisa que prejudique nosso corpo é um atentado contra o templo, não poderíamos comer comida salgada, ingerir açúcar (muito menos adoçantes), comer pizza (cheia de gordura que causa obesidade e entope artérias), tomar refrigerante (das coisas que ingerimos uma das mais maléficas) ou comer torresminho (um pedido explícito para se ter um AVC). Comer no McDonald´s então seria pecado sem perdão. Logo, devemos olhar esse argumento com muito cuidado. Segundo, no contexto de 1 Coríntios 6.19, que diz “Acaso não sabem que o corpo de vocês é santuário do Espírito Santo que habita em vocês, que lhes foi dado por Deus, e que vocês não são de si mesmos?”, o que está sendo tratado aqui são questões de natureza sexual.

Veja os versículos anteriores, a partir do 15: “Vocês não sabem que os seus corpos são membros de Cristo? Tomarei eu os membros de Cristo e os unirei a uma prostituta? De maneira nenhuma! Vocês não sabem que aquele que se une a uma prostituta é um corpo com ela? Pois, como está escrito: “Os dois serão uma só carne”. Mas aquele que se une ao Senhor é um espírito com ele. Fujam da imoralidade sexual. Todos os outros pecados que alguém comete, fora do corpo os comete; mas quem peca sexualmente, peca contra o seu próprio corpo”. E aí vem o versículo em questão: “Acaso não sabem que o corpo de vocês é santuário do Espírito Santo que habita em vocês, que lhes foi dado por Deus, e que vocês não são de si mesmos?”. Logo, o que está sendo discutido aqui é o corpo como santuário do Espírito de Deus no que tange à imoralidade sexual, não tem nada a ver com tinta aplicada sobre a pele.

Sob o aspecto cultural, a repulsa que a Igreja sempre mostrou a essa prática vem do fato que, até algumas décadas atrás, nas sociedades ocidentais, os grupos que se tatuavam geralmente apresentavam um comportamento bastante mundano. Eram, em especial, marinheiros, que quando aportavam em alguma cidade podiam ser vistos em prostíbulos ou bastante bêbados, com atitudes bastante réprobas. Logo, sempre que a sociedade “bem-comportada” via essas pessoas tatuadas era em situações de devassidão, mau exemplo ou pecado. Assim, essa visão foi sendo passada de geração em geração e, para um grupo como os cristãos, para quem prostituição e beber álcool são o supra sumo da pecaminosidade, gente tatuada passou a ser sinônimo de gente pecadora. Só que o problema desses indivíduos não eram as tatuagens, era seu comportamento antibíblico.

O tempo passou e nos nossos dias a tatuagem perdeu essa conotação. Hoje há muitas e muitas pessoas de vida honesta que se tatuam. A associação de tatuados com baderneiros arruaceiros e gente de má fama deixou de existir. Então, com o passar do tempo, na sociedade ocidental aplicar pigmentos sobre a pele perdeu aquele aspecto negativo de décadas e séculos passados. Mas, por uma tradição cultural, as novas gerações herdaram das antigas que se tatuar é sinônimo de devassidão anticristã e por isso, sem conhecer as origens da questão, dão continuidade ao que aprenderam de seus pais, sem nem ao menos saber explicar as razões. Bem, aqui expliquei.

Portanto, não podemos dizer que biblicamente ou culturalmente haja condenação para o uso da tatuagem.

Mas, antes que os tatuados saiam dando gritinhos de alegria, temos que dar atenção a outros fatores, em especial no meio cristão. É de suma importância aos olhos de Deus a unidade do Corpo. Por isso, em diversas passagens da Bíblia somos alertados que existem coisas que “são lícitas mas não nos convém”. Devemos estar atentos para não levar os irmãos à murmuração, ao escândalo, ao julgamento. Muitas vezes o fazem por tradição, outras por ignorância ou mesmo por diferença de gerações, mas, indepentente da razão, o que importa é termos paz com todos. Romanos 14.13ss, nos alerta: “Portanto, deixemos de julgar uns aos outros. Em vez disso, façamos o propósito de não colocar pedra de tropeço ou obstáculo no caminho do irmão. Como alguém que está no Senhor Jesus, tenho plena convicção de que nenhum alimento é por si mesmo impuro, a não ser para quem assim o considere; para ele é impuro. Se o seu irmão se entristece devido ao que você come, você já não está agindo por amor. Por causa da sua comida, não destrua seu irmão, por quem Cristo morreu. Aquilo que é bom para vocês não se torne objeto de maledicência”.

Repare as palavras de Paulo: é mais importante não gerar maledicência ou escândalo entre os irmãos do que fazer aquilo que não tem nenhum problema segundo a Bíblia. O mesmo ele repete pouco depois, no capítulo 14: “Como alguém que está no Senhor Jesus, tenho plena convicção de que nenhum alimento é por si mesmo impuro, a não ser para quem assim o considere; para ele é impuro. Se o seu irmão se entristece devido ao que você come, você já não está agindo por amor. Por causa da sua comida, não destrua seu irmão, por quem Cristo morreu. Aquilo que é bom para vocês não se torne objeto de maledicência. Pois o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo; aquele que assim serve a Cristo é agradável a Deus e aprovado pelos homens. Por isso, esforcemo-nos em promover tudo quanto conduz à paz e à edificação mútua. Não destrua a obra de Deus por causa da comida. Todo alimento é puro, mas é errado comer qualquer coisa que faça os outros tropeçarem. É melhor não comer carne nem beber vinho, nem fazer qualquer outra coisa que leve seu irmão a cair. Assim, seja qual for o seu modo de crer a respeito destas coisas, que isso permaneça entre você e Deus. Feliz é o homem que não se condena naquilo que aprova”.

O que essas passsagens nos dizem? Tatuar-se biblicamente é pecado? Não. Tatuar-se culturalmente no Brasil é sinal de devassidão moral? Não. Mas ainda há aqueles que se escandalizam ao ver na igreja quem se tatue? Sim. Portanto, o grande problema de o cristão se tatuar não passa por “poder ou não poder”, passa pelo amor ao próximo.

É o mesmo caso de mulheres usarem saias ou calças em igrejas mais conservadoras. Esse hábito surgiu porque décadas atrás, no início do século 20, calça era roupa exclusivamente de homens. Absolutamente todas as mulheres no Brasil usavam saia. As décadas se passaram e a calça, entre os anos 50 e 60, deixou de ser traje exclusivo de homens e foi adotado pelas mulheres. Ninguém mais se escandaliza em nossa sociedade ao ver uma mulher, por exemplo, de terninho. Porém, nessas igrejas o costume foi passando de geração a geração, os mais antigos foram morrendo e os mais novos, sem saberem explicar a origem da proibição de calças na igreja por mulheres apenas mimetizam o que aprenderam, sem saber as origens ou as razões. E aí criamos um bando de estranhos ao século 21, que acreditam que mulher usar calça é pecado – quando não é, se for uma calça decorosa.

Mas, do mesmo modo que a tatuagem, se você opta voluntariamente por ser membro de uma congregação onde a norma seja a mulher usar saia, se usar calça estará sendo desobediente às regras da assembleia onde está e, portanto, em rebeldia – e pecará por levar os irmãos ao escândalo e à murmuração.

A conclusão é: se o meio que você frequenta tem usos e costumes, não afronte, faça parte. Se discordar, saia e procure outro meio. Ou fique, adote o hábito e tente com amor ir influenciando os irmãos no conhecimento da verdade. O confronto jamais é o caminho. Por uma razão simples: é pecado.

E há ainda alguns pontos a ponderar. Aqui tomo por base um texto muito bem refletido publicado no blog de Nathan Joyce (foto à esquerda), Pastor do Heartland Worship Center, em Paducah (EUA) e divulgado no twitter pela irmã Francine Veríssimo (@FranVerissimo_), de quem tirei as boas reflexões que acrescento abaixo. O artigo, originalmente em inglês, chama-se “O que tatuagens realmente dizem”. Após mencionar que estimados 45 milhões de estadunidenses hoje são tatuados, o autor lembra alguns pontos relevantes:

1. Você vai envelhecer e se tornar um avô ou avó. E ninguém quer identificar seus avós como aqueles que têm “uma caveira ou arame farpado”.

2. Lembre-se que, na medida em que envelhece, seu corpo muda. Sua tatuagem vai acompanhar as mudanças. Cuidado, pois ao passo que sua pele se torna mais flácida, a borboleta em seu ombro pode se transformar num pterodáctilo e sua rosa pode virar o planeta Saturno.

3. De jeito algum tatue o nome de um namorado ou noivo. Se o relacionamento acabar, seu futuro marido ou esposa não vai gostar nada disso.

Joyce se pergunta por que afinal alguém precisa tanto se tatuar. Tatuagens dizem algo a nosso respeito. Que necessidade tentamos suprir com elas? Qual é a psicologia das tatoos? Mais ainda: qual é a espiritualidade delas? E ele apresenta sua conclusão: as pessoas se tatuam porque desejam desesperadamente pertencer e se expressar. Desejamos ter vidas que digam algo, queremos nos identificar com algo publicamente e nos marcar permite que nos expressemos e nos identifiquemos com a imagem de nossa escolha. Certo ou errado, é uma tentativa de realizar uma necessidade humana. Uma vez que se tatua, você assumiu um compromisso de longo prazo com uma imagem que para sempre vai marcá-lo, ou seja, identificá-lo e expressar algo a seu respeito para os outros. Ou seja: nos etiquetamos.

E ele continua: “De onde vem essa necessidade? Do fato de que fomos feitos à imagem de Deus, que também ama o pertencimento e a autoexpressão. Mesmo antes da Criação, Deus se identificava e pertencia à Trindade e a Criação é uma autoexpressão de Deus. E assim o Senhor nos criou do mesmo modo. Somos incompletos, a menos que pertençamos a algo ou alguém – nosso desenvolvimento depende disso. Os humanos também almejam uma vida que expresse legado. O problema é que o pecado atrapalhou todo o processo. Por causa dele, nossa busca por identificação tornou-se tóxica e compulsiva e nossa necessidade de autoexpressão deixou de ser motivada por amor, mas por desejo de grandeza e egocentrismo. Nossa cultura ama se expressar, não porque desejemos amar o próximo por meio dessa expressão, mas porque amamos ser o centro das atenções”. No final, essa profunda necessidade humana de pertencimento e expressão não será alcançada por meios humanos – somente quando o amor passar a habitar em você. E não qualquer tipo de amor, mas o amor de Cristo. Esse amor lhe convida a pertencer a um Deus eterno e a expressar Seu amor e Seus propósitos eternos.

Ao final, Pastor Joyce tem uma magnífica epifania: tatuado ou não, o amor é a marca que identifica você com Cristo. Um amor expressado por boas obras em benefício do próximo deixa uma marca que jamais se apagará.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício
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Num espaço de apenas 13 dias tive de voar de avião 6 vezes, por razões ministeriais. É muito interessante a experiéncia de voar, em especial quando se enfrenta turbulência, porque aí você consegue ver bem como as pessoas têm medo da morte. Você vê de tudo em um avião sacolejante: gente fazendo o sinal da cruz, unhas cravadas no braço da poltrona, mulheres agarradas aos braços de seus maridos ou namorados e até mesmo gritinhos. O cristão, curiosamente, não reage diferente: demonstra o mesmo medo da morte que o não cristão. Já parou para pensar nisso? Jesus veio à Terra para nos abrir os portões da vida eterna. Lemos isso na Bíblia, celebramos nos louvores, afirmamos no Credo Apostólico, quando algum cristão morre consolamos a família dizendo que “ele foi promovido à presença do Pai”, pregamos o Evangelho para “salvar almas”… só que quando a coisa é pra valer, quando pensamos na possibilidade da NOSSA morte, quase batemos na madeira três vezes. Alguns de nós até mesmo batem. Mas… que sentido faz esse medo diante de “…para que todo aquele que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna“?

Salmos 116.15 afirma que “Preciosa é aos olhos do Senhor a morte dos seus santos“. Que coisa estupenda! Já parou para pensar no sentido dessa frase? Quando um salvo deixa seu corpo e dá o passo dentro da eternidade, Deus considera isso algo precioso. O que é sinônimo de “valioso”, talvez “importante”. Então o ser humano que viveu com Cristo morrerá em Cristo. E Deus verá isso como algo de grande valor. Uma preciosidade. Fico imaginando uma morte daquelas que consideramos das mais trágicas – para usar o exemplo, um acidente de avião. Todos choramos, nos entristecemos, nos abatemos. Que morte horrível! Trágica! Mas  já parou para pensar como isso funciona para o cristão que morreu dessa maneira?

Bem, eu admito: nunca morri antes. Então o que vou dizer agora não é fruto de experiência.  Mas a Palavra de Deus dá tantas informações sobre como se processa esse fenômeno que podemos imaginar com uma certa razoabilidade. Então acredito que seja mais ou menos assim: estamos sentados na poltrona do avião quando, de repente, algo ocorre. Seja lá o que for, qualquer rasguinho na fuselagem causa uma despressurização que, em alguns segundos, no máximo, lhe leva a desmaiar. Vamos supor que o avião caia. Seu corpo deixa de ter as funções necessárias para a vida terrena e seu espírito é ejetado dele para a dimensão da eternidade.

Analisando em termos de consciência, penso que seja assim: estou desperto e, um segundo depois, apago, meio confuso. Já desmaiei algumas vezes, então sei como é: basicamente a visão escurece de fora para dentro, um zumbido ocorre no ouvido, dá uma certa moleza e…só. O resto é escuridão. É rápido, sem sofrimento. No caso de isso evoluir para o óbito, penso que um segundo depois cumpre-se aquilo que Jesus disse para o ladrão da cruz em Lucas 23.43: “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso“. Logo, suponho eu, pela análise das Escrituras, que poucos instantes após o desmaio ocorre enfim o que eu e você ansiamos mais do que tudo: vemos o Todo-Poderoso criador do universo face a face. Que momento esplendoroso, emocionante, magnífico! Então o Amor vira-se para você, sorri e diz: “Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor” (Mateus 25.23).

Que promessa! Que espetáculo! É enfim a concretização da esperança que nos acompanhou por toda nossa vida cristã! Deixamos de ver por espelho e contemplamos face a face o que é perfeito! Entramos na dimensão da presença palpável de Pai, Filho e Espírito Santo! Imagino que poderemos abraçar os anjos, conhecer enfim aqueles dentre eles que durante nosso bom combate acamparam ao nosso redor e nos protegeram, como diz Salmos 91.11: “Porque aos seus anjos dará ordens a teu respeito, para que te guardem em todos os teus caminhos“. Sim, conheceremos enfim esses amigos invisíveis que tanto nos ajudaram sem que nem soubéssemos! E mais: reencontraremos os nossos parentes e amigos mortos em Cristo e de quem sentimos saudade por tanto tempo! Que grande festa! Que alegria! Passados os primeiros momentos de celebração e novidade dessa nova realidade nos incorporaremos na rotina das esferas celestiais.

É quando veremos cenas espantosas aos olhos humanos, como a que Isaías 6 descreve: “Eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono, e as abas de suas vestes enchiam o templo. Serafins estavam por cima dele; cada um tinha seis asas: com duas cobria o rosto, com duas cobria os seus pés e com duas voava. E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória“.  Depois veríamos se cumprir Apocalipse 4.8: “E os quatro seres viventes, tendo cada um deles, respectivamente, seis asas, estão cheios de olhos, ao redor e por dentro; não têm descanso, nem de dia nem de noite, proclamando: Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, aquele que era, que é e que há de vir“.

E estaríamos presentes quando ocorresse o descrito em Apocalipse 7.9: “Depois destas coisas, vi, e eis grande multidão que ninguém podia enumerar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro, vestidos de vestiduras brancas, com palmas nas mãos; e clamavam em grande voz, dizendo: Ao nosso Deus, que se assenta no trono, e ao Cordeiro, pertence a salvação. Todos os anjos estavam de pé rodeando o trono, os anciãos e os quatro seres viventes, e ante o trono se prostraram sobre o seu rosto, e adoraram a Deus, dizendo: Amém! O louvor, e a glória, e a sabedoria, e as ações de graças, e a honra, e o poder, e a força sejam ao nosso Deus, pelos séculos dos séculos. Amém!“. E nós estaremos ali, como testemunhas oculares de tudo isso. Que extraordinário…

Fato é que temos pavor da morte, nós, cristãos. Mas… você não anseia desfrutar da plenitude do amor de Deus? Então ouça o apóstolo Paulo, que, conforme diz em 2 Coríntios 12, foi testemunha ocular do que nos espera um passo além da morte: “Conheço um homem em Cristo que, há catorze anos, foi arrebatado até ao terceiro céu (se no corpo ou fora do corpo, não sei, Deus o sabe) e sei que o tal homem (se no corpo ou fora do corpo, não sei, Deus o sabe) foi arrebatado ao paraíso e ouviu palavras inefáveis, as quais não é lícito ao homem referir“. E esse mesmo Paulo, que viu o que nos aguarda, afirma peremptoriamente em Romanos 8.38: “Porque eu estou bem certo de que NEM A MORTE, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor“. Que delícia ouvir isso. E o que Paulo pôde ver no Reino que nos espera após a morte o fez incisivamente declarar em Filipenses 1: “Com toda a ousadia, como sempre, também agora, será Cristo engrandecido no meu corpo, quer pela vida, quer pela morte. Porquanto, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro“. Uau. E ele prossegue no versículo 22: “Entretanto, se o viver na carne traz fruto para o meu trabalho, já não sei o que hei de escolher. Ora, de um e outro lado, estou constrangido, tendo o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor“.

Incomparavelmente melhor. Você consegue alcançar a amplidão dessa expressão? Significa que aquele passo que daremos para fora do corpo não tem nível de comparação com o que vivemos hoje. E o mais fantástico: para melhor. Ou seja: o que o homem que Deus permitiu ver o que existe naquele estado que chamamos de “morte” afirma é: o que existe ali é tão, mas tão melhor do que aquilo que vivemos nesta terra que é impossível comparar. E as promessas para o porvir dos salvos não param por aí: “Todavia, como está escrito: ‘Olho nenhum viu, ouvido nenhum ouviu, mente nenhuma imaginou o que Deus preparou para aqueles que o amam’.” (1 Coríntios 2.9)

Bem, diante disso tudo, o que dizer? Deus pôs dentro de cada um de nós o instinto de sobrevivência? Sem dúvida. Nenhum de nós diria “quero morrer hoje” graças a esse instinto.  Mas isso se deve única e exclusivamente a esse impulso irracional e animal de manter-se vivo a todo custo. Racionalmente, diante de tudo o que está descrito acima e muitas outras passagens sobre o chamado Paraíso, por que nós, cristãos, deveríamos temer a morte? Não é incoerente? Por que deveria um cristão ter medo de voar de avião? O que nos impede de dizer “para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro“? Te digo: falta de fé. A incerteza acerca daquilo que está escrito e descrito na Palavra de Deus.

Se existir um pingo de dúvida acerca do que a Bíblia afirma existir na vida após a morte, temeremos. Já ouvi cristãos dizerem “não tenho medo da morte, mas de sofrer na hora da morte”. Bem, mas nossa vida não é um oceano de sofrimentos? Acordar de manhã não é garantia de que vamos sofrer muitas vezes até nos deitarmos para dormir à noite? Sofremos dores físicas, psicológicas, emocionais, inseguranças, medos, dúvidas… viver é sofrer. Então… medo de morrer por causa do sofrimento que pode haver no instante de dar esse passo para “o tabernáculo de Deus com os homens“, onde, segundo Apocalipse 21, “Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles. E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram“? É preferível permanecer?

Sim, medo de sofrer. Mas é um medo que ocorre em quem nunca leu com atenção Romanos 8.18 e introjetou a ferro e fogo em sua alma o que essa passagem nos promete claramente: “Os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós“. Como temer o além-vida se cremos nisso?

A morte para o salvo não é nossa inimiga. É nossa libertadora. É uma amiga que nos tomará pela mão e nos conduzirá até o descanso. Até a meta. Até o porto seguro. Até Jesus Cristo, nosso amigo. Ao lado de quem viveremos pelos séculos dos séculos – em paz.

E é essa paz que desejo a todos vocês que estão em Cristo. A paz eterna.

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Licença Creative Commons Blog APENAS by Maurício Zágari is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial 2.5 Brasil License.

É muito difícil falar das coisas que fazemos e produzimos. Em especial no nosso meio cristão, onde isso pode soar como soberba, autopromoção e atribuição de glórias a si e não a Deus – mesmo que essa não seja nossa intenção. Por isso, gosto quando alguém que não eu faz uma crítica educada e bem embasada de algo que produzimos, pois tira de nós a suspeição. Por exemplo: quando você escreve um livro e acredita que o seu conteúdo pode edificar e até transformar vidas, é natural que deseje que ele seja lido pelo maior número possível de pessoas, para que a mensagem seja passada adiante e ajude muitos a corrigirem erros que possam estar praticando (até mesmo sem saber) e a se tornarem cristãos mais próximos e íntimos de Deus. Ao escrever A Verdadeira Vitória do Cristão não foi diferente: acredito naquilo que escrevi e naturalmente meu desejo é que alcance o maior número possível de vidas, não seria hipócrita de negar isso. Também não é bem visto em nosso meio dizer o que vou dizer, mas o farei para que você entenda minhas intenções ao mencionar esse livro: não recebo um centavo sequer por ele, os meus direitos autorais foram todos doados. Não falo isso para que você pense que sou um cristão magnânimo, não sou, mas falo apenas para que entenda que divulgo essa obra e incentivo sua leitura por puro senso missional – e não por interesses financeiros.

Fato é que recebi pelos comentários do APENAS o texto abaixo do mano Ayres Filho, que leu o livro e me enviou essa crítica. Não sou fingidor, por isso deixo claro que reproduzo o texto – com autorização do autor – para incentivar você a, se ainda não leu, ler A Verdadeira Vitória do Cristão. Eu não conhecia Ayres, não pedi que ele escrevesse o texto e ele o fez voluntariamente. O reproduzo aqui por sentir que um comentário tão imparcial de alguém que nunca conheci pessoalmente poderia levar mais pessoas a se interessarem por sorver o que o livro diz e – queira Deus – perceberem por meio dessa leitura as muitas mentiras que vêm sendo pregadas e divulgadas por aí sobre o conceito bíblico de “vitória”. Sem mais, passo a palavra ao mano Ayres sobre A Verdadeira Vitória do Cristão:

* * *

Prezado Irmão em Cristo Zágari,

Confesso que não o conhecia, nem havia lido nenhum artigo seu, nem nenhum dos seus livros, até que chegou em minhas mãos o seu mais recente livro: A Verdadeira Vitória do Cristão. Através dele, cheguei ao seu blog, e cá estou para postar essa mensagem pra ti, na esperança de um retorno nesse espaço democrático.

Quero deixar registrado aqui o quanto foi impactante e ainda está sendo pra mim a sua leitura a respeito do conceito de “vitória” e de todas as apropriações errôneas cometidas por igrejas diversas e pastores diversos a repeito das pregações e práticas cristãs.

Ao lê-lo, imediatamente veio em meus pensamentos uma indentificação com os seus, sobretudo, na crítica pertinente e contundente de pregações e formas de se congregar na contemporaneidade. A cada lauda lida de seu livro, eu dizia pra mim mesmo: – É isso que penso, é isso que eu acho, só que nunca conseguir colocar em palavras esses pensamentos, que não são só pensamentos não, é mais que isso, são sensações, impressões quase que cinestésicas com relação o que a Bíblia afirma e o que os homens inventam sobre o Reino de Deus.

Estou extasiado com essa leitura e a tenho recomendado para alguns amigos cristãos e sobretudo os não cristãos. Seu livro me parece uma espécie de evangelização contemporânea alicerçada no real, no “papo reto”, no estudo, na pesquisa, e não numa cegueira e em ignorância espiritual.

Você trabalha a fé, o Deus vivo, mesmo com as nossas mazelas e impefeições humanas e que mesmo que para os olhos de muitos, estejamos “no erro” para as ditas “leis cristãs”, o Deus misericodioso pode conceder a benção, a graça, ou vitória, só Ele, e somente se Ele quiser, sem maiores avaliações de ação correta ou incorreta.

O mais bacana, (isso é uma leitura pessoal) percebo em seu discurso, que a “vitória” pode vir para ímpios, para justos, para agnósticos, ateus, que o fato do cidadão ser crente não lhe dá garantia de nada. É Deus que tem o plano, é Deus que tem o propósito, é Deus quem dá a vitória, sendo nós “certinhos” ou não. Já vi tanto ateu vitorioso e muito abençoado, que chega dar dó da sua estúpida compreensão de autossuficiência, achando que foi ele, ele e ele o responsável por aquelas “vitórias”.

Enfim, por último, gostaria de fazer uma analogia com Clarice Lispector de como me sinto ao lê-lo. Ela, a Clarice, tem o talento literário e a capacidade para materializar o abstrato em palavra. Clarice consegue dizer o indizível, mesmo quando ela diz que tem sentimentos que não cabem nas palavras. Ainda sim, ela encontra algo que preencha essa necessidade de dizer o que não pode ser dito. Seus escritos conseguem matrerializar aquilo que todo cristão sente e vive na carne , mas não confessa pra si, sem falar no receio da represália de seus pastores.

Obrigado pela prazerosa e realista leitura elucidativa. Serei doravante um leitor seu fiel, e adoraria conhecê-lo pessoalmente um dia para trocarmos impressões.

Carinhosamente,
Ayres Filho.

* * *

E aqui termina o texto do irmão Ayres. Eu, Zágari, espero que as palavras dele incentivem você a conhecer A Verdadeira Vitória do Cristão, a analisá-lo com olhar crítico e a ver se a perspectiva que hoje tem sobre as coisas de Deus confere com o que a Bíblia diz. Para saber mais sobre o livro, você pode ler o post que publiquei na semana do lançamento a respeito do conteúdo da obra (AQUI). Nele conto como ela nasceu, como surgiu a ideia de transformar um estudo pessoal num livro e reproduzo trechos do prefaciador: o escritor, sacerdote e teólogo Walter McAlister, vencedor de quatro Prêmios Areté (a premiação máxima da literatura cristã brasileira, que atesta a excelência das obras) por seu excepcional O Fim de Uma Era (que recebeu os troféus de “Livro do Ano”, “Autor Nacional” e “Melhor Livro de Vida Cristã) e pelo devocional “O Pai Nosso” (laureado com o troféu de “Melhor Livro de Inspiração/Meditação”).

Peço desculpas por este post não ser uma reflexão como as que costumo fazer aqui no APENAS, de edificação, consolo ou exortação. Mas se você decidir ler A Verdadeira Vitória do Cristão (também disponível pelo 0800-701-3490, ligação gratuita), tenho certeza que será mais abençoador que qualquer texto que já escrevi neste blog.

Oro a Deus que essa leitura edifique muito você, o transforme para melhor e o aproxime ainda mais de Deus. Que as palavras de A Verdadeira Vitória do Cristão mostrem a você qual é a vitória que verdadeiramente a Bíblia nos promete… e não a que os homens inventam.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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Vivemos a era das frases curtas. De repente a nossa fé pulou no imaginário de uma enorme parcela da Igreja brasileira da Bíblia e dos livros para adesivos de automóvel, 140 caracteres do twitter, fotos com frasezinhas do Facebook, slideshows no YouTube, blogs com três ou quatro parágrafos. Preguiçosos que somos, passamos a ser governados por teologia fast food em vez de por leituras com introdução, desenvolvimento e conclusão. Ao longo de algum tempo,  fiz uma coletânea de clichês gospel que ouço pelos arraiais evangélicos (das igrejas organizadas aos desigrejados) para que possamos comentar cada um. Leia e veja se você já não ouviu essas frases serem repetidas montes de vezes – sem que aqueles que as falam tenham gasto cinco minutos refletindo sobre seu significado. Vamos analisá-los biblicamente e historicamente:

- “Eu declaro/decreto a bênção” – Bênçãos são benefícios vindos unilateralmente de Deus e por decisão soberana dEle. Ninguém pode declarar ou decretar uma bênção, pois está fazendo aquilo que só o Senhor pode fazer. Quem o faz toma o lugar de Deus e, portanto, pratica idolatria. Sem falar que essa afirmação, fruto da chamada “Confissão Positiva”, tem raízes em religiões demoníacas de Nova Era (saiba mais sobre isso no post Demonologia da Prosperidade).

- “Eu tomo posse da bênção” – “tomar posse” significa literalmente se apossar de algo que não é seu. Quem “toma posse” é um posseiro, ou seja, alguém que invadiu um local que não lhe pertence e impõe pela força e presença o domínio sobre o que é dos outros. Como vimos acima, bênção é um benefício outorgado por Deus, por sua soberania. Quem quer “tomar posse” de uma bênção está dizendo, em outras palavras, que vai arrancar do Senhor na marra aquilo que quer para si e que só receberia se fosse concedido pelo Todo-Poderoso. Logo, essa frase, (cunhada com base no Antigo Testamento, quando o povo de Israel entrou na Terra Prometida e teve de “tomar posse” dela na base da briga, visto que era habitada por outros povos) é uma afronta à vontade soberana de Deus, que concede bênçãos a cada um conforme lhe apraz e não porque as tomamos dele à força.

- “Tá amarrado” – parte do princípio de que podemos atar demônios com amarras espirituais. Não existe tal expressão na Bíblia e o que as Escrituras nos ensinam a fazer com os demônios é expulsá-los imediatamente quando se manifestam, e não amarrá-los. Não vemos nenhum exemplo bíblico de Jesus ou os apóstolos “amarrando” demônios. O padrão bíblico é: “Cala-te e sai”.  Jesus não perdia tempo dialogando com demônios, apenas os mandava ficar quietos e então os expulsava. O único episódio de possessão em que Jesus vai além do “cala-te e sai” é o do gadareno. E, mesmo assim, a ordem de Cristo não é amarrar ninguém, mas sair na hora da pobre alma atormentada.

- “Temos que voltar ao modelo da Igreja primitiva” – se fizermos isso, estamos lascados. A Igreja primitiva, ao contrário do que existe no imaginário popular cristão, estava a anos-luz da perfeição. Em Atos lemos casos como os de Ananias e Safira, discordâncias com os judaizantes, brigas internas entre crentes como Paulo e Pedro, duplas missionárias sendo divididas por discordâncias. A esmagadora maioria das epístolas do NT foi escrita para consertar as montanhas de erros que os primeiros cristãos cometiam. Na Ceia do Senhor muitos iam só para matar a fome e os que levavam mais não dividiam com quem não tinha posses. Se lemos as sete cartas às igrejas de Apocalipse vemos como a maioria estava distante da vontade de Deus. Nos 313 anos em que houve perseguição do Império Romano aos cristãos, surgiu o fenômeno dos “lapsi”, aqueles que, ao contrário dos mártires, negavam Jesus perante as autoridades para salvar suas vidas – e não foram poucos os que fizeram isso. Nas catacumbas, que eram essencialmente cemitérios subterrâneos, os cristãos mais ricos tinham direito a sepulturas mais luxuosas que os pobres e, muitas vezes, ganhavam câmaras inteiras exclusvas para suas famílias. Havia muitos privilégios concedidos aos abastados na Igreja primitiva.

Além disso, a Igreja primitiva foi assolada por montes e montes de heresias que surgiram em seu seio, como gnosticismo, sabelianismo, modalismo, monofisismo, eutiquianismo, pelagianismo, marcionismo, ebionismo e outros “ismos” que denunciam como ela era dividida, como havia desacordos, divergências de visão e rachas. Tudo isso mostra que retomar o modelo da Igreja primitiva não é viver um Evangelho puro e simples, como muitos pensam, é voltar a uma época cheia de enormes poluições, divisões, pecados e problemas no seio do Corpo de Cristo. Igualzinho aos nossos dias.

- “Os primeiros cristãos se reuniam em lares e não em templos, por isso devemos voltar a esse modelo” – os primeiros cristãos, aqueles cheios de imperfeições que vimos acima, só se reuniam em lares por uma única razão: como por 313 anos o cristianismo foi considerada uma religião criminosa pelo Império Romano, qualquer um que se confessasse cristão tinha seus bens tomados, era preso, torturado e morto. Por isso, o culto a Jesus tinha de ser feito de modo escondido. O único lugar onde havia um mínimo de privacidade eram os lares dos cristãos, que podiam simular uma visita social e ali realizavam suas liturgias. Mas, com o Edito de Milão, no ano 313, decreto que liberou a religião cristã, imediatamente os que se ocultavam, ávidos por comungar com mais irmãos, começaram a erguer templos onde pudessem se ajuntar e reverenciar o Senhor coletivamente. Em pouco tempo, graças à liberdade religiosa, o culto em lares tinha sido extinto.

Para fazer um paralelo com nossos dias, é só ver o caso da China, por exemplo, onde não se pode cultuar Jesus publicamente e por isso lá existe a chamada “igreja subterrânea”, ou seja, os irmãos são obrigados a se reunir em pequenos grupos, nos porões de suas casas, para cultuar Jesus em oculto. Se você perguntar a um membro desses grupos em lares se eles preferem esse tipo de modelo ou se gostariam de ter templos onde se reunir em maior quantidade e celebrar a liturgia da adoração com muito mais irmãos (como eu já fiz, em entrevistas com membros da Igreja subterrânea chinesa para reportagens que escrevi), verá que TODOS eles dão preferência ao ajuntamento em santuários, onde poderiam comungar em maior número, num local dedicado e visível, que servisse de referência para os não cristãos em sofrimentos saberem que ali podem encontrar ajuda. Uma reunião num lar dificilmente será encontrada por quem está vivendo aflições que só Deus pode aliviar, o que não ocorre se você tem um templo bem visível.

- “Jesus não criou uma religião” – a palavra “religião” vem do latim “religare” e significa “ligar duas partes separadas”. Portanto, em sua essência, religião cristã é o contato entre Cristo e o homem, é o “religare” entre o Pai e o filho. Religião, assim, é relacionamento, é intimidade. Logo, quando ora você pratica religião. Quando lê a Bíblia você pratica religião. Etimologicamente, qualquer pessoa que se liga a Deus é um religioso sim senhor, pois pratica o “religare”. Portanto, ao ensinar a oração do Pai Nosso, Jesus nos estava ensinando a ser religiosos, no sentido de sabermos nos comunicar bem com o Pai. Quando ouvimos “pedis e nada recebeis pois pedis mal”, o que está sendo dito é “você está praticando mal a sua religião”. É claro que, como muitas palavras da língua portuguesa (como “manga”, que pode ser a fruta ou uma parte de uma blusa), o termo “religião” pode ter o significado de “prática organizada de uma fé”, basta ver no dicionário. É a “famigerada” instituição. Em geral é nessa acepção que a frase em questão é dita. Nesse sentido, quando Jesus diz a Pedro que sobre Ele (a Pedra) seria erguida Sua Igreja, o Mestre está estabecendo-se como o alicerce, o fundamento da fé que se seguiria pelos milênios a seguir. Só que Ele em nenhuma passagem da Bíblia  especifica como o homem deveria manter o Corpo sobre esse fundamento. Isso é uma decisão que Jesus deixou a cargo do homem. Fato é que se Jesus nunca instituiu uma organização religiosa que o tivesse como alicerce, também nunca proibiu. Repare que o que Jesus critica, por exemplo, nos maus fariseus em momento algum é sua organização ou o fato de cultuarem  Deus de modo institucional, sua crítica a eles era uma questão do indivíduo, do coração, e não da instituição: a hipocrisia, a falsa aparência de piedade, a religiosidade aparente sem um “religare” autêntico, sempre questões de foro pessoal e nunca institucional.

- “Jesus nunca construiu templos, por isso devemos nos reunir em lares” – se Jesus nunca construiu templos, também nuca construiu casas. Por esse argumento, se não devemos adorá-lo em templos institucionais também não poderíamos adorá-lo em lares. Dá na mesma. A resposta e a solução para essa pendenga de se podemos ou não cultuar Jesus em templos está em duas passagens bíblicas. Em João 4.19ss, lemos o diálogo entre o Mestre e a samaritana: “Senhor, disse-lhe a mulher, vejo que tu és profeta. Nossos pais adoravam neste monte; vós, entretanto, dizeis que em Jerusalém é o lugar onde se deve adorar. Disse-lhe Jesus: Mulher, podes crer-me que a hora vem, quando nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai.  Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus. Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores. Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade”. Eis a primeira resposta: seja no templo, num lar, no monte ou em Jerusalém, importa adorar em espírito e em verdade. Se é o que a pessoa faz, não se pode condenar o local só porque Jesus nunca construiu um edifício.

Temos que lembrar que os discípulos adoraram muitas vezes o Senhor na cadeia. E Jesus também nunca construiu uma cadeia. Outra passagem reveladora que contradiz essa frase incoerente está nas palavras de Jesus relatadas em Mateus 18.20: “Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles”. Se houver dois ou três reunidos em nome de Jesus num templo de uma igreja institucional Ele ali não estará? Se houver dois ou três reunidos em nome de Jesus num templo do tipo que Jesus nunca ergueu Ele não se fará presente? A resposta é óbvia. Então o fato de Jesus nunca ter construído um templo, uma igreja ou uma catedral é absolutamente irrelevante, desde que haja ali dois ou três reunidos em Seu nome e o adorando em espírito e em verdade. Quem perde tempo combatendo isso e advogando furiosamente a reunião em lares só está perdendo tempo.

- “Não cai uma folha da árvore se Deus não deixar” – embora faça sentido biblicamente, visto que Deus é soberano e controla tudo o que ocorre no universo, sejam fatos bons ou tragédias, essa frase não está em nenhum lugar da Bíblia.

- “Sou cristão, não evangélico” – essa frase é fruto da vergonha de ser designado pela mesma nomenclatura de  igrejas e pastores que têm enlameado o bom nome da Igreja evangélica. Então, para evitar ser associados por amigos e parentes a esses grupos, muitos têm optado por se dizer apenas “cristãos” e repudiam enfaticamente o nome “evangélico”. Mais do que deixar de ser evangélicos, se tornam antievangélicos. Isso é nonsense, pelo simples fato que não resolve nada. Os que enlameiam nosso nome também se dizem “cristãos”. Pela mesma lógica, deveríamos abandonar esse termo também?  A resposta é óbvia.  Etimologicamente, “evangélico” é o que segue o Evangelho de Jesus. Historicamente, “evangélico” é o que segue o Evangelho conforme resgatado pela Reforma Protestante. Logo, se você é cristão, professa o Evangelho de Cristo e coaduna com os cinco “solas” da Reforma… você é evangélico, queira ou não. É uma nomenclatura de 500 anos que define quem tem essas características. Renegar isso é dizer que você não é o que você é. Portanto, em vez de dizer “não sou o que sou, sou só cristão” por vergonha de ser associado a igrejas e pastores dos quais se envergonha, o ideal é deixar claro para os de fora que nós somos sim evangélicos, enquanto os que praticam atrocidades em nome da fé é que não são.

Se alguém faz piadinha pelo fato de você ser evangélico, em vez de mudar sua nomenclatura aproveite a oportunidade e explique para o piadista a razão de você portar esse honroso nome, fale que evangélico significa “aquele que segue o Evangelho de Cristo conforme resgatado pelos reformadores”, explique por que os falsos cristãos não são evangélicos e aproveite para explicar o que são as boas-novas da salvação do genuíno Evangelho de Cristo. Assim, ser humilhado por ser evangélico é uma excelente oportunidade não de mudar por vergonha o que te define, mas sim de explicar aos não cristãos o que é o Evangelho da salvação. De e-van-ge-li-zar. A escolha é sua.

- “Deus é amor e por isso não controla as tragédias nem desastres naturais, como os tsunamis” -  essa heresia teológica vem sendo pregada por um pequeno grupo que segue a linha do Teísmo Aberto americano, uma linha de pensamento que no Brasil foi chamada por um pastor evangélico que não se diz evangélico de Teologia Relacional. Ele e mais um punhado de pastores e acadêmicos celebrados nas mídias sociais (além de um grupinho de pessoas que tentam pegar carona em suas celebridades para se promover) começaram a propagar essas ideias pelas redes sociais, dizendo que Deus abriu mão de sua soberania e não controla as tragédias que ocorrem no mundo. Segundo essa heresia, Deus só está preocupado em relacionamentos e o conceito de Jeová controlando as forças da natureza seria fruto da incorporação de valores da filosofia e da religião grega no Cristianismo. Esquecem que Deus abriu o Mar Vermelho e o Rio Jordão, que Jesus acalmou a tempestade, que o Sol “parou” e retrocedeu, que houve um terremoto no momento em que Jesus entregou o seu Espirito… para essa heresia tudo isso são metáforas, o que associa esse pensamento à diabólica Teologia Liberal de Bultmann e outros teólogos – segundo a qual a Bíblia não é literal e muitos de seus relatos são apenas fábulas. Ao propagar essa afirmação, os adeptos da Teologia Relacional destituem Deus daquilo que é indissociável de Sua essência: Seu poder absoluto sobre todas as coisas e Sua soberania sobre tudo o que ocorre no universo. É, portanto, uma afirmação antibíblica e anticristã.

- “Padussinhô” – cumprimento que originalmente tinha um significado muito bonito e bíblico: “A paz do Senhor”. O problema é que a expressão de popularizou de tal forma que as pessoas nem pensam mais no significado do termo. Passam umas pelas outras no corredor da igreja e soltam um “Padussinhô” sem nem se tocar do profundo significado da expressão. Da próxima vez que você for saudar alguém com essas palavras, concentre-se em seu belo significado: que você está desejando a aquele irmão a paz que excede todo o entendimento vinda do Príncipe da Paz, que saudava seus amigos desejando exatamente a mesma coisa. Lembra das palavras do Mestre ao chegar, ressurreto, entre os discípulos, por exemplo, em Lucas 24? “Falavam ainda estas coisas quando Jesus apareceu no meio deles e lhes disse: Paz seja convosco!”. Não deixemos uma saudação tão significativa perder seu sentido: ao a falarmos, que de fato estejamos desejando paz a aquela pessoa. Só um porém: você já parou para pensar o que exatamente significa “paz”? Significa “Quietação de ânimo, sossego, tranquilidade, ausência de dissensões, boa harmonia, concórdia, reconciliação”. Vale a pena investir um tempo meditando sobre cada um desses valores que dedicamos aos irmãos.

- “Temos que contextualizar o Evangelho à cultura de cada época e sociedade” – a afirmação em si é correta, isso é exatamente o que temos de fazer. Não adianta pregarmos o Evangelho no século 21 de túnica e sandália de couro. O problema é que alguns setores da Igreja têm levado essa ideia correta além no limite de segurança. Têm conduzido esse conceito ad absurdum. Com isso, tentam com tanta força e ímpeto falar a linguagem de nossos tempos para atrair o mundo que acabam muitas vezes sendo mais mundo que Igreja. É o que ocorre, principalmente, entre a chamada Igreja emergente: os próprios pastores acabam cometendo excessos e absurdos como pregar falando palavrões de púlpito e recomendar a ida a seus membros a shows de artistas com letras anticristãs e estéticas agressivas, como Ozzy Osbourne e Titãs (grupo que tem canções altamente antibíblicas, como “Igreja”, “Homem Primata” e “Epitáfio”). É preciso muita cautela. Pois nunca podemos esquecer que o Evangelho é, sempre foi e sempre será escândalo para os que não creem e que é contracultura. Isso em qualquer época e em qualquer cultura.

- “Fala, Deus” – geralmente é dito quando um pregador diz algo que o irmão ou a irmã acham que deveria ser ouvido por alguém da igreja ou por toda a congregação. É uma espécie de “toma, desgraçado, que Deus tá dizendo aquilo que eu penso que você deveria ouvir”. Na maioria das vezes não é dito com amor no coração e, por isso, é algo reprovável. A não ser que a exortação seja para si mesmo. Aí… fala, Deus!

- “Eis que eu te digo…” – nos arraiais pentecostais significa que está começando uma profecia da parte de Deus. Nada contra. Sou pentecostal e creio na atualidade dos dons. O problema é que ser “profeta” dá status entre os irmãos, como se a pessoa que profetiza fosse merecedora de um amor especial da parte de Deus. Por isso, não são poucas as pessoas que simulam profecias e, com isso, cometem o gravíssimo pecado de pôr nos lábios do Senhor o que Ele não falou. Sem falar do estrago causado junto à pessoa a quem a falsa profecia foi dirigida, que vai acreditar que Deus lhe deu algum direcionamento que na verdade não deu. Assim, antes de dizer “eis que eu te digo”… trema!

- “Em nome de Jesus” – a expressão é bíblica e o Mestre nos autorizou a usá-la. A questão é que muitos a estão usando com significados que não deveriam ter, como se fosse um “abracadabra”. Como disse Walter McAlister no livro “O Fim de uma Era”, tem sido usada com o sentido de “tem que dar certo”. “Eu vou conseguir esse emprego em nome de Jesus”. “Você vai namorar fulano, em nome de Jesus”. “O liquidificador vai funcionar agora, em nome de Jesus”. Na verdade, qual é o significado bíblico dessa expressão? Quando alguém permite que outra pessoa faça algo em seu nome, está lhe concedendo a autoridade pessoal que detém. Por exemplo, se um soldado raso chega a um capitão e lhe diz para preparar um automóvel o capitão não lhe obedecerá, pois o soldado não tem autoridade de solicitar isso a um superior. Mas se um general diz a um soldado raso: “Vá até o capitão em meu nome e lhe diga para preparar um automóvel”, aquele soldado acabou de receber a autoridade que o general tem sobre o capitão para aquela tarefa especifica. Então ele pode chegar ao capitão e dizer: “Estou vindo em nome do general solicitar que prepare o carro” e o capitão obedecerá o soldado porque o pedido é segundo a autoridade do general. Em nome dele. Com Jesus é igual. Os homens não têm autoridade de expulsar demônios. Mas quando você expulsa “em nome de Jesus”, é a autoridade que nos foi concedida por Deus que está realizando aquele feito. Do mesmo modo, ser humano algum tem poder em si para curar uma doença sem ser por meios médicos. Mas se você ora “em nome de Jesus” pela cura, é a capacidade milagrosa de curar que Jesus tem e que nos foi concedida que está atuando. Ou seja, a forma correta de usarmos essa expressão é somente quando podemos substitui-la por “segundo a autoridade de Jesus concedida a mim para este fim”.

- “Jesus não criou hierarquias nem liturgias” – errado. Basta você ver que no céu existem anjos e arcanjos. O prefixo “arc” significa “o principal”, “o primeiro”, “o de maior autoridade”. Por isso, arcebispo é o principal dos bispos. Do mesmo modo, fica claro que no reino celestial o arcanjo tem um papel hierarquicamente superior a um anjo. Esse princípio do mundo espiritual também é aplicado na terra. A Bíblia manda respeitarmos as autoridades e diz que nenhuma autoridade há que não tenha sido constituída por Deus. Também manda servos obedecerem seus senhores. Afirma à mulher que deve ser submissa ao marido. Ou seja, em todas as instâncias da vida humana – seja política, profissional ou familiar – as Escrituras deixam claro que há uma hierarquia. Seria de se estranhar muito que justamente na vida espiritual isso não ocorresse. A Bíblia deixa claro que havia na Igreja do primeiro século pessoas com cargos de supervisão (o “bispo”, conforme mencionado nas epístolas a Tito e Timóteo. Os apóstolos tinham um papel de liderança, basta ver no episódio de Ananias e Safira e basta reparar como Paulo dá determinações às igrejas em suas epístolas. E aqui cabe uma observação: hierarquia não quer dizer que alguém é melhor do que outro ou mais especial. Simplesmente que desempenha uma função com maior poder de decisão. É como o capitão de um time de futebol: ele é igual aos demais, mas dentro de campo é quem dá as decisões. E, acima dele, está o técnico, que tem, inclusive, o poder de decidir substituir o capitão.

Já a liturgia fica clara quando Jesus institui a Ceia. É um cerimonial litúrgico por natureza: tem ordem, as etapas seguem uma ordem, há um modo de proceder, há a repetição da forma de fazer a cada vez que se celebra. A História conta que os encontros da Igreja no primeiro século seguiam uma liturgia não muito diferente dos cultos de hoje, com louvores cantados, a leitura das cartas ou textos considerados canônicos e uma exposição do Evangelho por quem liderava o encontro. Logo, hierarquia e liturgia não foram, como alguns equivocadamente afirmam, instituídos pelo imperador Constantino ao oficializar a fé cristã como religião oficial do Estado: são bem anteriores – no mínimo 200 anos anteriores.

- “Posso ser cristão em casa, sozinho, sem congregar” – esse é um erro vindo do desconhecimento sobre a essência de nossa fé. O Evangelho é, por essência, um estilo de vida coletivo. 1 Coríntios 12 deixa claro que somos um corpo. Um membro decepado de um corpo é uma anomalia grotesca. Jesus nunca propôs o isolamento como padrão e, mesmo quando se retirava para orar sozinho, levava consigo alguns de seus apóstolos. Portanto um cristão que não congrega está desobedecendo o padrão divino.

- “Não existe pecadinho ou pecadão” – existe sim. A partir do momento em que existe um pecado (a blasfêmia contra o Espirito Santo) que não tem perdão e que a Bíblia diz que há pecados que são para a morte e outros que não são (independente da interpretação que se dê a isso, há muitas: “Se alguém vir pecar seu irmão, pecado que não é para morte, orará, e Deus dará a vida àqueles que não pecarem para morte. Há pecado para morte, e por esse não digo que ore. Toda a iniquidade é pecado, e há pecado que não é para morte” – 1 Jo 5.16,17.), automaticamente  fica claro que há gradações. Só haver um pecado imperdoável já é prova disso. No sentido de que qualquer pecado é desobediência a Deus… naturalmente todo pecado é equivalente, mas isso não desmerece que em suas consequências há sim níveis. A Bíblia é clara quanto a isso.

- “Manto!” – essa só pentecostal entende. Se bem que eu sou pentecostal e até hoje não entendi isso.

Por enquanto é isso. Se você se lembrar de mais algum clichê dos nossos dias usado nas igrejas, entre desigrejados, entre tradicionais ou pentecostais…não importa, entre cristãos em geral, basta acrescentar nos comentários. Só peço uma coisa: explique por que aquela palavra, expressão ou frase está biblicamente incorreta. Apenas mencioná-la não vai acrescentar. Se for o caso, faremos uma apreciação em cima do seu comentário.

Quem sabe assim, parando para pensar sobre o que falamos sem pensar… paremos um pouco para pensar sobre o que falamos! E, talvez, seja o caso de eliminarmos certas frases feitas do nosso meio que parecem corretas mas na verdade só servem para confundir. Ou não servem para nada mesmo. Tão ligados na fiação, varão e varoa dos mantos de fogo?

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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Uma das maiores invenções da humanidade foram os livros. Não foi à toa que Deus escolheu tinta sobre papel para se revelar aos homens, pela Bíblia. Graças à literatura você consegue perpetuar conhecimento por milênios, passar ideias e emoções de geração a geração, fazer rir, chorar, se emocionar, aprender, crescer, viver. Sim, pois graças à Bíblia temos vida: é por ela que descobrimos o caminho da vida eterna, Jesus Cristo. Por isso amo livros e – confesso – tenho pena de quem diz que não gosta de ler, pois não sabe o que está perdendo. Foi esse amor pela literatura que me leva a passar para o papel aquilo que Deus põe em meu coração. Assim surgiram seis livros que escrevi: O Enigma da Bíblia de Gutemberg, 7 Enigmas e um Tesouro e O Mistério de Cruz das Almas (livros de ficção cristã publicados pela editora Anno Domini na série Geração Ação), A Verdadeira Vitória do Cristão (obra teológica que mostra qual é o real conceito bíblico de “vitória”, lançado no início deste ano), “O Ritual” (quarto livro da série Geração Ação, que será publicado no segundo semestre) e um último já escrito e aguardando aprovação da editora. Minha motivação para escrever todos esses livros foi unicamente edificar a Igreja, sem mais expectativas. Qual não foi então minha surpresa quando O Enigma da Bíblia de Gutemberg recebeu ano passado o Prêmio Areté de excelência em literatura cristã na categoria “Melhor Livro de Ficção/Romance”, 7 Enigmas e um Tesouro foi indicado na mesma categoria (e perdeu para o meu outro livro, pois curiosamente concorri contra mim mesmo) e ainda recebi o troféu de “Autor Revelação do Ano”, absolutamente imprevisto. E é sobre isso que quero falar: os imprevistos de Deus. Pois este ano o Senhor me surpreendeu novamente quando descobri que O Mistério de Cruz das Almas também foi indicado para o Prêmio Areté, o que pôs toda a trilogia inicial da série Geração Ação entre os melhores livros de ficção cristã do país, entre centenas de títulos. E aí eu digo aquilo que você muitas vezes já deve ter dito: “Por essa eu não esperava”.

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Na oração do Pai Nosso me chama muito a atenção a frase “…e livra-nos do mal”. Pode parecer um pedido normal. Mas você já parou para pensar quantas e quantas vezes Deus lhe livrou de perigos, situações desagradáveis, riscos, doenças e muito mais só por ter pedido isso a Ele… sem que você nem tomasse conhecimento? Aquele ônibus que passa direto, você ainda xinga o motorista mas sem que tenha conhecimento lá na frente ele será assaltado? Ou o pneu que fura, você fica irado e irritado, mas que se isso não tivesse ocorrido teria sido pego por um caminhão no próximo cruzamento? Ou ainda uma doença que te fez faltar àquela prova da escola e evitou que saísse na rua onde um vaso de plantas caído de uma janela do décimo andar de um prédio esmagaria sua cabeça?

Quando a Bíblia diz que os anjos do Senhor acampam ao nosso redor e nos livram isso não é brincadeira. Não os estamos vendo, mas constantemente Deus dá ordens a eles a nosso respeito, para que atuem e provoquem imprevistos. Situações que não esperamos. Mudanças de planos. Surpresas. Mas que se reverterão a nosso favor. Decisões divinas que nunca saberemos até que cheguemos à eternidade.

Os mistérios de Deus são insondáveis. Por que Ele decide por uma coisa e não outra compete única e exclusivamente a sua soberania. É um enigma. Ele é um Pai que dá peixe e pão aos seus filhos e não serpente e pedra. Primeiro porque Ele é bom e nos ama. Segundo porque aprouve a Ele fazê-lo. Explicações racionais não há. Por que o Criador do universo decide tocar os corações de um grupo de jurados da Associação Brasileira de Editores Cristãos para que todos os três livros que lancei de uma mesma série estivessem entre os considerados melhores do país? Não faço a mínima ideia. Certamente não é por vanglória ou para despertar vaidade no autor, pois isso iria contra os princípios bíblicos. Fiquei pensando nisso. Talvez porque Deus queira que com isso os livros se tornem mais conhecidos e, assim, sua mensagem de edificação alcance mais pessoas? Talvez. Mas a certeza eu nunca terei. A única certeza que isso me dá é que Ele é imprevisível e faz coisas que nunca imaginaríamos em nossa vida.

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Sei que Deus se preocupa conosco. E sei que Deus zela pela sua Igreja. O Enigma da Bíblia de Gutemberg aborda questões como o que significou o sacrifício de Cristo, respeito a pais e autoridades, nunca mentir, a importância da familia, não julgar pessoas por seu passado ignorando os frutos do presente e outros temas bíblicos. Já 7 Enigmas e um Tesouro trata de importância da amizade, não julgar as pessoas pela aparência, não fazer acepção de pessoas, namoro em jugo desigual, o peso do arrependimento quando se peca e outras coisas mais. E O Mistério de Cruz das Almas mostra biblicamente o risco de livros como “Harry Potter” e a série “Crepúsculo”, mostra o que a Bíblia diz sobre feitiçaria e criaturas das trevas, aborda a importância de missões, destaca como ter fé inabalável em Deus mesmo quando tudo vai mal é fundamental revela como estar antenado nos planos do Senhor para nossa vida e muito mais. E, algo essencial: toda a trilogia enfatiza a importância da oração e do estudo da Bíblia. Então, diante de tudo isso, suponho que essas indicações e prêmios vieram para que todos esses valores cristãos e todas essas mensagens que visam a levar a igreja a voltar a ser Igreja sejam mais difundidas, lidas, assimiladas e postas em prática na vida de milhares e milhares de cristãos e mesmo não cristãos.

Aliás, esse ponto é mais uma prova dos imprevistos de Deus. Escrevi essa série com cristãos em mente. Para edificação do Corpo de Cristo. Para ajudar no discipulado. Tanto que muitas igrejas os estão usando para trabalhar as questões que abordam com seus jovens e adolescentes. Tenho palestrado em algumas e visto o fruto da leitura dos livros: irmãos e irmãs que me procuram ao final para dizer que terminaram namoros equivocados, fizeram pazes com pessoas, compreenderam melhor o sacrifício de Cristo e muitas outras bênçãos vindas da reflexão que a leitura da trilogia provocou. Mas para minha surpresa…eis que Deus me surpreende novamente e descubro que há jovens e pastores usando os livros como instrumento de evangelismo. Nunca imaginei isso. Escrevi para cristãos. Mas muitos jovens têm presenteado amigos da escola, parentes, colegas da faculdade e outras pessoas com os livros em amigos ocultos, aniversários e ocasiões similares – uma forma sutil de passar a mensagem da Cruz embutida em obras que entretém, divertem e prendem a atenção por toda a ficção e a adrenalina que provocam. O imprevisto de Deus de novo em ação.

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Compartilhei com você a partir da minha experiência com a série Geração Ação como Deus tem me mostrado que Ele age de formas absolutamente imprevisível. Certamente você tem experiências para contar nesse sentido. Se nunca prestou atenção a isso, comece a ver no seu dia a dia fatos que ocorrem de modo totalmente sem expectativas e que mudam o rumo da sua vida. Se tiver o discernimento para isso, perceberá Deus intervindo na tua História. No meu caso, o maior ganho com as indicações e os prêmios recebidos pelos livros não foram os troféus de plástico e mármore (um até se espatifou no chão e teve de ser substituído). Pois essas coisas são perecíveis. O maior ganho foram as vidas que tomaram conhecimento dos livros por causa da premiação e a experiência que isso me proporcionou com Deus. Aprendi a entender melhor os imprevistos.

E descobri algo fundamental para a vida cristã: que aquilo que chamamos de “imprevistos”, para Deus é exatamente o que Ele tinha previsto fazer.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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