Os engarrafamentos são culpa de Deus

Publicado: 25/10/2011 em Espiritualidade

Cá estou eu, sentado no ônibus, em pleno engarrafamento. Você certamente já ficou preso num ou em milhares de engarrafamentos de trânsito, então sabe exatamente do que estou falando. Da irritação. Da sensação de perda de tempo. Da  impotência de não poder fazer nada. Da raiva de não ser rico e ter um helicóptero para ir ao trabalho. Todos os dias passar por engarrafamentos faz doer as costas, o bumbum fica achatado, as pernas acabam dormentes. É uma chatice. Mas aí, sem querer ser fanático que diz que se o arroz queimou é culpa do diabo, por outro lado não sou adepto de heresias como o Teismo Aberto ou a Teologia Relacional e portanto acredito sim que Deus controla todas as coisas. Gênesis 1 diz que Ele se preocupou em formar o universo mas também as sementes das plantas, ou seja, o Senhor atua no macro mas também no micro. Então isso me faz suspeitar fortemente que Deus tem alguma coisa a ver com os engarrafamentos que pego diariamente para chegar ao trabalho.

Não. Que fique claro que não creio que engarrafamentos são grandes conspirações celestiais contra a  humanidade, mas eu os uso como uma metáfora daqueles momentos em que Deus deixa algo ruim acontecer a nós para o nosso benefício. Seriam os “engarrafamentos da vida”.

A Biblia afirma que Deus “castiga” ou “disciplina”, dependendo da tradução, todas as pessoas que Ele ama (Pv 3.12; Hb 12.6).Também que “Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito” (Rm 8.28). Então procuro tentar discernir espiritualmente por que cargas d’água tenho que enfrentar engarrafamentos todos os dias. Os doenças. Ou tristezas. Ou dores. Ou mágoas. Ou injustiças. Ou o senso da minha própria pecaminosidade. E como minha onisciência anda meia fraca ultimamente, só me resta acalmar o coração e deixar aquele que é supremamente onisciente falar: o Espírito Santo de Deus.

O que ocorre nos engarrafamentos?

É nos engarrafamentos que desenvolvo o amor pelas pessoas, pois sou obrigado a amar aqueles que buzinam sem parar em nosso ouvido sem que possamos fazer nada para sair do lugar. Se bem aproveitados, engarrafamentos nos ajudam a ter mais amor.

É nos engarrafamentos que temos tempo para parar e sorrir de alegria ao perceber que fomos abençoados por Deus com  recursos para comprar um carro ou pra pagar a passagem do ônibus, que temos um emprego que nos dá esse recurso, que temos saúde para sair de casa todos dia, mesmo que seja para enfrentar um engarrafamento. Se bem aproveitados, engarrafamentos nos ajudam a ter mais alegria por nos permitir perceber muito do que temos de bom e em outras situações nem percebemos.

É nos engarrafamentos que aprendemos a não entrar em conflito com os motoristas ao nosso redor. Que podemos desenvolver paz no relacionameno com as outras pessoas – muitas das quais estão irritadas, chateadas e antipáticas, mas que estão passando pelo mesmo aperto que nós. Se bem usados, engarrafamentos nos ajudam a ter mais paz com o próximo.

É nos engarrafamentos que aprendemos a ser mais pacientes. Nossa, isso então… será que preciso comentar? Anda, para, anda, para, anda, para… Mas a vida parece mal sair do lugar.  Se bem aproveitados, engarrafamentos nos ajudam a ter muito mais paciência, num exercício de musculação espiritual para a nossa paciência.

É nos engarrafamentos que aprendemos a ser benignos com o próximo. Quando o cara da pista do lado pede passagem muitos de nós colam no carro da frente. Afinal, imagina se vou deixar alguém passar na minha frente! Estamos acostumados a nos pôr em primeiro lugar. Afinal, a amabilidade com o próximo é algo tão fora de moda! Mas nos engarrafamentos temos, se você observar bem, muitas oportunidades de sermos amáveis. Se bem aproveitados, engarrafamentos nos ajudam a ter mais amabilidade (ou seu sinônimo, benignidade).

É nos engarrafamentos que aprendemos a ser bons. A ceder. A não brigar. A suportar. A esperar em favor dos outros. A abrir mão do espacinho que seria bom para nós para que outros se beneficiem. Afinal, a Bíblia não nos manda “preferir os outros em honra”? A agir com o próximo como gostaríamos que ele agisse conosco? Se bem aproveitados, engarrafamentos nos ajudam a ter mais bondade.

É nos engarrafamentos que aprendemos a ter fidelidade a aqueles com quem estamos aliançados. É ter a proecupação de avisar aqueles que nos esperam no horário combinado de que chegaremos atrasados. Ou então buscar alternativas de transporte que nos permitam escapar do engarrafamento para sermos fieis ao compromisso assumido, mesmo que isso nos custe gastar um dinheiro a mais para saltar e pegar o metrô, por exemplo. Se bem aproveitados, engarrafamentos nos ajudam a ter mais fidelidade.

É nos engarrafamentos que aprendemos a controlar nosso temperamento. A evitar os acessos de fúria porque o veículo não sai do lugar. A não se irritar e sair xingando a vida porque o sinal abriu, fechou, abriu e fechou de novo e você não saiu do lugar. Uma pessoa irritadiça ou irada pode se descontrolar nessas horas. Mas o bom treinamento quando não se pode sair do lugar nos torna mais mansos. Se bem aproveitados, engarrafamentos nos ajudam a ter mais mansidão.

É nos engarrafamentos que aprendemos a domar-nos. A fazer tudo ao contrário do que gostaríamos. Queremos xingar o motorista da frente mas não xingamos. Queremos entrar na contramão mas não entramos. Queremos fazer a bandalha mas não fazemos. Queremos avançar o sinal mas não avançamos. Queremos cortar o carro do lado mas não cortamos. Se bem aproveitados, engarrafamentos nos ajudam a ter mais domínio próprio.

Resumo da ópera

Todos nós odiamos engarrafamentos. Mas perceba que um engarrafamento é uma ótima oportunidade para você desenvolver amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. Que, se você olhar em Gálatas 5.22,23, é o Fruto do Espírito.

E tente enxergar como engarrafamentos todos os momentos da sua vida em que você está em uma situação em que não gostaria, de que você aparentemente não tem como escapar e que te dá todos os motivos do mundo para deixar aflorar o que de pior há em si. Mas há outra opção. O cristão com discernimento espiritual vai olhar para essas circunstâncias e ver que são excelentes oportunidades para desenvolver o Fruto do Espírito. E aí eu começo a desconfiar que Deus tem alguma coisa a ver com isso.

Só pra terminar, repare que engarrafamentos têm suas vantagens. Se não fosse ter ficado preso num engarrafamento hoje eu não teria tido tempo de escrever este post no período de apenas uma viagem de ônibus. Dá o que pensar. Se o que escrevi aqui te fez refletir e te ajudou de algum modo a enxergar a vida com olhos mais cristãos eu glorifico a Deus por ter levado 45 minutos num trajeto em que levaria normalmente cinco.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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Comentários
  1. Eliana disse:

    Mto bom!

    Falou profundamente ao meu coração!

    Engarrafamentos da vida são excelentes oportunidades de desenvolver os frutos do Espirito. Afinal de contas, ter esses frutos apenas quando vai tudo bem é mto fácil, né?

    Deus o abençoe!

  2. Erica Moreira disse:

    Então, meu amado irmão, saiba que esse seu engarrafamento foi muitíssimo abençoado e abençoador!
    Fique na paz!

  3. Fátima C de M Alexandre disse:

    Olá Maurício, td bem? Não sei como nem porque recebi esse seu artigo no meu email, até pensei por um momento nem ler, mas resolvi por ler, e me surpreendeu tudo que vc disse, pois eu faço uma viagem pela manhã de ônibus que dura em média 1 hora e 15/20 minutos, sem trânsito, e sempre venho ouvindo meus louvores e muitas vezes orando por mim e outras pessoas, as vezes até durmo, pois é realmente muito cansativo. Mas nunca tinha pensado nas coisas que vc descreveu nesse artigo, vou prestar atenção aos motoristas em volta do ônibus como eles fazem, mas tenho quase certeza que grande maioria não usam da amabilidade que vc disse.
    “Estarei verificando” como dizem os atendentes de telemarketing…. adorei seu artigo, fica na paz.

    • Fatima,
      .
      me perdoe se por algum caminho que não sei meu post chegou a vc sem sua autorização.
      .
      Sou contra spams e não os faço. Só recebe diretamente por email meus textos quem se cadastra aqui na coluna à esquerda, no espaço destinado a esse fim.
      .
      Respeito muito o desejo voluntário das pessoas de lerem as minhas reflexões. Talvez alguém tenha lhe repassado, não sei. Mas, na dúvida, peço perdão.
      .
      De qualquer modo fico feliz por ter te abençodo. Caminhos estranhos os de Deus, não é?
      .
      Beijo e paz do mano Mauricio.

  4. Adriana Araujo disse:

    Olá, paz de Jesus!
    Já deu pra perceber q os engarrafamentos no Rio de Janeiro são muuuuito piores do q em Porto Alegre, onde moro. Aki engarrafa mais em dias de chuva (quando todos resolvem preterir o ônibus para ir de carro) e levo 10 min a mais no meu trajeto normal.
    Eu entendi o que você quis dizer no texto. Acredito, porém,q engarrafamentos não são “culpa de Deus”, são na verdade culpa do comodismo dos homens, mau planejamento da cidade em dispor mais ônibus pra população, alargamento das ruas, dar opção pra população usar bicicleta etc…(em grosso modo, burrice humana mesmo). Sofremos as consequencias de nossa ignorância, mas como você escreveu, “todas as coisas cooperam para o bem daqueles q amam a Deus…” Deus deve gostar bastante desta consequencia do pecado humano pq como você disse: deixar q Ele aproveite esta situação para tratar com nosso caráter e sermos gratos pela oportunidade, afinal somos seus filhos e este é o nosso dever.
    Que O Senhor continue iluminando teu entendimento e te dando toda graça.
    Bjo. Em Cristo,
    Adriana.

  5. Bela sacada. De fato engarrafamentos são excelentes oportunidades para crescer em paciência, domínio próprio, benignidade, bondade… Acho q existe uma aplicação direta com o fruto do Espírito. Deixo a sugestão…

  6. Re disse:

    Esse post foi no alvo!

    Hj passei por um dos tantos engarrafamento da vida também :) ; senti raiva (de mim tsc tsc), decepção, doeu muito – essas coisas todas que fazem parte da natureza sem os frutos do Espírito. Seu texto trouxe consolo, mano. E, além de consolo, reafirmou que é em Deus que nos alegramos e em suas Palavras que nos refazemos e vivemos. Amor, nesses momentos, é quase que inatingível – como a saída mais rápida de um engarrafamento monstro. Mesmo assim, sigamos buscando discernimento espiritual para sair das ciladas como Deus deseja que façamos e sejamos… então… é uma luta diária ;) mas que vale a pena – vale a certeza da salvação em Cristo e a vida eterna, Glória a Deus!!!

    Abçs, esperando que esteja são, salvo (acho que está, né?) e descansando em casa :D

  7. Duda Serra disse:

    Muito oportuno o texto, já que devido essas obras para a Copa e as Olimpíadas aqui na cidade do Rio, tenho enfrentado engarrafamentos e levado bem mais tempo para chegar ao trabalho do que levava antes.
    E logo essa semana, então, com as obras no Porto e mudanças em algumas vias por onde passo, como Rodrigues Alves ou na Perimetral, acabei ficando irritada e seu artigo veio a calhar.

  8. Lelê disse:

    É Maurício,
    Vc tem toda a razão!
    As vezes eu reclamo que a minha vida está “engarrafada”. Sabe qd n”ao sai do lugar, não anda nem pra frente nem para lugar algum? Pois então, depois de muito sofrimento aprendi que os fatos não tem que acontecer no meu tempo e esse tempo que eu julgo ser importantíssimo, é ínfimo perante a grandeza do Senhor!
    Estou aprendendo à duras penas, mas estou aprendendo!
    A vida “engarrafada” tb tem a sua beleza, pois só assim reconhecemos o quanto dependemos da misericórdia do Senhor!
    Estou adorando as milhares de publicações. eEas estão saindo do forno todos os dias! rs
    Parabéns!
    Bjss de uma pessoa que te admira tanto que nem sei!
    Lele

  9. Beatriz disse:

    Eu vou ler esse blog todos os dias: sim ou claro? hahahah
    muito bom, muito bom mesmoo! :D
    obrigado pelas suas palavras de reflexão; em um mundo no qual todo o mundo só pensa em si e o cristianismo é apenas de fachada, é sempre bom saber que ainda existem cristãos verdadeiros e pessoas que pensem no próximo :) E melhor ainda, que nos ajudem a viver a Palavra mesmo nessa sociedade conturbada!

    Obrigado mesmo, a você e ao seu terapeuta que te obrigou a fazer um blog!! ;P
    Toda unidade.

  10. Jean disse:

    Amado Zágari,graça e paz! Sabia que ao ler o título do artigo pensei que fosse sobre outra coisa?.Te explico..hoje em dia,com o advento da teologia da prosperidade,ficou uma obsessão para os crentes ter um carro,e o que mais se vê nesses congestionamentos são adesivos nos para-brisas traseiros escritos “Foi Deus quem me deu”..ou seja,o Altíssimo estaria ajudando aumentar a poluição,trazendo transtornos,compactuando com o marketing agressivo da indústria automobilística,não levando em consideração que no Brasil uma das soluções seria um Metrô decente no Rio e em SP;mas de certa forma,concordo que nessa selva que é o trânsito do Rio,podemos exercitar o fruto do Espírito.Um abraço.

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