Arquivo de outubro, 2011

Uma das virtudes do fruto do Espírito descritas em Gálatas 5 é a paciência. Mas… você já parou para se perguntar por quê? Por que Deus se preocupa justamente em desenvolver em nós a capacidade de esperar? A verdade é que eu e você não sabemos esperar, queremos tudo para ontem, perdemos o sossego enquanto algo que desejamos não ocorre. E aí dá aquela sensação de demora nas coisas que – em nossa opinião – deveriam acontecer imediatamente, segundo a NOSSA vontade. Pronto, e aí, quando não conseguimos o que queremos na hora em que queremos, entramos numa espiral de nervosismo, ansiedade, irritação.

Então o grande fator aqui um só: o tempo. É o “quando”. Pois a pergunta “quando, Senhor?l” está em confronto direto com a manifestação da paciência. Por isso, quando não temos paciência, enfiamos os pés pelas mãos, fazemos besteiras, erramos feio, nos machucamos e  machucamos o nosso próximo.  E Deus sabe disso. Logo, sempre há um preço a ser pago diante do Eterno pela impaciência. Pois impaciência demonstra que não confiamos o suficiente em Deus para esperar que Ele aja.

A paciência é uma qualidade tão importante na vida dos que querem viver em intimidade com Deus que em Romanos 15.5 o Senhor é chamado de “Deus da paciência” Ou seja, dentre tantas características do Pai que o apóstolo Paulo poderia ter destacado – como amor, justiça, ira, poder, majestade, soberania etc – ele foi inspirado pelo Espírito para destacar logo essa. Isso é à toa? Não, nada na Biblia é à toa.

Sendo um atributo tão digno de nota do Criador, evidentemente também é o que Ele espera de seus filhos. Tiago 5.10 nos manda tomar como exemplo o sofrimento e a… paciência… dos profetas como duas grandes referências para nossas vidas. Ou seja: agrada ao Senhor que sejamos pacientes, que não saiamos armando esquemas para conseguirmos o que queremos num tempo que pode – e provavelmente não é – o determinado por Deus.

Salmos 40.1 nos dá a fórmula do sucesso para recebermos de Deus a atenção dEle quanto ao que queremos: “Esperei com paciência pelo Senhor, e ele se inclinou para mim e ouviu o meu clamor“. Ou seja: é preciso ter paciência para obter as respostas do Altíssimo. Uma das passagens mais lindas e significativas da Bíblia a esse respeito está em Gênesis 29.20, que descreve o exercício de paciência de Jacó para poder se casar com a mulher que ele amava, Raquel: “Então Jacó trabalhou sete anos por Raquel, mas lhe pareceram poucos dias, pelo tanto que a amava“. Lindo, simplesmente perfeito. Jacó sabia tão exatamente o que ele queria que foi capaz de esperar sete anos para alcançar o tão almejado objetivo. Ele traçou uma meta, mirou no alvo e partiu em direção ao que seu coração desejava. O tempo? Foi irrelevante.

Depois, após casar-se com Raquel, ainda teve de trabalhar mais sete anos para seu sogro, como parte do acordo, num total de 14 anos. E o texto bíblico diz que esse looooongo tempo ainda “lhe pareceram poucos dias”. Extraordinário!

E aqui, pare para pensar: nós mal conseguimos esperar com paciência dez minutos por um ônibus, ao passo que aquele homem esperou sete anos para ter o que queria. Sete anos! Sete longos anos. 2.555 dias. E depois ainda trabalhou outros sete, para honrar seu acordo com seu sogro. Que exemplo de paciência bem recompensada! Que modelo fantástico a ser seguido!

E mais: não sei se você já parou pra pensar nisso, mas quem foi o filho de Jacó e Raquel? Se Jacó não tivesse tido a paciência de esperar por Raquel, o filho do casal, José, nunca teria nascido. E José foi o homem que décadas depois salvaria o Egito e as nações vizinhas de perecer em uma terrível crise de fome. E, curiosamente, o próprio Jacó estava entre os que receberam os alimentos providenciados pelo filho que foi fruto da sua paciência. Que Deus extraordinário!

Imagine quantos milhares de homens, mulheres e crianças teriam sofrido se apenas Jacó não tivesse tido paciência de esperar sete anos para ter sua meta alcançada – e na época ele jamais poderia nem de longe supor o que o fruto daquela paciência traria de benefícios, não só para ele e Raquel, mas para milhares de milhares de milhares.

Mas Deus sabia.

Só que aí, apesar de sabermos de tudo isso, esperamos e agimos com IMpaciência no Senhor. Fazemos do nosso modo. Inventamos as nossas estratégias. Andamos no nosso passo e não no de Deus. E, pode ter uma certeza absoluta: como tudo o que fazemos contra a vontade e o tempo de Deus, acabaremos quebrando a cara. Queremos tomar as rédeas e Deus…bem, Ele que venha correndo atrás.

Se você reparar o que Gênesis relata, verá que Raquel deve dificuldades de conceber um filho antes de José nascer. Então Jacó passou à frente de Deus e, im-pa-ci-en-te-men-te, gerou outros filhos segundo suas próprias estratégias e carências: com Lia (a quem Jacó não amava, mas com quem se casou por obrigação social), gerou Rúben, Simeão, Levi, Judá, Issacar, Zebulom e Diná (Gn 29.32-35; 30.18-21). Depois, Raquel entregou sua serva Bila para Jacó engravidar (novamente, impaciência de esperar que Deus agisse, entubando no Senhor goela abaixo vontades e carências humanas) e nasceram Dã e Naftali (Gn 30.6-8). Não satisfeitos com isso, Lia, impossibilitada de ter mais filhos, ou seja, de conseguir o que desejava, volta a querer impor suas vontades às de Deus e dá a Jacó sua serva Zilpa, que gerou Gade e Aser (Gn 30.11-13).

Mas, ao fim de toda essa confusão, Deus honrou a paciência que Jacó tivera de esperar Raquel anos antes e ainda deu de bônus ao casal outro filho, Benjamim. E fez de José uma das maiores bênçãos que o mundo antigo já conheceu – e cuja história se tornou uma das mais abençoadoras para judeus e cristãos dos últimos 4 mil anos.

Ah, se todos os homens fossem pacientes como Jacó foi! Se esperarmos com IMpaciência no Senhor e não soubermos aguardar o Seu tempo, José nunca nascerá na nossa vida. E, como não haverá que nos salve da fome, morreremos desgraçadamente de inanição. Se não física, inanição espiritual e emocional.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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Igrejas emergentes estão na moda e conquistando cada vez mais adeptos. Em geral, entre jovens que querem ser cristãos sem deixar de ser cool. Em resumo, são aquelas que acreditam que o cristão não deve se fechar num gueto, mas fazer parte da cultura popular. Se você quiser saber mais, pode ler o post que escrevi aqui no APENAS, “Ozzy Osbourne, a igreja emergente e o futuro“, que explica com bastante mais detalhes o que exatamente é uma igreja emergente.

A moda surgiu nos Estados Unidos e, obviamente, nós, brasileiros, a imitamos. Já temos os nossos principais pastores emergentes, que conversam principalmente com o público jovem, fazem vodcasts nos seus sites e no Youtube, se vestem de jeitinho muderno e até falam palavrões em suas pregações. É um nicho bem pensado, que exige uma estética própria, um vestuário adequado e in para seus líderes, um visual cool e o abandono de antigas práticas da igreja tradicional, consideradas caretas. Já tomei conhecimento até de igrejas emergentes no interior de São Paulo onde há cestas de basquete e coisas parecidas no salão onde a galera se reúne descontraidamente, pra trocar umas ideias, bater um papo informal, comungar e aí, rola um papo maneiro sobre Jesus e a Bíblia. E, claro, a música é essencial, pois jovem gosta de música. E onde há música há clipes bem produzidos e lançados em vodcasts e no Youtube. É uma paródia a um desses clipes que você verá aqui.

Meu amigo Andrew (@drewmcalister) descobriu na internet um vídeo que poderíamos chamar de “como criar e divulgar a sua própria igreja emergente”, que reproduzo abaixo.  É absolutamente hilário, pelo realismo. Pena que a locução e as legendas são em inglês, mas se você domina o idioma de Rob Bell vale a pena dar uma assistida. E, mais que rir, refletir. De qualquer modo, pus logo abaixo do vídeo uma tradução, caso você não domine o inglês.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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LOCUTOR: Você não pode impedir: está vindo para uma cidade próxima de você. É pra ser chamado de “Contemporâneo”. Alguns chamam de “Relevante”. Mas nós somos tão cool que chamamos de “Contemporvante”.

CANTOR: Música de abertura! Música de abertura! Música de abertura! Holofotes e grandes baterias. Você sabe que é maneiro porque ouviu na rádio.

LOCUTOR: Ele está certo. Isso foi maneiro. E por falar em maneiro…

APRESENTADOR:  “Jovem modernoso sobe ao palco com óculos da moda. Acolho todos com braços beeeem abertos. Revelo minha tatuagem pra que vocês saibam que tenho um passado. Transição pra banda, convite a todos pra levantar… vamos nessa!”

CANTOR: Essa é a canção que todos conhecem! A canção que todos conhecem!

Minha nova canção, que ninguém conhece. Ninguém conhece esta canção. Quero que vocês aprendam essa canção e comprem meu CD na livraria (após o culto). Quero convidar os diáconos a subir enquanto rola a oferta. Sinta-se livre para dar, é entre você e Deus. Mas… estamos gravando.

LEGENDA DO VÍDEO:
Este é o título.
Estamos esvaziando o palco.
Entra uma pergunta aqui.
Outra pergunta aqui.

LOCUTOR: Um homem tem todas as respostas.

PASTOR EMERGENTE: “Eu tenho todas as respostas. Mostrando a foto de um bichinho. Ou de um bebê de uma nação pobre do Terceiro Mundo.”

LOCUTOR: Falando macio…

PASTOR EMERGENTE: “Para te atrair. E então, enfaticamente, afirmo todos meus argumentos!”

PASTOR EMERGENTE: “Faço uma pausa…”

LOCUTOR: Sussurrando…

PASTOR EMERGENTE: “Repetições.”

PASTOR EMERGENTE: “Ainda fazendo pausas…”

PASTOR EMERGENTE: “Rosto contristado.”

PASTOR EMERGENTE: “Longa oração (para que o líder de louvor possa voltar ao palco)”.

CANTOR: Esta é a canção de encerramento. Com melodias que te farão chorar.

LOCUTOR: Breve em sua cidade um novo tipo de igreja que vai te elevar e te desafiar a crescer. Nós chamamos isso de “Crescimotivação”. Você chama isso de “Manhã de Domingo”.

TEXTO ESCRITO: No próximo fim de semana.

PRÊMIOS MENCIONADOS:
1. VENCEDOR: Prêmio da Fonte de Papiro
2. VENCEDOR: Prêmio de Pastor Vestido Informalmente
3. VENCEDOR: Prêmio de Camiseta Mais Arrojada

Pense em tudo o que você já comprou: casa, carro, celular, notebook, outro celular, sapatos, roupas, mais um celular (o ano virou e você não poderia ficar sem o último modelo, né?), TV, Nintendo, Super Nintendo, Mega Nintendo, Mega Ultra Super Hiper Nintendo, DVD, iPhone  (porque agora celular já tá ultrapassado), móveis. aparelho de som, TV de um bilhão de polegadas com dolby surround (porque aquela de tela plana já é velhinha, né, tenho que ter um home cinema agora), mais roupas, colar de ouro, relógio (meu Deus, como eu poderia esquecer do relógio?!), anel de ouro, pulseira de ouro, ouro em barras, aplicações, câmera digital, filamadora digital, qualquer troço digital, iPhone 4 (quem quer ficar com um 3GS velho, seu pobre?) mais roupa (virou a estação! Temos de renovar o armário!) ténis de corrida, tênis de caminhada, tênis com sistema de amortecimento da NASA, outro carro (esse daqueles que parecem um rinoceronte, de tão grande), bolsa Louis Vuitton (pode ser falsificada mesmo, o importante é acharem que é original), iPhone 5 (ah, esse diz meu nome quando ligo, não dá pra não comprar), mais outro tanto de roupas, um armário maior pra caber tanta roupa, fogão com acendimento a laser, geladeira com refrigeração a laser, microondas com aquecimento a laser, outro carro (um só é pouco, vai que meu 4X4 quebra), livros que não leio mas pelo menos me fazem parecer inteligente na estante, uma estante pra pôr os livros e me fazer parecer inteligente, mais um ténis (é que esse tem sistema de refrigeração Super Fresh e amortecimento Body Impact Reduction), uma TV nova com projetor e som dolby inquestionable surround, mais uma roupa, capa pro iPhone feita de chrome lycron stupidity (o material da hora), iPhone 6 (e daí que acabei de comprar o 5?), notebook novo com 10 gramas a menos de peso (uau! Como a Apple consegue coisas tão extraordinárias como reduzir em 10 gramas o peso de um notebook?!?!), Wii Fit last generarion, X-Box, Y-Box, Z-Box, Biblia de Estudos à prova d’água (afinal, sou crente, né?), Biblia em aplicativo para iPhone, um Ipad, Biblia em aplicativo para Ipad, Blue-ray (DVD? troço velho…), mais roupa, uma casa maior pra caber tanta coisa, móveis novos, TV nova de 6 bilhões de polegadas  (o home cinema não combina com a casa nova), sistema de TV a cabo com 358 canais, casaco com aquecimento antiperspirsnte, gravata furta-cor daquela marca que o William Bonner usa, um celular de ultimíssima geração (tá, eu sei, já tenho um iPhone, mas esse  celular era tao fofinho que nao resisti), um hamster que sapateia em três ritmos diferentes (o do meu vizinho sapateia só em dois, hehehe), mais roupa, aparelho de som novo que parece saído de um filme de Spielberg, dinheiro na aplicação, mais dinheiro na aplicação, aplicação de dinheiro na veia (mais difícil de roubarem), meias de tecido italiano, sapatos novos (os antigos sujaram, é mais fácil comprar um novo que lavar), botox na testa,  ternos novos  (quem consegue viver só com 28, fala sério!), gravatas novas (5 pra combinar com cada terno), relógio novo (a porcaria do antigo só ia até 500 metros de profundidade, este vai a 550, imprescindível!), óculos ray-ban, escrivaninha entalhada a mã por carpinteiros do Tibete, quadros comprados em leilão de qualquer pintor estrangeiro, todos os mais recentes lançamentos da Polishop (que obviamente meus amigos não saberão que é da Polishop, mas direi que vieram de Miami),  notebook novo (pois o último modelo tem tampa que fecha fazendo um barulhinho que imita o R2D2, como não comprar?), bicicleta cross com selim antifracture mega  structural pra pedalar na ciclovia, A-Box, (não sobrou letra do alfabeto, voltemos ao início), mais roupa, novo aparelho de som com mp10 e sound system glorified, uma casa de veraneio, mais roupa, mais DVDs, mais blue-rays, mais canais na NET, mais…

Só que aí você morre.

Chega à porta do Céu e descobre que está pelado. Nu. Sem nada nas mãos. Jesus está na porta, te esperando. Te olha nos olhos e pergunta:

- Onde está o teu coração?

E tudo o que se vê, até o perder de vista, é a gloria de Deus.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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Cá estou eu, sentado no ônibus, em pleno engarrafamento. Você certamente já ficou preso num ou em milhares de engarrafamentos de trânsito, então sabe exatamente do que estou falando. Da irritação. Da sensação de perda de tempo. Da  impotência de não poder fazer nada. Da raiva de não ser rico e ter um helicóptero para ir ao trabalho. Todos os dias passar por engarrafamentos faz doer as costas, o bumbum fica achatado, as pernas acabam dormentes. É uma chatice. Mas aí, sem querer ser fanático que diz que se o arroz queimou é culpa do diabo, por outro lado não sou adepto de heresias como o Teismo Aberto ou a Teologia Relacional e portanto acredito sim que Deus controla todas as coisas. Gênesis 1 diz que Ele se preocupou em formar o universo mas também as sementes das plantas, ou seja, o Senhor atua no macro mas também no micro. Então isso me faz suspeitar fortemente que Deus tem alguma coisa a ver com os engarrafamentos que pego diariamente para chegar ao trabalho.

Não. Que fique claro que não creio que engarrafamentos são grandes conspirações celestiais contra a  humanidade, mas eu os uso como uma metáfora daqueles momentos em que Deus deixa algo ruim acontecer a nós para o nosso benefício. Seriam os “engarrafamentos da vida”.

A Biblia afirma que Deus “castiga” ou “disciplina”, dependendo da tradução, todas as pessoas que Ele ama (Pv 3.12; Hb 12.6).Também que “Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito” (Rm 8.28). Então procuro tentar discernir espiritualmente por que cargas d’água tenho que enfrentar engarrafamentos todos os dias. Os doenças. Ou tristezas. Ou dores. Ou mágoas. Ou injustiças. Ou o senso da minha própria pecaminosidade. E como minha onisciência anda meia fraca ultimamente, só me resta acalmar o coração e deixar aquele que é supremamente onisciente falar: o Espírito Santo de Deus.

O que ocorre nos engarrafamentos?

É nos engarrafamentos que desenvolvo o amor pelas pessoas, pois sou obrigado a amar aqueles que buzinam sem parar em nosso ouvido sem que possamos fazer nada para sair do lugar. Se bem aproveitados, engarrafamentos nos ajudam a ter mais amor.

É nos engarrafamentos que temos tempo para parar e sorrir de alegria ao perceber que fomos abençoados por Deus com  recursos para comprar um carro ou pra pagar a passagem do ônibus, que temos um emprego que nos dá esse recurso, que temos saúde para sair de casa todos dia, mesmo que seja para enfrentar um engarrafamento. Se bem aproveitados, engarrafamentos nos ajudam a ter mais alegria por nos permitir perceber muito do que temos de bom e em outras situações nem percebemos.

É nos engarrafamentos que aprendemos a não entrar em conflito com os motoristas ao nosso redor. Que podemos desenvolver paz no relacionameno com as outras pessoas – muitas das quais estão irritadas, chateadas e antipáticas, mas que estão passando pelo mesmo aperto que nós. Se bem usados, engarrafamentos nos ajudam a ter mais paz com o próximo.

É nos engarrafamentos que aprendemos a ser mais pacientes. Nossa, isso então… será que preciso comentar? Anda, para, anda, para, anda, para… Mas a vida parece mal sair do lugar.  Se bem aproveitados, engarrafamentos nos ajudam a ter muito mais paciência, num exercício de musculação espiritual para a nossa paciência.

É nos engarrafamentos que aprendemos a ser benignos com o próximo. Quando o cara da pista do lado pede passagem muitos de nós colam no carro da frente. Afinal, imagina se vou deixar alguém passar na minha frente! Estamos acostumados a nos pôr em primeiro lugar. Afinal, a amabilidade com o próximo é algo tão fora de moda! Mas nos engarrafamentos temos, se você observar bem, muitas oportunidades de sermos amáveis. Se bem aproveitados, engarrafamentos nos ajudam a ter mais amabilidade (ou seu sinônimo, benignidade).

É nos engarrafamentos que aprendemos a ser bons. A ceder. A não brigar. A suportar. A esperar em favor dos outros. A abrir mão do espacinho que seria bom para nós para que outros se beneficiem. Afinal, a Bíblia não nos manda “preferir os outros em honra”? A agir com o próximo como gostaríamos que ele agisse conosco? Se bem aproveitados, engarrafamentos nos ajudam a ter mais bondade.

É nos engarrafamentos que aprendemos a ter fidelidade a aqueles com quem estamos aliançados. É ter a proecupação de avisar aqueles que nos esperam no horário combinado de que chegaremos atrasados. Ou então buscar alternativas de transporte que nos permitam escapar do engarrafamento para sermos fieis ao compromisso assumido, mesmo que isso nos custe gastar um dinheiro a mais para saltar e pegar o metrô, por exemplo. Se bem aproveitados, engarrafamentos nos ajudam a ter mais fidelidade.

É nos engarrafamentos que aprendemos a controlar nosso temperamento. A evitar os acessos de fúria porque o veículo não sai do lugar. A não se irritar e sair xingando a vida porque o sinal abriu, fechou, abriu e fechou de novo e você não saiu do lugar. Uma pessoa irritadiça ou irada pode se descontrolar nessas horas. Mas o bom treinamento quando não se pode sair do lugar nos torna mais mansos. Se bem aproveitados, engarrafamentos nos ajudam a ter mais mansidão.

É nos engarrafamentos que aprendemos a domar-nos. A fazer tudo ao contrário do que gostaríamos. Queremos xingar o motorista da frente mas não xingamos. Queremos entrar na contramão mas não entramos. Queremos fazer a bandalha mas não fazemos. Queremos avançar o sinal mas não avançamos. Queremos cortar o carro do lado mas não cortamos. Se bem aproveitados, engarrafamentos nos ajudam a ter mais domínio próprio.

Resumo da ópera

Todos nós odiamos engarrafamentos. Mas perceba que um engarrafamento é uma ótima oportunidade para você desenvolver amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. Que, se você olhar em Gálatas 5.22,23, é o Fruto do Espírito.

E tente enxergar como engarrafamentos todos os momentos da sua vida em que você está em uma situação em que não gostaria, de que você aparentemente não tem como escapar e que te dá todos os motivos do mundo para deixar aflorar o que de pior há em si. Mas há outra opção. O cristão com discernimento espiritual vai olhar para essas circunstâncias e ver que são excelentes oportunidades para desenvolver o Fruto do Espírito. E aí eu começo a desconfiar que Deus tem alguma coisa a ver com isso.

Só pra terminar, repare que engarrafamentos têm suas vantagens. Se não fosse ter ficado preso num engarrafamento hoje eu não teria tido tempo de escrever este post no período de apenas uma viagem de ônibus. Dá o que pensar. Se o que escrevi aqui te fez refletir e te ajudou de algum modo a enxergar a vida com olhos mais cristãos eu glorifico a Deus por ter levado 45 minutos num trajeto em que levaria normalmente cinco.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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Eu e você somos cristãos. Em teoria, deveríamos fazer pelo próximo o que gostaríamos que fizessem por nós. Amar ao próximo como a nós mesmos. Mas existe um porém: eu e você somos humanos – e essa é a parte horrível da história. Porque eu  e você fazemos coisas muito, mas muito distantes das que Jesus idealizou para nós. Uma delas é magoar pessoas. Muitas vezes, as pessoas que mais amamos. Explicar isso dentro da fé cristã é inexplicável.

Pelo dicionário, “magoar” é  “contristar”, “entristecer”, “ofender”. Fugindo do academiquês, magoar é pegar o coração de uma pessoa e esmagá-lo entre nossos dedos até que ele tenha sido transformado numa massa disforme de dor, lágrimas e tristeza. Lamento informar: eu e você fazemos isso com as pessoas com um frequência bem maior do que gostaríamos. Na maioria das vezes, sem a intenção de magoar. Mas magoamos. Por palavras, atos, ações, atitudes, omissões, ausências, escritos, imagens. Tomamos atitudes que achamos muitas vezes que vão resolver problemas ou até mesmo por não saber resolver  de outro jeito… mas acabamos ferindo o próximo. E ferir o próximo é a coisa menos cristã que há.

Pedro magoou Jesus. Ele foi egoísta e, para se livrar de sentir dor e sofrer, deu as costas e traiu a pessoa mais importante de sua vida. Marcos 14.72 nos fala de como Pedro se sentiu quando caiu em si e percebeu o que tinha feito: “E logo cantou o galo pela segunda vez.  Então, Pedro se lembrou da palavra que Jesus lhe dissera: Antes que duas vezes cante o galo, tu me negarás três vezes. E, caindo em si, desatou a chorar“.

Esse é exatamente o problema de magoar. é um ato que nunca vem acompanhado de dor só para quem foi magoado. Quem magoa, se ama quem magoou, é tomado de um sentimento de dor lancinante. Mateus 26.75 vai além e mostra o tipo de sentimento que vem embutido nesse choro causado pela dor descontrolada: “E, saindo dali, chorou amargamente“. Magoar nunca é indolor. É amargo. Deixa um gosto de podre na boca.

A Bíblia descreve algumas características que a mágoa provoca. Em Salmos 6.7, diz o salmista “Já os meus olhos estão consumidos pela mágoa, e têm-se envelhecido por causa de todos os meus inimigos“. Já Jó 17.7 afirma: “Pelo que já se escureceram de mágoa os meus olhos, e já todos os meus membros são como a sombra“. Mágoa escurece os olhos, consome o olhar. E se nós formos a Mateus 6, veremos que “A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz;  Se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes serão tais trevas!

Ou seja: a mágoa rouba a luminosidade do teu corpo e te mergulha em trevas.

Meu irmão, minha irmã, geralmente quando somos magoados isso nos chama muita atenção. Mas raramente nos damos conta de que magoamos alguém. E quando isso acontecer, só lhe resta um caminho: o da humilhação. Humilhe-se.

No léxico do mundo, humilhar-se é rebaixar-se. No do Céu, é elevar-se. Jesus lavou os pés dos apóstolos. Se você magoou alguém, não deixe por isso mesmo. Lave os pés dessa pessoa. Peça perdão. Chore amargamente. Deixe o gosto do fel descer pela sua garganta. Abandone o orgulho besta que não serve de nada na vida de um servo de Deus.  E quando aquele ente magoado puser a mão sobre o seu ombro e disser “tudo bem, eu te perdoo”… meu querido, minha querida, você terá vivido uma das experiências mais sublimes da vida cristã.

Você magoou alguém recentemente? Pois então pegue uma bacia com água, um sabonete e uma toalha e comece a ser cristão.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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Antes que você me entenda mal, uma explicação: este post não foi escrito para fazer propaganda de livros. Mas para mostrar como Deus pode realizar teus sonhos de forma inesperada e de modo a abençoar muitos. Fato é que este ano recebi dois Prêmio Areté de Literatura. A premiação é promovida pela Associação de Editores Cristãos (ASEC) desde 1991. Seu objetivo é “incentivar a busca de excelência na publicação de títulos voltados ao leitor de livros cristãos evangélicos no Brasil”.  O próprio nome Areté é uma palavra grega que significa excelência, virtude. É como se fosse o Oscar dos livros cristão no país. E meu livro “O Enigma da Bíblia de Gutemberg” (veja AQUI) recebeu os prêmios de “Melhor Livro de Ficção” e por ele fui escolhido “Autor Revelação”.

Escrevi o primeiro anos atrás, “O Enigma da Bíblia de Gutemberg”. Era um projeto em que eu acreditava, inspirado em livros que na minha juventude estimularam o meu gosto pela leitura, em especial os da coleção Vaga-Lume, da Editora Ática. Livros como “O Caso da Borboleta Atíria” e “O Mistério do Cinco Estrelas” fizeram parte da minha vida literária anos e anos atrás. Foi quando percebi que no mercado de livros evangélicos não havia nada parecido, só o que havia disponível para os jovens eram livros devocionais ou de leitura espiritual. Ficção cristã era algo praticamente inexistente. Havia edificação mas não entretenimento. E jovens precisam de edificação. Mas gostam de entretenimento.

Foi quando nasceu o sonho em meu coração: por que não escrever livros de ficção para jovens e adolescentes que tivessem histórias instigantes, de investigação, aventura e romance e que ao mesmo tempo transmitissem valores e ensinamentos bíblicos? Orei e amadureci a ideia. Meu objetivo era fazer uma série cujo protagonista seria um jovem da idade do leitor, membro de uma igreja sem denominação definida, que graças a seus conhecimentos bíblicos e a sua intimidade com Deus resolvia enigmas e solucionava mistérios. Ele não seria alguém perfeito (como nenhum de nós é), cometeria pecados mas aprenderia com eles. Pensei no formato: livros de rápida leitura, com cerca de 120 páginas, bem ilustrados, com linguagem de fácil acesso e que acima de tudo tivessem conteúdo bíblico acessível a pessoas de qualquer idade, clase social e denominação. Com isso em mente, nasceu “O Enigma da Bíblia de Gutemberg”.

E aí começou o périplo. Enviei o texto para todas as editoras evangélicas que você possa imaginar. Umas não deram nem resposta. Outras responderam, dizendo que “esse tipo de livro não vende, jovem evangélico brasileiro não gosta de ficção cristã”. Em resumo, o livro foi rejeitado por TODAS as editoras.

Mas se você tem convicção de que algo semeado no teu coração veio do coração de Deus, acredite, pois é possível. Não desista.

O tempo passou e muita coisa aconteceu na minha vida. Muita. Não há espaço para escrever tudo aqui e você não teria paciência de ler, não quero ser enfadonho. O que importa é que conheci um homem chamado Walter McAlister, Bispo Primaz da Igreja Cristã Nova Vida. Ele me convidou para trabalhar junto a ele no desenvolvimento de projetos de Comunicação na denominação. E justamente um dos projetos que construímos foi a criação de uma editora, a  Anno Domini (@AnnoDomini_). Na formulação do catálogo do primeiro ano de lançamentos eu timidamente comentei com ele sobre “O Enigma da Bíblia de Gutemberg”. E aí foi diferente.

Ao contrário de todas as respostas que eu tinha ouvido até então, Bispo Walter viu além do mercado e das meras possibilidades de lucro. Viu a importância missional do livro. Viu o bem que esse tipo de literatura faria aos jovens cristãos. E apostou no meu sonho. “Sim, vamos lançar esse livro”. O carro-chefe da Anno Domini era “O Fim de Uma Era” (veja AQUI), um livro extraordinário do Bispo e cujo processo de produção free-lancer nos aproximou e fez com que ele me conhecesse e convidasse para trabalhar de forma permanente na denominação. Nessa obra, ele apresenta sua visão sobre a situação calamitosa da Igreja evangélica brasileira em nossos dias e a falência iminente de um modelo atual de igreja-show – e que mudou minha vida, minha visão sobre a Igreja e a espiritualidade e me fez querer trabalhar com ele. Acredite: “O Fim de Uma Era” é um livro imperdível.

Foi então que começamos a trabalhar algumas linhas: a dos livros principais, como “O Fim de Uma Era”, livros infantis (como “As Aventuras de Mariana” – veja AQUI), e “O Enigma da Bíblia de Gutemberg”. No lançamento do “Enigma”, nós fizemos uma pesquisa com cerca de 2 mil jovens cristãos e eles revelaram que seus livros prediletos eram os da série “Crepúsculo” e “Harry Potter”. Detalhe: estou falando de jovens e adolescentes evangélicos! O que nós percebemos? Nossos jovens estão lendo ficção, mas ficção que glorifica bruxos (existe na vida real bruxo bom?) e vampiros (que por mais que sejam seres que não existem, nas histórias são criaturas das trevas que fogem justamente da Cruz de Cristo). E nessas séries de sucesso, bruxos e vampiros são apresentados como criaturas do bem, sedutoras, lindas, charmosas…e nossos jovens adoram, essa é que é a verdade. O que é algo grave.

Diante disso, vimos a necessidade de continuar publicando livros de ficção que ao mesmo tempo promovessem entretenimento e edificação para nossa juventude e resolvemos dar continuidade à série, que chamamos de “Geração Ação”. Escrevi então o segundo livro, “7 Enigmas e um Tesouro”. O resultado foi tão positivo qua partimos para o terceiro, “O Mistério de Cruz das Almas”. E, ano que vem, teremos um quarto livro.

Até o final deste ano, a Anno Domini terá lançado 29 livros de edificação, devocional, espiritualidade, crítica, liderança, superação, infantil e…a série jovem que nasceu de um sonho em que nenhum editor tarimbado acreditou mas em que um sacerdote apostou suas fichas por compreender sua importância espiritual. E aí, acima de leis de mercado e preocupaçeõs com  planilhas, Deus abençoou e, ao contrário do que todas as editoras que o rejeitaram disseram, “O Enigma da Bíblia de Gutemberg” vendeu e vendeu muito bem (com renda revetida totalmente para a obra de Deus, isso é importante frisar, o autor não é  remunerado por ela: todos os royalties vêm em forma da alegria de edificar vidas)

E então vem o Prêmio…

E agora, para surpresa de todos, aquele livro rejeitado por todos foi indicado no Prêmio Areté, ao lado de quatro outros livros da Anno Domini (a lista completa dos nossos finalistas está AQUI). Na categoria Ficção/Romance concorrem três livros, sendo dois escritos por esta ovelhinha aqui: “O Enigma da Bíblia de Gutemberg”, “7 Enigmas e um Tesouro” e mais um terceiro, estrangeiro.

Ou seja: um projeto nascido de um sonho, rejeitado e visto como impossível por muitos hoje é considerado um dos três melhores do país em sua linha, graças à visão de um homem de Deus, um sacerdote chamado Walter McAlister, que acreditou, enxergou mais longe e resolveu investir numa ideia porque ela tinha potencial de abençoar o rebanho de Nosso Senhor Jesus Cristo. E o resultado está aí: “Autor Revelação” e “Melhor Livro de Ficção”. Mas acredite: só de ver como Deus pode, por caminhos estranhos, tornar projetos voltados para abençoar seu povo de algo impossível em realidade… já fui mais do que premiado.

Meu irmão, minha irmã, desculpe se este post pareceu propaganda de livro. Não era essa a intenção. O desejo sincero do meu corção é mostrar que se você tem um sonho, um projeto, uma vontade, uma vocação, um ministério e tem certeza de que ele está dentro da vontade de Deus, não deixe que te digam “não dá, não vende”. Creia que é possível. Deus em sua soberania é capaz de fazer coisas que parecem impossíveis se tornarem realidade. Cegos enxergarem. Paralíticos andarem. Mortos ressuscitarem. E até mesmo um livrinho despretensioso que ninguém queria editar ser considerado um dos três mais importantes de sua estirpe entre todos os do país. Acredite. Tenha fé. Não desista. Ouça a voz de Deus. E, se Ele quiser, vai pôr Walters McAlisters no seu caminho que vão dizer o contrário: “dá. Vamos em frente”.

Ore por esse projeto, eu peço. Tenho tido muitos testemunhos por onde passo e até pelas redes sociais de pessoas que leram e foram abençoadas pelos três livros da série Geração Ação. Namoros em jugo desigual que foram desfeitos. Filhos que desrespeitavam os pais se humilharem e pedirem perdão. Jovens compreenderem melhor o sacrifício de Jesus. Mentirosos se consertarem. Algumas igrejas estão usando essa série para trabalhar com seus jovens, promovem debates sobre os livros, usam em retiros, até mesmo evangelizam não cristãos com eles. Usam-nos com a finalidade que Deus tinha em sua mente desde que semeou a ideia em meu coração: edificar a Igreja e, com isso, glorificar Seu nome.

Acredite. Tenha fé. E diga sempre, mas sempre, ao Pai: “Porém seja feita a tua vontade e não a minha”. De resto? Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele e o mais Ele fará.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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Meus queridos filhinhos e outros que pensam que são mas não são,

Hoje escrevo aqui a segunda epístola sobre os desvios e equívocos que tenho visto acontecer no seio da minha Igreja. Antes de mais nada, para que você não perca o contexto, sugiro que leia a recém-publicada “1a Epístola de Deus aos hereges e equivocados”, que meu servo Zágari postou aqui no APENAS. Bem, só pra lembrar, não estou escrevendo esta carta para deixar ninguém chateado nem para ofender quem quer que seja. Mas, como eu disse na 1a Epístola, entenda que estou escrevendo porque amo meus filhos e por isso me sinto na obrigação de protegê-los de tudo aquilo que os afasta de mim.

Então resolvi escrever para os hereges e aqueles que, embora não sejam, me preocupam porque estão quase saindo dos trilhos.

E como fiz na 1a epístola, aviso aqui: esta é uma carta longa. Não é canônica. Mas é uma reflexão sobre as coisas que tenho visto e ouvido.

Pois bem, na minha 1a epístola eu terminei dizendo: “Estou começando a achar esse negócio de Igreja emergente meio esquisito…”. Vamos então falar sobre isso.

Igreja Emergente

Antes de qualquer coisa, deixa eu esclarecer: Igreja emergente não é heresia, preciso ser claro sobre isso. Se você não sabe o que é isso, dá uma lida neste post e vai entender direitinho: “Ozzy Osbourne, a igreja emergente e o futuro“. Só que esse grupo de filhos meus, bem-intencionados, pisa num terreno lodoso. Esse papo de ficar se misturando com a cultura secular pode levar a caminhos perigosos. Os conceitos da Igreja emergente em si não são anticristãos, mas em mãos erradas…ah, pode ter certeza que vão causar muito estrago.

Quer exemplos? Outro dia um pastor meu lá de São Paulo estava pregando e… usou um palavrão no meio da pregação. Será que ele e outros emergentes acham que eu estou de boa com esse uso de palavras torpes e ainda por cima no sagrado momento de exposição da minha Palavra? Eles realmente acham que isso me agrada? Hmmmm… De repente estão mais interessados em atrair gente jovem, falando essa linguagem jovem… mas que ofende muitos. Sei de muitos que saíram ofendidos certo dia da igreja desse meu servo porque ele falou palavrão na pregação. Agora, convenhamos… Palavrão? Tão querendo reinventar a roda? Não sabem que eu pedi que meus filhos falassem somente o que fosse para a edificação, que conversassem entre si com salmos e cânticos espirituais? Ou vocês acham que esse trecho da Bíblia é descartável? Palavrão em púlpito! Fala sério! Vocês estão ficando malucos??? É isso que vocês acham que vai levar a salvação aos jovens???

Durante dois mil anos a minha Palavra foi pregada com seriedade e reverência para jovens, crianças, velhos e adultos. Nunca, em todos esses séculos, houve necessidade de se adaptar à cultura secular, de ser “moderninho”. Acreditem vocês ou não, o MEU ESPÍRITO TEM PODER DE CONVENCER DO PECADO, DA JUSTIÇA E DO JUÍZO SEM PRECISAR DE ESTRATÉGIAS HUMANAS. Basta a proclamação das verdades bíblicas. Aí chegam os emergentes e acham que a Igreja tá velha demais pros jovens. Queridos, nossos jovens não vão se convencer porque você prega de calça jeans, usa gola rolê e faz charmosos vodcasts. Eles vão se converter simplesmente quando o Evangelho for proclamado aos seus ouvidos, for decodificado por seus cérebros, meu Espírito tocar seus corações e fazer aquelas verdades ganharem sentido. Quando eu os regenerar. Os justificar. Todo o resto é balela.

E tem mais uma coisa que eu queria que meus filhos “emergentes”, e “moderninhos” (eu acho tanta graça quando alguém acha que eu quero ser moderno…) soubessem: eu não vejo música secular como pecado (leia mais no post “Cristão deve ouvir música do mundo?“). Dependendo da música, fiquem tranquilos, ouçam à vontade. Mas tem uns de vocês, emrgentes, abusando. Indo a shows de grupos e cantores que meu ex-querubim tem na palma da mão. Fala sério, outro dia um pastor de jovens (olha a influência!) disse no twitter que ficou triste porque não foi ao show do Ozzy Osbourne. Logo o Ozzy! Tem servos meus desses que dizem aquela frase ótima pra justificar um pecado: “Nada a ver”, que estão indo a shows dos Rolling Stones! Não aprenderam nada? E pra terminar esse papo de “não tem nada a ver”, eu fiquei estarrecido com a quantidade daqueles que vão domingo à igreja e me dizem “Senhor, Senhor” e no entanto foram ao show daquele grupo que canta “eu gosto de meninos e meninas” e “somos burgueses sem religião” no Rock in Rio. Peraí, passou batido? Deixa eu repetir: eles cantam “eu gosto de meninos e meninas” e “somos burgueses sem religião”. Será que o meu povo não presta atenção na letra daquilo que canta?

Por exemplo: tem uma banda que mistura circo com música e tal e tem umas músicas bem bacaninhas, mas outro dia eu estava ouvindo um grupo dos meus filhos cantando uma canção deles e aos pulos gritava “a fé que você deposita em você e só”. Peraí! Será que pelo menos pararam pra pensar que se você só deposita fé em você não está depositando fé em Jesus? E que sem fé em Cristo é impossível me agradar? Ou vir pra cá depois que partir da Terra? Sei não, tou começando a achar esse negocio de Igreja emergente muito esquisito. Se cuidem, hein?!

Desigrejados (ou adenominacionais, como preferem ser chamados, não quero ofender ninguém)

Também tem outro assunto que eu queria abordar. Por que uns de vocês que decidiram sair das igrejas denominacionais ficam tacando lama nelas? Onde é que eu escrevi que só posso ser adorado fora de templos, em lares e grupos pequenos? Não fui Eu quem deu a Davi a planta do meu templo? Não fui Eu quem fez Salomão erguer o templo a mim? Vocês por acaso leram Esdras e Neemias alguma vez? Ou eu mandei erguer templos para a glória dos homens?

Depois da Cruz, meu Espírito passou a habitar cada um de vocês como Seu templo mas isso não afeta em absoluto o fato de que eu gosto quando vocês se reúnem. Embora alguns de vocês achem que não, fui EU quem vocacionou ao pastoreio do meu rebanho aqueles que vocês chamam de pastores. Deixei isso claro por meio de meu filho Paulo em sua primeira carta aos Coríntios. Muitos deles se desviaram. Muitos estão pensando mais em Mamom do que em mim. Vocês acham que eu não sei disso?

Mas fico irado (apesar de terem inventado que eu sou só amor e não justiça, a minha ira se manifesta SIM, pois sou justiça) quando vocês acusam todos os meus escolhidos de terem dobrado seus joelhos a Baal. Tenho muitos, mas muitos servos fieis no que vocês chamam de “igreja institucionalizada”. Eu os amo. Eles me adoram em espírito e em verdade. E quem vocês pensam que são para julgá-los como fazem?

Muitos de vocês que condenam a Igreja institucional, que sustentei por dois mil anos, têm o coração negro de rancor. São sepulcros caiados, iguaizinhos a muitos membros e pastores desviados que permanecem na Igreja institucionalizada. E eu prefiro olhar para um templo daquilo que vocês chamam de igreja institucional mas onde haja algumas dezenas de corações contritos do que uma igreja sem denominação que se reúne num lar mas tem pessoas de coração rancoroso, acusador, farisaico.

Filhos, acordem! Não é porque alguém me adora num templo que ele não me adora! Não é porque tem um homem (que EU vocacionei) liderando o rebanho que todos estão errados. Errados estão aqueles entre vocês que se julgam os certos, os petulantes que atribuem a si mesmos o título de  “os da graça” e acham que conhecem toda a minha igreja, chamando quem pensa diferentemente deles de “os da religião”. Não conhecem! Parem de provocar divisões! Isso me enoja! Parem de esquartejar o Corpo de meu Filho! Parem de seguir homens que largaram suas esposas contra minha vontade (vocês não leram na minha Palavra que eu “odeio o divórcio”?), fundaram suas próprias instituições e estão arrastando vocês junto! Parem com isso! Parem de, em nome de uma apologética que não é apologética e de uma reforma que não é reforma, acusarem milhares de inocentes e destruírem estruturas pelo meio das quais EU abençôo milhares! Essa obra é minha. Não a sabotem!

Nunca se esqueçam de Nestório, Patriarca da Igreja em Constantinopla na metade do quinto século depois de Cristo. O mais curioso é que, como muitos de vocês fazem hoje, seu objetivo era expurgar os erros e tornar a Igreja o que ele achava que era o correto. Como muitos de vocês, que eu sei que acreditam realmente naquilo que pregam, ele acreditava piamente que estava me agradando. E eu aqui, só vendo e ouvindo aquelas barbaridades. Ele viajou. Concordava com a autêntica e própria deidade e a autêntica e própria humanidade de Jesus, mas não de forma a comporem uma verdadeira unidade, nem a constituírem uma única pessoa. As duas naturezas seriam igualmente duas pessoas. Ao invés de mesclar as duas naturezas em uma única autoconsciência, o nestorianismo as situava lado a lado, sem outra ligação além de mera união moral e simpática entre elas. Jesus seria, assim, um hospedeiro de Cristo. Parece absurdo para você? Imagina como muito do que vocês falam soa absurdo a quem vive numa igreja institucionalizada e é altamente abençoado por mim lá. Invenções, invenções, invenções. Humanas, claro. Chega, né?

Marxismo Cristão

E para aqueles dentre vocês que estão pegando o Sagrado Evangelho de meu Filho e misturando com política partidária, com socialismo e com pensamentos até mesmo marxistas, que estão usando ensinos que foram passados a vocês pelos profetas, por Jesus e os apóstolos para apontar para a eternidade e aplicando-os para tentar resolver as coisas deste mundo, deixe-me dizer-lhes uma coisa. Vocês realmente acham que Jesus sofreu e morreu para que vocês fizessem pactos com governos, com a justificativa de “ajudar os pobres” e “fazer justiça social”? Vocês não entendem que quando eu mandei meus servos falarem de caridade na Biblia estava falando de ações individuais? Que cada um de vocês movesse seu coração e estendesse a mão ao necessitado? Jesus criticou aqueles que iam até Ele apenas pelos benefícios materiais que poderia proporcionar. Chegou a dizer: “Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do homem vos dará” (Jo 6.27).

Em que momento da Biblia Jesus procurou César para negociar acabar com a pobreza em Israel? Ou que ele foi a Pilatos pedir que ele palestrasse a seus apóstolos pedindo que lhes dissesse o que o povo de Roma e da Judeia esperava deles?  Nunca. Jesus pregou sobre a vida eterna. A vida eterna. E a vida eterna. O pão de cada dia? Clame a mim! Não foi isso que meu Filho lhes ensinou na oração do Pai Nosso? Mas esse está longe de ser o centro do Evangelho. O Pão da Vida, esse sim é o centro.

Minha Igreja como Corpo não existe para ser uma cara-pintada que faz manifestações em praça pública, carrega bandeirinhas com meu nome, lança manifestos sobre o governo e convida candidatos ao poder humano para dar palestras a pastores e igrejas… Vocês entenderam tudo errado! Tenho nojo dessa mistura. Na época do Antigo Testamento eu prezei tanto para que meu povo não se misturasse com os pagãos… E agora vocês querem se misturar com eles achando o quê? Que haverá mais justiça social no país? Que o governo federal vai realmente adotar os meus valores e se preocupar com os miseráveis? Tolinhos, vocês. Não sejam ingênuos.

Em vez de perder tempo com isso, façam a sua parte como indivíduos.

Ajudem pessoas que estão em estado de pobreza. O samaritano da parábola não procurou o governo: ele ajudou um único homem que precisava dele. Apadrinhe uma criança pela Visão Mundial (veja o link na barra aí à esquerda). Faça sua parte. Dê o seu exemplo. O Estado será sempre o Estado e o meu Reino não é desse mundo tenebroso e sujo em que vocês vivem. Orem mais. Muitos de vocês só querem saber da agir, lançar manifestos, fazer marchas… ativismo, ativismo e ativismo. Chega! Orem! Ponham o rosto no pó! Ou vocês não aprenderam na escolinha dominical que a oração do justo pode muito em seus efeitos? Muitos de vocês se encontram com autoridades do governo mais vezes por semana do que oram a mim. E se eu não guardo a cidade, queridos, em vão vigia a sentinela.

Palavras finais

Em resumo, caros hereges e equivocados, todos vocês – sejam os da Teologia Relacional, os da Teologia da Prosperidade, os do Universalismo, os que pregam contra a igreja onde eu habito e trabalho, os que estão a um passo de despencar dentro do mundo em nome dessa contextualização da minha Palavra, os que por querer ser moderninhos fazem com que a proclamação da salvação tenha que ser modernizada (quando para mim não há passado, presente e futuro e Eu Sou o mesmo sempre e meu Espírito convence como quer sem precisar das suas estratégias pueris), os que querem misturar a santidade das boas-novas de meu Filho com a imundície da vida política – não se esqueçam que aquele terrível dia esta chegando. E aí não vai adiantar dizer “Senhor, Senhor”. Pois a muitos e vocês eu direi: “Não os conheço”. Espero que não seja esse o seu caso.

Eu criei o mundo com uma intenção e uma intenção somente: a minha glória.  Eu criei cada um de vocês com uma intenção e uma intenção somente: a minha glória. Parem de buscar seus próprios interesses. Parem de se vangloriar daquilo em que acreditam, achando que todo o resto está errado. Vaidosos! A sua vaidade está comendo suas entranhas e vocês estão tão anestesiados que nem sentem.

Basta! Todos vocês, os que ainda têm esperança da glória futura, arrependam-se agora de esquartejar, enganar e desviar a minha Igreja de seu rumo. Homens que em nome da minha graça pecam e pecam e pecam. Ainda é tempo de se arrepender. De se unir. De todos dobrarem os joelhos e voltarem às disciplinas espirituais básicas. Oração. Leitura da minha Palavra. Meditação naquilo que eu ensinei. Jejum, seus glutões. Santificação.

Seus lábios estão cheios de palavras belíssimas, como “graça”, “amor”, “prosperidade”, “caridade”… Mas a minha glória está esquecida. E quando este céu e esta terra passarem, o pequeno rebanho que me pertence viverá eternamente para a minha glória e para ela somente. Reconhecendo dia e noite que “Santo, Santo e Santo é o Senhor e que os céus e a terra estão cheios de sua glória”.

Entendam que sei que muitos de vocês carregam boas intenções nos seus corações. Outros não. Fiquem tranquilos, sei quem é quem. Mas boas intenções não bastam. Voltem-se para mim e para mim somente. Voltem aos templos. Orem como comunidade. Renovem o entendimento da Ceia de meu Filho. Clamem a mim. Retomem a centralidade da Palavra. E eu lhes trarei paz, renovo e esperança. Eu sou o Amor. Eu planejei a Cruz para tê-los comigo pela eternidade… Por amor.

Mas entendam a coisa mais importante desta carta: Eu sou o que sou. E não preciso que vocês me reinventem.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

(Eesta é uma obra de ficção, baseada em fatos muito, mas muito reais. Ai de mim pôr palavras na boca de Deus, pois, ao contrário de muitos, não quero me tornar um herege).

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