Senhor Jesus, recebe o meu espírito

Publicado: 01/09/2011 em Vida após a morte, Vida eterna

Esse senhor aí da foto é João Baptista: sujeito magrinho, de fala mansa, calmo, brincalhão, por vezes cabeça dura. Ou seja, um ser humano normal, como qualquer um de nós. Por muitos e muitos anos foi diácono de uma igreja evangélica, que ajudou a plantar e onde serviu fielmente. De tão fiel chegou a fazer coisas como ir à polícia resolver o problema do filho do pastor, menor de idade, que havia sido pego dentro da kombi da igreja, estacionada em local público enquanto o garotão se engajava em atividades sexuais. Sim, João Baptista é quem, no meio da madrugada, saiu de sua casa e dirigiu-se à delegacia para resolver o problema daquele jovem – que hoje, aliás, cresceu e tornou-se pastor da referida igreja, herdando o feudo do pai.

João Baptista sempre seguiu a cartilha da igreja ao pé da letra. Era de fidelidade canina. Até o dia em que algo mudou sua trajetória eclesiástica: sua esposa foi destratada de forma totalmente antibíblica e anticristã pela esposa do pastor. Com total falta de amor. Ele decidiu, então, fazer o que é bíblico e ir conversar com o pastor sobre o ocorrido, porém foi igualmente tratado com desonra. Ouviu coisas que nunca poderiam sair da boca de um sacerdote.

Aquilo causou grande impacto sobre João. Foi quando ele decidiu, então, que viveria sua vida com Cristo em casa, sem pisar em igrejas. Pode-se dizer que João Baptista foi um precursor do atual movimento dos desigrejados. Muitos de sua família o acompanharam. Outros mudaram de denominação. Houve entre seus parentes feridos quem se casasse com católicos romanos e passasse a frequentar a igreja papista. O estrago na relação com a Igreja evangélica foi grande, embora Cristo nunca tivesse deixado o coração de João e dos seus.

Meu encontro com João Baptista

Muitos anos se passaram. Quando eu conheci João Baptista, há 14 anos, ele já era um desigrejado. Logo ele, em cuja sala de estar surgiram os núcleos originais de igrejas que hoje estão de pé, servindo a Cristo e ao Reino. Quem as frequenta hoje não sabe, nunca ouviu falar dele, embora no Céu certamente seu galardão esteja bem guardado. Sim, João Baptista de certo modo foi um plantador de igrejas – se for um exagero dizer isso, podemos dizer que ele foi a mão e o braço de muitos que plantaram igrejas. Misturadas ao cimento que ajudou na construção de altares, batistérios, paredes de santuários e gabinetes pastorais há muitas gotas de suor de João Baptista.

Muito mais haveria a se dizer sobre esse homem, a quem escrevo em tom de homenagem. Mas encerro minha fala sobre ele apresentando na foto ao lado um pedacinho de seu legado: sua bisneta, sua descendência, parte da herança que ele deixa nesta terra. Laura, minha filha, cuja mãozinha ele teve a alegria de segurar com suas mãos calejadas e enrugadas de homem que muito lutou e um sorriso de emoção no rosto (momento que tive o privilégio de registrar nessa foto). Pois hoje João Baptista, aos 92 anos, foi convidado pelo Pai Celestial a mudar-se da casa em que vivia na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro,  para as mansões celestiais. Sim, João Baptista, o avô de minha esposa, pai de minha sogra, bisavô de minha filhinha, faleceu esta manhã. Combateu o bom combate, terminou a carreira, guardou a fé. Terminou ferido pelo injusto apedrejamento moral, mas crente em Cristo – como reafirmou ao seu genro, um pastor, em um de seus últimos momentos de lucidez. Foi por isso que escolhi a frase-título deste post: “Senhor Jesus, recebe o meu espírito”. Se você não a identificou, foram das últimas palavras ditas pelo mártir Estêvão em At 7.59, quando este dá sua vida por Cristo – um homem que foi apedrejado mas morreu fiel.

O dia hoje é de luto, portanto. Dia de alegria pela fé na esperança da ressurreição, mas de luto pela saudade que fica. E, como em todo dia de luto, o pensamento se volta para Cristo e a vida eterna. A notícia que nos chegou nesta manhã da partida do vovô João me fez recordar de um episódio ocorrido meses atrás, quando fui procurado pela esposa de meu pastor devido a uma tragédia: um jovem adolescente que estudava na escola de suas filhas tinha sido atropelado e morrido. A consternação havia sido geral e a direção do colégio não sabia como abordar a questão com os estudantes. O clima de luto era terrível. Foi quando ela me procurou, pedindo que formulasse um material que ajudasse aqueles pobres meninos e meninas a assimilar melhor a morte do colega. Orei, pesquisei e escrevi um pequeno texto, que ela utilizou numa palestra para os alunos. A resposta aparentemente foi boa. Diante disso, ela me pediu que desenvolvesse ainda mais o material, para que fosse transformado em um livreto a ser entregue para pessoas enlutadas ou mesmo nas portas de cemitérios. Foi quando nasceu Bem-vinda, morte.

Me sugeriram que submetesse o texto a editoras, para ver se haveria interesse de publicar como um livreto que pudesse ser utilizado para amainar a dor de quem perdeu alguém que ama – mas não houve. Diante disso, engavetei o mesmo. Mas, com a partida de vovô João, algo me motivou agora a disponibilizá-lo aqui no blog, caso venha a ser útil para alguém.

Você pode usar à vontade o texto abaixo, se julgar que deve, desde que sem fins comerciais (veja na coluna da esquerda do blog os termos de uso Creative Commons, dos quais sou associado). Tive a oportunidade de em algumas situações passar este texto às mãos de parentes de pessoas recentemente mortas (inclusive não-cristãs) e as reações sempre foram positivas, de alento, de paz. Esse é meu objetivo: de algum modo contribuir para que pessoas que perderam entes queridos recebam paz em seus corações.

Minha primeira iniciativa nesse sentido foi a publicação aqui no APENAS do artigo Você vai morrer, que mostra como Jesus fazia pouco da morte. E, agora, publico abaixo um material bem mais extenso e que tem uma abordagem diferente. Peço a Deus que as palavras abaixo ajudem a tranquilizar corações aflitos pela perda de um familiar amado, de um cônjuge, de um amigo. E que a graça e a paz de Cristo estejam com cada um, na esperança da ressurreição e da vida eterna.

Paz a todos vocês que estão em Cristo. E um abraço especial a ti, Vô João, até que em breve nos reencontremos, se assim for da vontade de Deus.

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BEM-VINDA, MORTE

Morte: um acontecimento natural

É fantástico o sentimento que nos liga às pessoas queridas. Por mais que a ciência estude os mecanismos físicos relacionados às sensações de prazer, alegria e euforia, até hoje não conseguiu reproduzir os sentimentos que percorrem a alma quando estamos junto a aqueles que amamos, que prezamos e que nos são mais valiosos. O abraço da mãe, o carinho do pai, o sorriso do amigo e o beijo do namorado – ou mesmo a simples presença na mesa de jantar, o bate-papo caminhando pela praia, a voz ao telefone. O bem que tudo isso nos faz é de uma intensidade indescritível. Por isso, essas pessoas se tornam essenciais em nossa vida.

Mas, de repente, sem que esperemos, uma dessas pessoas morre. Pura e simplesmente…morre. Deixa de existir. Sem aviso. Sem despedida. Sem explicação. E então somos tomados por sentimentos opostos aos que antes nutríamos: dor, revolta, depressão, tristeza, culpa. Quem nós amamos se foi. Muitas vezes, de forma dolorosa, num acidente, após uma doença…simplesmente partiu e nunca mais voltaremos a ter aqueles momentos deliciosos na presença dela. Nunca mais cruzar olhares, sentir o toque, rir junto, desfrutar coletivamente da vida. O vazio que fica é grotesco. A dor é atroz. A agonia, insuperável.

Mas o fato é que ela se foi. E agora? Por que isso aconteceu? O que fazer? Que rumo tomar? Como lidar com essa perda? Como se ajustar à nova realidade da ausência do ente querido? Existem muitas respostas possíveis. Mas alguns pontos são comuns a todas elas e precisam ser discutidos.

A primeira coisa que temos de entender é que a morte é um evento absolutamente natural. Todos nós vamos morrer, uns mais cedo, outros mais tarde. Mas toda a humanidade vai morrer. Eu, você, todos. Humanamente falando, é a única certeza inquestionável que compartilham todos os bilhões de habitantes do planeta.

E, por mais difícil que possa parecer, esse é o curso natural da vida, assim como o rio um dia vai chegar ao mar e deixar de ser rio. Vai virar mar. Pronto. E isso nada mais é do que a ordem normal das coisas.

Em nossas vidas, há etapas a serem percorridas. Ninguém nasce sem ter passado meses no ventre de sua mãe. Isso é natural. Depois vem ao mundo e começa a crescer, se desenvolver. É natural que isso ocorra. Chega a puberdade. Nos meninos, nasce o buço no rosto; nas meninas, crescem os seios e chega a menstruação. E isso é natural. Com a idade adulta, acentuam-se os traços da maturidade, o tônus muscular dos homens, as curvas das mulheres, o que é natural. Com o passar do tempo, a pele cria vincos, perde a elasticidade, os músculos já não respondem como antes. Era de se esperar, pois, afinal, é natural que isso aconteça. Passam-se os anos, os cabelos vão ficando brancos, em muitos eles somem da cabeça, as mulheres começam a ganhar flacidez. É natural. Por fim, nos últimos anos a limitação do corpo é bem maior, não se consegue correr ou pular como antes. Bem, era de se esperar, pois isso é natural.

Chega, afinal, a morte. E, adivinhe só: isso é mais um entre tantos acontecimentos absolutamente naturais da nossa vida. Chegamos ao mar. Deixamos de ser rio. Pronto.

O grande problema é que a humanidade foi desenvolvendo ao longo de sua trajetória um medo enorme dessa etapa natural da vida. Em boa parte, é claro, isso vem do nosso aguçado instinto de sobrevivência. Lutamos para permanecer vivos, obedecendo a uma voz forte que vem de dentro: “Mantenha-se respirando!”, grita nosso eu interior. É um instinto comum a todos os seres vivos – e totalmente compreensível, pois ninguém nasce para morrer, mas para viver. Só que nós, humanos, possuímos algo que nos diferencia dos demais seres vivos: o atributo da razão. Conseguimos refletir e, com isso, superar nossos impulsos orgânicos.

Exemplo: domamos nosso instinto assassino. Quem de nós já não ficou com tanto ódio de outra pessoa que quis acabar com a vida dela? Mas dominamos com a razão esse instinto e seguimos vivendo. Ou quantas vezes estivemos famintos e suportamos racionalmente a fome sem arrancar alimentos da mão dos outros até chegar à geladeira e aplacar nosso desespero? Ou mesmo nosso instinto sexual, um dos impulsos mais fortes que temos. E não saímos por aí saciando nosso apetite sexual com a primeira pessoa atraente que encontramos. Racionalizamos isso também e nos contemos.

E aí surge a pergunta: por que não racionalizamos também a morte?

Fato é que existe um bloqueio cultural nesse sentido. Não conseguimos racionalizar sobre a morte porque toda linha de raciocínio precisa seguir a sequência lógica: começo, meio e fim. Só que a simples intenção de começar a refletir sobre morte já é tabu. Falar de morte incomoda as pessoas, tão apegadas estão às suas vidas que o mero pensamento da finitude as apavora. E, assim, não se conversa sobre a questão. Ninguém promove debates em rádios sobre a morte. Não se discute o tema de forma séria nos programas de auditório da TV. Nem mesmo nas escolas. Certamente não na mesa do jantar. “Ei, ei, estamos comendo!”, brada logo alguém. E o resultado é que vivemos a vida despreparados para o fim dela. O que é um contrassenso, pois assim não nos preparamos para o que é líquido e certo. Vamos morrer. Mas não nos adequamos a este fato. Não tocamos no assunto. Não discutimos. Nem mesmo começamos a racionalizar. E se não chegamos ao começo do raciocínio, como poderíamos chegar ao meio e, mais ainda, ao fim? Sem um início não se chega a uma conclusão.

Pior: não deixamos aquelas pessoas que estão próximas a nós preparadas para a morte. Pais conversam com seus filhos sobre a escola, a viagem, as férias, o filme, as amizades, drogas, até o incômodo tema da sexualidade. Mas morte? “Ei, ei, estamos comendo!”. E quando a morte de alguém próximo chega – e ela chegará, acredite! – a esmagadora maioria não sabe lidar com o assunto e sofre o impacto do imprevisto, do inesperado. Fica em choque. Muitas vezes em depressão. Às vezes, em desespero.

O que nos espera é, então, um despreparo colossal sobre como lidar com a morte. Fingimos que ela não existe e, quando ocorre próximo a nós, tentamos encará-la no peito e na raça, sem as ferramentas necessárias, mentalmente flácidos. Fechamos os olhos, pisamos no acelerador e…seja o que Deus quiser!

É como um grande susto. Susto, todos nós já tomamos muitos, nos deixa abobados, sem reação racional. Às vezes gritamos, saltamos, estremecemos, perdemos o domínio da situação. Vejamos a definição de “susto” no dicionário:

Susto é uma ação biológica que ocorre quando uma pessoa vê algo inesperado. É uma reação do corpo humano contra possíveis ameaças.

Dois elementos se destacam dessa definição: “inesperado” e “reação contra ameaças”. Veja: primeiro, o susto só ocorre quando a pessoa se depara com algo inesperado. Quando a morte inesperadamente chega a alguém próximo a nós, se não tivermos anteriormente construído a visão de que ela é algo natural, vamos gritar, saltar, estremecer, perder o domínio da situação. Ficaremos à mercê da morte. Ela controlará nossa vida. Nos descompensará. E não basta entender que ela é natural. É preciso saber, também, que ela pode chegar a qualquer momento. Se a chuva pode cair, o melhor é sairmos de casa com o guarda-chuva embaixo do braço.

Em segundo lugar: vemos que o susto é uma “reação contra ameaças”. Nos assustaremos se considerarmos a morte uma ameaça. Se entendermos que ela é uma etapa natural da vida, uma letra a mais na frase da nossa existência, ela deixará de ameaçar a nós e aos que amamos e passará a ser um fato incômodo mas normal aos nossos olhos. E quando ela chegar, não nos assustaremos. Estaremos pacientemente à sua espera.

Benjamin Franklin afirmou que “o homem fraco teme a morte, o desgraçado a chama (…). Só o sensato a espera“. A frase resume bem como é sensato e perfeitamente factível manter sempre a morte à vista como um evento natural, inevitável e absolutamente certo. Visão que certamente nos ajuda a lidar melhor com ela.

No século 16, o filósofo social francês Michel de Montaigne via a humanidade com muita frieza e sem enfeites. Em seus 59 anos, ele pensou muito sobre a morte  e escreveu sobre a necessidade de se aceitar a cada uma de suas várias formas como sendo igualmente naturais: “Sua morte é parte da ordem do universo, é parte da vida do mundo… é a condição de sua criação“. No texto Estudar filosofia é aprender a morrer, ele escreveu: “Dê lugar aos outros, assim como outros deram lugar a você“.

Montaigne cria que aceitar a própria morte e a das pessoas amadas é mais fácil para quem refletiu mais sobre o assunto, como se sempre estivessem preparados para o fim da vida. Somente desse modo, escreveu ele, “é possível morrer resignado, reconciliado, pacientemente e tranquilamente, tendo experimentado mais completamente a vida as graças à consciência constante de que ela pode logo chegar ao fim”.

A morte não é uma derrota

Mais do que um tabu, a morte tornou-se, na nossa sociedade pós-moderna, sinônimo de derrota. Nos jogos de computador, ganha quem mata mais adversários. Perde quem morre. E somos acostumados a esse pensamento desde a mais tenra infância. A bruxa má morre no final da história. A princesa “vive feliz para sempre”. Perceba que ela não vive feliz até sua morte, mas para sempre. Ou seja: de certo modo, os contos de fadas imortalizam os vencedores. Como poderia o herói, o vitorioso morrer? Impensável! Só que isso é o normal. É natural. Cem anos após o nascimento, a esmagadora maioria dos indivíduos, heróis e vilões, reis e plebeus, vencedores e perdedores, todos estarão mortos. Até mesmo os heróis da nossa vida.

No cinema é a mesma coisa. Os heróis são os que matam mais inimigos. Vitoriosos são os sobreviventes. Arnold Schwarzenegger promove carnificinas de proporções bíblicas e todos o amamos pois, no final das contas, ele sai com alguns ferimentos…mas vivo! E cá estamos nós, na sala escura de cinema, aprendendo que morrer é a pior derrota da face da Terra.

E não é apenas na diversão que somos condicionados a associar morte ao último lugar da fila. Nas aulas da escola aprendemos com Darwin que sobrevive “o mais forte”, “o mais adaptado”, “o melhor”. E, mais uma vez, a morte é associada a inferioridade, a derrota, a rebaixamento, a ser o pior. Assim, somos adestrados desde sempre a considerar a morte um fracasso total.

Só que, se fosse assim, toda a humanidade seria fracassada, pois todos morrerão. Logo, esse pensamento é absurdo.

A morte é necessária

Mais do que ser normal, a morte é um evento absolutamente necessário. O que significa que, se não houvesse morte, a vida no planeta Terra seria impossível. Veja só: segundo análise feita pelos pesquisadores do website Population Reference Bureau[1], que reúne dados sobre demografia, já viveram no planeta cerca de 107 bilhões de pessoas. O que representa aproximadamente 16 vezes mais do que a população atual da Terra. Isso levando em conta a estimativa de que os dois primeiros habitantes do mundo teriam vivido por volta do ano 50.000 a.C. Veja a tabela[2] abaixo:

 Ano  População  Nascimentos entre os períodos
 50000 a.C.  2  -
8000 a.C.  5 milhões  1 137 789 769
 1 d.C.  300 milhões  46 025 332 354
 1200  450 milhões  26 591 343 000
 1650  500 milhões  12 782 002 453
 1750  795 milhões  3 171 931 513
 1850  1,265 bilhão  4 046 240 009
 1900  1,656 bilhão  2 900 237 856
1950  2,516 bilhões  3 390 198 215
 1995  5,760 bilhões  5 427 305 000
 2002  6,215 bilhões  983 987 500
 2007  6,7 bilhões  485 000 000
 Total de nascimentos até hoje  106.941.367.669

Segundo a organização internacional Oceana,  somente 2,5% da água do planeta é doce e menos da metade está disponível para ser utilizada. Atualmente, mais de 1,2 bilhão de pessoas, sobretudo na América Latina, África e Ásia, sofrem com a escassez desse elemento vital em algum grau. Segundo o Fundo de População das Nações Unidas, dentro de 25 anos uma de cada três pessoas na Terra terá pouca água ou nada. E, veja bem, isso com apenas 6 bilhões de habitantes no globo terrestre. Imagine com 107 bilhões!

Se a água já é escassa, com alimentos o problema não é menor:

Como enfrentar a escassez de alimentos e a conseqüente alta nos preços mundiais sem gerar escassez ainda maior é um dos grandes desafios atuais, na avaliação da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). O aumento no consumo e a redução da oferta elevaram o custo dos alimentos em 45% nos últimos nove meses, dificultando o acesso pelas populações mais pobres.

Com receio do impacto negativo de medidas pontuais a FAO lançará, nas próximas semanas, um guia de políticas para enfrentar a crise mundial de desabastecimento. O título provisório da cartilha é Como Evitar o Pânico.

“Queremos evitar que nesse momento de crise os países, individualmente, para salvaguardar a sua soberania e seus interesses, tomem medidas que possam agravar a crise e tornar a solução ainda mais difícil”, explicou José Graziano, diretor da FAO para a América Latina e Caribe. “Há um renascimento do ‘dragão’ inflacionário em muitos países, o que os obriga a tomar medidas recessivas que podem resultar num agravamento ainda maior da crise”, acrescentou.[3]

Novamente: isso com menos de 7 bilhões de habitantes no globo terrestre. Imagine com 107 bilhões!

Ou seja: por mais complicado que possa parecer, para haver vida na Terra é preciso haver morte. A tragédia de um único indivíduo se torna, no grande equilíbrio das coisas naturais, o triunfo da vida que segue.

A morte é inexplicável e imprevisível

Na hora em que morre uma pessoa querida, é natural perguntarmos “por quê”? Do ponto de vista humano, no entanto, essa é uma pergunta sem resposta. Não existe um motivo objetivo que explique por que um jovem adolescente teve sua vida ceifada prematuramente num atropelamento, por que centenas de pessoas morreram numa queda de avião ou por que aquele seu parente teve um infarto fulminante. O depoimento abaixo foi reproduzido de um fórum da internet, escrito pela internauta Gisela T.:

Aconteceu comigo. Meu pai morreu de um dia para o outro. Um dia estava bem, no outro, teve um AVC (Acidente Vascular Cerebral). Detalhe: nunca fumou, nunca bebeu, não comia gorduras, não comia doces, foi campeão de maratonas no passado, caminhava todos os dias e fazia hidroginástica. Quem poderia esperar por uma morte tão prematura? Detalhe: ele tinha 60 anos, não era um velhote na reta final, entende? Jovem, bonito, saudável… tinha tudo para viver 100 anos! Ele tinha mais saúde do que eu, que fumo e sou hipertensa.[4]

Como explicar um fato como esse? A verdade é que a morte é simplesmente o curso natural da vida. E não controlamos a hora de partir. Nós nascemos… vivemos… e morremos. Buscar explicações humanas intrincadas é um desperdício de tempo e de neurônios. Simplesmente porque elas não existem.

A grande maioria das pessoas não deixa a vida da forma que gostaria. Em séculos passados, os homens acreditavam no conceito da ars moriendi, a arte de morrer. Houve tempos em que a única atitude possível para a abordagem da morte era deixá-la acontecer: assim que certos sintomas aparecessem, não havia outra chance senão morrer da melhor forma possível, em paz com Deus. Mas, mesmo então, a maioria das pessoas passava por um período de sofrimento que antecede o fim; não havia muito senão a resignação. E o consolo da prece e da família para aliviar a hora final.

É comum vermos a morte de um indivíduo vir acompanhada de sentimentos negativos daqueles que ficam, em especial mortes inesperadas. Parte dos parentes e amigos dos que morrem “fora de hora” se revoltam. Outros perdem a vontade de viver. Outros se deprimem. Mas não deveria ser assim. Deveríamos celebrar os anos vividos e não os anos perdidos. Precisamos, então, exercitar a consciência de que a morte não depende de nós, vai chegar sem avisar sim e não tem explicação humanamente palpável. Ter esse entendimento pode ajudar a reduzir a dor da perda.

Como a humanidade não se prepara para ver quem ama deixar esta vida, não há a preocupação de lidar com o próximo “como se não houvesse amanhã”, como disse o poeta. Assim, muitos deixam de dizer a tempo coisas que consideram importantes. Outros deixam pendências mal resolvidas. E há ainda os que cortam relações. Vem a morte e, com ela, um enorme peso de culpa. Fica-nos a lição: não deixe o Sol se pôr sobre a sua ira: viva cada dia em plena harmonia com todos. Nunca se sabe quando morrerá aquele alguém que amamos e com quem, momentaneamente, tivemos problemas, discussões ou rusgas. Fale tudo o que tiver de falar hoje. Reconcilie-se. Declare seu amor. Resolva os conflitos. O amanhã? Basta a cada dia o seu mal.

O cirurgião e professor de Medicina Sherwin B. Nuland é um dos maiores pensadores estadunidenses sobre a morte. Autor de livros sobre o tema, leciona História da Medicina na Universidade Yale. Na obra Como morremos, livro que venceu o prêmio National Book Award de não-ficção em 1994, ele diz:

Por mais inevitável que seja a morte e muito provavelmente precedida por um difícil período (…) há detalhes extras que todos levaríamos para o túmulo, mas de que podemos nos desencumbir em parte se forem previstos. Estou falando de conflitos não solucionados, relações rompidas e não resolvidas, potenciais não cumpridos, promessas não mantidas e anos que jamais serão vividos. Virtualmente para cada um de nós haverá negócios por finalizar. Só os muito idosos escapam a isso, e mesmo assim nem sempre . (…) O único elo em que precisamos acreditar como absolutamente inquebrável na morte é o amor. Se o amor é o que sentimos que estamos dando nesses misteriosos momentos que levam à morte, isso, suponho eu, é o que torna uma morte “boa”, se é que algo realmente pode fazer isso. Mas é uma qualidade subjetiva.

É interessante esse conceito de uma “boa morte”. Se consideramos que alguém que amamos morreu “bem”, sofremos menos. Se morreu “mal”, desmoronamos e nos revoltamos.

Em nossa sociedade, morrer “bem” ou “mal” está diretamente associado à idade em que a pessoa parte. No imaginário popular, alega-se que o ideal é morrer o mais velho possível. O que nos leva a uma reflexão: o que realmente deveria determinar nosso critério para avaliar uma “boa” morte teria de ser mesmo a idade? Ou o bem-estar da pessoa versus o sofrimento dela no período de tempo que antecede a partida desta vida?

Meu avô morreu aos 87 anos. “Que privilégio!”, alguém poderia dizer. Bem, eu o vi sofrer, afogando-se em seus próprios líquidos pulmonares, respirando precariamente com a ajuda de um nebulizador. Não penso nisso como uma boa morte. Por outro lado, dois primos meus faleceram num acidente de trem, de modo instantâneo e sem sofrimento. Eram crianças. Quem morreu melhor? Cada um pode ter uma opinião, mas, precisamos reconhecer, no mínimo isso provoca uma profunda reflexão. Diz o Dr. Nuland:

Quanto da “boa morte” é para a pessoa que morre e quanto para a pessoa que ajuda? Elas estão obviamente relacionadas uma à outra, mas a questão é como. Para mim, o conceito de uma boa morte geralmente não é algo que possa ser administrado muito bem para aquele que está morrendo. Uma “boa morte” é apenas uma coisa relativa, e o que ela realmente significa é que a bagunça diminui. Não há muito que você possa fazer além de tentar manter as coisas bem e indolores: evitar que essa pessoa fique só. Mas, nesses momentos finais, acho que mesmo a importância de não se estar sozinho é algo que intuímos.

Em retrospecto, e de certa forma isso soa brutal, minha própria experiência é que o único meio que temos de saber que ajudamos alguém a ter uma morte melhor é se nos arrependemos ou não, ou se há algo pelo que lamentemos ou que tenhamos deixado por fazer. Se pudermos dizer com honestidade que não desperdiçamos nenhuma oportunidade de fazer o que podíamos, fizemos o melhor possível.[5]

O orador romano Sêneca pensou muito na velhice e, consequentemente, na morte, ao longo de sua vida. Ele afirmou: “Não rejeitarei a velhice se ela deixar a minha melhor parte intacta. Mas se ela começar a sacudir minha mente, se destruir suas faculdades uma a uma, se não me deixar a vida, mas só fôlego, eu partirei do edifício pútrido ou em ruínas. Não escaparei à morte por doenças desde que ela possa ser curada e deixe minha mente sem problemas”.

Entra aí a questão da perda das faculdades mentais e físicas e a do sofrimento. Lógico que mortes sofridas nos entristecem a todos. Ninguém gosta de ver alguém sofrer. Mas isso ocorre em todos os âmbitos da vida: no namoro que se acaba, na prova em que se tirou zero, no dedo preso na porta, no ladrão que roubou nosso celular. E na morte, também. Somos aversos ao sofrimento e isso é desejável. Mas devemos repudiar o sofrimento e não o inevitável. E a morte é inevitável.

Não desejamos, é claro, fazer apologia das mortes prematuras – embora elas ocorram aos montes[WM1] , é fato. Estamos enfatizando que uma morte natural nem sempre é uma vantagem. E um acidente nem sempre é a pior morte do mundo. Uma pancada e acabou, cumpriu-se o ciclo daquela vida. Uma forma indolor e rápida de cumprir mais essa etapa natural da existência. Pode soar estranho aos nossos ouvidos ocidentais, mas uma morte em circunstâncias que costumamos chamar de “trágicas” pode ser, na verdade, um privilégio. E vice-versa.

A morte não é uma punição

Do mesmo modo que ninguém é culpado pela morte de alguém, temos que entender também que, do ponto de vista humano, morte não é punição. De todos os bilhões de pessoas que já andaram sobre a Terra, muitas eram ruins e, muitas, maravilhosas. E todas morreram. Porque, afinal, morte não é castigo. Simplesmente vai acontecer. Seja por doença, acidente, velhice ou qualquer outra razão.

Não é o caráter de alguém que determina quando ou de que forma um indivíduo vai chegar ao fim de sua vida. “Ele não merecia morrer desta forma” é uma frase que não se aplica. Simplesmente não tem razão de ser. Jesus Cristo –uma unanimidade em termos de inocência –, é bom lembrar, morreu assassinado após ser torturado. Uma morte terrível. E, certamente, ele não merecia.

Também ninguém deve se culpar pela morte de alguém, pois, como já vimos, a hora da morte de uma pessoa não cabe a nós determinar[WM2] . Se alguém morre a caminho do trabalho, não é culpa do patrão. Se morre a caminho do estádio, não é culpa do time de futebol. Se morre a caminho da casa da mãe, não é culpa da mãe. Se morre a caminho da escola, não é culpa dos professores. Nós sempre vamos morrer a caminho de algo que tínhamos planejado fazer. E a nossa morte não é absolutamente culpa desse “algo”.

A morte merece ser chorada – de olho no futuro

Apesar de a morte ser um evento natural, é de igual modo natural que a ausência da pessoa querida desperte em nós tristeza. O sentimento de perda é humano e todos nos comovemos de saber que nunca mais veremos em vida alguém que amamos. Por isso, embora seja natural alguém morrer, também é natural sentirmos tristeza por sua ausência. A isso chama-se luto.

Entende-se por luto não somente a reação vivenciada diante da morte ou perda de um ser amado, mas também as manifestações ocorridas em outras perdas, como separações familiares, de amigos, conjugais. Lembranças de valores emocionais, como mudanças de casa e de país, remetem ao processo de luto. Frente à instalação destas perdas significativas, o luto é visto como um processo mental que as designa.

A característica inicial do processo de luto acontece pelas relembranças da perda aliada ao sentimento de tristeza e choro, sendo que a pessoa se consola logo após. Este é um processo que evolui, onde as relembranças são intercaladas com cenas agradáveis e desagradáveis, sem, necessariamente, ser acompanhadas de tristeza e choro. Além destes sentimentos, é comum o choque, a raiva, a hostilidade, a solidão, a agitação, a ansiedade, a fadiga. Sensações físicas como vazio no estômago e aperto no peito podem ocorrer.

A duração deste processo é inconstante e seguido de uma notável falta de interesse pelo mundo exterior. Com o passar do tempo, o choro e a tristeza vão diminuindo e a pessoa vai se reorganizando, porém é um processo em longo prazo e os episódios de recaída são comuns.

É importante salientar que a dor da perda não pode ser avaliada, cada pessoa deve ser entendida em sua necessidade, com suas características e reações peculiares.

Pensando a respeito da família, o luto pode provocar uma crise na mesma, pois exige a tarefa de renúncia, de excluir e incluir novos papéis na cena familiar. Percebe-se então que existe aí uma complexidade, pois esta crise pode estagnar o desenvolvimento da família, fator que pode definir o processo de luto.[6]

Curioso é que o autor faz um paralelo entre a dor da perda de uma pessoa e a dor de “outras perdas, como separações familiares, de amigos, conjugais”. Ou seja, todos são processos de perda, de ter algo e depois não ter mais. Cabe, então, lembrar que as perdas são outra certeza da vida. Vamos perder roupas de que gostamos, amigos vão se mudar para outra cidade, nosso programa de TV favorito um dia acaba, deixamos para trás nossos dentes de leite… isso é i-ne-vi-tá-vel! E aí, o que fazer?

O segredo é valorizarmos mais cada nova etapa da vida do que a anterior. Não valorizar o que deixamos para trás mais do que o que está pela frente. E isso vale, também, para a morte.

E como se pode fazer isso? Resposta: pela transformação do nosso pensamento.

Se uma lagarta não se transformar, ela nunca se tornará uma borboleta. Se uma rocha não se transformar, nunca será um diamante. Se uma semente não se transformar, nunca será uma árvore. Se nosso pensamento com relação à morte não se transformar, nunca teremos uma visão positiva sobre ela. E isso é possível? “Visão positiva sobre a morte”?

É.

E o mecanismo para que isso ocorra é a atribuição de mais valor ao que deve ser mais valorizado.

A lembrança dos bons momentos, das idiossincrasias da pessoa, do afeto compartilhado e de tudo o que se viveu junto é um bem de valor incalculável. O problema é que nós temos a tendência de valorizar mais os momentos que poderíamos ter vivido com aquele ser amado mas não viveremos porque ela morreu do que os que compartilhamos no passado. Ou seja: atribuímos um valor maior ao que não temos do que ao que carregamos conosco.

Grande erro.

Esse pensamento dificulta a transformação do luto dolorido em uma gostosa lembrança e uma saudade saudável. É lançar âncora num futuro inexistente e desvalorizar todos os momentos fantásticos que vivemos com quem partiu.

É importante relembrar que não há problema algum em sentir tristeza pela perda. Isso é normal. O problema está em deixar essa perda dominar nossa vida, nossas emoções, tornando-se maior do que nós mesmos. Não. Precisamos nos entristecer por um tempo e transformar essa tristeza em sentimentos bons, lembranças divertidas, saudade que nos faça sorrir, memórias sem preço. Porque, se a morte de quem amamos é inevitável e a tristeza que a acompanha também, se esse pacote é fato consumado e certo, aprender a administrar essa situação é imprescindível.

Vamos guardar bem guardado dentro de nós o tesouro sem preço que foi nossa convivência com aquela pessoa que partiu. Sem pensar no que não existiu e que não tem, por isso, como ser valorado. E quem ainda está aqui tem que seguir adiante, pois a vida continua e o tempo não pára. A resposta está no que nos espera à frente. Porque, de que adiantaria a morte de um ente querido se ela não nos ajudasse a refletir sobre a nossa vida e sobre como melhorá-la? Devemos construir nosso futuro de modo que deixaria orgulhoso quem se foi.

A morte nos desperta para a vida

Aqui chegamos ao ponto-chave. A grande questão que devemos nos perguntar é: o que fazemos com nossa vida enquanto a nossa morte não chega? Isso é o que realmente importa. Nossas ações, nossas realizações, as palavras que pronunciamos, os gestos e atos, nossas decisões…este é o nosso legado. Isso que deve nos preocupar e ocupar nossos pensamentos. Todos morrem. Ficam as memórias. Devemos, então, nos questionar: que lembranças eu quero deixar após minha morte?

Fui uma pessoa amável?

Vivi com honradez?

Fui verdadeiro?

Fui honesto?

Obedeci meus pais?

Respeitei os outros?

Fui generoso?

Perdoei quem me ofendeu?

Fui magnânimo ou tirânico?

Fui abnegado ou egoísta?

Fui bom ou mau?

Fui alguém que um pai chamaria de “bom e fiel”… ou não?

Nos preocupamos demais em conquistar bens materiais, investimos na bolsa, fazemos previdência privada, juntamos dinheiro na poupança. Mas é importante lembrarmos que, quando partimos desta vida, deixamos para trás todos os nossos bens materiais, tudo aquilo que vemos nos anúncios da TV: fica nosso vídeo game, fica nossa bicicleta, ficam nossas roupas, DVDs, MP3, tênis, tudo. Não levamos nada disso conosco.

Ou seja: será que esse tem de ser o foco da nossa vida?

Vamos viver a vida preocupados com o que podemos ter? Ou com o que vamos SER?

Pense em alguém que você amava e que perdeu. O que você lembra dele? Das coisas que ele tinha ou de quem ele era? De suas roupas ou de suas qualidades?

De igual modo, como você quer ser lembrado após sua morte? Por suas demonstrações de amor ou de ódio? Pela intensa alegria que você transmite ou pela tristeza com que contagia os outros? Por ser alguém que semeia paz ou conflitos? Pela paciência com os demais ou pela impaciência? Por ser um indivíduo benigno e bondoso ou articulador e maldoso? Por ser fiel às pessoas, à verdade e à ética ou por ser alguém em quem não se pode confiar? Pela mansidão ou por um temperamento intratável? Por demonstrar domínio de suas ações ou por ser escravo de impulsos e instintos?

Pense nos seus defeitos. Que tal fazer uma reflexão e mudar suas atitudes para se tornar uma pessoa sempre melhor? Viva a vida com equilíbrio, responsabilidade, fé e ética, fazendo aos outros o que gostaria que fizessem a você. O poeta mexicano Octavio Paz, morto em 1998, escreveu:

A vida de cada um de nós — toda essa confusão de múltiplas ações, omissões, desgostos e esperanças que é a nossa existência — não encontra na morte um sentido ou explicação, mas um fim. A nossa morte ilumina a nossa vida. Se à nossa morte faltar sentido, é porque a nossa vida também não o teve.[7]

Não é à toa que este cérebro privilegiado ganhou o Prêmio Nobel de Literatura. Ele prossegue, mostrando que vivemos numa sociedade onde se foge da idéia de morte como de um leproso:

Tudo na nossa sociedade de consumo funciona como se a morte não existisse. Ninguém a toma em consideração, é suprimida em toda a parte: nos discursos políticos, na publicidade comercial, nas séries de televisão e nos hábitos populares. (…) O materialismo consumista não só tentou suprimir a morte na sua perspectiva unidimensional do presente, como agora parece possuído por um desejo prometeico de “curar” a morte através da tecnologia. Isto parece-me a obsessão última do conceito de encontrar o “paraíso aqui e agora” (…) Ao mesmo tempo, esta tem sido a época da morte de massas. Neste século de Auschwitz, Hiroshima e Bósnia, ninguém pensa sobre a sua própria morte, como o poeta alemão Rainer Maria Rilke nos pedia que fizéssemos, já que ninguém vive uma vida que seja só sua. A morte, como o indivíduo, desaparece na corrida consumista para a felicidade, mesmo quando espreita sombria como uma realidade coletiva em holocaustos inexprimíveis.

O medo faz-nos virar as costas à morte e, ao recusarmo-nos a contemplá-la, fechamo-nos à vida, que é uma totalidade que a inclui. (…) O “espaço aberto” é onde os contrários se reconciliam, onde a luz e a sombra se fundem. Esta concepção devolve à morte o seu significado original: morte e vida são opostos que se complementam um ao outro. Cada um deles é metade de uma esfera que a nossa visão, fixada numa só dimensão do tempo e do espaço, não consegue alcançar. No mundo pré-natal, vida e morte estão fundidas; no nosso mundo, estão opostas (…) Uma civilização que nega a morte acaba por negar também a vida.[8]

Fica patente a contradição: vivemos uma vida que com toda certeza nos conduzirá à morte…mas não queremos encarar o óbvio de frente: vamos morrer. Nossos amados vão morrer. Temos que lidar com isso. Temos que fazer dessa certeza um motor que produza em nossa vida bons e virtuosos frutos. É vital viver de modo significativo, para que nossa morte tenha sentido. Afinal, o que importa é o que você fará durante sua vida e que terá repercussões após sua morte. Michel de Montaigne escreveu: “A utilidade de viver consiste não no tamanho dos dias, mas no uso do tempo; um homem pode ter vivido muito tempo e mesmo assim ter vivido apenas um pouco”.

Sherwin B. Nuland lembra no livro Como morremos que rabinos quase sempre terminam no serviço funeral com a frase “que sua lembrança sirva de  bênção”. Sobre isso, ele reflete:

É um conjunto específico de palavras que não é familiar aos não-judeus presentes na ocasião (…). Embora expresse o que é obviamente um desejo universal, este simples pensamento merece uma atenção mais freqüentes de todos nós, e não só em casas de prece.

A esperança que trouxe um pouco de paz a Bob DeMatteis deveria ser encontrada na lembrança que ele pôde criar e no sentido que sua vida teria para os que ficassem depois que ele tivesse partido. Bobby era um homem que vivia com a percepção constante de que a existência de uma pessoa não só é finita como tem sempre o risco de terminar de forma inesperada. Aí jaz a semente da pavorosa ansiedade induzida pelas coisas médicas, mas também o foco germinal de sua aceitação quando a doença final se anunciou.

A maior dignidade a ser encontrada na morte é a dignidade da vida que a precedeu. Esta é uma forma de esperança que todos nós podemos alcançar, e é a mais duradoura. A esperança reside no sentido do que nossas vidas têm sido .

Ou seja: quem viveu com dignidade morre com dignidade.

A morte deve ser discutida

Está lançado o desafio. Para enfrentar melhor a morte é preciso encará-la. Para aceitar melhor a morte é preciso compreendê-la. E isso significa deixar de fingir que ela não existe e desenvolver uma reflexão profunda sobre sua realidade, sua certeza, sua chegada e suas conseqüências – principalmente, para nossas vidas e nossas atitudes. Mas reconhecemos que, para a imensa maioria de pessoas, isso é difícil. Ninguém quer pensar em perder os que ama. Ninguém quer imaginar a dor que sentirá. Só que…fazer o quê? A morte virá, e é preciso estar preparado para quando ela invadir nossa vida, num dia em que menos esperamos. Viver não é fácil. Viver após a morte de alguém que amamos é menos fácil ainda. De fato, é bem difícil. Mas é inevitável. Nos preparemos, pois.

Se você tem dificuldades para encarar ou entender o assunto, a sugestão é: procure discutir o tema com alguém que o compreende mais. Em especial, um sacerdote. Não guarde suas dúvidas e angústias só para você: desabafe. Questione. Debata. E leia livros que abordem a questão, como a Bíblia. Por quê? Porque essa é uma obra que contém uma vasta abordagem sobre a morte. Mais fantástico ainda: mostra uma realidade absolutamente animadora! Apesar de a morte ser natural, necessária e imprevisível, a Bíblia afirma que ela não é o ponto final.

Como assim?!?!

A resposta está em outra passagem da Bíblia: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3.16). Percebeu? A Bíblia nos ensina que existe a possibilidade de vida após a morte! Ou seja, quando pensávamos que teríamos de nos despedir para sempre de nossos entes queridos, descobrimos que há a possibilidade de reencontrá-los. Que é natural que haja continuidade de nossa vida após a nossa morte e a deles. Uau!

Então espere aí, vamos de novo:

Em nossas vidas, há etapas a serem percorridas. Ninguém nasce sem ter passado meses no ventre de sua mãe. Isso é natural. O crescimento é natural. A puberdade, o buço, os seios, a menstruação…tudo natural. Com a idade adulta, o tônus muscular dos homens e as curvas das mulheres…natural. Com o avançar dos anos, vincos na pele e perda a elasticidade são um fenômeno natural. Os cabelos vão ficando brancos…flacidez. É natural. Chega afinal a morte. E, adivinhe só, isso é mais um entre tantos acontecimentos absolutamente naturais da nossa vida. Chegamos ao mar. Deixamos de ser rio. Pronto.

E aí abrimos a Bíblia e descobrimos que o mar não é o ponto de chegada, mas o início de um universo ilimitado de possibilidades! Que existe mais uma etapa natural em nossa existência!

A pergunta que surge neste ponto é: o que devemos fazer então para que tenhamos acesso a essa nova etapa, que Jesus chamou de “vida eterna” e que a Bíblia também chama de “salvação”? A resposta está nessa passagem das Escrituras Sagradas que você leu aí acima: Deus deu o seu Filho para que todo aquele que nele crê tenha a vida eterna!

Quem é o Filho de Deus? Jesus.

O que é preciso para ter a vida eterna? Crer nele. Só isso? Só.

Mas então vamos com calma, pois isso é muito importante e é preciso ficar bem entendido. Se para ter a vida eterna é preciso crer em Jesus, temos que compreender exatamente o que significa “crer em Jesus”! É só acreditar que ele existiu ou que as coisas que ele ensinou são lindas? Bem, não só isso. É, acima de tudo, crer no seguinte:

-          Todas as pessoas desobedecem a Deus;

-          Essa desobediência nos afasta de Deus;

-          Se morrermos afastados de Deus não teremos vida eterna com ele;

-          O preço a ser pago para nos reaproximar de Deus é a morte;

-          Para nos reaproximar de Deus, Ele enviou à Terra seu Filho, Jesus;

-          Jesus pagou o preço: morreu em nosso lugar.

Ao morrer por mim e por você, ele pagou o salário da morte. E provou que tem controle sobre ela ao ressuscitar dentre os mortos. Basta aceitar essa realidade e teremos direito à vida eterna.

Ainda não entendeu direito? Vamos imaginar que você não tenha uma geladeira. Para manter seus alimentos frescos, você usa um balde cheio de gelo. Só que o gelo depois de um tempo derrete e a comida estraga. Por isso, é necessário constantemente trocar o estoque de gelo: enche, derrete, enche, derrete, enche, derrete. Até que um dia um homem vê a sua situação, se comove e decide fazer algo por você, simplesmente para te ajudar, sem nenhum interesse além do amor em seu coração. O que ele faz? Esse rapaz – vamos chamá-lo de Josué – vai até uma loja de eletrodomésticos, dirige-se ao vendedor e compra uma geladeira novinha em folha. Josué diz a ele:

- Escuta, essa geladeira é daquela pessoa que está lendo aquele texto sobre a morte. É dela. Já paguei o preço necessário. Tudo o que ela tem de fazer é vir aqui na loja retirar o produto. Imediatamente na hora em que ela chegar você lhe entregue, por favor.

Em seguida, Josué chama um de seus empregados e diz a ele:

- Olha só, comprei uma geladeira novinha para a pessoa que está lendo aquele texto sobre a morte. É dela. Já está paga. Vá até ela e diga-lhe que eu fiz isso, que tudo o que ela tem de fazer é ir até a loja retirar o que já lhe pertence.

O empregado vai até sua casa, bate na porta e anuncia:

- O senhor Josué me mandou vir até você informar que ele pagou o preço que você precisaria pagar para ter uma geladeira novinha em folha. É sua. Já está comprada. Tudo o que você tem de fazer é ir até a loja retirar.

E agora? Bem, você tem duas opções.

Primeira: você crê na mensagem que aquele empregado transmitiu, mesmo sem nunca ter visto o senhor Josué, e vai até a loja retirar a geladeira. Pronto! Ela será sua.

Segunda: você não crê na mensagem, dá as costas ao empregado e continua vivendo a sua vidinha: enche, derrete, enche, derrete, enche, derrete. Só que um dia vai faltar gelo, sua comida estragará e você vai morrer de fome.

Essa é uma fábula sobre a realidade da vida eterna por Jesus. Ele é Josué. A geladeira é a vida eterna. Ele não precisava, mas pagou o preço para que você a tivesse. Ela é sua! Basta você crer quando te disserem que ele fez isso por você. Mas, se você não crer, nunca poderá usufruir dela – mesmo que já seja sua!

Jesus veio à Terra e morreu na cruz a morte que eu e você deveríamos morrer. Ao aceitar este sacrifício em seu coração, você passa a ser herdeiro dessa herança que Jesus nos deixou. Não é fantástico?

E aí você diz: Ok, entendi. Mas, então, como devo fazer, na prática, para merecer a vida eterna? E a Bíblia responde, no capítulo 10 do livro de Romanos:  “A palavra está junto de ti, na tua boca e no teu coração; esta é a palavra da fé, que pregamos. A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação. Porque a Escritura diz: Todo aquele que nele crer não será confundido. Porquanto não há diferença entre judeu e grego; porque um mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os que o invocam. Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo”.

As promessas de Jesus não foram poucas com relação a isso. Ele falou também: “Quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida” (João 5.24). Tem mais: “Em verdade, em verdade vos digo que, se alguém guardar a minha palavra, nunca verá a morte” (João 8.51). E, por fim: “Vivo e fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre. Amém. E tenho as chaves da morte” (Apocalipse 1.18b). Olha isso! Jesus afirma com todas as letras que tem as chaves da morte! Ou seja, que ele tem poder sobre ela e a domina. E pode dar a quem ele quiser o dom da vida eterna, da salvação.

O que precisamos mesmo fazer para receber isso?

Entregar sua vida a Jesus. E confiar. “Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e tudo mais ele fará” (Salmos 37.5). Só isso. Simples. Depois, basta viver uma vida plena das virtudes que agradam a Deus e esperar com paciência por aquele dia em que você estará com ele e com todos os que morreram fiéis a Ele.

Se você desejar receber o presente da vida eterna, fale com Deus. Diga-lhe o seguinte: “Senhor, acredito que te desobedeci e que por isso me afastei de ti. Perdoa minha desobediência, estou arrependido. Sei que pelo meu mérito pessoal não poderia merecer o Céu. Acredito que a única maneira de voltarmos a ser plenamente unidos é crendo que Jesus morreu em meu lugar e depois ressuscitou, venceu a morte e o diabo e me tornou, assim, herdeiro do Céu. Confesso que Jesus é meu salvador. Confesso que Jesus é meu Senhor!”.

Agora, tem duas coisas importantes que você precisa fazer: ler a Bíblia e procurar uma igreja cristã e seu pastor. Pois é na Bíblia que você conhecerá profundamente Jesus e suas promessas de vida eterna. E na igreja receberá a instrução e o consolo de quem entende de morte. Assim, poderá viver plenamente a vida, até aquele dia em que, certamente, terá de se despedir dela e iniciar essa nova etapa em sua trajetória: a vida eterna.

Recapitulando

Vamos lá:

1) A morte é natural. Ela é apenas mais uma etapa da vida.

2) A morte não é uma derrota. Todos morrem, vencedores e perdedores.

3) A morte é necessária. Faz parte da dinâmica deste mundo e é pré-requisito para que nele haja vida.

4) A morte é inexplicável e imprevisível. É perda de tempo tentar entender por que alguém morreu. Não há culpa. Não há como saber antes.

5) A morte não é uma punição. Pessoas maravilhosas morrem.

6) A morte merece ser chorada. A saudade de quem partiu nos deixa tristes, é totalmente normal. O que não pode ocorrer é deixarmos essa tristeza nos dominar e prejudicar. Temos que transformar a tristeza numa gostosa saudade.

7) A morte nos desperta para a vida. Todos morrem. Que lembranças eu quero deixar após minha morte? A de uma pessoa correta, ética e verdadeira ou a de alguém do mal?

8. A morte deve ser discutida. Leia a Bíblia. Procure uma igreja. Converse com um pastor.

9) A morte não é o fim. Todo aquele que crê que Jesus morreu em seu lugar e depois ressuscitou não perece, mas tem a vida eterna.

Que Deus te abençoe com uma vida plena e abundante!


[1] www.prb.org

[2] Mundo Estranho, Edição 64, Junho de 2007

[3] Fonte: Agência Brasil: http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2008/04/10/materia.2008-04-10.9349490093/view

[4] http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20070415051612AAlABn9

[5] Sherwin B. Nuland, Como morremos. Rio de Janeiro, Rocco, 1994, p. 213

[6] Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Luto

[7] Morte e Consumo (Octavio Paz in EXPRESSO 25/4/98. Tradução de Aida Macedo)

[8] Morte e Consumo (Octavio Paz in EXPRESSO 25/4/98. Tradução de Aida Macedo)


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Comentários
  1. Regina disse:

    Ahhhh, Maurício… quanta honra nos apresentar o Sr. João, e de um jeito tão doce, contundente e, ao mesmo tempo, triste – porque a morte, queiramos ou não, deixa saudades que doem. Você tem esse jeito especial de nos contar as histórias da vida e do Reino, e honra, como um ungido do Senhor, a vida do bisavô de sua Laura. Que benção sua existência, a dele e de todos que vivem para o Senhor Jesus.

    Um grande abraço, ‘no ombro’,
    Graça, Consolo e a Paz a todos vocês

    • Obrigado, Regina, vc é sempre um doce e uma bênção. Seus comentarios superam em muito meus posts.
      A honra é minha.
      Jesus te abençoe muitão.
      Beijos

      • Regina disse:

        Obrigada. Mas sabe, acredito que aqui caminhamos todos juntos, amparados pelas mesmas Mãos, fitando o mesmo Alvo (somos nEle apenas1). O Caminho que seguimos nos une e ajuda mutuamente. A honra, creia, é minha; mais além, de todos que aqui compartilhamos ;)
        Tenham esta noite um sono restaurador, com sonhos das maravilhas da Gloria e da Vida Eterna

      • Amem, querida.
        Um beijo.

  2. Silvia Marques disse:

    Oi Mauricio, Paz do Senhor.
    Me impactou muito seu texto, falando de seu avô, Joao Batista, e de quanto ele fez, creu, e realizou o bom combate. Creio que Deus leva em consideração o nosso coração.
    Seu texto me levou a pensar no meu pai, que o Senhor o levou dia 9 de agosto. E apesar do meu pai dizer ser um anti-igreja ele era uma pessoa crente em Deus.
    Suas palavras registradas aqui, me confortam nesse luto, porque sei que Deus tem meu pai em bom lugar aos seus cuidados.
    Minha familia ainda sofre o impacto que sua ausencia nos causou, indo tão repentinamente. Mas seus ensinamentos estão em nossos corações e cremos que faremos o possivel para continuar o sonho dele, o de ver a familia unida, ele sentia prazer nisso.
    Outro fator que me chamou a atenção é que sou uma desigrejada e atualmente vim a saber, que muitas pessas também o são. Parece até que, há noticias sobre isso na revista Isto é, pessoas que se dizem evangélicas e não frequentam igrejas. Talvez seja um bom tema para voce abordar e nos ajudar a refletir melhor sobre isso.
    Obrigada outra vez!

    Silvia

    • Silvia, querida,
      antes de qualquer coisa receba um abraço bem apertado pela perda do seu papai. Que Deus o tenha em bom lugar, junto a seu regaço, na paz que dura pra sempre.
      Fico feliz por minhas palavras servirem de conforto, que a dor de teu coração vire logo uma gostosa lembrança.
      Sobre vc ser uma desigrejada, meu conselho é que você busque uma igreja. Viver longe da comunhão não é saudável, é preciso estar entre os que nos consolam, precisam de consolo, nos machucam, recebem a exortação…mas são a familia de Cristo. Viver desigrejado enfraquece, nos mantém longe da sã doutrina, não é o desejo de Deus para os seus. Se vc ler as epistolas verá que em todas elas Paulo, João, Pedro e os outros autores do NT enviam exortações e instruções aos membros das igrejas, mas nunca, jamais, recomendam abandonar a congregação como solução para os problemas.
      Busque uma igreja. Não uma neopentecostal. Procure uma igreja séria, seja Batista, Presbiteriana, Metodista, Igreja Cristã Nova Vida, aquelas provadas e aprovadas pelo tempo… mas não fique fora da comunhão. Vc precisa participar da Ceia. Precisa ouvir mensagens que edifiquem. Precisa ajudar e ser ajudada. Como uma desigrejada isso é impossível.
      Se vc quiser conhecer mais o assunto, eu escrevi sobre o tema na revista Cristianismo Hoje, vc pode ler clicando AQUI
      Também já escrevi alguns posts aqui no APENAS sobre o assunto, se vc quiser ler, pode ver em Jesus X Igreja: tornei-me cristão quando saí da igreja e em Jesus nunca construiu templos
      .
      Pode ser que a leitura desses posts te leve a uma reflexão sobre isso.
      Oro a Deus por ti e pela tua familia. Se precisar, estou aqui.
      Beijo grande, na paz do Mestre.

  3. Alessandra Figueredo disse:

    Mauricio,
    Me compadeço da sua dor e peço a Deus q restaure a sua alegria, pois como vc msm disse é necessário viver o luto. É natural.
    Querido, muito obrigada por este belíssimo texto! Que primor!
    Em meio a sua dor, vc conseguiu restaurar meu coração e de muitos q têm o privilégio de ler esta obra prima.
    Estou orando por sua familia!
    Fique com o meu abraço bem apertado! Sofro com vcs! E precisando de mim, estarei sempre por aqui, à disposição!
    Bjss da amiga, Lele

  4. Pri disse:

    Poxa Maurício, andei esses últimos dias com muita saudade do meu querido avô que foi chamado por Deus no dia 09 de agosto agora, também, de repente, pegando a todos de surpresa. Fiquei em estado de choque por algumas horas, mas sempre penso que a vida tem que continuar, então retomei a minha. Porém, confesso que estava precisando de palavras sábias como essas que acalentaram meu coração, por isso, agradeço por você compartilhar seus conhecimentos conosco. Mesmo escrevendo pouco para você, saiba que acesso todos os dias o seu blog e geralmente me pego com vontade de aplaudir seus textos quando termino de lê-los. Oro para que Deus continue te usando como Ele tem feito até aqui. Beijo. Pri

    • Pri, querida,
      receba meu carinho pela perda do vovô, que a dor passe logo, o mais rápido possível.
      Me alegro que minhas palavras tenham feito morada em teu coração e de algum modo trazido acalanto.
      Suas orações são preciosas e muito bem-vindas. Preciso delas.
      E obrigado pela leitura do blog, é bom saber que nossos devaneios tocam vidas para o bem.
      Um beijo bem grandão, no amor do Senhor Jesus.

  5. Pri disse:

    Agora que vi o comentário da minha mãe Silvia. Sempre faço ela ler o seu blog, rsrsrs.

  6. Daniel Freitas disse:

    Irmão Mauricio, meus sentimentos. é verdade que devemos saber que a morte é algo natural, um dia ela vai chegar para todo humano. Mas há esperança, Cristo é a esperança de que eternamente estaremos ao seu lado. Mais uma vez agradeço ao Senhor por remanescentes como vc, que deixam ser usados pelo Espírito de Deus para testemunhar a verdade de que em Cristo, ainda que venhamos morrer, estaremos n’Ele e com Ele vivos. Deus te abençoe.

  7. Rebeca Persi disse:

    Oi Maurício.
    Me sensibilizo com a dor da família pela perda do vô João Batista, pela foto e como você o descreve parecia ser uma pessoa amável, prestativa, com certeza deixou seu legado e fará falta não só aos familiares mas também a qualquer que o tenha conhecido.
    Morrer é penetrar no desconhecido, talvez esteja aí o segredo de tanto medo da morte. Por isso também o astuto inimigo disse para Deus acerca de Jó “Pele por pele ! Tudo quanto o homem tem dará pela sua vida”[Jó 2:4] mas ele não contava com uma fé que superasse a morte pois em meio a tanta calamidade Jó exclamou “Ainda que Ele me mate Nele esperarei”[Jó 13:15]. Aleluia.
    É uma pena que o vô João não tenha repassado a sua experiência a uma outra denominação teria sido sem dúvida de grande proveito. Mas contudo se ele se manteve fiel a Deus e a Sua Palavra de certo foi recebido no céu com festa para aguardar o arrebatamento da igreja [I Tessalonicenses 4 :14 a 18] para a meditação.
    Que Deus abrace a toda a família, pois só Ele pode confortar nessas horas.
    Beijo no amor do Pai.

    PS:. A Laura é muito fofinha. rs *-*

    • Obrigado pelas palavras, Rebeca.
      Gosto muito pq vc sempre traz versiculos biblicos nos teus comentários, os que os torna mais do que comentários, mas extensões da Palavra. VC é uma bênção.
      Laura agradece rs.
      Beijo e paz.

  8. Tenho aprendido com sua sabedoria que vem do Pai.
    O talento que Ele lhe deu, em sido muito bem empreendido, Glórias sejam dadas a Ele.
    Morte é um assunto difícil para mim e no momento da sua dor, consegue acalentar e
    ensinar a outros. Sua generisidade também vem do céu!
    Deus o guarde com sua família nesse momento, na palma de Sua mão.
    carinhoso abraço
    Soraya Barros

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